Episódios de NÃO IMPORTA

#70: EMICIDA, JOÃO SEM MESADA E OUTRAS COISAS

04 de junho de 20261h13min
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Esse é um Não ImPorta edição de colecionador, recebemos o Leandr... Opa, Emicida! Pra vocês é Emicida mesmo, desculpem, é que viramos muito amigos nos bastidores e já ganhei intimidade. Enfim, com vocês: Não ImPorta com Emicida!ELENCO:EmicidaGregorio DuvivierJoão Vicente de CastroROTEIRO:Eduardo BrancoDIREÇÃO:Matheus MonkSEJA MEMBRO DO PORTA+ https://www.youtube.com/channel/UCEWHPFNilsT0IfQfutVzsag/joinENTRE NO CANAL DO PORTA NO WHATSAPPhttps://bit.ly/ZapdoPortaBAIXE O APP DO PORTAAndroid: http://bit.ly/2zcxLZOiOS: https://apple.co/2IW633jAPROVEITA E VAI NO NOSSO SITE⁠https://portadosfundos.com.br/

Participantes neste episódio3
G

Gregório Duvivier

HostComediante
J

João Vicente de Castro

Co-hostApresentador
E

Emicida

ConvidadoRapper
Assuntos15
  • O Papel da Arte e da CriaçãoA função do artista e a expectativa do público · A importância da autenticidade e da entrega artística · A influência do ambiente digital na criação artística
  • Sucesso e FamaA dificuldade em lidar com a exposição pública · A pressão para se adequar às expectativas do público · A busca por validação e aceitação · A importância de se blindar da opinião alheia
  • Cultura do favor e da 'cunha'A cultura do 'beef' no rap e na comédia · A dificuldade em lidar com conflitos e desentendimentos · A importância de saber ouvir e aceitar feedback · A estratégia de desarmar o oponente com humildade
  • impacto da internetO impacto das redes sociais e da IA na percepção da realidade · O 'brain rot' causado pelo conteúdo sintético · A dificuldade em distinguir o real do artificial · A perda de valor da realidade diante da IA
  • Interação com o público e engajamentoA percepção de intimidade do público com artistas · O impacto das redes sociais na percepção pública · O medo de cancelamento e a distorção da realidade · A diferença entre a vida pessoal e a persona pública
  • Mudança de Carreira: TI para ArtistaFiguração e trabalhos iniciais na TV · A experiência de ser chamado para papéis errados · A busca por oportunidades e a realidade do mercado de trabalho · A evolução da carreira e o reconhecimento
  • Humor e ComédiaA dificuldade de interpretar ironia nas redes sociais · O humor ácido e suas consequências · A linha tênue entre o pessoal e o público no humor
  • Independência financeira e emancipaçãoO corte da mesada como um divisor de águas · A dependência financeira e a busca por autonomia · A diferença entre as realidades financeiras dos participantes
  • Experiências em São Paulo vs. Rio de JaneiroA cultura do 'playboy bandido' no Rio de Janeiro · A diferença entre a postura de playboys cariocas e paulistas · As gangues e rivalidades no Rio de Janeiro · A influência cultural e social das cidades
  • Questões de raça e representatividade no rapA origem do bullying e apelidos no rap · A evolução das batalhas de rima e a diminuição do bullying · A relação entre rap e a cultura do confronto · A importância da mensagem e da arte no rap
  • O nerd estragou a cultura pop?A paixão por animes e bonecos colecionáveis · A influência dos Funko Pop na vida pessoal · A relação entre colecionismo e a identidade pessoal
  • Validação e Criação PessoalA frustração de ser 'descoberto' por fãs · A autoconfiança e a crença no próprio trabalho · A importância da validação interna em detrimento da externa
  • O Papel do Centrão na Política BrasileiraA complexidade da política brasileira · A crença no inacreditável e a manipulação da informação · A influência da política na vida cotidiana
  • Relação com o CorpoA percepção do corpo e da beleza · A diversidade corporal e a aceitação · A influência da mídia na construção da imagem corporal
  • Jiu-JitsuA prática do jiu-jitsu como forma de disciplina · A história do jiu-jitsu brasileiro · A importância do esporte na formação pessoal
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Gregório Duvivier:Chocante, né? Tudo isso que tá acontecendo aqui hoje, porque Leandro Roque— eu queria primeiro começar falando um poema que eu fiz para ele. Leandro, ando, mando— não, não mando, só aprendo. Como dentro de mim faz-se uma flor que Leandro plantou. Muito obrigado. Porra! Pode aplaudir.

João Vicente de Castro:Pode aplaudir, é a frase mais triste que alguém fala no mundo é isso. Pode aplaudir, é foda.

Gregório Duvivier:Mas é muito legal.

Emicida:E ainda é poeta, mano. E ainda é poeta.

Gregório Duvivier:Subverteu, porque o Leandro Roque, que é esse que vocês chamam de MC, ele...

João Vicente de Castro:Vamos começar falando disso. É o seguinte, eu não sei muito como te chamar, Emicida, porque eu te ouço um tempão, te adoro, mas eu acho estranho, João Emicida, que eu sei que as pessoas conhecem, chamam de Leandro. O João só fala você como Leandro, porque o Leandro é uma maneira de tirar meio onda assim.

Gregório Duvivier:Não, é uma maneira de fazer com que a pessoa pergunte: "Que Leandro?" "Ah, perdão." "Para vocês, sou outro tipo de artista." Exatamente.

João Vicente de Castro:Não é estranho essa coisa assim, da pessoa vir para mostrar que é íntimo teu, fala o Leandro, mas Ou o que tu prefere? Que te chamem de Leandro?

Emicida:Depende de quem é, mano. Tem gente que eu prefiro que nem me chame.

João Vicente de Castro:Traz artístico.

Emicida:Me manda o assunto e a pessoa, aí depois eu vejo. Caso a caso, varia bastante nesse Brasil de hoje.

João Vicente de Castro:É, tem toda razão.

Gregório Duvivier:Tá ligado? Eu queria começar com: "MC, daí como você começou a sua carreira?" Ah lá, tá vendo?

Emicida:Vamos falar sobre o arrependimento.

Gregório Duvivier:O arrependimento.

João Vicente de Castro:Tá arrependido já de ter vindo ou não?

Emicida:Tô começando.

Gregório Duvivier:Não, eu fiquei pensando isso assim, quando A gente falou do Leandro vir para cá, eu fiquei pensando a quantidade de gente que quer que você vá em programas que importa a opinião. E você, infelizmente, tem que falar isso. Você virou uma pessoa que fica falando coisas que as pessoas se importam e ficam: "Ah, é isso mesmo, porra, agora, cara, tu viu o que ele falou?" E tal. E você escolheu o programa que menos tem relevância no Brasil hoje em dia. Parabéns pela sua escolha.

Emicida:Tem um dedo podre para essas coisas. Eu preciso pagar alguém que escolha por mim, entendeu? Senão eu fico pulando nisso aqui, ó, toda semana.

Gregório Duvivier:É isso.

Emicida:Mas acho que é divertido também, né, mano?

Gregório Duvivier:Você acha?

Emicida:Ah, eu acho.

Gregório Duvivier:Vamos ver daqui pra frente, eu não sei. Bom, a gente vai tentar.

João Vicente de Castro:Esse vai ser o primeiro programa, quando você veio, que a gente vai fazer o que importa. A gente queria discutir Oriente Médio, mano.

Emicida:Os cara faz isso demais comigo.

João Vicente de Castro:Faz, né?

Emicida:Faz em vários programas, mano. Também foi uma coisa que eu também peguei um bode assim, porque sei lá, tá eu e vários artistas, vamos situações hipotéticas.

Gregório Duvivier:O Caetano chegou lá.

Emicida:Tá, o Caetano, tá a Anitta, tá não sei quem mais, assim, tipo vários artistas admirados e conhecidos, respeitados e tal. O MC dá também ali naquele mesmo bonde e as pessoas falam: "Ah, você é fulano? Como é que tá?" Pelé também fazia isso.

João Vicente de Castro:Pelé também fazia isso.

Emicida:Entendeu? Que você separa o CPF do CNPJ, entendeu? Aí os cara fala tipo assim: "Não, você é fulano?" "Como tá a turnê?" "Tá maravilhoso, tô tocando." "Ciclana, você fez uma plástica?" "Ah, fiz uma plástica." "Você, fulano, comprou uma casa?" "Comprei uma casa." "MC da..." "A situação da Ucrânia..." "Tem a ver com racismo estrutural?" "Tá ligado?" E eu fico tipo: "Pô, meu parceiro..." "Pô, eu queria falar besteira também." E os caras ficam jogando uma resposta. Mas eu também me sinto respeitado pela expectativa, que sobe a régua lá em cima, né?

Gregório Duvivier:Mas chato também, né? Falar sério o tempo todo, tu não acha? Acho. Chato pra caralho. Expectativa de rima.

Emicida:"Rima, tem contigo?" "Vez ou outra, tem." "Vou pegar você agora." "Caneca." "Rima com o quê, MC?" Aí eu falo, sei lá: "Sapeca." Gênio!

Gregório Duvivier:Gênio! Ficamos por aqui.

Emicida:Ó, tô todo arrepiado.

Gregório Duvivier:É incrível, é tratado como um bonequinho que aperta a barriga. Que é uma só. Tem até aquela história do Milo Fernandes, que ele fala... Como ele é cheio de referência.

Emicida:Ele é foda. Quem não convive não sabe. Não sabe. Acha que é só um rostinho bonito, né?

Gregório Duvivier:Um ex-rostinho bonito quando tinha barba. Hoje em dia, humilhado frequentemente na internet falando: "Você, que horror, parece um pai no pão de açúcar com um carrinho cheio de leguminosas e de moletom velho esperando pra pagar e não sabendo como operar." uma maquininha de...

Emicida:Falei: "Gente, mas foi?" Parou, parou, parou, parou, parou, parou, parou. Eu olho essa descrição, eu só consigo ver um campeão.

Gregório Duvivier:Exatamente, eu também acho. Um pai de 3 homens.

João Vicente de Castro:Obrigado, porque eu olhei e falei assim: "Bartão", eu vou dizer, "parece o Gregório". Uma pessoa assim, não sabe usar maquininha, na zona sul, no Pão de Açúcar, mal vestido, com 3 crianças.

Gregório Duvivier:É, mas, bom, eu não sei porque eu tô falando... Ah, sim! Milo Fernandes dizia, uma vez numa festa de Isalena, que ele chegou, um cara militar chegou pra ele e falou: "Você é comediante? Conta uma piada." Ele falou: "Tu não é militar? Dá um tiro de canhão." É um pouco isso.

João Vicente de Castro:A gente tem muito isso, né?

Emicida:O cara tromba o Baryshnikov, sei lá, dá uma pirueta.

Gregório Duvivier:Dá uma pirueta. É um pouquinho disso. É um coachinho. Faz um documentário pra mim.

João Vicente de Castro:A gente tem muito isso. Também tem isso de falar uma palavra só e achar que basta. O cara bateu na minha janela outro dia. "Que que é tal?" Eu meio com medo, no Rio de Janeiro, né? Você já acha que é um assalto, alguma coisa. Daí eu abro o vidro e é o maluco que fala assim: "Você tem que fazer um vídeo do Porta do Fundo. Tenho uma ideia de vídeo pra você de Porta do Fundo." "Ah, é? Qual é?" "Senão em abril..." Aí ele falou assim: "Autoescola." E aí? Mas qual é? Era só isso, era só isso.

Emicida:Aí, vai, agora é com você. Faz aí sua arte, vai, mano. Comigo rola um barato da pessoa soltar nesse tipo um mote assim, né? E ela espera pra receber um raio de luz. Tipo, então ela chega, sei lá, MC da repórter ou não, pessoas em geral. Não, perdão, jornalista não, pessoas. Foi mal, foi mal. A pessoa MC da gravidez na adolescência. E fica aberto para receber.

Gregório Duvivier:O que você pensa? Você acha que tem que ser a favor ou contra?

João Vicente de Castro:Você tira o seu chapéu?

Gregório Duvivier:Cara, ele é bom.

Emicida:Raul Gil, já sou fã.

Gregório Duvivier:Não tem Raul Gil? Tem Raul Gil?

João Vicente de Castro:Boa pergunta. Vivo ele tá, senão a gente teria sabido. Mas se ele tá tirando o chapéu, eu não sei.

Emicida:Será que ele lembra que a gente fazia muito essa piada, tá ligado? O dia que eu for no Raul Gil, o dia que eu for embora, ele: "Não, tira o chapéu, tira o chapéu." Mas tinha umas coisas assim, "Tira o chapéu para racismo".

João Vicente de Castro:Tinha isso no Raul Gil? Tinha uns conceitos assim? Tinha, tinha.

Emicida:Eu achava que era sempre, sei lá, vai o Gregório, "João Vicente não tirou o chapéu". Aquela trilha grave, né?

João Vicente de Castro:Mas também tinha uns conceitos para Globo, por exemplo, se a pessoa tinha saído da Globo. Tinham imprensas, ideias.

Emicida:Provocativo, né?

Gregório Duvivier:Provocativo. Mas eu acho que o Raul Gil tá aí, pelo menos você não tá.

João Vicente de Castro:Firmão, né? Tá no ar?

Emicida:Tá na... Aí já não sei.

Gregório Duvivier:Eu tenho muita dúvida de gente morreu ou não. O morreu e foi pra Record, mas morreu. Vários, né?

João Vicente de Castro:Esse aí... Já viu o vídeo da Alcione no Ceará? Não. Meu vídeo preferido da internet. A Alcione vai fazer um show no Ceará, tá lá no palco, fala assim: "Queria mandar um beijo no palco, no meio do show, entra uma música e outra, pra um amigo meu, humorista daqui do Ceará, o Espanta. Um beijo pra ele, conhecer ele, eu sou fã dele." Alguém na plateia grita: "Espanta morreu!" Aí ela: "Ai, meu Deus, o espanta-morreu." E ela começa a chorar, sai do show e acaba o show. Isso tem no YouTube.

Gregório Duvivier:O espanta-morreu?

João Vicente de Castro:É, as pessoas descobrem no palco que o amigo... Desculpa, tá rindo.

Emicida:Não era pra rir. Eu ri, mas a situação é bizarra, né, mano?

Gregório Duvivier:Não, espírito de porco também, né? Deixa a mulher dar uma moralzinha pro espanta.

João Vicente de Castro:No final do show você vai lá e fala: "Explica pra ela que o espanta-morreu." No meio do show tu gritar que o espanta-morreu?

Emicida:Ah, mas tem aquela figura, vocês estão ligados, mano. Tem aquela figura que ela quer ser o espetáculo, quer ser ela. Dela. Então ele quer botar o artista, pessoa que tá no palco, numa saia justa ali, que é também o ponto alto da vida dele, afetar o artista de alguma maneira. Às vezes é só um espírito de porco mesmo, mano.

Gregório Duvivier:E é o que mais tem hoje em dia.

João Vicente de Castro:Eu pensava nisso vendo um show de uma pessoa que era muito ídolo assim, não sei, eu pensava assim: caraca, se eu tacasse uma pedra daqui, eu ia afetar a vida do, porra, Paul McCartney. Sabe o que eu tava pensando? Eu sei que eu não deveria pensar nisso.

Gregório Duvivier:Você é um poeta.

Emicida:Você é vira-desse jeito?

João Vicente de Castro:Não, mas eu pensava assim, se eu acertasse, eu ia ter... Porque quando a pessoa é fã pra caralho... John Lennon é isso, você é fã pra caralho, o cara tá no lugar que você admira, claro, mas também tem um lugar de: "Puta, será que eu consigo?" Ele não existe, ele é meio divino. Então a ideia de que eu poderia afetar a vida dessa pessoa que eu idolatro, mesmo que pro negativo, ela passa pela cabeça do fã. Eu digo como fã.

Emicida:Mano, uma vez eu vi uma cena bizarra no show do Molejo.

Gregório Duvivier:Aí ele analisou, parou, calma. Aí logo acordou, acordou, botou os tênisinho dele, aí falou: e hoje eu vou pro show do Molejo. É isso?

Emicida:Eu não tô entendendo o porquê que isso tá soando tão disruptivo.

João Vicente de Castro:Jura?

Gregório Duvivier:O Leandro no show do Molejo? Não achei, não achei não. Não achei que você era esse cowboy de tudo.

Emicida:Se eu te falar brincadeira de criança, como é bom, como é bom.

Gregório Duvivier:Não, eu Todo o máximo respeito pro moleiro.

João Vicente de Castro:Paz, amor e esperança. Como é bom.

Emicida:Boa mensagem. Boa mensagem. Boa mensagem. E a gente tá aqui estranhando, mas as pessoas: "Não, mano, aqui sempre teve a preocupação com a mensagem." Não, e Anderson era um conhecedor de samba sinistro. Era uma biblioteca.

Gregório Duvivier:Era uma biblioteca, mas fala, você tava fazendo o show do moleiro aqui, ó, e uma mina pulou no Anderson.

Emicida:E assim, o espetáculo não foi o show ou a mina pulando, mas a forma como o segurança Pegou ela como se ela fosse uma prancha. Ela pulou, ele pegou ela no ar assim, ó. E somente retirou assim. Isso me marcou muito, assim.

Gregório Duvivier:Tu já foi agarrado no palco?

Emicida:Já.

Gregório Duvivier:Óbvio, né?

Emicida:Já, já. Já caí num buraco no palco.

Gregório Duvivier:Já caiu num buraco?

Emicida:Já caí num buraco que todo mundo me avisou. Tinha até um meme por isso, que eu filmava. Obviamente não tem mais como você cair no palco, né, e não ter um vídeo disso. Mas, mano, tinha um buraco no palco e eu desviava do buraco. Cantei o show inteiro rodeando o buraco. Todo mundo me avisava: "Cuidado com o buraco, cuidado com o buraco." Aí acabou o pau, o povo aplaudiu. Eu tô saindo do barato. Aí me deu aquele... Aí o povo: "Mais um, mais um, mais um." Aí eu: "Puta, mano, eles me amam." Virei, esqueci do buraco.

Gregório Duvivier:Esqueceu do buraco.

Emicida:Caralho!

Gregório Duvivier:Os maiores... Já percebeu que os maiores acidentes acontecem no momento que você já deveria ter ido embora?

João Vicente de Castro:Uhum.

Emicida:Que é uma sabedoria também.

Gregório Duvivier:No momento de ir embora.

Emicida:Que hora que você tem que ir embora. É.

João Vicente de Castro:Por exemplo, sempre antes.

Gregório Duvivier:Tirando o Darche, sempre quando eu me machuco no boxe, eu já tinha ido embora, eu já deveria ter ido embora. É tipo: "Vou embora." "Ah, só mais um." Toma.

João Vicente de Castro:Claro.

Gregório Duvivier:Quebra a mão.

Emicida:Você quebrou a mão no boxe já?

Gregório Duvivier:Não, não quebrei não, mas só fiz isso aqui, ó. Tá vendo que é um negócio... Mais alto? Mais alto. É, acontece. Mas enfim, é bom. É que eu não sou do jiu-jitsu como o Leandro.

Emicida:Eu cheguei agora também.

Gregório Duvivier:Faixa branca, 1 grau.

João Vicente de Castro:Ele tá? Você tá no jiu-jitsu mesmo? Tô, mano.

Emicida:Quer colar lá com nós?

João Vicente de Castro:Pô, minha irmã, sabia?

Gregório Duvivier:Você não sabe, não sei se você sabe que você tá falando com um campeão de jiu-jitsu. É mesmo?

Emicida:Não, sério.

Gregório Duvivier:É mesmo?

Emicida:Luta, mano.

João Vicente de Castro:É, com 10 anos eu fui campeão.

Emicida:Até hoje?

João Vicente de Castro:Não. É, porque o João tá zoando, mas é verdade. Eu lutava quando eu era criança, porque minha irmã fazia balé e jiu-jitsu era junto. Aí meus pais me deixavam lá no jiu-jitsu, que era do lado do balé da minha irmã. Mas eu não dava muita bola não, só que eu dei sorte, que eu fui num campeonato que só tinha 5 pessoas, eu acho. Aí eu perdi, eu ganhei uma, perdi uma, aí eu fui terceiro lugar e eu tenho essa medalha. O João duvidou, eu mostrei pra ele, tá na internet. Você pode buscar também, fui terceiro lugar de 10 anos, faixa amarela, tal, sei lá o quê.

Emicida:Mas, mano, eu fiquei em sexto num campeonato de atletismo também. Irado, mesma pegada.

João Vicente de Castro:Mesma pegadinha, o quê? Os 8, 10? 6. 6, tá.

Emicida:Não, mas sabe o que foi foda? Eu confiava muito. Eu lembro da minha sensação, da minha autoconfiança.

João Vicente de Castro:De que você é... Tipo, porque eu queria correr, né? Correr, então acho que eu sei correr.

Emicida:Correr, correr, correr, mano. Então, tipo, a hora que deu a largada, mano, tipo, os cara sumiu e eu fui correndo. Durante uns 2 minutos eu confiei, acreditei. Só que chegou uma hora que eu virei retardatário, é, saca?

Gregório Duvivier:Mas tu tava representando alguma instituição? Tá ligado?

Emicida:Não, sem torcida. Aliás, também nem tinha tudo isso de gente pra te ver correr. Aquele tempo era mais Leandro do que nunca, né? Talvez por isso.

Gregório Duvivier:Na época, quem era Leandro pra caralho.

Emicida:Era doido pra não ser Leandro naquele momento, entendeu? Agora que eu tô, tipo, meu, pegar um pouquinho do Leandro de volta.

Gregório Duvivier:Parou de correr. Fala pra eu fazer uma corrida hoje pra você ver.

Emicida:É mesmo?

Gregório Duvivier:Aqui, ó, é desse jeito.

Emicida:Mas você é da prática dos esportes? Eu era, aí eu não sou mais, não.

João Vicente de Castro:Mas eu era muito ruim.

Gregório Duvivier:É mesmo?

João Vicente de Castro:Mas é maneiro o jiu-jitsu, né? Eu gosto. É bom, é bom.

Emicida:Eu gosto. E o Brasil tem uma— o João é das lutas, né, João? Você tá ligado, o jiu-jitsu do Brasil é especial, né?

Gregório Duvivier:Se quiser tromba a gente, eu mando logo um jacada aqui. Não, rapaz, só se ligar.

Emicida:Quem é sabe.

Gregório Duvivier:Quem é sabe. Não, quer ver? Chega aqui, ó, tudo calejado.

João Vicente de Castro:Mas tu manda jiu-jitsu também?

Gregório Duvivier:A gente faz tudo, é garrafada.

João Vicente de Castro:Não, fala sério.

Gregório Duvivier:Não, sei alguma coisa. Não sou bom.

Emicida:Mas já foi brigador? Você já foi treteiro?

Gregório Duvivier:Ah, uma época eu era um grande vingador.

João Vicente de Castro:Vingador?

Gregório Duvivier:Vingador.

João Vicente de Castro:Tu ouvia falar que alguém tinha apanhado, tu ia lá bater?

Gregório Duvivier:Não, assim, no Rio tinha muita cultura. Não sei como é que era em São Paulo.

Emicida:Ele é de São Paulo. São Paulo não era assim, não.

Gregório Duvivier:São Paulo é pequeno. Na minha época, no Rio de Janeiro, briga era toda festa. Toda festa.

João Vicente de Castro:Tinha muito isso, né?

Gregório Duvivier:Pessoal da Barra contra o pessoal da Zona Sul. Sim, playboy, playboy, é isso. Pessoal da Barra contra o pessoal da Zona Sul, pessoal não sei o quê. Você vai amar. Aqui no Rio tinha muitas gangues, muitas gangues.

Emicida:Fala o nome das quebradas.

Gregório Duvivier:Tipo, é isso, GU. Sabe quem é a galera da GU? General Urquiza.

Emicida:O avô do Leblon.

Gregório Duvivier:O avô do Leblon. É isso.

João Vicente de Castro:Rapaz, tipo o pessoal do Oscar Freire.

Emicida:Peguei a visão. Na hora eu fiquei tentando traçar um paralelo, mas o Rio de Janeiro tem um negócio que ele é especial, mano, que é diferente. Em São Paulo não tem esse bagulho, mano, que vocês têm aqui do playboy. Ele tem uma confiança que ele bate de frente com favelado, mano.

Gregório Duvivier:Aonde? Aqui? É, mano, porque aqui tem uma cultura, pelo menos na minha época, até hoje tem, mas hoje em dia vai para outro lugar, mas o playboy bandido. Tinha essa raça, playboy bandido. O cara morava na Zona Sul e falava: "É isso, viado, pego mesmo, te estouro de tiro." Meu colégio era o colégio mais de playboy do Rio.

Emicida:Você?

Gregório Duvivier:Não, é porque eu estudava no Tia Bonça. Ah, bom.

Emicida:O mundo caiu.

Gregório Duvivier:Mas os moleques eram tipo: "Irmão, vou te encher de tiro." Tem uma cena muito boa que eu nunca vou me esquecer, que era, acho que era meu colégio contra uma escola americana. Ou seja, playboy contra playboy. Aí saiu uma treta no futebol, te juro que a briga era assim: "Meu irmão, meu segurança te mete a porrada." "O meu que te mete, o arrombado." "Vamos botar os dois pra brigar." Tipo Pokémon.

João Vicente de Castro:Era bom pra caralho, tipo Pokémon.

Gregório Duvivier:"Meu segurança..." "Everaldo, eu escolho você." É isso. Cara, isso é o ápice do playboy.

Emicida:É, mano, mas assim, isso é um barato Pra mim, me chocou bastante ter essa percepção no Rio, sabia? Primeira vez que eu vim. Porque em São Paulo não quer dizer que os playboy não metem uma marra, mas quando nós cola, eles murcham. Eles não fazem esse bagulho na nossa presença, né? Tipo, mano, tipo, a hora que nós chega, tipo, fica um negócio meio...

Gregório Duvivier:Agora é de verdade.

Emicida:Inclusive, quem tem a vivência aí pode falar.

Gregório Duvivier:Não sou eu que vou dizer.

Emicida:Drop the ship na hora. Aqui não, aqui o cara fala "O nós favelado, mano, um do Vidigal tá do lado dele aqui, ele tá tipo assim, não, porque eu vou falar aqui, deixa eu falar as verdades que vocês não conhecem." Eu gostei do sotaque que ele meteu.

Gregório Duvivier:Eu vou, eu vou. E no rap?

Emicida:Sabe uma vez que eu tentei meter o sotaque em Portugal? Eu achei que eu imitava português muito bem.

Gregório Duvivier:Ah, vamos ver isso. Não, por favor.

Emicida:Aí eu cheguei e falei, sei lá, nem lembro o que eu perguntei, mas a primeira coisa que a vendedora falou foi: "Ah, é brasileiro?" Isso é o quão bom eu imito sotaque.

Gregório Duvivier:Uma coisa que irrita muito quando você chega Chega num lugar de língua inglesa, você vai falar inglês, a pessoa te responde espanhol. Isso é uma coisa que deveria ser proibida.

João Vicente de Castro:É muito chato.

Gregório Duvivier:Um abraço, o brasileiro sofre muito com isso, pessoal.

João Vicente de Castro:Aliás, aqui...

Emicida:O dia que eu falei também, que eu falei: "Esse maluco é enjoado", tá ligado? Liguei pra ele, ele mandou um áudio, e o áudio dele eu ouvi que o Waze dele era em francês. Desliguei o bagulho e falei: "Boy do caralho", tá ligado?

João Vicente de Castro:Boy do caralho.

Gregório Duvivier:É pra tentar aprender outra língua. Mas no meio do rap tem também o playboy rapper, playboy branco rapper. Tem. E eu lembro quando eu conheci o Leandro, quando tudo isso era mato, foi numa festa do Tava em Pi.

Emicida:Nossa, isso é um período cretáceo da música brasileira.

Gregório Duvivier:Botafogo, acho, Copacabana. E lá conheci o Leandro que chegou com—

Emicida:Não era o Maitá, não?

Gregório Duvivier:Aí tá, talvez, não sei. Só Pedrada Musical, né, o nome? Ou não, já era antes. Tinha um amigo em comum, ele foi lá, plugou o microfone dele, cantou, e estavam vendendo a mixtape, a primeira, aquela que é a cabeçona da cassete. Comprei vários e dei de Natal. Foi assim que conheci Leandro. E aí a primeira vez que contei a história pra ele...

Emicida:Ele já te comprou, né?

Gregório Duvivier:É.

João Vicente de Castro:Ele já te comprou uma planta.

Gregório Duvivier:Primeira vez que eu contei isso pra ele, ele falou: Sabe a coisa que mais acontece comigo? Gente que fala que me descobriu. Nossa!

João Vicente de Castro:Pelo amor de Deus, mano. É mesmo?

Gregório Duvivier:É um tesãozinho.

Emicida:Nossa Senhora, eu sou... Eu me sinto um continente americano, cara. Descoberto, eu fui lá primeiro, tá ligado? Quando eu cheguei não tinha nada, tá ligado?

Gregório Duvivier:Mas então, eu lembro que nessa época os meus amigos que me levavam pro meio do rap era tudo playboy. Playboy de boné de barreta, playboy que andava assim, falava não sei o quê, não sei o quê, mas tudo playboyzão.

João Vicente de Castro:Mas se olhasse, "Perifa, tudo perifa." Meus vídeos preferidos no mundo é João no Papo de Segunda.

Gregório Duvivier:A gente comemorou.

João Vicente de Castro:Com Baco e você. Baco era o convidado do Papo de Segunda. E tá Baco e você, isso virou um meme no mundo inteiro.

Emicida:Mas ele pegou pesado nesse dia, né? Ele tava on fire, tava, né? Ele tava on fire, porque quando ele largou aquela ali de Nova York, aí foi muito bom. Quebrou a gente.

Gregório Duvivier:Quebrou, né?

João Vicente de Castro:Quebrou a gente. Vocês estavam já se segurando, que já tinha mandado um outro, provavelmente, porque vocês estão ali ele meio que num clima, e de repente João fala, como é que é, foi muito difícil para mim quando eu deixei de receber a mesada. Ah, bota para a gente, vai.

Emicida:O conceito de mesada é maravilhoso, né?

Gregório Duvivier:Porque assim, um dia que a minha mãe cortou minha mesada, foi isso.

Emicida:Não, nem sou eu que tô rindo não, bota. Batia no bagulho. Não, mas dá vontade de reagir esse vídeo. Olha que maravilhoso o jeito que ele começa. Volta no começo ali. Não, pera, volta, volta. Se liga como tá vindo de um lugar sério, um pouco de dor mesmo. Corte da mesada, se liga, ele tá dentro dele.

Gregório Duvivier:O dia que a minha mãe cortou minha mesada, foi aí eu me liguei.

Emicida:Parou, parou. Aí olha esse trejeito dele aqui, ó, que ele faz assim, ó. Tipo, aquilo aconteceu mesmo, saca? Tipo, e aí tem a carinha de Da hora que o cara fez gadinha, ele fala: "Pô, não sei de porra ninguém, né?" "Não, nem sou eu que tô rindo, mano." "Não sou eu que tô rindo, não." "Não sou eu que tô, tipo, empatiando o bagulho." Mano, aqui, ó.

Gregório Duvivier:Eu lembro disso, eu era Mó boyzão. Até agora você não tá no Rio lá.

Emicida:Para de rir, cara, respeita a história do mano.

Gregório Duvivier:Eu era mó boyzão mesmo e tinha uma vida toda resolvida e muito irreal, porque o meu trabalho mesmo não dava o dinheiro para levar a vida que eu vivia. Um dia minha mãe se irritou e falou: acabou o dinheiro. Eu lembro que o meu mundo acabou assim, ficou um desespero, porque eu ainda tinha além disso uma banca para manter, entendeu? Total, Fábio tava com você, ele vai me foder de novo.

Emicida:Eu tô pensando aqui que é dois universos tão diferentes, que mais bem que você falou, tinha uma banca para manter, eu passei, ele era cabeludo, mesada para mim, bateram nele com uma mesa, e a mãe Ele mandou parar, tá certo.

João Vicente de Castro:Parou a mesada. Vamos parar de dar mesada.

Gregório Duvivier:Pois é, é muito bom.

Emicida:A mãe dele é o rapper, eu trombei a mãe do João Vicente. Eu sou mãe do João Vicente, tá ligado?

João Vicente de Castro:Caralho. E tu nem contou que isso daí tudo foi em Nova York, né? Não, foi em São Paulo.

Gregório Duvivier:Foi em São Paulo. Foi em Nova York.

Emicida:É, cortar mesada em São Paulo é mais triste ainda.

Gregório Duvivier:É, mas eu lembro que acontecia muitas vezes isso quando a gente fazia Papo de Segundo. Que eu ia contar a coisa, falar assim, vou contar isso não, bobagem minha.

Emicida:Não, vamos atribuir isso a diferenças culturais.

Gregório Duvivier:Exatamente.

Emicida:É um país de dimensões continentais.

Gregório Duvivier:Existe regula do olhado? Aí eu te pergunto, cadê a trena da dor? Tá aí toda a dor.

Emicida:Se tem sofrimento, tem informação, vamos botar dentro daquela aula.

Gregório Duvivier:Exatamente, se tem dor é um problema.

João Vicente de Castro:Cada um sabe a dor, a delícia de ser o que é, né, João?

Gregório Duvivier:É foda, não é foda? Todo mundo é aquilo. O Papo Segundo não importa, tá contando. Pô, outro dia ele agora falou assim: pô, lembra aquela época no Rio, aqui no programa, que todo mundo só dava festa em barco? Foda, não dava para ir embora. Eu, é realmente o pessoal do Vidigal, da Maré, todo mundo, né, mano? Não aguento mais Desembarco, né? Num deserto, meu pior inimigo é embarque.

João Vicente de Castro:Caralho, foi muito mal interpretado o que eu quis dizer.

Emicida:Caralho, embarco é um...

Gregório Duvivier:É, barco não dá mais.

Emicida:Passou um filme na minha cabeça agora, o barco.

João Vicente de Castro:É que tinha uma moda do pessoal falar... Ai, caralho, eu vou ter que explicar agora. Mas assim, vendo o João ali, tem uma coisa que é curiosa, que tem um tom que eu não sei se você reconhece, que eu chamo de tom papo de segunda. Não sei se você via isso, que assim, João tava no bastidor, o camarim falando: "É porque porra, puta que pariu..." completamente, o humor dele é digno de cadeia. Que isso? Cadeia não, mas assim, tu tem humor que eu morro de rir, você é um cara muito engraçado. Mas quando você vai pro GNT, você lava, dá uma lavada na alma e fica irreconhecível. Porque todos os copos são bonitos e belos, sabe? Não tem isso nisso. Eu sou um homem que tava lá no camarim falando: aí, porra, chegou o cara lá, um ombro que pareceu sei lá o quê, que Porque a beleza do corpo humano é que ele é diverso, né? Ele passava por um processo de papo desigundification.

Gregório Duvivier:Todos, né?

Emicida:Todos.

Gregório Duvivier:Acho que todos.

João Vicente de Castro:Tem que adequar o discurso.

Gregório Duvivier:Existe uma coisa que é— existe o que você— tô falando de crime, não. Mas existe coisa que você fala no pessoal e outra que você fala em público.

Emicida:É porque as redes lidam muito mal com, por exemplo, você é um cara muito irônico. No seu humor. E as redes sociais, elas são muito ruins com ironia, né? Isso vai para um outro contexto, e aí vira uma outra coisa que não tinha nada a ver. Às vezes você falou o contrário daquilo, mas isso cai no seu colo de novo.

Gregório Duvivier:A mesma situação é que a pessoa tá olhando, esperando você falar, aí quando você falar, ela vai olhar sobre o pior ponto de vista que aquela fala pode ter.

Emicida:Tem um negócio também, sabe quem é esse cara que faz esse corte? É O mano que gritou no show da Alcione.

Gregório Duvivier:Exatamente, exatamente.

Emicida:É o mesmo filho da puta.

João Vicente de Castro:É exatamente, é isso aí.

Gregório Duvivier:É isso. Então, a lógica da internet é assim: "Vamos ver o que o Gregório vai falar." O pior que eu puder extrair disso, se tiver alguma haste, né?

Emicida:Que você falar: "Câncer é muito ruim." "OK, todos concordam?" "Guerra, tem que parar." Aí vem as pessoas do horóscopo e pega você e fala assim: "Você tá falando disso." Exatamente.

Gregório Duvivier:É quase isso, é exatamente isso. Você tá falando de uma doença, eles falam: "Você tem preconceito com cancerianos." Não, não, tá falando da doença.

João Vicente de Castro:"Guerra é muito ruim." É, tem guerras que salvaram o mundo.

Gregório Duvivier:Tem guerras que salvaram.

João Vicente de Castro:A guerra contra o nazismo foi importante.

Gregório Duvivier:Exato.

João Vicente de Castro:O Hitler tinha que deixar ele criar.

Gregório Duvivier:Exatamente.

Emicida:Muito me admira você.

Gregório Duvivier:Exatamente. É isso, a internet virou isso. É. E aí...

Emicida:Virou isso. Ela foi outra coisa em algum momento.

Gregório Duvivier:Acho que foi melhor. Não? Nossa, será? Quando é que você entrou na internet?

Emicida:O ano era 2003.

Gregório Duvivier:Você tava na... Isso é o quê?

João Vicente de Castro:Orkut?

Emicida:Não, era MSN antes e tal. O Orkut tinha um negócio que tá até voltando agora, né? O Orkut tinha um negócio meio exclusivo, né? Você tinha que ser convidado pra entrar no Orkut.

Gregório Duvivier:Era? Tinha.

Emicida:Você não podia entrar no Orkut tipo assim. Sai de dentro, filho, que isso, mano.

Gregório Duvivier:Nem bagunça alguma.

Emicida:Tem alguém pelado lá dentro, tá ligado, mano?

Gregório Duvivier:Porra, sabe qual, lembrando disso, minha comunidade preferida era Tretas de Rap Nacional.

João Vicente de Castro:Nossa, você tinha essa comunidade?

Gregório Duvivier:Tretas de Rap Nacional era Marechal brigando com Cabal. Que maravilha! Que imagem merda infantil, falou uma merda na minha frente.

João Vicente de Castro:Mas eles escreviam rimando?

Emicida:Não, não, eles lançavam uma música. Teve a treta dos caras da Disney, mano.

Gregório Duvivier:Não, que eles lançavam uma música pro outro. O que Kendrick Lamar, sei lá como é o nome, fazia um gás.

Emicida:Não é uma tradição no rap, mano, um beef? É um beef, tá ligado?

Gregório Duvivier:É o nome disso. I'm sorry, I didn't get it.

João Vicente de Castro:Isso aí chama beef. É o que você tem com o Leandro Hassum, por exemplo, na comédia.

Gregório Duvivier:Eu não tenho nada com o Leandro Hassum. Ele fica provocando. Não, não digo nada. Foi uma vez que a gente brincou com ele, ele levou pro coração.

Emicida:E aí ficou até hoje?

Gregório Duvivier:É, ele me bloqueou.

Emicida:Que isso?

Gregório Duvivier:Tu nunca brigou com ninguém publicamente? Já. Só em grupo de WhatsApp?

João Vicente de Castro:Eu sei um boa, eu sei uma boa.

Gregório Duvivier:Ah, eu sei também. Qual?

João Vicente de Castro:A Bragança.

Emicida:Caralho, pior que não, mano.

João Vicente de Castro:Pior que não, né?

Emicida:Pior que não, irmão. Até hoje, tipo, acho triste as coisas que ela fala.

Gregório Duvivier:Aquilo ali foi uma viagem, mano.

Emicida:Ela veio falar tratar comigo uma vez, eu tratei ela no maior respeito, claro, sacou? E aí eu vejo ela falando uma pá de atrocidade assim, eu fico tipo, mano, e aí as pessoas ficam, é isso mesmo, não é isso mesmo, é tipo, mano, é uma grande, é um grande não assunto, saca?

Gregório Duvivier:Mas é o que, bom, é porque também agora eu vou contar minha história conhecendo Leandro Roque. Tirando esse dia, eu fui Já circulador lotado, já triunfo, cacete. Pé no retorno.

Emicida:Isso marcou ele.

Gregório Duvivier:Voando.

João Vicente de Castro:Isso marcou ele.

Gregório Duvivier:Vento na cara. 600 caras andando atrás dele no palco, já.

Emicida:Isso você tá falando só dos encarnados.

Gregório Duvivier:Exato, exato.

Emicida:Só quem tava ali fisicamente.

Gregório Duvivier:E o velho de Deniaki. Aqui, ó. E aí eu era fãzão desde esse momento lá antes e conhecia alguém que trabalhava. E aí eu falei com esse alguém, esse alguém falou: "Pô, te levo lá, óbvio." Eu entrei lá falando a famosa tática do: "Pô, sou seu fã, não sei o quê." Eu cheguei já meio pra frente, abri a porta do camarim: "MC, eu sou teu fã!" O abraço veio que já foi aqui, ó.

João Vicente de Castro:Foi assim, rolou isso.

Emicida:Que já era o jiu-jitsu.

Gregório Duvivier:Que já era o jiu-jitsu. Aí meteu aqui, ó. Olha aí. "Eu posso ser muito seu fã?" Ele falou. Quer uma Coca? Saiu.

João Vicente de Castro:Educado.

Gregório Duvivier:Educado.

João Vicente de Castro:Obrigado, Gregório. Te ofereceu uma refrigerante.

Gregório Duvivier:Me ofereceu uma Coca.

Emicida:Ainda mais, uma refrigerante. Caminho Oriente é uma refrigerante do mais caro.

Gregório Duvivier:Exatamente.

Emicida:Bebeu uma Coca-Cola, amigo, a gente perguntava até a safra numa certa época, tá ligado?

Gregório Duvivier:Isso aqui é um 84.

Emicida:Entendeu?

Gregório Duvivier:Mas sacou? Mas é, fala.

Emicida:Não, mas era estranho. Foi estranho. Porque vocês, mas isso não é uma característica, não é um bagulho você ou com a sua origem, que às vezes vocês também vivem isso, tá ligado? Você passa todo dia no vídeo, numa entrevista, e as pessoas elas criam uma relação de intimidade com você, mano. E aí tipo, sei lá, você tá comendo, cortando o cabelo, tá ligado? O cara: "Chega aí, Gregório!" Tá ligado?

Gregório Duvivier:Esse tipo.

Emicida:"Ó, irmão, tô cortando o cabelo, tô com garfo aqui cheio de comida." É, cospe, saca?

João Vicente de Castro:Total, a gente tem muito isso também por se detonar, tá rolando cada vez mais isso, porque eles ficam zoando ele que eu sou baixinho, tipo, e na rua tem rolado muito: "Deixa eu ver essa careca, vai baixinho, deixa eu ver tua altura, tu é tão baixo assim." Tipo assim, o João me zoar, a gente conhece há 20 anos, cara, é diferente, entendeu? Não é porque tu viu, mas ao mesmo tempo eu abri essa porteira, abri, a gente abriu, o que que fazer. A gente tá postando um vídeo, então é complexo, porque eu entendo a pessoa. Talvez eu fizesse isso também. As pessoas se sentem íntimas, isso é bom, é o lado legal da coisa.

Gregório Duvivier:E num podcast, videocast, um podcast, podcast, podcast, é meio sobre isso, é sobre ver a nossa intimidade, ver sobre o que a gente fala. O Micida nunca ficou tanto tempo com uma câmera ligada sem falar um caralho que importasse.

Emicida:E a gente, a nossa parte, eu acho que eu disse coisa muito importante hoje.

Gregório Duvivier:Então, mas errou. O tesão de ver a gente é isso. Então meio que não dá também para cobrar, no nosso caso, uma distância. Agora no restaurante, a gente foi almoçar, eu passei, a mulher falou: "Tô te olhando, tá feio mesmo." Do nada! É, eu indo lá para fora.

Emicida:Sabe o que você tinha que ter feito? Começado a chorar.

Gregório Duvivier:Ia ser bom.

Emicida:Ia ser foda.

Gregório Duvivier:Mas eu quis não constranger ela. Sabe quando uma pessoa faz uma coisa que tá errada que você fica querendo ser mais legal para a pessoa Você não faria isso, eu acho.

João Vicente de Castro:Faço.

Gregório Duvivier:Faz?

Emicida:Faço. Faço, pô. Uma vez eu tava com a minha filha, a mulher fez um espetáculo pra eu parar. Eu tava dando comida pra minha filha, sabe? E aí eu falei: "Tô ocupado." Aí ela foi, deu uma volta no restaurante, voltou e falou assim: "Você não presta pra ser famoso." E eu falei pra ela: "Eu tô tentando convencer eles disso faz 20 anos." Ou poderia até falar: você não presta pra ser fã. Pô, vou guardar essa.

Gregório Duvivier:Mas esse negócio... E é isso, é numa dessa que filma, aí é um filha da puta porque não mostra a criança, só mostra você sentado, e é o preço de um cancelamento. O que é um... Tu não tem medo de cancelamento, não? Não.

Emicida:Mano, tem um barato que é postura, tá ligado? Tipo, o que me trouxe aqui não foi simplesmente a reverberação da mídia, não foi o que dizem a respeito do MC nas mídias sociais, pura e simplesmente. Tem uma coisa muito sólida aqui. E não é que não tem medo dessa distorção, mas eu confio muito na minha entrega, eu confio muito no que eu divido com o Brasil, saca? E que ele não tá ligado a uma matéria, não tá ligado a uma coisa que se diz. Então é louco, toda vez que surge uma polêmica com meu nome, também é louco como as pessoas vão entender entender qual é a minha posição a respeito daquilo, não necessariamente reproduzir essa parada de uma forma acrítica, vamos dizer isso. Para mim, a expressão máxima do respeito que as pessoas têm por mim, e eu valorizo muito isso, talvez por isso eu fico um pouco mais comedido na hora de trocar umas ideias furadas, entendeu? Porque eu sei também o quanto que as pessoas valorizam o que eu falo.

Gregório Duvivier:Eu não confio no que eu entrego, essa é a questão. E o que tem dentro de mim não é sólido. Lá ele. É, mas é, é, não, mas eu entendi totalmente.

Emicida:A gente tem que se segurar pra não fazer uma piada.

Gregório Duvivier:Não, mas é verdade, eu entendo isso totalmente. É uma construção que vai, que até...

Emicida:Que ela não começou aqui.

Gregório Duvivier:Exatamente.

Emicida:Ela não começou aqui.

Gregório Duvivier:E nem depende daqui.

Emicida:E ela não é aqui, tá ligado? Então assim, obviamente é muito da hora tá aqui, tipo, circular e trocar ideia, mas o que que é o núcleo, né? Quem eu amo, o que que é o centro do que eu faço e do que eu acredito, tá na rua, mano, tá ligado? Tipo, você vai trombar o MC da onde, entendeu? Qual a expectativa que a rapaziada do rap tem? Que para as pessoas parece, nossa, ele volta no começo dele, ele vai nas batalhas de MC. Tipo, mano, eu vou lá, não é novidade nenhuma para ninguém, porque faz parte de mim.

Gregório Duvivier:E não depende também da aprovação da pessoa que tá te cancelando. Tipo, a sua vida. Total. A minha depende. Depende? Você tá fazendo de graça. Não, não tô fazendo de graça não.

João Vicente de Castro:Pode ser, pode ser.

Emicida:Não, mas o timing foi perfeito.

João Vicente de Castro:A minha depende.

Emicida:Puta, entrou uma música triste agora.

Gregório Duvivier:Mas entende, agora eu acho que você entendeu. Mas tem medo de cancelamento, não tem?

João Vicente de Castro:Tem pra caralho. Porra.

Emicida:Não, mas eu não tô dizendo aqui também que é ridículo e que não pode acontecer.

Gregório Duvivier:Não, não, não, não.

Emicida:Mas respeitando isso, eu acho que a gente também precisa olhar pra além disso e pensar nas nossas entregas como artista também, porque isso também sufoca você e paralisa você. Claro.

Gregório Duvivier:Ah, caralho! Como é que, porra!

Emicida:E essa paralisia, ela tipo também pode, já caiu na mão de ideia séria, vocês falaram que você ia falar bosta.

Gregório Duvivier:Não, mas pode ser sério também. Não, mas é isso, mas eu acho, mas eu acho, eu concordo com você.

Emicida:Mas é paralisante.

Gregório Duvivier:Totalmente.

Emicida:É paralisante, sobretudo quando você fala sobre arte, né? Então assim, por qualquer ângulo isso vai ser escrutinado e se o ângulo que for pego não é o melhor.

Gregório Duvivier:Sempre vai ser o pior.

Emicida:Se ele distorce a sua intenção dentro do ambiente que é o das mídias digitais, que é um negócio que ele é feito hoje comprovadamente, é feito para que as pessoas se odeiem, "Hey, mesmo, distorça o bagulho", sabe? Tipo, eu acho que é doentio você transferir esse parâmetro da plataforma pra sua vida fora dela. Mas isso aí, depois de 20 anos que nós tá mergulhado ali dentro, mano, bugou a forma que o nosso cérebro funciona. Então as pessoas, elas se comportam fora do bagulho como se eles estivessem lá dentro. Então, em parte, tá ligado? Esse medo, ele é um medo real, sacou? Porque você fala uma coisa, essa coisa é distorcida, você sai amanhã na calçada Você fica com medo das pessoas te apedrejar fisicamente, porque a sensação é real, né? A sensação de perseguição é real, a sensação de medo, de linchamento é real.

Gregório Duvivier:Parece que todo mundo só fala no seu nome, que é também uma sensação não real, a pessoa nem viu às vezes.

Emicida:É, mano, e tipo assim, é um país tão grande, tem milhões de assuntos a todo tempo, sabe? Às vezes você tá envolvido numa situação que parece que, meu, tá todo mundo falando daquilo, mas, mano, fora da sua bolha Isso não é nada.

João Vicente de Castro:Tu liga para hate?

Emicida:Não, não, também é um negócio que eu consigo localizar também, manter lá.

João Vicente de Castro:Você nem fica sabendo?

Emicida:Às vezes eu olho, mano, às vezes eu vejo, tá ligado? Às vezes eu vejo, às vezes eu acho que às vezes vem umas críticas boas. É maneiro, tá ligado?

Gregório Duvivier:Essa música não tá maneiro.

Emicida:Caralho, vacilei mesmo. Mas me puxa por umas coisas assim, porque também tem muito professor na internet, né, no mau sentido, tá ligado? Então assim, às vezes você fala uma coisa, você não teve tempo, você sabe, às vezes você fala um negócio, você não conseguiu explorar toda amplitude daquele pensamento toda hora, né, mano? E de repente você entra no barato, um cara escreve uma tese a respeito do que você falou.

Gregório Duvivier:Hoje em dia com o ChatGPT, então fala uma opinião contra o MC, que o hate agora tá usando.

Emicida:Ah, caralho, você vai ver, é verdade, mano, pra caramba, gente, tá claro.

Gregório Duvivier:Você vê hoje em dia, claro, dissertações sobre uma fala de alguém alguém que, vamos dizer, que tá sendo meio criticado e tal, você vê de repente a Carmen Lúcia SS24, ela mete aqui porém, podrá ver só no Supremo lá julgando um monte de coisa.

Emicida:Demorei para pegar. Você foi cancelada aqui por falar mal de anime. Ah, é verdade, mano, aqui, pô, não, pacífico.

João Vicente de Castro:Então ele acabou acertando sem querer o próprio Leandro, porque o João, um dos casos, a gente teve alguns cancelamentos aqui, mas nenhum muito Quero não. Isso eu acho até bom assim.

Emicida:Valeu, meu Deus, é o fim do nosso amor.

João Vicente de Castro:E uma delas foi porque ele disse que quem tinha, quem gostava de boneco de anime, ou de anime de modo geral, ou boneco tal, perdia pontos com ele.

Gregório Duvivier:Falou gibi, não é de debochado. Falei que Não perdia um ponto, sendo que as pessoas começam com 6. Eu tô com 99, tá bom pra caralho. Coisa essa que eu me arrependo muito de ter falado.

Emicida:Alô, comunidade nerd, João quer falar com vocês hoje.

Gregório Duvivier:É, eu estou aqui do lado do Leandro, que é colecionador de Funko.

João Vicente de Castro:Não, não, não, não, não, não, também não é assim também não.

Emicida:Funko tem história. Uma história mexeu comigo também uma vez. Cara, acho que o Funko, sei lá, teve uma febre do Funko, né, mano? E uma vez eu tipo, sei lá, eu fui na casa de um camarada meu solteiro, tipo, sei lá, 40 e poucos anos assim, ele tava largado, mano, tipo assim, eu olhei, ele tava numa situação abandonado, ele mesmo, tipo assim, louça pra lavar, mano, tipo, e eu olhei para aquela situação, tava cheio de Funko a casa dele, né?

Gregório Duvivier:Funco, parece que é um disco.

Emicida:Cara, eu cheguei, mano, eu voltei pra casa e eu tinha vários Funko, tá ligado? Eu tirei os Funko dos Funkos, deixei só os mais valiosos.

Gregório Duvivier:Sei.

Emicida:Dei meus Funko pras crianças, tá ligado? Olha essa. O Funko tá com a maior cara de casa de solteiro isso aqui, né?

Gregório Duvivier:Sou homem casado.

Emicida:Sou homem casado. Dá os brinquedos pras crianças.

Gregório Duvivier:Exato. Não, mas, cara—

Emicida:Mas Gibi, mano—

Gregório Duvivier:Gibi não, é.

Emicida:Você falar mal de Gibi, tio, nós vai sair na mão aqui.

Gregório Duvivier:Não vamos nada, não vamos nada porque eu amo Amo agora, eu pedi desculpa. Cara, isso foi tão longe, nem vou te falar quem, mas um famoso de Portugal fez um post contra mim.

Emicida:Pedro Álvares Cabral.

Gregório Duvivier:Caralho, tipo, ah, é um absurdo que certas pessoas famosas falem mal de uma cultura. Gente, foi só um comentário, tá vendo aí? Você pode falar, quando eu imaginaria que Falar, não falei mal, falei que perdi um pontinho. É, falar que perdi um pontinho ia me fazer, tipo, cara, agredir toda uma parte da sociedade, pô. Cara, gente me marcando assim: "Olha só o que a cultura do Gibi faz." Aí mostrando o estúdio do George Lucas. Cara, gente, não é hater não, gente conhecida. Enfim, bom, ele falou que não quer que eu volte a participar de Cabeçada.

Emicida:E você que é parceiro de vários mano dos quadrinhos aí.

Gregório Duvivier:Eu? É, você mandou lá o contato do mano lá para mim, lá, grande cartunista, que fala, quadrinista. É mesmo, desenhou o Batman, tá?

Emicida:Bravo, né?

Gregório Duvivier:Ele é brabo, ele é bravo.

João Vicente de Castro:Ele é bravo, ele é bravo.

Gregório Duvivier:Não, pelo contrário, amigo. Mas enfim, imagina o que que pode te cancelar? Pode. E uma frase dessa, como é, não é cancelamento? Não, não é cancelamento, é só uma coisa assim, essencial também, né, mano?

Emicida:Tipo assim, se você não for amado pela comunidade quadríplica, eu quero muito ser amado, cara. Esse é o problema, eu acho que você sofre com isso porque você gosta dessa validação assim. Eles gostam de mim, tá ligado? Eu tenho outro negócio assim que é tipo, eu parto do outro pressuposto assim, mas você não gosta de mim, eu também não gosto de você, cara. Fica em paz aí que eu fico em paz aqui.

Gregório Duvivier:É, eu tenho muita necessidade de aceitação. E agora eu também tenho, não vou ficar sozinho nessa.

Emicida:Mas você sofre com isso?

João Vicente de Castro:Já sofri, já passei a madrugada respondendo na minha cabeça coisas pra pessoas que eu não conheço. Hoje em dia não sofro, mas sobretudo porque eu não sei, eu não fico lendo comentário. Tá.

Gregório Duvivier:Teve um cara que foi agora, semana passada, um cara falando dele, ele falou assim: "Só não vou te explicar porque todo mundo já te explicou." Caralho, eu fiquei muito puto com isso. Eu não fico sabendo, aí eu não vejo nada.

João Vicente de Castro:Aí um amigo que aliás muito conhece, Mateus Sodré, me manda lá o link. O Mateus que mandou o link, olha esse cara, ele foi motoboy de treta. Olha esse cara falando de você. Aí é um cara que tava esculhambando com argumento completamente errado. Aí eu fui responder, aí eu vi que os comentários estavam dizendo, aí em vez de falar assim, não vou falar nada, aí eu fui idiota, eu falei lá, ia te explicar, mas já vi que tá todo mundo explicando aqui nos comentários que não era isso que eu tava querendo dizer.

Gregório Duvivier:Palavrão, tinha um palavrão que eu lembro.

João Vicente de Castro:Não precisava ter dito. Aí agora ele fez um novo vídeo inteiro só sobre essa fala. Arrogância, é arrogância do músico, do artista que em vez de explicar diz que tá com preguiça de explicar, pois mostrando que, sei lá, eu não vi inteiro de novo, que senão eu ia cometer o mesmo erro. Mas o meu, a minha única maneira de não me afetar é não ver, não ficar sabendo. Por isso peço aos amigos que não mandem, não avisem: viu lá que falou de você e tal? Não vou, porque isso aí vai ocupar um espaço mental que não é positivo para para mim, para mim não é positivo criativamente.

Emicida:Não é mesmo? Se você— mas assim, irmão, aí você tocou no ponto que para mim talvez seja o mais valioso no meio disso, mano. Eu consigo entender legal que isso ocupa um espaço na minha cabeça e às vezes até no meu coração que não é espaço de qualidade, mano, que eu quero que isso aí tenha lá dentro. Então assim, minha relação com isso, talvez o meu distanciamento, é justamente por causa disso. Eu sei o quanto Só que isso corrói, mano, do seu dia. Você fica ali ruminando uma ideia porque você fica buscando, mano. Nós sozinho nas nossas casas, já, mano, vem uns pensamentos na cabeça que você fala: de onde surgiu essa merda?

Gregório Duvivier:Sem precisar de nada, sem nada.

Emicida:Aí você vai, sei lá, no Twitter, mano, é tipo isso elevado à milionésima potência. Porque assim, aos pensamentos sem sentido de milhões de pessoas E aí você gasta uma energia desgraçada para tentar criar uma linha de raciocínio ali que faça sentido, baseado no argumento sem pé nem cabeça, que você fala, mano, essa pessoa só é burra. Exatamente.

Gregório Duvivier:Aí tá você lá sentado fazendo aí sim um tweet gigante, escrevendo ali para explicar para fulano de tal, de não sei aonde, que segue uma pessoa, de repente você vai pegar um cara que você conhece que tem um peito, mas você não vai educar ele. Principalmente você deve ter um tesãozinho nesse de quase escrever e apagar e ficar pensando.

Emicida:Não, mas eu já escrevi algumas vezes.

Gregório Duvivier:Mas você não fica com vontade de humilhar? Eu fico com vontade.

Emicida:Fico, e às vezes já humilhei também. Já humilhei também, mas mano.

Gregório Duvivier:Que dá um gozinho.

João Vicente de Castro:Mas um mês até humilhar não é bom.

Emicida:O Alan Moore tem uma frase, mano, que é muito boa. Uma vez o jornalista perguntou pra ele assim: a função do artista não é dar o que o povo quer? Aí ele falou: Não, a função do artista não é dar o que o povo quer, porque o povo nem sabe o que quer. Se soubesse, o artista era eles, tá ligado? Então assim, mano, às vezes a pessoa nem sabe o que ela quer, tio. Agora, sabe o que que acontece muitas vezes também? E no tempo que eu respondia, eu também me ligava nisso, mano. O cara te xinga, ele faz um textão, ele dedica a vida dele. Não tinha ChatGPT ainda, então o cara gastou um tempo, tá ligado? Aí você vai lá, escreve tipo Pô, vai tomar no seu cu, mano. Aí o cara fala, sei lá, mano, nossa MC, eu sou seu fã, mano, valeu por me notar. É, é, o que a pessoa queria era isso.

Gregório Duvivier:Arrombados, mano.

João Vicente de Castro:Aliás, exatamente, o que a pessoa queria era isso, ela queria ser notada.

Emicida:Atenção, mano, ser validado, que é um...

Gregório Duvivier:Tá cá perto do Paul McCartney.

João Vicente de Castro:É meio isso, é.

Gregório Duvivier:É totalmente, é a mesma lógica.

João Vicente de Castro:Eu acho que deve vir do cara.

Emicida:O bagulho da "I'll see you, Paul." É, gritar...

João Vicente de Castro:Vai estar. E aí acho que o meu segredo, meu, para mim, a minha vida é muito melhor quando eu consigo me blindar um pouco da opinião de gente que eu não conheço. Não significa que eu vou ser, a gente tem que estar permeável a opinião dos outros, né? Senão você é um psicopata. Mas você tem que selecionar um pouco as opiniões de pessoas que você gosta, querida, e você confia. Tem que ter um espaço de confiança, né?

Gregório Duvivier:Qual a primeira coisa que você faria, se vocês fariam, se vocês não precisassem de mais nenhum real na vida? Imagina não precisasse de ninguém. Primeira coisa, chegou, tem dinheiro para viver a vida para sempre, tá tranquilo, tá confortável, sua família, suas filhas estão resolvidas, tá tudo certo, não precisa mais pensar em dinheiro. E a pretensão artística já tá também curada assim, tipo, já tá fazendo um negócio, um show, um trabalho. O que que você faria, tipo, se você não precisasse mais de ninguém, de nada?

Emicida:Cara, eu ia num programa assim, uns podcasts que eu não preciso falar nada.

Gregório Duvivier:A minha primeira coisa seria sair de todas as redes sociais. Com certeza.

Emicida:Primeira, com certeza.

João Vicente de Castro:Claro, é verdade. Eu não tinha pensado nisso.

Gregório Duvivier:Primeira, eu ia fazer na hora assim, ah, apagar assim e tal.

Emicida:Isso que você tá falando não precisa dessas condições, isso já está acontecendo.

Gregório Duvivier:O quê?

Emicida:O grau de insalubridade do ambiente digital é tamanho que várias pessoas que dependem dele já estão estabelecendo uma pá de filtro e alguns estão abandonando sem pensar no dia de amanhã. É, porque isso que a gente passa, sendo muito pragmático, a gente, mano, a gente é artista, a gente vive do que a gente compartilha com o mundo e a gente tá numa posição confortável. Mas vários profissionais dessa cadeia e de outras não estão num lugar tão confortável quanto esse, mas precisa lidar com um ambiente igualzinho esse que a gente lida, sacou? Então, de alguma maneira, não que seja, mas A gente tem uma espécie de compensação material por causa do nosso reconhecimento que faz com que a gente coloque isso em segundo plano. A gente tem esse poder. Mas a maior parte dos nossos colegas e dos parceiros da vida mesmo assim, não. Tá ligado?

Gregório Duvivier:Mas quanto mais privilégio, quanto mais dinheiro, sucesso que seja, mais você tá no limite de apanhar, de ser agredido, Acho que em comparação com uma pessoa que não tem tudo isso, o sofrimento deles também é foda. Pior, eu acho. Pior? É por isso que é lugar de privilégio, mas é igualmente, igualmente não, nada é igual.

Emicida:É, mas sem essa dimensão que a gente tem, mano. Porque assim, amanhã eu tô indo fazer um show. Você tá indo fazer seu corre, você tá indo fazer seu corre, daqui a pouco tem essa, entendeu? Então você tem um algo mais, claro, que não é só esse ambiente. Exatamente, sacou? Por você ter esse algo mais, você consegue fazer essa reflexão e encarar que, mano, sua prioridade é aquilo, não é aquilo. Aquilo, quando você vacila, você cai ali. É, exatamente, entendeu? Pegou a visão?

Gregório Duvivier:Peguei total. Acho mais Mas se alguma coisa daqui me fez aprender alguma coisa, é que é isso assim, você entende, o entendimento de, não que eu vou conseguir aplicar, tá? Mas o entendimento de que quando a gente está numa mente rede social, essa bolsa de valores louca, não sei o quê, gente xingando, não sei o quê, mas entender que isso não é reflexo do que existe aqui fora.

Emicida:Isso é referência de quem tem dinheiro, essa bolsa de valores. Tipo uma lasanha.

João Vicente de Castro:Da B3.

Gregório Duvivier:Não, esse beat da mentira. Mas que é um mundo de mentira mesmo. Essa ideia eu acho que é a mais importante ficar martelando na cabeça. Aquilo ali não é verdade. Tem, é isso, né? Tipo, as pessoas falam, tá todo mundo falando disso. Todo mundo? Todo mundo, né? Às vezes tá todo mundo falando que o Gregório é alguma coisa.

Emicida:E quando você sai, ninguém nunca falou um ah, tá ligado? É isso que muitas pessoas estão percebendo. Vi uma estatística que disse que nos últimos 3 meses 20 milhões de pessoas abandonou as mídias sociais.

João Vicente de Castro:É mesmo?

Gregório Duvivier:Que bom, né?

Emicida:Que alegria, cara. Não, a curto prazo todo mundo, não sei, mas é uma sensação que ela tem sido cada vez mais exacerbada, até por causa do conteúdo sintético, E aí, entendeu? Então você vai ver vídeo falso, você não sabe se aquilo ali foi o Gregório que falou mesmo ou se é um vídeo que imitou a cara do Gregório, sacou?

João Vicente de Castro:Aí aquele texto também que, mano, o pessoal até tem um termo lá que é o brain rot, né, que é o cérebro ficar podre, derretido por causa de IA. Eu sinto isso quando mando umas coisas de IA muito esquisitas, desde novela de fruta ou uns gato forte matando, não sei ou umas coisas assim, isso dá uma derretida no cérebro. Eu vejo assim, cara, minha, eu tô, eu tô imediatamente pior, minha cabeça tá fodida por causa de um vídeo. É assim, imagem do cérebro apodrecido, eu já sinto. E minha saúde mental, minha qualidade de vida tá diretamente ligada, ela é inversamente proporcional às horas que fiquei no celular. De cara, você vejo, caralho, que dia merda, porque eu tô assim.

Emicida:Foi um dia que eu fiquei lá, bizarro. Quanto mais você fica, mais você fica assim, mano, fica fodido na hora, imediato.

Gregório Duvivier:E é perto daquele negócio, sabe aquele sonho que você não sabe que é sonho? Você acha que você tá acordado, mas na verdade você tá tá vivendo aquele momento entre dormir e não dormir, é parecido quando você vê uma ia que você fica falando: isso é mentira. Mas às vezes quando você vê um vídeo, você fala ia, mas não era.

Emicida:Mas tem um negócio que é o jogo, mano. No final você acredita no que você quer acreditar.

Gregório Duvivier:Isso é a política brasileira, tá ligado?

Emicida:Tomar um detergente.

Gregório Duvivier:Não, tem pessoal que fala achando que Que assim, quando você quer pedir dinheiro para o investidor, você manda mensagem, mas quando você quer dizer que a relação acabou, você vai até a casa dele mesmo depois dele ter sido preso, por exemplo. Você acredita? Não, sério, pô. Que, por exemplo, que um advogado de imigração é o melhor advogado para gerir um fundo. É uma coisa assim que é difícil de acreditar, mas acredita.

Emicida:Acredita, é isso, muito difícil. E aí, se o desejo de acreditar faz você ficar nessa situação que você descreveu, tipo, por que não, um urubu não pode matar um leão?

Gregório Duvivier:É, matou sim, hoje em dia, tá ligado?

João Vicente de Castro:E ao mesmo tempo, isso que eu acho mais bizarro de IA, ao mesmo tempo que as pessoas passam a acreditar na IA, elas passam a conseguir não acreditar na realidade. Quando ela se impõe à realidade, as pessoas passaram a ter mais dúvidas dela, porque antigamente ela uma coisa inegável, quando a realidade se impõe e fala: "Tá bom, realmente aconteceu." Mas com a IA, eles são capazes de olhar pra realidade e falar assim: "Talvez seja IA." É. Então, a realidade, ela deixou de ter valor.

Gregório Duvivier:Duvidar da realidade é o que mais me assusta. É o que mais me faz ficar assim.

Emicida:Como fala o pensamento, meus amigos: "O que são as coisas, senão o que pensamos das coisas?" O que é real?

Gregório Duvivier:Então? O que que é real?

João Vicente de Castro:Gente, chegamos nesse ponto. Chegamos nesse ponto.

Gregório Duvivier:Tô falando, eu sabia que o Leandro ia pesar. Sacou? No final, Importa. Não importa. No final ele fez o último, o único, o único e o último programa que importa, tá ligado?

Emicida:Eu tô me sentindo um Nelson Mandela lá da ideia que nós estamos.

João Vicente de Castro:É uma história muito boa do Mandela.

Emicida:Uau, que o mano Trevor Noah fala que os cara aí, o Mandela queria muito fazer uma piada e ninguém ria das piadas dele porque todo mundo levava muito a sério o que ele dizia. Então ele chegava e falava: "Toc toc." Aí as pessoas paravam e ficavam "Who is?" Aí ele falava tipo: "Cês têm que perguntar quem bateu." Aí as pessoas: "Nossa, é isso. A gente precisa perguntar quem tá batendo, quem é que tá nessa porta precisando que ela seja aberta." "Qual a posição que você gosta de transar mais?" Esse é o esporte favorito dele, ele vai me colocar em saia justa com perguntas.

Gregório Duvivier:Você usa petrecho na hora do sexo?

Emicida:Eles se divertem, eu passei 5 anos no Papo de Segunda, 5 anos com esse cara fazendo isso, ele vem com essas coisas de baixo calão da vida dele, da vida dele, da coisa dele, eu sou um pai de família, pai de 2, 2, sou pai de 2, tá ligado, mano, a mãe eu tô trabalhando, entendeu, não é que nem você que fim de semana tá o quê, batendo perna pelo Rio de Molhando as moda no shopping.

Gregório Duvivier:É, exatamente.

Emicida:Entendeu? Você não me vê nesses vídeos.

Gregório Duvivier:Não, você não me vê nesses contextos. Você não me vê nesses cortes. Andando com maconheiro. Não vê andando com maconheiro. Até vi. Pouco. Tem que ver o camarim da MC, você pensa assim, um rapper, né? Na pistola, né? Uma garrafa de uma sopinha, um chá, um nebulizador.

Emicida:Mano, mas tem uma história maravilhosa. Uma vez a gente contratou uma produtora, mano, branquinha assim, pá, né, mano? Ela tipo lá do interior e tal. Ela entrou no camarim e tava tipo, eu tava lendo um livro, o Niaki tava ouvindo um disco, e os cara tava trocando uma ideia aqui tomando chá de cereja selvagem. É, irmão. E aí ela entrou no camarim, ela fez tipo assim, ó, uau! Pô, que foi? Aí ela: não, é que o pessoal fala cada coisa.

João Vicente de Castro:Caralho, que maravilha!

Gregório Duvivier:Achou que ia ter que, sei lá, se livrar de um corpo, tirar uma mulher.

Emicida:Ele vê assim, né?

Gregório Duvivier:Não acha que é.

Emicida:Fala que, mano, é o famoso preconceito.

Gregório Duvivier:Na verdade, hoje em dia você é capaz Rapaz, tá perto de tá fazendo crochê, perto, pertíssimo. Se não tá fazendo, esconde.

Emicida:Já tentei.

Gregório Duvivier:Se não tá aqui, ó.

João Vicente de Castro:O mano, né, que vocês chamam de Brown, mas o mano, quem que a gente chama de mano?

Gregório Duvivier:O primeiro mano é o nosso.

João Vicente de Castro:O mano, né? O cara que chama o mano de mano, você falou?

Emicida:O parceiro do Jorge, o seu.

Gregório Duvivier:Na verdade é o senhor Jorge. Senhor Jorge. É o senhor da música brasileira.

João Vicente de Castro:O mano, quando eu fui lá no No programa ele deu uma chamada muito bem dada, não em mim, porque eu acho que nunca fez essa piada, mas nos meus colegas humoristas, que adoram fazer piada que ele é perigoso e que tem medo dele, porque o Mano Brown, o cara fala com o Mano Brown. E tipo, ele não ameaçou ninguém, não, assim, vocês estão fazendo uma piada, você tá ligado, né? Que é uma piada que na verdade é racista, é escrota pra caralho. Mas assim, eu me liguei no negócio que é meio aceito tu falar, fazer esse tipo de piada, esse tipo de mitologia, quando na verdade é isso, o maluco tipo foi no erro.

Emicida:Quando tu fala de um de nós e você é mula, é um negócio meio troglodita assim.

João Vicente de Castro:Tipo, não sei o que falar, não sei se comportar, né?

Gregório Duvivier:Eu tomei esse feedback aí. Quê? Porque eu tomei esse feedback aí.

João Vicente de Castro:Você tomou esse feedback? Já.

Gregório Duvivier:Dele? Já tomei esse feedback. Não, não, falei uma vez no Papo de Segunda, ele deu esse feedback, achei bom, eu aceitei o feedback.

Emicida:Ele abriu essa porta, né, mano? Então toma.

Gregório Duvivier:Eu sou bom de feedback?

Emicida:Pô, caramba. Eu sempre falo esse bagulho, mano, conheci esse arrombado na Sei lá, segunda semana.

João Vicente de Castro:Descobriu ele, né?

Emicida:É assim que assim, eu tava, eu queria tretar com ele, sabe? Eu tava procurando o ângulo, como é que eu sou com ele, trabalhar. Irmão, e ele falou algum barato, tu falei, mano, vou.

Gregório Duvivier:Não foi, eu zoei a nossa amiga, fiz uma piada meio inconveniente com a nossa amiga. Que trabalhava com ele.

Emicida:Isso, e ela veio e falou comigo, aí eu fui sumariar essas ideias.

Gregório Duvivier:Não sei se ela falou com você, acho que você não viu.

Emicida:Não, ela falou comigo, ela falou comigo, eu falei: "Parou!" Era isso.

Gregório Duvivier:Era isso.

Emicida:"Abre um vinho lá." Mano, eu fui um torpedo pra cima dele, tá ligado? Aí eu fui e falei o que eu falei, ele vai se estranhar, e nós vai se estranhar, vai ser agora.

Gregório Duvivier:Mano, na hora que eu falei, ele me desarmou, "Porque ele me olhou." Não, primeiro ele falou: "Um minuto, um minuto." "Torará, porque não pode, que sei o quê, que sou assim, que sou assado, que nananá, parará, parará." E inverso. "Te mando, sei o quê, não sei o quê, e não faça mais isso." Aí Mike drop.

Emicida:E aí eu esperava assim, sabe quando você monta todo o roteiro da briga na sua cabeça?

Gregório Duvivier:Já tem a próxima resposta.

Emicida:Eu já tava prontinho assim: "Mano, se ele falar isso, vai ser isso, se ele falar isso, vai ser isso, se ele falar isso, vai ser isso, se ele falar isso, vai ser isso." "Mas o filha da puta vira pra mim e fala assim: 'Me desculpa.'" Aí fodeu. "Puta merda, eu não sabia o que falar pra ele, porque eu esperava tudo, menos uma guarda baixa. E se você quiser, eu posso ir falar com ela e pedir desculpa também.

Gregório Duvivier:Eu acho que você tá certo.'" E aí ele: "Não, porque é foda, se fizesse isso..." Eles continuaram, entendeu?

Emicida:"Não, porque é o seguinte, isso não pode continuar." Pode crer, você tem toda razão, pô.

João Vicente de Castro:É verdade, tem que mandar sua tréplica.

Emicida:Não, fui embora no carro. E tem mais, é muito bom.

Gregório Duvivier:É tipo quando você briga na cabeça, seu pai conta a história do seu pai para ele mesmo, do vizinho.

João Vicente de Castro:É de um vizinho. Meu pai é músico, né? E meu pai consertou lá. Meu pai é músico, mas ele também sabe tudo de consertar qualquer coisa, máquina assim. E aí o portão do prédio não tava abrindo, ele foi lá, consertou o portão do prédio. E o cara que era meio cuzão vizinho, ele falou assim: pô, até que para músico tu não é burro não. Essa frase, meu pai não falou nada.

Gregório Duvivier:Ele tava preso no prédio.

João Vicente de Castro:Isso daí faz 30 anos e até hoje ainda fala assim: já sei o que que eu tinha que ter "Vocês acreditam, poxa, cara?" Ele inventa. Ele manda do nada uma mensagem do grupo da família: "E se eu tivesse dito isso, hein?" Aí manda lá: "Ah, você pra engenheiro até que é idiota." Sei lá, qualquer coisa. Ele tem várias conversas.

Gregório Duvivier:Exatamente. "Você pra descendente de holandês deveria ser mais brasileiro." É a tréplica que eu não dei. Exatamente. Acho que uma das piores coisas do mundo é você não responder uma coisa muito boa porque você só pensou depois. Sim. Orra! Horrível.

João Vicente de Castro:Não adianta, porque a coisa só faz sentido no momento, né? A piada é um fenômeno no momento. Se você guarda, não tem como tu fazer. Aí sabe aquela hora que tu caiu?

Gregório Duvivier:Então pensei assim, ó, se tiver... Não, mas na briga é pior, porque a briga geralmente você tomou uma cacetada que você poderia ter... Imagina você casado com o Leandro.

Emicida:Porque deve ter.

Gregório Duvivier:Que isso, cara?

João Vicente de Castro:Deve ter. A sua derre contigo deve ser horrível.

Emicida:Não, tá melhor agora.

Gregório Duvivier:Tu ri, mamãe?

João Vicente de Castro:Não, rimando não.

Gregório Duvivier:Não, mas o que torna a coisa muito mais fácil para mim, você começa com: "Oh, oh, oh, pode crer, pode crer." Ela fala: "Pô, isso não pode acontecer." "Oh, oh, oh." Já entra os cara atrás.

João Vicente de Castro:Pega já uma colher de pau.

Emicida:Antes era horrível, agora, agora eu tô melhor, agora eu tô um cara terapeutizado.

João Vicente de Castro:Você tenta não levar, usar o seu superpoder, como muitas acham, que eu volto para ser o Leandro.

Emicida:Ah, entendeu?

Gregório Duvivier:Você se reconecta com ele, né? Entendeu?

Emicida:Meu irmão, porque antes era louco, eu queria deixar a punchline que ia marcar a noite, pegar a colher de pau. Eu queria soltar uma, Camila fizesse: Irmão, agora não. Tipo assim, beleza, vou lá lavar minha louça lá, mano.

Gregório Duvivier:Entendeu?

Emicida:Desculpa, toalha não tinha que estar lá. Nossa, mas foi uma jornada até chegar aqui, viu, mano?

Gregório Duvivier:Foi uma jornada. Até hoje, te garanto que vem aqui e volta.

Emicida:Até hoje. Não, volta, mas é por causa do exercício, porque é um negócio mecânico. Como eu tive que fazer muitas vezes, vira um negócio automático também, sacou? E pra isso, tipo, então imagina, né, mano? Aqui é um negócio assim que é horrível, porque eu tenho um hábito, talvez seja o hábito que eu mais precisei aprender a controlar na minha vida, que é por causa das batalhas, mano. E o que são as batalhas senão várias vezes um grande torneio de bullying, principalmente da minha geração.

Gregório Duvivier:Hoje menos.

Emicida:Hoje menos?

Gregório Duvivier:Mas, mano, batalha de rima, né?

Emicida:Também, se não sabe essa altura do campeonato, fazendo bagulho de MC até agora, você tá errado, né, mano?

Gregório Duvivier:Ele é da vida dele, né?

Emicida:Mano, e a primeira coisa que eu fazia era ficar arrumando o apelido pros outros, mano.

Gregório Duvivier:Claro. Tá ligado? Que é um jeito mais rápido de bullying.

Emicida:Total. Então eu ficava olhando todas as características da pessoa e já catalogando pronto pra responder. Então imagina quando você chega numa treta em casa, numa DR assim.

Gregório Duvivier:Com sua esposa.

João Vicente de Castro:Com sua esposa.

Emicida:Saca?

Gregório Duvivier:Você chama ela de "Kojak".

Emicida:"Kojak!" Ou você tá tipo...

João Vicente de Castro:Não, caralho, saca?

Emicida:E às vezes você larga, isso é um negócio bizarro, né? Você vai falar um bagulho, você tipo, depois que você fala, você fala, mano, não faz o menor sentido falar isso nesse contexto, tá ligado? Só que agora eu vou precisar sustentar.

Gregório Duvivier:Caralho, tá ligado?

Emicida:Já tô pedindo desculpa até quando eu não devo. Casamento, tio, casamento é hoje.

Gregório Duvivier:Não, tô aqui, qualquer bagulho dá um salve, toca para mim, toca Queria mostrar uma coisa interessante que é um trabalho que o Gregório já fez...

João Vicente de Castro:Não! Você achou isso? Para!

Gregório Duvivier:Caralho, não, não, não, eu quero morrer.

João Vicente de Castro:Como é que vocês acharam isso? Eu já contei a história? Contei como foi isso? Então vou contar rapidamente pra ele: Uma produtora de elenco Eu tinha 20 anos, o produtor de lengua me ligou e falou: "Tem um personagem que é a sua cara aqui na Record." Gente estranha, eu não tinha nem cara, eu nunca tinha feito nada na vida. Que minha cara? Que é um rapper. Aí eu falei: "Será que é minha cara?" Aí pensei, porque eu fazia improvisação no teatro, eu improviso, o Zé, o Zé improvisava. Será que é por causa disso? Aí topei. Chegando lá, eu subo, era aquela... Na Tavares Bastos, que era tipo uma favela meio cenográfica. Não é cenográfica, porque tem gente que mora, mas ela tem tudo filmado lá, né? Então, andando, já tinha cá uma... O lugar do figurino. Eu entro, a pessoa: o que que você tá fazendo aqui? Ah, vou fazer o personagem MC Mau. É figurino, olha para mim e fala assim: não, não, não vai. Vou, vou, você tentou te avisar. Ela foi lá, falou dentro com alguém, voltou. Aí assistente de direção fala: você quer? Aí vejo um monte de gente cochichando. Aí vem, tá, vem cá. Aí me dá uma roupa desse tamanho, era enorme, era desse tamanho. Aí que eu me liguei que a pessoa não era comigo, era para outro ator. Que eu ia fazer, entendeu? Ligou pro Gregório, você era um Gregório, não sei o que aconteceu, mas quando eu vi o tamanho da roupa, eu vi todo mundo se puxando, olhando para mim rindo, eu vi que tinham chamado a pessoa errada. Então isso daí é o resultado.

Emicida:E você precisava desse dinheiro? Cara, vou te falar que eu tenho um negócio parecido com esse. Eu fiz figuração na série Carandiru. Tem eu em algum momento ali, ó, na cadeia, com a camisa amarela.

João Vicente de Castro:Mentira! Tu Você achou?

Emicida:Ali, junto? Já, já.

Gregório Duvivier:Mas você não era famoso ainda? Não. Foi participação pra ganhar R$40? Pra ganhar R$40. Caraca!

João Vicente de Castro:Caraca, não sabia não.

Emicida:Agora, essa situação aí que você falou me lembrou de uma vez que minha avó falou: "Tá pegando numa empresa de evento ali", que tinha lá no bairro que a gente morava. E aí eu desci lá e foi uma entrevista de emprego maravilhosa. A mina falou: "Você gosta do quê?" Eu falei: "Gosto de rap, gosto de arte, gosto de quadrinhos, gosto de cinema." Ela: "Ai, nossa, como você fala!" Falando de diretores de cinema, artista plástico, Fantástico, música. Eu saí da entrevista, falei: que lugar foda, tá ligado? Me ligaram, falou: ó, você começa no sábado. Aí eu falei: sábado, mano? Beleza. Conversa foi tão foda, qualquer coisa que venha de lá vai ser incrível. Aí: que horas? Tem que estar aqui umas 5 horas da manhã. Aí: que horário é esse?

Gregório Duvivier:Horário de fazer coisa errada.

Emicida:Cheguei lá depois daquela entrevista fantástica, o trampo era para carregar bujão Guys, mentira! Mas por que que você me perguntou disso?

Gregório Duvivier:Por que que você perguntou quem que eu gosto?

João Vicente de Castro:Muito bom, cara, muito bom! Cara, eu tô muito mal, eu tô me recuperando dessa parada.

Emicida:Não, mano, parabéns aí pelo seu trampo, muito simpático.

Gregório Duvivier:Caralho, pode? Quer fazer um pouquinho freestyle? Não, pô, de repente ele pega uma coisa, ele tá com turnê nova.

João Vicente de Castro:Eu contei essa história Ah, um ano nesse programa. Eles seguraram esse vídeo para quando a MC Daviess, foi isso?

Emicida:Que bom, caralho, foi, caralho, que momento! São Gregório que eu não conhecia.

João Vicente de Castro:E sabe qual foi o pior momento? Eu fui fazer e aí o diretor falou assim: você já entendeu o que que aconteceu aqui, né? Aí eu falei: acho que já. Então faz aí para mim. Bem marrentão assim. Aí eu fiz mal, já feito. E aí ele já falou: é, não tá bom não, fazer "Vamos fazer o seguinte." Aí ele chamou um cara preto da contra-regragem, ele falou assim: "Ou, tu ensina esse cara aqui a fazer rap?" Do nada, o cara não era rapper, não era nada, não era, ele era contra-regras.

Emicida:Caralho, podia piorar muito o que tinha em volta da câmera.

João Vicente de Castro:Muito, muito, muito. E aí: "Ó, vamos passar tua cena pro final do dia, tá bom?" E tu ficar aprendendo o quê com ele e tal. E aí ficou aquele cara que não é rapper constrangido, constrangidaço, eu fazendo pro cara, o cara falando: "Ah, tá bom, acho que faz igual." Sem também querer tirar sua vibe. Isso, você falou, só vou ter que trabalhar agora, mas vai passando aí. Ele foi meio um coach, a revelia dele, porque o diretor mandou de um rap que também não era rap. Então, desde aí foi o resultado de uma série de equívocos, uma série de erros.

Emicida:Mano, você já viu um barato que tem na BBC que eles fazem uma piada todo ano, que é a entrevista mais engraçada da história? Que eles iam receber um cara que era um expert em tecnologia e esse cara tinha o mesmo nome de um mano que foi entregar currículo naquele dia. E aí esse cara chegou, entregou o currículo e a pessoa que recepcionou ele fez a confusão dos nomes e mandou esse cara direto pro estúdio. E aí o cara chega assim, e a jornalista fala: "Você veio pra entrevista hoje?" O cara empolgadão assim, tipo: "Vim." Aí ela começa a falar: "É tipo a tecnologia e tal, as ações da Apple, não sei o quê." E o cara tipo... Só que o cara com o maior cagaço de perder o trampo, mano, ele começa a responder o barato, só que tipo... A Apple é uma grande empresa, né?

Gregório Duvivier:Poxa, design pra caramba. Steve Jobs. Muito conhecido, conhecido. Ó, máximo respeito à Apple.

Emicida:Mas é mais ou menos esse tipo de situação, né, mano? Que é parecido com o meu também, carregando um bujão de gás. Já carregou bujão de gás, João Vicente?

Gregório Duvivier:Olha, eu não gosto muito de falar disso. Mas eu já fui figurante.

João Vicente de Castro:Tu sabe o que é um bujão de gás? Sei.

Gregório Duvivier:Eu fui figurante.

João Vicente de Castro:Foi?

Gregório Duvivier:Fui figurante da novela O Anjo Que Caiu do Céu.

João Vicente de Castro:Olha, caiu lá?

Emicida:Era Globo?

Gregório Duvivier:Era Globo, era Globo, caiu lá. Daniel Del Sarto pegou o papel que era pra ser meu e eu acabei figurante.

João Vicente de Castro:Era pra ser meu?

Gregório Duvivier:Não, fiz teste pra esse papel. E aí Daniel Del Sarto vingou lá no papel e eu não. E aí depois eu fiquei vendo a novela e falei: lógico que sou eu, era um menininho meio mirrado, ele era um homem já. Então fiz, fiz figurante. Foi foda, cara. Figurante na Globo.

Emicida:Todo mundo começou algum dia, né? Onde tá agora?

Gregório Duvivier:Olha onde eu cheguei.

Emicida:Aí, ó.

Gregório Duvivier:Pra quem teve a mesada cortada em Nova York, até que eu cheguei longe.

Emicida:Obrigado, Leandro.

João Vicente de Castro:Posso te chamar de Leandro a partir de agora?

Emicida:Pode, você pode. Me chamaram de Gregório lá na porta.

João Vicente de Castro:É verdade, o cara passou, falou: qual é, Gregório?

Gregório Duvivier:Aí você tá de bobeira, né? Não tá fazendo nada? Horta é mais o quê?

Emicida:Não, e show, show. Inclusive tô precisando divulgar.

João Vicente de Castro:Vamos lá, cadê?

Emicida:Onde? Calma aí. 14 de junho Goiânia, 26 de junho Brasília, 27 de junho Curitiba, 4 de julho Porto Porto Alegre e 9 de agosto Rio de Janeiro, tô de volta.

João Vicente de Castro:Aí, onde?

Gregório Duvivier:No Rio? Aonde?

Emicida:É no Festival Doce Maravilha.

Gregório Duvivier:Então agora vai lá, que você vai na peça.

João Vicente de Castro:Com certeza, do lado da minha casa.

Emicida:Eu vou mesmo ver sua peça hoje.

João Vicente de Castro:Vem mesmo hoje, irado.

Emicida:Tô curioso, todo mundo tá falando que essa peça aí é braba.

Gregório Duvivier:Show! Senhoras e senhores, uma salva de palmas para o Leandro!