#72: CLIMA DE COPA, PAPAI E MAMÃE E OUTRAS COISAS
Entre o climinha de Copa e de cópula, aprenda com um papai o limite do papai e mamãe.
ELENCO:
Gregorio Duvivier
João Vicente de Castro
ROTEIRO:
Eduardo Branco
DIREÇÃO:
Matheus Monk
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Clima de Copa, né, cara? Como é que tá? Você tá em clima de Copa do Mundo?
Pô, eu tô, eu tava, né? Eu tava animado.
Aí, mas você viu em casa as pessoas? Você vem em casa, as pessoas também fiz em casa.
E aí acontece que eu, como um ser humano brasileiro, assim como todos nós, acho que vai chegando, né, tudo dizendo que a seleção não ia bem.
Saturno atravessando Retrógrado.
Quando começa o hino nacional, vai dando uma fogueira na pessoa.
Você é desse também?
Ah, é assim, vai dando uma impressão de que vai ser 5x1 pro Brasil.
É muita emoção Copa do Mundo pra mim, cara. Eu não tava no clima até. E tem um momento, você falou bem, tem um momento que é determinante pra um brasileiro, que é o começo do hino, que é antes de começar a cantar, é a introdução. Parararam, pararam, pararam, pam! É lindo. E ele tem algo, foi o Stepan Nessezegno que me fez ver isso, ele é muito, ele diz muito sobre o Brasil, essa abertura, porque ela bota uma banca e afina. Tem isso, não tem?
É a cara do Brasil isso. É o vai não vai, mas é lindo. Esse hino é bonito pra caramba, não tem hino mais bonito que o nosso. Eu acho lindo. E tem parte da letra, eu conheço, eu gosto de hino, não conheço muito, mas eu gosto, eu ouvi, por exemplo, é bonito. Mas sabe que o Brasil, ele é uma corruptela do hino? Não é uma corruptela, eu acho ele muito mais bonito, mas ele é feito a partir do hino da França. Presta atenção, um é: e o do Brasil: Ele é o hino da França jazzificado.
Não existia jazz, eu sei, obviamente. Não tô falando jazz. Ele é o hino da França torto. Ele é o hino da França dissonante. Muito mais bonito que o da França. Porque na França é na quinta. O nosso é na quarta. Na quarta, lógico.
Né?
É La Patrie. Na quinta não, também é na quarta. Mas ele fecha na oitava. La Patrie. É mais careta. O nosso é... Puta, bonito pra caralho. Eu chorei. Eu chorei com a mão no peito. Porque eu vi com 30 crianças. E é lindo ver Copa com criança, porque elas ainda acreditam. Elas, sabe? E aí eu acredito junto e eu passo a torcer triplamente pro Brasil.
Pra não decepcionar as crianças.
Pra não decepcioná-las, claro. Minha filha escreveu uma coisa e não fui eu que pedi. Escreveu porque falou que talvez tem gente que não tá muito animado. Mas tem gente que vem aqui pra casa, não vai estar animado pro Brasil, papai? Falei: "Vai, talvez." Ela escreveu uma... Bilhete. Bilhete. É obrigatório torcer para o Brasil. Botou na porta lá de casa. E eu tô meio igual a ela, cara. Tem um amigo que postou uma foto do namorado.
Ah, ele é rebelde com a camisa do Marrocos. Ah, não, tá de bater em gente rebelde. Nessas horas eu viro assim: tu é rebelde, irmão?
Tá rebelde agora? Tá achando que o Brasil tá precisando?
Rebeldia numa hora dessas? De camisa do Marrocos? Você comeu merda? Você entende a merda? Você fica revoltado?
Revoltadíssimo.
Eu fico revoltadíssimo. Não é moleza. Não é momento de rebeldia, não. É momento de brasilidade mais. Até a Amarelinha. É Amarelinha. O bicho chama de Amarelinha. Tirei do armário.
Gente, é. Você ressignificou.
Já virou outra coisa.
Já virou outra coisa.
E aí amarela, grito na rua tal. Cara, eu fiquei... João, começo do jogo eu tava emocionado. Eu chorei só com o hino. Aliás, vamos falar um pouquinho mais do hino, só. Que eu sou obcecado por ele. A gente tem um hino, cara. A gente tem um hino. Primeiro, sabia que o nosso hino é um dos poucos que não fala? De guerra, de morte. Todos os hinos, vai ver o da França, é basicamente: "Vamos cortar a cabeça desse sangue impuro." Ele fala de sangue impuro.
É um hino bizarro em que fala muito de sangue, de gente matando. O hino da França. E a maioria dos hinos são assim. A gente vai matar todo mundo, vamos passar todo mundo. As crianças, la patrie. As crianças. Para matar, é. Vamos, crianças, matar gente. O hino da França é isso.
E o Brasil é uma exaltação a si mesmo.
Exaltação a si mesmo, é tipo o Araqueta. Só sei que o Araqueta é bom demais.
Só sei que o Brasil é bom demais. Podia ter essa frase.
Podia ter essa frase.
No final, assim.
Total.
Pátria amada, Brasil, só sei que o Brasil é bom demais.
Exatamente. E tem imagens lindas. Olha esse verso: "Ao som do mar e à luz do céu profundo." Ao som do mar e à luz do céu profundo? Caralho, é muito... E mais bonito: "Paz no futuro e glória no passado." Isso é lindo, tá pedindo paz. É o contrário da guerra, é um hino que pede paz no futuro e glória. Deixa a glória no passado, que é mais chato. Paz no passado, glória no futuro é chato, que você vai ter que ter glória ainda, vai dar trabalho.
Deixa a glória no passado, vamos resolver já a glória. Deixa a glória no passado, agora o futuro. Eu quero paz, é paz. E tem um verso lindo que é: ó, pátria amada, idolatrada, salve, salve. Não cabe, né? Salve, salve meio que sobra. Salve, salve, é lindo. Ó, pátria amada, idolatrada, salve, salve. É lindo.
É, podia não ter, né? O Padre Amado indo lá atrás.
Prada, la la la, salve salve. Tem dois salve pra caber.
Pena ser um la la la. La la la.
Não, né?
Não dá.
Vamos botar aqui um salve salve. É bonito pra caralho. E verás que um filho teu não foge à luta é uma boa, embora tanta gente tenha fugido.
Exatamente.
Alguns tenham ido pra Orlando. Mas verás que o filme é lindo esse verso.
Verás que um filho teu não foge à luta. Nos Estados Unidos.
Verás que um filho teu foge pra Orlando. Mas o fato é que É lindo esse verso.
É lindo, realmente lindo. Queria fazer um hino do Não Importa. Seria possível fazer um hino do Não Importa?
Cara, seria. Não tem nada que eu odeio mais que... Não tem nada que eu odeio mais que...
Eles odeiam tantas coisas e o Gregório fala em tom de corte.
Todo mundo perde pontos com o João.
E eles falam de paternidade, de criar cachorros.
E estão sempre citando os sotaques de São Paulo.
São Paulo. Mas eles na verdade amam São Paulo. Lá tem restaurantes maravilhosos.
João, vem cá do lado dos drags. Vamos falar bem de São Paulo aqui.
Não, bem não. Falei não vamos falar. Porque assim, parece que a gente não gosta de São Paulo.
Eu adoro São Paulo.
Temos amigos queridos paulistas.
Eu tenho inclusive, meus melhores amigos quase, fora o João, é paulista.
Ah, então. Meus melhores amigos é paulista. Aí ele falou que é da... Aí ele não sabe falar, aí ele falou que mora em São Paulo.
Tem tanta diferença entre Rio e São Paulo, que é... São Paulo tem muitas diferenças, óbvio. Mas São Paulo não se incomoda se você fala mal de São Paulo. O que eu mais tenho amigo paulista que manda os cortes da gente zoando, vê o quê? Haha, muito bom. O carioca que odeia quando fala mal do Rio, isso depõe muito contra o Rio. Porque o paulista tem muito mais autoironia. O paulista adora se zoar. O carioca odeia. Quando alguém fala mal do Rio, a pessoa nunca mais me apareça no meu bairro, uma coisa assim.
E eu acho que isso mostra uma fragilidade, Se você ama um lugar, você não deveria ficar puto quando falam mal dele. E o paulista tem o contrário disso. Uma vez eu falei bem de São Paulo numa crônica na Folha de São Paulo e eu nunca apanhei tanto na minha vida. As pessoas vieram de sola, me xingando muito. "É fácil falar bem de São Paulo, quero ver morar aqui, meu." Eles ficaram ofendidíssimos, né? E até me explicaram isso. O editor da Folha na época, o Sérgio D'Ávila, falou: "Cara, você cometeu um erro, que a única coisa que não pode fazer na Folha é falar bem de São Paulo.
É um pacto." Ele até falou: "Tem algo em comum entre o jornalismo do Rio de Janeiro de São Paulo, que é o do Rio odeia São Paulo e o de São Paulo odeia São Paulo. Eles têm isso em comum e é um pacto que se tem. Eu falei mal de São Paulo, falei bem de São Paulo e nunca me perdoaram por isso, por essa crônica em que eu falava bem de São Paulo. Então o fato é que eu falo mal de São Paulo também porque eu sei que os paulistas amam, eu sei que é um esporte, mas depois encontro o Rio.
Inclusive tem um bom daqueles saboiteque de um cara falando assim: é, nova-iorquino, que é muito parecido, acho, Nova York e Los Angeles e Rio e São Paulo em algum sentido. Nova-iorquinos parem de falar mal de LA, porque isso depois é muito contra vocês. Pelo seguinte: é óbvio que a cidade é mais bonita. É óbvio que é. Nova York é muito mais bonito que Los Angeles. Óbvio. Vocês ficarem falando que Los Angeles é feio, é escroto, é bater em quem tá embaixo.
É punch down, ele fala. É chutar cachorro morto. Isso depois é contra vocês. Vocês estão pegando uma coisa que é uma merda e dizendo: "Isso é uma merda." É mesmo. Então, isso daí mostra que vocês são fracos de cabeça. Vocês são bobos. E é meio isso, falar disso. Caraca, falar mal de São Paulo é uma coisa meio idiota, porque o paulista concorda. O que é mais bonito. Então você tá sendo idiota de falar mal de uma coisa que todo mundo concorda, né?
Dito isso, queria voltar à nossa seleção, que é o seguinte: gatilhos. É, o João falou assim: Greg, hoje é contigo. Hoje eu sou Igor Thiago e tu é o Vini Júnior.
É, eu tô numa ressaca.
Gatilhos. Porque Brasil já me deu muitas felicidades, muitas, cara. Eu lembro de cada... Acho que um gringo nunca vai entender o que é um brasileiro na Copa. Nunca. Por gringo, eu estou me referindo ao norte global. Sul global não chamo de gringo, não. Porque acho que tem uma diferença gigante da Copa no sul global do norte global. Gigante. Agora, vi a Copa, por exemplo, de Portugal, que é um país que liga muito para o futebol, tá?
E, ah, vamos falar: "Isso foi só contigo." Não é assim. Foda-se. Eu vou falar a minha experiência. Vi a Copa de Portugal... "Isto é apenas contigo." "Pare de falar as neiras." Não. Olha só, amigos portugueses, eu amo Portugal em mil aspectos. A Copa em Portugal é uma experiência muito diferente. As pessoas vêm à Copa... Eu vim num quiosque, tá? Não é nem pra ver a casa de pessoas ricas metidas, não. Eu vim num quiosque, ou seja, na que vocês chamam de esplanada.
Numa esplanada, tava cheio de gente. E por acaso foi no dia que Portugal ganhou de 6 a 0 da Suíça. Quando que isso acontece? Nunca. O Brasil, eu acho que nunca ganhou de 6 a 0 numa Copa. De ninguém. Brasil. E Portugal ganhou nas oitavas, no mata-mata. Portugal ganhou de 6 a 0 da Suíça. Imagina isso. O que acontece no Brasil?
Ônibus pegando fogo.
Ônibus pegando fogo. Saque em supermercado.
Da Suíça. Ganhando da Suíça. Não é da Alemanha, não.
Ganhou de 6 a 0 da Suíça. E os portugueses estavam lá tomando o imperial deles, que é o chope, e eles olhavam: "Gol!" Não é que eles ficavam tristes que faziam gol, nem indiferentes. Não eram indiferentes, ficavam animados. Eu diria até que ficavam entusiasmados.
Eles gostavam.
Eles falavam sabe o quê? Goal! Goal! Que já é estranho gritar goal, porque goal não é gol. Uma coisa é gol! Oxítona.
É, o goal impede o grito.
Goal! Goal! Goal!
Tem ponto final.
Eles falavam goal!
O goal pode até... E eu lá... Caraca! 3, 4, 5... Você torcendo pra Portugal mais do que...
E eles olhavam assim, e eles olhavam pra mim, "Bom resultado, bom resultado, se criar podemos fazer pior." Esse ano se criaram, e abraçaram. Cara, a gente é um clima de Réveillon, a gente abraça desconhecido, né?
Não trabalha.
Não trabalha.
Feriadasso. É muito engraçado isso de não trabalhar, não joga.
Não trabalha mesmo. E aí é um sentimento que um gringo acho que não vai saber nunca o que é. Eu digo Portugal, né? Até tá em debate se é "Você é gringo, então ele vai dizer que não, porque..." Mas aí eu tô colocando na categoria gringo. E com todo amor por eles, tem algo que na verdade lembra Réveillon, porque Réveillon lá fora também é assim, né? Réveillon. Que eu adoro. Você gosta disso?
Adoro, adoro.
Desculpa, você queria falar? Feliz Ano Novo, Feliz Ano Novo. Happy New Year. Happy New Year.
Eu adoro... Bonaná. Eu adoro o cinismo reveillonico.
Eu não. É uma experiência de... Caralho, irmão, agora tudo vai mudar porque eu pulei 7 ondas, abracei, desejei coisa... "Para Deus e dancei, fiquei bêbado e tomei um negócio." Então é, Réveillon vai mudar e as crianças todas: "É!" Fogos, começou uma coisa nova. Eu amo os rituais de passagem do brasileiro.
Eu odeio.
Cara, eu acho que é aí que a brasilidade se justifica, porque a gente mora num país que tem muitos problemas, mas é na festa popular, seja ela Copa, Olimpíada, Carnaval ou Réveillon, que a gente fala assim: "Caralho, a gente sabe fazer isso." Mas você não está sentindo um cinismo, uma...
Um blasezismo das pessoas na Copa? Essa Copa?
Não.
Tem dois tipos de torcedores de Copa do Mundo. Nós, que é incansável, nada abala. É isso, eu tô achando horrível o Marrocos, um horror, 1x1, só que no próximo jogo eu vou estar lá. Mão no peito. E tem o também que parece que não quer se machucar. Pessoa que parece que não quer sofrer. Então ela já tira por: "Ah, vai ser ruim." Então eu acho que eu tenho visto mais esse tipo de pessoa agora.
Mais melancólico.
É.
E a gente é mais sanguíneo. A gente é mais colérico.
A gente é mais sanguíneo.
A gente é mais sanguíneo, é. Para quem não sabe, são os 4 temperamentos: sanguíneo, colérico, fleumático e melancólico. Qual é você na Copa do Mundo? O português é mais fleumático, né?
Eu botaria o angustiado.
Tem um angustiado aqui. O angustiado, eu acho que é o melancólico.
É o melancólico, né?
Sofre ali calado, né? A gente é o sanguíneo ou o colérico. Hoje eu tô meio colérico também. É meio tipo: "Ah, cara!" Grito e: "O que vai acontecer?" Como se o Ancelotti fosse ouvir, né? Achando que vai ouvir. Sabe quando você tem a suspensão da descrença? Que acontece poucas vezes na vida, né? Claro.
Que é o mesmo jeito que você fala quando você grita com a televisão: "Tira a bola daí!" "Ele tá atrás de você." Lembra disso?
Peça infantil, né? "Ele tá atrás de você!" Tem isso, a gente gritando, porra, né?
"Toca, toca, toca!" As crianças gritavam muito.
Cara, gritavam muito. E aí você passa a torcer triplamente quando tem criança. Foi muito triste. Sabe por quê? Eu fui meio individualista. Eu pensei assim: "Porra, é na minha casa." E na minha casa, minha casa vai ficar taxada de pé frio. Porque eu cometi um erro, e você cometeu o mesmo, que é receber gente em casa na Copa. Eu sempre cometo esse erro, todo ano. Mas já aconteceu do Brasil ser eliminado lá em casa.
É, isso é chato, porque aí o que você faz depois, né?
O 7x1 foi lá em casa.
Foi lá na tua casa? Foi.
Mas é porque o 7x1 foi muito traumático, né? Vou bater, vou chover no molhado aqui.
Você acha?
Cara, por que foi foda? Porque ele foi da ordem do... Ele não foi dramático. Dramático foi o 3x0. Pra França em 98.
Ele foi humilhante, né? Mais do que perder, foi uma grande humilhação.
Ele foi chacota, ele foi.
Tudo que ele tá falando aqui é muito óbvio agora.
Não, não é, sabe por quê? Acho que tem algo a dizer aqui que é o seguinte, só pra embasar essa história de que no Brasil a Copa é diferente, que é meio óbvio, eu não sei se é tão claro isso em outros países, o fato de que eu, por exemplo, eu lembro claramente onde eu estava em todas as eliminações do Brasil. Claramente, todas. Fala aí, mano. Sabe, 2006, o meião do Roberto Carlos foi na casa Fui estar com Manuela Cantuário, um beijo pra ela, na casa de Rafael Queiroga, se não me engano.
Eu lembro de uma por uma, de onde eu tava em cada casa. 2010, foi na casa do Fábio Porchat, a gente foi fazer o aniversário dele na Copa. E, aliás, fica a dica pra você que faz aniversário em junho e julho: não comemora aniversário no Jogo do Brasil, não. Parece uma boa ideia, porque vai estar todo mundo junto, Jogo do Brasil e tal. A chance da festa virar um enterro, ela existe. Não é porque o Brasil, ainda mais hoje em dia, o Brasil não vai garantir o teu aniversário, não.
Virou um enterro. Essa festa do Fábio Porchat de 2010, não sei se marcou tanto ele quanto eu. Mas me marcou muito. Porque era a festa do cara, e acabou, e foi eliminado. E tinha uma mulher, na época casada com o Paulo Carvalho, que chorava, chorava, chorava. E aí, vamos saindo da frente da TV chorando, chorando, chorando. E o Fábio, aquela alegria, rindo, todo mundo fazendo piada. Na época, ele tava no Comedy Petal, todo mundo, muitos comediantes stand-up, muitas piadas, tava engraçado, mas, ao mesmo tempo, a festa vira um enterro.
A gente não consegue se desvencilhar. "Ah, não, mas é só um time." Não, cara, é identitário o Brasil pra gente. E aí, de repente, cara... Aliás, é isso que eu mais fico feliz no Brasil hoje. A gente vive uma época, João, em que a gente não compartilha nada com ninguém. Essa é a verdade. Vamos lembrar de 94, Copa de 94, 98, 2002. A gente compartilhava, todo mundo tava vendo a mesma novela. O Brasil parava para ver Um Rei do Gado, o Puro Amor.
Parou para ver Puro Amor. As pessoas comungavam do mesmo conteúdo, comungavam da mesma ficção e da mesma realidade, porque também parava para ver o Fantástico e parava para ver o Jornal Nacional. Brasil parava o Jornal Nacional, todo mundo. Ou seja, a gente compartilhava não só da ficção como da realidade. E hoje não compartilha nem da ficção, que cada um tá vendo uma novela, nem da realidade.
Saudade de quando a gente compartilhava a mesma notícia, né?
Eu tenho um pouco de saudade. Na época a gente falava mal. Falava: "Todo mundo vê o mesmo jornal? Esse país, pô, parece um Leandro. Falta diversidade." Faltava mesmo, era um problema. Mas era um problema talvez mais gostoso, todo mundo ver o mesmo telejornal, do que hoje, que cada um tem acesso a uma realidade.
A uma realidade, exatamente.
Cara, você não compartilha nem o detergente. Não. Sei que você me entende.
Não, e você não faz a mesma coisa com detergente.
Ainda tem isso. Tem gente que vai beber detergente. E vocês mesmo gostam de detergente só pra lavar louça. Tem gente que tem essas peculiaridades, que só usa detergente pra lavar louça.
Não vamos julgar.
Não vamos julgar? Cada um faz o que quiser com detergente. Eu não vou julgar. Só você que eu não julgo. Mas o fato é que a Copa é uma narrativa que eles compartilham ainda. Você tá vendo o mesmo jogo que o teu vizinho e você tá torcendo para o mesmo lado que ele. Isso é um milagre, cara. A não ser que ele seja um rebelde que torça para o Marrocos, que é engraçadinho botar a camisa do Marrocos. Ah, porque é só rebelde. Não, a não ser que você seja rebelde, torcer contra é 0,1%, é o diferentão, é o comédia, é o mala.
É o mala. Obrigado. Quer ficar com a camisa da Argentina?
Não fode, irmão, não fode pra caralho.
Porra, vai ver lá se a Argentina já torceu alguma vez para o Brasil.
Não, não, não, não. Mas a Copa ainda é esse lugar em que você tá vendo e compartilhando a mesma coisa. Isso me comove profundamente, cara. É comovente mesmo. Um prédio todo assistindo a mesma coisa e torcendo pro mesmo lado. É algo que, porra, fala: é tão lindo isso, você ter uma narrativa compartilhada e tá todo mundo querendo a mesma coisa.
Saudade desses tempos.
Que saudade louca, eu me teletransporto pra 94. Eu me teletransporto imediatamente. 94, eu tinha 8, você tinha 10, 11. Eu lembro de Cada jogo, cada jogo de todos eles.
Eu não lembro, eu lembro de onde eu tava. Então eu também, mas não dos jogos em si assim.
Eu sei, eu te falo, você lembra? Você não lembra da Holanda? Não, aquele chute do branco que o Romário fez assim?
Tá falando de highlights, vendo cada jogo.
Ah, tá. Mas cada coisa, aquela Suécia, gol de cabeça do Romário no meio de— exatamente, da Suécia. Foi isso, cara. Os caras tinham 1,90m, Suécia, a média. E o Romário e os caras, os zagueiros ali, cruzamento. Romário tem 1,68, exatamente o meu tamanho. Eu tenho 1,69, mas eu gosto da idade, do tamanho do Romário. E aí o Romário sobe ali e acha a bola no meio dos zagueiros de 1,90 e cabeceia para baixo, aquela cabeçada impossível de se agarrar.
Você é o Romário do Portos Fundos, sabe?
Eu sou. Ele fez aquela pelada lá do São Nalinga. Eu fiz um gol de cabeça na pelada do Nalinga. Sim. Mas de cabeça, de peixinho. E sabe o que foi bonito, João? Foi de peixinho. A bola cruzou e eu pulei e... Eu não sei, eu não sei.
É porque também é uma área, né?
A cabeça, é.
É fácil, gente.
Pois é, mas eu nunca tinha feito, sabe, um gol de cabeça.
Você é um jogador de cabeça, né?
Oi?
Você é um jogador de cabeça.
Mas de cabeça. Foi lindo, é muito bom fazer gol de cabeça.
Eu não lembro de fazer gol de cabeça.
Sabe o que é bonito do gol de cabeça? Que a cabeça claramente não é feita pra isso.
E o primeiro cara que fez isso?
Primeiro cara que fez o gol de cabeça?
Animal!
Animal, exatamente! Ele usou a cabeça pra... Ele pensou em ir na mão, falou: "Não vou, vou dar de cabeça." E a cabeça, o cara que é bom de cabeça, ele usa a cabeça. Porque eu, no meu peixinho, não, foi meio assim, eu vi a bola, pulei e a bola bateu e foi um gol. Porque eu não sei, não tenho técnica. Mas o cara que é bom de cabeça, ele, ó, a cabeça vem assim, né, pra ele poder fazer. Mas eu já percebi o caralho dessa cabeçada, ele tá aqui, ó.
Eu queria essa figurinha, gente. Salve!
E aí a cabeça dá um, é como se fosse uma bicada, é um chute de cabeça. É um chute de cabeça.
Você acha que a camisa amarela voltou?
Voltou com tudo, para caralho, para caralho! Laranjeira, cheio de gente de camisa amarela, é a prova de que voltou. Sabe uma coisa que eu acho bonita, cara? Que é meio que o Romário pulando ali no meio dos suecos. Cara, já passou. Eu como baixinho, não preciso muito ser apresentado por aquilo, porque em qualquer esporte o alto é, a não ser nas Olímpicas.
Jockey.
Jockey eu não considero esporte, com todo respeito aos jockeys. É esporte pro cavalo. Cavalo baixinho é bom no jockey, não é? Joga é esporte, Bruno. Joga é esporte. Com todo respeito.
A gente tá fazendo inclusive uma parceria com uma marca de roupa e a gente gostaria de que vocês, quando tiver uma frase boa, mandem pra gente. Isso daria uma camisa. Joga é esporte pro cavalo é uma boa frase. Não sei se é uma frase pra camisa, mas enfim, ela me comoveu.
Pelo amor de Deus, né?
Eu discordo, eu não quero confusão com ninguém. Eu quero todos me amando.
Jockey não vai bater em você, João.
Não vai bater.
Jockey. Porrada do jockey.
Não vai bater.
Caralho, fui espancado por 7 jockeys. É esporte pro cavalo. Jockey, o que ele tem que ser é magrinho só e levinho.
E deixa o cavalo correr.
E deixa o cavalo correr. É só não vai puxar rédea.
Bota em ponto morto.
Não dá, vai. O esporte dele é ficar assim. O que você está fazendo? O cara fica em casa assim. O que você está fazendo, amor? Tô treinando, cara. Tem corrida hoje. Cara, tá o dia inteiro assim. Acho que eu tô, acho que eu distendi aqui, vou ter que ser substituído. Não tô dando beijo legal, não tá saindo.
E boa, boa!
E galera, já foi. Na verdade, esse programa não é sobre Copa do Mundo, já vamos parar. Se você quiser assistir mais de Copa, tem um programa do Porta só sobre ele, chama Aquele Campeonato. Porque ele não pode falar de copa lá. Então pode falar de copa, mas sem esse nome copa. E tá maravilhoso. Tino Marcos, aliás, o Tino é uma delícia de pessoa, né? Eu não conheci ele pessoalmente, mas tô vendo todos os programas.
Bom ferro, engraçado, gente boa.
Que delícia! Como pode alguém ser tão gente boa assim sem conhecer?
Mas sem ser bobalhão.
Sem ser bobo. Ele é perfeito. Ele é perfeito. Foi um grande acréscimo. E ver nosso amigo Marcelo Adnet no porta, é uma coisa que eu tô amando também.
Marcelo Adnet, nosso elenco fixo novo. Leandro Ramos, Saraiva e Wallenberg.
Leandro Ramos!
Eu gosto muito do jeitinho dele.
Muito carioca. Então, carioca.
Porra, eu sou cria de Jacarepaguá.
É bom demais.
Porra, meu avô, meu pai, ele acordava domingo, sunga. Sunga, direto sunga. Ele morava a 20 quilômetros da praia, gente. Não tinha piscina em casa. Sunga, lavava o carro. Regata, pra comprar pão, sunga. É muito bom esse conceito da pessoa que no domingo se identifica com sunga, mesmo estando longe da praia, mesmo não olhando o corpo.
Tá, isso é maravilhoso, é muito carioca. É uma das coisas que eu mais gosto no Rio é encontrar a pessoa de sunga.
Andar de sunga é um negócio impensável pra certos lugares.
Impensável. Tem uma figura que eu gosto muito do carioca de sunga, que ele anda com a sunga, não sei se ainda existe essa figura porque o celular matou.
O maço de Hollywood?
Do lado? Sunga. Nada, nada, nada, nada no corpo, nas mãos, a não ser uma sunga, um maço aqui com o isqueiro dentro do maço e aqui um dinheirinho amassado. Uns R$20, R$50 no máximo. Aqui assim, aqui. Aqui tá tudo que ele precisa.
Sunga preta ou azul?
É, uma sunga preta ou azul.
Havaiana completamente?
Uma barriga dura.
Uma barriga dura.
Que é o que caracteriza o cara que usa sunga o dia inteiro, aquela barriga dura. Não é que ele é gordo, inclusive ele tem uns gambitinho, a perna dele é assim, ó. A perna dele é assim, mas tem aquela barriga dura.
Bronzeado?
Bronzeado, sim.
Às vezes uma marca branca abaixo da teta.
Porque aqui não queimou.
Porque aqui não queimou, porque a teta cobriu. Exatamente. Havaiana facultativo.
Facultativo, mas às vezes descalço. Às vezes de sunga e tênis também na orla, caminhando. Sunga e tênis às vezes tem, mas eu acho que esse cara usa mais uma raia, ou uma havaiana ou uma rider, talvez no máximo, vai.
É.
E ele para muito pra ler banca.
Calma, tem, tem, assim... Uma corrente? Uma corrente de prata.
Tem uma corrente, é.
Ali com, talvez facultativo também, um São Jorge.
Pode ter um São Jorge.
Pode ter um São Jorge.
E tem uma tatuagem muito velha, gasta. Muito velha. Talvez de um... Muito apagada.
É, talvez uma tribal...
Ou um time, ou um escudo do Flamengo, alguma coisa assim.
Botafogo.
Botafogo, é verdade.
Botafogo, que eles chamam de Botafogo. Botafogo, porque o Botafogo é... Para muito pra ler em banca.
E para muito pra ver TV também.
TV em boteco. Boteco. Mas só que não entra.
Não entra. Ele fica ali no mar, às vezes para... Mas às vezes tá com um litrão também.
É, mas fora.
Ele joga umas coisas, umas porrinhas.
É, e falando com a televisão. É, é. Se você não botar o enter, que não vai dar, pô. Fala muito. E faz amizade com o rapaz do lado.
Ah, com certeza. Conhece todo mundo pelo nome, pelo apelido. Dá uns apelidos meio preconceituosos. "Ô, Ceará!" Chama todo mundo do estado que não é o dele, assim. "Ô, Ceará!" "Ô, vascaíno!" E a gente chama de outros de vascaínos sem saber que...
"Fala, vascaíno!" Como é que é o nome desse cara?
É um nome antigo. É um... Quando todo mundo nasce, a franga... Será que pode ser uma franga? Eu ia falar um heitor. Mas eu acho que é mais... Acho que tem alguma coisa de nome antigo, tipo... Sabe os nomes que estão sumindo? Tipo os Edison. Nelson. Nelson não nasce há muito tempo. Newton.
Newton.
Quando que nasce um Newton?
Se você é Nelson, é Júnior, né?
É, porque o pai já era Nelson. Tem umas abreviações pro Newton, né? Milton. Milton não nasce há muito tempo. Acho que o nome desse cara é Milton. Milton. Oi? É, o Milton faz tempo que não tem um nascimento, é verdade. Obrigado. É do branco.
Às vezes não consegue.
Foi pior, eu falei Newton nasce menos. Milton Nascimento, foi perfeito. Caralho, obrigado, Edu. Obrigado. Milton Nascimento foi maravilhoso. Miltoninho. Se bem que tem um menino na escola da minha filha, tem um Miltoninho. Tem? Tem. Miltoninho não é muito bom? O moleque já nasceu muito velho, ele já nasceu tocando um piano no Álvaro. Miltoninho, nome de um pianista de... De boteco.
Mas tem esse personagem mesmo. Como é o nome dele então?
Milton? Acho que é Milton. Acho que é Miltoninho.
Milton tem umas fábricas.
Casado com Vera, né? Com a Vera. Milton casado com Vera, com certeza. Com Verinha. Com Vera Lúcia, né?
Ou com Regina.
Regina também. Regina, porra. As Regina aí. Eles frequentam a praia do Flamengo hoje em dia.
Muito.
Hoje em dia eles estão ali.
Ah, é aquilo que é a praia?
Aquilo que é a praia. Ninguém enche meu saco aqui não. Quem que enche a praia de umas praias assim, né, mesmo?
Enche, né?
É, quem que enche, né? É, mas essa pessoa, ela tem muito eles, sabeu? Tem um tipo de velho no Rio, tá sempre lidando com eles. Eles são foda, falam umas coisas assim, sabe? Eles são foda, eles estão querendo comer nosso cu. Eles só querem saber de comer nosso cu. Eles querem comer nosso cu na areia.
Quer entrar no meu cu.
Tem um eles, né? Ele é persecutório assim.
Eles estão sempre comendo o cu.
Eles não querem nada com nada não.
E esse cara faz o quê?
Cara, acho que aposentado, não? Tá, ele era advogado, contador, talvez. Eu acho que tem algo de umas profissões assim no Rio de Janeiro.
Ele faz aquele clássico, né, que a gente falou outro dia: "Bora tomar um banho." Ele fala o tempo todo, exatamente. Narrador de si mesmo.
"Que eu não tô com a vida ganha." Que é a frase de quem tá, exatamente. Tem o famoso "que ninguém é de ferro", que ninguém é de ferro, justifica a coisa, né? "Geral, cerveja." "Não, eu digo assim que ninguém é de ferro." Né, as maiores desculpas para o alcoolismo, que ninguém é de ferro, que ninguém é de ferro, ou que eu não tô com a vida ganha, é o contrário, é para ir trabalhar, né. Ninguém é de ferro é para desculpar o álcool, que eu não tô com a vida ganha para desculpar, para ir trabalhar ou fazer alguma, alguma coisa, que eu não sou menino, eu gosto também.
Mas é, então Milton, eu acho que ainda não tô convencido, mas eu acho que ele é mais Nelson.
Nelson, pode ser Nelson. Nelsoninho.
Arranha um instrumento?
Não, eu acho que arranha um de percussão, né? Toca, você dá um surdo na mão dele, ele vai, ele vai, não vai bem, mas vai, né? É o carioca, é o contrário do paulista. Desculpa falar agora São Paulo, mas ele gosta muito do diminutivo, né? Muito difícil alguns nomes não serem um inho, tipo Nelson vai virar o Nelsinho, de modo geral, né?
Ou algum apelido, né? Ou pode ser Cabeça.
Pode ser também, Cabeça. Mas o paulista... Ou Cebola. É, eles gostam de apelido maior no Rio. Até às vezes aumenta, né? Tem uns andruxa da vida, uns apelido que é o cara... É o apelido maior do que a coisa, né? Feito o Inho. O Inho é um bom apelido, apelido maior que o nome.
Mas o Inho traz carinho, né? O outro, o apelido maior, eu acho que... Porque o paulista, ele bota o apelido que é o... Pá, que é a primeira sílaba do nome da pessoa, que é quase como para— parece que é para otimizar o tempo. Mas tem nome que não justifica não esse apelido, tipo João. Não, já tá, é uma sílaba, já tá suficientemente pequeno. Se for trocar para Jô, você usou ao mesmo tempo. Exatamente, né? Gregório, talvez você perca um tempo.
É que grego não dá.
Quantos anos de vida sua mãe passou falando gregoico, por exemplo?
Ah, perdeu um tempo? Não sei, porque ela sempre me chamou de Loro. Loro. Lourinho? E meu pai, é, em casa eu era o Loro. E meu pai chamava de Bola.
Ou Bola. Ou Bola?
Quando eu era pequeno. Ou apelidos mais constrangedores. Meu pai dava apelidos muito malucos. Meu pai é o rei do apelido maluco. Tinha o meu irmão, o Bárbara, Bisgula. Bisgula. E o Matheus Doria é Nunuzi ou Duduca. E eu era o Miss Cabula Fulim, ou Misca, aí virou Misca. Miss Cabula Fulim. Fulim, Fulim. Ou é, tinha muito cebola, foi muito tempo cebola também. Bola, bola, cebola, via por aí. Meu pai tinha muito, é o rei do apelido. Memória, o Cafuso. Cafuso, ele é o rei do apelido.
É, realmente, meu tio Tom Tom que me dava muitos apelidos bons. Ele é, aliás, um dos melhores nomeadores de cães que existe no mundo. Ele tinha a Certeza, que era cachorra dele.
Certeza, que nome maravilhoso!
Bagunça.
Bagunça é lindo.
É, calma aí.
Rebuliço. Rebuliço. Olha que maravilha.
Eu era Boto.
Boto.
Por causa das dimensões.
Na época você era mais gordinho, Boto era o apelido desse.
Ou Rádio. Rádio, falava muito. Falava muito.
Mala rádio.
Rádio, puto, que mais? Acho que era isso. Cara, uma rádio era foda.
Em Minas, Araguari, cidade da Giovanna, todo mundo tem um apelido que não tem nada a ver com o nome.
Tipo?
Tipo o Giordano, meu cunhado, é o Tripa. O outro, Juliano, o outro irmão da Giovanna, é o Cajura, porque ele era fã do Cajuru. Mas não é que uma pessoa chama, todo mundo conhece ele como Cajura. Todo mundo. Muita gente talvez não saiba o nome. Ou tem cada um, todo mundo tem um homem sobrenome. Mulher acho que não tem tanto, mas homem não tem nenhum quem que não tem um apelido? Tem o índio, que vem de indivíduo, que virou índio.
Eu achei quase índio, mas não é índio, porque é de indivíduo, virou índio, virou índio. Que loucura, né? Todo mundo, acho que é uma coisa de mineiro. Mineiro tem mais isso. Minha família parte mineira, todas têm um apelido. Tipo assim, minha avó era Doquinha, a minha tia era Coquinha.
Mineiro dá muito apelido.
Eu tinha uns avôs doca. Tá vendo? Nada a ver. É Doquinha, Conchita, é da minha família mineira. Muti, muti é de, olha isso, meu tio João, meu tio João, mutijão, virou de muti, ele é o muti, mesmo para quem não é sobrinho.
Um beijo para o muti, inclusive.
Coquinho, é Taxa, Taxa de Tia Silvinha, Taxa, um beijo para Taxa. Tá, tem muitas, a parte mais mineira é toda muito Não tem ninguém que tenha um João José?
É, a gente tem um que pouca gente sabe.
Pim. A gente chama de Pim. Um dia o João me chamou de Pim. Pim! Eu falei: "Quê? Por que você tá me chamando de Pim?
O que você falou?" Porque eu queria te dar um apelido carinhoso.
Você queria te dar um apelido? E foi assim, foi do nada. Aí eu, como sem muita criatividade de apelido, eu chamo ele de Pim também.
Aí a gente chama de Pim e muitas vezes eu vou querer falar com ele no Instagram, escrevo Pim e falo: "Por que não tá aparecendo?" É, eu procuro Pim também pra você, porque no celular você é Pim. É, e quando manda o seu contato pra alguém é constrangedor, porque o nome dele é Pim e um coração. Aí outro dia eu mandei pra Globo lá, alguém queria te chamar pra alguma coisa, mandei. Pim? Posso tirar foto do Gregório? Eu falei: é o Pim. Aí a pessoa respondeu: ahn. Ahn. Esquisitíssimo.
Pim?
É.
Cara, e Paulista, eu acho que a coisa do apelido dele, chama-se sei lá lá só, tá no mesmo lugar do um beijo só. É a mesma praticidade. É assim, ó. O que Paulista ganhou de tempo na vida por dar um beijo só não tá no gibi, meu.
Não tá no gibi.
É a locomotiva do Brasil por causa disso.
Sabia que eu tô vendo que tem pessoas que dão menos beijo, né? É, acho que se normalizou, por exemplo, o aperto de mão entre homens e mulheres.
Tipo, na verdade isso faz sentido. Faz sentido porque é meio sexista. Ou você dá beijo em todo mundo, ou aqui apertar, dá um beijo, apertar, é estranho, não é?
É estranho.
Não faz sentido.
Por que que ela se permite beijar?
É verdade.
E mulher beija todo mundo. É essa frase fora de contexto, é, mas em geral as mulheres se cumprimentam com beijo, cumprimentam homens com beijo. Então acho que Vamos, vamos.
É que aperto de mão eu acho muito transacional. É, eu acho melhor dar beijo em todo mundo do que abracinho de lado. Abracinho de lado, acho que é um bom lado.
É aperto de mão com abracinho de lado.
Isso, sem tapa, sem tapa.
Você ainda vai dar tapa?
Não, eu parei, porque você me ensinou, o João me ensinou aqui, esse tapa daqui ele é muito ruim. É até bom dar esse serviço para a pessoa, entendeu? Só que, ó, é É um abraço, abraço assim. Não, agora eu entendi que tem que apertar, né?
É ficar um pouquinho. Opa, ficar um pouquinho.
É isso, tem que fazer essa etiqueta.
Não, essa é minha etiqueta. O chato é quando faz assim, ó.
Ai, quando sai, qual é o timing?
Acho que são 2 segundos.
Vamos ver. E aí, tudo bem, querido?
3 já fica clima.
É, 3, 1 não faz o menor sentido.
E tem uma, mas o abraço também, o abraço mais demorado, você tá querendo comunicar uma coisa, né? Tipo, pô, senti muita saudade. Às vezes quando eu fico muito tempo sem te ver, eu te dou um abraço demorado.
É, exatamente. Querendo comunicar, querendo avisar que você tá com saudade. É, não, mas eu acho que um beijinho só faz algum sentido sim, pensando nos paulistas. Um beijo, pronto, resolveu já. Só que o problema é que o carioca fica um otário, né? Para eles é bem mais fácil do que para a gente, porque o paulista dá um beijo, o carioca dá e fica meio ciscando. Eu acho que isso é meio lenda, não é não, Alex? Menino da 3, Gabi, perdão.
Mas ironicamente é mais piadoca, porque 3 não dá mesmo, não. Tem que ter um limite para isso. Os jovens estão dando 2 beijinhos ainda? Não, um beijinho só também.
Oi?
Não, não, um beijinho só. Recife é um beijinho só?
Ela falou agora, Gabi tá falando que as pessoas não estão se dando beijo mais.
Não estão mais, né? Eu ia falar isso, que os jovens Não dão mais dois beijinhos, né? Mas dá um quê? Um abracinho? É, eu acho melhor, porque a coisa é muito, é muito, sei lá.
Tem uma coisa constrangedora também quando a pessoa dá um beijo mesmo.
É muito, não é para dar beijo mesmo.
Não é, eu já contei que minha avó economizava no beijo.
Ela fazia como? Ah, claro. Fazer só o barulho.
Só o barulho. E pra pessoa, vende.
Claro. Só que quem tá vendo é que vê que é uma fraude.
É, eu vi uma vez...
Ela evita isso porque... Será que ela era jockey? Acho que ela era jockey. Tua avó era jockey, hein? Ela não queria gastar.
Caraca, isso é muito bom. O jockey... Domingo beija assim. Por quê? Eu tô de folga, pô. Ficar trabalhando... Trabalhar na minha folga. Chegando para transar com a mulher.
E o que que é isso? Só também não vou gastar com beijinho não, pô.
Tu não é cavalo, caralho.
Total, para ficar beijando, cara. Porque eu ouvi falar que os jovens, eles não estão mais transando papai e mamãe. Não, o Monique falou. Eu falei isso? Não foi, não? Não, eu falei que o nome papai e mamãe era meio problemático.
É problemático porque pressupõe que tem uma visão externa de um filho, né? Papai e mamãe não estão usando.
É verdade. Em inglês é pior, né? Que é missionary, né? Sexo missionário, sexo religioso. Bizarro, né? Porque o papai e mamãe, ele é realmente a coisa menos sexy que tem no mundo.
É uma das minhas posições preferidas.
Ah, é? Fala mais sobre isso.
Eu acho que papai e mamãe, na verdade, de todas as posições que tem, eu gosto de sexo efetivo e confortável.
As pessoas devem ter ficado molhadas ouvindo isso. Eu acho que tem algo sexy.
Não, mas o que eu tô dizendo assim, muito malabarismo é chato, me tira do... Chatíssimo. É informático, né? É cama, porra, eu amo cama. Claro. Você gosta de transar no carro? Legal, mas... Não é espetacular como é na cama, eu acho, pra mim. Então eu acho que o papai e mamãe traz tudo que é bom no sexo, que é a conexão, né? Olhar no olho, a posição de penetração é perfeita, e beijo na boca, que é coisa do passado, que é bom demais, sentir o cheiro. Então isso é É perfeito, não tem como. Ah, de 4 é legal.
É, mas uma dúvida, tá? Tá aqui. É, você é um clássico, mamãe, ou você gosta? Porque qual é a dúvida? Qual a angulação em que a perna sobe e que vira um frango assado? Quando é que papai e mamãe viram frango assado? Que papai e mamãe? Ó, eu acho que é 90 graus. 90 graus, passou, é frango assado.
É 90 graus. O frango assado é o papai e mamãe de quem tem papo pequeno.
Tá em outra grande frase, o cara camiseta. Claro, porque tem É, porque aumenta, claro. Total, você acha que já é gatilho hoje pedir frango? Falou frango assado, não se garante no papai e mamãe.
Qual a sua posição preferida? Frango assado? Não, que é uma tristeza, mas acho que não é dúvida.
No frango assado, o pé fica, fica onde na sua preferência? Na tua boca? Tu gosta muito? Porque tu gosta do, tu gosta de um dedão, né?
Só uma piada. Não, mas eu não sou do frango assado.
Prefere o papai e mamãe com o pé lá no alto? Com o pé esticado?
Assim, ó, pezinho lá.
Tem um nome, tem um nome para um papai e mamãe, para um mezzo frango assado, papai e mamãe, que é com a perna esticada aqui assim? É iogurte, né?
Não, mas tem um papai e mamãe monolateral.
Ah, como é que é isso, cara?
Que só uma perna sobe.
Só uma perna sobe?
Papai e mamãe não, frango assado.
É um frango assado, é um galito, é um galito assado.
É pro homem de palmeiras.
É o homem de palmeiras. Hospital com um pé só.
Não, mas eu acho que o papai e mamãe clássico é o clássico, é o joelho com o pé na cama.
Ambos deitados.
Ambos deitados.
É, exatamente, na horizontal, com o joelho e o pé na cama e a pessoa tá...
E o papai e mamãe também, você tem uma coisa assim pra você que tem ejaculação precoce? Mas eu sou uma pessoa que eu tenho facilidade de gozar.
Maneira bonita de falar de ejaculação precoce.
Não, não, eu não tenho não, mas assim, eu tenho controle do movimento, então isso facilita muito. Eu não preciso só ficar pensando no pé da minha avó.
Você pensava no pé dela?
O pé da minha avó, ela dizia: "Pé do Pelé." Pé do Pelé? Sem pé, né?
É, sempre pé.
É porque pé feio me pega muito, entendeu?
Talvez por isso você gosta de frango assado. Um pé feio ali no frango assado te broxaria?
Não.
Pé feio na tua cara aqui?
Não, acho que não. Não? É que eu não sou fã, não é que eu sou um homem que tem fetiche por pé, eu acho bonito pé.
Ou feio.
Ou feio.
Um pé feio te broxa?
Broxar, não, mas eu sinto. Eu sinto a tristeza.
Você sente, né?
Agora tem um dado interessante. Interessantíssimo que toda mulher que tem pé bonito, 98% das mulheres que têm pé bonito, acham o pé feio.
Ah, é? E acho que tem pé feio?
Acho que tem pé bonito. Acho que tem pé normal.
Ah, tá. Então você acha que você tem um pé feio porque talvez ele seja bonito.
É, porque se você acha o seu pé normal, talvez ele seja feio.
Mas o que você chama de pé feio?
Um pé... Ah, é uma desarmonia.
Tá. Mas o pé bonito pra você é necessariamente delicado ou não necessariamente? Pode ter um pezão grande bonito.
Você tem um pé bonito.
Obrigado, para.
E é um pé grego. É um pé, enfim, com cheiro muito forte, mas tem veias.
Tem veias, é.
Mas é um pé bonito, grosseirão.
Grosseirão, pé largo.
Pé largo. O que se entende por pé feio, as pessoas, eu sempre julgo que tá errado assim. Já conheci um monte de mulher que fala: "Nossa, que pé bonito." "Nossa, que horror, ele é magrelo." Qual é o problema?
Ser magrelo?
"Ah, não sei, meu dedão é muito não sei o quê." Isso não faz... E pé, assim como tudo na vida, a personalidade também ajuda muito.
você banca teu pé?
Eu sou que banco o próprio pé.
Isso faz muita diferença. Mas o que significa bancar o pé? Porque você—
Ah, é a personalidade que vem junto com o pé, né?
Ah, tá. Combinar com a pessoa. Porque uma vez você falou uma coisa pra mim que ficou na minha cabeça, que é verdade, que é: o pé não tem caô.
Não tem caô.
Não existe, que eu saiba, não existe cirurgia plástica de pé.
Existe para tirar joanete, né?
Só, é. Mas de modo geral, o pé, ele revela algo de verdade sobre a pessoa.
Fala, o pé fala.
O pé diz muito sobre, porque ele passa o dia inteiro sustentando aquela pessoa.
Sustentando aquela pessoa. E ele é tratado por aquela pessoa.
Ele é tratado por aquela pessoa.
Ou não tratado por aquela pessoa.
Ou não tratado. Então ele acaba revelando algo sobre a pessoa que ela muitas vezes esconde.
O Freud tem um trabalho, né, que muita gente gosta, mas eu acho que tem um gap aí no trabalho dele, que é A leitura dos pés, a interpretação dos pés de Freud.
Olha, você podia fazer uma pé-mancia, pedomancia seria o nome, porque tem a cartomancia.
Pésicanálise, né?
Pésicanálise foi realmente algo que eu gostei muito. Eu não vi vindo, eu não vi vindo. Oi? Nada a declarar. Nada a declarar.
Você chupa pé, Júlio? Já chupei, já chupei, com certeza. Mas então, de novo, não é uma coisa que eu—
Você não vai atrás dele?
Não, já aconteceu, mas meu negócio com pé não é fetiche no ato, tipo esfregar a coisa em pé, não é isso. É que eu admiro um pé bonito, só isso. Tá. Assim como admiro um nariz bonito, por exemplo, eu não chupo narizes.
Não? Não. Recomendo.
Dificilmente chupo narizes, mas eu sou uma pessoa que Uma pessoa ganhou muitos pontinhos comigo, que você tem um belo nariz.
Falando de chupar, aliás, uma coisa que a gente usa, graças a Deus, eu acho, não sei se você concorda comigo, não sei se você não concorda, é o chupão. Faz tempo que eu não vejo alguém com um chupão aqui.
Eu vi alguém aqui do Pó de Fogo.
Eu vi também aparecer aí com chupão assim. Quem?
Não sei se pode falar.
Ah, sim, das redes, né?
E ele usou um chupão e me saltou os olhos. Eu falei: nossa, eu tinha perdido contato com chupão, porque o chupão há muitos anos que eu não via na minha frente. E era muito comum, né, na escola, muito chegar.
Para mim não tanto, para mim não, eu também nunca sei se eu já tive um chupão.
Mas eu lembro que primeiro chupão que eu apareci na vida, devia ter uns 16, 17 anos, eu ostentei aquele chupão fingindo que não tava gostando. Ah, pô, para com isso! Não, não gola rolê, senão não veria o mesmo, né? Uma coisa mais... E o chupão, na verdade, é uma coisa mais sem sentido no mundo se não for pra marcar, como um gado, uma pessoa.
É isso, essa que é a função do chupão, é só essa.
Não dá tesão você ficar chupando uma parte do pescoço da pessoa. Morder faz sentido, beijar faz sentido, lamber faz sentido. É, chupão, sucção, não é nem chupão.
É uma ventosa.
É uma ventosa.
Você acha que existe chupão... Não existe chupão... Chupão culposo? Tem chupão doloso e chupão culposo. Chupão malicioso. O chupão culposo é aquele que ele não tinha intenção de marcar. Não existe esse?
Acho que tem. Acho que não existe o culposo.
O chupão é sempre doloso. Tem dolo.
A marca de mordida, por exemplo, pode ser.
Mordida? Mordida é onde mais tem dolo, não?
Não, mas pode ser sem querer. Você deixar a pessoa marcada por uma mordida. Você não quer deixar a pessoa marcada. Você só extrapolou daquela experiência ali, você veio e falou o quê?
Quero entrar dentro de você. Ai, João, agora você me deu uma... Imaginei você falando isso.
Você acha que eu falo assim durante o sexo? Quero entrar dentro de você.
Você acha que eu falo? Imaginar que você fala qualquer coisa durante o sexo já me fodeu. Porque eu sei que você fala, mas eu não quero imaginar isso.
Eu falo bastante.
Fala bastante? Você fala strong? Puta história inteira. Alguém já transando com você fez assim, ó?
Eu ganhei meu apelido do rádio, tu não.
É o Rádio.
Não, eu sou falastrão. Eu gosto de falar, eu gosto de ouvir.
Bom, você escreveu inclusive um sketch no Porta, ou eu que escrevi baseado no que você me contou? Não, acho que foi o... Posso contar a história? Você tá transando com a mulher e a mulher falou: Você vai me levar pra jantar?
Não, não foi isso não. Você vai me levar? Acabou com a história. Tá, desculpa. A gente tava, eu e uma, posso falar isso aqui que eu já contei isso pra ela rindo, já conversamos sobre isso, mas a gente tava transando faz muito tempo e aí a gente começou a transar e ela começou a falar tipo, ah, você vai fazer isso? Mas coisas sexuais. Você vai me chupar, vai não sei o quê, não sei o quê. Mas uma hora começou, você vai me levar pra jantar? Você vai me apresentar seus amigos?
Transando.
Transando. Passar o Natal lá em casa? Foi engraçado, mas eu acho que era o que tava dando tesão nela. Eu, se eu que dá tesão, gente, façam. Isso não é crime.
Pare, primo. Ele já contou aqui. Pare, primo.
Gregório, vamos parar?
Então vamos, né?
Eu queria agradecer a Gregório do Viver, que carregou esse programa nas costas.
Hoje ele tava, ele tá enorme. Para, gente.
Era nos primeiros 40 minutos, eu só falava assim: "Cê acha?
É mesmo?" Claro que não.
Mas é isso, o que é Bebeto sem Romário, não é mesmo?
Nessa metáfora, eu sou o...?
Nessa metáfora, você é o Romário. Tá.
O 68.
Um beijo e até semana que vem, pessoal. Assistam àquele campeonato e Ela É Pior Que Eu, nosso Now Podcast. Não sabe disso, cara? É um dos nossos programas.
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