#59: SUPERPODERES, ARRASOU NO COIÓ E OUTRAS COISAS (com Rafael Saraiva)
Neste episódio do Não ImPorta discutimos o motivo pelo qual vocês assistem isso aqui... Sinceramente, ninguém sabe responder, tem até um estudo pra entender este fenômeno. Se alguém poder explicar, agradeço.
ELENCO
João Vicente de Castro
Gregorio Duvivier
ROTEIRO
Eduardo Branco
DIREÇÃO
Matheus Monk
- Audiencia do ProgramaRetenção de audiência · Sinceridade absoluta · Pacto de honestidade · Coerência pessoal · Confiança entre apresentadores
- RelacionamentosAgressão como forma de amor · Irmandade profunda · Primeiro a falar coisas · Tóxico aparente mas saudável · Intimidade máxima
- Superpoderes e EscolhasLeitura de mentes · Invisibilidade · Voo ou teletransporte · Controle e descontrole · Intimidade alheia
- Linguagem, fofoca e gossip como constituinte socialFofoca como formadora de comunidade · Reconstrução genealógica de conhecidos · Celebridades como substituto de fofoca familiar · Dosimetria da maldade · Nomeação e memória
- Tecnicas NarrativasLost e JJ Abrams · Mistério como retenção · Deixar assuntos em aberto · Ciclos de promessas não cumpridas · Comparação com débito
- FutebolExperiência de Rafael Camarão · Copa do Mundo 2026 · Jogar pelada com Gregório · Talento vs realidade · Idade olimpica
- Dinâmica de amizade entre Gregório e JoãoIrmandade e sinceridade · Agressividade aparente como forma de amor · Intimidade e compartilhamento de vida · Dinâmica que pode parecer tóxica
- Vergonha do passado e maturidadeVídeo antigo constrangedor · Quem você era antes · Autoaceitação · Carinho com o eu passado · Processo evolutivo
- Vida pessoal e embaraço com o próprio passadoConstrangimento com versões antigas de si mesmo · Processo de maturidade e educação · Carinho retrospectivo com ações passadas · Evolução pessoal
- Sotaque e fala regionalEscolas em São Paulo · Vera e Morubi · Paulista de certo tipo · Identidade de grupo · Desenvolvimento dialetal
- Paz e RelacionamentosInsegurança com mulheres · Expressão 'bobeou a gente se encontra' · WhatsApp e DMs como espaço de conquista · Dinâmica Saibro
- Cinema e SériesA Noviça Rebelde · Lost e seus ganchos narrativos · Mania de Você (novela)
- Estrutura e funcionamento do programa Não ImportaEquipe de produção · Case do Spotify · Head de Portfólio · Retenção alta
- Nostalgia e redes sociais deletadasFim do Orkut · Registros antigos em vídeo · Privacidade da internet antiga · Memória digital
- Música e admiração por artistasCaetano Veloso · Djavan · Chico Buarque · Bad Bunny (overrated) · Something Good - A Noviça Rebelde
Não importa com quem você se dente. Que você se deleite. Seja com quem for. Apenas espero que aceite. Não. Apenas espero que aceite. Aceite? Respeite. O meu estranho amor. Louco querer. Não. Com certeza é. Quer dizer, com certeza tem. O nosso estranho amor. Tanto é o que dá o nome à música. É. Mas tem uma hora que tem. O meu louco querer. Tem outra hora que tem isso. Mas acho que tem uma outra coisa. Talvez. Por que a gente tá falando disso? Não sei. Sabe por quê? Porque Caetano Veloso.
foda. Djavan? É foda. Chico Buarque? É foda. MC Melody? É legal. Bad Bunny? Overrated. Overrated. Vamos falar sobre Bad Bunny e ser overrated. A gente não pode falar de Bad Bunny e a gente não pode falar de Chet GPT hoje. Falamos demais já. Olha, eu vou te falar. Eu tava... Eu vejo aqui, assim, que a gente vem fazendo programa há algum tempo e muitas pessoas vêm falar sobre o
Menos alguns amigos. Você acha que tem uns que não gostam? Esse é o primeiro pensamento. Que vai me levar pra outro. Mas o primeiro pensamento é, não gosta. Ou, tem já demais de mim. Já não precisam mais saber o que eu acho. Posto que já sabem o que eu acho. Na intimidade do meu lar. É, tem isso. Eu não veria se eu fosse meu amigo. Você vê? Você, você? Comentando? É porque eu tava vendo ali. O programa. Eu vejo comentando mesmo. Pode crer, é verdade.
O Gregório, ele tá numa fase de auto-elogiosa tão grande que ele vê o programa concordando com ele mesmo e, às vezes, antecipando o comentário que ele fará naquele vídeo. É muito bom. É uma experiência muito louca. E aí, quando ele faz isso, ele fala, tá aí, é isso, concordando. É muito louco isso, João. A identificação que eu sinto comigo desse programa é algo que não tá no gibi. É incrível.
assim, quem é essa pessoa? Ou, por que eu não falei outra coisa? Por que eu não falei outra coisa? Perdi, comi mosca de falar isso. E quase sempre eu me surpreendo falando algo que eu concordo totalmente. Que você falaria de novo. De novo? Não importa que tenha passado uma semana, às vezes três. Ao contrário de toda a maioria da humanidade, você é um ser humano coerente. Eu vejo e falo assim, eu sou isso daí que vocês estão vendo.
Desculpa, é o que eu tenho pra oferecer. Mas também, entrando uma coisa, às vezes as pessoas interpretam isso que a gente tem como
Olha a lapada que o Gregório deu no João. Olha, elas acham. Tem que explicar, talvez, isso. Ele nunca explicou que a gente se ama. E isso vem da minha mãe. Minha mãe fala. Será que eles vão se agredir? É a nossa dinâmica. Se você acha tóxica, talvez você não tenha um amigo de verdade. Desculpa ser eu o portador das notícias. Mas, assim, o que eu acho... Até me perguntaram agora... Nossa querida Ana Gondolo perguntou...
Nossa head de operações. Ela é head de portfólio. Essa empresa tem funções que eu acho maravilhosas. Tem uma função que é head de portfólio. O que isso significa? Eu nunca vou entender. Eu já desisti de entender. Mas eu também não entendo nada de empresa. Eu sei que a Ana faz tudo. Ela faz tudo. Ela é maravilhosa. E ela, entre outras coisas que ela faz, qual é a relação disso com o portfólio, eu não sei. Greg, dá aí uma aspas sobre o não importa. Estão fazendo um case do Spotify. Por que você acha que faz sucesso?
E aí é muito constrangedor você explicar porque você acha que uma coisa faz sucesso. Mas vamos lá. Eu vou tentar. Não, tô brincando. Mas eu fui explicar pra ela o seguinte. O que eu pensei. Por que você acha que as pessoas veem? Fazer sucesso talvez seja exagero. As pessoas veem e gostam e tem uma retenção muito alta. Obrigado a você que tá assistindo até agora. Quatro minutos já. Obrigado. Não vai embora não. Por que tem uma retenção alta esse programa?
É porque a gente só fala coisas relevantes? Não. É porque tem grandes sacadas nunca antigitas na humanidade? Tampouco. Eu acho que causa alguma retenção que as pessoas ficam vendo?
a sinceridade. É um pacto que o João tem de sinceridade. A gente aqui não mente. Não ri de uma piada que o outro faz por educação. A gente não passa pano pra uma coisa boba que o outro falou. Porque a gente é muito amigo num lugar de irmandade e que, volta e meia, pode parecer, sim, agressivo ou tóxico, mas é uma forma de amor que envolve ser 100% sincero. Não tem nada da minha vida que o João não sabe, eu acho. Até que sei coisas que eu não gostaria de saber.
É verdade. Eu tenho outra teoria. É a primeira pessoa que eu falo. Qualquer coisa. É verdade. Pode. Opa. Cara, a questão é... Eu tenho outra teoria do porquê que a gente... Da nossa retenção, né? Não exatamente de pessoas assistirem ou não. É que eu começo esse programa hoje com um assunto. Tentei abrir com um assunto. Uma coisa que eu tenho pensado. Foi pra nossos eus antigos. Eu não concluí nada.
As pessoas estão falando assim... E nem você conclui nada. Não. Ah, gostei dessa sua... Ai, foi embora o assunto. Vamos ver se volta. Vamos ver se volta. Aí a pessoa assiste o programa inteiro pra ver se volta o assunto. Volta, exatamente. Acho que tem por aí. É isso. É ganchos. É ganchos que a gente faz. Vai plantando. Tipo lost. Cara, sabe como é que pinguim se reproduz no verão? Sabe? Então, continua falando. Eita. Entendeu?
A pessoa fica... Caralho, mas como? Vai falar ou não vai? Não. Você não vai falar? Talvez.
Retenham-se. É tipo, lembra? Loche era bem isso. Que assim, ele foi plantando só coisas. E deixa eu explicar quando é que ele... O Loche, ele vendeu a alma para uma espécie de agiota da dramaturgia. Perfeito. Que ele jogava ganchos ao Deus da Areia. Uma hora chegou o momento que falou assim, agora fecha. E aí era todo um sonho. Todo mundo morreu. Era isso. Lembra disso? Que vergonha.
assim, não me apareça em Laranjeiras. Não me apareça no Mercadinho São José. Porque que ódio que eu fiquei de DJ Abrams. Caralho, o maluco enganou pessoas. Ele ia plantando, ele só ia dando mais. E a sacada dele é o seguinte, quando você ficava achando assim, ele vai ter que resolver isso daqui. Por que esse homem de lápis no olho volta no tempo, não envelhece? E por que tem lápis no olho? Ele vai explicar agora. Aí ele planta um novo mistério.
esculturas gigantes de um pé numa praia. É, eu lembro. Aí você esquece que tem um mistério pra resolver. E quando você quer dele, vai explicar o pé agora. Aí revela que, na verdade, o outro já tinha voltado e que ele era um viajante. Quando você dá um mistério novo, a pessoa se esquece que você tinha um mistério anterior. Então, é você que tá devendo dinheiro. É tipo você pegar mais dinheiro com a Jota em vez de pagar. Pegar mais dinheiro pra pagar ele.
É, ela com a Jota assim, me dá cinco mil que eu tenho que te pagar aqueles dois. É, agora eu vou ter que te pagar cinco. É isso que ele fez durante seis temporadas.
Por exemplo, você já esqueceu o que eu falei do pinguim. Eu não esqueci não, eu quero saber. Espero que você tenha uma boa história sobre o pinguim reproduzindo. Mas eu ia dizendo lá no começo do... Cara, o tempo já se passou, mas que muitos amigos não falam sobre o não importa. Mas pode ser, não importa, ou qualquer trabalho da sua vida que você faça, que não seja, não pode... Mas às vezes se denunciam citando alguma coisa que não importa. Que não está num corte.
me leva a crer que ele vê. Você tá dando um recado pra alguém? Não, não. Já aconteceu algumas vezes. E aí, eu fico pensando, será que essa pessoa não quer que eu saiba que ele me ama tanto quanto ele me ama? Ou gosta da coisa que eu tô fazendo tanto quanto ele me ama? Será que é uma coisa meio blasé? Não é cínica, mas blasé de tipo, sei lá, não vejo lá. Será que o Carrão não quer que a gente saiba? Não era o Carrão? Tá. Ele tem tanto tempo livre. O Carrão vai embora. Vai embora? Partiu. Como eu disse, Carrão não...
Não, não permaneceu. Eu sabia. Nero permaneceu. Mas é por isso que eu nem esquentei a cabeça com o carro. Ele tinha uma cara de amor de novela, amor de jovem, amor de sete. Tem esse tema, amor de sete. A pessoa que se encanta no sete, acaba o filme e nunca mais vê. Eu sofri. Eu achei que ele poderia ser diferente, mas como um cafajeste, ele me fez acreditar que comigo seria diferente. E não é. Nero ficou. Nero ficou. Nero ficou. A gente tem uma coisa que toda semana a gente quase janta. Ah, isso é...
A amizade é basicamente isso. Claro, mas a amizade tem muito a ver não só com o encontro, mas com a expectativa. Porque se você tá quase jantando, a relação tá posta. Lógico. E assim ela vai se alimentando, é uma lenha que você joga. E às vezes você sabe que você não pode, você nem tem a data pra almoçar. Mas você sabe que a outra pessoa também vai jogar o jogo e não vai ter a data. E os dois vão acordar pensando qual que vai cancelar primeiro.
E tudo bem. E a gente não jantou. Mas a gente quase jantou. Mas não jantar é uma atividade que configura
amizade. E o não jantar também tem no pacote do não jantar o encontro com outro amigo, um terceiro amigo e fala ontem quase jantei com o Nero. Perfeito. Ou seja, temos relação. Temos relação. Relação é isso. Mas a minha pergunta é você acha que tem esse tipo de amigo que se irrita com se irrita ou finge que não vê o que você está fazendo por uma espécie de despeito ou pra não se sentir puxa saca
Eu acho que tem vários motivos pra pessoa não ver ou fingir que não ver. Não, pra não ver o que não falta. Eu acho que tem... Você faz assim? Nossa, eu odeio esse barulho. Só não odeio tanto que minha avó fazia. Me lembra muito ela. Minha mãe faz. Sua mãe faz. É uma alergia, né? É um jeito de coçar a garganta. Você que tá aí no chat, doe. Doe porque é importante doar. Dois sangue. Aliás, me falaram isso. Todos os que falaram, João, fala doi.
Sujeiras doar sangue. Você já doa sangue. Sujeira? Sujeira. Sujeira? Toda vez que ele fala doi,
sujeira de doar sangue. Doi sangue, doi esperma. Doi leite. Doi o que quiser. Não quero sugar todo o seu leite. Então, eu acho que... Eu tenho uma tia, João, que ela não assiste. Uma? É, acho que nenhuma assiste. É que tem muitas tias. Eu tenho cinco tias. Uma eu tenho certeza que não assiste. Que veio me falar assim, aquele seu programa com o João, assim, eu gosto de bobeira, mas é que vocês realmente ultrapassam qualquer limite da irrelevância, Greg. Ali, pra mim, você
me perdeu. A sua família é contra o não importa? Não, eu acho que a minha família depende. Meu pai, por exemplo, adora. Seu pai é grande, Edgar, inclusive, combinamos de tomar um veículo. Eles são muito amigos. Essa coisa de combinar e não fazer, quem é a rainha disso é a Alessandra Dufino, amiga de outro podcast. Alessandra, eu já não desmarco, porque eu sei que ela não vai fazer. Então, ela gosta de marcar. Então, ela fala pra mim coisas que eu sei que ela não vai fazer.
Greg, sábado tem o Gabriel da Muda tá fazendo um samba maravilhoso lá no Casarão do Firmino, na Lapa. Vamos?
Claro que vamos. Óbvio, eu não vou falar assim, eu sei que ela, o pior é que eu adoraria esse programa, mas eu sei que ela adora a ideia do programa. Na prática, ela não vai querer ir num samba na noite livre dela, porque ela vai querer comer uma coisa mais calminha em casa, vai ficar com o marido, vai querer fazer um monte de coisa. Ela não vai ir pra lá pra entrar, mas ela gosta da ideia, com perdão o termo, da punheta mental de que ela vai imaginar que ela vai estar num samba no sábado. Então eu deixo ela brincar. Vamos, claro, vamos.
falar assim, vou fazer dieta. Ou vou já se amalhar segunda-feira. Você dá ao seu cérebro um indicativo de que já está acontecendo. Você gerundiza, bela palavra, não? Gerundiza o ato que você gostaria de fazer-lo, mas acaba não fazendo-lo. Mas isso é cientificamente comprovado. Onde você viu isso? Eu vi isso na Vogue. Na Quest. Isso saiu na Quest, dizendo que
42% da população se sacia com a intenção de fazer alguma coisa. Marcar coisas. Marcar coisas. Eu gosto muito do se calhar, né? Se calhar, português. Os portugueses falam. Aí eu lembrei que o carioca... O carioca brasileiro tem, no geral, o se bobear, que é bom também, né? Se bobear. Se bobear, eu vou... Se eu estiver normal... Não. Se eu estiver meio bobo, se eu bobear... Eu vou acabar caindo nessa. Aí eu vou cair nessa. Se bobear, não é muito bom. Se eu estiver esperto... Eu tive uma...
que eu tava querendo fazer o cu. Calma. Eu vi na hora que eu falei. Eu tava querendo me fazer de cu. Ah, de cu? C-O-L. C-O-L. E aí, ela é uma mulher muito cobiçada, imaginava eu, né? Tipo, pô, essa mulher aí deve ter um monte de homem em cima e tal. E aí eu ficava inseguro. Eu sou muito inseguro em relação às mulheres, assim. Eu tenho um jeito meio trapalhão.
E, bom, enfim, vocês estão rindo das minhas fraquezas, das minhas vulnerabilidades, ok. Bom, tava eu, então, paquerando ela. Adoro milheiro que fala paquerando com ela. Paquerando com ela. E aí ela falou uma coisa meio... não muito firme, assim. Ah, vou estar, na minha cabeça, vou estar com um amigo meu em Ipanema. Aí eu falei, beleza, bobeou, a gente se encontra. Amo. Ela sumiu uma semana.
Uma semana. Estava indo muito bem nossa relação, nossa paquera. E ela me explicou depois. Você não deve nunca falar bobeou a gente se encontra, porque bobeou a gente se encontra é de fato uma coisa violenta pra quem tá querendo encontrar outra pessoa. É tipo, se tudo der errado no que eu planejo, a gente se encontra. São palavras que a gente normaliza, que a gente não deveria normalizar. É, total. Bobeou a gente se encontra, você foi mal mesmo. Pra alguém que é tão bom, porque o João... Não, mas eu tô falando de 1984.
Ele é bom em muitas coisas, mas se tem uma coisa que meu amigo é bom, é no WhatsApp. O João no WhatsApp, ele é feito ou na DM. Ele tá falando de um passado longínquo. Ele é um Ayrton Senna na chuva. Sabe? Ele é um... Ele é um Gustavo Kuerten no site. Kuerten? Kuerten? Como é que se fala? Bom, não sei como é que é ele francês. Kuerten. Kuerten? Cara, eu sempre falei Kuerten, desculpa a ignorância.
Ele é um Gustavo que tem no Saibro. Tanto é que a gente fala até. O João, a gente tem até uma gíria que é levou pro Saibro. Eu falo pra ele. Que é assim, quando ele pega o telefone da mulher ou quando ele vai pra DM, ele conhece uma pessoa na rua. Ele fala assim, tem que levar pro Saibro. O Saibro dele é o WhatsApp, é a DM. Que é onde a bola, ele sabe onde botar devagarinho. Botou pra um lado, botou pro outro. Ele tem lá uma rotina, entendeu? Isso ele tá falando de anos atrás, quando a gente era solteiro, inclusive.
18 anos que ele tem hoje, então faz muito tempo. Já tinha WhatsApp na época? Eu não tenho 89 anos não, filho da puta. Já tinha WhatsApp na época de 2015? Exatamente, que loucura. Não, filho, é o seguinte, a gente pegava um pombo, amarrava no... Ou ia de Jerico. Ia de Jerico, chegava lá. E a gente mostrava de palmas pra Rafael Saraiva, que está no... Caramba, tá aqui? Ele tá no chão. Ele chegou aqui, ele tava no computador.
Ele tá fazendo o quê? Trabalhando, escrevendo. Tinha uma linha. E que eu queria ler essa linha. Tem ela pra gente ler? Pega ela aí, vai. Ah, eu queria muito ler essa linha. Pega ela. Tá aí? Tá aí? Vamos ler qual é a linha que ele escreveu hoje. Vamos ver o que ele... Mas tem que ser de verdade. Tem que ser de verdade. Não, mas eu quero que você lê só a linha que você tinha. Não adianta escrever uma coisa melhor agora não, tá?
do João do passado. Constrangimento? Muito constrangimento, mas muito mesmo. O que mais te constrange? O que eu pensava, o que eu falava, como eu vivia, quem eu era. Tirando isso, eu gostava de tudo. Tem umas ideias minhas e coisas que eu sei que eu fiz no passado. Estou falando da parte que não é... que eu não me bateria. Só a parte que eu acho ridículo. Mas sabe quando você está ali naquele prenúncio de adulto que você quer provar,
você quer. Então você faz umas coisas que não são você, que não é o que você é, porque você tá querendo fazer um tipo. Isso me enlouquece. Me vê. Sorte a minha que eu não tenho muitos registros de vídeo. Mas tinha câmera naquela época? Não, não. A gente tirava várias fotos e depois olhava assim, com negativos. João, eu entendo você pra caralho. E eu acho que a gente foi abençoado com coisas como o fim do Orkut.
Ah, para, para, para. Você achou um vídeo antigo meu, esse? Não, eu nem pedi isso, não, mas apareceu. Você pediu? Não, não. Eu tenho muito orgulho de falar com ele. Eu tenho muito orgulho de ser brasileiro, de ser latino-americano, de ser humano, de ser nada. Não tem. Certamente não. Certamente não. Eu tenho muito orgulho de ser rosófono. Eu tenho ainda. A nossa língua é muito admirável. Muito diversa. Muito diversa. Tudo que você quiser.
Se você quiser. Eu acho, na minha opinião, que a gente tem... As pessoas que fizeram o melhor uso de uma língua.
no mundo. O que você quer falar? Muitas coisas aconteceram. Muitas coisas aconteceram. Eu quero falar assim. É lindo o que você fala. Não tem nada de errado o que você fala. Tá certo, né? Tá certíssimo. Obrigado. Só que o tonzinho. O tonzinho meio... Bom, eu vou ser genial aqui só um pouquinho. Eu vou falar... Eu vou usar aquela palavra que eu aprendi ontem. Lusófilo. Eu vou... Lusófilo não é uma palavra tão difícil. Você ali tinha quantos anos, a gente acha? Ah, não. Não foi tão antigo, não. 32, 30.
Foi decaindo, legal, né? Mas enfim, você entende isso? Você não vê ali, né? Alguma atitudezinha qualquer que não é o Gregório de hoje em dia? Eu vejo, mas eu tenho um carinho por ele. Tem? Eu tenho raiva do meu eu. E eu acho que a maturidade e a psicanálise pode ajudar também. Você... Não, mas de verdade. Sem zoeira.
Eu acho que a maturidade... Não estou dizendo ser imaturo, não. Mas eu melhorei nesse sentido. Deixar de ter ódio de mim. Mais novo. Ter um carinho muito... Nossa, muito, muito, muito, muito. Muito ódio. Mas por essas coisinhas que eu estou falando... Essas coisinhas, esse ódio, olhar e falar que merda que eu sou, que merda que eu fui. Não consegui me ver atuando. Não consegui ler um texto que eu tinha escrito. Hoje em dia eu vejo com carinho.
Porque eu acho que foi testemunho de uma época e que eu vejo com carinho como se fosse de um amigo. Entende? Consigo olhar para mim como...
Por exemplo, você, naquela época... Eu vou entender o ridículo, mas eu vou ter um carinho gigante. Você falando num camarote sobre a experiência de estar naquele camarote e agradecendo a Colgate, pode ser? Pode ser. A Colgate... Peróxido de hidrogênio. Peróxido de hidrogênio. Você todo de marca... Eu entendo que seja ridículo, que você não é mais aquela pessoa, mas eu tenho um afeto e um carinho gigantesco por aquele João que não existe mais, mas que estava tentando ser o melhor.
Ah, mas é muito mais fácil ter carinho por você, pequeno, falando a maior merda do mundo...
Sob meu ponto de vista. Porque aí ainda eu te amo. Agora, o difícil é se encarar. Lógico. Dar de cara com você. Fingindo, porque é coisa que só você repara. O tom, o jeito, a maneira que se... Por exemplo, você pode achar lindo o seu texto ou tudo que você fez pra chegar até aqui porque você sabe que isso é o que te trouxe até aqui e que isso foi o processo evolutivo pra você escrever o céu da língua ou seja lá o que você escreva.
Agora, você sabe toda a arrogânciazinha infantil que você tinha ali escrevendo aquele texto? O seu pretencioso? Eu entendo, João. E eu, vendo, eu ia achar muito fofo. Mas só que você vendo é mais difícil. Cara, mas agora hoje o programa talvez não fique muito bom, porque eu tô num momento de vida muito feliz. E eu acho que tudo conspirou pra que eu chegasse até aqui, nesse momento. E isso aí faz com que eu não tenha graça. Mas eu tô muito feliz, de verdade.
Minhas filhas estão muito bem. A minha peça tá indo bem. E talvez não renda eu dizer isso.
pra uma coisa, assim, ridícula, eu penso como, sabe quem? Como Fraulein Maria da Noviça Rebelde. Então, a cena é muito bonita, mais pro final do filme, em que a Noviça Rebelde se encontra com o Capitão Von Trapp. Sabe qual é? Não sei a cena, porque... Ah, é isso, claro. Que Caetano canta. Eu não vou cantar, porque vai ter problemas. Mas Caetano canta, quiser procurar Something Good. É uma música tão linda que Caetano cantou da Noviça Rebelde.
Então, a música é bonita. E ela, basicamente, dizendo pro Capitão Von Trapp, assim, olha, eu tive uma infância miserável, eu tive uma juventude,
de merda, em que eu fiz tudo errado na minha vida inteira. Mas, você tá aqui na minha frente. So here you are, standing there, loving me. Você tá me olhando aqui na minha frente, me amando, e eu tô aqui na sua frente, te amando. Ou seja, em algum momento da minha vida, eu devo ter feito alguma coisa certa. Perfeito. E eu tô um pouco nesse momento. Então, quando eu olho essas coisas ridículas que eu fiz na vida, eu falo assim, cara, foi ridículo, foi, mas conspirou pra que, porra, você não existiria, entendeu?
Tem uma coisa de que o caminho das coisas está certo. Só porque hoje é outro momento bom. Mas se eu ver amanhã é um momento puto, entendeu? Não tem a ver que eu cheguei no nirvana da vida, não. Tem a ver com o momento hoje, quinta-feira, meio-dia. Mas como é que você começa a traduzir a letra mesmo? Talvez eu tenha tido uma infância miserável. Eu não tive. Talvez eu tenha tido... Outra. A próxima frase. Talvez eu tenha tido uma infância miserável. Pois é. Então, ela tem uma desculpa. A gente não.
Você, num palácio na Gávea, na infância, numa família que cortava frutinha... Tem como ser. Lúcio Costa era contra... Aliás, a última casa que ele fez na vida. É verdade. Uma das últimas. Mas enfim, com uma família que cortava frutinha e levava pra praia... Eu nunca comia fruta. Eu nunca comi fruta quando era criança. Tinha um paladar horroroso.
Eu não comia fruta, tinha que bater a sustagem. Era um drama. Agora, minha pergunta é o seguinte. A gente já falou muita merda na vida. Inclusive um pro outro. Coisas que a gente não concorda em nada. Quando eu me confronto com esse João também, me bate a mesma coisa, mas com a questão do agravante criminal. E eu fico pensando assim. Qual é a idade certa pra você se civilizar? Existe isso?
eu deveria ter feito isso antes, esse processo de civilização. Mas é um processo gradual, né? Claro. Não é o dia que você chegou e falou, virei... Claro que não, mas aí que tá. Será que se alguém pega, se a gente vai ler ali uma conversa, que a gente discorda completamente, ali naquela época, aquela frase que a gente discorda completamente, o debate público sobre aquele assunto já estava avançado. Claro. Então, assim, teoricamente, essa minha condenação de mim mesmo é correta?
uma bobagem que se falou ali sobre qualquer assunto, mas, ao mesmo tempo, não tem data certa para você se educar. Eu quero que se foda. Fala, fala, Ivan. A minha... Ih, vai sentar. Não vou, não. Não vou, não. Só vou mostrar. Caramba, você achou o seu texto? Não é texto, é um título. Ah, é um título que ele escreveu. Vai, lê aí. Isso aí que ele também bota trabalhar. E ele escreveu essa frase. Eu não sei se vale. Não? Porque... Eu vou tentar. Pode ler.
Não tem vergonha de nada. Então só relembrando, estava com o computador no colo, escrevendo, e aí o Mung perguntou o que você está fazendo. Eu estou trabalhando. E lá tinha uma frase que eu vou ler para vocês. Diz assim, esportista espetacular. Dois pontos. A história de Rafael Camarão. Ponto. Não tem vergonha não, gente. Não é vergonha. É minha história, ué. Claro. Você é o Rafael Camarão? Então, porque o que aconteceu? Eu, mais novo, jogava futebol.
Eu também.
E aí eu cheguei lá e realmente chega lá um playboy loirinho de olho azul com a mãe de motorista. É tipo assim, as pessoas lutando pelo pai de mulher da família e eu ali lutando pela minha vaidade. Aí cheguei para jogar. Só para demonstrar talento para o mundo. É, e para ter fotos boas. E aí joguei lá, estava jogando e eu ficava muito suado e muito vermelho. E aí começaram a falar, volta para marcar camarão, volta para marcar camarão.
E aí eu virei o Rafael Camarão. Você diria que é um racismo reverso? Em algum lugar, sim.
Eu sabia que eu estava sendo avaliado. Porque o status quo no futebol é a pessoa... Não sei se... Não, não, não. Tá bom, então eu vou sair antes que seja tarde. Não, eu estou brincando, mas aí eu era muito... Eu sofri um certo preconceito, cara. Todo mundo. E essa é a história que você quer contar no Esportista Espetacular. Não, é porque era só. O que tem sempre na Copa do... Essa era a minha Copa do Mundo.
Tipo, a Copa do Mundo de 2026 era a Copa do Mundo que eu idealizava que eu jogaria. Ah, claro! Eu achava que ia ser que eu iria jogar. Você fez essa continha, você falou... Não, eu projetava isso. Em 2026 eu jogaria a Copa do Mundo. Quanto você tem? Tô com 25. Tava boa. Era pra ser minha Copa. Não era camisa de 1 a 10. Mas eu poderia... E olha, calma aí que o Ancelotti não convocou ainda. O Brasil tá sem grandes nomes. O projeto é esse.
Esse é o projeto? É ver a convocação com o público, torcer. E eu queria ser um pouco esse representante.
desse sonho popular, sabe? Que bonito. Você acha que ainda tem alguma coisa dentro da sua cabeça? Lá no fundo, lá atrás, lá atrás, que acredita que isso pode acontecer? Não, mas é difícil me deparar com a ideia de que isso não pode mais acontecer. É estranho pensar que eu não tenho mais idade olímpica. No futebol você só pode ser convocado até 23 anos nas Olimpíadas. Eu tô com 25. Foi difícil pra mim fazer 24 anos. Eu tenho uma brincadeira que eu faço comigo mesmo, que é uma pequena aposta, e aí eu quero que vocês digam o que vocês acham.
tempo eu me camuflaria nós, né? Qualquer um de nós. Num jogo profissional com o nosso talento, sem ser descoberto. Pois é. Isso é uma excelente pergunta. Você camuflaria mais que eu. Eu acho que eu ia lá pra zaga. Você pode escolher a posição, tá? Na minha brincadeira. Ia na zaga? Ia na zaga, com certeza. Ah, eu ia pra uma ala. Pra ala e torcer pra bola não chegar. Quanto tempo você... Quanto tempo você segurava? Você acha que o Gregório segurava? Gregório, eu acho que de verdade,
Um minuto e meio. Não, cara. Eu acho que sim, cara. Porque é muito fácil o jogador ficar longe da bola. Mas você corre diferente. Ah, tá. Isso é verdade. Obrigado por lembrar disso. Obrigado por usar diferente. Foi aí que você se mostrou uma pessoa generosa. Não, cara. Você corre lento. Pô, o Gregório corre meio com as mãos pra trás. Não dá. Eu jogo bola com ele. O Gregório corre meio como criança. Imagina. Eu não sabia. Acabei de esconder isso. Eu jogo pelada com o Gregório. O Gregório, uma vez, a gente tava jogando bola.
Relada com o Gregório, parece ser muito estranho. Sim, eu, Chico Buarque, a gente tava jogando e o Gregório, ele era o lateral do meu time. E ele tinha que cruzar, era simplesmente assim, você tá nesse sentido. Você vai cruzar, você bate a bola assim, você cruza pra lá, né? Você pega com essa parte do pé. Desculpa você que tá ouvindo esse papo que não deve estar muito interessante, mas... Então, mas o Gregório conseguiu pra cá chutar a bola pra lá.
alguma coisa com a física que não se explica. Eu nunca consegui entender esse lance. E o Gregório tem uma coisa maravilhosa. Não, foi horrível. Não foi gol, foi pro outro lado. E o Gregório tem uma coisa das palavras. Tipo, o Gregório fala jogando assim, alguém dá um passo pra ele e fala, arrasou. Aí uma vez eu driblei ele assim, aí acabou o jogo e ele falou, porra, arrasou naquele coió. Eu driblei ele e ele falou, arrasou no coió. Nunca imaginei ouvir isso no campo de futebol. Eu acho que me perderam também.
de toda a população feminina. Ah, e a gente tá falando muito tempo de futebol, né? Desculpa. Certo demais. Tá bom, obrigado. Quando a equipe aplaude o fim do assunto... É porque assim, muda esse assunto. Muda esse assunto, tá? Que loucura. Já deu. Saraiva, se você pudesse escolher um poder, qual poder você escolheria? Justifique. Ah, o poder de Lementes. Lementes? Caralho, você ia odiar agora. Cara, mas eu acho que Lementes deve ser muito interessante.
porque você ter o controle total e absoluto, ao mesmo tempo que é um terror, mas você saber exatamente o que está todo mundo pensando te permite tomar as atitudes sabendo o que vai dar certo e o que não vai dar certo. O que o outro vai aceitar, o que o outro vai negar. Então você consegue controlar mais a si mesmo. E eu tenho muito medo de descontrole. Perfeito. E se você encontrasse um sujeito que transou com sua mãe, como é que seria ler essa mente?
Seria inóspito. Lemente, Basadelo? Não, mas nem que me dessem, eu pagaria um dinheiro para não ler mente. Jamais, porque lemente.
lê mente nem controlando? Não, não, não, nada, nada, nada. Tem menor interesse pelo pensamento dos outros, acho uma coisa abjeta. Nossa, que arrogância. Tem menor interesse pelo pensamento de ninguém, já li que eu tinha que ler. João, mas eu tenho, pelo que as pessoas escrevem coisas, mas a cabeça de alguém, eu tenho certeza que não é uma experiência boa você ver. Não é, porque, gente, a cabeça dos outros... Tem a cabeça tranquilona. Não, não sei, João. Eu gosto do mistério, eu acho que o meu medo é o seguinte,
não gosta, até leria. Alguém que eu gosto, eu tenho a impressão de que seria... Seria frustrante. Seria frustrante, sabe? Eu acho que... Falar só isso. Exatamente. É isso que eu não tenho interesse. Justamente por serem pessoas legais. Eu acho que se você lesse minha mente, você ia ficar muito orgulhoso. Não tô dizendo, João, que você deve... Me odeia se você ficar pensando que eu sou uma merda. Não é isso, não. Eu tô... Eu acho que você encontraria...
É porque você falou... Se você lesse minha mente, você saberia que o meu pensamento era mais profundo do que isso. Se você lesse minha mente, você saberia que eu adivinhei que a sua pensamento era mais profunda do que isso. Se você lesse minha mente, você não estaria falando isso agora, porque você teria lido minha mente,
saberia que eu gosto muito de você e sei que você me admira. Verdade. Qual poder você escolheria? Voar. Você viu o nojinho que ele falou voar? Você já voa toda semana, você pega um avião, você voa o Brasil inteiro, que você é poderoso. Ah, meu chequinho. Voar, você queria voar? Ou transporte, uma coisa relacionada a transporte, teletransporte, poder estar em um lugar, estar em outro. Você preferia um teletransporte que te salvasse 40%
de qualquer, de tempo, de qualquer trajeto que você fizesse. Um BRT. São Paulo, você vai gastar uma hora, você vai gastar agora só 20 minutos. 20 minutos não. 40% de 60 é foda, calma aí. 35 minutos. Vai te salvar 35 minutos. Não, mentira, vou melhorar. Metade, põe logo metade. Mais fácil. 30.
Tem que passar 15 minutos abraçado no latino. Ah, tá. Gostaria? Mais dúvida, tá? No final, você só... Tá, vamos lá. Abraçado. Vestido? Não. Ah, por que eu fui perguntar? Ele não tinha pensado nisso. Ele queria ficar pelado com a latino. Não, não, não. Eu tô bem com uma horinha. Tá bem com uma horinha. Eu tô bem, tô bem, tô bem. Você, então, quer ler a mente? Continuar ler a mente? Quero, continua. E você? Quero ser invisível.
outros. Eu sou fofoqueiro demais. Eu gosto muito de saber a vida do outro. E aí o que você faria? Nada. Eu ia ver muita gente transando. Muita gente. Sério? Você é meu voyeur? Não, mas eu ia adorar. Tem casais que eu olho assim e falo assim, queria ver sexo. Porque eu acho que no... Ia dar um tapinha assim? No meu invisível eu toco? Você toca. Ah, eu toco? Ah, poderia dar um pulo a pirata eventualmente. Você gostaria de ver mais sexo de pessoas gostosas
ou inusitadas? Tudo. Queria ver tudo. Nossa, teria horror isso. Mas, assim, entenda, o meu voyeurismo, o voyeurismo, não tem a ver com o sexo necessariamente. O sexo é uma consequência mesmo. Eu ia adorar ver muita gente aqui transando, cada um com seus pares, gente que eu vejo na rua, mas o meu negócio não é ligado ao tesão, nesse caso.
É ligado à intimidade alheia que eu jamais conseguirei penetrar. Então eu tenho um horror a essa intimidade. Mas mesmo de fora, porque uma coisa é você estar numa mesa com um casal e ele começa a brigar e falar assim, você é brocha, mas você é horrível. Você não quer ter contato com essa intimidade. Agora você sentadinho, com uma dinâmica acontecendo, que você completamente diferente de tudo que você já vivenciou. Porque eu não quero ir pra tua casa ver como é que é você e Jovano em casa. Eu quero ir, quero ver vocês transando. Cara, não fala isso.
É uma tentativa e erro que vai ter que ir bastante. Brincadeira, brincadeira. Eu fico agora nervoso pensando que você pode estar ali invisível. Mas ficar invisível, de alguma forma, não é um pouco... Não é que seja como elemente, mas também é adentrar a intimidade. É tóxico. Não, totalmente. Só que com a diferença, que é entrar na intimidade de luva. Porque ler a mente... É verdade. Nossa, caralho, João. Parabéns. Porque se você ler a mente, está ali tudo bagunçado.
Eu sei lá como você pensa. Sei lá como é que os outros... Pode nem conseguir saber ler. Saber ler. Você é analfabeto da minha mente. É, analfabeto da como constituiu-se o seu jeito de pensar. Agora, quando você tá ali... Por exemplo, às vezes eu tô assim num lugar, em geral, numa cidade diferente da minha, fico olhando as janelas fascinado. Vendo como é que aquela família tá... Por exemplo, bota uma luz branca com um ventilador.
de teto balançando assim numa sala. O que tu fala? Queria estar lá? Queria. Queria estar vendo o que está acontecendo ali. Ah, eu sou fofoqueiro. É, você é. Você tem muito interesse pelo ser humano. E eu acho que eu poderia salvar vidas. Você acha? Porque se eu sou invisível e toco, eu poderia bater num sujeito que está sendo violento com uma mulher. Mas a fofoca é... Poderia... Um pai que está batendo um filho poderia segurar.
A fofoca realmente é a coisa mais... Tem aquele livro, o Sapiens, que fala exatamente isso. Que a fofoca...
Foi falado aqui 20 mil vezes. Sobre o mamute? Não, fala do mamute. O mamute, se um neandertal ver um mamute batendo no modo neandertal, ele vai chegar para o grupinho dele e vai falar, gente, o Maurício estava sendo atacado pelo mamute. Então? Isso constitui vida. Fofoca constitui vida, portanto. Constitui linguagem. Eu vi uma mulher falando um negócio interessante, cara. Na sua visão, linguagem na minha vida. Cada um com seu cada qual. Podemos permanecer? Assim como o Gregório, para ele, vida é linguagem.
Caralho. Elissa, até passei a seguir ela, ela é libanesa. Elissa Freyra, uma coisa dessas. Tem um podcast aí. Apareceu pra mim. Ela falou algo que eu achei interessante, que assim, no Líbano, ela diz, no Líbano, mas é muito brasileiro também, tu vai numa cidadezinha, na cidadezinha dela, o Líbano, as pessoas são capazes de ficar 12 horas só falando uma coisa que não é nem fofoca, é lembra da fulana? Casou com a outra. Não, casou com fulano. Não, ela era irmão de quem? Só reconstruindo árvores genealógicos.
Fulano é irmã daquele... Não, a outra... Quem estudou com... Não, estudou em tal lugar, mas antes de estudar ele era casado com fulano, que era filha... Eu amo isso, capaz de ficar um tempo também reconstituindo memória com um bom amigo. Ou com um familiar. Minha família faz muito isso. Mas era tudo daquele mesmo? Não, esse era o irmão. Filipe era o irmão. O Filipe era o primo. O irmão era o Claudio. E que casou com a fulana, que morava onde?
Horas. Quem vê de fora é infernal. Passo fundo. Isso, morava em passo fundo. Quem vê de fora é infernal.
insuportável ver pessoas fazendo isso, porque você não conhece ninguém, né? Até uma experiência chata, quando você entra numa família, as pessoas estão fazendo muito isso, né? Você entra como namorado, como coisa, e tá todo mundo falando só de pessoas que você não conhece. Mas é um esporte delicioso fazer em família. E o que essa mulher fala, que é interessante, ela falou, é que quando ela chegou nos Estados Unidos, lá não tem comunidades na cidade grande.
Então, as pessoas fazem isso com celebridades. E ela diz que o espaço, a celebridade existe pra suprir a lacuna social da vida familiar. Da comédia.
da vida dos outros. E aí você fala que a Kardashian tá com o Chalamet. Não, é a Kylie Jenner que separou da outra. Não, antes tava com Kanye West. Porque brigou. Isso daí, as celebridades nos Estados Unidos e nos grandes centros ocuparam o lugar da fofoca da vizinhança. Não é triste isso? Muito triste. Porque não tem nada mais gostoso do que ficar, tipo, só organizando árvore genealógica de amigo. Não sei se é genealógica, meu bisavô,
Não, de amigos assim, tipo, as redes. É, porque em algum lugar dá uma sensação de casa. Casa. A gente tá junto. A gente é do mesmo mundo. A gente tá da mesma comunidade. E quando você conhece bem alguém... É quase um animal, né? É animal. Você se sente pertencendo a uma comunidade. A algo maior. E tem uma coisa engraçada que é, tipo, quem vê de fora não acha a menor graça porque são pessoas... Qualquer coisa boba que você lembre um nome,
Eu já amo, sabe? Lembra da Paulinha Pamplona? Mentira. Tá, cara, esse nome já me emocionou de você ter falado ele. Geralmente é uma pessoa que era do quarto ano do seu colégio, que ficou um ano naquela turma, saiu. E aí volta tudo. Quando fala um nome e sobrenome, você fala, caralho, Paulinha Pamplona, que nome? Você fica repetindo um nome que já te emociona. E é uma advogada. É, cara, e aí já é uma puta notícia. E é uma pessoa que a Paulinha Pamplona, se ela não tivesse estado naquele exato momento, ela teria morrido pra você,
todos sempre. Pessoas que foram assim, sua vida inteira estavam ali no colégio, é um lugar, que morrem. Quantas pessoas você não lembra? De quantas pessoas você nunca mais vai lembrar? Nunca mais. Que foram importantes. Exatamente. Que te bateram, que te amaram. Tanto é que uma das experiências mais angustiantes de um mundo, uma das experiências mais angustiantes é você lembrar de alguém e não saber o nome. Não nomear. Isso é a pior coisa do mundo.
Isso é só o que eu vivo. É muito ruim você não conseguir, porque a pessoa está morta de alguma forma, se você não consegue dar nome a ela. Tem uma coisa,
que eu lembrei muito de você também, João. Eu ia te mandar, mas eu não mandei porque meu amigo me recriminou. Eduardo Rec, meu outro melhor amigo, que não vê esse programa, aliás, mas com um beijo pra ele. Não vê? Não vê. Ou finge que não vê? Ele é tão amigo, eu acho que ele ficaria com ciúmes, talvez, não sei. Não fica não, porque ele é muito... Ele não fica não, porque ele sabe o lugar dele, né? E o Eduardo mandou uma coisa que é assim, que mandou assim, quando é um cara falando do prazer que é você encontrar alguém que fofoque com o nível exato
Ah, sim... Eu e o Eduardo Recchi... E aí, o Eduardo falou assim... Vai mandar isso pro João, né? Aí eu ia mandar mesmo, mas eu acabei não mandando... Não sei se eu ia recriminar ele ter adivinhado o que eu ia fazer... Porque alguém que... Porque tem um nível de maldade que é muito saudável... Porque se você fala... Ah, lembra da fulana? E a pessoa fala... Aquela vagabunda... Tomara que morra de câncer... Me perdeu... Ah, não falo mais, gente...
Over, má... É... Baixo astral, não... Agora a pessoa que fala... Ah, ela era um amor... E não era... É...
Tem que ser alguém que dá o comentário preciso da maldadezinha. Fala. Aquela que se vestia bem, né? É. Ótimo. Isso é muito João, né? O nível... Esse tipo de comentário bom. Você tem o nível certo, eu acho. O João é muito bom nisso. A dosimetria da maldade. É, é. Isso é maravilhoso. A dosimetria da maldade é algo que... É uma ciência que há de ser estudada. Caralho, é. Porque é raro a pessoa saber isso. Eu aprendi num curso nipônico, assim, que é muito técnico da maldade. Um técnico, né? Um japonês. E é uma das maiores portas pra intimidade.
alguém fazer um comentário maldoso que você concorda? Tipo, cara, eu vou me aliar com aquela pessoa. Concorda e tem mais ou menos pelo menos o mesmo tom de humor seu. Cara, dá uma sensação de novo, de casa. Você fala, puta, aconteceu isso sem querer Belmonte. Belmonte é nosso novo... Head de criação. Eu tô muito em ponto com isso. Mas enfim, tudo isso vai dizer que eu não conhecia ele. E aí quando eu vi que ele tinha o mesmo humor nosso, aí não é meu. Todos nós me deu...
Ai, graças a Deus. Sabe quem eu sinto que tem o mesmo humor e eu percebo pelo Instagram? Raul Gazola. Chay Suede e você. Chay Suede, é. Vocês têm o mesmo tonzinho, é muito engraçado. Muita coisa que ele pegou comigo, né? Cara, aquele personagem dele era você na novela. O Mavi, de mania de você, que chamava de chatoca. Isso é muito você, cara. Não, brincadeira, pegou de mim nada. Quando você é amigo de uma pessoa, vocês desenvolvem um dialeto que veio da outra.
Fala coisas que o Gregório inventou. Que você passou pra ele. E eu também devo falar coisas que o amigo do chá... E você vê essa. A gente tá sempre emulando. É, por exemplo, do nada, o Monk, ele traz coisinhas de casa, né? Agora ele tá com... É. E aí ele... Mas isso daqui a pouco... Aí daqui a pouco... Aí daqui a pouco... Ah, é? Então, mas daqui a pouco... Como é que é isso? O quê? Mas todo mundo tá... Não, não, não, mas... Não, não, não, mas é uma coisa... É o momento certo.
É tipo assim... É claque. É claque, é. Mas não é assim, eu quero que se foda. Não, é uma coisa mais assim. Posso falar? Natureza pra mim é meio merda. Entendi. É uma polêmica. Mas também... Tu expliquei bem, Matheus? Expliquei bem? Não, né? Mais ou menos, né? Ah, então vai se foder. É... Mas a gente estava... É isso.
A maledicência cria muitos laços também. Muito. Eu errei o ponto que eu tava no assunto. Já tava falando que a gente vai junto criando uma comunidade de jeito de falar. De jeito de falar. Tem um tipo de fala. São Paulo tem muito isso. Tem um tipo de sotaque de um grupo de amigos. Sotaque. Sotaque. Teatro. Por exemplo, tem um tipo de paulista que eu sei que estudou no Vera. O Nuscenta. O Nuscenta, é. É meio parecido. Que é um pouquinho assim, um pouco...
senhora do Morubi. Morubi é assim, que é um pouquinho de ovo na boca, que tem um sotaque de uma escola específica, que fala meio a Thaís Bilen, que era um pouco assim, fala um pouco assim, maravilhosa, né? Sou muito fã dela. Mas e uma turma que tem um pouco, uma coisa meio assim, e eu consigo identificar a pessoa que estudou no Vera. Tem isso, às vezes, uma escola ou uma turma de amigos. Cara, Rio tem muito, Niterói, tem uma turma, Niterói, tem um pouco a ver com o Paulo Gustavo. Paulo Gustavo inventou um jeito de falar, que aí ganhou o mundo,
Porque... Todas as pessoas que não têm humor no mundo pegaram o humor do Paulo Gustavo e tentaram usar. E também... Não, amor. Peguei um ranço. E a coisa da respiração. Isso, para mim, é o maior turn-off sexual do mundo. Mulheres que imitam... Paulo Gustavo acabou com a minha vida sexual. Não entendo você. Porque, na verdade, não é que a pessoa imita o Paulo Gustavo. Ela está imitando alguém que imitava o Paulo Gustavo. Exatamente.
Mas teve uma época que era insuportável. Insuportável. Todo mundo estava falando...
A boca junta e também marca os pés. E também Tata Werneck. Atrapalhou muito. Muita gente imita o Tata. Tem uma coisa que é. E esse jeito do Paulo Gustavo é criado pelo Porchat e pelo Bagela. Que era um triozinho que falava igual. O próprio Paulo também era. Ali foi criado aquele negócio. Que por sua vez beberam um pouco. Sabe em quem?
E Ingrid Lolo também. Mas a Suzy eu via muito no Paulo. Ele mesmo dizia também um jeito de falar isso da mão. Isso aí é muito Lolo. A mão dela desaparecer, né? Tem essa coisa do fechadinho aqui que muita gente imita também. É verdade. Aí eu cheguei lá... Sabe quanta coisa que a gente imita? Esse aqui, ó. Isso também me perde de dar vontade de... O que é isso? Não conhece não? É uma personagem... Vocês lembram qual é? Que é um negócio...
É uma personagem que tinha tipo uma tacardia quando eu ficava nervosa. A Dennis Davis?
Isso eu não vi, não. Era dela? Esteves? Bom, enfim. É isso aqui, ó. O Fábio também teve uma época muito imitado, né? Muito. Até hoje. Pera aí! Tem dois... Não, mas o Paulo não estava. O Fábio vem dessa criação deles três, que vem da Lolo, que tem uma Suzy Brasil no meio. Um vai chupando o outro, com perdão, da imagem. Mas tem muito... O Fábio, talvez,
seja humorista. Fábio e Tatar são os humoristas mais imitados do Brasil hoje em dia. Imitados, é. A gente tem uma dicção que as pessoas falam muito parecido mesmo. Mas vocês dois, por exemplo, são difíceis de imitar. Eu acho que vocês seriam imitados. Eu nunca vi uma boa imitação. Eu não encontrei ninguém me imitar. Eu te imito muito bem. Como você imita agora? É, muito pouco bem mesmo. Olá, não é? Estamos aqui hoje em mais um dia lindo de primavera.
Eu quero chamar logo, sem delongas, o meu amigo Bruno Tortu. Que veio aqui, não é?
tá na sua casa, no campo eu amo isso e Alessandra Orofino e quando ganha um prêmio? gente, muito doido não preparei nada, mas quero agradecer a minha maravilhosa Luciana Paz, eu não seria nada sem você, minha mulher, minhas filhas vocês são tudo pra mim Fernando Padilha você, cara, realmente
Man, T, T, você toca lá, bumbo. Meu amigo taxista, que é Bernardo Vieira, maravilhoso. Gente, tanta gente que é melhor que eu. Obrigado, obrigado. Tem alguma coisa aí mesmo, mas eu não vejo... Tem, tem. Não exagero, gente. Tem uma coisa que é de uma doçura, de quem sabe que está dominando a simulação. E ele atuando. Pá, cara. Falsa, sim.
me ser admirado na frente de vocês e fingir que eu não sei que vocês estão me admirando e me colocar pra baixo. Só que, surpresa, o mundo é assim. E no parque ele faz a linha correta, que é... Aqui. Hoje eu vou contar a história de quando a humanidade se descobriu. Por isso, todos, de olhos em mim,
Porque aqui o mundo vai mudar. Eu falo isso? Na verdade era uma vez que eu era só uma planta e depois eu me descoetelei. É, é, é. Caralho, a gente imita muito bem o Gregório. Caralho, vamos. Foi bom. E João? Foi bom, foi bom. E João, como é que é? Eu sou muito com dimitação. Deixa eu pensar aqui. Eu não sou prognata.
É, seu amor, é verdade. Porra, amor, amor. Cara, o João é muito difícil. Eu sou um ovo. Ele tem um ovo. Sabe o Selma Vasconcelos? Um ator que eu amo, inclusive. Vamos tentar fazer alguma coisa além de uma descrição um pouco difícil? Eu sou um ovo. Eu sou um ovo. Por exemplo, esse corpo. Você é o ator que é. É esse corpo? Não, eu não sou bom de imitação. Mas tem uma coisa, isso é um trauma que eu tenho, porque todo mundo tinha que saber imitar.
Mas tem uma piada do João, que pra mim é a piada mais engraçada do mundo, que é tipo assim, e aí? E aí ele faz a coisinha de só dar um nojinho, sabe?
Isso é a coisa que o Marcos faz aqui. Eu não era íntimo dele. Eu cheguei no porta e vi ele fazer isso com o Ed ou com o Nabote. E eu falei, gente, isso é a coisa mais engraçada. É muito escroto isso, cara. É bom demais. Tem gente que está ouvindo. Você tem que explicar o que é. É isso. Tipo assim, pô, João, você está bem? E aí ele faz assim. Mas a pessoa está ouvindo. Ela está vendo. Quem está? Ah, no Spotify? É o Spotify. Botei a mão no ombro dele e fiz uma reação como quem diz, não toca no meu ombro.
Não, cara, é assim. Deixa eu te explicar. O que ele está dizendo é que às vezes...
Eu tenho uma piadinha, que é uma micropiada, que a pessoa bota a mão em mim e eu dou uma clique, um olhar que vai pra mão da pessoa e volta. Como quem diz, tá me tocando? É arte. Não é para tocar, é para assistir. Mano, você não poderia imaginar isso, certo? Sim. Mas enfim, vai tentar imitar? Eu não consigo, você imitando o Caetano também é... Não, é horrível. É muito engraçado. Eu imito uma pessoa imitando.
É, exatamente. A gente. É muito engraçado. Termina esse programa pra aquela câmera. Ah, gente. Baita privilégio quando a gente fala aqui sobre organização. Baita privilégio me perder também, sim. De todas as coisas que poder falar. É, aquilo não importa. E é isso. Uma vez eu tava numa outra posição. Hoje eu tô aqui do lado do Greg. Pra mim, puta sonho. Fiquei chateado com o jeito que você me imitou. Por quê? Eu não ficaria chateado. Eu sentiria amor. Porque quando você vira pai,
e tudo muda. Muda. Hoje, aqui no céu da língua, eu vim falar de vírgula. Vocês não podem perder por esperar. Que ódio. Esse foi o Não Importa da semana. Até semana que vem.