Episódios de Vamos Viajar na Maionese

EP62 Mataram o presidente!

09 de maio de 20261h13min
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Neste episódio, apanhamos o comboio na estação para o Rossio onde acabamos por assistir ao assassinato do presidente-rei Sidónio Pais.
Assuntos2
  • O Assassinato de Sidónio PaisO atentado e a morte do Presidente · José Júlio da Costa, o assassino · O mistério em torno do assassinato
  • A vida cotidiana dos padresOrigens e formação familiar · Carreira militar e académica · Vida pessoal e casamentos · Entrada na política e cargos públicos · Embaixador em Berlim e a Primeira Guerra Mundial
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Vamos viajar na maionese. Com Hugo Van Derding e Tiago Ribeiro.

Olá, amiguinhos e amiguinhas. Sejam bem-vindos a mais um Vamos Viajar na Maionese. Vamos viajar na Maionese. Como é que estamos, Hugo? Vamos viajar até ao mundo do Duende Verde. Tu não te devas dizer? Duende Verde? Duende Verde. Não, o Lubi Jovem, não sei o que te falas. Está alguém lá fora que se lembra. Era uma série que dava na televisão quando eu era miúdo. Vamos viajar até ao mundo do Duende Verde. Eu acho que era filmado na estufa fria.

O que diz mais da estufa fria do que os de sangue. Vamos viajar até ao mundo do duende verde. Está um giro. Se está lá fora alguém que se lembre, escreva para cá. Não é para o duende verde, mas é mais um episódio de Vamos Viajar na Maionese. E lembrar-vos que podem e devem partilhar estes episódios, comentar. Mesmo que não partilhem, há uma coisa engraçada que é espalhem para os vossos amigos, como vocês fazem com as doenças sexualmente transmissíveis. Claro. Gravidíssimo.

é muito grave o que se diz aqui neste podcast que é doenças funérias e partilha no podcast falar disso, por exemplo mojante está qualquer, estão 12 pessoas aquelas reuniões de liceu deem aquelas pessoas e dizem assim

Já ouviram a maionese? Ai toda a gente ouviu? E depois as pessoas dizem assim, nunca ouvi a maionese? Ai que progesto debaixo de pedra que tu moras. Não precisa de mim. Como não ouvi a maionese? Está legal. É isso aí. E espalhem, espalhem a palavra. Que nós agradecemos para tentar...

Chegar sempre mais longe e alargar a nossa comunidade. Estivemos num espírito muito comunitário na semana passada, com proletariado! Sim, a voz operária! E para onde que voz tem este programa de hoje? O Gvendarding? A resposta está sempre aqui!

isto é o nosso boião porque isto é um programa que é vamos viajar na maionese vamos dar-nos ao direito de ouvir a abertura deste episódio boião estava difícil foi muito apertado estava muito a perder e para esta semana

Rufem os tambores, porque nós vamos... Eu vi a desilusão na cara do Tiago. Rocio! É que nem para a Betesga, vamos! O Rocio de que se irá? A Matilde está a olhar a cara dela e dizia para o Rocio. O Rocio de Lisboa? De Lisboa, sim. Ah, ok. Não é o Rocio ao sul do Tejo. Há uma vila portuguesa chamada Rocio ao sul do Tejo. Pois, pois, pois.

O Rocio é geográfico, não é? É uma praça, não é? É a praça das praças. O Rocio. É a praça principal de qualquer cidade, de uma vila, de um sítio. É engraçado porque quando estamos noutras cidades, já ouvi isso muitas vezes,

Ah, mas onde é que nos encontramos? E alguém tendencialmente mais velho diz Ah, ali pela zona do Rocío fica aquele... E tu? No Rocío? Nem o de Lisboa. Aquilo quase é um Rocío? Aquilo é uma aldeia? Rocío de quê? O Rocío de Lisboa, no caso, chama-se Praça de Dom Pedro IV. Pois, e lá está ele muito longe, que é para nem se ver muito bem. Que há um mito urbano que afinal é o Maximiliano II do México. E que aquilo não está bem feito, não é? Que aquilo é assim...

Está mais ou menos parecido. Olha, os pomos é que sabem, aqueles é que andam lá em cima e são amigos do Dom Pedro. Nós somos amigos de conteúdo neste programa. Vamos até ao Rocio porque, prepara-te, mataram o presidente.

Por acaso, são as variações do sábado de janeiro. Pão, pão, com aqueles 10 gritos. Tão, tã, tã, tã, tã, tã, tã, tã, tã. Temos que trazer a Vanessa Mãe. Vanessa Mãe. Com violino. Fazer um violino.

O problema é que nós não reliramos isto. Nós devemos ligar-nos. Nos serve? Estavas a dormir? Sim, sim. Mataram o Presidente. Ainda há poucas semanas, duas, meia, três, quatro, cinco, duas. Como já tem acontecido várias vezes na história e não são poucas, não são poucas, não são muitas, são bastantes. Pois. Nós sabemos que trataram matar o Presidente Trump.

O Tiago tem umas 10 dias sobre isso. Eu não tenho nada. Vamos saltar. Eu não tenho nada. A Matilde chegou hoje aqui e disse assim.

Ah pá, aquilo é tudo ensinado. Até a Matilde reparou. E a Matilde tem conectos no FBI. Sim, sim, claro que tem. Ela percebeu o que é que é. Pronto, mas dada a situação... No FDA, aqueles de Drugs and Food Administration, como teve presa aqueles 16 anos. Conhece bem os meandros da segurança americana, na ótica. Veja um episódio do Banged Up Abroad, sabes essa série lá no National Geographic, que é presos no estrangeiro. Exatamente.

Tem um episódio sobre a Matilde. E aquele da Vanzeler também, da nossa amiga Vanzeler, da Mariana Vanzeler. Ah, pois tem, pois faz, faz. Também tem uma citação da Matilde lá. Tráfico no geral. Matilde, nós vamos acreditar nela, porque a nossa amiga, ela não sabia que lhe tinha posto aquilo na mala. Claro, claro. Transportava, eram quase 17 quilos, mas não sabia de quê. De um objeto não identificado. Não sabia que lhe tinha posto aquilo dentro do corpo também.

Sim, sim, sim. E acabou por não conseguir em tribunal provar que não sabia. Estamos a brincar, isto é uma coisa gravíssima.

passei por ti no rocio é do tempo do Passa por mim no rocio não, mas sei o que é foi uma revista à portuguesa com o elenco do Teatro Nacional que é uma graça que foi o La Féria quando foi presidente foi diretor do Teatro Nacional é verdade, isto já aconteceu

Tu és mais teatro moderno ou teatro antigo? Antigo? Ah, teatro moderno odeio. Esse, teatro moderno. Não me convidem para essas coisas. Estou a brincar. Agora, nós, os ingleses até têm usado muito esta expressão e de facto ela existe. Nós temos, quando matam o rei, regicídio. Geralmente a morte ou a tentativa de assassinato ou o assassinato de uma figura de poder nós chamamos magnicídio. O magnicídio.

Presidente ao círio Um matricírio é quando matas a tua mãe Um parricírio é quando matas o teu pai Um fraticírio Um fraticírio é quando matas o teu pai Matilcírio Não expliques Não expliques Um avó da matricírio É quando escapas a doenças monéticas E matares tudo o que era fungos e bactérias Enfim, claro Um avó da matricírio

Nós sabemos, matar um chefe de Estado é uma coisa que tem acontecido desde sempre. Tivemos um rei que foi morto. Tivemos uma história... Imagino, é uma fratura gigante na dimensão europeu. Mesmo sem que vencer o europeu. Temos o Olaf Palme, uma história fascinante que se calhar um dia vemos de repescar, que já contámos no Vamos Todos Morrer, o ministro sueco. Até hoje ninguém sabe.

Há muitas teorias sobre quem matou. O Aldo Moro, o Primeiro-Ministro Italiano, o Presidente Kennedy, talvez o mais famoso assassinato americano do século XX. Até o último segundo. E Portugal, fiquem a saber, quem não sabia, também teve o seu próprio Presidente da República.

assassinado pum pum pum foi? pum pum pum pum ai ai ai por acaso foi só pum pum dois é verdade e vai ser ele o protagonista do nosso episódio de hoje já voltamos a disparar a história de fio a pavio para já as palavras do nosso patrocinador e agora umas palavras do nosso patrocinador Tia Carachão eu não sei Tia Carachão

O teu relógio? Vendi-o, para continuar a jogar. Mas o relógio do teu avô? Who cares? Pois é, de facto já não preciso ver-se. Os jogos da Bacana Play são de facto muito divertidos. Oh pá, são mesmo divertidos. Mas não se esqueçam que devem usá-los apenas como divertimento. Por isso, joguem com responsabilidade.

Voltamos a apresentar. Vamos viajar na maionese. Pum, pum. Temos um presidente no chão gravíssimo. Presidente, torre de Londres a baixo. Será que nós temos a operação Torre de Belém? Como a ver o Tower of London. Sim, sim, sim.

Torre de Belém foi para o Caroços Torre de Belém para o Galheiro Será que há a Operação Torre de Belém para o Galheiro? Não sei Não sei, temos que ver A Operação Galheiro são quase todas Mas é verdade, já tivemos um Presidente da República assassinado e é o nosso protagonista Estamos em que ano, Hugo Van Der Dink? Estamos em que momento da nossa história? Estamos em 1918 E vamos, quando ele é assassinado Vamos até ao dia em que ele nasceu Estamos no ano de 1872 E nascia em Caminha Ok?

depois nasceu em caminha nasceu em cadeira por acaso não foi em enxerga não? nem em verga nem em palhas deitado foi em caminha mesmo distrito de

Viseu Viana do Castelo Burro Se não escrevam para cá também Chamava-se ele Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais mais conhecida em Portugal e no estrangeiro como Sidónio Pais, é verdade, o Sidónio

Pós-sidónio. Pós-sidónio. Pós-sidónio. Pós-sidónio. Ele era o filho mais velho, de sete irmãos, se tiveres curiosidade. Pois. De um funcionário, de um notário. Que boring. Que boring. Uma pessoa ser filha de um notário. Ah, pá, dinheiro é bom. Sim, sim.

Não me dá boa biografia. Não, pois não. É tão interessante teres dito isso porque a biografia dele é uma chatice de galochas até uma altura em que este homem verdadeiramente se transforma, como se tirasse... Lembras-te daquela... Estou sempre a dar referências que vocês não se lembram, são novos. Havia uma série que era o V, a Batalha Final, que eles tiravam as máscaras e eram lagartos. Ah, uau. Eu espero que alguém... Tu viste coisas muito estranhas. Sim, sim.

Crescer em Portugal nos anos 80 e 90 é como ter crescido na Bulgária, na Roménia. Pois é, claro. Já percebi, já. Na República Checa.

nas partes soviéticas nas partes mas eu espero que alguém desse lado confirme e diga sim Hugo, lembro-me muito bem do V a batalha final falar nisso a Blicau, que não é nosso patrocinador a Blicau relançou os 40 anos, o Tô está a fazer 40 anos e eles relançaram coleções de Tô sabes o que é o Tô? não desculpem os ouvintes mais novos são tudo referências dos anos 80 Tô?

Tô. Eram uns atoculantes que vinha com o Blicau, que era um boneco verde, que era, tô com a mosca, tô chateado. Mas não eram tatuagenzinhas nem nada. Era para pôs no dossiê da escola. Que lindo. Ele era o filho mais velho, o Sidónio Pais, de um notário.

E a mãe? A mãe era uma senhora só Nunca fez nada Era uma mulher Levantava-se, dizia está tudo bem Dava umas ordens às criadas Eles não tinham muitas criadas A família já tinha tido, tinham primos que eram Ou seja, era uma família que podemos dizer Da pequena nobreza De lá de Caminha Eles por acaso eram uma família de Barcellos Da parte do pai Tem umas

Mas este ramo é um bocadinho decaído socialmente. Não eram ricos. Mas até tinham primos que eram. Estás a ver o género? Sim, claro. É esse tipo de gente. E pronto. Às páginas tantas, o pai teve uma chatice. Por acaso não se sabe bem na biografia o que é que ele terá feito.

Mas por que ele já não está? Claro, aqueles esquemas. Era um homem cheio de truques e esquemas. Pois, pois. Vendeu um carro em segunda mão sem motor. Tipo um atil de carro. Não registou e foi grafado pelas finanças. Está ali o que vai. Olha aí. Está ali o que vai. E o que é que vai acontecer? Vai ser desterrado para acertar. Vou dizer, não é notário mais em caminha. Bem, é uma pessoa.

Eu estive na Sertã há pouco tempo e Sertã é awesome. A pessoa julgava que já estava desterrada em caminho. No tribunal, a ordem foi... Vai ser desterrado para a Sertã. A pessoa disse, eu já estou...

Eu vou fazer até aqui um apelo. Parem de me convidar para encontros literários. Porque eu, de antes, como nunca tinha ido a outro sítio, se não fosse Lisboa e Porto, estava-me à vontade para dizer de gozar com todos os sítios. Agora estás a ganhar amor, não é? Sim. A gente chega a Sertã e diz assim, isto é incrível, tem um rio. Foi lá que estiveste com o Fernando Alvim. Pois lá, que estive com o Fernando Alvim. Pois eu vi. Fernando Alvim, que é a personalidade da Sertã.

Hoje em dia ele é a figura de proa da Sertã. Sim, sim. É o cidadão honorário da Sertã. E percebe-se porquê.

mas é verdade eu sei, já percebi sim, um trabalho incrível que aquela biblioteca ali faz, se interessa gostei muito de ver com ele também

que foi? Os dois juntos. O Tiago não gosta nada. Não, vai, vai. Deve ter sido muito giro. Foi muito bem e comemos muito bem lá no restaurante que há lá, ao pé do hotel. Mas então o pai do outro foi desterrado para a Sertã. Olha que sorte. O Sidónio vai lá viver até aos 11 anos. O pai, como é normal, lá na Sertã morre.

Era a ideia do desterro. Temos falado tanto desta doença que acaba tanto. Estamos agora aqui nos anos 80 do século XIX. A família vai ficar com problemas de massa porque era gente que vivia bem, naturalmente, mas vivia do ordenado voluntário. O ordenado e o que ele eventualmente punha por fora. Sim, sim. Não declarado. Estas pessoas têm todos descendentes vivos. Sim, mas também não vão levar a mais... Mas sabem do que é que eu estou a falar? Claro, é isso.

o pai morre, a mãe diz assim a gente já não almoça Sidónio era o filho mais velho, portanto ele vai ter esta noção de responsabilidade em relação à família durante o tempo todo claro que eles fazem a sua formação ele tem irmãos que também se vão destacar intelectualmente e tudo mais uma gente composta

O que também era uma raridade para a grande maioria do país. Sim, era uma elite. Absolutamente, sim. Naturalmente, mas não fossem ricos. Ela vai crescer o resto do tempo. É que sei que tu dizes quando... Ah, Silvio, não eram ricos. Quando tu dizes que é remediado, estás a baixar tanta franquia... Estamos a falar de um país que só tinha classe média. Pois eu sei, eu sei. Não eram ricos, é o que eu disse, tinham 15 criadas. Tinha que abrir a porta. Ah, já aconteceu. Isso é triste. Ah, já aconteceu.

estou desconfiado aconteceu, aconteceu é isso mesmo, essa é a questão aconteceu de certeza, mas ele vai crescer na quinta de uns tios assim mais para Chico entretanto, a ideia dele que até rasga com a tradição familiar jurídica da sua família, o avô o bisavô, até a avó também é nada legal

Com que direito? E ele vai fazer uma coisa mais original. Talvez até para rapidamente prover para a família. Bem, é o que é. Mas vai fazer tropa. Não vinha de uma família com tradição militar, vinha de uma família com tradição jurídica. Mas vai para a tropa, com a ideia de seguir a vida militar. E é o que ele vai fazer. Ele vai acabar por chegar ao posto de major. Curiosamente, o mais alto que ele teve.

É um salto bastante considerável, não é? A figura de major. Sim, mas quer dizer, não foi general, não foi coronel. Pois, mas também são muitos anos para lá. Sim, fazias concursos. Ele era novo. Com cursos, duas palavras. Fazias concursos. Com curso para isso. E ele vai ter notas medíocres na tropa. Também na tropa, assinar o nome, já tens muito elevado. Brincarmos.

A verdade é que ele até se porta mal lá na tropa a registro de uns castigos que ele apanhou. Ah, peraí. Sim, Dânia. Sim, todo arrumadinho em casa. Porco. Sim. Mas lá vai a sua carreira, sem grande brilho. Entretanto, já... Eu adoro. Isto está sempre... Isto está ele um brando, não é? Isto é uma biografia. Sim, e não deixa particularmente grande história. Sim, tem umas notas e está sempre. Portou-se mal, tem lá uns castigos. Entretanto, depois de instalado no exército, portanto, já a carreira militar está efetiva, mas vai seguir a sua segunda carreira que ele vai levar.

paralelamente, vai-lhe seguir estas duas carreiras paralelamente, que é acabar os estudos que ele tinha interrompido, no caso da Universidade de Coimbra, aqui é um aluno competente é verdade. Direito falas tu? Não, não, não, matemática, curiosamente. Matemática, uau! O ensino na altura era mais diversificado do que nós fazemos hoje, tu chamava-se o curso preparatório onde podias estudar direito, filosofia, várias disciplinas, mas de facto o que ele vai estudar é matemática.

apesar de também ter tido aulas de direito mas é matemática o curso ele tem notas ótimas ele vai-se licenciar com 19 valores ou isso mas ainda assim com testemunhos da época de não dizerem sim, mas não era uma pessoa brilhante é muito engraçado não tinha muita cultura para além da matemática não se interessava, não lia mal roubo sim, não sei o que quer dizer sim, sim, sim não via filmes de Agnès Verda não via filmes de Agnès Verda

sim, não havia o que não faz não era possível mas portanto não era assim uma figura brilhante notas muito boas mas era quase uma iminência um tipo cinzento

não deixou uma marca impressionante nas pessoas, mas lá vai não só se licenciar como até se doutorar em matemática portanto continuava a ter, a fazer a sua vida tinha a sua vida militar e também aqui vai ser lá em Coimbra também professor de cálculo diferencial integrado

Sabias que eram duas coisas diferentes? Sim. Pois é, o i denota que são duas coisas diferentes. É verdade. Não sei o que seja, mas tem um nome muito engraçado. Se tivermos alguma matemática a ouvir, escreva para cá explicar o que é esta porcaria. Agora, como Portugal é um penico, quer em Coimbra, quer na tropa, muito curiosamente, aqui nestes anos 90, anos 90 do século passado, calma aí, dos outros dois, ele vai conhecer

os grandes nomes que vão ser os grandes nomes da República os nossos presidentes até, os primeiros os Bernardinos Machado, os Manelos de Riaga toda a gente que circulava em Coimbra depois também em Lisboa na tropa onde ele está colocado onde muitos deles são militares e vai conhecer de facto

que também não tem assim tanta gente, não é? É verdade. Vai conhecer os que vão ser os grandes protagonistas da República, quer os que vão ser os seus futuros grandes inimigos, quer os seus futuros amigos. É verdade. E nós vamos ter, como ele vai ser uma figura muito emblemática da Primeira República, arriscarei dizer a figura mais emblemática da Primeira República.

Esta estranheza dele nunca se tem destacado em recorçamente nada. O que há de relatos sobre ele era o contrário. Era dizer, não me figue muito apagada, nunca dizia nada de jeito. Sim, era simpático. Toda a gente lhe gabava. A figura era assim um tipo... Bem parecido. Sim, com garbo. Mas nunca lhe ouvi. Dizia muito, nunca lhe ouvi. Claro, depois isto também está muito cheio de crítica política. Eu odiasse quem eu...

adoraste, não é? Ódiozinho aquela coisa. Mas sempre naquela perspectiva do... Nunca ouvi dizer uma frase brilhante. Não era Oscar Wilde, não é? Sim, sim, sim. Sabe? O Oscar Wilde tem as melhores frases do mundo. O Oscar Wilde lá está andando as dizia. Eu levo sempre o meu diário quando viajo de comboio para ter alguma coisa interessante para ler. Não é incrível, hein? Incrível.

Não é absolutamente... Imagina o que estava ali no primeiro dia. Devia ter um bom feitiço. Era mesmo incrível. Agora, por falar em República, os grandes nomes da República, estamos ainda em monarquia, estamos aqui nos anos 90. E, portanto, apesar de mais tarde eles jurarem, que é outro dos mitos à volta do Sidónio, eles jurarem a pé juntos que... Não, não, eu sou republicano desde que nasci. E que participei em todas as... Não havia revoltas, mas já havia partido republicano durante os anos da monarquia.

Participei em todas as greves académicas lá em Coimbra até eu fui o primeiro a assinar. Eu nasci em caminho e quando olharam disseram, este rapaz é totalmente republicano. Sim, a verdade é que não há qualquer registro de que ele fosse ou não fosse não há ninguém que tenha dito, não, não, sim eu tive conversas republicanas.

nada, são os chamados são aqueles tipos que são republicanos desde 5 de outubro de 1910 que é muito engraçado, havia uma expressão na altura que não é o caso único, há alguns que tinham sido bem, que tinham estado na rotunda para fazer a própria revolução o Machado Santos, essas figuras todas

Ou o Bernardo Machado, também faz parte desse grupo. Ou tipos que eram do Partido Republicano há décadas, portanto, eram republicanos. E depois há outros que aparecem na altura e que vão ter até cargos de bastante importância, a quem os republicanos chamavam com graça os adesivos. Significava, não tinham aderido. Tinham-se colado. Sim, aquela ideia de... São os adesivos, não é? Aderiram agora.

Chegaram agora. Todas as vagas têm sempre os seus adesivos. Claro, quer ver para onde é que isto cai. Para onde é que isto está tombado. Claro, claro. Claro. Mas pronto, não há nada que o prove. Mas ele dizia, depois na sua biografia vai dizer, não, é republicano. Sempre. Eu sou republicano das doutores. Sempre. Já a minha avó era republicana. Claro. E lá vai ver ele na sua vida de professor, na tropa, concilia destas duas coisas.

Ele vai casar com Maria dos Prazeres. Vai ter cinco filhos e ampla descendência até hoje. E sexo.

Isso é que foi prazer. É um dos prazeres. Tem netos vivos ainda. Cada vez menos. Não sei se ainda estão muitos vivos, mas sim, tem muitos descendentes até hoje. Talvez o mais famoso dos seus descendentes seja o pianista Bernardo Sassetti. Na verdade se chama Bernardo Sassetti.

Pais. Ele era um pingame. Aqui talvez seja a parte mais colorida da sua biografia. O nosso Cid? Não, estou a falar do Bernardo. Sim, sim. Estou a localizar-me. Muito engraçado teres dito isso, porque era tratado assim. É sério? Sim, é verdade. Sim, Cid. É verdade. Cidó, às vezes. É muito engraçado isso. Tens dito isso. Aliás, ele tem um filho chamado Cidónio Pais também.

que também tratavam assim ele vai ter relações extraconjugais, públicas e notórias vai viver, tem uma filha até vai viver bastantes anos com outra mulher continua a trocar cartas era público, as pessoas sabiam isso comentava-se

quase um bocadinho a ideia do Sá Carneiro, o Sá Carneiro separou-se mesmo da mulher, ele não vai viver com esta Maria dos Prazeres a partir de uma certa altura mas trocam cartas de marido e mulher apesar do Sidónio Pais aqui viver com outra em Coimbra, era público tinha saído de casa e vivia com ela tinha uma filha, mas ia à casa visitar os filhos e tudo mais, a gente não tem nada a ver o que elas fazem lá em casa nem nós comentamos nada nunca comentei

Fijam que eu não disse nada disto. Entretanto, este casamento, mesmo não tendo corrido, não vou dizer bem ou mal, vou dizer ortodoxamente. Sim, não seguia os padrões. O cano. O cano. Mas não há aqui ninguém nesta sala que se oponha qualquer coisa. Que possa sequer criticar isto, sendo netos nós de quem somos. E uma em particular. E mesmo nós.

e este casamento vai lhe trazer uma coisa muito importante mais até importante do que seres inteligente ou tens estudos, que é a Cunha era uma família muito bem relacionada a família da mulher, muito bem relacionada no círculo do poder e não era a família de Cunha, era de Cunhas ou seja, era gente muito bem posicionada no poder estrategicamente juízes, ministros tanto gente gente é isso

com poder efetivo de fazer coisas. E o Cidónio Pais... Sempre se mexeu bem entre... Muito bem. E ele vai conseguir... Até com críticas a esta coisa. Vai conseguir não ir numa missão a Moçambique. Vai conseguir ser colocado de maneira a nunca ir até que ir à tropa. Ele era militar, não é? Vão lhe dar um belíssimo... O seu doutoramento tem uma nota gigantesca com acusações ali em Coimbra.

de Quique de Era Fraude, vai ter um cargo como professor também lá em Coimbra supostamente num concurso onde há o outro tipo não, não, eles prometeram-me um lugar, imagina, em Aveiro para deixar entrar o Sidónio assim é que é e

Muitas calúnias podem... Algumas coisas são calúnias, outras coisas temos até cartas que provam do próprio Sidónio a pedir... Entre os pingos da chuva, o Sidónio. Vai lá passar. Lá vai ele. Em Coimbra tem uma vida bonita. Há bailes, tem os xaraus. Ele tocava violino, a mulher tocava piano, isto literalmente. Esta história está sempre com um spoiler assim em cima da mesa. Até que... Este homem completamente cinzento, até agora tudo cinzento.

Até que chegamos a 1910. Nós já sabemos, a monarquia é despachada para o exílio e o Sidónio vai começar aqui ...

a terceira carreira da sua vida sem boa verdade que é a carreira política ele vai ser estas coisas todas sempre fui republicano sempre fui republicano às voltas andava ali em todas as avenidas de Lisboa aos gritos, república, república

Já estava bem entromado no grupo das pessoas, portanto tinha os seus padrinhos políticos, que tinha conhecido ao longo desta sua vida. Era um tipo... Ele até se calhar era republicano, e pode ter sido discretamente republicano, pode não ter participado, que é a desculpa que alguns amigos dele dizem, que era, não, a posição dele como professor em Coimbra... Impossibilitava. Impossibilitava, dificultava.

Não sabemos. O que sabemos é que ele assim que põe o pé, em 5 de outubro de 1910, assim que põe o pé em republicano, vai ser uma acumulação de cargos. Ele chega a ser presidente da Câmara de Coimbra, vai ser vice-reitor da universidade, vai gerir a companhia dos caminhos de ferro, a atual CP, vai-se alistar na maçonaria, que depois sai também pouco tempo depois.

Havia os jornais, e temos os jornais disso em Coimbra, a criticar, às vezes, os próprios republicanos, a dizerem, mas afinal isto é a monarquia na mesma maneira, isto é o clientelismo completo. Máximo. Ele nem quer saber, lá vai passando. Não deixa marca em nenhum destes sítios, nem na Câmara, nem na CPI. Vai passando, é uma figura, isto é que é a parte mais fascinante desta personalidade. Totalmente, totalmente. Ninguém.

Vai ser eleito para a Assembleia, como deputado, na Assembleia Constituinte, 1911. Isto é o quê? Derrubou-se a monarquia, era preciso fazer uma Constituição republicana e, portanto, fez-se umas eleições para se eleger a Câmara, portanto, o Parlamento que ia escrever a Constituição e depois aprová-la. É aquela eleição, se se lembra, 1911, sai uma lei a dizer que podem votar todos os cidadãos com mais de 25 anos, que saibam ler e escrever e que sejam chefes de família.

E é nesta eleição que a Carolina Beatriz Ângelo vai dizer. Estou cá metida. É muito engraçado. É nesta eleição que ela vai votar. A primeira mulher portuguesa a votar. E é nesta que ele é eleito. Não me lembro agora se é por Caminha, se é por Coimbra. Não lhe interessa.

Também não vai deixar grande história no Parlamento. Mas lá vai participar na elaboração da Constituição. Já nem nós esperamos outra coisa. Nada. É ministro. Vai ser ministro. Também sempre que os seus... Isso é toda a gente, não é? Ali naquela altura. Vai ser através dos seus dos seus compadres políticos, até porque havia duas forças até mais, não é? Sempre em...

Uma vez estavam uns no poder, duas vezes estavam outros no poder, depois uns odiavam os outros. Mas vai ser ministro do Fomento, talvez é o equivalente ao nosso ministro da Economia, é verdade, não é? E mostrava mais coisas, talvez obras públicas, assim, mostraram estas duas coisas. E lá vai, até que ele tem um grande desejo, e faz sabê-lo, de ser embaixador.

Claro, a República andava, pegava nas suas pessoas fixas e punha-as em lugares estratégicos. Estamos aqui em 1912, a República tinha nem dois anos ainda, não é? Bem, este homem não se inquieta num sítio. E precisavas de pôr figuras que fossem... Estratégicas. Estratégicas, figuras que fossem, junto de países importantes, mostrar...

Agora estamos aqui, somos uma república, ou seja, dignificar a república, mostrar lá fora que aquilo era uma coisa séria, com gente responsável, e portanto estes cargos fossem em Paris, no Rio de Janeiro, em Londres, aqui também em Madrid, em Berlim, foram ocupados pelas grandes figuras, o Bernardino Machado, essas figuras foram os nossos diplomáticos. Ele vai para Berlim.

Ele tinha estudado alemão, tinha-se estudado alemão para aprender a falar, alemão para o antigo francês, que era, toda a gente falava, não é? Toda a gente falava neste meio académico. Sim, sim, sim, o velho inglês. É claro. E ainda que haja relatórios dos diplomatas alemães lá, a dizer assim, não se percebe uma...

Ele julga que fala alemão. Não se percebe uma palavra do que ele diz. Mas vai para Berlim, 1912. Lá consegue o cargo de embaixador de Berlim. Leva desta vez, não a mulher que fica em Coimbra. Quem é que ele leva? Uma nova namorada, uma francesa. A gente sabe quem é, ele viveu com ela em Berlim. Depois voltaram para Lisboa, viveram em Lisboa. Ele era...

não era bigam porque não casou mas era uma coisa pública e nós não estamos aqui eu só não faço porque não posso não tenho idade para estas coisas não é? claro, totalmente se eu tivesse a idade da Matilde fazia exatamente sim, sim

Um homem em cada canto. Em cada canto. Em cada porto. Sim. Citando a velha avó, não é? Citando a velha avó. Tenho namorado no Porto de Leixões, tenho namorado na Rocha de Condóbitos. Marinheiros, quantos são? Fico com todos. Já vi qual. Agora, estar em Berlim como embaixador em 1912 não era uma coisa fácil. Pois é. Nós estamos a desenhar-se no ar. Eu estava a pensar nisso, meu amiguinho. Foi uma escolha quente. Foi mesmo, foi mesmo, foi mesmo.

Ele vai lá, a ideia era mostrar, ainda era o Kaiser, não é? Portanto, o imperador alemão. A ideia era, no fundo, fazer uma operação de charme também, a dizer, nós mudámos de regime, portanto, depusemos os reis, mas continuámos a ser pessoas absolutamente impecáveis. Agora, vinha no horizonte a hipótese de guerra na Europa. Eles olhavam e diziam assim, o que é que está ali no horizonte? Aquilo o que é? A hipótese de guerra na Europa. Pois.

Vamos jantar. Não se fala mais nisso agora. Não se fala mais nisso agora. Não falas nessas coisas. Diziam. Políticos uns para os outros. Há umas pessoas assim. Está bem, mas é o mundo. Está bem, mas é o mundo. Mas isso pode esperar. E Portugal, tentando dar esta boa ideia da República na Europa, no fundo, na verdade, estava metido numa grande chatice. Que era... Nós...

É do final do século XIX, portanto vamos dizer 10 anos antes, 15 anos antes, que as potências europeias começam a dividir a África, não é? Entre si, claro. Exatamente. Portugal ganhou ali aquela coisa de Angola e Moçambique, basicamente um dos maiores territórios. Tinha acontecido já no final da monarquia que tinha incontrivaído a imensa.

para a queda da monarquia, que era este sonho que Portugal tinha de juntar Angola com Moçambique, o que significava ficar com a África da costa à costa. Este sonho vinha no mapa cor-de-rosa, que os ingleses não deixaram e fizeram aquela...

lá no meio, aquela ocasião vai ser a grande humilhação portuguesa do final do século XIX e que vai contribuir muito para a subida dos republicanos e a queda da monarquia que acusaram o rei de ter uma humilhação nacional com os ingleses os seus velhos aliados que fizeram um ultimato a dizer ou retiram daquele sítio ou vamos declarar a guerra e o rei e o governo claudicaram, disseram não queremos é isso

Enfim, nesta altura... E isso enfraquece. Imenso. É vergonha. Foi uma humilhação nacional. E agora, desta vez, são quer a Inglaterra, quer a Alemanha a tentarem roubar ladrão que rouba ladrão. Claro, claro. Perdem o diabo e escolha. Territórios. A Alemanha, nós talvez não saibam isto, mas também foi um poder colonial. Não durou muito tempo, mas foi um poder colonial. Teve a Tanzânia.

como ocupou a Tanzânia e portanto tinha interesse em partes de Moçambique os ingleses a mesma coisa que estavam no Quénia portanto estamos a ver toda aquela região da África Oriental e ele vai navegar estes mares tentar resolver aquela história toda mais uma vez a imagem de homem medíocre homem cinzento, homem não brilhante intelectualmente hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel

tudo isto é o que é muito engraçado para aquele que vai ser, fazendo aqui um spoiler o primeiro grande populista português e é um dos seus grandes segredos é ter, precisamente ninguém estava a contar o populismo acho-se verdadeiramente assim dessa ovelhazinha no meio do rebanho ninguém tinha reparado que ele estava aqui sequer e não são sempre assim essas figuras eu acho que foi o seu grande trunfo

foi isto. Mas lá, na Alemanha, ele vai perceber a importância do quê? De um Estado forte. Até de um Estado militarista, se quiseres. Vai perceber a importância da propaganda. A importância dos jornais. Como comunicas o que te vai passando pela tola? A imagem do próprio Kaiser, do próprio Imperador. Do líder. Todas essas coisas.

a importância da elite, a importância de manobrares a elite, de te dares com a elite, de estar contigo no poder, de como a elite e a comunicação social é a única coisa que precisas para depois o povo teres apoio popular. Ele mimetizou essa mecânica toda. Incrível. Ele está lá a ver tudo. Ele está a perceber nada, ele está lá a ver tudo. Ele entra em rota de colisão.

com o governo de Lisboa ele sente-se cada vez mais abandonado lá naquele seu posto, porque ele vai avisando eles querem tirar as colónias em África, vem aí a guerra vem aí a guerra mas de facto a Alemanha e a Inglaterra fazem um acordo para de facto ocupar as colónias parte de Moçambique, mas como os próximos se zangam quebra-se essa ideia é verdade entretanto, saiu a sorte a Portugal uma sorte é verdade

saiu estrategicamente dois verdade do contexto do Império Português sim, sim, tinham arrumado logo ali uma questão tinham tirado tudo a Portugal naquele momento, não é? sim, é verdade era muito cobiçado quer Angola, quer Moçambique nesta altura bem, ele é um olheiro privilegidíssimo, não é? ele está a ver tudo entretanto é isso

Lá em Berlim a coisa vai descambar, ele está no posto. O que é que vai acontecer? Em 1914, em Sarajevo, já sabemos, era assassinado o arquiduque Francisco Fernando e vai instalar a guerra na Europa. A desculpa das desculpas só para uma coisa que já estava a galopar. Claro, já estava tudo em ebulição, não é? Mas temos a Primeira Guerra Mundial, claro.

Em Berlim, o Sidónio vai fazendo parte de um grupo com grande apoio popular em Portugal, pelo menos em Lisboa, no Porto, nos centros urbanos, que ele era absolutamente contra a participação portuguesa na Primeira Guerra. A economia está de rastros. Não temos uma tropa preparada para essas coisas. E o esforço de guerra vai causar

um enorme problema económico que é a base dos sistemas políticos. Totalmente. E nós temos a República que tinha 4 anos, não é? Claro, totalmente. Isto é gravíssimo. E este nosso episódio está linkado com o anterior, se saltaram, fizeram um grande erro, voltem um bocadinho atrás. É na mesma altura, sim. Porque esse Portugal, essa jovem República, está muito pouco comunicante com o povo, muitas greves, há uma crise instalada e perpetuada.

E o que ele dizia era, o pior que pode acontecer é juntarmos a isto uma guerra, juntarmos a isto mais fome portanto é gravíssimo e é quase repetir os erros do passado portanto ele tenta ali, ele tenta sempre

diplomaticamente que não passe pelos intervalos da chuva a posição de alguma do governo na altura que eram altamente chamados guerristas que eram a favor da participação de Portugal na guerra

Muito também para proteger o Império. Estavam a pensar nessas colónias. Tal e qual. E, portanto... Mas ele é ouvido dentro desse seio do governo? Ninguém. Ninguém. Ele cancha-se isso. Ele cancha-se isso, então. Ninguém. Ninguém liga nada. Até porque era até uma voz um bocado incómoda, não é? Havia um enorme apoio popular contra a guerra. Mas o governo em si era a favor da participação na guerra.

Há uma coisa gravíssima no norte, não sei se é no norte, em Angola, os alemães matam 70 pessoas lá numa ação militar e ele ainda assim, já sem apoio quase de Lisboa, vai amenizar a coisa, portanto, para aquilo vamos dizer, bem, não voltem a fazer isto alemães, não voltem a matar pessoas em Angola.

por amor de Deus isso é um exclusivo português disseram eles e depois de Lisboa ele tenta mandar não façam isso por amor de Deus que é os portugueses cá o governo português manda arrestar, prender

Ah, que engraçado, o que eu tinha percebido? O arrest vem de arrest também. Os navios alemães que estavam fundeados nos portos portugueses. Portanto, tudo o que seja alemão é nosso. E isto vai fazer com que a 9 de março de 1916, a Alemanha declare guerra a Portugal. Para Sidónio Pais, é a altura de voltar para casa. Tem a cabeça a prémio.

ou seja, declara guerra o embaixador é expulso imagina, estou a pensar tu és embaixador, uma figura de Estado a quem é declarada a guerra no território inimigo é uma saída diplomática sim, é expulso é expulso do sítio há uma declaração formal de guerra aliás a declaração é feita a ele ou seja, é o embaixador ele é um interlocutor sim, mas não chegam lá já a matá-lo é uma declaração de guerra é uma declaração de guerra

e ele volta, tem que fazer as malas não sei se acho que teve dois dias para fazer as malas Deve ter chegado cá e diz, eu não vos disse que era uma merda da minha ideia E contra a participação da guerra faz parte desse grupo de pessoas Ele volta, estamos entretanto em 1917, ele muda-se para Lisboa com a tal sua namorada francesa E acumula já três É verdade, a Coimbra a mulher

A francesa. Sim, a mulher também vive em Coimbra. A outra segunda mulher. Eles já não estão vivendo juntos, mas ficam amigos e têm uma filha com ela. É verdade, teve três mulheres. E a gente... A guerra e três mulheres. A guerra e três mulheres. Lisboa, 1917, guerra no auge. E ele fica, sobretudo, a ver navios.

Ele vai ver a economia a descambar. Claro. Os protestos cada vez mais graves. As greves que continuam, as greves que aqui já tinham, a gente vê, seis anos, bem, já tinham mais tempo, mas a contestação que vimos no episódio passado de 1912, esse divórcio entre o movimento operado.

É o chamado de deixar de erno, é? É, mas ele vai ver um país que continua a se transformar. Vêm os ex, 1917, na Rússia, do que estava a acontecer lá, na Revolução Bolchevique da Rússia. Uma revolução que também acontece muito na Rússia para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial, curiosamente. Uma das grandes motivações da Revolução Bolchevique era para tirar a Rússia da Primeira Guerra.

E até um país que procura, ele vê isto tudo acontecer, um país que procura qualquer coisa exterior, que o salve desta pobreza, das greves, de tudo. O Salvador. Mas antes disso até, e ele ainda está só a ver, acontece uma coisa fantástica, até Nossa Senhora, 1917, aparece em cima de uma zinheira a dizer...

Por amor de Deus! Com aquela voz de bagaço de Nossa Senhora. Sim, sim. Tiago, isto não participa. Já muito fumada, aquilo era um 3 da manhã quando ela apareceu. Já muito fumada. Eu nunca tinha ouvido isso. A dizer, ah, enganei-me no botão. Isto é o tom onde eles, os pastorinhos. Isto é fato, minha senhora. Enganei-me no botão. Já volto. Venham cá dia 13 que eu vou aparecer outra vez.

que horror, engarei-me no botão de estupidez isto era para Cape Ferrat na Riviera Francesa os milagres de Fátima por o render bem agora tenho que ir outra vez dia 13 de junho agora vou lá outra vez dia 13 só para pedir desculpa aos meninos mas quando ela lá chega já está uma multidão gigantesca já está não há volta a dar olá, olá, sim é verdade ela até deixou de beber por causa disso entretanto é verdade

Eu não estou a falar de Nossa Senhora Nossa Senhora Sim, não estou a falar da mãe de Cristo Sim, sim, sim É outra, a fumada Sim, senhora Só que, afinal, o nosso Sidónio não estava só a ver Estava a ver, a estudar Que rato É verdade

é das figuras infelizmente pouca gente fala dele mas é das figuras mais fascinantes da história de Portugal pelo menos recente de Portugal exatamente para esta ideia que é o tipo que foi militar sem grande história foi professor de medicidade sem grande história pés embora

também estou exagerando um bocadinho com 19 valores foi político foi deputado sem grande história foi embaixador sem grande história e chega uma iminência em mim não se grise e o que ele vai fazer aqui no início de dezembro de 1917 vai-se juntando, até é muito engraçado esta ideia, eles juntavam-se numa farmácia no Chiado, estes conspiradores gente que ia dizendo assim é isso

O Governo vai por um caminho de contestações em todo o lado, miséria, tudo mais. Eles dizem, temos de titar a mão a isto. E vão urdindo um plano para fazerem um golpe de Estado contra o Governo que estava na altura no Governo. É sempre a mesma coisa. Ele vai juntar-se. O mecanismo é sempre o mesmo.

É mesmo sempre o mesmo, porque o plano deles era fazer, repetir, em termos militares, o que tinha acontecido exatamente no 5 de Outubro, até muitas vezes, até com grande parte dos seus protagonistas, que era tomar a rotunda, manter a carta, não sei o quê, controlar o teste, controla isto, controla aquilo. E, portanto, o Sidónio Paz fica à frente deste movimento.

na véspera ninguém se lembrava quem era ele ah sim, o Sidónio é verdade, ele vai vestir a farda, não vestia há 20 anos porque ele era um civil ele era um do políquico sim, um do políquico vai vestir do dia para a noite vai criar esta personagem

com a farda, vão fazer um golpe de Estado e, de facto, 8 de dezembro de 1907, há uma olhada séria, isto é, morrem mais de 100 pessoas neste golpe de Estado, não é? Muito parecido com o 5 de outubro. Eles refugiam-se na rotunda, há uma gente que ataca, há isto e aquilo, há lojas chaqueadas do povo de Lisboa, o governo é altamente impopular, portanto há pancadaria, lojas chaqueadas, casas incendiadas, há mesmo grave. Sim, sim, sim.

É verdade que estima-se 500 feridos e 109 mortos, mas não é uma coisa séria, não é uma coisa séria. Se compararmos com o 25 de Abril, por exemplo, percebemos a gravidade e a diferença que tinha ouvido. E este homem medíocre e cinzento, de repente, vai ficar à frente dos destinos de Portugal.

Ele vai prometer logo desde o início. Parece uma brincadeira ao mesmo tempo isto, sabes? É uma coisa muito séria. Se calhar, eu acho que foi o grande trunfo dele. Ninguém repou que ele estava na sala. Foi o grande trunfo dele. Por cálculo ou por embriaguez de poder depois, não se sabe. Mas há uma transformação absoluta. Ele vem prometer, o Sidónio, que vem prometer...

Estamos em 1917. Vem prometer o quê? Fundar uma coisa que se chama a República Nova. Refundar a República. Ele não é monárquico. Ele vem refundar a República. Mais forte. Populismo, verdadeiro. Uma coisa mais estável. Mais próxima do povo. Ele tem discursos que hoje dizíamos. Este é populista, não é?

Eu estou aqui para salvar o povo. Eu estou aqui em nome do povo. Defender os portugueses e Portugal, os direitos portugueses. Tal e qual. E ele vai arrastar, logo destes primeiros dias, um enorme culto de personalidade. Um enorme culto de personalidade. Cá está. O país...

Viu o Salvador da Paz. Até porque tinha a sede dessa figura. Estava com sede, estava carente. Sim, é mesmo verdade. Para já, ele tinha 38 anos. Era rasgar todas as outras grandes figuras da República, desde o 5 de Outubro até aquela data, nestes 7 anos. Eram gente que tinha mais 20, 30, 40 anos do que ele.

imaginas o machado de 140 anos 10 dentes só já ou seja, quando tu associavas à cúpula, à elite da Replicão, é os velhos este gajo com boa figura vestido de militar fazia na boa mas muito, mas mesmo ele não aparece nunca nem com nenhuma das suas três mulheres mas

para manter esta aura as mulheres passavam-se, gritavam tocavam-lhe como se tocam ele tornou-se uma rockstar claro os historiadores têm não muitos, mas há umas coisas há uma coisa chamada Sidónio e Sidonismo é a sua melhor a sua mais importante biografia onde também desmontam um bocadinho isto ou seja, também houve isso

como ele tinha aprendido na Alemanha, há uma enorme encenação à volta disto tudo. Claro, propaganda, não é? Tu tens retratos, ele corre Portugal de norte a sul com banhos de multidão gigantesca, tipo rei. Aliás, o Fernando Pessoa e outros vão-lhe chamar o presidente rei, é assim que ele vai ficar conhecido, o presidente rei. Porque ele vai...

corre tudo a cavalo. Logo, para não nos adiantarmos, para já ele é visto como quase um messias, voltou ao Dom João IV. O país de rastros. Tal e qual, tal e qual. Este tipo, um chefe providencial, ajudar os pobres, salvar os pobres, enfim, junta-se ali todas essas coisas. Ele instala uma ditadura, de certa maneira, que vai ignorar pontos da sua própria Constituição. O que ele vai fazer é o seguinte.

vai dizer, ele vai ficar ele próprio à frente do governo, portanto, primeiro-ministro, se quisermos, até é ministro dos negócios estrangeiros e ministro das finanças. Acumula. E vai depois dizer assim, o que ele vai criar em Portugal é um regime presidencialista, como nós hoje temos em França ou nos Estados Unidos. Só que ele acumulava a ser também primeiro-ministro. E então, quer ele ser presidente e o presidente ser quem manda.

Ou seja, governa por decreto, como o Trump faz, e a gente vê fazer no início dos seus mandatos. Que é, não precisa de ir ao Congresso nem ao Senado, tem ali uns poderes limitados, são limitados, que é fazer leis sem o Parlamento. E o Cidónio Paz vai fazer isto. O Presidente é o rei, de certa maneira. Regime presidencialista. Presidencialista, onde o Parlamento passa a ser um verbo de encher. Existe praticamente. As leis não vão ao Parlamento. O Presidente é que faz.

Podemos dizer que desde o absolutismo nenhuma figura em Portugal tinha tido tanto poder. Concentrado em si. Nem o Dom João VI no final do seu reinado, nem a Dona Maria I, nem todos os reis de Maria II, aliás. Nenhum rei, o Dom Manuel II, tinha muito menos poder do que o Senhor de Paz.

Que volta que isto deu. E esta ideia providencial do tipo que vai salvar Portugal, com encenações... Ah, como é que ele vai chegar a presidente? Ele vai ter esta originalidade, que não estava na Constituição, de fazer eleições diretas para a presidência da República, 1917. E ele vai fazer eleições diretas. Podia votar todos... Não, toda a gente votava. Eram cidadãos do sexo masculino, maiores de 21 anos, independentemente de saberem ler ou escrever.

Ele vai ganhar, com 90% dos votos, ou uma coisa qualquer, uma abstenção fortíssima, mais de metade das pessoas não foi votar, que era a única arma... Ele era o candidato único. A única maneira de me manifestares contra era não votar. A oposição o que fez é não vaiam votar, não vaiam votar.

É uma espécie de ditadura Mas sobretudo com um culto de personalidade Ele faz a tomada de posse dele É a cavalo A cavalo? Não, é um bicho Sim, sim, não era um ovo Não era um ovo em cima de um bife Sim, ele estava a cavar nada A cavalo

com paradas militares, como ele tinha visto na Alemanha. Uma imitação da Temu. Sim, mas com discursos muito inflamados. Corre o país de Norte a Sul, que se calhar nunca nenhum presidente ou rei tinha feito. Chega ao Porto, as pessoas histéricas, homens e mulheres.

torna-se quase um semideus, é uma coisa muito fascinante. O homem que ninguém tinha reparado praticamente nele. E depois, claro, uma verdadeira máquina de propaganda. Nós temos fotografias de milhões, nem Portugal tinha isso.

milhares e milhares e milhares de pessoas. Concentrações mesmo. Mas também muito... Ou seja, talvez não fossem tão representativas da ideia que nós depois queremos passar de que ele tinha o apoio popular completo, de que toda a população estava. Mas tinha uma grande franja. Tinha uma grande franja. Sobretudo quem? E é isso que vai ser a diferença em relação à chamada República Velha, esta República Nova, que tinha o apoio de quem nunca tinha apoiado a República.

o campo converte-se pela primeira vez os monárquicos todos adoraram o Sidónio Pais quase o Sidónio Pais decidia nem precisamos de rei praticamente ele é o aglomerador dos zangados dos conservadores ou seja, de gente a quem a república tinha deixado de ficar mal sobretudo quem? os padres

a tónica da Primeira República tinha sido livrar Portugal da Igreja e portanto padres foram perseguidos muitos presos, mortos até e ele vai fazer as pazes com a Santa Sé e com a Igreja Católica ele próprio ele deixou muitas vezes escrito no seu testamento que fazia desde miúdo que não era católico, não credava em Deus mas vai fazer esta quase encenação vai à missa vai fazer essas coisas todas vai dar um beijinho na boca ao cardeal patriarca é isso

e portanto isto para o mundo rural que se sentia que a república era uma coisa que tinha destruído esta coisa ancestral diabólica, satânica quase isto é um meio claro eu estou a ficar a transpirar das mãos porque isto está-me a dar nervos com o nosso 2026 sim, podemos encontrar tantos paralelos no mundo inteiro

E já percebemos, um dado óbvio, todos percebemos o mesmo que é o cíclico de tudo isto. Regimes cansados, uma sociedade estafada, que não encontra ecos de si própria, que se vê desapoiada, cenários de guerra, que são uma espécie de última pedrada em cima dessa realidade nacional.

E depois uma figura que vem com todo o poder, toda a força e fechura. Foscura, cá está o homem que vai ficar com isto ao comando. E vai criar uma coisa que se vai chamar, é uma coisa muito breve, chamada o sidonismo, que é uma nova...

É o poder concentrado numa figura, numa figura carismática, que concentra todo o poder. Só que ele vai coincidir com o quê? Com os momentos finais. Isto começa nos finais de 1917.

e agora já estamos em 1918 claro, com o final da guerra com as enormes transformações na Europa, acaba o Império Otomano enfim, o mapa da Europa redesenha-se depois os exércitos a guerra acaba em 1918 durante este

Trágica para Portugal também. Milhões e milhões. Estafada para Portugal. E isso vai ser, vai ser. Mais tragédias. Logo a seguir à guerra, para quem não se lembra, veio a gripe espanhola, a chamada gripe espanhola, que dizimou uma grande parte da Europa. Nós, o nosso Covid foi transmitido através do turismo.

global, aqui é uma movimentação das tropas, portanto gente que estava à vida Flandres para a América ou para se mexer vai espalhar esta esta coisa estavam a movimentar-se da África para isto sim, pós-guerra, claro, claro

São milhões de pessoas, dezenas de milhões de mortes. Portugal também não escapou. Temos dezenas de milhares de mortes da gripe espanhola naqueles anos de 17 e 18. O corpo expedicionário português tinha sofrido um massacre na sobre-batalha de Lalice, com 400 mortos e 6 mil cedidos. A morreram que nem tristes. De umas condições terríveis. Aliás, o balanço final da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial.

São mais ou menos 60 mil mortos, para mais e não para menos. Portanto, um grande abalo na sociedade portuguesa. Nós sabemos que o Sidónio não teve responsabilidade nisso, aliás, ele era anti-guerra. Mas não fez nada também. Mas que leva, é. Aconteceu, não é? Só os ministros, só os políticos é que querem saber do...

Ah não, isto é a herança do Sócrates. Para as pessoas não interessa. Como é que isto termina a minha vida? Se é a herança da Dona Maria II, se eu morro amando do rei ou da Primeira República, morri, desculpem lá. E o que é que isto traz? A alta impopularidade do Sidón já tinha. Ou seja, ele tinha um apoio a essa coisa de o povo adorável.

Mas, para já, uma parte dos políticos da Primeira República odiavam, naturalmente. E depois ele perde também, vai perdendo faixas da população, com as greves, com a fome, com as chatices. Há uma coisa que fica altamente impopular, que é o Estado português demora tempo até trazer as tropas. Já acabou a guerra.

homens abandonados abandonados ali nos barcos sim, é verdade, e portanto o descondentamento popular vai subindo de tom, mais greves, mais manifestações no fundo aquele clássico, isto é o mesmo isto também está fracassado de certa maneira, e ele vai perdendo um bocadinho a mão em isto, ainda por cima agora com a sombra dos bolsos civicos que tinham na Rússia ganhado a revolução, enfim ele vai tentar acudir a muita miséria na rua, não é? pandemia, guerra, tudo mais é verdade, é verdade

Ele vai tentar, talvez seja a marca mais conhecida popularmente, ele vai tentar deitar a mão à fome, à miséria, através da criação de umas cozinhas económicas, aquilo que ficou conhecido e até hoje já conhecido, como a sopa dos pobres ou a sopa do sidónio. É muito engraçado, é uma expressão que se calhar as pessoas nem sabem de onde vem.

ele faz dezenas delas por todo o país vai abrir na igreja dos anjos é literalmente portas abertas e um prato mínimo de comida existe ninguém se chama só para os pobres obviamente mas

mas vulgarmente passou a ser esse conceito eu não sei se ainda se usa, mas até vou dizer há 10 anos atrás, os dois diziam a sopa do Sidónio, não é muito simpático mas aquele edifício em frente à igreja dos anjos em Lisboa chama-se a sopa do Sidónio até hoje, é muito engraçado certamente muitos nossos ouvintes

Quem é de Lisboa chama assim, não sei como é que se chama E há outros pontos no país, eu sei exatamente onde é que é, em Ponta Delgado E chamam-se para os pobres também Mas chamava-se estas duas coisas Abriram dezenas no país e lá ia inaugurar fotografias, toda a gente incrível É muito engraçado, ele ia com quem? Com as senhoras da aristocracia que tinham deixado de fazer essas coisas que nós...

No episódio passado falámos Pararam com a introdução da República O regime republicano Ele dava-se de beijinho com muitas aristocratas Os mecenas, não é? Mas é muito engraçado, é a primeira República Ele percebe esta coisa Ele é o presidente, é republicano Mas vai Vai Resultar

Vai buscar uma monotia. Vai buscar esta elite antiga. É uma coisa muito... É um estratégia. Este homem, efetivamente, é um estratégia. Só que, é claro, só que a coisa vai fugir um bocadinho ao controle. As manifestações aumentam de tom, o descontentamento operário aumenta de tom, enfim, começa a haver aqui uma chatice e ele vai fazer o que estava à sua disposição, que é declarar o estado de sítio. Volta.

Recolher obrigatório Essas coisas todas, preso se estivesse a manifestar-te Só que isto é como dar contacto Baseball num ninho de vespas Sim, sim E a Matilde sabe do que eu estou a falar Aquilo não é uma pinhata Aquilo vive É um dos tramas A Matilde tinha 5 anos na sua festa Ah, lhe vais contar isso, não contes É a verdade, ela achou que era uma pinhata E era um vespeiro Nunca mais foi a mesma Nunca mais

Mas é verdade, violência nas ruas, incendeiam coisas. É verdade. Entramos ali numa... E a cabeça do Cidónia Prémio. A cabeça do Cidónia Prémio. Pois é. 6 de dezembro de 1918, um ano depois do golpe, ele vai sofrer um atentado. É um tipo que o tenta matar. Ele tem muitos inimigos nesta altura, não é? A maçonaria, a carbuná, enfim, muita gente. E a pistola encrava. Ele está a dar umas coisas. A pistola assim.

Adoro esse meme Isso é o atirador, não é? Estou F Levou ele Um tirinho Ele vai ter menos shorts e dói-nipais Uma semana depois, no dia 14 de dezembro de 1918 Logo Ele ia para o porto, de comboio Ia lá participar numas coisas Ele estava a fazer aquilo que ele sabia fazer melhor Que é as suas operações de charme e de propaganda Junto das pessoas Sim, tem que ir a falar com as pessoas Ok

ele vai de comboio, portanto, ele vai na exceção do Rocio, ele jantou com o irmão e com o filho, o filho era secretário da presidência, era o secretário dele, o irmão também era uma pessoa importante. Era o irmão do senhor. Estava lá.

Eles iam, jantaram ali perto, lá iam para apanhar o comboio. Era 11h30 da noite. Era o comboio para o pôr. Sim, claro. Sim, Tiago, não era o alfa em classe executiva. Era o vapor. Tinha um nome que agora não me conseguia ver como é que eles chamavam. Mas esse saia há horas sempre. Ele tinha um nome. Foguete, foguete ou aborto, exatamente.

O Foguete acho que já é quando apareces com bairros mais rápidos. Bom, não sei. Ele chega à estação. Há imensa gente que está lá para vê-lo chegar, apesar de serem 11h30 da noite. Isto ainda em Lisboa. Em Lisboa, na Estação do Cil. Está lá a banda da GNR a tocar o hino nacional. O Cidoneta fica assim. Outra vez vem o discreto, que isto parece um tesário da Rússia. Sim, sim, sim. O tesário da Rússia. Pouco depois ele entra. Está já...

em direção a Agar o cinturão de apanhar o comboio e um ex-sargente do exército, José Júlio da Costa salta o cordão de dupla segurança das seguranças do Sidónio Pais atira debaixo de um capote a lentejano, diz-se, uma pistola Browning e dispara o primeiro tiro que acerta no braço direito do Sidónio Pais e depois um segundo que lhe vai acertar na barriga e o Sidónio cai imediatamente para o chão

Há uma confusão gigantesca. A guarda começa a disparar. Imagina. Imagina. Não quem sabe onde é que estão a ver os tiros. Quatro pessoas morrem. Oh, nossa. Quatro pessoas morrem. O Sidónio no chão. O tipo, a população, a populaça, vê quem é que foi. O tal José Júlio da Costa. Está ali. Penho. A guarda tem que o tirar de lá porque iam matá-lo ali. Claro, claro. Ainda leva uma tareia gigante. Mas a guarda prende-o. Leva-o.

E o Sidónio vai a toda a velocidade para o Hospital de São José. Quem conhece Lisboa é uma distância... Uma viagem mínima. Nada, claro. E chega lá, mas um quarto de hora depois de ter sido alvejado, Sidónio Pais, o Presidente da República, morre no Hospital de São José.

Tinha 46 anos E o país ainda estava a curar feridas E era a figura São cenários muito próximos A figura O Reinaldo Ferreira, como curiosidade O repórter X Ele depois de contou E escreveu no jornal Eu estava lá porque fui acompanhar É mentira Ele chega depois

E é o Reinaldo Ferreira, Repórter X, que vai inventar as famosas últimas palavras de Sidónio Paz, mentira, que é morro bem, salvem a Pátria, que é belíssimo, mas o Reinaldo Ferreira não teve sequer hipótese de ouvir o que o Sidónio disse. Porque quando chegou o Sidónio já estava morto no hospital de São José. E diga-se que as dores depois de tiros não devem andar assim para tanta criatividade. Digo eu, não é? Sim, na barrilha também. E aquilo. E que ele sejou, que ele sejou. E não disse nada, provavelmente.

a verdade é que este curtíssimo reinado afinal o sidronismo durou um ano, basicamente bem vistas as contas é um ano, praticamente certo muito curto, marcado claro pelo que já dissemos o culto de personalidade, agora esta morte

se ele já tinha o culto de personalidade as pessoas adoravam o Sidónio acentuou 10 vezes mais deixou de ser o culto de personalidade para ser absolutamente um mito o enterro do Sidónio Pais é a apoteose total porque mesmo quem não estava convencido convenceu-se naquela altura o choro nacional

Sim, que em algumas pessoas mais antigas ou em algumas tradições familiares continua a ser uma coisa ou seja, para os monárquicos para os conservadores, para os católicos o Sidónio foi o mais perto que tinham da monarquia que soldados foi o interregno de um ano foi uma ilha de uma luz ali no meio daquilo tudo

E o enterro dele leva, houve quem dissesse, um milhão de pessoas em Lisboa. É muito engraçado. Há várias gente, o Raul Brandão faz uma descrição, o José Gomes Ferreira tem uma descrição muito detalhada sobre o enterro dele. O José Gomes Ferreira às tantas diz assim, morava meio milhão de pessoas em Lisboa, não é muito credível que estivessem. Sim, sim. Mas todos dizem que foi uma coisa gigantesca, gigantesca, de... ...

Ele está na Câmara Municipal, em Câmara Ardente. Há uma história até de um cão, porque isto depois tudo envolve mistério. Há um cão preto que fica, não sai do pé deles, eles tentam expulsar o cão, o cão fica deitado o tempo todo. Ninguém consegue tirar ali do cão, até a família do Sidónio Pais acaba por ficar com o cão, porque o cão não se foi embora. Enfim, às tantas, vem diretamente da África, de uma missão, um dos seus grandes amigos, que chega, ele vai para os Jerónimos, há uma missa.

milhares de pessoas a acompanhar aquilo gente que chorava, há gente que desmaia a Cruz Vermelha socorreu 400 pessoas que desmaiavam à passagem do caixão as pessoas tentam beijar as rodas da carruagem que leva aquilo homens e mulheres que choram na rua, temos que tratar dessas coisas, incrível ele tinha sido embaçamado

a gente a velá-lo o tempo todo. Então tinha, como fazem os americanos até hoje, o caixão tem assim um vidro grande onde podes ver a cara da pessoa. Vem um melhor amigo dele, um religionário dele, vem com a espada, parte o vidro para poder abraçar. Enfim, foi uma estria absoluta. Uma estria absolutamente. O gajo chega nos Jerónimos. Era o herói nacional. E depois, e vocês podem não acreditar que isto aconteceu, vem a seguir. É decretado um mês de luto nacional.

Primeir hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel hel

hoje em dia já não se usa, não é? Mas eram 15 dias de luto carregado, portanto, estudais de nociedade preta, e 15 dias de luto aliviado, como se chamava. E durante aquele mês, e algum tempo depois, vem o chamado terror sidonista, que era o quê? A prisão. E foi presa centenas de pessoas.

por delação de quem tivesse festejado a morte do Cidadão e do Paz. Então tu ias dizer assim, meu vizinho abriu uma garrafa de champanhe. Isto aconteceu. Foram presas muitas pessoas. Presas e às vezes espancadas na rua. Ela estava-se a rir. Deu uma festa a homenagear a morte. Só o tamanho do elogio ao ódio que ficou, que estava ali, o sentimento da morte.

delatar. Claro, era a oportunidade certa. Claro, mas umas verdade, outras menos verdade foram presas naquilo a que ficou chamado o Grande Morto com G Grande e M Grande chamavam-se o Grande Morto, Sidónio Pais o Grande Morto

Este assassinato é um dos momentos mais marcantes da Primeira República, naturalmente. Ele vai ficar neste imaginário popular dos mais conservadores como, de facto, o salvador da pátria. E depois dele foi de ser para descer. Voltou à bandalhera. Naturalmente, assim que ele morre...

o sidonismo não sobrevive ao sidónio pais há eleições a seguir o partido dele desaparece praticamente votam a repor a constituição mas de facto está a ferida de morte a própria república e pouco tempo depois em 26

8 anos depois Instala-se tudo aquilo que nós sabemos Volta o Sidónio Pais 2 Basicamente, podemos dizer que é isso Que é o Salazar, apesar de serem homens bastante diferentes E o Estado Novo, o Salazar e todo o Estado Novo Vão transformar O Sidónio Pais numa religião nacional Aproveitar tudo aquilo que já estava Ou pelo menos a parte boa Ele tinha caído em desgraça a seguir ao sidonismo Não é?

coisa e vai buscar toda a imaginária do Sidónio Pais vai buscar toda... Temos no sidonismo um antecâmara do Estado Novo dos 50 anos de Estado Novo. A única coisa que se aproveita na República quase um bocado é esta ideia. Claro, claro, claro. Ele está no... é levado para o Panteão Nacional Herói. Ao lado do Bernardino Machado, penso eu portanto...

pensei onde ele está, enfim é muito engraçado, tem as ruas tem muitas ruas em Portugal é verdade, há dezenas de planos de fazer estátuas ao Sidónio Pais que depois o 25 de Abril vai atalhar essas coisas porque depois o 25 de Abril vai colar o Sidónio Pais o Sidónio Pais

Portanto, este tipo fica uma das figuras mais divisíveis em Portugal porque os monárquicos adoravam-no os escardistas republicanos da altura odiavam-no O Salazar, ao fazer o Estado Novo, ao fazer dele um mito faz com que, logo a seguir ao 25 de Abril, ele seja uma figura mal vista, mal dita

acabar com as ruas todas. Mal associada. Hoje em dia deve ter, já deve haver fotografias do Sidónio Paz em vários sítios. A verdade é que ele foi desaparecendo, hoje, talvez não se saiba disto, é um bocadinho menos conhecido do que o doutor Sonsa Martins, mas a figura do Sidónio Paz ficou no imaginário espírita.

como uma das figuras mais importantes do movimento espírita português. Até hoje, as pessoas vão fazer promessas e pedir coisas, como vão à estátua do Sousa Martins, vão pedir. 100 anos depois, ainda se fazem estes pedidos ao Cidónio Pais. Penso que são tradições que vão desaparecendo, mas ainda é uma figura disto. Resta-nos falar do homem que o matou, porque é disso que estamos a falar, do assassinato do Cidónio Pais, José Júlio da Costa.

É uma figura envolta em muito, muito mistério. Não sabemos se ele agiu sozinho. Até hoje não se sabe. Se é uma célula, uma coisa. Ele disse que sim. Ele é alentejano, de garvão. Ele vai conversar à polícia e disse assim, isto é uma vingança porque houve lá umas repressões nos amigos meus que estavam a pedir pelos melhores direitos. Aquelas coisas. E foram... Houve uma repressão e eu vim cá para matá-lo. Lá em... Do Alentejo. Ninguém sabe.

Há várias teses. Há umas que fazem algum sentido, outras menos. Que ele pertencesse à maçonaria, que ele pertencesse à carbonária, até que eram mais radicais. Não há qualquer prova de que tivesse sido mandado. Pode pertencer, mas não tivesse sido mandado. Enfim, não se sabe. O que sabe é que ele esteve preso. Ele é preso. Foi libertado. Imagina, imagina que prisão. O homem que matou o chefe de Estado. É uma figura fascinante. Ele é preso.

Vai ser libertado em 1921, na noite sangrenta. Portanto, quando matar o Sidónio passou a ser quase uma coisa fixe. Ele é libertado. A releitura da coisa. Sim, é verdade. Ele é libertado e viveu anos a monte. Ele viveu escondido pelo norte. Viveu um tempo, e eles fazem muita gala disto neste sítio, no Colmeal, que fica em Figueira de Castelo Cotarudo, no distrito da Guarda.

o Estado Novo nunca lhe quis meter mão resolveu a coisa, nunca teve nenhum tipo de saudosismo de resolver eles queriam, se limparam o silvação ele vai ser preso isto tudo, ou seja ele foi de solto em 21 ele vai ser preso em 1927 portanto, já é apanhado em matosinhos, apanham-me na feira de matosinhos

Ele é apanhado já depois do golpe de Estado de 1926, mas antes do Estado Novo, que só começa em 1936. Sim, e então ele é preso. Há um relatório a dizer, ele vinha num Estado péssimo e vai ser encerrado no hospital, Miguel Psiquiatra de Miguel Bombarda, o diagnóstico de esquizofrenia, e lá vai morrer 28 anos depois, em 1946, sem nunca ter sido julgado. O relatório médico.

coincidência ou não, desapareceu. Portanto, nós não sabemos se ele esteve ali como, na verdade, um preso político, de certa maneira, ou se, de facto, não estava no mundo da cabeça. Mas nunca foi julgado. Portanto, morreu lá num hospital psiquiátrico. E esta instabilidade política que acontece depois do assassinato é, claro, a antecâmara.

nunca mais recompôs o regime, é a antecâmara do Estado Novo e o Estado Novo vai de facto recuperar esta imagem, mas o mais fascinante desta história para além da história do nosso magnicídio, do nosso presidente que foi assassinado, é esta personagem absolutamente fascinante

pouco conhecida hoje, tirando lá no mundo espírita, se calhar, de um homem sem história, sem grande história, lá passa pelos intervalos da chuva, ninguém estava a reparar nele, falava bem alemão, todo o que é, na academia, nisto, naquilo, em Berlim, e que vai, um dia, aparece, tira...

põe a sua farda cinzenta, torna-se comandante supremo das Forças Armadas sem nunca ter passado o posto de major, incrível, e conseguiu, de um dia para o outro, fazer um país inteiro acreditar que tinha chegado para salvar a pátria.

Xiz Vê-se bem Hugo van der Ding Com mais uma voltinha Matilde desde o início Estava ali a guardar a sua devoção E a sua declaração de amor E tu, o que é que tens a dizer de Sidónio Paz? Ameno, nada, só Contexto histórico neste episódio Mas a sinistra, uma figura sinistra

Mas já percebemos que tem paralelos com tantas outras do século XX. Esse print do Zé Cinzento ao homem, ao magno de um país. Do vosso país. Adoro. Adoro.

O episódio e mais um com a Força de Produção na produção O apoio da Bacana Play Ainda também o vídeo da Matilde Cláudia Apaixonada por Sidónio Pais E talvez, quiçá, uma das suas possíveis mulheres Até A locução da Mia Tomé A banda sonora é do Noiserv Regressamos na próxima semana Tchau Vamos viajar na maionese Com Hugo Van Der Ding e Tiago Ribeiro