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Mapa de Risco #16: O que resta para Lula após a rejeição histórica de Messias ao STF?

01 de maio de 202659min
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Mapa de Risco é o programa de política do InfoMoney. Toda semana, a editora de política Marina Verenicz recebe um time de especialistas para discutir sobre o que realmente importa na política e o impacto nos mercados e nos investimentos.
Nesta edição, a bancada recebe Creomar de Souza, CEO da Dharma e professor da Fundação Dom Cabral e Bárbara Baião, analista de política da XP.
Confira os destaques: 
- A rejeição de Jorge Messias ao STF e o recado do Senado ao governo Lula.
- A crise de imagem do Supremo e como isso entra no jogo eleitoral.
E o novo cabo de guerra entre Planalto e Congresso, que pode afetar a agenda econômica e o pacote eleitoral do governo.
Se prepare para 2026 com o relatório exclusivo da XP que mapeou a volatilidade nos últimos ciclos eleitorais e entenda como seus investimentos podem ser impactados.
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Participantes neste episódio3
M

Marina Verenicz

HostEditora de política
B

Bárbara Baião

ConvidadoAnalista de política da XP
C

Creomar de Souza

ConvidadoCEO da Consultoria Dharma Politics
Assuntos7
  • Indicação Jorge Messias ao STFDerrota política para o governo Lula · Crise de imagem do Supremo Tribunal Federal · Relação entre Executivo e Legislativo · Jogo eleitoral de 2026 · Votação no Senado Federal
  • Crise de Imagem do STFPerda de reputação da corte · Índice de desconfiança da população · Investigações sobre membros da corte
  • Dinâmica de PoderEmpoderamento do Congresso Nacional · Presidencialismo de colisão · Esvaziamento do Poder Executivo · Interferência do Legislativo em indicações
  • Estratégia eleitoral de antagonismoNarrativa anti-sistema · Congresso como inimigo do povo · Agenda econômica como fator de popularidade · Terceirização de responsabilidades
  • Pacote de bondades do governoPEC do fim da jornada 6x1 · Desenrola 2.0 · Crédito para caminhoneiros e motoristas de ônibus · Reforma tributária
  • Relação com o STFRecomposição da maioria no STF · Critério de lealdade nas indicações · Possível indicação de mulher negra · Impacto no cenário eleitoral
  • Riscos Políticos e InstitucionaisLivro sobre gestão de risco político · Análise de cenários eleitorais
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A semana teve uma derrota rara daquelas que reorganizam a leitura de poder em Brasília. O Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e impôs ao governo Lula uma derrota política inédita na redemocratização. Não é só uma vaga no STF. É governabilidade, é relação com o Congresso, é crise de imagem da corte e, é claro, é 2026 batendo na porta.

Olá, eu sou Marina Berenics e você está no Mapa de Risco, o programa de política do InfoMoney, que faz uma coisa simples e nada trivial, separar o barulho de Brasília e ficar só com aquilo que realmente pode mudar o preço de ativos e o humor do mercado. Toda sexta-feira eu estou aqui com o Timasso de especialistas para conversar sobre o que realmente importa na política e como isso no seu bolso.

No programa de hoje, a rejeição de Jorge Messias ao STF e o recado do Senado ao governo Lula. A crise de imagem do Supremo e como isso entra no jogo eleitoral. E o novo cabo de guerra entre o Planalto e o Congresso, que pode afetar a agenda econômica e o pacote eleitoral do governo.

Bom, nessa quarta-feira, dia 29, o Senado Federal rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A votação no plenário terminou com 42 votos contrários e 34 a favor. O Messias passou por uma sabatina que durou quase oito horas na Comissão de Constituição e Justiça e chegou a receber 16 votos favoráveis lá na comissão. Mas no plenário, o governo não conseguiu virar o jogo.

O resultado representa uma derrota política importante para o presidente Lula e a quebra de um padrão recente na relação entre o Executivo e Legislativo nas indicações ao Supremo. Desde a redemocratização, nenhum nome indicado ao Supremo Tribunal havia sido rejeitado pelo Senado.

Mesmo nomes que enfrentaram resistência, como o do André Mendonça e do Flávio Dino, acabaram aprovados. Bom, para nos ajudar a entender o que aconteceu em Brasília nessas últimas 48 horas, eu recebo aqui no mapa de risco o Creomar de Souza, CEO da Dharma e professor da Fundação Dom Cabral. Creomar, seja muito bem-vindo de volta aqui. Um prazer estar aqui com vocês, gente.

Bom, do meu outro lado, mas do outro lado da tela, porque hoje os dois estão remotos diretamente de Brasília, temos Bárbara Baião, analista de política da XP. Seja muito bem-vinda, Bárbara. Oi, Marina, professor Creomar e a todo mundo que nos assiste. É um prazer estar aqui para tentar aqui coletivamente desdobrar o que a gente viu em Brasília nas últimas horas.

Sem dúvida, vai ser uma missão difícil, mas a gente consegue. Professor, eu acho que a gente tem aqui duas formas de olhar essa rejeição do Messias. Uma do ponto de vista da governabilidade do presidente Lula e possivelmente eleitoral, mas eu vou deixar esse ponto para depois. E o ponto que eu quero começar agora é do ponto de vista do Supremo Tribunal Federal.

A corte vem sofrendo ali uma crise de imagem, as pesquisas têm mostrado que o índice de brasileiros que não confiam no Supremo Tribunal Federal atingiu um patamar recorde de 43% logo depois da rejeição do Messias no Senado.

A gente teve o Sócines Cavalcante, que é líder ali do PL, que mais cedo tinha dado um abraço no Messias durante a sabatina na CCJ, e isso inclusive gerou ali uma série de críticas. E aí o Sócines afirmou que a votação no plenário não dizia sobre o Messias em si.

mas sim sobre o presidente Lula. Já outra menção que eu queria trazer aqui é do Alessandro Vieira, que entrou em um embate ali com a corte depois de pedir que ministros do Supremo fossem investigados na CPI do crime organizado. E aí, saindo do plenário, o Alessandro Vieira afirmou que essa decisão seria um início do que ele chamou de faxina no STF.

Creumar, o que essa votação diz sobre o SCF em si? Seria um recado do Congresso de que poderia haver um apoio massivo dentro do Legislativo para um possível impeachment de ministros da Corte?

Marina, acho que é um excelente jeito de a gente começar essa conversa tão qualificada, como a Bárbara disse, tentar desdobrar algo que acontece com tão pouca frequência e que nós não tínhamos visto, nossos pais não tinham visto. E talvez nossos avós, a depender da idade, não tenham visto também. Então, efetivamente, nós temos uma situação em que o Legislativo deu um recado bastante claro para o Supremo Tribunal Federal. E o recado se baseia na seguinte premissa.

Se o Senado Federal, em 2026, ainda não tem a força e os instrumentos, em termos de número de cadeiras, para avançar um processo de impeachment sobre o ministro do Supremo, mesmo porque há uma ação na mão do ministro Gilmar Mendes para definir como é que funciona esse rito, o Senado pode, fazendo o seu papel de chaveiro ou de porteiro da entrada do Supremo Tribunal Federal, dizer que ninguém pode entrar na festa se não tiver o seu aval.

E eu creio que nesse aspecto, se você me permite só uma breve contextualização, que eu acho que é sempre importante, nós temos ao longo dos últimos meses, ou melhor, nós tivemos ao longo dos últimos meses, uma série de indícios dados pelo Senado Federal, sobretudo pelo presidente do Senado Federal, de que nós teríamos um desdobramento não favorável ao governo federal. E o governo decidiu...

Pagar para ver. Pagou para ver e perdeu. O Supremo, de outro lado, o STF, vive uma situação que é grave, que é a perda da sua própria reputação e que não tem a ver com o mundo político apenas. Tem a ver com alguns escândalos que a mídia tem noticiado, que tem sido objeto de investigação da Polícia Federal. Então, eu creio que nós estamos observando um fato histórico não só pela sua

com unicidade, isso quer dizer, nós não havíamos visto algo assim durante a Nova República, mas é um fato histórico também porque ele dá uma sinalização de mudança na balança de poder que marca esse jogo entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal.

Sem dúvida, a gente vai discutir isso aqui ao longo do programa. E, Bárbara, o Supremo Tribunal Federal vem sofrendo essa crise de imagem. Eu comentei aqui que as pesquisas têm mostrado que o índice de brasileiros que não confiam ali no Supremo atingiu o patamar de 43%. Esse número é recorde. E aí, o que eu queria te perguntar é se seria a rejeição do Messias uma mensagem dos senadores à população de que eles estariam alinhados com esse sentimento de rejeição sentido pelas pessoas.

Marina, eu acho que como não há uma única explicação para essa derrota, eu acho que há várias possíveis interpretações também de consequências e essa é uma. Inclusive, depois da derrota no plenário, acompanhando ali senadores do Centrão, eles já davam um efeito imediato ali nos celulares e redes sociais de que os eleitores ali, a própria base eleitoral, estava satisfeita com o desempenho e com a derrota imposta ali pela oposição.

ao indicado do governo Jorge Messias. Mas eu acho que é um pouco mais grave do que isso, talvez ali no sentido de correlação desse eixo institucional em Brasília, que já vem aqui sofrendo abalos sísmicos aqui, ou algumas cotoveladas, pelo menos ali desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que é...

O seguinte ponto aqui, a gente fala muito sobre essa correlação política ali na relação executiva e congresso e esse empoderamento recente do congresso via emendas parlamentares, mas a gente tem visto cada vez mais o Supremo Tribunal Federal virar ali um foco de debate, inclusive na urna, né? A gente tem visto ao longo desse ano ali.

a crítica ou o Supremo Tribunal Federal furar a bolha nacional ali, que antes estava restrita talvez a críticas ali de bolsonaristas e ainda na esteira do 8 de janeiro. E eu acho que o que tem ali talvez de recado indireto nessa votação, para além do protagonista ali da V. O Columbre, que de fato foi ali o principal agente político para essa derrota,

É o que, acho que assim, a percepção em Brasília é um pouco o que a gente vê também da ala política no Supremo ali, também mirando a sua recomposição de forças políticas nesse e no futuro governo. Vale lembrar que tem essa vaga aberta agora, com a saída do ministro Luiz Roberto Barroso, mas o próximo presidente da República, ele...

Deve indicar ali ministros Luiz Fux, Carmen Lúcia, que precisam se aposentar compulsoriamente. E tem também ali em dezembro de 2030 o fim do mandato do decano Gilmar Mendes, ministro Gilmar Mendes. Então, o que eu quero dizer? A gente tem aí talvez uma...

uma discussão sobre qual vai ser a cara desse novo Supremo ali, hoje já rachado ali numa maioria talvez mais garantista e uma maioria, digamos assim, mais pró-investigações. O Messias teve o aval do Lula, mas vamos lembrar, o maior fiador dele no Supremo Tribunal Federal chama-se André Mendonça, até pelo componente evangélico, o André atuou bastante para pedir votos ali.

Ele que é relator de duas investigações muito importantes, INSS e Maestra. Então, me parece também que talvez um grau de interpretação que a gente possa levar é um recado do Congresso ali de indisposição com a ALA André Mendonça ou a ALA.

no Supremo, que pode ali representar uma continuidade de investigações que podem, de alguma forma, implicar nomes da política do Congresso Nacional. E, indiretamente, o comentário aqui em Brasília, tanto percepção do governo quanto dentro do Congresso, é de que você pode ter tido ali...

um apoio indireto nessa articulação pela derrubada de ministros dessa ala, digamos assim, mais garantista, mirando essa aposta, digamos assim, de que o futuro pode reservar vagas de indicados com um perfil um pouco mais moderado e pouco mais ali dispostos a essa negociação política. Então, é um...

É um episódio de uma crise institucional, eu diria, e com repercussões possivelmente na eleição e no médio e longo prazo de recomposição dessa maioria, inclusive no judiciário, que me parece que está só começando, Marina.

É isso, eu acho que tem DNA de muita gente nessa rejeição de ontem, a gente vai desvendando isso aos poucos aqui. A Bárbara tocou num ponto que eu queria trazer, que de fato a gente não tinha esse protagonismo, né? Se a gente lembrar, há talvez 15 anos, as pessoas não sabiam o nome dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

E aí, conforme a gente foi tendo grandes escândalos e grandes julgamentos, como, por exemplo, o Mensalão e a Lava Jato, mas principalmente o Mensalão ali regido pelo Joaquim Barbosa, a gente começou a conhecer cada um dos integrantes e toda a sua movimentação jurídica e política ali por trás da Suprema Corte. Então, assim, como jurista a gente não via antes esses grandes protagonismos de ministros e hoje a gente tem um cenário totalmente diferente.

de quando eu, por exemplo, entrei na advocacia. E eu acho interessante também aqui, quando a gente fala do nome do Messias, queria trazer isso aqui com o professor Cromar, porque quando a gente teve a indicação do Cristiano Zanin, a primeira indicação do Lula ali no começo do mandato, a gente tinha o Zanin, que tinha um trânsito muito menor político dentro de Brasília.

Diferente, inclusive, de outros advogados que também atuam na capital federal, o Cristiano Zanin vinha de um lugar um pouco mais técnico e não tinha esse trânsito todo e o Lula ainda assim conseguiu aprová-lo no Senado. E depois a gente veio com o Flávio Dino, que tinha uma resistência por si só de toda a trajetória que ele tinha à política e também da sua atuação.

no 8 de janeiro e pós 8 de janeiro, que não agradava ali a ala da direita e também foi aprovado. Então a gente vê um cenário do começo do mandato do Lula para agora muito diferente. E aqui, professor, eu ia citar o nome do Jorge Messias, que ainda que não fosse um consenso ali nos corredores do Congresso, sofria mais resistência por uma questão política do que pela sua capacidade de exercer o cargo, me parece. O presidente fez uma aposta errada?

Marina, acho que a sua digressão inicial antes da pergunta permite que a gente entenda dois processos que eu acho que correm em paralelo e que são muito importantes para entender o panorama de riscos que a gente vive hoje e que resulta nesse tipo de, vou usar aqui, tá bárbaro, o seu termo, cotoveladas entre os poderes.

Basicamente, o que a gente tem é que durante a Nova República, ali nos anos 90, a política começa a convidar o STF para ser parte da política. Isso quer dizer, as forças políticas que perdiam votações no plenário recorriam à Suprema Corte, de ordem que a Suprema Corte desse decisões que respaldassem posições que haviam sido derrotadas politicamente.

E isso foi usado durante os anos 90 e nos anos 2000 a gente tem uma mudança de padrão. Qual é a mudança de padrão nos anos 2000? A mudança de padrão é que o Congresso vai gradativamente deixando de votar temas mais polêmicos e espera, seguindo ali parafraseando o grande Gui Barbosa, que a Suprema Corte erre por último. A resultante disso é que a Suprema Corte vai tomando gosto em fazer política.

E o que a gente está vendo agora em 2026 é uma tentativa de fazer o caminho inverso. Significa dizer o quê? Os senadores viram que a Suprema Corte gosta de fazer política. Os senadores, os deputados, o mundo, o executivo é carta fora do baralho. O executivo perdeu o poder demais. O executivo virou coadjuvante nessa locomotiva, nessa composição ferroviária.

o legislativo olha, vê que o Supremo gosta de fazer política e tem um outro problema, que não é só o Supremo gostar de fazer política, é o fato do Supremo gostar de fazer política e quando se sente acuado, investiga a política. Então nós temos aí inquérito de atos antidemocráticos, inquérito de fake news e agora a questão do inquérito do Banco do Caso Master. São três situações em que, por razões distintas, a Suprema Corte vai para cima do mundo político.

Diante dessa situação, eu creio que qual é a cotovelada possível do mundo político?

dar uma sinalização muito clara de que ela precisa se preocupar com o nome que vai entrar na festa. E aqui eu acho que tem um elemento importante. Por mais que hajam equívocos na forma como o Palácio do Planalto conduziu o processo de escolha, tem um elemento central que veio na fala anterior da Bárbara aqui, que é quem advogou dentro do Supremo em favor de Messias. Foi André Mendonça.

E André Mendonça tem uma posição que, em algum sentido, a gente vai encontrar respaldo na posição jurídica que a gente viu durante o auge da Operação Lava Jato. Significa dizer o quê? De uma justiça que tenha capacidade...

e o interesse do enfrentamento ao mundo político à medida que ele encontra algum tipo de ação que seja feita por atores políticos com o uso de recursos públicos ou alterando sinais e decisões de políticas públicas. E todo o embrólio do Máster envolve, no fim, também outros dois ministros da Suprema Corte e lideranças importantes no Legislativo. Então, ao fim do dia, as sinalizações vão confluindo para uma direção

em que, efetivamente, parecia muito difícil ou pouco provável que Messias fosse aprovado. E aí vem respondendo diretamente sua pergunta, Marina, para você não achar que eu estou terriversando, tá? Onde está o erro da presidência da República? Onde está o erro do Palácio do Planalto? O erro está em não ler os sinais.

Toda relação humana é uma relação humana construída a partir da dinâmica de atenção. Você pode prestar atenção no que está acontecendo ou você pode não prestar atenção no que está acontecendo. À medida que você não presta atenção no que está acontecendo, porque você tem uma convicção muito firme,

seja baseada em soberba, em alguma espécie de desapego com a realidade ou alguma outra questão derivada, o resultado fundamental dessa escolha é que você vai cometer um erro. E o Planalto cometeu um erro que era precificável.

que era o fato de que, efetivamente, ele preferiu acreditar na ideia de que a regra do jogo não seria mudada, na sua vez, do que entender o risco de uma indicação, de um nome que despertava paixões na oposição por uma série de características que você muito bem lembrou, e tentou forçar a mão, e não tinha números para forçar essa mão.

Inclusive, quanto a isso, a gente parece que existe uma estratégia ali, tem muita gente percebendo várias coisas, né? Enquanto tem gente não percebendo coisas importantes, tem gente percebendo coisas ali nas entrelinhas, que é essa estratégia que é muito comum usada, que a gente talvez veja isso sendo usado nas campanhas eleitorais, Bárbara, desse ataque direto, pelo menos feito pela direita, ao Supremo Tribunal Federal.

Isso vai estar presente nas campanhas? Você imagina que isso seja algo comum, que a gente vai ouvir de diversos candidatos? Certamente, Marina. E, assim, inclusive da esquerda, tá? Acho que uma coisa que a gente tem visto até a anterior, a rejeição de Jorge Messias no Senado, o PT está começando a debaixo.

ter a incorporação de algum tipo de proposta de reforma do judiciário, né, que trocando em miúdos aqui dentro de um governo, né, que o Lula 3, terceiro mandato do presidente, é todo calcado, digamos assim, numa aliança institucional mais próxima do judiciário do que...

com o Congresso, até mesmo por esse mote de união e reconstrução, a questão da democracia, em que essa condenação pelos atos de 8 de janeiro torna muito próxima a associação com o Executivo, mas o PT, na sua maneira, está começando a incorporar essa questão de uma reforma do judiciário, patrocinar até mesmo.

a ideia controversa do presidente do Supremo, Edson Fachin, entre colegas, inclusive, da corte ali de um código de ética, mas algo nessa direção. E uma outra camada que eu queria trazer de Supremo aqui, de agenda eleitoral, que eu acho que é interessante, também queria ouvir vocês e a gente observar nesse day after da rejeição do Messias, a gente tem visto, desde ali do caso Maester começar a virar tona ali,

nas manchetes, isso deve ser uma tônica até a eleição, só para lembrar que Brasília está bastante angustiada com o que vai vir dessa delação de Daniel Vorcaro. A gente tem visto o Lula ser culpado na percepção do eleitor ali pelo Master, e quando a gente...

pesquisa ali, né, lê um pouco melhor as pesquisas, a gente entende que é essa associação que o eleitor faz, né, do Lula com o Moraes ali, justamente por esse fator que eu falei ali da democracia que os uniu ali ao longo da dinâmica do mandato do presidente Lula. O governo está tentando se posicionar numa agenda antissistema. A gente viu essa fórmula dar certo no ano passado.

naquele decreto do IOF, um decreto de majoração do IOF, em que o Congresso derrubou, e o Supremo posteriormente, até a decisão do ministro Alexandre de Moraes, dá a maioria das medidas para o Executivo. Mas, enfim, o que prevaleceu foi a narrativa de Congresso inimigo do povo, e o presidente alavancou alguma popularidade, também naquela esteira de baixa de inflação de alimentos, a questão da soberania com o deputado Eduardo Bolsonaro.

fazendo lobby contra o Brasil nos Estados Unidos, mas fato é, o governo está vendo uma oportunidade de agora, com essas manchetes que indicam ali Davi Alcolumbre, parte do Centrão e essa ajuda talvez indireta dessa ala do Moraes no Supremo pela derrubada do Messias como uma oportunidade de retomar essa narrativa de que Congresso é inimigo do povo e projetar talvez o Lula incumbente.

um presidente de 80 anos indo para o quarto mandato, tentar dar algum verniz ali diante do sistema, que é algo que tem sido captado nas pesquisas, justamente por causa dessas manchetes ali envolvendo o Maestra, e que até aqui o eleitor tem penalizado mais no Supremo Tribunal Federal. Então, acho que é um tema que venho para ficar.

E dos dois lados, porque me parece, Marina, estava muito restrito ali a agenda da direita, mas a gente tem visto cada vez mais dificuldade da esquerda ali em não se posicionar sobre o tema. Esse acho que é o grande ponto aqui, porque quando Jair Bolsonaro entra ali em 2018 nessa campanha eleitoral se colocando anti-sistema, a gente sempre lembrou que ele sempre fez parte do sistema. Por anos ele estava ali dentro da Câmara.

dentro do Congresso, então não colava muito bem. Agora o Lula também falar de ser antissistema, a gente tem que lembrar que ele está no seu terceiro mandato, a gente teve dois mandatos, um e meio da Dilma, então também me parece fazer parte do sistema. Eu marco essa versão de estar fora do sistema para qualquer um dos dois.

Marina, eu acho que você foi muito perspicaz nessa contextualização, a partir da boa fala da Bárbara. E aí a gente tem um ponto que eu acho que é sempre importante quando a gente está pensando o eleitor. O eleitor é, antes de tudo, uma criatura muito emotiva. Isso quer dizer, o eleitor é movido pelas suas emoções. E essas emoções se derivam de quê? Essas emoções se derivam basicamente das frustrações ou das pequenas alegrias resultantes do dia a dia.

O cara abriu a geladeira, tem lá uma carne que ele quer comer, um arroz que ele quer comer, um feijão que ele quer comer. É um momento de alegria, ele direciona isso para algum lugar. Normalmente, ele agradece. O Brasil é um país muito religioso, ele vai agradecer a Deus pela possibilidade de ter alimento, da sua família estar bem cuidada. Mas, em segundo plano, ele vai mirar isso em termos de estabelecer uma relação de causalidade entre quem está no poder e a vida dele estar mais fácil ou mais difícil.

Eu creio que tanto o Bolsonaro em 18 quanto o Lula em 22 foram muito eficazes em dizerem que o problema da vida das pessoas não estar boa é do outro.

O desafio para Lula, em 26, é dizer que a vida não está boa. Se a vida não está boa para as pessoas, é porque os outros, e aqui eu vou pegar aquilo que a Bárbara trouxe da tentativa de incorporação do antissistema, dizer que são os outros que estão impedindo que a vida seja boa.

É a grande terceirização das responsabilidades. É a terceirização da responsabilidade, que é um esporte nacional na política brasileira. Eu tenho um amigo que é muito espontâneo para comentar política, é um amigo de infância, ele sempre que vai conversar comigo, ele fala de maneira muito direta, ele diz, cara, tem algumas coisas que são de sal e de doce, tem para todo mundo.

Talvez um grande dilema do eleitor médio seja achar que é uma briga entre bons e maus. E não é. É uma briga entre quem quer poder e estar dentro e quem quer poder e estar fora. Mas isso é um outro tópico. Então, efetivamente, o esforço do Lula tem dois desafios. O primeiro desses desafios é administrar o legado, que é o que faz com que haja uma ligação direta entre Master e Lula, que é o passivo de corrupção da época da Lava Jato.

Isso tem uma memória e essa memória está viva. E à medida que essa memória está viva, o governo tem que dar respostas a essa memória. E o único jeito de dar respostas a essa memória é pôr gente na cadeia, mas não é o governo que condena, é o judiciário. Então o governo é dependente do judiciário que dê respostas numa proporção que seja palatável para o governo.

O segundo desafio que eu acho que é mais interessante, que vem do ponto de vista analítico, pelo menos, e vem muito em linha da terceirização das responsabilidades, é o governo jogar a bomba. Acho que esse é um bom termo para que quem nos assista consiga entender.

é o governo jogar a bomba no colo do legislativo ou no colo do judiciário. O Congresso do PT, que foi realizado aqui em Brasília, se eu errar a data aí, Bárbara, você me corrija, acho que tem uns sete, dez dias que foi realizado o Congresso do PT para definir o arranjo da campanha.

O Congresso foi muito claro em dizer, olha, pragmaticamente a gente tem que estar próximo de candidatos de centro que queiram estar conosco e, em termos narrativos, a gente tem que assumir uma narrativa de que o PT não é parte do problema, o PT é parte da solução porque o PT sempre foi antissistema. O friso sempre foi antissistema. Toda Bolsa, família, ideia antissistêmica, BPC é uma ideia antissistêmica, cuidar de pobre é uma ideia antissistêmica, é por onde eles vão tentar navegar.

A grande pergunta para mim hoje é se eles conseguem fazer essa navegação com um governo que tem dado sinais muito claros de desarticulação. Isso quer dizer, você tem um curto-circuito decisório que é persistente.

e que vai fazendo com que decisões que efetivamente seriam fáceis, ou teoricamente seriam fáceis, se tornem muito difíceis, como é o caso de duas derrotas que eram amplamente evitáveis. A derrota do Messias era evitável porque o governo podia ter ou indicado outro nome ou feito isso mais rápido. Eles deixaram o Messias sangrando por meses.

E a derrota da dosimetria era inevitável porque o governo podia ter derrubado a dosimetria numa comissão no Senado e optou por não para fazer um evento em que o Lula vetava e essa coisa nada toda porque alguém achou que era uma ideia genial. E talvez o problema deste governo, que é um problema de qualquer governo quando a gente pensa em termos de análise de risco, é que tem sempre gente muito predisposta a vender uma ideia muito ruim como uma ideia muito boa.

E tem sempre gente muito predisposta a comprar. E esse é um grande dilema que se coloca.

Já que você comentou essa questão da articulação do governo, agora eu queria olhar para o outro lado da Praça dos Três Poderes e discutir sobre o que essa rejeição significa para o presidente Lula e possivelmente sobre a sua campanha à reeleição, passando também pelo cabo de guerra com o Legislativo.

Então, vamos começar aqui por partes. Professor, sendo bem claro, o governo Lula enfrentará quais dificuldades daqui para frente? Qual é o impacto dessa votação? Eu acho importante a gente aqui levantar essa questão do formato do nosso presidencialismo, que a gente chama de coalizão, ou seja, de diálogo ali, aqui numa explicação muito simples, uma tradução muito simplória. Mas a gente também sempre falou, principalmente depois dos escândalos, como o Mensalão, por exemplo,

que isso se utilizou de pagamentos pelos votos de parlamentares para aprovação de propostas do governo, como esse mecanismo de coação. Então, a gente viu o termo presidencialismo de coação começar a aparecer. A gente deu mais um passo nesse sentido?

Então, eu gosto muito, Marina, de uma terminologia construída por um amigo muito querido, que é o embaixador Paulo Robert Almeida, em que ele chama o Brasil de presidencialismo de colisão. E aí eu posso fazer a colisão em uma vinculação direta com os cotovelaços, que a Bárbara citou aqui, acho que na primeira ou na segunda resposta dela.

Eu creio que o que a gente tem como efeito concreto para o governo no day after, e aí esse é o problema, imagina o seguinte, o governo vem de ressaca da derrota do Messias e hoje toma outra. Então é uma ressaca dupla, isso quer dizer, o governo vai entrar nesse feriado tendo que catar os cacos e tentar refazer o jarro no sentido de sobreviver, porque tem uma eleição.

O impacto direto sobre isso é que nós vamos ter que ver na próxima semana qual é o nível de força e de resiliência do Planalto para avançar discussões de agendas que são importantes para o governo.

para o legado do presidente Lula e para a própria eleição. Vamos lembrar que o governo perdeu com o Messias e dosimetria, mas tem a discussão da escala 6x1, que é um tema fundamental para o governo e para a própria biografia do presidente, quando você fala com pessoas que são próximas a ele. E para avançar isso em um panorama em que o governo tem...

números exíguos dentro do legislativo, vamos lembrar, o governo tem 139 votos firmes no legislativo, de acordo com aquilo que a gente tem mapeado aqui na DARMA. E quando você vai no Senado, não passa de 30. Então, com esses votos apenas, você não chega a lugar nenhum. Como você convence as pessoas ou os parlamentares de que a ideia é boa...

Porque o próprio esquema das emendas parlamentares, o parlamento não precisa do executivo para as emendas parlamentares, o executivo tem que liberar as emendas.

E para fazer isso você vai ter que mobilizar as pessoas. Então eu creio que o desafio para o governo é consegue mobilizar as pessoas para empurrar o legislativo para ter algum tipo de vitória? Eu não tenho visto até o presente momento indicativos nessa direção. Eu vejo ao contrário, eu vejo um planalto com atores muito fragmentados, cada um preocupado com o seu próprio interesse e a agenda do que seria uma agenda de governo meio colocada de lado.

Bárbara, você que estava no Congresso ontem e hoje, traz o bastidor para a gente. Me parece que o tour do Messias pelos gabinetes dos senadores havia surtido algum efeito ali e que o governo, no começo da semana, apostava em uma vitória, eu ouvi por aqui, de 43 votos, 45 votos. No entanto, ao longo do dia dessa quarta-feira, segundo algumas pessoas com quem eu fui conversando ali ao longo do dia, me disseram que o clima começou a ficar meio estranho. Conta para a gente o que aconteceu.

De fato, o governo sempre soube que o Messias não era o nome do presidente do Senado, que trabalhava por Rodrigo Pacheco, mas a indicação que o governo dizia que teria recebido do Alcolumbra ao longo de todo esse processo era uma indicação de neutralidade. Então, portanto, ele não era favorável, mas ele não ia trabalhar para derrotar ali Jorge Messias.

O governo, de fato, ele começou ali o dia da sabatina, que culmina na rejeição no plenário do nome dele, com otimismo conservador. Diria também que esses cálculos de 44, 43 votos giraram ali nas contas da articulação política do governo no Senado.

E era uma conta que estava muito baseada num elemento de que o Messias, pelo fato de ter, por exemplo, André Mendonça e esse componente evangélico ali trabalhando a favor dele, ele teria ali o apoio de parte da bancada evangélica, que historicamente, tradicionalmente, não está alinhada a temas do governo, mas que daria talvez ali essa gordura, digamos assim.

E aí, ali já na sabatina, na votação da Comissão de Constituição e Justiça pela admissibilidade, fica claro, o governo esperava uma vitória ali por 17 votos, teve um a menos, mas o governo identifica que o voto que ficou faltando da própria base ali

era o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que, vamos lembrar aqui, é o nome hoje cotado para ser o palanque do Lula em Minas Gerais, segundo o maior colégio eleitoral do país, e que costuma espelhar o resultado da eleição nacional.

Então, a partir dali, o governo começou a entender, Rodrigo Pacheco é alguém muito ligado ao presidente Davi Alcolumbre, começou a ter sinais mais efetivos de que, de fato, Davi não só estava cumprindo a promessa de que seria neutro, como estava, de fato, muito empenhado nessa reversão de votos. Acho que vale a gente lembrar que Davi Alcolumbre, desde 2019, então, a primeira eleição dele ali como presidente do Senado,

é alguém que mesmo nesse período de Rodrigo Pacheco no comando da casa operou muito bem essas emendas parlamentares que hoje estão nas mãos dos senadores. Então não dá para desprezar que ele tem uma bancada ali, diria que deve mais a ele do que ao governo, à oposição. Operou por ali.

teve esse balaio que a gente falou ali da oposição, senador Flávio Bolsonaro, coordenador da campanha dele, senador Rogério Marinho, atuando, e o que a gente falou ali talvez do que se desenha na percepção do governo e também ali na leitura de integrante do Centrão de uma interferência indireta.

do Supremo, mas de fato assim, acho que a passagem de bastão da CCJ ao plenário culminou ali numa interpretação de uma traição que ela pegaria ali PSD de Rodrigo Pacheco, MDB, tá? Tem dúvida ali da postura

do MDB, inclusive nas conversas de governo, e essa bancada republicana, os PP, União Brasil, que o governo não conta tradicionalmente, mas estava muito esperançoso de que esse componente evangélico ali...

ou até, enfim, de ser um perfil de partido pouco mais pragmático e não ideológico, de que isso prevaleceria, porque, no fim das contas, se trata de uma prerrogativa do presidente da República. Hoje é o Lula, mas no futuro você pode ter ali esse mesmo precedente aberto num governo de direita. E aí, falando um pouco da reação...

O tom no plenário ontem, né, que era, depois do resultado, era de completa perplexidade ali da base governista, era um tom muito duro, né, palavras de rompimento com o presidente do Senado. Horas seguintes aqui, né, o que eu acho que dá pra depender disso já?

Primeiro, o presidente Lula é alguém conhecido como um agente político que não toma decisão no calor do acontecimento, ou como alguns aliados sempre brincam aqui, ele não toma decisão com 39 graus de febre. Então, o governo desde ontem teve jantar no Palácio da Alvorada, a coordenação de campanha do Lula já se reuniu para discutir o diagnóstico, mas é esperado que eles passem aí esse feriado e entrem a semana que vem.

tentando digerir os culpados pela crise e entender como retaliar. Acho que é importante lembrar que o governo tem clareza de que qualquer retaliação pode ser prejudicial a esse desenho de chapas estaduais e de formação da bancada governista no Congresso, para ficar só em um exemplo, o líder do governo no Congresso, o senador Randolfo Rodrigues, é do mesmo estado de Davi Alcolumbre, o Amapá e...

precisa do Davi para ser reeleito ao Senado. Esse é um exemplo para não ficar no exemplo do Pacheco aqui, em Minas Gerais, que eu já citei. Então, vai ter muita cautela ali em entender como fazer essa retaliação, que até alguns aliados ali indicam que pode ser exonerando nomes do Davi Alcolumbre na esplanada.

mas sem prejudicar ali esse desenho final de palanques para a campanha do Lula. Então, trocando em miúdos aqui, Marina, eu acho que o que a gente viu nessas últimas horas talvez seja a Brasília tentando consumar quase um Flávio I, ou demonstrando que a perspectiva de poder, pelo menos na percepção do establishment político e jurídico em Brasília, ela está mais ao lado de Flávio Bolsonaro hoje.

Ninguém faz uma decisão que só acontece em 132 anos, se não tiver muito certo ali da travessia política que está fazendo. Davi Ocolumbre também precisa ser reeleito presidente do Senado em fevereiro do ano que vem. Então, assim, já está pensando nos movimentos políticos que possa fazer.

Tem aí essa perspectiva também de qual candidato, se é Lula ou Flávio, que poderia representar uma obstrução, digamos assim, ou um impedimento maior dessa continuidade de investigações das mais diversas de emendas ao próprio Master.

Tem ali, acho que por um lado, talvez esse símbolo ou essa consequência eleitoral de um recado de como a política está vendo o poder em Brasília caminhar para as mãos hoje, no cenário colocado hoje.

de Flávio Bolsonaro, mas por outro lado o que a gente sente é o governo ali também entendendo que isso não representa o fim do Lula 3 e enfim, trabalhando um pouco com algum pragmatismo para alargar ainda o seu grau de competitividade ali para essa eleição que pode sim projetar um Lula 4 e aí imagina esse jogo vira esses atores aí que hoje são identificados como traidores por parte do Palácio do Planalto e aí e aí

teriam aí sim que fazer alguma composição. Então, eu acho que é um momento de cautela aqui e o governo tentando realmente entender como romper, sem romper de alguma forma ali, a ponto de, enfim, prejudicar a própria reeleição.

Oi, desculpe interromper o seu episódio, mas eu vim aqui para deixar um recado muito rápido. O Research da XP preparou um relatório mostrando como o mercado reagiu em eleições passadas. Esse material mostra o impacto em bolsa, juros e câmbio ao longo dos últimos ciclos eleitorais.

Se você quer entender o histórico para olhar o cenário atual com mais contexto, é só acessar o link da descrição ou apontar o celular para o QR Code na tela e baixar gratuitamente o relatório de eleições. Eu prometi que era rapidinho, agora você retoma o seu episódio.

Professor, essa indicação, desde o começo, se a gente for lembrar, fazer uma recapitulação aqui, foi um cabo de guerra entre o Lula e o Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Primeiro porque o preferido, como a gente estava falando do Alcolumbre para a vaga, seria o ex-presidente do Senado, o Rodrigo Pacheco. Depois, passando esse primeiro estranhamento, o Alcolumbre teria ficado incomodado.

porque o Lula enviou a comunicação do nome do Messias ao Senado sem ter acordado com ele e, a partir daí, foi uma enrolação para levar a sabatina ao plenário. O que estaria por trás disso? Não só essa implicância pelo nome do Messias, o que está nas entrelinhas desse cabo de guerra? A gente teria alguma relação com as investigações do Banco Master, por exemplo?

Marina, eu creio que o que está nas entrelinhas dessa situação é um esforço continuado do Legislativo de ser prevalecente. O que a gente tem visto aqui é uma característica de médio e longo prazo na política brasileira. Desde pelo menos idos de 2013, nós vimos um processo consistente de crescimento do poder e das prerrogativas do Legislativo, como se o Legislativo tivesse...

saído da infância ou da adolescência e assumido uma posição mais adulta em termos de exercer suas próprias prerrogativas e um esvaziamento do executivo. Significa dizer o quê? O executivo foi se tornando cada vez mais fraco, independentemente de quem era o presidente da república, fosse Dilma, Temer, Bolsonaro ou Lula.

A diferença fundamental é que, enquanto que na administração Bolsonaro conseguiu ter a garantia de que não sofreria um processo de impeachment a partir da dinâmica das emendas de relator, Lula, ao assumir a presidência, tem ainda a convicção da sua experiência pretérita, que significava dizer um presidente com muita capacidade de agenda, um presidente que, ao fim do dia, tinha recursos, meios e estruturas de ação para dobrar o legislativo à sua vontade. Acontece que, se o Lula é o mesmo em termos de...

de perspectiva, de poder, o Congresso mudou bastante. E esse Congresso assumiu uma postura não só de que ele não precisa mais do Executivo graças às emendas parlamentares ao orçamento, como ele atua como parte interessada em investigações ou em votações que ele possa sentir ou farejar risco para si mesmo.

E aí quando a gente está falando do STF, é muito importante ter em mente que cresceu ao longo dos últimos anos, entre os senadores e entre os parlamentares em termos gerais, a percepção de que o STF estava agindo como um poder sem escrutínio público, o que significa dizer o quê? O ministro era indicado, ele tem ali duas, três décadas no STF, ele assume uma série de posições e investiga os políticos com bastante liberdade, só que...

efetivamente isso se torna um risco para a existência e a sobrevivência das carreiras desses atores. Então, efetivamente, vão crescendo uma percepção de rejeição a essa posição. E onde está o erro da STF nisso tudo? O surgimento de indícios e de investigações que colocam em questão...

à reputação de membros do Supremo Tribunal Federal. Isso vai criando um caldo de cultura que, em algum sentido, eu tenho isso cada vez mais claro e, possivelmente, nas nossas próximas conversas, isso vai estar ainda mais claro na minha cabeça, Messias não é o criador do embrólio entre o Senado e o Palácio do Planalto.

Messias é uma vítima desse embrólio em que efetivamente a gente tem que Davi Alcolumbre gostaria de assumir uma prerrogativa que era do presidente da república, dizendo, olha, eu acho que o Senado tem que ser ouvido. Na Constituição não há nada dizendo que o Senado tem que ser ouvido, o Senado tem que sabatinar o nome, aceitando ou rejeitando.

Mas tendo em vista que o Senado e o Legislativo foi ganhando força, ele pode dizer claramente que eu gostaria de ser parte da negociação, gostaria de ser parte da escolha, seja pela questão do motivo de amizade pessoal com Rodrigo Pacheco, seja pelo interesse político de fazer essa alteração em favor de si mesmo para se colocar numa posição em que em 2027 ele possa ser reeleito presidente do Senado.

E de outro lado, você tem uma presidência da República que vem sendo acuada desde a sua posse. Vamos lembrar, essa é uma presidência que já nasce traumatizada com as invasões dos prédios públicos e depois disso nunca mais funciona direito. É uma presidência onde os principais atores da presidência não têm convicção de defender o governo em embates muito sérios. Sempre que tem um embate muito sério, o governo recua, o governo perde. Essa é uma tendência. Só que desta vez...

por uma série de características, o Planalto não quis ceder, o Planalto não quis recuar. Foi a votação, perdeu. Agora é, basicamente, lamber ferida, reorganizar os quadros e construir alguma energia para levar o mandato até o final. Porque na metade final do final desse mandato ainda tem uma eleição.

Mas a gente tem também uma nova indicação do presidente Lula. A gente imagina que a gente tem vários cenários, inclusive. Hoje eu ouvi coisas estranhas, Bárbara, você também deve ter escutado umas coisas estranhas por aí. Como, por exemplo, insistir no nome de Jorge Messias, indicando ele novamente para ver se mudando alguma coisa o resultado é diferente.

Também ouvi muitas críticas falando que se tivesse sido, desde como no começo havia pressão, uma mulher nesse lugar, então a indicação de uma possível futura ministra, também nada disso teria acontecido, que seria mais difícil para o Congresso negar. Qual que é o cenário que existe hoje, Bárbara? Então, para o Lula indicar uma nova pessoa, a gente tem algum nome, a gente tem algum caminho, isso pode ser feito ou isso dará tempo?

É, eu acho que a gente tem algumas certezas sobre isso. O que a gente sabe? Que antes da Sabatino, o presidente Lula indicou ali, tanto a ministros, quanto a nomes que estavam ali disputando essa indicação, como o próprio Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado, e também ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, de que não indicaria...

um outro nome, né, em caso ali de frustração na sabatina de Jorge Messias. Então, antes de tudo isso, essa foi a sinalização, tá? O que a gente tem depois, e o que a gente também tem certeza do Senado? É que não há clima nenhum.

para que até a eleição ocorra uma outra sabatina, a não ser que seja um nome do Senado, que nos parece pouco provável aqui, não acredito que o presidente Lula, depois de tudo isso, vai indicar, por exemplo, o nome de Rodrigo Pacheco, que é o nome de Davi Alcolumbre. Então, essas são duas certezas. O que eu acho que é ainda o grau de incerteza?

O presidente Lula, desde ontem, tem ouvido ali aliados de que ele deveria insistir, sim, nessa prerrogativa do presidente da República de indicar um outro nome ali, não deixar para depois da eleição.

para marcar algum território político, inclusive dentro dessa esteira retórica de que ele está tentando governar e que o Congresso não deixa, que ele está mandando, agora foi um evangélico rejeitado, mas também eu vi, Marina, essa ideia talvez de uma mulher, uma mulher negra. Mas assim, fato é, não existe esse nome ainda, tá?

E me parece que um presidente que passou pelo que passou na Lava Jato, chegou a ser preso, o critério da lealdade é algo muito relevante aí nessa indicação. Então, ele teria talvez ali que buscar um nome que não é muito óbvio.

e que talvez não fosse tão ali aderente a esse critério de lealdade que o PT, mais que ninguém aqui nessa história recente em relação a partidos políticos implicados em investigações, viu ali o impacto disso, principalmente em julgamentos no Supremo Tribunal Federal. Então, assim, há esse conselho do presidente ali para que ele dobre a aposta.

Mas a gente não tem nenhum indicativo de que ele vá fazer isso e mais do que isso, que é uma decisão capaz de mudar o humor do Senado. Pelo contrário, o que parece aqui ser talvez a aposta da oposição para trabalhar com o Davi Alcolumbre pela derrubada é justamente a perspectiva de que o próximo presidente da República...

terá pelo menos três vagas a serem indicadas ao Supremo Tribunal Federal e isso pode mudar a correlação de forças da corte. Então, é um cenário ainda em aberto e que a gente possivelmente também não acredita uma decisão rápida, mas que a gente deve descobrir ali ao longo do próximo mês.

E além dessa correlação de forças que muda aí com talvez a indicação do Lula ou do próximo presidente sendo ele ou não, a gente tem uma questão aqui para considerar que os ministros do Supremo, as indicações dos ministros, têm sido de pessoas cada vez mais novas, que vão ficar muito mais anos no Supremo Tribunal Federal. E aí a gente teve nos últimos 10 anos uma mudança muito significativa na composição.

que possivelmente os próximos presidentes não vão encarar tanto. Então a gente tem três ministros para serem substituídos no próximo mandato e depois a gente vai ficar um longo período sem essa mudança tão significativa. Então o que acontecer agora e nos próximos quatro anos vai muito provavelmente pautar todo o posicionamento do Supremo para os próximos anos. Agora, professor, um ponto muito importante. O Lula tem pela frente mais...

meio ano, talvez, considerando as eleições aqui no meio do caminho. E, obviamente, daqui até as eleições tem o que a gente chama de pacotes de bondades, que vão ser liberados para tentar incrementar a sua aprovação, que não está nada boa. Aliás, apesar de ter dado uma estancada nas pesquisas da semana passada, ainda estão em grau muito elevado. Então, a gente tem...

Por exemplo, a PEC do fim da jornada 6x1, que pode mudar tudo isso. Mas essa PEC tem uma peculiaridade, porque desde o começo do ano, a oposição tem tentado arrastar essa PEC para que ela seja votada só depois das eleições.

para o Lula não poder usar isso como uma retórica eleitoral, ele como um ganho eleitoral. E, além disso, a gente tem diversos outros pacotes, a gente tem o Desenrola 2.0. Qual pode ser a dificuldade do Lula a partir de agora? Porque logo depois da votação, inclusive, colocando um adendo aqui, o Flávio Bolsonaro afirmou que o governo Lula tinha acabado. O Lula tem governabilidade ainda? Ele vai conseguir aprovar alguma coisa antes ou depois das eleições?

Marina, eu acho que essa é a pergunta que está todo mundo se fazendo nesse exato momento. Porque quando a gente pensa em governabilidade, governabilidade basicamente envolve três aspectos que são muito característicos. Primeiro é o governo ter uma agenda muito clara. O segundo é o governo ter uma hierarquização do que dentro dessa agenda tem que ser votado. E o terceiro, que é a capacidade de angariar nomes, paixões e atenções para que essa agenda avance.

Eu creio que dentro dessa dinâmica de um terceiro governo que é bastante acidentado do ponto de vista de tomada de decisão, uma parte da agenda, ou melhor, a parte mais destacada da agenda envolveu aquilo que é um olhar clássico do Lula sobre a realidade econômica. Então, tudo aquilo que tinha mais interesse para o governo e que se avançou, sobretudo sobre a gestão do ministro Haddad, envolvia essa ideia de combate à pobreza, de combate à fome, esses elementos.

Dentro dessa perspectiva, talvez haja uma capacidade do presidente de mobilizar atores para se avançar em discussões, por exemplo, como o da PEC, que altera a jornada de trabalho.

O problema é que no dia seguinte de uma derrota, ou de dois dias seguintes de duas derrotas tão impactantes como essas que a gente está vendo, é muito complexo para uma liderança conseguir mobilizar atores para dizerem, olha gente, o governo não acabou, vamos lá. Em termos de comparação, aproveitando que daqui a pouco tem Copa do Mundo, é dizer, você acaba de ser eliminado na Copa do Mundo, e no dia seguinte... Tchau.

Sei lá, você foi eliminado na semifinal da Copa do Mundo e no dia seguinte você tem que jogar a disputa de terceiro lugar. Quem quer jogar a disputa de terceiro lugar, gente? Ninguém. Normalmente o que acontece é que o cara vai jogar a disputa de terceiro lugar tão desanimado que ele perde novo. E talvez esse seja o dilema para o governo.

com a reconstrução do ânimo do governo, para que esse governo tenha alguma governabilidade mínima para ter o que aprovar, inclusive dentro do que é pacote de bondades. E aí uma frase que eu ouvi sobre a derrota de ontem do Messias foi muito boa, que dizia o seguinte.

O governo Lula 3 pode até ter acabado, mas o jogo da eleição estava só começando. Porque são realmente partidas diferentes. Eleição é emoção, é narrativa, é engajamento do eleitorado. E para isso você precisa de um mote. Um mote pode ser o suando de sistema, um mote pode ser Congresso Inimigo do Povo, um mote pode ser Posto Ipiranga. A história das eleições brasileiras trazem uma série de motes para a gente. Agora, é ver se um governo que é tão acidentado em fazer escolhas consegue fazer uma série de motes para a gente.

escolhas que efetivamente o permitam entender o humor do eleitor. Mas com o retrato de hoje eu posso te dizer que a tendência que mais se parece é de uma eleição em dois turnos.

Criamar, você foi interrompido por uma voz que veio do além e a gente descobriu aqui de onde veio essa voz. Essa voz veio do computador de Bárbara Baião, que está escutando o presidente Lula. E eu até ia comentar que o presidente Lula, até esse momento, não tinha se manifestado sobre essa rejeição de Jorge Messias no Senado, mas aparentemente ele continua sem se manifestar, não é, Bárbara?

É, Marina, até peço desculpa que acabou vazando o áudio, porque a gente está no dia seguinte, aqui à tarde, e está tendo uma cerimônia no Palácio do Planalto justamente para o presidente Lula anunciar crédito para caminhoneiro e motorista de ônibus ali, e que eu acho que dialoga um pouco com o que a gente estava falando aqui de uma outra dimensão dessa crise.

que é muito ali como é que o governo pode tentar reforçar essa agenda eleitoreira mirando a economia. O Congresso está diante de agendas que o governo já está endereçando, que tem um apelo popular, eu diria a escala 6 para 1, tem o PLP ali.

que permite, avaliza a aplicação de receitas extraordinárias para compensar a desoneração e subvenção de combustíveis por causa da guerra no Irã. Tem ali um rumor que voltou a crescer essa semana aqui em Brasília de retomada daquela discussão para colocar fim à taxa das blusinhas ali. É algo que impacta a popularidade do presidente. E a gente vê ainda o governo...

tentando colocar de pé um programa de renegociação de dívidas, que deve sair anunciado na semana que vem, e apostando nessa linha do crédito para fazer gestos com segmentos específicos do eleitorado, que é o que a gente está assistindo nesse pronunciamento do presidente Lula, horas após a derrubada.

da indicação dele no Senado, fazendo um gesto ali a caminhoneiros, que é um setor ali, historicamente também, mais opositor ao governo. Então, acho que o que... Talvez uma outra camada aqui, Marina, enquanto Brasília ali, tá tentando, como eu falei...

trabalhar nessa órbita já de uma outra perspectiva de poder mais à direita, o governo ainda aposta que vai ser crucial a economia para esse eleitor médio, que não está partidário, então, portanto, essa disputa de narrativa sobre Supremo, ela não impacta o bolso, não impacta custo de vida, então ela pode não ser relevante para esse eleitor classe média baixa, está muito convencido de que pode ter ali uma...

uma melhora na popularidade, atrelada a esse avanço de uma agenda, digamos assim, mais eleitoreira, que acontece com todo incumbente ali, para a gente ficar no exemplo do Bolsonaro, em 2022, aprovando a PEC dos precatórios ali, controlando o preço dos combustíveis, aumentando o auxílio Brasil. Então, acho que é uma dimensão importante também e que deve ganhar cada vez mais tração.

E curioso, né, uma derrota, tanto a dosimetria que a gente viu hoje, nessa quinta, quanto do Messias, acontece no momento em que as pesquisas começam a indicar que o presidente parou de piorar, né, nos indicadores ali de aprovação do governo. Ainda não voltou a subir na intenção de voto ali em si, mas o governo...

iniciava ali a semana um pouco com essa perspectiva mais otimista de que poderia ali ter um respiro na aprovação nas próximas semanas, a ver aí o que vai prevalecer da economia ou se esses componentes que a gente viu aqui em Brasília.

que estão muito calcados ali na discussão do Supremo Tribunal Federal, se podem impactar ou não os planos do Planalto. É, Bárbara, sobre isso, inclusive um passarinho me contou que nos trackers diários feitos hoje, entre hoje e ontem.

O presidente Lula deu uma leve caída, mas a expectativa é que essa queda estanque. Na próxima semana a gente vai ter uma série de pesquisas. Então vamos ver como isso fica. Muita água para rolar. Bárbara, a gente vai ter que voltar aqui para continuar discutindo essa situação que até agora a gente não conseguiu. A gente consegue fazer um mapeamento do que aconteceu e das repercussões ali muito rápidas no momento.

Mas como isso vai se desenrolar, vai exigir um pouquinho mais de tempo de afastamento dessa situação. Então, Bárbara, já te convido para retornar aqui e agradeço a sua presença hoje.

Marina, professor Creomar, é sempre um prazer estar aqui com vocês. A gente sai um pouco mais clara aqui do cenário, porque juntos pensamos melhor com certeza. Então, contem comigo ao longo da dinâmica do processo eleitoral. Muito obrigada, Bárbara. E, professor, muito obrigada por ter participado aqui com a gente. Eu sei que o senhor está com uma agenda cheia, com um pré-lançamento de livro, aí nessa grande confusão, mas dedicou um tempinho aqui para estar conosco.

Marina, um prazer, sempre bom estar aqui com você, foi ótimo conversar com a Bárbara também, creio que saiu melhor do que cheguei nessa conversa, aprendi bastante, e tenho essa novidade feliz também, que no mês de junho o nosso livro vai estar disponível, já está disponível em pré-venda, na verdade.

como um livro sobre gestão de risco político. Eu creio que vai ser bastante útil para aqueles que nos assistem e espero retornar aqui com um exemplar para mostrar e presentear vocês durante o nosso próximo papo.

Bom, sem dúvida, agradeço a presença de todos e o mapa de risco fica por aqui, mas a nossa missão continua. Toda sexta-feira você acompanha um novo episódio, sempre com um timaço de especialistas, para traduzir os principais movimentos da política e o impacto nos mercados.

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