6º Domingo da Páscoa 2026
Meditação do 6º Domingo da Páscoa 2026, 10.05.2025 (Jo 14,15-21)
“Não vos deixarei órfãos”
Voz do Podcast
- Promessa do Espírito SantoJesus e a despedida dos apóstolos · A promessa de Deus · O dom de Deus · Felipe em Samaria · Pedro e João
- A relação com a Palavra e com DeusCaminho progressivo de transformação interior · Relação mais profunda com Deus · Presença do Espírito Santo
- Sacramento do BatismoDar razão da esperança · Essência do ser cristão · Reino de sacerdotes · Nação santa
- O Amor ÁgapeAmar não é simplesmente obedecer · Sintonia com o outro · Escutar o Evangelho
- Sinodalidade na IgrejaNão ser mais para si · Viver em função dos outros · Despertar a humanidade para Deus · Santo Agostinho
- Honrando a DeusSer separado para Deus · Herança de Deus · Coração pertence a Deus · Preservar o coração de corrupções
- O ParáclitoA voz interior · Defesa em perigo · Conselho e discernimento · Sentido da vida
Não vos deixareis órfãos. Meus irmãos, um bom domingo. Nós estamos no sexto domingo da Páscoa. Nós estamos acompanhando os discursos de Jesus no cenáculo durante a última ceia.
Jesus já falou da sua despedida e aquela tristeza ocupou o coração dos apóstolos, mas ao mesmo tempo aquela tristeza é acompanhada por uma promessa de Deus. Deus vai enviar o seu Espírito Santo e nós não ficaremos abandonados.
Mas este processo para receber o dom de Deus, o Espírito Santo, ele passa por duas etapas. A gente consegue perceber isso quanto na primeira leitura, quanto no Evangelho. Na primeira leitura, nós escutamos que Felipe vai a Samaria, anuncia a Cristo, a Palavra de Deus.
E depois que este povo acolheu a palavra de Deus, vem Pedro e João e impõe as mãos sobre os samaritanos e assim eles recebem o Espírito Santo. No Evangelho, a mesma forma, Jesus diz, aqueles que me amam guardarão os meus mandamentos. E depois de falar dessa obrigação de guardar a palavra, ele diz, e também receberão o paráclito, o Espírito Santo.
Aqui existem então esses dois momentos necessários para receber o Espírito Santo. É um caminho progressivo de transformação interior, ou seja, por meio da fidelidade à palavra de Deus. Quando nós estabelecemos uma relação mais profunda com Deus, Deus vem habitar na nossa alma. E ali nós não nos sentimos abandonados.
Mas ao mesmo tempo, quando nós falamos da presença do Espírito Santo, de não se tornar órfão, significa que nós temos ainda um pai. E nós só temos um pai se nós somos filhos.
E isso nos faz recordar que esse tempo da Páscoa é um tempo de recordar que nós somos filhos de Deus batizados. E é porque nós somos batizados que nós temos a presença do Espírito em nós. É porque nós somos batizados é que nós temos um Pai a quem recorrer.
E é porque nós somos filhos, é que nós temos uma relação estreita e íntima com Jesus, aquele que nos fez filhos. Então, nós precisamos refletir sobre esses dois passos. O primeiro, o amar. Nós sabemos que aqui o verbo utilizado é agapã, ou seja, aquele amor ágape, que faz o bem sem esperar nada em troca.
E essa expressão agapã vai aparecer quatro vezes no evangelho de hoje, ou seja, é quase como um refrão. Jesus insiste nessa realidade porque é necessário estar em plena sintonia com ele.
Amar não é simplesmente obedecer, mas é deixar que o coração pulse na mesma medida do que o outro. Espera a mesma coisa, detesta a mesma coisa, se sacrifica pela mesma coisa. É essa sintonia que o amor de Deus vai gerando em nós. E é por isso que quando nós escutamos a palavra de Deus, nós vamos nos construir, nós vamos construir,
ela vai transformando os nossos sentimentos e é por isso que nós não podemos parar de escutar o Evangelho, porque parar de escutar o Evangelho é parar de ter essa sintonia com o modo de ser da humanidade de Jesus. E depois a outra realidade é receber o paráclito.
Aqui nós temos quanto o verbo chamar, mas a preposição de ir para perto, ou seja, o paráclito é aquele que é chamado para estar do seu lado. É aquela voz interior que está ao nosso lado, que nos defende quando nós estamos para cair no perigo. É aquela voz que está do nosso lado para nos aconselhar diante de um discernimento que precisamos tomar.
ou seja, quem é o órfão é aquele que perdeu o sentido da vida, mas aquele que tem o espírito parácrito ao seu lado, ele ganha sentido na vida, ele ganha um novo modo de olhar para a realidade. Mas, além dessas duas etapas que nós falamos, é interessante nós olharmos hoje para a segunda leitura, tirada da primeira carta de São Pedro.
ali diz que nós devemos dar razão da nossa esperança, ou seja, por que você é cristão? Por que você é batizado? Possivelmente esse trecho da carta de São Pedro era um texto lido nas catequeses que preparavam os catecúmenos para receber o batismo na Virgília Pascal.
E essa catequese aos catecúminos indica qual é a essência do ser cristão. E a grande dignidade do batismo é que nós somos inseridos no reino de sacerdotes.
E o que significa ser sacerdote? Significa não ser mais para si. O sacerdote é um homem que não se pertence. Afinal de contas, um rei não tem razão de ser para si. Ele só é rei porque tem outras pessoas a quem governar.
E assim também é o batizado. A função do batizado é não viver para si, é viver em função dos outros, é querer levar os outros a Deus. Santo Agostinho certa vez comentou essa condição de batizados fazendo uma parábola com um pai que sofria de uma doença do sono.
Então ele caía em um sono profundo e não tinha mais vontade de acordar. E assim era necessário o filho toda hora ficar despertando o pai para que ele pudesse retornar à vida, retornar às atividades cotidianas.
e Santo Agostinho compara essa realidade do filho com a realidade dos batizados, que enquanto os sacerdotes participando dessa vitória de Cristo sobre a morte e desta vida nova, o cristão deve despertar a humanidade.
para Deus. Nós sabemos que a humanidade vai cochilando, vai entrando em um sono profundo, não se lembra mais de Deus, a cultura não reflete mais sobre Deus, a vida, a disciplina das pessoas não refletem mais uma existência com Deus, os símbolos religiosos vão sendo tirados, quando um sacerdote fala na mídia
aquilo que é a moral básica da vida cristã. Já existe uma repercussão imensa sobre isso. E é nesse ponto que nós, batizados, devemos acordar a humanidade. Acorde para Deus. Acorde para os valores do céu.
Mas depois, essa carta de São Pedro, também não vai dizer só que os batizados, eles formam um reino sacerdotal, mas formam uma nação santa. E o que é o ser santo? É ser separado para Deus. Ou seja, Deus nos escolheu para Ele. Nós somos a herança de Deus.
É saber que por mais que nós estejamos no meio das coisas seculares, é o trabalho, são os estudos, são as relações humanas, mas nós estamos no meio de tudo isso, mas o nosso coração pertence a Deus. E quando nós tomamos essa consciência de que nós não vivemos mais para nós, que nós não mais nos pertencemos, porque a nossa vida pertence a Deus, porque foi resgatada e paga por Ele.
Nós preservamos o nosso coração de muitas corrupções e desvios. Isso significa ser uma nação santa. É uma nação que não se desvia, porque pertence a um outro, pertence a Deus. Meus irmãos, peçamos essa graça.
de dar ao nosso coração essa sinfonia com as coisas divinas, para que nós possamos pensar como Deus pensa, amar como Deus ama, falar como Deus fala e esperar aquilo que Deus promete e pensa para cada um de nós. Meus irmãos, tenham todos uma boa semana e Deus vos abençoe, em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Amém.