Episódios de Filhas de Narcisa

#22 Sobre Liberdade

08 de maio de 202616min
0:00 / 16:30
Ser uma mulher livre ainda incomoda.
No episódio de hoje, mergulhamos nas contradições que cercam mulheres que falam alto, ocupam espaço, se posicionam e recusam caber em expectativas antigas. Entre humor caótico, referências da cultura pop, realities, artistas e vivências pessoais, conversamos sobre como a liberdade feminina ainda é confundida com exagero, rebeldia ou ameaça.
Por que características vistas como liderança nos homens viram defeito nas mulheres?Por que falar custa tão caro quando quem fala é uma mulher?
Um episódio sobre voz, autonomia, julgamentos sociais e o direito básico de existir sem pedir licença.
✨ Permita-se ser mal vista.✨ Permita-se ser livre.
🎧 Dá o play e vem refletir (e rir um pouco) com a gente.
Não esquece de seguir a gente @filhasdenarcisanoar
Até o próximo episódio!
Participantes neste episódio3
B

Bruna

HostGestora de comunidade
M

Mary

HostContadora de histórias
T

Tami

Host
Assuntos6
  • Mulheres Livres IncomodamLiberdade feminina confundida com exagero · Julgamentos sociais sobre mulheres · Voz e autonomia feminina · Diferença de tratamento entre homens e mulheres
  • Exemplos de Mulheres FortesAna Paula Renou · Carol Conká · Juliette · Solange · Viola Davis · Michelle Obama · Angela Bassett · Erika Hilton
  • Direito de Ser Quem Você ÉSuperar o medo de ser espalhafatosa · Desafiar estruturas antigas · Ser intensa e difícil · Ser livre e gentil consigo mesmo
  • Mulheres e a Expressão da DorShakira e sua separação exposta · Miley Cyrus e Liam Hemsworth · Traição masculina vs. feminina · Sertanejo universitário e traição
  • Imprevisibilidade e ControleMedo masculino de mulheres livres · Medo feminino de violência · Sociedade teme mulheres livres
  • Desafios da Mulher PretaRacismo em realities · Encontrar lugar no mundo
Transcrição45 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O podcast de hoje não pede opinião e nem pede licença, assim como nós, mulheres livres. Humor caótico, desabafos do dia a dia e ironia sobre a vida adulta. Eu sou a Tami. Eu sou a Mari. Eu sou a Bruna. E nós somos as Filhas de Narcisa. Filhas de Narcisa.

Mas vamos lá, uma pergunta direta.

Por que uma mulher livre incomoda tanto? Bom, porque ser livre, fazer suas escolhas e querer o melhor pra você é confundido com rebeldia. E às vezes até ameaça. Pesado, hein? Uma mulher que fala o que pensa, que decide a sua própria vida, tende a ser bem mal interpretada, né? A gente tem alguns exemplos por aí. Difícil, exagerada, intensa, brava, barraqueira. Isso daí por diante. Só vai descer nos adjetivos.

A ladeira só desce.

Mas é verdade. O que é curioso. Porque as mesmas características que os homens têm, e são essas, de ser forte, de falar alto, são confundidas com liderança pra eles. São determinação. Mas pra gente, a gente é só barraqueira. Eu acho que você tá errado, hein? Os homens questionadores, nossa. Líder ele, nossa. Inteligentes. Inteligente, coach o caralho. Agora, se você questionar,

Tá caçando? Tá caçando assunto. Já não é mais tão feminina assim. Mulher feminina tem que falar baixo. Mulher feminina não expõe opiniões. Mas quem foi que disse que a gente precisa disso tudo pra ser feminina? Ser mulher não já é ser feminina? É a gente que se lasca nessa, né? Ô, pelo amor de Deus. É difícil ser mulher.

E se a gente começasse a dar alguns exemplos reais? Sabe aqueles exemplos que tipo assim, poxa, essa mulher, ela tem uma voz altiva, ela fala o que ela pensa, e isso me faz eu me identificar, mas eu tenho certeza que essa mulher é mal vista? Você já se deparou com alguns exemplos assim? Todo dia. Bom, o primeiro exemplo é ela entrou num reality e foi taxada de barraqueira, exagerada, quer ser amiga de todo mundo, falsa.

Muito real. E, na verdade, é que no fundo, ela fazia a coisa mais simples do mundo, que eu acho que era isso que gerava incômodo. Ela falava. É, e falar pra você quando é mulher custa caro, né? Porque qualquer coisinha que você fala, eu vou com certeza usar contra você.

Tudo é motivo de se tornar pejorativo quando uma mulher fala. Eu nunca vi na minha vida. Sabe aquele negócio que eu falei em alguns episódios atrás, da balança? Mais um ponto em que a balança não pesa ao nosso favor, né? A gente pode até aceitar outro nome, né? Porque esse primeiro, se você ainda não pegou aí do outro lado, a gente tá falando da Ana Paula Renou. Com certeza.

Mas tem outra que também marcou aí uma galera e também participou de reality. Tem outras, né? Um monte de mulher. A Carol Conká, a Juliette, quem mais? A própria Solange. Tudo bem que houveram episódios em que ela se destemperou, digamos assim. Mas na primeira edição em que ela participou, além dela ter sido absurdamente...

eu acho que não tem nome, não tem um adjetivo suficiente para o que ela passou em relação ao racismo lá dentro, que é uma pauta que precisava ser dita e debatida, que gerou muitos gatilhos para ela nesta edição, ela também teve sua voz calada por ser mulher.

Isso é muito doloroso. Imagina quanto gatilho essa mulher não teve, voltando agora. Tudo bem, são muitos anos depois. Mas ainda assim, o nosso subconsciente, não exatamente, vai saber lidar com isso, né? É necessária a terapia que a Bruna sempre fala. Sim, e quando você não muda para caber num lugar, isso incomoda muito mais ainda. E agora, puxando um ponto muito importante que a gente não falou ainda...

Deve ser um desafio maior ainda para uma mulher preta tentar encontrar o lugar, tá ligado? Nesses realities e programas em qualquer lugar do mundo, né? Eu concordo. Eu sou muito fã de trabalhos de mulheres, né? E algumas dessas mulheres que eu sou fã, por exemplo...

É a Viola Davis. Eu sou completamente obcecada pelo trabalho dela e pela pessoa dela. Eu acho ela uma mulher fantástica de voz, sabe? Eu gosto muito da Michelle Obama. Acho ela muito determinada e a postura dela. Às vezes ela não precisa falar.

Só de ver, olhar para ela, você sabe exatamente que ela está transmitindo algo. E aquele algo vai impactar outras pessoas. E eu acho que eu vou falar o nome dela errado, porque é minha pronúncia, não é lá, beleza. Eu digo Angela Basset. Algumas pessoas dizem Angela Bassett.

que fez a mãe do T'Challa, Pantera Negra. A Angela Basset, por exemplo, ou Angela Bassett, né? Eu acho ela uma mulher muito empoderada, porque a postura dela nos diz isso.

E enquanto nós, mulheres, achamos essas mulheres empoderadas, e eu posso citar inúmeras outras, mulheres pretas, mulheres brancas, mulheres gordas, mulheres brasileiras, mulheres de outras nacionalidades, para nós, a postura que elas têm é empoderamento, mas para os homens é uma ameaça, é quase uma afronta o fato de elas terem esse posicionamento e serem reconhecidas. É uma mulher desse posicionamento que sofre até, sei lá o que, é a Erika Hilton.

A mulher, ela faz tudo. Ela entrega tudo pra gente. Ela defende a gente de um jeito que... A Erika, ela não... Ela não leva desaforo pra casa, tá ligado? A Erika não leva. Olha, na moral, se tem mais alguém que trabalha como essa cidadã trabalha, tá difícil de achar. Porque, poxa, toda semana a gente vê ela comentando um caso importante, ela se posicionando sem medo.

Ela falando sobre pautas que as pessoas não querem falar. Enquanto os outros estão colocando areia ali em cima para disfarçar, ela vai lá, levanta e se posiciona. E isso é fantástico. E é a que mais leva xingamento. É a que mais leva esculacho. Mas sabe por quê? Porque ela fala.

Mas nem só de tristeza vive o nosso tema, não é verdade? É, e como a gente falou da Erica Hilton, que é uma mulher que transformou a dor em posicionamento, agora a gente vai falar sobre isso. Isso aí. E ninguém melhor pra ser um exemplo do que a queridíssima que abalou Copacabana, né? Neste último final de semana aqui, Shakira. Ela... Desculpa. Eu sabia que você ia cantar.

Cara, ela teve uma separação. Cara, isso é muito pesado. Ela teve uma separação exposta. E o que foi que ela fez com tudo isso? Ela transformou em algo, não é mesmo? Falou, cantou, se posicionou, dançou, rebolou. Levou dois milhões de pessoas pra Copacabana. É isso. E o Piquet fez o quê? Quem que é Piquet?

Não, pique não. O ex-marido da Shaquille. Aconteceu a mesma coisa com a Miley, né? No verdade, a diva. É Liam Hemsworth, né? É Liam Hemsworth, o ex dela. Eu só lembro dele, porque além de ele ser ex da Miley. O ex da Miley. O ex da Miley. O ex da Miley. Ele é... O irmão do Thor. Além dele ser ex da Miley, ele é... O irmão do Thor. Que horror, meu Deus.

É isso, é assim que a gente trata esse tipo de gente. Com certeza. Mas você já parou pra pensar que a Shakira, no meio de tanta dor, tanta coisa assim, as pessoas não foram bondosas com ela. Olharam pra ela e disseram que ela era exagerada, vingativa, desnecessária. Cara, ela fez uma música pra lidar com a dor dela, porque é o jeito que ela sabe se expressar, com arte.

E a galera foi lá, taca pedra na mulher, mano. É, mas ninguém fala isso quando o homem trai, né? O homem, quando ele trai, ele é o Deus, ele é o fodão. Um garanhão. Mesma coisa ao Yuri, que traiu a Isa grávida, mano. Os caras, eles... E ganhou mais seguidor ainda, mesmo assim, traindo a mina. Igual o Neymar. Ninguém sabia quem ele era. Todas as vezes que ele fez merda, e os caras tá babando o ovo do cara ainda.

No caso do Yuri, ninguém sabia quem ele era. Ele ficou sendo conhecido depois do relacionamento com a Isa. E mais conhecido, infelizmente, após esse episódio, né? Que foi a traição. E o Neymar, bom, todo mundo já conhecia, né? Mas, assim, os casos expostos de traições. Um exemplo é a criança, né? Lindas criancinhas, são lindos os bebês. Mas, assim, são crianças com idades muito próximas, tirando o primeiro filho.

que ele já estava num relacionamento, né, Moris? Fica um pouco complicado. E a gente precisa falar um ponto importante. As mulheres quando fazem músicas sobre traição, são exageradas. Mas o sertanejo universitário está vivendo da traição há muito tempo. Não estou entendendo? E a maioria são homens. Que é liberdade feminina, Fia.

Eu ia falar que ela só é aceita quando é silenciosa, mas eu acho que nem quando ela é silenciosa, tá ligado? Eu acho que a gente não pode fazer nada. A gente sempre vai ser julgada, sempre tem que estar com a cara lá pra esperar o socão no meio da boca, porque é isso que a gente tem pra receber.

exatamente, uma mulher que fala independente do cenário em que ela está, incomoda mas sabe por quê? porque uma mulher livre quebra expectativas, a gente não aceita menos, a gente não quer se moldar, não quer se diminuir, a gente não vai fazer isso porque o mar manjão quer, ai não porque

Ai, ela tá gorda, ela tá... Nossa, descabelada, ela não fez a unha. Me poupe. Ah, se a gente for chorar, manda áudio. Fala sério. A verdade é que a gente tá super disposta a desafiar as estruturas antigas. Sabe aquelas que a galera mais velha vivia e naquela época podia ser até tolerável pra sociedade? Mas hoje a gente já não se cala mais.

E tem gente ainda que espera que as mulheres sejam comportadas, delicadas, discretas, submissas, previsíveis. Eu já me perdi ali naquela parte discreta. Essa palavra não pode me descrever, não é mesmo? Eu já estava ali banida. Não pode nos descrever, amiga, meu cabelo é azul.

É verde, né? Porque agora... O seu cabelo é verde. Você ri alto e fala o que pensa. Eu sou espalhafatosa. Aonde eu chego, as pessoas sabem onde eu tô. Mas sabe qual que é o problema, Tami? É que quando uma mulher é livre, ela se torna imprevisível. E as pessoas não estão acostumadas com essa imprevisibilidade. Eles querem que as mulheres sejam previsíveis, porque uma mulher é previsível.

ela pode ser dominada, né? É mais fácil assim. É, não dá pra controlar, né? E isso costuma assustar o pessoal. É aquela famosa frase. Os homens têm medo que as mulheres riam deles. E as mulheres têm medo do quê? Que eles nos matem. É isso.

Exatamente. A Ana Paula Renou citou uma frase, eu costumava ler bastante em algumas passagens, eu não sei de quem é essa frase, então aqui fica, se alguém souber, comente por favor. A sociedade, as pessoas temem uma mulher livre, sejam elas bruxas?

É uma coisa assim, não é? Tem uma frase, eu vou até procurar essa frase, porque, cara, isso vai estar na minha lápide muito facilmente, sabe? Eu fico pensando nisso porque, quando mais nova, eu tinha muito medo de ser quem eu sou.

E eu digo isso de uma forma com muito respeito hoje por mim mesma. Mas quando mais nova, eu tinha muito medo de ser quem eu sou porque eu sempre fui muito espalhafatosa. Eu sempre fui muito de rir alto, de brincar. Eu nunca fui o tipo de pessoa tímida.

Tem situações muito específicas para que eu seja tímida. E isso é uma coisa que eu via que nem todo mundo via com bons olhos. E eu só entendi mais velha que é porque eu sou mulher. Porque os meninos da mesma idade que eu, às vezes até mais velho, tinham brincadeiras ridículas que às vezes faltavam com respeito com as pessoas. Mas era aceito. Então hoje, mais velha já, aqui beirando os 30...

A gente começa a enxergar as coisas com outra visão, outro ponto de vista aqui, entendeu? Eu tenho o direito de ser quem eu sou e amar quem eu sou. A gente começa a acordar, né? A ver, tipo, pô, isso não pode dar certo. Como que... Qual o sentido disso, cara? Por que só minha mãe tá lavando louça e meu pai tá sentado no sofá?

Começa por aí. Cara, e se eu falar pra você que lá em casa minha mãe nunca deixou? Amiga, sua mãe é um ponto fora da curva, né? Também vamos combinar. Mas assim, eu acho que a liberdade não deveria ser polêmica. É só o básico que a gente... Direito básico, necessidade básica, ser livre, poder andar na rua, poder usar roupa o que quer, tá ligado?

E tá tudo bem. E como diria Ana Paula Renaud, permita-se ser mal vista, porque, ah, se te chamarem de intensa ou de difícil... Seja intensa e difícil. Seja o que você quiser.

Lembrando que você está no seu direito. É, faz o que você quiser. Se estão falando que você é intensa, que você é difícil, que você é grossa, continue e piore. Piore não, mas amplie esse sentimento nas pessoas, tá ligado? Foi tipo assim, se você fez sem merecer, volte lá e mereça, tá ligado? Exato, eu penso desse jeito. Falo, pô, ah, se tá reclamando assim, então vai piorar.

Isso é verdade. E no fim das contas, seja sempre gentil consigo mesmo e seja gentil com quem é gentil com você. Mas seja livre. Permita-se ser livre, permita-se ser mal visto, mas nunca perca a sua própria gentileza no caminho.

fale alto mesmo, dê risada alto, grite, reclame seus pontos, permita-se reclamar, permita-se falar alto, permita-se fazer o que você quiser, porque você pode fazer o que você quiser.

E esse é o ponto mais importante. Saber que sim, você pode. E tudo bem sem incomodar. E por favor, incomode. Porque o mundo precisa de pessoas que incomodem. Porque se o incômodo não existe, o mundo não sai do lugar. Você tem um ponto. Bom, se esse episódio te fez pensar... Ou se reconhecer... Compartilha com outras mulheres. Inclusive, consuma conteúdo de mulheres. Assista mulheres, leia mulheres.

apoie mulheres inclusive apoie esse podcast que é a dica aí nós agradecemos, é verdade quem ainda não entendeu que a gente pode fazer o que quiser manda esse episódio pra essa pessoa esfrega na cara dela, fala assim cria vergonha na cara, filha você já tá seguindo as filhas de Narcisa? ainda não? então escuta aqui porque você tá precisando entender que você pode se incomodar esse foi o episódio de hoje já segue lá no arroba filhas de Narcisa no ar e até semana que vem beijo!

Você acabou de ouvir As Filhas de Narcisa. Este podcast é um projeto independente. Ajuda nós seguindo nas redes sociais. Arroba Filha de Narcisa no ar em todas as redes. Obrigada por dividir esse tempo com a gente. Estamos em todas as plataformas digitais. Até a próxima conversa.