#83: JOÃO NO METRÔ, JANTAR ALMOÇO, TESTAMENTO E OUTRAS COISAS
Um Não ImPorta pré-feriado nacional para te fazer esquecer, mesmo que temporariamente, o peso do vazio existencial em sua vida... Tem gente que faz terapia, tem gente que faz CrossFit, tem gente que corre e tem você, que está aqui toda quinta-feira mas que poderia estar no Wellhub fazendo algo bom pela sua saúde (enquanto assiste ao Não ImPorta, claro). E quer saber mais sobre o Wellhub? Corre nesse link: https://wellhub.com/pt-br/?utm_medium=referral&utm_campaign=latam-br_b2c_wellhub-awareness-porta_______0926&utm_content=wellhub-porta&utm_term=branding
ELENCO:
João Vicente de Castro
Gregorio Duvivier
ROTEIRO:
Eduardo Branco
DIREÇÃO:
Bianca Frossard
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Minha fono me perguntou assim: sua fono? É, eu tenho uma fono.
Você tem uma fono?
Pra peça, pra voz, pra ator.
Que viaja com você?
Não!
Pra peça, pra voz, pra ator.
Não tenho uma fono. É foda quem fala tenho, parece que a pessoa ela mantém em casa, né, assim.
Não, mas muitos cantores têm uma fono que levam pra viagem.
Não, isso jamais. Eu inclusive em Curitiba fui salvo por uma maravilhosa fono curitibana. Porque eu tava, eu fiquei sem voz em Curitiba.
Ficou afônico?
Completamente afônico. E o teatro lotado lá, pô, Guaíra, duas sessões.
Quantas pessoas?
2.500 por sessão, ou 3.000, sei lá. E eu sem voz. E assim começa o meu longa, assim começa o meu doc, sabe? Da Katy Perry. Eu sem voz e 3.000.
Começa, eu, Gregório, você tem que fazer alguma coisa. Ele tá sem voz. Acho que a gente vai ter que cancelar.
Não, saiu, cara.
Não sei mais. Calma, pera aí. Você tem uma fono aqui em Curitiba?
Pera aí.
Oi, fono de Curitiba, só um minuto. Ele não pode falar, eu acho. Como é que a gente vai fazer essa comunicação? Ele tá falando que tá sem voz. Vou botar no viva-voz.
Se eu não quero cancelar a peça, mas eu tô sem voz.
Ele não quer cancelar a peça. Oi, Gregório, tudo bem?
Tudo. Não, não foi isso que ela fez não, foi o seguinte.
E botou aqui.
Ah não, maravilhosa, exercícios muito bons. Percebeu? Quando tá ficando rouco tem que fazer assim. Aí vai sair a sua voz. Enfim, várias dicas que ela foi me dando. É muita nebulização, uma hora de nebulização. Pra quê? Não vou mentir.
Hidratar as pregas.
Hidratar as pregas. Que essa palavra certa, muito bem usada. Não são cordas, são pregas vocais, muito assim. E muito, sabe o quê? É um Predicim. Infelizmente o remédio ajuda muito. Um Predicim, ele abre, né?
E voltou enquanto tempo?
Foi voltando. A primeira peça não foi tanto, a segunda rolou, mas ainda assim com certo handicap. Mas tudo isso para dizer que eu não cuido muito, infelizmente, da minha voz. E minha fono do Rio me falou assim: você levaria, você já viu um contrabaixista levando o contrabaixo dele para balada?
Boa.
Você já viu um pianista levando o piano dele para praia? Você leva os seus instrumentos.
Inclusive, dificílimo levar um piano para praia.
Pois é, por isso que pianista não vai à praia com piano, né?
Às vezes não vai à praia por conta de não poder levar o piano. Seria pouco prático. E segundo, porque É o instrumento dele. E a maresia nas pregas do piano—
Aí já não é prega, é a corda. Seria estragar. E aí eu percebi que realmente— Mas eu continuo fazendo tudo.
Eu sei, eu sei.
Eu levo esse piano aqui para tudo quanto é lugar.
Você carrega esse piano nas costas.
Eu carrego esse pianinho de casa. É um pianinho de armário, né, que chama aquele pianinho melhor.
Que assunto interessante a gente começou essa temporada.
Começou apaixonante.
Começou apaixonante.
É algo que realmente—
É o momento que a pessoa no carro dessintoniza e vai assistir o Foro de Teresina. Ou algo mais relevante.
Ainda mais em época eleitoral. Qual seria a sua primeira proposta? Você ganhou a presidência, qual a primeira coisa que você faz?
Olha, Gregório, é uma boa pergunta.
Coisa que dá pra fazer por decreto.
Mas pode ser uma coisa que é impossível fazer, mas seria muito sexy? Aqui, ouve.
Tenta. Eu sou o Congresso, eu vou dizer se pode ou não.
Não, não, eu tô já na minha campanha.
Eu sou o STF, eu sou o Supremo.
Eu tô na minha campanha eleitoral já.
Ah, tá.
Meu nome é João Vicente, 1526, e eu vou acabar com o trânsito.
Primeiro, 15/26, você é do MDB. Já começa por aí.
Ué, mas me deixa.
Eu deixo, você pode, pode jogar. Depois, você vai acabar com o trânsito. Eu fiquei esperando a constelação da frase.
Trânsito. Acabar com o trânsito. Belíssima plataforma.
Muito, muito boa.
Ué, tem gente que fala que vai acabar com a violência. É.
É, você gostou, você foi, acho que você foi muito amplo. Eu acho que ganharia meu voto uma pessoa que falaria coisas muito específicas, práticas. É o cardápio em QR code, é uma tomada 3 pinos. É um clichê, mas é, acaba com isso. Ah, vou acabar com cartão C&A. Todo respeito a C&A, mas eu vou proibir novos. Áudio longo, áudio longo, áudio limite o quê, 15 segundos?
1 minuto.
1 minuto, 1 minuto, tá bom.
Sabe o que eu ia proibir? Eu vou proibir, amigo de casa, eu vou proibir aquele teu amigo, e eu não é uma indireta para Daniel Belmonte, que usa o WhatsApp Web e escreve textos gigantes no WhatsApp só porque ele tem a vantagem de estar no teclado. Então ele escreve coisas minuciosas e aparece aquele ver mais.
Eu gosto.
Você gosta de ver mais?
Eu gosto.
Então vê aqui, ó.
Sabe o que isso é geracional, né? Jovem não põe ponto, jovem põe enter.
Enter.
O ponto e a vírgula numa mensagem de WhatsApp é de uma época em que você pagava por SMS. Lembra disso?
Lembro.
Cada SMS, você tem direito a uma quantidade de SMS. Não podia ficar: oi, enter, tudo bem? Isso daí é uma coisa de hoje em dia que não cobra. Mas a gente ainda tem internalizado na nossa geração a ideia de que não, vou mandar uma mensagem por coisa.
Não, mas desculpa, a gente tá certo.
A gente tá certo.
A gente tá certo, porque oi já não precisa oi em WhatsApp. Oi, tudo bem? Queria falar com você porque não sei o quê, não sei o quê, tudo bem? Também não precisa chegar ao ponto do beijo.
E assinado Gregório.
Assinado Gregório, porque aí é outra geração assinando.
Aí é outra geração. Geração que assina, tem uma geração que assina até comentário de Facebook. Você está lindo nessa foto, um beijo, Vânia. Sim, tá escrito lá, Vânia Silva, é uma Insiders. Né? Isso é muito geracional. Assinar comentário.
Mas só que eu acho muito melhor do que ficar recebendo mensagenzinha, o texto inteiro. Como? Por exemplo, gente que fala assim: Gregório, WhatsApp.
Ah, não, isso daí é pra matar.
Quando tiver aí, me fala. Claro, só tem essa possibilidade. Não tem outro que falar sem estar aqui.
Sem estar aqui.
Então pode já mandar o recado.
As pessoas chamam muito pra café?
Tem chamado ultimamente.
Pra mim também.
Café é uma situação que você coloca quando você quer pedir alguma coisa.
É, perfeito.
E você não quer incomodar a pessoa o suficiente pra envolver uma refeição.
É isso, é. Só que eu acho pior. Sem dúvida. Pelo menos você vai ganhar uma refeição.
É.
Né? Se a pessoa tiver te solicitando pra ela, vai te convidar pra sua refeição.
Educadamente.
Educadamente.
E tem uma questão que também o café é só uma desculpa.
É.
Mas que é uma desculpa que vai ser feita ao redor de um café.
Isso.
Só que se for depois das 4 da tarde, eu que tenho insônia, por exemplo, já não posso tomar café.
Não pode.
E muitos lugares hoje em dia, pouco se fala, tem café descafeinado.
Poucos lugares.
Poucos lugares. Então eu quero dizer assim, Eu vou sentar lá pra tomar um café e acabo saindo uma água.
É verdade. Tu vai tomar uma água.
Com gás.
É bem triste.
É bem triste.
Te convidar pra uma água.
Vamos te convidar pra uma água. Mas seria legal também pra um suco. A velha malhação, uma rodada de suco pra galera.
Do Gigabyte. Do Gigabyte. Eu acho que seria melhor, com certeza, um suco. Mas ao mesmo tempo, a Glucose Goddess... Eu já falei isso aqui sobre o quanto eu admiro a Glucose Goddess? Um beijo pra você se você estiver assistindo, Glucose Goddess. Você tem um fã no Brasil. É uma francesa nutricionista que é especialista em glicose. Olha o algoritmo do Gregório, parece muito para mim. Ela dá dicas de como comer açúcar, porque em vez de— eu sou viciado em açúcar, né?
E muitas pessoas falam assim: açúcar é o maior vilão do mundo, não pode comer açúcar. Essas pessoas eu excluo do meu círculo social. O Putin come muito açúcar?
Não, uma pessoa que fala que o açúcar é o mal do mundo não conhece o Putin.
Exatamente, pessoas que certamente E só de falar isso, João, eu, se fosse você, não comeria de qualquer prato, tá? Deixa alguém provar antes.
Deixa alguém provar antes.
Você já tá no radar do Putin.
Do Putin.
Mas o que eu ia falar é o seguinte: a pessoa que ela vilaniza o açúcar já me perde. O que a glicose Goddess faz? Ela fala assim como comer. Vai comer um açúcar? Come primeiro um salgado. Agora eu não vou saber as regras dela. Não come de manhã. Eu adoro, adorava acordar e comer um açúcar.
Que tipo de açúcar você comia de manhã?
Chocolate. Eu sei que não deveria, mas a primeira refeição do dia pra mim ser um docinho... É, a alegria da minha vida era isso.
Você passou muito tempo pelo deslumbramento de não ter regra quando saiu de casa?
Muito.
Tipo, de comer o que você quisesse?
Muito. Até hoje eu tenho isso. Quando minhas filhas viajam, ou a Giovanna viaja com as minhas filhas, e aí eu tenho dias de adolescente na minha casa. O que eu faço? Eu como meu café da manhã, uma pizza, entendeu? Eu... É, foda-se.
Você não tem ética?
Deus morreu, tudo é permitido. Irmãos Karamazov. Eu viro assim. Qual o problema? Ninguém tá me olhando, ninguém tá me vendo. Por que que eu não posso comer uma pizza?
Porque caráter é exatamente o que você faz quando ninguém tá te vendo.
Pois é, então talvez eu não o tenha. Porque quando eu viajo, eu ligo o ar-condicionado no 15, que lá em casa—
com a Luan Santana.
Com a Luan Santana, o ar-condicionado no 15.
E a gente se amando.
Só que no caso, a gente sou eu e um chocolate.
Você e um chocolate. Come na cama?
Na cama não, porque aí essa é uma aflição que eu tenho.
Ó, tá vendo? Aí realmente...
Na cama não, mas certamente o que eu faço é isso, me dá alguma coisa de estresse, de comida.
Sua traição à sua família é comer pizza no café da manhã.
E um ar-condicionado no talo também, sabe? Várias coisas assim desse tipo.
Cara, é preciso ter ética nos lugares da comida. As comidas têm momentos para serem degustadas. Não pode comer comida de jantar no almoço, de almoço no jantar, de café da manhã no almoço.
João, agora você tocou num ponto que eu...
Tanto é que as pessoas que gostavam de comer um café da manhã em lugar errado inventaram brunch.
Brunch. Cara, dá raiva essa palavra um pouco. Eu adoro a coisa. Eu adoro a ideia de um misto de café da manhã com almoço. Mas a palavra brunch me dá uma irritaçãozinha.
Eu também amo fronha, o objeto, eu odeio a palavra.
Então. Brunch. Fronha.
Fronha.
Brunch. Assim, porque tem um problema que é... Agora você é meio porta-palavra aqui. Mas que é, me irrita muito portmanteau. Já falei sobre isso? Não. Portmanteau é uma palavra do inglês para palavras formadas por aglutinação. O que que significa? Brunch, breakfast mais lanche. O inglês tem muito isso. Frenemy, friend mais enemy. Sitcom, situation comedy. Eles formam palavras assim o tempo todo, junta, aglomera, até no nome. Até nome eles fazem. A gente trouxe o quê?
O namorido.
Namorido. A gente começou isso. Eu acho que é um processo, uma palavra que não existia no Brasil antes de influência Americana. Almojanta, bem, são as palavras mais detestadas da língua.
Sapatênis, sapatênis, o objeto e o nome.
Tanto namoridos, falou outro dia, me deparei com um empadovo, que é uma empada de ovo, é um empado, é um ovo, né?
Foi na Páscoa, eu tava no Uber, eu já contei isso, já contou, já contou.
E eu vi assim, vende-se empadorro, fale comigo. Eu tive que perguntar o que é isso, ele me explicou, é um empadão em formato de ovo de Páscoa. É um empadovo. Aí eu percebi que existe, claro, bolovo, né, que é um outro clássico. Você tem, eu acho que esse processo de formação de palavras, de contração, de aglutinação, chama como quiser, ele é muito comum no inglês e aceitável, mas no português ele sempre me dá um— é o javaporco.
Javaporco, que é o filho do javali com porco, que não só é um problema gramatical como um problema de meio ambiente.
É a macarronese.
A macarronese.
Entendeu o que eu tô falando? Macarronese é o nome de doença, porra. Eu mesmo peguei macarronese. A macarronese, ela tem um problema contrário da salmonela, porque a salmonela ela é uma doença com nome de prato delicioso. É um risoto de salmonela, é maravilhoso. A macarronese, ela é uma coisa muito gostosa. Eu gosto de comer macarronese, é uma salada de macarrão, mas tem um, porra, macarroné, que isso? Porque Por causa desse processo de justaposição que torna tudo nojento.
Dito isso, voltando ao brunch. Brunch é uma palavra detestável, eu acho um hábito muito bom, que é você ter álcool no café da manhã, num domingo, sábado, e mais, ele ser tarde, né? Não há nem palavra pra isso no português, em parte porque a gente não tem palavra nem pro café da manhã, porque café da manhã não é uma palavra, são 3.
São 3.
E mentirosas, porque nem necessariamente ele é muito de manhã, pode ser um pouco mais tarde, e não tem café muitas vezes. A pessoa que não toma, para mim tem, não só tem café. A pessoa que não toma café, ela toma um café da manhã?
Eu sou literal café da manhã, que eu só tomo café da manhã.
Então você é um dos turistas do café da manhã.
Nada acontece além de um café da manhã.
Minhas filhas, crianças, não tomam café.
Não tomam café.
Tem que tomar um café da manhã? Não tomando café. E mais, não há Vero para ele? Não dá para esse café da manhã? Eu vou, vamos café. Hoje eu já café da manhã, hein? Não lembra? Não há.
Vamos café da manhã?
Não dá.
Mas eu acho que você tinha que botar isso na língua portuguesa.
Infelizmente, a palavra oficial da língua é dijejum, que é uma palavra muito feia.
E aí sim dá de jejuar?
Dá pra dijejuar. Existe dijejuar, mas não usa. Tanto é que no português não se usa muito por causa da sonoridade. Dijejim.
Mas eu gosto do fato da palavra ser o avesso do jejum.
É, porque faz sentido.
É o que acaba com jejum intermitente.
Exatamente, que o sono te obriga a jejuar. Todo mundo que dorme faz jejum intermitente, por incrível que pareça, não é? Não dá para comer dormindo, já tentei, mas infelizmente. E a gente, tá bom, tá tudo acontecendo, a gente pode seguir. Eu acho que tem uma coisa em várias línguas assim, né? Desayuno é de jejum e breakfast, mas de jejum a palavra é muito ruim, então falta a palavra da língua portuguesa para isso. Então não existe uma palavra para esse brunch.
Então infelizmente esse que é um caso de anglicismo que a gente tem que entubar. Mas eu gosto da refeição. João, uma coisa que eu fiquei muito bolado agora na minha viagem pelo Nordeste—
você não falou nada sobre essa viagem pelo Nordeste.
Primeiro, foi maravilhoso.
Bota a foto do ônibus do Gregório aí.
Tem uma foto do ônibus? Lógico, cara. Eu realizei meu sonho de ter um ônibus plotado. Olha que bonito! Com mais um ônibus leito delicioso. João, você não sabe de ônibus leito. É um ônibus que tem camas. Não tem camas, tem cadeiras que viram camas.
Perfeito.
Mas viram mesmo, 100 graus. 100, não, como é que é? 180, né? É 180 graus.
Tem avião leito.
Tem avião leito? É o quê? Emirates? Não, não, o Delta. Desculpa, eu não sei. Executivo é 180? É sério?
Desculpa, eu não sei.
É 180?
Vamos botar um vídeo aqui do desculpa.
Mas eu acho que, eu acho, eu não pensaria que o leito do ônibus é muito maior do que um executivo. Deve ser igual a primeira classe da Emirates. O leito é assim, é largo, é comprido, é bem maior. E mais, dá para abrir? Não, não dá. Mas tem massagem no meu ônibus.
Mentira, no seu ônibus?
Massagem. Ligava aqui um controlinho e lá. E também tinha estrada que dava uma balançada boa, que também é bom para caramba. Resultado, a gente ia de cidade em cidade. A gente começou em São Luís, terminou em Salvador. Toda cidade chegava, eu queria que tivesse durado mais tempo no ônibus. Eu ficava assim, ah, já chegou? Tinha que me cutucar, galera. Olha, bora lá, tá só, todo mundo já desceu.
Dormia gostoso, sendo embaladinho.
Mas assim, sonho, sonho, sonho. Era muito gostoso nosso ônibus. E que viagem! O chato de viagem é o trâmite, né? Entre uma coisa e outra, aeroporto, o avião, é o check-in, a coisa, o avô que não vai. Ônibus, isso não tem isso. Você tem esse ônibusinho da trupe, você vai dormindo, nanando totoso. É perfeito. A gente chegava descansado.
Às vezes você dormia durante a noite, ia Passava a noite viajando quase sempre.
Por exemplo, São Luís, Teresina, são, tô chutando aqui, umas 10 horas. A gente foi à noite, chegou de manhã, e ainda é, foi muito bom, maravilhoso, João, um sonho.
Eu, desculpa, não, não, não, é porque brinca-se muito com esse fato, com essa brincadeira que você faz, né, de, ah, o João não sabe o que que é ônibus leito. Mas eu trouxe um vídeo agora. Eu trouxe um vídeo que mostra que não é bem assim, entende?
Você pegou um ônibus leito?
Não, eu peguei uma outra, uma outra modalidade de transporte. Vocês falavam que eu não sabia o que era e eu tô pegando.
Deixa eu ver, cadê? Próxima estação Pavuna, estação de integração com os trens da SuperVia.
Estação terminal, o desembarque é obrigatório.
Observe Aumentamente o espaço entre o trem e a plataforma. Tinha um cartaz em inglês no teu metrô? Ou será que você é Nova York?
Seu metrô, cara.
Não, isso não é metrô Rio, não tem esse acento. Você pegou o metrô em Nova York, foi isso? Lá você pega, é clássico isso, rico brasileiro. Não, lá metrô funciona, metrô no Rio é excelente.
Eu sei. Não, excelente não, vai. É excelente, excelente não.
O problema é que é muito caro, é um monte de lugar. Não passa no outro, não passa no outro, não sobe. Ele ouviu falar que não passa, né? Nem sabe, né? Não tem. Às vezes eu quero ir para um lugar de Pernambuco, ali no Leblon. Não tem, não tem estação Jorge Pernambuco.
O que que foi, Edu? Fala 5 lugares que passa.
Pavuna, Pavuna acertou.
Central. Né? Leblon. Não, não, não, Leblon não. Ipanema.
Qual estação? Não é Ipanema, estação não é, não chama Ipanema.
Estação Nossa Senhora da Paz.
Isso.
Botafogo, metrô de Botafogo. Falta um. Flamengo.
Tem Flamengo.
O quê?
Zona Sul não vale. Zona Sul não vale, é verdade. Tira Zona Sul.
Ah, não, mas pera aí.
Pronto, sabe? Sabe uma Sanjpenha? Nunca ouviu essa palavra?
Sanjpenha. Então pronto. Praça XV.
Praça XV tem metrô?
Tem?
Não tem, não tem estação não.
Maracanã.
Maracanã não.
Maracanã.
Tá, que barato. Como é que foi sua experiência? Foi boa?
Muito legal. Adorei. Adorei um barato, pessoal, aí gente sentar. Eu adorei dar lugar pra velhinha sentar.
Adorou dar lugar pra velhinha sentar? Que barato.
Adorei. Muita gente doida. Fui para Copa, né? Foi para Copa, foi para final da Copa.
Então nessa viagem, que eu descobri entre muitas coisas? Algo que tem a ver inclusive nosso assunto sobre brunch e horas de comer coisa. Você sabia que, não vou dizer Nordeste como um todo, que são, tem muitos estados diferentes com muitas culturas, mas de modo geral dá para falar que Pernambuco certamente não se janta como se almoça. O que eu quero dizer com isso? Tudo bem aqui no Rio, faz parte da gente comer, almoçar um arroz e feijão, esquentou, à noite come, jantar um estrogonofe. Não existe isso, não é normal para você. Isso é um absurdo em Pernambuco.
Como assim?
Amigos meus, vários, me atestaram isso. Inclusive, meu amigo Tibério, Tibério Azul, querido, e Karina, sua esposa, e suas filhas, morou um tempo aqui no Rio de Janeiro, e ele e a filha dele tinha pavor de dormir na casa de amiga. Que falava assim, mãe, você não quer dormir lá? Por quê? Porque se eu dormir lá, eu vou ter que jantar almoço. Porque para eles almoço é uma coisa, comida e tal, e jantar é um aipim, uma macaxeira, um cuscuz, só um negocinho para dar uma forradinha.
Eu achei muito forte isso, porque mudou a minha cabeça, minha maneira de ver. Realmente eles estão à frente, eles estão à frente, tá certo. Qualquer pessoa glucose god dessa vida vai falar assim, Tá certo, tem que jantar leve, mas a gente janta pesado, né? A gente janta almoço. Eu janto almoço, é, mas é hábito.
Eu janto almoço a vida inteira.
A vida inteira, né? Você janta o quê?
O que que eu janto?
Tem alguma diferença entre jantar e almoço para você?
Tem. Menos calorias.
Menos calorias. Menos quantidade?
Menos calorias.
Ou calorias?
É, menos calorias.
Você não vai comer uma massa à noite?
Você tá louca?
Eu janto massa.
É, mas... E a gente sabe. Não, mas eu jamais conseguiria comer pouco no jantar. É? É, jantar é um grande momento da minha vida.
Pois é, eu acho que é um outro conceito muito diferente. Que eu fiquei bolado, como eu convivi tanto tempo com tantos amigos, eu nunca tinha atentado pra esse fato, foi só agora, aos 40 anos de idade, que eu percebi que grande parte do Brasil janta diferente.
O Brasil não janta unido.
Brasil não janta unido. Não janta.
Se tem alguma coisa que não une o Brasil é o jantar.
É, e o café da manhã também. Café da manhã no Nordeste é muito diferente.
Ah, que coisa maravilhosa esse programa, né? A gente tá falando muito sobre café da manhã, muita coisa boa. Eu queria saber uma coisa que eu tenho uma dúvida.
Eu acho que você não ficou tão bolado com o fato de que não se janta diferente. Eu esperava que você ficasse mais bolado como eu fiquei. Eu fiquei assim.
Eu amei a frase, a gente janta almoço.
A gente janta almoço. Isso é muito bizarro, mas você tem uma coisa de horas? Porque, por exemplo, é lógico, eu não tenho o menor problema com isso. Eu tomo café da manhã, pizza, quando a Giovana não tá em casa, porque eu tô constrangido. Não quero levar, me julgar, minhas filhas, na frente das minhas filhas, papai se esquentando uma pizza. Quando você é pai, tem certas coisas que você não pode fazer, para ter que dar o exemplo.
Tipo ir embora?
Com certeza. Tem outras coisas que você não faz na frente da sua filha. Eu não vou de manhã cedo esquentar uma pizza e comer do lado delas.
Tem que fingir.
Vou deixá-las na escola.
Tem que comer muito verdinho.
Vou comer mais verdinho. Que delícia! Né? Eu vou ter que dar um melhor alimentar. E aí eu não faço, mas a verdade é que não tem hora pra mim não. Eu sou capaz de comer um macarrão de manhã.
É?
Sou. Eu não tenho o menor problema com isso. Por que que restaurante vegetariano fecha à noite? Vegetariano não janta?
Não é verdade.
É muito comum. É muito comum.
Será que é porque vegetariano tem uma vida mais saudável, dorme mais cedo?
Eu acho. Assim como pizza não abre o almoço.
Não, mas aí é por causa do preconceito que você tava falando.
É, você não almoçaria uma pizza.
Eu jamais.
Eu almoçaria. Mas pizza, pela sua lógica, pela sua lógica, pizza sendo um carboidrato pesado, por que que você come à noite?
Só domingo.
Só domingo? Então pizzaria só poderia abrir no domingo?
Por mim só. Pra me atender, só domingo.
Não é nem sábado, nem sexta?
À noite, só precisa ter calabresa.
É?
É.
Gente, que curioso isso, porque realmente é o hábito, mas eu acho que isso é uma boa—
A gente precisa ter limite na vida.
Você acha que almoçar uma pizza é assim, Deus morreu, tudo é permitido?
Férias só existem porque existe o trabalho. Não faria sentido férias sem trabalho. Pizza só existe porque você se privou de coisas.
Isso é uma moral bem católica, você sabe, né?
Eu sou católico.
É, todo mundo. Você acha que você só tem direito ao prazer se tiver passado por algum sofrimento?
Não é sofrimento.
Você acha que só o sofrimento legitima o prazer?
Só o sofrimento.
Você tem um pouco essa lógica? Você tem mentalidade de dieta, de restrição?
É, eu nunca tive não dieta na vida. Nunca?
Não. É mesmo? Não, você teve uma fase quando te conheci ali, você era bem gordinho, lembra disso? Não. Publicitário, morava em São Paulo.
Não lembro dessa época, né?
Tem foto se você quiser. Era bem gordinho, você era casado com Cléo e era mais cheinho mesmo assim, lembra não? Colecionava faca, era uma pessoa muito diferente assim.
Eu coleciono facas até hoje.
Ainda?
Coleciono faca.
Mas você era mais ligado talvez em faca e você era um, você não tinha, você não tava de dieta essa época?
Talvez não, porque o amor engorda, né?
É, né?
Não tem uma coisa que quando você tá apaixonado no começo de relação que você quer comer muito?
Calma, entendi.
Não, não, comer muito mesmo, bebê, comer, porque aí você para de lidar bem com prazer.
Total.
Você começa a querer ter prazer sem parar. E aí o que acontece? O prazer não te dá mais prazer.
Pois é.
E aí você tem que começar a ter restrição. Por que que a saudade é tão boa? Você tem que ter saudade da pizza. E do ser amado.
É verdade, faz sentido, João.
Então é isso. Se você tem essa vida desregrada que nem você, que pode comer pizza em qualquer momento, a pizza não tem meu— a minha pizza é melhor que a tua porque é pizza Hut. Não, mentira.
Mas se você pensa assim, então não coma, usa isso para tudo assim. Tipo, você mora numa casa luxuosa grande, por que que você não mora num muquifo E uma vez por mês você vai pro Emiliano. Não era melhor?
É, podia ser.
Porque tem gente que é assim. Eu acho bonito gente que é assim. Monástica, ascética. Vai, vai, asceta. A pessoa, ela dorme numa tábua. Ela acha, por quê? É isso. O dia que ela vai deitar na coisa, ela vai dar um valor gigante. Você não é assim. Você é um hedonista. Você é um cara do lençol de mil fios. Mil e pouco, desculpa. 2 mil? 3 mil? Tá em quantos fios o teu lençol? Já chegou em quantos?
Vai. Quantos cabe? Vai.
Então você gosta, então faz muito sentido com a tua lógica católica da restrição.
Não, mas é porque tem uma coisa que eu faço durante o dia, antes de ir para o Lençol de Bastante Fio, que é trabalhar duro. Aí quando eu chego lá, é o meu momento que eu passei por todo o ar-condicionado infernal do Porta dos Fundos, todos os problemas de processo que agora me dá, as questões todas aqui. E aí quando eu chego em casa, aí é o meu momento, entendeu? O meu muquifo é você.
Que bonito isso.
Você é o meu muquifo onde eu moro.
Que barato. Então eu que te permito ter prazer na sua casa Vogue. Na obra de arte na qual você mora.
Exatamente.
Cara, eu sou muito— pra mim foi muito importante quando eu era jovem, quando eu era jovem, quando eu era criança, minha avó passava um tempo com a gente lá em casa, minha avó Ivna. Era a pessoa mais adorável do planeta. Ela vinha lá pra casa e a gente podia tudo quando ela chegava. Tipo, tinha, meu, não sei nem se os pais sabem disso, mas ela liberava tudo. Tipo, não tinha hora, não tinha relógio, era assim: Deus morreu, a vovó chegou.
Caralho, isso seria um funk fantástico! Deus morreu, a vovó chegou!
Exatamente. E era assim, era batata frita, open bar, open bar de batata frita, mas ao mesmo tempo com umas coisas muito loucas. Tinha que comer um alho cru. Antes da batata frita.
Tá aí.
Ela acreditava, o alho cru para ela tinha propriedade, tirava gordura, medicinais. Não, não só gordura, prevenia doenças. Realmente ela nunca ficava doente, não era doente. Comia sempre um alho cru picadinho.
Ela tá aí?
Não, morreu em 94.
Tô brincando. Alho, eu acho que alho cru é Tem coisas medicinais.
Então, mas eu aprendi com ela que é possível você ter uma vida mais desregrada.
Não, mas ela não morava com você, né? Se ela morasse com você, você ia ter morrido. Ia ter morrido com a coisa entupida.
Ela foi vó.
Claro, mas o papel— só existe mãe porque existe vó, só existe trabalho porque existe férias, só existe abundância porque existe escassez.
Mas eu acredito que não necessariamente, João. Tem um provérbio budista que diz assim, aquele que nunca sabe nada, mas eu lembro muito bom, que é do melhor amigo do Carrère, aquele que é obcecado com Carrère, a Vecler. Às vezes o certo, às vezes não, acho que o provérbio diz só: o certo é o fácil. É o oposto da mentalidade católica de que você só consegue atingir o prazer se você passar por um sofrimento, só consegue atingir a verdade se você passar por uma via crucis, você só É a mentalidade que se não tiver sofrido não tá certo.
E às vezes, João, o certo é o gostoso, o certo é o fácil. Eu vejo isso criativamente mesmo.
Eu sei que você vê.
Você vê, né?
Sei, claro.
Então, tem gente que acha que um processo, seja pra você estrear uma peça, você vai ter que sofrer, vai ter que atingir o inferno e voltar pra escrever um livro, uma peça, senão não prestou. Porque você tem— Caraca, as coisas mais legais que eu fiz na vida em termos de resultado, não só de gostoso, Foram processos deliciosos. O Só na Língua mesmo, processo delicioso, não teve uma aresta.
Sabe por quê? Porque você foi agraciado com talento, Gregório. Nem todos são assim.
Você acha?
Não acho que é assim não. Ah, é? Ah, você tinha que ver minha vida.
Não, João, pelo amor de Deus. Não é assim não. O Porta mesmo, olha os sketches que a gente faz, mas morrendo de rir na sala aí na gravação. A gente chega, morre de rir e tal, sei lá o quê. Vai ver o resultado, era pra estar uma merda, tá legal. Como é que você explica isso?
Uma sala talentosa.
Lógico, João. Essa coisa do talento... Você acredita em talento?
Só acredito... Eu acredito muito em talento.
Eu não acredito, não.
Não? Você acredita em quê? Vocação?
Não, eu acredito em insistência e várias coisas assim. João, se eu acreditasse em talento, eu não era ator. Eu não era escritor, não era nada. Eu te mostro um vídeo meu fazendo o cavalinho azul no tablado. Era uma vergonha.
Mas você tinha 2 anos.
9. Mas era uma vergonha! Eu tropeço na coisa, dou de cara na tapadeira da cortina, não lembro o texto, viro, cai.
Vergonha!
Na minha cabeça eu arrasei, eu tenho boas memórias. Então não era, não tenho talento, origem natural, não tenho. Tem insistência, tem prazer na coisa.
Outra palavra, outra expressão em inglês: fishing for compliments. Não, não, não, pescando elogios.
Não tem palavra melhor para isso: pedindo confete.
Pedindo confesso.
Eu não tô não, de verdade, não, juro, juro pra você. Caralho, meus textos, outro dia eu li, eu mandei, aliás, agradecer uma pessoa aqui que certamente não vai ver porque não tem redes sociais, que é o Paulo Henrique de Brito, meu professor na faculdade, pra quem eu achei, eu fui buscar uma coisa no meu Gmail, por acaso eu tenho o mesmo email há 30 anos, já gelando. E aí eu fui buscar um texto que eu tava procurando que eu tinha escrito, busquei uma palavra, quando eu fui passando lá pro final eu caí no email de 2006.
Que eu mandei pro meu professor de faculdade. Tudo que eu escrevia até hoje era o nome desse coisa. Ah, porque ele foi meu orientador na PUC de um livro, meu primeiro livro. Eu fiz um curso, uma formação de escritor, e tinha esse professor maravilhoso, que é o Paulo Henrique de Brito, entre outros. E o Paulo orientou a minha monografia, que foi o meu primeiro livro de poesia. O que é orientar? Fez a curadoria dos poemas e tal, e esse daí foi a minha monografia, foi o meu primeiro livro.
De poesia. Para isso, o que que eu fiz? Eu mandei para ele tudo que eu já tinha escrito até hoje, e era o nome do arquivo. E aí eu ontem escrevendo um texto para o Porta, que eu queria achar um texto, eu me deparei com isso e comecei a ler. Aí, fala, mas que vergonha, que vergonha! Eu tô suando, minha mão tá suando. Será que eu teria coragem?
Vamos, por favor.
Meu celular não tá aqui, graças a Deus. Eu, cara, foi um tal de poemas de uma vergonha. Ai, caramba, tá difícil.
Olha aqui, não é que tá?
Não é que tá?
Não é que show?
Ai, eu te odeio. Caraca, vamos lá. Não, mas é que é ruim, não vai ser engraçado.
Então, mas é isso que vai ser legal.
Não vai, minha mão tá suando por falar disso. É tipo ruim de verdade assim, não é ruim, ah, eu era meio ruinzinho.
Quer que eu leia?
Não, não, não, não, não, tem que escolher. Vou segurar aqui, só vou pegar. Uhuu! Numa noite bem quente, bem tarde e bem nada acontece, ele sentou e escreveu: topas e nada acontece. Até que ela escreveu que ân, e ele escreveu que deixa pra lá, melhor assim, nada acontece. E durante a branca noite longa com hífen, tudo foi nada acontecendo naturalmente. Mas será que a essas alturas ainda é possível que nada aconteça? Você entendeu do que eu tô falando? Perdi.
Você entendeu? Seu cálculo burro é qual?
Quando a brasa do meu cigarro tocou na bonta do seu cigarro, a ponta do seu cigarro também virou brasa com a ponta do meu cigarro. E ambos se fundiram num beijo incandescente de Lucky Strikes. Eu não tô escolhendo, eu tô pulando os que assim, talvez—
Não, pega um muito ruim.
É porque tem uns que não nem tem graça, entendeu? Calar-se para não trair-se, para não ter que ser o que não se quer, calar-se para não ter que dizer o que não é, para viver somente sem falar sobre o que se vive. Assim, é uma coisa... Cuidado, meu afeto. É a sede, desculpa. Cuidado, meu afeto quando bêbado transborda o limite das mãos e do abraço e jorra em palavras úmidas e beijos na boca e ao rét da nuca. E eu era pra gente vir, gente.
De onde é que eu tirei isso? Quem que eu tava fingindo que eu sou? Sabe? Quem que eu tô querendo enganar?
Quem era esse bandido da noite? Quem era esse doido? Quem era esse homem embriagado?
Você entendeu do que eu tô falando?
Claro que eu entendi, eu já fiz a mesma coisa.
Então, mas aí você vem falando assim do tipo, aí pra você é fácil, porque não. Não, não, não, gente.
Entende? Quantos anos você tinha aí?
20! Não era criança, não. Não era criança, não.
Até porque fumava cigarro.
Fumava cigarro.
Ou de repente nem fumava.
De repente nem fumava. Você tá entendendo do que eu tô falando? Assim, vergonha, vergonha, vergonha.
Não, mas aí foi vivendo, foi acumulando experiência, leu o Manuel Carré, foi fazendo coisas.
Cara, Fui, é, eu acho, mas assim, eu acho, porque a gente tá falando disso mesmo, do talento, é que eu acho que talento é, tem que errar muito, a pessoa tem que errar muito, né, e tem que insistir, tem uma insistência. Eu vi o Paul McCartney falando uma coisa legal, que ele, o processo criativo dele, eu não tô comparando não, tá, desculpa ter falado dele como se, mas assim, o Paul McCartney tem uma parada que eu achei maneiro, ele falando assim, eu, cara, toda música que eu começo É muito ruim, muito ruim.
E eu acho que muita gente não tem coragem de continuar quando começa uma coisa ruim. E eu acho que uma pessoa, acho que eu, eu que me diferencia talvez é que eu insisto, não tem problema de fazer uma coisa ridícula, mas o começo de tudo é ridículo. Por aí dá um exemplo, Yesterday, antes chamava Yesterday, chamava Scrambled Eggs, porque eu não pensava, eles chamavam assim, Scrambled Eggs, ovos mexidos, ovos mexidos, que ele não sabia o que dizer.
Imagina Qualquer outra pessoa talvez parasse assim: que música merda, Ovos Mexidos. Ele se ligou que não, Ovos Mexidos é ridículo, mas essa melodia com outra coisa, de repente. Então começar uma merda e tirando tudo que é uma merda, tudo que não é cavalo, tudo que não é cavalo da pedra, eu acho que faz algum sentido. Mas por que eu tô falando isso? Também não sei. Eu tô ainda meio traumatizado por ter encontrado isso aqui. E agradecer o meu professor, porque outra coisa que eu vi também, a diferença de um professor.
Que não precisa ser um professor, mas alguém que fala a verdade, porque tem as notas dele dizendo que no meu celular não tô conseguindo ver, mas tem notas do tipo assim: esse não. Só assim, ele não fala assim: que merda, hein, bebeu assim, não fui nesse, não gostei desse, não, esse aqui não, tá repetitivo, ou é sei lá o quê. E alguns ele fala assim: aqui eu acho que vale trabalhar esse aqui. Ele não entra e não fala: uau, esse aqui é genial, brilhante.
Não tem massagem no ego, ele é muito objetivo e fala coisas tipo assim: Essa imagem aqui é bonita, trabalha, faz um poema separando esse começo, não gostei, mas esse final que tem uma imagem bonita, tem, dá para encontrar, sabe? Então ele encontrava coisas ali, fios, solda e puxava. Puxa isso daqui que aqui tem uma coisa interessante. E aí você vê a importância de um professor ou de um mestre, de um editor, de alguém que te fala a verdade.
Porque se eu mandar isso aqui, meus amigos, ao mesmo tempo não fala uma merda, não fala uma merda, não é sádico, não fala assim, sai dessa porra, vai, mas que é objetivo e dá uma porrada. E o email que eu escrevi para ele é até fofo assim: olha, tá tudo muito ruim, tô com muita vergonha de te mandar, mas por favor seja muito sincero e tal. Já viu para ele o email falando assim, e ele é mega sincero. Eu acho que ele seria de qualquer jeito, mesmo que eu não tivesse pedido.
Mas tem algo do que é muito bom contar com pessoas assim. E a verdade é que a internet, e eu acho que esse é um dos problemas do jovem talvez hoje, que tá acostumado com escrever e publicar no Instagram. Ela é feita ou de haters, vamos falar assim, que merda, hein, se esconde, puta que pariu, que vergonha, que é traumatizante, ou de lovers, uau, gênio, chorei, emocionei, repouso, gênio, brilhante, que lacrada, jantou cedo, qualquer imbecilidade do tipo, fada sensata.
Ou quer ver mais, clique no meu story, não?
Ou quer ver mais, clique no meu story, total, tem muito.
É, todo mundo fica chocado quando entra nos meus stories.
Exatamente.
Isso é mais no meu?
Ah, não, é mais no seu total, mas tem também muitas vezes. E eu acho que esse tipo de reação, para quem tá escrevendo, é muito ruim. É precisamente o contrário do que um professor, um editor, alguém vai fazer.
Nenhum extremo.
Que é olhar e falar, é, exatamente. E vai falar assim, não tem a ver com te amo, te odeio, não é isso. É assim, isso daqui é interessante, isso daqui não. É um olhar de curadoria. Você concorda comigo? Faz sentido?
Faz sentido, faz sentido. Por que você tá de calça?
Eu tô meio com friozinho. Você não tá, não?
Mas sabe que o programa perde muito, né?
Perde engajamento, né?
Perde engajamento. O pessoal, ele gosta das suas coxas.
E o que ninguém perguntou é por que eu tô de boné.
Eu sei, mas eu não quis te botar nessa situação.
Não é porque eu tô calvo, não, tá? Embora eu esteja.
Pelo contrário. Você tá o avesso do calvo agora.
Eu tô o avesso do calvo.
Vamos mostrar pro povo?
Vai ser muito rápido, tá?
Pessoal de redes, a figurinha, por favor.
Eu tô fazendo um filme, O Zelador, Pedro Antônio Paes, e com o maravilhoso Matheus Nostergalli, grande amigo, Nightingale. Matheus é um gênio, né? Você acha o Matheus Nostergalli um gênio?
Acho, claro.
Acho ele brilhante, brilhante, brilhante. E ele tá muito incrível no filme. Congelador. Muito bem.
E aí, por que você botou esse? Agora, pra quem viu Succession, ele é o Roman. Mostra aí.
Roman. Cara, eu adoro o Roman. É um puta ator, né? É o...
O heróizinho.
O Kieran Culkin. Kieran Culkin.
Eu só vi. Ah, esse cabelo é muito escroto.
Foi a Gabi que falou? Legal, Gabi.
Você virou o velho calveludo.
Não virei um calveludo não, né?
Você é um calveludo.
Meu pavor é ser um calveludo.
Você é. Nesse momento você é.
É o personagem, não sou eu.
É, o personagem não é você. Quanto tempo você vai ficar com esse cabelinho?
Eu vou ficar mais um mês. Até dia 20 de setembro.
Você tá ficando sem banhar em casa?
Tô. Minhas filhas amam, né? Marieta falou, pai, sem ofensas, mas tá bem melhor do que antes. Ela usou o termo sem ofensas. Gostei. É o que tornou ofensivo.
É exatamente, é o famoso com todo respeito.
Com todo respeito, ela amou porque ela queria, acho que as duas queriam muito que eu fizesse implante, né?
Criança, todos nós, né?
Todos vocês, né? Acho que não, o Brasil não. O Brasil me recebeu já com cartazes enormes, não faça implante. Teve todo um movimento, né, no Brasil, bem grande assim. Teve, teve, teve uma coisa bem geral, qualquer, todos os cantos do Brasil assim.
Minha plataforma seria: não vou deixar o Gregório implantar. Então talvez eu ganhasse muito voto.
E tem até um problema, te falei, né, que muita gente vem e fala: deixa eu ver, né, não implanta não. Esqueço que as pessoas sabem da minha intimidade e que eu divido com vocês coisas muito íntimas da minha vida.
Aconteceu um problema que eu quero te pedir desculpa. Eu falei que você já tinha contado uma história aqui, você começou a contar, eu te cortei, e as pessoas Fizeram um rebuliço na internet sobre o palco em Nascimento Torto.
Que bom que o Brasil me deu razão. Eu fui contar aqui a história pro João, realmente eu lembrei disso. É igual, é o Tchan, que é uma tese que eu tenho, que eu achei que eu já tivesse falado mesmo. João falou, já falou, já falou. Aí eu disse, que é sobre prostituição infantil? É, já falou, já falou. E eu não tinha falado. E muita gente ficou muito curiosa, o Brasil parou. Pedindo essa notícia. E a verdade é que é o Chan, é uma campanha contra a exploração sexual infantil, tá? Você não sabia disso?
Quando você me encontrou, na altura, não.
Ah, tá, mas eu já te falei.
Você já me falou, por isso que eu confundi.
Segura o Chan, amarra o Chan, segura o Chan, não vai sair, tá muito cedo. Menina, olha só, pau que nasce torto nunca se endireita. Menina, quando a menina requebra, a mãe que pega na cabeça: não, não vai sexualizar a infância. Foi uma canção composta por Felca. A verdade é que o que é muito paradoxal e é bem brasileiro é que a canção talvez tenha ajudado a sexualizar muitas infâncias, né? Vamos ser sinceros, que a gente viveu isso nos anos 90.
E domingo?
Domingo ela não vai.
Não?
Não vai.
Na festa não vai?
Não vai. Domingo é dia da criança estar brincando, não é dia de estar indo em festa. Né? Mulher não vai, não vai, não vai. Tanto é, isso aí fica muito claro. Vocês devem estar achando que eu tô zoando, tem um filme Cinderela Baiana. Em que Cinderela Baiana, o filme com Carla Pérez e Lázaro Ramos. Você sabe que Lázaro fez, né? Sim, o elenco ótimo inclusive. E tem lá, tem lá ela que diz assim: lugar de criança é na escola, desde sei lá o quê.
Ela faz um discurso todo deixando bem claro que essa mensagem— voa, passarinho, voa! Pega um passarinho, põe o passarinho para voar e começa a dançar. Sabia?
Tudo que é perfeito a gente pega pelo braço.
Ou seja, nasce criança, a gente cuida. Aí eu já não sei porque que não aparece. Aí você me quebra.
Joga lá em cima, joga lá no meio, mete em cima, mete embaixo. E aí como é que faz?
Aí eu não sei.
Será que é futebol?
Deixa muito claro essa tese, que é depois de 9 meses você tem um resultado.
Não faça isso.
Entendeu? Ela é meio moralista, tipo assim, não vai sair transando por aí, que é isso.
No caso, uma menina mais nova tá certo, tá certíssimo.
Não moralista no bom sentido, perdão. Agora parece que eu tô falando assim, não tem que arrumar no mesmo dia. Tem uma mensagem, mas o que é curioso é que a mensagem ela vai na contramão da consequência. É, tem uma tensão entre forma e conteúdo ali, né? Que a forma tá dizendo uma coisa e o conteúdo outra. Obrigado por fazer o Brasil me contar essa história. Porque muitas vezes eu sou silenciado aqui. Eu já falei que Itatiba ou Ubatuba significa?
João, você já sabe o que eu pensei também? Ontem eu fiz uma— como é que é o nome disso? Primeira vez na vida eu vi minhas finanças, uma profissional.
É isso, é coisa de quem tá com muito dinheiro.
É o contrário, agiotas atrás de mim me ligando. Não, não, até entender mesmo, nunca tinha feito. E eu querendo entender quanto dinheiro, o que que faz, o que assim, quanto que eu gasto, eu gasto demais. Insistência da Carol, minha assistente maravilhosa, inclusive está grávida. Viva ela, Carol Gouveia!
Olha, Carol, beijo!
Beijo pra Carol Gouveia, que é uma pessoa que salva minhas vidas todos os dias. Bora fazer, faz isso aí.
Salva a vida dele no sentido de que o porta tenta marcar reuniões com ele, o porta avisa pra Carol, ela aponta na agenda E aí depois ele fala, a Carol não sei o quê. Então ela salva a vida dele porque ela é o grande alívio dele.
Bode expiatório. E Carol, ah, tem que fazer uma coisa financeira pra ver tal. Tá, eu fiz. Mas o que a pessoa falou não tem nada a ver com o que você tava fazendo. E o seu testamento, como é que é? Eu pensei que eu nunca tinha feito. E eu nunca tinha feito nada, nunca tinha pensado na morte. Eu pensei, você já fez isso?
Testamento? Já fiz testamento. Já fiz testamento. Fiz testamento.
Eu tô? Claro. Não? Sabe que é simbólico, né? Eu não quero dinheiro.
Você tava antes e saiu da língua.
Não, não, não, eu não quero dinheiro. Eu não quero dinheiro. Põe ali uma coisinha, um agrado pra mim.
Eu vou botar um negócio. Tá certo.
Põe uma coisinha ali, uma bobagem de afeto. Eu te boto também.
Um quadrinho.
Um quadrinho? Tá lindo.
Uma cruz.
Óbvio.
Então vamos fechar nisso?
Vamos fechar nisso então.
Então você tá no meu testamento.
Não bota cachorro, não bota bicho, tá? Vai ser um trabalho chato.
Cara, essa é uma puta de uma piada, né? Cuida do meu sagui.
Nunca te pedi nada.
Cuida do meu sagui.
Cuida do Gregório, fica o meu sagui.
Para o Gregório, o sagui.
Nossa, isso era bom demais. Eu ia ser obrigado a ficar cuidando de um sagui.
Para a Fab Porchat, meu bebê recém-nascido. Cara, isso foi bom.
O cara faz um inimigo oculto no testamento. Ele compra coisa, ele se mata. Antes de se matar, ele compra várias coisas que só vão irritar os amigos todos dele.
Para o Gregório, minha lhama. Que eu acabo de adquirir.
Gregório, você vai tocar essa filial do Cheirinho Bão no Largo do Machado.
Você vai fazer seu testamento?
Testamento tem que fazer, mas eu não sei muito o que, o que não sei, mas parece que tem que fazer até por uma questão de agilidade, porque às vezes a justiça tem que decidir para onde vai, demora. Então tem que fazer algum processo lá que ela vai me ajudar para caso eu morra as pessoas consigam imediatamente, sabe, ter acesso, desbloquear o dinheiro rápido. Exatamente, né? Mas no caso, acho que não vai ser diferente, porque tem os herdeiros legais, né?
No meu caso é mais fácil, é mulher e filhas. E você tá assim, sim, você que eu tenho que botar.
Mas você, você botaria mais alguém além da sua família?
Eu, família, você? Eu botaria não, cara. Com filha é vacilo, porque no fundo eu vou estar tirando o dinheiro delas, né? Seu pai, sua mãe, mas eles vão ter acesso também, não vão, né?
Não vão não. Como acesso?
Não, não vão, né?
Algum amigo você ia deixar alguma coisa? Não, não, só eu mesmo.
Só você mesmo, João? Amigo? Deixa eu ver, tem amigo que vai? Não, não, não, não, não. Ninguém tá merecendo muito não. Agora, até que você falou, eu vou levantar essa bola aí. Eu tô escrevendo meu testamento, galera, tá? Ou seja, eu não terminei ainda a redação não. Até o final desse ano vocês vão estar sendo avaliados. Boa, cara! Imagina que bizarro, você tá no testamento de alguém que você nem é tão amigo. Oi, tomou uma ligação aqui, ó.
Olha, mas isso já foi uma— eu sempre tive essa fantasia de morrer. Não tem isso em filme? Tipo, morre uma tia que você não conhecia, de repente você ganha um dinheirão. Isso é uma delícia.
Isso acontece?
É uma mega cena. Ah, claro que acontece. É uma mega cena genealógica.
É, cara, você tá percebendo, mudando de assunto muito drasticamente, o apogeu de gente postando pace?
Pace?
Você nem sabe o que é pace.
Ah, você não soube? Você soube que teve um vídeo aqui do Porta dos Fundos, fez muito sucesso, sobre a pegação na corrida, né?
Isso rola, né? Corrida virou um um mundo paralelo. Virou o Shopping Rio Sul dos novos jovens, né? Porque as pessoas iam pro Rio Sul pra paquerar na minha adolescência.
Cara, eu tô te vendo um velho, mas você tá velho demais, cara. No meu tempo...
Eu tô, cara, tá foda.
Se você soltar bom mesmo era o Botafogo de 58, eu te interno. Tá falando de testamento e de como você paquerava as gatinhas na infância. Mas enfim.
Tá tendo muita corrida e paquera em corrida, eu tô sentindo isso.
Paquera em corrida. Tem uns códigos, sabe os códigos? Não. Meia azul tá solteiro, quer pegar.
Meia azul é solteiro? É bom saber disso, né? Pra não marcar uma bobeira assim.
Meia vermelha...
É o quê?
Meia vermelha tá em relacionamento sério.
Corpo fechado.
Corpo fechado.
E meia branca, que é mais comum? Nada?
Meia branca... Meia branca é só falta de estilo.
Falta de estilo? Eu não sabia que, em geral, não se corre sempre com meia branca? É normal meia colorida pra correr?
Igor, eu não tô muito nesse grupo aí não, mas eu diria que eu correria de meia preta.
Preta?
Depende da cor do tênis.
Cara, qual é a da corrida? Você entendeu já o Baratinho da corrida?
Eu não entendi, mas é uma facção. É uma facção? Não, é uma seita.
É uma seita.
Eles só saem entre eles.
Só. Eles usam... João, eles comemoram aniversário na corrida.
Eles usam roupinhas.
Eles usam roupinhas. Eles tomam gel.
Primeiro irmão da... da bicicleta, né?
Bicicleta é outra.
Que é aquela gente que usa uma falsa... um cilindro de bicicleta no short.
No short. E andam parecendo que cagou na calça, já viu? Parece que tá todo cagado.
Porque o cilindro da bicicleta não é... Por que que não bota aquela porra no cilindro da bicicleta?
Também não sei. Ah, mas aí vão explicar, porque não é a mesma coisa. Cara, eu acho muito louco isso, porque a gente vem de uma época, você percebeu já uma diferença? Que é nossos pais. Meu pai acho que nunca entrou numa academia, minha mãe sim, mas eu acho que meu pai nunca entrou. E olha, meu pai adora esporte, adora, joga tênis, joga beach tênis, joga tudo. Mas jiu-jitsu, jiu-jitsu, meu pai era jiu-jitsu brabo. Pergunta se entrou numa academia, acho que nunca entrou.
E o pai dele, o pai dele por acaso adorava malhar na praia, fazia calistenia, aquelas coisas. Nunca academia, não, coisa que não Hoje em dia você conhece alguém que não frequente academia? Muito raro. Mentira, todo mundo, cara. Não é muito louco essa mudança dos tempos?
É uma mudança dos tempos, com certeza.
Muito. É uma coisa muito louca porque acho que a gente era meio traumatizado, talvez por— eu fui muito traumatizado por professor de educação física. Eu não tive bons. Desculpa se tiver algum vendo hoje. O fato é que o professor de educação física da minha época, ele era Os professores, de modo geral, eles tentavam atenuar o bullying das crianças escrotas, né? Não fala assim com fulano, pelo amor de Deus. Manda, fez bullying, o professor geral manda para diretoria. Na minha escola, o professor de educação física, ele fazia bullying.
Sabe que você era muito ruim no futebol?
Que eu era sempre o último a ser escolhido, aquelas coisas todas.
Sabe onde não tem bullying e tem esporte?
Onde?
No Well Hub, plataforma de bem-estar que cuida da sua saúde no seu tempo, sem julgamento, porque ali você não tá se exercitando para provar nada para Isso foi merchan? Não, claro que não.
Adorei.
Isso é amor pela WellHub.
Cara, você vai achar que eu nem sei o que que é isso, mas por acaso eu sei. Eu sei, eu sei que é uma coisa que as empresas têm, não é? São, é um benefício que dá, que inclusive meu sonho era ter isso. Você que é CEO hoje em dia podia me arranjar um desse, porque sua empresa tem WellHub, aproveita, que tem muito além de musculação, sim, João. Tem yoga, tem Pilates, tem lutas, tem natação. E até terapia online e nutricionistas.
Você falou esse negócio de empresa, mas tem muita empresa que já oferece esse serviço e a pessoa nem sabe. Quer dizer, a conta tá lá parada só esperando para ser ativada.
Como o WellHub é um benefício corporativo, se a tua empresa ainda não tem, pega o link que tá aqui na descrição desse vídeo, junta o pessoal, vai lá trocar uma ideia com RH agora mesmo para liberar o WellHub e vem cuidar do seu bem-estar. Gostou da fala de academia? Cara, de que maneira? O WellHub pra tratar um sedentário desses?
Não, mas é aquele quando contratou...
Pelas pernas.
O WellHub é pra todo mundo, essa é a questão. Então assim, é pra gente que tem um corpo lindo e atlético e pra gente que tá começando. E pra todo mundo.
Você já me viu no crossfit?
Eu já.
Sabia que tem crossfit também no WellHub, né?
Você sabia que eu tenho um vídeo de você no crossfit, né?
Alguém te mandou isso?
Não, eu já filmei quando você fazia lá no Jum.
Ah, é verdade. Aquilo ali era crossfit?
Não, aquilo era LPO.
LPO, aliás, muito maneiro. Eu tenho que voltar. Eu tô bem, eu tô, cara, eu tô bem sedentário, infelizmente, mas eu tenho que voltar. Vou voltar. Esse papo até me deu vontade de voltar.
Eu tenho um problema que é o seguinte: eu odeio malhar perna.
Dá para ver.
E dizem que malhar perna é, isso é verdade, a coisa mais importante para velhice. Porque ajuda a entrar no carro, sair do carro, ajuda a descer escada, subir escada.
E a panturrilha é um segundo coração. Já ouviu esse clichê?
Não, como assim?
A panturrilha ajuda a bombear o sangue para o corpo inteiro. Sabia disso? Não tô brincando. A panturrilha, esse daqui, a batata da perna, em Portugal os gêmeos chamam gêmeos. Isso aqui são os gêmeos, ou a barriga da perna. Panturrilha, ela é um coração, ela é uma bomba. Ela ajuda a bombear sangue para o corpo inteiro. E esse é o momento em que o pessoal vê e fala, meu Deus, que vergonha! Cala a boca, cala a boca! Mari Kriger, vem aqui! Aparece Mari Kriger reagindo.
Não, aí vem, aí fica uma pessoa vendo o vídeo. Isso que mais me irrita em vídeo de react, que eles botam o nosso vídeo e ficam assim, ó. É, então fala o que que é.
Não é, acaba.
É só o nosso vídeo mesmo. Tem uma senhora, aliás, eu vou expor ela daqui a pouco, um dia que eu lembrar o nome dela. Mas ela, cara, o Instagram dela é post sim, post não, por não importa. Só que eu nunca sei se ela se ela ama, né, porque ela vê tudo, e ao mesmo tempo ela fica criticando a gente.
Nunca vi, eu acho.
É, pois é, eu também nunca tinha visto as críticas. Outro dia eu vi até no Twitter uma pessoa falando, pior é que eu gosto de Porta dos Fundos. Pior.
Tem uns elogios que doem, né?
Pior que ele gosta. Gregório é mesmo um gênio.
Tem gente que fala assim, me julguem, mas eu rio com Porta dos Fundos. Caralho, quem vai assim Tá assim o nível. Pior comentário que eu já li na vida foi assim: bom dia, seus leitor de Gregório do Vivier.
Ah, você virou uma espécie de gênero. Você virou um gênero.
Triste, né?
Gênero Gregório do Vivier.
Por um lado é feliz, porque caraca, existe essa categoria de pessoa. Mas por outro lado, triste, porque a pessoa não precisa— o que dá aflição é que a pessoa não precisa nem zoar. Entendeu? Não tem nem seus merda. É isso. Foi o que ela— é tipo— E isso aqui não é Vasco, não precisa dizer que é Vasco, tá? Ela tá implícito ali, tudo que ela tá dizendo.
Então o Gregório Vivier veio pra substituir o seu merda.
Olha que triste.
Na frase.
Pois é, o leitor ainda tava ofendendo, meus leitores queridos. E assim, eu tenho muito apreço por eles.
Pelos leitores?
Muito, porque olha a merda que eu li aqui pra vocês. Não, mas sem zoeira mesmo.
O seu primeiro leitor foi o— você escreveu pro seu professor?
Paulo Henrique de Brito. Como eu escrevi?
Quando você devia escrever hoje, tá agradecendo ou pedindo desculpa?
Ele, eu falo muito dele, então ele sabe que eu sou muito fã. É, ele não tá no Instagram, muito fofo, porque ele não tem Instagram, não tem rede social, porque é um cara que lê muito. Mas ele tem, na verdade, quem cuida, acho que é a nora dele, tava dando uns vídeos ótimos, ele lendo um monte de coisa. Paulo Henrique Brito, sigam ele. Eu ficaria muito feliz se todo mundo seguisse o Paulo, meu professor. Eu chamo Paulo H. Brito.
E vai lá Paulo Agabrito e fala assim, força, guerreiro, por ter lido as poesias do Gregório. É. Mas ele é embrionário, ele pegou esse embriãozinho aí e fez o Sal da Língua.
Ele sempre foi muito legal comigo, muito generoso. Já viu a orelha do meu livro? Não precisava.
Não precisava.
Não. Ele sempre foi muito gentil. Quando, na verdade, eu acho que eu não seria. Eu tenho que lembrar disso, porque algumas pessoas foram muito gentis comigo no começo da minha vida, e eu não sei se eu sou gentil como as pessoas foram comigo, entendeu? Tem essa culpa, eu carrego essa culpa.
Com as pessoas ou com a próxima geração?
Com a próxima geração.
Por quê?
Eu dificilmente, quando deixo uma casa, eu não vou pegar, dificilmente eu vou pegar um livro que chega sem nenhuma indicação de nada, entendeu? Volta e meia, não, mas eu esqueço de ler porque tem uma fila, tem uma prioridade. Dificilmente eu vou pegar um livro de que não sei nada, que me falaram se é bom, se nada. E vou perder, com muitas aspas, um tempo.
Ou seja, você vai— você tá quebrando o ciclo da generosidade.
Olha que merda, mas eu vou parar. Eu tô falando, enquanto eu tô falando, os homens estão me deixando muito mal. E eu vou ser uma pessoa melhor.
Será que vai mudar?
Como foram comigo, porque foram muito generosos comigo.
Você não vai esquecer disso?
Não. Não vou, não. Chegando em casa, a primeira coisa que eu vou fazer é isso.
O que que você prometeu?
Malhar mais perna.
Malhar perna.
Acho que era malhar perna.
Tem uma parada que eu acho que, eu não sei se é questão de malhar perna ou não malhar perna, mas já percebeu que eu gosto muito de observar pessoas na rua? Já percebeu gente que anda com cara de que tá fazendo esforço?
Muito.
E é uma cara de descanso, mas na verdade é uma cara de esforço ou de tristeza, que eu também tenho muito isso. Eu julgo também Assim como eu julgo gente que anda rindo.
É, mas é fofo demais.
Gente que anda rindo é lindo. É, não, não se pode andar rindo no mundo.
Eu tenho um amigo que morou um tempo na Ucrânia, antes da guerra, tá? Já antes da guerra, mas era obviamente muito frio. Isso daí não mudou. E ele diz que as pessoas andavam na rua por causa do frio. Ele pensou, era tão frio que você não pode sorrir, senão congela a saliva dos teus dentes. E ele percebeu que isso fazia com que as pessoas E realmente, cara, as pessoas no frio é pior ainda, geral. Isso, geral, no calor você pode estar cansado, mas você vai estar assim.
No frio é muito comum você ver a pessoa assim, uma cara que não existe. Fala, cara, que tensão é essa? Não tem essa cara?
É porque a cara para não deixar que nada entre na sua boca, ou, e também um sofrimento de quem tá sentindo frio ainda que encasacado.
Isso é horrível, essa cara, muita aflição, que parece que a pessoa tá em dor, mas não, é a cara dela o dia inteiro assim.
Preferia morar na Ucrânia, no frio extremo, antes da guerra. Não, não, num frio extremo, não precisa, ou num calor extremo.
Que que é um calor extremo? Você tá falando de quê?
Eu tô falando de -20 e 50 a mais.
Mas eu quero saber que lugar do calor extremo, entendeu?
Se tem praia.
É isso, já muda tudo.
Por exemplo, tem praia, mas tem que trabalhar.
Com ar-condicionado.
Isso, calor extremo, óbvio.
Eu adoro ar-condicionado, eu gosto da sensação de, cara, calor fodido, entrar no ar, adoro sair, calor, ligar.
É que frio extremo é muito ruim, né?
Muito, muito difícil. Casaco para caralho, casaco para caralho, as pessoas mal-humoradas para caralho. Mas o dia termina 3 da tarde, tá escuro. No calor não, calor vai até tarde, sai depois da Que ela trabalha até que horas? 5? Tu sai, ainda consegue pegar uma prainha.
Dá um tibum.
É. Calor extremo. Quer dizer, calor extremo hoje em dia já remete à mudança climática, né? Mas sim, entendo o que tu quer dizer.
Teve furacão aqui.
Vai ter, João. Vou nem falar isso, tu vai deprimir. Tô com muito medo.
Tá com medo, é?
Tô.
Você acha que a gente vai ver o apocalipse? Não. Não?
Não. Não, não, não como a gente conhece. É meteoro, acabou. A gente vai ver sim uma lenta deterioração das condições climáticas.
Tipo, Marieta já vai viver no mundo merda.
Merda é foda dizer, mas sim, vai ser mais difícil a existência. Infelizmente essa é a verdade. Eu queria ser diferente, mas vai deteriorar.
Você não acha que vai aparecer um—
mas como você é um cara a favor das restrições, talvez você dê valor mais às coisas. Pensando no mesmo tempo, entendeu? Acho que isso vai ser, vai ser, não vai ser essa, porque a gente vê uma, hoje a gente vive uma festa da uva, a gente vive uma grande farra, não é? Na qual se come. Se você tiver dinheiro, você vai comer o que você quiser, você vai viajar para qualquer lugar que você quiser, você vai, é uma questão financeira, não é tipo assim, não, o senhor já pegou um avião esse ano.
Você acha que vai rolar isso?
Eu acho que isso talvez O senhor já pegou um avião assim? Qual é a sua emergência? Tem que provar a emergência. Ah, mas eu quero conhecer as Maldivas. Não, não, com essa pegada talvez tenha esse tipo de coisa, entendeu?
Eu acho que talvez alimentos que vão sumir, alimentos vão sumir.
Não, hoje não é domingo, o senhor não tem direito a uma carne de vaca, por exemplo. Você relata, chuta aí.
A gente não vai ver isso?
Talvez, João, talvez vá.
Acho que não, não, não, até que começa essas leis. É, pois é, meu testamento já foi aberto, já foi aberto, já foi aberto. E vai estar lá seu quadrinho.
Bom, foi um prazer gigante falar com você. Obrigado por me dar o seu quadro. Vou pensar o que que eu vou deixar pra você no meu testamento. Você gosta de restrições, né? Então vai ser uma coisa pequena.
Esse foi o Papo de Segunda.
Eita, caralho, que horror ser chamado pelo nome da ex.