Mapa de Risco #17: Lula é “pato manco” em meio a reunião com Trump e embate com Flávio nas regiões?
Nesta edição, a bancada recebe Bianca Lima, analista de política da XP e Cristiano Noronha, VP da Arko Advice.
Confira os destaques:
- O que Lula pode ganhar — ou perder — no encontro com Donald Trump
- O novo mapa eleitoral do Brasil mostrado pela Quaest, com um país dividido entre Nordeste e Sul-Sudeste
- A disputa silenciosa por Minas Gerais, estado que voltou a embaralhar os cálculos tanto do PT quanto do bolsonarismo
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Marina Verenicz
Marina Verenix
Bianca Lima
Cristiano Noronha
- Encontro Lula e TrumpImpacto político e diplomático para Lula · Pauta da reunião: segurança pública, PICS, tarifas comerciais, minerais críticos e tensões internacionais · Repercussão da oposição ao encontro · Comparativo com encontros anteriores de Trump · Discussão sobre Operação Carbonoculto
- Sistema Eleitoral BrasileiroDivisão regional: Nordeste vs. Sul-Sudeste · Disputa por Minas Gerais · Desempenho de Lula nos estados do Nordeste (Pernambuco, Bahia, Ceará) · Desempenho de Flávio Bolsonaro no Sul e Sudeste (Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Goiás) · Análise do eleitorado de classe média/média baixa · Impacto da economia e segurança pública na aprovação
- Situação do PT em Minas GeraisReflexo do eleitorado brasileiro · Vantagem numérica de Lula, mas com palanque em construção · Cenário eleitoral em aberto para o Senado (Rodrigo Pacheco, Cleitinho, Nicolas Ferreira) · Voto 'Lulema' em 2022 e a dualidade do eleitorado mineiro · Heterogeneidade regional dentro do estado
- Indicação Jorge Messias ao STFDerrota dura para o governo Lula · Dificuldade de aprovação de novas indicações antes das eleições · Desorientação do Planalto e desgaste dos articuladores políticos · Debate sobre envio de novo nome (mulher negra como opção) · Relação tensa entre Planalto e Congresso (Davi Alcolumbre)
- Marco legal para minerais críticosAprovação do texto principal pela Câmara · Timing da aprovação antes do encontro Lula-Trump · Importância geopolítica na disputa EUA-China · Incentivos, financiamento e licenciamento para o setor · Descontentamento do setor com pontos do texto (prazo de caducidade)
- Fim da escala 6x1Estratégia de aceleração da tramitação na Câmara · Compromisso de Hugo Motta para aprovação em maio/junho · Interesse eleitoral e costura política regional · Dúvidas sobre o mérito (transição de horas, compensação para setores intensivos em mão de obra) · Papel de Hugo Motta como ponte entre governo e Senado
Enquanto Lula tenta transformar um encontro com Donald Trump em um ativo político e diplomático, as novas pesquisas mostram um país cada vez mais dividido regionalmente na corrida presidencial. E no meio disso tudo, Minas Gerais volta a aparecer como aquele estado que pode decidir a eleição, ainda mais onde nem Lula, nem Flávio Bolsonaro conseguiram ainda organizar totalmente os seus palancres.
Olá, eu sou Marina Verenics e você está no Mapa de Risco, o programa de política do InfoMoney, que faz uma coisa simples e nada trivial. Separar o barulho de Brasília e ficar só com aquilo que pode mudar o preço do ativo e o humor do mercado. Toda sexta-feira eu estou aqui com um timaço de especialistas para conversar sobre o que realmente importa na política e como isso impacta não só no mercado, mas também no seu bolso.
No programa de hoje, o que Lula pode ganhar ou perder no encontro com Donald Trump. O novo mapa eleitoral do Brasil mostrado pela Quest com um país dividido entre Nordeste e Sul-Sudeste. E a disputa silenciosa por Minas Gerais, estado que voltou a embaralhar os cálculos tanto do PT quanto do bolsonarismo.
Para nos ajudar a entender o que aconteceu nessa semana, eu recebo aqui no mapa de risco a nossa analista de política da XP, Bianca Lima, seja muito bem-vinda. Obrigada, Marina. Bom, e para corroborar aqui com essa discussão, eu também recebo Cristiano Noronha, da Arco Advice. Seja muito bem-vindo, Cristiano. Obrigado pelo convite. Prazer estar aqui com vocês.
Perfeito. Enquanto a gente estava se preparando aqui para a gravação, o presidente Luiz Inácio Loda Silva se reuniu nessa quinta-feira. Então, a gente está gravando na quinta-feira à tarde com o presidente dos Estados Unidos, o Donald Trump. E esse encontro aconteceu depois de meses de negociações diplomáticas e de várias remarcações provocadas pela guerra no Irã. Na pauta, a gente tinha, claro, segurança pública, PICS, tarifas comerciais, minerais críticos e também tensões internacionais.
O encontro inicialmente estava previsto para março, mas acabou sendo adiado justamente pela escalada no Oriente Médio. Na última sexta-feira, o Lula e o Trump haviam conversado rapidamente por telefone para apaziguar o que aconteceria nesse encontro. E aí, chamem atenção aqui, um ponto importante, que diferente do que aconteceu nos encontros recentes do Donald Trump com outros líderes, por exemplo, com o Vladimir Zelensky,
e não houve ali, o que a gente estava conversando aqui, a participação da imprensa nesse primeiro momento da reunião, a imprensa não esteve presente, não entrou no Salão Oval, e logo depois dessa reunião o que a gente teve foi os ministros do governo Lula, que nesse momento, enquanto a gente grava, estão dando uma coletiva, apontando ali tudo que foi conversado durante essa conversa, que durou quase três horas, que a gente teve um sinal positivo.
do presidente Donald Trump, logo na saída ali, ele falou que o Lula é energético, né? Ele falou ali que foi uma conversa longa. E aí eu queria começar, vou quebrar um pouco o protocolo aqui, Cristiano, perguntando para a Bianca, esse encontro veio num bom momento para o presidente Lula? Pois é, Marina, até, então, e para o Cristiano também, todo mundo que nos acompanha. Eu acho que vem num momento que ajuda simbolicamente o presidente Lula.
depois daquela derrota acachapante que aconteceu no Senado Federal na semana passada, quando o advogado-geral da União, Jorge Messias, acabou tendo a sua indicação para o Supremo Tribunal Federal rejeitada, o que não acontecia há 132 anos ali em Brasília, então foi algo muito simbólico.
e que a oposição, depois disso, quis colar uma imagem de pato manco no presidente, né? Aquela coisa de um presidente que está em fim de mandato e com pouco capital político, com pouca energia e pouca disposição ali para se mostrar relevante. Então, eu acho que essa...
viagem para os Estados Unidos, que como você muito bem colocou, já estava sendo negociada e tentando ali os diplomatas tirar do papel desde março, calhou de ser agora, acho que ela vem no momento que o Lula está querendo mostrar que, olha, ainda estou aqui, sou relevante, estou competitivo, tenho um reconhecimento internacional.
E é claro, como você ponderou, a gente está gravando aqui na quinta-feira, está acontecendo neste momento uma coletiva, a ver o que virá de novos detalhes, mas acho que só essa sinalização inicial de ter tido um tweet favorável por parte do presidente norte-americano Donald Trump, dizendo que...
a reunião foi positiva, uma série de fotos, é claro que essa questão imagética também seria relevante, a gente tem que lembrar na época do tarifácio, eu acho que essa foi uma pauta que o governo acabou conseguindo fazer do limão, uma limonada lá em 2025, e culminou também com declarações positivas e outros encontros que tiveram saldo também positivo com o Donald Trump.
Donald Trump no ano passado, com fotos ali que o governo usou muito, acho que essa foto ao lado do Trump também serve nesse momento para mostrar que o Lula está no jogo, que ele ainda tem um reconhecimento internacional, que ele é recebido pelo presidente norte-americano.
e a ver o que sai de efetivo de lá. E eu só destacaria um ponto, eu acho que claro que a gente tem que ver mais detalhes do que vem de concreto, mas a gente já viu, por exemplo, uma fala bem curtinha do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que coloca que foi levado para esse encontro um compromisso e foi feita uma discussão de colaboração e de troca de informações sobre a Operação Carbonoculto, que é aquela...
que investigam o esquema bilionário de fraudes na área de combustível aqui no país. Então, eu acho que isso também ajuda o governo a tentar trazer uma retórica e uma narrativa na área de segurança pública, que é um calcanhar de aqueles do governo. Comparativamente, a oposição também, historicamente, sai melhor nesse assunto. Então, o governo vem tentando colocar aqui esse combate no caso dele.
é pelo andar de cima, é mirando a cabeça e o cérebro ali do crime, seguindo o caminho do dinheiro, então acho que é esse encontro e essa fala dos ministros ali posteriormente a esse diálogo também serve para reforçar essa retórica do governo nesse ponto que é um ponto fraco, tá?
Sem dúvida, Cristiano, passando para você aqui, a Bianca comentou um pouco da oposição, de como a oposição enfrentou isso do encontro passado do Lula com o Trump, que a gente teve ali uma elevação da popularidade do Lula, se entendeu aquilo como um sinal muito positivo, principalmente depois da derrubada de parte das tarifas. Como é que a oposição tem olhado esse encontro de hoje? Isso gera alguma preocupação? Porque a gente tem a todo momento...
o bolsonarismo tentando se alinhar ao Donald Trump. A gente tem o Eduardo Bolsonaro lá nos Estados Unidos fazendo esse contato, um contato muito próximo. E como é que fica esse novo encontro do Lula? Preocupa? Olha, é óbvio que sempre quando acontece esse diálogo, essa aproximação, a oposição vai tentar reduzir a importância do encontro, vai tentar mostrar que o governo...
de fato, não tem esse diálogo todo com os Estados Unidos e vai destacar uma série de problemas. O fato é que essa reunião, ela também, ela vem num momento muito delicado para o próprio Trump, saiu pesquisa recente.
mostrando a inflação aumentando. A gente vai ter eleições nos Estados Unidos também no final do ano, no middle term, e isso preocupa muito ao Trump. Então, existem questões-chave que ele está tentando resolver, como a própria questão de inflação também de alimentos nos Estados Unidos, lembrando que ele impôs mesmo tarifas a produtos brasileiros, a questão de minerais críticos, terras raras.
Inclusive, houve recentemente uma aquisição por uma empresa americana de um empreendimento em Goiás. Então, aparentemente, essa agenda vem num momento muito mais interessante e muito mais alinhado à agenda e preocupação interna dos Estados Unidos do que propriamente ao Lula, de fato.
Mas, obviamente, que o Lula vai capitalizar isso, dizendo que, novamente, o mundo quer conversar com o Brasil, de que as duas maiores democracias ocidentais estão discutindo, sentando, e o Lula vai, obviamente, tentar surfar um pouco nessa onda.
Eu só não, na minha avaliação, só não acredito que isso vai ter um impacto efetivamente em termos de votos. Isso alimenta muito a retórica de um lado e de outro, mas o que faz a diferença nesse momento são muito mais questões internas no Brasil, como tem saído em pesquisas recentes. A população tem demonstrado muita preocupação em relação à economia, em relação à segurança, em relação a denúncias de corrupção.
Bom, perfeito. Como a gente comentou aqui, a gente está gravando esse episódio que vai ao ar na sexta-feira de manhã, mas agora é quinta-feira, depois do almoço, por volta das quatro da tarde. Então a gente ainda não tem todas as informações sobre esse encontro, sobre a coletiva, inclusive dos ministros, e o que foi falado. Então, para entender todo esse cenário...
na sexta-feira. Se você está ouvindo isso depois das duas da tarde, já está no ar, a gente marcou para as duas da tarde da sexta-feira uma live para discutir tudo o que foi conversado ali, tudo o que vazou, tudo o que não vazou, para onde isso vai, como encarar, como analisar esse encontro, todas as repercussões. Então, para você assistir e entender melhor esse cenário, porque no calor do momento aqui é um pouco difícil, as coisas estão acontecendo conforme a gente grava, então se você quer acompanhar tudo o que aconteceu...
Entra lá na nossa live, claro, depois de escutar esse episódio. Bom, uma nova rodada da pesquisa Genial Quest, divulgada nessa quarta-feira, mostra um país dividido regionalmente na corrida presidencial de 2026. O levantamento mergulhou nos dez maiores colégios eleitorais do país para entender como é que está a disputa polarizada entre o Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
E eu queria aqui dividir essa nossa conversa, Cristiano e Bianchi, em duas partes. Primeiro, olhar para os estados em que o Lula segue dominante, depois para entender ali como é que o Flávio vem consolidando esse avanço dos últimos meses. Essa pesquisa mostra que o presidente concentra os seus melhores desempenhos justamente nos estados em que o governo ainda mantém um saldo positivo de aprovação.
Pernambuco aparece como o estado mais favorável ao presidente. No cenário de primeiro turno, o Lula registra 53% das intenções de voto contra 19% do Flávio Bolsonaro. Já no segundo turno, essa distância aumenta ainda mais e vai de 57% para 23%.
Na Bahia e Ceará, seguem praticamente a mesma lógica aqui. Cristiano, historicamente, esses estados têm ligação forte com a esquerda e com o lulismo, mas o que explica o fato do Nordeste continuar funcionando como principal âncora eleitoral do presidente, mesmo em um cenário nacional cada vez mais competitivo?
Bom, isso remonta, em primeiro lugar, já ainda o governo, o primeiro e o segundo governo, especialmente o segundo mandato do presidente Lula. Houve uma consolidação forte no segundo mandato dos programas sociais do governo. O boom de commodities que a gente teve também naquele período.
fez com que a economia do Nordeste e os programas sociais também crescessem, tivessem crescimento de patamares chineses, a economia do Nordeste crescendo 9%, 7%, de uma forma muito expressiva e que não acontecia há muito tempo. E justamente graças a isso...
A gente viu também esses estados, justamente por conta disso, o PT ganhar eleições nesses estados são considerados estratégicos. Então, se você olha, o PT governa a Bahia, o PT governa o Ceará, mesmo em Pernambuco também...
tem o governo de esquerda, então isso acabou, de certa forma, consolidando. Agora, o Lula está enfrentando problemas, vai enfrentar problemas nessa eleição, porque a gente vê, por exemplo, no caso do Ceará, hoje Ciro Gomes, que está liderando as pesquisas, ele ainda não decidiu.
se ele vai ser candidato ao governo do Estado ou se ele vai concorrer à presidência. Ele promete dar essa resposta ao longo do mês de maio. Na Bahia, o ACM Neto está liderando as pesquisas.
Então, botando ali o PT, ameaçando essa dominância que o PT tem já de décadas lá no Estado, então vai ser uma eleição mais complicada, mais complexa. Então, se a oposição, o Flávio souber dialogar e trabalhar bem, ele pode eventualmente fazer com que essa diferença reduza.
Mas isso é uma explicação, portanto, histórica, graças à atenção e o crescimento, a performance social que teve. Agora, a realidade hoje é um pouco diferente, até porque a segurança pública também passou a ser um problema muito grave no Nordeste, chegando lá, e o nível de desaprovação do governo também cresceu na região.
Perfeito. E além do Nordeste, Bianca, o Lula também lidera no Pará. No segundo turno, o presidente aparece com 43% contra 36% do Flávio Bolsonaro. Historicamente, o Estado tende mais à esquerda, embora o Norte, como região, costuma apresentar uma maior abertura ao bolsonarismo. Então eu queria entender por que o Norte, de uma maneira geral, conversa tão bem com o eleitorado bolsonarista.
Pois é, Marina, eu acho que a gente tem um cenário, talvez até não só da região norte, mas quando a gente olha para todo o país.
que é uma classe ali que fica um pouco mais no meio e que não se sente representada. Acho que o Cristiano falava muito e batia muito no ponto da questão do impacto dos programas sociais para explicar essa consolidação e essa representação histórica do PT no Nordeste. Mas a questão, e que eu acho que define muito essa eleição, não só de 2026, mas sobretudo de 2026, é que a gente tem um público ali no meio.
que eu acho que virou o grande alvo das duas campanhas e que hoje se sente um pouco órfão. Então você tem aquela classe média, média, média baixa, com um patamar de renda ao redor de 3 mil reais, que quando olha para baixo ali na pirâmide social, vê uma camada da população.
que é muito assistida pelo governo por meio dos seus programas sociais, então, tarifa social da conta de luz, Vale Gás, Bolsa Família, todo aquele arcabouço do Cade Único, e quando ela olha para cima, ela ainda se vê muito distante e poucas chances de ascensão para as camadas de classe...
mais alta ali para a elite, etc. Então, isso cria um descontentamento e tem ali no núcleo da campanha do presidente Lula esse diagnóstico de que essa faixa da população, no fim, acabou tendo uma grande insatisfação e um descontentamento com o custo de vida, com o endividamento, com o poder de compra e que se reflete na popularidade.
do presidente. Então, só pegando um ponto ali, eu sei que você me fez uma pergunta mais regional, mas só para tirar um pouco a lupa e olhar para cima, que eu acho que tem essa camada do meio, que ela acaba explicando em diversas regiões do país um pouco esse descontentamento da população em que pese...
que os indicadores formais macroeconômicos da economia estejam bem positivos. Você olha o desemprego, está na mínima histórica, a renda está crescendo, a inflação, pelo menos no cenário até do que a gente tinha do pré-guerra, agora ficou mais instável, estava dentro da meta. Então você tinha um cenário que quando você olhava macroeconomicamente, era um cenário positivo, que os índices de popularidade pareciam muito descolados disso. Mas quando você põe uma lupa nessa...
nessa faixa da população, eu acho que explica muita coisa dessa insatisfação da população e explica também um pouco da estratégia do governo Lula, de focar diversas tentativas agora, programas, iniciativas para essa faixa de renda. Então você tem, por exemplo, esse novo Desenrola, que foi lançado na segunda-feira, para essa...
sobretudo essa faixa da população, uma série de medidas de crédito, seja Minha Casa Minha Vida, faixa 4, seja aquela linha para reformas que agora já tem de famílias que ganham até 8 mil reais, eles ampliaram.
o escopo, teve hoje o lançamento de uma linha de crédito especiais para mês, né, você tem muito empreendedores, pessoas que não são CLT, que não tem carteira assinada, o governo está tentando colocar de pé uma linha de crédito para motorista de aplicativo, enfim, a própria escala 6 para 1, né, dentro dessa faixa de renda você tem muitos trabalhadores que estão na 6 para 1 e que tem uma alta rotatividade.
pouca qualificação e salários mais baixos. Então, eu acho que só tirando um pouco da lupa e olhando mais para cima, eu acho que isso explica um pouco esse descontentamento dessa faixa da população em que pese que a gente tenha indicadores macroeconômicos positivos hoje.
Cristiano, a Bianca comentou aqui essa questão, e a gente sempre traz aqui no programa um pouco essa desesperança do eleitor. Apesar dele ver números macroeconômicos melhores, isso parece não atingi-lo de alguma maneira, e ele segue nessa desaprovação do governo. E aí quando a gente olha os dados da pesquisa, eles mostram que os estados que mais desaprovam Lula são justamente aqueles que encontram...
onde ele encontra mais dificuldade eleitoral. Então, a gente está falando ali do Paraná, de Goiás, de São Paulo especificamente. E aí, Cristiano, a minha pergunta é no sentido de o que ainda pode ser feito para conseguir buscar um eleitorado desses estados. A Bianca comentou aqui diversas...
O pacote de bondades que a gente comenta do ano eleitoral, isso tem efeito? Porque o que eu tenho ouvido é que mesmo se tudo isso for aprovado, a desesperança está tamanha. E, por exemplo, o endividamento da população está tão grande que mesmo essas medidas de crédito não conseguem, de fato, alcançar as pessoas no sentido de mudar esse mau humor que existe com relação aos políticos.
Não vai fazer diferença, porque hoje, justamente por conta dessa polarização, o Lula vai ter uma rejeição sempre beirando os 40%, que são justamente os eleitores dispostos a votar na direita, ou os bolsonaristas mais radicais, enfim. No total, dá 40%, e o Lula...
Ele perdeu o charme eleitoral que ele tinha quando ele deixou a presidência da República, lá em 2010. Lembrando que o índice de aprovação do Lula rodava na casa de 85%.
Quando vieram os escândalos, o Mensalão abalou um pouco, mas ele acabou conseguindo recuperar um pouco. Mas depois que veio o Mensalão, o Petrolão, a Lava Jato, ele foi condenado pela gestão Dilma, que foi bastante difícil, que gerou custos fiscais muito importantes.
para o país, deixou uma conta muito alta para o país pagar, o Lula perdeu esse charme que ele deixou lá em 2010, com esse índice de aprovação, e é muito difícil que o Lula recupere isso.
Então, todo esse conjunto de medidas que o governo está soltando, na verdade, o governo está soltando uma bala de canhão para ver se atinge algumas mosquinhas. Ou seja, o governo vai estar soltando muito para ver se consegue ganhar 2, 3, 4 pontos percentuais e, com isso, garantir...
a vitória dele. É, porque a gente está falando que vai ser uma eleição muito polarizada, então três, quatro pontos me parece o suficiente pelos nossos cálculos. Pois é, mas essa vai ser a distância máxima que um vai ter em relação ao outro, repetindo um cenário de uma eleição muito apertada que a gente teve em 2022. Então...
Vai fazer diferença? Não vai. Existem setores que eles não têm qualquer disposição de ouvir o que o Lula tem a dizer e também tem setores que não estão dispostos a ouvir o que o Bolsonaro tem a dizer. São candidatos, Lula e Bolsonaro hoje concentram em torno de 75% a 80% do eleitorado.
E aí é como água e óleo, não se mistura. Então não adianta o governo soltar, gastar rios de dinheiro que não vai conseguir gerar uma grande mudança. Mas o que o governo está tentando fazer é agradar alguns setores, pequenos grupos de alguns.
para ver se eventualmente isso faz alguma diferença no final das contas. E aí ele consegue esses pontos mínimos suficientes para garantir a vitória. Usando uma analogia com o futebol, tinha um jogador que falava que feio é não fazer gol, então o que importa é a bola entrar.
Feio é perder a eleição. Então, o Lula não importa se ele pode ter uma vitória de 1 ou 10 pontos. De 10 pontos, certamente, ele não terá. Mas o que ele está fazendo são movimentos justamente para garantir o apoio mínimo para ele ter esse quarto mandato.
Eu arrisco dizer aqui que essa eleição vai ser a eleição mais difícil, não apenas que o Lula, mas que o PT já enfrentou em nível nacional.
Sem dúvida. E a gente fala, não existe golfeio. E aí quem estava jogando parado, para a gente jogar para o outro lado dessa pesquisa, era o Flávio Bolsonaro. Até o momento ele estava jogando parado e estava ganhando ali algum impulso, muito pela trajetória do pai e trazendo esses eleitores.
Então a gente consegue ver que enquanto o Lula lidera ali com uma vantagem expressiva em Pernambuco, na Bahia, no Ceará, o Flávio Bolsonaro lidera no Paraná, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro e em Goiás. O senador consolidou a sua presença nos principais colégios eleitorais do Sul e Sudeste, reduzindo a dependência exclusiva ali do bolsonarismo no Centro-Oeste, que sempre foi um núcleo importante para eles.
E aí a gente tem avançado em algumas regiões que são economicamente mais viáveis, mais relevantes na disputa presidencial. O maior desempenho do senador aparece no Paraná. No primeiro turno o Flávio registra 38% das intenções de voto contra 23% do Lula. E no segundo turno essa vantagem sobe de 50% a 30%.
Cristiano, algum desses estados, a gente está falando então num eleitor que ele tem uma renda média um pouco mais elevada, talvez ele esteja nesse meio da estratificação que a Bianca trouxe, ele tem em algumas partes um perfil mais urbano e ele é um eleitorado sem dúvida mais conservador. O que o Flávio Bolsonaro tem hoje, a campanha dele oferece para esse eleitorado?
Bom, o governo, a despeito de ter feito a isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, a gente viu que isso não significou muito para essa população. Exatamente como a Bianca falou também.
Esse grupo de eleitor está sentindo que o governo dá com a mão e tira com o outro. O governo não consegue... São pessoas endividadas e o governo fez esse programa desenrola.
Mas essas pessoas estão pagando juros altos, esse juros alto, em parte, embora o Ministério da Fazenda diga que não, mas também tem a ver com a questão do nosso nível de endividamento público, a questão fiscal, do déficit, que é muito elevado. Essas pessoas, como você falou, são de centros urbanos, as pessoas vivem diariamente com questão de violência, por isso colocam...
a questão da segurança pública como uma questão de prioridade. Essas pessoas não estão necessariamente percebendo que o governo passou todo esse período de quatro anos priorizando políticas públicas voltadas para eles, mas sim, muito mais querendo também, em parte, aumentar tributação, embora o governo diga que é só para os mais ricos, mas teve a história da...
da taxa das blusinhas, por exemplo, que acabou repercutindo muito mal para essa população. Então, o fato é que o governo tem, sim, apresentado bons índices na economia de uma forma consolidada. Vamos dizer assim, desemprego está baixo, inflação está baixa. Só que isso não é o que as pessoas sentem no dia a dia. Inflação, preço de alimento, as pessoas sentem isso diariamente quando elas vão ao supermercado.
Então, isso é muito negativo, desgasta muito o governo e as pessoas não sentem, quer dizer, a vida dela efetivamente melhorando. Se você pegar a situação das pessoas desde que o governo do presidente Lula assumiu até aqui, as pessoas não percebem grandes mudanças.
E o governo está o tempo todo tentando reequentar tudo que o governo lançou, boa parte do que o governo lançou nesse governo, foi comida reequentada de gestão anterior. Foi Minha Casa Minha Vida versão 5, 6, 7, foi o PAC também...
mais ou menos repaginado, mas sem provocar nenhum tipo de grande transformação na sociedade. Então, isso acaba tornando as pessoas descrentes, que não confiam no governo, e despertando nelas.
o desejo de sentimento de mudança. E aí, obviamente que o Flávio capitalizou isso muito bem, não ele, mas o bolsonarismo já tinha captado isso muito bem, e agora está mostrando que ele está surfando, vamos dizer assim, ainda também no histórico do pai, do prestígio político do pai, mas também nas deficiências do governo.
Perfeito, Bianca, da mesma forma, o Flávio começou essa pré-campanha aí fazendo uma road tour ali pelo Nordeste, tentando ganhar algum conhecimento e articular palanques regionais. A gente já teve até uma dancinha dele ali que repercutiu mal de alguma maneira, porque o pai estava internado à época.
E aí existe algum caminho real para o bolsonarismo crescer dentro do Nordeste? O Flávio poderia oferecer ao eleitor o que ele poderia ali para tentar reduzir essa distância, essa rejeição ou ainda a aproximação com o lulismo?
Mas é, Marina, eu acho que o Cristiano bateu numa tecla aqui que eu acho que é relevante, que é segurança pública, né? E a gente tem uma série de capitais no Nordeste com índices de violência altíssimos, até superiores aos índices que a gente observa aqui no Sul e Sudeste. Então, eu acho que esse, por exemplo, é um problema que o governo, historicamente, os governos de esquerda têm mais dificuldade em endereçar e, sobretudo, essa atual gestão.
Lula 3, que tentou ali fazer uma proposta de segurança pública, que travou no Congresso, dificilmente isso vai caminhar agora às vésperas da eleição, sobretudo nesse cenário conflagrado de executivo e legislativo, acaba apostando numa retórica que, enfim...
Tem ali a sua tentativa, como a gente falou, de combate do crime pelo andar de cima, mas as pessoas, no fim, estão vivendo aquilo no dia a dia, muito mais num microcosmo de roubo de celular, de uma violência urbana.
Que elas sentem poucas ações para isso. Eu acho que esse é um flanco, por exemplo, que tem eco nessas regiões que estão com índices de violência bastante elevados. A gente tem também todas essas questões envolvendo casos recentes e expressivos de corrupção, né? Também historicamente...
O PT acaba sendo mais fragilizado quando surgem essas discussões relativas à corrupção. É claro que também, em casos atuais, o incumbente também sofre mais, isso via de regra. Então, esses dois assuntos, segurança pública e corrupção, eles estão hoje aparecendo no topo das preocupações. Isso não é diferente do Nordeste. Eu acho que esse é um flanco que o Flávio pode ali se aproveitar.
junto dessa questão ali, talvez de um, apesar de você concentrar nessa região proporcionalmente um volume, um percentual expressivo de beneficiários dos programas sociais do governo, tem um cansaço, tem um cansaço de fato. Quando a gente faz aquelas pesquisas qualitativas, ouvindo o eleitorado, você tem uma percepção de que o governo Lula 1 e o governo Lula 2, eles foram muito mais transformadores nas vidas.
das pessoas, né? Então elas sentem mais diferente, elas sentem que houve um salto ali de renda ou enfim. Isso eu acho que muito também porque a gente fala que o governo Lula principalmente o primeiro, é um governo de adesão, ele segue uma continuidade do Fernando Henrique Cardoso, então ele consegue pegar um pouco do colher os frutos que ele disse que faria, agora não ele pega um cenário distinto, ele vem de uma pandemia
e do governo Jair Bolsonaro, que teve suas dificuldades ali na economia, então ele basicamente recomeça o que ele fez. Exato, e ele acaba reeditando uma série de políticas, então de fato, fazendo novas faixas do Minha Casa Minha Vida, ressuscitando ali o PAC, apostando no Bolsa Família, e uma série de outros programas que ele reedita, num museu de grandes novidades.
E as pessoas não sentem que houve um salto de qualidade de vida, de transformação ou de mobilidade social como elas sentiram no Lula 1 e no Lula 2, então eu acho que traz essa frustração mesmo.
para essa população que hoje é beneficiada por uma gama de programas sociais e que proporcionalmente, em termos percentuais, se concentra mais na região Nordeste. Então, acho que esses flancos e esses temas podem ser ali caminhos de entrada do bolsonarismo, do Flávio e da oposição nesses que são redutos historicamente do petismo.
Perfeito, agora outro dado relevante que eu queria trazer para discutir com vocês aqui é Minas Gerais, que é sempre o estado considerado decisivo para a eleição nacional desde a redemocratização e essa pesquisa Quest mostra o Lula numericamente à frente, tanto no primeiro quanto em segundo turno.
No primeiro cenário, o petista aparece com 33% contra 27% do Flávio Bolsonaro. Já no segundo turno, o Lula registra 52% contra 48%. E aí é dentro da margem de erro aqui. Ao mesmo tempo, o Romeu Zema mantém uma aprovação alta no Estado, chegando a 52%. E aí
E aí o cenário que eu quero lembrar aqui é o de 2022, quando a gente teve o famoso voto Lulema, quando parte do eleitorado votou em Lula para presidente e em Zema para governador. E aí lembrando que os dois estão em espectros diferentes ali. Cristiano, o que explica essa dualidade do eleitorado mineiro?
Minas é... Por isso que o pessoal olha tanto para Minas, porque diz que ele reflete exatamente o perfil do eleitorado brasileiro. Então, onde é considerado a melhor réplica, vamos dizer assim, a melhor fotografia que a gente tem do país. Então, por isso se observa tanto ali o que acontece em Minas, como é que está indo o eleitorado. Então, eu acho que o pessoal olha tanto ali o que está indo.
E a julgar pela Coeste, o Lula está em ligeira vantagem lá no Estado. Mas o Lula, vale dizer, ele não tem um palanque muito bom lá, está suando a camisa, correndo atrás para tentar construir esse palanque. Primeiro, houve um esforço de levar, ainda está tentando articular a eleição do Rodrigo Pacheco, que foi presidente do Senado.
que também ainda não decidiu se vai ser candidato, já mudou de partido, o PSB, que é um partido que faz parte da coalizão do Lula no plano federal, mas ele promete dar essa resposta ao longo do mês de maio. Os movimentos do Pacheco indicam que ele pode ir, ele está até relativamente bem nas pesquisas de intenção de voto, pelo menos neste momento.
Já a oposição lidera as pesquisas com o senador Cleitinho, o deputado federal Nicolas Ferreira tem uma capacidade de mobilização muito boa, é de Minas Gerais também, pode ajudar bastante. Agora o Lula não tendo eventualmente, não podendo contar com o Pacheco, vai tentar ir com o Calil para ter um palanque ali de esquerda.
e fazer, ter alguém ali para divulgar também as mensagens, suas mensagens no Estado. É um Estado estratégico, um Estado-chave, porque, como eu disse, ele é o melhor retrato, é o Estado que melhor reproduz a realidade brasileira. E, por isso mesmo, as pessoas sempre falam que quem vence Minas vence no país, porque justamente é esse reflexo do perfil...
do eleitorado brasileiro. Acho interessante também a gente pontuar uma coisa aqui, Bianca, antes de eu passar para você, que a gente tinha o PL indo muito ali com o Cleitinho, essa semana parece que deu uma escorregada, hoje já ouvi falar de Flávio e Flávio, significa Flávio Bolsonaro e Flávio Roscoi, não sei se isso vai para frente, se é espuma, mas me parece que os dois palanques estão super em aberto ainda, a gente vai poder discutir isso aqui.
mais profundamente em outros programas. Mas bem, o que eu queria trazer para você, por que numericamente Minas é tão importante, né? Por que esse eleitorado reflete de fato o Brasil? Como é que a gente consegue explicar isso? Porque outros anos foram assim também, né? É, Marina, eu acho que tem dois pontos, né? Primeiro por ser o segundo maior colégio eleitoral, né? Depois de São Paulo, então numericamente é muito relevante.
e por ser um pupurri de cenários dentro de um mesmo estado. Então, a região metropolitana ali de Belo Horizonte é um cenário, o Triângulo Mineiro é outro cenário, o Norte de Minas é um outro cenário. É um estado grande, bastante heterogêneo, e que acaba, de alguma forma, refletindo esse panorama nacional. Não é só, obviamente que as campanhas sabem muito bem disso, não é só o governo Lula, tanto que não é à toa...
que a campanha do Flávio e ali o entorno, uma parte do entorno, vamos colocar assim, nem todo mundo está nessa atuada, mas uma parte do entorno do Flávio pensa, por exemplo, que o Romeu Zema seria uma boa opção de nome para a vice-presidência, por ajudar a trazer esse eleitor mineiro, em que pese que o Zema está num partido considerado pequeno, que é um novo, enfim, tem algumas ponderações que são feitas. Pelo lado...
do governo, eu acho que é importante só a gente fazer uma ressalva aqui, que foi, que não dá para a gente desatrelar, que é o episódio da semana passada da rejeição do nome de Jorge Messias no Senado, que por uma parte ali do entorno do presidente Lula, teve a digital de Rodrigo Pacheco, ali numa aliança com Davi Alcolumbre, que é o presidente do Senado, é um aliado de Pacheco, então uma parte ali...
do PT vê uma digital de Pacheco e considera que agora seria difícil seguir com o nome dele, nenhum martelo batido, Lula já deu diversas ali...
sinalizações ao longo de toda a sua vida política de que ele é muito pragmático, isso poderá ser superado caso seja necessário, mas que houve um desgaste, isso é inegável, né, a ver como é que isso vai ser endereçado para ambos os lados, e aí de fato, se não tiver Pacheco para concorrer e para representar...
esse lado da esquerda ou esse lado do presidente Lula em Minas Gerais, como o Cristiano falou, ou o governo vai ter que se reconciliar com o Calil e fazer essa aliança, ou então vai ter que recorrer a Marília Campos, que é a ex-prefeita de contagem, muito bem avaliada lá, está na verdade concorrendo para uma vaga no Senado, tem grandes chances de ser bem sucedida nessa eleição.
Mas, eventualmente, quando você conversa com alguns parlamentares do PT, eles colocam que se Pacheco de fato não sair por uma decisão própria e, eventualmente, por esse desgaste pós-Messias e não for possível construir uma aliança com Calil, o nome da Marília seria uma opção.
Bom, Minas, é o que a gente fala, né? Muita gente não quer, e quem quer não tem apoio. Essa é a grande brincadeirinha que a gente faz aqui no mapa de risco. Mas muita água vai rolar. Me parece que nos próximos 15 dias o PL diz que bateria o martelo. Em quem seria esse nome?
Não sei se esse Flávio, Flávio, que é um pão com pão ali, vai funcionar, se vai seguir ou se eles vão seguir com o Cleitinho mesmo, que tem um número de intenção de voto altíssimo. Então isso seria muito bem aproveitado ali para o Flávio e pelo seu palanque. Cristiano, queria agradecer muito a sua presença, muito obrigada por ter aceitado o nosso convite, por estar aqui.
Um prazer estar aqui com vocês e obrigado, Bianca, também pela discussão. Bom, então agora a gente vai fazer o que a gente mais gosta aqui nesse programa, que é organizar o radar. É hora de abrir o nosso mapa de risco.
Oi, desculpe interromper o seu episódio, mas eu vim aqui para deixar um recado muito rápido. O Research da XP preparou um relatório mostrando como o mercado reagiu em eleições passadas. Esse material mostra o impacto em bolsa, juros e câmbio ao longo dos últimos ciclos eleitorais.
Se você quer entender o histórico para olhar o cenário atual com mais contexto, é só acessar o link da descrição ou apontar o celular para o QR Code na tela e baixar gratuitamente o relatório de eleições. Eu prometi que era rapidinho, agora você retoma o seu episódio.
Bom, aqui no mapa de risco a ideia é simples, destacar os temas que ainda estão em movimento, mas que já carregam um potencial de impacto político e econômico. A gente vai abrir aqui o nosso mapa e a gente vai direto aqui nesse radar para a Câmara dos Deputados, porque é um tema que passou um pouco por baixo da superfície nessa semana, tem um potencial enorme de impacto econômico.
e geopolítico, porque a Câmara aprovou o texto principal do projeto que cria a política nacional de minerais críticos e estratégicos. Isso aconteceu ali poucas horas antes do encontro entre o Lula e o Donald Trump nos Estados Unidos nessa quinta-feira.
O timing aqui chama atenção porque minerais críticos viraram uma peça central dessa disputa global entre os Estados Unidos e a China, principalmente pensando na transição energética, inteligência artificial, indústria bélica e tecnologia. O projeto vai criar uma definição oficial para que esses minerais no Brasil estabeleçam alguns incentivos, mecanismos de financiamento e também tentam acelerar regras de licenciamento para o setor.
Bianca, como é que o setor mineral recebeu esse projeto? Existe uma percepção de oportunidade econômica real para o Brasil ou ainda prevalece aquela preocupação de insegurança regulatória e ambiental? Marina, sim, existe uma percepção de uma oportunidade, porém há ainda um descontentamento do setor com alguns pontos do texto que foi aprovado pela Câmara. Então agora o esforço de articulação será para que essas... e comocoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscoscos
enfim, essas especificidades ali que não geraram contentamento, que elas sejam alteradas durante a discussão no Senado Federal. Então, para que o texto tivesse a aprovação dos deputados e fosse aprovada na Câmara nesta semana, já teve que fazer um ajuste.
que era um pleito do setor, que era o seguinte, era um ponto ali, um artigo que colocava e condicionava mudanças societárias nessas empresas que lidam com minerais críticos a uma autorização, enfim, um aval por parte da nova agência de minerais críticos que será criada a partir desse novo arcabouço. Isso foi reformulado, essa redação.
pelo relator, deputado Arnaldo Jardim, e aí então houve um consenso maior para que se aprovasse na Câmara. Mas ainda assim, mesmo com essa mudança, ainda tem alguns pontos que estão gerando descontentamento. Por exemplo, foi estabelecido um prazo máximo de caducidade para áreas consideradas estratégicas nesse escopo de exploração de minerais críticos. E esse ponto está sendo criticado pelo setor.
é um aspecto que certamente as empresas vão batalhar no Senado Federal, agora na próxima etapa, para fazer uma alteração. Eu acho que a gente pode pensar ali numa viabilidade desse texto ser aprovado, talvez fim de maio, início de junho.
É um prazo que seria, Marina, interessante porque junho é um mês complicado. A gente tem, para além da festa junina, das festas juninas... Brasília esvaziada, não tem ninguém em Brasília. Exato, porque a festa junina é um calendário eleitoralmente muito relevante para o parlamentar do Nordeste, mas além disso a gente tem Copa do Mundo.
Então junho vai ser um mês muito justo. Então tem um esforço ali por parte do governo para dar celeridade a esse texto, fazer com que seja aprovado até fim de maio e início de junho. Vamos ver com que rapidez essa discussão acontece lá no Senado. Perfeito. Agora eu queria levar a gente, Bianca, ali para o Planalto, para uma novela que continua aberta depois da rejeição de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal pelo Senado.
A derrota do governo deixou o Lula ali numa posição mais delicada para indicar um novo nome à Suprema Corte. Entre os senadores da oposição, a avaliação é de que dificilmente haveria ambiente político para votar uma nova indicação antes das eleições.
Já no Centrão, esse diagnóstico é que qualquer nome só avança se tiver um total aval do presidente do Senado, do Davi Alcolumbre. Do lado do governo, ainda parece existir muita desorientação sobre como reconstruir essa articulação depois da derrota. O Lula me parece que falou...
Vamos manter o diálogo aberto, mas a gente ainda não tem essa repercussão do que está acontecendo por ali com Davi Alcolumbre. E o desgaste não ficou só no presidente, a votação também atingiu diretamente a credibilidade dos articuladores políticos do Planalto, que passaram o dia apostando ali numa aprovação que nunca veio.
Bianca, em que pé está essa discussão? O Planalto está começando a trabalhar com nomes alternativos? Existe alguma tentativa de reorganizar a base antes de qualquer movimento novo? É, Marina, eu acho que a gente está num momento assim do governo fechado para balanço. Eu acho que foi uma derrota muito dura, uma derrota que não estava no radar. O governo obviamente sabia das dificuldades que iria enfrentar, no sentido de que previa um placar justo.
mas via uma aprovação, contava com uma aprovação, e mesmo que eventualmente fosse uma derrota, não contava que seria uma derrota faltando sete votos, né, o governo precisava de 41 e Jorge Messias acabou tendo 34. Então, foi uma derrota muito dura.
o governo está fechado para balanço e para pensar as próximas estratégias. E aí a gente tem vozes dissidentes, tanto no entorno do Lula como dentro do Partido dos Trabalhadores. Você tem uma ala que defende que o presidente tem que enviar um novo nome, porque essa é uma prerrogativa constitucional do presidente, ele não pode abrir mão disso, porque seria uma dupla derrota ou uma aceitação ali da derrota.
E aí, claro, nessa vertente de pessoas que defendem a indicação de um novo nome, tem uma ala que coloca ali, que talvez fosse interessante, a indicação de uma mulher, de uma mulher negra, algo que pudesse até deixar na visão dessa ala um pouco mais difícil uma nova rejeição.
Marina, pessoalmente tenho dúvidas, tá? Eu acho que nesse momento o Senado vai estar muito fechado e realmente guardando essa indicação, muito provavelmente para o próximo presidente, seja ele um Lula 4 ou seja ele um Flávio 1 ou um outro nome que surja daqui para frente, por enquanto a gente tem esses dois mais competitivos conforme mostram as pesquisas.
Mas a gente tem uma outra ala ali dentro do governo e do PT também, pregando calma, pragmatismo, não bater de frente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pelo menos não nesse curtíssimo prazo, porque o governo ainda tem, mesmo que não tenha uma pauta legislativa extremamente volumosa, aprovou a maior parte do que precisava lá em 2025, mas tem alguns projetos que são relevantes que precisam avançar, por exemplo, o PLP dos combustíveis, a medida provisória do Desenrola.
E a PEC 6 para 1 que a gente vai falar daqui a pouquinho. Então tem algumas coisas que precisam fazer avançar. O governo precisa ver aprovadas nesse primeiro semestre de 2026. E um novo embate com o presidente do Senado, Davi Ocumbe, não seria estratégico. Então tudo isso para colocar que ainda está em aberto, não tem martelo batido. Eu acho que agora...
Realmente é um momento de reavaliação. E logo na sequência também dessa derrota, o presidente acabou tendo a notícia de que seria recebido pelo presidente norte-americano Donald Trump. Então, começou os preparativos dessa viagem. Eu acho que tem tempo para decantar ainda e para pensar nos próximos passos.
Nesse ponto de vista, a viagem parece que veio a calhar, né? Porque a Bárbara Baião, na semana passada, logo depois da rejeição, falou o Lula não toma decisão com 40 graus de febre, ele espera a poeira baixar. No primeiro momento, a gente teve algumas alas ali do governo e do PT falando não, vamos tirar cargos do Centrão, vamos tirar cargos de aliados do Davi Alcolumbre.
Mas me parece que o Lula pediu para, vamos conversar, vamos sentar, vamos manter o diálogo aberto. E ainda não se manifestou e tudo vai ficar depois para a viagem, que talvez venha calhar esse tempo aí para pensar e decantar, como você disse. Acho que pode ser importante, mas próximos passos virão e com certeza a gente vai ter novos capítulos dessa novela que não se encerrou.
E aí, para fechar o nosso mapa de risco, como você antecipou, vamos ali para a Câmara dos Deputados no Congresso Nacional para falar de um tema que pode ter impacto direto na eleição e também no ambiente de negócios, o avanço da PEC do fim da escala 6x1.
Porque, Bianca, depois de semanas de impasse, a estratégia agora é acelerar a tramitação da proposta na Comissão Especial da Câmara. A ideia é cumprir rapidamente essas dez sessões que são necessárias no regimento antes de apresentar o parecer do relator.
que é o deputado Léo Prates, nos bastidores, o Hugo Motta trabalha para tentar aprovar a proposta ainda em maio e construir junto com o Davi Alcolumbre, que é esta figura que estamos dizendo que não sabemos em que pé está essa discussão, um calendário que permita promulgar a medida até o fim de junho, muito perto das eleições, no meio das festas juninas e no meio da Copa do Mundo.
E isso acontece justamente depois que toda essa crise envolvendo a rejeição do Messias, que deteriorou essa relação entre o Planalto e o Congresso. Bianca, como é que está o clima político hoje para a aprovação dessa PEC?
Marina, assim, quando a gente olha para a Câmara, essa PEC do fim da escala 6 para 1, assim, virou uma proposta também abraçada pelo presidente Hugo Mota, tá? Então virou uma proposta eleitoral e uma chamariz ali de campanha também para o presidente...
da Câmara, isso para o governo é muito interessante, porque o Hugo Mota colocou esse texto debaixo do braço e se comprometeu com o governo de que vai entregar até o fim de maio, no máximo início de junho. Claro que também tem uma costura política por trás disso, a gente sabe que na Paraíba é muito relevante ter o PT e ter o presidente Lula no palanque, o pai do presidente da Câmara, o pai do presidente Hugo Mota, é um postulante, é uma vaga...
do Senado, também tem uma costura de palanque regional ali com o presidente Lula. Então, tem um interesse por ser uma medida popular e também uma costura política, tudo isso acaba culminando num empenho muito grande.
do presidente Hugo Mota para fazer essa proposta avançar. Então, sim, a gente vê um caminho de aprovação na Câmara. Eu acho que dúvidas em relação um pouco ao mérito. Claro que a gente tem uma linha geral lá já desenhada, de um 5 para 2, migrando de 44 horas para 40.
Um pouquinho de dúvida sobre o tamanho da transição, falava-se em quatro horas anteriormente, agora o relator já está sinalizando uma transição mais curta de duas horas, mas a grande dúvida é, aqueles setores que fazem uso intensivo de mão de obra, eles vão ter uma compensação, algum benefício, alguma flexibilização?
tem ali uma pressão grande por parte da oposição para que se volte a discutir a desoneração da Folha, por exemplo, que a equipe econômica não quer nem ouvir falar. Então eu trago aqui um ponto de interrogação sobre o mérito, o que vai sair de lá, mas há o compromisso do presidente da Câmara de aprovar e fazer isso andar, e aí isso seguirá.
para o Senado. A aposta do governo, como você muito bem mencionou, nesse ambiente mais conflagrado com o Senado e com o presidente Davi Alcolumbre, é de que Hugo Mota possa fazer uma ponte entre o governo e o Senado e garantir que essa proposta também seja analisada pelo Senado Federal antes do recesso.
que se inicia ali a partir do fim da segunda semana de julho, porque a gente sabe que segundo semestre em Brasília, em ano eleitoral, Brasília é um deserto, você vai ter apenas algumas semanas de esforço concentrado, o governo não gostaria de ver essa PEC escorregando para o segundo semestre.
Sem dúvida, o calendário é super apertado. A gente já começou o ano falando que o calendário estava apertado, que estava todo mundo atrasado e segue atrasado. Bianca, queria agradecer muito a sua presença. Muito obrigada por ter voltado aqui e participar com a gente. Eu que agradeço e também a todo mundo que nos acompanhou até aqui.
Espero te ver em breve aqui no Mapa de Risco, mas essa edição do Mapa de Risco fica por aqui, mas a nossa missão continua. Toda sexta-feira eu estou aqui com o Timar, sudo especialistas, para te ajudar a entender o que movimenta o mercado e como a política influencia também no seu bolso. Assista o Mapa de Risco no YouTube e no seu tocador de podcast preferido. A gente se vê semana que vem. Até lá!
XP
Relatório exclusivo sobre volatilidade em ciclos eleitorais