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Júri condena Jairinho por morte de Henry; Brasil tenta reverter tarifaço; PIX na mira dos presidenciáveis

04 de junho de 202625min
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Você vai saber no Panorama CBN da manhã que o Tribunal do Júri condenou Jairinho pela morte de Henry Borel, mas concedeu perdão judicial à mãe do menino, Monique Medeiros. A diplomacia brasileira tenta reverter o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O PIX está no centro do debate político e vira tema da corrida à Presidência da República. Entidades civis vão ao STF contra projeto que restringe o acesso ao aborto legal para crianças vítimas de estupro. Seleção Brasileira segue a preparação em Nova Jersey para a disputa da Copa do Mundo.

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Participantes neste episódio3
P

Pedro Bonnenberger

HostJornalista
B

Bianca Santos

ConvidadoJornalista
L

Leandro Gouveia

ConvidadoJornalista
Assuntos7
  • Morte de Enrique BorelJairinho · Monique Medeiros · Henry Borel · Tribunal do Júri do Rio de Janeiro · perdão judicial · homicídio duplamente qualificado · tortura · coação no curso do processo
  • Contexto Político-EleitoralPIX · Banco Central · Jair Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Donald Trump · soberania nacional · empresas de cartão de crédito
  • Tarifas EUA contra BrasilEstados Unidos · Donald Trump · Luiz Inácio Lula da Silva · Mauro Vieira · Jameson Grier · Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico · taxas de importação · práticas econômicas injustas
  • Descriminalizacao AbortoSupremo Tribunal Federal · aborto legal · crianças vítimas de estupro · Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente · Senado · Câmara dos Deputados
  • Preparação para a Copa do MundoSeleção Brasileira · Copa do Mundo · Nova Jersey · FIFA · CBF · Carlo Ancelotti · Marquinhos · Gabriel Magalhães
  • Pressão dos EUA sobre Israel e LíbanoIsrael · Líbano · Donald Trump · Benjamin Netanyahu · Hezbollah · Irã · cessar-fogo
  • Copa do Brasil: Oitavas de finalCopa do Mundo de 1930 · Diário da Noite · Italcable · Eduardo Pousada · transmissão radiofônica · transmissão televisiva
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PBPedro Bonnenberger

Em destaque no Panorama CBN: Tribunal do Júri condena Jairinho pela morte de Henri Borel e concede perdão judicial à mãe do menino, Monique Medeiros. Diplomacia brasileira tenta reverter o novo tarifácio imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. PIX entra no centro do debate político e se torna tema da corrida à presidência da República. Entidades civis vão acionar o STF contra projeto que restringe o acesso ao aborto legal para crianças vítimas de estupro.

Seleção Brasileira segue a preparação em Nova Jersey para a disputa da Copa do Mundo. Hoje é quinta-feira, 4 de junho de 2026. Oi amigos, eu sou o Pedro Bonenberger, te faço companhia. Faz companhia para vocês aqui nesse feriadão de Corpus Christi. Um bom descanso a quem tá de folga, bom trabalho a você que tá a caminho dos seus compromissos. Nós vamos juntos com as principais notícias do dia em menos de meia hora. O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou na madrugada dessa quinta-feira o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, pela morte de Henri Borel.

A pena total pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo foi fixada em 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. A Monique Medeiros, a mãe do menino, teve acusação de homicídio doloso desclassificada pelos jurados para homicídio culposo. E apesar disso, gente, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu o perdão judicial pelo crime. A Monique foi condenada por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho.

A pena estipulada foi de 1 ano e 4 meses de prisão, mas como ela já tá presa bem mais tempo que isso, a sanção foi considerada já cumprida. A magistrada afirmou que a morte do filho e os ataques sofridos ao longo dos últimos 5 anos já impuseram uma enorme dor, um enorme sofrimento contra essa mulher. A leitura da sentença, nessa leitura a juíza considerou que as acusações contra Monique são resultado de misoginia.

?Voz B

Se fosse o pai e não a mãe na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado, como é a regra nos processos de igual natureza. É que o papel culturalmente reservado à mulher nos moldes patriarcais não só dela exige ser mãe, Mas muito além, a mãe perfeita. Mãe suficiente não basta. Desde a investigação, Monique não mereceu o benefício da dúvida e ao longo do processo, embora fosse apontada como "mãe zelosa" e não ter sido acusada de infligir diretamente agressões físicas a seu filho, a revolta evoluiu rapidamente para franco massacre nas redes sociais. com ataques muito mais virulentos do que aqueles dirigidos ao autor direto.

PBPedro Bonnenberger

Você se lembra desse caso, com certeza. O Henri Borel morreu no dia 8 de março de 2021, com 4 anos de idade, após dar entrada no hospital na Barra da Tijuca, aqui no Rio de Janeiro, com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória. Segundo a denúncia do Ministério Público, esse menino foi submetido a agressões dentro do apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto na zona oeste do Rio. A sentença foi lida por volta de 1 da manhã desta quinta-feira, um julgamento que já durava 10 dias e já é o mais longo da história recente do Tribunal do Rio de Janeiro.

Durante todo o processo, a acusação sustentou que Jairim submeteu Henri a sucessivas agressões que culminaram na morte da criança e que a Monique, a mãe desse menino, ela tinha conhecimento dessas violências praticadas contra o filho. As defesas negaram as acusações. Os advogados de Jairinho defenderam a inocência dele e questionaram a investigação. Já a defesa de Monique sustentou que ela não tinha conhecimento das agressões e que também foi vítima de violência psicológica e manipulação dentro dessa relação com Jairinho.

Depois da sentença, o Ministério Público do Rio e a defesa de Jairinho afirmaram que vão recorrer da decisão. Outro assunto de hoje é o tarifaço. Olha, a diplomacia brasileira tenta agora adiar ou até mesmo reverter a aplicação de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Somadas as duas novas tarifas propostas, alcançariam 37,5% sobre as produções nacionais. Auxiliares do presidente Lula mudaram o discurso e passaram a afirmar que as medidas econômicas e a classificação de facções criminosas em organizações terroristas têm, no mínimo, o aval do presidente Donald Trump.

Os diplomatas avaliam que o tarifaço de 25% sobre as práticas econômicas consideradas injustas por Washington é o que tem mais chances de avançar. Olha, o presidente Lula espera conversar com Donald Trump durante a reunião da cúpula do G7 na França, entre os dias 15 e 17 de junho. O brasileiro também avalia enviar uma carta à Casa Branca. Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, o Jameson Grier, eles tiveram um breve encontro numa reunião da Organização para a Cooperação e desenvolvimento econômico.

O representante americano afirmou que está aberto a dialogar com o Brasil sobre essas tarifas adicionais. Para o diplomata Paulo Roberto de Almeida, a negociação será possível se houver uma coalizão entre a diplomacia e entidades empresariais que têm forte poder de pressão.

?Voz C

Vai ser resolvido tanto no plano diplomático quanto no plano das associações comerciais. American Chamber of Commerce no Brasil, a Câmara de Comércio Americana em Washington, E as associações empresariais, esses caras vão se mobilizar porque eles têm dinheiro para pagar lobistas, advogados em Washington que fazem pressão e vão mostrar que se o Trump ou o Jameson Greer fizerem o que eles pretendem fazer, a vida para o consumidor americano vai ficar muito mais cara.

PBPedro Bonnenberger

Na decisão mais recente, o escritório do representante comercial norte-americano propôs a aplicação de tarifas adicionais em mais de 80 países. Gente, seriam afetados países como China, Rússia, além das 27 nações da União Europeia e aliados da gestão de Donald Trump, como Israel, Japão, Argentina e o Reino Unido. Olha, aqui no caso do Brasil, ficam isentos do imposto de importação de 25% produtos agropecuários, como carne bovina, café, frutas tropicais, além de petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos.

Não por coincidência, né, muitos desses produtos são muito consumidos pelos americanos, e é claro que eles estão de olho nisso. O relatório norte-americano acusa o Brasil de prejudicar a concorrência ao punir plataformas de tecnologia dos Estados Unidos que descumprem ordens de remoção de conteúdo. Washington também alega que o Banco Central concede um tratamento preferencial ao PIX em detrimento de empresas de cartão de crédito.

Portanto, isso aqui, né, o PIX tá na mira dos Estados Unidos. O governo americano contesta os acordos comerciais do Brasil com o México e Índia e aponta falhas históricas na fiscalização contra o desmatamento ilegal. Washington critica ainda a falta de reciprocidade tarifária na importação do etanol e a lentidão excessiva no exame de patentes industriais no mercado brasileiro. A investigação havia sido iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do próprio presidente Donald Trump.

Falando no PIX, ele tá na mira não só dos Estados Unidos, mas dos presidenciáveis, dos pré-candidatos à presidência da República. Isso tornou agora um dos principais temas de debate entre os presidenciáveis nessa corrida à presidência. O sistema de pagamentos entrou na mira dos Estados Unidos durante a discussão sobre as novas tarifas comerciais, como a gente vinha falando por aqui, essas tarifas contra os produtos brasileiros.

E aí rapidamente já foi incorporado também as estratégias de comunicação de dois campos políticos. O governo Lula passou a apresentar o PIX como um símbolo da soberania nacional e uma conquista dos brasileiros. Num discurso após o anúncio das medidas americanas, o presidente exibiu um cartaz com a frase "O PIX é do Brasil", dizia esse folheto, e aí argumentou que a preocupação dos Estados Unidos estaria relacionada ao impacto da ferramenta sobre empresas estrangeiras do setor de pagamentos, especialmente as de cartão de crédito, como a gente falou mais cedo.

A ofensiva também se espalhou pelas redes sociais. Canais oficiais ligados ao Palácio do Planalto mobilizaram apoiadores para defender o sistema e associaram as críticas americanas à atuação do senador Flávio Bolsonaro, do PL. Hashtags e campanhas digitais passaram a explorar esse tema como parte da disputa política em torno da relação entre Brasil e Estados Unidos. Do outro lado, o Flávio Bolsonaro reagiu tentando reforçar a ligação do PIX com o governo do pai dele, que já que o sistema foi implantado ali pelo Banco Central durante a gestão de Jair Bolsonaro.

O Leandro Gouveia te contou isso aqui ontem, né, que em evento em Minas Gerais o senador chegou a exibir um cartaz, né, E aí replicando, Lula com cartazes dizendo o seguinte: o Pix é do Brasil e do Bolsonaro. E afirmou ter enviado uma carta ao presidente Donald Trump pedindo que não sejam impostas tarifas às empresas brasileiras. Bom, com isso, claro, uma ferramenta criada para facilitar os pagamentos, a nossa vida. Você usa no seu dia a dia, os comerciantes, né, todo mundo usa.

Uma ferramenta que é um sucesso absoluto se torna alvo de uma campanha política. Vale ressaltar, inclusive, apesar dessa guerra política, o Pix é uma tecnologia brasileira desenvolvida pelo Banco Central ao longo de diversas gestões. Não tem dono, não tem partido, pode usar sem moderação. Vamos falar agora do cessar-fogo de Israel e Líbano. Israel e Líbano viveram o primeiro dia do cessar-fogo assinado durante a quarta-feira. Esse acordo foi divulgado em nota pelo Departamento dos Estados Unidos após 2 dias de negociações diretas entre diplomatas dos 3 países em Washington.

O presidente Donald Trump também conversou diretamente com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e representantes do Hezbollah, o grupo armado libanês apoiado pelo Irã. Nos últimos dias, Trump chegou a confirmar que discutiu com o líder israelense. O americano chamou o israelense de "completo louco", essa é a aspa que usou o presidente Trump, "completo louco", e afirmou que Netanyahu só não está preso por causa da gestão de Washington.

O primeiro-ministro de Israel tem um mandado de prisão internacional expedido pelo Tribunal de Haia. Pouco antes da divulgação do cessar-fogo, Netanyahu minimizou o atrito e, questionado sobre o Irã, não descartou a volta dos conflitos diretos. Teherã chegou a declarar que não assinaria um acordo de paz para encerrar a guerra com os Estados Unidos caso Israel seguisse com as operações no Líbano. Enquanto isso, Estados Unidos e Irã continuam trocando mensagens contraditórias sobre o fim definitivo do conflito no Oriente Médio.

O chanceler iraniano afirmou que os contatos de Teerã com Washington não foram interrompidos, ele negou progresso nas negociações e disse que os dois lados estão estudando os textos que foram trocados. Do outro lado, Donald Trump sugeriu a existência de avanços nas conversas. Vamos ouvir. A negociação em si está indo muito bem. Pode ser que não aconteça, mas se acontecer, pode acontecer durante o fim de semana. A indefinição sobre o destino da guerra continua provocando altas no dólar e no petróleo.

No Brasil, a moeda americana fechou em alta de 1,15%, cotado ali então o dólar a R$5,06. O número também reflete a proposição de novas taxas nos produtos brasileiros dos Estados Unidos. O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, teve alta de 2%, ficou na casa dos US$98. Voltando aqui para o Brasil, entidades e organizações da sociedade civil que integram o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente informaram que vão acionar o Supremo Tribunal Federal contra a derrubada da resolução sobre o acesso de crianças e adolescentes vítimas de estupro ao aborto legal.

Este texto, você sabe bem, foi aprovado no Senado na última terça-feira numa votação relâmpago que chamou atenção porque durou menos de 2 minutos. Essa proposta já estava aprovada na Câmara dos Deputados, foi aprovada lá em novembro do ano passado e passa a valer após a promulgação do Congresso Nacional, sem necessidade então de sanção do presidente Lula. Essa resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, ela tava em vigor desde janeiro do ano passado.

Basicamente estabelecia o seguinte: o atendimento de menores vítimas de violência sexual e garantia acesso à informação sobre a interrupção legal da gravidez nos casos previstos pela legislação, ou seja, os casos especialmente de violência sexual, casos de estupro contra menores. O texto também reconhecia a gestação na infância e adolescência como um fator de risco à saúde física e mental, com possíveis impactos sociais e também no desenvolvimento dessas vítimas.

Entre os pontos revogados tá a previsão de que a ausência dos pais ou responsáveis não impediria o acesso da criança ou adolescente a informações sobre o aborto legal. A norma ainda permitia que profissionais avaliassem a necessidade de comunicar aos responsáveis, especialmente em situações em que essa comunicação pudesse representar riscos à integridade física, psicológica ou social da vítima, inclusive aqueles casos onde o abusador é o pai da criança.

Acontece infelizmente no nosso país. A medida também previa acompanhamento por integrantes da rede de proteção à infância e orientava estados e municípios a ampliar a oferta de serviços de aborto legal, principalmente em regiões com menor acesso. Com a derrubada dessa resolução, especialistas e entidades de defesa dos direitos das crianças e adolescentes avaliam que o acesso ao procedimento nos casos já autorizados por lei, poderá enfrentar novos obstáculos.

Agora essa situação, como eu disse, deve parar no STF. Passando agora é a Seleção Brasileira. A Seleção Brasileira continua a preparação para Copa do Mundo lá em Nova Jersey. No segundo dia de treinos, Integrantes de projetos sociais, crianças de uma escolinha e outros fãs puderam acompanhar as atividades. Inclusive, a atividade aberta ao público é exigência da FIFA para que as seleções promovam uma maior integração com a comunidade na qual estão baseadas durante a Copa.

A situação contrasta com a postura privativa que a CBF decidiu adotar durante o Mundial. A organização reservou o Hotel The Ridge em Basking Ridge exclusivamente para si, ou seja, né, excluindo a entrada de outras pessoas de fora. Policiais na portaria impedem qualquer aproximação de torcedores, gente. O mais próximo possível é à beira de uma estrada, sem contato visual nem com a fachada. O mesmo ocorre no centro de treinamento em New York Red Bulls.

É o centro desse time. Um esquema de segurança rigoroso impede que carros e pedestres subam a ladeira que dá acesso à entrada principal desse CT. A CBF afirma que não tem envolvimento no excesso de rigor no isolamento dos locais, mas confirma ter priorizado a privacidade dos jogadores. Durante o treino desta quarta-feira, o Ancelotti esboçou algumas mudanças no time que vai enfrentar o Egito no último amistoso antes da Copa. Marquinhos e Gabriel Magalhães serão as novidades na defesa, após a ausência diante do Panamá por conta da final da Champions.

Ainda no setor defensivo, Douglas Santos deve assumir o lugar de Alexsandro. Lucas Paquetá e Igor Thiago, que entraram bem contra o Panamá, ficaram com as vagas de Mateus Cunha e Luiz Henrique. O duelo contra o Egito está marcado para o sábado, 19h, pelo horário de Brasília, em Cleveland. O Brasil estreia na Copa no dia 13 contra o Marrocos em Nova York. Brasil! E já que o assunto é Copa do Mundo, eu vou te contar uma história daquelas, viu, super divertida, que nós trouxemos aqui na CBN.

Transmissão de Copa do Mundo, todo mundo de olho aí. Isso é coisa que é relativamente recente, viu, na nossa história. Lá no começo não era bem assim não, viu? Mas olha que interessante, lá muito antes da televisão, da internet, das transmissões em tempo real por aplicativos, um jornal do Rio de Janeiro conseguiu algo extraordinário: acompanhar e divulgar lance a lance a primeira partida da seleção brasileira em Copas do Mundo.

O jogo foi disputado no Uruguai em 14 de julho de 1930 contra a Iugoslávia. Reportagens publicadas pelo Diário da Noite em julho daquele ano, acessadas pela CBN através da Biblioteca Nacional, mostram que o periódico montou uma mega-operação para transmitir ao público brasileiro as informações do jogo disputado lá em Montevidéu, no Uruguai. A conexão foi feita pela empresa italiana Italcable, que usou um cabo submarino de milhares de quilômetros ligando o Uruguai ao Brasil.

Vejam só, naquela época a gente não queria saber informação até em tempo real, não. Se soubesse no mesmo dia, tava bom, porque os jornais só publicavam a notícia no dia seguinte. Então o jogo da seleção só ia ser noticiado um pouco depois. E aí isso foi revolucionário. Pense bem, uma empresa pegar, colocar um cabo lá no Uruguai, enorme, né, milhares de quilômetros, trazer um cabo até o Rio de Janeiro. Incrível, né? Dias antes da estreia da seleção O jornal anunciou com destaque que o telefone da redação estaria ligado diretamente ao campo onde a partida seria disputada.

Colocaram inclusive um alto-falante para a galera poder ouvir as notícias. Esse esquema funcionava da seguinte forma: um representante do Diário da Noite permanecia no Estádio Parque Central em Montevidéu, acompanhado de jornalistas e dirigentes brasileiros. De lá, informações eram transmitidas por um telefone até uma estação da Itaucable lá na capital uruguaia. O sinal seguia por um cabo submerso enorme no Rio da Prata, chegando até o Rio de Janeiro, chegando diretamente à redação do jornal.

Na porta do edifício foram instalados alto-falantes, como eu disse, para que todos pudessem ouvir esse anúncio. Olha, o professor de telecomunicações do Instituto Mauá de Tecnologia, o Eduardo Pousada, explicou que essa transmissão foi um marco para tecnologia do período.

?Voz C

Você transmitir um cabo muito, mas muito longo é uma façanha e tanto. A instalação desse Cabo não é uma coisa simples de ser feita, é serviço profissional de longuíssima distância. E você captava esse sinal a uma distância de alguns milhares de quilômetros. Isso naquela época de década de 1930 era absolutamente revolucionário, né? Porque a tecnologia no país aqui ainda tava engatinhando, né?

PBPedro Bonnenberger

A estreia do Brasil na Copa do Mundo aconteceu no dia 14 de julho de 1930. Olha, a gente perdeu, viu, por 2 a 1. A estreia não ficou marcada pelo jogo, né, mas entrou para história como um dos primeiros eventos esportivos internacionais acompanhados quase que em tempo real pelo público brasileiro. Para a gente ter uma ideia, olha que curioso, lá no estádio em Montevidéu havia 5 mil pessoas assistindo a partida ao vivo ali no estádio.

Aqui na porta desse Diário da Noite no Rio de Janeiro, do jornal, Eram 10 mil pessoas, o dobro! Impressionante, né? O Brasil sempre amou futebol, impressionante. Bom, a primeira transmissão radiofônica de uma Copa só aconteceria em 1938. As imagens chegariam à televisão brasileira só em 58, mas as transmissões ao vivo pela TV só se tornariam possíveis em 70, com o uso de satélites. As partidas em cores passaram a fazer parte da rotina dos brasileiros a partir de 74.

Bom, se na primeira Copa do Mundo a briga era para conseguir saber até mesmo no mesmo dia resultados, as notícias, hoje a gente busca pelo menor delay possível para não ouvir o nosso vizinho gritar gol primeiro que a gente. Por isso torcedores de todo o país estão buscando agora pela boa e velha anteninha digital. É o menor atraso possível na transmissão com imagens. Comparando com a TV a cabo, streaming e com a internet, por exemplo.

São 96 anos de diferença, hein, gente! Tecnologia mudou muito, completamente. Mas a ansiedade do torcedor, claro, segue a mesma. A gente quer viver cada detalhe dessa Copa e sentir essa emoção. Muito obrigado pela sua companhia. Amanhã é sexta-feira, e sexta-feira É dia de música, quero que você mande sua sugestão para gente. Pode ser no comentário aqui da sua plataforma de podcast que você tá nos ouvindo, pode ser através do meu Instagram, o @pedro.bon, Pedro ponto B-O-H-N.

Manda uma DMzinha por lá, elogios, críticas, sugestões, você é sempre bem-vindo. O Panorama CBN fica por aqui. Muito obrigado, viu, pela sua audiência, produção e edição deste episódio. Foram feitas por mim, Pedro Bonenberger, ao lado de Mateus de Souza. A edição e sonorização são de Laerte Afonso. Uma ótima quinta-feira para você e até amanhã.