#86: RODINHA DE VIOLÃO, CASAMENTO DA JULIETTE E OUTRAS COISAS
Esse Não ImPorta talvez tenha ido longe demais... De traumas de infância, passando por namoros tóxicos e com um pézinho na suruba. O importante mesmo é que sabemos que o João Vicente tá vacinado e é o maior fã de Caetano Veloso do Brasil. Inclsuive, querem mostarda de qualidade? Deve ter lá no Sam's Club. Saiba mais: https://sejasocio.samsclub.com.br/index.php/vantagens/?utm_source=porta-dos-fundos&utm_medium=youtube&utm_content=pbc_sams_regular_092026_porta-dos-fundos_alcance_awareness_porta-dos-fundos_youtube_video_nd_-_nacional_nd_saiba-mais_video-porta-dos-fundos_-_17-09-2026_nsocio_reg-0926-2252&utm_campaign=pbc_sams_regular_092026_porta-dos-fundos_alcance_awareness_porta-dos-fundos_youtube_nsocio&utm_term=reg-0926-2252
ELENCO:
João Vicente de Castro
Gregorio Duvivier
ROTEIRO:
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DIREÇÃO:
Matheus Monk
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- A complexidade das relações tóxicas e o constrangimento públicopassividade-agressividade em discussões·brigas de casal em público·a frase 'eu só acho engraçado'
- A arte de tocar instrumentos e a rodinha de violãosaber tocar e não fazê-lo·rodinha de violão forçada·leitura do ambiente para tocar
- A interpretação dos sonhos e a projeção em relacionamentosbrigar por sonhos de traição·analista explicando projeção em sonhos·sonhos como reflexo do próprio desejo
- Traumas de infância e a experiência escolar de João Vicentereprovação escolar por luto·estratégias para passar de ano·presentes para professores
- A importância da autenticidade na arte e na vidaescrever por desejo ou por ser escritor·conforto em fracassar na profissão·a diferença entre vontade e desejo
- A experiência de João Vicente em uma suruba inesperadaconstrangimento em situação de suruba·pressão para ereção·saída discreta da festa
Você tem nome?
A Polícia Federal tá com teu nome, cara!
Caralho, que eu vou ter pesadelo com isso.
Vem cá, a Polícia Federal tá com teu nome?
Com certeza, isso daí é desde 2000.
Acho que a Polícia Federal tá com o nome de todo mundo, né?
Eu espero que esteja. A Federal, porra, toque, toque, toque, 6 da manhã.
Vamos falar, internet me faz tão feliz, vou te falar.
Só você tá aí, encontramos, encontramos Só pessoa que tá na atmosfera. Você, o Elon Musk, o Zuckerberg.
Me faz muito triste, mas às vezes você tá ali perto, você percebe. A gente tá segunda-feira ali de manhã, aí você dá uma puxada e você vê uma coisa que te preenche. Preenche. Aí você fala, ah, ter filho do caralho.
Cara, você não sabe o que que é ver um vídeo desse, uma scrollada boa.
Não, não é uma scrollada boa, é uma coisa específica. É um troço. O que que mais te deixa feliz esses últimos tempos? Polícia Federal tá com seu nome.
Para, João, não fala. A gente vai ter que tirar a pia. Não vai tirar, porque o João tá rindo. João, eu sei, ele é meu amigo, eu gosto dele.
Teu amigo, exatamente.
Tira, tira, não fala. Por favor, gente, não vai botar isso. Fala de coisas.
Fala de coisa boa.
Fala de coisa boa.
Deus me deu esse presente.
Para, João. Eu gosto de verdade dele. Assim, agora o público não vai saber do que a gente tá falando, eu ia ter que mostrar, não quero. Vai, por favor.
Fala aí, o que você ia dizendo?
O que te deixa mais feliz em termos de vídeo?
Constrangimento.
Constrangimento. Mas você não... Tipo Regina Duarte e Gabriela?
Regina Duarte e Gabriela, eu achei um estudo antropológico. Eu vi além do que se viu. Quer dizer, é mentira, eu não vi além do que se viu. Todo mundo viu, mas eu gostei dos detalhes que tinham ali. A passiva-agressividade que tinha ali, a relação entre...
A mão no cabelo. Mãe, não responde. Você é adulta. E se você é adulto, me xinga, mas não fala. Você é adulto.
A mão no cabelo...
O Gregório, ele...
Ele perde a sutileza. Não é, não é esse momento você adulta. Você adulta no momento que então não responde. Eu não consigo, mas você é adulta. Eu decorei. Mas a mão no cabelo era um momento muito interessante, que aí eu vou abrir aqui duas caixinhas. É interessante porque é um momento em que a Regina tá tentando responder ali de uma maneira sincera, de acordo com o que ela pensa, E ela tá realmente respondendo uma pergunta que foi feita a ela.
Eu tô com ela, inclusive.
Tô com ela. E aí a Gabriela faz: Tá bom, já respondeu. Que é uma coisa, e aí eu vou pra outra aba, que é... Já viu isso? Tanto em coisas filmadas assim como em relações íntimas. A pessoa que finge que tá escondendo Sabendo que não tá escondendo, canastrando no escondimento, desculpa a palavra, no escondimento de uma ação. Ou seja, o que ela deveria ter feito? Já respondeu. Não, eu sei, mas já respondeu. Isso seria fingindo que tá tudo bem.
Já respondeu, mãe. Isso aqui, ela tá passando um olhar pra mãe que ela acha que só a mãe tá percebendo, só que ela não acha, na verdade. Porque ela tá expondo a raiva dela. Você entendeu?
Nossa, agora eu vi quantas complexidades você tá fazendo. É proposital, aquela estrada, né?
Eu acho que não é inconsciente, é involuntária. Ela não consegue esconder. A primeira vontade é: eu tenho que esconder, passar um recado só pra ela. Que seria um: tá bom, respondeu.
Nossa, isso daí machuca muito. A risada do ódio é a coisa que mais machuca no mundo. Tipo, casal já passou por isso.
Eu tinha uma ex-namorada que ela fazia muito isso. Ela falava assim, quem é essa puta? Aí eu falava assim, quem?
De quem você tá falando?
Falava, quem você tá falando? Não gesticula! Tá gesticulando por quê?
Isso era um ambiente público. Aí tipo assim, vamos embora daqui, vamos resolver isso em casa. Não é pra discutir em público, é a coisa mais vergonhosa que tem no mundo. Não é?
É, total.
Isso daí é horroroso.
Aliás, tem uma coisa que eu acho que muita gente passa, homens e mulheres, que é tá numa vida boa, né? Tá ali jantando, amigos. Você viu o Odisseia?
Vi.
Aí você tá com o seu amor da sua vida ali, mãozinha pra cá, não sei o quê. Não, porque aí a gente tava indo para Siricoacoara, Jericoacoara, Siricoacoara.
Como é que foi lá em Sirica?
Tentei buscar a referência por aqui. Aí você tá aqui, aí coisa vai, daqui a pouco do nada você faz assim, ó, pega na minha mão e acabou. Aí você vê que a sua noite vai ser longa e que a partir dali O seu mundo caiu e acabou. E a partir daquele momento você vai se concentrar em fazer o amor voltar. Mas qual o problema disso? Quando não é um ataque direto, quer dizer, você fez aquilo e o problema é esse, você começa a entrar num modo de tentar fazer com que a relação volte sem tocar no problema.
Como você faz isso? Deu lado esse chopp, né? Ou esse prédio não tava, não foi construído agora, né? Tá bonita essa vista aqui, ó.
Olha, 40 por hora, né?
E só de lá só vem um horrível. Aí vem o amor. O que aconteceu?
Nada, nada. Eu só acho engraçado—
Eu só não acho engraçado é a frase que precede o caos.
É.
Eu só acho engraçado e sempre não tem nada engraçado.
A única certeza é que não vai ser engraçado.
Eu só acho engraçado que você uma hora virou de costas pra mim, né? E ficou falando pra caramba e parecia que eu não tava lá.
Eu virei de costas?
Virou. Virou. Você tava falando com o seu amigo e você virou de costas pra mim. E aí eu não sou palhaço de ficar sentado do lado de um homem que me dá as costas.
João.
Né?
Não, não é João. Não tem nada a ver com o João. Meu nome não precisa ser citado agora. O que precisa ser dito é que você me trata como se eu fosse qualquer coisa. Então se é pra ser qualquer coisa, eu prefiro não ir sair com seus amigos. Pode ser?
Imagina.
Então eu não saio mais. Você sai com seus amigos. Você não prefere ficar com seus amigos?
Não, eu prefiro ficar com meus amigos.
Eu fico em casa numa puta de uma boa, Gregório. Numa puta de uma boa.
Caralho, João, isso que você está descrevendo, se você vive isso, não é normal não, tá?
Não.
Isso é um relacionamento tóxico. Todo mundo já teve um assim? Com certeza.
Todo mundo. Teve uma época que a gente não sabia o nome, né?
É, não tinha esse termo.
Não tinha esse termo.
Era só namoro.
Era só... Namorado dela é babaca.
É, babaca ele.
Ela é chata, essa mulher é doida.
Esse cara é doido, né? Ia por aí assim. Sabe o que eu acho engraçado, João? Eu só acho engraçado... Com todo respeito, né?
Não, mas eu só acho engraçado é o primo do todo respeito com mais intimidade, eu acho. Porque não ter respeito depois com todo respeito.
Carioca é... Caralho. É. Eu, quando era pequeno... Eu, quando era pequeno. Não era pequeno, não. Quando era jovem. Bem jovem, eu tive uma namorada que brigava muito comigo por causa de sonho. Ela acordava com travesseirada na cara porque ela tinha sonhado que eu ficava com uma menina.
Travesseira, palhaçada. Mas era menina específica ou menina...?
Cada vez era uma pessoa, mas era sempre o sonho dela. Aí eu falei pra minha analista isso na época. Pô, é foda que ela briga muito comigo por causa do sonho dela. Aí minha analista falou, ela sabe que no sonho dela é dela e que as pessoas que é, que você, todo mundo no seu sonho é você. Ela, como assim? Quando você tá ficando com outra pessoa, é ela que tá ficando com outra pessoa usando você na imaginação dela.
Mas que argumento que ela te deu aí, Gregório! Aí, Gregório, voltou num cavalo, montou no seu cavalo imaginário com a lança da justiça em uma mão, a outra lança da certeza na outra, e ele voltou Apiou do seu cavalo, abriu a porta e falou, a gente precisa conversar.
Cara, engraçado. Eu só acho engraçado que minha analista falou uma coisa assim engraçada.
Você falou minha analista ou você falou que na psicanálise a gente—
Não, eu falei minha analista. Foi bom.
A psicanálise vai dizer que—
É, o Freud ele vai dizer. Aquele que nunca leu Freud, mas analisa. Eu li muito Freud pela minha analista, que ela falava as coisas. Então Freud vai dizer, amor, que engraçado, olha isso, que no sonho todo mundo é você, né? Então se você sonha, por exemplo, seu namorado tá ficando com alguém, é você que tá querendo ficar, tipo, é você que acha aquela pessoa atraente, né? Mas às vezes não tem coragem de assumir que você acha. Então você sonha com outra pessoa pegando ela, mas é porque você quer pegar. Nada a ver isso.
Nunca mais sonhou.
Falando sério, você é do tipo que manda, sonhei com você?
Não, mas vou falar uma coisa que vai ficar...
Mandam muito pra você?
Cara, mandam muito pra mim, te juro. Eu posso até fazer uma sessão no meu Instagram da quantidade de gente que fala que sonha comigo. Mas gente que eu não conheço, né? Gente que eu conheço também às vezes acontece. E tem umas pessoas, não sei se você tem isso, mas outro dia a minha médica, Roberta Sareta, um beijo pra você!
Começou o merchan.
Não, mas é! Roberta Sareta, a maior, maravilhosa, maior médica. Eu trato como clínica geral, mas é uma cardiologista de mão cheia. Aquela pessoa que faz você sentir que o tempo na vida, na Terra, ele vale a pena.
Isso que vocês estão vendo é o João pagando uma consulta. Não! É assim.
Não.
Ele tá, ele tá, ele tá, porque o João pela muito saco de médico, muito. E advogado. E advogado. Médico e advogado.
E dono de restaurante.
E dono de restaurante.
Não, não, não, calma.
O Calil não fica com ciúme de você gostar?
Não, porque o Calil, que é um dos maiores médicos do mundo, é meu amigo querido, fez aniversário, mandei mensagem.
O Calil tá ali, tá? Muita gente perguntou quem é aquele ali. É o Toniel, professor Toniel.
Muita gente ignorante perguntou, porque quem pensou, que entende das coisas, sabe que aquele ali é Calil, o maior médico do Brasil. E Calil O melhor do Brasil. Mas enfim, tudo isso pra dizer que minha maravilhosa Roberta Sariento, outro dia eu mandei mensagem pra ela pra perguntar sobre vacina, aliás, vacinem-se. Me vacinei essa semana. Gripe, HPV e dengue. Tomei. Não tomei juntos, tome gripe e HPV.
A gripe foi meio tarde, né, João? Mas vai, continua.
E aí ela falou assim, João, sonhei com você Tava pra te mandar mensagem porque eu sonhei com você tal noite e hoje também. Fiquei desesperado. Falei, minha médica sonhando comigo? Eu falei, o que que era? Ela falou, não, a gente, você tava no sonho e tal, não tem nada de mal. Ela já entendeu o efeito que tinha causado na minha cabeça. Será que eu vou morrer amanhã? Será que eu preciso ir ver? Porque sonho podia ser, preciso ver o João, alguma coisa pode estar acontecendo com ele.
Podia ser. Aí minha mãe tava do lado, eu falei, Roberta sonha comigo. Minha mãe ficou desesperada, pelo amor de Deus, pergunta o que que é. Porque a gente tem essa coisa de sonho, né? Se a gente for na interpretação dos sonhos de Freud, aliás, podem ler esse livro que é ótimo, era um livro obrigatório na minha adolescência para ter o que conversar, Esse Mundo Sofia.
Leu muito? Sim, com certeza. Mas Freud para mim na adolescência não era tão chique não, era mais para o mundo de Sofia.
A Interpretação dos Sonhos de Freud era logo após, mas que para mim era mais sofisticado, mais difícil de Aqui, galera, era um Akigawa, tavam lendo.
Isso adolescência, não sei onde foi.
Era Nietzsche, temperatura dos sonhos, Dom Casmurro.
Que barato!
Não, não, não, mas era na minha, na minha turminha, meu núcleo de amigos que estudavam aí sim no céu, escola demais, escola, dinheiro Guimarães. Escola Parque, aliás, não te respondeu. Mas enfim, eu tava falando disso, eles foram, eles foram limítrofes.
O que que é Escola Parque?
Me mandaram uma carta.
Não vi, por quê? O que que você falou?
Você falou alguma coisa de escola que era berço dos filhos dos artistas, enfim, da esquerda, da elite cultural carioca e tal. Do rio que corre no meio da escola. E aí eles responderam assim, de maneira fofa, assim, gentil, mas dando uma cutucada, tipo, é isso aí, calma.
Calma o quê?
Não, acharam que a gente talvez tenha estereotipado muito, mas não é verdade, a gente adorava. Eu, meu sonho era estudar na Escola Parque na época, só que eu não tinha capacidade nem qualquer coisa tal. Porque na Escola Parque tinha um negócio muito doido, que tinha que passar necessariamente matemática, que é uma coisa que eu nunca fiz na minha vida. E nenhum dos meus...
Esse é o CEO do Porta dos Fundos. Ele que fecha a nossa planilha. Ele que...
Metas.
Metas, vai.
Isso é uma curiosidade bacana sobre mim. Eu, na minha carreira escolar, nunca, em nenhum ano, eu passava no talento. Eu passava com conchavo. A diretora me amava, a professora me amava.
Tinha um presente? Levava um presente?
Todo começo de ano. Já contei isso aqui.
Contou? Fala mais sobre isso.
Todo começo de ano. Olha, você que é burguesia, não sei o quê. Na minha família tinha uns tios lá que não queriam pensar em presente, davam dinheiro pra gente. Eu guardava tudo no Natal e no começo do ano letivo eu comprava tudo em flor e dava pra todos os professores. Todos os professores recebiam uma flor, um cartãozinho, cartãozinho mal escrito, escrevendo: Vai ser um prazer ter aula com você, fulano, não sei o quê. Espero que nosso ano seja maravilhoso juntos.
Conte comigo, desculpe qualquer coisa. Mandava pra todos. Então, todo recreio eu passava no mínimo 10 minutinhos na sala dos professores. Batendo um papo, conversando.
Sério?
Saía direto da aula pra sala dos professores, junto já com a professora, e sentava lá e falava...
Mas nem podia, jura? Na minha escola não podia, não.
É, mas sua escola não tinha tráfico de droga, não tinha tráfico de... Não, mentira, né? Eu ia lá, conversava, e eu me lembro muito de uma professora, Dona Odete, professora de francês, que dizia pra mim, você vai ser ou ator ou político, porque você tem a capacidade de se comunicar muito boa.
Ator ou político? Porque você não serve pra nada. Você não acerta no CEP, é reprovado em todas as matérias.
Então, todos os anos, eu, tipo... Aí, quando começou física, esquece, né? Aí quando começou química, vamos que vamos. Mas até eu ia bem em história, ia bem em português, eu ia bem em estudos sociais. Lembra estudos sociais?
A minha não tinha esses dias.
Estudos sociais era pré-geografia, exatamente. Depois virava geografia. Então eu ia bem nisso. Bem, eu tô falando de um 7, 8. Mas bem, assim, acho que se eu tirei uma vez 7 em matemática foi muito. Então eu passava assim. De ano. O primeiro ano eu ia reprovar, recuperação não adiantava nada. Aí vinha alguém e falava assim, a gente conversou, você é um menino muito inteligente, a gente vai passar você, mas ano que vem você, pelo amor de Deus. Beleza.
Aí ano que vem, flor, flor, flor, flor, metralhadora de flores.
E aí, aí reprovava de novo, ela dizia, olha, A gente vai te passar, não achamos justo que você reprove, porque nem acho... Até teve isso, sabe? Falou, não acho que você vai ser de exatas na sua vida. Então, a gente vai te passar, mas você vai ter que sair do colégio. Aí eu saía do colégio e ia pro próximo. E por isso que eu fiquei 2 anos em cada colégio na minha vida.
Caralho, João. Era sempre uma segunda chance?
É. A única vez que eu reprovei na vida, que é uma coisa tristíssima, e é um assunto sério, que eu acho que em todas... Tu tá rindo de antemão. Acho que talvez... O momento mais triste na história de todas as escolas da pedagogia mundial fizeram comigo. Olha que loucura isso. Eu tava ali criança, e aí eu devia ter— não sei se eu tinha nota pra passar ou não tinha. Fato é que meu pai morreu. E aí a moça chamou minha mãe— não, a moça avaliou e achou melhor eu reprovar, porque eu não tinha— meu pai tinha ficado doente muito e eu não deveria Eu não tinha, teoricamente, prestado atenção nas aulas.
Então, além do meu pai, ela tirou todos os meus amigos. Olha que fofa! Parabéns, a senhora! Você tem essa culpa na tua cacunda!
Caraca, João, que cruel isso.
Foi cruel, né?
Foi muito.
Eu só percebi isso semana passada.
Você lembra da galera que pulava ano?
Lembro, eu tinha uma inveja assim.
Eu achava isso daí... Tinha uma mina que eu gostava... Ela pulou de ano, né? Primeiro ano, sei lá, segundo ano, ela já pulou. E eu lembro de olhar ela pulando como quem vai indo em direção ao futuro mais rápido. Eu pensava que ela ia se formar com 8 e que ela tá trabalhando com 10, sabe? Eu achava que a vida inteira dela ia ser ir com 11, ela ia ter filho. Exatamente. Eu fiquei assim como se ela tivesse— eu nunca ia alcançá-la e ainda gostava dela assim.
Então foi a impressão de que essa menina foi, era um, é uma coisa mais próxima de uma divindade que uma criança conhece, é uma que pula. Tanto que hoje em dia não estão mais pulando.
Não pula mais?
Não estão mais pulando, não. Tem um filho de uma amiga que você conhece que tem altas habilidades, que foram perguntar, o que você acha de pular tal? A mãe foi pesquisar e viu que não é mais pra pular, não. Porque, de modo geral, a não ser, claro, casos muito específicos, que as crianças tá... Mas se a criança estiver bem, estiver feliz na aula, se a criança estiver achando um toque a aula, que aquilo tá idiota pra ela, pula. Mas se a criança estiver feliz, enturmada com os amigos dela, é mais importante isso.
É, não vai perder um ano de vida aos 5 anos de idade, não vai fazer muita falta.
Exatamente. Mas pular, eu lembro muito disso, eu via assim, cara, aí a pessoa, pular um ano?
Era pular e ser federado.
Federado? Federado é assim, eu nunca vou superar nunca ter sido federado em nada.
Não, e eu não sei a quantidade de pessoas que mentiam ser federado.
Claro.
Porque sempre tinha um que falava, sou federado em futebol.
Mas era o meu sonho, era ser federado. Essa palavra ainda vem pra mim com uma aura de sonho. Ele é federado.
Quem pulava e quem era federado E o federado podia até ser mau aluno, porque ele era federado.
Não sei se você lembra, o federado não precisava fazer educação física.
Claro, porque ele era federado.
Era federado. Eu vou ficar aqui jogando queimada?
Como você? Eu sou federado?
Pô, é foda isso. O maluco saía, não precisava na aula de educação física, ele ficava lá, sei lá, nem lembro o quê, tipo, perna... Nem tinha celular na época. Zoando de perna pro alto. Muita moral, né? Era muita moral.
Era muita moral. Pessoa federada era...
Só que o federado, se parar pra pensar, O que que significa? É meio infernal quando você olha.
Não, porque ele treinava sábado e domingo, né? Exatamente.
E todo dia. O filho do Bené, não sei se você sabe disso.
É jogador de futebol federado. Federado.
Com 9 anos de idade.
Inclusive, o filho do Bené ganhou prêmio de melhor jogador do campeonato que ele jogou agora. Vi no Instagram do Bené. Com 10 anos.
Moleque é craque de verdade.
Cara, esse Bené vai virar uma espécie de pai do Gerson.
Vai ser o pai— não, vai ser o Ney pai.
Ney pai.
O Bené.
Imagina voando nos negócios. Voando! Caralho, velho.
Porra, brother!
E o melhor que o menino é tricolor, cara. Maconha boa pra caralho! Uma maconha feita em Geneve.
Coisa de Geneve, brother. Porra, irmão! Foda.
Não, e falando de negócio, porra, irmão. A Mike chegou pra mim e veio com uma mixaria de bilhão.
Que bilhão o quê?
Que bilhão?
Porra, pro Guile?
Pô, pro Guile?
Tá louco, irmão? Enfia esse bilhão no cu aqui, irmão. Então, é muito surpreendente essa coisa do futebol, né? Porque é uma parada, parece meio divino mesmo, a coisa do talento pra bola.
Não, a coisa do talento pra esporte pra mim sempre foi uma coisa... Eu já falei isso aqui, eu sou... Eu não puxo saco de famoso, ator, de nada agora.
De atleta... Pô, tá a fila... Assim, tá grande a quantidade. Já foi médico, advogado, agora atleta.
Não, mas famoso eu tô falando.
Tá, famoso não, mas...
Famoso. Famoso eu caguei, por acaso. Minha mãe tem um casamento famoso que eu não fui convidado. Você não toca aqui não, hein, cara? Vamos falar disso, vamos, mas vamos daqui a pouco.
Mas só para explicar, mulher atleta, você não fica apaixonado? Você nunca namorou uma atleta?
Namorar não, né?
Para, eu vou fingir que eu não entendi.
É verdade, namorar não, mas já saíram. Se apaixonou porque a tua cara assim, tipo, já, mas só que não foi correspondido.
Não deve ser difícil namorar atleta. Desesperador, porque elas têm uma rotina, não tem essa, vamos no Grado você na sexta às 11 da noite.
Não tem essa, não vai beber porque tem que treinar amanhã. Não, não, na prática deve ser um inferno para o meu estilo de vida, né? Mas na teoria eu acho que eu seria muito bem casado com uma federada. Mas atleta para mim é o mais perto hoje em dia de um semideus, assim. O cara que o corpo dele é, ou o corpo dela é uma máquina de fazer um troço, é muito foda. Eu tive a oportunidade de dar um treino de boxe com o Poatan e com o Glover Teixeira, campeões do UFC.
Dar um treino é muito bom. Você deu um treino?
Não, mas é porque eu não fiz um sparring, né? Porque senão eu não estaria aqui pra conversar. Mas foi um treininho com ele. Esparring é sair na porrada. Dá um treino de sparring como a gente deu, é tipo um toque, não é para matar.
Eu vi várias vezes você fazer assim nele, ó. Eu falei, caraca, ele tava deixando?
Ou não? Ele tá— aquilo chama um treino solto, tipo, ele não tá solto, bicho solto. Não, treino solto quer dizer Eu não vou te bater forte, você não vai me bater forte, então tudo bem encostar um pouco e tal. Tá. Mas enfim, cara, é um troço assim meio entre um semideus e um animal, no melhor dos sentidos, né? Tipo, é muita coordenação motora. Eu acho muito sinistro.
É muito sinistro. Atleta. Você faz um desejo, não sei se eu já fiz essa pergunta aqui, desejo, tá? E te realizam. Tu pode... Sem lutar todos... Não. Você pode ser bom em todos os esportes do mundo, falar bem todas as línguas do mundo ou tocar bem todos os instrumentos do mundo.
Línguas, caguei. É... Nossa. Eu tô... Puta, difícil. Instrumentos é... Instrumento, né? Instrumento é instrumento, né?
Instrumento é instrumento, né?
E instrumento tem uma parada que é o seguinte: fazer bem todos os esportes do mundo tem validade. Vamos começar a medir, né? Tem validade.
Ao mesmo tempo, vai te dar mais saúde, vai te levar a uma vida mais longeva.
Não necessariamente. Eu posso fazer mal esportes e tocar bem todos os instrumentos do mundo. Entendeu? Eu posso tocar bem instrumentos e fazer minha ashtanga.
É, tá.
Minha hot yoga.
Yoga. Yoga.
Já falei sobre yoga? Tem yoga, tem yoga, tem yoga, yoga, yoga, yoga, yoga. Yoga, yoga, yoga, yoga.
Você não respondeu a minha pergunta. Seu tempo tá acabando. 3, 2...
Instrumentos.
Instrumentos.
Acho que sim. Instrumentos, pô, imagina. Porque instrumentos... Um instrumento é uma cartada social que eu... Pra pegar mulher, né, João?
Fala a verdade.
Pra quê? Instrumento pra pegar mulher. Pegar... Primeiro, eu não pego mulher. Primeiro, eu me interesso por pessoas que... Tu, além disso aqui, aqui e aqui, para começar.
Eu vejo pelo padrão de pessoas que você namorou que realmente você só se interessou pelo coração mesmo.
Talvez os maiores corações que eu já tenha visto na minha vida.
Tem muita diversidade, mas o que eu queria dizer— o que fala? Tá tímido?
Não, o que eu queria dizer, pô, vira e mexe eu tô numa numa sala, numa festa, que pinta ali um violão. Correr a vontade de meter aqui, falar assim, ó, para. Ai, João, mas aqui, valei-me Deus, é o fim.
Porque eu amo, eu sou uma pessoa, João, que eu amo, mas é que é muito complexo isso. Eu queria até falar disso, porque não tem nada mais legal. Aliás, uma frase muito boa outro dia Que era assim: a coisa mais elegante do mundo é você saber tocar muito bem um instrumento e não fazê-lo.
Tem toda razão.
Não é?
É, mas é igual se vira e mexe você vê um cantor foda ou uma cantora... Vira e mexe, desculpa. Acontece comigo às vezes. Mas você tá numa porta... Pô, Caetano, João...
É, João, mas o que eu ia falar é assim: eu disse isso, mas eu vou me desdizer.
E eles, numa timidez ali, de não querer muito cantar. E até que alguém convence, mas é muito interessante isso. Eu chamo de a potência do tigre. Mentira, inventei agora. Mas a pessoa que tem possibilidade de fazer uma coisa muito bem e não fazer. É o que a sua vó falava. É tipo assim, um lutador. A possibilidade dele poder te matar e não tá te matando gera uma interessância, entende?
Sim, eu acho isso daí, você definiu muito bem. É muito chique a pessoa não fazer algo que ela poderia.
Não, quem definiu foi você, eu só...
Eu defini a brincadeira, eu consultei.
Não, você não. É a sua avó, não sou eu.
Quem que falou?
Alguém falou. Ô, Chaves... Você acabou de falar, não sei quem falou que não tem nada mais chique...
Eu falei. Não, mas eu falei, eu citei um meme, eu acho, uma frase.
Mas a gente só tá elaborando sobre a sua frase. Não, mas foi você que começou, cara. Não, você que trouxe esse assunto.
Cara, total. Eu tenho um breve parênteses que não é exatamente sobre isso, mas é muito chique gente que não tira onda quando poderia. Tipo, eu tenho uma amiga...
Exerce o seu poder.
Exemplo, eu tenho uma amiga, Alice Santana, que é editora de livro e lê pra caralho, escreve muito bem também. E outro dia eu falei pra ela de um livro que eu li, que eu adorei. Ela falou, ah, eu adoro também, adoro esse livro, muito legal. Aí depois eu fui ver no livro que ela tinha editado ele. E ela não falou pra mim, sim, Greg, eu que editei. Ela não falaria, ela é esse tipo de pessoa.
Maravilhosa.
Que é muito chique.
Muito chique.
Não precisa falar, eu que editei. Se você participou de um filme, a pessoa fala, quero ver um filme legal, outro dia que você fez. Você fala, ah, é legal. Você não precisa falar.
É, é, é.
Eu que fiz, eu que dei ideia. Tem gente que dá ideia de coisa que tira onda de ideias que deu. Tipo assim...
Não, tira onda de ideias merdas.
Merda? Tipo assim, ah, você foi no restaurante tal lá...
Eu que indiquei!
Que eu te indiquei, né? Você tá tirando uma onda que você indicou o lugar que eu fui. Primeiro pode não ter sido.
E pior assim, Gregório ontem me falou que foi no restaurante tal. Eu que indiquei pra ele.
É, exatamente. Eu que falei pra ele ir. Ai, não, não, não. Mas voltando ao instrumento...
Mas só uma coisa, instrumento, essa pessoa da pequena dica Da pequena, é prima do e eu. Sabe do e eu?
E eu que fui...
Você fala, pô, ontem eu fui dar uma volta na lagoa e tava um pôr do sol lindo. E ela, a pessoa fala, e eu que fui pra Catalunha e lá... Tudo bem, mas eu tava falando do meu sol de ontem. Você foi na Catalunha 6 anos atrás.
Não é sobre você. Se você tatuar uma coisa na vida, seria isso? Não é sobre você.
Será que seria, Gregório?
Seria.
Será que seria? De todas as coisas que existem pra tatuar, você escreveria, não é sobre você?
Eu acho.
Seria uma frase que tem é sobre no seu chapéu?
Teria é sobre.
Você teria e tá tudo bem embaixo?
E tá tudo bem. Não é sobre você e tá tudo bem. É isso, porque as pessoas em geral puxam sempre pra si. E elas acham que tudo é uma indireta pra elas. Mas voltando ao instrumento, eu tenho um sentimento paradoxal sobre a rodinha. Porque eu entendo o que você diz. A rodinha de violão, ela tem... Ela pode ser muito chata quando alguém pega um violão, todo mundo conversando, aí você tem que parar pra ouvir, pode ser chato. Mas também pode ser das experiências mais legais. Eu já tive rodinhas de violão assim maravilhosas.
Catárticas.
Catárticas. Eu tenho pessoas que são mestres da rodinha. Tem um cara que é o Vitor Santana.
É que rodinha de violão é igual sexo anal.
Ih, começou muito mal.
Não, tô brincando.
Tem uma rodinha.
Não, mas falando sério. Rodinha de violão...
Depende de quem entra. Não.
Rodinha de violão não pode ser uma coisa armadona. Tipo, vamos fazer esse momento incrível acontecer. Rodinha de violão, em geral, acontece com uma pessoa meio num canto tocando violão, senta-se outra ao lado... É por aí. E aí começa, ó... Quando você fala assim, vamos arrumar amanhã de fazer uma rodinha de violão?
É isso, não vai rolar.
Não vai rolar.
Porque vai ficar aquela expectativa, você não vai ficar sabendo quem vai puxar, vai começar... Exatamente, João. É isso. É igual... Dizem que suruba é assim também, né?
Suruba?
Eu nunca participei de uma suruba, mas parece que tem surubas que é por isso.
Eu também nunca participei. Mas... Então não posso falar, porque eu acho que também tem suruba muito combinada.
Tem suruba combinada?
Eu já contei aqui que eu fui parar em uma sem querer. É verdade?
Foi um dos momentos mais... Tava na piscina, né?
É, na casa de um amigo meu. Ele me chamou muito, com muita vontade que eu fosse. E aí eu fui. Vou contar de novo, gente. Eu sei que eu já contei, mas... Aí eu fui, cheguei lá. Tava solteiro há pouco tempo, então cheguei lá, astral, não sei o quê. Cobertura, tomando um gin. E a esposa... Eu lembro que a mulher... A esposa não, a namorada desse amigo, muito animada com a minha presença. Tipo, ei, não sei o quê. E muito tocante. Mas até aí.
Aí tomo um gole, tomo um gole, piscina. Ih, piscininha, coisa boa, você quer piscininha? Piscininha. Daqui a pouco eu vejo um casal do meu lado se pegando num jeito um pouquinho além do limite, com uma língua que varava a boca, uma mão que subia num peito. Falei, que é, é uma coisa que você fala quando você tá tímido. E aí um peito que pulou pra fora. Falei, tá doidão isso aqui, hein? Tá maluquice, hein?
Tá ficando maluco. E teu amigo?
Festa maluca?
E teu amigo?
Meu amigo já se pegando com uma outra mina. Eu falei, puta merda, caí numa suruba. Aí eu falei, e eu não quero, eu não quero, eu não quero suruba, eu não me interesso. Você aí que tá pensando em me chamar pra suruba, não me interessa.
Você não cogitou?
Nenhum segundo.
Por um momento?
Nenhum segundo. Essa coisa de... Será que isso...
Quantas pessoas vendo? É, e aí a pressão, e a pressão de ficar, de garantir um pau duro no nosso número.
Ah não, já até falaram mal disso, até quando acontece a história falaram, fizeram todo um podcast, um rapaz falou que o pau duro não é necessariamente necessário, todo mundo entende que a pressão é incrível e tudo bem, porque a primeira coisa, esse cara que fez esse vídeo, com todo respeito, já broxou numa suruba com certeza, com todo respeito. Mas enfim, eu entendo que o pau duro não seja necessário às vezes, mas enfim, eu, ao meu ver, às vezes muitas vezes eu tenho uma coisa, eu tenho uma coisa que eu preciso estar de pau duro.
Eu sou uma pessoa que eu gosto de estar de pau duro durante o sexo. Coisa doida.
João, eu sou de um tempo, eu sou de uma época, uma região onde eu cresci, sabe o que que era?
Pequena subjetividade sobre sobre a gente assim, a gente é do tipo de gente que valoriza uma ereção na hora do coito. Mas já dizia Vinícius de Moraes, enquanto eu tiver língua e dedo, não há sexo que meta medo. Você viu que eu mudei a coisa pra ficar menos machista?
Exatamente. A frase dele é com mulher, né?
Com mulher. Não há mulher que meta medo.
Não há língua e dedo... Mas a frase dele tirando a mulher é muito bonita.
É muito bonita. Enquanto eu tiver língua e dedo, não há sexo que me meta medo. Dá pra ser recolocado socialmente. Perfeito. Mas enfim, e aí eu saí, aí eu fui indo embora, e eu não sou fácil de constranger, hein? Eu fiquei... Eu fiquei o contrário da ereção. Perfeito. Eu acho que meu pipi fez assim, ó: Ih, não vou não, mano. Ó, se quiser fazer graça, não conte comigo, porque eu não vou estar aí com você. Você fique à vontade. E fica na brincadeira, mas fica de sunga. Isso. Que daqui eu não saio, daqui ninguém me tira.
Vai fazer o Vinícius.
É, um caramujinho.
É, um caramujinho.
Mas enfim, aí eu fui saindo da piscina aqui, ó. Ué, João, já vai? Em movimentos aqui, ó.
Já vai?
Movimentos sequenciais, não teve brusquidez.
Tem.
Aí fui vindo aqui, ó, saindo aqui e meio que rolando e meio que dando tchau e beijo, e aí já me gudunharam. Que isso? Vai embora por quê? Eu falo, porque eu tenho hora. Tem hora? Você chegou aqui há uma hora. Não, pois é, eu tenho hora, não sei o quê. E eu fui saindo meio fugido, claramente fugido, meio fugido mesmo, assim, tipo meio, tá, tá, tá. Na minha cara tinha pânico, na dele tinha desejo, mas na minha tinha pânico. E claramente ficou visível assim que eu fiquei com muito medo.
Medo não, constrangido com aquela situação. Imagina, uma coisa que é como se você tivesse aqui agora e de repente o Monki começasse, e aí, Gregório, como é que tá, João?
E caralho, eu vim gravar um podcast, eu tô no suruba, eu fui num churrasco.
Mas uma dúvida real: essas coisas não têm que deixar claro antes, avisar?
Tipo, não é uma imagem?
É porque eu acho que de alguma maneira...
Eu acho que de 2010 pra cá, sim.
É, não, eu acho que tem uma parte... Antigamente não tinha essa coisa. Primeiro é um homem, né?
Então...
A ética é mais fácil. Mais fácil. E segundo que eu acho que, pensando com a cabeça do piar de suruba, né? Eu acho que ele tem o núcleo duro... Perdão do... Talvez trocadilho, possível, mas não é não. Ele tem a galera que ele já sabe que vai lá pra jogar, né? Tem o pessoal e tem os de fora. Como é que é os de fora? Você chama uma pessoa que você acha que tem muita possibilidade de aderir ao conceito e a pessoa fica ali. E é uma, é um cálculo de erro e acerto, assim, no sentido, é um cálculo de erro e acerto.
Que merda de frase foi essa? Mas é uma, é um, é erro e acerto. Uns devem ficar, outros devem ir embora. Talvez não de maneira tão vergonhosa como eu fui, porque eu fui como um foragido, mas eu fui. Pedro, eu tô achando que você tá...
Não, você me perdeu um pouco, porque eu tô imaginando você saindo da Leandro Zulu. Mas realmente, o sexo... Vou falar uma coisa bem óbvia, mas ou você tá dentro ou você tá fora. Gostou? Não, não, mas é verdade. Não tem nada mais constrangedor do que isso virando sexo e você tá... É uma coisa estranhíssima e constrangedora e... É a coisa mais constrangedora do mundo.
É igual Dirty Talk.
Falar putaria numa coisa, nossa, bizarro. Ver putaria dos outros, por exemplo, quando, né, vaza uma frase, uma coisa, é uma coisa que quer morrer. O violão, eu gostei da sua metáfora, porque é meio isso mesmo. Uma rodinha forçada é a pior coisa do mundo.
É como masturbo.
Você fica assim, ai, não, agora não tem clima, não tem nada. Mas quando acontece, pode ser muito bom. Mas é uma arte.
Eu lembro, e assim, o violão, tudo que ele tem de de sexy, de Eros, né? Um violão é erótico, né? Você começa a tocar um violão, as pessoas tendem a chegar perto. Ele pode ter de repelente, né? Porque uma pessoa que, por exemplo, não tem noção de ler a sala— é ler a sala, ler a sala de escuta, né? Que que essa gente tá querendo aqui? Essa gente tá querendo mais conversar. Essas, como DJs também tem a mesma coisa. Mas o que essa gente quer?
Será que tem concentração suficiente nesse ambiente? E a pessoa que puxa o violão ainda assim e começa a tocar lá uma música, em geral essas pessoas que não têm a leitura de sala vão tocar um Cartola lá do B, ou uma coisa meio...
Não, esse Cartola não, João, desculpa. Você tá sendo muito chique, muito culto.
Charlie Brown?
Eu acho que vai tocar um Sim, meu juiz... Meu Deus, não!
Do What's in My Mind. Emulando a voz do próprio Falcão.
Exatamente. Perfeito. Eu acho, porque tem uma coisa da rodinha que é da leitura de sala, que é você buscar também o clima aqui que as pessoas estão querendo ouvir, sei lá.
Tem uma, tô com saudade de você debaixo do meu cobertor.
Tá falando das músicas mais de rodinha?
Não, eu ia no artista. Bom, pode ser música também, vai.
É que depende da rodinha. De que rodinha?
Ah não, mas tem a rodinha standard, tem a default.
Você tá falando de um luau?
Um luau.
Aí, luau, tem Paralamas, Paralamas, Legião Urbana, Cássia, vai ter um Cazuza talvez, vai ter talvez uma Rita Lee.
Minha rodinha, Escola Parque, Escola Parque era só Chico Buarque.
Aí é outro, exatamente. Se for para um conceito Escola Parque, aí você, Chico, não, sabe o que vai ser muito? Novos Baianos.
E ainda aí entrando sambas, uns sambas meio aí sem cartola, uns sambas antigos.
Aí, claro, aí você vai ter umas outras. Caetano todo, Caetano a granel. Mas não vai no Caetano A não, dificilmente vai cantar Você é Linda.
Não, sozinho nunca foi cantado.
Posso ficar quieto um pouquinho lá no meio do sul?
É lá, é lá.
Essa eu nem conheço. Aí você foi ousado demais.
Ela não fuma mais? Ela fumava muito, mas não fuma mais? Ixi, então não fala de Caetano comigo, mano.
Nossa, achou um Caetano que realmente lá do D.
Mas enfim, Gilberto, subo desse palco. Ou não, não vai vir um Sandra.
Sandra, Sandra no saco, só drão.
Greg, a sua ignorância sobre música popular brasileira é me apaga.
Vocês conhecem a música Samp do Gil? Não, só você conhece.
Não conhecem, gente? Não, não é Samp.
Ninguém conhece, João, só você. Quer dizer, muita gente conhece, com certeza.
É o toque do gênio, mas refazendo, com certeza. Mas enfim, você ia falar sobre outra coisa que vocês não—
que a pessoa que toca Quando tocar. Se você toca, quando saber quando toca? Lembrei de uma frase do—
isso que eu ia falar.
Sabe de uma frase do Bashô, poeta? Você é o Bashô, o poeta do haikai, né? O mestre do haikai japonês. O Bashô, ele tem uma frase, segundo Leminski, que eu não sei se o Prout falou, mas segundo o Leminski, que fez uma biografia do Bashô, ele falou que o poeta, ele tem Ele tem duas obrigações, ele tem duas regras: nunca oferecer a sua poesia.
Perfeito.
Primeira regra. Segunda regra: nunca negar quando é pedido.
Perfeito, resumiu.
Não é perfeito?
É perfeito, porque nada é pior do que quer ouvir minha poesia— não, quer ouvir minha poesia deveria ser crime. Crime tipo—
é complexo isso, mas é verdade.
Com direito à fiança, sim, mas crime. Fechou.
Porque tem algo da arte, assim como o sexo, de novo, Que ele precisa ser consensual.
Total, perfeito, perfeito. E o que me dá muita aflição em gente, mas aí não é só arte, mas em teatro tem muito, mas gente que se esforça muito pra fazer alguma coisa que não interessa a ninguém. Tipo, tô fazendo um livro sobre articulação de dinossauro. Não, sei lá, isso até tem algum mercado, mas sei lá, uma biografia do meu avô. Mas quem foi a sua avó? Nada, seu Firmino, que... Sabe?
Mas pode ser lindo, não pode?
Pode, pode.
Ou não?
Eu me arrependi já.
Mas às vezes as coisas da arte que não fazem o menor sentido, mas pra você fazem, de repente encontram sentido pra um monte de gente.
Isso. Mil pra um, né?
Mas tem essa coisa.
Tem um um.
O como saber... Eu tinha muito essa angústia quando eu era jovem.
Dostoiévski, por exemplo, escrevia muita coisa que ninguém queria ler.
Verdade. Nenhum dos dois.
Nenhum dos dois.
Dostoiévski.
Não, mas é sério. Os dois Dostoiévski. Os irmãos Dostoiévski. Os dois Dostoiévski. Os irmãos Dostoiévski.
Os irmãos Toievski.
Irmãos Toievski. Tinha o Pedro Toievski e o Jacquin Toievski.
Então.
Ele escreveu um monte de livro que flopou pra caralho.
Então, eu tinha muito essa angústia quando era jovem de ser o Dostoievski. Tô brincando, não sou o Dostoievski, mas de simplesmente não ter talento nenhum. De vez em quando eu ainda tenho, de vez em quando eu ainda tenho. É claro que uma prateleira cheia de prêmios às vezes me convence. Tô brincando.
É claro que quando eu acordo e eu vejo o povo Gritando da janela.
Não, não, mas falando sério, eu tinha muito essa angústia. Por que que eu tô escolhendo uma profissão que— como é que saber, sabe, se faz sentido ou não? E eu não sei também responder. Mas o quê? Quando me escrevem: você acha que eu devo continuar? Volta e meia a pessoa escreve isso: eu tô começando a escrever tal, faz sentido? O que que você acha? Eu continuo escrevendo? Por como saber se eu devo investir nessa profissão?
Tem claramente uma coisa de gente na arte especificamente que você sabe por que que a pessoa tá escrevendo, fazendo aquilo. Tem gente que tá performando e tá tentando acertar num buraco que ela sabe que dá certo. E tem outra pessoa que tá sendo visceral e tá querendo expelir uma coisa que tem dentro dela. Dá muito para perceber isso.
É, o Domingos respondia bem essa pergunta, que ela dizia assim: você tem vontade de escrever ou você tem vontade de ser um escritor?
Perfeito, perfeito. Que me leva a uma reflexão que a gente já fez aqui Acho que puxada até por você, que é o que que você escolhe a sua profissão a partir da ideia de se você ficaria confortável fracassando nela.
Isso.
Eu formulei muito melhor que você, mas você falou alguma coisa mais esquisita, mais confusa. Mas é isso. Mas é verdade assim, quer ser ator, mas você quer ser um ator fracassado? Porque a possibilidade é muito grande. Você seria feliz um ator fracassado?
Gosta da parte chata de ser ator?
É, porque tem gente que escolhe fracasso.
É, porque eu acho que tem muito adolescente que escolhe a profissão na cabeça, ou não só, adultos também às vezes, pelo look. Não pelo look da roupa, mas assim, pela foto da orelha, sabe? É pelo sucesso, pelo sucesso, pela parte boa.
Escolhe pela consequência de anos de labuta.
Exatamente. Outra coisa, Vinícius fala, o Vinícius, ó, chamei Domingos Vinícius duas vezes. Domingos fala boa também, que assim, a diferença entre vontade e desejo. Né, que às vezes a vontade não é um desejo. A vontade, ela é uma vontade de ter desejo, às vezes. E o desejo de escrever, tu escreve.
A vontade não necessariamente é uma coisa que nasce dentro de você. Às vezes a vontade você tá replicando a do outro.
Isso.
O desejo é inerente.
Desculpa citar Bukowski, que virou sinônimo de uma pessoa meio cuzona. Citar Bukowski, sabia? Virou meme isso. Aí quando aquele boy tá no bar e cita Bukowski, fuja. Realmente, eu entendo totalmente a zoeira. E ele era machistão, vários sentidos e tal, mas ele era um gênio. Desculpem aí se essa pessoa fala, escreve muito bem. E uma das coisas que ele escreve muito bonitas, tem um texto dele foda, isso é tudo na segunda pessoa assim: você comprou a melhor máquina de escrever porque afinal você quer escrever o melhor romance da sua época.
Então você se senta para escrever, mas tem um barulho, então você compra o melhor Janela de vidro duplo pra tapar, ter melhor acústica pra escrever seu melhor romance. E não adianta, porque a ideia ainda não vem, então você compra o que tá quente, então você compra o melhor ar-condicionado. Você se muda então pro melhor loft pra ter uma vista, a melhor vista pra escrever o melhor romance na melhor máquina de escrever do mundo.
Mas mais notícias, você não vai escrever, meu amigo, porra nenhuma. Porque quem escreve? Escreve numa trincheira, com o próprio sangue cutucando numa folha de coisa, arranca de um pombo a pena e vai, sei lá, não lembro qual é a imagem que ele usa. Mas é meio verdade isso, cara.
Traduz a minha carreira no futebol.
Você no futebol era assim, né? Você tava assim, o problema é a chuteira, né? Se eu tivesse uma chuteira...
Vestidinho com a roupinha mais bonitinha do mundo, mas não jogava. Não sabia jogar, não. E os meninos de pé descalço.
Não dá muita aflição isso? Ver o hobby... Você vê que é hobby quando a pessoa tá gastando muito dinheiro, né? O lookinho da bike tem muito isso. O cara tem um look de bike de Tour de France.
Cara, bike... Que tem uma coisa que é um, que é um mods de gel que a pessoa usa. Já viu isso?
Já.
E que ela fica andando, uma coisa estranhíssima andar com aquilo. E ela anda como se tivesse se cagado assim.
E pergunto, por que que você não bota aquilo no banco da bicicleta para você só usar ele quando você sentar nela?
Veja bem, a ergonomia do banco vai ser isso, vai ser isso.
Seu merda, você não sabe, gente, vocês estão usando uma meia azul para mostrar Vocês são solteiros, pelo amor de Deus.
Caralho, a Teodora, minha irmã, ficou puta que a gente voltou com essa polêmica dela.
Odeio Porta dos Fundos, eu odeio tudo.
Ela adora você. Não, a mim sim, mas a Teodora, que é corredora braba, toda hora corre para caralho, não é pauser não, ela corre tipo bizarro, papa-léguas.
É muito surpreendente, muito surpreendente.
Isso aí para mim, quando começou a correr, não entendi nada. E ela corre tipo assim, eu tô tipo, o que que é isso?
Fez maratona.
Pense em atleta, o pace dela é menos de 5 minutos por quilômetro, sei lá que é um pace, sei que é menos de 5. E ela ficou bolada que a gente voltou com a polêmica, a coisa das meias, porque ela falou que não existia. Mas é agora com o nosso vídeo, todo mundo corre, tá falando disso, aí ficam super atentos às meias por causa do Porta, que voltou com uma brincadeira que alguém tinha feito há 2 anos atrás.
Teodora, desculpa se a gente molda o debate público.
E a meia laranja, cara, é para comer cu de curioso.
Não sei para que que é meia laranja. Podia ter uma cor que a pessoa fala: é fuxa? Para que que serve isso? Comer cu de curioso.
Para que que serve isso? Ah, vamos criar essa moda.
Vamos criar. Você, você quer comer cu de curioso? Use meia fuxa na corrida.
João, falando em meias coloridas, você viu que, bom, o meu estilo tem sido muito elogiado na internet? Eu não sei se você viu isso.
Não cheguei a ver. Não?
Ué, que engraçado, só se fala disso na internet.
Eu nunca sei se a gente pode mostrar o vídeo da pessoa. Pode? Ah, então mostra, vamos ver.
Então, João, na internet só se fala do meu look, muito elogiosamente. Uma pessoa que é uma grande entendedora de look, Ela é jornalista de moda.
Jornalista de moda? É. Impossível.
Eu tô te falando. Olha só, João, é disso que eu tô falando. Uma pessoa, tá, que entende tudo de moda, está falando que basicamente— Pode botar, por favor, o vídeo?
Estilo intelectualmente cansado é meu estilo favorito versão brasileira. E eu vou dar exemplos e vou explicar por quê. Eu vou começar pelo CEO, ou melhor, o filósofo, o grande pensador desse estilo no Brasil. Gregório do Vivier. Ele tá tão cansado que isso aparece na roupa. Ele é um pai presente. O tênis dele é sempre um tênis meio woke, uma marca que usa borracha reciclada. Ele é consciente nas escolhas fashion dele. Gregório não compra de fast fashion.
Essas camisas dele com certeza foram compradas em brechó. Se ele não tá intelectualmente cansado no Brasil, quem que tá?
Calma, vamos parar, vamos falar ponto a ponto.
Por que que eu fui mostrar isso?
Carla Lamarca. Obrigado, Carla. Ela é ótima.
Eu passei a seguir ela.
Eu primeiro não sei se se ela é jornalista de moda. Ela foi VJ, ela é apresentadora, ela é lindíssima. Eu adoro ela mesmo, sem brincadeira. Mas enfim, de qualquer maneira, Carla, eu quero falar como um amigo. Primeira coisa, não se expõe filho de ninguém em vídeo.
Não, para, não faço isso.
Tô brincando, tô brincando, é piada.
Tira isso, tira isso.
Não, não vai tirar. Ó, o Mbappé, você não fala, né, porque ele é o rei do direito. Não, o apelido dele é ditador. É? É, porque ele faz esse tipo de coisa. Tira isso, bota aquilo, capitão sou eu. Calma, Carla, com toda simpatia do mundo, deixa eu te explicar uma coisa. Eu entendo, assim, acho que você pirou de falar que ele é um ícone fashion em qualquer maneira, mesmo que seja o ícone do futebol.
Engraçado, todo mundo falando perfeito, haha, perfeito.
Não, mas estão falando de outras pessoas. E @JoãoVicente marcado ali.
Concordo.
Mas enfim, Carla, eu queria te falar uma coisa. Imagina dar uma metralhadora a um macaco. É assim que o Gregório se veste. Pode ser que ele mate alguém eventualmente, mas não tem nada de consciente. O Gregório, ele acorda todos os dias atrasado para fazer o que quer que seja. Pode ser 6 da manhã, mas ele teria que ter acordado 5:30. Pode ser meio-dia, mas ele acordado 11:30. Então o processo do Gregório de se vestir, eu já vi algumas vezes, é realmente randômico.
É assim, é o critério mais ou menos é a camisa que tá em cima da pilha ou o tênis que foi usado ontem, então tá mais fácil, meia do avesso.
Cara, não é engraçado que mesmo randômico eu sou um ícone de estilo e você pensando milimetricamente todos os dias não é de um tipo de estilo? Que é o estilo sonado, intelectualmente cansado, que tem baba na camisa.
Enfim, Carla, gosto da sua análise, mas ela está errada nesse ponto do Gregório. As outras eu adorei. Beijo para Carla, uma salva de palmas para Carla.
Carla, eu te adorei, eu tô te seguindo. Obrigado, Carla.
Nossa, mas falou tô te seguindo como se fosse um prêmio Nobel.
Carla!
Tô te seguindo, hein? Agora vê o que você posta, que pra parar é daqui pra ali.
Ó, Carlinha, 4 anos, sigo 7 mil pessoas. Não, mas eu adorei o conteúdo dela. E sim, ela me definiu, vai inclusive ser um norte pra mim, é, passar a entender, porque eu não sei o que é, eu nunca tive estilo, não sei o que é isso. Não tô brincando não.
Não, acho que você desenvolveu um estilo, isso é claro.
Eu acho que eu não sei.
Você veio de uma coisa muito complicada Não, primeiro você veio do nada, né? Do nada, do abismo.
Você me conheceu realmente, inclusive me ajudou muito.
O que aconteceu com o Gregório? Ele tinha zero estilo, aí num dia, aí ele começou, de alguma maneira alguma coisa aconteceu, um tambor tocou, alguma coisa aconteceu que ele começou a usar camisa de botão de manga curta com desenhoto, desenho. Aí tinha um drinkzinho, aí tinha um palhacinho, Aí tinha infantilizado, né? Isso junto com altura diminuta dificultava bastante. Aí que umas calças assim meio diferentes, aí isso me doeu durante muito tempo.
Eu sofri calado, fica lá, eu fiquei quieto, não sei o quê, até o momento em que eu comecei a dar pequenos espetáculos aqui, ó, educar. Por exemplo, Botou uma roupinha boa? Reforço positivo. Dava uma comidinha pra ele. Entendeu? Veio com um tênisinho mais legal? Reforço positivo. Dava um petisco pra ele.
Então foi você que inventou o estilo Intercomunicação?
Não, acho que você foi.
Não é coisa sua, assim?
Acho que não, acho que você foi. Eu fui te dando elementos e você foi montando.
É, eu acho que foi. Você segue sendo minha bússola. Minha bússola estética, sempre.
É, cara, continua se vestindo, se vestindo falando mal de mim para si mesmo ainda.
Eu me visto assim todo dia de manhã falando, ah, vai tomar no cu também, João! E qual o problema dessa blusa? Já fico discutindo.
E tem uma coisa bonitinha do Gregório, que quando ele vem com uma roupa que acha que vai me agradar, ele fica meio perdendo um tempo na minha frente assim. E aí, brother, tudo bem? É, chico mesmo, bonitinho. Aí eu falo assim, bonita a camiseta. Ele gostou. Me mandaram. Você tem muito me mandaram.
Você gosta de que te tragam?
Eu amo que me tragam coisas de viagem. Eu também acho personal shopper, cara.
O João, muito engraçado, ele tem umas coisas engraçadas. Não é o termo, não vai ser engraçado não, vai ser no mínimo estranho. Ele só, João, vou te expor Não, calma. Mostarda para ele.
Não, não, não, pera aí.
Toda vez que fala mostarda. Mostarda para o João é apenas de Paris, da Place de la Madeleine. Que ele fala, se qualquer pessoa for à França que ele conhece, dá um jeito. Você tem como trazer para mim, pelo amor de Deus? É a melhor mostarda do mundo, você vai ver. Aí você vai no lugar lá que você dá um pote e eles fazem a mostarda do João. Aí o cara olha para você e fala assim, João Frisson? Ele tira, quando você for a um shopping, a mostarda do João, que é com vinho branco, uma coisa assim.
E aí eu tenho que trazer a mostardinha do João quando eu vou para fora do Brasil.
Qual a quantidade?
Ah, é meio litro, né? É uma, é um litro, não sei, é um potão de cerâmica, porque a mostarda dele não é num pote plástico não, é de cerâmica, a mostarda do João. E eu não suporto, gente, você viaja, a gente tem que ficar trazendo coisa porque é muito chato levar coisa, porque é peso na mala, porque é você tirar um dia, às vezes tem 2 dias, 3 dias de viagem, tem que se deslocar lá para tua Place de la Madeleine para pegar a coisa, e às vezes vai pesar.
E volta e meia, eu sou mostarda, até entendo que eu acho que realmente não deve ter no Brasil não, mas volta e meia é uma coisa que tem, só que tem um pouquinho mais caro, a pessoa quer economizar. Aí nessa de economizar você vai ficar carregando uma coisa numa farmácia, de um creme lá que só que é mais barato lá fora.
É, mas agora eu não faço mais isso.
Porque você criou vergonha na cara?
Não, porque agora tem o Sam's Club, que não é um mercado qualquer, é um clube de compras com experiência totalmente diferente.
Agora que eu entendi que eu caí na tua publi.
A gente tem uma curadoria especial de produtos importados, edições limitadas, marcas exclusivas, e pra ter acesso a isso tudo, basta se tornar sócio. Não vai falar nada? Você também trabalha aqui.
Se você ainda não é sócio, O momento perfeito é agora, no aniversário Sam's Club, porque o valor da anuidade já vira cashback para você recuperar logo na primeira compra, e você ainda garante a exclusiva bolsa do chefe assinada pelo Olivier Anquet. Olha aí, você já tinha bolsa ali guardada?
Olha, é porque eu já pedi a minha, então enfim, enfim, tipo essa daqui, linda, espaçosa, e no esquema comprou ganhou.
E se você escanear o QR code que vem dentro da bolsa, você concorre a centenas de vale-compras de até R$700. Corre no link da descrição ou vai até o clube mais próximo e vire sócio Sam's Clube hoje mesmo. Vai lá, corre lá. É bem intelectualmente cansado você andar com uma eco bag assim colorida, não é?
Acho que é bem meu estilo.
É, não, eu digo sério, combinaria com meu estilo. Combinaria com seu estilo, uma bolsa, uma tote bag.
Tote bag. Você curte uma tote?
Nem sei, você tá querendo fazer um segundo sentido?
Não, não, não, não, não.
Uma tote bag? Eu tenho sempre uma.
Você tem? Não te vejo andando.
Pô, eu sempre tô com uma.
Onde você perdeu a sua última tote bag?
Aí é difícil dizer, porque se eu perdi, eu não sei onde é que está.
Sam's Club, manda 18, porque ele vai perdendo.
E aí vai perdendo. Eu tenho muito em casa pendurado uma atrás da outra, porque com criança ainda por cima, eu sempre vou botando tudo dentro dessa bolsa.
Por que na mochila?
Porque é mais simples de tirar e botar.
Tem coisa que tem mais tote bag, coisa que tem mais mochila?
Eu acho. Por exemplo, praia. Não vai levar mochila pra praia. Pra praia eu levo uma dessas.
Engraçado, mochila na praia não pode, né?
Estranho. Tem gente que leva, mas é estranho, né? É estranho. Adolescente leva. Pai de criança, mãe, não leva mochila pra praia. Eu levo um bolsão desse. Tem um bolsão de praia.
Porque praia é cesta. Cesta, né? Cesta, cesto, cesta, é aquela cesta de palha.
Cesta de palha? Não, só acho que nos anos 20. Mas quando eu era pequeno, não sei se você também fazia isso, a gente ir à praia era um programa. Talvez porque eu não morasse tão perto da praia, mas era um programa do tipo assim, da pessoa botar, minha mãe fazer uma cesta. Que que ela levava? Sanduíche natural, minha mãe levava, levava um mate, ela levava o mate, a gente tinha Ah, porque devia ser sem açúcar. Talvez fosse um mate especial, mas levavam aquela térmica gelada de mate.
É tipo de café, só que de mate. Um sanduichinho, levava várias coisas numa grande cesta. Uma esteira, tinha esteira, não era canga, era esteira. Sabe esteira de praia?
Esteira de praia de palha. É, mas é a canga. Minha mãe era rainha da canga.
Ah, é?
Minha mãe, ela chamava de pareô.
Pareô? Jura? Mas pareô, eu, se eu não me engano, é um tipo de canga de vestir, não é?
É uma canga que pode virar um vestido, mas acho que qualquer canga pode virar um vestido, basta você saber elaborar. Fica um vestido lindo. Eu mesmo uso muito vestido de pareô. Não, a minha mãe tinha lindas, ela adorava as cangas que ela chamava de onde pariu. Aí veio a época das cangas com ideia, né?
Tipo o quê?
Também teve canga com ideia. Ah, não, canga com piada, canga com Rio de Janeiro, cangas com coisas mais, desenhos mais realistas.
Ah, menos, não, não são tão legais. Canga para mim tem um motivo meio indiano, a clássica, o motivo indiano, né?
Mas em geral abstrato, abstrato.
Ou sim, não é feio canga com uma imagem realista.
Tem a velha canga do Biscoito Globo.
Ah, essa daí é um clássico hoje em dia, é verdade.
Mas não é um clássico, nunca foi um clássico. Nunca foi.
Não, eu gosto. Lá em casa a gente tem, talvez por causa de criança, uma canga oversized. Você sabe qual que eu tô falando? Porque a canga também de uma toalha, ela é muito pequena quando você tem criança. Então eu tenho uma canga que dá umas 3, 4 toalhas.
É mesmo?
É muito grande.
Praticamente comprar um imóvel na praia.
É, exatamente. É uma canga manspreading, sabe? Eu chego e me espalho pela praia.
Você vai muito à praia hoje em dia?
Eu vou não muito, menos que eu gostaria.
Cara, eu descobri que eu nunca mais fui à praia.
É verdade?
Só de noite.
Você tem medo de paparazzi na praia?
Medo? Medo não. Mas se algum paparazzi vier A Polícia Federal vai ter logo o nome. Aviso de logo, eu trabalho com meu corpo e não pode expor meu corpo. Não, mas eu, cara, paparazzo é um negócio que sumiu, né? Desde que as pessoas viraram seus próprios paparazzos, acho que só tem na praia mesmo. Paparazzo antigamente no Rio era uma cultura muito forte, era mesmo. Deixava-se de ir em lugares por causa de paparazzo, deixava-se.
Ele, quem deixou? Lavínia Blasac, foram as pessoas que deixaram.
Você já rodou com paparazzi?
Porque rodou, eu não, paparazzi nunca se interessou muito por mim. É muito clássico, inclusive eu tô às vezes saindo do Santos Dumont, é onde tem sempre um paparazzi, né?
Santos Dumont não é paparazzi sempre, agora celular, né? Fala aí, Gregório, como é que tá essa foto?
Mas é um paparazzi, com o celular. Ele vive daquilo. Tem várias pessoas que vivem. E eu passei outro dia, eu passei outro dia, a pessoa tava assim, eu juro, ela tava assim. Ela me viu, baixou a câmera, fez assim. Aí eu fui falar com ela até. Pô, qual foi? Não vai tirar? Eu fui falar, juro que eu fui, juro que fui. Até tem um vídeo, alguém botou um vídeo na internet, falou assim: gente boa, ator para, para cumprimentar paparazzi perguntando por que que não tiraram foto dele.
Eu juro, tem esse vídeo. Que maravilha!
Eu falei, o que que houve, gente? Pô, vim aqui no maluco intelectualmente cansado achando que foi isso. O André, eu conheço eles, são gente boa, os paparazzi do Santos Dumont estão lá, pô, vivendo a vida deles.
E eles não, de verdade, antigamente sempre tinha, hoje em dia tem às vezes que tem, tem às vezes que não. Isso que eu tô falando.
Ah, e eu também, às vezes tem o contrário, eu tô esperando minhas filhas porque minhas filhas vão muito a Araguari de avião. Para Uberlândia, né? E volta, eu vou buscar elas quando elas vão passar um tempo com a avó, vou buscar no aeroporto Santos Dumont. Aí tem lá o cara, já fiquei conversando com ele, que ele fica esperando na saída da, na saída do desembarque. E aí ele tirou foto de um, de um outro, aí de repente apareceu, cara, aquele, já faz um tempinho isso, tanto que acho que essa pessoa morreu, aquele mega banqueiro que é o Antônio Hermílio de Moraes, banqueiro, não sei, um cara muito bilionário.
Aí ele não tirou, aí ele falou assim, fez igual fez comigo aquela hora, falou assim Eu, opa, aí o cara fez assim, falou assim, você não tira de, você não tirou dele não? Falei assim, acho que ele é famoso. Ele falou assim, não, ele falou, rico, bicheiro e bandido a gente não tira foto. Tá certo, não é interessante, mas eu gostei. O rico que ele quer dizer é tipo assim, o Antônio Hermiro é um profissão, tipo assim, ele é um rico, não é que ele é um artista que ficou rico.
Quando a pessoa é tipo um empresário rico Empresário rico, ele não tira, porque ele tem medo da potência bélica de advogados que essa pessoa tem. Aí eu fico com isso na cabeça: rico, bandido e bicheiro é meio, né, primo um pouco. Não, desculpa, contraventor, não tem nada a ver.
Desculpa, desculpa, eu não falei isso. Eu discordo.
Vamos lá, eu acho que o que se chama—
não, não, não briga, nem entra, nem entra, nem entra, que isso aí é brincadeira boba. Brincadeira de mão, brincadeira de vilão, como dizia minha tia.
Ele separa.
E passou. Que coisa boa, hein? Que coisa legal pra caramba. E eu acho que é o momento de encerrar esse maravilhoso—
Foi um prazer gigante.
MesaCast sem mesa, esse videocast sem vídeo. Fala. Pincelamos o assunto Juliette e não voltou.
Vamos falar no próximo.
No próximo. Próximo.
Isso.
Um beijo e até quinta-feira que vem.
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