Episódios de NÃO IMPORTA

#65: SÍNDROME DO PROTAGONISTA, SENTIR INVEJA E OUTRAS COISAS

30 de abril de 20261h
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Eu sinto inveja de vocês que só acompanham o Não imPorta. Eu faço todas as sinopses, todos os cortes, legendo, interajo nos comentários. Cheguei a terminar uma amizade porque fiquei com inveja da minha amiga Ana que assiste comentando todos os episódios e recebe minha persona premium deluxe durante o almoço de todas as quintas-feiras no chat. Quem faz a alegria do estagiário na quinta? Tem dia que eu nem almoço! Se eu pudesse escolher um único desejo, seria viver um dia como um espectador desse programa (mentira, todo mundo sabe que eu vou pedir dinheiro, um aumento, 70 dias de férias remunerados e trabalho em escala 4x3).ELENCOGregorio DuvivierJoão Vicente de CastroROTEIROEduardo BrancoDIREÇÃOMatheus MonkENTRE NO CANAL DO PORTA NO WHATSAPPhttps://bit.ly/ZapdoPortaBAIXE O APP DO PORTAAndroid: http://bit.ly/2zcxLZOiOS: https://apple.co/2IW633jAPROVEITA E VAI NO NOSSO SITE⁠https://portadosfundos.com.br/

Participantes neste episódio2
F

Fábio Porchat

Co-hostComediante
G

Gregório Duvivier

Co-hostComediante
Assuntos4
  • Síndrome do ProtagonistaComportamento dos jovens · Inveja
  • Inveja e CiúmeAmizades e término · Responsabilidade afetiva
  • Linguagem e ComunicacaoUso de linguagem pelos jovens · Pontuação e comunicação
  • Estilo de VidaDesejos e expectativas · Solidão e solitude
Transcrição164 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Ah, tá lindo esse, realmente. A gente tá elogiativo, que estranho. Tô me entendendo. Você tá bonito, cara. Obrigado. Você é um cara bonito, né? Obrigado, sou um tipão. Já viu homem hétero que quer elogiar sem parecer viado? Claro. Ele é bem pintoso. Pô, o cara pinta. Pinta, tem presença. Eu amo.

O cara é assim, sabe? O cara é presa. O bonito tá ali, mas ele não pode falar de jeito nenhum. Então, o cara é todo, tipo assim, aí chega um cara todo, porra, assim, bem apessoado. Tem muito esse tipo de cara, em geral, que era na nossa escola, que não pode, nada nem ele pode dar pinta. Então, o gesto dele é controlado pra nunca fazer isso daqui, que pode ter um frame. Ele não pode ter um frame, bicha. Então, ele não tem isso daqui. Então, porra, eu tava lá ontem. Então.

Tinha até uma regra no meu colégio numa época que falava assim, qual é o lugar safe de dançar? Safe? Era o termo? Não, era... Não, acho que safe é o... Isso é um meio contemporâneo. O que é? Eles entendiam, eu vou fazer, porque a gente não tem aqui a câmera pra pegar, mas eu vou fazer como é que era o seguro de dançar numa festa. Era isso, é. E um pescoço, se pudesse engrossar?

Era assim que é étalo dançava, é. Pode subir um pouco a mão? Pode subir um pouco a mão? Não, aqui pode. O que não pode? Passar essa linha do cotovelo do ombro. Porque qualquer coisa, ó. Pronto, já deu o cu. Então, é isso. Essa era a regra da minha escola. Era muito, é? Era uma regra. Tinha até uma brincadeira que era o seguinte. Encosta o queixo no ombro. Olha pro alto.

Viado! Você fez uma cara, fez isso aqui. E tinha uns testes na nossa... Porque você fez uma cara... E tinha uns testes, lembra? Vê se você precisou do cocô do cachorro. Se fez assim, é. Se fez assim, acabou. Cabou. Cabou a sua vida. E a unha? Olha pra unha. Olha pra unha.

Cara, que vidinha, né? Que vidinha difícil. Mas isso acontecia lá no tempo dos Incas. Mas hoje em dia, ele voltou com tudo, trazendo essa falta de possibilidade, de tranquilidade, de erro. Porque a pessoa que... Não é um erro. Não é um erro. Hoje, por exemplo, estávamos numa reunião ali, eu falei, tira, depois bota, o Gregório vai...

relinchou do outro lado da sala. Quer dizer, um homem de 44 anos... Não, não. Deu uma relinchada do nada. Agora você é de 8,6. Por quê? Porque eu falei tira e depois bota para uma frase no roteiro. Hoje em dia, você falar assim, vou sentar ali, acabou. Acabou.

Aliás, a coisa do sentar ter virado pornografia é um problema, porque sentar é um verbo muito útil. Muito útil. Até o ponto que me incomoda um pouco essa coisa da funk ficar senta, senta. Parece que a pessoa está... É uma preocupação com idosos, né? Exatamente. Senta, senta. Calma, eu vou ser... Estou bem. Estou bem, né? Estou sempre preocupado de saber se você está sentado. E eu acho estranho o sentar, que é a coisa menos sexual do mundo. Sentar, para mim... Pensa uma palavra de sentar. Não, calma. Eu também, Gregório.

Menos sexual de um outro. Cara, sentar é o contrário. Pra mim, sexo seria a pessoa dançar, rebolar. Se eu sentar... Sentei, não vou transar. Sentei. Sentei, entende o que quer dizer? Me lembra assentar, me lembra... Não tô, não tô te... Quem que... Senta, a pessoa quica. Não se transa, sentei ou transei. Transamos.

Não, não transamos. Você sentou. Sim, sentei. Entendeu o que eu quero dizer? Não, mas não se penetrei. Você penetrou e parou. Perfeito, mas se você fala penetrei, eu não acho que você transou com a pessoa. Você transou com ela? Exatamente, é estranho. Você transou com ela? Ah, está falando várias vezes. Você tem razão. É que ele não bota o levanta, que é isso que está te fazendo. Exatamente. Porque sentou, você está sentada. Se falar senta de novo, eu estou sentado.

Você não é maluco? Ela quer sentar. Ela quer sentar, ela tá cansada. É o punk sobre a terceira idade. Eu chego numa festa querendo sentar. Podem usar esse corte, se quiserem, lá ele. Mas a única coisa que eu penso é sentar. Então eu ouço essas músicas e eu falo, tá aí, quero. Tô louco pra sentar.

Ela só quer sentar, eu também. Tô louco pra sentar. É, e a gente vem de uma época que ela só pensava em beijar. Era diferente. Ela só pensa em beijar. Aliás, outro dia eu vi um apanhado de sucesso do Danny DJ. O apanhado é ele mesmo que faz. Ele fica ouvindo assim e fica passando uma música e outra dele. Esse vídeo é muito bom. E aí tu vê, cara, o tamanho da obra do cara. O tamanho da obra do cara. Obra agora virou putaria?

falou, falou, falou falou, falou, falou tu gostou do tamanho da árvore cara meu padrinho tô brincando obra também que é usada como sinônimo de cocô não dá pra entender e na Espanha é peça né em espanhol é peça, estranhíssimo gostei muito da tua obra que bela obra não, não exagera

Então o Dennis Jay é essa pessoa que acho que foi um dos responsáveis pela sentada virar, ou não? Acho que não é tanto sentar, não. A juventude está me confundindo também. São novos comportamentos. Uma coisa que existia na nossa época é uma preocupação com o mau uso do literalmente. Que voltou com força total. Estão usando muito literalmente. Errado. Literalmente errado. É uma juventude que vem trazendo traumas da nossa juventude de volta à tona.

O que me incomoda é o seguinte, sabia que eles não usam mais pontuação em mensagem? A pontuação do jovem é o enter. É o enter. Vocês já conversam com o jovem, eles acham muito cringe? Não, tanto não. Nem usam a palavra cringe, porque a palavra cringe se tornou cringe quando a gente passou a usar cringe. Então, o cringe virou uma palavra... Virou cringe. Virou cringe. Assim como o mico, lembra do mico? Claro. Tô pagando mico. Mico virou mico, você fala mico e todo adulto falava, Ih, estou pagando King Kong!

Agora tudo é pagar mico. E cringe virou o novo mico pelo mesmo motivo. Falar cringe se tornou cringe. Enfim, dito isso, é cringe você usar vírgula. Olha isso. Vírgula é cringe. Mas é o quê? Gregório, pum, tudo bem? É assim que o jovem fala. Pode falar, pum. Pode falar, sim. Às vezes, sim. Pode falar, não precisa nem de interrogação. Ponto de modo geral é cringe. Entendi. Pode falar? Já entendeu o que é uma pergunta? É, o Gregório já entendeu, né? Já entendeu. Você tá mandando mensagem, você sabe o que é o nome Gregório. Qual vai ser?

Não precisa de pão de interrogação. Mas quem são esses jovens que estão te perguntando qual vai ser? Eu vi na internet.

que ele falou assim. Quem é que manda qual vai ser pra você? Qual vai? Qual vai? Também tem uma coisa de contração muito grande. Parece que eles têm pouco tempo quando eles têm mais tempo do que todo mundo. Exatamente. É quem mais tem tempo no mundo e parece ser um número estrito de caracteres. Exatamente. Só que é uma besteira. O Saramago dizia, estamos caminhando em direção ao gruminho. Mas tá. Por exemplo, Matheus Monk, quando ele vê uma mulher bonita com quem ele sairia, ele faz assim, ó.

Em vez de falar... Não, você está de sacanagem. Faz. Ele fala. Eu não faço isso? Mateus, faz uma mulher... Mateus, eu não vou compactuar com isso. A risada, para mim, faz parte de uma cumplicidade. Ele passa a moça, ele fala... Ele não é que ele olha, que ele é assedia. Não, ele só olha para mim ou para qualquer pessoa.

Que isso, Matheus? Que grosseria, cara. Tô até pra entender o que é isso. Pra mim, eu nem entendi. É pra sentar? Eu acho que é uma maçaneta, que ele quer abrir a porta do amor. É na lombar, será? É um passinho de TikTok? É, nasceu assim. Como é que é que faz o passinho? Que beleza. Que barato. Essa parte ele vai cortar com o conteúdo.

Aí é chato pra caramba, porque os insights dele ele deixa com foco na câmera dele, na cara dele, falando uma coisa engraçada. É, mas a gente está talvez se deslocando dos jovens, deslocando ou se afastando dos jovens. Muito. Eu vejo um jovem hoje, eu vejo o que falam na TV sobre os jovens, não é sério.

Ele não é levado a sério. Não, mas sem zoeira, por exemplo, tudo que eu falo é velho. Mas é que na verdade tem uma coisa que é. Não é que a gente só fala coisas cringe, coisas constrangedoras. Elas são constrangedoras porque a gente fala. Porque a gente, da nossa idade, uma pessoa de 40 anos, 40 e poucos anos, ela tem o superpoder do cringe, um toque de Midas invertido, que tudo que a gente toca vira cringe. Então mesmo que não fosse, se a gente tocou, apodreceu.

apodreceu porque a gente tocou. Não é que a gente, por acaso, calhou de tocar. Então a gente apodrece as coisas que toca e isso é muito triste. Toda rede social é isso também. Acho que as redes sociais morrem quando seus pais começam a entrar. Não, o Instagram tem minha avó. Não, perdão, quando você é jovem. Tipo assim, os jovens já o descobrem. Os jovens entraram no Facebook. Os pais entraram, os jovens saíram falando para o Twitter. Os pais entraram, os jovens foram para o Instagram. Os jovens entraram, foram para o TikTok. Não, primeiro para o Snapchat.

Aí, sabe, eu tenho... Uma putaria rolar na sota. Qual será a próxima? TikTok. TikTok é isso. Os jovens não estão mais no Instagram. TikTok, eu acho que os jovens já não estão nem mais no TikTok, essa questão. Estão no Discord. É, sei lá. Onde estão os jovens? O que é um jovem? O que é? Como se alimenta um jovem? Não sei, cara. De kombucha? Não, kombucha é meio quarentão. Sou eu, kombucha. Jovem, eu acho que é mais... Escolbite. Não, eles não bebem. Eles não bebem. Tem isso, né? É verdade que eles não bebem, Matheus? Os jovens não bebem. É matcha.

Machá? Não, tanto sacanagem que é machá. É machá. Mas machá é um negócio meio azedo, né? Como é que se diz? Não toma café, toma aquele machá verde agora. É performativo, né? É performativo. A bebida do jovem é performativo. Cara, um conceito curioso dos jovens hoje é o conceito de... Cara, eu ri muito com isso. Levantou uma expectativa, não precisa. Não vai ser tão engraçado. Deixa pra lá. Fala, fala, fala. Agora fala. Agora se joga nesse assunto. O jovem tem uma ideia, um conceito de sonder. O que é sonder? É quando você percebe...

que as outras pessoas também são protagonistas da própria vida. Ah, entendi. Até certo momento, eu já achava que ele era o grande quadro da canela. Exatamente. Não é muito bom ter uma palavra para uma coisa que, tipo, é óbvio, todo adulto sabe disso. Emprega a palavra. Vou empregar. Por exemplo, eles têm um outro conceito, os jovens, que é síndrome do protagonista.

Do mundo, na nossa vida. E eles fazem até vídeos, eu de protagonista chegando atrasado. E tem vídeos da pessoa chegando, atuando como protagonista. Eu acho esse conceito ótimo. Porque realmente, o jovem, de modo geral, ele acha que está todo mundo olhando para ele. É um dos problemas do jovem. E é isso que torna tímido. O João tem síndrome de protagonista. O João tem muito. O que é isso? O João tem muito isso. Estou também dormindo? Chega no porta desfilando. Desfilando. Na cabeça dele, está tocando... They see me rolling.

Eu chego no Porta desfilando. Uma marra, igual o Neymar no auge. Ele chega com a necessairezinha, né? Eu adoro a imagem de jogador de futebol saindo do ônibus, né? O que teria naquela necessaire? É uma necessaire zona. Zona. Cada uma de uma marra. De uma JBL, né?

Uma JBL, não, aí só o líder. Só o líder. Os outros estão com fone às vezes? Estão com fone. Um fone aqui. Aqui. Fone aqui e o Anacés. E o Anacés. Que é a coisa menos... Não, que eles vão tomar banho depois, né? Jogador de futebol, é, mas é estranho, né? Para o cara que performa justamente um hétero alfa assim, meio. Ah, foi esse o tempo, né?

Que a gente tinha um rivaldo. Um homem que fazia a barba com um facão. Agora todos são necessersão. Eu fico muito chocado com a imagem que as pessoas têm de mim. João, você é meio protagonista. São pessoas que você sente que elas acham que o olhar das pessoas repousa sobre elas. Não, mas eu vou falar uma coisa que eu tinha muito em festa.

em performar uma atitude, em geral, por conta da música, quase como uma atitude de clipe... Nossa, total. Para uma pessoa que estava me olhando, que eu não sabia nem quem era. Perfeito. Vou olhar aqui... Nossa, essa risada para trás, total.

Sei lá, fazer umas coisas assim Nossa, que vergonha Total, eu tinha muito isso Eu agia sempre como se tivesse alguém me olhando E às vezes até hoje em dia Quer ver uma coisa que eu faço, por exemplo? Eu tô andando na rua E eu percebo Que você passou do lugar que você queria ir O que o certo seria fazer? Dá a minha volta Eu atuo que eu lembrei que eu tenho que ir pra trás Claro

Pra pessoa... Como se alguém estivesse me olhando. Não tem que ir pra trás, não. Você lembrou que você tá no caminho certo, porém você esqueceu uma coisa. Aí tem uma misalcene pra uma pessoa imaginária, pra um outro, um grande outro sem nome, que é... Hum... Hum...

Que é primo e irmão do que eu faço, que é, ao tropeçar, dar uma mini corrida. Pra fingir que você tava correndo. Pra fingir que, na verdade, eu tava correndo. É perfeito, porque tropeçar é uma das coisas mais humilhantes que tem, não é não? Foi, foi. Você lembrar que o seu corpo tá submetido à gravidade. Daí, né? Cair é horrível. Cair é horrível. Mas tropeçar...

Tem algo que é meio... Não sei se é pior, mas ele é mais... Te torna mais fraco. Caindo da pena. Tropeçar ninguém tem pena de quem tropeça. Tem. Você acha que é da peninha? É, não. Menos pena do que quem quer. Mas ainda assim, tem umas pessoas que aí... Aí que está um tipo de pessoa que eu acho detestável. Que a gente fala...

Quando a pessoa cai, eu não consigo conter meu riso. Então aprenda. Aprenda. Porque você não pode gargalhar quando a pessoa cai. Pode ser engraçado. Pode, mas não se deve gargalhar. Não. É o tipo de coisa adolescente que acha engraçado gargalhar. Ah, eu não consigo, eu gargalho. Meu amigo Alex Lerner. Bebe o café, tem crise de riso. Ah, é? Eu acho que é performativo. É performativo? É, eu acho que é. Então, explica isso melhor. Ele tomou um golinho de café...

Ah, ele tem aquele riso de cuspir o café. É, só que só com café, com mais nenhuma bebida. E sozinho também? Sozinho, segundo ele, sozinho. Eu acho que é performativo. Eu queria muito ter uma câmera na casa dele, pra saber se isso é verdade. Uma pessoa que ri ao tomar café é muito específico. Muito específico? Cara, que doideira. Eu tenho um amigo que não consegue rir sem... Amigo não vejo há muito tempo, adoro ele, mas não vejo há muito tempo. Ele era professor do tablado, Zé Helou. Ele não conseguia rir sem bater palma.

Só que ele não consegue mesmo. Eu lembro de uma parada no tablado que tinha que... O pódigo era bater palma. Bateu palma, trocou. Bateu palma, trocou. E ele ria e não podia bater palma, então ficava alguém segurando as mãos dele na aula. E ele ficava assim...

Mentira, performativo. Performativo, um pouco. Mas eu acho que tropeçar, ao contrário de cair, pode ser que te faça farmar aura. Eu queria muito usar essa expressão. É uma expressão que os jovens estão usando. Tropeçar, você perde aura, segundo eu entendi. Um pouco. Não, tropeçar você perde. Cair, dá pra farmar. Por exemplo, eu posso explicar. Porque às vezes perder aura é farmar aura. O que é farmar aura? Farmar, colher.

Porque vem de um videogame. Você vai farmando objetos. Você vai colhendo. Exatamente. Então é você colher aura. O que é aura? É tipo carisma. Então você vai ganhando carisma. Então certas coisas fazem você farmar. Pô, toca um puta instrumento. Farmou aura.

Ganhou carisma. São coisas que vão te fazendo ganhar. Desculpa, jovem. Desculpa se eu expliquei mal. Desculpa se eu estou estragando, mas o objetivo é esse. É estragar a tua expressão. Tocando nela. Então, vamos lá. Deixa eu estragar uma expressão de vocês. Cair é meio farmáutico. Porque sabe que tem uma parada de filme, uma regra de filme, né? Que é fazer o protagonista...

matar um gato no começo, né? Perdão, não é matar, salvar um gato. O protagonista vai ver no começo de um filme, em geral ele vai fazer uma coisa boa para o espectador gostar dele. Vai salvar um gato. O que que às vezes é salvar um gato? Cair. É muito comum em comédia romântica o protagonista cair e sujar todo.

Aí está levando o café para a patroa, tipo o diabo veste prada. Aí se suja todo de café, aí chega o menino que ela gosta, ela está toda suja, nos meus minutos de filme, que é já para você ficar... Ai, que fotadinha, ela sou eu. Então botar o protagonista para cair no começo do filme é uma maneira dele farmar aura. Mas tropeçar não, tropeçar você é só... Idiota. Agora, cair, se sujar, derrubar uma coisa na tua cara, é meio farmar aura, tu não acha? Eu gostei que estou recebendo uma ligação do Rio de Janeiro.

Ah, tá rolando muito comigo isso. Rio de Janeiro? O Rio tá louco pra falar com a gente. João, você acredita em inveja? Olha, deixa eu botar dessa maneira. Eu, o Fábio, ele tem um programa...

Em Portugal, que é uma enganação? Que ele vai... Qual a ideia dele? Bom, então eu vou com um convidado famoso num restaurante. Cinco estrelas me chamando e eu junto. E bebo.

Então os chefes ficam me mostrando as comidas melhores que eles fazem. E eu fico bebendo o melhor vinho do restaurante. O público que está vendo em casa come também, não? Não, não, o público não. Eles só veem o Fábio comer. Bom, por isso que faz nipo. Toda hora. Mas a questão é, isso eu tenho inveja. Tenho inveja de apresentar esse programa.

o Fabio tem umas bocadas que ele mesmo cria é bom disso mas é isso coisas assim me dão inveja me estudar trabalho com prazer me dá inveja eu acho em geral mas não tenho inveja de pessoas mas

Você acredita, eu quero dizer mais até assim, é algo que você pensa do tipo assim, as que estão com inveja de mim? Você acredita em outros que têm inveja de você? Não, acho que não. Acho que esse pensamento da era Ludmilla, né? Que eu acho que teve um momento que tudo foi desculpado com inveja. Beijinho no ombro. Poucas vezes eu penso, ah, isso é porque estão com inveja de mim, isso é porque... Pois é, porque é meio uma egotripe, né?

achar que tem verdade em você. Olha, eu me achei tão bom agora, porque eu realmente não acho que ninguém... Você não acha, você não fala muito isso, não. Mas certamente tem. É. Eu tenho um amigo, o Shai tem um... É até bom falar isso aqui. Porque tem um outro ator famoso e tal, que imita ele em tudo. Então ele compra um relógio, compra um relógio. Ele compra um carro antigo, compra um carro antigo. O jeito de atuar.

Ele imita o personagem do Shai. Perfume do Shai também? Não, acho que perfume do Shai... O Shai, como ele já falou, é um homem muito perfumado. E o Shai ficava me mandando a mensagem, olha esse idiota, não sei o quê, mais isso. E eu comecei a achar o Shai meio... Isso, meio... Um paranoico da inveja. Ah, pronto, agora esse inveja.

Cara, até eu começar a ver que realmente é uma loucura. E aí eu penso assim, é um cara que faz sucesso, famoso. Eu tô querendo te deixar tenso, você que tá assistindo, que eu não vou saber quem é. Não vou falar, não. Mas é um cara com sucesso, famoso, protagonista de novela. Pé de nós? Hã? Pé de nós?

Não sei, não sei mesmo. Mas, é... E realmente é obcecado no Chay. Obcecado, faz tudo bem. E aí eu fico pensando, será que esse cara elabora isso? Ele diz, pô, vou imitar esse cara, que esse cara é um fodão, eu gosto dele. Eu me acho um muito pior ator que ele, me acho um cara sem estilo, vou copiar o estilo dele. Ou não, ele vê...

guarda para ele aquilo inconsciente e depois compra igual. Eu acho que, de geral, é escondido. Escondido dele mesmo? Eu tenho inveja desse cara, eu quero ser ele. Escondido dele mesmo. Não é assim, não. Não precisa ser assim, pode ser assim. Pô, manda essa roupa, vou comprar uma igual. Eu acho que é mais de chavado. A Adriana Falcão tem um termo bom, que é o fundo falso do coração, que ela fala. Olha.

Olha, eu acho que isso daí a pessoa não sabe, tá lá no fundo, falso no coração dela. Certo. Coisa que você não sabe que sabe. Coisa que você não sabe que gosta, coisa que você não sabe que faz. Mas eu acho que eu perguntei isso porque eu tô na dúvida mesmo, vocês iam, eu tenho pensado sobre isso, porque eu não penso sobre isso.

E tem gente que pensa mais. A Giovana pensa um pouco mais. Ah, isso daí, acho que essa pessoa tem inveja. De você? É, não vê, de mim ou de alguém, não somente da gente, dela, acho que ela tem. Sei lá, eu não penso nunca na palavra inveja. Eu também não. E hoje em dia eu tô começando a pensar, como o Shai, que isso existe um pouco. Eu tenho pouca inveja, te juro. Eu também, mas... Eu tenho inveja sabe de quê? Vou falar uma coisa que vai parecer ridícula. Tenho inveja de paz. O que quer dizer isso?

Sabe aquelas pessoas que estão meio resolvidas assim, em todos os aspectos? É, talvez isso. Mas é, família gostosa, uma filha bem criada, todo mundo saudável, um dinheiro ali que dá pra, enfim, comprar uma pesinha em Paris, via da terra. Infelizmente.

Mas enfim, não, tô falando sério, mas não tá preocupado com dinheiro, não tá preocupado com trabalho, tem trabalho, tem dinheiro, tem família, tem saúde, entendeu? Isso aí eu tenho um pouco de inveja, mas não é inveja exatamente, porque eu acho que eu tenho tudo pra conseguir tudo isso.

É, é só você parar um pouquinho de comer gente. Falaram que tem que comer mais gente pra ter filha. É comer uma gente. Tem que focar em uma só. Faz tempo, Gregório. É? Você tá mudado, né? Agora eu sou um rapaz sério. Não, só que eu já fiz muita coisa por aí e hoje em dia eu já entendo que aquilo tudo era uma maneira de tapar um buraco narcísico que eu tinha dentro de mim.

É isso que chamam de esquerdo macho? É. Macho performativo? Não, não é performativo. Só entendo. Só como eu faço psicanálise desde os oito anos de idade. Então, eu tenho muita... Mas é verdade. Uma coisa que eu falo, que eu sempre defendo quando vem falar mal de você. Fala muito mal de mim. Fala muito mal. O quê? Nunca, imagina.

Mas uma coisa que eu sempre falo bem de você, nem a gente não fala mal, é que você é um cara muito analisado. Eu sou, concordo. Eu tenho inveja disso. Não sou tão analisado como você. Eu sou analisado, mas não tanto. Você é muito analisado. Você entende exatamente o que está acontecendo com você. Você pede desculpas muito rapidamente. Sempre que erra e acontece tanto, você logo percebe. Não, não, mas você tem uma coisa muito autoconsciente mesmo.

Até pro lado ruim, mas sim. Eu acho, é muito louco. Isso tem uma coisa que eu tenho dificuldade de entender. Como pessoas como você são, tem dificuldade de pedir desculpa e ver, assumir que estão erradas. Dos poucos defeitos que você tem, esse é um deles, a gente já conversou com isso, você inclusive...

Não admite que você faz isso. Claro. Mas enfim, mas é porque a desculpa é um troço tão bonito pra mim. Não a desculpa, se eu te machuquei, então me... Que isso pra mim é canalha. Chegava uma pessoa e falava, se eu te ofendi, então desculpa. Então enfia a desculpa no cu e roda três vezes e deixe sangrar. Porque isso não é desculpa. Desculpa é quando você percebe que a pessoa tem razão, que você errou. E portanto você tá se desculpando com aquela pessoa.

Quando esse processo é feito do começo ao fim, da maneira que eu estou dizendo na segunda opção, isso é um processo que eu acho tão engrandecedor para a pessoa que está fazendo, que você fez uma coisa há pouco tempo atrás, talvez, que você achou que estava acertando, que você viu que errou e você está...

Reconhecendo o erro, isso é uma coisa de gente muito grande. Mas se você acha que não errou? Então, aí é você vira o Gregório. Não, mas se você de fato não errou. Não, não, calma. Você é obrigado a aceitar? Você é obrigado a abrir desculpas? É que eu acho que existe uma autoanálise que você tem que aprender a fazer, que é calma. É tudo como eu vi ou é tudo como é? Que são duas coisas diferentes.

Não necessariamente. Tá vendo? É isso que eu tô dizendo. Então, assim, às vezes nem tudo... Acho que na psicanálise você entende isso. Que o mundo que você olha voltando, que você não é protagonista da sua vida, e tudo não é como você vê. Tudo é como é. E esse é tem várias versões. O que eu tô dizendo é a gente olhar sobre outro ponto de vista, que é uma coisa que você tem dificuldade de fazer, assim, tudo bem. Eu vi assim... Comecei elogiando. Vocês estão vendo o que aconteceu, né?

Eu elogiando, de repente viro algo sobre como eu não sei olhar sobre outro ponto de vista. Isso é um fato que eu vi assim porque é assim, ou eu estou me sentindo humilhado porque, na verdade, eu tenho um problema com rejeição. Eu não tenho problema.

Não, eu tenho... Estou brincando, sei, estou zoando. Eu tenho problema com rejeição. Eu estou zoando. Há uns anos atrás, quando eu me sentia rejeitado, seja uma pessoa demorar para responder a mensagem ou esquecer de me convidar para um jantar de amigos porque esqueceu, eu respondia de maneira muito violenta. Violenta não quer dizer bater, violenta quer dizer ficar com muito puto. Pior que bater. Ou se fechar, ou agredir verbalmente e tal.

O dia que eu entendi que isso era só o meu narcisismo sendo... Atacado? Atacado, não. É cutucado. A coisa ficou mais fácil de entender. Eu já entendo. Não. Essa pessoa não deve morrer empalada como eu outrora gostaria. Essa pessoa pode só ter esquecido. Esse sentimento da rejeição é meu e não dela. Muito obrigado. Essa tem toda a razão. Tem uma... Eu queria palmas. É palmas.

Eu gostei. Eu não estava olhando para o chão. Eu não estava olhando para o chão. É terminado. Incapado.

mas enfim, eu não sei porque a gente entrou nessa conversa eu perguntei de inveja, um vídeo bom de uma mulher chamada Contrapont é uma filósofa do Youtube, muito boa o que ela diz? ela fala um negócio muito interessante, ela faz uma história da inveja ela fala do Nietzsche, o Nietzsche tem um conceito bom de inveja moral do ressentimento, conhece? não ele diz que a moral da... desculpa falar de Nietzsche assim, mal, de orelhada, vulgarizando mas ele tem um negócio interessante, ele fala que e aí

Antes da cristandade, antes de Cristo, talvez até antes do judaísmo, como se fosse o judaísmo no cristianismo, o bom era o forte. Tanto é que isso aí, etimologicamente, a gente tem, às vezes, as coisas confundem, o bom e o forte. Good, acho que era nobre, o nobre, o forte e o bom eram coisas parecidas.

Quanto mais forte, melhor você era. E graças ao judaísmo e ao cristianismo, começou a se inverter e se criar uma moral, que não é a moral da força, é a moral do ressentimento, em que o bom é aquele que é o fraco. O bom é o mártir. O cristianismo, o maior ídolo, é um cara que morreu, mas crucificado e não é o vencedor. Então é a moral do derrotado, é a moral do humilhado, é a moral do oprimido. Que é a moral da esquerda, sobretudo até hoje, é a moral que valoriza aquele que é o mais fraco, que tenta compensar.

É, eu acho que é a mesma lógica, porque a esquerda não é que ela está valorizando quem está mais fraco, ela está olhando para quem está mais fraco. Mais ou menos, eu acho que na esquerda, no nosso universo, você farma aura se você é mais fraco. Isso, mas eu só acho que está errado. Sim, e é isso que o Nietzsche fala. E o Nietzsche fala exatamente isso.

Você tem que proteger os fortes dos fracos. Olha a coisa perigosa que ele diz. Que por um lado, chegam os nazistas e amam Nietzsche. Fala, uhul, nazismo. Só que Nietzsche não era nazista. Até porque não existia. Assim, ele não apoiaria. Ele era contra, ele era super contra o antissemitismo, inclusive, porque já existia na época dele. A irmã dele não. A irmã virou nazistona. Ele não.

Ele era super contra. Então não era isso que ele estava querendo dizer. Foi mal entendido. Mas o que ele dizia é que isso também é errado. Você ganhar pontos só por ser... E aí entra a questão da inveja, que eu acho que é a inveja... Tem uma moral do ressentimento que também é foda. Que é assim, eu, por não conseguir o que você tem, eu vou ter ódio e vou te destruir. Isso existe um pouco. O que te dá inveja? Talento, musical. Música me dá muita inveja. Muita inveja de músico. A gente pega um instrumento, toca qualquer coisa, acho lindo. Tem inveja de gente que tem...

Uma concentração. A gente conhece a solidão, consegue lidar com solidão. Gente, pô, Amir Klink. Pega um barco e envia... Ele tem um conhecimento... Você tem inveja de mim? Não, você atravessou o mar remando? Tamara Klink, morro de inveja dela. Ah, achei que era outra... Morro de... O quê? Você tem paixão por ela. Eu acho ela linda. Ela é linda. Ela é linda e ela é o máximo. Não posso falar?

Claro que pode. Porque ela é muito jovem pra você. Ela é muito jovem, não sei nem quantos anos ela tem. Eu só acho incrível uma mulher de 25 anos, uma pessoa de 25 anos que faz esse tipo de coisa. Ela é o máximo. Cruza o oceano. Aí eu não conseguiria. 29, João, tá liberado.

fora o medo do caralho de olhar pra um lado não ter nada e olhar pra outro não ter nada ela é um gênero ela é assim é sobre-humano pra mim é mais perto você chega de um deus humano assim eu digo você saber lidar com a solidão dessa maneira você não precisa de nada é solidão ou é solitude ah eu odeio isso eu odeio isso

solidão ou solidão. E a foto de um velhinho jantar almoçando sozinho. Exatamente. Às vezes a mulher dele foi no banheiro e tiraram uma foto e estão debatendo se ele é sozinho ou não. Caralho, que triste isso. Eu amo ser sozinho. Verdade. É verdade ficar sozinho. Três meses dentro do oceano é outra coisa, claro. Não tô me comparando.

É, o seu sozinho é com o celular na mão mandando foguinho. Um vinho na outra. Uma mão no carinho. Uma mão no foguinho. Pois o tempo. E um MMA rolando. A vida do João é o seguinte. Um bom vinho aberto, respirando. Um MMA rolando no mudo. Uma Betânia tocando no talo.

Cara, isso é lindo. O MMA no mudo e uma betânia no talo é uma poesia. Não é? Isso tem uma música, não tem? O MMA no mudo e uma betânia no talo. Porque isso é muito João. A casa dele chega lá, tá uma MMA, os caras comendo de porrada. E tá lá.

A Betânia declamando o Fernando Pessoa. É o Antônio Caeiro. O Antônio Caeiro, perdão. Um cachorro ali, meio por volta. Tá lá um cachorro, exatamente. Um vinho numa mão, o celular no fogo na outra, Betânia aqui, um cheiro leve de uma comida maravilhosa que alguém está fazendo pra ele em algum lugar. Então, todos os sentidos aflorados. Uns amigos, cada um de um lado. Cada um de um lado, porque tem isso. Um sambista. O João tem um amigo sambista, um do MMA também, que tá lá.

Então ele tem... E a sua vida realmente é muito diferente da minha nesse sentido. É, porque você teve... Como é que é o nome? Filhos. Ah, eu ia falar amor. Não.

Cara, é muito louco, porque assim, eu viajei, fiz a temporada lá, foi um mês, cada dia num lugar. E o comentário de todo mundo que eu encontro é, pô, cara, deve ser muito cansativo, porque realmente cada dia era um. Puta merda, isso aí é muito cansativo, eu fiquei cansado de ver. Não, você é amor, eu sei, mas eu te conheço, você é um homem escravizado pelo dinheiro. Caraca! Que o... Até parece.

Nem é uma coisa que dá... Sim, juro, não era uma coisa pelo dinheiro. Mas o que eu tô dizendo é, você abre uma sessãozinha extra com tranquilidade, eu não abro. Mas pelo trabalho. É? João, se tem gente querendo me ver, eu sou amostrado, não é dinheiro. Se não fosse de graça, eu faria. Eu não consigo lidar com ter gente querendo me ver e eu não me apresentar. Eu sou amostrado, sou carente de atenção, não de dinheiro. Eu entendo, mas olha, você tá ali num lugar que você nunca tinha ido, talvez, Dublin, sei lá. É, era uma cidade que eu nunca tinha ido.

Aí ele fala assim, vamos abrir a Madri? Vamos abrir tal coisa? Vamos. E o que eu ia falar é o seguinte, eu fiquei cansado, mas não fiquei, na verdade. Cansaço é voltar pra casa e lidar com duas crianças e uma vida normal. É muito mais cansativo. Maravilhoso, por um lado, tô morrendo de saudade. E se fosse entre as duas vidas, eu escolheria ficar, obviamente, com as minhas filhas. Ah, é? É claro.

Mas a vida cotidiana é muito mais cansativa. É porque será que tem menos... Claro que você tem o amor pelas suas filhas, mas tem uma... E principalmente nos primeiros dias deve ter sido uma loucura de amor. Mas acho que em outro lugar tem uma excitação e uma eterna provocação dos sentidos, da curiosidade. Umas coisas que não tem no dia a dia. Cara, eu acho que é o contrário. É que quando você faz uma coisa só... Eu estava fazendo uma coisa só no turnê. Sim.

A gente conseguiu adiantar aqui o calma, adiantei lá o calma, adiantar aqui, desculpa ter confundido, aqui o não importa. Adiantei não importa aqui. Esse é aquele que tem audiência. Só pra você. Adiantei não importa aqui, adiantei o calma, consegui, vocês todos me cobriram no porta, maravilhoso. Me cobriram no porta.

Aí o fato é que eu fui e eu consegui só fazer a peça. E só fazer uma coisa é muito menos cansativo do que fazer várias. Parece ridículo falar isso, mas é porque... Entende o que eu quero dizer? A vida no Rio, minha vida cotidiana é acordar às seis da manhã, levar elas pra escola, arrumar, levar pra escola, deixar às oito, malhar, tentar fazer algum exercício, voltar, escrever uma coisa pro porta, vir pra cá, bicicleta... Sim, tem. Todo dia.

draba aqui um podcast volta e tem que ler uma coisa pro Calma um gente que eu vou fazer à tarde à noite tem que ler você diz que eu não trabalho mas realmente eu não trabalho perto de você você trabalha muito mais que eu mas ainda assim é muito aí volta pega as meninas volta e leva aí tem que gerar eu não tenho a profissão pai também é que é outra

Mas o que eu quero dizer é o seguinte, o trabalho invisível doméstico e do dia a dia é muito mais cansativo pra mim do que o trabalho fixo. Por que eu tô falando isso? Porque eu tenho um pouco de inveja, aí entra a minha inveja de quem tem uma vida sem nenhuma marra. E que pode falar assim, eu tenho um amigo, um querido amigo de escola, Antônio Sobral, que era o meu melhor amigo em uma época da escola, e ele é um cara que tem uma vida completamente livre. Ah, passa seis meses no mato, começa a plantar café.

Aí eu vou morar no Japão, foi morar, passou um tempão no Japão agora. Ele tem uma vida... Não há nada que o segure em lugar nenhum. Tem? Eu tenho. Mesmo? Não. Pensa? Não, não tenho. Tá. É isso que eu tô dizendo. É que a inveja... Com todo respeito ao Antônio Sobral, só tô dizendo que talvez é um estilo de vida muito radical. Você não ter nenhuma marra, nenhum centro. É. Pra onde voltar.

Muito. A verdade é que eu não tenho inveja? Nenhuma. É, mas você não tem que ter inveja mesmo. É que o que eu tenho não é inveja. Eu tenho... Quer dizer, é tão gostosinho? É. Eu me pergunto se não era para eu ter inveja. Sabe o desejo do desejo? Claro. A gente tem isso na vida. Desejo de desejar. E eu me pergunto se não é isso que você tem em relação à paternidade. Se mais que um desejo de ser pai, você não tem um desejo de ter desejo. Eu acho que não. Eu acho que eu vejo o...

Eu falei uma... Levantei uma bola pra você que te fez ganhar grande notoriedade no começo desse podcast. Foi quando eu falei que eu não entendia como podia ser bom ter filhos se eu tava vendo sempre vocês descabelados e...

e de olheira. E você falou um negócio muito bonito que viralizou muito. Até hoje eu ouço o negócio de fodeu. Ele falou que não fodeu nada. Foi maravilhoso aquilo que ele falou. Mas o que eu acho é de fato, vocês não podem estar todos mentindo ao mesmo tempo. Sei lá, o Felipe, um amigo meu, fui jantar outro dia. Ele falou, cara, eu chego em casa agora

Eu tô aqui já, jantando com você, só penso assim, porra, vai ser bom demais na hora que eu cheirar meus filhos. Vou chegar em casa, quieto, você dá umas... dá uma cheirada neles e dormir. E aí amanhã eu vou acordar, tomei um vinho, vou acordar às seis da manhã, às cinco da manhã, pra levar eles na escola, com todo prazer. Isso é um negócio que...

tem que amar muito aquele bicho. Ao mesmo tempo que eu acho que eu seria um bom pai, assim. Eu acho que eu seria feliz sendo o pai. Calma, não desiste ainda não. Eu acho que você vai ser. A minha grande dificuldade na análise sempre foi entender qual é o desejo. Porque a analista fala muito isso. Cara, banca o teu desejo, mas qual é o teu desejo? Como confundir o teu desejo e o desejo da sociedade?

Porque às vezes se confunde, às vezes a sociedade está querendo que você seja pai, ou que você seja professor, ou que você viaje, ou que você... Entende? Ou distinguir o desejo do desejo performativo, ou do que seu amigo... Exatamente, exatamente. O desejo do seu amigo que às vezes você está emulando. E ela falou uma coisa interessante, que falou, eu vou parafrasear ela, mas uma coisa assim, o desejo ele se manifesta, ele é o que ganha. Entendeu o que eu quero dizer? Sim. O desejo ele é o que dá um jeito de aparecer pelas brechas. Então, se você tem dúvida, não chega a ser o desejo, entendeu? O desejo ele é o que ganha.

Quer dizer? Tipo... Talvez não tenha desejo ser pai. Talvez, não sei. É, não. Porque o desejo, ele aparece e pá, pá, pá. Entende? Mas você, por exemplo, foi pai. De susto. Isso, do desejo. Ah, do desejo. Foi um desejo. Não foi uma... Eu nunca...

prós e contras, paternidades, deveria ser. Aí, a posteriori, a gente formula o monstro ali. Mas na época, ela usou assim, cara, fui, conheci a Giovanna. Caraca, eu senti que ela sentiu uma parada de cara, eu não conheci ela. Ela também, comigo, de a gente ter uma cara de, bora fazer uma família, e fizemos, sabe? Eu já senti isso muito. É verdade.

Mas eu entendo, eu entendo, eu entendo o que você está falando. Eu acho que, embora seja verdade, eu já senti isso muito. É, mas agora é agora. Onde é que freou? Não é que freou, até eu perceber. Não, eu estava errado. Entendi. Mas vamos ver aí. Gente, mandem cartas, assim. Eu estou aí para...

Cara, às vezes, eu queria até dizer isso pra vocês, às vezes esse meu jeito, esse meu jeito gosto, assim, esse meu jeito atrapalhado, assim, que não sabe muito bem onde botar as mãos e tal, às vezes eu preciso de alguém pra me pegar pela mão e me mostrar o que é a vida. Então, queria dizer que me perdoem por tudo e eu tô esperando pelo meu momento. Pô, pô! Caralho, o famoso VT de ciririca.

Então, aí depois ele fica cheio de stalker escrevendo pra ele. Cara, eu tenho muita stalker. Muita stalker. É por isso. Você olha pra câmera e fala, tudo que eu queria era alguém que me... E a pessoa acha que está falando com ela. Cara, eu tenho uma que é casada comigo. Muito fofa. Ela é de uma casada, ela namora. Muito fofa. Mas ela conversa comigo. Ela te cobra, não? Não. Ela fala muito sobre como foi o dia dela.

Ah, hoje fui pro trabalho, não sei o que, não sei o que mais. Me propõe um programa em geral. Hoje tem uma exposição, não sei aonde. Vamos. Pergunta como tá a vida. Beijo. Dia seguinte. Nunca fala. O que que ouve? O que que você não tá respondendo? Tem uma que ela conversa comigo, ela briga comigo por áudio. Tem uma que começou... Essa até eu notifiquei, judicialmente.

Tudo de pequeno. Como assim? Judicialmente. É. Extrajudicialmente. Não, porque essa falava assim. A gente era casado. Nos diálogos dela. E aí...

Como eu não respondia, ela começou a mandar e-mail para as pessoas. Tipo, achava teu e-mail e mandava assim, Negório, fale para o João se afastar de mim. Eu sou casada. Eu não posso mais viver essa vida dupla. Aí essa eu tive que mandar o Caio Mariano dar um jeito. Caio Mariano, o maior advogado de São Paulo, do Brasil, nascido em Salvador. E aí ela parou. Não, ela continuou falando, mande seus advogados então. Mas no dia ela assumiu.

Cara, que medo. Você não tem medo, não? Bem, uma vez a gente foi fazer o portátil. Sua mãe me salvou. A gente foi fazer o portátil uma vez no teatro que você fez ontem. Carlos Gomes. A gente foi fazer no Carlos Gomes. E aí eu tava ali no foyer com família, né? Só tinha família e tal, amigos. E aí uma menina se aproximou e disse

Oi, a gente pode falar ali fora? Achei estranho o olhar, mas falei, não. Falou, sou eu. Sei lá, Carolina. A gente fala no Instagram sempre. Eu falei, não, você está enganada. Aí não, aí a sua mãe veio e fez, Ê, João, me puxou. Ela falou, quem é essa? Eu falei, não sei. Ela falou, eu percebi.

Me tirou. Aí uma hora eu esqueci dela, fiquei conversando assim, ela ficou meio ali em volta. Aí uma hora passou por mim assim, no meio de umas pessoas falando, se você não lembra quem sou eu, eu vou-me embora. Aí esse dia eu achei um pouco tenso. E você ligou o nome da pessoa depois? Não tenho ideia de quem ser. Essa é uma contra. Essa daí não é a mesma? Não, não, não. Caralho, João. Que vida difícil. Mas tem a ver com isso, você sabe, né? Tem a ver com ficar paquerando... Não, a gente tem isso.

Tem o quê? Tem. A Paola Oliveira outro dia recebeu um caminhão de flores. É verdade. E aí fica essa questão. Isso é carinho ou isso é invasão? Isso não é carinho não, gente. Isso é invasão. Você mandou uma mensagem para a pessoa, duas mensagens para a pessoa, duas mensagens para a pessoa, ela não te respondeu, você para de mandar mensagem para a pessoa. Porque talvez essa pessoa esteja se sentindo oprimida pelas suas mensagens. Ainda mais se for uma mulher. Mas no caso dessa mulher que te mandou um monte, tem um tipo fofo, a primeira, que não te cobra nada, né? Não me cobra nada.

Tem uma que faz isso comigo. Ela falou assim, se você perceber, eu uso suas DMs como um diário, tá? Não precisa me responder. E tá lá, infinito scrolling. Eu não leio, até porque eu acho muito pessoal. Então eu deixo ela falando, que eu fui ler ali uma hora, falei assim, não, é muito invasivo. Ela tá se abrindo a vida inteira. Você não sabe. Ontem, tipo, é um querido diário, só que é a minha DM. Por algum motivo ela começou, gostou daquele hábito, e tá lá, um livro de 1500 páginas.

Aí um dia você pode pegar tudo, botar no chat de APT e falar Responda. Não dá. Eu acho que ela vai tomar um sujo. Você vai falar assim, que isso? Tá olhando minhas coisas? Eu acho que ela vai ficar ofendida até. E é curioso isso, né? Porque você tem uma relação, a pessoa tem uma relação com você, mas não é você.

Não é você, é uma foto. É uma foto. Então não adianta nada você entrar porque você vai estragar a visão dela. Não, e muitas vezes não é nem você mesmo. É uma pessoa que opera as suas redes sociais. É, exatamente. Mesmo, sim. É alguém que está lá. Que está te respondendo ali, mas não é você. E é foda para o artista, porque de fato a gente não merece. Então uma coisa muito bizarra do artista, de modo geral, que é eu não acho que eu mereça ter... No Instagram tem 1 milhão e 400 mil pessoas me vendo.

Ah, fofo. Você tem quantas? Eu tenho 1 milhão e 800. Cara, você cresceu. Você acha que você merece, com toda sinceridade mesmo, ter 1 milhão e 800 mil pessoas seguindo, querendo saber o que você tem a dizer? Você merece esse alcance? Eu estou dizendo porque eu tenho certeza que eu não mereço. Vou pensar.

eu não fiz por merecer. Mesmo, mesmo, mesmo, mesmo. Eu não acho que a gente merece o alcance que tem. Não digo eu, você. Eu acho que ninguém merece. Não, acho que tem gente que merece. O Cristiano Ronaldo não merece? Não, não tem nada a dizer para essas... Claramente pelou um saco do Cristiano Ronaldo agora.

É porque quando você disse... Se eu fosse falar, alguém ganha um Nobel. Não, não, não. Você está falando de followers. É. O que eu estou falando é... Cristiano Ronaldo é um atleta que fez uma... Jogou pra caralho em alto nível. Não sei o que é. Sim, mas... Mas o que é merecer? Merecer ter coisas a dizer.

Ah, tem coisas a dizer. É. Ah, não é feitos. Não. Exatamente. Coisas a dizer. Por que isso? Porque o senhor Ronaldo, ele tem lá... Ah, tá, não. O que ele tem a dizer para o Instagram? Eu não vou seguir. Ele é um fotógrafo? É, na ferramenta Instagram, o que ele tem a dizer? Entendi. Na ferramenta Instagram ou na ferramenta Twitter, que você tem que ficar dando opiniões todo dia, a verdade é que a gente ganhou um alto-falante maior do que o que a gente tem a dizer.

Olha, eu acho que você usa... A gente é um pouco displicente com as nossas redes sociais, mas, por exemplo, a gente gera conteúdo. Comédia. É. Isso anima as pessoas. É.

Mas a gente tem a dizer coisas para tanta gente assim? Tem, porque as pessoas estão seguindo, elas não são masoquistas. Um milhão de pessoas, nada. É muita gente, sabe como é que você quer? É muita gente. Tenta procurar um nome no teu Instagram.

um nome e um sobrenome. Se você não inventar, eu tenho certeza que vai ter pelo menos 10 pessoas. Procurei. Camila... Quer procurar um nome qualquer? Camila Pinheiro. Dos meus fóruns? Atentão, eu estou falando de nome com nome e sobrenome. Você merece ser 30 Camilas Pinheiros te seguindo? Colocar em município também ajuda a dimensionar.

Um milhão, caraca, é uma cidade... É Salvador, né? É, é... Pô, Portugal, por exemplo, Lisboa, não tem nem um milhão de habitantes. O Uruguai tem três milhões de habitantes. Tu tem meio Uruguai. Pô, mas o Uruguai é pequenininho. É... Aquele que estraga qualquer etapa. Calma. O Uruguai é uma merda. O que você quer? Não, não é merda, não. Adoro. Camila Pinheiro. Não é muito louco isso? Estamos aqui, ó. Olha isso!

Entendeu? Bastante cara. Agora vamos ver se eu sigo. Não segue nenhum caso. Eu falei dois nomes, claro, relações comuns, mas dois nomes também. Não falei João Silva. Falei dois nomes muito, assim, razoáveis. Não tem nenhum nome que você não vai ter um seguidor. Nomes eu digo, brasileiros que existam. É muita gente pra... Por que eu tô falando isso? Porque aí quando entra alguém falando que você não merece ter aquilo, você dá razão. O problema do hater é que na verdade a gente concorda com eles.

Entende? Quando alguém fala que esse moleque, esse baixinho, tá falando merda e as pessoas estão... Não, eu não concordo com que você é um baixinho falando merda. Eu concordo com todos os haters. Olha o céu da língua. É uma beleza de espetáculo. É maravilhoso, mas assim... Não, mas minhas opiniões nisso, no Calma, a gente, em geral, o hater não vai ser do céu da língua. Ou mesmo aqui, em que a gente fala o que dá na tênis. Não, aqui eu entendo. Aqui é diferente. Calma, eu não leio. Chego lá falando o que é isso que vocês estão falando, o que é?

É por isso que você não quer fazer Não Importa no teatro? É. Mas o Calma Urgente você faz no teatro? Faço. Qual a diferença? A Leuro Fino te obriga. A Leuro Fino me obriga, ela manda em mim. Aliás, a Leuro Fino mandou mensagem pedindo direito de resposta. Ela ficou revoltadíssima quando falar que ela não aparecia nos lugares. É verdade, não tem como dizer. E ela inclusive falou que nesse samba do Gabriel da Muda, que você disse que ela não foi, ela foi. Ela foi outra samba.

Ali é tua amiga há muito tempo? Há muito tempo, desde a escola. Eu tinha 15 anos. E ela? 12, 13. Ah, ela é mais nova? É, 13 anos mais nova. Ela vai ficar bolada de ser... Não saber se ela era mais nova. O apelido dela na escola era formiga atômica.

Por quê? Porque ela é... E ela era líder estudantil da escola. Então ela promoveu uma greve de alunos. Ah, por causa da... Porque iam cortar a opção teatro. Ela fez uma greve de alunos e ganhou. Conseguiu. Ela era uma Alessandro Fino. Mas você não era amigo dela naquela época? Era.

Era meu amigo. Ela namorava... Aí não com 12, já com uns 14, só namorar um amigão meu, que era o Hugo. E aí depois logo ficamos amigos. Quantos amigos na escola permanecem? Cara, o que é permanecer? É como ali? Permanece na sua vida? Muito poucos. Três.

3, 4 Quantos amigos permanecem ali Num grupo do Whatsapp Que se você encontrar você vai dar um abração Aí tem mais, aí tem os 12 15 Quantos amigos seus, que foram muito amigos seus Não fazem o menor sentido mais Na sua vida É difícil isso Eu tenho medo de falar e a pessoa falar Sou eu que ele tá falando Mas tem Se encontrasse hoje Cualmente

Ah, e tem mais ainda, tem uns 7, 8. Como é que termina uma amizade? Essas são as grandes dúvidas que eu tenho, das dificuldades. Como você... Porque amizade, ao contrário da relação amorosa, ela não tem um início e um fim claros.

Ninguém fala, quer ser meu amigo? Quero. E depois fala, quer deixar de ser meu amigo? Isso aconteceu comigo algumas vezes. Uma vez, duas vezes. Quer ser meu amigo? É, já. Uma pessoa que sempre se empolga. Tem uma coisa de se empolgar com a amizade. Eu faço muito isso. Você ficar louco. É pé da paixão. É pé da paixão. É pé da paixão. Claro. Você fica deslumbrado. Você fica deslumbrado. Que cara legal, que massa. E aí, às vezes você se empolga. E tirar o pé do acelerador nem sempre é fácil.

Não, porque a pessoa... Você... Love bombing a pessoa. Você fez um love bombing. Um friends bombing. E aí o que acontece é que eu já passei por isso algumas vezes. Não consegui tirar o pé do acelerador. E aí você está preso numa coisa que é muito difícil. E a pessoa começa a achar que ela fez alguma coisa. Às vezes não é sobre fazer alguma coisa. É só você entender que não era tão gostoso assim quanto parecia que seria. Isso, e a gente não sabe dizer isso para a pessoa. E nem tem como dizer. É impossível dizer. Na nossa cultura.

É impossível dizer eu não quero mais ser seu amigo. É mais fácil dizer eu não quero mais ser casado com você. É mais fácil. É mais fácil dizer qualquer coisa no mundo. Eu gosto de sentar num morteiro. Lembra do cara que sentava em morteiro?

Isso é early, não importa. Ah, não. Um cara que sentou numa bomba da Segunda Guerra Mundial. Isso. Tem uma amiga que foi morar falando em Segunda Guerra Mundial na Alemanha e ela atuava uma dificuldade gigantesca de fazer amizade. Não conseguia. Porque alemães, né? São muito difíceis.

E aí ela lá na faculdade sentava conversar, ninguém topava e tal, até que ela conectou com uma menina que era fofa e a menina respondeu pra ela e ela riu das coisas e ficaram... Ah, riu da minha piada. Voltaram juntas pra casa, moravam um do lado da outra. Passaram a voltar todo dia juntos pra casa. E ela fez uma amiga alemã.

Durou quanto tempo? Avisou pra todo mundo no Brasil. Eu fiz uma amiga alemã, eles estavam voltando pra casa. Falaram, que bom, estava louco pra fazer. Na amiga aí. Fiz muito bem. Aí um dia, foi sair da... Acho que um mês depois, do começo da amizade, foi sair, como saíram todos os dias juntas, e ela já tinha saído antes, nem avisou. Ué.

Esquisito, né? Esquisitíssimo. No dia seguinte, ela foi sair, a menina... Não, não vou sair não, vou ficar aqui. A menina começou a evitar ela, e o ritualzinho de saírem juntos, a menina começou a evitar... Ah, e essa amiga minha entrou, ficou muito mal. Ficou, pô, minha amiga, eu tinha feito uma amiga, o que aconteceu? Tomou coragem e foi perguntar pra ela. Coisa já muito difícil. Você não quer mais ser minha amiga? Quantos anos ela chegou, só pra saber? 25, é a faculdade. Ela foi fazer uma faculdade lá. Você não quer mais ser minha amiga?

A gente estava virando amiga e de repente você sumiu. Algo que a alemã falou. Ela falou sim, a gente estava ficando amiga. Esse é o problema. Eu vi que a gente estava ficando amiga e eu já tenho sete amigas. Eu não tenho mais espaço na minha vida para ter uma amiga.

Eu percebi que se a gente continuasse voltando junto, a gente ia ficar amiga de verdade. E aí eu precisaria, por exemplo, ir para a sua casa e você ficasse doente. Se você terminasse com o namorado, eu ia ter que ficar com você. Se você lançasse um livro, eu ia ter que ir no lançamento, eu ia ter que ler o livro. Se você casasse no Brasil, eu ia ter que ir ao Brasil para ver seu casamento. Eu percebi que não tinha mais espaço afetivo na minha vida para mais uma amiga. Então eu cortei, porque senão isso ia acabar prejudicando a minha entrega com as outras amigas, entendeu? E eu não tenho mais espaço. Quem sabe só deixar de ser amiga de uma.

eu posso contrair a amizade com você. Contrair a amizade. Dizem isso eu, traumatizando. Duas coisas. Primeira, falta de responsabilidade afetiva. Que foi lá, andou até a casinha, depois voltou, cativou. Depois se ligou, ou talvez até aquela amiga, agora tudo é fulano, hein, não sei o quê. Largo. Aí, muita responsabilidade afetiva. Muita. Porque botou as cartas na mesa.

Então ela tinha ali uma preocupação na qualidade da amizade dela para com os outros amigos e a falta de qualidade para uma nova amiga. Porque o que o carioca faria? Tu fica amiga aqui, de repente eu não vou lá no outro, de repente você ficou doente, eu não preciso ir. Só que para quem leva amizade a sério? Inclusive vou te usar quando alguém estiver doente, fala, porra, Gregório, também está. Também está. Não posso ir. Não posso ir para o teu. Agora, para quem leva amizade?

Sim, que é outro conceito também. Outro conceito. O conceito nosso de amizade carioca brasileira não é que ele não existe, existe pra caralho, estamos aí a gente, amigo 30 anos. Mas ele não é amizade carioca. É, não é. Mas mesmo na nossa amizade, é carioca no sentido que você perdoa qualquer sequela minha, eu perdoo sua. Mas isso tem a ver com amizade. Tem a ver com amizade, é verdade. Acho que ser amigo é amar não apesar de, é amar por isso. Tá me citando, né papá, cara?

Sabe que o pequeno príncipe tem uma frase que ficou famosa? Sei. Que é, tu te tornas eternamente responsável pelo que tu cativas. Que o Sitaque Gaúcho melhora muito. Fica perfeito, é. Não sei por que eu falei, mas é perfeito, né? Mas é perfeito? Porque tu realmente te tornas eternamente responsável pelo que tu cativas. Não, pelo que tu cativas, né? Pelo que tu cativas, né?

Cara, isso é... Pequeno Pia já era gaúcho. O Santos Zuberi escreveu isso em gaúcho. Ele sentou e é o pequeno... Márcia! É o pequeno piado. Márcia, tu te torna eternamente responsável pelo que tu cativa, mulher.

Tu não sabe? E assim, tu não sabe. E assim, desculpa citar o Pequeno Príncipe, que ficou o clichê. Não, mas em gaúcho foi perfeito. Ficou perfeito, né? Virou o clichê do livro da Miss. E essa frase ficou um clichê e nem acho que seja verdade. Porque tu não é responsável, você não é responsável pela sua fã que você cativou. Você é por essa pessoa que foi escrevendo. Não, ela criou da cabeça dela. Mas é uma situação específica, né?

Mas volta e meia você cativa uma coisa, a sua revelia. É, muito. Não fiz nada pra cativar. E cativou, você não é responsável. Mas tem uma coisa muito bonita no Pequeno Príncipe, que não ficou tão famoso quanto essa frase. E eu vou ser cafona, eu não sei nem se eu vou citar direito, porque eu li há muito tempo. Mas era muito bonito que a parte que a raposa explica pro Pequeno Príncipe o que é cativar alguém, o que é ter um amigo, porque o Pequeno Príncipe não sabe. O Pequeno Príncipe, ele tá no espectro.

E eu digo isso sim. Então tá. É verdade. Ele tá no mundinho dele. Ele tá no mundinho dele. Ele tá lá. É meio que uma metáfora até, eu acho, do espectro. E chega a Raposa e ele pergunta, o que serve esse amigo? Pra que eu quero ser seu amigo? Raposa fala. Porque quando você gosta de alguém, não é só que você gosta de alguém. Você vai passar, olha o presente que você tem, a gostar de tudo que envolve a pessoa. Então se eu gosto de você, você é louro. Eu vou olhar pra um campo de trigo, eu vou ficar feliz.

Porque eu vou pensar em você. E se você diz que vai me encontrar meio-dia, às nove horas da manhã eu vou estar feliz porque você vai chegar meio-dia. Aí depois às dez, aí nos outros dias de meio-dia eu vou lembrar que meio-dia é o horário que eu te encontro. E meio-dia, então, você vai ganhar um pacote de amizade que é fofo, que vai ser o cativo. Então ficou mais famosa a frase meio tóxica, mas é bonito esse elogio do amor que fala que assim, gostar de alguém é ganhar um pacote de coisas boas para a sua vida. Tá.

Achei a explicação um pouco tóxica. Se eu olhar teu cabelo louro, vou olhar pra um campo de trigo, vou me lembrar de você, às nove da manhã vou lembrar do encontro que eu tenho no meio-dia, achei um pouco tumante, mas é bonito. Eu não acho tumante. Tem um pacote, João, que é assim...

Você não olha para um cano cinza e eu apenas lembro da cor dos meus cabelos? Eu lembro. Não do cano cinza. Eu lembro, por exemplo, passa o cheiro de cavalo. Eu lembro de você. Na ípica, eu lembro muito de você. Eu lembro quando tem um cheiro. Eu lembro de você quando eu tomo um remédio. Quando eu vou beber e sinto que eu vou ter ressaca. Eu penso, João, agora me daria um remédio para ressaca.

E aí, sabe, eu lembro nesses momentos, e acho que é bom ter um amigo. E são momentos bonitos. O Chico Buarque, perguntado sobre o Tom Jobim, ele falou uma coisa bonita, falou assim, ele falou, sem saudade do Tom Jobim, alguma coisa assim, ele falou assim, toda vez que eu ouço ele falou assim, pô, rapaz, outro dia, tava aqui ouvindo um passarinho, o passarinho fez assim, aí o outro fazia assim.

Eita! Tudo é Tom Jobim? Isso é o Chico Buarque falando. Ah, tá, porque eu achei que tudo ele ouvia Tom Jobim. Não, eu pensei que seria mais assim. Aí eu falei, ô, parece que um tá respondendo o outro. Será que um, que é o Tom, é uma resposta do outro? Cara, como é que quem tivesse... Puta, Tom Jobim saberia me responder isso. Mas ninguém no mundo que ele conhecese tinha morrido a única pessoa que saberia responder isso.

Então ele falou umas palavras bonitas, eu não imaginei que o Chico ia falar isso exatamente do Tom, porque ele entendia pra caramba de passarinho. E tem isso de amizade que é bonito, que é muito maneiro quando a pessoa domina um universo, que você não tem, às vezes não tem nenhum carinho por passarinho, mas se você gosta, você passa a gostar de tabela. Então você ganha universos afetivos de tabela, que é um negócio legal, que você vai ganhando junto com a amizade os universos das pessoas.

é engraçado a gente é amigo há muito tempo e eu tenho saudade de você não é engraçado isso? eu também João e eu falei pra você vamos nos encontrar no final de semana? e o que você falou? não, você não vai falar o que eu falei porque você vai me expor eu não vou falar

Mas eu tentei te encontrar esse final de semana. Tanto mesmo. E, infelizmente, alguém não seguiu aquela premissa. Mas sobre o que eu tava falando é o seguinte... De que bros before... É... O que eu queria dizer é que eu acho que tem alguns amigos que perdem...

Perder a frequência, assim, você desintoniza de alguns amigos e você fica correndo atrás de um passado e um prazer que não existem mais. Uma conexão que não existe mais. Uma pessoa que se se encontrasse hoje em dia, você não jamais seria amigo daquela pessoa. Não é questão de não gostar daquela pessoa. É questão de você simplesmente não ter nenhuma conexão. Então você fica meio com a saudade de um tempo que você não viveu com respeito a uma amizade que já não mais é.

E é triste, porque eu acho que nunca em nenhum momento do mundo alguém falou, olha, você não me fez nada, mas não faz mais sentido a gente ser amigo. Mas eu tenho certeza que muita gente sente isso. Sente. Um amigo que você é amigo porque você não pode deixar de ser amigo porque você já foi amigo. Tem muito amigo. Isso tem. Eu tenho um amigo.

Eu já tive uma... Já terminaram comigo. É muito triste terminar. É? Tenho um amigo de infância, assim, um amigão de infância. Amigo e irmão, assim. Cara, um belo dia, a gente foi se afastando, se afastando, e quando eu tentei aproximar, claramente, tem uma mágoa de mim, alguma coisa que eu fiz, assim. E foi triste. Você faz ideia do que pode ser? Eu acho que tem algumas faltas de habilidade minha em relação a... Ele era gay. Ele era gay.

E eu... Ele é gay. E naquela época ele não sabe, não dizia, ou sabia, não dizia. E eu, pra tentar ajudar ele, eu falava, porra, sai do armário, mas do jeito mais retorto possível, porque não se faz isso. Então eu... Você tava achando ali a força do armário. É, e de uma maneira pouco... Não é que eu tô falando, nossa, eu só queria que ele fosse feliz. Não, não, eu devo ter feito muita merda. Liado!

Não, não exatamente isso. Não é isso? Não exatamente isso. Ao contrário, a intenção era boa, mas o jeito era péssimo. É o caso de lembrar que você não é o protagonista da vida da pessoa, né? É. No filme da vida da pessoa, você é o cara que fala, tá na hora de sair do armário. É. Algumas coisas, assim, de alguma forma. Eu acho que...

Ah, já teve umas situações que eu senti que rolou inveja de mim. Esse amigo? Não, esse amigo, não sei, mas eu tenho uns amigos de infância, assim, que eu sinto que se ressentiram um pouco esse negócio de fazer sexo e tal. Claro, né?

É, porque ao invés de ter um lado bizarro, que é muito louco, você está na mesma situação que... A vida não é justa, é isso que eu quero dizer. Não, a vida é... E é perfeitamente normal a pessoa ficar chateada. Em vez de ficar com a vida, ficar com você. Até porque com a vida não se importa. Não se importa, a vida está cagando para você. E de alguma maneira você ficar...

irritado comigo, você vai me atingir de alguma maneira. Porque eu não gostava de você. Exatamente. É perfeitamente normal. A gente demoniza, mas é uma coisa que faz muito parte mesmo da justiça da vida. Então você já sentiu isso. E já terminou com você. Mas o problema foi de repente, porque o triste é que ele fez uma coisa na verdade meio alemã, né?

O que é parar? Esse amigo. De chegar e falar assim, acabou. Não, ele não fez, não. Ele foi para o latino. Ele só foi me dando ghosting, ghosting, ghosting, ghosting. Ah, até hoje vocês nunca falaram sobre isso? Já, já. Eu já falei. É? Porque o que aconteceu? Ah, é? Ele nada, imagina. Ele não foi alemão? Não foi alemão. Será que vendo ele vai saber que você está falando dele? Acho que ele não vê. Caramba, João. É, deixa também. Você tem a mim. Não é a mesma coisa, né?

Certo, mas é um novo um novo. no importo.

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