A beleza tem prazo de validade? Os desafios do etarismo na moda
O Brasil está envelhecendo. Nunca tivemos tantas pessoas acima dos 50 anos, e nas próximas décadas esse grupo representará uma parcela cada vez maior da população, do consumo e da economia. Ainda assim, a moda e a indústria da beleza continuam comunicando um ideal quase exclusivo de juventude, como se envelhecer fosse uma exceção, e não uma realidade compartilhada.
Neste episódio, Fábio Monnerat e Isabela Tedesco discutem como o etarismo ainda estrutura boa parte das narrativas da moda. Falamos sobre a invisibilidade dos corpos maduros, os desafios enfrentados por mulheres na menopausa, as mudanças físicas que raramente são consideradas no desenvolvimento de roupas e produtos e a insistência em associar beleza apenas à aparência jovem.
Mais do que uma questão de representatividade, este é um debate sobre cultura, comportamento e estratégia de mercado. Afinal, o consumidor está mudando mais rápido do que a indústria parece disposta a admitir.
Se a moda sempre se apresentou como um reflexo do seu tempo, talvez tenha chegado o momento de reconhecer que o futuro tem cabelos grisalhos, novas formas de viver o corpo e outras maneiras de compreender a beleza.
Porque o verdadeiro desafio não é vestir quem envelhece. É abandonar a ideia de que a beleza tem idade.