Monoteísmo – A Crença Natural (Parte 2)
Nesta série, o Sheikh Ahmad Mazloum aborda o tema do monoteísmo como a crença natural do ser humano, convidando à reflexão sobre a relação entre fé, natureza humana e reconhecimento do Criador.
Este episódio dá continuidade à explicação progressiva desta temática, mantendo uma abordagem clara e acessível.
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Sheikh Ahmad Mazloum
- Monoteísmo como crença naturalValidade da adoração humana · Inclinação inata ao Criador · Desvio por demônios e religiões · Politeísmo como posterior à origem
- Unicidade na criação vs. adoraçãoCrença na unicidade como Criador · Divergência na devoção a Deus único · Santos como intermediários · Unicidade na criação como ponto de consenso
- Poda DivinaRetorno à crença correta · Renovação da profecia em caso de desvio · Profetas como Jesus e Moisés
- Evidências da unicidade divina na criaçãoReconhecimento de Deus como Criador pelos idólatras · Comportamento em terra firme vs. alto mar · Crença na soberania e poder de Deus
- O esquecimento da crença natural pela rotinaTikrar al-Mashad (repetição dos fatos) · Falta de gratidão pela rotina · Atribuição de criações à natureza ou cientistas · Reflexão como retorno à naturalidade
- Razões para a adoração a outros deusesMaterialização da fé e busca por símbolos · Fragilidade humana e busca por intermediários · Ausência de representação de Deus
Alhamdulillahi wa salatu wa salamu ala rasulillahi wa ala alihi wa sahbihi wa man walah. Amma ba'du wa salamu alaikum wa rahmatullahi wa barakatuh. Louvado seja Deus e a benção de Deus esteja sobre todos os seus mensageiros e seguidores. O monoteísmo, na verdade, é uma condição básica para a validade e a aceitação da adoração do ser humano. Deus o Altíssimo ainda também diz...
naquilo que é relatado pelo profeta Muhammad, a paz de Deus esteja com ele, salallahu alayhi wa sallam, eu criei os meus servos, todos monoteístas. Naturalmente, o ser humano nasce monoteísta, tendo no seu íntimo a inclinação e o direcionamento ao único Criador. Eu criei os meus servos, todos monoteístas, e depois vieram os demônios e os desviaram da religião.
E fizeram ilícito aquilo que eu fiz lícito para eles. Com as fantasias que são criadas pelos seres humanos e as religiões que são estabelecidas e filosofias e ideias, acabam por fazer proibido aquilo que Deus fez permitido.
O que vem depois do monoteísmo, o politeísmo ou a idolatria é algo que é posterior à origem, e a origem é o natural e é o básico. Então essa é a base. O monoteísmo, eu criei todos os meus servos monoteístas. Depois temos o versículo onde Deus o Altíssimo cita o envio dos mensageiros.
Deus se dirige ao profeta Muhammad dizendo, Na origem e no início, a adoração única a Deus é o monoteísmo.
Com o desvio do ser humano e com o estabelecimento de certas crenças que não são a crença natural, Deus envia os mensageiros para quê? Para fazer os humanos voltarem à crença correta e ao monoteísmo. Coisa simples e comum. E depois daquele profeta enviado, as pessoas continuam seguindo os ensinamentos que ele deixou e depois...
Quando há um desvio, Deus renova de novo a profecia e envia outro mensageiro, como fez com o profeta Jesus, o profeta Moisés e assim também outros profetas. Ainda também nos versículos do Alcorão, sobre esta naturalidade, Deus o Altíssimo diz,
Deus o Altíssimo diz, Nunca Deus concedeu a um homem o livro, a lei e a profecia, para que posteriormente ele dissesse aos homens.
Sejais devotos a mim em vez de Deus. Sejais devotos a mim, adorem-me em vez de adorarem a Deus, o único. Porém, sejais devotos a Deus pelo que ensinavam do livro e pelo que estudavam. E também não vos ordenou Deus que tomassem os anjos e os profetas, deuses em vez de Deus. Esse versículo mostra...
Qual é a função dos mensageiros? Qual é a função da profecia? É fazer o ser humano retornar à adoração única a Deus. Dentro da naturalidade da crença, nós citávamos que é natural a crença em Deus. A crença em Deus é algo comum, natural, simples. Então, por que as pessoas não creem exatamente como os mensageiros pregam? Ou, se as pessoas creem, por que que...
Existe a adoração a outros deuses que não, o Deus único. Há dois tipos de crença. Ou o monoteísmo, se você quiser dizer assim. O monoteísmo divide-se em duas partes. Você crer na unicidade de Deus como Criador. Esse é o ponto natural, em que as pessoas não têm divergência alguma. A base é fundamental de tudo. Depois, a outra parte, segundo ponto. A devoção a Deus único.
É aqui que se divergem os humanos. Um ser humano pode chegar e dizer, e tem uma ideia, uma crença, uma religião. Ele diz, eu creio em Deus e ele me criou. Mas só que eu adoro a tal santo por ele ser o intermediário entre eu e Deus. Essa é uma ideia. Há a unicidade na criação. Esse aqui é ponto de consenso praticamente.
naturalidade. E há a unicidade na adoração. Aqui é o ponto de divergência. Unicidade na criação, crer que Deus é o único criador, que Deus é o soberano, que Deus é o mantenedor, que Deus é o todo poderoso. Essa crença é natural. Deus nos ilustra isso no Corão Sagrado também e diz, Deus nos diz assim,
E se você perguntar a eles, está falando sobre os idólatras da época do profeta Muhammad que residiam em Meca. Se você perguntar a eles quem criou os céus e a terra, eles vão dizer Allah, Deus. Eles responderão Deus. Eles não vão responder que quem criou os céus e a terra era, por exemplo, o ídolo que eles tinham, Al-Lat, Al-Uzza. Eles não vão citar o nome dos ídolos.
Não é aquele ídolo que eles adoram que criou os céus e a terra. E aí dentro dessa naturalidade também são citados os versículos. Um versículo também do Alcorão. E quando eles estão em terra firme, eles idolatram e associam junto com Deus outros deuses. Seguem as tradições do seu povo. E quando estão em alto mar e vem aquela tempestade, eles dizem...
Vamos dizer assim, bem simples e bem abrasileirado, ai meu Deus. Quando está na hora do apuro, ai meu Deus. Agora, quando estão em terra firme, voltam à tradição. Então, tudo isso nos leva a crer que todo ser humano tem enraizado em seu íntimo a crença na unicidade divina, a crença na unicidade de Deus na sua criação, na sua soberania.
Aí vem o outro ponto, que é a unicidade da adoração. A unicidade na adoração é baseada na unicidade da criação. Ninguém adora a Deus único sem crer nele. Agora, pode ser que uma pessoa crie em Deus único como criador, mas não adora ele. O que leva, por exemplo, o ser humano a adorar outros deuses em vez de Deus? Essa é...
Uma das questões que nós vemos, por exemplo, muitos se apelam, como dissemos, a santos, para colocá-los como intermediários. Porque essa fragilidade do ser humano, ele sabe que quem o criou é Deus, certo? E Deus não criou os seres humanos e os gênios tão somente para adorá-lo. Então, por que esse ser humano volta a adorar outras divindades, ele cria outras divindades em vez de Deus?
Na verdade, como lemos no texto, há o desvio. E o que acontece? O ser humano também gosta de materializar as coisas. Ele gosta de ter um símbolo para ele chegar através daquele símbolo a Deus. Mas como a gente disse, a crença é no quê? No invisível. Você crê em Deus e adora a Deus segundo aquilo que você crê que é estabelecido por Ele. Então, uma das razões é o quê? É a materialização.
Por isso, quando entramos na mesquita, as pessoas que entram nas mesquitas, mesmo não sendo muçulmanas, vêm para visitar e conhecer, se sentem bem. Dizem o quê? Não tem nada assim. No que vocês se dirigem para representar Deus? Não há representação. É importante isso.
Então, não há representação, é Deus. Então, as pessoas gostam de materializar. Agora, isto está no íntimo do ser humano. O monoteísmo está no íntimo de cada um. Agora, o que faz a pessoa, ela, esquecer o que está no íntimo dela? Eu sou monoteísta, adorador só a Deus. E, naturalmente, como você está alegando, a vida, normalmente como ela é, leva à crença em Deus único. Uma das coisas que desviam o ser humano disso,
o que a gente chama em árabe de Tikrar al-Mashad. Você vê os sinais de Deus na criação e tudo te leva a crer em Deus, a adorar a Deus, a se dirigir a Deus. Só que você tem a rotina ou a repetição dos fatos. A repetição dos fatos te fazem não lembrar mais das graças, das dádivas ou lembrar de que tem alguém que está te agraciando e te dando.
O exemplo da pessoa que tem tudo, e de tão costumeiro na vida dessa pessoa ela ter tudo, ela não lembra mais de agradecer. É uma coisa comum para ela. Eu olho para o mundo, eu olho para a natureza, eu digo, olha como é bela a mãe natureza. Mãe natureza, como a natureza é bela, como ela é bonita, olha o que a natureza nos concedeu. Vocês não ouvem as pessoas falarem assim?
A natureza concedeu para nós? Quem criou a natureza? Aí vem o raciocínio. Quem criou a natureza? Obra do ser humano. Obra do cientista. Esse cientista ontem não existia. E amanhã também não vai existir, vai ter fim. E quem deu existência a ele? Quem deu fim a ele? Deus. Um exemplo da repetição dos fatos. Nós vivemos, temos a nossa rotina. Eu amanheço, vou ao meu trabalho.
almoço, continuo trabalhando, volto para casa. Amanhece e anoitece, amanhece e anoitece. Chega o sábado, é um feriado para tal pessoa, domingo é um dia de reunião familiar, é outro feriado, aí também a semana começa e assim vai. O que acontece? Rotina. Eu me esqueço, amanhece e anoitece. E quem fez amanhecer e anoitecer?
Então, a reflexão é muito importante por causa disso, para que nós voltemos à natureza humana, à naturalidade, e voltemos assim como é a nossa origem, a origem monoteísta, voltados a um único Deus, o Criador, e o único que merece a adoração.