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As aventuras de Sandra May

08 de maio de 202649min
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Sandra May é escritora e uma grande aventureira. Já andou por Portugal de bicicleta para promover um dos seus livros e agora traz-nos uma nova edição de "Tu Mataste-me Primeiro"

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Assuntos8
  • Experiências de vida de Sandra MayBailarina profissional · Militar · Escritora · Atleta de Taekwondo
  • Rebelião na adolescência e o vício em livrosRoubar livros da biblioteca escolar · Livros guardados por mais de 15 anos · Romance de Amsterdão de Tiago Rebelo · O Segredo de Tiago Rebelo
  • A escrita como forma de imortalização e propósitoDiários desde os 12 anos · Medo de perder memórias (Alzheimer) · Deixar marca no mundo
  • Ingresso no exércitoInfluência de professor de criminologia · Busca por estabilidade financeira e emocional · Valores aprendidos no exército
  • Origem do nome Sandra MaySugestão do marido · Apresentação na Praça da Alegria
  • Transição da dança para o exército e a escritaDesafio de amiga para escrever · Escrever por prazer e feedback · Influência da série Friends
  • Transição de atleta para bailarinaInfluência da mentora Ana Faial · Escolha entre Taekwondo e dança · Disciplina e desafio da dança
  • Coragem para mudanças radicais na vidaLema: se não dá felicidade, largo · Coerência entre ser, fazer e objetivos
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Pensei, não quero usar o meu nome mesmo. Queria ser uma coisa de Xena. Então estava a pensar nos nomes e nada me vinha à cabeça. E o meu marido, pode ser Sandra May. E eu, Sandra May, May porquê? Tu não nasceste em Maio? Eu. Nasci ele. Sandra May, acho que fica. Mas eu não gostei do nome.

Mas fiquei com ele. Fiquei com ele, está-se bem. Vamos então ficar com ele. E só comecei a gostar dele. Eu comecei em 2019 com Sandra May. E só em 2022, quando o Jorge Gabriel me apresentou na Praça da Alegria, a dizer, e agora vai entrar a Sandra May. Eu pensei, ai, afinal...

fica mesmo no ouvido. E foi só aí que comecei a gostar do meu nome. Olha, isto era para testarmos o áudio, mas pode ficar já a valer? Pode! Claro que sim! Pode sim! E pronto, estão a ouvir a Sandra May tem vários livros publicados e não podiam ser mais diferentes uns dos outros e para além de escritora a Sandra é uma aventureira a Sandra é uma aventureira porque já foi bailarina profissional, militar e vamos falar sobre estas experiências já andou de bicicleta pelo país para vender um livro e para vender um livro.

Olá Sandra, seja bem-vinda. Como é que isto surge-te dos livros? Tu sempre quiseste escrever. Primeiro, obrigada por estar aqui, deve ser um enorme privilégio conhecerte, aqui é o teu cantinho maravilhoso. Os livros, eu sempre escrevi em diários, sempre. E tenho uma ligação muito importante com os diários, eu mantenho um diário desde os 12 anos. Desculpa, de que idade é que tens? 31. Ah, ok.

Estou-te a perguntar isto porque temos perto da mesma idade. Tu apanhaste os diários felpudos? Claro, toda a gente apanhou na nossa geração. Eu tive muitos diários, obviamente, e a minha mãe guardou-se todos. Aos 12 anos comecei a escrever um diário, porque na minha família temos diagnósticos de Alzheimer.

Uma das coisas que me assustou muito foi saber que o Alzheimer é realmente a gente perder as memórias. E para mim, a gente se perder as memórias, vamos perder quem somos. Então, a forma como eu falo para mim no diário é, Sandra, hoje tu fizeste isto, isto, isto. Tu és assim, assim, assim. Tu sentiste isto, isto, isto. Porque tu és assim.

Então, ao longo destes anos todos, até aos 31, mantenho novamente o diário, continuei com ele, mesmo para não me esquecer de quem sou, mesmo que se algum dia, e esperamos que não, obviamente, meter aqui velinhas, que a minha saúde mental fique boa e que o Alzheimer nunca bate à porta.

pelo menos saber que vou deixar registado quem sou uma forma de imortalizar e acho que os livros depois vieram um bocadinho dessa vontade de deixar a minha marca no mundo sempre acreditei, a minha mãe e o meu pai sempre fizeram acreditar que eu era uma pessoa muito especial e eu tinha um propósito no mundo e eu então vi nos livros a oportunidade de deixar a minha marca

Mas eu só comecei a escrever no exército por uma questão de me ligar novamente à minha criatividade. Porque eu troquei os palcos pela vida de militar, mais disciplinada, muito focada. E nós pertencemos todos ali àquele formato.

Temos a mesma farda, falamos os mesmos termos. E eu estava a sentir que, ok, mas eu sinto falta da criatividade, daquela minha essência, que era eu. Quem era eu? Então, eu comecei a escrever por um desafio de uma amiga minha. A dizer, tu leste tantos livros, por que não começas a escrever? E eu, agora vou-te lá a tempo. Ou imagina-se para criar uma coisa do nada. Estás doida? Só quer escrever um livro.

Nem disciplina tenho para isso, não tenho conhecimento. E ela, escreve para a brincadeira. Eu vou lendo os capítulos e vou dando o meu feedback. E foi assim. Ou ainda não é desta. Nasceu por uma brincadeira de uma amiga minha. Eu sou viciada na série dos Friends. Então eu tratava cada capítulo.

como se fosse o teste piloto da série. Então eu comecei a escrever um capítulo por dia e dava-lhe. E ela ria-se imenso, ela dizia, tem-se imenso jeito para escrever, eu adoro o que está escrito. Eu, a sério? Então só ia começar a ficar mesmo ok. Se calhar vamos por aqui, vamos tentar. Enquanto me der prazer eu vou continuar. E hoje estamos aqui.

Sandra, eu estou fascinada porque tu falaste aqui este bocadinho e eu só pensava, tenho tantas perguntas para ti. Eu tenho tantas perguntas para ti. Mas vou então recuar um bocadinho antes do primeiro livro chegar. Portanto, tu dizes que lias muitos livros. Muitos. Tu já lias, mesmo na adolescência. Sim, eu era uma rebelde, fui muito rebelde.

Até que a cabo da vida dos meus pais na adolescência Eu era mesmo muito mazinha Mas havia um vício que eu tinha Que era os livros E muitas vezes lá na biblioteca da escola Não me deixavam requisitar 3, 4 livros de uma vez Então às vezes eu roubava Metia-lhe na mochila e levava para casa Ainda tinha alguns na minha mão

Eu ia perguntar, mas depois devolvias também aos segredos. Eu tinha que devolver aos segredos, mas às vezes ficava lá em casa, às vezes estou lá na minha prateleira, e viro para o meu marido, estás a ver amor? Isto aqui foi uma tarde que eu aprecio mesmo ler este livro, mas não tinha mais como requisitar. E agora depois esqueci-me, e agora estou lá em casa, talvez um dia devolva. Ou não, são recordações que a gente fica.

Podes devolver e levar também os seus. Bem, se calhar tens ali alguns que podem não ser tão... Sim, se calhar não. ...pada à biblioteca da escola. Exatamente. Mas lembras-te de algum desses livros que tens lendo em casa? Sim. Qual é? O romance de Amsterdão de Tiago Rebelo, que por acaso tornou-se o meu escritor favorito, e é português.

E é o livro da minha vida, por exemplo Eu leio esse livro todos os anos E também tenho O Segredo, que também é Tiago Reveu Que também é da biblioteca Tenho um que é chocolate Amor e chocolate ou algo do género Já não me lembro da autora Mas é assim, um calhamaço também Porque eu li muitos romances Eu queria romances que me fizessem chorar E estava a dramatizar, não é? Sempre

E então guardei-os e foi ficando, e foi ficando, e estão comigo já há mais de 15 anos, praticamente. Nessa altura moravas no Porto? Nessa altura morava no Porto, sim.

E depois bailarina E tu nessa altura pensavas assim Porque depois tu eras bailarina Sim Ainda não profissionalmente E tu pensavas Não, porque a escrita já só aparece na altura mais à frente Então o teu sonho nessa altura Era ser uma bailarina Era um foco Eu não sei Eu sei mais ou menos Eu era atleta, eu era a fazer taekwondo E aí

E houve uma bailarina muito conhecida, que é mundialmente conhecida, e foi a minha mentora, que é uma falda de vil, que ela viu-me na escola, à porrada, e adorou a minha elasticidade. E convidou-me para fazer uma aula dela. E eu estava aí, só que eu era muito Maria Rapaz, e meter-me um escolas, um tutu, na altura era impensável. Mas eu saí muito bem na aula, e ela então foi falar com a minha mãe, e a minha mãe ficou toda contente, pensou logo.

finalmente vou tirar as manias de rapaz à minha filha, que a minha mãe queria meninas muito femininas na altura. E eu fiquei, oh mãe, não, vou fazer balé, não sei se quero. E ela, filha, vai experimentar uma falda, ofereceu-te um ano na academia dela, completamente gratuita.

E eu fiquei tipo, ok, então vamos fazer. Então durante, desde o sétimo ou nono ano, fiz balé e taekwondo todos os dias, sem parar. Todos, cinco vezes por semana. E o balé, às vezes, até ir ao domingo, porque é uma falta fazer aulas particulares comigo, sábado e domingo, só nós as duas.

E depois a minha mãe chegou a um ponto em que disse, Sandra, só podes escolher uma porque as notas estão a cair e estás a ficar muito cansada. Notas estás a ficar mesmo cansada de escolher ou o taekwondo ou a dança. O taekwondo para mim era muito fácil. Então eu fui para aquilo que eu achava que era pior e que me dava mais desafio, que era a dança. Então a partir daí foquei que queria, desde 12 anos, queria ser bailarina, queria ser bailarina.

E olha, tanto remoído na situação que fui mesmo, mas doeu muito. Foi assim um processo que não é fácil. Ter a disciplina de bailarina, a alimentação de bailarina, o foco, estamos sempre focados. Eu era muito ambiciosa na altura.

E, portanto, ser bailarina profissional, se calhar é mais difícil que ser militar, não? Sim, psicologicamente é. Só tu dizer isso nem conta disso. Psicologicamente é, mas também é um bocadinho falicioso também estar a afirmar isto. Porquê? Porque também comecei desde os 12 anos. Ou seja, a maturidade é completamente diferente. Eu entrei com 23 anos. Pois é, já tenho uma maturidade muito maior, como é óbvio. Mas os 12 anos, tomar essa decisão de o que é que eu vou...

ser no futuro e a dança despertou em mim alguma coisa, não sei não sei se foi a sensibilidade e o conectar connosco permitirmos sentir na dança não há vergonha de sentir porque a gente precisa das emoções para transmitirem movimentos então acho que é isso que me fez despertar

E quando, portanto, tu vais para o exército, como é que isso também surge? Como é que te lembraste? Eu estava na faculdade, estava a estudar criminologia e tive um professor... Ah, espera, isso explica muita coisa. Agora explica muita coisa, como é que estamos aqui? Tinha um professor meu, que foi o professor que me fez o profácio, que é o professor Miguel, e ele é o presidente da Associação de Criminologia.

portuguesa, e ele estava a falar da sua vida militar, e eu na altura estava a gerir a faculdade com a carreira de bailarina, e eu pensei, epá, isto aqui interessa-me, estou a gostar do que ele está a dizer, então eu fui falar com ele ó professor, você acha que eu conseguiria entrar no exército? E ele, por acaso até te via bastante

E eu fiquei tipo, ok, vou ver o que é que tem que se fazer. E do nada, meto os papéis, nem avisei os meus pais, não avisei ninguém. Comecei a treinar até que fui fazer as provas. Não sabia se entrar. Estava muito assustada porque depois eu comecei, porque eu sou assim. Eu faço as coisas, mas depois eu quero ser aceita, estás a ver?

Então eu pensei, olha, e se não passar? Vai dar a cabo um bocadinho da minha autoestima, não sei. Mas não, entrei e foi a melhor coisa que eu fiz. Porque a estabilidade que me deu, tanto financeira como emocional, e os valores que eu aprendi no exército, eu posso garantir que não ia aprender na vida civil, assim, com experiência. Não, há coisas que nós aprendemos lá dentro. Não há outra instituição que nos vai dar aquilo que o exército nos dá.

E acho que foi isso que me fez apaixonar pela vida militar. Os princípios e os valores.

Eu tenho de dizer isto porque eu estou mesmo entusiasmada. Primeiro, há aqui algo que quem nos ouve neste momento não percebe, mas é a maneira como a Sandra está a falar, sempre com um sorriso na cara e mesmo entusiasmada a fazer aqui esta partilha connosco.

E depois é toda esta força, a dinâmica, mas também a disciplina e a resiliência que a Sandra tem para fazer estas mudanças. Primeiro, ter esta coragem de fazer as mudanças e experimentar tanta coisa. Tu és uma pessoa que tem imensas experiências na vida. Tens uma vida cheia. Sim, cheia. Muita gente me diz que tens 31 anos e já fizeste tanta coisa, já viste muita coisa. Eu não sei como é que tu tiveste coragem de mudar muitas vezes a tua vida radicalmente.

Confesso que os meus pais sempre sentiram-se preocupados, porque quando uma coisa deixa de me fazer feliz, eu largo. Eu não é para mim, não estou feliz, largo e bora. Porque o meu lema é, se as coisas não dão felicidade, eu tenho que viver a minha vida. E não vou ver a minha vida em sacrifício, olhar para algo que eu não gosto, porque a longo prazo...

Eu vou olhar para mim e também não vou gostar. Nós temos que ser coerentes. O que nós somos, o que nós fazemos, e os nossos objetivos têm que estar todos em conformidade. Se isso não acontece, nós vamos começando a quebrar aos bocadinhos. E eu então, quando a dança, na altura, já não me fazia tão feliz, claro, pela sua dificuldade em Portugal, ok?

que é difícil culturalmente viver da dança. E eu pensei, eu preciso de pertencer a algo maior, porque a dança também chega desde 12 anos, todos os dias a mesma coisa, acabou por acontecer o quê? O entusiasmo, aquela adrenalina de vou ter uma aula de balé, aquela adrenalina de vou subir a um palco, também começou a desaparecer aos bocadinhos. E eu comecei a perceber que o que me viciava enquanto bailarina...

Era as palmas do público. E eu vi que não estava a fazer o meu propósito. Eu estava à procura daquela dopamina rápida. Sentir o reconhecimento, a validação. E as palmas é um vício muito grande na vida de um artista. Isso eu garanto. E eu senti que estava vazia. Não era eu. Eu pensei, eu estou a ser... Porque quando era bailarina eu era tão ambiciosa.

que camuflei muitas minhas características de personalidade, porque eu sabia que não podia ter determinadas características de personalidade para, ou abafavas, para chegar a determinado objetivo. Então eu queria pertencer a algo maior, algo coletivo, algo que tivéssemos todos a arrumar para o mesmo lado. E foi o exercito que me deu isso. Fui lá que encontrei esses valores.

Como é que tu, no exército, e também como bailarina profissional, que também estava na universidade ao mesmo tempo, como é que mesmo assim tinhas tempo para ler? Como é que lias tanto? Eu lia muito, na altura lia mesmo muito, porque o ler dá-nos a capacidade... Se eu já faço mudanças radicais na minha vida constantemente, eu tenho medo que algum dia tu queres ser astronauta porque eu estou a ver isso em ti.

Tu qualquer que queria diz-me qualquer coisa Eu pensava que ias dizer que ele tinha medo Como estás sempre a mudar Que um dia disseste Olha, eu preciso experimentar Já não te quero Não, isso ele está seguro Mas Ele sabe que

Se me der o snap, bora seguir com a vida, eu mudo a vida toda. E eu sei que isso faz muita confusão às pessoas. E eu já disse ao meu marido, eu tenho inveja das pessoas que, durante 40 anos, façam a mesma coisa. Eu admiro essas pessoas, porque eu não me imagino fazer a mesma coisa durante 40 anos. Eu preciso viver.

E eu digo muitas vezes isso, como é que eu sei qual é o meu propósito ou o que é que eu gosto de fazer se eu não experimentar? Se eu fizer a mesma coisa durante 40 anos, o que é que isso me vai ensinar mesmo? Espiritualmente, fisicamente, psicologicamente. Então eu precisei depois de ir para aprender essas coisas. Eu encontrei muito lá.

E os livros, se eu vivo 30 vidas na minha própria vida, os livros, então, a gente pega numa história e está a viver a vida. Está a viver uma vida de fantasia, uma vida de romance, um thriller. Ou seja, estamos a ver várias vidas ao longo da nossa vida. E em que momento é que tu lias no quartel?

À noite, ou na hora de almoço, também. E vi as mais pessoas também a lerem? Por acaso, no quarto onde eu estava, não. Mas a minha amiga, essa que me desafiou a escrever, ela também começou, eu peguei-lhe o bichinho da leitura e ela agora é uma leitora, meu Deus. Ela é uma papa livre.

Mais do que eu. Mas era a hora de almoço e à noite. À noite eu acho que é o melhor, porque a gente começa a desligar do nosso dia-a-dia, começamos a voltar a nós e é importante a gente ter aquele tempinho, aquela meia ou uma hora para nós, que é para conectar connosco e para lá estar a fazer coisas que a gente gosta.

É importante, porque se a gente só vive para a rotina, para as obrigações, para os deveres, nós também temos direitos, nós também temos direito a estar connosco, temos que cuidar de nós e a leitura, para mim, ajuda muito na saúde mental e, claro, enquanto escritora agora, ponho a máquina também a pensar.

O grande problema é que às vezes pode nos dar insónias porque a gente depois fecha o livro, vai para a cama, começa as voltas na cama e eu, opa, eu tenho que acabar aquilo porque eu não posso ficar assim. E isto é o vício dos livros, que é maravilhoso. É quando um leitor pega num livro e diz eu não posso ir para a cama sem saber. E eu acho que os livros têm um poder, por exemplo, muito maior do que os filmes. Os filmes entregam-nos tudo. Está aqui os atores, está aqui o cenário e os livros.

Os livros criam mundos e, repara, os escritores escrevem e o leitor vai ao encontro, vai sendo guiado e orientado pelo escritor. E, claro, se calhar se meteus um escritor a desenhar o mundo e metes o leitor a desenhar o mundo, se calhar não vão ser 100% iguais, é quase impossível, mas eles conseguem compreender. E, através dos livros, conseguimos dar-lhes emoções e também algumas lições, alguns dilemas.

para o leitor refletir. Eu já aprendi imenso a ler e já pus-me em causa a mim e nas minhas decisões por causa da leitura e acho que isso é um poder fantástico nos livros.

E então tens aqui esta leitura. À vida desafiam-te. Por que é que não escreves? Tua amiga. E tu escreves o Ainda Não É Desto. Isto em que ano? 2019. 2019. E foi este o livro que te levou a dar a volta a Portugal na Estrada Nacional nº 2? Foi isso. Como é que isso foi? Mas antes de chegar a esse...

Tu não tens noção do percurso Basicamente Eu comecei a escrever, ainda não é desta Escrevi, diverti-me O livro estava praticamente concluído O meu marido também leu Na altura ele era o meu editor Dizia, corta aqui, tens que meter mais isto e aquilo Ele é fantástico, tinha um olho super clínico

E eu, na altura, vi um concurso de literatura. Mas temos só que fazer aqui um disclaimer. Ele, na verdade, fazia isso como maneira de te ajudar. Porque ele não trabalha no mundo editorial. Mas tinha esse olho. E eu confiava muito nele porque como ele é um leitor de não ficção, eu sabia que estava no bom caminho porque como é que eu posso agarrar os leitores que não é o género? E quando ele ficava agarrado às minhas histórias, mas ele é exigente.

Muita gente dizia, ah, mas eu leio teu marido. Não, não, não, a sério. O meu marido é pior que a minha editora hoje em dia.

Literalmente E ele ajudou muito Corta a costura Muito com ele Eu entretanto vi um concurso Na internet de livros infantis Contos infantis Eu escrevi o meu E estava muito confiante De que poderia ganhar para ser publicada Por essa editora Não ganhei No entanto quiseram publicar Só que aí foi um bocadinho a desilusão

com essa editora não me corrou nada bem e depois quando se saiu contrato com essa editora deu-me força para me lançar sozinha só que em Portugal, eu estava cheia de medo uma mulher que me deu a mão e disse mas em Portugal não há muitos autores independentes muito menos que os leitores de incredibilidade e eu, a gente vai fazer as coisas de maneira diferente e fizemos, quando lançámos ainda não é desta de forma independente a gente montou logo um site, a nossa livraria online Então

Aquilo começou a correr bem as vendas. E eu pensei, mas estou aqui em casa, espero que as pessoas comprem isto. Tenho de fazer alguma coisa. Eu tenho de ser vista pelo público. Eu tenho de estar próximo dos leitores para eles perceberem não só o livro, mas também o que é que me leva a escrever livros para eles. Qual é a minha ligação que eu tenho com eles. Tenho de explorar esta relação com os leitores.

Então, peguei numa cesta de merendas, primeiro, de piquenico mesmo, e metia 10 livros. E só voltava para casa quando tivesse os 10 livros vendidos. Ia porta a porta, ia para os parques. E parecia, estás a ver, o mercado do bilhão era eu, mas com o meu livro. Literalmente.

Mas confesso que no primeiro dia não vendi nenhum. Mas estive oito horas fora. Mas depois quando aquilo começou a pesar, dez livros no braço, ao fim de oito horas começa a pesar e eu oito horas já passou o brito, já tinha regressado a casa, voltei super desanimada. Uma hora não vendi um. E ele continua. Amanhã vai ser melhor. E foi. E comecei a vender porta a porta. As pessoas algumas compravam, outras não compravam, mas ficavam curiosas, depois voltavam e compravam.

eu pensei, mas eu preciso de uma coisa maior não é suficiente eu tenho que ir parar às televisões eu tenho que o pessoal que me ouça e o meu marido, sabes que para isso é preciso fazer uma loucura é preciso fazer alguma coisa que mais ninguém tenha feito eu comecei a pensar, a pensar e nesse ano, por acaso, tivemos muitos amigos que fizeram a Nacional 2 de mota eu diria, meu amor, tira lá três semanas de férias em setembro e vamos fazer os dois de bicicleta

E ele, bicicleta? Eu sim, estou a perder 4 quilos. Portanto, acho que 3 semanas a pedalar dava. E ele, está bem, vamos então. No dia a seguir, o meu marido acorda e diz assim, isso já assustou a Sinal 2 sozinha, de bicicleta. E eu, para me perder? É que eu sozinha, orientar-me no país? Não, nem conheço a estrada, desde logo ele, não. Não estás a perceber. Para promover o mundo ainda não é desta. E eu, fogo.

Não sabe que isso é o suficiente? Estamos a falar de quase 800 quilómetros. Vais fazer Portugal inteiro a vender os teus livros. Mesmo que as televisões não vejam, tu vais estar constantemente com públicos diferentes e vais sensibilizar a leitura.

E foi aí que o meu propósito começou a crescer na escrita, que é não só, obviamente, vender os meus livros e ser reconhecido, os títulos dos meus livros ficarem memorizados nas pessoas, mas também sensibilizar o nosso país a ler mais, independentemente da idade. Até porque vocês sabem que o nosso lado hoje é interior e é uma população muito mais envelhecida em determinadas aldeias, em determinados municípios.

Então o meu marido começou, ele foi basicamente o backstage todo, mandou os e-mails para todos os canais televisivos, para podcasts, tudo que era errado, mandou o projeto e depois fomos à altura de escolher a bicicleta. Então eu pensei, vou levar uma bicicleta de estrada, porque é lógico, tem 5, 6, 7 quilos, mas as minhas malas acho que dá para pedalar. O meu marido viu a pasteleira e disse, é que ela.

A senhora da Decathlon disse logo Ela não vai fazer nem 20 quilômetros Porque tem 20 quilos a bicicleta E ela vai fazer Ela vai fazer, que ela aguenta Ela é bailarina Ela vai conseguir Epá Eu fiquei assim Um bocadinho assustada, mas a bicicleta era linda, sem dúvida O meu marido Ele deu muito o pensamento de empreendedor Ele assim, se olhares para aquela bicicleta Diz lá se não é fixe Uma pasteleira E aí

Fiquei para as fotos e me lembrei logo Tinha uma cestinha à frente Era de ver azulada E eu assim, tem tudo Esteticamente e tudo A gente vai te conhecer pela parceleira Dito e feito Quando eu lancei o projeto de que vai acontecer isto E depois a senhora da Decathlon Ficou tão entusiasmada também Que ela deu-nos um contacto Para a Decathlon patrocinar a viagem E patrocinar

Com roupas, com material As malas Olha, foi incrível Depois a MyProtein também entrou para suplementos O que foi mais engraçado Foi porque eu sempre andei de bicicleta Mas comecei a perceber que sempre andei mal de bicicleta Porque eu não sabia que as bicicletas tinham mudanças

A pastelaira que levaste tinha quantas? Três? Seis. Seis. Seis. Para subir metros mais leve, para descer metros... Mas eu tive que ter instrução. Eu tive workshops de mudança de pneu. Tive aulas com o meu marido de como é que se metia às mudanças. E eu só pensei, isto é para o que conduzir com o carro. Eu não sei se vou aguentar.

vais, é um quilómetro cada vez e chegas lá, e foi assim quando a gente anunciou, vai mesmo começar já estava todo o marketing à volta, ou seja nas redes sociais, leitores que não me conheciam, começaram a se aproximar de até quero ver se a escritora vai mesmo conseguir

fazer isto. Tive muitas pessoas a dizer que não ia conseguir. Começaste de cima para baixo. Sim, sabes. Muitas pessoas disseram que não tens noção, são 739 km. Tu não tens experiência de bicicleta, tu não és ciclista. Há ciclistas que vão e ficam todos rotos. Como é que tu vais conseguir terminar isso? E eu, olha, vou um km cada vez. E eu só rezava a Deus para que não me furasse um pneu no meio da estrada. E não furou. Graças a Deus.

Mas agarramos e foi quando as televisões começaram a chamar. E começaram a chamar e começaram a chamar. Então o projeto ganhou uma dimensão muito grande. Eu não estava a ter noção da dimensão até terminar a Nacional 2, que foi para ver muito...

Foi uma viagem que ainda hoje me custa a falar Porque mudou a minha pessoa Houve três Sandras A Sandra começou, a Sandra durante e a Sandra após E muito da minha Sandra antiga morreu naquela estrada Mas a parte que devia ter morrido Morreu naquela viagem Porque foi uma viagem completamente sozinha E não tinha ninguém E quando os livros acabavam Eu tinha que ler ao meu marido Ele vinha com o carro, enchia-me a bagagem com mais 10 livros E ia embora E psicologicamente isso era Horrível, porque eu só queria entrar

carro. Eu só queria... Leva-me para casa que eu não aguento mais. No terceiro dia, eu queria desistir. Moraste quantos dias? 19. Porque o que nós combinamos com os municípios... O meu marido arranjou uma apresentação em praticamente todos os municípios. E todos os municípios nos deram alimentação, deram alojamento, foram incríveis. Biblioteca...

E é engraçado porque eu comecei a Nacional 2 com duas ou três pessoas a assistir. E é sempre desmotivador. Às vezes fazer 70 quilómetros e tinha três pessoas a olhar para mim. E eu, não faz mal, são três pessoas que tu vais vender o teu livro ou pelo menos vais dar-te a conhecer.

E à medida que eu vou descendo Começo a ver as bibliotecas a ficar cheias E isso comecei a ver que Ok, isto está a resultar Mas no terceiro dia eu queria desistir Eu tive uma hemorragia nasal De cansaço, de exaustão Fui para os balmeiros da régua O comandante foi incrível O comandante olhou para mim e disse Você vai ter que desistir Eu não posso desistir Ele, porquê? Porque já fui à televisão

mas eu quero muito desistir. E ele, você não pode, você entra em exaustão. Se você não descansar, não sei se você aguenta a viagem, vai ser muito mal. Para a sua saúde física, não convém. Ele viu-me tão em pânico que eu não posso mesmo desistir, mas não está a perceber, eu tenho mesmo de ir. E ele marcou-me um hotel, quatro estrelas, espetacular lá na régua, meteu-me lá a dormir para eu pensar bem.

pensei bem, liguei ao meu marido amor, vou desistir e ele, é isso que queres fazer? amor, tenho de dizer, senão o que vai acontecer eu vou subir à montanha e vou tirar a bicicleta cá abaixo depois eu tive um acidente e vamos desistir estava mesmo em pânico eu não queria continuar, estava sendo muito difícil e lia a minha avó depois disse, avó, eu vou desistir e a minha avó, está bem filha, queres dinheiro para o comboio? vens amanhã, eu vou te já buscar és a mesma maluca, só te metes nas coisas a minha avó sempre me veio preocupada eu vou te dar

Então eu pensei, vou testir. Ok, vou testir. Dormi à noite. No dia a sair, acordo e tenho... Eu não sei quantas mensagens tinha no Instagram. Era ridículo. E o que é que está a passar? De repente vejo a minha cara na noite. E eu pensei... Estou, amor. Eu vou continuar. E ele, eu sabia. A gente vê-se no próximo testemunho.

E foi assim essa aventura Do Ainda Não É Desta Portanto, neste momento já tinhas o livro infantil Também O Ainda Não É Desta E depois fomos para onde? Para o Lider... Não, a Liderança não Foste logo para o Matar Foi para o Matar Sim, sim, sim

Porque o Mataste-me Primeiro, para quem não sabe, primeiro foi uma edição de autor, agora foi editado pela Euforia. E como é que surge este livro? Antes de mais...

podes fazer aqui uma pequena sinopse, um pequeno resumo? Sim. O tomatagem primeiro é sobre uma mulher que matou um marido, ela não se arrepende, ela voltaria a fazê-lo, e é um thriller não muito comum, porque vocês à partida já conhecem quem é que cometeu o crime, então aqui o grande ganho do livro é porquê que ela o fez.

nem é como é que ela o fez é porque é que ela o fez e este livro representa então pegar numa mulher comum levá-la ao extremo até ela quebrar e ver qual foi o ponto em que ela ficou tão roturada ao ponto de eu preciso matar o meu marido que eu já não aguento mais porque ele merece isto então é que é uma procura de estamos falando de uma morte espiritual da parte dela só que ela vai meter em prática toda a dor física no marido então é muito por aí

E depois também é um livro que tem muito Portanto É escrito do ponto de vista da mulher E não é só Aqui a questão da morte do marido É mais Claro O porquê que o fez

E também falas muito da parte da expectativa, não é? Sim. Daquilo, os sonhos que ela tinha para ela e para a amiga. Os sonhos que as duas tinham. Sim, porque este livro é muito irónico. Portanto, há duas mulheres que eram muito independentes, muito fortes. Eram mulheres completamente bem resolvidas, com uma autoconfiança que quase metia inveja a todas as pessoas que as rodeavam. E, infelizmente, elas, as duas, acabaram por conhecer dois monstros. Ironicamente, não é? Porque elas passaram a vida toda...

A escolher os homens que elas queriam Elas tinham esse direito Elas queriam se divertir E elas sempre tiveram muito no controle E depois apaixonaram-se verdadeiramente Por pessoas narcisistas E é aí que nós vemos O poder que nós, ser humano Temos uns nos outros E não é fácil Nem para a Carol, nem para a Serena

Olha, são aí duas perguntas que eu tenho, que é, porquê que optaste por estes nomes e porquê que optaste pela narrativa não ser em Portugal? Porque na altura que eu estava de forma independente, eu estava mesmo com a expectativa de, não, o próximo passo vamos lá para fora, nós vamos meter na Amazon e vamos fazer um marketing em inglês.

Efetivamente vai acabar por acontecer Mas cada coisa ao seu tempo E porque eu tenho uma ligação muito mais emocional Com o Boston, por exemplo No sentido, eu estudei crime Criminologia E nós estamos fartos ver nos filmes, nas séries A ligação com o departamento da polícia de Boston

E também é uma coisa mais familiar Aos nossos leitores Nós concebimos muito da cultura americana Então como objetivo também sempre é ir lá para fora Acho que todos os escritores, todos nós temos esse objetivo Aproveitei logo O meu nome também ajuda, também fui pensado dessa forma Então eu quis mesmo muito que fosse em Boston Até porque Peguei num invento traumático Neste caso

o atentado de Boston, e foi um atentado que a mim pescou muito. Porque o 11 de setembro, obviamente, teve o seu impacto mundial, porque foram os grandes edifícios que representavam Nova Iorque, mas acho que foi muito negligenciada a forma como foi montada o atentado de Boston. Foi muito grave na minha perspectiva, os dois, obviamente, mas aquele teve um impacto diferente, porque já tinha mais idade, e na altura tinha seis anos, quando aconteceu o 11 de setembro.

E em Boston eu vi a maldade das pessoas Aqueles dois irmãos Que esperaram pelo grande aglomerado de pessoas Que são pessoas amadoras E nós sabemos que Boston vive muito Porque é o grande evento da maratona de Boston É o evento de Boston E ver que eles esperaram pelo aglomerado de pessoas E para explodir aquilo

Para mim, ver as imagens custa-me um bocado e saber que uma criança morreu nesse evento, que era um evento familiar, um evento de amizade. Estamos todos lá para festejar um evento como vamos ficar atletas de todo o mundo e, de repente, aquilo acontece. Tivemos a sorte, em 2024, quando apresentámos o Tomatello I, a última apresentação da digressão que foi na Feira do Livro do Porto.

tivemos a presença da Dulce Félix, que é a nossa atleta olímpica, em que ela fez a maratona de Boston esse ano. E ela falou em primeira mão o que é que ela sentiu, como é que foi buscar a medalha no dia a seguir, ver a cidade completamente cinzenta. Muito choro, muito pânico, muita insegurança. As pessoas de Boston estavam a sentir-se inseguras.

E eu perguntei-lhe, então, mas tu voltaste a correr maratonas fora do país, do nosso país? E ela disse que teve mesmo de fazer por ela e que depois quando acho que ela fez a maratona, se não estou em erro, acho que foi de Nova Iorque ou algo do género, ela sentiu a segurança muito reforçada.

Foi ali uma aprendizagem De que não é por estarmos num invento Que supostamente é familiar E está toda a gente bem Que não pode acontecer este tipo de situações Porque na verdade aproveitam este tipo de situações Para acontecer as maiores atrocidades E ela deu-se o parecer E foi maravilhoso a ouvi-la E também traumática ao mesmo tempo Muito emocionante

E este livro quer abordar um bocadinho isso. Que é até que ponto nós estamos parados para tocar com a nossa mortalidade. Porque quando a mortalidade está demasiado perto de nós, a gente muda. A gente tem ali uma viragem na nossa vida. E a Serena teve isso.

Eu vou mudar aqui o assunto Mas ainda vamos voltar a este livro Porque tu lançaste o Tulo Mataste-me primeiro Primeiro uma edição de autor Como já dissemos E depois, isto foi em 2024 E quatro Então, vou descer o outro

depois, 2025, tens o livro A Liderança Veste Rosa que não tem nada a ver porque não é um livro de ficção é um livro de não ficção posso falar um bocadinho dele também e porque é que o escreveste? Eu escrevi A Liderança Veste Rosa

mesmo para dar algum contexto daquilo que é a liderança na minha ótica. E fala-se na liderança feminina, que eu acho que nós somos muito particulares na nossa liderança. Nós usamos coisas muito inatas em nós, como a empatia, por exemplo. A empatia na liderança é um ponto extremamente alto.

E eu sei que há vários tipos de líderes E não estou a dizer que há certos e errados Não, há estilos de liderança, ponto Mas a liderança veste rosa veio mostrar Que as mulheres têm um poder de liderança E que eu digo esta frase tão provocatória no livro Que é Nós estamos habituados a ver homens no poder Mas temos de perceber quem é que é o verdadeiro líder lá em casa Porque para ele estar à frente Alguém está a segurar as pontas todas cá atrás

Na verdade, está sempre a dizer quem é que manda em casa, quem é que faz a parte da gestão, não é que é o mais complicado. E, portanto, tens esse livro que escreves e agora consegues... Bem, temos aqui outro conteúdo ao lado que também estamos a conseguir ouvir aqui um bocadinho, por isso, ouvir aqui um bocadinho de barulho de fundo é isso. E depois, consegues agora reeditar o que tu mataste-me primeiro, agora pela euforia. Como é que isto acontece? Isto acontece.

porque eu lancei o meu livro em 2024, em abril, e a Rita, passado nenhum mês, manda-me mensagem. A dizer que ficou muito curiosa, que queria muito reunir comigo, eu, por acaso, estava em Aueiras, nesse dia. Eu disse, então às 11 estou aí. Fui logo assim, levei um exemplar, fui ter com a Rita, foi uma conversa maravilhosa, a minha vontade era assinar na altura logo.

Só foi que eu disse à Rita Rita, eu tenho mil livros para vender Eu imprimi mil livros Eu tenho que os vender e escoar A Rita super compreendeu Depois voltámos a falar E o que é que me fez Ficar com a Rita Porque não é euforia em si É o que é que me fez ser uma das escrituras da Rita Fonseca Ela apoiou-me Sempre na minha carreira Como independente Então

E ela nunca quis apagar esse meu percurso, porque foi um percurso de 5 anos antes de chegar até aqui. E ela, mesmo sabendo que sou uma escritora independente, ela deu-me projetos para a mão. Projetos da editora, como o nosso podcast. E aquilo foi um abre-ares para mim, ainda que a Rita vale mesmo a pena. É uma pessoa que vale a pena ter o livro nas mãos e eu confio plenamente nela.

E como é que foi agora a experiência? Antes de mais, fizeste alguma alteração? Fiz. As últimas 50 páginas, ou seja, quando nós chegamos aqui ao final e temos aqui um aviso de caro leitor, a história da Serena Ambal terminou por aqui, o livro é isto. Estas 150 páginas.

As 50 páginas a seguir Foi algo que a Rita me pediu E foi muito complicado na altura aceitar isso Porque eu tinha Acabado Ou praticamente estava a terminar A minha terapia para sair da Serena e Álva Para me ajudar a fazer o luto da personagem E de repente ela pede-me Para, ora vais ter que novamente Entrar na personagem e Precisamos de uma coisa nova

E eu, Rita, mas o que é que eu posso oferecer? Eu não sei, não me peças para voltar para a Serena, por favor. Foi muito complicado sair. E ela sempre super carinhosa, tipo uma mãe. Ela é tipo muito maternal connosco. E ela, tu consegues, pensa em algo. Vais ter uma ideia brilhante, de certeza.

Então eu pensei, ok, e se eu então escrevesse o pós-história, como é que a Serena ficou? E ela, ok, vamos a isso então. E foi um bocadinho difícil mergulhar na Serena novamente, já tinha feito o luto, foram dois anos de distância praticamente, e resultou muito bem, o resultado foi muito bom.

E como é que foi escrever este livro em termos de... Portanto, como é que o escreveste? Foi diferente escrever os outros livros? Completamente. Eu, por isso, este livro só nasceu porque eu tinha que matei o meu marido. Esse é logo o primeiro ponto.

E eu quando acordei E peguei Ele acendei a luz, era um paicoado também Peguei no meu bloco de notas E caneta, que estão sempre em cima da minha musim cabeceira E começo a escrever, o meu marido acorda assim Meio atordoado, o que é que se passa? O que é que se passa? E eu sonhei que te matei, foi brutal E este livro vai mudar a minha vida Foi isto que eu disse E ele ficou tipo, olhar para mim Ok, vou voltar a dormir? Amanhã falamos

E depois, no dia a seguir, comecei logo a escrever o primeiro capítulo. Logo. E quando estreou o meu marido o capítulo, o meu marido ficou chocado com a diferença, o género, o estilo de escrita, neste livro para os anteriores. Uma maturidade completamente diferente. Uma entrega de emoção muito sustentada. E ele disse assim, eu acho que é isto. Eu também acho que é isto, porque eu senti uma coisa que não senti com os outros livros, que foi o quê?

Eu senti que estava a flutuar mesmo. As palavras saíam muito naturalmente. Foi muito fácil de entrar na Serena Ambal. Conhecê-la foi muito fácil. E para responder à pergunta, acho que não respondi, porque é que é estes nomes? Serena Ambal. Escolhemos Ambal porque é do Milde e é um trocadilho. Os estrangeiros vão perceber, não é?

Nós, a Serena Vem de serenidade Então juntamos os dois nomes E é um bocadinho uma serenidade humilde E é muito irónico porque ela não é nada disso Então foi tipo Para marcar ali o contraste Da personagem dela com o nome dela Então acho que foi muito bom

E quando escreveste este livro, já não estavas no exército? Não, não, não. Portanto, tu vivias para escrever... Eu vivia mesmo. Eu saí do exército em 2020. E depois, eu lancei o... O Ainda Não É Desta em 2022. Mas em 2021 eu comecei a escrever a Tomatastam Primeiro. Eu demorei três anos a escrever a Tomatastam Primeiro. Foi assim uma coisa mesmo oposta. E eu brinco ao meu marido e disse... Eu...

Sei que sou uma escritora de trailers Porque o que eu senti Nenhum dos outros livros Os outros livros eu ria muito Eu tenho muito humor e gosto muito de fazer humor E quando eu comecei a escrever este livro Foi mais do que isso Foi mais do que o prazer de escrever Foi o... Lá está, comecei a sentir a marca Que eu tanto quero deixar no mundo Eu comecei a senti-la quando comecei a escrever este livro

E achas que a tua experiência do curso que tiraste de criminologia ajudou aqui neste... Sim, ajudou bastante. Porque aqui temos cenas... Eu acho que isto não é spoiler, mas...

Portanto, ela matou o marido, e sabemos disso, não é? E queremos descobrir o como. E isto também é que é uma viagem, em parte, não é? Com um processo de inspetor, não é? Um inspetor, a inspetora neste caso. Apesar do livro, lá está, não é muito comum, nós, leitores portugueses, não estamos muito habituados a este tipo de thrillers, porque não estamos muito habituados na perspectiva dos inspectores, é mais a parte policial. E este livro é mais a componente comportamental e psíquica, não é?

Eu concentro-me muito mais nestas esferas Então É interessante ver Pegar numa personagem e levar-vos Vocês leitores que não estão a ouvir A ver tudo o que é dentro da cabeça dela Porque nós estamos na cabeça dela Nós somos a Serena Ambel Quando estamos a ler o livro Mas claro que foi feita muita investigação Então em termos da maratona de Boston Tive que consumir durante horas seguidas

as imagens, áudios entrevistas, testemunhos tive que ver muitas das filmagens de como é que os polícias lá se formam quais são a cultura deles foi um processo de investigação muito grande então na parte mais de psicologia e psiquiatria tive que ler o DSM-5 tive de estar à procura de entrevistas para sustentar a obra base científica porque o que eu quis fazer aqui com este livro não não

e espero fazer nos próximos thrillers também, que é um cross reality. É pegar na ficção, mas misturá-la com factos científicos reais. E em situações reais que nós todos temos conhecimento. Para que as pessoas vejam que isto não é apenas um thriller para estar a ler apenas um domingo à tarde. É como se costuma chamar um thriller popcorn. Não é. É um livro que realmente tem bastante conhecimento científico e tem termos bastante técnicos.

E os leitores estão-se a perceber disso. Uns gostam, outros nem tanto. Mas acho que com os meus thrillers eu quero apenas também transmitir algum tipo de conhecimento. Não ser apenas uma história gira ou uma premissa com muita capacidade. Quero sempre transmitir algum conhecimento daquilo que eu aprendi. Acho que é importante.

E tu já procuravas este tipo de livros como leitora? Ah, sim, completamente. É o teu género favorito? É, eu tenho os extremos. Os meus géneros favoritos são thrillers, quanto mais macabros melhor, e romances que me fazem chorar babirranho.

É isto. E os autores que gostas mais? Olha, obviamente, no thriller temos a Samantha Ace, temos a Freda McFadden, obviamente, temos a Dot Hutchins. Eu recomendo sempre ela, porque ela escreveu O Jardim das Borboletas e é o meu thriller favorito.

Nós também em Portugal temos a Anabela Lopes, temos a Filipe Amorim, leio também o Carlos Ferreira, que é meu colega de casa, da Guerra e Paz, Lourenço Soruia, Bruno Franco. E são autores que tu gostas de acompanhar e de ler. E acho que nós temos que ler o trabalho uns aos outros, apoiar-nos uns aos outros.

Os escritores em Portugal, por acaso, têm a fronteira unida. Não há nada assim de competições nem nada. A gente respeita muito o espaço uns dos outros e apoiamos o trabalho uns dos outros. E acho que ler o trabalho dos meus colegas também acaba por...

fazer-me conhecê-los um bocadinho melhor e isso é, apesar de não conhecer por exemplo, não conheço dos quatro que eu referi, ou dos cinco que eu referi só conheço o Carlos, especialmente e privo um bocadinho com ele quando vamos aos eventos, os outros eu não conheço mas através dos livros deles eu quero acreditar que conheço um bocadinho deles pelo menos a parte criativa

Olha, explica-me uma coisa. Tu mataste-me primeiro. Quando foi a versão de autor, estava à venda em livrarias? Estava na FNAC. Sim. E depois passámos para a Betra também, online, e para a UQ também. Conseguimos meter.

Estava-te a perguntar que era porque eu não tinha a certeza se tu já o tinhas visto, por exemplo, numa livraria... Já, foi na FNAC Torres Novas. Como é que foi? Olha, foi uma chata, porque na altura toda a gente me dizia que não ia conseguir meter em livraria física porque sou uma autora independente e na altura ainda não se tinha feito ou pelo menos não sabia falar tanto de autores independentes em livrarias. Muito menos em destaque, no sentido de não estar na partilheira de destaques, mas estava sempre muito visível, porque eu fui bater à porta da FNAC Torres Novas, que é perto da minha casa, e disse que ia falar com o gerente.

E ele achou muita piada Está bem, vamos falar E eu depois então falei com ele Mas depois foi uma chata Porque não saía da porta até ter o sim ou o não Estava sempre, então vai meter Vai meter, já leu É que é muito bom, estive sempre ali a vender o meu peixe Ele achou muita piada A minha perseverança e a minha persistência Que acabou por fazer um contrato comigo Foi à consignação, que já não se fazem

Muitos, pelo menos que a FNAC E acabamos por esgotar Logo na primeira apresentação Os 60 exemplares que estavam em loja Foram todos Foi assim uma coisa mesmo em grande Foi tipo loucura mesmo Torres novas

FNAC Torres Novas, isso é ali no shopping de Torres Novas? Sim, é Já lá não vou há muitos anos, não sabia que tinha lá uma FNAC Já lá não vou há mais de uma década Certamente, porque Eu tenho os avós que moram em Ferreira do Zezer E quando nós passávamos Os verões inteiros e éramos Pequenitas, eventualmente queríamos ir ao cinema Ou assim tinha de ser ali Era o Castelo Lopes lá Olha que engraçado Então fui aquela FNAC Que abriu as minhas portas E aí

Foi mesmo. Aquela FUNAC ajudou-me muito.

E o que é que tu ainda não escreveste? Gostavas de escrever? Ou seja, achas que tu vais me manter neste género? Não me peço. Muitos leitores dizem, pá, escreve comandos. Lanço a continuação do Ainda Não É Desta, porque era para ser uma trilogia. Eu tinha-me comprometido a ter 2025, terminar a trilogia. Só que assim, quando a gente encontra... A nossa voz na literatura é muito difícil voltar ao anterior. Então podem contar com thrillers, a não ser que haja uma proposta muito boa para fazer.

Um livro diferente, mas Mas não, thrillers, sem dúvida E livros infantis, tendo a conta que agora Nem pensar, nem pensar Só para a minha filha mesmo, só para a minha filha Não, não quero, não quero Não consigo já, já não consigo Parece que já não sou eu Se eu descrever assim, acho que já não sou eu

Não sou eu. Tem que ser mesmo thrillers. É mesmo a minha carreira que a Sandra May seja um dia reconhecida e tenha o nome de... O título vá de que é uma boa escritora de thrillers em Portugal. Ela é a referência para os thrillers. Esse é o meu objetivo daqui a 20 anos. Estou a pensar em 20 anos.

E já tens a próxima história na cabeça? Já tenho sete. No papel. Sete histórias. Eu tenho sete. Não, eu não quero saber nas notas do Telemó. Eu tenho sete livros mesmo já tudo estruturado. Agora, quase a terminar, é o próximo, que já vem para o ano. Já dá de mim uma termina.

Então é mesmo para o ano Já para o ano se tudo correr bem Pela mesma altura, março de 2027 Vai sair o próximo Pronto, e temos então agora O tu mataste-me primeiro nesta nova edição Que até traz assim um extra No final, não é? Mais 50 páginas De diversão Sim

Não sei se é assim que podemos chegar Mas que temos aqui mais 50 páginas extra E para saberem por onde também a Sandra May vai estar Podem sempre acompanhar nas redes sociais Muito obrigada Eu tenho tantas perguntas Mas o tempo já vai bem logo

E gostei muito de conhecer. Obrigada por teres vindo até aqui. Sei que vieste, ainda foi uma viagem para chegar aqui. Fica aqui o convite. Tu Mataste-me Primeiro é um livro, não é um novo livro, mas é um livro que agora tem uma nova vida. Podem acompanhar. Muito obrigada, Sandra. Até para a semana. Boas leituras.

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