AS ATROCIDADES do REI LEOPOLDO II
Neste vídeo abordei um dos episódios mais chocantes da história do colonialismo moderno, o Congo Free State, território controlado diretamente pelo rei Leopoldo II da Bélgica.
O conteúdo apresenta o contexto histórico, político e territorial que permitiu a instalação de um regime marcado por violência sistemática, exploração extrema e abuso de poder em larga escala. Sem suavizar o impacto histórico, o vídeo explica por que esse período é considerado um dos mais brutais do imperialismo europeu e por que suas consequências ainda influenciam debates atuais sobre colonialismo, direitos humanos e memória histórica.
Meu nome é Vitor Soares, eu sou professor de História, e seja bem-vindo ao canal!
LINK DO LIVRO CITADO
https://amzn.to/4lfsvrS
Apoie o canal através do LIVEPIX
https://livepix.gg/profvitorsoares
🔴 Me siga nas redes sociais: @profvitorsoares
🟢Ouça meu podcast História em Meia Hora!
https://open.spotify.com/show/6uscSyqp0q7Cb0uoEujgL8
🔴Compre meu primeiro livro-jogo de história do Brasil "O Porão":
https://amzn.to/4a4HCO8
🟢 Compre o meu livro "História em Meia Hora - Grandes Civilizações"!
https://www.loja.literatour.com.br/produto/pre-venda-livro-historia-em-meia-hora-grandes-civilizacoesversao-capa-dura/
Compre nossas camisas, moletons e muito mais coisas com temática História na blablalojinha! https://tinyurl.com/CAMISALAMPIAO
Roteiro: Prof. Vítor Soares
Produção: Matheus Herédia (@matheus_heredia)
- Violência contra a mulherCorte de mãos como punição · Mutilação de crianças · Espancamento e execuções · Incêndio de aldeias · Fotografia das mutilações
- GenocidiosEstimativas de mortalidade · Causas de morte · Escala temporal · Proporção populacional · Método econômico
- Exploração econômica e laboralExtração de borracha · Cotas obrigatórias · Trabalho forçado · Monopólio absoluto · Dinâmica comercial enganosa
- Atuação de Lucia na políticaCaracterização de africanos como bárbaros · Missão civilizatória falsa · Discurso humanitário · Controle da narrativa · Propaganda estatal
- Congo Free StateTerritório privado do Leopoldo II · Conferência de Berlin 1884-1885 · Estrutura administrativa · Monopolio de borracha · Força Pública colonial
- Problemas de Memoria Pos-GravidezGrande esquecimento pós-morte · Educação belga distorcida · Manuais escolares enganosos · Ausência de representação cinematográfica · Controle da memória coletiva
- Construção e modernização da BélgicaInfraestrutura belga · Monumentos e avenidas · Modernização de cidades · Fortificação de fronteiras · Financiamento por riqueza congolesa
- Reparação Histórica e JustiçaFalta de indenização · Ausência de compensação estrutural · Devolução de artefatos · Expressão simbólica de pesar · Demanda por responsabilização
- Denúncias de missionários e jornalistasRelatos de missionários · Testemunho de soldados · Descoberta de Edmund Morrel · Padrão comercial suspeito · Pressão internacional
- Contexto de expansão e imperialismoAmbição de Leopoldo II · Impossibilidade de expansão europeia · Busca de territórios coloniais · Tentativas fracassadas anteriores · Solução macabra
- Derrubada de estátuas e movimentoAssassinato de George Floyd · Protestos e vandalismo de monumentos · Estátuas pintadas de vermelho · Resposta oficial belga
- Biografia de Leopoldo IINascimento em 1835 · Educação para governança · Assunção ao trono em 1865 · Morte em 1909 · Legado historiográfico
Quem foi o pior ser humano da história? Essa pergunta é muito difícil de encontrar resposta, porque se a gente só se basear em número de mortos, como normalmente as pessoas fazem, a gente vai ter um Excel macabro, uma planilha do inferno. Só que números sozinhos não explicam muita coisa. As mortes podem ocorrer por conta de uma guerra, por exemplo. Às vezes o país que está sendo atacado acaba matando muito mais do que está morrendo. As mortes podem ocorrer por conta de negligência, por incompetência,
também. As mortes podem ocorrer por decisões estratégicas erradas. Nada disso é bom, não me entenda mal. Só que quando a gente fala do pior ser humano da história, eu acho que o assunto é um pouco diferente. Existe uma intencionalidade sistêmica, uma desumanização como política. Existe o genocídio como método econômico. Pra definir quem é o pior ser humano da história, eu não quero me basear em números de uma forma crua. Eu quero me basear em cretinice. E eu sei que cretino é ainda mais subjetivo, mas só que
Eu acho que você vai entender o que eu tô falando quando te apresentar o personagem do vídeo de hoje. Eu tô falando de mutilação. Eu tô falando de humilhação. Eu tô falando de fotografar as mutilações. Eu tô falando de administrar o terror como uma ferramenta de gestão. A pessoa do vídeo, que pra mim é o pior ser humano da história, cortava mãos de crianças. E mandava as pessoas fazerem isso pra provar uma produtividade.
que já pisou na face da terra. Eu tô falando de Leopoldo II da Bélgica. Leopoldo Luiz Felipe Maria Vitor. Pois é, o cara tem Vitor no nome. Ele nasceu em 1835 no Palácio Real de Bruxelas. A Bélgica era um país recém-independente e precisava de estabilidade. Ela precisava de herdeiros. Leopoldo II foi educado pra governar. Ele assumiu o trono em 1865. E antes de eu falar o que ele fez no Congo, lá na África,
da Bélgica. Leopoldo II é conhecido na Bélgica como o rei construtor. Ele investiu em infraestrutura, construiu avenidas, ele fortificou fronteiras e modernizou algumas cidades. Só que ele fez pouquíssimo disso, ou até nada disso, com dinheiro belga. Ele fez com a riqueza dos congoleses. Pessoal, a Bélgica era e ainda é um país bem pequeno. Ela não podia se expandir pela Europa. E o Leopoldo II queria grandeza. Como explica a professora
E aí, então, ele teve uma solução macabra. Vocês vão ver ao longo do vídeo que não é números que me fazem colocá-lo como o pior ser humano da história.
não é genocídio, não é racismo. É uma mistura disso tudo. O Leopoldo II vai criar uma associação humanitária internacional. O discurso dele era civilizatório. Tem um explorador chamado Henry Morton Stanley, que foi recrutado pelo Leopoldo II, resumiu o espírito da missão ao dizer que queria despejar a civilização europeia no barbarismo africano. Vocês vão entender que eu não estou chamando esse cara de pior semana da história da boca para fora.
A frase do explorador evidencia um negócio muito sério. O africano, os congoleses, eram bárbaros. E por isso, podiam ser dominados. Entre 1884 até 1885, ocorreu a Conferência de Berlim. E o Leopoldo II venceu nela, de certa forma. Não porque a Bélgica ganhou uma colônia, mas porque o próprio Leopoldo II ganhou um território pessoal. O professor Martinho Camargo Milani explica, abre aspas,
Fecha aspas. Um país privado, sem fiscalização real, sem limite institucional. E o nome escolhido para o país privado do Leopoldo II é ainda mais cretino. Ele colocou o nome, cinicamente, de Estado Livre do Congo. Beleza, mas o que ele ganhava com o Estado Livre do Congo? Pessoal, no final do século XIX, a borracha basicamente virou ouro.
Por isso, Leopoldo transformou todo o Congo em uma máquina de extração da borracha. Existiam cotas obrigatórias, trabalho forçado, monopólio absoluto. E se uma aldeia não cumprisse a cota que ele mesmo estabeleceu, entrava a Força Pública. Basicamente, a Força Pública era uma polícia militar e colonial criada pelo Leopoldo II para usar a força e garantir as cotas que ele estabeleceu. Espancamentos, estudos, execuções, aldeias incendiadas.
E não menos importante, o método que ficou mais conhecido, cortar as mãos. Na tela tá passando algumas fotos de crianças e adultos também, que não conseguiram cumprir a cota de borracha e de outros produtos também, e tiveram como punição as suas mãos cortadas. Como você pode imaginar, a gente teve que borrar as imagens pra gente não perder ou até desmonetizar aqui no YouTube. Mas eu te convido a entrar no Google, tem que ter estômago, e digitar mãos cortadas Congo Belga.
a denunciar o que estava acontecendo no Congo. O John Hobbs Harris escreveu o seguinte, abre aspas, fecha aspas. Aliás, denunciar é uma palavra um pouco forte. Um soldado da própria Força Pública falou que, abre aspas,
Fecha aspas. Muitas mãos. Percebe que a gente tá falando de algo que não é o caos que acabou gerando. Não foi uma batalha onde um lado resistiu, o outro impôs a sua vontade e infelizmente algumas pessoas morreram. A gente não tá falando disso, a gente tá falando de um sistema. Um sistema que tinha a prática de cortar as mãos de crianças como parte dele. E pra você não pensar que eu tô negligenciando a parte dos números,
As estimativas defendem que entre 10 a 20 milhões de congoleses foram mortos pela força pública. Tudo isso em menos de 25 anos. É quase 1 milhão de pessoas mortas por ano. Basicamente metade da população do Congo morreu por conta do Leopoldo II. Homens, mulheres, idosos, crianças. Execuções, fome, doenças. Isso não foi uma guerra defensiva. E muito menos uma guerra ofensiva. Isso foi um modelo econômico. Aconteceu para que algumas pessoas ganhassem dinheiro.
E quem estava no topo dessa pirâmide macabra era ele, o Leopoldo II da Bélgica. Lucrando, lucrando muito em cima de mãos de crianças. Enquanto isso, na Bélgica, a realidade era bem diferente. Monumentos eram criados, museus, avenidas. O Leopoldo investia pesado em propaganda e controlava quem podia entrar no Congo. Em 1909, o Leopoldo II da Bélgica morreu. E não é pra ficar feliz com essa notícia.
perto de pagar pelo que ele fez. O período logo depois da sua morte ficou conhecido como o grande esquecimento. O seu sucessor foi o seu sobrinho, o Alberto I, e ele só reforçou a imagem de Leopoldo II como o rei construtor. Alguns manuais escolares na Bélgica diziam que o objetivo dele na África era civilizar e instruir. Uma geração inteira na Bélgica cresceu acreditando nisso. O que aconteceu no Congo demorou um pouco para ser descoberto.
Morel começou a perceber que tinha um navio saindo cheio de borracha e eles estavam voltando cheio de armas. Não havia um comércio. O que estava acontecendo era claramente um saque. A pressão internacional começou a crescer. Em 1908, Leopoldo II foi obrigado a entregar o Congo ao parlamento belga. Só que o dano já estava feito. E agora vem uma pergunta que incomoda um pouco a gente. A gente sabe de alguns genocídios pelo mundo.
A gente sabe do Holocausto, a gente sabe do nazismo. Mas por que pouca gente sabe
o que aconteceu no Congo. Por que não tem filmes grandes que contam essa história? O cinema é muito importante para criar uma memória coletiva, para ajudar a responsabilizar. Só que não existe uma indústria cinematográfica do Congo com um poder global, que nem a indústria dos Estados Unidos. Sem filme não tem uma imagem repetida, lembrando cada geração dos horrores que aconteceram no Congo. É fundamental que a gente entenda que isso também é uma violência. Talvez a última violência do colonialismo.
o colonialismo também controla a memória. Muita gente conheceu o Leopoldo II e os horrores do que aconteceu no Congo belga por conta do meu trabalho. E é muito comum que as pessoas perguntem, e aí, sabe, não vai dar em nada? E, gente, eu quero falar um pouco sobre reparação histórica. Como eu disse, durante muitas décadas depois da morte do Leopoldo II, houve um silêncio total no genocídio que aconteceu no Congo. Só nos anos 90 que alguns livros começaram a reacender o debate,
fantasma do rei Leopoldo. A imprensa africana começou a chamar o que aconteceu de o Holocausto Esquecido. Em 2020, nos Estados Unidos, houve o assassinato do George Floyd. E nesse contexto, algumas estátuas do Leopoldo II começaram a ser derrubadas, começaram a ser pintadas de vermelho. O rei da Bélgica, o Felipe II, expressou um profundo pesar. Mas só isso. Um profundo pesar. Não houve nenhum tipo de indenização. Não houve uma compensação estrutural.
Os artefatos foram devolvidos, como por exemplo, os restos mortais do Patrício Lumumba. Mas isso claramente está longe de reparar os 10 ou 20 milhões de mortos. Eu disse no começo que a definição de o pior é um pouco subjetiva, mas os meus critérios para definir o Leopoldo II como o pior ser humano da história foi intencionalidade, desumanização, genocídio, escala e cretinice histórica. Eu acho que o que mais me deixa revoltado com essa figura
louro do momento. Não foi um erro estratégico, não foi um acidente, foi um projeto, foi lucro, foi política. Tudo isso foi feito sob o discurso civilizatório. Ele fez tudo isso saindo como filantruco. Quando você ou algum amigo estiver em Bruxelas, pode ser que a praça que vocês estejam seja financiada com sangue congolês. Quando alguém falar em Belle Epoque, sempre cite que o progresso europeu e o genocídio africano sempre caminharam juntos. E não menos importante, quando tentarem diminuir
o que aconteceu no Congo, na África em geral, sempre se lembre que o genocídio não termina com as mortes. Ele termina com o esquecimento. E é pra isso que eu estudo história. Se você aprendeu alguma coisa comigo, considere se inscrever aqui no canal, curtir o vídeo, hypar, mandar pros amigos. Comenta alguma coisa, você já conhecia a história do Leopoldo II, é novidade pra você? Deixa aí nos comentários que isso ajuda muito o meu trabalho.
Se você estiver assistindo no Spotify, clica em seguir e avalia a gente com 5 estrelinhas se você puder.
ouça o meu podcast História em Meia Lara. Então é isso, gente. A gente se vê na semana que vem. Valeu.