#73: MÚMIA PERFORMÁTICA, COMPLEXO DE ÉDIPO E OUTRAS COISAS
Metade da Gen Z ficou aliviada e a outra metade não gostou de saber que os egípcios inventaram a performatividade. Mas tudo bem… tem muita coisa que parece óbvia, mas não é. Édipo não tinha complexo de Édipo. Dormir com alguém num hotel não significa sexo. E boquete pode não ser tão íntimo quanto se pensa.ELENCO
Gregorio Duvivier
João Vicente de Castro
ROTEIRO
Eduardo Branco
DIREÇÃO
Matheus Monk
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Cara, eu sou muito fã, sabe de quem? Da Laurinha Lero.
É, eu gosto dela também.
Só que ela... Acho que ela não gosta muito de mim, não. Ou pelo menos ela tá cagando pra mim, essa é a verdade. Mas tudo bem, faz parte dela, da persona dela. Talvez se ela me amasse, eu perderia um pouco.
Mas por quê? Você falou com ela já?
Eu já uma vez, na época que eu fazia isso do Twitter, eu escrevi uma... Cara, genial Laurinha Lero, amo ela e tal.
Marcando, né?
Marcando. Você comentou alguma coisa no meu post? Ela também não. Aí tudo bem, ela não vê muito Twitter e tal, embora ela estivesse escrevendo todo dia um monte de coisa. Aí vem Fábio Porchat. Gente, maravilhoso, Laurinha Leal. Fábio Porchat provavelmente viu comigo, porque eu falei pra ele ver. Aí ela: "Poxa, obrigado, vindo de você, que máximo." Nossa, não tem nem roupa, essas coisas.
Você percebe que você... O que você fez aqui? Vamos dar um zoom nessa situação. Você não tava querendo celebrar ninguém. Você tava querendo ser celebrado. Você tava querendo mostrar. Qual o subtexto? Eu, o semideus Gregório Duvivier, reconheço você como alguém que me entreteve.
Pior é que é verdade.
Parabéns. Agora venha, de joelhos, lamber minhas botas. Ela não fez. Porque Laurinha Lero não é disso.
Mas é com 5 por chá.
Não, porque talvez o elogio dele não tivesse o narcisismo fundamental embutido. Talvez ele só tenha feito um elogio. Você não. Eu conheço você, Gregório. Você é isso. Você faz assim.
Eu tava louco pra ser notado. É feito, mas no fundo é uma grande prova de amor. Desculpa voltar sempre a ele. Vou voltar aqui pra Caetano. Num vídeo famoso, que é uma entrevista do Chico Buarque, já viu esse vídeo, né? Chico Buarque tá sendo entrevistado e aí várias pessoas mandam vídeos pra ele com perguntas. E a pergunta de Caetano é: "Chico Buarque, o que é que você pensa de mim?" E Chico Buarque fica vermelho, ele fica constrangidíssimo.
"Caetano me deixa muito desconcertado", ele fala. E muita gente leu isso na internet e falou: "Poxa, que narcisismo, que vaidade do Caetano, tanta coisa perguntar pro Chico e ele perguntou logo o que você pensa de mim." Mas na verdade é o contrário.
Ao contrário, ele tava querendo saber o que Chico Buarque achava dele.
Ele é tão devoto do Chico e quem lê o Caetano vai ver isso, o próprio Caetano diz. Tem uma entrevista dele, bonita, que ele fala: "Minha obra às vezes inteira eu me pergunto se não é um comentário da obra do Chico." Ele tem muitos comentários da obra do Chico. Na obra dele ele é muito reverente ao Chico, embora seja da mesma idade. Ele tem uma relação com o Chico de reverência, então essa pergunta eu vejo como uma reverência.
"Eu, cara, te amo tanto que o que eu mais quero saber de você é o que você pensa de mim." Diferente do seu, que é um elogio, que é um pedido de bênção a uma jovem comediante, feito pelo Chico Anísio do Porta dos Fundos. Isso é você.
Não, não, não, não, não foi nada disso. Foi realmente uma coisa de— que que você vai— será que você sabe? Tá cagando para mim.
Gostei disso que você— que Wilson Gomes escreveu.
Não, não, eu não faço muito isso não. "Eu não faço, eu tô cagando com as pessoas." Não, não tô cagando, não, me importo muito com as pessoas.
Você se importa muito.
Importo muito mais do que eu gostaria. A verdade é essa.
Mas você acha que existe essa pessoa que não liga pro que pensam dela? Ou existe uma pessoa que tem mais resistência ao que pensam dela e ao julgamento alheio?
Eu acho que existe até quem não ligue.
Você acha?
Mas o nome disso é psicopata.
Ah, sim, isso.
O nome disso é, né, é um psicopata, em geral ele não liga.
Foda-se. Claro, senão não faria o que faz.
Não faria o que faz.
Mas eu acho que é impossível esse negócio. Algumas mentiras, mas semana passada eu falei: "Eu não me arrependo de nada." Acho que é uma grande mentira. Olha que bonito. Eu, uma vez, há um tempo atrás, me relacionava com uma menina que... Faz tempo mesmo. Um outro ator da Globo estava paquerando essa menina.
Quem será?
"Quem será?" E aí, olha que loucura como a vida é, como a gente quer interpretar o que a gente quer interpretar. Claro. E a gente quer ser galinho. Eu, pelo menos, às vezes. Ele escreveu assim: "Você só dá moral pro João Vicente. Um dia eu vou ser galo que nem ele." Eu falei: "Galo? Tá falando que eu sou galo?" Que não é nada, né? Falar que eu sou galo. Mas enfim, o que eu tô falando? Encontrei esse rapaz no Projac e dei-lhe uma prensa.
Que porra é essa de galo?
"O que é essa de galo?" Aí o que ele me disse: "Não é galo, era galã. Errei." E eu: "Galão o caralho, não sei o quê, não sei o quê." Fiz um fuzuê.
Ah, você continuou puto?
Não quis ouvir. Eu queria ser... Sabe quando você já fez a merda? Não que isso foi formulado por mim, mas eu já tava aqui, já tinha escalado.
Não dava pra botar o galo dentro.
Olha que coisa bonita. E ele me bloqueou das redes sociais.
Esse cara?
Eita! Quando saiu o vídeo do arrependimento, semanas atrás, hoje ele mandou uma mensagem. Falou: "Eu me arrependo daquele dia." Aí eu respondi: "Eu também me arrependo." Porque depois eu me reformulei e eu fiquei querendo encontrar ele pra pedir desculpa.
Claro!
E ele falou... Ele foi generoso o suficiente pra me desbloquear e mandar uma mensagem.
Que lindo!
E aí eu falei pra ele assim: "Cara..." E foi lindo, porque ele falou isso... Nossa última conversa foi uma briga intensa. A próxima foi: "Eu me arrependo." Coisas que nem foi erro dele. Claro. Eu acho que ele disse por ser generoso, por querer acabar com essa coisa. E aí eu respondi na mesma moeda, porque eu tava com o mesmo sentimento. Eu respondi: "Eu que me arrependo, não sei o quê." E eu acho que dentro desse comentário tinha essa situação e tal. E somos amigos agora.
Quer dizer que graça ou não importa, você refez uma amizade.
É, eu não era amigo dele, mas talvez eu faça agora.
É.
É bonito isso. E assim, tudo isso pra dizer que... Tudo isso pra dizer não, nada disso foi pra dizer, foi só um parênteses. Mas eu não me arrependo de nada. Mentira gigantesca do mundo.
Mas você nunca falou isso. Você falou que se arrependia de muita coisa.
Pessoas falam.
Ah, tá. Eu falei.
Eu não me arrependo de nada.
Eu falei.
Eu não me arrependo de nada. Não, muita gente fala. Eu não me arrependo de nada do que eu vivi. Aí vem o Gregório e fala: "É, na verdade, eu me arrependo do que eu não vivi, porque o que eu vivi, mesmo que pareça errado, foi o que me fez chegar até aqui, estar ao seu lado." Eu não me arrependo disso. "Então é mais pela dádiva do que pela dívida, porque a paternidade é das melhores coisas que existem no mundo, não é?" Estou meio baiano, desculpa.
"E faz com que a gente se condecore como fidelidade histórica." Sobre a repulsa humana de todo tipo de grau e todo tipo de nível que se aristoca numa invenção...
Ele fica muito mordido. Toda vez que eu falo uma coisa bonita...
Eu fico mesmo.
E esse programa não é só de kkk. Pra mim também é um momento de...
É verdade.
Um comentário que tinha no último episódio é que se o João faz VT de ciririca, o Greg faz VT de filósofo. Era bem curtido esse. Obrigado.
Cada um com seu público. Deixa eu falar. Cara, mas deixa eu conseguir... Terminar. Não me arrependo de nada. Mentira histórica do mundo. Não julgo.
Isso não existe.
Não julgo.
Eu não julgo. É a frase que começa o julgamento. Exatamente.
Que é: eu não julgo, mas essa camisa... Eu não julgo, mas precisa dançar desse jeito? Ou quem sou eu pra julgar? Quais são as melhores frases que precisaria fofoca?
Quem sou eu pra julgar?
Quem sou eu pra julgar?
Maravilhoso. Mas... Eu adoro frases que é nesse da língua portuguesa que em geral são contraditórias com o que se diz. Tipo: "Com todo respeito". Que sempre vem antes de um... No Rio de Janeiro tem uma falta de respeito. "Com todo respeito, vai tomar no cu". "Com todo respeito, que palhaçada, você é um babaca". "Com todo respeito" sempre tem uma falta de respeito depois.
Ou isso, ou assim, mas no Rio de Janeiro se inaugurou outra forma que é: "Eu vou almoçar hoje, com todo respeito".
Ah, tipo qualquer coisa, é? Onde é que estaria a falta de respeito? No meio da boa zona, com todo respeito, vai. Outro dia falaram assim: "Não fala o meu nome, com todo respeito." É, o carioca tem mania de falar isso, porque ele tá tão acostumado a desrespeitar e a ser desrespeitado, que o "com todo respeito" pressupõe, aí ele pode até desrespeitar depois. E tem um que eu adoro, que é: "Bom, quem sou eu pra julgar?" É maravilhoso.
"Cada um seu, cada qual." Olha, eu não sou de criar intriga, mas...
Mas... Exatamente. O que eu tenho a ver com isso? Mas assim, realmente... Ou também eu gosto muito do "nem te conto". "Nem te conto." Que em geral vem antes de contar. E tem o "vou te contar".
"Vou te contar um negócio." Que vem antes do "não contar nada." É, e que vem antes e depois do "não contar nada." "Vou te contar." Não, o "vou te contar" exatamente vem antes. Você tá certo. Antes do "não fala nada." Mas tem um julgamento implícito que é muito interessante. Tipo: "Meu filho tá foda, vou te contar." "Vou te contar." E não conta nada. E deixa no eterno vazio da história.
Deixa no eterno vazio. Olha, nada contra, mas... Nada contra. Contra mais. É foda. Eu só acho, também tem uma coisa engraçada que é... Só acha engraçado. Só acha engraçado.
Só acha engraçado vem num esporro. Só acha engraçado só existe em relação.
E em geral ele é depois do silêncio. É depois do "vamos parar de falar disso, amor?" Mas aí, desculpa, a gente já... Vamos concordar que a gente discorda e... Aí vem...
5, 6, 7, 8... Só acha engraçado que...
Aí o "só acha engraçado" recomeça a briga do nada, não gera conteúdo nenhum.
Que não curte foto de... Pessoa que trabalha junto, mas que tá curtindo foto da prima de Iracujuga.
Exatamente. Só acho engraçado que a gente é sócio de empresa, mas fica combinando de jantar no Grado com um amigo de novela de 5 anos atrás. Oi? Eu falei isso alto? Não, não era sobre você, não. Enfim, só acho engraçado.
Eu não posso porque você tá fazendo uma fortuna com a peça O Céu da Língua, que nesse momento que você está vendo esse episódio já saiu do Rio de Janeiro, já está em algum outro lugar do Brasil, é mais ou menos como...
Saudade, sabe por quê? De BH. Foi muito bom BH. Ainda estou um pouco lá em BH. Eu deixei meu... I left my heart in BH. Foi muito bom BH, cara. Melhor lugar do mundo pra se comer, pra se beber, pra ser feliz. Eu amo, de verdade, as cidades que eu morei no Brasil.
Você já falou exatamente isso.
Eu já tinha voltado?
Não, a gente já falou exatamente isso.
De Minas, não de BH.
É que um é dentro do outro, né?
É, mas não necessariamente BH. Esse aqui é o primeiro programa que eu tô fazendo pós-BH.
Então, vou dizer pra você, mineiro, eu amo Minas, Como um estado, não só BH.
Ah, desculpa.
Eu tô falando de Carrancas, eu tô falando de Tiradentes.
Só lugares que ele foi gravar novela. Ele conhece Minas de novela. Ouro Preto. O meu Minas não é de novela, é da vida real.
Fui a Mariana.
Você foi a Mariana?
Fui a Mariana. Já foi a Mariana?
Claro. E Ouro Preto.
Já foi a Mariana?
Fui.
Pode ver.
Fiz peça lá, inclusive.
Que peça?
Mariana. Na verdade, era um evento, tem um festival de literatura em Mariana, lá no Museu de Mariana, que é muito bonito. Eu fui falar com meu professor de literatura, Júlio Diniz, que foi quem me chamou, pra falar de livros. Ah, legal. Eu já falei que eu tô lançando um livro novo, Os Pés de Aliança?
Já, já, já.
Você encontra em qualquer livraria do Brasil. É maravilhoso, cara. O livro tá um sucesso. Tem QR code ou não? Põe o QR code. Tá aqui embaixo pra você, só clicando aqui você vai garantir o seu Os Pés de Aliança com preço especial pra você que assiste o Não Importa. Mas você sabia que tem uma coisa que eu tô muito bolado? Falando de livro, eu adorei uma coisa que eu vi. Que é o seguinte: uma múmia foi enterrada, descobriram a múmia.
Foi enterrada? Não foi embalsamada?
Embalsamada. Com um exemplar da Ilíada, do livro. Mentira! Encontraram um exemplar lá. Eu, a minha primeira impressão foi: "Que coisa louca o poder da Ilíada, né? Você vê que era um best-seller há, sei lá, 2000 anos, já existindo..." Mas o comentário na internet, o melhor é: "Puta que pariu, era só o que faltava, uma múmia performática." Maravilhoso. Eu acho esse comentário muito bom. A ideia de que a múmia tava performando. Você vê que a performance, ela é eterna, ela é anterior.
As pessoas falam hoje em dia com internet, todo mundo só performa. Galera sempre performou, independente da mídia. A mídia que a múmia tinha era o sarcófago, era a mídia dela, porque era a única maneira dela publicar uma coisa.
É o public post dela. Ela falou assim: "Vou morrer, mas vou levar esse livro." Ah, talvez ela achasse, a pessoa, Achasse que talvez a história levasse Leda embora. E ela falou: "Não vou deixar esse livro morrer." "Não." "Um dia ninguém mais vai lembrar disso e vão abrir e vão falar: 'Que porra é essa?'" Mas não. Todo mundo lembrava. Bem, você escolheu o livro... Você morreu por nada.
Poser, exatamente.
Você escolheu Poser. Você foi um hipster em balada.
Escolhi um livro talvez óbvio, se fosse, né? Pô, você foi naquele livro da trend. Cê caiu na trends da vida.
Exatamente.
E performou. Agora... E, cara, eu tô meio... A paranoia da performance, né, hoje em dia. Porque tudo você corre risco de ser performático. Então, hoje em dia, eu penso muito nisso, infelizmente, que é tipo assim: "Caralho, será que se eu tiver lendo... Se eu levar esse livro pra viagem, vai parecer performático?" Então, a não performance, ela é também uma performance. Porque se você preocupar muito em não performar... Eu não uso camiseta com coisa escrita, porque eu acho que qualquer coisa que tiver...
Eu vi outro dia alguém escrever um sketch do Porta que zoava A pessoa que tem... "Ah, e chega lá ele com a eco bag, com a tote bag da Moobie." Aí acho que eu tenho uma.
Falei: "Ih, tá virando código de performance." Agora, o performático, assim como o corno, ele é o último a saber. Porque o performático, em geral, ele tá sempre achando que tá um passo à frente. Ou seja, é fundamental do performático não parecer um performático. Parecer que ele é assim mesmo, por isso que ele pegou, foi a primeira eco bag que ele achou, foi uma... Que ele foi no MoMA e, por acaso, comprou um livro de arte, botou naquela eco bag porque ele não gosta de plástico e hoje em dia ele usa porque é mais fácil.
Isso é o que o performático quer que você veja. Veja. Mas às vezes, na maioria das vezes, está todo mundo vendo que é performance.
Tá.
E aí o performático nunca vai saber porque ninguém— A performance não é importante o suficiente para você falar: "Ei, você está performando." É. A não ser um amigo muito próximo. Muito íntimo.
Me diz se eu estiver performando. Eu tô às vezes? Com o quê?
Ah, você tem muitos focos de performance.
Tipo o quê que eu performo?
Café.
Ah não, café não é performance.
Claro que é.
Claro que não.
Mas todo performático acha que não é performance. Que é o ser fundamental, mas não é.
Olha só, se eu andasse como eu gostaria de andar, mas não ando, tá? Com o meu kitzinho abraçado na minha térmica, como por exemplo... Com um chimarrão. Isso. Desculpa, agora eu vou comprar uma briga séria. Tem muito gaúcho com chimarrão performático.
Não. Tem.
Tem, tem, tem, tem. O gaúcho que fica abraçadinho com chimarrão numa praia. Não faz sentido. Ah, faz, porque o chimarrão não tem a ver com calor. A gente toma na praia. Não tá horrível, mas é uma coisa pelando na praia.
Você acha que aquela senhora...
Não, essa não é.
A senhora agarrada na...
Eu tô falando do gaúcho que mora no Rio de Janeiro há 20 anos, já se aculturou, já tá carioca, mas que tem um chimarrão performático É uma coisa que eu sinto que é performance. Significa que ele não gosta, que ele tá fingindo? Não. Porque o poeta é um fingidor. Ele finge tão completamente que chega a fingir que a dor é a dor que deveria sentir. Nesse comboio de rodem que gira o coração... Esqueci o resto do verso. Mas é verdade.
Por exemplo, uma pessoa que decora poesia. Tem coisa mais performática que isso? Ele tem aí umas...
Eu tenho.
Cara, umas 15.
É, por aí.
Umas 15, tem? Aí ele encontra a amiguinha dele, Luciana Paes. Aí... Que não existe ninguém mais performático que Luciana Paes.
Você acha que a Luciana é performática?
Porra! Ela anda no inverno de Portugal de coisa de yoga, mas a gente não tem... Não vai na yoga.
Ela faz yoga em qualquer lugar.
Luciana Paes, você é muito performática.
Ela não é performática.
Ela canta. Aliás, lindo o vídeo que vocês fizeram. Amei o vídeo.
Gostou mesmo?
Deu um fomo.
Ai, que bom. Você não achou performático?
Super! Vocês são super... Você e Luciana Paes, em dupla, vocês são muito performáticos.
Você acha?
O que mostra que a amizade de vocês é frágil. Vocês precisam sempre ter um elo performático que denota que vocês têm algum tipo de interesse comum. Tá louco, mano! Óbvio! Então, assim, a gente...
A gente tem um podcast, você sabe.
A gente só relaxa juntos. Nossa vida é relaxar. O que eu gosto de você é simplesmente o que você é. E não que você propõe necessariamente. Você é fundamental na minha vida.
Não me encontra se não for pra gravar podcast.
Claro que eu não encontro, porque você não sai do Laranjeiras.
E não é o outro Laranjeiras, não é do outro lado do mundo, não.
Não, mas nem...
Ele fala como se fosse assim. Eu falei: "Você não foi na minha festa, porque tem que atravessar o túnel." "Greg, mas aqui é muito perigoso." Ele falou assim. Você é do lado do Largo do Machado, você já me falou isso.
Não falei nada.
Ele vai na minha casa como quem vai assim... Você vai assim realmente para um lugar longe, tipo a Gaza, meu, tiros, alguma coisa, você fala assim: "Calma, é do lado de cá, do lado, não é tão longe." O que eu tô dizendo é que...
Ih, minha pele tá seca.
Tá mudando de assunto. O fato é que eu não acho Luciana performática mesmo.
Super.
Mas enfim, acho que você tá com ciúmes, tudo bem, normal, tá?
Só não fiquei nem fala com a Marieta.
É, faz parte, não, mas ela é tão madura emocionalmente.
Diferente de você.
Diferente de você. Mas tem algo da performatividade que ela... Você, quando esforça muito pra não performar, você também tá performando.
Tudo é... A gente é uma performance. A gente já falou disso aqui, da teoria da cebola. Não existe uma coisa antes do que a gente é. Não existe um ser que não é antes do que a gente faz. Tudo é performance.
Mas por que tem algumas performances que emplacam e outras você fala: performance?
Porque tem algumas performances que você verdadeiramente se apaixona. E aí não é mais performance. Tem, por exemplo, assim, vinil. Vinil, eu acredito que tem gente que ama vinil, que gosta do sonzinho, da coisinha, não sei o quê. Mas eu acho que boa parte, concorda? Boa parte dos vinileiros são pessoas que gastam um tempo de pesquisa, de sair na rua, de comprar, de ter, manter, trocar agulha, não sei o quê, que pra eles não é fundamental, mas é mais pra entrar com a gatinha ou com o gatinho e fazer assim: Curte o vídeo? Tem aqui um Miles Davis. O som é outro.
Maravilhoso. John Coltrane. John Coltrane ninguém gosta. É só performance.
Não, calma.
Já ouviu? Já. É performance. Tá quebrando. É uma estante caindo. É bom pra caralho. Se tu for um maluco muito brabo da música, talvez tu perceba. Eu que não sou, eu fico assim.
Mas eu acho que tem.
Você tá entendendo as esverdades?
É o músico performático. Que é o músico que quer mostrar mais do que entreter.
Isso daí tem muito.
Agora, você performa sozinho?
Pois é, eu performo. Acho que todo mundo performa sozinho, não?
Você performa na punheta? Mentira, tô brincando. Tudo bem.
Mas você falou uma coisa muito interessante. A gente tá comprando brigas assim inéditas. Eu falei de chimarrão, que é comprar briga assim com a nação brasileira. Eu peço desculpas, inclusive. Eu adoro o Rio Grande do Sul quase tanto quanto... Não tanto quanto BH. Porto Alegre é uma casa pra mim. Obrigado a todos.
Eu não amo nenhum lugar mais do que eu amo Minas Gerais.
E olha só, Porto Alegre, não, é, lá não faz sentido. Meu problema é assim, eu chamar um na praia, faz sentido sim na praia, tá tudo bem. Vou parar. Você falou de vinil, eu quero botar mais uma, que aí eu brinco mais ainda. Futebol, time, gente, é performance. Uma pessoa que encontra, por quê? Eu vejo dois homens performando masculinidade no futebol, é uma maneira de mostrar "Que eu sou um... Pô, irmão, como é que o maluco erra aquele chute, caralho?" Até minha vó fazia! Até minha vó fazia? Perdoa-me, você. Por que a vó?
Por que a vó? Mas aí tem, eu acho que é outra coisa. Existem pessoas que gostam de futebol, que vivem o futebol, que amam o futebol, mas existe a pessoa que ama o futebol e o único assunto dele é futebol. Mas não é porque essa pessoa só se interessa por futebol, nunca teve futebol na vida, é porque de fato essa pessoa é meio vazia de assunto.
E porque ela não se sente autorizada a sentir sobre outras coisas. Então, futebol é uma válvula de escape para sentimentos que não saem em outras coisas.
Exato. E é um... é passional sem ser tido como... Gay.
Gay. No fundo é isso. Ele pode chorar. Ele não é gay se ele chorar por causa do Flamengo. Ele não é viado. Agora, se ele chorar por causa de um filme, de uma mulher, de uma coisa... "Que isso, irmão!" Então é isso. No fundo, é uma válvula de escape pra um sentimento que a pessoa não tá tendo nas coisas da vida dela.
Do Zé Terotópolis. Agora, sabe uma coisa que me irrita muito de pessoas que gostam de futebol? "A gente ganhou a Libertadores." Cara, isso me irrita.
Como é que eu vou te dizer isso? Que não, você não ganhou nada.
Você não ganhou nada.
Nada.
"Ah, mas eu tava lá." Não.
E quer uma boa notícia? Você não perdeu também.
Também. Como é que eu vou perder pra esse timinho? Você não perdeu.
Não perdeu.
Quem perdeu foram aqueles 11 caras que estão usando a camisa que você se identifica. Eles, inclusive, não têm o mesmo time que você, provavelmente.
Provavelmente, é.
Eles só estão ali ganhando dinheiro.
Exatamente.
Não! Tem alguns que não.
Tem outros que não, mas sim, de verdade. O único lugar que eu entendo pra caralho é Copa.
Mas quem se diz jogador... Torcedor de futebol tá cagando pra Copa.
É verdade. O torcedor mesmo tá cagando pra Copa. E sabe o que eu entendo? Eu até gosto, por exemplo, Fluminense. Eu tenho um carinho gigante pelo Fluminense. Mas o que eu gosto? É o escudo, são as cores, é o clube. Tudo que quem gosta de futebol tá cagando um pouco. Quem gosta mais é o time, é o jogo, é a tática. Isso daí, eu acho que o futebol é menor do que o time. Tipo assim, eu gosto do Fluminense, eu tenho o maior carinho, mas tem a ver com uma coisa meio assim...
Pertencimento. Pertencimento. A ideia de um clube. Pô, tricolor, as cores, um monte de coisa que não... O hino, acho lindo. Coisas que não são justamente... Eu acho que... Entendeu? Eu gosto mais de Fluminense do que do futebol.
Sei. Você não gosta do Corbis?
Me cancela.
Cara, eu digo... Eu sou metade gaúcho. Certo? Meu pai é gaúcho, minha família toda... De Passo Fundo, lá de Marau, terra que eu também adoro. Tem muita gente que eu amo em Marau. Eu estou autorizado a usar bombacha?
Não, não, não. Bombacha, nem a pessoa, o moleque de Porto Alegre, na minha opinião, tá?
Porto Alegre não é gaúcho.
É isso que eu ia falar. Caralho, agora tu comprou uma briga brava pra caramba. Eu acho que bombacha é uma coisa assim, é uma tradição, é um pouco, quer ver um exemplo, comparação?
Você viu que eu mandei fazer, minha mãe fazer de linho com um botão de Olha, perna...
Para, João.
Lindo.
Que vergonha que o antepassado gaúcho deve ter de você. Deve estar se virando no túmulo.
Ele me ama.
Eu acho que a bombacha pro gaúcho é um pouco como o chapéu de palha pro baiano. É um chapéu... Se você for o Dorival Caymmi, óbvio que você pode usar. Se você tiver 21 anos, não é porque você é baiano que você ganhou um alvará de chapéu.
Mas qual é a bombacha do carioca?
A bombacha do carioca? Eu acho que é um chapéu de palha também, quando vai... Ele é um chapéu da portela, aquele chapéu de sambista. Entendeu?
Muita gente usa.
Usa, mas não tem autoridade.
Não pode?
Não tem, não pode. Pode depois dos 60. Tem que ter composto uns 2 ou 3 sambas. Não é fácil assim: "Ah, tenho 20 anos, sou carioca, vou usar o meu chapéu da Portela." Não é assim. É a velha... Tanto é que tem o nome, que é a velha guarda da Portela.
Esses sim.
Esses podem. Terno branco. Acho a coisa mais linda do mundo um terno de linho branco.
Ah, eu uso. Eu tenho.
Então, eu queria falar sobre isso. Você não tem autoridade moral pra usar um terno branco.
Eu uso, mas meu terno não vibra no samba. Ele vibra mais numa praia.
Sapato branco.
Eu uso. Usa? Sabe?
Tipo de bicheiro?
Não, tipo revetor.
Não é desse que eu tô falando. É que o João, ele usa um sapato que é tipo uma... Como é que é o nome? Sapatilha de balé, né? É. E ele usa sem ter lugar de fala. Nunca dançou um balé. Nunca foi com o Léo Jaime numa aula. Nunca nada.
Nunca morou na França.
Nunca não. Mas ele tem lá a sapatilha dele de balé, que é uma coisa estranhíssima. Sapatilha 44.
Não, mas não é sapatilha, pra deixar claro, não é aquela aqui de ponta. É um sapato de dança.
Você dança?
Como ninguém.
Como ninguém.
Ele... Por exemplo, tem uma coisa que é o seguinte: Mosquito. Mosquito, ele já se veste como velho monarco.
Tá certo, ele pode. Mosquito...
Mosquito tem a alma de velho. Poderia usar um chapéu. Tá autorizado.
O Mosquito pode. Mas é que Mosquito tem uns 30 anos de samba nas costas. Tudo bem que ele deve ter 40, mas ele começou com...
Ele não tem 40, ele tem 37. Então, começou com 7.
Não, como ele mesmo diz, você tá aí que eu já citei aqui, mas nunca é demais, porque essa foi uma grande frase dele. Como o Mosquitão, um cara muito sábio, com muitas grandes frases, ele hoje falou assim: pô, Nelson Sargento tem 96 anos. Na época tinha, tava vivo, Nelson Sargento tem 96 anos, o samba tem 93, cara. Ou seja, Nelson Sargento nasceu durante 3 anos, não sabia nem o que fazer da vida.
Perdido! Perdidinho! A mãe do Emílio Nelson Sargento falando: "Mas esse menino não sabe nada." Só de chorar, ele aprendeu.
Aí surgiu o samba e o Emílio Nelson Sargento falou: "Ai, ufa, graças a Deus." Aí tomou um rumo com 3 anos. É genial isso. Bom demais. E o Mosquito, ele é Emílio Nelson Sargento. Eu não imagino uma existência do Mosquito pré-samba.
Você acha que boquete é sinal de intimidade?
Você quer me contar alguma coisa?
Não, não, porque eu tava falando sobre isso.
Eu acho que boquete é uma...
É intimidade?
Eu acho que não só intimidade, é confiança.
No final das contas, é você botar a boca e confiar na higiene, né?
Ah, você tá falando do ponto de vista de quem chupa?
De todos, de todos. Ah, tá.
Eu tava pensando de quem é, porque o Jonathan, nosso querido Jonathan, John, Jonathan Marques, roteirista do Porta, Ele levantou uma bola, que ele tem razão, cara. Levantou uma bola.
É, pois é.
O estudo do boquete toma outro sentido. Ele falou um negócio que é verdade, que eu nunca tinha pensado, que me deu até um medo agora. A partir de agora ele vai mudar minha experiência. De lembrar dele em momentos que eu não gostaria. Que ele falou que o boquete é uma confiança, porque a pessoa... A boca parece que é o músculo mais forte, por um lado, do corpo.
Não é.
É?
Não sei se é o mais forte, mas... Faz estrago. Mas faz um estrago bom.
E você tá botando o teu pau, que talvez é a parte mais frágil do teu corpo.
Ou só a xoxota.
É porque boquete eu acho que é de pau.
Ah, é?
É. Boquete é de pau.
Mas qual é a palavra?
Xereguete.
A estrutura machista faz com que o homem tenha prazer com o sexo oral e a mulher tenha só o sexo oral. Que não tem nada menos prazeroso do que um sexo oral.
Você acha?
Lógico, sexo oral.
Você acha?
Parece uma coisa asséptica. Sexo oral.
Ah, a palavra, ufa.
Sexo oral. Oi.
Porque tem um corte aqui ótimo. Não tem nada menos prazeroso Sexo oral. Pra você, que é o nosso tantra brasileiro, nosso osho...
Mas quer uma coisa, uma verdade sobre mim?
Íntima?
Não sou aficionado por receber sexo oral.
Prefere dar?
Não, não falei nada. Não falei nada porque você vai falar que eu tô querendo vender meu peixe. Mas não sou, não é uma coisa que eu fico louco.
É que você nunca provou o certo. O cara que vai... Deixa eu ver. Vai dar zoada errada. É que você nunca te chuparam. Oi? Não?
Mas eu não tenho muito ideia. E eu lembro de pequeno, menino pequeno, menino garoto, menino maroto, os meus amigos falavam muito disso. "Ah, mas a gente tem edição." E eu ficava me sentindo muito mal de falar: "Eu não tenho." Nunca tinha recebido um, é fato.
Isso ajudou.
Mas na minha fantasia de coisas que eu gostava, Não vinha como...
Será que é porque você tem esse medo?
Eu acho que é mais porque eu não tenho muito essa coisa dessa fixação por botar minha parceira num lugar menos privilegiado. Isso não bate, não soa essa corda em mim. Não, mas é verdade. Não sei por quê, mas não tem.
Mas... Bota!
João, quer? Me faz favor. João! Tem que ir ali, Ipanema, e voltar. Fazemos outras coisas.
Ah, é? Por um boquete você não sai de casa?
Por um boquete, não.
Aí você não sai por nada, né?
Não sai por nada.
Não sai por nada. Só atende.
Boquete bom é boquete em casa. Como diria Mário Lago: "Boquete bom é boquete em casa." É uma frase básica.
Essa boca de pessoa que tá de morreu há 70 anos. Mário Lago falou isso?
Falou.
Falava muito isso, Mário Lago.
Eu já contei daí quando eu queria botar falar uma teoria minha que eu queria muito que fosse verdade, eu não tinha certeza, mas eu achava, então eu queria falar como verdade. "Sabe que guitarra elétrica tem fusível?" Sei lá, uma coisa assim, qualquer coisa.
Grande frase.
E eu falava assim: "Eu vi no documentário do GNT o Caetano falando." Todo mundo acreditava.
Todo mundo o quê?
Acreditava. Esse foi no "Importa".
Obrigado. Eu tinha ficado inteiro desavisado. Ah, você botava essa frase. Porque o Caetano... Ah, tá. Claro, ele falou isso aí, todo mundo falava. Óbvio. É isso que fazem na internet em relação a Luiz Fernando Veríssimo, Arnaldo Jabor, uma época eu escrevi um livro sobre isso. Clarice Lispector, nem se fala. É pra ganhar argumento, mesmo que você... É curioso, porque a pessoa ganha argumento, mas perde a vaidade de ter ganhado. Porque ninguém sabe que foi ela.
Exatamente.
Eu tô numa fase, João, que com filha... Pô, é uma fase deliciosa da paternidade, que envolve já poder mostrar filmes que você ama pras suas filhas.
É, não, mas... Como que veio?
Ah, é do assunto, nada a ver.
É, mas enfim...
É porque esse assunto boquete me deixa meio desconfortável.
Por quê?
Daqui a pouco eu volto pro cinema.
Você gosta de um boquete?
Ai, João, eu não consigo nem falar disso.
Não?
É tão íntimo.
É?
Eu acho uma intimidade gigante.
Mas assim, quando você tá recebendo um boquete, Cê quer uma languitinha nos ovinhos ou você prefere mais que se fixem no seu membro?
Posso trocar de assunto?
Você gosta, por exemplo, das bolinhas chinesas? Eu digo, quando pega assim com as duas mãos e faz aquela... o rotacionar...
Isso é uma bolinha chinesa?
Lembra daquilo que na nossa época tinha isso?
Essa mímica tá perturbadora.
Você gosta mais de concentração em cabeceira?
Ai, meu Deus.
Ou você gosta de vlof, vlof, vlof, vlof, vlof?
Vlof, vlof, você tá sendo muito otimista. Não, não sou dos dois irmãos, não.
Gosta da gaita de fole italiana? Opa!
Como é que é isso? Que é... Gaita de fole italiana.
Você gosta de deitado ou de em pé?
Tem isso, tem uma boa pergunta. Eu acho que em pé você tem... Acho que deitado tem uma chance forte de você dar uma dormidinha, né? Eu tenho um sono, João, que é muito violento. O meu sono, ele chega feito, ele não chega de sono.
O teu sono ganha de um sexo oral bem feito?
Pode, pode ganhar. Pode acontecer.
Já aconteceu?
Já aconteceu uma vez, faz muito tempo atrás. Não foi com minha atual esposa. Eu era jovem, eu tava em São Paulo com você, inclusive. A gente foi a uma festa.
Aí você bebeu um pouco demais? Você tava animado, aquele dia.
Foi horrível. E fomos para o hotel, eu com uma mocinha.
Quer falar qual hotel?
Eu já tava. Um hotel muito chique. O João conseguiu pra mim um hotel chiquérrimo, com a melhor cama que eu já dormi na minha vida. Aquele lençol de 10 mil fios, eu não contei, mas era infinito. Aliás, curioso, né? Porque "quando estão os fios" é uma abstração, mas são muitos fios. E aí é por quantos? É mil fios por? Quanto mais fio, mais amplitude para ter mil fios. Quando fala em sol de mil fios, então mais liso, mais gostoso, mais carinho faz.
E era um lençol com 10 mil fios, era uma temperatura— Hey, it's Christy from Lululemon, and I'm here at the office checking out the Shake It Out shorts.
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Depois de fazer peça com o João, duas sessões. Depois de beber, depois de tudo, ainda...
Como a namorada era?
Eu tive o erro de chamar uma pessoa pra vir pro hotel comigo. E chegando, entrando no quarto, eu não lembro de mais nada.
Vocês lembram que vocês começaram um ato sexual?
Eu lembro que teve alguma pegação, alguma coisa assim. E de repente, blackout. Acordo no dia seguinte, cara, que eu não sei o que é da pessoa.
Tá com dor de cabeça gostosa.
Quero duas caldas. Na têmpora, né? Minha dor de cabeça de ressaca é aqui assim. Dá pra ver ela pulsando aqui, latejando. E aí deve ter ido ao banheiro a pessoa, porque veio uma pessoa comigo, ela chegou a entrar no hotel, eu falei: "Não tá aqui?" Aí um bilhete: "Nossa, você tava muito cansado, né? Descansa. Um beijo." E aí...
Devia estar roncando que nem uma brita viva.
Eu acho que a pessoa pode ter falado: "Eu vou no banheiro." E quando voltou, babau. Eu acho que pode ser durante a pegação, que também é possível, porque o meu sono, isso que eu falo, sobretudo bêbado, eu tenho um sono que ele vem assim, ele vem numa voadora na nuca, sabe? Meu sono não é um tapinha que vem, não, ele é tipo aqui assim, aquele golpe que te desmonta. Então é muito provável, eu tenho que lutar o tempo todo contra ele de uma maneira, por isso que eu sou tão viciado em café também.
O café é meu antídoto, porque sem café Eu tenho, o meu sono é muito, eu acho que eu tenho mais sono que uma pessoa normal.
Seu sono é meu sonho.
Seu sonho? Seu sono é meu sonho. Você nunca dormiu assim, né? Você não tem essa coisa, né? Dormir pra mim é uma premência, é uma urgência, é um tesão, é uma delícia, é assim, é tudo.
Pra mim também, só não consigo.
Mas não consegue mesmo gostando?
Não, eu amo, talvez, eu tenho, meu problema é adormecer, não dormir.
Ah, tá.
Então assim, pra adormecer, uma vez adormecido, acho que todos os momentos vai coisas mais prazerosas da minha vida é tipo acordar umas 7 da manhã num sábado e falar: "Cara, eu vou matar essa cama de dormir." Sabe?
Sim.
Eu vou dormir, eu vou acordar, eu vou dormir mais. Eu chego a gemer, eu faço: "Hm-hm-hm." É, eu entendo total. Eu amo, amo, amo. Eu amo muito dormir.
Dormir é muito gostoso.
E depois da paternidade fica um pouco mais escasso, não?
Fica, mas não fica também, porque você dá mais valor. Antigamente, pra mim, acordar às 9:10 da manhã era o dia a dia. Então não dava tanto valor, era normal. Hoje em dia, quando eu posso dormir até umas 9:10, é um... Ah, entendeu? É a escassez, é a lógica do sapato apertado. É a lógica do bode na sala. Sabe o que eu tenho amado fazer com elas? Ver filmes. Filmes da minha época. Filmes...
Elas gostam?
Porra, a mais velha, né? A menor não tá me dando um saco. A mais velha ama ver comigo. E ela ama ver cinema, ela ama filme, cinema de modo geral. E ama ver os meus filmes. Ela gosta disso, acho muito fofo. Ela ama minhas indicações. Eu tô aproveitando que o momento vai falar. O momento ela vai falar: "Que saco esse filme". Ela ama. "Pai, me diz um filme bom". Ela confia e ela gosta. Porque eu também dei pra ela filmes muito bons que ela ama.
Tipo, ela ama de novo Vista Rebelde, a nosso querido Babá Quase Perfeita. Mas o que eu mais amo ver com ela é...
Ela não se incomoda com a falta de qualidade? Não.
Estética nem um pouco. Louco isso, né? Ela não se incomoda. E uma coisa que eu adoro ver com ela é também redescobrir o filme que eu vi e esquecer de umas partes que são centrais do filme. Porque eu não lembrava antes de rever com ela que, por exemplo, De Volta Pro Futuro, eu vi com ela. De Volta Pro Futuro é um filme sobre édipo. É um filme sobre a vontade louca de transar com a tua mãe. É isso o filme. Porque o cara volta no tempo, ele pode fazer o que ele quiser.
E ele vai direto ver a mãe. E ele fica com tesão louco e a mãe se apaixona por ele, porque o pai é um idiota. Ele ocupa exatamente o lugar do pai, ele cai no lugar que o pai caiu e a mãe se apaixonou por ele. E ao cair naquele lugar, a mãe se apaixona por ele. E aí, o que eu não— eu sabia disso vagamente quando tinha visto isso na cabeça, mas o que não ficou na minha cabeça, eu não percebi quando era criança, eu acho, é que ele, ele, o McFly, consciente de que aquela é a mãe dele, Morre de tesão na mãe.
Mas como a gente sabe disso?
Ele fica fazendo uma cara, a mãe chega e fica apaixonada, e eu lembrava que ele ficava assim: "Para, mãe." Não, ele fica tipo: "Hahaha." Ele fica...
Ah, é difícil pra ele.
O dilema do filme é assim...
Ele só não te pega... Que delícia, só não te pega porque você é minha mãe.
Não, é pior ainda, porque ele vai, ele pensa em pegar, e ele vê a fotinho dele e começa a sumir. Você lembra disso?
Lembro.
Olha que imagem bonita. Assim, eu quero comer a mãe, se eu comer, eu não existo.
"Então só não come a mãe, porque senão eu não existo." "Senão eu não existo, nem meus irmãos." Ele começa a assumir.
E ele chega a pensar... Ele dá um beijo na mãe.
Ele?
Ele dá. A mãe dá um beijo nele.
Ah, sim.
Eles beijam. E ele cogita, e ele começa a desaparecer, e ele tem que apresentar o pai, que é um bobo, botar o pai, inclusive, num lugar mais macho com ele, faz o pai bater num cara pra mãe se apaixonar. É ele tentando fazer a mãe se apaixonar pelo pai. A revelia dele, porque ele não queria.
Mesmo.
Ele queria comer a mãe assim, ó. E o filme é sobre isso. Caralho, eu não lembrava disso. É porque a gente fica na cabeça: a volta no tempo, o carro, o DeLorean, o Doc, o sei lá o quê, um monte de coisas que na verdade não são o tema do filme. O tema do filme é, tipo, é um triângulo amoroso.
Eu nunca me lembraria disso.
A mãe e o pai. Caralho, isso daí foi o filme mais bonito que eu já vi. Mas quando a mãe dá um beijo nele, minha filha fez assim: "Ah, não!" Minha filha já com a lei introjetada. E eu também, tipo: "O quê? Não pode!" Mas é muito bonito ao mesmo tempo, porque é ele percebendo que não pode. Se ele concretizasse aquilo, seria um filme doente. Como ele percebe que não pode e dá a volta por cima e faz a mãe se apaixonar pelo pai, ele orquestra, tem uma coisa muito bonita também.
Mais ou menos, né? Porque se ele cogita pegar a mãe, se ele tem atração pela mãe, por mais legal que ele tenha caído em si, ele chegou a não cair em si, né?
Não, porque o filme bota um dilema, que é a mãe primeiro, a mãe antes de ser mãe. A mãe antes de ser mãe.
O que que tem?
É diferente. Ela não é tua mãe ainda.
Mas aí a vida não é parcelada, a vida é um conceito inteiro.
Pois é. Mas se ela não é ainda tua mãe... E é um pouco o dilema do Édipo, inclusive. A gente esquece, mas o Édipo, ele não tinha complexo de Édipo.
Não.
Ele não sabia que a mãe era mãe.
Não.
Ele tinha uma mãe... O Édipo, a história é essa. Ele tinha uma mãe adotiva e ele tinha um padrasto adotivo. E qual é a merda da vida do Édipo? É o adivinho que chega pra ele e fala: "Tu vai comer tua mãe e tu vai matar teu pai." Ele acha que a mãe e o pai são os adotivos. E ele rala pra fugir da adivinhação. E ao fugir da adivinhação, ele mata o pai, porque encontra o pai numa encruzilhada, já mata ele. Chega lá, casa com a mãe, que ele não sabia que era mãe, porque a mãe era aquela outra lá.
Ou seja, Édipo, na verdade, é uma peça sobre a cagada que é a vidente. É uma peça contra a vidente. Contra a massa sensitiva. O grande vilão do Édipo é a vidente. É a mãe de Ná.
Não houvera a vidente, Édipo só tava bem.
Tava bem da vida dele, Édipo.
Mas também não era uma celebridade falada até hoje.
Não tinha virado complexo.
Não tinha virado complexo. Era um simples Édipo.
Era um simples Édipo. O simples Édipo. Eu acho uma pena que o complexo, volta e meia, a pessoa que dá nome ao complexo, ela não o tem. Tipo o Viralata. O Viralata é complexado?
Não.
Não é? Que vacilo, o Viralata tá cagando pra terraça. Nunca um vira-lata quis ter pedigree.
Ainda mais de morar nos Estados Unidos.
Nunca! Exatamente! Quem tem é um ser humano brasileiro, muitas vezes.
Que introjetaram nele um desejo que é dos humanos.
Uhum. Tinha que chamar complexo de bolsonarista.
É.
Eu tenho visto os filmes e percebi também alguns de serviço. Porque eu vi Dumbo, que eu amava quando era criança, Dumbo.
Aí pega no lugar que eu não quero.
Porque o Dumbo, não sei se você lembra que o Dumbo é um filme que tem uma causa muito específica. O Dumbo, ele é uma defesa do orelhudo. Ele é contra uma causa específica que é o bullying contra orelhudo. E o que que ele faz? Ele põe um elefante muito carismático com orelhas gigantes que sofre bullying, muito fofo.
Que se cobre com as orelhas.
E ele é o herói, se cobre com as orelhas, elas são um lençol, elas são umas asas. E a deficiência dele é o que faz ele voar, então é lindo. Mas ao mesmo tempo que o filme fez isso, ele também deu um material gigantesco de bullying contra as pessoas orelhudas. Porque ele deu o apelido "Dumbo". Que a partir daí, toda criança orelhuda passou a ser o Dumbo! E ele fodeu a vida do orelhudo, no fundo. Se for pesar, eu acho que era melhor pros orelhudos que não tivesse feito o Dumbo.
Porque deram um material eterno de bullying! Tá mordido? Porque isso daí se bate, dói, ó! Se bate, vai parar no orto ali, no grado. Rapidinho, vai parar Vai parar no orto. em casa. Se pudesse bater...
Eu já ouvi muito: "Voa, voa, Dumbo." Muito Dumbo?
"Voa, Dumbo." "Voa, Dumbo." É, tá vendo?
Ou seja... Até a parte fantástica do filme... Tudo é fantástico no filme, mas até a parte lúdica do Dumbo voar fodeu a vida dos orelhudos.
É, total.
E eu até hoje sou. Eu e Lima Duarte, mas não vamos entrar por aí, né? Não.
Deixa o velho Lima em paz. Cara, um outro filme que entendeu o Walter White, você já reviu? ET?
Então, ET, eu... ET tem uma cena... ET sempre me machucou muito, uma cena do armário. A cena do armário que eu olhei era talvez uma das cenas que mais me assustava na vida.
Que abrem e ele tá lá, né? A descoberta dele no armário.
Não, que ele tá meio vestido de uma senhora, ele tá com a roupa da mãe. Lembra disso?
Ah, sim, é verdade.
Que ele cai no armário, mas aí ele... Não sei se ele se veste ou se alguém veste ele. Mas que ele se veja uma senhora é muito estranho, mas enfim.
Muito, porque o Dumbo, o ET, ele tá no limiar ali do terror e do drama, mas ele é um drama, ele tem um drama que eu não lembrava, cara. Quando eu revi também, quando eu vi, eu tava chorando por isso. O moleque, cara, o pai dele abandonou, o pai dele casou com uma outra mulher mais nova, e o pai do menino do ET foi morar em Miami. É um filme meio sobre divórcio e o pai, na verdade, é literalmente, depois eu fui pesquisar, e o Spielberg queria fazer um filme sobre divórcio.
Só uma criança que os pais separaram. O ET entrou lá atrás depois. E se você ver o filme de novo, adulto, isso fica claro. O ET é uma alegoria, é um símbolo de um pai que sumiu. Porque o pai, ele foi morar na Miami e a criança tá sozinha, tá com uma saudade gigantesca daquele pai. E o ET entra ali como uma conexão afetiva que a criança está procurando por causa desse abandono, por causa desse divórcio. Isso fica muito claro quando você vê o filme.
É, quando você tá sentindo falta do seu pai, o ideal é Chama um ET, né?
Chama um ET. É o amigo imaginário que o Spielberg disse que tinha. Aliás, quase todo filme do Spielberg tem divórcio, né? O Tubarão também é meio uma família, tem alguma história ali de briga dos dois.
É o divórcio de uma perna com uma isca.
Aí a gente lembra do Tubarão, a gente não lembra do Assunto 2, que os filmes quase nunca são o tema que tá no título. É sempre uma outra coisa, né, ali atrás.
Não seria capaz de cravar isso não, Gregório, mas pode ser.
Eu chutaria que os bons filmes, pelo menos, que funciona Toy Story. Ah, é sobre animais que... É sobre... É sobre... Brinquedos que falam. Não sei se é sobre brinquedo. Que tem sentimentos? Não é sobre brinquedo que tem sentimento.
Você acha que é sobre a indústria do consumismo?
Também não é sobre a indústria do consumismo.
Você acha que é sobre o cowboy e o astronauta que é uma interseção no mundo que briga-se?
Cara, eu acho que é sobre ressentimento.
Eu acho que é sobre ressentimento e eu acho que é sobre substituição.
Substituição, é. Mas sobre o sentimento é ver alguém muito— ser trocado, ver alguém melhor do que você, sabe?
E aí depois entender que você não era tão bom assim.
Não era. Inveja, muito sobre inveja. E amigo, inveja de amigo, e ver uma pessoa melhor que você fazendo uma coisa melhor, ser trocado, não entender, achar que vai perder o espaço, competição afetiva. É muito mais— foda-se que são bonecos na verdade para história, poderia fazer o mesmo filme.
Mas a dramaturgia é feita disso, de símbolos, né, Gregório?
Pois é, mas quando você pensa no... Quantas pessoas vão fazer a sinopse do... Vão falar o que elas pensam no ET? O que elas lembram do Toy Story? Vão falar assim: "Ah, Toy Story é sobre brinquedo, quando o moleque sai, eles começam a falar, e quando o moleque volta, eles param, tipo como se os brinquedos tivessem vida." Pra mim, eu que era um Woody... Você era o Woody, né?
Eu era o Woody, e eu realmente acreditava que meus brinquedos saíam e falavam. Pra mim fez todo sentido, porque eu sempre fui muito cuidadoso.—
Com os teus bonecos?—
Com meus bonecos novos. Pra não deixar os velhos. Eu brincava sempre com os velhos.
Você brincava com eles? Você tinha já essa responsabilidade afetiva?
Afetiva com os brinquedos.
Então tua história te fodeu.
Tua história me mostrou que eu tava certo.
Ele tem essa camada.
Tem, super.
Mas ele tem essa outra camada que eu acho que ela é fantasma.
Cara, quando Buzz Lightyear entrava, eu já chorava.
É muito triste. Pra mim. É muito triste. E o Woody é um dos grandes personagens do cinema mundial.
Cinema mundial. O cinema mundial.
A história do cinema.
Eu tinha muitos.
Você lembra que ele mata? Ele mata o Buzz, né? Tenta matar.
Tenta matar, não mata.
Não morre porque é um filme de criança. Mas o que ele faz é uma tentativa de assassinato.
Mas eu entendo ele. Ele tava lutando pelo amor.
E o mais louco é que é tão bem feita a dramaturgia que ele leva o espectador junto.
Lógico.
Você não torce pelo Buzz, você torce pelo Woody.
Não, mas você não torce pelo Winner, você torce pelo Loser.
Mas quando o cara tenta matar, em geral ele te perde. Fala: "Porra, aí foi longe demais." Mas é que ele é meio Walter White, o Woody. Ele é meio... No sentido de que, a partir do momento que a pessoa sofre uma rejeição, no caso do Walter White, é mais grave ainda, que tem um câncer, tem uma criança, tem um filho, PCD, tem um monte de coisas que fazem o cinema fazer você falar assim: "Tá bom, irmão, depois dessa eu tô contigo. Bora traficar, bora matar gente, bora, faz o que quiser, eu vou." E o Woody é meio assim.
Quando ele sofre aquela rejeição, que nem é tão grave do Walter White, Ele gruda no espectador de tal maneira, identitária, que ele pode matar!
Isso.
Ele faz, ele planeja o assassinato, ele vai subir ali, então não morre por acaso, porque brinquedo não morre, mas o que ele tentou era assassinar aquele, e na cabeça dele...
Ele tentou que ele caia.
É muito bizarro, shakespeariano.
Totalmente, mas eu sinto também que assim, aquilo ali tem mais a ver com o amor pelo Andy, do que pelo ódio pelo Buzz Lightyear.
Tem a ver com o amor pelo Andy, mas não só. Tem uma briga meio política na qual ele era meio o reizinho dos brinquedos.
Era. Mas um grande democrata. Um grande democrata.
Um grande democrata.
Um grande líder.
Todos admiravam ele.
Diferente do Buzz Lightyear.
E sabe o que é bonito?
O Buzz Lightyear era meio DJ, DJ.
É, o Woody era o Lula total e o Buzz era mais... Não? Só eu que vi assim? Não, Luan, tô brincando, mas o Woody, ele era uma liderança.
Woody era democrata e o Buzz era assim, a vitória do indivíduo.
E aí todos ficam deslumbradinhos com o Buzz e ele vê também o seu poder político decair com aqueles bonecos, porque não é só, tem o Andy, que é o grande ídolo, claro, é Deus, mas tem também aquele, no fundo é meio Caim e Abel, né, também, que é meio isso.
É, não sei.
Que é tipo assim, Deus Deus é o Andy. E o que acontece com o Caim? O outro é o filho preferido.
Sim, mas é que são irmãos, né? No caso.
Que Caim mata.
São, são.
Mas essa coisa de você matar aquele que é o preferido do pai é um pouco o tema do Woody Allen, do Woody e do coisa, você entendeu? Do Toy Story e do coisa.
Entendi, mas o que eu acho é que assim, a todo momento você entende que o Woody Ele era um grande líder e sabia gerir aquilo ali.
Sabia?
O Buzz entra atravessado num sistema que já funcionava muito, tava azeitado pra cacete. E aquela organização que te apresenta o filme, aquela família feliz, aquele Deus que tá feliz, aquela vila ali... Aquela trilha maravilhosa: "You gotta friend them." Eu já postei muita foto de aniversário tua com essa trilha. É, aquilo tudo, o cachorro mola, o senhor batata, cabeça de batata, tudo ali tava funcionando, ali era um reino. Aí de repente chega aquele Trumpão.
E olha, tem, e tem um pouco, total, é o Elon Musk querendo ir para o espaço, perfeito. E agora que você falou, tem até um microcosmos ali meio político. Tem a... Que que é?
A namorada, acho que é seu nome.
A namorada cuida de um rebanho de ovelhas, aquilo ali é o agro, é o agronegócio. A gente tem o cachorro, obviamente o exército. Não, se bem que o exército tem o próprio exército. São os militares ali. Mas você tem o cachorro, que também são os aliados. O senhor Cabeça de Batata é claramente a ala conservadora. Lembra que ele é meio reaça?
É, lógico. "Ei, sabe quem é o Woody e tal?" Não, e o Woody é o cidadão de bem.
Cidadão de bem. De verdade.
Só que aí chega... O avanço tecnológico.
Isso. Aí todos bandeiam pra lá. Mas sabe o que é bonito? Eles bandeiam pra lá, mas eles poderiam voltar. Só que o Woody fica tão desesperado em matar que quando ele mata, que aí todo mundo vê o que ele faz. E aí você perdeu todo mundo, porque todo mundo vê o que ele faz e ele é expulso. Ele é exorcizado da coisa. Ele é ostracizado. Desculpa, eu confundi ostracismo com exorcismo. Mas é uma outra forma.
É um espírito ruim que você E ele é expulso da polis.
Assim: "Sai, você não volta aqui sem ele." E ele não se arrepende. É um personagem tão interessante.
Ele só quer voltar.
Ele só quer voltar pro bem-estar. E ele percebe que ele só consegue voltar se ele recuperar a cagada que ele fez. Recuperar a cagada significa ir salvar aquele imbecil que não quer ser salvo.
Que tá num caminhão de lixo?
Que tá num caminhão de lixo. Não, ele foi parar na pizza. Cara, é um puta drama bizarro, né?
Mas ele faz pelo, de novo, um grande líder, pelo bem da nação.
E tem uma coisa bonita também, que tem o eixo, tem dois arcos perfeitos, né? O arco dele, que é perceber, saber dividir o amor e saber admirar, e saber que ele não é menos se tiver outra pessoa ali incrível ao lado dele.
Que amor não se mede.
Que amor não se mede.
Amor só se perde. Amor, eu diria Cidade Negra.
Aonde está você?
Aonde está você?
E tem uma coisa bonita que é o Buzz Lightyear.
Tá falando muito, tem uma coisa bonita.
A trajetória— é porque você tá me interrompendo toda vez que eu terminar a frase. Tem a trajetória do nosso querido Buzz, que também é bonita. Que é o cara— o que que o Buzz, ele é?
Ele é um ser programado.
E ele vai aos poucos descobrindo falhas. O grande momento, também do cinema mundial, é o momento em que ele tenta voar, cai, e aí junto, assim que ele cai, cai também a ficha. Dele, que ele não voa, que ele é um idiota, que ele é uma merda.
Que ele não solta laser, Gregório.
Que ele não solta laser.
Que é só uma luzinha.
E ele vê, e é muito bem narrado, ele vai andando, ele vê na televisão dos pais do vizinho onde ele tá lá, do vizinho mau, na televisão do vizinho ele vê um comercial dele. E aí cai a ficha, e aí ele tenta pular e cai e se fode. E aí qual é a cena seguinte? Ele tá sentado com as bonecas da amiga. Parece que ele tá bêbado, porque ele tá assim: "Eu sou uma fraude!" Ele fala essa frase. Maravilhosa dublagem, aliás, do espetacular Guilherme Briggs. Fã maravilhoso. E o Guilherme Briggs tem essa...
O que ele quer? Guilherme Briggs, o rei desse povo.
Eu não preciso do amor do Guilherme Briggs, eu já tive. Eu sei que ele é assim, que ele é um cara muito querido. "Eu sou uma fraude!" Ele fala. "Quer machar, Dona Marocas?" Ele fala essa frase, porque a vida dele virou essa. Quer mais chá, Dona Marocas? Ele passa de um astronauta pra ficar sentado com um ônibus de brinquedo ali, brinquedo rejeitado, tomando chá. E esse fundo do poço do Buzz é maravilhoso.
É um filme sobre reviravoltas, né?
Muito, cara. Esse filme é muito genial, muito brilhante.
E tem o famoso... Shrek também, que é cárcere privado, né?
O Shrek é sobre isso? Não lembro, eu tenho que rever Shrek.
Não, é o... Ah, meu Deus. A Bela e a Fera.
A Bela e a Fera é sobre cárcere privado.
Cárcere privado.
Não, pior que cárcere privado, é sobre uma mulher que tá arranjando um cara que é obviamente um boy lixo, uma fera violenta, que tranca ela em casa, e todo mundo fala isso pra ela, ele é uma fera, e ela diz: "Vocês não sabem, mas ele é um príncipe. Só eu que vejo, mas ele é um príncipe, ele é bom." Sim, mas ele tá te trancando. Ele tá te trancando em casa. Mas ele não vê a verdade. E no filme ela tá certa, coisa que na vida real a pessoa nunca tá.
Já viu alguém que fala assim: "Ele é uma fera, ele é uma merda", e no fundo a pessoa tinha razão, aí a pessoa vira uma pessoa incrível porque você mudou a pessoa e ela deixou de ser uma fera e virou um príncipe? Isso não existe. E você tá ensinando pras meninas que isso existe.
Perfeito. Gregório, adorei. Você é um queridaço, ó. Cara... Vamos falando. Quem quiser comprar o livro do Gregório, QR code aí pra vocês. É um livro ótimo, tem esse negócio da Com essas observações aí que ele faz de língua portuguesa, que não sei o quê. É isso. Um beijo e até semana que vem. Eu lembro quando eles aplaudiam, né? Pessoal das redes.
Pessoal das redes, quê?
Lembra quando eles aplaudiam que acabava?