#87: TRANSAR COM AMIGO, BONECÃO DO POSTO, OBJETOS E OUTRAS COISAS
AVISO: Nenhum animal, boneco de posto, espantalho ou objeto de quaisquer natureza foi ferido durante a gravação deste Não ImPorta.
ELENCO:
João Vicente de Castro
Gregorio Duvivier
ROTEIRO:
Eduardo Branco
DIREÇÃO:
Matheus Monk
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- A sexualização do bonecão do posto e sua função na culturabonecão do posto não tem popozão·erotização de um objeto inanimado·bonecão do posto com burnout·bonecão do posto como espantalho moderno
- A experiência de transar com um amigo por obrigação socialescolher um amigo para a experiência·a importância da empatia no ato·tentar encontrar prazer na situação·a busca por um parceiro que goste
- A diferença entre estante e prateleira e a personalidade dos objetosprateleira fixa e estante móvel·estante guarda momentos e objetos·impressora como velha reclamona·fax como vanguardista conservador
- A preferência por dormir de conchinha e a intimidade no sonogostar de ser aconchegado de dentro·técnica para virar na conchinha·conchinha com travesseiro entre as pernas·ronco e paixão
- A inteligência dos corvos e a domesticação de animais selvagenscorvo como pássaro inteligente·corvo traz presentes em troca de comida·corvo rouba moedas para o humano·escolha de animais de estimação exóticos
Caraca, estamos de volta! É isso aí. Eu não sei se eu sei fazer isso, mas gravamos muito, né? A gente teve muito episódio gaveta, que chamam, que são episódios que a gente—
não sei nem o de gaveta. Foram episódios frios.
Frios.
Gaveta é aquele que ficou ruim e que se alguma coisa acontecer—
não, isso jamais.
Jamais.
Não são de gaveta, são de armário. E a gente tá gravando o episódio 15.
Prateleira.
De prateleira. Prateleira. Você é mais um cara que fala prateleira ou fala mais estante? Começamos já.
É assim.
Tem uma diferença entre estante e prateleira?
A prateleira é fixa e a estante é móvel.
A prateleira é chumbada na parede. A estante é um armário.
É uma armária.
É? Essa é a diferença pra você?
Eu acho que sim.
E pra você? Comente.
A estante é um objeto que guarda Em geral, instantes.
Eita, ele veio com poesia hoje! Te amo a cada instante, sempre livro.
Com sentimento tem sentimento.
Bonito. Caralho, já começamos o quê?
As estantes, em geral... Não em geral, mas as minhas sempre foram pra guardar momentos, tá?
É?
É, coisas, objetos que você vai ganhando.
Ah, achei que você falava assim, não, 5:35, deixa eu guardar aqui.
Guarda aqui.
Objetos...
É uma pequena macumba, uma obra de arte que vai lá chegar, vai chegar um sobrinho meu e vai morder. Teve isso?
Teve isso. João tem uma obra de arte na casa dele que é uma maçã linda, com uma flecha de Zemog, uma maçã de isopor, mas não dá para ver direito que é de isopor, que ela é toda pintada vermelha, né? E tem uma flecha de bronze atravessando. Chega meu sobrinho maravilhoso, Gaspar, viu aquela maçã reluzente vermelha? Foi lá e Arrancou um pedaço da maçã.
Ou seja, está lá. Não, não arrancou um pedaço, melhor ainda, tatuou os seus dentes na esfera da maçã.
Põe a foto aqui, por favor, na pós. Olha o que acabou se tornando a obra de arte dele.
Ou seja, a estante é um objeto. A estante é um objeto?
Boa pergunta, João.
A estante é um objeto?
Quando que para de ser objeto? Tipo, carro é um objeto? Eu sei que objetivamente a definição de objeto é assim, mas é que você não chamaria um objeto.
Às vezes são pequenas madeiras coladas à parede.
Isso seria uma prateleira pela sua definição?
É uma prateleira, perfeito. Uma prateleira não é um objeto, é uma intervenção à parede.
É, eu acho que ela é uma prateleira, ela tá na ordem da porta. Não, ela não é da família da porta.
Não, ela não é da família da porta, porque a prateleira ela é desnecessária por definição.
Por definição ela é desnecessária, entendi. Ela é para o supérfluo.
Você não pode falar assim, o livro que não vai nunca ser enquadrado como supérfluo, sim, é supérfluo, é supérfluo. Mas eu digo, tem coisas que dão uma dignidade maior à estante, né? Se você for lá numa loja de decoração e comprar objetinhos, não tem a mesma envergadura moral a sua prateleira se for uma prateleira de livros.
Não?
Não, acho que a de objetos não. Acho que ela é mais fútil.
Ela é mais fútil, tá, entendi.
Estante é um objeto fútil?
Eu acho que a estante ela é... Não diria fútil, ela é mais despolitizada.
Despolitizada, ela é mais centrão.
Ela é mais de centrão.
Ali na fotinho dela do...
É.
Do... Instagram, ela botou estrela ou botou a bandeira do Brasil?
Eu acho que ela botou só assim: estou em SP, para comer alguém.
Estou em SP.
Ela não botou política, ela não se mete com política bastante não. A impressora é de direita. A impressora é uma velha de direita reclamona.
Que funciona quando tem que funcionar.
Hoje também não vou trabalhar não.
Hoje eu não vou me conectar a computador nenhum porque eu não sou dessa.
Eu não sou dessa, nem te conheço, vou te conectar a computador.
É, impressora realmente fuma, né? Funciona a fuma.
Impressora fuma pra caramba.
Impressora fuma, impressora tem. Com certeza, deve.
Impressora fuma, deve, com certeza.
Os outros, ela trabalha assim.
Total. E quando ela imprime?
Mesmo as mais jovenzinhas fazem assim.
Já nasce velha. E quando ela dá louca e imprime um símbolo nada a ver? Toda impressora não tem isso ou não? Umas páginas cheias de xixi, foda-se.
É, tem umas horas que ela fica irritada. Tem umas horas que ela fica irritada. E às vezes ela pede comida, né?
Ah, é, tô sem comida, cara. Eu não vou trabalhar.
Não vou trabalhar.
Eu quero minha comida.
Você tem que botar o velho toner.
Exatamente.
Que é uma palavra também que... Toner. Toner.
Que está pra impressora como o café está pra trabalhador brasileiro. Para velha da repartição. Cara, eu não vou trabalhar hoje não. Aí você bota o café. Tá bom, tá bom. Bora lá, bora, bora, bora.
Então o toner é o café da impressora fumante.
Eu acho. O scanner, ele é mais moderninho. O scanner, ele...
O scanner é zero moderninho. Você acha? O scanner é o disquilaser.
É o velho moderninho. Nossa, eu falei scanner e me senti um velho. Não existe mais scanner. Não. Tem um objeto que vai morrer.
O scanner é um primo mais novo do fax.
É verdade. O fax. Você não tem carinho pelo fax?
Eu tenho.
O jovem não sabe nem do que a gente tá falando.
O fax é um vovô, é um grande vovô garoto, né? Sabe aqueles caras de 60 anos que usam calça skinny?
Aham, totalmente.
E corrente? O fax, ele é o jovem que envelheceu mal. Ele é o vanguardista que— Porque você receber um fax e mais— Eu fui um grande artista do fax.
Foi? Me conta mais. Fala mais sobre isso.
Chegava um fax lá que largavam, eu pegava o isqueiro e fazia desenhos.
No fax?
No papel do fax.
No papel?
É.
Porque o papel do fax—
Era tipo carbono.
Mas o papel do fax não é meio plástico? Não queimava meio esquisito?
Não, ele era aquele que você esquentava.
Porque é um papel diferente.
Meio como você faz uma nota de restaurante.
Ah, é papel de nota.
Papel de nota. Ai, desculpa, não sabia que o nome era papel de nota.
Eu que chamo de papel de nota.
Papel de nota?
Eu chamo de papel de nota.
Quando foi a última vez que você chamou de papel de nota?
Não sei.
Você ligou pra alguém e falou, tu tem meio quilo de papel de nota aí pra me emprestar?
Cara, eu ligava, os jovens vão achar isso muito... Eu nunca sabia o que tinha que fazer pro dia seguinte em termos de dever. E aí... Ainda não sabe. Ainda não sei. Eu ligava pro meu amigo Rodrigo, um beijo pro Rodrigo. E o Rodrigo, ele me mandava por fax. Tadinho, ele arrancava a folha do caderno dele e mandava a folha por fax. E eu recebia aquele deverzinho por ele, tipo, quase todo dia. É um santo, Rodrigo, muito obrigado.
Aí você entregava por fax ou pelo menos você dava o trabalho de copiar?
Não, eu copiava.
Copiava, bacana, já é maneiro.
Total.
Passa a própria mão.
Exatamente. Mas tinha isso do fax. Inclusive, o fax tinha uma coisa assim: deixe seu recado após o sinal. Ou passe seu fax. Lembra disso? Lembro. Que o Milô resumiu a secretária eletrônica dele, era fale ou fax. Que era um bom resumo. Porque as pessoas às vezes faziam uma coisa enorme. Depois do bip, deixe seu recado...
Bom, pra quem não sabe, existia uma coisa chamada secretária eletrônica, que é mais ou menos a caixa postal, mas era um aparelho fora do telefone que atendia o seu telefone e você gravava uma mensagem. Deixe seu recado após o bip. Fazia bip, aí você deixava. E aí as pessoas eram moderninhas. Isso caracterizava muito as pessoas.
Pessoas engraçadinhas. É.
Eu lembro de Silvia Sangerardi. Você lembra de Silvia Sangerardi? Sim. Figurinista do Tablado e tal. Ela falava... O telefone... Também tinha isso, confirmar o telefone. 224-555-1.
Isso.
O resto você já sabe, ela falava.
Gostei. Bonito. Um bom slogan. É. O resto você já sabe.
Que era desse recado após o bip.
Olha só, a gente sabia como é que era a coisa da... A voz da pessoa.
E no começo, celular tinha ainda.
Tinha. É outro, ainda tem, tem ainda. Se você ligar, talvez alguém tenha deixado um recado, porque não dá para deixar recado, não dá.
Golpe, inclusive, eu tenho recebido muito golpe que eu desligo imediatamente e aí já transcreve no SMS o que que foi dito. Então assim, apreciamos seu currículo, então somos da Casas Bahia, queremos, é que é um, mas eles ainda deixam um recado, porque é uma máquina, né? É uma máquina, não sabe, a máquina não, ainda não entendeu o bip.
Ai, rapaz, eu não sabia disso, não.
Agora, qual foi a última vez... Eu pergunto pra você que está em casa. Qual foi a última vez que você deixou um recado na caixa postal? Isso talvez seja a coisa que mais caiu em desuso na história do mundo.
É verdade. Que o áudio substituiu.
Lógico.
O que é uma pena, porque eu gostava... Secretária eletrônica é um grande objeto. Chegar em casa e fazer assim, tuf, e ficar ouvindo. Antigamente, acendia-se um cigarro, né? E ficava ouvindo as coisas que tinham gravado pra você.
Secretária eletrônica, na verdade, foi um dia que a... A impressora fumante viu uma prima dela que era meio sem fazer nada, viu que tinha um espaço no trabalho e falou assim, vem trabalhar aqui. Aí veio ela ser secretária de recado. Que era uma pessoa super discreta.
Super discreta.
Super discreta, mas com uma memória maravilhosa.
Boca de siri.
Boca de siri. Uma memória maravilhosa. Agora, o fax, eu tava pensando que o fax é daqueles sujeitos, a personalidade do fax me traz uma coisa, sabe aquelas pessoas que Aqueles velhos que eram de esquerda e viraram de direita, de repente.
Pode ser.
Uhum. O Fax hoje em dia é muito contra a modernidade. Fax é conservador.
Muito conservador, com certeza.
Era um vanguardista, de repente ficou conservador.
Ficou obsoleto.
Ficou com raiva.
Ficou com raiva.
O Fax trabalhava na Globo e foi demitido, tem raiva da Globo.
Tem muita raiva da Globo. Hoje em dia ele tem um blog.
Muito... Tem um vlog.
Vlog, é. Vlog do Fax.
E o Fax tinha uma coisa, que o Fax tinha poucas cores também, né? Era cinza ou preto.
É, preto, não tinha cor, né?
Ou cinza.
Ou cinza, é. O fax era uma tecnologia muito— ainda tem alguns lugares. Aí eu falo assim, eu ainda uso fax. Vai ter gente comentando, aposto que vai ter gente.
E ele tem muita raiva do email.
Muita raiva.
Ele no Instagram dele, que tem fotos repetidas, que tem meme de gatinho.
Foto repetida, João, agora você falou uma coisa que pra mim é o maior gatilho. Se um dia eu postar duas vezes a mesma foto numa rede social, na hora me liguem, tirem minhas redes. É um sinal muito sério que a pessoa não tá muito bem. Voltando aos objetos, João, eu acho que o abajur...
Abajur.
É viado.
Todo espelho é assim. Não, calma. Homossexual.
Homossexual. Foi isso? Mas ele é homossexual, não é?
Eu acho que não. O abajur foi estudar na França. É só isso. Aí ele voltou com maneirismos mais sofisticados.
Ele voltou mais sofistiqué.
É mais ou menos o efeito pelotas.
Pelotas, é isso. O abajur é de pelotas.
Ele não é gay, ele é de pelotas.
É isso, tem razão.
É, ele é só uma pessoa que foi estudar fora e voltou numa realidade diferente. Agora, a tomada, o buraco da tomada é dos objetos mais simpáticos do mundo, porque ele ri o tempo inteiro. Ele tem uma carinha fofa.
Não importa que tu vai enfiar duas coisas no olho dele quando tu for lá.
Exatamente. E depois das tomadas de 3 pinos, ela ficou assustada. Ela ficou assim, ó.
Foi verdade.
Mudou a expressão. Ou seja, é dois dedos no olho e um pau na boca. É uma agressão.
Mas qual objeto que é gay então? Eu acho que copo Stanley não é um gay de academia, do Smart Fit, do banheirão?
Cara, depende da cor.
Tá, pode ser.
Depende da cor, porque tem copo Stanley que é da Faria Lima pra caramba.
Pode ser.
Tem copo Stanley gay, tem copo Stanley moderno, tem copo Stanley agênero.
É verdade.
Tem copo Stanley heterossexual mal resolvido.
Tem razão. Não dá pra... Eu achando que...
Mas sempre muito competente.
O Lula falou uma coisa que é verdade. Copo Stanley é um espectro.
É um espectro. É um tipo de gente. É... Mas sempre muito competente.
É. Não, copo Stanley é isso. Entrega. É. Ele entrega.
E o copo Stanley tem uma coisa, que ele é muito maleável. Maleável não. Adaptável, que eu ia dizer.
É resiliente.
Porque... Resiliente. Porque se é quente... Vamos pro quente.
É. Você aderiu a essa moda?
Você é frio? Vamos pro frio. Copo Stanley? Ah, eu curto copo Stanley.
Você curte? Você aderiu a essa?
Aderi.
Foi? A qual? O aberto? Fechado?
Ao fechado.
Ao fechado?
Ao fechado.
Copo mesmo? Não a garrafa?
Copo mesmo, com canudo.
Com canudo?
É.
Tem um nome, tumbler, não é isso?
Não conheço.
É, o nome disso acho que é tumbler.
Parabéns, copo Stanley, vocês ganharam a maior publi da vida de vocês sem pagar um só puto. Eu espero um carregamento de copos Stanley.
Corta essa parte, manda pro Stanley, cobra dele. Vocês querem que bote ou tire?
É, exato.
Tá? E faz uma espécie de chantagem reversa.
E outro, eu falo assim: Gregório, sabe o que eu amo? Copo Stanley. Gregório, sabe o que eu acho? Copo Stanley é uma merda. Aí você manda cada um final. Aí você fala assim: eu posso postar assim.
Agora, engraçado isso, realmente. Agora, gostei que você trouxe esses objetos à tona.
Porque os objetos têm personalidade.
Tem, tem. Não, e até a categoria objeto, agora eu fiquei bem intrigado com isso. Quando é que o objeto passa a ser uma outra coisa?
Cara, eu acho que o objeto, eu acho que ele para no carro.
Carro objeto? Acho que sim. É?
Acho que sim. É o último dos objetos.
É o último? Caminhão já não é objeto?
Não é. Caminhão não é objeto.
E uma caminhonete?
Não, não.
Mas um carro grande é objeto? SUV já não é objeto? Um Hilux não é objeto?
Não, é... Picape? Eu acho que é do Gol... Pra cima, pra baixo é objeto.
Um Uno Mille é um objeto?
Não, você é um objeto que você pode botar na sala.
Não é objeto. Aí, ah é? Nunca tinha sabido disso não.
É, eu sei.
Obrigado, você me ensina tanto, cara.
Agora, não dá pra falar que um avião é um objeto.
Não, não, você é um fenômeno.
Mas será que um carro é um veículo e o veículo deixa, faz deixar de ser?
Eu acho que o carro não é objeto não.
Não, calma, essa parada é maravilhosa. Será que carro é um veículo? Não, mas será que o fato de ser enquadrado em veículo faz com que ele deixe de ser objeto?
Não acho, ele se mexe. Será que parte da característica de objeto também é que ele...
Ele é estático?
É, objeto é assim, ó. Ó o objeto como é que é. Objeto não é assim, ó. Bonecão do posto não é objeto.
Bonecão do posto não é objeto.
Aliás, eu quero falar brevemente disso que eu pensei nisso outro dia. Eu queria trazer pra você. A canção: Bonecão do posto tá maluco, tá doidão. Balança a cabeça, os braços e o popozão. Não balança o popozão.
Não tem.
Você tá sexualizando. É tanta vontade de ver um popozão no funk que vê um popozão que não tem, primeiro, nem tem popozão. Quanto mais balança, o gol, ele é fino, ele é uma tábua, o bonecão do posto. Ele é cilíndrico, ele não tem qualquer curva, o bonecão do posto. Quanto mais um popozão, quanto mais vai balançá-lo. Ou seja, você tá erotizando um bonecão do posto, objetificando, vendo popozão onde não há e vendo o movimento de um popozão inexistente. Vocês estão percebendo isso? Que a gente foi enganado. Poucos falam sobre isso.
Da objetificação do bonecão do posto, eu acho.
Do bonecão do posto. Ele tá lá, tá maluco, tá doidão, pode ser.
Tá doidão, pode ser. Isso não quer dizer que você tem direito de olhar pro popozão dele.
Exatamente.
Já fez isso por aí? Tá doidão, ele tá maluco.
Eu vou relativizar isso também, tá? Porque assim, ele pode estar só animado. Tá maluco? Tá doidão? Isso não é gaslighting com o bonecão do posto? É. Dizer que ele tá doidão?
É. Eu só vejo bonecão do posto trabalhando em frente à oficina.
Trabalhando. Ele tá lá porque ele tá pago. Às vezes ele não tá nem indo, ele tá lá.
E desculpa. De 6 às 5 da tarde.
Ele tá com burnout, ele tá com isso. Ele tá talvez convulsionando.
O bonecão do posto tá convulsionando.
Eu acho, eu acho que ele tá ali, ele tá pedindo socorro.
Ele tá pedindo socorro.
E você vê um cara dançando, balançando o popozão. Gente, não, não, não, não, não, vamos parar, vamos parar com a sexualização do bonecão.
O bonecão do posto é um negócio que ele foi Ele foi mudando de emprego, né? É? É, porque o bonecão do posto é bom.
Ele era do posto?
Ele era antes, ele era do posto.
Não tem mais?
Que também é uma ideia sensacional. Quem foi esse gênio, né? Que falou, cara, já sei, vou cortar um troço dele, vou botar uns braços que ele vai ficar assim, e vou meter um elevador no cu dele.
Um ventilador?
Ventilador, elevador não, ventilador no cu dele. E ele vai ficar maluco e doidão. E aí ele foi, ele foi Também acho que é papo de 40 a mais isso aqui, porque eu não sei se o Bonecão do Posto tá engendrado na cultura Gen Z. Eu queria muito que a cultura Gen Z...
Olha, agora você falou uma coisa que é verdade. O Bonecão do Posto talvez tenha virado um fax.
Ele foi pra Record.
Ele foi pra Record. Ou não. Como é que é? Tem algum jovem por aqui que conhece bem o Bonecão do Posto?
Não tem nenhum.
Não, não tem jovem. O jovem morreu, realmente.
Cadê Bernardo? Vamos perguntar para Bernardo.
Não sabe que é um bonecão do posto, talvez. Ou talvez não, mas assim, só gostaria de lembrar. Onde é que eles foram parar então? Foram aposentados, feito os leiteiros que já não existem, né? Porque antigamente tinha essa profissão que era o leiteiro, que ele entregava o leite na porta da sua casa antes do advento da geladeira. Existiam leiteiros.
Só para dizer, a gente não é da época do leiteiro, tá? Mas Mas eu acho que o bonecão do posto, ele mostra que ele cansou, tá velho, porque eu nunca vi mais um bonecão do posto jovem.
Nunca mais.
Eles já estão todos esgarçados.
Carcomidos.
Imagina você ficar com vento no seu ânus a vida inteira, na verdade.
Mano, imagina o que isso dá à cabeça. Por isso que ele tá doidão.
Ele tá doidão. Não é porque ele se drogou. Talvez antidepressivo ele tenha tomado.
Talvez, no máximo, uma bolinha, um arrebite. Acho que ele toma arrebite.
E nada mais triste... Do que quando o vento falha e o bonecão do posto tá mais... Exato. Já viu isso?
Já vi.
É melhor do que o ar.
Ele tá contemporâneo, ele tá Pina Baus. É verdade.
Ele tá Pina Baus, ele tá fazendo um clipe da Débora Blando, né?
Tá. Total. É uma pena, né? Porque ele tinha uma função ali. Ele é um espantalho do... Moderno. Da urbanidade.
Ele é um espantalho moderno pra se defender do vento.
Olha aí, espantalho. Vamos falar sobre isso.
Espantalho, acho que não tem mais, né?
Espantalho já teve em algum momento ou ele é um mito? Tipo, será que ele não tá na categoria de coisas?
Já vi muito espantalho.
Viu espantalho?
Que isso?
Onde?
No Rio Grande do Sul.
Ah, é?
Tinha espantalho.
Tinha espantalho?
Espantalho bom. Espantalho bom. Igual o... Espantalho bom de lida. É? Espantalho que não deixava corvo chegar perto, não. É mesmo?
É. Corvo?
Corvo.
Obrigado por atentar pra isso. Tem corvo no Rio Grande do Sul?
Sei lá, tem passarinho que come as coisas.
Eu acho que é jacu, ele mais afasta, mas jacu. Mas não é muito curioso que o corvo, por exemplo, que é um bicho inteligente pra caramba, o corvo, né? Vou até contar uma história sobre o corvo daqui a pouco. O corvo vê lá aquele homem, ih, não pode ir ali não, tem um cara. O corvo momento nenhum atenta que esse cara, pô, o braço dele tá doendo já, porque ele tá ali há mó tempão assim e com esse chapéu.
Aí ele tá lá até agora.
Pô, eu voltei aqui ontem, ele tava aqui também.
5:30 da manhã ele já tá aqui.
Caralho, irmão. Como é que o corvo vai ter medo desse otário? Porque ele é um otário.
Não, e um otário simpático, né? Porque no final ele não tá assim.
Não, ele tá.
Ele tá assim.
Aliás, será que corvo não vem no rio não? Porque veio ali.
Pera aí, aquele pantalhão.
O corvo não passa no rio não. Por que que tu não vê corvo no rio?
Exato.
Tá lá.
Agora, o engraçado é que o espantalho mesmo, talvez o bonecão do posto seria filho do espantalho, porém com funções exponencialmente diferentes.
Ele foi prejudicado, ele foi precarizado.
Não, na verdade, o espantalho é para afastar, o bonecão do posto é para chamar. Ou seja, é uma evolução da dinastia.
Tem razão, mudou Agora, uma dúvida: não funcionaria um bonecão na lavoura mais do que o espantalho?
Com certeza, com certeza. Porque esse sim meteria medo.
Esse sim os couro ia ficar bolado. Caralho, que espantalho! Esse não é espantalho não, esse é a gente, né? Porque, cara, tem uma coisa que o— para mim, o espantalho, que vamos falar que existe, porque eu tava pensando aqui, talvez fosse essas coisas quando você é criança. Sabe coisas quando você é criança que você acha que são maiores do que são? A areia movediça, um bom exemplo, muito já foi falado sobre isso, sobre o fato de que a areia movediça quando você é criança é um problema.
Você não dorme à noite falando, meu Deus, o que eu faria se eu pisasse na areia movediça? Até chegar a virar um problema.
Até o He-Man se deu mal na areia movediça.
Pro He-Man se dá? Imagina eu que tenho 7 anos, como é que eu ficava?
Não, e não tem a maior força do mundo, nem um gato guerreiro.
Exatamente. Tô fodido. Tem que ficar muito atento a isso, eu pensava nisso. Muito atento a nunca ver, ver antes de pisar, será que aquilo ali é movediça? E aí eu não piso. Eu tinha esse...
Mas existe areia movediça?
Existe. Mas é bem raro, né?
Eu lembro quando eu era pequeno, eu menti que eu fui... Tipo, numas férias, eu voltei falando, cara, teve um perrengue que eu me prendi numa areia movediça. E aí eu consegui sair. Eu me lembro dessa mentira.
E aí?
Você queria estar lá? Eu não sei se era pena.
É, acho que era pena. Porque eu acho que até criança sabia que era uma coisa meio, ué, areia movediça? Será, João?
Tipo o Elia. O Elia é um amigo meu, chefe de cozinha. Tem o Babo Restaurante, tem um monte de restaurante.
Muito bom. O Elia é maravilhoso.
Beijo pro Elia. Elia, ele tinha 9 anos, ele falava que ele era da raça Fla e que ele ia pro estádio brigar. E a gente, por um tempo, acreditou. Eu lembro, ele falava, eu sou da raça, meu irmão. E a gente falava, caralho, ele é da raça. O Elia já não é um homem muito alto. Cozinha pra caramba. Nessa época tinha desse tamanho, falava que ele ia pra... A gente tinha mentiras assim.
Tinha, criança gosta de acreditar em umas coisas, né?
É.
Tipo... Isso, outra coisa é planta carnívora.
Planta carnívora, é. Isso a gente acreditava também.
Acreditava também. Tipo, acho que por causa de Mário, sobretudo, né? Aquele, tem aquele filme com ele.
Mas a planta carnívora do Mário não comia, jogava fogo, não era?
É, né? Acho que sim. Não, o que tem é aquele filme com o cara do Querida, Encolhi as Crianças, loja de horrores. Não disse? É uma planta que começa a crescer e come todo mundo.
É, depois a gente descobriu que ela é carnívora porque ela come insetos que não têm carne.
É verdade. E ela é desse tamanhinho, né? Ou tem um plantão?
Não, acho que não tem gigante não, mas acho que aqui tem assim, né? Não importa. Um programa que falamos tudo sem nenhuma certeza. Isso é uma grande coisa.
Mas aí, para mim, o espantalho tava na categoria planta carnívora.
A planta carnívora tem Tem uma, uma lógica, as plantas são vivas, mas a planta carnívora ela extrapola um pouco a vida enquanto planta e ela tem uma questão de raciocínio. Porque raciocínio é forte, mas deve ser uma questão de o peso que faz, faz ela fechar, mas de alguma forma ela morde. Pode ser uma mordida lenta, pode ser um negócio assim, mas ela fecha uma mosca ali dentro, ela fecha e ela come. Ela deglute? Planta a carninha para deglute?
Deglute, deglute, deglute, não deglute, deglute, deglute, deglute, deglute. Daquelas palavras que você falar muitas vezes ela vai perder o sentido muito rápido.
Já perdeu para mim.
Deglute.
Ela realmente, ela é dessas coisas que rompem a barreira das coisas. Entende o que eu quero dizer?
Quero mais.
Por exemplo, feito objetos que você não sabe direito se deixaram de ser objetos, ela expandiu a categoria da planta e começou a ciscar pra fora, pra outras categorias. Ela pensou fora da caixa.
Pensou fora da caixa.
Ela é uma planta que pensou fora da caixa. E realmente ela saiu um pouco da seara dela de planta. Assim como alguns animais estão também meio que tentando ser planta. Então ela falou assim, então também vou tentar ser eles. Porque você pega um...
Qual animal que tá tentando ser planta?
Um bicho-pau.
Um bicho-pau, né? Um bicho-pau é um animal que tenta ser planta.
Um animal que tá fingindo que é planta. E o peixe-pedra? Peixe-pedra também, tu tá fingindo que é pedra, então por que que eu não posso fingir que eu sou, comer os bichos também? Agora, o corvo, João, quero voltar a ele porque eu vi um vídeo outro dia que ficou na minha cabeça. Os corvos lá do Rio Grande do Sul, você deve ter convivido muito com eles.
Nossa, já vendo os comentários: que corvo?
Não tem corvo nenhum.
Talvez tenha.
O corvo, dizem que é o pássaro mais inteligente, né?
Ah, corvo, se fosse, não ficava dando mole pra espantalho.
Exatamente, é verdade. Não, mas eu acho que isso daí é mentira.
Que corvo dá mole pra espantalho?
Eu acho que espantalho é... Agora você, desculpa se eu estiver ofendendo aí a categoria dos espantalhos, mas eu acho que espantalho é um grande fake.
E o nome é maravilhoso, né? Jorge, por que você tá enfiando aí esse boneco esquisito no meio dessa plantação que tá... Cheio de pássaros. Já respondeu o quê? Pra espantalho.
Pra espantalhos. Poxa, João. E sabe como é que é em inglês, né? Scarecrow, que é literalmente espantador de corvo. Espanta corvo. Ou seja, o corvo realmente é o pior inimigo do espantalho. Só que o espantalho, eu acho que ele foi popularizado por Mágico de Oz, né? E por outros filmes que alçaram ele a um protagonismo que uma pessoa deve ter feito isso daí, botado umas palhas dentro da coisa ali de um— tem macacão, né? Adoro que ele tem um macacão. Pra quê?
O corvo vai se ater a isso? Mas o espantalho da sua cabeça, quero deixar claro.
O seu não tem macacão não?
Não, o meu tem camisa quadriculada. E tem, e é lindo que o espantalho de todas as nossas cabeças tem uma coisa que é um defeito, que é a pessoa que fez o espantalho imaginário que tá no nosso inconsciente, nosso subconsciente, ele tem umas palhas para fora, que é um erro, é um erro, é um erro. A pessoa poderia ter gastado uma meia hora e botado aquela palha para dentro. E sim, aí ficado um homem.
E aquela cara de bate-bola, bate-bola, é meio bate-bola, né? E aí o corvo, que é esse bicho tão inteligente— eu vi um vídeo de um cara que assim, o corvo, todo dia ele botava uma comidinha para o corvo. Um dia o corvo, na janela, o corvo ia comer. Um dia o corvo trouxe para ele uma coisa de volta de presente. Um rato? Não era um rato. Eu acho que a primeira coisa que o corvo trouxe era... O que que o corvo trouxe pra ele de volta?
Era tipo uma coisa, um papelzinho que ele pegou na rua. Eu falei, olha, legal, o corvo tá me trazendo coisa de volta pra ver. Aí eu dei uma coisa um pouco melhor pra ele, uma castanha de caju. O corvo ficou feliz, descobriu que eu gostava que ele me trouxesse coisas. Aí ele começou a me trazer coisas que ele achar. Um papelzinho amassado, um papel de chiclete. Eu continuei dando uma castanha de caju. Até que um dia ele me trouxe uma moeda.
E eu dei pra ele, tipo, a melhor coisa que eu tinha ali pra corvo, que era, sei lá, dei uns amendoins Agital.
Eu dei ali das melhores coisas que eu tinha pra corvo. Isso aí, ele...
O corvo, aquele amendoim Agital... Cacacacaca... Saiu e entendeu que eu gostava de moedas. E a partir de então... Aí ele mostrou. O corvo trouxe pra ele uma caixa de moeda. Ele tá rico.
Ele é o Elon Musk hoje em dia.
Ele virou o Elon Musk. Por causa das moedas que o corvo... Agora vai saber se não tava roubando de gente. Deveria estar, porque o corvo ficou desesperado pela mentoria e tal, entendeu? E esse é o nível da sagacidade de um corvo, que é capaz de roubar. Você vê a inteligência de um animal assim, pelo caráter. Sabe fazer coisa escrota? É porque é inteligente.
Imagina esse corvo desesperado para procurar moeda na rua.
Na rua, igual um cracudo, perdão do termo, desculpa.
Igual uma pessoa em situação de rua com dependência química braba, sabe? Isso é essa história Você viu aonde gravado?
TikTok, não sei. Alguém mentiria no TikTok? Por que que a pessoa vai mentir no TikTok, gente? Pô, mas eu vi.
Só comparando com o outro dia do Não Importa, que o Grimaldo falou que no túmulo do Allan Kardec, se você vai, você olha e só tem flor de brasileiros.
Não é verdade isso?
É verdade.
É verdade. E eu mandei isso aí pro meu amigo especialista em pássaros, que é o Bruno Tortura. Ele é obcecado com pássaros, né? Ele é ornitólogo amador. E aí ele falou, não, é verdade, o corvo realmente faz esse tipo de coisa. E é isso, a história acabou de uma maneira bem ruim.
Não, não, mas eu achei maravilhoso, porque é domesticar um animal selvagem em prol do enriquecimento próprio.
Se você pudesse ter um animal sem julgamento externo, Tá?
Sem, tipo, sem peta, sem Luiza Amel obrigada.
Isso, no mundo em que não tem sofrimento animal. Dá para existir isso? Dá. Pô, tem um covo aí irado, né? Eu acho que eu teria um pássaro desse, um gavião assim, um pássaro muito sagaz que busca coisa para mim, né? Ser irado, que vem aqui no meu, vem cá, vai, vai, pega lá, desenrola uma moedinha para mim ali.
Eu ia falar que a gente já falou sobre isso, mas eu acho que a gente falou sobre isso num Não importa com o Porsche. Então tá valendo. Não, mas não tem problema. Eu quero saber o seu animal.
Pra mim era um gavião desses.
Uma águia. Porque a águia é bom porque ela pode pegar coisa pra... Bom, mas calma, tem que adestrar a águia também.
Sim, adestradinha, na moral.
Ah, não, você já quer adestrar?
Não.
Não, eu quero adestrar não. Porque assim, o negócio de ter um animal sem problema é assim: Ah, legal, quero uma baleia. Aham, vai ter que alimentar a baleia.
É, então, tá?
Então assim, tem dinheiro, tem que ter dinheiro para comprar uma tonelada de peixe por dia.
É por isso que o falcão não dá muito trabalho não, né? Gavião, falcão, falcão, um gavião carcará, que é um falcão, sabe?
Aí tem que botar aqueles girassol grande no paletó dele.
Claro, aí é bom para caramba.
Não, mas então você quer uma águia?
Não, não, um falcão brasileiro. Águia é gringa. Quero um carcará, que é um gavião carcará, ele é um falconídeo. Aí ele aqui, só que que eu possa falar para ele assim, irmão, desenrola um cigarro avulso.
É isso.
E aí ele vai, ele, qual, qual, qual? Rouba um iPhone 17, descola a senha do Wi-Fi.
Não, e o legal, descola a senha do Wi-Fi, acho que não, não, não. Mas acho legal que é um animal versátil, porque ele pode fazer serviço de motoboy, né? Ele pode buscar e levar coisas. Mas ele também pode fazer um, dar um trabalho numa briga.
Ah, ainda tem isso? Vai no olho?
Não, vem na cara, chato, vou na tua cara.
É verdade. Olha, então eu acho que eu achei o melhor animal, né? E você? Teria um felino de grande porte, né?
Não.
Não? Lobo, lobo.
Eu fico sempre entre lobo e urso.
Ah, urso é brabo. Mas e alimentar esse urso no teu caso?
Não tem problema. Não?
Não.
Agora, tem também um negócio que deve ser maneiro de ter, que é tipo um golfinho ou um tubarão. Imagina você poder ser uma espécie de Netuno da gambiarra, que você senta naquela, naquele golfo e tu vai nadando por ver.
Vamos lá, calma aí que eu vou te explicar várias coisas aqui. Um, tubarão domesticado. Não se domestica tubarão.
Não, mas ele me ama.
Ele te ama?
O meu tubarão me ama.
Como é que ele te ama?
Ah, deixa ele me amar. Você não sabe educar falcão também, linda.
Mas falcão se educa.
Tudo bem, mas você não sabe, porra.
E mais, você pra usar ele, você ia ter que mergulhar lá na puta que pariu do mar.
Eu entendo, eu entendo. Eu entendo que é mais difícil, mas também o superpoder que ele já traz é muito legal.
O quê? Tipo, me leva pra Angra?
Me leva pra Angra, por exemplo.
Aí tu vai.
É, não, tipo, vamos passar ali na frente de Ipanema para tirar onda.
Ah, tá, isso que você quer.
Com a caixa de som.
Daí você vem rolando. Montado no tubarão. Ah, isso eu queria ver.
Montado no tubarão.
Quem quer mexer contigo?
Porra, na água?
Na água, velho.
Agora vai ser foda.
Agora sai da água também.
Ué, meu irmão, de costas.
Tubarão não faz nada.
Não, tubarão nem consegue.
A área dele é muito restrita.
É muito. Restrita pra você. É maior do que a tua.
É verdade.
Onde o teu falcão anda.
É verdade.
Tá?
É verdade.
E ele pode mostrar a whole new world. Entendeu? Eu posso subir naquele bicho e ver coisas que ninguém jamais viu. Ir a lugares que ninguém jamais... Não, ninguém jamais não, mas muita gente não foi. E mais, ele pode pescar pra mim, se eu souber educar ele.
Tipo... Ah, isso é legal.
Tipo Walter.
Atum. Falcão, atum, atum. Mas daquele, como é que é o nome daquele? É toro. É delfim?
Toro, é. Toro, delfim.
Tá? Ele vai, cadê aquele delfim?
É isso.
Ele é um falcão lá de baixo.
É um falcão lá de baixo. E a gente junto seria uma puta de uma dupla. Porque a gente ia ter o Walter e o...
Ah, o meu? Cara, eu não pensei ainda. Deixa eu pensar com carinho só, porque é difícil, né? Um carcará assim. Eu gosto de nome de gente pra bicho. Um Heitor.
Heitor, Carcará.
Não, é muito comum no Nordeste, talvez um nome mais assim, sabe? Nelson. Nelson é bom. Nelson é maravilhoso. Vai ser Nelson. Um Carcará chamado Nelson.
Walter e Nelson. É isso aí, irado, cara. Imagina, a gente ia ser tipo, como é que é o nome daquilo, os supergêmeos. Só que em vez de ter um macaco—
macaco é bom também, é bom.
Porra, macaco é bom pra cacete.
E se for um macaco grande, aí dá muito trabalho, né? Mas um chimpanzé te ajuda legal numa briga.
Chimpanzé é maior que você.
É isso que eu falei. Eu falei assim, se fosse grande, ia dar muito trabalho, mas ao mesmo tempo, um chimpanzé te ajuda legal numa briga.
É, não, quê?
É.
Agora, um gorila também.
Mas aí é pesado demais, barulho.
Mas você não leva ele no colo, não. É ele que te leva. Ó, você sai da São Salvador doidão.
Dormindo no colinho do gorila é bom, hein? Eu gostei.
Guilherme. Chamar de Guilherme.
Guilherme.
Guilherme. Guilherme, casa. Imagina, o gorila vai lá. Porra, um gorila afetivo. Giovanna não tá dormindo em casa, tu, ó. O gorila. Ah, porra.
Tu ia dormir de conchinha?
Conchinha de dentro.
Eu quero o Guilherme. Quer?
Eu vou trocar o Walter.
Mas é porque o Guilherme, João, é que assim, vamos lá. O cheiro de um gorila já...
Não, tu lava o Guilherme.
É?
É.
Lava? Tu acha que o gorila ia topar? Acho que tem limite pro adestramento.
Não, não tem não.
O gorila não vai topar se você lavar.
Não, porque eu peguei o Guilherme bebê. A mãe dele morreu numa armadilha. Ele tava grudado nela morta.
Ai, tadinho.
Eu tava andando, peguei...
Você é uma mãe pra ele, na verdade.
Eu sou uma mãe pra ele.
Entendi.
Ele foi aleitado por mim.
Ih, não quero saber como. Não, não, não. Não vamos entrar nessa não.
Não, não.
Não vamos entrar nesse aí.
Eu tô dizendo que eu comprei pra Guilherme umas mamas falsas onde eu botava leite de gorila que eu trazia É da Zâmbia?
Da Zâmbia.
De Zâmbia.
Do Zâmbia.
E aí a gente, eu botava Guilherme aqui e tinha essência também.
Ah, tá.
E aí eu—
Você ficou com aquele cheirinho de gorila.
Isso, durante muito tempo eu andei de 4 dentro de casa.
Olha, mesmo?
Aqui, ó.
De 4 daquele jeito, de gorila. Ah, que legal, cara.
E aí Guilherme foi se afeiçoando muito a mim. Chega perto de mim com o Guilherme.
Não, nunca mais.
Não, não tem que ter cuidado. Tipo, chega em casa lá, primeiro tem que falar com ele, tem que falar com ele. Aí botava roupinha nele.
Ai não, você não fez isso com seu guri.
Eu botei.
É? Tadinho, que humilhação.
Todo dia, Ralf Lopes.
Vestiu ele todo dia. Desculpa a pergunta ignorante, o gorila, ele é maior que você?
Cara, o gorila é um fuxa.
De largura eu sei, mas Altura, ele tem 2 metros? Claro.
É? Caralho, quantas humilhações eu já sofri aqui hoje. Zâmbia não tem gorila. É. Gorila tem 8 metros.
Qual o tamanho de um gorila?
Vamos lá, Gabi.
Eu chutaria que é...
Eu chutaria que 2 metros e pouco.
É?
Em pé, ereto.
Ereto, tá. 2 metros e pouco? Eu não sei mesmo, tô falando, não tenho a menor ideia de sucesso.
Eu também não tenho. Não, mas ele não tem 3 metros.
Não, não tem como.
1,70m? Olha, 1,83m. E pesa 200, pode pesar até 230kg. Ah, não é possível.
É, e não é tão grande não, é porque ele é mais largo mesmo. Na boa, o gorila contra o maior lutador, quem é o maior de MMA hoje?
Um chimpanzé contra o maior lutador?
É?
Não ganha.
Jura?
Claro, é força de... De chimpanzé.
É mesmo?
Fora que morde cara. O Mike Tyson, certa feita, desafiou o gorila.
Não. E aí? Não deixaram.
Ele só pediu que ele tivesse de mordaça.
E aí? Não deixaram? Quem não deixou?
A mãe do gorila.
Os defensores de gorila ou os defensores do Mike Tyson?
Eu não sei quem não deixou, mas ele meteu. Ou era um grande fake. Não, não fake, mas ou ele meteu sabendo que não ia, mas Mas ele ia morrer, pô. É um gorila, é a força de um caminhão.
É, será? Mas o gorila ao mesmo tempo não manja de—
não manja, mas ele manja de se defender.
É verdade, claro.
Se um cara der um soco na cara dele, eu acho que ele vai tentar, vai ficar chateado.
Que ideia de jirico, hein? Quero lutar contra, desafiar.
Sempre ele volta, sempre volta o nosso jirico. Mas então, ó, eu tô muito em dúvida se eu quero ter um tubarão, se eu quero ter um gorila.
É, João, eu acho que você não precisa resolver agora não.
Guilherme ou Walter?
Olha só, eu também acharia foda, né?
Ou uma baleia orca, hein?
Não, é muito chato. Chato?
Por quê?
Bicho demais, João. Você não vai, tem que ir até o mar para falar com ele. Eu moro em Laranjeiras, entendeu? Eu, para ir para, porra, é chato, não vou à praia, é chato. Você mesmo não mora do lado da praia para falar com ele todo dia. Ia ficar carente. Tem que passear, bicho tem que passear.
Assim, o lobo seria mais performático, o gorila seria mais útil.
Útil por quê, cara?
Porque o gorila pode fazer uma mudança para você, né? O gorila pode meter a porrada no desafeto. O gorila, você pode ser a conchinha de dentro, que eu gosto. Aliás, para quem tá assistindo agora não sabe, eu Eu tenho 1,90m, modéstia à parte, mas eu gosto de ser aconchegado de dentro. Isso é uma especificidade minha, mas que é o que é. Então é, ou seja, você que tem 1,95m, não, não, não, você deita esse corpanzinho e você que lute.
É, aí eu gosto, é falta de aleitamento, de novo, voltando essa palavra, falta de amor na infância.
João, é sério? Você gosta de ser aconchegado de dentro?
Com certeza.
É mesmo? Amo.
É, finjo ali que vou fazer uma coxinha de fora, não sei o quê. Daqui a pouco eu vejo que ela dormiu, já me viro. Tem toda uma técnica, é quase jiu-jitsu.
Já oferece a bundinha?
Não, pego na mãozinha e vou virando assim devagarzinho, ó. Ela senta tentando não acordar, não sei o quê. Aí ela recebe uns coisas, né? Aí eu vou levando assim, aí vou empurrando assim com a bunda até A pessoa, o peso, entendeu? Pegar aqui na base da pessoa e aí já meto-lhe a mão na perna e já jogo por cima, porque aí eu sinto que ela sente conforto na hora que é, porque tá sendo incomodada enquanto dorme. A verdade é essa. Aí será que isso é uma espécie de assédio?
Assédio afetivo? É mesmo? É errado se eu estiver dormindo com alguém, pegar a mão dela e ficar fazendo assim?
É errado? É, é. Tem um nome isso em inglês. Forced caressing.
Carinho forçado.
Cara, porque eu acho que deve ser bem chato. Você tá dormindo e o grandalhão trambolhudo te bota o teu pé por cima das costas dele porque ele... Porque ele é carente. Porque ele é carente. Sabe, João? Tem que ver isso aí, cara.
No final, o sexo pra mim é só pela conchinha.
É só pela conchinha? Frase que ele fala para agradar ao eleitorado. Eu gosto demais dessa pessoa.
É porque é isso pra mim, assim. Eu tenho tesão em carinho para João.
Não, mas João, falando sério mesmo, não sei se você vai poder ser sincero com essa pergunta, mas eu vou fazer de qualquer jeito. Faça. Sono, conchinha, é com qualquer uma? Não. Ou você tem dois pacotes que você oferece enquanto solteiro? Um café incluso, um que inclui café da manhã e um que é só noturno.
Eu vou falar assim, né, nos meus tempos áureos, né, o tempo que eu fazia. Hoje em dia eu só trabalho igual um louco, nem transo mais. Mas nos meus tempos áureos que existia essa, essa Essa questão, a verdade é, e aí você pode parecer que eu tô fazendo VT, mas não é, é que é o seguinte: eu não tenho, nunca tive coragem de falar, seu Uber chegou. Nunca tive coragem de fazer isso. Então eu sempre era, contratou alguém para vir falar assim, ó, seu Uber chegou?
Não, para mim era sempre meio ao gosto do cliente, porque se quisesse ficar eu não ia falar para ir embora. E se quisesse ir embora, ia embora. Então eu era meio obrigado às vezes, né? Não, mas é isso. Mas vou te falar, eu já descobri conchinhas em braços que eu não imaginei.
Porque a qualidade do sexo não é que não significa uma qualidade da conchinha, não, e nem vice-versa. Nem vice-versa.
Às vezes é uma conchinha, às vezes você fica preso à conchinha.
É, você quer é a conchinha.
Intimidade, aí eu vou falar uma coisa polêmica que você vai discordar de mim, mas a conchinha, eu acho que isso talvez seja meu universo, existe conchinha boa sem intimidade.
Ah, é?
Depende da habilidade de ambos.
O que é uma habilidade?
É a habilidade de você saber, você primeiro, a conchinha assim como sexo Tem que haver escuta na conchinha.
Escuta de conchinha.
Escuta de conchinha. Ou seja, você tem que se preocupar com o conforto do outro e com o seu também, mas com o conforto do outro. Então assim, se não é muito meu caso, né, porque em geral o meu braço que fica embaixo, mas se o braço da pessoa tá embaixo, tem que ali ter um timer um pouco na sua cabeça de entender que daqui a pouco vai, vai estar formigando. A não ser que a pessoa tenha dormido. A pessoa tá dormindo, que se foda, que formiga.
Que também o problema não é teu, claro. Por exemplo, evitar dormir em posições que talvez você ronque na colchinha, né? Eu tenho uma questão, sempre tive a vida inteira, que eu preciso de um travesseiro no meio das pernas. Tem um outro ser humano na minha cama ou não?
Claro.
Então assim, colchinha com travesseiro na perna.
É um pacote.
É um pacote, porque o meu joelho... O que acontece? Minha perna é magra, meu joelho é ossudo. Então machuca.
Um joelho machuca o outro?
Irrita.
É?
Fica fazendo assim.
É mesmo? É. Rapaz, não sabia que era por isso que você gostava do travesseiro, não.
Não, é por falta de amor, eu acho também, mas... Um abraço.
Cara, mas roncar... Eu tava lendo o livro do Carrère, muito bom, o Qualcoso, o livro novo do Emmanuel Carrère. É um detalhe só do livro que ele fala que ele dorme em quartos separados da mulher. Porque ele ronca. E eu fiquei com pena, porque não dá aflição não. Eu acho bonito, pode ser uma arte, mas não é estranho?
É estranho, mas dormir com uma pessoa que ronca é insuportável. É, acho que sem quem tem sono leve—
Puxa, pena da Giovana.
É, sempre. Eu, por exemplo, só ronco quando eu bebo.
Não quando eu bebo, eu tô cansado, às vezes, não sei quando. Quer dizer, eu não sei dizer.
Porque você nunca tá acordado quando você tá roncando, né?
Acho que deve ser por isso.
Deve ser por isso. Mas é engraçado, né? Porque será que você ronca toda noite e o testemunho só vem quando a Giovana tá com sono leve?
Pois é.
Ou será que você só ronca às vezes? Porque às vezes ela tem dia que ela tá mais cansada, ela não ouve.
Exatamente. Mas assim, eu sempre achei estranho quando na minha vida de solteiro Eu dormia com uma pessoa, a pessoa acordava e falava assim: Você ronca, né? Eu acho uma descortesia.
Descortesia! Guarda pra você.
Eu acho também. Guarda pra você, pode nunca mais me ver na minha vida. Some, nunca mais quero saber. Agora, você é horrível se jogar essa culpa na pessoa. E mais, já aconteceu de eu dormir com uma pessoa que ronca? A própria Giovanna dá uma roncadinha.
Opa, eu não sei.
E eu não me incomodar, porque estou apaixonado. Não incomoda ronco de pessoa por quem está apaixonado.
Mas essa mulher não estava apaixonada por você.
Não estava. É isso que eu quero dizer. Por isso que eu acho que é uma descortesia.
Não, não, não. Mas a questão não é essa. A questão é: pode ser que o ronquinho da pessoa que você esteja apaixonado, e é verdade—
Te embala o ronquinho da pessoa que você está apaixonada. Te embala.
A boquinha aberta, caindo uma babinha, coisa mais linda do mundo. A questão é: a pessoa, mesmo não estando apaixonada por você, não deve dizer que você ronca.
Não deve.
E sabe o que eu já fiz com pessoas que fizeram isso comigo? Falei, você também, em outro dia.
Eu concordo, eu acho que eu já devo ter feito isso também. Eu acho que é a única estratégia.
Pode ser bom assim também, gente, soltou um punzinho dormindo.
Mas assim, ó, foi, foi bem fofo, longo, já que a brincadeira é constranger o outro, né?
Agora, existe coisa mais calhorda e covarde do que estimular a pessoa que fala dormindo?
Eu acho que isso aí é assim, é tribunal de Haia.
Não que eu nunca tenha feito, mas eu acho que não se faz.
Gregório, acho que eu nunca fiz não.
Nunca?
Não sei, eu sou sempre a pessoa que fala dormindo. Eu nunca estive acordado.
Conseguiu chegar ao ponto de dormir depois de uma pessoa?
É, eu durmo muito fácil, eu durmo muito.
Mas eu já fiz, eu sei que já fizeram comigo. É loucura, não sei o quê.
Que foi?
Aí você tenta ir no baixinho assim. Que que foi? Mas nunca dá certo.
Não, né? Quem é fulano? Ai, meu Deus. Anestesia tem isso, né? Você já tomou anestesia e ficou maluco?
Não, não, acho que não.
Tem alguns casos de gente que tomou anestesia e saiu, destampou o inconsciente e falou tudo que tinha pra falar. Não dá um medinho isso? Assim, de você ter vergonhinha de... Puta que pariu, falar com um médico e se abrir, né?
E se abrir, né?
Eu acho que deve ter uma ética médica de você não falar com a pessoa que tomou anestesia.
Ah, isso com certeza. Ou senão deve ser uma puta brincadeira boa, né?
As coisas vão ficando meio sonho, meio...
Você fez o quê pra você tomar remédio?
Eu tomei... Como é que chama aquilo? Eu fiz adenoide.
Fez adenoide?
Fiz. Você também? Não.
Eu fiz desvio de septo.
E aproveitou e deu uma mexidinha, né?
Um negócio... Uma bolinha!
É sempre assim. Desvio de septo, a pessoa sempre aproveita pra...
Não, e a pior coisa do mundo, eu fiz desvio de septo e não funcionou.
Não? Continua? Será que você tem que fazer adenoide?
Não, acho que não. Acho que o médico viu que era desvio de septo, só não foi bom. Só não fez bem. Ai...
É das coisas mais nojentas que tem, né?
Desvio de septo?
Não.
Adenoide?
A ideia de carne esponjosa. De nariz?
Tem outras ideias mais nojentas que eu gosto de contar.
É? Carne esponjosa é foda esse termo, que a gente tem no nariz uma carne esponjosa.
Qual é o órgão do seu corpo que você tem mais nojo?
Porra, boa pergunta, mas assim, do meu próprio corpo?
Se tivesse que lamber um órgão do seu corpo.
Do meu próprio corpo?
Do seu próprio corpo.
Mais nojento, bom, obviamente o cu, né, João? O cu não sai cocô.
Não, um monte de gente já chupou seu cu.
Mas não eu, né?
Ah, você tem, você acha que você tem mais nojo do seu cu do que as pessoas que já chuparam seu cu?
Uma pessoa apaixonada por mim, com tesão ali, é lógico.
Mas só que não é uma, é, você lamberia, por exemplo, sua bexiga?
Não acho que seja a pior parte, não. Eu acho que bexiga, o saco É um objeto muito mal feito.
O saco é um objeto?
O saco é um objeto. Mas o saco é, de todos os objetos, todas as— ele é o mais mal feito. Objeto não, todas as coisas que existem. Ele é mal acabado.
Ele é mal esteticamente, mas a tecnologia é muito boa.
A tecnologia pode ser, mas faltou um Steve Jobs ali, faltou alguém no design. Porque é o seguinte, ele é enrugado.
Calma, fale por você.
Todo saco é enrugado. Não, nem Todo saco é, João. Não? Não sou mais especialista em saco, mas a pele do saco— desculpa falar isso, essa hora.
Desculpa o palavrão.
A pele do saco, ela é nojenta, é fininha. Tem pelo no saco, mas poucos.
Mas separado.
Então fica meio aquela pelagem de gambá, sabe? Que é aquela pelagem rala. Ele é— o saco, ele é um horror. Esse é um dos motivos que eu não seria gay, eu acho. O saco, o pau de modo geral, eu acho ele um objeto, com perdão do termo errado, Errado, feio, feio. Não é objetivamente feio. O saco é nojento, o pau ele é veiudo, ele tem veias, ele é, ele tem um final falofóbico. Eu sou falofóbico. Eu acho assim, dos objetos, das partes do corpo, claramente foi a mais mal acabada.
Acho que Deus fez ali, fez muito, muito um papo de hétero querendo se provar hétero, né?
Pode ser, pode me criticar. Eu gostaria Eu adoraria gostar de pau. Seria uma coisa que me abriria portas no mundo, com certeza, né? Teria problema porque, eu juro, não teria problema nenhum. Mas a verdade é que eu acho o pau, o conceito todo de pau, saco, mesmo meu, sobretudo seu, sobretudo meu. Se você tivesse que dar para alguém, você preferia um amigo Íntimo ou um desconhecido?
Mas eu vou ter que— ele vai saber que aconteceu.
Vai dormindo? Não, não vai saber. Ele vai saber. Ah, você quer saber se o mundo vai saber?
Não, não, mundo não. Ele vai ter a consciência.
Eu quero saber no que que isso muda na sua resposta.
Ah, muda porque depois não tem um climão.
Ah, tá. Então não, não vai saber.
Não vai saber, meu amigo.
Um amigo? Claro. É? Lógico. É, depois você vai fazer o Men in Black e você assim, vai apagar da cabeça.
Antes um amigo do que um aventureiro. Isso em tudo na vida. É.
E você preferiria um homem gostoso, com muitas aspas, um cara assim tesudo, ou não? Você escolheria pelo tamanho do pau menor?
Eu tenho acesso ao tamanho de todos os paus dos meus amigos.
Ah, não, você tem que fazer uma aposta cega.
Tem que fazer uma aposta cega? Olha, tem que escolher o amigo agora?
Ah, eu não ia não, já que você tá propondo. Você iria mais num Shai, sabe? Que de repente o cara tá tão bem, tá tão no shape, que você consegue até ter um tesão ali e curtir. Ou mais num sedentário, tipo eu, que vai cansar rápido. Não vai te dar muito trabalho.
Bom ponto. Bom ponto. É um fumante, né?
É. O negócio... Eu gostaria mais num quê?
Eu tendo muito a dizer você. Mas o vídeo fundo verde me incomoda um pouco.
Que tem um pau marcando ali que te assustou?
Tem um pau marcando que pode... Eu acho que é pau de carne.
Tem muito saco ali.
Muito saco ali.
É.
Mas pensando bem... É, eu não sei se essa coisa— eu acho que seria tão tenso, né, esse momento assim, porque eu não estaria transando com alguém por necessidade. Envolve dinheiro?
Não, não.
Então é só uma obrigação?
É.
Mas por que que eu vou fazer isso? Tem que me dar alguma coisa.
Não, a obrigação é sua sobrevida.
Ah, eu vou morrer?
Claro. Olha só, nesse mundo veio uma nova regência que todos os homens— faria muito bem aos seres anos todos terem uma relação homossexual completa. Isso vai melhorar a humanidade, sobretudo os homens, né, que estão muito—
melhorar a desigualdade social também, não só social, isso.
E vai acabar com essa macholência tóxica e tal. Os homens vão ter que ter uma experiência homossexual, todos, todos, obrigatoriamente. É Lula 3, 2030, Lula 4, agora tem que, ou forca. Forca. Não, não vou te forcar não, mas é trabalho forçado, prisão. Ah, isso aí também é bom, castração química. Você pode optar pela castração.
Castração química?
Química.
Ah não, química tá mole, pô.
Tá mole?
Tá, literalmente.
Não, castração química você não é que castração química você perde o tesão, pau não levanta mais.
É, eu sei, mas você vai escolher isso? Melhor do que castração.
Melhor, mas você vai escolher isso?
Não, acho que não, acho que não. Porra. É que eu tô pensando em quem. Em quem. E agora eu acho que vai ter que ser você.
Não brinca.
Sério?
Sério.
Sério, porque eu acho que você vai...
Eu vou acabar logo com isso.
Você não deve ser essa cama toda.
Não.
Você não deve ser esse atleta do sexo todo.
Não sou, não.
Tenho certeza que você, em algum momento do ato, você vai ter empatia de mim, você vai falar, tadinho, cara. Tá ali tendo que, senão ele morre.
Você ia tentar acabalar com isso ou você ia tentar ter um tesãozinho ali? Tentar, opa, até que isso aqui pode ser bom.
Com certeza eu ia tentar ver se tem algum prazer nisso, mas eu acho que tem uma, uma, um paradoxo aí foda, que é o seguinte: se eu ficar, se a pessoa ficar muito tensa e muito fora daquele ambiente sexual, quer dizer, meio... Ela faz com que a pessoa que tá fazendo o ato fique menos sexual, tenha menos tesão e demore mais. É. Então tem um paradoxo aí que se você tentar dar uma gemidinha mais gostosa... Vai acabar logo. Vem, seu doidão.
Faz um filho nessa gigante. Alguma coisa assim pode fazer com que agilize o teu processo.
Pode ser.
E você, Gregório?
Eu não queria que voltasse pra mim isso.
Não, não, mas vamos lá.
Não, uma dúvida. Se eu transar contigo, já mata a minha também?
Não mata, não.
Mata?
Ah, não, porque os dois têm que ser passivo.
Ah, é passivo. Bom, a gente reveza. Eu quebro a sua prostituta, tu quebra a minha também. Ainda é bom que isso é garantia.
Eu te machuco, Gregório.
Não, porque... Eu viria depois de você, tá? Que eu tenho a garantia de que você vai cuidar bem de mim.
Ia ser uma troca de gente, né? Tu viu quando eu vacilei, né?
A gente combina moral, combina educação, e você vem, vai vir com grosseria agora? Eu acho que tem que ser por aí, entendeu?
Isso no meio desse momento, no meio eu me empolgasse, desse um tapinha.
Aqui, só vem aqui, ó.
Só vem aqui. Mas eu tenho que fazer.
Porra, João. Que isso, cara? Não dá pia.
E se viesse um beijo assim que não tá combinado aqui?
Isso é muito bom. Caralho, precisava disso.
Não, acaba logo. A gente só tá fazendo isso pela sociedade. Pela sociedade.
Pro mundo ficar melhor. Porra, é chato pra caramba, hein, João. Não, não, mas talvez...
Mas, sério, ia ser uma coisa prática?
Não.
Tipo, vamos resolver isso? Ou a gente ia botar uma areta frágil?
Não, não, eu tô falando, mas eu não iria por você não.
Abrir um bom vinho.
What difference a day makes.
Botar um vinho, tentar achar um ponto em comum e de repente falar assim...
Então, por isso que eu não iria. Eu tô brincando que eu iria com você. Eu não iria não. Te comeria na educação. Mas eu assim, já que é pra transar... Quem?
Rodrigo.
Não, jamais, imagina. Justamente porque ele não é hétero, não. Já que é pra transar, tentaria ser legal, um cara que gosta, que gostaria de me comer, que não faria por obrigação. Um cara...
É um bom pensamento também.
Claro, um cara que ia comer legal, gostoso. Ia falar assim, porra, você... Obrigado, irmão. E aí eu abria um vinho bom. Entendeu?
Claro.
Eu ia... Eu ia tomar um poppers.
Poppers, sabe?
Talvez até uma ketamina. Uma coisa assim, para tornar a experiência completa. De repente sair para noite, tomar um drink, é claro, dançar, isso, paquerar o cara, ver ele do outro lado da pista, assim, tá aí, entendeu? Eu acho que seria por aí. Você ia ficar muito constrangido demais, demais, demais, demais. Ia ser um gay, uma pessoa gay bonita que achasse, tivesse algum potencial de achar tesão.
Porque eu não gosto muito desse assunto de pau Não importa, mas ver o ânus do seu amigo deve ser uma experiência diferente, né? Tipo, amigas, mulher que tem mais essa cultura de ficar pelada, não vê o cu, mano.
É muito pessoal.
Então assim, se você é pelada, eu já vi.
Nunca viu meu cu? Nunca viu meu cu?
O cu não vê.
Nem eu também.
Será que a gente pode fazer esse um dia assim para se a gente se conhecer 100%?
Foto, foto, eu mandar uma foto. Quer que te mande uma foto do meu cu? Ai, cara, eu acho que foi isso. Acho que foi.
Ele tava tão educado o programa todo falando de meio, falando de objetos, de coisa. Parabéns, Gregório! Welcome back! Estamos de volta, estamos de volta, senhoras e senhores!
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