LUIS GAMA: NASCEU LIVRE e foi VENDIDO PELO PAI
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Vitor Soares
- Caso exemplar de Luiz GamaRevolta dos Malês · Liberdade e escravidão · Legislação abolicionista · História do Brasil
Tá, então aqui eu tô com a camisa de um cara aqui que se chama Luz Gama. Esse cara é o mais pico que tem. É o maior brasileiro de todos os temas. Exatamente. Na minha humilde opinião. É, também. O Luz Gama é um cara muito famoso e tal, muito conhecido. Quer dizer, nem todo mundo conhece, mas ele é um cara que, enfim, escreveu muito...
A gente pode até resumir um pouco da história dele aqui. Mas ele mesmo tem um problema com o nome. Porque quando você vai pesquisar sobre a vida do Luz Gama, ele diz que ele nasceu em tal lugar, na paróquia de tal lugar, lá em Salvador. E quando os pesquisadores vão lá, não encontram o registro dele. Então veja, esse cara foi um cara notório na história do Brasil. Gigante. E ele não tem o registro do nascimento dele. Então tudo que a gente sabe sobre a história dele foi porque ele mesmo contou. Ele falou, ah, eu sou filho de Luiz Amain.
Então o que a gente sabe é a história que ele mesmo conta Luís Amain inclusive que participou da Revolta dos Malês Então tipo a família É, a família dele é brava Assim, só resumindo assim a história Do Luís Gama Ele nasceu livre, a mãe dele era livre Era uma negra liberta no Brasil Luís Amain, Amain é a origem dela Da onde ela veio, na África Provavelmente A míngua podem podem podem podem
E ela, o próprio Luiz Gama diz que ela estava envolvida com o pessoal da Revolta dos Malês, que foi uma revolta muito grande que aconteceu em 1835. É uma revolta escrava, que é muito famosa, de escravos islamizados, né? Escravizados islamizados. Então, essa galera fez uma revolta que foi abafada, enfim. E a partir daí, criou-se uma caça às bruxas.
E aí a Luisa Maim, provavelmente, a gente não tem muita documentação, mas ela provavelmente teve que fugir de Salvador, da Bahia, porque ela estava sendo procurada. Todos os negros de origem mina, que era a origem dela, estavam sendo procurados porque eles representavam um perigo para a nação a partir daquela revolta. E o Luís Gama era criança quando ele foi deixado com o pai. A mãe fugiu e ele foi deixado com o pai. O pai dele era um português, um cara branco.
E o cara tinha dívida de jogo, vendeu o filho como escravo. Então ele nasceu livre, o pai, em determinado momento, usou o filho como propriedade. É aquela coisa que a gente estava comentando. É tão intrínseco a sociedade que a relação de pai e filho vem depois.
da relação de branco e negro. De propriedade. De propriedade. Ele vendeu e aí ele se tornou escravizado com quantos anos? Você lembra? Eu não sei. Por volta de 10 anos ele é escravizado. E aí ele é trazido para São Paulo. Ele vem para Santos como escravizado. E aqui ele vira a propriedade escrava de outra pessoa. Só que ele sabia que era livre.
E aí ele era analfabeto e ele começa a aprender a ler sozinho. Porque o proprietário dele recebia estudantes que iam pra Campinas estudar e tal. E recebia esses estudantes na casa e um desses estudantes ensinou ele a ler. E aí ele aprendendo a ler, ele começou a entender um pouco das leis do Brasil. Ele percebeu que ele era livre, na verdade. E por isso ele deveria, na verdade, não estar naquela condição. E ele consegue, com 17 anos, provar que ele era livre e ele se liberta.
Mas o grande pulo, só para dar um jump na timeline dele, é que ele se liberta e ele se torna um rábula. O rábula é tipo um advogado autodidata. Individual, que hoje em dia não pode ter mais. Mas ele é advogado porque a OAB reconheceu em 2016.
Então ele é. Não vem com esse papo, não. Ele é um advogado. E aí, cara, qual que é a coisa mais... Tem até um filme dele, o Dr. Gama, muito bonito. Que é do Jefferson D., que eu citei aqui. Não, sensacional. E aí, qual que é o grande... Sei lá, a coisa mais incrível, é que o Luiz Gama dedicou a vida dele a usar essas mesmas leis pra libertar outras pessoas. Ele libertou mais de 500 pessoas escravizadas. Não, não.
mais de 5 mil pessoas escravizadas. 5 mil? 5 mil. Esses são os números de Douglas Gama. No fim da vida, ele estimava que ele tinha... Pode ser que seja mais, mas é porque ele fez algumas ações coletivas. E ele conseguiu libertar, tipo, basicamente numa plantation, quase mais de 100 pessoas.
E ele fazia esse tipo de trabalho de graça, né? Ele virou advogado. Enfim, ele virou advogado. Ele comeu com farinha as leis do Brasil naquele momento. No Brasil era proibido, naquele momento, era proibido o tráfico atlântico, ou seja... A Lei Eusébio de Queiroz. A Lei Eusébio de Queiroz. Proibiu que toda pessoa que fosse trazida pro Brasil como escravizada, depois dessa lei, ela era automaticamente considerada livre.
Mas o negócio era provar que essa pessoa foi trazida clandestinamente. Então o trabalho do Luiz Gama basicamente era esse, ele fazia isso gratuitamente. E ele libertou, nessa brincadeira de usar essa lei, a lei Eusebio de Queiroz, ele libertou mais de 5 mil pessoas no fim da vida dele. E é interessante que, qual que é o esquema? A escravidão no Brasil, ela promete-se o fim da escravidão desde 1810.
O Brasil prometeu pra Inglaterra por conta de... Porque, tipo assim, né? Tanto não resumir aqui a história. Mas quando a família real portuguesa fugiu pro Brasil com o rabinho entre as pernas, porque o Napoleão tava no arrancar rabo lá na Europa, Napoleão desceu a porrada em todo mundo, eu vou invadir Portugal, e aí a família real portuguesa falou, pelo amor de Deus, o que a gente faz? Aí vem a Inglaterra e falou assim, calma, Dom John, Dom John, calma, respira fundo.
O bagulho é o seguinte, vou te levar lá para aquela América portuguesa, que é o lugar Brasil que você chama, né? Vou te levar para lá. Ele, não, demorou. Trouxe, né? A família Hava e Brasil em 1868 para o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro se tornou a capital do Brasil nesse contexto. E quando ele chegou aqui, qual foi a primeira coisa que Portugal fez como resposta? A abertura dos portos.
Foi um momento onde, por mais que o Brasil e Portugal tivessem essa relação colonial, onde somente Portugal podia vender pro Brasil, e o Brasil tinha que vender e comprar as coisas só de Portugal, por conta dessa escolta que a Inglaterra fez, o Brasil começou a abrir os portos pra Inglaterra também. E aí, dois anos depois, em 1810, vieram os tratados de paz e amizade. É um tratado que a Inglaterra falou o seguinte, ó, eu não levei você, você não tá sem salvo, tá de boa aí, a gente tá caindo na porrada com o Napoleão aqui.
Em 1810 ainda estavam acontecendo as guerras napoleônicas. E aí ele falou o seguinte, beleza. Agora o negócio é o seguinte, a partir de agora vocês vão assinar uma série de leis aqui. Dentro dessas leis, além de ter umas leis de impostos, porque os produtos ingleses estavam chegando mais baratos que os portugueses aqui no Brasil, também tinha a questão de o Brasil se comprometir a um dia acabar com a escravidão em 1810. O Brasil enrolou por 78 anos o dever de casa.
Ele empurrou, ele negligenciou, ele falou, não, estamos vendo esse negócio, não, a gente está resolvendo aqui. Não, vai resolver, a gente vai. Está quase lá, está faltando três papelzinhos aqui e foi enrolando, foi enrolando e foi enrolando. Até que, assim, aproveitando esse gancho das leis abolicionistas, que eu acho que é interessante, ele foi enrolando isso até rolar um negócio chamado Tarifa Alves Branco, em 1844, isso é muito interessante.
Se não me engano, era ministro do Brasil, posso estar errando aqui o cargo dele, mas era o Alves Branco que ele chegou e falou o seguinte, pô, vamos taxar os produtos ingleses.
Estão vindo baratinho. E aquela discussão de você taxar um produto de fora para os consumidores comprarem o produto brasileiro. Vai ficar mais caro de fora, né? Basicamente é essa a lógica. E aí ele, pum, desceu a tarifa, o Alves Branco. Aí os ingleses falaram, pô, Dom John. Na época já é o Dom Peter, né? Não é Dom Peter, tá maluco?
E aí falou assim, ah, tu quer então botar esses impostos nos meus produtos então? Então e aquele tratado de 1810, tu assinou, tô escroto. E aí na hora, pô, então vamos ver. E aí em 1845 veio o que a gente chama de Bill Aberdeen, que é uma lei onde a Inglaterra falou, qualquer navio negreiro no Oceano Atlântico, eu vou libertar os escravos e vou descer a porrada em todo mundo.
Seja do Brasil, seja de qualquer outro lugar, eu tô nem aí. E aí o Brasil, nesse momento, ele falou, meu, agora fervou. A gente vai cair na porrada com a Terra. Durante cinco anos ele tentou manter a escravidão, tentou. Mas em 1850 ele falou, pô, a gente não tá dando certo. E aí veio a lei, o Zé de Queiroz, que é a lei que falou, tráfico negreiro no Brasil não pode ter mais. E aí você pensa, pô, que maneiro, acabou a escravidão? Não. Teria por mais 38 anos, porque o tráfico negreiro, que é ir até a África.
Pegar pessoas e trazê-las no Brasil e vender no Brasil, isso estava proibido. Mas já tinha, meu irmão, séculos. Séculos de pessoas escravizadas aqui dentro. E aí começou o que a gente chama de tráfico interprovincial. Começou a vender daqui pra cá, daqui pra onde? Filhos pra caramba. Sempre aquele conceito de escravo de reprodução, parada monstruosa que aconteceu.
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