EP71 - Tem, mas tá faltando (A liberdade de escolher outra coisa) - Part. Santiago
Na infância, querer uma coisa muitas vezes significava receber outra. O desejo existia, mas a realidade tinha outros planos.
Neste episódio, converso com Santiago sobre falta, consumo, frustração e a diferença entre ter que escolher outra coisa e finalmente ter liberdade para escolher.
👤 Santiago:
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📚 A Normalidade é um Lugar Estranho:
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- A diferença entre ter que escolher e a liberdade de escolha na infânciapotência e ato·orçamento da mãe·desejo e falta·liberdade de escolha
- A frustração de ter o que se queria, mas não ter tempo para aproveitarcompra de videogames·falta de tempo·equilíbrio saúde, dinheiro e tempo·Diablo 4 e acesso antecipado
- Sonhos de infância e a realidade das possesbicicleta feminina·BMX Caloi·bola da Penalty·acidentes com brinquedos
- A importância de ensinar o valor do dinheiro e a escassez para os filhosdificuldade em dizer não·criação de escassez·mesada e autonomia·liberdade de escolha e falta
- Itens que definiam status social na infânciater carro·bicicleta própria·computador em casa·Nike Shox e Max Steel
Devaneios marsupiais.
Eita, que viagem!
Ter é um verbo curioso porque existe uma diferença entre aquilo que pode ser e aquilo que efetivamente é. Aristóteles chamava isso de potência e ato. Uma coisa, ela pode existir como potência e nunca chegar a se realizar, ou seja, nunca chegar a ser um ato concreto. Durante boa parte da minha infância, eu vivi uma versão economicamente adaptada dessa metafísica. Eu tinha muita coisa em potência, as possibilidades elas existiam, e o mundo fazia questão de mostrar que elas existiam.
Algumas crianças inclusive, elas levavam essas possibilidades para escola, sabe? Mas entre a potência e o ato existia um elemento que o Aristóteles ele não considerou quando ele foi fazer aí a teoria dele. Ele esqueceu de considerar o orçamento da minha mãe. Você queria uma coisa e simplesmente não dava, então tinha outra para substituir. E talvez seja aí que a gente começa a entender o desejo. A gente quer aquilo que a gente ainda não tem.
E quando a gente é criança, a gente consegue transformar essa falta numa coisa absolutamente gigantesca, Muitas vezes nem era exatamente escolher, né? Era meio que reorganizar ali aquele desejo dentro do que era possível de se ter. Você queria uma coisa, recebia outra, e mesmo quando aquela outra era boa, ela já chegava meio marcada pelo que ela não era, né? É o famoso tem, mas tá faltando. O curioso é que a gente cresce, começa a ganhar dinheiro, começa a trabalhar, conquistar as coisas pelo nosso próprio esforço, e algumas coisas que elas existiam só em potência, elas finalmente começam a virar ato.
Só que aí aparece um outro problema. O ter não encerra o desejo. A gente quer, a gente consegue, a gente se acostuma com aquilo e logo a gente encontra outra coisa para querer. O objeto de desejo, ele muda, né? A falta, ela muda de endereço, mas o desejo, ele continua trabalhando em outra função. E talvez seja aí onde a gente veja que existe realmente a liberdade que uma criança antes não tinha, né? Antes, escolher outra coisa era meio que uma consequência de um limite, e hoje, às vezes, a escolha é a escolha de verdade.
Você finalmente pode ter aquilo que você sempre quis e descobrir que simplesmente você não quer mais. Então hoje a gente vai falar um pouco sobre isso, sobre o que a gente queria ter, sobre o que dava para ter, o que veio no lugar dessas coisas, e o momento em que escolher outra coisa deixou de ser uma frustração e passou a ser a liberdade de escolha. Então, para levar esse papo comigo, eu trouxe ele, que é psiquiatra, ele que tem um podcast chamado Encontro Overse, que eu já participei lá algumas vezes, ele que é meu amigo pessoal Santiago, seja muito bem-vindo.
É um prazer participar finalmente do Devanews, né? O Koala que me acompanha nas minhas viagens aí para o interior, né? Sempre vou e volto ouvindo podcast. E o Devanews tá na minha lista. Até falei para ele, hoje eu saí ouvindo esse episódio aqui e tô no episódio, 4 episódios depois, na volta. Então você participou 4 horas de viagem comigo aí hoje. E como o Koala disse, é muito bom a gente, eu falo muito isso Quando eu participo, por exemplo, do Perspectivas Adulteradas, que o Koala também já participou, né, da nossa rede podosférica, que é engraçado quando a gente conhece amigos de infância que a gente se conheceu depois de adulto, né, que é aquela coisa de você perceber que mesmo à distância nós tínhamos a mesma infância compartilhada ali, né.
E quando a gente é chamado para falar sobre isso, é sempre muito nostálgico, né, muito gostoso de fazer, porque desperta aqui algumas áreas do cérebro ligadas realmente ao prazer, à nostalgia, a recompensa, né, o sistema de recompensa da gente que tá lá no hipotálamo, sistema límbico. Então isso é muito legal, sabe? Pois é, como ela disse, eu sou psiquiatra, tenho um podcast que não tem nada a ver com psiquiatria, sou professor universitário, sou escritor, faço um monte de coisa aí porque justamente a vontade de ter me faz querer estar em muitos lugares ao mesmo tempo.
Maravilha, cara, maravilha! É isso aí. É verdade, esqueci de citar aí que você é escritor, inclusive O link aí para o livro do Santiago vai estar na descrição do episódio. Então vão lá, garantam um exemplar de vocês, bom demais. Ele vem direto da editora, né?
Isso, eu lancei com o Clube de Autores e no Clube de Autores eles fazem on demand, né? Você ao comprar o livro, eles imprimem o teu livro e enviam. Tô pensando em algumas outras alternativas, em tentar disponibilizar aqui mesmo em Fortaleza algumas cópias físicas, mas ainda tô na fase de estudos como é que isso poderia acontecer. Caso aconteça, acompanha nas redes sociais lá do profissional que eu tenho, que é @drsantiagopsiquiatra. Se acompanhar por lá, quando eu tiver novidade eu vou compartilhar.
Tá aí, maravilha. Então, pra gente já entrar no assunto aqui sobre essa infância que a gente trabalhou aí nessas substituições, eu queria saber qual é a lembrança que tu tem da coisa que tu mais queria na tua infância, mas que tava meio que fora da tua realidade, né? Seja realidade financeira ou seja realidade de contato direto, porque tu passou boa parte da tua infância no interior, né?
Isso, cara. Tem uma que é muito engraçada, que ela, o fato dela ter existido, ela me propiciou uma das maiores quedas da minha vida, os maiores tombos da minha vida, digno de um partoba lá. Foi o seguinte, cara, eu tinha muita vontade de ter uma bicicleta para andar com os meus amigos, com os meus primos, né? Eu morava em Itapajé, que é uma cidade aqui no interior do Ceará, e lá em Itapajé por ser uma cidade pequena, cidade do interior, era muito, havia muita liberdade, né?
A gente tinha muito, muita liberdade de poder brincar na rua, de poder ficar até tarde fora de casa. É uma realidade que talvez o Koala não tenha podido viver aqui em Fortaleza, né? Pela questão mesmo do risco, ainda que fossem outros tempos, ainda havia assim um risco aumentado aqui. Então eu tive essa liberdade. E aí, cara, a minha irmã que é mais velha do que eu, 4 anos. Ela tinha uma bicicleta que era, vamos lá, uma bicicleta feminina, né?
Aquela CCzinha. E qual é a diferença disso? Tinha a cestinha na frente. Para quem conhece, bicicleta feminina ela não tem o varão, né, que é aquele, aquela barra de ferro que segura ali, que separa o guidão da sela. Então ela é meio que no formato de um U. Então você tem que ter mais cuidado quando você vai fazer alguma manobra, porque a bicicleta corre risco de fechar. Ela faz um, ela vira um I ao invés de um U, e o seu corpo vai de encontro ao guidão.
Mas não foi isso que me causou a queda. Outro detalhe importante, que aí esse sim foi o que me causou a queda, minha irmã é canhota. E aí eu aprendi a andar de bicicleta na bicicleta da minha irmã, e eu tinha muito medo de fazer as manobras por conta do risco, como eu falei, de a bicicleta fechar. Mas eu fazia o que dava para fazer e sempre freando com a mão esquerda, que era o freio traseiro, na mão esquerda. E assim eu aprendi, até que alguns anos depois Acho que uns 3, 4, 2 mil anos depois, meu pai me presenteou no Natal com uma BMX, cara, da Não Esqueça, Não Esqueça Minha Caloi, né?
Marcante aí, qual que é publicitário vai lembrar dessa peça publicitária aí que marcou a Caloi. Meu pai não esqueceu a minha Caloi, só que ele esqueceu de me avisar que a Caloi, né, que a bicicleta por natureza ela vinha com freio traseiro na direita. E aí agora eu tinha uma bicicleta, uma BMX segura, com um varão ali que me permitiria fazer as manobras que eu queria fazer. E eu tinha muita coragem, muita audácia. E aí eu decidi pegar a bicicleta e descer numa ladeira, e lá embaixo eu ia dar um cavalo de pau na bicicleta.
E para fazer isso eu tinha que acionar o freio traseiro, né, para travar a roda traseira e girar. Quando eu apertei com a mão esquerda, eu não travei. A roda traseira, travei a roda dianteira. E aí, na inauguração da minha bicicleta, cara, eu voei por cima da bicicleta assim. Ainda bem que era aquele barro, era uma rua de barro, então os danos foram menores, né? Foi mais a vergonha mesmo e a sujeira do que danos físicos. O dano psicológico foi muito maior do que o dano físico.
Entendi, perfeito, cara. O meu sonho de infância, ele era muito mais simples, né? Ele tava, ficou fora da minha realidade não porque ele era muito caro, porque enfim, qualquer coisa do tipo, mas porque não vendia em Fortaleza, né? O que eu queria era uma bola da Penalty. Na época a gente não tinha Centauro aqui, né, para comprar essa bola. A gente tinha que ir em outra, na BD Esportes, né, para tentar chegar, e não chegavam tão rápido.
Mas eu queria, era uma bola da Penalty que ela era preta e vermelha e ela era toda costurada, velho. Toda costurada, lindíssima a bola. E aí o meu sonho era ter essa bola, né? Não, porque eu queria, porque eu queria e tal. E durante muito tempo tive outras, né, bolas de futebol, mas essa bola em si nunca tinha chegado. Até o dia, cara, que essa bola chegou na minha casa, né? Minha mãe trabalhava no centro e aí ela trouxe essa bola pra mim, né?
Bola Benetton. Back dos Peixinhos. Back dos Peixinhos, exatamente. E aí, cara, bicho, eu lembro até hoje, tipo, da emoção de ver aquela bola, né?
Caralho!
E era do lado da BD, né? Trabalho dela, era perto da BD.
Era, acho que todo dia ela passava e pensava, hoje eu vou levar para o Humberto Neto a bola quadrada do Kiko.
É tipo isso, é tipo isso. E aí, cara, era bizarro assim, porque ao mesmo tempo em que eu queria muito ficar olhando para ela, eu queria jogar com ela, né? Eu queria chutar aquela bola e enfim, e mostrar para todo mundo que eu tinha aquela bola. Pois bem, no prédio onde eu morava tinha um Várias crianças, né? A gente cresceu basicamente junto. E aí a gente sempre jogava travinha, né? Pegava aquelas travinhas do condomínio, botava lá.
O piso não era um piso liso, era um piso cheio de blocos de cimento quadrado separado por espaços. Então toda vida que a gente descia, alguém saía, né, com o xaboque do dedo arrancado. Então era padrão, era padrão, todo mundo já arrancou o xaboque do dedo jogando futebolzinho lá no prédio. E a gente jogava no fundo do prédio, onde tinha um muro baixo na época, com aqueles pega-ladrão, né, que dava para o terreno de trás, que era uma casa que, enfim, a casa não morava ninguém, tinha um mato alto.
Pois bem, vamos jogar a travinha, né? E aí, nessa de vamos jogar a travinha, eu me empolguei, dei um chute na bola e a bola foi direto no pega-ladrão assim, ó.
Eu imaginei a cena quando tu falou que tinha um pega-ladrão. Eu disse, não, não acredito, cara.
E aí foi o primeiro e último jogo da minha bola, né? Bola furou lá. E aí a minha preocupação maior era: o que que eu vou falar para minha mãe, meu? Como é que eu vou contar isso para ela que eu furei esta bola, né? Acabou, acabou para mim. Aí conversamos ali rapidamente. Que foi que fizemos, né? Pegamos uma colinha Super Bonder, colamos os rasgos da bola e enchemos. E a bola segurou, segurou lá, não secou. Caralho, só que se a gente chutar pode ser que abra, né, a cola.
Então eu vou levar esta bola cheia para casa, vou deixar os rasgos virado para lá e vou deixar no meu quarto. Na minha cama tinha um baú, e aí botei a bola dentro do baú. E de vez em quando minha mãe ia lá, cadê a bola? Está aqui a bola. E aí mostrava a bola. Nunca mais joguei com a bola, só pude jogar com ela uma vez. Mas a bola, toda vida que minha mãe perguntava cadê a bola, tava lá. Até o dia em que, enfim, depois de passado muito tempo, precisava esvaziar nas coisas do baú, né, porque já iam entrando outras coisas.
Enfim, foi entulhando. A bola ganhou o seu devido destino, né. A gente foi jogar de novo, ela segurou durante um tempo, né. Depois a gente ia enchendo, eu tinha bomba, né, e eu ia enchendo a bola. Sim, mas enfim, descemos para jogar e aí finalmente a bola foi embarcada, né. Para você aí que não é de Fortaleza, do Ceará, não sabe o que é embarcar a bola, é quando você chuta ela e ela vai para outro terreno que não seu, né.
E aí embarcando o racha, né? O racha vai embarcar a bola. Que outra coisa que eles não vão saber, né? O que é o racha?
O racha é a pelada, né? Você que é do Sul, é a pelada.
E aí a bola foi, chama de baba.
Baba, é mesmo feio, né?
É feio, cara. Eu lembro que na época da faculdade eu conheci uma menina que ela era mineira, e aí um dia a gente começou a trocar mensagem, então ela fazia medicina lá em Minas e a gente ficou ficou naquela paquerinha virtual ali pelo MSN, né? Não tinha como dar certo, porque enfim. E aí ela perguntou, tu vai entrar hoje no MSN? Aí eu disse, não, eu vou para o racha e eu acho que eu só vou entrar mais tarde. Aí ela falou uma coisa, não, mas isso é muito perigoso, não sei o quê.
Eu disse, não, mas é só o pessoal de boa, a gente não entra, joga duro e tal. Pera aí, do que que você tá falando? Aí eu disse, não, tô falando de futebol. Aí, na boa, eu pensei que racha era corrida de carro. Aí eu disse, não, relaxa que isso aí eu nem carro eu tenho.
Também é, né? Mas aqui a gente fala muito mais sobre isso, sobre futebol, né? Mas também é rachinho, te bater um racha. Nunca tirou um racha não, Santiago?
Cara, não, eu sou medroso. Eu sou medroso para algumas coisas, eu sou medroso. Esse é um exemplo e vai totalmente de encontro, aliás, ao encontro do tema, vai totalmente ao encontro do tema, porque pelas minhas dificuldades mesmo financeiras eu não tive carro até me formar, né? Então depois Quando eu me formei, eu lembro que os meus primeiros plantões eu ia de ônibus, cara. Eu ia dar plantão de ônibus. E aí era até engraçado quando eu encontrava os técnicos de enfermagem na parada de ônibus, eles diziam, Doutor, o senhor vai pegar ônibus?
Eu disse, é, mas por quê? Porque eu não tenho carro, a alternativa que eu tenho é pegar ônibus. E aí eu juntei uma grana porque eu sempre tive muito medo, cara, de por conta da dificuldade financeira ali. Quem cresceu nos anos 90 viu os pais passarem muito perrengue vai entender isso. Meus pais lá em Itapajé, eles tinham uma confecção e faliu, né? Final dos anos 90, começando os 2000, uma crise econômica que o nosso país passou e faliu.
E meus pais sempre tiveram muita dificuldade de manter a gente, mas mantiveram com o que eles podiam oferecer. E quando eu comprei o meu primeiro carro, eu tinha muito, eu juntei dinheiro pra eu comprar o carro à vista, porque eu tinha medo de assumir aquela parcela e realmente não conseguir pagar, né? Aí eu juntei uma grana, comprei, era um Gol geração 3, cara, 16 válvulas. Então eu acho que por essa dificuldade eu tinha muito medo de fazer algumas loucuras com as coisas que eu adquiria.
Então carro, por exemplo, era uma delas, né? Eu nunca tive, por exemplo, coragem de testar qual é o limite que o meu carro consegue atingir na estrada. Eu tenho alguns cuidados assim, a minha vida também, né? Minha vida vale um pouco mais do que o meu carro. Eu tenho muito medo também, cara.
Tu falou sobre dificuldade financeira e aí eu lembrei de uma coisa, que quando a gente é criança tem algumas, alguns itens, algumas posses, né, que definem o que é uma criança que tem grana, o que é uma criança que não tem grana, né. Eu queria saber se tu lembra alguma marca ou algum brinquedo ou algum objeto que quando tu via alguém com ele, tu dizia, vixe, pronto, lá vem o estribado, né? Lá vem o barão, filho de barão ali. O cabra tem o que quiser, é Kiara, né? Tem tudo que quer na hora que quer.
É, eu não sei se aqui em Fortaleza era igual, né? Talvez tu vai me dizer. E também tu cresceu aí numa geração uma década posterior. Não sei se a década que tu cresceu e o local onde tu cresceu mudou isso, mas lá em Tapajé um dos critérios era ter carro. Se o pai tinha carro já começava, já largava na frente, né? Outro critério era ter a sua própria bicicleta que não era compartilhada com os irmãos, né? Porque era muito comum ter uma bicicleta na casa que era bicicleta da casa, que, sei lá, teu pai usava para ir comprar pão, tu usava para ir para o colégio, teu irmão usava para ir para o colégio, para ir— meu irmão jogava muito handebol e futebol, então ele ia para o colégio jogar, bater o racha dele lá.
Então tinha bicicleta compartilhada, então ter a própria bicicleta ter o pai ter carro. E nos anos final ali dos anos 90, segunda metade dos anos 90, foi ter um computador, né, ter um PC em casa, seu 486, seu próprio 486, né, com seus imensos 16 megabytes de memória.
Então, cara, tu falou isso aí, eu tava lembrando um dia desse conversando com minha mãe, se ela lembrava do primeiro computador que a gente teve em casa, que era um computador que tinha 8 GB de HD, que era um puta armazenamento gigantesco. E aí quando a gente foi dar um upgrade, a gente pegou o maior HD que tinha na época, que era 32 GB de HD. Negócio assim inacreditável, pô, 32 GB cabia o mundo lá dentro. Eu lembro que eu não consegui botar isso tudo, cara.
No primeiro computador eu instalava, eu instalei Diablo, né, Diablo 1, que era o primeiro jogo que eu lembro assim de tirar para jogar mesmo. E aí quando saiu Diablo 2, Diablo 2 eram 2 CDs, eram 2 discos. E aí eu lembro da minha mãe levar as mãos à cabeça e dizer, meu Deus, são 2 CDs inteiros de coisa, esse jogo é gigantesco!
700 megabytes cada CD, né?
E agora? E agora vai lotar, vai lotar o computador. E eu disse, mãe, pelo amor de Deus, é Diablo 2, deixa eu instalar, deixa eu jogar.
Ainda bem que a gente tá nem a rigidez aí de algumas pessoas que quando vê o nome Diablo já proíbe na entrada. Também sempre foi muito tranquilo.
Sabe que eu sempre fui um esquisito, né? Então ela, ela me viu crescer nesse meio. Eu sempre gostei de caveira. Quando era criança, cara, eu tinha uma máscara do Nosferatu e era uma máscara hiperrealista. Inclusive, depois tu pergunta para ela essa história, meu irmão. Eu era pivetinho, pivetinho mesmo, papo de 4, 5 anos. Eu botava a máscara, ia pegar o atemi, e era minha diversão, era andar com o diabo da máscara e ver as crianças chorando olhando para mim. Sério, cara?
Eu gosto muito de fantasia. E ano passado eu fui para um cruzeiro, eu fui fantasiado de Freddy Krueger, né, com a máscara, com chapéu, a roupa, a luva com as garras, só que era de plástico, né, porque como eu ia de avião não tinha como eu mandar fazer a de metal, não dava para fazer. E aí andando lá no cruzeiro foi engraçado porque teve um pivetinho lá que ele tinha uns 10 anos e a mãe dele disse que ele era fã do Freddy Krueger e ele queria muito tirar foto, mas ele tava com medo.
E aí foi engraçado que eu cheguei perto dele, aí ele ficou com aquele medo, aquele receio. E aí eu tirei a máscara, eu não assustei mais do que a máscara, tá? Eu assusto menos sem a máscara.
Boa! Quando puder, tira aí pra gente ver.
Depois eu tiro, no final vai ser o plot twist aqui. E aí eu me aproximei dele, né? Eu falei, só é só uma máscara, né, de borracha, não precisa ter medo e tal. E aí ele ficou de boa e veio tirar foto comigo. Mas era engraçado, cara, que onde eu passava era a galera querendo tirar foto, inclusive as crianças, né? Então Sim, eles ficavam muito. E eu acho que se eu tivesse uma máscara do Nosso Ferato quando criança, eu seria também o pivete que ia para o shopping com a máscara do Nosso Ferato.
Tu é doido, cara. A máscara, se eu encontrar a imagem da máscara, eu vou colocar aqui no episódio para a galera ver. Cara, essa máscara do Nosso Ferato era maravilhosa, bicho. Ela era perfeita, perfeita de verdade. Pelo menos na minha memória ela era perfeita.
Vale a pena ter de novo, cara.
É, vale a pena ter de novo. Se eu conseguir encontrar um dia, talvez eu recupere para botar aqui no cenário, porque eu tenho duas ali, só que essas aqui não são Ó, é o Deadpool e a outra é o quê?
Wolverine.
Wolverine.
Mas elas não são utilizáveis, elas são só decorativas.
Mas, cara, voltando para o tema, na minha época, né, de infância, tinham 3 itens que definiam o playboy, né, que definiam o rico, que era o Nike Shox, o tênis Nike Shox, o celular V3 ou o BlackBerry. Quem tinha um BlackBerry era muito playboy. O V3 um pouco menos, mas o V3 rosa, tu era muito playboy se tu tivesse. E o terceiro elemento, e o terceiro ponto, terceiro item, era o boneco do Max Steel. Só que não era o Max Steel, o Max Steel, né, porque o Max Steel era fácil de falsificar.
Então tinha rodo para vender. O que definia se você era um playboy ou não era se você tinha o elemento E aí tinham dois elementos que eram os mais difíceis de achar, né? O primeiro era o elemento da água, que o bicho era meio cinza. Uma das mãos dele era uma geleca, né, em formato de água, em formato de onda. E pô, o boneco era muito feio, cara, era muito, era muito feio de verdade. Só que ele era muito meio difícil de achar. Então quem tinha ele, pô, é porque conseguiu comprar logo no comecinho e tal.
Então garantiu o bicho logo no lançamento, né? E tinha um outro elemento que era um pouco mais difícil de conseguir também, que era o Elemental de metal. E aí o Elemental de metal, ele machucava, ele tinha uma coisa na época que, né, ninguém ligava muito para segurança das crianças, não olhava muito para isso, né? Não, ele tinha uns ganchos nas costas que, meu irmão, sério mesmo, era uma arma branca, pô, era uma arma branca. Eu queria muito, cara, não era tipo um escorpião não, era nas costas mesmo, era tipo um porco-espinho, só que em vez dele ter vários espinhos, ele tinha uma serra nas costas, que era um negócio meio, enfim.
E aí o negócio furava de verdade, pô, machucava de verdade. E aí qual era a graça de você ter esse elemento? Era você tá no meio da aula, segurar ele pelas pernas e blau nas costas do seu amigo, né, para deixar a marca do elemento nas costas. Então isso aí definia muito o playboy, muito de verdade, cara.
Tu falou isso agora, eu lembrei do, na minha época, de, houve, teve uma situação semelhante, né, porque como eu te falei, por sermos de uma década separados por uma década, eu vivi o momento em que os Cavaleiros do Zodíaco estavam surgindo aqui no Brasil, né? Inclusive, acho que quando esse episódio for ao ar, a gente vai ter lançado o episódio que a gente fala sobre Cavaleiros do Zodíaco lá no Encontro ao Verso. A gente chamou o Douglas lá do canal Nerdolas, que ele tem um canal só dedicado a, assim, 90% Cavaleiros do Zodíaco.
E a gente chamou para fazer um, para revisitar, né, tudo sobre Cavaleiros do Zodíaco, relembrar aí das memórias. E eu vivi a época em que isso chegou ao Brasil, cara. E ter o Cavaleiros do original também era coisa de Playboy. Eu tinha, por exemplo, que vendia na feira, que as peças eram de plástico, né?
Na verdade, muitas vezes você nem tinha um Cavaleiro do Zodíaco, você tinha ou um churato, né, que era vendido na mesma cartela dos Cavaleiros do Zodíaco, que era o churato que ele tinha um leão aqui no peito e você colava ele assim, né? Ou aquele outro que era dos samurais, que era Kabuto, Kabuto Ranger, Kabuto não sei o quê, que ele tinha, né, as peças de samurai E aí era vendido na mesma cartela dos Cavaleiros do Zodíaco também.
Aí muitas vezes você tinha um time que era o Shiryu, o Churato, alguém dos Kabutos e coisa, e você fazia os seus próprios cavaleiros, né, cara?
Mas nessa época, eles— houve uma época em que a galera fazia igual ao da Bandai, né, original, só que ele era de plástico assim, as peças eram de plástico, a armadura, porque o cavaleiro ele tinha uma diferença né? O plástico do Cavaleiro Original, ele era um plástico mais resistente, mais duro, né? E as articulações dele eram mais resistentes também, então ele não quebrava facilmente. E os que a gente tinha, né, ele, os bonecos eram mais frágeis e a armadura ela era toda de plástico, né?
Então o pino que encaixava a armadura, que não sei se vai lembrar disso, que para encaixar ele tinha um furinho no boneco e um pino na armadura onde você encaixava a caneleira, a parte da coxa, o tórax, né?
Que aí muitas vezes você não encaixava nem a peça de trás na peça da frente, né? Às vezes tinha uns pinos que iam dentro da perna do boneco, né?
O negócio mesmo. Exatamente. E aí o de plástico, ele muitas vezes quebrava esse pino, aí tu tinha que tacar um durex lá para poder emendar a parte da frente na parte de trás. Então isso também era uma marca. Tu falou, na hora que tu falou do Max Steel, eu lembrei dessa, desses bonecos, né, dessa marca. In the Level aí que designava quem era, quem era Playboy.
É verdade, é verdade, bem lembrado. Mas tinha uma outra coisa, outro aspecto que eu lembrei aqui enquanto a gente conversava, que definia muito também o Playboy, né, que eram as festas de aniversário, bicho. As festas de aniversário, eu lembro que quem fazia festa de aniversário no McDonald's com teatro de fantoche, né, quem fazia aniversário em buffet, pô, isso era muito coisa de Playboy, né. E eu lembro que na minha época época, tipo, pô, muita gente queria fazer aniversário no Game Station, por exemplo, né, liberar o cartão.
E aí, detalhe, no próprio aniversário do Game Station tinha níveis, porque tinha gente que fazia o aniversário no Game Station e aí recebia aquele cartão com R$20, que na época R$20 dava para jogar para caramba, mas era um nível. E aí tinha outro nível que era quem recebia o cartão com 3 horas de Game Station ilimitado assim. Então aí era um outro esquema, tá ligado, era um outro nível E aí muitas vezes você queria isso aí, né?
Você queria levar os seus amigos pro Game Station jogar e tal, mas aí muitas vezes não rolava. E aí você tinha que, sei lá, cada um chamava a galera e cada um inteirava 10 conto, vocês botavam lá às vezes R$50, R$60 no cartão, vocês iam jogar eRocker, ou então iam jogar alguma coisinha dessa que desse para jogar todo mundo junto.
Cara, tu falou isso agora, eu lembrei. Hoje em dia ainda rola, né, esses aniversários esses game station dos shopping, né? E cada um, cada shopping tem o seu próprio nome, né, para o game station. E eu tenho duas filhas, né? A Lilian tem 15 e a Maria vai fazer 14 agora em outubro. Quando elas eram menores, né, era muito comum os coleguinhas fazerem festas nesses game station da vida. E aí o que é que eu fazia? Eu ia com elas, né, eu, minha esposa, elas, e eu pegava o cartão de uma delas.
E agora é tipo assim, é liberado, cartão é liberado em todos os brinquedos, e naqueles brinquedos que dá brinde ele não passa, a não ser que tu carregue, uma coisa assim. Porque tem os brinquedos que é só pela brincadeira, aí nesses é liberado. E nos que dão brinde, tipo a maquininha de urso, ou naqueles, sei lá, enfim, tem outros lá, nesses ela não é liberada. Aí o que que eu fazia? Eu dizia, ó, Lilian e Maria, vocês são irmãzinhas, vocês têm que ser unidas, e vocês vão andar com, agora durante alguns minutos, vão andar com um cartãozinho para as duas.
E o papai vai lá por aquela máquina ali. Aí eu ia, cara, para o Guitar Hero, que era com a guitarrinha Papai vai lá para aquela máquina ali, depois minha filha vai lá. Ou eu ia para o Guitar Hero ou ia para aquele de dar soco, sim, que mede a força do soco. Só que aquele ali você dá 3 socos, tua mão fica moída, e aí tu não quer mais brincar.
É a bola seca, né, mano? Vai socar um negócio esquisito, às vezes tu erra ainda certa corda do bicho.
Então ali eu gostava de fazer. Hoje ainda tem essa ideia, só que é liberado. Cara, então se quiser fazer teu aniversário hoje em dia num desses aí, tu vai conseguir ter essa experiência.
Acho que eu vou fazer, acho que eu vou fazer, acho que eu vou fazer. Meu aniversário é de 33, idade de Cristo, é 15 de março.
Então eu sou de março também, cara, sou dia 21 de março.
Aí, mas bora fazer junto, bora, a gente faz combinado, combinado. Eu acho que a capa desse episódio vai ser eu e tu segurando um bolo.
O nome do aniversário vai ser múltiplo de 11, tu vai fazer 33 e eu vou fazer 44.
Tá aí, boa.
Pronto, é o múltiplo de 11.
Pois pronto, pois tá combinado. Você, ouvinte, tá convidado para ir para o nosso aniversário. Só avisa antes que a gente vai fazer a lista, e aí os melhores contribuintes de cada podcast vai ser convidado, né? Vão ser convidados lá para nossa festa. Então contribuam. Falando em contribuam, apoia.se/devaneusmarcipiais. Se você tá gostando do papo, gostou dos episódios antigos, vai gostar dos futuros, considere apoiar a gente. A partir de R$1 você consegue estar ajudando muito a gente a continuar produzindo podcast.
Nosso objetivo é voltar a produzir semanalmente conteúdo. Por enquanto não tá dando, não tá dando para priorizar o canal porque, enfim, a gente teve uma queda aí nos apoiadores. Rapaziada, vamos investir, vamos apoiar, porque a gente agradece demais, né? A gente gosta muito de fazer isso aqui, vocês também gostam, a gente recebe muito feedback de vocês. Porém, a gente precisa que isso aqui comece realmente a andar com as próprias pernas.
Então apoia.se/devoneusmarciaupiais, o link vai estar na descrição do episódio. Se você puder apoiar com qualquer valor, a gente agradece demais. Mas lembrando que tem prêmio para quem apoia a partir de R$20, né, que aí faz parte lá do Safari Marsupial, vai poder opinar quanto aos temas, vai poder participar das discussões. E a partir de R$50 você pode mandar um vídeo aqui para gente comentando o tema da semana. E a partir de R$120, se eu não me engano, você ganha a blusa do podcast.
Então vai lá, considera apoiar e vamos nessa. Mas enfim, Santiago, uma coisa que eu tava me lembrando eram sobre os passeios de escola, né, os passeios de infância. Cara, eu lembro de um momento traumático, é loucura, né, mas eu lembro de um momento muito triste assim para mim na minha infância, que foi quando eu descobri que existiam— eu estudava num colégio onde estudava desde o filho do prefeito até a pessoa menos favorecida da história, assim, todo mundo estudava junto.
E é isso, eu achava isso muito massa. Só que a turma onde eu estudava, a maior parte da galera tinha tinha uma condição financeira muito, muito, muito, muito boa.
Muito boa. Se quiser, tu bipa aí o nome.
Eu estudava no Stella Mares, cara. Stella Mares já fechou, inclusive, né? Foi uma grande tristeza aí.
Mas ele era para cá.
O que que acontece?
Onde, hein, Humberto?
Stella Mares era na Antônio Justa, pertinho da Beira-Mar.
Não lembro dele não.
É, hoje é um prédiozão enorme, super chique lá, mas antes era um colegiozinho de freira bem legal. Legal. Eu estudei minha vida quase toda lá, só não fiz o ensino médio porque ele fechou antes de eu chegar no ensino médio.
Eu estudei em Colégio de Freira até 8ª série, que seria hoje o 9º ano, mas continuei.
Eu saí de lá e fui para o Batista, né? Aí no Batista foi outra loucura. Mas o ponto do Estrela Banris era, eles resolveram que iam fazer um passeio para Disney. E aí, cara, eu lembro de chegar para minha mãe com o papelzinho da viagem E ela olhar e dizer, tá ficando louco, né? Tu tá maluco, um negócio desse é simplesmente inviável. E aí eu lembro de que eu fiquei tipo, caralho, não é possível, não vou para Disney e tal. E meus amigos, cadê?
Tua mãe já pagou? Eu vou para Disney, vamos para Disney, vamos para Disney. E eu tipo, mãe, pelo amor de Deus, tu vai pagar não o negócio da Disney? Ela, meu filho, não tem como, não tem como. E na época, obviamente, eu não entendia, né? Mas aí ela dizia, pô, tem uma casa para sustentar, eu tenho que botar comida na sua mesa, não tenho como, eu sou sozinha, então eu não tenho como. E aí eu ficava, meu Deus, não é possível, por que que a mãe do Cássio consegue, a minha mãe não consegue?
E aí não tinha a menor noção, né, de dinheiro, de esforço, de nada. E aí enfim, recebi o último não, né, que é o não com raiva, e é o não de não me peça mais porque não vai acontecer. E aí eu fiquei tipo, caramba, velho, e agora? E agora? Aí eu assumi uma nova persona, né? É a persona do, eu não tô nem aí pra Disney, quem vai pra Disney é super otário. E aí assumi essa personalidade de, haha, Disney é coisa de otário. E aí hoje ainda eu tenho um pensamento muito de tipo, caramba, velho, eu queria muito ter ido pra Disney, sabe?
E eu nunca consegui ir pra Disney. E agora eu vou pra Europa, a gente ia pra França, e aí, caramba, finalmente eu vou pra Disney, né? Vou pra Disney da França. E aí a gente tirou a França do roteiro, não vamos mais. Porém a gente vai para o Parque da Warner, e aí eu vou considerar essa minha Disney porque eu vou conhecer a Batcaverna. Então para mim já compensou mais do que a Disney, cara.
É, por ter crescido, mas a turma podia ter dito assim: não, nós vamos agora no, no, na Carreta Furacão que tem o Mickey lá, e tu vai ver.
Não, mas isso aí a gente ia todo domingo. Todo domingo, todo domingo de verdade.
Teu Mickey tava lá, né? Tava lá, é, cara. Assim, era uma realidade completamente diferente, né, no interior. Coincidentemente, isso que você falou, havia a mesma coisa, né, lá, porque eu estudava no colégio do interior, que era tipo assim o colégio mais caro, mas que não era— hoje eu entendo que o colégio mais caro naquele momento era um colégio de bairro. Entendeu? Aqui em Fortaleza seria o equivalente a um colégio de bairro.
E nesse colégio, na minha turma, estudavam o filho do prefeito, que depois veio a se tornar prefeito em um dato, por exemplo. Tinha filho dos comerciantes mais ricos da cidade e tinha um pessoal que eu acho, eu não sei se estudava lá de bolsa ou não, porque como era o colégio da igreja, né, eu acho que havia ali muito, muita filantropia. Então tinha muita, muita bolsa mesmo, né. Então tinha pessoas que hoje Na época, como tu disse, a gente não tem a menor noção disso, né?
Mas hoje, quando eu faço essa avaliação em retrospecto, eu creio que havia pessoas ali que estavam lá porque alguém estava pagando, seja o colégio ou seja um filantropo que estava custeando aquilo, não é? Porque tinha essa diferença. E que para a gente, cara, é curioso como essa coisa da desigualdade social, ela realmente é uma coisa muito sociológica, né? Né? Porque enquanto criança, para ti, o cara que mora na periferia e o cara que mora no Meirelles, no Guaranapes, a criança para ele é outra criança ali.
Ele não tá nem aí se o pai dele é milionário, bilionário, ou se ele é um assalariado, ou se ele vive de algum auxílio governamental, né? A criança, ela é muito mais limpa, né, nesse quesito. Então é isso que faz com que a gente, enquanto criança, não tem essa percepção de que o coleguinha ir para Disney é algo que vai fazer nenhuma diferença no orçamento da família dele, mas que para a gente, por exemplo, seria decretar falência familiar.
Sim, total.
A gente não tem esse conceito.
Isso é muito louco, né? Porque em algum momento da vida, e a gente não sabe muito bem traçar quando, né, a gente começa a perceber que as coisas têm valor, né? Tem um preço. A gente começa a entender um pouco mais sobre, sobre o quanto custa viver, né? E a gente começa a perceber que eu acho que isso acontece na verdade no primeiro momento em que a gente ganha ali uma mesada, ou a tua mãe te dá um dinheiro, tu compra alguma coisa completamente perecível, sei lá, tu compra uma coxinha, e aí tu come aquela coxinha e a tia da merenda não te devolve o teu dinheiro.
Aquele dinheiro foi, e a coxinha já já vai embora também. E tu percebe, caramba, velho, eu perdi aquilo que era meu, tipo, eu gastei com uma coisa que provavelmente isso não, enfim, eu se eu tivesse juntado com mais dois eu tinha comprado outra coisa que talvez durasse mais. Daí a gente começa nessas pequenas ações a entender o valor das coisas, né? Daí trazendo um pouco pro tema do episódio, eu lembro que assim, eu nunca tive a condição de ter o videogame da época, né?
Eu lembro que meus primos eles tinham Super Nintendo e aí eu ia jogar lá na casa deles e era super legal, só que aí eu lembro do lançamento do PlayStation. E aí eu nunca, eu não podia ter o PlayStation porque o PlayStation lançou e era caro. E sei lá, na época acho que era R$500, e tipo, R$500 era muita grana, pô. R$500 era muita grana levando em consideração o quanto era o salário mínimo na época. Enfim, era muito dinheiro. E aí quando lançou o PlayStation 2, eu ganhei o PlayStation 1.
E aí eu, caramba, meu irmão, que irado, né? Que irado, ganhei o PlayStation 1, estourei. Estourei, estourei absolutamente, estourei. E eu lembro que foi justamente nessa época em que começou o mercado da pirataria de jogos, começou a pipocar, né, o CD, depois com PlayStation 2 os DVDs, né, PlayStation 3 e tal. Essa foi a época de ouro da pirataria. E eu lembro que até mesmo nos Game Boys os cartuchos que a gente comprava eram cartuchos principalmente do Game Boy Advance e do Game Boy Color, era um cartucho modificados também, né?
E a gente conseguia comprar isso, sei lá, na época R$20 o cartucho. O cartucho que custava R$90, R$70, passava a custar R$20. O jogo de PlayStation 1 custava R$5, que era o preço da gravação do CD.
E aí comprava o CD a 50 centavos, gravava e vendia R$5, né?
Eu não sei se tu lembra da torre de CD que a gente comprava, né?
Eu tenho uma aqui ainda, uma CD Vision.
Oi, pô, isso era maravilhoso! Você comprava uma torre de CD Vision. E um detalhe, vou contar, vou expor aqui um negócio. Na época, minha mãe comprou o aparelho de gravar, né?
Já prescreveu.
E aí ela— eu instalei o Nero e eu comecei a vender no colégio. Na época do lançamento do Linkin Park Meteora, eu fiz várias cópias e eu vendi todas essas cópias no colégio. E aí, com esse dinheiro, eu comprei mais CD Vision, eu comecei a gravar CDs para as pessoas, e as pessoas começaram a encomendar CDs. CD. Aí eu baixava no Ares, se eu não achasse no Ares, baixava no Casar, gravava no Nero. Nesse momento a galera da geração Z já mudou até o programa, né, já não sabe mais nem o que que eu tô falando, já perdi a retenção aqui agora, foi, foi para o caralho.
Mas é isso aí. E aí eu comecei a fazer um pequeno império, né, vendendo CDs falsificados. Mas o que eu queria dizer era, o meu argumento de barganha para época era Mãe, não precisa gastar dinheiro com jogo. Tu não vai gastar dinheiro com jogo. Se tu me der esse videogame, tu só vai ter o teu gasto de comprar o aparelho. E nem precisa ser o do ano, né? Na época do PlayStation 2 eu ganhei um, na época do 3 eu ganhei o 2, aí um pouquinho mais para frente eu ganhei o 3, né?
E aí eu ficava tipo, cara, eu pegava o dinheiro do lanche, eu comprava de jogo, pegava o dinheiro de tal coisa pegava de jogo também, porque eu não sei se tu sabe, o Nero ele não gravava jogo, né? A gente não conseguia queimar o CD com jogo, era outro programa, e esse outro programa era pago. E na época eu não conseguia pagar pela internet porque ele não queimava, era tudo, não queimava, só queimava música. Não, cara, eu acho que a gente conseguia, mas tu tinha que usar na velocidade 2x, pô, que eu lembre era um outro programa, porque eu lembro que eu tinha que pagar por esse programa e não dava porque tinha que usar o cartão de crédito.
E aí eu não tive PS1, eu tive PS2. Pelo menos para DVD, para DVD o Nero já funcionava. Eu sei porque eu tenho muitos jogos aqui com a minha letra. Então, e eu gravava justamente no Nero, né? Eu baixava o ISO sem a imagem do DVD. Só que tinha esse detalhe: se você gravasse mais do que 2x, ele não lia. O leitor do PS2, ele não conseguia ler o CD pirata gravado em 4x, 8x. Para tu gravar em 2x, tu tinha que cruzar os dedos para não dar erro.
E esse era o grande, o grande empecilho. Como eu te disse, eu não sei como era no PS1, mas no PS2 havia essa barreira aí de hardware.
Sim, uma das coisas que me veio na cabeça é que muitas vezes, antes mesmo da gente levar o não, a gente já barganhava pelo mais barato, né? Tipo, olha, tu não precisa me dar o jogo original, tu pode comprar naquele camelô ali que R$5, tu não precisa gastar R$70 no jogo, vai ali que é R$5. Pode comprar, você ia na praia, pô, passava o cara vendendo jogo de videogame na praia. Exatamente, cara, sério, esse supermercado, né? Exatamente, em todo canto tinha.
Tu ia no shopping, qualquer shopping da cidade, na esquina do shopping tinha um cara com uma tela, né, um negócio, vários jogos pendurados, mais um bichão assim de um porta-disco com dezenas e dezenas de jogos que você podia ir lá. E, cara, às vezes o filme lançamento ele chegava muito antes no Camelô do que ele chegava na locadora, pô. E eu acho, a galera atribui os streamings como o grande matador das locadoras, cara. Eu atribuo ao cara da esquina do shopping, pô, porque aquele cara tirava o público da— porque, pô, eu ia pagar R$7, às vezes R$14 quando era lançamento na Distribúdio, ou eu ia comprar o filme, ter quanto para assistir quantas vezes eu quisesse, tivesse por R$10, eu ia comprar para assistir quantas vezes eu quisesse por R$10, né? Então eu atribuo a quebra das locadoras à pirataria.
A minha ex-área, na minha ex-área, era o Norte Shopping, era Norte Shopping, cara. Eu era, eu moro ainda hoje na Parquelandia, né? Então eu cresci aqui na Parquelandia, cresci aqui, né? Eu vim morar em Fortaleza, eu tinha 14 anos, e nessa época eu já vim morar perto, eu vim morar no Antônio Bezerra, que é do lado da Parquelandia. Eu estudava no colégio que ficava na Bezerra Quem conhece aí sabe qual é o colégio que eu tô falando, que mudou de nome no ano que eu estava lá, né?
E ele era bem pertinho do Norte Shopping, cara, e a gente ia a pé. E de fato, num dado momento, começou a ter entre o colégio e o Norte Shopping, tinha esses cara que estavam vendendo lá. E aí a gente juntava justamente o dinheiro do lanche para poder comprar o filme que tava saindo. Exemplos posso citar aqui de filmes que eu assisti nessa locadora alternativa de calçado. Matrix, Velozes e Furiosos 1, Blade 1, 2 e 3 são filmes que eu tinha o meu próprio filme.
E aí eu não sei se tu vai lembrar, cara, outra coisa. E aí volta de novo para entrar no assunto. Parece que a gente tá saindo da pauta, mas na verdade a gente tá só circulando a pauta, né? Porque a gente tá falando sobre coisas que a gente queria ter e os métodos que a gente fazia para tê-lo. E aí eu sempre gostei muito de shows, né, show de bandas e tal. E uma coisa que eu fazia muito, eu tô olhando ali porque eu tô procurando um exemplo de um desses, eu alugava às vezes, eu pegava emprestado, ou eu baixava o ISO.
Era mais difícil baixar o ISO porque a internet não tinha tanta velocidade, e um ISO desse tinha 4,3 GB. Então até hoje você baixar um 4,3 GB demanda um certo tempinho, você imagina, a gente tá falando aí de 20, 23 anos atrás. Então nessa época eu fazia, eu alugava o filme ou show, eu gravava para mim, e na internet tinha tinham sites dedicados só a capas. Aí você baixava a capa do filme, a capa do show, e aí eu imprimia, ia numa gráfica, imprimia num papel brilhoso, ou se eu tivesse em casa uma impressora e o papel brilhoso, fazia em casa, recortava e colocava dentro do encarte.
Ou seja, você olhava, cara, você tinha um CD lá, o DVD original, entre aspas, só que todo feito em casa, né?
Eu gravei muito DVD de locadora, muito. Os filmes do Alien gravei quase todos, Predador gravei quase todos, os filmes terro, dava valor. Os outros, Sexto Sentido, Ringo, aí nenhum de nós. Caramba, cara, é isso aí! Comprava essas capinhas de coisa na Pedro I.
Exatamente. Aí você fazia essa, obviamente esse encarte não é o original, né? Sim, mas você olhar ali na prateleira, você nunca vai saber, a não ser que você abra. É de E tinha uma galera que imprimia até o label do disco, não sei se tu lembra disso, e o cara fazia todo 100% igual.
Isso aí é uma das coisas que a gente pensa que é uma alternativa de substituição que às vezes é tão bom quanto o original, né? Porque a gente tem a mania de pensar que, ah não, esses métodos alternativos, falsificação, é tudo ruim, é tudo, enfim, todo paralelo é ruim, e tinha muito paralelo que era melhor do que o original, né? E não vou nem muito longe, cara, falando em paralelo e original, criança rica comia Negresco, né? Só que a galera daqui, pô, comia o Escureto da Richester.
Escureto era bom para caralho, muito melhor do que o Negresco, muito melhor do que o Negresco. E a galera tinha um preconceito medonho, né? É, e é a melhor gordura que tem, né? A gente sabe que a única gordura possível é a saturada ou aquela da picanha bem fritinha. Exatamente, são as gorduras que podem. Gordura vegetal, que tem a ver, né? Deixa, deixa para lá. Mas, cara, esse processo de infância transformou a gente em quem a gente é hoje, né?
E aí hoje nós somos pessoas que conseguimos ter nossas profissões bem estabelecidas, conseguimos ganhar o nosso próprio dinheiro, comprar algumas coisas que a gente queria. E aí muitas vezes a gente, essas coisas, elas vieram carregadas com um pouco de frustração, né? Porque aí a gente tem essa coisa, começa a utilizar, e a gente percebe que essa coisa nem era tão legal Legal assim, né? Tu tem alguma coisa na memória assim que tu queria muito ter quando era criança?
Quando tu teve a oportunidade, tu comprou e tu disse, putz, velho, bosta é essa aqui, cara.
Eu tenho um hábito peculiar de colecionar coisas e eu acho que isso deve muito a isso, da vontade que eu tinha de ter e não podia. Vou dar exemplos de coisas que eu tinha vontade de ter. Instrumentos de corda, tinha muita vontade. Eu gosto de tocar violão e hoje, por exemplo, virar aqui, ó, ouvinte, aqui tá uma parte dos instrumentos, né, corda. Já aconteceu não de eu não gostar do item, mas já aconteceu, por exemplo, e aí eu vou citar um exemplo.
Eu sempre gostei de videogame. Lá em casa a gente tinha um Super Game, acho que era Super Game da CCE, né. Eu não tinha o Atari, mas era o clone dele, que era o Super Game. E foi justamente nos anos 90 quando surgiu o PlayStation 1. Foi aquela situação que eu comentei acerca da dificuldade que meus pais enfrentaram. Então eu não tive como acompanhar o lançamento do PlayStation PlayStation 1, o próprio Super Nintendo eu tive porque o meu irmão tentou montar uma locadora, a locadora faliu, ele botou para vender e acabou que um dos Super Nintendo sobrou e foi ficando lá em casa.
E meio que até hoje ele tá aqui, tanto que ele tem o nome Plantão Games, que era o nome da locadora, a locadora dele lá em Tapajé. No PlayStation 1 foi, foi um momento em que eu vim morar em Fortaleza, eu tava estudando ali no ensino médio, queria fazer medicina, que é um curso muito difícil hoje, mas você imagina na época em que só havia medicina na Universidade Federal do Ceará, não tinha nenhuma outra faculdade, nem particular não existia nesse momento.
E mesmo que tivesse, eu não tinha como pagar. Então eu tive que estudar muito, né, para poder passar no vestibular. Tanto é que eu passei na terceira tentativa. E aí, cara, isso, o tempo foi passando ao longo do ensino médio, mais 3 tentativas, e essa terceira tentativa, então foram aí 5 anos em que eu fiquei ausente do mundo digital, do mundo pop, da cultura pop, dos games e tal. E eu comecei a voltar para isso quando o PlayStation 2 tava surgindo, cara.
Eu passei no vestibular em 2002, né, comecei a faculdade em 2003. Então eu comecei a voltar quando o PlayStation 2 tava já começando a surgir e eu tinha muita vontade de ter um PlayStation 2, mas eu não tinha dinheiro. E aí o que que eu fiz na época? Eu lembro que o PlayStation 2 custava, agora tenho dúvida se ele custava R$300 ou ele custava R$600. Eu acho que era R$600. R$600. Eu dava aula particular e eu me programei para juntar o dinheiro de ter o para comprar o videogame.
E quando eu cheguei no valor que eu precisava, que era R$600, eu não tive coragem de comprar porque eu pensei, porra, demorei tanto tempo para comprar, para juntar esse dinheiro, se eu comprar vai zerar minha carteira, tipo assim, 100% do meu dinheiro vai embora. Já sei, vou juntar o dobro. E aí eu juntei R$1.200 e comprei por R$600, né? Eu gastei metade da minha economia comprando videogame. E esse videogame eu usufruí muito assim, eu joguei muito, muito, muito, porque eu tava na faculdade, E aí aconteceu em 2009, quando eu me formei, foi o ano de lançamento ali, pouco antes foi o lançamento do PlayStation 3 e do Xbox 360.
E aí eu disse, agora eu vou comprar os videogames do lançamento, cara. Eu no mesmo mês praticamente eu comprei os dois videogames. Só que nessa época o jovem mancebo não contava com o fator que ele não conhecia até então, que era falta de tempo, cara. E aí veio uma frustração porque eu tinha ali o videogame, eu tinha dinheiro para comprar um jogo se eu quisesse, mas muitas vezes ou eu tava de plantão, que logo quando eu me formei eu precisei trabalhar muito, juntar uma grana e tal.
Então ou eu tava de plantão ou eu chegava em casa. E outra informação importante que vai, que vai, tu vai entender: eu me formei em junho de 2009 e casei em julho de 2009, foi junto, né? O casamento e a formatura praticamente foi juntos. Então eu chegava em casa, minha esposa queria que eu tivesse em casa, né? Eu não tinha, eu não podia jogar. Então foi meio que uma frustração, porque até hoje eu tenho jogos do PS3 mercados e do Xbox 360.
E aí veio essa sensação de frustração, não porque não era o que eu queria, mas porque eu não pude usufruir como eu gostaria, porque aquele fator que eu até então não sabia que eu tinha, ele estava em escassez, que era o tempo. Aí tem aquela equação que o pessoal fala, né, que a gente nunca consegue equilibrar, que é saúde, dinheiro e tempo.
É a piramidezinha impossível de completar, né?
Exatamente, cara.
Eu tenho uma relação com um jogo, eu já citei aqui nesse programa, né, Diablo é jogo da minha vida. E aí quando anunciaram o Diablo 4, eles lançaram com 3 opções, né? O Standard, o Premium e o Ultimate. E aí o Standard era R$199, o Premium era R$329 e o Ultimate era R$549. E aí eu pensei, caralho, meu irmão, eu jogo Diablo 3, eu jogo Diablo Diablo há 20 anos, jogo Diablo 3 há 10, né? Então acho que mais, acho que quando lançou tinha mais de 10 anos, não vou lembrar agora, mas só 10 anos esperando esse jogo, né, velho?
Vou comprar a versão Standard, é baratinha, dá para eu comprar, vou comprar para jogar no lançamento. Só que quem comprava a Standard não tinha os 4 dias de acesso antecipado. Veja bem, não são 40 dias, são 4 dias, 4 dias. Enfim, ia receber o jogo cru, né? Mas o Ultimate Ultimate, tu recebia cosmético para caralho, tu podia jogar o jogo 4 dias antes, então tu já ia sair na frente de todo mundo, e tu ia ter uma pose que só quem comprou a Ultimate no pré-lançamento ia ter, que são as asas do criador. Você aperta para cima no controle e ele voa assim e abre as asas de anjo, sabe?
E esse item não é vendável posteriormente?
Não é vendável. Só quem tem é quem comprou a versão Ultimate na pré-venda. É tipo quem jogou o beta do LoL e tem a skin do Alistar Negro assim, e hoje vende a conta por R$10.000, R$20.000, R$30.000 aí. E aí eu pensei, meu irmão, é o jogo da minha vida, né, bicho? É o jogo da minha vida, pô, é o jogo da minha vida. Vou gastar esse dinheiro, vou gastar esse dinheiro. E aí comprei. E quando eu comprei, faltava um ano para o lançamento do jogo, né?
Acho que eles lançaram com um ano de distância. E cara, eu passei 361 dias pensando, meu Deus do céu, faltam, eu vou jogar esse jogo 4 dias antes, meu irmão, vai ser o dia mais feliz da minha vida, vai ser o dia mais feliz da minha vida. Chegou o dia dos 4 dias de acesso antecipado e eu não consegui faltar. Eu trabalhava com evento, bicho, e eu começava a trabalhar 9 horas da manhã e Deus sabe a hora que eu ia terminar de trabalhar, não tinha hora para acabar.
E eu tava, meu Deus do céu, preciso ir para casa jogar Diablo. Mano, eu preciso ir para casa, preciso ir para casa. E eu fiquei tão nervoso, meu irmão, tão nervoso, tão ansioso para que as coisas acabassem logo para eu poder ir para minha casa. Eu comecei a inconscientemente não fazer as coisas direito e me atrapalhar e demorar mais para fazer as coisas. E aí quando eu cheguei em casa eu tava tão cansado que eu não consegui aproveitar o jogo, não consegui jogar.
Eu só consegui jogar no outro dia, que aí o outro dia beleza, era uma sexta, eu tinha mais tempo de almoço, conversei para fazer um home office, só que aí eu fiz na verdade um home off, né, fiquei offline total só jogando o diabo. E aí foi um outro dia, só que é o que tu falou, eu finalmente tive a condição de comprar a parada no lançamento, mas eu não tinha o tempo, pô. E a falta do tempo me tirou o prazer de jogar o negócio, virou meio que eu preciso aproveitar ao máximo essas horas que eu vou ter para jogar aqui, porque eu não sei quando eu vou poder estender de novo essa jogatina.
Então, e aí, cara, do Diablo 4, cara, eu gosto muito. Inclusive, gostei muito no lançamento, muito, muito mesmo.
Geralmente a galera que era muito fã do 2 e do 3 não curtiu tanto o 4 no lançamento, né?
É, na verdade, qual é o lance? Do Diablo 1 para o Diablo 2 a gente teve algumas mudanças, principalmente tamanho de mapa, mas a jogabilidade é mais ou menos a mesma. Do 2 para o 3 mudou muito, mudou muito, muito. Muito, muito, muito, muito, porque criou-se aí a questão das torres, né, enfim. E aí do 3 para o 4, onde a gente passa para o mundo aberto, um sistema de progressão diferente, é um sistema de paragon que no começo não tinha paragon, né, era só level, mas enfim, o sistema de nível, uma árvore de habilidades completamente diferente, cara, é normal que a galera mais purista do Diablo, que geralmente são as viúvas do Diablo 2, tendem a a xingar aí o jogo.
Quem gostou do 3 gostou do 4, é quase unanimidade. Mas aí o jogo hoje não tem nada a ver com o jogo que eu joguei no lançamento. O Diablo 4 hoje é completamente diferente do Diablo de 2 anos atrás, completamente, completamente diferente.
E tá hypado para o 5? Tu viu o trailer?
Tô muito hypado, muito hypado assim. Enquanto houver Diablo, estarei lá, entendeu, cara?
Quem curtia muito Diablo, é, eu acho que ainda me lembra muito o Vago, que foi membro, né, que foi co-host lá do Encontro Avesso durante o primeiro ano de existência do podcast. O Vago é que falava muito do Diablo, cara, e ele até fala que ele ganhou muita grana vendendo item lá no Diablo, que vendia em dólar nessa época.
Eu fiz durante um tempo o negócio de oferecer serviço dentro do jogo, né, que tu tinha uma conta, tu não tinha tempo para botar a conta no level 60, eu ia lá e botava para ti por 20 conto, e aí fui fazendo uma graninha assim, porque eu tinha uns métodos de fazer isso mais rápido, né? E aí ganhei uma graninha, velho, no começo do Diablo 4 com isso aí. Aí às vezes o cara queria pegar um item mítico, mas não tinha um tempo para jogar.
Aí eu jogava de madrugada, pegava o item mítico para o cara, e aí recebia uma grana por isso. Acontece, velho, acontece. Cara, para a gente ir finalizando, agora tu é pai, pô, e agora tu é o cara que diz o não, né? Tu é o cara que tenta dar essa essa consciência de esforço, de que as coisas, conquistar as coisas exige algum tipo de esforço. E aí eu queria saber como é essa tua relação hoje com o não que tu precisa dar para as tuas filhas.
Cara, no começo, logo quando as meninas, a Lilian nasceu, né, e um ano e 5 meses depois veio a Maria, confesso que por ter tido uma situação bem diferente da dos meus pais, é uma condição financeira completamente diferente dos meus pais, eu tive uma certa dificuldade. Eu tinha muito aquela essa coisa do querer dar o que elas queriam, usar a voz também, né? Principalmente a minha sogra, que mora aqui. Eu moro no apartamento e abaixo do meu mora a minha sogra, e ela é a única.
As duas meninas são as únicas netas por parte da família da minha esposa. Então tu imagina aí o quanto a minha sogra não mimou. Para você ter uma noção, cara, o quarto, esse quarto bem aqui, ó, deixa eu ver onde tá essa porta porta aqui, ó, certo? Isso aqui era um quarto de brinquedos. O quarto das meninas era esse outro quarto, tem uma porta bem aqui assim. É porque isso aqui é um espelho, pessoal, para quem tá vendo aí o vídeo do podcast.
Então, esse, na verdade, essas duas portas estão aqui na minha frente. E aí era o quarto das meninas e ali o quarto de brinquedos. E nesse quarto de brinquedos, cara, ele era empanturrado de brinquedos. E dentro dele, ele é uma suíte, o banheiro ele era inacessível porque havia brinquedo do chão ao teto, preenchendo todo o banheiro. E eu creio que 90% desses brinquedos foram dados pelos avós e tios e assim, as pessoas que mimavam demais as meninas.
E aí eu comecei a perceber que não era um mundo legal para elas, mundo onde elas podiam ter tudo. E aí eu comecei a criar a escassez, né, para elas. Eu precisei começar a dar os nãos, começar a dizer que não ia poder, que não tinha como. E hoje, por exemplo, elas já entendem mais, né, sei lá, Às vezes ela diz assim, olha, pai, eu queria comer sushi, uma pizza. Eu digo, não, a gente já pediu semana passada e hoje a gente vai, eu vou no supermercado, vou comprar um pão, vou comprar um hambúrguer, que seja, a gente vai fazer em casa, né?
Mas a gente não vai pedir nada. Ou eu vou comprar aquela pizzazinha de frigideira e tal e vamos fazer em casa, e não vai, a gente não vai gastar esse dinheiro. E às vezes até tem, tem como comprar, mas eu preciso criar nelas essa sensação de que a coisa não é tão fácil assim. Outra coisa que a gente mudou, até o ano passado eu dava um valor para elas gastarem na cantina da escola semanalmente, mas sempre que a gente saía para o shopping, quando a gente ia na Reboot, abraço Erika, as meninas chegavam lá, cara, tinha dias que eu ia na Reboot com as meninas e a Erika já abria sorriso de ponta de orelha a orelha, porque tipo assim era R$1.000, R$1.200 de quadrinhos ali numa mesada.
E eu comecei a fechar a torneira. Eu disse, ó, agora vocês vão receber uma mesada cada uma, vocês vão ter que administrar essa mesada para vocês pagarem o lanche de vocês na cantina. E se vocês quiserem comprar qualquer coisa no shopping, na Reboot, é o que sobrou da semana, né, e o que sobrou do mês. Se sobrar no mês, no mês que vem a mesada vai ser o mesmo valor. Então se vocês economizarem, mês que vem vai ser o mesmo valor mais o que sobrou.
Se faltar uma semana antes, antes. Aí vocês vão ter que ficar uma semana de escassez. Cara, no primeiro mês, a Maria, que é a mais nova, ela: pai, o senhor pode fazer um Pix? Que eu abri num desses bancos digitais, eu abri a conta adolescente, que eu crio uma conta minha em que eu vejo a movimentação delas, né? E aí ela disse: pai, o senhor pode fazer um Pix? Eu disse: cadê o seu dinheiro? Não é porque acabou? Eu disse: não, posso não.
Você vai ter que aprender a lidar com a falta de dinheiro antes do final do mês. Eu meio que esse ano eu comecei a fazer isso com elas.
Eu te vendo falando, parece que eu tô vendo o que que minha mãe fez assim, porque minha mãe ela fazia muito isso. Ela, eu tinha minha mesada, né, tinha o dinheiro ali e era aquele dinheiro que eu tinha se eu quisesse, desde comprar um cartucho de Game Boy até o meu lanche, a minha saída, enfim, era tudo com esse, com esse dinheiro, né. Eu lembro muito de como funcionava a relação desde que eu era muito criança. Eu não sei se tu lembra, mas em Iguatemi antes tinha aquele parque que era ali onde hoje é a Magazine Luiza, né.
Então ali na lá na frente tinha o parque. E onde é a Magazine Luiza, na verdade onde é a 50 Sabores hoje, era o cinema.
Era o cinema, era a praça de alimentação antiga ali.
Isso. Aí o que que acontece, a gente ia para aquele parque, a gente saía rodando naqueles brinquedos e tal. E aí até que um dia minha mãe chegou e falou assim, olha, tá muito caro, não dá mais. A partir de agora você pode escolher 3 brinquedos, você tem a liberdade de escolher 3 brinquedos para você brincar. E época uma ficha você podia jogar em qualquer brinquedo, né? A ficha era um preço só, independente do brinquedo. Então eu podia escolher 3.
Foi o primeiro momento em que eu me deparei com a liberdade de escolher, né? A liberdade que na verdade, entre aspas, era uma poda, né? Eu tava sendo podado. Eu não tinha mais a possibilidade de ir a todos como eu queria. Agora eu tinha que escolher 3. Então, de certa forma, eu tive ali o meu primeiro contato com a escassez, mas ao mesmo tempo eu tive a minha primeira autonomia. O brinquedo que eu escolhesse, eu ia poder brincar.
Só que quando, depois que eu brincasse, acabou. E é isso aí, agora só na semana que vem. Então, muito novo, eu aprendi essa, essa dinâmica, né, entre a escolha e a falta, e às vezes a escolha dentro da falta, e o quanto isso acarreta de sequência, porque às vezes eu olhava e eu pensava, eu posso ir na barca agora e depois ir na xícara e depois jogar o jogo de luta. Mas se eu jogar o jogo de luta, eu não vou poder jogar o jogo de tiro que tem um pedalzinho, né, que eu aperto o pedalzinho, por isso você esconde atrás da caixa.
Eu solto o pedalzinho, acaba— tu lembra desse brinquedo? E aí, pô, mas eu acho que eu queria jogar o jogo do tiro. E aí era as primeiras grandes decisões da vida, né? Mas, Thiago, é isso. Eu queria muito te agradecer pela presença. Acho que o papo foi muito legal. Legal. E aí eu queria que você aproveitasse esse momentinho final para deixar o seu jabá aí, né? Divulga o Incontroverso, fala aí para gente como é que a gente encontra as redes sociais do podcast, a sua profissional. Enfim, aproveita esse momento que ele é seu.
Pronto, queria agradecer essa oportunidade, né? É muito bom conversar com o Koala, que eu troquei. Vou contar a mesma coisa que eu contei lá no Incontroverso, vou contar aqui. No dia que eu fui apresentado ao Koala, é que eu o chamei de— foi, foi de panda, foi panda, né? Eu troquei o animal animal, troquei o mamífero. E aí eu chamei de panda esse cara. Mas assim, quando a gente se encontra, é engraçado. Eu, a última vez que eu vi o Koala, eu propus a ele que a gente ia fazer uma trend.
Só que a gente começa a conversar, cara, e o tempo passa tão rápido que a gente, quando foi embora, eu disse, caramba, a gente nem gravou, nem gravou a trend.
Tu acredita que quando eu cheguei na agência depois, eu fiquei pensando, meu irmão, esqueci de gravar a de ver.
Pois é, eu também. Depois, depois que tu foi embora, eu fiquei, caramba, esqueci de fazer a 3 com o Koala. É uma coisa que eu digo, se o tempo passa rápido é porque a conversa é boa, que o papo é bom. E cara, muito, muito obrigado. Espero recebê-lo mais vezes lá no Encontro Obverso. E já me convidando aqui, espero voltar mais vezes para cá. Com certeza, muito divertido conversar, é muito divertido gravar podcast, muito divertido.
E quem quiser me ouvir um pouco mais semanalmente, estou às segundas-feiras no Incontroverso Podcast, em todos os agregadores, né? Só podcast de áudio, então a gente não tá no YouTube. Então nos agregadores de áudio nós estamos, e a gente fala lá sobre tudo e mais um pouco relacionado à cultura pop, nostalgia, até reunião de pauta a gente grava e posta lá. Então o que dá vontade a gente fala. E profissionalmente, né, como falou lá no começo, eu sou psiquiatra e eu tenho um Instagram onde eu dou algumas dicas de saúde.
O Marcelo, que cuida do meu Instagram, ele cobra que eu apareça mais, né? Eu apareço muito pouco, mas aqui e acolá apareço falando alguma coisa. E a rede é o Instagram, é @drsantiagopsiquiatra, tudo junto, né? E o livro que eu citei lá no começo, eu não citei o nome, né? O nome é A Normalidade é um Lugar Estranho, que tá disponível lá no Kindle Unlimited, é de graça para quem tem, mas ele tá disponível na versão para venda no Kindle e na versão física na própria Amazon dá para comprar, ou no clubedeautores.com.br, né?
Você procura lá, ou procura José Maria Santiago, ou procura A Normalidade é um Lugar Estranho, e você vai ter lá o livro que vai chegar à sua casa, onde eu reuni neste primeiro volume, né? Porque já falo primeiro, porque comecei já a juntar casos para o segundo. Eu conto alguns casos de casos reais, mas não se preocupe se você for meu paciente. Eu modifiquei qualquer possibilidade de identificação, mudei tudo que podia ser mudado para que as pessoas não pudessem ser identificadas, mas mantive a essência ali que me fez querer trazer aquele caso para o livro, né?
E eu tentei trazer casos leves, bem-humorados, e alguns casos mais reflexivos, casos mais dramáticos, mais pesados. E ao final de cada capítulo, de cada conto, eu faço uma reflexão pessoal sobre aquele caso, né? Assim, eu falo o que é que aquele caso representa, por que que aquela pessoa estava daquela forma. Então é uma seçãozinha que eu criei que se chama Por Trás do Caso. Hoje mesmo eu recebi um feedback muito, muito gostoso de ler de um leitor.
As pessoas até agora têm gostado. Espero que se você, ouvinte, também ler, que você goste. É isso.
Inclusive, já que o nome do podcast aqui é Devaneios Mássupiais, eu quero um devaneio aqui, tirar uma dúvida que talvez o ouvinte que esteja aí também tenha. O Kindle Unlimited, quando você baixa para ler um livro que é de graça, tu ganha alguma coisa com isso, cara?
Não sei, porque apareceu lá uma— eu acho, não tenho certeza que isso é referente ao Kindle Unlimited. Apareceu um royalty lá de alguns centavos de dólar no segundo dia e depois foi juntando, deu, não chegava a $10, dólares, né, mas dava alguns dólares porque em dólar a monetização do Kindle é em dólar, o que é um saco, porque para eu calcular o valor você tem que, você tem que dizer o valor do livro. Eu botei o valor mínimo, né, que ele permitia, que muda umas regras.
E aí, como é em dólar, cara, é muito ruim porque você não tem nem noção de quanto é que vai ser o valor final do livro. Se alguém da Amazon tiver nos ouvindo, tenta dar um suporte maior aí para o autor brasileiro trazer isso para nossa realidade, porque vai ajudar muito. Se eu pudesse, por exemplo, eu deixaria algum alguma coisa e 99 centavos, mas não, ele é um valor lá com centavos totalmente quebrados porque ele segue a lógica no padrão americano.
Inclusive queria deixar aqui o momento para mandar um big beijo para Loretta Lins, né, escritora brasileira. Ela que, enfim, se o Kindle Unlimited pagar alguma coisa, ela já viu muito dinheiro meu porque ela escreveu um livro do qual sou grande grande fã, grande fã mesmo. Se você tiver aí sem ter o que ler, eu deixo a indicação do livro dela também, que o nome é Abduzida pelo CEO Chupa-Cu: A Saga de Goianinha. Então fica aí essa recomendação, cara.
Já baixei esse livro 300 vezes para mostrar para as pessoas, porque eu acho esse livro maravilhoso, né? Tá de graça no Kindle Unlimited também. Vou baixar, cara. Eu juro para ti que o livro é bom, é bom de verdade.
Manda de novo.
Vale a leitura.
Fui abduzida pelo CEO.
Não tenho, não tenho fui, é só abduzida pelo CEO Chupacu, dois pontos, a saga de Goianinha. Vou ler, então vou trazer até a sinopse. Iracema, né, que é a principal, ela não acredita em alienígenas, mas como a nepo baby do mundo dos programas de televisão investigativos de ET, ela está condenada a ser apresentadora do Alienígenas do Presente, o programa dos mais mais ridículos que já existiu na face da Terra. E para aumentar sua audiência, forja provas da existência de criaturas.
Só que tudo muda em Goianinha quando coisas estranhas começam a acontecer. Tobias é o CEO de um dos maiores hotéis temáticos e mais famosos de Goianinha, o Cus Palace, e está mais do que satisfeito com tudo que construiu ali. Mas tudo muda quando acaba descobrindo que a mulher com quem passou uma noite é sua companheira predestinada. De nada. O único problema é que ele é um chupacu, uma criatura mística que se alimenta de humanos para sobreviver.
O que acontece quando uma repórter cética conhece um chupacu teimoso? Isso é o que a gente vai descobrir nesse livro. Então vale a pena conhecer, sigam lá, baixem. E aí depois, Loretta, se você tiver ouvindo isso, um beijo. E se você quiser comprar, o livro custa R$2,99.
É, provavelmente esse livro eu iria passar por ele.
Curiosidade, Nerd, como é que tu, por que que tu baixou esse livro, hein, cara? Eu tava vendo umas coisas sobre dark romance, né, que eu confesso que eu não conhecia. E aí o pessoal falou dessa categoria, né, de dark romance. E aí eu fui vendo vários, né. Tem o Fui Raptado, Acasalado e Engravidado por um ET Chamado Bilu, que é um outro livro. Subindo Pelas Suas Paredes, um romance com a casa senciente. Então a pessoa tem um relacionamento com a casa.
E aí eu fui vendo que tem vários, né, vários desse tipo de livro. Tem um que é Dando à Luz, Seduzida pela Minha Luminária Senciente. Então objetos sencientes, né, cara.
Então tem esse capítulo no DSM que é dedicado a parafilias, assim, de repente.
E aí eu descobri que existe esse mundo meio maluco, né. Eu disse, caramba, cara, que loucura! E aí um desses livros que apareceu foi esse do CEO Chupacu. E eu disse, cara, isso é maravilhoso. Aí fui procurar um review dele no TikTok, que obviamente era o único lugar que ia ter um review disso. E aí eu encontrei uma comunidade dedicada a esse livro, cara. Tu não tem noção do quanto esse livro faz barulho no TikTok. Você que ficou aí vendo esse devaneio final da gente falando sobre diversos assuntos de fora da pauta, mas é isso, esse é o objetivo do podcast, a gente conversar sobre tudo aquilo que a gente gosta, esteja ela na pauta ou não.
Então é isso, daqui a 15 dias a gente se vê novamente. Um beijo e até a próxima, valeu!