Episódios de Burro de Balaão

DROPS #26 - A Resposta é a Ausência do Ovo

24 de agosto de 20261h4min
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🥚 DROPS #26 - A Resposta é a Ausência do Ovo

No DROPS #26, trocamos a telona por três contos de ficção científica que vão mexer com sua cabeça (e com sua teologia)! Discutimos "A Última Resposta" (Isaac Asimov), "O Inferno é a Ausência de Deus" (Ted Chiang) e "O Ovo" (Andy Weir). Três visões sobre vida, morte, divindade e o que vem depois - com respostas que vão do niilismo ao quase-otimismo. Preparem o cérebro, porque aqui a única certeza é a dúvida.

⭐ NOTA FINAL⭐

Asimov: 6,50/10📜

Weir: 7,50/10📜

Chiang: 8,50/10📜

🔍 Neste episódio:

  • Asimov e a resposta final: Em "A Última Resposta", um cientista morto descobre que o propósito da existência não é perguntar, mas responder - e isso muda tudo
  • Chiang e o inferno lógico: "O Inferno é a Ausência de Deus" - um conto onde o sofrimento é uma evidência física do divino, e o amor a Deus é medido em dor
  • Weir e o ovo cósmico: Em "O Ovo", o universo é um projeto de vida eterna onde cada pessoa é... você mesmo (em todas as vidas)

🚨 Por que ouvir?

Para descobrir qual dos três autores tem a visão mais pessimista sobre o pós-vida

👉 Próximo episódio:

"T06E01 - I Reis 1-4"
Voltamos à Bíblia! Davi envelhece (e mal), Salomão assume o trono com direito a golpes palacianos, e o reino se prepara para a era mais próspera (e problemática) de Israel.

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🔎 Palavras-chave: Isaac Asimov, The Last Answer, A Última Resposta, Andy Weir, The Egg, O Ovo, Ted Chiang, Hell is the Absence of God, O Inferno é a Ausência de Deus, Ficção científica teológica, Contos de ficção científica, Burro de Balaão Podcast

Participantes neste episódio2
E

Eric Moreira

Host
W

William Alves

Host
Assuntos5
  • O Inferno é a Ausência de Deus de Ted ChiangA natureza do inferno e do céu·A teodiceia e o paradoxo de Epícuro·Aparições divinas e suas consequências·A busca pelo amor a Deus·A luz divina e a salvação
  • O Ovo de Andy WeirReencarnação e a unidade da consciência·Abraham Lincoln·Hitler·Jesus·O universo como um ciclo de aprendizado
  • Filosofia Antinatalista de Peter Wessel ZapffeO Último Messias·O alce gigante como metáfora da humanidade·Mecanismos de autossabotagem humana·Isolamento, ancoramento, distração e sublimação·Autoilusão vs. autoextermínio
  • A Última Resposta de AsimovExistência eterna e propósito·Deus como criador e observador·O propósito da criação humana
  • Discussão sobre o Livro de ReisDavi e Salomão·1 Reis 1-4
Transcrição251 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Deu para ler os 3?

?Voz B

Deu, deu, deu, deu. Dei, dei.

?Voz A

Show!

?Voz B

O do Ted Chang é muito bom, cara.

?Voz A

É, ele é muito bom, ele é muito bom.

?Voz B

Parabéns para o Ted Chang.

?Voz A

Parabéns para o senhor Chang. Balarão Drops 26: a resposta é ausência do ovo.

?Voz B

Olá, bem-vindos ao Burro de Balão, o podcast que espera que Deus não seja troll para você.

?Voz A

Pequenininho hoje, mais um episódio daqueles que a gente pega um punhado de contos e que tem alguma coisa a ver e analisa aqui. Hoje então a gente vai falar sobre 3 contos. A gente tinha falado sobre 4 no episódio passado, mas Um deles aparentemente não existe nenhum lugar na internet, a menos que você compre o livro todo. Então infelizmente Lava a Mão de Lobílias, do Robert Sherman, não estará entre nós, mas falaremos sobre—

?Voz B

ele é muito difícil de achar, velho, tipo ninguém nem fala sobre ele, tá ligado?

?Voz A

Sim, existe o livro para comprar online que tem esse conto entre o livro, mas é uma pica, não vou comprar o livro inteiro só por causa de um conto.

?Voz B

É claro.

?Voz A

Claro, mas a gente vai falar então sobre Última Resposta, não confundir com a última pergunta do Isaac Asimov. A gente vai falar sobre O Inferno é a Ausência de Deus, do Ted Chiang, que tá no livro A História da Sua Vida e Outras, e Outras, e Outros Contos. É a sua, olha só, é o mesmo livro que esse A história da sua vida, inclusive, que é o conto que deu origem ao filme A Chegada.

?Voz B

E O Ovo, né?

?Voz A

E O Ovo, do Andy Weir, que é o mesmo autor do Devorador de Estrelas, o mesmo autor do Perdido em Marte. É o conto mais famoso dele e um clássico. Todos esses três, os dois, vai, os do Isaac Asimov e o do Andy Weir são clássicos do gênero. E o do Thiago, do Ted Chang, a gente traz porque o Ted Chang é o patrono extraoficial dos drops de conta.

?Voz B

O Lúcio Santinelli é nosso antipapo no horário, o Ted Chang é nosso evangelista, antievangelista. Antievangelista no horário.

?Voz A

Exatamente. Ted Chang, paga nós.

?Voz B

Ted Chang, queremos você aqui.

?Voz A

Exato. Espero que ele, se ele veja isso, ele não nos xiange.

?Voz B

Nossa, foi muito ruim essa. Foi.

?Voz A

Qual que o senhor acha que faz mais sentido começar?

?Voz B

Cara, eu acho que o do Ted Chiang vai ter mais pano para manga, eu imagino. Então vamos, a gente deixa ele para o final, né?

?Voz A

É, vamos começar com o que você gostou menos então. Vamos começar com o do Zachary Moive.

?Voz B

Vamos lá, vamos lá. Asimovão.

?Voz A

Asimovão. Basicamente, o conto do Isaac Asimov, né, sobre um cara que morre, um físico ateu, chama-se— fala o nome dele, não fala? Murray Templeton, que tinha 45 anos, na verdade, que morre. E quando ele vai para morrer, ele percebe que ele não morre, ele percebe que ele continua existindo.

?Voz B

Perfeito.

?Voz A

E aí ele começa a trocar ideia com Deus, uma vibe meio Book of Martha que a gente já fez análise aqui, né? E basicamente Deus fala para ele que ele é um dos seletos poucos que depois da morte Deus mantém a consciência intacta no estado em que tava no momento da morte. E essas pessoas têm o papel de simplesmente— essas mentes têm o papel de simplesmente ficar ali pensando em coisas novas. Exato, tentando derivar conhecimento novo a partir do conhecimento que já existe.

Porque apesar de Deus poder alcançar esse conhecimento se ele quiser, para ele tem mais graça se ele é preguiçoso, o resto da galera fizer por ele. Exato. E aí, conforme eles vão conversando, o Murray vai lentamente percebendo que na verdade o que ele tá ali é meio que um inferno, basicamente, na verdade. Porque apesar de inferno e céu não existirem nesse rolê, a ideia de existir para sempre só para pensar coisas que outra pessoa poderia facilmente descobrir se quisesse não apresenta para ele nenhum nível de— eu não sei se eu chamaria de inferno, talvez um limbozão, um limbozão, né, um purgatório. Purgatório, uns asfódalos.

?Voz B

Uma coisa, uma coisa que tem em comum entre os 3 contos, já para a gente logo de cara, é que Deus é troll nos 3. Perfeito.

?Voz A

Não, pô, no ovo não é.

?Voz B

No ovo ele é gente fina, mais ou menos.

?Voz A

Por quê?

?Voz B

No ovo ele assim não é uma trollagem, mas também não é tipo um cara da hora.

?Voz A

Uai, como não, parça?

?Voz B

Tipo, olha, eu tô aqui fazendo você crescer para você pegar meu lugar um dia.

?Voz A

Não, não é possível. Como assim, cara?

?Voz B

É meio que isso, pô, é meio que isso sim.

?Voz A

Não, você, ele é o mesmo tipo de coisa que você, é um pai, pô, ensinando o filho como ser uma criança.

?Voz B

Tá bom, vamos discutir depois isso, ok?

?Voz A

Mas aos poucos então O Murray acaba percebendo que essa existência não é algo que ele quer compactuar. E depois de pensar que o que ele vai pensar vai ser um jeito de se destruir, ele, pela própria explicação de Deus, percebe que isso não faz sentido, porque qualquer jeito que ele conseguisse se destruir, Deus ia só recriar ele de volta, tem problema, recriar ele sem aquela falha, e ele continuaria ali sem nem perceber. Então Então ele se muda para o plano B, que é ficar o resto da eternidade tentando pensar em um jeito de destruir Deus, que é provavelmente exatamente o que Deus quer, né?

Como fala aqui no finalzinho: ah, você chegou— Deus falando, né, a voz no caso— ah, você chegou nesse lugar em até menos tempo do que a média. Eu teria pensado que fosse tomar um pouco mais. Não existe um daqueles que eu tenho comigo aqui nessa existência de perfeito e eterno pensamento que não tenha tenho a ambição de me destruir. Não pode ser feito. Murray disse: eu tenho toda a eternidade para pensar em um jeito de destruí-lo.

A voz disse: de boa, então tente pensar nisso. E ela sumiu. Mas Murray tinha agora um propósito, estava contente, porque o que poderia qualquer entidade consciente de eterna, de eterna existência querer senão um final? Porque para que além disso a voz estaria procurando por incontáveis bilhões de anos? E por qual outra razão haveria sido criada a inteligência e alguns espécimes salvos e colocados para trabalhar, para ajudá-lo nessa grande pesquisa?

E Murray entendia que ele, e apenas ele, seria aquele que sucederia. Com cuidado e com o a energia do propósito, Murray começou a pensar. Ele tinha muito tempo. Então, basicamente, o motivo da criação dos seres humanos nesse universo seria para achar, para Deus achar um jeito de parar de existir. O que é um conceito filosófico que é abordado em essas coisas, né? Existe essa ideia de que, de que os limites de que o pleno conhecimento, pelo menos o máximo de conhecimento, seria algo que tornaria a existência algo não agradável, por exemplo.

Então existe a ideia de que Deus poderia, por exemplo, se cercear de certos conhecimentos para voltar a ter interesse na própria existência e coisas assim.

?Voz B

Não, cara, mas tipo assim, é interessante, mas sei lá, é porque assim, para isso ser talvez mais interessante, você tem que ser um crentezinho no mínimo, né? Tem que acreditar que Deus existe. O Osmar era ateu, era ateu, mas ele tá só trabalhando a ideia e tal. Mas para você acreditar que Deus possa ter de volta Interesse na humanidade tem que acreditar nele a princípio, né?

?Voz A

Mas aí é que você tá levando o bagulho muito a sério, pô. A ideia do negócio é elevar a possibilidade de que uma existência eterna é um sofrimento eterno. Você que tá querendo levar muito literal no negócio de Deus e tal.

?Voz B

Não, tudo bem, tudo bem. Mas será que é mesmo sofrimento eterno? Podia ser um regozijo eterno.

?Voz A

Regozija? Não, né? Eu imagino que não, porque acho que depende do tipo de existência também, né?

?Voz B

Porque aquela existência ali é meio pombo mesmo.

?Voz A

Deus ali fica ali pensando, você fica ali, uma vibe meio Matrix.

?Voz B

Você não lembra de como você surgiu, que ele fala ali que ele não lembra de como ele surgiu.

?Voz A

É Deus, no caso.

?Voz B

Aí você tá ali para sempre só assistindo, você não intervém em nada.

?Voz A

Ele tá no modo criativo, né?

?Voz B

Então, mas dá a entender que ele não intervém em nada da humanidade, né? Ele é tipo um The Watcher da Marvel.

?Voz A

Ele cria os randomizadores porque o que entretém ele é acontecerem coisas imprevistas, né? Não previstas. Então ele fala que ele colocou a entropia, que ele colocou coisas que, que física quântica A graça para ele é assistir nós que nem uma novelona.

?Voz B

Então, mas isso acho que uma hora enjoa, né?

?Voz A

Imagino, mas tudo enjoa, né? Só ficar morto porque você não tem mais nada para sentir enjoo, pô.

?Voz B

Esse é o ponto, esse é o ponto.

?Voz A

Mas é que esse Deus também tá ali na solidão, né, pô? Não fez um anjinho para trocar uma ideia, né? Não Aí todo mundo que ele chama para trocar ideia quer matar ele. É um ponto. Ele podia pelo menos deixar os cara trampar junto, né?

?Voz B

Criar os bagulho, né?

?Voz A

Criar uns, cria um céu, cria um inferno, pô.

?Voz B

Pô, ia ser melhor.

?Voz A

Cara não perde, não quer perder o tempinho para criar o bagulho, pô.

?Voz B

Perfeito, perfeito.

?Voz A

Cara tá no modo criativo, mas não quer criar nada, só quer ficar voando.

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?Voz A

É a ideia do deus ocioso, né, do deus ocioso que só teria criado o universo, colocado o universo em movimento e depois abandonado, né.

?Voz B

Uma das perspectivas existentes é tipo você criar a cidade no The Sims e deixar, colocar nos 2x e ficar vendo só até a destruição dela.

?Voz A

Exato. Mas é que nem aquele bagulho, né? Não teve um cara que deixou Age of Something, Age alguma coisa, um jogo lá de estratégia rodando por 20 anos e o mundo virou um apocalipse, alguma coisa assim?

?Voz B

Não sei, não lembro. Eu lembro o que eu vi foi o da Zia jogando Quake. Tem isso também, jogando Quake. Elas, a regra, acho que uma das diretrizes era não perder, alguma coisa assim. Os dois são dois times, né, que é captura bandeira. É simplesmente pararam de capturar a bandeira uma das outras e viveram em paz para sempre, porque nenhuma delas perdia. Aí, a hora que a gente devia aprender alguma coisa com isso, mas não vamos, né?

?Voz A

Vamos para o deg. Eu acho que vai dar uma complementação legal aqui.

?Voz B

Legal, deg é bom.

?Voz A

Descreva para nós o Evo.

?Voz B

O Evo, eu conheci esse conto antes dessa vez porque você já tinha me contado, inclusive.

?Voz A

Eu acho, eu sou top.

?Voz B

Eu acho que você me contou sobre ele quando a gente corria ainda, mano, quando a gente era fit.

?Voz A

Olha só, muito tempo atrás, muito tempo atrás, muito tempo de 6 anos atrás, 6 anos atrás.

?Voz B

Exato, cara. A ideia é que eu não lembro exatamente dele porque ele foi o primeiro que eu li, inclusive. Mas a ideia é que um cara morre e aí ele vai para o céu.

?Voz A

Esse não tem nome no negócio, mesmo se tivesse eu não ia lembrar não.

?Voz B

É, eu lembro alguns nomes do próximo conto, mas enfim, whatever. Ele vai lá para o céu, aí Deus tá lá bonitinho assim, fala: caramba, você é Deus! E aí Deus fala: eu sou Deus, eu mesmo. Ele fala: caramba, e agora eu vou viver com você para sempre? Ele fala: não, você vai renascer, pô.

?Voz A

É, tá achando o quê, pô? Isso aqui não é o teu não.

?Voz B

Fala: cara, que da hora e tal, mas e aí, o que que eu faço? Não, você vai viver sua vida. Você vai tentar ser uma pessoa melhor, que não sei o quê.

?Voz A

Agora você vai ser, vai voltar para 545 depois de Cristo, 540 antes de Cristo.

?Voz B

Olha, eu quase acertei de cabeça.

?Voz A

Não, 540 depois de Cristo vai ser uma menina, uma mina plebeia chinesa.

?Voz B

Ele fala, uai, mas eu vou para o passado, caralho? E aí Deus fala, irmão, não tem passado, não tem futuro.

?Voz A

Passado é só meu É isso, cara, agressivo. Passado é coisa do seu mundo. Aqui não, onde eu tô vendo, isso aí é tudo a mesma coisa, pô, mesma coisa.

?Voz B

Aí ele fala: não, mas se eu já fui para o passado, ou se eu era do futuro e vou para o passado, como é que funciona? E as outras pessoas? Eu falo: que outras pessoas?

?Voz A

Interagir com alguém que era eu ao mesmo tempo?

?Voz B

Aí Deus fala: pô, da hora, pô, acontece todo tempo. E aí ele revela, né, que todas as pessoas do mundo são ele. Então ele é tipo, sei lá, ele é o judeuzinho.

?Voz A

Você quer os exemplos?

?Voz B

Pode lançar aí, lança aí, acho que é legal.

?Voz A

Ele fala: nossa, espera, eu sou todo mundo? Ah, agora você está entendendo. Todo ser humano que já viveu ou que vai viver, sim. Eu sou Abraham Lincoln? Sim. E você é John Wilkes Booth também, que é o cara que matou Abraham Lincoln. Eu sou Hitler e você é os milhões que ele matou. Eu sou Jesus e você é todo mundo que segue. Toda vez que você vitimizou alguém, ou você estava vitimizando a si mesmo, todo ato de bondade que você fez, você fez para si mesmo.

Todo momento feliz e triste já experimentado por qualquer ser humano vai ou será experimentado por você.

?Voz B

E aí ele, e aí Deus explica que eles são a mesma coisa, de certa forma, né, a mesma entidade. Só que Deus tá muito mais evoluído, digamos.

?Voz A

Deus é um adulto e o cara é um feto.

?Voz B

É, exato, exato. É o que ele fala mesmo, né? Você é um feto. E aí a ideia é que ele vai com essas interações no mundo, nesse mundo dele com ele, ele vai crescendo, se desenvolver.

?Voz A

Deus, exatamente.

?Voz B

O que é muito interessante, já que a gente é mais semelhante de Deus, a gente comeu a fruta Do conhecimento, do conhecimento que torna a gente igual a Deus.

?Voz A

Olha só, então a fruta do conhecimento torna a gente igual a Deus se a gente comer também a fruta da árvore da vida eterna.

?Voz B

Mas aí a gente precisa crescer, e quando a gente cresceu, que não é mais um feto, aí Deus entrega a frutinha. É, exato. E Deus entrega a frutinha para nós.

?Voz A

Mas enfim, essa é uma ideia bem simples, né? Mas é interessante, existem alguns Alguns, existe essa ideia, né, de que quase um panteísmo misturado com animismo. É um trem meio complexo.

?Voz B

Cara, eu gosto muito dessa ideia, velho. Eu acho que ela faz, não que ela faz sentido, mas a ideia de que a gente é uma unidade de coisa, eu acho muito maneiro, mano.

?Voz A

É aquele velho negócio da humanidade ser uma criatura multicelular, que cada ser humano é uma das células, né?

?Voz B

Já viu aqueles aprendizados de IA? Lembra um pouquinho? Tipo, aí ela precisa cumprir um trajeto e aí solta 70 delas ao mesmo tempo e continua com a— não é meio isso também, esse conto? Eu achei interessante.

?Voz A

Sim, ela tem que fazer um labirinto, aí cada iteração da faz um caminho, exato, e aí volta do começo e faz outro caminho, e volta do começo, faz outro caminho, várias vezes, até se tornar o IA perfeito, né, até se tornar o trajeto perfeito. Exato. E esse negócio de nos tornarmos deuses, a gente pode até trazer para um negócio mais cristão, se você quiser, porque se você olhar nas cartas de Paulo, existe essa ideia, né, de que a gente vai tomar um novo corpo da mesma matéria das estrelas quando a gente Olha só, o novo mundo, né?

E por exemplo, os mórmons também acreditam que quando você morrer você vira tipo uma divindade. Não vou entrar muito em coisa de mórmon porque eu também não entendo muito, mas eu sei que tem uma pegada meio assim. Mas eu, é interessante, né, achar que o, pensar que o universo, pelo menos o mundo, seria só um ovinho. De codorna espacial. E aí seria a codorninha.

?Voz B

Eu acho muito maneiro. Eu acho principalmente mais maneiro pela questão de a gente ser uma unidade de coisa, uma unidade de, enfim.

?Voz A

O Eric quer muito ser o Hitler, é incrível.

?Voz B

Não, que isso, cara, do nada, mano. Eu ia trazer System of a Down agora, pô.

?Voz A

Que isso, traga.

?Voz B

Você conhece a música Forest do System of a Down?

?Voz A

I think so. Você vai falar da parte do trees, não sei o quê?

?Voz B

Não, vamos lá. A música Forest, ela, o pessoal fala que ela é sobre a questão ambiental, faz sentido até, mas tem uma galera que enxerga ela como um diálogo entre Deus e Jesus, tá ligado? O que é bem apropriado para associar com esse conto, eu diria.

?Voz A

Só para quem não conhece, a letra é a seguinte: caminhe comigo, meu filho, minha pequena criança, o meu pequeno filho, para a floresta da negação. Fale comigo, minha única mente. Caminhe comigo até o tempo, até o momento, e faça que a floresta se torne vinho. Pegue a lenda pela queda, você viu o produto. Por que você não consegue ver que você é meu filho? Por que você não sabe que você é minha mente? Conte para todos no mundo o que eu sou você.

Pegue essa promessa para o fim de você. Caminhe comigo, meu pequeno amigo. Pegue essa promessa até o fim. Fale comigo, minha única mente. Caminhe comigo até o fim e faça dessa floresta, faça com essas florestas se torne areia. E pegue a lenda pela queda e veja o produto. Você viu o produto? Enfim, essa é a vibes.

?Voz B

Eu acho que o refrão é É um pouquinho mais próximo do conto, né? Então, como você não percebe que você é meu filho? Como você não sabe que você é a minha mente? Então, tipo, a gente é uma unidade de coisa, tá ligado?

?Voz A

É que eu tô muito sóbrio para esse tipo de coisa, cara.

?Voz B

Da hora para caralho, mano! Essa música é muito boa! E aí tem sem televisões no ar, sem circuncisões na cadeira. Você fez a arma para todos nós e agora olha onde a gente tá.

?Voz A

É Tony Stark.

?Voz B

Tony Stark não é circuncisado? Não deve ser mesmo.

?Voz A

Não, ele é americano, provavelmente ele deve ser.

?Voz B

Americanos são circuncisados, a maioria. Que isso, cara, é sério?

?Voz A

Nunca assistiu Friends? E aí tem um episódio lá que o Joey tem que— não, que o Joey tem que fazer o papel de um ator, de um personagem italiano, e aí imigrante italiano, e aí eles perguntam se ele é circuncisado ou não, e ele finge que não é, e ele faz um prepúcio falso, etc.

?Voz B

e tal.

?Voz A

É porque nos Estados Unidos é muito incomum alguma criança não ser circuncisada assim, cara.

?Voz B

Então, perfeito, perfeito. Mas eu achei interessante trazer a música do System.

?Voz A

Eu acho que faz qualquer oportunidade que tem, você traz o Surge porque você é apaixonado pelo Surge. O mais interessante dos 3 contos é justamente o último, né? O Inferno é a Ausência de Deus, do Ted Chiang. O Ted Chiang, como sempre, ele não consegue fazer um conto, ele faz um puta world building, uns bagulho muito foda para um conto de 30 páginas. E enfim, personagem principal se chama Neil Fisk. Ele é um cara nesse mundo, basicamente, do inferno, inclusive.

?Voz B

Exato.

?Voz A

A ideia é que as interações, tipo, que acontecem na Bíblia de anjo aparecer e coisa assim, continua acontecendo no mundo, no mundo atual. É uma coisa comum, é uma comum, tipo, todo mundo já conhece, sabe que existe e tal. Então, por exemplo, existem pessoas que são tocadas no útero e nascem com perna de peixe. Existem pessoas que, tipo, existe aparições de anjos aí, o anjo aparece num formato de, sei lá, um uma coluna de fogo e sai destruindo a cidade.

Todo mundo tipo, ah, é um anjo. E aí é como se fosse um furacão normal, mói as pessoas, mas tudo bem. Quando as pessoas morrem, você vê se a alma sobe ou se a alma desce. Às vezes o inferno aparece debaixo do chão e o chão fica transparente. Você olha só, fulaninho foi para o inferno.

?Voz B

É um inferno da hora, tá?

?Voz A

É o inferno, basicamente o mundo normal. Exato, só que longe de Deus.

?Voz B

E cara, eu me identifiquei bastante com Newfisk, com Newfisk, é porque você vai para o inferno, cara. É verdade.

?Voz A

Mas essa ideia, né, de que o inferno é a ausência de Deus, ela é bem para quem, para quem aí dos meus amiguinhos já fez catequese, já fez escola dominical, é algo que aparece de vez em quando. Pessoal fala, né, porque sempre aparece, sempre vem, né, a pergunta da Teodiceia, né, que é tipo, se Deus é bom Por que que existe o problema, também conhecido como problema do mal, né? Por que que existe mal no mundo?

?Voz B

Como é que chama? É o negócio de Epícuro lá, como é que chama?

?Voz A

Paradoxo de Epícuro. Se Deus é omni benevolente, como que ele pode ser onisciente, onipresente, onipotente, etc.

?Voz B

e tal? Mas é isso aí que eu tava falando.

?Voz A

Mas sim, é o paradoxo de Epícuro. Se o mal existe e Deus sabe que ele existe. Aliás, se o mal existe e Deus não sabe que ele existe, ele não é onipotente. Se ele sabe que o mal existe, mas não pode acabar com o mal, ele não é onipotente. Se ele pode acabar com o mal, mas não acaba com o mal, ele não é onibenevolente. Se ele pode acabar com o mal, mas o mal existe só para testar, ele é onisciente, porque ele precisa saber o resultado, ele já deveria saber o resultado do teste.

Se é por causa de Satanás, se ele é onipotente e onibenevolente, ele teria destruído Satanás. Se é por causa do livre-arbítrio, ele poderia ter criado, se ele poderia criar um universo em que o livre-arbítrio existe e o mal não, então ele não é bom, não é benevolente. Se ele não poderia, então ele não é onipotente.

?Voz B

O paradoxo de Epícaro é o argumento prime do ateu, né, do recém-ateu.

?Voz A

É o famoso se Deus conseguiria criar uma pedra tão pesada que nem Deus consegue levantar, né? Como que Deus é onipotente ao mesmo tempo que ele não é onipotente? Mas a ideia aqui da Teodiceia é por que que existe o mal no mundo especificamente. E o que eu sempre ouvi na igreja é que é uma ideia que tá refletida aqui, que é tipo, ah, o mal é ausência de Deus ou a distância de Deus. Então Quando você se distancia de Deus, você começa a— o mal começa a te afetar e não sei o quê, e o mal começa a ser produzido e blá blá blá.

Que é uma ideia mais ou menos aqui, né? A ideia aqui é que as pessoas que vão para o céu são as pessoas que amam a Deus acima de tudo, apesar de— porque apesar de nesse mundo ser óbvio que Deus existe, a lógica divina não é óbvia. Então tipo, as pessoas continuam sofrendo, as pessoas continuam morrendo, e morrendo inclusive por causa dessas interações com o divino.

?Voz B

Exato, é, tem uma hora que fala, exato, o anjo aparece. Então tipo, sei lá, 4 pessoas conseguem receber a cura, só que outras 6 recebem doença e outras 9 morrem. Exato.

?Voz A

E é nessa vibe que tem, que tem o Andrew Neufisk, porque o Neufisk não era crente, mas a mulher dele era crente. E aí, numa aparição de um anjo, a mulher dele acaba morrendo. Só que quem tava próximo fala para ele, ó, a alma da sua mulher subiu para o céu.

?Voz B

Eu não sei se o termo crente se encaixa, porque todo mundo sabe que Deus existe, né? Não é questão de crença, não é um amante de Deus. Exato.

?Voz A

É, vamos usar o termo, o termo mais antigo então. Ele não é um teossébeis, que é um termo que é usado nos Atos dos Apóstolos. Eles era basicamente tipo gentios que acreditavam no Deus de Israel também e iam no templo e tudo mais, pelo menos nos lados externos do templo. Mas enfim, ele não era, ele não amava Deus e a mulher dele amava Deus. E aí quando ela morre, ela vai para o céu e ele fica tchereca porque ele sabe que ele não vai para o céu. É, a mulher dele morre.

?Voz B

Agonizando. Exato, tipo, aparece um deus lá, estoura a janela, e os estilhaços vão tudo nela, e ela sangra até morrer.

?Voz A

Exato, gritando.

?Voz B

E aí ele vê a alma dela indo para o céu e tal.

?Voz A

Eles falam para ele que acontece, ele não tava lá, ele não tava lá.

?Voz B

Ah, tá.

?Voz A

Mas ele até fala, né, que Existem casos em que, por exemplo, o casal, um dos dois do casal morre e o outro fica vivo, mas aí a mulher descobre que o cara foi para o inferno e ela se mata para se juntar com o cara e tudo mais. Porque do jeito que é descrito não existe muita diferença entre o mundo dos vivos e o mundo do além, pelo menos no que é visível, que é o inferno, né? Quem vai para o céu fica imerso no amor de Deus, quem vai para o inferno fica distante do amor de Deus, mas se ele já é meio, não é ateu o termo, né, mas se ele já é meio distante de Deus no mundo dos vivos, não faz muita diferença para ele se não fosse o problema da mulher dele ter ido para o céu.

?Voz B

Aí é isso, o conto gira em torno disso, né. Ele, ele como não amante de Deus, ele precisa achar algum jeito de amar Deus de alguma forma para se reunir com a mulher. Ou mulher.

?Voz A

Exato. E aí tem um outro rolê, que ele tem uma deficiência física que ele nasceu com, mas todo mundo supõe que foi uma intervenção divina. E aí ele sempre sofreu bullying por causa disso, e o pessoal assume que ele tá sendo testado por Deus por alguma forma. Porque esse é o rolê, né? Aqui não existe mais a dúvida se Deus existe, mas existe a mesma dúvida que a gente tem aqui de tentar entender por que Deus fez X ou Y. Aqui até mais forte do que no nosso mundo, né?

?Voz B

Exato. Esse universo é tão absurdo de ruim que parece uma igreja evangélica all the time, tá ligado?

?Voz A

É, entendi. É a Lagoinha dos universos, é tipo isso. Mas é basicamente isso. Então ele, as pessoas vivem interpretando que ele deve ter sido testado por Deus, porque que nem existe uma personagem secundária, né? Porque os 3 personagens principais desse texto são o Neil Fisk, né, que é o principal mesmo, a Janice Reilly e o Ethan Meade. A Janice Reilly nasceu com perninha de peixe porque a mãe dela tava perto de uma visitação de anjo quando tava grávida.

E mas poucos dias depois, ele até, ela é claramente um foil, né, uma comparação para o Neil, porque ela podia muito bem ter ido para o lado de ter odiado a Deus e tudo mais, mas dias depois apareceu, teve uma aparição de parentes deles que estavam no céu para eles, para o pai e para a mãe dessa moça. Então eles viram aquilo como uma bênção ou com algum teste, alguma coisa assim. E aí por causa disso ela já cresceu tipo tendo confiança sobre aquilo e tal, não sei o quê, cresceu numa vida totalmente oposta ao do Fisk, que por causa disso cresceu, se tornou prefeito de Nova York e bate no Demolidor.

?Voz B

É, não é o mesmo Fisk, não é o mesmo Fisk.

?Voz A

Mas enfim, é tão comum nesse universo esses essas visitações angélicas que causam problemas, que ele acaba sendo colocado num grupo de apoio para pessoas que ou que foram afetadas diretamente ou que perderam pessoas nessa visitação específica. E aí ele acaba, é ali que acaba demonstrando esses vários tipos de pessoas diferentes, né? A moça lá que se mata para conhecer o marido, para voltar a ver o marido.

?Voz B

Dois tipos de grupo de apoio, né? Ele vai em um grupo de apoio que é, que é pró-Deus.

?Voz A

É, ele vai no, no do caso específico da mulher dele, e ele vai também num de caso específico de pessoas que perderam entes queridos por causa de visitações e tão putos. Exato, que é mais anti-Deus, né? Mas no caso específico da mulher dele, teve uma pessoa que virou o que eles chamam de sem olhos, né? Que basicamente quando o anjo entra e sai do universo normal Raios de luz, exato, raios de luz divina são visíveis. E se isso pega no olho de alguém, como diria sua mãe, tu vai pegar no olho, pega no olho, cega.

Ele não só cega como os olhos da pessoa somem como se nunca tivessem existido no crânio.

?Voz B

É tipo as órbitas deixam de virar órbitas, viram um treco de osso inteiro e pele.

?Voz A

E essas pessoas, por terem visto a luz divina, elas amam Deus incondicionadamente, elas entendem totalmente a lógica divina.

?Voz B

Ninguém sabe muito bem o porquê ou como isso acontece, tanto é que tem que falar até de um caso de um cara que claramente é para o inferno, tipo, acho que era um assassino e estuprador em série que tava escondendo o corpo de uma vítima e acabou vendo a luz E aí, quando ele foi morto na cadeira elétrica, a alma dele foi para o céu. Então ninguém sabe muito bem como é que funciona essa questão da luz, né?

?Voz A

É, mas aparentemente, independente do que você fez na sua vida, se você vê a luz, você vai para o céu.

?Voz B

É o direto, direto, diretão.

?Voz A

E pelo jeito que ele quer falar, todo mundo que vai para o céu fica nessa mesma vibe, só que sem ter um corpo, né? Essas pessoas ficam nessa vibe de amar Deus o tempo todo, no mundo normal, sem zóios.

?Voz B

E aí o Neil resolve juntar o útil ao agradável, né?

?Voz A

É, basicamente, primeiro é importante falar que numa visitação essa moça que tinha crescido sem as pernas e tal recebe as pernas de volta. E ela, a vida inteira dela tinha sido criada em cima do fato dela não ter as pernas. E ela era uma, uma, fazia discurso sobre isso, tentava ajudar as pessoas e tal. E aí do nada ela recebe as pernas de volta e ela fica sem entender se aquilo é um novo teste, se aquilo é uma parabenização por um serviço bom, bem feito.

Mas de qualquer forma aquilo vira a cabeça, a vida dela de cabeça para baixo, né?

?Voz B

É porque ela meio que perde o propósito, as pessoas param de levar ela a sério, né? Porque como é que, tipo, Uma coisa é você tá falando, sei lá, deficiência é só um teste de Deus, ou deficiência é uma provação para Deus te fazer mais forte e tal, quando você tem uma deficiência.

?Voz A

Agora, quando você tem, sei lá, tem um corpo normal, normal é um termo complicado, quando você tinha deficiência e Deus cura a deficiência a mensagem fica, se perde, né?

?Voz B

É, exato. Então, então a vida dela, ela até fala, né, se ela tivesse tido a oportunidade de mudar aquilo cirurgicamente, ela não teria feito, de tão crente que ela era.

?Voz A

Não é nem questão de crente, eu acho que é uma questão tipo, é a personalidade dela, identidade dela, que também uma principal das coisas, uma das principais coisas que eu sempre vejo o pessoal falando quando tem bagulho de fantasia ou de ficção científica é que o pessoal tem mania de sempre nesses universos curar as pessoas. Tipo, ah, ninguém tem deficiência nenhuma nesse universo, tá tudo curado e é isso. E as pessoas se incomodam porque isso apaga a identidade delas, né?

É muito mais, faz muito mais sentido as pessoas terem tecnologias de assistência, mas que ainda existem essas diferenças, do que você simplesmente falar tipo, ah não, todas as diferenças foram apagadas porque a tecnologia ou porque a magia, etc.

?Voz B

Faz sentido. Mas tem uma hora que ela fala também que se ela pudesse, ela teria dado essa cura para outra pessoa, não para ela, né, que merecesse mais, que quisesse mais.

?Voz A

Exato. E aí ela acaba encontrando com o outro personagem, né, o Ethan, que é um cara que tá procurando um sentido para vida dele, completamente tetel, que é um dos outros negócios, né, porque tipo assim, como nesse mundo aí tem tantas interações com o divino, parece que as pessoas meio que Focam o sentido da vida delas muito nisso, né?

?Voz B

Exato. E aí o Ítalo, ele sempre teve uma vida confortável, semediazinha ali, não sei o quê, mas sempre achou que ele tava destinado a mais.

?Voz A

É, ele queria sempre, que nunca fez nenhum vestibular, mas tinha certeza que se tivesse feito tinha passado em qualquer um que ele quisesse.

?Voz B

Entendeu? Aí eu com certeza, se eu tivesse prestado a USP, eu tinha passado, pô.

?Voz A

Eu não tenho tanta, eu não acho isso tão descabido quanto você, mas beleza.

?Voz B

Mas enfim, é, ele quer um propósito.

?Voz A

Ao invés dele tentar achar o propósito na família dele ou na esposa dele ou no trabalho dele, ele quer achar esse propósito maior, que ele sempre soube que ia ter um propósito maior. E existem certos lugares no mundo, né, que são lugares em que as aparições de anjos são mais frequentes. E aí os três, independentemente, aliás, dois, o Neil independentemente dos outros dois e os outros dois juntos, acabam decidindo ir para esse lugar.

?Voz B

O Neil na ideia de ser um procurador da luz, ele quer olhar para luz, porque já que todo mundo que olha para luz vai para o céu, ele quer olhar para luz e ir para o céu para achar a mulher dele, ficar junto com a mulher dele de novo.

?Voz A

O Gênesis quer ver se Deus realmente queria fazer isso aí mesmo, não foi um engano.

?Voz B

Ah, o anjo Malaquias aqui me entregou as pernas sem querer, era para ser para outra pessoa.

?Voz A

Puta merda, vamos lá, era para vizinha ter 4 pernas e eu fiquei com 12 e ela com 12. E aí o Ethan vai de beirinha ali.

?Voz B

É, ele quer, ele quer achar o dele, fazer o dele.

?Voz A

E aí o que acaba acontecendo é que no fim o Neil acaba à beira da morte, com a Janice consegue ver a luz, o Neil consegue ver a luz, só que quando ele morre ele vai para o inferno mesmo assim.

?Voz B

É, o Ethan vê a alma dele começando a subir para o céu, aí Deus fala não, não, não, não, não, não. Esse não, esse não.

?Voz A

E a outra lá volta a falar do— volta a ser pregadora, sei lá, volta a ser discursante, palestrante. Só que agora ela faz a mesma palestra que todos os que não tem olho faz, que é a luz divina, pipipi, popopó. E o Ethan também vira pregador, dessa vez falando que eles têm que acreditar em Deus apesar da justiça divina não fazer sentido. E usando o Neil de exemplo, enquanto o Neil em si tá lá no inferno agora, basicamente, apesar de ser a mesma pessoa, amando a Deus acima de todas as outras coisas.

Ele está no inferno, que é o pior lugar que ele poderia estar, justamente porque agora ele ama a Deus como todos, acima de todas as outras coisas. No inferno é o único lugar onde não tem Deus.

?Voz B

É o momento que ele tá mais próximo de Deus e mais longe de Deus ao mesmo tempo.

?Voz A

E mesmo Deus tendo sido cuzão com ele desse jeito, ele continua.

?Voz B

Mas interessante, o conto é muito interessante. O Ted Chiang escreve muito bem. O Ted Chiang é um absurdo. Parabéns, Ted Chiang.

?Voz A

Ele é um absurdo. Esse conto, primeiro de tudo, falaremos sobre isso mais para frente, mas apesar de tudo, esse conto me lembrou meio que um livro de Jó ao contrário, né? O livro de Jó. Você nunca ouviu falar tipo ter fé que nem Jó?

?Voz B

Não, já ouvi falar dos escravos de Jó.

?Voz A

O paciente que nem Jó. Ah, esse cara tem a paciência de Jó.

?Voz B

Nunca viu? Acho que já, acho que já.

?Voz A

É porque no livro de Jó basicamente tinha escravos, provavelmente, cara.

?Voz B

E ele jogava, ele jogava um caixangá.

?Voz A

Eles não jogavam caixangá, quer dizer, não sei, né, não tava lá. Mas o livro de Jó é basicamente é um um livro em que Deus tá lá com os anjinhos, e aí no meio dos anjos tem o Satã. Só que no livro de Jó, Satã parece ser tipo um título, tá ligado? Tipo, esse aqui é o meu anjo que testa as pessoas, é o adversário, é o adversário. E aí eles estão lá falando, aí Deus tá tipo, ó, tá vendo aquele maluco ali mó da hora? Jó, né? Ele gosta de mim para cacete.

Aí o Satanás fala para ele, ó, Ele só gosta de você porque a vida dele tá top, pô. Aí Deus fala para ele: é, então vai lá e acaba com a vida do maluco. Rapaz, vai lá, faz seu nome, você vai ver. Eu caso 10 conto aqui no chão que você vai acabar com a vida dele, vai continuar me amando. Que Deus legal! E aí o Satã—

?Voz B

mas essa ideia é interessante também, tá, de que Satanás faz o que Deus É basicamente, dependendo do texto, é isso que você tem.

?Voz A

Então eles são parceiros, é do mesmo jeito que a gente tem, por exemplo, no livro do Exu, a gente tem quando tem a morte dos primeiros, dos primogênitos, fala que Deus libertou, liberou o exterminador para matar a galera, né? É a mesma vibe.

?Voz B

Eu acho da hora, mano, eu acho da hora isso daí.

?Voz A

Mas enfim, e aí Satã vai, vai tirando um por um todas as coisas que são boas na vida de Jó. E mesmo assim, Jó continua amando Deus até o fim do livro. E aí, no final do livro, Deus presenteia ele por ter sido muito gente fina.

?Voz B

E é isso, vai poder subir aqui para o céu com nós.

?Voz A

Ele dá a família nova para ele, dá terra nova, dá tudo novo de novo, como se um filho substituísse o anterior. Mas enfim, é uma vibe meio que o Jó ao contrário aqui, né? Tipo, o cara não tem fé E aí a vida dele vai testando ele, e ele querendo ter fé, e a vida dele testando ele para ele continuar não tendo fé, né? E no final ele tem fé e não é o suficiente para recompensa.

?Voz B

Deus vacilão, Deus zoeiro.

?Voz A

Outra coisa que me lembra, tem um livro do Kierkegaard que chama Temor e Tremor. Acho que eu já te mostrei ele alguma vez. Que é sobre o Abraão e Isaque, sacrifício lá, né? E basicamente o Kierkegaard, ele fala que a ideia dessa passagem não é que Abraão— não é porque ele obedece porque ele acha que aquilo é moral, porque ele entende, mas justamente o que faz com que a fé dele seja tão genuína é o fato de que ele, apesar de não fazer nenhum sentido moral aquilo que tá sendo pedido, ele vai fazer mesmo assim, entendeu?

E aqui é a mesma coisa, né? Só que ao contrário, de novo, o Fisk, apesar de não fazer sentido nenhum para ele, ele tentar amar Deus depois de Deus ter levado a esposa dele agonizando, a única coisa boa na vida dele, ele mesmo assim tá numa sinuca de bico de que se ele não achar um jeito de amar Deus ele vai para o inferno e aí vai estar separado da esposa. É um texto que eu achei muito interessante, um conto que eu achei muito interessante, esse do Ted Chiang.

Os contos do Ted Chiang, quando em geral são muito bons, mas eu acho que os melhores trabalhos dele são justamente esses quando ele fala sobre religião, que eu acho que ele cria uns mundos bem interessantes para— ele faz a caixinha de areia dele ali e brinca do jeito que ele quer, né? É que nem aquele que a gente fez sobre que a gente fez sobre, sobre o universo em que todas as regras da Bíblia estavam certas, a do Gênesis, todos os que a gente já fez dele sobre religião.

?Voz B

Eu acho que são muito primordiais, da Torre de Babel.

?Voz A

Exato. Enfim, mas comentários, comentários?

?Voz B

Eu acho que a gente comentou, comentou bem. É que assim, O que a gente falou aqui não faz jus a nenhum dos 3 contos, tá?

?Voz A

Exato.

?Voz B

Então a gente comentou bem superficial, a gente falou um pouquinho, comentou um pouquinho em cima, mas eu acho que vale muito a pena vocês lerem.

?Voz A

Exato. Porque, cara, principalmente inclusive o do ovo tem uma animação com legenda em português no canal do Cursgesat. Que é bem bonitinha, que eu posso até deixar na descrição.

?Voz B

E esses 3 são facinho de achar também, só você escrever o nome deles no Google, você vai achar. Do Ted Chiang tá no Internet Archive.

?Voz A

É, tem no YouTube também, todos eles, todos os 3 têm lidos em inglês, né, mas tem todos eles lidos no Google. A última resposta talvez Também tem em português. Deixa eu ver, O Ovo tem, que eu tenho certeza. Tem essa aqui, ó, A Última Resposta também tem. Eu li, não, mas eu digo tipo lidos para, lidos para você no YouTube, tem O Ovo e tem A Última Resposta. Só não vai ter o do Ted Chiang em português, mas tem escrito em português, né?

O livro que contém esse conto tem em português. Inclusive, Da Sua Vida e Outros Contos, que é o nome do livro. A História da Sua Vida e Outros Contos, que é o nome do livro que tem esse conto e outros contos. Olha só, caro para cacete, mas tem na internet aí nos seus Pulo Flex. Tem aqui no Internet Archive, inclusive. E esse livro já tem, tem o Ator da Babilônia, que a gente já fez o episódio aqui. Tem 72 Letras, que a gente já fez episódio aqui.

Tem O Inferno é Ausência de Deus, que a gente tá falando agora. Tem o Entenda, que é um conto muito bom. Todos os contos que tem aqui: A Torre da Babilônia, Entenda, Divisão por Zero, História da Sua Vida, 72 Letras, A Evolução da Ciência Humana, O Inferno é Ausência de Deus, Gostando do Que Vê, um documentário. Todos esses contos são muito bons, então vale a pena. Tem no Internet Archive aqui em português. Só alegria.

?Voz B

Leiam, leiam, leiam, leiam.

?Voz A

Para finalizar, uma coisa que isso aqui me lembrou, e que talvez seja uma última leitura para a gente deixar como sugestão para galera, é um artigo curto que na verdade foi escrito primeiro e depois foi aumentado num texto maior. Mas não sei se já ouviu falar de um autor que se chama Peter Wessel Zapffe.

?Voz B

Acho que não.

?Voz A

Ele era norueguês, ele era tipo, ele subia montanha, ele era formado em direito e ele escrevia sobre filosofia.

?Voz B

E aí montanha aí é meio complicado, velho.

?Voz A

É, não, mas ele fazia isso de roupinha normal, não era de laranja não.

?Voz B

Ah, então tá bom.

?Voz A

E ele era fãzaço do Schopenhauer. E ele era antinatalista.

?Voz B

É um antinatalista, ele não gostava que as pessoas nasciam? Como é que é?

?Voz A

É, basicamente ele era a favor de todo mundo parar de ter filho, deixar a sociedade acabar porque a humanidade não era uma coisa boa.

?Voz B

Interessante.

?Voz A

E os principais, os principais trabalhos dele são o que eu vou recomendar, que é O Último Messias. E depois ele escreveu um tratado filosófico sobre o trágico, alguns anos depois. 8 anos depois, que é mais complexo. Mas esse, esse último Messias é um texto muito interessante que tem basicamente todas as ideias que ele colocaria lá, só que lá seria um pouco mais desenvolvida. E eu acho que cabe bem legal para falar sobre, meio que um pouco sobre, de certa forma, cada um dos 3 contos.

Porque que ele fala, ele usa para falar sobre o ser humano, ele usa como exemplo o o alce gigante. Ele usa o alce gigante, ou alce irlandês, Megaloceros giganteus, para usar como exemplo para falar sobre a humanidade. Que que ele— qual que é o sentido? Por que que ele vai falar sobre o veado gigante para falar sobre a humanidade? Porque ele conheceu o Eric, tá bom?

?Voz B

Que isso, cara?

?Voz A

Corta. Ué, ele vai usar porque que acontece, o O alce gigante, ele tinha uma— ele basicamente existia no mundo todo, no mundo antigo todo. Ele tava presente numa região gigantesca do mundo, e com o tempo e aí com a evolução, né, ele foi ficando cada vez maior. E os chifres dele, né, é um alce, né, ele tinha uns chifrão gigantesco. Ele basicamente podia ter quase 4 metros e meio de chifre, de chifre de um lado ao outro, sabe? De uma ponta do chifre até a outra ponta do chifre.

?Voz B

Da hora!

?Voz A

Só que acontece, ele, essa é a evolução, foi fazendo com que o chifre dele foi ficando cada vez maior, cada vez maior, cada vez maior, até que eventualmente o chifre dele, oi, perfurar seus próprios olhos. Não, não, não. É chifre de alce, né? Então é para fora, não é, ele não roda. Mas ele foi ficando cada vez mais difícil de se mover dentro do meio da floresta, né? Com pelo menos com agilidade. E com o tempo o chifre dele foi ficando, foi sendo menos, menos benéfico do que atrapalhando, né?

E aí eventualmente, por volta da mesma época que a gente começou a a se desenvolver mais, eles se extinguiram. Basicamente, ele, que o Zafe traz, é que se esse alce tivesse um jeito de cortar fora os próprios chifres periodicamente, quando eles ficassem muito grandes, ele poderia ter permanecido existindo por muito mais tempo e que essa evolução do chifre dele cada vez maior foi algo que a evolução foi incentivando, incentivando, incentivando, até que em um dado ponto aquilo não era mais uma vantagem, mas a evolução não tinha mais o que fazer.

Isso levou ao fim daquela espécie. E ele diz que o intelecto é uma evolução desse mesmo tipo no nosso caso. Que a gente foi aos poucos evoluindo cada vez mais intelecto, né? A gente, quando a gente se tornou bípede, o tamanho do crânio foi, a cabeça em si foi ficando maior justamente para fazer um contraponto, porque a gente perdeu, perdeu a cauda e tudo mais, e aí precisava de um contraponto para andar em duas patas. E isso permitiu um desenvolvimento maior do cérebro e tal.

Com isso a gente conseguiu cérebros maiores, isso foi sendo vantagem, nosso cérebro foi ficando maior, mais vantagem, maior, mais vantagem. E só que eventualmente isso começou a ser um problema. Só que como a gente não é um alce, a gente consegue cortar a nossa própria, o nosso próprio chifre. E aí é isso que a gente faz. E ele fala que a gente faz isso de 4 diferentes principais maneiras, que é isolamento, ancoramento, distração e sublimação.

Então ele fala basicamente que isolamento é de propósito você se desligar do que você, do que a sua consciência tá percebendo de destrutivo e do que você tá sentindo. Então o que ele fala basicamente, que é o problema de ter uma consciência tão grande, é que a gente tá consciente demais do fato de que a gente é temporário, de que tudo é temporário e de que o nosso corpo físico limita a nossa capacidade de existência. Então esse isolamento seria uma gente de propósito não parando para pensar nisso.

E aí os outros são cada vez mais complexos. Então o ancoramento é tipo isolamento, só que a gente usa alguma coisa externa ao indivíduo para fazer com que a gente não tenha que pensar nessas coisas. E aí ele fala que os principais princípios de ancoramento são Deus, a igreja, o Estado, a moralidade, o destino, as leis da vida, as pessoas e o futuro. Então quando a gente age de uma forma X ou Y porque a gente tá pensando no futuro da nação, no futuro da humanidade, ou tá pensando em Deus, ou tá pensando no que a igreja pensaria, ou tá pensando no que o Estado faria, ou na moralidade, numa bússola moral, alguma coisa assim, a gente tá fazendo um ancoramento.

Nessas coisas para fazer com que a gente esqueça de que nada disso faz diferença. Depois ele fala sobre a distração, que é basicamente limitar a nossa atenção, que é tipo um isolamento, mas basicamente pegar algo que não faz diferença para limitar a nossa atenção, para fazer com que a gente se distraia do fato de que a nossa mente sabe coisas que a gente deveria prestar atenção e não presta. Então, ah, você se distrai com as coisas do dia a dia e tudo mais para não pensar no fato de que um dia você vai morrer.

E aí tem a sublimação, que quando você pega essa energia negativa e refoca ela em coisas positivas. Ele até fala que isso é o que ele tava fazendo, porque ele pega essa energia negativa desse pensamento e ele transformava em trabalhos filosóficos, escrita, pode ser pintura, qualquer coisa assim. E aí basicamente o que ele fala é que A humanidade então ela só tinha dois caminhos: ou autoilusão, a gente continuaria podando pedaços do nosso cérebro que nem se os alces pudessem podar pedaços do próprio chifre eternamente para continuar existindo, ou autoextermínio, a gente pararia de se podar, perceberia que nada faz sentido e pararia de existir eventualmente.

E isso me lembrou muito desses contos, tipo, é uma energia que meio que perpassa os três assim. Talvez não tanto o ovo, mas o conto do inferno é a ausência de Deus, e o conto da última questão me lembrou muito, principalmente a última questão me lembra a última resposta, desculpa, a última questão é outro conto do Dois e Meio. Me lembrou muito esse conceito, porque é uma vibe muito tipo: o que trouxe a gente até aqui é a mesma coisa que vai fazer com que a gente não passe daqui, entendeu?

E esse artigo chama Último Messias porque basicamente ele diz que o nosso último e também o nosso primeiro Messias de verdade seria quem fosse capaz de fazer com que a gente não não usasse mais esses mecanismos para parar de prestar atenção nas coisas que importam e escapar. Então, basicamente, o último Messias seria o último Messias, porque, quer ver, ele até fala, vou até ler aqui no final, é dividido em 5 partes esse texto dele, mas é muito curtinho, papo de poucas páginas, posso mandar depois.

Se continuarmos essas considerações do nosso fim amargo, então as conclusões não estão em dúvida. Por quanto tempo, conforme a humanidade continuar prosseguindo de forma descuidada na delusão, na ilusão destinada de ser biologicamente, nessa ilusão de ser biologicamente destinada ao triunfo, nada de essencial vai mudar. Como conforme esses números vão se amontoando e a atmosfera espiritual fica mais grossa, as técnicas de proteção devem assumir cada vez mais um caráter brutal.

E humanos persistirão sonhando de salvação e a afirmação de um novo Messias. Mas mesmo quando muitos salvadores tiverem sido pregados em árvores e apedrejados em praças de cidades, então o último Messias virá. Então aparecerá um homem que, como o primeiro de todos, se desafiará a deixar a alma pelada e submeter-se vivo a ser o último da sua linhagem. A própria ideia de Doom, que é destino, mas ao mesmo tempo é tipo perdição, né?

Um homem que tem entendido totalmente a vida e o seu território cósmico, e cuja dor será a dor coletiva da Terra, que com gritos furiosos gritará Com quais gritos furiosos deverão as multidões de todas as nações gritar para a morte mil vezes, quando como um tecido sua voz fechar o globo e essa estranha mensagem ressoar como pela primeira e última vez? Aí a mensagem é a seguinte: a vida dos mundos é como um rio que que ruge, mas a terra é uma poça, e uma poça abandonada.

Os sinais, os destinos estão escritos na sua testa. Quanto tempo vocês chutarão contra as pontas de agulhas? Mas haverá uma conquista e uma coroa, uma redenção e uma solução. Conheçam-se a si mesmos, sejam inférteis e deixe que a terra seja silenciosa depois de si. E quando ele tiver falado, eles colocarão-se sobre ele, levados pela pacificação, pelos pacificadores e pelas— como fala a mulher que faz, que ajuda a criança nascer mesmo?

As amas. E o enterrarão sob suas unhas. Ele é o último Messias. Como filho, como filho e como pai, ele vem Ele vem do arqueiro próximo à poça. Enfim, essa última frase aqui faz sentido com outras coisas que estão lá em cima, não vou voltar a ler tudo isso, mas enfim. Então esse texto extremamente feliz, né, extremamente otimista do Peter Wessel Zapffe me lembrou bastante principalmente o texto do da última resposta do Asimov.

?Voz B

Perfeito, perfeito.

?Voz A

Eu não li ainda o trabalho mais novo, entre aspas, né? O Último Messias ele escreveu em 33 e o Sobre o Trágico ele escreveu em 41, mas eu não li o de 41 ainda. Mas basicamente diz que é uma expansão desse texto mais curto. Mas enfim, você acha que eu tô viajando? Você acha que faz sentido?

?Voz B

Legal, legal, acho bom, acho bom. Então é isso. Notas, a gente vai falar de notas?

?Voz A

Podemos. Na ordem que a gente fez foi a última resposta, depois o ovo, depois o do Xiang, né? Para última resposta eu daria um sólido 6,5.

?Voz B

Ah, eu ia de 6, mas eu tô aqui, 6,5. Vai, 6,5.

?Voz A

6,5, quase 9.

?Voz B

Esse meio ponto só porque ele escreveu O Eu, Robô, o filme. Não é dele, O Eu, Robô.

?Voz A

É, mas o filme não tem nada a ver com o livro dele. O livro é de contos, mas ele criou a ideia do robô contemporâneo praticamente, né, com as 3 leis da robótica.

?Voz B

Exato, foi só pelas 3 leis da robótica que ninguém tá seguindo mais.

?Voz A

Entendi. Aí depois o ovo, o que que você me fala?

?Voz B

Oitinho, oitinho.

?Voz A

Ah, eu acho, ó, tem 7,5.

?Voz B

7,5, tá bom, tá bom, tá bom.

?Voz A

7,5. E para o nosso amigo Xang, 8,5. 8,5, vai ficando, vai ficar aumentando um por um.

?Voz B

Óbvio então.

?Voz A

Não, pode ser 8,5.

?Voz B

Eu fecho.

?Voz A

Pessoal já tá cansado de saber que eu sou fã do Xang. A gente sempre intensifica ele aqui.

?Voz B

Todo, todo podcast de conto é só para babar o ovo do Xang. Exato, o ovo é do Weir, mas enfim, você entendeu.

?Voz A

Inclusive, se a gente for olhar aqui, ó, dos episódios que a gente fez sobre contos, o primeiro era do Luiz Fernando Veríssimo.

?Voz B

Ah, muito bom.

?Voz A

Depois a gente fez dois contos do Xang, Torre de Babilônia e Ônfalo. Depois a gente fez a comparação daqueles três com o da Le Guin, né, da Le Guin, da Jameson e da Kim. E aí agora voltamos para o Xiang e já tem outros contos do Xiang na agulha, tá? Perfeito, é excelente, filho, excelente. Semana que vem a gente vai para o livro de Reis, 1 Reis do 1 ao 4, beleza? E continuamos a historinha do Davi e dos seus descendentes, não é mesmo?

?Voz B

Salomão vem aí.

?Voz A

Salominho, famoso Salominho, jogava muito pelo Santos.

?Voz B

Então é isso, espero que vocês tenham gostado. Nós vamos ficar por aqui. Se você gostou, segue a gente nas nossas redes sociais, é @burrodebananaum em todas elas. Nós também temos um Linktree para facilitar sua vida, linktree.ee/burro-de-balão. Você pode seguir a gente também no Spotify para ficar por dentro de todas as nossas novidades e também dar 5 estrelinhas aqui no Spotify, que ajuda, ajuda muito, muito. Nós também temos um email, é burro-de-balão@gmail.com. Lá você pode mandar críticas, sugestões, elogios.

?Voz A

Você pode mandar a foto do seu Livro do Ted Chiang, pelo amor de Deus.

?Voz B

Perfeito, perfeito. Pior que aqui na minha frente tá o videozinho do ovo.

?Voz A

Que isso?

?Voz B

Eu tava tentando procurar qualquer outra coisa para falar. Eu ia falar isso, mas eu tava procurando qualquer outra coisa para falar.

?Voz A

Ah, é uma outra coisa que eu esqueci de falar. Em algumas existe o ovo cósmico, né? A ideia do ovo cósmico é uma ideia que realmente existe. No, o Brahman em algumas versões nasce de um ovo cósmico. Enfim, isso talvez eu quero mais para frente fazer episódios que eu ainda não tenho um título bom com D para continuar a tradição, mas eu queria fazer episódios sobre símbolos, que a minha pesquisa no mestrado foi sobre símbolos, né?

E eu acho que cabe talvez fazer um episódio sobre fogo, um episódio sobre água, episódio sobre ovo, sobre Enfim, então fiquem atentos aí, fiquem atentos aí para os próximos episódios de Burro de Cebolão. Exato. Mas enfim, o burrodebalao@gmail.com, que nem o Eric falou, também é uma chave Pix. Então se vocês quiserem mandar a partir de 1 centavo para gente, é só mandar lá. Tudo que vocês escreverem no canhãozinho a gente lê por aqui.

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E com R$50 ou mais por mês você vira um antipapa, que na nossa, que nem o nosso antipapa honorário Thiago Santinelli. E tem tudo que eu já falei, mas o seu nome nos meses citado, nos meses dos quais você assinar, certo? Então semana que vem a gente vai falar sobre 1 Reis do 1 ao 4. Espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje, espero que vocês gostem do episódio de semana que vem, espero que vocês gostem de todos os episódios para sempre. É isso, falou, adiós!

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