#71: LOVE BOMBING, LINGUAGENS DO AMOR E OUTRAS COISAS
A minha linguagem do amor é garantir que vai ter um Não ImPorta fresquinho toda quinta pra vocês... Desculpa a breguice, dia dos namorados chegando e estou sensível. ELENCO:Gregorio DuvivierJoão Vicente de CastroROTEIRO:Eduardo BrancoDIREÇÃO:Matheus MonkSEJA MEMBRO DO PORTA+ https://www.youtube.com/channel/UCEWHPFNilsT0IfQfutVzsag/joinENTRE NO CANAL DO PORTA NO WHATSAPPhttps://bit.ly/ZapdoPortaBAIXE O APP DO PORTAAndroid: http://bit.ly/2zcxLZOiOS: https://apple.co/2IW633jAPROVEITA E VAI NO NOSSO SITEhttps://portadosfundos.com.br/
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Gostou do meu look?
Gostei. Vai ser ruim porque vai ficar... E o fato de você ter botado o microfone pra dentro da camisa e não pra fora... É verdade. Bom, deixa logo eu fazer isso porque isso aqui você não vai saber fazer.
Você sugira? Cara, o cara é um gênio. O que é um ator que é também microfonista?
Que manja de microfone.
Olha aí. Eu tô triste, sabe por quê?
Por quê?
No meu aniversário. Isso ia aparecer, claro. Sim, eu fiz 40 anos.
Mas não precisava ser tão rápido.
Tinha todo mundo que eu mais gosto na minha vida. Foram, imagina, muita gente. 200 pessoas. Muita gente. Porque também tem eu e Giovanna, né? Então junta os dois, porque a gente faz no mesmo dia, já falei aqui, fazemos no mesmo dia, mesma hora, mesmo tudo. Fizemos 40 anos juntos. Então tinha que ser um festão. Foi todo mundo mais importante da minha vida. Mais importante na vida do João. Do João.
What the fuck? Ele foi falar da parceira dele e confunde o nome com o meu. Isso quer dizer que ele tem alguma questão freudiana.
Freudiana não, de amor mesmo com você. Você tá no lugar de parceria também da vida inteira. Então eu tava esperando tanto você aí que eu escolhi a roupa do meu aniversário pensando em você. Eu comprei uma roupa. Pensando em você, pensando que você ia gostar, ia me zoar, mas ia gostar. Era uma calça que parecia uma saia toda plissada e uma camisa que tinha um bordado de Ogum. Ah, mas agora você é filho de Ogum?
Não, mas eu sou.
Mas você é. Então foi tudo pensando em você, em tudo que você ia dizer, o quanto que ia render. Fiquei imaginando na minha cabeça seus comentários.
Sua mãe, sua irmã.
E aí eu fiquei melancólico, diria. Não, porque a festa estava muito feliz, mas depois eu fiquei, porque sobretudo porque muita gente não me perguntava. É isso que dói um pouco. Cadê o João? Por que o João não veio? Você que terminou um relacionamento sabe disso, né? Que a parte mais chata é ter que lidar com: Cadê ele? Porque como se você não fosse um ser uno, um ser que se bastasse. E hoje em dia eu me sinto um pouco assim. As pessoas me perguntam: Cadê o João?
Eu não sei, ele tá comendo gente, tá... Eu não sei o que tá fazendo. Aqui ele não tá. Famoso: Procura aqui no meu bolso.
Caraca, eu não ouvi essa muito tempo. Procura aqui no meu bolso. Não tá.
É isso que dá vontade de falar. E todo mundo assim: "Poxa, o João ia gostar tanto da sua roupa, ia render tanto." As pessoas falavam a mesma coisa. E é isso. O mais louco foi que eu perguntei pra você achando que você ia ter uma boa desculpa. E era isso que eu fui dormir me repetindo isso. Ele vai ter uma boa desculpa.
Não, eu até tenho uma boa desculpa.
Então você surgiu com ela hoje.
Não, não, não, não. Minha boa desculpa é que aconteceram várias coisas. Primeiro eu quero dizer que...
Já não é uma boa desculpa. Porque uma boa desculpa é uma coisa só. Várias coisas já é uma desculpa ruim. É uma desculpa ruim.
Tem um monte de desculpa ruim que você junta pra ficar o final.
Fica aqui, a dica aqui. Você quer arranjar uma desculpa? 2 é pior do que 1.
É muito pior.
Na matemática da desculpa.
Claro. A matemática da desculpa tem que ser uma fincada no chão.
Fincada, certeira. E não arranje outra. Mas é que tinham vários motivos. Não importa.
É, exatamente.
Escolhe um.
Escolhe um e vá até o fim dele. Vá até o fim com ele. Primeiro, Gregório, acontece que eu sabia que sua festa de 40 anos ia ser um... Um desafio pra mim, né? Porque a gente sabe que os seus amigos têm muito ciúme de mim e eu tenho muito ciúme dos seus amigos. Então, eu fui lá, eu não fui lá pra talvez me proteger desse sentimento ruim que eu ia ficar vendo você abraçando um sujeito que você viu duas vezes na vida, falando: "Isso aqui é irmão que eu tenho lá do carnaval que eu fiz, isso aqui é..." Já vomitamos juntos na Lapa muitas vezes.
Eu acho que quando eu soube, chegou até mim, estava com a minha mãe em casa e a sua mãe mandou uma mensagem para ela dizendo: "Gilda, são 300 pessoas, é uma festa de 300 pessoas." E eu fui desanimando de ter que passar por isso sozinho, não ter essa atenção.
Só lembro que você foi convidado também.
Boa. Sabe qual é a desculpa da minha mãe que eu achei genuína? Porque ela não tá falando pra você, ela falou pra mim. Não vou. Isso é maravilhoso. Não vou na festa do Gregório desse dia. Eu falei: "Por quê?" Ela falou: "Porque eu estou com medo de pegar virose." Eu falei: "Virose?" "É." "Mas alguém lá tá com virose?" "Não." "Então por que você tá com..." "Não, eu não posso pegar virose. Tô indo viajar semana que vem, não posso pegar virose." Eu falei: "Então se tranque em casa." Mas por que a pessoa não vai num lugar com medo de pegar virose?
Eu gostei.
É, eu gostei também. Mas fato é que eu preciso, né, aquele negócio que eu já falei Eu já falei algumas vezes que eu tenho facilidade em pedir desculpas, e eu tenho que te pedir desculpa porque eu me arrependi. Eu me arrependi de não ter ido.
Eu acho que você ia ter gostado.
Eu deveria ter... Não acho que eu ia ter gostado, acho que eu ia ter até odiado, mas eu acho que eu deveria ter marcado esse lugar. Porque o fato de eu odiar festas, e isso todo mundo sabe, e isso graças a Deus...
Você não odeia festas.
Eu odeio festas. Odeia festas? Odeio festas. Quando é que você me vê em festa, Gregório? Eu odeio festa.
Você dá festas boas? Festa?
Que festa boa? Qual foi a última festa que você deu?
A última. Teve uma, foi a primeira que foi depois do fim da pandemia, na tua casa.
Piscina, samba... Não, mas com 30 pessoas. Ah, tá. É, eu detesto festa porque festa é um ambiente que você não conversa, que você não conversa profundamente, que você bebe mal, em geral, que você se passa, fala umas coisas que você não deveria ter falado, você tem o contato muito direto com bêbados, Que essa parte é chata pra caramba. Você não encontraria penetras animadas. Então assim, eu nunca volto... Hoje em dia, volto de uma festa falando: "Porra do caralho!" Eu não danço.
A verdade é que eu não danço. Só dançamos ironicamente, já contamos isso aqui. É o máximo que nós fazemos. Então eu já me vi sentado num canto, sendo alugado por alguém e muito triste, querendo ir embora. Mas eu errei.
Vou te falar o que eu faria.
Fato é que eu errei.
Você ia conversar com o Mateus Mônque.
Mateus Mônque tava de boca cheia.
Não.
Mateus Mônque, ele tava ocupadíssimo, eu já soube que era um "okr", um "okr".
Antes fosse. Antes fosse, João. Porque até chegar aí foram tipo 5 horas de... "Nhenhenhenhenhen". É, porque assim, tipo, a minha linguagem cinematográfica é mais tipo assim, eu bebi não, eu bebi em várias fontes, né? Eu bebi em várias fontes, assim, eu sou um cara meio de... Você conhece o Jim Jarmusch? Então...
Ele e o Renato ao mesmo tempo. Renato?
"Tem que brincar com isso." Aí muita câmera, muita...
Não, e... Uma coisa que eu falei...
E dedo de câmera assim, você vê ele só fazendo assim. Aí eu pego a câmera aqui, eu puxo, ó. Ó, aqui, ó.
Eu gosto muito disso aqui, ó.
E ele já tinha pegado. Por que que ficou a festa inteira trabalhando?
Trabalhando e... Ali, ele ficou lá... Remando. É porque o Matheus, ele... Assim como muitos homens, o prazer da conquista não pode ser perdido. Não. Porque...
A mina já tava lá assim: "Eu vou te pegar, Matheus." Para de bater currículo.
Talvez eu não tenha mais vontade.
"Não, eu tô cansando, cara. Mas já ganhou e você tá falando de linguagem." Tá fazendo assim, plongê, falou plongê. É, tipo outra plongê, né?
Quer se defender, Matheus?
A única coisa que eu falei foi: "Sabe o que aquela dupla lá fala? Sou eu tudo que invento." Cara, eu encontrei um cara no Mercadinho São José, aliás, que veio me falar assim: "Pô, eu sou amigo do Macaco." Aí eu: "Desculpa." "Macaco, porra! Macaco, dirige lá o programa de vocês." "Ah, o monge?" "Isso!" Na minha época ele era macaco. Eu falei: "Mateus Macaco." "É, Mateus Monge, assim." "Qual é teu nome?" "Ah, prazer. Qual é teu nome?" Ele: "Mateus Grilo." A gente é amigo de adolescência de Macaé.
Em Macaé tinha um Mateus Grilo e um Mateus Macaco. Olha que cidade pujante de apelidos. Que zoológico curioso que tinha em Macaé. Tinham vários Mateus bicho. E o Mateus Grilo nos mandou um beijo, Mateus Macaco. Agora, me...
Migui, na sua festa, sim, highlights. Te digo lá na câmera.
Câmera chega, você abriu a porta. Quem que te recebe? Meu padrinho, Homero. Primeiro a chegar na festa. Maravilhoso. O Homero chegou 8h cravado. E é um cara que eu adoro. Meu padrinho, quando eu era pequeno, eu chamava ele de meu padro. Porque achava que padrinho era uma coisa de criança.
Ah, entendi. Achava que era diminutivo.
Ele apresentava que ele é meu padro.
Maravilhoso.
Esse nome é lindo, né? Homero.
É, Homero, meu padre.
Ele foi o primeiro a chegar, Homero. Depois foi chegando tios, tias. Mas quem ia te abrir a porta talvez fosse ele. Tinha um... Você ia passar... A gente botou todo um piso na festa toda vermelho, porque é uma coisa que é muito prática. Piso vinílico. Mais prático do que a gente ter um sintético. Depois fode o sintético, tem que lavar tudo. Eu o quê? Cobriu de vermelho. Aí ficou um pisão vermelho. Daí a da Giovanna, claro. Maravilhosa.
Aí tinha o DJ maravilhoso, Keno. Conhece Gustavo Kjell? Bom, né? E o homem mais bonito e chique do Brasil. Surpreendentemente hétero, pela sua beleza, sua... Assim, é um homem, sabe? Sempre um look espetacular. E um grande DJ. Ele ouve, ele tem um microfone, tem um telefone vintage que ele ouve a próxima música no telefone, então parece que ele tá sempre ligando pra alguém no fixo. Então você ia vê-lo ali e você ia se direcionar, eu sei, pra varanda.
Eu ter pessoas dançando penetra os animadíssimos, essas pessoas que dançam mais animado. Claro. Surpreendentemente, as mães e os pais também, muito. Porque não tem nada mais animado do que um pai e uma mãe de vale-night.
Aqui, ó.
Muito tapa na mão. Porque eu identifico no olhar o pai e a mãe de vale-night. É diferente. Tem uma vontade de viver. Tem uma coisa, né?
Contemporâneos a você.
Meus contemporâneos, eles têm uma vontade de viver no olhar Porque o "valley night", ele acaba. Acaba.
E acaba... Você tem que viver tudo que você não tem vivido nos últimos anos em 4 horas.
Isso. E necessariamente, às vezes, a pessoa não tem um "valley morning".
Não. Não, porque criança não respeita ressaca.
Não. Às vezes tem uma avó que você deixa e busca 10 horas... Nem todo mundo tem essa sorte. Então você vai chegar aqui, você vai acordar 6 horas. 6:30, máximo umas 7. Então ele vai ter que sair ali, no máximo umas 3 também. Máximo. Então, até as 3, o cara, o pai e a mãe de Vale Night vai estar: "Ah, porra, vamos dançar!" Então você atravessasse os pais como quem faz: depois disso..." E ia direto pra uma varanda ali onde vão ter o quê? Os comediantes. Porque os comediantes não dançam.
Comediante não dança.
Comediante fica no canto da festa comentando a festa. E até um erro que as pessoas cometem, elas chamam comediantes pra festa achando que é comediante, alta astral, vai animar festa, vai dançar engraçado. Não, comediante vai estar num canto, seríssimo, seríssimo, com um drink na mão, um cigarro talvez na outra, ou um beck talvez, ou um beck ou um cigarro, fumando um e comentando com outro comediante, testando material, testando material, rindo das pessoas.
Então você encontrar um Leandro Ramos, por exemplo, tava divertidíssimo, maravilhoso, tava maravilhoso. Leandro Ramos é um fenômeno do carisma, mas tava engraçadíssimo, zoando, óbvio, uma pessoa. "Leandro Ramos é uma coisa, Leandro Raffi." "Vamos, cara." E ele tava lá, tava sem fumar, então tava especialmente engraçado, aquela ansiedade de pessoa que não fuma que tá falando. E você ia se juntar nessa turma. Tava um Leandro Ramos, um João Polésio, meu grande amigo, e o Matheus Solano tava mais chique que eu, claro. O Matheus Solano impecável, com uma grande capa.
Capa?
Tava com uma capa chiquérrima de linho, se eu não me engano, um material bom. Você ia chegar ali, já ia se entrosar com essa gente e ia comentar assim: "Esses amigos do Gregório..." Aí você tem uma noite maravilhosa falando mal dos meus amigos, que é o que você mais gosta de fazer. Falando mal de mim, então você...
Eu tô completamente arrependido. Completamente arrependido.
Drinks bons? Tinham bons, bons. Vinho não. Vinho eu já abri mão do vinho.
Não, mas eu levaria.
Você levaria, né? Porque vinho não vale a pena você ter.
Não?
Em casa. Na minha festa, não. Porque ou vai ser... Porque é muito caro o vinho pra ser bom. Então ou vai ser... As pessoas que tomam vinho tipo você não vão gostar nem do vinho caro que eu tenho. Porque um vinho caro pra mim é um vinho ruim pra você. "Então eu ia gastar uma grana com vinhos caros que pra você iam ser ruins." E pras pessoas que bebem vinho, mas também não têm critério, iam beber como suco. Exatamente.
Não iam nem...
Exatamente. E a pessoa que bebe vinho sem critério, bebe um chopp e bebe um drink. Quem gosta de vinho de verdade, só bebe vinho, precisa de um vinho muito bom, que eu não ia conseguir arcar com ele. Ia ser o preço da festa inteira, um vinhozinho muito bom.
É mentira, é mentira.
É verdade, é verdade, é verdade. Ele julga... Eu levo um vinho pra casa dele e eu, pô, "mishmero". "Compre um vinho mais caro do que eu tomaria." Ele chega lá, a primeira coisa que ele faz é... Esse olhar de vista cansada. Aí, quando eu vejo, ele pega assim o aplicativo do Vivino pra ver ali quanto custou.
Pô, não é possível. Não é, não. É assim. Não, sabia que eu encontrei uma... Ó, eu sou um cara que bebo muito vinho, gosto muito de vinho, mas não sou um entendedor de vinho. Eu sei o que eu gosto. Então, eu tô aprendendo muito com o nosso amigo ChatGPT. Que eu tenho uma aba chamada pesquisa de vinhos. Então eu vou dizendo assim: isso eu gosto, isso eu não gosto, isso eu vou gostar, o que você acha desse? E aí eu tô construindo, tá aí uma boa função pro ChatGPT.
Chat Sommelier.
Chat Sommelier.
Você usa pra isso? E ele já entendeu que tipo de... Já, já.
Porque só por falar: gostei, não gostei, gostei, não gostei, não gostei, aí ele vai fazendo o teu perfil do que você talvez gosta, aí ele vai te propondo outras coisas.
Entendi. Não, você não gosta nada do que eu apresento.
Eu gosto, eu gosto. Gosta de nada? Nada.
Você não gosta, como sabe, que ele falou, tem algum vinho maravilhoso, tomei, olha que vinho bom tal, ele olhou, da Argentina, é? Eu falei, pô, vinho argentino não é bom? Eu só gosto de vinho do velho mundo. Olha a expressão que ele usou. Do velho mundo. Você usou essa expressão? Usou. Vai dizer que é mentira?
Eu vou.
Para! Ele falou que ele é... Eu falei: "João, sente diferente." Claro, vinho do velho mundo é radicalmente diferente de um vinho do novo mundo. Tem bons vinhos do novo mundo, mas eu não sou um cara do novo mundo. Olha isso! Do novo mundo!
João, João, João, João... Mas enfim, e Penetra, tiveram?
Tiveram. Teve uma Penetra espetacular. Muito animada. Como... Porque eu gosto de Penetra, porque o Penetra, ele não tem pudor, porque ele não conhece as pessoas.
Será que é por isso ou porque só uma pessoa que... A pessoa que penetra é uma pessoa que não tem pudor? Também tem isso.
A peneira do Penetra Quem penetra, em geral, tem um recorte de ser uma pessoa mais entronhada.
Uma tranquilidade, né?
Uma tranquilidade dançar, de se esfregar, de pegar as coisas do chão.
É uma gente que não liga pro que os outros pensam.
Não tô nem aí. Só que o problema é que ela começou a ficar meio trabalhosa. Eu fui embora quando eu vi que... Eu fui embora da minha casa.
Da sua casa?
Eu faço isso, tá? E as pessoas dos amigos sabem.
Tá ensinando o padre a rezar missa? Sou o rei.
Você é o rei disso?
Às vezes tem 3 pessoas no meu sofá, eu sou.
E esse é a minha deixa. Sai. E aí eu vi que eu tava saindo, quando eu vi que ela tava começando a procurar as coisas: "Eu perdi uma coisa, onde alguém viu uma câmera? Uma câmera profissional de..." Eita, não vou ficar procurando a câmera dela, né? Ela se vira, eu saí, deixei ela lá procurando. Acho que achou, porque ninguém me escreveu pedindo câmera. Mas tava lá ela... Então eu falei: "Essa você me deixa." Eu não vou aqui 4:30 da manhã procurar câmera.
Giovanna já tinha ido, porque Giovanna é anterior a mim na arte de dormir. E aí ela foi e eu deixei ela lá procurando as coisas. Ela quem ficou?
Mas é o último que sair fecha a porta, é isso?
Não, eu pedi pra Theodora, minha irmã, que tava animada, assim: "Theodora, fecha pra mim." Mas eu soube que a Theodora uma hora bradou: "Última música, hein?" Foi? Foi. Ai, que bom, ela arrasou. É porque ela também não tava com tanto gás, a Theodora. E aí quando eu falei pra ela: "Theodora, fecha pra mim." Ela falou assim: "Ai, mas eu também tô aprendendo daqui a pouco." "Não faz isso, por favor, porque eu queria muito dormir." Ela: "Tá, mas então vou fechar, vou mandar todo mundo embora daqui a pouco." Ótimo. Mas ficou lá, porque pras pessoas...
Mas eu fiquei chocado com o horário de término da sua festa, que foi 3 da manhã.
Não, não. Eu fui dormir 4. E tinha lá umas 12 que ia gritar.
Mas Gregório, é cedo pra você? Pra suas festas?
Ah, João, mas é cedo pra mim antes de ter filho. Hoje em dia, 4 tá mais perto de eu acordar do que dormir. Muito mais. 6:30. Não, aí teve uma avó maravilhosa. Um beijo para vovó Lelê, no caso, que é a vó mineira, a vó de Araguari das minhas filhas, que é espetacular, e que ficou com elas até tipo meio-dia. E eu pude dormir, não consegui dormir até meio-dia, que não consigo mais. Hoje em dia, esses são os traços da idade, não consegui dormir mais até meio-dia.
Você consegue? Eu não consigo. Ah, também você toma um aditivo. Desculpa te expor aqui.
É, mas o que eu ia te falar é que eu tenho, eu tenho, fiquei pensando sobre essa ética de... Porque assim, no final, quando você chama uma pessoa pra sua casa, sua casa vira um espaço público, certo? Público ali pros seus amigos. Então, eu tenho muito essa questão. Eu tenho uma hora que eu canso. Fico com sono. E aí, eu muitas vezes abandono meus amigos na sala. É mal educado você largar? Porque eles têm a... sabem fechar. Eu acho bom que eles possam usar minha casa assim.
Eu acho, eu não tenho o menor problema nisso, de vocês ficarem. Eu até acho bom saber que estão se divertindo lá sem mim. Eu adoro. Aí já aconteceu várias coisas, tiraram fotos, mandaram fotos pra mim deles lá embaixo se divertindo. E uma coisa engraçada que aconteceu outro dia, não é engraçada, só uma coisa que aconteceu outro dia. Tava com uns amigos lá em casa e a minha televisão tava conectada na televisão, meu celular tava conectado na televisão pra tocar música.
E aí eu subi, eu sei lá por quê, entrou Não Importa na televisão. Então meus amigos começaram a conversar e não sentiram minha ausência, porque eu tava falando.
E eles ficaram gostando de mim também.
Ao contrário de ir embora um, chegou outro. Você chegou na minha festa. E aí uma hora eles viram, e eu não fiz de propósito, óbvio, mas eles acharam que eu tinha feito de propósito, que era tipo um uma tática para eu ir embora e não perceberem minha presença. Eles falaram: "Que calhorda!" E é uma grande tática. Você tem um podcast, você bota e deixa os amigos lá só.
Que loucura! Você se fez presente através de...
E ainda levei um amiguinho.
Ainda levou um amiguinho, que maravilha! Você deixou tocando no áudio e não percebeu?
Não, não percebi, fui dormir.
E eles deixaram?
Eles deixaram.
Claro, que barato! Adorei essa maneira de se fazer presente dando opiniões com um programa de fundo. Tem gente que faz isso, ouve nosso podcast de fundo, que eu acho a maneira certa de ouvir, sem dar atenção. São demais a ele.
Eu queria fazer Não Importa ao Vivo.
Então, sabia que você ia falar disso. É só porque eu fiz o Calma Urgente ao vivo. E aí o João fala um tempo, não importa ao vivo, e falou: é, Calma Urgente você faz ao vivo, não importa não. Por ao vivo não é ao vivo aqui não, ele quer fazer ao vivo num teatro.
Num teatro, é.
Ele quer cobrar.
Doe, doe. Aliás, tô sentindo falta de coisinhas aqui pro cenário, hein, tão mandando pouca coisa.
Pouquíssima coisa. Não pede presente.
Coisa chata.
Não pede mimo, né?
Coisas tão boas aqui. Podem mandar em dinheiro? Pode, eu compro alguma coisa legal. Mas pode mandar sim fotos, arte.
Você deu presente pro Gregório, João?
Não, mas eu vou dar. Eu até sei o que eu vou dar.
Obrigado, mãe.
Bom, mas ele não me deu, né?
Eu dei sim.
Não, você me deu?
Uma mostarda.
É, mas não foi presente de aniversário, foi presente de viagem.
Eu vou te dar um de aniversário também.
Aliás, a gente prometeu isso aqui no Não Importa. Lembrei agora. Que a gente ia se dar presente de aniversário esse ano. Foi. Então a gente vai ter que dar.
Dar presente pro João é uma das coisas mais difíceis do mundo. Do mundo, do mundo.
Você conhece Yves Saint Laurent?
Eu...
Senta no shopping. Ó, meu número é 31 de calça. Eu tenho uns mais lavagens de jeans lá agora que são, olha, de passa-mata.
Eu nunca vou te dar nada que eu nunca vou acertar.
Nunca. Não, mas às vezes você, por exemplo, compra, sei lá, presente de R$15 mil. Aí eu... Troca. Esse voucher, entendeu? Aí eu troco pelo que eu quiser.
Tá falando do quê, gente? O quê? É, ele só compra coisa do velho mundo. Cara, é muito difícil presente, né, cara?
É, você falou que se sente mal dando presente. Eu nunca consegui entender essa lógica de se sentir mal dando presente. Eu sou exatamente o contrário. Você ganhou muito presente?
Ganhei presente muito legal.
Qual foi o seu presente mais legal que você ganhou?
Caraca, pô.
Chegou a briga agora?
Eu abri, abri, abri ontem. Mil coisas. De uma bolsa...
Quantos presentes mandou, Marcelo?
Ah, não contei. Não sou de contar presente.
Mas tipo, 20 ou 7?
40, 50.
Eu vou fazer festa. Eu gosto muito de ganhar presente. É um dos traços mais tristes da velhice é você parar de ganhar presente. Você não, você ganha uns desenhos.
É seu gesto de... Já ouviu essa coisa sobre gestos de amor?
Linguagens do amor.
Não é? Já, né? Cada um, só pra explicar o que eu acho que é, porque eu só sei por alto, minha irmã Bárbara sempre fala disso, meio zoando, mas de verdade, que cada um tem uma linguagem do amor.
São as diferentes linguagens do amor, né?
Isso. E quais são? Você sabe dizer assim?
Não, acho que não é padronizado. É minha linguagem.
Toque físico.
Tem sim, pô.
Toque físico, os atos de serviço, a qualidade... Caraca, o moleque é muito esquerdo, né?
O moleque tem na ponta da língua. O moleque tem na ponta da língua.
Não é minha festa, né? Porque eu sou um cara mais do toque físico.
É a realidade que a gente tá passando aqui.
Palavras de afirmação. Olha só, eu sou um guarda de amor. Conceito criado por Gary Chapman, são formas distintas pelas quais as pessoas expressam e recebem carinho. Palavras de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque físico. Entender a linguagem predominante do parceiro é essencial para uma comunicação afetiva eficiente e um relacionamento duradouro. Ou seja, cada um dá valor a uma coisa. Ah, cara, eu gosto muito de tempo de qualidade.
Eu perco um tempo lá embaixo.
Não, mas é porque, por exemplo, presente, eu não me importo muito. Todo mundo ganha presente, mas não é essencial para mim. Atos de serviço, eu acho que é, por exemplo, passei na tua casa, lavei uma louça.
Não, ato de serviço é você, é um tipo de cuidado.
É um tipo de cuidado, mas em geral um ato, sim, fiz algo por você.
Fiz algo por você.
Minha mãe, por exemplo, é muito essa pessoa.
É muito pessoa.
O maneiro de demonstrar o amor é muito caro. Greg, troquei as lâmpadas na sua casa. Maravilhoso. Eu gosto também disso.
Eu acho que o pior é palavras de afirmação.
É, a palavra não vale muito nada.
Não vale nada.
Mas não, você não dá valor?
Não, eu dou, mas só que palavras de afirmação solo, ele não é nada. Tem que ser junto com alguma coisa. Tem que ser junto com alguma coisa. Ele é um do... Tempo de qualidade, por exemplo, é um que solo funciona. Presente, eu acho que não funciona.
Você é um cara bastante do toque físico também?
Cara, eu sou... Só palavras de afirmação. Cara, eu sou todos, eu acho.
Eu sou todos, é muito bom. Ele é muito carente, demais. Muito bom.
Eu sou, ó, palavras de afirmação, eu sou. Tempo de qualidade, eu sou. Presente, eu sou. Atos de serviço físico, eu sou. Atos de serviço e toque físico, eu sou. Eu sou todos.
Deixa eu ver uma coisa, desce um pouquinho ali no mostrar mais. Eu acho que também tem uma coisa que é um que a pessoa faz mais e outro que ela prefere receber.
Ah, é, tem. Né? Tem. Qual é a minha linguagem e qual eu gosto de receber.
Nem sempre você faz a coisa que você gosta de receber.
Agora, presente, por exemplo. Presente você fala assim, parece assim, o quê? Um carro. Não, calma. Presente, eu acho bonitinho...
Não é uma Yves Saint Laurent?
Não, eu acho bonitinho, eu tô falando no campo do amor romântico. Sim, uma coisinha que eu vi... É um Danone. É um Danone.
É porque o Danone, sabe explicar essa piada? João, uma vez, uma menina falou pra ele que gostava de Danone, que tava apaixonado. Ele não pegou um avião, comprou um Danone no supermercado e deixou na portaria dela? E só, não foi, não telefonou não?
Na portaria.
Só deixou e voltou pro Rio? Não, ficou por lá.
Voltou pro Rio.
Voltou pro Rio. Não tinha iFood na época, não tinha Rappi.
Não tinha. Não tinha. Registrei o momento, óbvio, né, pra não parecer que eu mandei alguém levar.
E é isso. É isso. Essa é a linguagem do amor.
Linguagem do amor.
Presente. É um Danone. Literalmente Danone? Era essa a marca? Era um Danone. Isso não é uma publicidade, vamos deixar claro.
Não, não. Mas pode virar, se vocês quiserem. Posso levar Danones para o Brasil inteiro.
E aí isso virou uma expressão entre mim e João.
Danoninho.
A ideia de que: "Pô, deixou lá um Danone, João faz o Danone." É, o que a gente não faz pra amar, né?
É muito louco assim, que às vezes eu fico pensando sobre a vida assim, sobre meus... O que eu sou bom e meus defeitos. Eu acho que um dos meus defeitos é amar demais. De verdade. Eu sinto que às vezes é um troço em mim que transborda mesmo.
Então, o problema da pessoa que ama demais, porque o João, ele realmente é um cara que demonstra amor. A cobrança vem na mesma medida. É assim. E esse é um problema das pessoas. Você vê uma pessoa mais fria, mas, ah, é chato que ela é fria. Ao mesmo tempo, ela não vai exigir. Embora tenha o contrário, tem o pior tipo de pessoa, que é o frio e carente.
Frio e carente?
Frio e carente.
Como é que é?
Não demonstra amor, mas exige coisas que demonstra. Você, pelo menos, é um cara que é, em alta medida, tudo. Tudo é muito.
É, mas eu acho que tem... Daí, o que você tá falando não é verdade, mas no campo do romance, eu não... Não sou de exigir muita coisa não, mas gosto muito de fazer. Eu tenho prazer em fazer. É uma coisa pra mim, meio pra mim. Eu me sinto até uma certa vaidade de ser um cara legal. Desculpa, é um defeito? É um defeito agora?
Bro! Bro!
I mean... Cara... Aí o que eu tava dizendo é o seguinte, mas isso pra mim tem esse perfil do, em geral, homem tóxico, que é a pessoa que faz coisa que não pede e depois cobra o que quer. Já viu um desse? Nossa, que é tipo assim, o cara vai fazendo as coisas para mulher ou para o outro cara, vai fazendo, e a pessoa não tá pedindo nada. Ah, pede uma comida, leva um chambinho, faz não sei o que. Aí na hora de falar assim: eu não quero que você visite sua mãe esse domingo. Fala: pô, mas olha tudo que eu fiz por você.
Nossa, isso é a coisa mais tóxica que existe, mais escrota que existe. É o... Tem a ver um pouco com love bombing, né? Adorei esse termo que eu aprendi outro dia. Eu sei que é velho, eu sei que não é novo. Mas a ideia de que você não necessariamente demonstrar amor é uma coisa generosa. Pode ser narcisista.
Totalmente.
Tem um tipo de amor... Por exemplo, uma coisa que dá muita aflição, que eu morreria de vergonha, é linguagem do amor pública, tipo carrinho... Carro com alto-falante falando serenata.
Na minha festa teve, lembra?
Teve?
Na minha última, nessa que você falou.
Teve isso? Não tô lembrando.
Teve.
Alguém mandou pra você de presente? Foi. Caralho. Mas zoeira, mano.
Mas fofo, é.
Fofo. Ironicamente, vai lá. Ironicamente. A ideia de, ou mesmo essa coisa que tá na moda hoje em dia da pessoa pedir em casamento na frente do público ou show ou sabe? Eu acho que isso aí tem mais a ver com a pessoa, tem mais a ver com uma demonstração.
Show off.
Show off, cara. Eu tenho meio aflição, sabe? Quando a coisa mistura com a vontade de viralizar.
Ah, bom. Com a viralização. Mas, cara...
O público: "Nossa, como você ama sua esposa!" Sabe? Quando vira... A pessoa tá querendo like pra ela.
Eu entendo um pouco a pessoa que faz isso em público porque tem uma vontade... Não em público num show com alguém filmando pra postar. Mas assim... Eu acho bonito homenagear a pessoa que você vai pedir em namoro de uma maneira...
Pública. Cara, eu acho que a fronteira é— a linha é tênue, para falar um clichê, a linha é tênue entre a demonstração de amor e a vontade de ser percebido como alguém que ama muito, sabe?
Totalmente.
E isso daí tem muito. Narcisista em geral é um cara que gosta de grandes declarações de amor, meio pro forma, meio para fora, né?
Você tá falando tipo gente que faz muito textão no Instagram?
Obrigado. O João não foi na minha festa, mas ele fez um textão para o feed. E um senhor textão, não foi qualquer texto não, foi um senhor textão, ele caprichou.
Não, um texto mega trash, mas um texto sincero.
Eu não achei não, eu achei bonito, eu achei que você não fez não, porque às vezes estava já maquiando o texto.
Não tava posando, ah é assim.
Dessa vez não, você fez um texto caprichado. Eu recebi cada texto bonito.
Foi?
Pô, minha irmã Bárbara fez um lindo, minha irmã Teodora arrasou, e meu pai e minha mãe fizeram textões bonitos, pô, de Instagram. Falei, caralho, foi uma chuva de amor. Eu acho que talvez eu seja assim da palavra de afirmação, sabia? Porque eu fiquei muito feliz de fazer 40 anos e nesse sentido me fez ficar feliz as demonstrações de amor verbais. Claro, as pessoas que foram fazer presente funcionam, mas acho que o que eu mais gostei talvez tenha sido isso.
Mas são demonstrações de amor verbais de pessoas que você tem certeza que te amam, diferente de só o verbal.
Sim, mas lembrar que elas me amam e os motivos pelos quais elas me amam, porque não basta falar "te amo" assim.
"Eu te amo por isso, por isso." Mas por isso que eu sou um defensor do textão, embora eu não os faça mais. Eu acho que o textão, exatamente porque ele foi banalizando, eu tinha que fazer pra todo mundo. Mas eu acho que o textão que tem verdade ali é nada mais do que a celebração de uma pessoa e uma homenagem à pessoa, que aniversário serve para isso.
Claro.
Pra todo mundo celebrar a sua vida de alguma forma. Exatamente. E 40 anos é alguma crise? Nenhuma, nenhuma.
A crise foi antes. Eu senti crise ao longo dos últimos meses. Cheguei a falar que a proximidade dos 40, os últimos meses antes dos 40, eita, acabando os meus 30, agora eu tô nos 40, aí tava mais aflito do que a verdade em si, do que o momento em si. Eu acho que isso vale para vida de modo geral, cara. Tem um livro que eu adoro, A Fera na Selva, vou falar, muito bonito. Desculpa, vou dar um spoiler aqui agora, mas tem problema, porque no livro não é de spoiler.
Chama A Fera na Selva, que é um cara que vive no pânico de uma fera na selva metafórica. Ele tem esse pesadelo de que vai ter uma fera. Então ele não consegue se envolver afetivamente com a mulher, que ele fala: "Não se envolva comigo, porque eu tenho essa fera na selva, a shpreita." E é sobre essa metáfora da fera onipresente na vida do cara. E no final da vida, o cara não viveu esse amor, não viveu tudo, e ele percebe que a fera na selva era a espera da fera na selva.
O que acabou com a vida dele foi a espera dessa fera, não foi a fera. A fera em si não existe. O que existe é o medo da fera. Eu estou resumindo e piorando o livro, mas é um livro muito bonito.
Mas cagando pra quem não leu.
É porque não é um spoiler, é um livro que não tem muita revelação, mas é bem bonito. E A Fera na Selva, meu irmão, da Velhice, eu acho que é um pouco isso. O medo da velhice é pior do que a velhice. Quer ver uma bela metáfora? Uma mãe de um amigo meu tava andando assim meio mancando. Falei: tá tudo bem com sua mãe? Tava andando estranhona a mãe dele, assim. Falei: tá tudo bem? Ela machucou? Falei assim: não, cara, ela tá andando assim porque tá com medo de cair.
"Que loucura." Eu falei: "Ué, mano, parece que ela caiu." Pois é. Era melhor quase que ela caísse. Porque ela, pra não cair, tá andando assim, arrastando o pé.
Como quem caiu.
Como quem caiu. Porque uma amiga caiu, se machucou, e ela ficou traumatizada. Eu ouvi falar que a pior coisa depois de uma certa idade é cair. Então, isso, o que tá limitando os movimentos dela é o medo de cair. Olha que doideira. Isso não diz muito sobre a velhice?
Diz muito sobre a velhice.
Que a gente vai envelhecendo por medo de envelhecer.
A fera na selva.
A fera na selva, cara. E foda-se, deixa a fera te devorar, mas passar... "O medo da fera é a pior coisa." E eu tô sentindo isso. Vem a velhice, vem o que for, 40 anos é do caralho também, pô.
É que eu acho que tem uma coisa que é, às vezes, é difícil pra você, como é no meu caso, né, você fazer 40 anos e não tá completamente apontado pra o que deveria ser socialmente a sua vida com 40 anos. Entende? Assim, você checou todas as caixinhas que você deveria ter checado aos 40 anos. Filho, casamento estável, é a convenção social. Eu acho que quando você não tem isso, que é o meu caso, eu acho que parece um pouco que você tá atrasado, velho demais pra correr atrás, embora eu acho que não seja verdade, mas velho demais pra fazer para fazer o que eu deveria ter feito. Entende isso?
Entendo, mas ao mesmo tempo eu acho que o que mata é a comparação.
Totalmente. Não, mas é o que é estabelecido socialmente que deve acontecer.
Exatamente. É ter uma casinha pra ticar. Porque se eu for ter uma também, eu posso ficar muito infeliz.
O que é uma caixinha que você não ticou?
Morar fora do país.
Não, mas acabou, lindo.
Por quê?
Aí agora é com 60.
É isso que eu tô dizendo.
Aposentado. Não, mas aí vai ser lindo.
Pode ser, mas eu digo assim, coisas que eu nunca morei com amigos, por exemplo.
Quer morar comigo?
Tenho dois filhos, João. E uma esposa.
Não, mas...
Eu já não fiz. Tem coisas que eu já não fiz. E não tem problema. O que eu tô dizendo assim, se você entra no mindset de... Você vai usar isso mesmo? Eu vou usar.
Quer pedir desculpa?
Desculpa, eu falei mindset sem ser ironicamente.
Tá bom.
Se você— caraca, eu falei mindset. 40, 40.
Exatamente, você virou um quarentão. Foi agora que estabeleceu-se.
Sabe uma coisa que mudou? Eu tô passando uns cremes de rosto. E tá com a pele boa. Obrigado. Eu resolvi passar, cara. Eu pego da Giovanna, na verdade. Ela não sabe ainda.
Tá sabendo agora.
Eu vi ela falando assim: cara, é maravilhoso esse creme vitamina C que você passa aqui, olha só como tá melhor. Eu falei: olha, tá mesmo, você tá ótimo. Aí ela foi embora. Eu tô fazendo isso todo dia, ela deve tá achando estranho, tá acabando. Outra coisa que eu fiz, eu dei um presente para ela que na verdade eu tô usando, porque tem uma amiga Ana Luísa, aliás é uma ouvinte, um beijo para ela, Ana Luísa Borré Pé. Eu fui para Portugal, sempre encontro ela lá porque ela mora em Portugal.
Ela tá com uma pele em Portugal, uma cor que não faz sentido, ela em Portugal no frio fodido. Tava sem sol em março, Lisboa inteira tava sem sol, todo mundo branco, tava todo mundo pálido. Ela tava com uma cor jambo assim, uma cor linda. Falei assim: "Caraca, como é que você tá pegando esse sol?" Ela falou: "Ah, amigo, nem te conto, good solar da Caudalie." Eu falei: "O que é isso, é um creme?" "É, são gotas, chama gotas solares, good solar, você bota aqui e tal, só tem que tomar cuidado só porque a mão fica, se você não lavar a mão fica laranja." Falei: "Cara, realmente, olha só o dedo." Eu falei: "Cara, que maravilha!" Ela falou: "Dá pra Giovanna, ela vai amar." Aí eu falei: "Vou dar pra Giovanna." Dei pra Giovanna, Giovanna nunca usou.
Todo dia eu tô botando um pouquinho. Cês já deu pra perceber que eu tô um pouquinho mais bronzeado? Não, né? É que eu esqueço de passar.
Você não tá branco.
Eu não tô branco, exatamente.
Você tem uma questão que você não entende, eu acho que é. O creme, eu acho que faz efeito com uma certa constância, né?
É, tem que passar direto, né?
Eu imagino que sim, eu nunca consegui.
Você não passa nada?
Nunca consegui.
Você não faz nada de skincare? Não. Você tem uma pele muito boa.
Nunca consegui fazer.
Pode tirar os óculos, por favor?
Tô maquiado, né, Grae?
Tá, mas aqui você não tem isso, ó. Tem um pouco. Muito pouco, eu tenho muito mais. Olha como eu tenho aqui.
É uma verdade.
Mas isso aqui não me incomoda não. Não me incomoda.
Não te incomoda? Não. A mim um pouco.
Ah, é?
O seu. Não, tô brincando. Isso daqui é muito louco, né? Porque eu olho pra você, eu vejo o mesmo cara que sempre, né? Eu não vejo um sujeito com uma cara cansado, cor velha e tal. E aí, quando a gente só tem essa impressão quando a gente vê, por exemplo, uma foto que eu postei no meu post, que é você jovenzito ali com 18, 17.
Loucura, né?
É engraçado, né? O tempo passou.
Eu também tenho um susto com foto antiga que, caramba, eu fui ver também agora nessa coisa de 2016, eu comecei lá fora no meu rolo de câmera O seu rolo vai até quando? Pra sempre? 14. O meu vai até 2009.
Caralho!
É muito louco.
Inimaginável.
Tem coisas ali, tem coisas ali muito, muito antigas minhas, dos amigos, tem amigos, tem pessoas que eu não lembro. É uma loucura. Abraçado com... Abraçado com pessoas que eu não sei quem são.
A tecnologia que a gente tanto fala mal nos deu isso, né? Porque a gente... Eu não tenho muita foto minha jovem. Jovem? Não. Tipo criança? Não tem muito, né? Depois do iPhone, o iPhone nos permitiu documentar, tanto é que na adolescência, na adolescência, ali adultos, a gente tem foto de tudo, com todo mundo.
Então, mas eu tenho um buraco, porque criança eu não tenho muita. Criança, minha mãe tirava muita foto, tá lá impresso nos álbuns, tem muita coisa até uns 12. Aí tem uma coisa que eu acho que é de 98, 99, quando surgem as câmeras digitais, mas não tinha telefone.
É porque surgem as câmeras digitais, mas as pessoas pararam de imprimir.
Isso, exatamente. Esse buraco aqui, acho que é de 2000 a 2008 ali, que é quando a gente tem de 14 a 20 e poucos.
Tem pouca.
Tem muito pouca. Eu, pelo menos, tenho muito pouca.
Ah, eu tenho nada.
Então, é uma época, por um lado, graças a Deus, né?
Não, eu adoraria ter.
Você gostaria de ter?
Ah, eu tenho uma! Tem? Tenho, vou mostrar. Você pode explicar essa foto?
Olha pra isso, que maravilha, João! Otávio Miller?
Otávio Miller, o meu primo, Otávio Miller.
Otávio Miller era seu primo? Jura?
Juro.
Caramba, acabei de descobrir isso. Que barato, otário!
Foto essa que eu tô igual a minha irmã Ana.
Você tá igual a sua irmã Ana, bem sua mãe também. É.
Um olho assim... Batom, né? Tava de batom? Era batom? Não, claro que não.
Eu achei muito gato. Parece batom. Gata, gater.
Gater.
Mas bem bonito mesmo, assim.
Uma boa, já uma jaqueta de couro, já penduricalhos. Pendurão é um brinco Brincaço, né, de pirata.
Brinco de pirata.
Brinco de pirata. Já muita coisa.
Aí você pintava o cabelo de preto?
Pintava o cabelo de preto. É? Não sei bem porquê. Achava que dava. E tinha muito pra— Eu gostava muito de não pegar sol. Sabe? De ter esse aspecto—
Vampiresco.
Vampiresco, exatamente. Gótico. Gótico. Então era sempre uma calça muito justa, uma bota.
E um jaquetão de couro.
Uma camisa muito furada, branca. Que isso ainda persiste.
Isso ainda tá, é.
É, mas meu estilo não mudou tanto, foi só... Eu tenho saudade de ter brinco. Já teve brinco?
Eu tive, aqui. Teve um ano ali que todo mundo botou, né?
Todo mundo botou.
98, não tem nada?
E a grande revolução era um homem botar um brinco na orelha direita. Aí eu nunca tive isso. Aí era maluquice.
Aí o cara era doido. Aí o cara...
As pessoas podiam chamar ele de gay.
É, exatamente.
Porque na direita era gay.
Na direita era gay. Na esquerda tinha muito isso. E na esquerda todos os jogadores de futebol tinham. Então acho que a referência era um jogador.
O Romário, nunca vamos esquecer que ele tinha uma cruzinha.
Cruzinha, né?
Minha mãe não permitia.
Na verdade era uma argola com uma cruzinha.
Com uma cruzinha, exatamente.
Isso é clássico.
Mas enfim, o Otávio Müller com cabelo.
Com muito cabelo, cara.
Com muito cabelo no rosto.
E assim, que engraçado, nunca tinha visto o Otávio Müller nessa idade.
E o Otávio Müller aí, ele já se comportava como um senhor, né? Porque um cachimirzinho nas costas pra evitar friagem.
Um cachimirzinho nas costas.
Ele devia ter o quê? Trinta anos.
Ele tinha 30 e já, vocês devem ter uns 10 anos de diferença, né? Não sei. Mas já era o próprio Otávio. Sempre foi muito engraçado, né? Caraca, que maneiro. Não imaginava essa foto. A minha mãe fez um, me deu um presente esse ano que foi um misto muito grande de sentimentos. Ela me deu vários presentes, eu usei, não foi o único presente, mas um que ela deu teve uma carga simbólica muito forte, que é uma coisa minha na verdade. Ela me deu um caderno de adolescência, um diário em que eu anotava tudo, e foi a coisa mais dolorosa que eu já li na minha vida.
O que que tinha lá?
Tudo. Eu me expunho assim sem medo. Era ridículo, e era ridículo num lugar assim. Tem eu falando coisas do tipo: a menina perfeita, a menina perfeita deve ter Cabelos cacheados. E um corpo... Aí começava a falar do corpo da menina perfeita.
Como? Fala, fala.
Eu não vou lembrar, eu não quero lembrar. Eu apaguei, eu sofri, eu chorei. Eu falei: "Não!" Eu lia, mas não conseguia tirar os olhos. Ia passando assim, falei: "Que que é isso?" Aí tem um desenho da menina perfeita. Aí tem uns poemas, uns coisas meio assim. "Todos os dias deviam ser sábado." Porra!
Tu criou isso?
Eu inventei isso.
Tu bolou essa?
Que frase, né?
Que frase!
É, eu achava, sabe, eu achava muito inusitado e achava uma sacada. Tipo, todo dia deve ser sábado. Sério, meu amor? Sério que você tá achou isso uma ideia de escrever essa frase?
É mais engraçado que o que você queria dizer é não ter nada para fazer, ou só que sábado muitas pessoas trabalham.
Claro, todos os dias trabalham, exatamente. E domingo, não, eu disse assim, porque o domingo já está grávido da segunda-feira. Poesia, entendeu? Sacada?
Já está grávida. É muito difícil. Nossa, é muito difícil. Eu tenho, sumiu, graças a Deus, quer dizer, graças a Deus não, gostaria de ver, mas eu tenho cadernos e cadernos de poesia que eu escrevia. Todos os dias mesmo?
Sábado?
A Feira do Amor tinha.
Como é que é a Feira do Amor? Quem quer? Ah, isso você já falou no Sete e Vinte e Mil, não falou?
Falei.
Eu acho que eu lembro vagamente disso. É, sei lá, o amor mais barato na minha mão, "Ah, não, meu amor, é mais barato." "Quem quer um amor?" "Quem quer um amor?
O quilo aqui tá não sei o quê." "Quer 1kg de amor, senhora? Tá fresquinho." Nada disso é verdade, tá? Mas era a feira do amor, eu lembro.
Ainda mais! Nossa, que vergonhinha, poema das ventoinhas.
Porque eu acho que tem uma coisa que é... Que a minha mãe chama de carrapato com tosse, né? A gente se achava adultinho, né? Quer dizer, a gente queria ser poeta.
E tem um desconforto com a minha idade. Isso me deixou... Ficou meio aí, eu passou da dor para um certo, o que que me deu uma certa alegria e um enternecimento em relação a mim mesmo? Primeiro, eu me achava muito feio, e vendo as fotos eu não era bonito, não era feio, mas eu não era horrível, não, como me achava. E eu dizia assim: meu Deus, eu sou uma aberração, eu tenho pelo nas pernas, mas só nas pernas, parece que minhas pernas são de outra pessoa, eu não combino, meu corpo não combina uma parte de cima com a de baixo, o meu, minha espinha, minha cara parece rolaram, esfregaram no chapisco porque eu tinha umas espinhasinhas, tudo, sabe?
Tipo assim, eu tinha um nojo, tinha uma raiva do meu corpo, de mim mesmo. E eu tinha 14, 13, 14, e eu achava que eu nunca ia transar. E eu falava isso literalmente, eu tenho que parar de correr atrás das meninas.
Isso tá certo, tá? Correr você pode.
Porque eu tomava muito toco, as meninas que eu beijava, ela não queria mais saber de mim, beijava só uma vez, eu nunca conseguia ficar uma segunda vez. Em parte porque eu ficava ligando para casa dela. E tem eu falando assim, eu tenho que parar depois de ficar com uma menina ligar para casa dela. Minha mãe ainda, minha mãe ainda tem um papel importante, que assim, minha mãe me falou coisas importantes sobre isso, eu tenho que ouvir mais o que ela tá dizendo.
Não, ainda falar do Gregório, cara, de ligar para casa das pessoas. Eu ligava de uma maneira que eu fiquei, que eu ligava e eu desligava quando a mãe dela atendia. Ela sabia, óbvio. É você que me ligou ontem, a mãe falou que tem alguém Ligando, desligando.
Aí você ligava, você queria conversar, bater papo?
Não, vamos para o cinema, vamos.
Aí ela falava o quê?
Não, ah, eu tô tendo que estudar muito e tal, tá difícil semana, fala semana que vem. E eu não entendia que semana que vem ela nunca— aí eu ligava semana que vem e eu insistia.
Semana que vem estava grávida de um outro.
Exatamente, por isso que eu dizer que todos os dias deviam ser sábado. E aí era uma insistência, coisa que nada dava não dava certo nada, era assim, 14, 15, 16, era uma época em que eu só tentava, dava com os burros na água com as meninas, me achava intransável, talvez fosse, eu escrevi cartas, eu me apaixonei por uma menina que eu escrevia cartas pra ela e mais cartas, que ela nunca respondeu, e aí uma coisa, só uma coisa me confortou foi que tem uma hora que eu escrevi assim: "Meu Deus, Fui reler as últimas coisas que escrevi.
Que vergonha. Não sei porque escrevi isso. Muita vontade de jogar isso fora. Só não jogo porque imagino que talvez daqui a 20 ou 30 anos eu abra esse caderno e me divirta muito. E não se divertiu.
Não.
E tava lá eu falando comigo mesmo, mas aí eu me diverti.
Aí, ah, boa!
Eu já sabia que era ridículo. Que fofo, eu me comunicar. Foi uma conversa. Essa conversa extratemporal com o passado, porque é muito louco isso da escrita. E mudando radicalmente de tema, né?
A gente podia fazer cartas pra nós mesmos.
Cara, um livro muito bom é aquele Infinito Num Junco, que a mulher fala da história do livro, ela fala do advento da escrita. E o que ela fala que é muito revolucionário, que a gente esquece, que a escrita ela é revolucionária porque ela rompe com o tempo. Antes da escrita era impossível uma pessoa do passado falar com você. Não havia maneira. Na mediunidade, talvez. Mas se você quisesse falar com antepassados, você não podia.
Não de maneira fiel, né? Porque a história pode ser recontada, mas ela vai perder a facção.
Não tinha como falar diretamente, sem filtros, com alguém do futuro. Você não tinha como falar. E graças às escritas, você consegue falar com alguém que vai nascer daqui a 1000 anos, 10.000 anos. E com você mesmo daqui a 20 anos. Graças às escritas. Sem as escritas, você não tinha como.
O que você diria pra você daqui a 20 anos? Cara, daqui a 20 anos... Já com ciático pro caralho.
Fudido. Não, será? 20 anos, tá com 60. Eu espero estar muito bem. Não?
Você tem que lutar, né?
Eu tenho que lutar. Fonte do WhatsApp grande.
Fonte do WhatsApp é aqui, ó.
A fonte do WhatsApp do João já aumentou muito, sabia?
Aumentou um pontinho.
Aumentou.
Mas eu já diminuí, porque falaram que tava grande. Eu acho que uma coisa que divide as pessoas é quem tem letrão no WhatsApp tem celular e quem não tem. Você ter, tudo bem, só que você tá dando um recado pro mundo, tá dizendo: "Ó, agora é isso." Eu entreguei os pontos. Eu entreguei os pontos. Eu vou... É... Sofra, mas mantenha a letra no dois pontinhos.
É porque o grande já te dá... É igual a gente tem... Palavra cruzada já é foda. Letrão da palavra cruzada é foda, assim. Você entregou muitos pontos. Você entregou os pontos. Eu... Eu gostei muito de ver pessoas que eu não via há muito tempo, sabia? Na minha festa. Voltou para festa Pedro Benevides, que eu não via um tempão. Maravilhoso, com Bené, nosso querido Bené. Saudade dele. Não vi pessoas. Rafael Queiroga, que vem da Macumba. Que foi o que era, que sai da Macumba uma vez por ano. Praia da Macumba, né?
Que susto! Achei que ele tinha virado um sacerdote.
Não, não, não, é a Praia da Macumba onde ele mora. Ele sai uma vez por ano, eu acho que é para o meu aniversário.
E é bom, me mandou vídeo. Me mandou a mensagem, falou: "Olha o hino do... Nosso hino." Porque é aquela música: "I follow you." Tava tocando essa?
"I follow you." É música de vocês?
É uma música dele com o Edu que me incorporaram, porque a gente teve essa obsessão por essa música. Essa música é uma grande música.
Essa música, ela tem um magnetismo.
Ela tem alguma coisa.
"I follow you." Porque ela é circular.
"Deep, deep, deep." "I follow you." "I follow you." Você pode ficar aí pra sempre.
Tem alguma coisa puxa a outra. I Follow You, esse nome, não é? I Follow You.
É você com 13 anos.
É, exato, eu seguindo as meninas. Cara, mas isso eu achei muito doido, que assim, se houvesse red pill, talvez eu tivesse caído.
É claro.
No papo de red pill.
Óbvio que você teria. Era tudo que você queria ouvir. Que a culpa não era sua, as mulheres não prestam.
Os caras querem saber do cara.
É muito louco.
Isso eu fiquei aliviado. Não tem ali misoginia, não tem tipo assim, essas mulheres Eles viram, eu tô claramente sabendo que o problema sou eu ali, claramente.
Não, mas se tivesse um influenciador gringo falando: não é você, não é você, você é ótimo, não é cabeluda, seu corpo é perfeito, eu ia cair no papo de Red Pill.
Mas com certeza, porque tava uma mente muito fragilizada, claramente. Eu caí na poesia, você caiu na poesia, graças a Deus, que é uma forma também de abraçar os os derrotados, né?
É uma forma de sofrer com alguém sem ninguém. Exatamente. Eu lembro que quando eu escrevia poesia pequeno, eu era muito dramático, tudo era um drama. Ai, como é triste ser triste, como eu, sabe? Umas coisas meio... E tem um perfilzinho que a gente ficava imitando de... Uma melancolia estética. E tentando criar imagens, né? Grávida de segunda-feira. É, exatamente. Esse tipo de coisinha. É, eu lembro assim, hoje em dia eu posso falar que muita coisa começava pela frase.
Como? Eu fazia uma poesia inteira em volta de uma frase que eu achava uma sacada. Uma sacadinha, é.
Entendeu? A gente é muita coisa da sacada, né?
Da sacada, é.
E tinha coisa do poeta, você queria mais ser poeta do que escrever poesia.
É que era mais sobre um estilo de vida.
É, exatamente.
Você tinha que produzir pra possibilitar que você dissesse: "Eu sou poeta." "Eu sou poeta." "Eu sou poeta." Imagina um moleque, a gente tinha 14 anos falava: eu sou poeta. Ah, vai tomar no cu, essas dois!
Mas por outro lado, eu tô tentando, eu sigo poeta, não larguei o osso. Eu tô tentando, cara, olhar com carinho para esse moleque de 14 anos e pensar assim, até porque ele já se odiava, né? Ele já se odiava primeiro, daí já dá um carinho. Depois podia ter ficado muito pior, podia ter ido para um red pill, podia ter ido para um cuzão, podia ter ido, sabe? Foi para uma autocomiseração ridícula, "O Paulo foi pra uma poesia ruim, mas podia ter ido pra tantos outros lados." E eu acho que envelhecer também tem um pouco a ver com isso.
Passar a ter um carinho por você mesmo do passado, sabe? Tipo, fazer as pazes com as piores versões de você.
Difícil.
É difícil, né?
É difícil demais. É difícil você... E o mais estranho é que você sabe todo o contexto de você. É. Né? Você sabe o contexto que te levou até ali. Você sabe por que que você era esse menino... Um pouco, não vou dizer arrogante, mas metido a besta em algum lugar, querendo ser poeta. Eu sei demais de mim, mas ainda assim dá uma raiva, né? Dá uma raiva. Mas é inespecífico, porque ele não fez nada demais.
Não.
Era só...
Mas é pose, você vê que aquilo ali é de mentira.
Mas qual o problema? Era uma criança sofrendo, entendeu? Ele só tava querendo ser legal em algum lugar, que fosse no caderno dele. No final era isso, era o ambiente que ele queria ser legal. É. E aí você, obviamente, se juntou, assim como eu me juntei com a turma do CEP 20.000, por exemplo. E fui ser poeta no CEP 20.000. Ou seja, eu fui poeta até 20 anos de idade.
Foi quem te abraçou.
Foi quem me abraçou.
O... Sabe que você vai ter... Espero que volte logo.
Que lindo, é uma poesia.
Espero que volte logo? Ele falou isso aí do nada?
"Espero que quem volte logo." O que foi isso?
"Espero que volte logo"? O quê?
E foi meio poesia, né? "Espero que volte logo" poderia ser o nome de uma poesia.
"Espero que volte logo".
Eu também!
E o que será que detonou ela falar? Você falou "sí"? Você conversa com ela às vezes?
Nunca na minha vida. Sí?
ChatGPT?
Não, nem cumprimento.
Alexa? Não. Que a minha também não tá autorizada a saber. Não falo com ela, desliguei Siri, essas coisas.
Hey, Siri. Hey, bro.
Não é ela, não.
Siri. Não fala, não.
Alô, ChatGPT. É ele?
Oi, Siri. Tudo bom com você?
Não. Não, não é ela, não.
Agora, é incrível, né, que aquele garoto foi crescendo traumatizado com alguma coisa que faria dele rico um dia. Logo, que são suas pernas.
Minhas pernas fizeram o Ivo?
É, esse podcast aqui só existe por causa das suas pernas. Eu acho que no final... Aliás, a gente... Eu queria falar com a nossa audiência duas coisas. Primeiro, convençam o Gregório a fazer Não Importa ao Vivo no teatro, pra todos vocês. Cobraremos ticket médio de pouco. Ticket médio. Vamos querer doação simbólica. Doação simbólica. É, tipo, "doy". Gostaria que vocês doassem o que vocês puderem. Outra coisa que eu ia dizer é...
Tá ficando monótono aqui, mandem mais coisas. E outra coisa é o seguinte: outro dia uma pessoa escreveu assim: "A gente queria mandar temas pra vocês conversarem." Mandem! Quem tá te segurando? Manda tema! Mexe o saco!
Você assinou o porta-mais? Falando sério, não é "doy", não? Porta Mais. Fala o que é o Porta Mais, João.
Porta Mais. Porta Mais é um espaço pra você que é fã do Porta dos Fundos, que gosta de ver as histórias do Porta dos Fundos, gosta de ter uma visão privilegiada, um olho mágico pra dentro do Porta dos Fundos, onde coisas que não foram ao ar e talvez nem irão ao ar estarão só no Porta Mais pra você. Tem vários planos, várias categorias, e você pode, por um preço módico, nos ajudar a comprar mais shorts pro Gregório, e assinar e ver um conteúdo vasto que você só vê no Porta Mais.
Cara, você vende muito bem, João. Mas vem cá, no Porta Mais a gente vai botar no Porta Mais, ou já botou, ou vai botar, o Não Importa de Portugal.
Vai.
Vai botar?
Vai. Tem que ver, né?
Tem que ver.
Porque de fato estávamos bêbados.
Completamente.
Completamente bêbados.
Tinha muitos vinhos do velho mundo. Então assim, o João, porra...
Minha mãe, por exemplo, chegou num dia, no dia do Walter Ugumay, e quando saiu eu falei: "E aí, gostou?" Ela falou: "Você tava um pouco bêbado demais." Tava, tava.
Agarrou o Walter, Walter Hugo, é um escritor também. Ele subiu e não sei se apertava o corpo dele.
Apertei os seios dele.
Nossa, assim, uma coisa, uma intimidade. Mas foi...
Mas ele é maravilhoso.
Ele é, ele é. E foi muito engraçado.
Tivemos Walter Ugumay, Bruno Nogueira e César Mourão. E César Mourão, que está ao lado do Bruno Nogueira.
Que foi muito legal, o César Mourão.
César Mourão foi muito bom. Vou botar ele no suspense.
Aqui inclusive, botaria no porta mesmo.
É, a gente vai botar. A gente vai botar. Aproveitar pra mandar um beijo pro Dr. Calil. Dr. Calil, um grande beijo.
Eu nunca vi puxar tanto o saco de médico.
É isso, é isso, é isso. Então é isso, Gregório. Olha, foi ótimo.
Foi ótimo. Foi ótimo, ele querendo acabar.
Minha gente, é isso. Semana que vem tem mais. Gregório Duvivier, com 40 anos, vai dar o que falar. A gente está aqui animado pra ver como esse ancião será daqui pra frente. Então, um beijo no coração e até quinta-feira que vem, no Não Importa.