T2: Episódio 6 - Núcleo Corpo, Transborda
No sexto episódio da segunda temporada recebemos o Núcleo Corpo, Transborda, um coletivo que trabalha com investigações profundas no corpo em movimento, que unem dança, teatro e performance.Recebemos Marina Caron, Bruna Mondeck e Rodrigo Mancusi, conversamos sobre suas carreiras, como surgiu o núcleo e parte de sua tragetória e pesquisa.O podcast só existe pelo trabalho em equipe de:Hellen Almeida: @hc.kryzLaila Oliveira: @wtf_lailaoSereia Chagas: @sereiadeaguadoceValdeir Santana: @valdeir.vsf Giovanni Felipe: @naturezaamorosa Produzido por Coletivo Teatro, Memórias e Além.Vozes do Palco é um Projeto Contemplado na 22ª Edição do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais do Município de São Paulo - VAI @ProgramaVAIsmc
- Núcleo Corpo, Transbordapesquisa de movimento · educação somática · expressão corporal · intersecção de artes
- Inspirações ArtísticasMarina Caron · Bruna Mondeck · Rodrigo Mancusi
- Desafios na dançamercado artístico · vulnerabilidade
- Importância da dançasobrevivência poética
- Interação com o Públicointeração com o público
Começa agora Vozes do Pau.
Olá, você está ouvindo ou assistindo Vozes do Palco. Este podcast visa entrevistar artistas independentes. Nesta segunda temporada, estamos entrevistando artistas da dança. Meu nome é Seireia Chagas, sou uma pessoa não binária, não tenho preferências de pronome, sou uma pessoa parda, tenho cabelo black power, uma barba meio rala, estou usando um brinco meio holográfico no lado direito, estou com um colar branco.
Um vestido indiano azul com detalhes brancos, amarelos e laranja. E hoje a gente vai entrevistar um pessoal muito incrível do Corpo Transborda. Sejam muito bem-vindos. Muito obrigado. Obrigada.
É um prazer pra gente estar aqui, né, compartilhando um pouco do nosso grupo, né, de uma pesquisa aí longa, que veio muito através da Marina Caron, que eu chamo de mestra, né, nosso nome de mestra. Nossa, a nossa é maravilhosa. Maravilhosa. E é um prazer estar aqui, inclusive é a primeira vez, né, que a gente tá falando um pouco sobre o nosso grupo, assim, trazendo pra outras pessoas, né, normalmente a gente tá muito mais trocando com as pessoas que vão assistir, então é muito legal estar aqui tendo essa oportunidade, né.
Vamos nos apresentar? Também agradeço muitíssimo. Eu sou Marina Caron, sou uma mulher cis, de pele branca, cabelos pretos, encaracolados. Uso brincos grandes de bola branca, uma camiseta branca e uma saia preta de tucanos e arco-íris. Bom, meu nome é Bruna Mondeck, eu sou uma mulher cis, branca. Eu tenho os cabelos morenos, mas algumas mechas loiras.
Eu tô usando um brinco dourado, eu tenho piercings dourados no nariz, na sobrancelha, tô usando uma camiseta de manga longa de rendas, tô usando um colar também. Acho que é isso.
E eu sou Rodrigo Mancusi, eu sou uma pessoa não binária, mas eu me identifico com os pronomes dele e dele. Eu sou uma pessoa parda, eu tenho cabelos pretos, eu tenho alguns acessórios, brincos, pulseiras, colares, piercing no septo, piercing microdermal. E tô com um macacão preto básico, nada básico. E já vamos começar contigo. Quem que é Rodrigo Mancusi?
Bom, para além de tudo isso que eu falei já com uma apresentação de audiodescrição, que faz muito parte de quem eu sou, eu sou um artista, eu sou músico, cantor, compositor, é flautista, eu sou formado como ator, faço alguns trabalhos ainda voltados para a área.
Nisso, nesse encontro do teatro com a dança, eu comecei também a me interar dentro dessa pesquisa de movimento do corpo. E tenho trabalhos autorais voltados para a música. Tenho uma banda que se chama Abacaxepa, já vai fazer 10 anos, em 2026.
E tenho há dois anos um projeto solo também, onde eu lancei meu primeiro disco e estou agora produzindo um segundo. Então, meu trabalho é com criação. Eu acho que o principal, o que eu mais sigo como prioridade, até por questão do quanto tempo eu me dedico, é a música. Mas eu sou atravessado por todas essas outras artes.
em todos os momentos mesmo e na minha criação, seja no Corpo Transborda, seja quando me chamam para um projeto artístico teatral ou audiovisual. Conta um pouquinho da sua trajetória também, de onde você vem, como foi o seu interesse por arte, nas linguagens que você está inserindo. Claro. Conta um pouquinho de como foi que você ingressou em cada uma delas.
Eu sou de São Paulo, sou atravessado por uma família que é metade daqui de São Paulo e metade é baiana, do interior da Bahia, em Ipirá. Eu comecei a fazer teatro quando eu tinha 11 anos.
Eu sempre gostei bastante de arte, dançava na escola já, já fazia aulas de jazz, né? Fazia aulas de hip hop, mas... E fazia também bastante, enfim, sempre trazendo muito movimento no teatro quando eu comecei.
E aí eu me formei como ator na Faculdade Celia Helena de teatro. E no meio da faculdade eu já tinha começado um projeto autoral com a minha banda, chamada Abacaxepa. E a gente se conheceu na faculdade de teatro. E ali, por mais que eu já estava fazendo alguns trabalhos profissionais como músico...
Eu ali tive a primeira experiência como autor mesmo, como compositor. Eu não imaginava que era uma possibilidade para mim. Eu não vim de uma família de artistas, então eu não tinha essa referência de que seria possível criar as minhas coisas. Eu nunca tive referência de, ai, filho, vem aqui, presta atenção nessa composição. Foi uma coisa que eu fui aprendendo muito intuitivamente. E aí nessa escola, banda, que é o Abacaxepa, eu comecei a compor.
E aí nisso me surgiu ainda mais o interesse pela música, não só pelo fato de eu já estar fazendo alguns trabalhos que estavam me pagando pra isso, uma coisa que eu nunca imaginei que eu poderia fazer como profissão, mas também me surgiu esse encantamento pelo...
Pelo compor, pelo produzir, pelo criar a música, né? Então, eu já saí da faculdade de teatro sabendo que a minha prioridade não seria o teatro, seria a música. Mas também saí muito atravessado pelas aulas que a gente tinha. Inclusive, conheço a Marina Caron lá dessa faculdade, ela foi minha professora. E a gente já tinha se conectado pra além desse lugar aluno-professor, né? Uma intimidade que foi se criando também.
Até ela me chamar pra fazer parte do Corpo Transborda. Mas ali na faculdade de teatro eu já comecei a me interessar muito pelo corpo, né? Que era uma coisa que eu já, de alguma forma, sempre carreguei, né? Obviamente, mas assim, com esse lugar mais de intenção, né? E foi a coisa do teatro em si, da faculdade, que eu mais carreguei pra fora, né? Então comecei a fazer... Um...
aulas em alguns espaços que inclusive eram ligados à pesquisa da Marina, que é uma pessoa que sempre trocou bastante comigo. Então, o espaço do Diogranato, com pessoas que vieram da Nova Dança, que a Marina vai falar daqui a pouco, provavelmente, que tem muito a ver com essa trajetória dela. E aí até começar no Corpo Transborda.
Meu trabalho é muito ligado a ser multiartista mesmo. Então, esse lugar de criar as minhas narrativas na minha música, criar no teatro e na dança também.
Já linkando, né? Marina, já conta um pouquinho da sua trajetória também. Acho que é legal também você falar como que foi o Rodrigo ter sido seu aluno e depois ingressar dentro do seu projeto e já costurar isso. Acho que vai ser bonito.
Tenho uma trajetória longa, né? Já de quase 30 anos aí, num trabalho de corpo. Eu sou pesquisadora de corpo mesmo, assim, eu falo sempre isso. Fui composta pelo movimento, pela dança e pelas pesquisas que eu fiz. Eu começo minha trajetória na dança da Unicamp, eu sou formada em dança lá. Mas logo em seguida, quando eu era ainda muito jovem, 21 anos, isso é 1997.
Eu conheço esse coletivo que é o Nova Dança, que era um coletivo muito importante em São Paulo, com três mulheres muito importantes, Lu Favoretto, Cristiane Paoli Quito e Tica Lemos, que vinham misturando as linguagens de dança e de teatro a partir de uma abordagem somática. Isso era muito inovador na época, ainda é inovador.
Mas era muito, porque elas colocavam a questão, primeiro, de que não há diferença entre dança, teatro e performance como um único lugar expressivo do corpo. E que a base técnica, entre mil aspas, ou seja, a base de investigação e de pesquisa, era a educação somática, a consciência do movimento, a exploração singular, a coletivização disso.
Eu tive ali uns bons 15 anos de formação nesse núcleo. Paralelo a isso, eu fui fazendo os meus trabalhos também, muito ligado a teatro, junto com o meu parceiro Bruno Perillo, com quem eu divido a vida há 25 anos. E fui também aprimorando isso no Célio Helena, onde eu fui professora há 21 anos.
Ainda não falei de uma passagem importante, que em 2002 eu ganhei uma bolsa e vou para Londres fazer uma especialização no The Place, que é uma escola de dança e drama. Então, também muito próximo do pensamento do Nova Dança, do pensamento do contato e improvisação. Logo do lado ali, em Amsterdã, a gente tem a escola de Nova Dança mesmo.
Os dois núcleos que se juntavam para mim com o trabalho somático, com o trabalho de improvisação e com o trabalho de criação em dança. Então, quando eu voltei para o Brasil, eu entrei no Sela Helena em 2003 e fui desenvolvendo esse trabalho mais especificamente para o artista de teatro, que hoje, para mim, realmente não há diferença. Eu acho que é o artista da cena.
E nessa longa trajetória, realmente eu tive algumas pessoas, né? Rodrigo, Bruna, eu vou aproveitar para apresentar o resto do grupo, né? Então, Rodrigo Mancusi e Bruna Mundé, que estão aqui hoje. Mas o grupo também é composto pela Marcele Lemos, pelo Lucas Perosi, Michelle Justi, Diego Michelle.
Karina, Miranda e muitas outras pessoas passaram, que eu também tenho que citar, né? João, Naná, Mari, Aninha, Pedro, Pietro, Abele, que eram pessoas que nessa trajetória comprida, de alguma maneira, se identificavam com o que eu estava dizendo e também...
Para mim, eram corpos disponíveis para a minha pesquisa. Então, esse grupo é um grupo que surge logo depois do lançamento do meu livro. Vou mostrar. Esse é o meu livro, que é o Corpo Transborda, que eu escrevi em 2021. Ele é o meu mestrado, mestrado profissional que eu fiz no Celelena.
E eu senti necessidade de voltar a experimentar isso nos corpos mesmo das pessoas que estavam já muito linkadas a mim e ao meu trabalho. Então, esse grupo, que hoje são sete pessoas, foi um grupo escolhido, assim, que eu fui chamando pessoa por pessoa mesmo, assim.
Enfim, acho que falei um pouco, mas ainda tem muita coisa para dizer Aqui é o momento de falar Conta um pouquinho da sua trajetória de vida De onde você veio Como que surgiu o interesse pela dança
Olha, eu gosto de lembrar que eu era muito pequena, 5, 6 anos, e eu dançava no quintal. Isso sempre foi assim. Eu sou do interior da cidade de Piracicaba. Meus pais são professores. Meu pai de sociologia, minha mãe pedagoga.
E esse ambiente da casa, assim, que sempre tinha muita música, quase não se ligava a televisão. Eu tinha um quintal gostoso, com frutas, e eu tava sempre dançando e sempre tinha os meus tecidos. Em algum lugar imaginário, era a brincadeira que eu mais gostava de fazer, né? Eu tenho um irmão que é atleta, ginasta olímpico, Rodrigo Caron, e ele também gostava muito, então, de corpo. E as nossas brincadeiras eram corporais.
Sempre foi isso. Lá em Piracicaba, a oferta que eu tinha na época era dança clássica, eu fiz balé por muito tempo e não me ajustei muito ali. Eu sentia que era um código que me aprisionava ao invés de me deixar me expressar. Isso era muito, muito pequeno. Então, logo que eu pude, eu fui procurando outros lugares.
E muito cedo eu entrei na Unicamp com 17 anos, depois de um machucado muito ruim, assim, aos 17, dançando um balé de repertório, rompi ligamento de tonozelo, entendi que não era essa dança para mim, né? Mas a Unicamp me ofereceu muitas outras coisas, assim, desde as danças de cultura popular brasileira, capoeira, que foi alguma coisa que eu gostei muito.
mas também técnicas de artes marciais, Aikido, Lian Kun, Tai Chi, eu fui misturando isso, mas eu acho que eu consegui fazer a integração que eu precisava realmente quando eu encontrei no Nova Dança a abordagem somática, a abordagem de consciência do movimento, e que aí eu pude também...
E elaborando um repertório, um vocabulário de movimento meu, né? Que eu criava e que, obviamente, compartilhava, aprendia com as outras pessoas que dançavam comigo, mas que tinha uma autoria, uma assinatura, né? Isso fez muita diferença para mim.
E no The Place, em Londres, o que aconteceu de forte é que, na época, quem estava lá era um grupo de teatro físico chamado Diviate, que é um grupo bastante referência para a gente, né? E que misturava com mais força a questão do teatro e da dança nisso que eu chamo hoje de dramaturgia da fisicalidade, né? Uma narrativa dramatúrgica que vem do corpo.
E aquilo me encantou na época do encantamento. Eu tinha 26 anos, né? É a época que a gente se apaixona pelas coisas, né? E diz, ah, isso aqui é meu e eu posso seguir. E acho que foi um momento bonito, dali até os 28, 29, em que eu deixo as minhas referências originais e vou também migrando para as minhas referências novas.
E logo em seguida volto para o Brasil e viro mãe, me torno mãe. Sou mãe de Beatriz e Tiago, que são duas pessoas maravilhosas, sensíveis, e que hoje tem 19, 16 anos, já tem tempo, né? E a maternidade, a gravidez, a gestação, os partos e a criação dessas duas pessoas, né? Com as suas características.
também me ensinou muito sobre o que eu entendo hoje que é corpo, que é experiência vivida e que é dança, no sentido que eu chamo de dança. Eu acredito que algumas pessoas que estão assistindo não sabem o que é educação somática. Você consegue explicar? Então, é a somatória da psique e da motricidade. Então, a gente compreendendo o corpo como uma unidade psicomotora.
E um entendimento de que a experiência vivida está inscrita nos corpos, que cada pessoa tem a sua história e as suas inscrições de maneira particular, de maneira singular. A isso eu nomeio poética do movimento. E a educação somática vai então voltar para a anatomia. A anatomia aqui é uma anatomia do sensível, então não é uma anatomia...
Exatamente da medicina, a gente passa por alguma coisa mais concreta que seria o sistema esquelético muscular, mas depois percepções e sensações ainda mais etéreas, de vísceras, de fáscias, de órgão.
tentando de alguma maneira iluminar ou deixar que essa pessoa escute, enxergue, veja a si mesmo e que isso possa provocar processos de transbordamento que são partituras físicas, criações de movimento particulares, como eu falei, né? Autorais. O que acontece é que como a gente sempre trabalha em grupo, isso é muito contaminado, né? Pelas expressões de outras pessoas que estão junto, assim, né? Obrigada.
Então, a soma eu acho que é da consciência com o inconsciente, da psique com a motricidade, da individualidade com o coletivo, do que a gente pode acessar e do inacessível. A minha pesquisa vem muito por essa expressão, no livro é muito forte, vias de acesso. Então, vias de acesso são túneis, são caminhos, são trajetórias internas.
que acho que iluminar é a melhor palavra, é como se aquilo estivesse já em você, mas você não pudesse enxergar. E o que a educação somática faz é te colocar naquele lugar interno novamente e deixar aquilo virar um espaço externo e uma relação do seu corpo com o tempo, com o espaço.
Nossa, algo muito rico e complexo, né? É muito complexo, é super difícil explicar, né? É bem difícil explicar. Eu acho que você conseguiu explicar de uma maneira, assim. Acho que tem explicações mais técnicas do termo cunhado mesmo, em 1976, por Thomas Hanna. Mas eu acho que agora, em 2026, a gente já está num outro momento, assim. Acho que a gente teve...
ou como eu falei ali, um enfrentamento, eu gosto dessa palavra, em relação a códigos muito tradicionais, restritos e rígidos da dança, não só clássica, mas moderna e até contemporânea mesmo.
e uma abertura que foi tão grande que a gente ainda está tentando elaborar, sabe? Até porque o ser humano enfrenta, abre e se desorganiza depois disso, né? Então sempre tem esse momento de voltar, de sedimentar, de entender novamente. A pesquisa...
Somática, ela encabeçada por diferentes pessoas é muito diferente na sua prática. Sempre digo isso assim, tem tantas técnicas quanto os pesquisadores somos, né? Mesmo dentro da abordagem, Nova Dança, Lu Favoreto trabalha muito com o trabalho da Bézier, que é a minha origem.
principal, mas depois a Kito vai trazer o trabalho do Clown, a Tica vai trazer o trabalho do contato e improvisação, e cada uma das artistas que passou por esse espaço, e aí são centenas de pessoas de teatro, de dança, de circo, sabe, de artes visuais, de música.
de alguma maneira transformaram o próprio saber, né? Esse conhecimento que acontece na relação, na prática, e que vai depois podendo ser nomeado, às vezes, anos mais tarde. Coisas muito fortes acontecem que a gente só vai entender muito depois. O núcleo de pesquisa Corpo Transborda, pra mim, hoje, ele é exatamente esse lugar onde eu entendo o que foi que eu vivi e que eu estudei até aqui, né?
com essas pessoas maravilhosas disponíveis para o trabalho também junto comigo, né? Eu já vou voltar para perguntar, né, do Corpo Transborda. Vamos também saber um pouquinho da trajetória, né, da Bruna. Ah, bom, gente, é engraçado, porque escutar vocês me mostra como a gente tem trajetórias, claro, são diferentes, mas são trajetórias que parecem que estão buscando respostas, né, para coisas que falaram para a gente que a gente tinha que ser. Então, eu, por exemplo, assim como a Má, desde que eu me lembro, eu...
Eu danço, assim. E eu lembro de dançar no apartamento, me bater toda. Me bater no piano que minha mãe tocava e estar lá dançando. E a minha irmã começou a dançar antes que eu no Clube Pinheiros, né? Então, a Lu tinha cinco anos, eu tinha três. E naquela época, a gente não podia fazer com três anos balé. Mas minha mãe compra a roupinha pra mim e eu ficava lá. Sentadinha, olhando a Luísa dançando e querendo muito estar ali, né? Então, durante um tempo, o balé, ele me serviu de alguma maneira. Me expressar e tudo. E eu fui vendo que eu fui ficando maior com, acho que...
com mais perguntas, talvez mais coisas complexas, e o balé já não cabia também em mim. Eu acabei me machucando com a Marina, rompe ligamento do joelho, e nessa época eu tinha decidido fazer jornalismo, porque todo mundo sempre fala, a Bruna é muito comunicativa, eu tinha feito teatro na escola, não, a Bruna é jornalismo. E aí eu cheguei no jornalismo, e eu sentava naquela carteira, eu falava, eu quero estar dançando, tanto é que na aula de fotografia, eu pegava a câmera para fotografar pessoas dançando.
Então, eu nunca, acho que eu nunca tive nenhum momento no qual eu parei de dançar, né? Mesmo quando eu machuquei o joelho, eu encontrei aí o teatro. Então, eu lembrei que quando eu era pequena, eu fazia teatro. E aí, eu comecei a fazer a oficina dos menestrés, né? Enfim, a oficina dos menestrés, ela é uma mistura meio de musical também. E eu tava ali com o joelho meio impossibilitado. Então, eu encontrei um outro lugar de expressão, que era a voz. E aí, o pessoal falou pra mim, ah, por que você não faz o Sally Lane, então?
Eu falei, então vamos nessa, acho que talvez possa ser uma possibilidade, já que eu senti que o balé não me dava esse espaço. E depois disso, eu também acabei encontrando outros lugares da dança. Então, dancei no pavilhão D, que misturava também contemporâneo.
entrei em uma companhia de dança depois, que foi o Caleidos, que me trouxe, em certa maneira, uma visão de educação somática de uma outra forma, então não é a mesma abordagem da Marina, mas também me trouxe em outro lugar que eu falei, nossa, então tem o Laban também aí, tem outras coisas que não são técnicas tão específicas. E aí eu sinto que eu ainda estava nesse lugar de me encontrando, então comecei a dar aula também, então eu também sou professora de dança, e eu me apaixonei fazendo isso.
comecei também dando aula de balé e depois eu falei, gente, crianças de três anos não têm que estar dançando balé. Elas têm que estar com o corpo mexendo, que seja como a Marina trouxe, a capoeira, que seja mesmo trazendo princípios da dança que o Laban propõe, de investigações, mas principalmente acho que a improvisação, a pesquisa que a gente tem que ter. Então, hoje eu também dou aula de corpo e movimento, de dança numa escola.
Sou muito feliz fazendo isso. E também sou locutora publicitária, que foi uma coisa que apareceu assim.
Mas aí, enfim, vocês devem, quem não paga o Spotify pode me escutar aí falando alguma coisa, propaganda da Boticário, sei lá o quê. Mas eu gosto, porque também traz um lugar do teatro de, acho que, interpretação assim, né? Então também é um trabalho que eu faço. Aí eu tenho o Grupo Ponto Zero, que é um grupo também de pesquisa de dança e teatro, com amigos que eu encontrei também no Célia, né? E hoje também um dueto de dança contemporânea, com um parceiro muito querido, que é o João Guilherme.
Mas, gente, eu devo dizer pra vocês que é assim, quando eu entrei em contato com a dona Marina Caron, acho que as nossas almas, assim, ó, se amaram, porque foi um encontro muito especial mesmo. Mas eu agradeço, porque acho que a gente trocando as nossas trajetórias, a gente vai percebendo como... O que que tá faltando aqui, né? O que que a técnica não tá me dando?
E aí eu sinto que foi nesse convite de estar nesse núcleo de pesquisa que eu estou nessa caminhada de me abrir para uma coisa muito maior, que tem a ver com o que o Rô falou, da gente ser multiartista. Então não é só o teatro, não é só a dança, não é só a música, não é só a performance. É onde isso tudo se encaixa e desencaixa ao mesmo tempo.
E eu acho que é como a Marina falou, né? Agora, eu acho que sempre as linguagens estavam sempre entrelaçadas, mas as pessoas querem separar as linguagens, né? Que teatro seja só teatro. E se a gente for pensar na origem, tudo estava, tipo, junto. E aí, hoje em que as coisas sejam separadas, eu acho muito legal esse movimento de que se queira falar, não, está tudo junto, a gente vai fazer coisas com multilinguagens, e sempre foi assim, a gente vai continuar investigando dessa forma.
E esse é o pilar da educação somática, né? O movimento total, a integração, a integração que lá atrás a gente chamava de corpo-mente. Hoje eu acho que talvez esse termo a gente não precise mais pensar, mas a gente pode pensar em pensamentos.
O pensamento lógico, racional, verbal e o pensamento sensorial, motor, sensitivo, que sempre estiveram entrelaçados como um. E a gente fez questão de fragmentar e cindir, né? E a arte bebeu dessa fonte. Quanto mais específico ficou quem era do corpo para a dança, quem era da música para o canto ou para o instrumento, quem era do teatro para o texto teatral, mais a gente perdeu de expressividade.
E a gente perdeu a humanidade, a gente perdeu sensibilidade, a gente ganhou técnica, especificidade e perdeu isso que a gente chama de movimento total. Então também está na base do trabalho somático entender se aquela dor, por exemplo, de uma figura tem a ver com alguma coisa emocional, se isso é um trauma mecânico, se o mecânico trouxe um problema emocional ou vice-versa, se tem a ver com um hábito.
de dia a dia, ou um hábito de pensamento, um pensamento intrusivo, ou uma relação tóxica, e isso a gente já falava, gente, nova dança, e eu quero, assim, enfatizar que esse foi um grupo de pessoas muito importante mesmo, a gente já falava disso antes de 2000, e agora, em 2026, a gente volta com as mesmas questões e isso se atualiza, né, no nosso trabalho.
E agora a gente vai falar do corpo transborda. Conta um pouquinho sobre o que é o grupo. E eu quero também que você fale o porquê da vírgula.
Porque é corpo, vírgula, transborda. Vou pegar um pouquinho antes e falar do livro, tá? Fale. O livro foi orientado pela Sônia Machado de Azevedo, que é uma grande mestra pra mim. É uma pessoa que eu admiro muitíssimo. Esse é meu mestrado, né? Como eu comentei antes. E na época eu falei pra Sônia, eu não quero fazer um livro acadêmico com cara de mestrado que as pessoas não possam ler e tal.
E ela me falou, não, mas faz o livro como se você estivesse dando aula. E o começo do livro foi isso mesmo. Eu gravava um áudio como se eu estivesse orientando uma pessoa em movimento, transcrevia e depois colocando no livro conceitos e coisas que eu achava que eram importantes.
Mesmo assim, não fiquei satisfeito. Então, eu fiz uns QR codes, que no livro você consegue ver um videozinho, né? Nesses QR codes já estava a Marcele Lemos, que é hoje do Corpo Transborda, e o Matheus Menoni, que foi um baita parceiro também. Então, o livro teve essa característica, né? De ter...
um viés muito prático. Além disso, ele é dividido com os meus sonhos. Entre capítulos são relatos de sonho, porque também faz parte dessa pesquisa entender o que é consciência, o que é inconsciente e quais são esses símbolos que passeiam pela nossa consciência e também nesse universo onírico.
Tudo isso para convocar o corpo a transbordar. Então, respondendo a vírgula, não é uma afirmação, eu não estou afirmando que o corpo transborda, eu estou chamando o corpo, eu estou pedindo para o corpo, como se eu dissesse, corpo, transborda, transborda para mim.
E aí, quem já transbordava para mim? Essas pessoas que eu citei antes. Rodrigo, Bruna, Marcele, Lucas, Diego, Michele, Karina. Esqueci alguém, será? Acho que dessa formação atual. Acho que dessa formação. Mas as pessoas que já estavam nesse processo. Então, eu achei que era importante juntar.
esse núcleo, para fazer um curso. Esse núcleo começa, então, como um curso, um grupo de estudo sobre o livro. Isso aconteceu em 2021? Eu acho que sim. O livro é de 2021. Deve ter sido em 2022.
Num lugar muito especial que é o espaço IAI, espaço de artes integradas, fica no Sumaré, é um espaço do João Paulo Binneman, que também é um ator e pesquisador de corpo, uma pessoa... Licença, é Sumaré em São Paulo, não a cidade. Ah, sim, no bairro de Sumaré em São Paulo. E o João, uma pessoa com muita afinidade do trabalho, acolhe isso e a gente começa esse curso.
Daí agora, um ano atrás, a gente começou a ter algumas produções que a gente tem vontade de ter sempre público, porque são improvisações, são criações ainda abertas, mas que elas se dão muito na relação de quem vai lá, do espectador, de quem vê.
Então, a partir desse ano, a gente não tem mais esse formato de curso e tem um formato de encontros para pesquisar e para produzir. E uma vez por mês, dois dias do mês, a gente mostra esse trabalho aberto nessa casa. É uma casa. Então, esse trabalho que a gente estreia agora, 17 e 18 de abril desse ano de 2026,
Ele é um trabalho itinerante. São solos pela casa, que você começa no jardim, depois tem um outro solo que acontece na varanda, sobe pela escada, é um terceiro solo e assim por diante. Onde cada um desses artistas foi trazendo em forma de cena, de dança, de teatro, de música, tudo híbrido e misturado.
os seus processos de transbordamento e como é que eles fizeram uma síntese, né? Ao longo desse tempo. Acho que seria legal vocês completarem. Eu acho que uma coisa que... Ah, tá. Quer falar? Pode ser. Eu ia só falar, né? Que, no caso, assim, a gente começou como curso, né? E a gente acabou virando esse núcleo de pesquisa.
Mas eu ia falar também pra quem tá escutando que tem esse curso também, né, Márcia? Se você quiser falar. Porque a gente sentiu a necessidade, então a gente tinha, vamos dizer assim, dois cursos, né, pra públicos, enfim, diferentes, vamos dizer assim, os mais iniciantes que, às vezes, nunca tinham tido contato, né, com a dança. E a gente que já conhecia a Márcia, ela já tinha ali escolhido mais a gente pra...
iniciar essa pesquisa, vamos dizer assim, mais profunda. Então, aí quando a gente percebeu que a gente realmente queria estar na cena e estar apresentando com regularidade, a gente decidiu virar um núcleo, mas esse curso continua. Então, pra quem aí quiser, né? Então, acho que eu vou falar isso mais assim, né? Espaço e aí?
no metrô Sumaré, Rua Pombal 305. A gente tem a apresentação do núcleo de pesquisa Corpo Transborda e tem o curso Corpo Transborda, segundas à noite. E tem um curso de teatro físico, que eu faço em parceria com o Bruno Perillo, que é diretor e ator teatral, e que daí a gente usa de alguma dramaturgia teatral que dê inspiração, digamos assim, para um trabalho também mais abstrato do corpo, de criação. Então, é uma pesquisa conjugada.
Mas fala um pouquinho mais do solo, se eu acho que seria bom. Pode ser. Mas só voltando um pouquinho antes, assim, para desembocar nisso, que eu acho que essa vontade também de se transformar de curso para um núcleo mais... Eu acho que tem muito a ver com o fato de que a gente começou a entender que nós, como todos ali artistas da cena, seja em qual linguagem for, mas ali juntos muito pela dança,
a gente percebia que rolava uma evolução muito grande nossa no encontro com o público, que não estava mais sendo tão suficiente só ficar ali no campo da pesquisa. Então, acho que também veio muito dessa vontade, então por isso que a gente está agora todos os meses, dois dias.
de todos os meses desse ano a gente vai apresentar os trabalhos. E também até por entender que vem rolando uma maturidade dessa pesquisa, por mais que a gente enxergue que tem bastante chão, porque são cinco anos só, e para pesquisa, a Marina sempre fala isso e eu concordo também, até como eu, por exemplo, com uma pesquisa como músico, que estou há dez anos e percebo que eu ainda estou no início de uma pesquisa.
Eu acho que a gente, mesmo que nesse início de pesquisa, acho que a gente já tem muito a contribuir com o cenário da dança, sabe? De alguma forma. Em São Paulo, né? Enfim, porque a gente vem fazendo em São Paulo. Mas eu acho que a gente tem a contribuir e a trocar. Então, esse grupo foi para esse lugar de núcleo, acho que muito por isso. Pela vontade com a troca do público. Tanto para evoluir a pesquisa, quanto para...
evoluir, quem sabe, outras pesquisas também, enfim, essa troca mesmo. E o Solos, ele vem de um momento que a gente sempre estava fazendo coisas muito em coletivo, então sempre criando em grupo, criando cenas e criando depoimentos.
mesmo que partindo de uma pessoa, em grupo, em coletivo. E aí, Solos foi um momento que a Marina, como a visão externa ali, de direção praticamente, trouxe que seria interessante para a gente avançar na nossa pesquisa, que a gente também colocasse um pouquinho mais da nossa personalidade, mais em foco, né? E mais uma pesquisa até mais individual mesmo, que saia um pouco desse lugar do grupo, né? Corpo Transborda, para...
o Rodrigo Mancuzzi dentro desse grupo, a Bruna Mondeck dentro desse grupo, e aí por aí vai. Que isso, eu sinto que, no final das contas, fortalece muito o coletivo como um todo. Eu acho que a gente ainda vai passar por esse momento, porque a gente ainda está nesse momento que a gente está finalizando, amarrando, apertando os parafusos dos solos, que é esse trabalho, para depois a gente voltar, inclusive, a apresentar solos enquanto faz os outros dois, que a gente tem que são mais coletivos.
Mas eu acho que até na minha vida mesmo eu percebo isso tendo um coletivo, né, de música, uma banda, e agora tendo em paralelo meu trabalho solo e vendo as outras pessoas da banda também tendo seus trabalhos solos, eu percebo o quanto é.
é muito importante, e não só nos trabalhos, né? Na vida, numa relação amorosa, numa relação de amizade, o quanto é importante a gente fortalecer o nosso individual pra contribuir com aquele coletivo, pra contribuir com aquela relação. Então, eu, trazendo um pouco do que eu vejo na minha vida e nas minhas relações, tanto profissionais quanto pessoais, eu imagino que Solos tá sendo um pouco com esse objetivo, assim, da gente fortalecer a nossa pesquisa também individual pra depois chegar e, coletivamente,
tá ainda mais potente, né? Eu acho que é uma maneira também de você, né, conseguir enxergar o outro, e de uma certa forma, como o Rô falou, né, a gente criar mais essa intimidade, e eu acho que ainda mais uma admiração. Porque cada vez que eu assisto cada uma dessas seis pessoas dançando, eu me enxergo nelas de alguma maneira, ainda que elas...
Ainda que o que está acontecendo aqui dentro de mim seja diferente, né? Eu me enxergo nelas e eu fico ainda mais, vamos dizer assim, apaixonada mesmo por isso, né? Pela potência que é você ver alguém se abrindo. Porque eu acho que é isso, é a vulnerabilidade de se abrir, né? E nesse processo dos solos, pra mim, tem sido realmente uma loucura. Um furacão mesmo dá muito medo. Eu acho que a gente se propõe a estar toda segunda-feira juntos, né? Então, a gente está das três às cinco e meia ali.
E tem momentos que dá medo de mostrar, você fala, acho que eu não quero mostrar, porque cada um aqui escolheu algo que transtorna. Eu lembro na época da faculdade, Marina fazia algumas perguntas pra gente, pra, vamos dizer assim, aquecer um pouco esse corpo, né? Então, ela perguntava, ah, o que te transborda?
O que te transtorna? E pra mim, a pergunta do que me transtorna, eu ficava caçando. Então, eu sinto que agora eu descobri um pouco o que é o que me transtorna, né? E não é confortável. Eu acho que esses seis solos, cada um traz em si algo difícil, sabe? De lidar. E que é só através do nosso próprio corpo mesmo. E de também estar com uma visão como a da Marina, pra ajudar a gente a não entrar em catarse nessas coisas. Não é sobre isso, né? Os solos, na verdade, é a gente...
tentando muito enraizar também ali, né, o que tá acontecendo dentro desse consciente e desse inconsciente. Então, eu acho que, assim, eu fico bem ansiosa pra dançar esses solos e depois dá uma sensação muito boa de entrega, né, e de sentir que ali a gente pode, de fato, se abrir.
Só completando, a questão central do nosso trabalho é a experiência. Estar em experiência não é uma coisa simples. Então, voltando ali ao conceito, a experiência é o que nos passa, o que nos atravessa, não é o que passa e o que atravessa lá atrás, fora de você, ou longe. Então, nesse sentido, eu acho que tem duas coisas boas da gente grifar. A experiência se dá também com o espectador.
Então, esse artista é um instaurador de experiência alheia. Se eu não tenho essa outra pessoa, essa experiência vai ficar limitada, né? Então, essa é a razão de eu achar que nesse momento a gente precisava estar com pessoas. A gente faz para um público bem restrito, porque, como eu falei, a gente está passeando pela casa. Então, eu não posso ter no máximo 15 pessoas. Mas a gente pode fazer duas sessões, a gente pode fazer duas sextas e duas sábados. Isso tudo a gente vai percebendo na hora, né?
E aí, a provocação que eu propus dos solos, na hora que eu entendi que a gente não era mais um curso e que a gente era, então, um núcleo de pesquisa, era exatamente eu, Marina Caron, como artista, poder conversar diretamente com esses seis, sete artistas que estão trabalhando comigo nesse momento, né? Porque quando isso é coletivo e eu sou a direção...
O modo de eu organizar isso é meu modo de organizar, tem a ver com a minha experiência e com coisas que eu tenho como referência e gosto. Então, de alguma maneira, os trabalhos coletivos têm mais a minha assinatura do que esses solos. Nesses solos, eu tive o privilégio, a honra, a alegria.
De ficar no lugar de escuta. Inclusive quando nada vem, né? E quando a gente espera. Ou quando vem uma catarse e a gente vai ter que lidar junto com a situação difícil que aquilo imprime naquela pessoa que tá se expressando.
De alguma maneira, é interessante falar isso, né? Mas a mim, me dá muito mais trabalho, eu tenho muito mais responsabilidade, porque eu sei que eu tô num território muito mais profundo. E é isso que eu quero fazer, é isso que eu gosto de fazer, né? Eu acho que o corpo, ele é complexo, os territórios são ilimitados, a maneira com que as pessoas sentem é muito distintas.
E, de alguma maneira, quando essas histórias vêm para mim em forma de expressão corporal, elas me obrigam a me atualizar, sabe? A sair das minhas referências antigas e a procurar novas, e a procurar jeitos outros, assim. Então, muitas vezes eu fico um tempo ali sem dormir, a gente tem um intervalo grande que a gente não se vê, mas esse intervalo não acontece, porque a gente está o tempo todo.
procurando na rua, na vivência diária, na casa, num sonho, num WhatsApp, resolver aquilo pra na próxima encontro de uma outra segunda-feira a gente ter um pouco mais de maturidade, um pouco mais de elaboração pra lidar com aquilo que vem, assim. Então, no processo dos solos, eu me sinto uma espécie de uma doula, sabe? Esperando o nascimento, assim. E como eu já falei, assim, não há nada...
Pra mim, mais importante do que os nascimentos e sugeridos, obviamente, pelos meus dois partos e pelos meus dois filhos, né? Filha e filho. E depois, agora, de ver essas pessoas todas passando, né? Querendo sair.
E é lindo isso. Nossa, a cabeça vai... Hoje, enquanto vocês estavam falando, várias coisas passaram na cabeça. Provavelmente a Marina falou um pouquinho sobre isso, mas eu gostaria de saber como foi para vocês, como é para vocês a diferença de criar coletivamente e criar esses solos. A profundidade, como vocês se sentem.
Acho que às vezes, falando particularmente, com o solo às vezes é um pouco solitário também, né? Pô, é um solo. Então, é um pouco você com você mesmo ali, né? Num momento, acho que é um pouco mais difícil. Mas como a gente tem a prática, né? De, pelo menos, toda vez alguém apresentar uma parte do solo, alguma coisa, isso faz com que a gente se sinta de alguma maneira num coletivo, né? Até pela maneira como a gente vai costurando os solos. E eu acho que o que eu gosto também do coletivo...
Quem sabe aquele dia que você não tá muito afim de dançar, mas tem aquela pessoa que pega a tua mão e fala, bora, vamos lá, sabe? Te ajuda na energia. Então, eu acho que esse poder do coletivo é lindo, né? De você se contaminar com o outro, a energia do outro te passar e você descobrir, né? As coisas ali na relação. Então, eu acho que pra mim são essas duas diferenças. A sensação, né?
Acho que pra mim é bem parecido, assim. Acho que pra mim acaba sendo bem mais difícil o trabalho solo, né? Porque eu não tinha tido nenhuma experiência de criação de dança solo.
Então, assim como quando eu, por exemplo, saí e quis criar o meu primeiro disco solo, né? Em paralelo à minha banda, foi difícil, né? Porque eu precisei descobrir muita coisa de como criar também por onde eu iria, né? Quem seria eu?
fora, né, de um coletivo, acho que é a mesma coisa nesse lugar. Então, pra mim, eu sinto que é mais difícil, mas vem... É uma prática, né, como tudo. Então, é... E acho que uma das coisas que torna mais difícil é o fato disso que a Bru falou, que o outro contamina muito, né? Então, é muito mais fácil você criar, na minha opinião, junto, porque...
Uma pessoa vem e sugere uma coisa, você já vem, já compra, né? Ou, enfim, às vezes a energia de uma pessoa que está mais disponível num dia te contamina e às vezes você contamina. Então, eu acho que tem essas diferenças, assim, que tem sido interessante pensar.
Eu acho que até pensando nessa questão da própria plateia, né? Com os solos a gente percebe isso. A gente ensaia, ensaia. Daqui a pouco chega... Ah, mas tal coisa eu vou falar pro público. Que público é esse que eu vou falar? Como que eu vou me sentir? Então, chega um momento mesmo que a gente percebe que não dá. Precisa estar com o público, né? E de alguma maneira esse solo vira coletivo, entende? Na hora que eu tô...
ali com a plateia, então é curioso isso, né? apesar de ser um solo, ele também vira coletivo depois quando eu tô com a plateia ali comigo
E você comentou do público, era outra pergunta que eu quero fazer. Provavelmente vocês já apresentaram para públicos muito grandes. E como que é a experiência de estar apresentando para públicos de 15 pessoas? A gente sempre fez públicos restritos. Não 15, mas 25, 30. Porque eu sempre tive assim...
Vontade, desejo de trabalhar em espaços que não fossem palco. Especialmente que não fosse um palco italiano e que não tivesse uma única frente.
Mas também gosto de pensar que esse público precisa se mover, que precisa ficar à vontade de ver a cena em outro ângulo, que se não for bom para essa pessoa, aquilo que ela está vendo, ela possa sair. Então, os outros trabalhos que a gente fez, coletivos, sempre foram nessa casa.
E sempre em lugares que, por exemplo, um deles a gente colocou o público em cima de uma varanda e esse público olhava de cima para a varanda lá embaixo, né? Não sei se estou conseguindo me explicar. É um rasente, né? É um rasente. Eles estavam numa janela olhando lá embaixo, porque eu trabalhava com água e tudo mais. E quem quisesse se molhar podia descer e ficar mais perto.
Então, quando eu falo de instaurador da experiência alheia, eu estou falando de provocar mesmo o público, sabe? De deixar essa pessoa se sentir participante, né? Então, eu sou a guia desse trabalho, eu levo o público. E logo no início eu já conto que vai ser assim e pergunto, por exemplo, quem precisa de uma cadeira, então eu vou levar essa cadeira e vou montar na hora, né? Ou quem pode ficar em pé, assim.
Então, a gente sempre teve um trabalho nesse sentido. Como bailarina, eu também sempre trabalhei com um público próximo de mim, né? Eu gosto de estar quase encostar a pessoa, sabe? Ou poder olhar no olho. Então, nesse meu último trabalho, Casa Vazia, que eu faço com o Anderson Gouveia, a gente entrega chá, a pessoa toma o chá que eu acabei de dar, o que ele deu. Então, tem alguma coisa aí que...
É realmente pra colocar essa pessoa na cena, né? Não fora dela. É, acho que a gente... Imagina, acho que na maioria das vezes a gente trabalhou no IAI, né? No começo, lá no primeiro ano de Corpo Transborda, quando a gente fez em 2022, no Centro da Terra, que é um espaço que, inclusive, é bem aberto pra dança, né? Fica em perdizinho.
que chama Centro da Terra, e lá foi a única experiência, a fala até da minha parte, porque a minha experiência com a dança nesse lugar, acho que pode falar até profissional, porque envolve dinheiro, envolve pessoas indo, pagando para entrar, então essa é a minha única e maior experiência com dança nesse sentido. Ali foi a nossa primeira experiência também fora do IAI.
E aí eu percebo que tem uma diferença muito grande, porque acaba que distancia de alguma forma, sabe? Porque ali parece que é, olha, essas pessoas vindo aqui para um espaço que também não é o nosso, então também não é um lugar tão casa.
pra gente, e aí elas tão vindo, pagando, sentando, né, quando a casa abre, né, então assim, que não é uma dinâmica nossa, porque é uma dinâmica do espaço, então acho que essas relações que atravessam faz com que seja diferente, eu acho, o tratamento, por exemplo, no IAI, que é o espaço onde a gente cria.
onde a gente ensaia semanalmente, onde a gente conhece o João, que é o dono do espaço, onde a gente conhece a Cláudia, que mora lá, sabe? Acho que esse tipo de relação faz com que, parece que falando um pouco do que a Mar falou do chá que ela dá no Casa Vazia, acho que tem um pouco isso de, ó, gente, vem aqui, vem assistir isso aqui que a gente vem fazendo. Acho que parece que tem uma coisa um pouquinho mais pretenciosa.
A gente está fugindo do espetacular, claramente, né? É uma coisa que eu grifo. E tentando instaurar uma conversa sobre arte. Se eu estou tentando instaurar uma conversa sobre arte no meu olhar, eu me coloco em experiência, proponho que a outra pessoa também se coloque em experiência e abra um campo, né?
O primeiro é um campo sensível, que é esse da partilha do movimento, né? E logo em seguida, um campo afetivo. Então, lá no IAI, a gente tem, por exemplo, um vinho no final e que a gente pode sentar do lado dessa pessoa e ouvir, né?
E ouvir, não é ouvir se gostou, se não gostou, se tem críticas, se tem julgamento, não é sobre isso. Eu hoje, quase fazendo 50 anos, não me importo nada se esse público vai aplaudir o que eu faço.
Eu tenho um trabalho de resistência, um trabalho de sensibilização profundo. Eu quero mesmo que a gente converse sobre quão complexo é o corpo e a pessoa. E aí a gente está procurando modos de fazer isso.
E eu acho que, só para finalizar assim, pelo menos a minha parte, eu acho que isso é muito louco, porque isso é muito contramão de tudo que está acontecendo, né? Quando a gente fala sobre isso, a Má falando sobre uma não espetacularização, eu trazendo essa questão do nosso espaço, onde cabe 15 pessoas para ver os solos, normalmente o pensamento seria, não, então a gente vai fazer um lugar que cabe 600, né?
Hoje vai fazer 15, depois 30, depois 50 e vai crescendo, crescendo, crescendo. E a massa sempre bateu muito nessa tecla da importância da gente fazer naquele espaço, muito por conta de tudo isso que a gente trouxe. E acho que por isso que, para mim, por exemplo, o corpo transborda tem muito um lugar de acreditar no processo mesmo. Isso é sob processo. Acho que a importância, no final das contas, é o processo, da pesquisa. Por isso que é um grupo de pesquisa, né?
afinal das contas mesmo, seja um núcleo agora e não é um curso, é partindo de uma pesquisa. Então, acho que, enfim, só para... E faz 25 anos que eu falo isso. Desde o Nova Dança já era essa proposta. Desde tudo que eu fiz em Londres, por exemplo, que era isso. Era numa tentativa de instalar a experiência de discutir sobre arte. Mas tudo vai levar você...
Para o contrário, né? Então, o fato de ser um núcleo de pessoas afins, que se gostam, que têm empatia e que têm prazer de estar junto, tira a gente um pouco do compromisso com o mercado de trabalho, com a venda do espetáculo e, portanto, também tira do compromisso de ter que ser.
espetacular ou agradar, né? Esse trabalho não é sobre isso. E eu fico pensando, né, Má, que a maior parte das pessoas que vão assistir o espetáculo, elas ficam meio... Também acho que é um momento diferente pra elas ali, né? De talvez se sentir desconfortável ou não, mas eu acho que elas também são desafiadas nesse sentido, porque acredito que é muito mais fácil a gente sentar e assistir algo de longe do que você ter alguém respirando muito próximo a você com o tema, às vezes, que...
de alguma maneira que conecta você com essa pessoa. Então, acho que é um desafio. Vocês falaram bastante sobre essa questão do público, de ser um público menor. Como que é a troca com esse público? Como o público é pequeno, provavelmente depois do espetáculo vocês conseguem falar com mais pessoas, durante o espetáculo também vocês conseguem olhar mais no olho da pessoa, conseguem ter mais essa conexão. Como que é essa troca?
É interessante porque as pessoas acabam falando muito de si mesmas, mais do que sobre o que elas viram. E acho que esse é o intuito do trabalho. Então, muitas vezes eu recebo um retorno que tem a ver com alguma coisa pessoal.
que apareceu, acendeu, assim, na hora de ver. Então, a frase começa como, comigo também aconteceu, eu também senti isso, né? Eu também passo por essa situação. E eu acho que isso é muito interessante, assim. A gente...
Está vendo um artista se mover a partir de uma sensação própria de acontecimento, não é exatamente de movimento. Quando eu vejo alguém fazer uma queda, por exemplo, um rolamento no chão, talvez eu não sinta que eu posso rolar, mas isso me remete às minhas quedas, às minhas recuperações. Então, a gente conversa muito sobre isso.
E eu acho isso muito interessante, assim. E a outra coisa comum é que esse público, como é um público mais amigo nosso, amiga, né? De pessoas que já estão na casa, ou que conhecem o IAI, ou que conhecem o nosso trabalho, a gente também tem retornos na semana subsequente, em outros momentos, ou a pessoa que diz, não, preciso ver de novo, que esse aqui não deu, né? O que mais do público?
pra mim, eu sinto que o público estar próximo me fortalece em cena. Total. Eu acho que não só o time das coisas, às vezes a gente sente como o público tá assistindo aquilo. Se o que a gente tá fazendo ali tá sendo, enfim, agradável ou não. Mas não tanto por ser agradável, né?
Pra mim, eu sinto que me fortalece. Se eu olho no olho de alguém, eu vejo que aquelas pessoas estão vidradas ali, eu sinto que a gente meio que tá junto, né? A sensação que eu tenho é que a gente também empresta o nosso corpo pra essas pessoas todas que estão assistindo. É como se eu pudesse dizer, olha, tô aqui, vamos dizer, dançando sobre o amor por vocês, junto com vocês, né? Então, acho que essa qualidade de emprestar um pouco uma experiência, né? Eu concordo com tudo. Pra mim, eu diria a mesma coisa.
E vocês estão, Marina, há 20 anos nesse processo de pesquisa. O que mudou nesse tempo, nesses 20 anos? Acho que é entender que são camadas, o corpo é muito complexo. E em algum momento da minha juventude, eu como bailarina, tinha pouca percepção do que é a história da outra pessoa.
Mas eu fui me formando ao mesmo tempo que como artista, eu como bailarina, né? Como pedagoga do movimento, assim, eu dou aula há muito tempo e eu gosto mesmo de dar aula, sabe? Então, as notícias que vinham pra mim de outras pessoas iam me atualizando e complexificando aquilo que eu pensava sobre o corpo. Isso me fez procurar outras fontes de conhecimento.
Então, da abordagem somática e da organização do movimento, eu tive que estudar neurociência, eu tive que estudar psicologia, eu tive que fazer terapia um monte de diversos tipos, né? Você começa numa terapia junguiana e anota seus sonhos, entende que ali naquele corpo essa pessoa também sonha e depois vai pra constelação familiar e vai pra regressão, enfim, né?
Então, eu acho que o que mudou é que toda vez que eu vejo uma pessoa caminhando, eu sempre digo isso, que caminhar para mim ainda é o grande movimento da dança, né? Eu uso muito a caminhada nas minhas aulas. Então, sempre que eu vejo uma pessoa caminhando, eu olho para ela e fico tentando...
perceber, me conectar ou ter empatia pela história vivida, sabendo que eu não sei sobre a história dela, mas ela não sabe sobre a história dela. E aí a gente, juntas, tenta caminhos de descoberta. Então, eu fui me apaixonando de um jeito absurdo. Eu não consigo viver hoje sem ver as pessoas se moverem.
E não só nas aulas, eu acho que a gente sempre fala muito isso, né? Que a gente acaba virando um laboratório ambulante, porque caminhando pela cidade, ou no meu dia a dia, ou nas minhas relações íntimas, ou com pessoas que eu nunca vi.
Eu estou sempre um pouco pesquisando isso, e a minha pergunta de base é, como será que essa pessoa se sente? Por que ela se move dessa maneira? E aí, esse movimento que eu já conheço na outra pessoa, era linkado a outro sentimento, mas nessa é alguma sensação diferente, como é que pode, então, essa conexão que é dessa pessoa, que é tão própria, né?
Então, é isso, vão aparecendo poesias e poesias, poesias e poesias infinitas. E acho que em algum momento eu achava que eu ia ter um território para trabalhar. E hoje eu entendo que isso é completamente ilimitado.
Me acalmei. Eu me acalmei em 25 anos. Espera, vai chegar. Eu sempre penso isso, sabe? Vai chegar. Se não transbordou, é porque não estava na hora ainda.
Bruno e Rodrigo, o que vocês observam que mudou tanto no corpo de vocês, mas também na percepção de mundo desde que vocês começaram na vida artística até hoje? E também pensando em quando vocês entraram no núcleo, o que mudou de 2021, 2022 para hoje, 2026?
Ah, eu acho que mudou tudo, assim, acho que, enfim, existe muita maturidade mesmo, né? Acho que esse processo deu junto com amadurecimento como adulto, né? Enfim. E eu observo que, acho que...
antes de entrar no núcleo, talvez eu não sabia que o que eu fazia, de fato, era uma pesquisa, assim, sabe? Acho que trouxe essa consciência de pesquisa, né? E eu sinto que...
que o meu corpo é outro, não tem nem o que dizer. Acho que o nosso trabalho parte muito de um lugar de trazer consciência para o movimento, de um aprofundamento interno, investigação interna muito grande. E isso faz com que o corpo esteja por aí de outra forma.
no dia a dia, na vida, com uma outra consciência, né? Eu, particularmente, sou uma pessoa que tem quase 1,90m, então eu tenho uma outra consciência. Eu tinha um corpo de uma pessoa que esbarrava em tudo, que não tinha consciência, sabe, corporal.
Então acho que me trouxe uma outra qualidade de movimento e estar no grupo me fez perceber que tudo que eu já fiz artisticamente já era uma pesquisa, né? E eu venho desenvolvendo uma pesquisa musical, uma pesquisa, enfim, dentro de outras artes que eu faço.
Eu acho que pra mim pega muito nesse lugar da percepção. Eu diria que a minha percepção aumentou. A percepção do meu corpo, das pessoas à minha volta. E eu acho que falando na dança é descobrir que dançar são outras coisas das quais eu tinha aprendido. Então, antes eu achava que dançar é a dança contemporânea. É o balé clássico, é aquilo. Eu acho que eu consegui me tirar um pouco dessas caixinhas e perceber que eu poderia dançar com outras simbologias do meu corpo.
A Marina traz muito no livro e nas nossas pesquisas as vias de acesso. Então, a partir, por exemplo, da sua coluna que carrega a tua medula óssea, que tem a tua história, que tem, vamos dizer, tudo o que você viveu até aquele momento. E quando você mexe ela, você está meio que convocando, vamos dizer, todos esses seus antepassados ali na sua dança. Então, eu diria que traz mais poesia mesmo para a minha vida. Trouxe mais amor também, de certa maneira, de ir fazendo as pazes comigo mesma.
Eu acho que muita presença também, né? Eu que sou um artista da música, que faço bastante show, né? Eu sinto que trouxe uma qualidade de presença cênica, presença de palco mesmo, muito grande, assim. Que era já algo que eu fazia, como eu disse, né? Eu percebi que, na verdade, o que eu já fazia já era uma pesquisa. Mas eu sinto que me trouxe mais...
Mas qualidade para tudo isso eu percebo, sabe? De como se portar no palco, como transmitir tudo que está para além da música, da letra, enfim, no palco mesmo.
Acho que é importante eu completar que a abordagem somática, que é lá dos anos 60, 70, mas no Brasil está uma força em 80, 90, discute o que é pesquisa. O que é pesquisa científica, o que é pesquisa de corpo.
Então, o que a gente entende hoje de pesquisa de movimento é uma indagação, como a gente vem falando aí, total, integral e muito complexa, né? De quais são todos os ambientes, os lugares que o corpo lida quando ele se move. Então, tá aí a memória, as experiências vividas, todos os seus afetos.
os seus traumas, as maneiras peculiares de lidar com as suas sensações, as relações com as outras pessoas. E essa investigação que sempre tinha que emprestar validação de outro campo diferente do campo artístico, a partir da abordagem somática dos anos 80, começa a se validar por si mesma. Esse é o campo, é aqui que a gente está pesquisando.
E aí, nesse sentido, o que foi acontecendo também é que a ideia de pesquisa e de produto cênico se amalgamou. Então, hoje, a gente entende que a pesquisa já é produto cênico. Ou seja, quando eu tenho um espectador, uma pessoa me vendo, eu ainda estou em pesquisa. Aquilo não está totalmente pronto.
Exatamente para se manter poroso, aberto, para aquela pessoa poder, de alguma maneira, adentrar no seu universo. Então, acho que esse é um conceito que veio mudando ao longo do tempo. Acho que a gente sempre leu pesquisa como pesquisa científica.
E hoje a gente entende pesquisa em movimento, em dança, num campo próprio, sensorial, intuitivo, muitas vezes, empírico, né? E validado até academicamente como pesquisa. Vi de meu livro, né?
Nesse campo da pesquisa, eu gostaria que vocês falassem como é pesquisar com o próprio corpo e também falar que vocês atingem lugares de vulnerabilidade com essas pesquisas. E o trabalho de vocês agora, principalmente nos solos, fala muito sobre isso. Como é que vocês lidam com outra pessoa do coletivo que chega com essa vulnerabilidade, às vezes até desestabilizando essa pessoa? Como é que vocês lidam com isso?
Eu acho que a gente consegue construir um espaço de bastante rede de apoio mesmo, sim. Acho que não chegar, trocar ideia, entender se aquela pessoa, aquele dia, está sendo atravessada por alguma coisa, né? Enfim, a gente ter esse lugar de escuta, porque é justamente isso que você está falando, né? A gente...
trabalha, querendo ou não, com essa vulnerabilidade. Esse transbordamento às vezes não é só bonito. Também tem que sair outras coisas também que doem, que machucam, que já machucaram, como a Amar falou desse lugar, das coisas que são escritas no corpo. Não são só coisas boas.
Acho que a gente, como grupo, tenta colocar muito esse lugar de apoio mesmo, né? Enfim, acho que de carinho, de cuidado, de escuta. E acho que também por fora, fazer os seus trabalhos individuais também, de autocuidado, né?
Porque senão também não pode ser só um lugar de extravasar e, enfim, tem que se resolver. Não resolver, acho que essa palavra é ruim, mas tem que se ajudar de alguma forma, né? Fazendo uma terapia, fazendo algum outro tipo de arte, conversando, namorando. Enfim, eu acho que a gente também tem que ter sempre esse cuidado para também não ficar só se rasgando, né?
Eu sinto que a Marina tem muito um lugar de direcionamento. Eu percebo que muitas vezes, quando alguém está mais vulnerável, Marina mesmo propõe, olha, hoje você não precisa, por exemplo, mostrar o seu solo. Me acompanha, me ajuda aqui a olhar o do outro. Então, eu acho que esse lugar de direcionar, não é como se fosse não permitir que a pessoa se abra ali, pelo contrário, como o Rô falou. A gente...
a gente busca sempre chegar antes do horário que a gente efetivamente começa pra poder ter essas trocas de intimidade. Eu acho que esse trabalho também é só possível porque a gente tem intimidade, né? Mas eu sinto que esses direcionamentos que a Marina dá é algo que ancora de alguma maneira, né? Então, é permitir que essa pessoa não precisa, que ela não precisa naquele momento, vamos dizer, se abrir tanto ou se colocar numa situação na qual ela não está naquele dia apta, né? Para, então...
Eu acho que eu fui desenvolvendo essa sensibilidade, né? E sendo capaz de dar colo sem me transtornar, ou achar que estou perdendo tempo de ensaio, ou coisa desse tipo. Mas também vejo, até um conceito que está no livro, né? Que estar vulnerável, para nós, é uma coisa boa. Não é exatamente estar no seu lugar de fraqueza.
Estar vulnerável é estar poroso, estar acessível. E acho que isso é exercitável. E como o Rô falou muito bem, acho que as pessoas que estão passando por esse núcleo, os sete que estão hoje, mas as pessoas que já passaram, têm essa consciência de que precisa existir um trabalho sobre si mesmo, terapêutico, de autocuidado.
para também aquilo que vem para esse coletivo, em forma de criação, ser maduro, ser tranquilo. E eu, sensivelmente, vou balizando isso, vou entendendo que esse seu material ainda não está pronto para você, para ser exposto aqui.
Então, nunca deixo chegar num lugar de catarse, por exemplo, nunca deixo. Então, acho que essa vulnerabilidade é muito mais esse lugar, como eu falei já, poroso, honesto, de troca, mas não da gente ficar cutucando a ferida, sabe? Eu acho que a ferida precisa de chá quente, assim.
E eu tenho essa maternidade mesmo, assim, pra mim é muito forte. Então, isso que a Bruna falou, eu faço mesmo. Hoje você vai ficar aqui de mandato assistindo do meu lado e tá tudo bem, assim. E eu tenho sentido que isso tem sido bom com um grupo de pessoas com quem eu tenho relação íntima.
Porque por mais que seja um trabalho somático que permeia esse tipo de lugar do inconsciente, barra consciente, né? Não é um grupo de terapia, né? Então é isso. Tipo, a gente leva pra cena também as coisas que estão muito conscientes, que de alguma forma já foram pensadas, elaboradas, né? Dificilmente a gente leva pra cena uma coisa que tá vulnerável ao ponto de entrar numa catarse. E o perigo da catarse é que você pode não fechar ali.
E levar pra casa uma ferida aberta, né? E muitas vezes a gente traz algo de uma vida inteira, né? Que cada pessoa tem e a gente... Então, eu pelo menos percebo isso nos solos. Todo mundo ali traz algo de... Algo da sua vida inteira. Não é como o Rô falou, não é algo que aconteceu agora, né? É algo que já tá ali, já tá ali. E agora a gente tá permitindo abrir, né? É permitir olhar pra fora de nós mesmos.
Agora a gente tem um trabalho de base que é o nosso chão, né? E que sempre foi. Então a gente faz o aquecimento junto, a gente respira, a gente elege uma parte, uma organização motora, uma relação entre partes do corpo pra investigar naquele dia. Então a gente tem um ponto em comum, né?
E a outra coisa que é importante é que a gente estrutura muito as coisas que a gente faz. A gente tem uma cama sonora, a gente tem uma locação bem definida, a gente tem um tempo de experiência e tudo isso vai dando contorno. Então, embora a pessoa ali dentro do seu ambiente possa sim chegar, extravasar e tal, ela não vai passar do seu limite porque ela tem um bom contorno.
E o meu olhar muito atento sempre, assim. É isso que eu vou falar. Complementando, assim, que eu acho que tem a ver muito também com o olhar atento da Má, do estilo de trabalho dela, da pesquisa dela, né? Que é um chão, como ela disse, né? Esse chão não é só a música que ela coloca, o aquecimento que ela faz, mas também é o chão que tá ali, né? No livro. E porque eu, como todo jovem artista que fez teatro, já tive grupos que eu...
Eu e meus amigos dirigiam e criavam. E aí entrava em cartaz e não se resolvia. E aí dá merda. E não só merda no grupo, mas merda aqui, né? Ou até já fui também orientado por pessoas que deixavam chegar na cartaz. E ai, que lindo. E deixa lá uma certa irresponsabilidade.
E que, enfim, tem pessoas que talvez acreditam mais nesse tipo de trabalho, né? Enfim, eu acho que a gente que tá ali, de alguma forma, gosta de trabalhar dessa forma. Então, enfim, acho que tem muito embasamento também. Isso é muito responsabilidade da nossa visão de fora, que é a Marina, né? Isso é muito responsabilidade desse núcleo Nova Dança, que fez um trabalho com muita seriedade, que sempre me orientou de uma maneira muito profunda.
Muito amorosa, mas muito rigorosa. Eu também tive experiência vivida disso. Eu trabalhei como intérprete criadora mais de 20 anos, então eu me machuquei muito emocionalmente, fisicamente menos, porque esse é um trabalho que previne mesmo lesão, não é um trabalho que traz exaustão nem esforço repetitivo, mas muitas vezes a questão emocional é difícil de lidar.
E eu fui desenvolvendo um olhar, assim. Então, como eu falei já várias vezes, eu não tenho pressa. Eu acho que a hora que o transbordamento estiver pronto, ele vai chegar. Eu não acredito que a gente precise se machucar. Eu não acredito que a gente precisa repetir mil vezes.
Então, mesmo nos processos dos solos, tem gente que gosta de passar toda segunda-feira, tem gente que vai passar solo no dia anterior a dançar, que prefere me contar sobre do que fazer aquilo. Então, eu não acho que o nosso trabalho é um trabalho de treinamento, não acho que é de condicionamento, não acho que é de execução, não acho que é de habilidade motora.
Eu acho que é um trabalho de relação, de afeto, muito amoroso, muito profundo, e que essa cama afetiva, esse colo e esse olhar atento, é que vão culminar no momento certo desse nascimento acontecer.
Nossa, lindo de ouvir vocês falando sobre. E já participei de núcleo experimental, assim, de teatro, e que tinha essas catarses que eram péssimas. Existiam momentos que a gente não estava preparado para mostrar cena e mais, e o diretor, tipo, não, você tem que mostrar, e toda semana tinha. E às vezes a gente não estava preparado emocionalmente para...
para apresentar aquilo. E aí é isso, vai criando várias feridas, você volta com a ferida aberta, e não tinha esse acolhimento, essa escuta. Eu achei muito bonito essa forma, acho que é mais humano, que se difere de muitos outros grupos, outros núcleos. Isso eu tenho uma convicção total. Eu acho que não é verdade que simplesmente sair vai resolver. Você muitas vezes coloca no mundo coisas que você não quer.
E que daí você vai se arrepender, ou você vai ter dificuldade de lidar. Então, acho que a sabedoria do trabalho somático, de organização do movimento, de reconhecimento de si mesmo, é conseguir distinguir o que está pronto e o que precisa ser guardado. E isso, acho que como bailarina, eu fui entendendo.
E agora, como orientadora dos processos, ou eu sinto que é bastante coisa, que a minha intuição é forte mesmo, ou eu pergunto, né? Você está preparado? Está preparado? Dá para fazer? Ou você quer esperar? Eu tenho, por exemplo, pessoas que saem do núcleo e que voltam. A casa está aqui. A gente está aberto, assim.
E, de novo, eu acho que eu me inspiro muito nessa primeira infância, né? Em que a mãe fica parada no meio da praça, a criança vai, descobre o mundo, traz pra ela, e você não vai além e nem aquém, né? Você não sai dali, mas você também não incita.
Então, para dizer assim que eu já vi também esses processos de catarse, de choro, de gritaria, e eu acho que isso é um desgaste desumano para a pessoa, para todo mundo que está em volta dela, e que inibe a poesia mais profunda, que talvez desse para a gente muito mais notícia sobre os processos dessa pessoa. Então, a gente está nesse lugar.
da gentileza e da poesia profunda. E que difere, acho que também a gente está num mundo em que tudo tem que ser imediato. Eu acho que vocês estarem nesse espaço criando coletivamente em que vocês dão tempo para que as coisas maturem é algo muito bonito.
que eu acho que é muito rico, provavelmente isso aparece, que eu quero muito assistir vocês, eu preciso, necessito assistir, vocês falando, eu fico assim, nossa, eu quero ver isso, eu quero assistir como que é isso, isso de ir pelos espaços, eu estou construindo uma peça sobre a minha mãe, eu penso isso também, eu quero que seja uma peça que as pessoas andem pelo espaço, que não seja esse teatro italiano.
Eu acho que dá para construir coisas muito mais legais quando você foge desse, entre muitas e muitas, milhões de aspas, tradicional. É muito rico essa conversa com vocês. E agora eu vou mudar um pouquinho o rumo do assunto. Eu quero saber um pouco das referências estéticas que vocês estão criando. Onde vocês buscam as referências de vocês?
É mutante, né? É mutante porque tem muito caminho aí. Então, pra mim, veio lá da Pina Bausch, de Viette, Vim Van der Quebos, aí mais recentemente, que também não é muito recente, o Gaga do Rajna Harim. Mas eu acho que as referências são essas minhas, mas de cada pessoa muito diferentes, né? E a gente vai juntando. Acho que seria legal.
Sim, super. Eu acho que as minhas referências, por exemplo, elas partem muito do lugar da música também. E quando eu digo a música, eu digo o palco mesmo, um show. Eu acho que eu me interesso muito pela performatividade do artista. Eu gosto muito de artistas que, assim como eu, se jogam dessa multilinguagem na hora de performar.
E acho que o palco é um lugar muito precioso para isso. Então, eu assisto muitos shows. E com isso, eu sinto que as minhas referências de corpo também estão muito nesse lugar dessa observação. Então, acho que é um pouco diferente desse lugar mais da dança, mas que está ali totalmente ligado ao movimento.
Então, artistas da nossa geração como Juliana Linhares, por exemplo, que é uma grande cantora e que é atriz também e que trabalha belíssimamente com o corpo. Ou Silvia Machete, que é uma cantora maravilhosa também, que já ontem fez 50 anos, ontem, em 2026, em março, fez 50 anos e vem do circo. E o show dela é um grande espetáculo e onde ela coloca o corpo de uma maneira que eu acho extremamente interessante e que de alguma forma...
Vai me atravessando tanto para levar para o meu show, quanto para levar para o núcleo do corpo transborda, né? Enfim. E também eu acho que eu tenho, para além dessas referências mais... Artísticas.
Não só artísticas, mas eu ia dizer mais de referência, pessoas que são referência, acho que tem a coisa das amizades também. Eu acho que eu sou muito atravessado pelos meus próprios parceiros de cena, né? Pela Marina ou pelas pessoas enfim, que fui conhecendo através da faculdade, né? E que fiquei próximo de alguma forma.
Eu sinto isso muito também. Eu não falei dos brasileiros, né? Depois eu fiquei pensando ali a Rodrigues, mas as minhas referências são as próprias pessoas do Nova Dança. É que é difícil falar do seu próprio nicho, né? Mas é isso, os trabalhos do Nova Dança e as intersecções que o Nova Dança conseguiu fazer com o teatro. Hoje a gente tem um grupo gigantesco de pessoas fazendo direção de movimento e eu assisto as peças e falo, isso é Nova Dança.
Então, acho que é a grande referência mesmo, né? Das pesquisas, tudo da Lula, da Quito.
Eu fiquei pensando agora, né? É muito loucura a referência, né? É muito loucura, porque eu fiquei pensando que outras referências, né? A gente pode ter referências de filmes, né? Ah, também. Poesia, entende? Essas outras coisas, porque muitas vezes é alguma estética de alguma coisa que nos traz alguma referência. Então, não sei, algum tipo de tecido, né? Algum material que nos traz uma possibilidade de, enfim, desenvolver algum trabalho. Então, acho que não apenas, né?
essas referências do movimento em si, mas às vezes é algum filme, é algum diretor, né? É, com certeza. Por isso que a Mata falou essa coisa de estar andando na rua e acaba que muda, né? A pesquisa muda o seu olhar para o mundo. Eu acho que é a mesma coisa nas referências, essa coisa um pouco antropofágica, né? De tipo assim, eu vou assistir esse filme e assistir aquela peça. Eu vi esse show, eu comi essa comida e de repente chega lá e vomita.
tudo isso em processo, quando a gente está conversando sobre o que a gente está fazendo, né? Já que o nosso trabalho tem muito desse lugar do que nos atravessa, né? Enfim, então acho que isso tudo acaba aparecendo muito, assim. Tanto que a gente, como a gente se encontra semanalmente, às vezes é uma oportunidade de, nossa, a gente ia ouvir essa peça.
ou nossa, vi esses shows. Às vezes é algum material, né, que a gente consegue trazer pra fora, e aí esse material nos diz uma notícia da gente, né, algum material, uma saia, algo que, sabe, o corpo tá precisando de alguma coisa pra mostrar pra além do que apenas ele. Então eu trago algum material e isso já muda totalmente a estética, né.
Mas eu também vejo uma diferença aqui que eu acho que é boa de pontuar ao longo do tempo, que o que a gente antes tinha era uma referência, por exemplo, que a gente assistia junto, né? Um vídeo, uma referência mesmo, que não é o caso, não é isso que a gente faz. Então, o que a gente faz é mais conversar sobre o que nos compõe. Então, se a gente vai juntos ver alguma coisa, por exemplo, tive uma experiência linda agora com a Companhia de Teatro de Heliópolis.
que acabou virando uma referência para mim, porque eu estava envolvida no trabalho e também tentando entender o que o trabalho que acontece lá no Sumaré muda quando chega em Heliópolis ou coisa desse tipo.
Eu não acho que a gente tenha referência no sentido de uma única ref que a gente assiste e tenta copiar ou coisa desse tipo. Acho que mais é uma conversa sobre coisas que nos atravessam e nos compõem. E um grupo super heterogêneo, super heterogêneo. Isso também é muito legal. Que eu acho que é uma marca, né?
Nesse campo da estética, qual é o fio condutor entre... O que vocês acham que conecta tudo o que vocês já criaram até agora? Eu diria que, olhando todos os nossos trabalhos com muito carinho, eu acho que é a nossa visceralidade em cena. É o que a gente transborda ali, é aquilo que está mais profundo da gente, a gente coloca em cena, entrega talvez essa animalidade, eu diria essas vísceras.
Eu concordo. E eu acho que, assim, não tem como não dizer o livro, né, e a pesquisa da Marina Corpo Transborda ali, ó, Educação Somática, Consciência Corporal e Expressividade, né, é o que fez a gente se juntar e que tá presente desde a primeira amostra, abertura de processo que a gente fez, sem nem intuito de virar um núcleo, né, mas isso sempre foi o fio condutor.
E aí começou a aparecer essas características que a gente percebeu que linkavam, né? Como a visceralidade, por exemplo. Mas acho que a Marina é o nosso fio condutor. Gostei. Uma vez me perguntaram assim, por que você quis ter um grupo, né? E parou de trabalhar no seu próprio corpo. E eu falei porque não tinha mais o que tirar só de mim, assim. Eu precisava...
expandir, né? Então, eu sinto que também isso que eu já falei, né? De me atualizar, de ter notícias novas sobre o mundo, de uma nova geração, com outras conversas, outros discursos, outros desejos. É o que conecta a gente mesmo.
E eu acho que, assim, eu sei que para ela até pode... Que soa, às vezes, um pouco estranho, porque esse lugar de colocar como mestra mesmo, mas eu acho que para todos nós, assim, eu vou falar por mim, é o meu primeiro ambiente onde eu consigo enxergar um pouco desse trabalho até ancestral nesse lugar, porque tem a ver...
com uma pessoa, e no caso por isso que eu digo mestra, que está disposta a abrir de todos esses anos de conhecimento para pessoas que estão começando nisso, ou se interessaram e estão querendo saber mais, e que estão ali abertas a...
Essa troca intensa é sobre toda uma experiência vivida, aí vai nova dança, aí vai tudo que ela falou. E é o meu primeiro ambiente onde eu tenho, de fato, uma pessoa que eu considero uma maestra. Então, por isso que eu acho que é muito um fio condutor, e para todos nós mesmo. Total, com certeza.
E você também cria com o seu próprio corpo? Você também está em cena? Pergunta quando ela não para de criar, né? Quando é que ela não para de criar? Eu não estou em cena com o público, não. Com o público eu estou fora, estou como guia do público mesmo.
Mas o que acontece é que na nossa prática a gente tem pelo menos uma metade, às vezes um pouco mais, de trabalho conjunto. Então eu oriento esse início da estrutura, das relações que eu quero estabelecer, faço aquecimento junto.
E criando totalmente. É, criando totalmente. Eu não sou um dos solos, mas é como se eu fosse o oitavo levando as pessoas em algum lugar. Eu fiquei pensando que...
Você pode não estar ali, né? Num dos solos. Mas como você falou, você na verdade está. Mas eu fiquei pensando que muitas vezes a Má testa coisas no próprio corpo dela. Pra tentar ajudar a gente. Então, ela mandou um vídeo dançando. E falou, olha, pensei nesse movimento aqui, Bru. Eu acho que tem a ver com o caminho que você estava seguindo. Ou aquela música.
Eu acho que o que é mais interessante do que você faz também é que passa pelo teu corpo. Tipo, ele vai passar pelo corpo da má pra chegar, entende? No nosso ou no que ela vai dizer. Então, não fica só como algo falado, algo que eu tenho esse conhecimento. Mas ela fala, peraí, deixa eu checar aqui dentro. É que tem muita coisa, é, tem muita coisa que eu nem saberia explicar, entendeu? Não dá pra eu sentar numa cadeira e dizer, faça isso. Então, eu experimento, ou a gente experimenta juntas.
E de desdar algum nó aí. Às vezes é olhando, às vezes é sentindo.
Não sei direito. E acho que por vocês serem da dança, muitas vezes o corpo fala muito mais do que qualquer palavra. Super mais, é. Sempre fala mais, na verdade. É. Nossa, vocês já falam bastante. Foi engraçado, né? Já quero ver esse corpo, porque, tipo, vocês falam muito bem. Vocês têm... Nossa, é bonito ouvir vocês falando. Acho que tem uma paixão, né? Tem. Acho que essa paixão é que faz a gente falar assim, sabe?
Porque a gente ainda teve essa opção, né? Tipo, na segunda-feira, pra ser o início da semana, assim. E eu sempre digo que segunda-tarde, nesse núcleo, é onde eu lembro quem é que eu sou, o que eu tô fazendo aqui. E daí eu vou levando pros outros cursos, né? Eu dou aula pra criança, dou muitas aulas pra criança numa escola incrível, que é a Lecrim.
E aprendo muito com as crianças também, mas de alguma maneira no núcleo de pesquisa do Corpo Transborda é que eu consigo realinhar a órbita dos planetas. Primeiro que dá para ver seu olho de vocês três. Vocês estão falando olho brilhando. Eu estou falando de algo que eu tenho propriedade, que eu estou vivendo, de algo que move todo o meu ser.
espetacular de lindo e a gente vai para agora, acho que para uma parte que talvez seja meio polêmica, assim, né? de qualquer, o maior pegue que vocês já passaram acho que dentro do núcleo e também acho que na vida de vocês como artistas
O perrengue é sempre transformar isso em alguma coisa comercial, eu acho. Show. Vender, ganhar dinheiro com isso. No núcleo, eu tenho falado muito que eu não quero nem chegar perto disso, né? Mas é inevitável. É óbvio que em algum momento, para esse público ser maior, para a gente ter condição de bancar as nossas vidas, a gente vai ter que entrar em contato com um edital, um apoio, uma venda, né?
Eu acho que esse é um dilema mesmo. Eu como bailarina tive minha pesquisa muitas vezes acelerada ou prematura porque você tem que cumprir uma estreia ou porque você tem que entregar um produto.
Então, nesse momento, agora, 2026, a gente ainda está conseguindo segurar a ideia de que primeiro a gente vai amadurecer e depois a gente vai dar outro passo, mas eu acho que esse outro passo é sempre uma coisa polêmica, sim.
Mesmo dentro do grupo é, né? E alinhamento de expectativa. É uma coisa que a gente costuma fazer com uma certa frequência. Quando tem alguma insatisfação, alguma coisa é, e aí, o que está incomodando? O que está precisando alinhar? Porque para conseguir seguir, principalmente com essa mudança que a gente decidiu de ter de núcleo, foi isso também. Alinhar.
Eu acho que a Marina resumiu muito bem esse perrengue. Porque o que eu diria é isso, que permeia esse lugar, que é o perrengue de viver num mundo capitalista, na verdade. De ter que comercializar, de ter que ter. É muito louco, porque é isso. Por mais que eu, no meu dia a dia, tenha cada vez mais tentado fugir do vício, que é o meu maior vício e único, talvez, que é o celular, por exemplo.
Que envolve redes sociais e tudo. Por mais que eu, no meu dia a dia, tente ao máximo me desvincular e por mim eu tentaria apagar tudo, eu não consigo. Porque eu não consigo. A gente precisa criar o nosso Instagram. A gente acabou de criar o nosso Instagram. E precisa divulgar. E eu preciso fazer vídeo. E eu preciso. E tem o Simpla. E tem não sei quem. E a gente vive num país que não apoia. Então, assim, eu acho que... E tudo isso está envolto dessa lógica capitalista. Dessa...
Enfim, do conservadorismo e etc. Então, acho que o maior perrengue é sempre a gente nadar contra a maré mesmo, né? É uma enxurrada de pessoas e de coisas e de motivos que nos dão todos os dias motivo para desistir. A gente faz uma coisa que é um pouco...
milagre mesmo, não era para a gente estar fazendo isso. O governo não quer que a gente faça, o capitalismo não quer que a gente faça. Enfim, aqui no núcleo Corpo Transborda, que a gente está falando sobre poucas pessoas, sobre contato próximo, sobre processo e não resultado, mas ainda a gente está nadando contra uma tsunami, na verdade. Mas esse acho que é o maior perrengue.
Porque a gente não sabe até quando vai dar, sabe, pra manter esse momento aí da segunda-feira, né? Todo mundo precisa viver, todo mundo precisa ganhar, mas ao mesmo tempo a gente vai fazer isso abrindo mão de quê, né? Enfim.
É óbvio que todo radicalismo vai ter que depois amaciar um pouco, mas a princípio a gente está conseguindo, como é uma vez por semana só, a gente está conseguindo se manter no espaço de atos integrados, como eu estou falando, que também é um espaço de resistência, que faz um trabalho lindo na cidade, que tem curso de teatro, que tem curso de audiovisual, que tem peça acontecendo à noite.
Com um dinheiro mínimo. Porque é uma vez por semana. Se a gente precisar se juntar mais, ou apresentar em algum lugar distante, ou viajar, a gente não vai poder, né? E aí a gente vai ter que discutir de novo, assim, o que a gente faz com essa...
Realidade, Dúria. Nossa. Gostei muito dessa resposta. Acho que não sei nem como comentar. Mas acho que provavelmente a próxima pergunta vai costurar isso. Por que fazer dança em 2026?
Eu acho que a pergunta é por que não fazer, né? Porque não dá mais, não tem como não fazer, né? Eu fico pensando que, ainda que haja muitos motivos, como o Rô trouxe muito bem, que falam para a gente não fazer, eu sinto que é um pouquinho aquela coisa assim, quando o bicho da dança mordeu, ele não desmorde de alguma maneira. Então, quando a gente começa a fazer as investigações que a gente faz...
Acho que não tem como parar e olhar o mundo de uma forma menos simbólica, menos... Não sei, transformadora, talvez. Então, acho que a dança é um lugar onde a gente consegue viver, literalmente. Pelo menos pra mim. Sinto que é isso. Não consigo não dançar. Já tentei, não dá.
porque alguém vai fazer, alguém precisa fazer. Alguém precisa fazer. E é uma coisa que é isso, né? O andar é dança, o estar se movendo é dança. Por exemplo, a gente se apresentou hoje algumas vezes e abriu para público e vai pessoas da música, vai pessoas do teatro, vai pessoas do audiovisual e de outras linguagens artísticas que saem e falam. Essa linguagem é a única que consegue fazer isso.
o teatro não chega nesse nível de expressividade. A música não chega também. E eu não estou falando aqui sobre... Não é uma comparação a qual é melhor, qual é a pior. Não é isso. Mas é que cada um, às vezes, tem a sua função e a dança tem uma função que nenhuma outra tem. A gente consegue fazer com a nossa expressividade, com nenhuma palavra. Ou, às vezes, enfim.
Eu costumo dizer que é uma questão de sobrevivência poética. É isso. A gente não pode deixar morrer.
Vai acabar a poesia? Não. Não. Então é isso, a gente vai ficar numa era digital, vivendo por tela, conversando com o Iá, discutindo a relação com o Iá. Ou a gente vai se olhar e vai se atravessar e vai viver a corporeidade e vai restabelecer internamente os símbolos.
Acho que é uma questão de sobrevivência poética. E eu diria mais, acho que é o sol da terra. Acho que não tem nada mais importante para fazer em 2026 a não ser se expressar corporalmente. Acabou, Fino. Obrigada. Obrigada, você ouviu a voz do palco.
Nossa, que lindo, lindo, lindo. Demais. E eu vou perguntar pra vocês, o que é o núcleo pra vocês, pra cada um de vocês? Pra mim, é processo. Me ensina sobre processo. Pra mim, acho que é o melhor momento da minha carreira mesmo, da minha vida como pesquisadora de cor.
Para mim é um lugar onde a gente pode abraçar as nossas singularidades e vulnerabilidades juntos. E eu vou fazer para vocês uma pergunta que vocês falaram no início, que vocês se fazem no processo de vocês, que é o que transmuta vocês? O que transmuta ou o que transborda? O que transborda também. O que transmuta vocês hoje e o que transborda em vocês hoje?
A gente pode dançar? Não tem nem mais faladas sobre isso. Eu falei o livro, pensei, vou ler uma citação. Eu acho que vocês conseguem ver lá no IAI. Todo mês. Aqueles, né? A Aline que respondeu assim esses dias e foi cancelada. É. Depois a gente fala assim. Mas, é... Eu acho que realmente, assim...
assistir a gente dançando é a melhor resposta mesmo. Porque é sobre isso, né? E eu acho que é tanta coisa, e é tão subjetivo também. Acho que tá no campo da subjetividade, né? Acho que...
Acho que todo esse mundo que a gente vive mesmo. Acho que, no final das contas, é um grupo heterogêneo, no final das contas é um grupo que vem cada um de um lugar, mas a gente é ser vivo, a gente é ser humano, a gente é de São Paulo, mesmo que...
Cada um pode ter vindo de um lugar. Todo mundo está fazendo isso em São Paulo. Todo mundo está fazendo isso no Sumaré. Todo mundo se conheceu num lugar próximo. E, no final das contas, por mais que a gente esteja... Cada um falando de uma coisa, é muito parecido. Um acaso não acaso. Então, acho que... E quando eu falo a gente, eu englobo todo mundo. Então, talvez...
Porque está todo mundo, né? Eu sei que estão meio viajando, mas é porque realmente é uma pergunta no campo da subjetividade, né? E eu acho que é isso. No final das contas, a gente está transbordando o que está todo mundo vivendo. Todo mundo está nesse mundo que estava em guerra. Todo mundo está num mundo que acabou de sair de uma pandemia. Todo mundo está num mundo onde viveu racismo, LGBTfobia, machismo, mulheres estão morrendo. Então, acho que tudo isso... A gente está todo mundo...
atravessado por telas, né? E isso faz com que a gente... Está todo mundo transbordando um pouco a mesma coisa, assim. Acho que quem está, na verdade, poroso e ligado para o que está acontecendo, né? Porque tem gente que está transbordando para um outro lugar, né?
Sim, e eu queria fazer essa pergunta exatamente por estar nesse campo da subjetividade, porque cada pessoa responderia de uma forma, e vocês respondem de uma forma hoje, daqui a cinco minutos já iria ser outra resposta.
Enquanto a gente estava conversando nos bastidores, a Marina tinha mostrado no livro e falado sobre um trecho que ela gostaria de ler. Eu gostaria que você lesse essa parte. Esse trecho acho que vai responder um pouco essa pergunta. É assim, ó. A expressão não surge desacompanhada do significado subjetivo. Nossas ações pretendem colocar pensamento para o outro.
mas só quando agimos entendemos a nós mesmos. Nesse sentido que você precisa estar. A ação é uma maneira de conhecer-se, revelar-se para si próprio. Se o ato expressivo é colocar pensamentos em gestos, palavras, fazer uma revelação, uma manifestação, então deixar sair é condição primordial para expressão.
O verbo transbordar tomou força em minha pesquisa de corpo. Transbordar é deixar sair, derramar. É também ter em excesso, estar repleto. Ou ainda estar possuído de um sentimento. Transbordar é o oposto de escassear, carecer, faltar, falecer.
Acho que a leitura fechou bonitinho, tudo o que foi falado, o que foi conversado nesse episódio. E tem uma pergunta que ele vai perpetuando em todos os episódios do podcast desde a primeira temporada, que é o conselho que cada um de vocês daria para a pessoa que está assistindo que quer começar a dançar.
que quer começar na arte. Acho que Rodrigo, para a pessoa que quer entrar na música, também na dança, no teatro. E para a Marina, que já tem uma carreira linda de 25 anos e também é professora.
Estou aqui com o coração aquecido conversando com vocês. De vocês falarem qual o conselho que vocês dariam que vocês gostariam de ter escutado lá no começo da carreira de vocês. Eu acho sempre muito difícil responder essa pergunta. Mas eu acho que... que se prepara, se fortalece.
E vai, porque se você, né, que sente isso, essa vontade, né, realmente sente essa vontade, uma hora você vai precisar fazer. Naturalmente vai acontecer, né? Então se prepara, se fortalece, porque não é fácil, mas vale muito a pena. Porque se não fosse isso, seria uma coisa que você...
Que não faria sentido. E aí, se não faz sentido, vira doença, vira mágoa, vira rancor. Que são doenças, né? Então, acho que tem que ir. Porque se tá florescendo, se tá com vontade, tem que enrolar. É o que a gente falou sobre por que fazer dança, né? Porque tem que fazer. Alguém vai fazer. Então, se você tá sentindo que é você que vai fazer, vai. Se prepare e vai. Que não é fácil. Mas vale a pena.
Eu acho que o que eu falaria é pra não se importar muito com essa parte de fora estética, sabe? Do que o outro vai achar do que você tá fazendo, se isso é bonito ou se é feio, sair um pouco desses antagonismos, porque eu acho que isso não é uma coisa que vai ajudar e vai fazer o seu movimento, na verdade, ser puramente a beleza do movimento.
Então, eu diria pra não ter medo, sabe? De se cavucar, de se tá com medo, vai com medo mesmo. E escolher um lugar que te acolha nesse sentido, né? Acho que é escolher um lugar, né? No qual que seja o curso da Marina, se tem a ver com você. Procurar lugares que tenham essa afinidade com o que você gostaria de explorar, né? Se por acaso você quiser entrar nas profundezas das investigações. Eu diria isso.
Eu sinto que não é a gente que escolhe a dança. É a dança que escolhe a gente. Então, eu diria, não caia da sua coluna. Não sai de dentro de si. Porque a hora que a dança chegar, você vai ter que ser grande. Em todos os sentidos. Então, não tenha medo de ser grande, sabe?
Nossa, a gente vai encerrar esse episódio de uma maneira... Os olhos até... Eu ia falar as lágrimas antes de olhos. Os olhos enchem de lágrimas ao ouvir vocês. E agora é a hora do jabá, para vocês venderem, para falar sobre o trabalho de vocês.
Fala do livro. Livro, gente. Fala do espetáculo. Fala do curso. Fala de tudo agora. O link do livro está na bio, certo? Sim. E vou ter muita alegria se você tiver um exemplar.
A gente está no IAI, Espaço de Atos Integrados, Rua Pombal 305, com dois cursos, Corpo Transborda segunda noite, Teatro Físico terça-noite e o Núcleo de Pesquisa, e segue sempre sexta e sábado uma vez por mês.
E aí você consegue achar também, como a Madice, a gente está com dois dias, um final de semana por mês, apresentando nossos trabalhos. E você consegue achar que data que vai ser e que trabalho que vai ser no nosso Instagram, arroba Núcleo Corpo Transborda.
E fala também do Instagram individual de vocês, do seu trabalho com a sua banda, seu trabalho individual como músico. Então, fala do trabalho de vocês individual. Faz o jabá, pode fazer o jabá agora. Bom, meu Instagram é arroba rodrigo mancusi, S-I. Todos os meus trabalhos estão lá nas redes sociais, nas plataformas digitais também. Eu tenho o meu primeiro disco Notícias de Longe, alguns singles lançados. Estou produzindo o meu segundo.
trabalho também que logo mais tá aí na praça e a Bacachepa, que é a banda que eu faço parte há 10 anos, que algumas pessoas já conhecem, conheçam também todas as plataformas digitais, a gente tem aí três discos, um EP e muitos shows pra acontecer Ai, eu sou fã! E não só em São Paulo, né? Pelo Brasil inteiro então acompanhem aí no Instagram
Bom, gente, o meu é Brumondeck, é Mondeck com CK no final. Aí tem também o arroba Grupo.0, que é o meu de teatro. E o arroba do SP Underline, que é o de dueto de dança contemporânea.
E o meu é Marina Caron, 2020, também tem no espaço de atos integradas, né? No Instagram deles. E eu tô lá, então, fazendo esses cursos. Sou também massagista no espaço DERRA, de terapias integradas. E trabalho na Escola Alecrim, como coordenadora de um projeto lindo de corpo, voz e movimento, com aulas de dança, yoga e música, que vale a pena conhecer.
Está chegando ao fim nosso episódio. Agradeço muito por vocês terem aceitado o convite, por esse papo que foi delicioso. A gente podia ficar aqui sete anos conversando que ia ter assunto. Ia surgir o assunto atrás do outro.
Então, agradeço muito, muito obrigada. A gente que queria agradecer, viu? Oportunidade rara e linda de poder conversar e expor nosso trabalho, que está lá tão pequeno, de alguma maneira, no quintal da casa do Iaí, mas ao mesmo tempo com toda essa grandeza e essa sensibilidade. Então, agradeço muito sua escuta.
É assim, você fala que é um trabalho pequeno, mas não é. É um trabalho enorme. O trabalho de vocês é gigantesco. Pode ser que ele alcance poucas pessoas, que deveria alcançar muito mais, mas é um trabalho gigantesco, o trabalho que vocês estão fazendo. E é lindo, lindo, lindo. E eu quero muito assistir vocês.
Sim, sim, sim. Você que está aí assistindo no YouTube, sabia que seu dedo não cai se você deu um curtir? Se você se inscreveu no canal, que ainda é de graça, talvez em algum tempo descobrem, mas dê aquela curtida marota, seu dedo não cai ainda.
Se você está no Spotify, dê aquelas cinco estrelas, uma força, comenta aí. Se não gostou, fala mal, que é bom também para a gente. Fala mal, fala bem, mas fale da gente. Estamos lá como arroba, voz do palco, segue a gente nas redes sociais. E é isso. Três beijinhos na bunda de todo mundo e até a próxima.
Este podcast é um projeto aprovado na 22ª edição do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais do Município de São Paulo, o Programa VAI, com o apoio da Associação Prática Tatum. Este podcast é uma realização do coletivo Teatro, Memórias e Além, São Paulo, Capital da Cultura, Prefeitura da Cidade de São Paulo, Cultura e Economia Criativa.
Você ouviu vozes do palco.