Episódios de Filhas de Narcisa

#21 Sobre Ciclos

01 de maio de 202615min
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Algumas coisas não acabam de repente.Elas vão deixando de fazer sentido… até começar a doer.
Neste episódio, conversamos sobre os ciclos que chegam ao fim, relacionamentos que terminam antes do término, amizades que mudam sem aviso, trabalhos que já não cabem mais em quem nos tornamos e o medo de ir embora mesmo sabendo que algo acabou.
Crescer é aprender a reconhecer quando já não pertencemos mais a um lugar.
Se você já sentiu aquele desconforto silencioso “eu não caibo mais aqui”, esse episódio é pra você.
🎧 Dá o play e vem refletir (e rir um pouco) com a gente.
Não esquece de seguir a gente @filhasdenarcisanoar
Até o próximo episódio!
Participantes neste episódio3
B

Bruna

Co-hostGestora de comunidade
M

Mary

Co-hostContadora de histórias
T

Tami

Co-host
Assuntos5
  • Início da carreiraTrabalhos que perdem o sentido · Cansaço emocional e físico · Falta de valorização e crescimento profissional · Medo de deixar um emprego consumista
  • RelacionamentosProcesso gradual de término · Desconforto e dor ao aceitar o fim · Medo da mudança e acomodação · Falta de esforço e comunicação
  • AmizadeAmizades que mudam sem aviso · Distância e esforço na manutenção · Dificuldade em terminar amizades formalmente · Culpa e questionamento ao se afastar
  • AutoconhecimentoReconhecer quando não se pertence mais a um lugar · Priorizar o bem-estar e as próprias necessidades · Aceitar o sofrimento conhecido em vez do desconhecido · A importância da terapia no processo de mudança
  • Luto e transição de ciclosO luto antes mesmo do fim acontecer · A dor da decisão e a culpa · Perda de planos e memórias futuras · A sensação de não saber quem se é sem o outro
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Algumas coisas não acabam de uma vez. É um processo gradativo. Para de fazer sentido e muitas vezes começa a nos fazer mal. E a gente nem percebe. Continue empurrando com a barriga. Ninguém avisa. Não chega um e-mail da vida falando. Parabéns. Esse relacionamento venceu.

humor caótico, desabafos do dia a dia e ironia sobre a vida adulta. Eu sou a Tami. Eu sou a Mari. Eu sou a Bruna. E nós somos as filhas de Narcisa. Filhas de Narcisa. Tum-tum.

Nossa, seria ótimo se viesse um aviso, né? Tipo, atualização do sistema. Essa fase já não é compatível com você. Seria só mais uma atualização pra gente ignorar, que eu tenho certeza. Lembrar mais tarde, ponto. E é isso, gente. Hoje a gente vai falar sobre isso, sobre ciclos. Quando amizades mudam, quando relacionamentos acabam, o trabalho perde sentido e aquele momento estranho que você percebe. Eu não caibo mais aqui.

É, esse assunto é pesado, gente. É, eu acho que o ciclo nunca acaba do nada. Ele começa a incomodar, e aí você começa a voltar cansada de lugares que antes era o motivo de você estar energizado, né? Você tá ali e pensa, por que eu tô me sentindo deslocada na minha própria vida?

E a gente fica procurando justificativa, né? Não, é só a fase. Não, eu tô cansada. Só tô estressada com o trabalho. Mas às vezes não é esse tipo de BO. Às vezes acabou mesmo e é isso. Vida que segue. Às vezes é o fim.

Esse é o problema. Aceitar que é o fim dói muito. Porque tudo que acaba parece que a gente tá sendo ingrato. É, parece que a gente sempre podia fazer mais, né? Exatamente, parece que a gente sempre podia fazer mais. E na realidade, às vezes, só não dá mais pra fazer. Não dá pra passar por cima dos seus limites. Isso eu digo em relacionamentos amorosos e relacionamentos, né, amizade também.

É, trabalho, entre tudo Trabalho também Quando você chega no seu limite, né? Doloroso, falar sobre isso é muito cruel Mas é muito real, hoje a gente tá lidando Com fatos cruéis

Gente, eu posso falar uma coisa muito séria. Uma polêmica, talvez. O relacionamento, ele acaba muito antes do término oficial. É um processo. É. Gradativo. Que vai acabando. Ah, mas é verdade. De verdade. É verdade. Acaba e você começa a parar de fazer coisa junto.

Você começa a não pensar mais na pessoa, você muda suas prioridades. Você começa, você tá ali junto, mas como se você estivesse vivendo sozinho. A Bruna falou alguma coisa sobre empurrar com a barriga, não é? É esse o momento. Tipo, você viver junto, mas separado. Já não faz mais sentido estar junto. Às vezes tá cômodo, porque, tipo, ou vocês, por exemplo, vocês dividem aluguel. Pra vocês separarem, pra cada um ir pro seu lugar, vai ficar pesado pras duas pessoas. Pessoas...

Às vezes, tipo, é mais fácil ficar ali junto, aguentando tudo que tá acontecendo, do que abrir espaço pra mudança. Porque a gente tem medo de mudança, e a gente sabe disso. É, e assim, eu acho que quando a gente quer, a gente muda algo na vida.

Então, se você tá com um problema num relacionamento, numa amizade, que você fala, fala, fala e as coisas não mudam, não tá tendo o esforço da outra pessoa, né? E é onde você acaba evitando discussões. Você acaba se filtrando.

E aí você fala, ah, isso aqui não vale a pena. Você vai se priorizando pra evitar grandes discussões. E é isso, né? Tipo, vai virando um esforço e você acaba levando com a barriga por muitos anos, né? Isso é muito comum em relações muito longas e relações dos nossos pais, né? Antigamente. Isso acontece muito.

Não tão antigamente assim, atualmente também acontece. Eu costumo dizer que quando o outro não muda, quem muda sou eu. Isso se aplica a tudo, a todas as coisas em qualquer área da minha vida. E foi muito difícil chegar a essa conclusão, porque tudo, quando vira muito esforço, deixa de ser real.

deixa de ser natural. É, e faz parte do luto como se fosse, por exemplo, uma pessoa tá doente. A gente sabe que aquela pessoa, uma hora ela vai partir. Aí você já começa a se acostumar com a situação, a não ligar mais pra pessoa, não compartilhar mais a sua vida com ela. É, é um processo de luto, né? Mesmo você amando a pessoa. Um processo de luto, mesmo amando a pessoa.

Mas você já vai colocando esse processo de luto, você vai entendendo que não tá funcionando mais. Não tá funcionando. Deu por hoje. Hoje não, Faro. Ninguém é vilão da história.

Só não cresce mais junto. Só não tem mais aquela... É, a palavra bonita que a gente não gosta de falar, mas é a realidade. Não tem mais o tesão de estar junto. E não tô falando do lado sexual. E é muito comum, né? É muito comum, mas muitas vezes uma amizade, ela, tipo, se não tem muita treta, ela não acaba. Não que acaba assim.

Eu, por exemplo, eu tento manter contato com todas as pessoas que eu considero meus amigos. Mesmo, tipo, se eu não falo há 500 anos, uma hora eu vou achar uma foto, vou falar, ó o que eu achei. Pronto, é isso que acontece. Mas eu acho que a amizade, a distância, faz a amizade acabar. Tem casos, não só treta. Eu acho, não sei, posso estar falando bosta. As minhas melhores amigas são de outros estados.

Ah, não, não distância de local. Não, tipo, distância mesmo. Porque, assim, tem uma que a gente passou meses, assim, sem conversar. E quando nós retomamos o assunto, tipo, a conversa, parecia que a gente nunca tinha se afastado. A gente tem 18 anos de amizade. Isso é muito louco, sabe? Então, eu acho que depende de pessoa pra pessoa, do nível de entrosamento. E é como a Bruna citou, depende também do esforço de duas pessoas.

É, e também não tem como a gente sentar e terminar uma amizade igual um relacionamento, tá ligado? Que a gente começa como? Pra ter, no caso de amizade, você vai pegar e vai colocar os pontos. É igual um relacionamento amoroso. Você vai colocar os pontos, ó, não tá legal isso, não gostei disso, Tamiris faz muito bullying comigo, não aguento mais. É, por exemplo, isso. E você não vai falar, Tamiris, não quero mais você. Você não vai falar isso porque você tem uma consideração. Ou se a Tamiris não mudar. É, se a Tamiris não mudar, você vai se afastar.

ou foda-se, Tamires, nunca mais. Não quero saber, não mudou, foda-se. Tchau, tchau, abraço. Agora falando sério, gente, uma questão pessoal aqui. Eu tenho uma facilidade muito grande de me afastar de amizades. Eu coloco literalmente na balança e eu já me afastei de algumas pessoas da minha vida que eu achava que era super importante, assim. E tipo, eu tava numa estante da vida da pessoa, lá embaixo.

Melhor, eu tava na gaveta dela. Então, eu tenho essa facilidade com amizades. O meu problema já é o contrário. Qual? Eu tô na estante lá embaixo, que eu sempre imagino que eu tô no pior lugar da consideração das pessoas. Mas eu boto meus amigos na primeira linha da estante. Você fala, porra. Porque, mano, eu sou muito filha da puta.

Eu tenho foto, eu tenho pastas no meu drive com o nome de cada amigo, assim. Sabe por que você faz isso? E é uma coisa, tipo, muito comum? Porque, no fim das contas, quando a gente se afasta de quem é amigo, que a gente considera, que a gente tem algum nível de consideração, bate uma culpa na gente.

A gente fica perguntando, será que a gente abandonou aquela pessoa? Ou será que valeu a pena terminar aquela amizade? Por mais que você seja muito decidida no que você faz, em algum momento você se questiona. Seja num momento de crise de ansiedade, ou seja num momento que você só tá sozinho ali, o seu cérebro, ele dá uma traída. E aí, a gente abandonou ou não? Tá tudo certo.

Eu sempre espero ver o melhor do outro, porque eu sempre entrego o melhor pro outro. Então, por exemplo, eu tô infernizando a vida de vocês por causa disso, porque eu gosto muito da companhia de vocês. Então eu quero fazer um rolé de senhorinhas no meu aniversário, mesmo que já tenha passado. Entende? É a sensação de você se sentir acolhido. E eu sei que, assim, já passou o meu aniversário, mas pra mim é importante. Eu sou apaixonada por aniversários. Eu adoro aniversários.

Existe uma criança dentro de mim que é feliz fazendo aniversário. E eu alimento ela. E ter você esperto vai ser muito bom pra mim. Vai ser muito importante. Então, mas amiga, o problema é que eu fui repetindo isso várias vezes durante os anos. Nem todo mundo aprende na primeira, Tamirise. Tá tudo bem? Essa questão de anos, todo mundo passa, né? A gente sempre acredita no melhor do outro. A gente sempre acredita que o outro vai nos tratar da forma como a gente gostaria.

E a partir do momento que você entende, tanto amorosamente quanto amizades assim, que o que você merece tem que ser respeitado, tem que ser validado, aí é onde vocês acabam acordando pra vida e rompendo amizades, relacionamentos.

Você precisa se conhecer pra desconhecer o outro. Isso tanto relacionamento quanto amizade. Então fiquem com essa bomba. Não doa, fã, não. Chanda bem, não chanda. E tá tudo bem amar alguém. E mesmo assim, não caber mais na mesma vida. Na vida da pessoa. Você tem que seguir a sua vida. São suas escolhas. Tem que saber o que é melhor pra você. Sentiram os tapas?

para, para, para, para tudo agora a gente vai falar do ciclo mais difícil de encerrar ele envolve muitas coisas além do seu bem estar e sabe o que? a gente vai falar de trabalho você falou em ciclo doloroso envolver muita coisa querendo ou não, ele envolve o que você vai comer, onde você vai morar o que você vai vestir resumindo, boleto o que você vai vestir

A gente tá rindo, mas é pra não chorar, fala a verdade. É, mano, porque, pelo menos na minha opinião, tá, é muito difícil terminar um relacionamento, é muito difícil terminar uma amizade, mas, mano, deixar um trampo que te consome.

Sendo que você precisar dele é pior ainda. É, porque não é um cansaço só físico, é emocional. Tipo assim, você chega lá, você entrega tudo de si. Mas parece que as coisas vão desaparecendo, vão parando de fazer sentido. O fato de você ter que ir até aquele lugar ou ter que fazer aquela coisa, né? É, muda.

Não é o lugar que muda. Às vezes muda, porque troca de gestão e etc. Mas às vezes é você. Você é que não cabe mais ali. Você perdeu o tesão de fazer aquela coisa. Às vezes porque você não é valorizado. Às vezes porque você só está em outro momento mesmo. É muito difícil você permanecer onde você não cresce, porque você é obrigado a se interromper. Complicou, hein? Joguei pesado agora, hein? Pausa dramática. Nossa!

É, a gente fica onde dói porque sair assusta mais, porque você não sabe. Por exemplo, você tá confortável, acomodado no seu trampo. Aí você fala, pô, vou procurar outra coisa pra ter mais BO, pra ter BO que eu não conheço, que eu não sei resolver, que eu preciso aprender a resolver. Será que vale a pena? O mesmo serve pra amizade. Você vai fazer uma amizade nova com alguém que você não conhece, você não sabe o que te espera. E às vezes você se acomoda. É o quentinho ordinário. Recebe a patada, mas aquela patada você conhece.

E na realidade, com um ano de terapia certinho na minha vida, eu entendi que a gente acaba preferindo o sofrimento conhecido, de fato. É muito mais cômodo pra nós isso. Só que você tem que ter muita frieza de querer mudar isso. Eu concordo, mas aí veio o pensamento.

E se eu estiver errada? Porque você pode querer sair, mas você sempre vai se perguntar. Porque esse é o problema dos relacionamentos complicados. A gente sempre está errado? O outro sempre está errado? Existe um vilão na história? Não, e às vezes a gente até se pergunta. Será que se eu permanecer aqui, eu estou perdendo alguma coisa?

Eu não posso estar vivendo algo melhor? Porque aí já entra um luto antes do que aconteceu. Você não sabe se quer terminar, mas você acha que existem possibilidades para fora. Aí você já começa a remoer isso e vira uma catástrofe. E esse é o problema. A gente está disposto a viver a catástrofe? Porque mesmo quando é a gente que decide, nós tomamos as rédeas da nossa vida, o luto dói. A decisão final, quando é nossa, ainda assim dói.

Muitas vezes é mais fácil aceitar do outro, né? Foi o que a gente falou no episódio de opinião. A gente acaba se moldando em cima do outro, querendo, como fala? Validação do outro, pra gente não ter culpa de nada, pra gente não precisar resolver nada. Pra se der errado, a gente não ter... Peso. É, culpa, né? Não ter peso. Gente, mas dói, não tem como. Você tem que estar muito firme pra não doer.

É impossível não doer, porque você não perde só a pessoa, as pessoas, né, em geral. Você perde planos, você perde tudo que você imaginou pro futuro, coisas que você conquistou. Então, tipo, as memórias. Isso dói, não tem como, realmente, né? A gente acaba ficando presa nesse luto de ciclos, né? De amizade, amoroso. É muito complicado isso.

E outra, você tá acostumada a ser uma pessoa com aquela pessoa. Como se aquela pessoa fosse uma extensão sua, ou você é a extensão dela. Se essa pessoa vai embora, quem é você? Falo isso por relacionamentos longos. Eu tô com o Carl faz 15 anos. Se um dia a gente terminasse isso acontecer, eu não sei quem eu sou. E eu imagino que ele também não saiba. Mas é isso, né? Crescer.

Ser adulta muda tudo. Que a gente tem que ter maturidade pra perceber que os lugares não ficam ruins. Quem que muda é a gente. Que os lugares não ficam ruins. Só ficaram pequenos pra gente ou pra quem você se tornou. É isso aí. E aí, isso dói. Mas liberta muito, viu? É tipo trocar de roupa que não serve mais. Você amava aquela roupa. Mas ela não fecha mais. Ela não cabe mais em você. Nem todo fim é perda.

Às vezes, é só a vida abrindo espaço pra você caber em si mesma. E você tem que se priorizar, gente. E você que tá ouvindo a gente, conta aqui. Qual ciclo que você percebeu que precisava encerrar? O que é que precisou acabar pra sua vida andar pra frente? O que precisou terminar pra você se conhecer? Ação, terapia. A terapia ajuda pra caramba nesse processo, hein? Até semana que vem, gente. Valeu! Beijo!

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