RÁDIO RECORD: OBESIDADE NO BRASIL. COMO PREVENIR?
Andressa Persan
Luciana Novaes
- Obesidade no BrasilDefinição como doença crônica · Fatores de risco (sedentarismo, ultraprocessados, desigualdade social) · Riscos à saúde associados (diabetes, hipertensão, câncer, problemas neurológicos e psicológicos) · Papel da alimentação e alimentos ultraprocessados · Influência da desigualdade social no acesso a alimentos saudáveis · Impacto do sedentarismo · Tratamento multiprofissional (medicamentos, mudança de hábitos, acompanhamento psicológico e educacional)
- Obesidade e SaúdeImportância do consumo de fibras, vegetais e frutas · Evitar alimentos industrializados · Prática de atividade física regular · Acesso a alimentos saudáveis
Olá, seja muito bem-vindo a mais uma entrevista em foco. Eu sou a repórter Andressa Persan e no episódio de hoje nós vamos falar sobre um problema de saúde pública que continua avançando no Brasil, a obesidade. Dados do Ministério da Saúde mostram um aumento consistente da prevalência da doença, que está diretamente ligada a fatores como o sedentarismo com o seu.
consumo de alimentos ultraprocessados e também as desigualdades sociais. Então, para entender por que a obesidade continua crescendo e quais são os caminhos mais eficazes para enfrentá-la, vamos conversar agora com Luciana Novaes, que é nutricionista e mestre em saúde pública pela Fiocruz. Seja muito bem-vinda ao Entrevista em Foco, Luciana. Muito obrigada, agradeço muito a oportunidade de falar sobre esse tema tão importante.
Bom, Luciana, pra gente começar, a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica. O que isso muda na abordagem médica?
Sim, ela tem que ser tratada dessa maneira porque ela não é algo que acontece de um dia para o outro. Ela é algo que vai sendo construído mesmo com o tempo, por várias situações que vão acontecendo na vida da pessoa. Aquilo ali, num primeiro momento, não é percebido. Então, é algo que vai se instalando de forma muito devagar. E depois que acontece um quadro de obesidade, essa pessoa...
infelizmente, sempre o corpo dela vai guardar essa informação de que ela é uma obesa. Mesmo que essa pessoa depois consiga emagrecer, o registro no corpo dela, das células, do funcionamento, vai ser de uma pessoa obesa. Muito interessante. E, Luciana, quais são os principais riscos para a saúde que estão associados a esse excesso de peso ao longo do tempo? A gente vai ver uma repercussão em várias partes do nosso corpo.
Se a gente for pensar em termos do funcionamento do nosso corpo, a gente já vai ter problemas como diabetes, hipertensão, alguns tipos de câncer, doenças degenerativas, a gente vê uma piora em condições neurológicas. Além disso, a gente também vê problemas ligados a questões...
questões psicológicas, questões de mobilidade. Então, é algo que afeta a vida da pessoa de uma maneira geral. E qual seria o papel da alimentação no avanço da obesidade, especialmente com o aumento do consumo de ultraprocessados? Não tem como a gente pensar no tratamento de qualquer doença e entra aí a obesidade sem a gente estar olhando para a alimentação.
A alimentação vai servir tanto para a gente controlar todos esses problemas que podem estar sendo levados junto com a obesidade, mas também para a gente fazer um melhor ajuste de peso dessa pessoa, para fazer o organismo dela funcionar melhor. Então, hoje, o que a gente sempre vai estar enfatizando para as pessoas? Que se eu quero evitar que a obesidade se instale, já que no momento que ela entrar, ela vai se tornar uma doença que não tem cura.
eu preciso fazer o consumo de alimentos que vão facilitar o funcionamento do meu corpo e evitar esse problema. Então, aumentar o consumo de fibras, aumentar o consumo de vegetais, que vão ser fontes desse nutriente, então verduras, legumes, frutas. Isso tem que fazer parte do dia a dia da alimentação. E é aí que a gente está tendo o problema, que esses alimentos estão sendo deixados de lado e a gente está consumindo uma grande quantidade de alimento industrializado.
Essa mudança é que está levando a problemas na saúde. Entendi. E de que forma a desigualdade social acaba influenciando no aumento da obesidade aqui no Brasil? A desigualdade já pega muito nessa parte alimentar, porque se eu não tenho acesso a uma alimentação...
que seria adequada, eu já vou ter o comprometimento da minha saúde. E quando a gente fala em acesso, a gente não está falando só na parte financeira, que é importante. Não é fácil realmente a pessoa ter condições de comprar todos os alimentos que ela precisa. Apesar de legumes, verduras, frutas, eles não terem um valor tão alto, se a gente for colocar num conjunto de tudo que uma pessoa precisa da alimentação,
A gente sabe que as pessoas não têm hoje talvez uma maneira de conseguir a quantidade total de forma financeira para poder cobrir a sua necessidade. Então esse já é o primeiro impacto. Mas quando a gente fala de acesso, a gente fala até de um acesso móvel, de eu conseguir chegar a um local onde eu consiga ter a possibilidade da compra desses alimentos. Os alimentos naturais, eles...
estragam com mais facilidade. Então não é algo que eu posso comprar e guardar por um mês, por exemplo. Então é muito mais fácil eu comprar um enlatado, comprar um produto congelado, que eu posso ir uma única vez.
e comprar isso e guardar na minha geladeira, no meu armário, do que eu ter que comprar uma fruta que talvez eu tenha que ir daqui a alguns dias, ou uma vez por semana, e aí nem todo mundo mora em locais que tem acesso. Aí entra a questão de mobilidade urbana, entra a questão de violência, então a gente vai vendo como que a desigualdade, ela vai de uma maneira bem complicada, bem triste, ela vai afetando a vida da pessoa, e isso vai repercutir na saúde.
Então não é só a parte financeira, não é só a questão da pessoa ter dinheiro para comprar o alimento, não. É toda uma questão de vida.
que acaba sendo influenciada e faz com que a pessoa vá ter como uma única opção o consumo de alimentos que não são tão adequados para estarem ali presentes todos os dias. Perfeito, muito bem colocado, Luciana. E para você que chegou agora na nossa programação, esse é o programa Entrevista em Foco e hoje estamos falando sobre a obesidade com a nutricionista Luciana Novaes.
Dando continuidade aqui ao nosso bate-papo, o sedentarismo ainda é um dos principais vilões? Como que ele acaba impactando no avanço da obesidade? Sim, a gente tem ele como um grande entrave para melhoras de doenças crônicas. Uma forma que a gente teria de gastar o excesso de energia que a gente está tendo, seja ele pela...
vindo pela alimentação inadequada ou por um consumo a mais do que a gente realmente precisa, seria eu fazendo uma atividade física, utilizando mais o meu corpo. E hoje, por conta, inclusive, dessas questões de desigualdade, a gente tem ficado cada vez mais preso em casa.
E aí, em casa, a gente tem escolhido as coisas que são mais práticas. Então, eu não faço mais uma atividade física, porque também não tenho acesso a isso, isso não é próximo de onde eu moro, o local, às vezes, não é seguro, então fico mais em casa. Então, esse sedentarismo, ele acaba sendo mais um gatilho, mais uma coisa que vai se somar com uma falta de atividade física.
onde eu não consigo gastar esse excesso de alimentos que estão entrando. Bom, Luciane, na prática, qual é o tratamento mais eficaz atualmente? Medicamentos, mudança de hábitos ou a combinação desses dois? O melhor tratamento é a combinação, e não só desses dois. Vai ter mais tratamentos que vão ser colocados ali.
porque a obesidade é uma doença que vem de muitas causas. A questão é que vai vir problemas genéticos, o corpo da pessoa pode estar funcionando de uma maneira que favorece a obesidade. Eu tenho situações do dia a dia, problemas psicológicos que podem levar a pessoa a um consumo inadequado, entre o sedentarismo, entre essas condições do dia a dia, do estresse, da vida urbana, que acabam impedindo...
a mobilidade da pessoa, o acesso ao alimento. Então, são várias questões. A obesidade é a ponta final de um somatório de problemas. Então, eu vou lá voltar lá atrás e onde que está o problema? Onde que o problema começou? Utilizar as canetas emagrecedoras, que são esses análogos de GLP-1, esses medicamentos, hoje tem sido muito importante.
Eu vou fazer isso com a orientação de um médico que vai escolher a dose, o tempo de uso. Mas não é só isso. Eu preciso junto desse profissional, um nutricionista, porque é ele que vai estabelecer uma mudança do hábito alimentar junto com esses profissionais.
entraria também um profissional de educação física, um psicólogo, onde poderia estar resolvendo questões de ansiedade, auxiliando durante esse período do tratamento, até para a pessoa enxergar essas mudanças como algo positivo, se reconhecer nesse processo de mudança, que também é muito importante.
Então, é um cuidado multiprofissional. Perfeito, Luciana. Eu agradeço sua participação aqui hoje. Foi muito importante a gente conversar sobre esse tema que é muito relevante para os nossos ouvintes. Eu que agradeço a oportunidade e estou sempre à disposição. Muito obrigada. E para você que está aí do outro lado do rádio, eu deixo meu muito obrigada pela companhia. Continue na programação para se manter muito bem informado. Até a próxima!
Você ouviu mais uma edição do Entrevista em Foco.