Acordo falhado na reforma laboral? Todos perderam
- Falha na reforma laboralConcertação social falhou · Dez meses de negociação · Perdas para a economia · Perdas para o governo · Perdas para os parceiros sociais · Derrota do Presidente da República
- Negociações laboraisCondução pelo governo · Desvalorização da OGT · Pressão política do Presidente da República · Discussão sobre a lei laboral portuguesa · Transformação em tema político · Licenças de maternidade e parentalidade · Outsourcing · Contratação a termo · Banco de horas
- Necessidade de reforma laboral em PortugalDados de desemprego e emprego · Nível de produtividade face à UE · Nível salarial face à UE · PIB per capita face à UE · Desemprego jovem face à UE · Mercado de trabalho segmentado · Flexibilidade do mercado laboral · Rotatividade de trabalhadores · Precários e jovens
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Olá, seja bem-vindo ao Mistério das Finanças. Estamos no final de uma semana que, na verdade, é o final de um longo período de cerca de 10 meses a negociar um código do trabalho e, no fim, António Costa nem um rato sequer pariu. Isto foi uma espécie de... Enfim, em vez de um acordo histórico, como o que se previa, foi uma gravidez histérica, porque afinal não havia nada. Exato. Bom dia, Pedro. Enfim, isto de facto foi um processo...
como um exemplo do que não deve ser um processo negocial. Chegamos ao final desta semana e o que tivemos não foi de facto Medusias um acordo histórico, mas um falha histórico. Porque foi anunciado... É um fiasco. Aliás, nós antes devíamos dizer aqui um bocadinho que isto seria, esta última fase que foi muito pressionada já pelo Presidente da República, que seria já uma perda de tempo e confirmou-se.
Sim, foi na 25ª hora. Eu acho que esta... Vamos lá ver. Eu acho que isto começou mal, não é? Da forma como foi conduzida pelo governo. O governo desvalorizou claramente a OGT. Acordou tarde para a realidade. Para a nova OGT. Para a nova dinâmica da OGT. E quando tentou recuperar o tempo perdido, já foi tarde. Mas o processo, apesar de tudo, sendo longo...
Não se pode dizer que não tenha sido alvo de negociação, caramba, das críticas que faziam de novo negociação. Ora, depois dezenas de reuniões, dezenas de horas de reuniões, e como te dizia bem, de um momento em que quase que se deu terminado a negociação, que foi antes da entrada em funções do Presidente da República, António José Seguro, o acordo, a discussão ressuscitou.
à conta da pressão política do Presidente. E houve até determinado momento a percepção, ou pelo menos a possibilidade, que afinal até poderia haver um acordo mínimo. Um acordo mínimo. Chegamos ao final desta semana e destes meses com uma primeira fase, porque, enfim, vamos ter Parlamento, já lá vamos, e vamos ter a oportunidade aqui no nosso mistério de discutir isso, mas nesta fase da consultação...
O único ponto, eu diria, minimamente positivo, que eu encontro neste processo, foi, de facto, a discussão sobre a lei laboral portuguesa. E, apesar de tudo, eu creio que foi uma discussão, às vezes, desinformada, outras vezes, mal informada, mas, apesar de tudo, foi posta na agenda política do país.
a necessidade de discutir a lei laboral. Qual é o senão desta discussão tão longa e, de facto, que é por ser um fiasco? É que o desgaste foi tanto, tantos meses de negociação.
que é esta de desavir tudo. A discussão transformou-se num cansaço em torno do tema. Sim, até porque deixámos de falar das medidas. Ou seja, isto que era supostamente um tema puramente económico, transformou-se num tema exclusivamente político. E nós até começámos a discutir por uma parte um bocadinho anedótica, nós já ao tempo falámos sobre isso, foram as licenças, o tema das mães, mas abusarem, não abusarem.
A parentalidade e a maternidade. Exato, e isso era uma parte endótica, no sentido em que não era muito representativa dos problemas reais nem das empresas nem dos trabalhadores. A culpa foi da ministra naquela altura, porque demasiada importância é isso. Mas, enfim, começamos a falar de temas. E nós aqui, por exemplo, fomos falando muitas vezes temas como o outsourcing.
Mas não pode uma empresa, no âmbito da sua liberdade de gestão, trocar um departamento interno pelo outsourcing de uma empresa externa? Na minha opinião, sim. Acho que deve fazer parte da liberdade de gestão de uma empresa. E a OGT diz que não, e o Partido Socialista é contra. Mas isto é uma discussão...
É mais do que técnica, é uma discussão sobre conceitos económicos e é válida. Ou por exemplo discutir, bom, mas Portugal precisa de facto de reduzir o prazo máximo de contratação a termo de 3 para 2 anos, ou melhor, ampliar de 2 para 3 anos.
Também é uma discussão que faz sentido. Agora, nós deixámos de falar neste pêndulo entre competitividade das empresas e direitos dos trabalhadores e passámos a falar de o GT versus CIP, Chega versus PSD, que claro que faz parte. Belém versus São Bento. E faz parte e tudo bem. Mas deixávamos de falar, ou seja, se pensámos nas empresas.
e pensámos, os trabalhadores, o que interessaria a uma empresa seria, bom, então... As condições, de fato. Que condições de competitividade é que eu tenho acrescidas, ou que cedências é que eu tenho que fazer em função delas. E isso é o que faz sentido, porque as empresas, de facto, quer dizer, sem querer estourar aquela conversa da criação de valor, etc. Mas, quer dizer, as pessoas, os setores das empresas, os diretores das empresas... ...你说 as pessoas, as pessoas, as pessoas, as pessoas, as pessoas, as pessoas... ...你说 as pessoas, as pessoas, as pessoas, as pessoas, as pessoas...
O que querem saber é, bom, mas vai haver ou não banco de horas? Porque eu preciso de preparar um próximo ano ou um próximo ciclo de produção em função disso. E depois lá está, estamos sempre a voltar ao princípio que é neste país nada é estável, tudo é instável e é muito difícil investir e tomar decisões no cenário. Eu acho que justifica este mistério especial dedicado à lei laboral, porque de facto, para um lado, porque politicamente era a grande bandeira do governo.
O Governo começou por falar muito da reforma do Estado, mas, na verdade, a reforma da lei laboral transformou-se na grande agenda política do Governo e identificada como uma das duas ou três principais condições para o aumento da produtividade e da prosperidade do país. O ponto de partida que vale a pena recordar, porque já nos recordamos até 10 meses, é se precisamos ou não de uma nova lei laboral.
Tendo em conta, digamos, uma análise apenas aos dados do desemprego, poderíamos dizer que não precisamos, temos um desemprego de 5%, menos 5%, andamos a desemprego historicamente baixo e uma taxa de emprego historicamente elevada, nós poderíamos dizer que não precisamos de uma nova lei laboral. Mas, se olharmos para o nível de produtividade...
face à média da União Europeia. Se olhamos para o nível salarial do país, face à União Europeia. Se olhamos para o PIB per capita, face à União Europeia. Se olhamos para o nível de desemprego jovem, face à União Europeia. E para um mercado de trabalho absolutamente segmentado entre quem tem muitos direitos e quem não tem direitos nenhums.
é evidente que nós precisamos de um mercado laboral, de uma lei laboral diferente. Há um segundo ponto que eu acho que é importante e que vale a pena recordar, porque é o contexto para o Estado a que chegamos.
O que é que é uma flexibilidade do mercado laboral? Ou uma lei laboral que lhe garanta flexibilidade? Mário Centeno, numa conferência do ECO, desmentia a ideia de flexibilidade, de rigidez, dizendo que já somos muito flexíveis, porque há uma rotação elevada de trabalhadores e de contratos de trabalho. Ora.
Eu tenho que discordar, apesar das competências que esteve na Fés de Mário Centeno, especialmente nesta área, porque rotatividade e flexibilidade não são a mesma coisa. A rotatividade está-se a fazer à conta dos precários e dos jovens. E às vezes sobrepõe-se, outras vezes nem tanto. A flexibilidade é outra coisa. E para mim, eu se isto batizo, a flexibilidade nisto. A capacidade das empresas de ajustarem.
salvaguardando os direitos dos trabalhadores, ajustarem a sua força laboral aos ciclos económicos. E terem capacidade de, em cada momento, é evidente que uma flexibilidade absoluta põe em causa o desenvolvimento de direitos básicos. A empresa diz, vai, eu não tenho negócio amanhã, despeço hoje e contrato depois amanhã. Isso não é possível. Mas o banco de horas, no fundo, é uma resposta. É uma resposta a isso. O outsourcing é uma resposta a isso.
A Ministra do Trabalho trouxe um conjunto e os indicadores da OCDE mostram, servem para muita coisa, também serviram para isto, Portugal não tem uma lei liberal flexível, pelo contrário das mais rígidas dos países da OCDE, mas isto tinha um conjunto de medidas, de propostas, que transformando ou dando maior flexibilidade à gestão da força de trabalho.
quanto a mim, beneficiaria também os próprios trabalhadores, porque isso cria, digamos assim, capacidade de pagar melhor e de ajustar melhor em cada momento a sua atividade e a sua operação. Chegados aqui, e até com as excedências, que quanto a mim ainda não estão absolutamente claras, da SIP para tentar um acordo... Tudo no final, Grisói.
Pouco ficou que dê mais flexibilidade ao mercado de trabalho. Pouco ficou. A não ser que no Parlamento há reforma, que já não é reforma, mas se for desmembrada em diplomas e se eles sejam avaliados individualmente, creio que o governo não tem muita vontade de fazer isso. Mas ainda antes de chegarmos ao Parlamento, vamos olhar para esta proposta da SIP e para a OGT.
Ou seja, parece-me claro, eu concordo que o Governo cometeu aqui alguns erros, acho que houve sobretudo uma arrogância argumentativa e houve um erro básico. A arrogância argumentativa é porque quase nada é sustentado em estudos. E quase tudo é um, eu acho que...
mas sobretudo houve um erro básico de negociação que é de facto nenhuma daquelas medidas era favorável aos trabalhadores e portanto não havia equilíbrio mas a Ministra assumiu isso do princípio porque assumiu que a lei laboral é desequilibrada a favor dos trabalhadores e portanto é preciso reequilibrá-la a favor das empresas mas claro que para quem vai para uma negociação e não tem nada para dar
só tem a exigir, se junto nomeadamente dos representantes dos trabalhadores, claro que perde capacidade de negociação. Agora, é verdade, como tu dizias, que o Governo deu muito tempo para dialogar e dialogou. Isso deu muito. E deu. Isso deu mais ou menos isto. Isso deu mais ou menos isto. Deve dizer, até para mim, surpreendentemente. Agora, chegamos aqui e temos no final, a ideia que fica um bocado, foi que a ideia que o Governo quis passar,
E eu acho que há argumentos para discutir isto. Essa UGT alguma vez esteve disponível para qualquer que fosse. Esse é o primeiro ponto. E a segunda é a da CIP. Porque a CIP aparece, sobretudo no final, e no final foi agora há dois dias, com, bom, nós estamos dispostos a ceder, e de repente, quase que cedem tudo. Estamos dispostos a ceder no outsourcing, estamos dispostos a ceder no banco de horas, e até admitimos ceder no tema dos contratos a termo. E aí
Portanto, de repente, estava... E o que é que acontece? Nem sequer... Isso foi a negociação, a proposta da SIP. A proposta da SIP foi um faz de conta. Para a SIP deixar marcado, mesmo no fim, que não foi por causa da SIP que isto não se fez.
Ou houve uma estratégia qualquer que eu não consigo vislumbrar qual é, porque no fundo eu creio que esta proposta que não chega a ser negociada deixa mal o Governo. Porque às tantas o Governo parece que está a defender e a cismar em propostas que nem a CIP queria, os representantes dos patrões. Portanto, como interpretar por um lado a OGT e por outro lado, enfim, a inflexibilidade, digamos assim, da OGT, e por outro lado o excesso de flexibilidade da CIP no final quando ela já não serviu para grande coisa.
Sim, é de facto difícil perceber esta estratégia da CIP, porque não se percebe bem a quem beneficia. A não ser que estivesse articulada com o Governo, e não estava. Que a própria Ministra disse que não sabia. Não estava. Estaria articulada com o Presidente da República? Isto é, teria resultado de algum entendimento da CIP com o Presidente da República para...
garantir o que para mim já não fazia grande sentido, que é, vamos ter um acordo qualquer que ele seja, o importante é ter um acordo. Mas é possível, porque nós próprios aqui dissemos... A República fez muita pressão. Fez sobretudo junto do lado da UGT. Mas pode ter feito, isso é legítimo, que tenha feito junto da CIP. Mas nesse caso, então, repara, como é que...
Entidades estão do mesmo lado, Governo e CIP. E, se for o caso, Presidente da República e CIP, estão completamente desarticuladas entre... E pior, Pedro, porque a CIP, há dois dias, portanto, foi nesta reta final, já não é na 25ª hora, na 26ª ou na 27ª, decidiu romper com uma frente que era coerente e, digamos, unida.
das confederações patronais. As próprias confederações patronais, as outras, não estavam alinhadas com a CIP nesta proposta. Aliás, público e notório, e algumas vezes privado, que o turismo, o comércio, até a agricultura, mas o turismo e o comércio, estavam muito desconfortáveis e admitiam até não votar.
a proposta da CIP. Portanto, no absurdo, até teríamos potencialmente um acordo entre a OGT e a CIP sem essa GTP e sem as outras confederações patronais, o que era uma coisa também nada abstrusa depois. Mesmo isso, isso significa que de um lado havia coesão, o GT, a CGTP, o Partido Socialista, o PCP, enfim, desse lado a coesão também foi cega, não é? Não nos cedemos em nada. Mas do outro lado que era o que queria mudar...
não houve sequer articulação. No final, não houve entre a CIP e o Governo, não houve entre a CIP e outras entidades. Sim, e outras confederações. Portanto, um lado que está desunido não pode obviamente ganhar. Não, não pode. E portanto, eu às tantas chegava à conclusão de que é melhor não haver acordo. Porque mesmo o acordo, porque isso percepinha, portanto, isto agora vai para o Parlamento. Mesmo que houvesse um acordo.
mínimo, que já deixou o conceito de reforma muito para trás, mas um acordo que salvasse politicamente até o governo da existência de um acordo político em concertação.
não livraria esse acordo de alterações muito profundas no Parlamento. Claro, no Parlamento há outras forças, há outras dinâmicas. Há o Chega, que quer mais seriedade da reforma. Portanto, há outras dinâmicas que fazem com que um acordo qualquer na consultação nunca teria, digamos, a garantia de que...
que estava imune a alterações profundas e que até pudessem pôr em causa a natureza e o espírito do acordo inicial em sede de concertação. Portanto, isto foi tudo um processo, de facto, ainda do ponto de vista político, muito desgastante.
e que, pelas consequências que teve, eu creio que, infelizmente, retirou margem para o país mexer na lei laboral nos próximos anos. Porque está tudo muito cansado. Mesmo as empresas, nós podemos admitir que muitas empresas, as empresas, digamos, olhar para os seus planos de negócio, para as suas decisões, na expectativa de, não vou mexer já, porque... Toda virá-los, agora.
E de repente, ao fim de 10 meses, não há. E diz, epá, isto é demais. Estive 10 meses aqui à espera que vai ser alguma coisa e afinal não há. E agora isto ainda vai para o Parlamento. Ainda pode mexer no Parlamento, que também ninguém sabe. É pouco provável, mas devia. Portanto, o desgaste político deste processo, eu acho que impede qualquer reforma de incidência desse nome no mercado liberal, que precisava de facto de uma reforma.
E será que o desgaste já acabou? Ou seja, nós agora passamos para o Parlamento. Sim.
que era provavelmente onde já devíamos estar há muito tempo. Ou seja, o Governo, sem acordo, vai confrontar os partidos do Parlamento sobre se aprovam ou assumam, que no fundo é aplicar a receita que o Pedro Passos Coelho deu numa entrevista que te deu a ti, uma entrevista ao ECO, quando defendeu que o Governo devia levar todas as suas intenções políticas ao Parlamento.
para testar, para confrontar a oposição. E para a oposição ficar com o ônus das suas próprias decisões, que no fundo é o que vai acontecer agora. E aquilo que muito provavelmente vai acontecer é o PS vai estar contra e o Chega pôs uma condição que é uma condição inultrapassável. E eles sabem que é a decisão da reforma que é um dos maiores disparates que eu ouvi nos últimos anos na política portuguesa. E é um dos maiores disparates num momento inconcebível, desculpa o parênteses.
Porque André Ventura neste momento é líder da oposição. Portanto, nós não podemos encolher os homens ah, isto é o Chega a falar. Não, ele é líder da oposição. Ele tem uma responsabilidade adicional de fazer propostas sérias. Isto é uma proposta não séria. Ele sabe que é impossível. E do ponto de vista político, para voltar aqui ao nosso tema, ele no fundo colocou uma condição que sabe que nunca na vida pode ser cumprida.
Portanto, ou ele recua, e quando ele diz uma coisa, ou faz uma proposta destas, é porque não quer recuar, ou o Governo não vai conseguir aprovar nada com o Chega, ou então o Chega vai encontrar, isso também não seria a primeira vez, vai fazer um flaco à retaguarda e encontra uma outra maneira de sair disto. Mas há alguma, na tua opinião, ou na tua análise, alguma hipótese de, no Parlamento, este pacote ainda passar? Não, não creio.
Não creio. E o que vier a passar, infelizmente, será mais do que mínimos. Será, digamos, eu creio que o governo já está na fase de análise puramente política. Portanto, a ideia original bondosa e necessária.
que a economia portuguesa precisa de um choque laboral para contribuir, não isoladamente, concordo contigo, porque isto sozinho, sem mais, não aumenta a produtividade por si só, obviamente, mas que serviria para complementar um conjunto de decisões, para aumentar a produtividade, para que isso permita aumentar salários.
Já ficou para trás. Eu acho que nesta fase os agentes políticos, e a resposta do Chega, aliás, a isso tem a ver com isso. Esta proposta tem a ver com isso. Tem a ver com o resultado político desta negociação e quem fica bem e mal. E nós estávamos aqui a fazer uma avaliação política e perguntamos alguém saiba aí disto? Olha, até puderes fazer outra coisa. A resposta é não. Na minha opinião e na tua também. Ninguém ganhou.
nem politicamente, nem lá está economicamente e isso é o mais dramático porque como tu dizeres há tantos anos ninguém se está a pensar nas empresas tu estavas a dar o exemplo de qualquer empresa que tenha um investimento ou uma operação ou uma operação sendo que nós estamos sempre a falar na necessidade de investimento ou na falta dele e no investimento estrangeiro e na falta dele
As empresas portuguesas, enfim, ainda têm um certo enraizamento natural com o país, uma multinacional. Quando se está a escolher, bem, vamos para Portugal, ou vamos para a Espanha, para Marrocos, ou para não sei onde, vamos estudar o mercado. Qualquer pessoa que faça um estudo do mercado português vai pôr lá nos riscos...
a incapacidade política ou a instabilidade política, por o que quer que seja. Mas olhando para nós gravarmos por fazer este mistério de hoje, especial sobre este tema, pela sua importância não só política, mas também económica, e podemos então...
Dar as nossas moedas, nós todas as semanas estamos a boa e a má moeda. Podemos distribuir moedas aqui, eu acho que vão ser todas mais. Mais, mais melhores que outras. Eu proponho que eu faça um par e tu fazes o outro. Eu começo pela análise da Primeira Ministra e da Ministra do trabalho, depois tu fazes da UGT e da SIP e depois ainda deixamos. Em relação à Primeira Ministra e à Ministra, é claro que neste, precisamente, ou seja, ainda há hipótese de haver de repente um coelho de uma cartola e a Mano não esteja a ver nem que coelho, isto não é nenhuma boca ao passo de coelho.
Nem que coelho é que possa surgir, nem que cartola é que está em que cabeça. Mas, até agora, e é o mais provável, claro que isto é uma má moeda para os dois, é uma derrota para os dois. O Primeiro-Ministro tem falta de reformas para apresentar. Eu recordo que quando ele fez aquele vídeo dos dois anos do governo, ele disse que a grande transformação que ele tinha para apresentar é o anúncio do novo aeroporto.
Ora, parabéns, mas aquilo é só uma folha de rosto de reforma nenhuma. Para já. Para já ainda não é nada, portanto quem diz isso é que não tem mais nada para apresentar, e eu até acho que ele fez mal, que dizia ter apresentado a reforma da imigração, mas enfim, para quem tem um discurso de transformação política, para quem diz como ele diz, governar é transformar. Passaram dois anos, isto é um flop, é um fiasco absoluto. Para a ministra a mesma coisa, porque a ministra ainda por cima...
isto é uma ministra muito determinada é uma ministra que quer fazer, que desde o princípio quis fazer, e o que ela mais queria fazer era isto, tanto que ela tinha a ministra tinha este dossiê pronto muito cedo, portanto claro que para quem pôs tanto do seu investimento político neste processo é óbvio que é uma má moeda no sentido em que não conseguiu o GTI CIP, António que moedas é que traz? olha, eu tenho duas más moedas uma pior que a outra
Verdadeiramente percebe-se, da forma até enviesada com estas últimas cedências da CIP, que a UGT nunca quis um acordo. Nunca quis um acordo. Verificou-se ao longo do tempo sucessivas barreiras e, já não nos lembramos, mas quanto a proposta da UGT à negociação tornava a legislação mais rígida do que ela era hoje.
com redução do horário de trabalho, com aumento de idade de dias de férias, com medidas que punham a situação numa situação pior depois da flexibilidade do objetivo, queremos ou não uma economia mais flexível, face ao que tínhamos.
Eu não tenho claro se é o PS que tem assim tanta influência junto da UGT para impedir um acordo. São as dinâmicas internas da UGT, porque também é preciso dizê-lo, mesmo as tendências social-democratas da UGT que estiveram ao lado do veto a este governo. O voto foi de unanimidade e vai lá os trabalhadores sociais-democratas. Sociais-democratas e até a gente próxima do atual PSD, portanto.
A UGT, eu creio que, fica deste processo, apesar destas insinuações de negociação, como um sindicato, como uma confederação sindical muito mais próxima do que a narrativa da CGTP, mais partidária, digamos assim, e de intervenção partidária. Eu não excluo desta discussão o período eleitoral da própria UGT.
Estavam marcadas as eleições para março, foram adiadas para outubro. Há uma dinâmica interna política e os candidatos de Santo JT também têm mercado eleitoral. Também têm que responder o seu mercado. A CIP foi, digamos...
assumindo aqui e ali o papel de, digamos, de avançado do governo para a negociação, para tentar desbloquear, é para mim incompreensível esta última semana. E, portanto, as cedências...
que acabou por fazer, matando, digamos assim, estraçalhando literalmente o que era uma reforma, estando disponível para isso, para anunciar uma reforma, são incompreensíveis, eu diria, em primeiro lugar, para as empresas e associações associadas da CIP.
Então vamos dar a última moeda, enfim, acho que não precisamos de falar de André Ventura, porque também ainda não chegou parte dele, mas no Parlamento e do Partido Socialista. Embora, por aquilo que já disse, André Ventura merece má moeda pela sua proposta absolutamente populista e impraticável de ter a realidade de reforma, mas vamos fechar então com António José Segura.
não é ainda certo, mas só para lembrar perdeu ou ganhou sendo que a ministra tem tentado dar uma saída a António José Seguro que é, bom, mas ele disse o que ele disse na campanha eleitoral foi que vetaria o Código do Trabalho se ele chegasse sem acordo de consorção social a Belém, mas era aquele anteprojeto, hoje já não é o anteprojeto portanto a ministra está a tentar criar um caminho para que António José Seguro diga não, não, aquilo que ele disse que vetaria já não existe agora é outra coisaこれойこれ
Claro que não é verdade no sentido, claro que o projeto é outro, mas não é verdade no sentido em que o Presidente da República, na altura candidato disse, foi que vetaria qualquer coisa que não tivesse o acordo da Constituição Social, coisa que não existe. Vamos ver se isto sequer chega a boi. Mas aqui chegados, neste precisamente, se o processo acabasse hoje, tal como está, e apesar de tudo a probabilidade é que acabe como está, como agora estamos, qual é a moeda de António José Segura, ou seja, ele tem alguma escapatória que não seja uma derrota?
Infelizmente creio que não. Vamos lá ver. É sempre, talvez, injusto reduzir isto a vitórias ou de rotas. Sobretudo para um parceiro que não esteve à mesa das negociações. Isto é, não só porque chegou muito tarde, porque obviamente a eleição foi só em janeiro, mas porque a força da palavra do Presidente fez-se ouvir. Isto é, o Presidente fez pressão para que houvesse...
reabertura das negociações e elas ocorreram. Houve mais cedências, primeiramente a parte do governo e da CIP, até, como eu dizia há pouco, incompreensíveis quanto a mim, do ponto de vista do propósito e dos objetivos de uma confederação empresarial.
Mas eles existiram. Portanto, o António José Segura pode dizer a seu favor. Eu entrei no jogo e usei a minha influência para esgotar todas as possibilidades do acordo. E a parte boa é a boa moeda. Onde é que está a má moeda nesta avaliação? É que a verdade é que também se comprometeu com o resultado. Ao envolver-se desta forma, tão presente, de forma tão interventiva,
também acaba por ser corresponsável, embora não esteja a estar à mesa das negociações. O próprio chegou a dizer ainda há dias eu estou a influenciar, estou a pedir para dialogar, para haver um acordo, é bom para o país, mas eu não estou à mesa das negociações. É verdade, mas ele não esteve sentado à mesa das negociações, mas esteve na sala ao lado. E esteve a tentar, digamos, influenciar as negociações de uma sala onde não estava sentado.
Com falhanças, noticiações, obviamente que eu acho que isto pode ter sido para o próprio e uma aprendizagem da forma como pode ter algum tipo de intervenção nos dossiês e nós sabemos, no parênteses, vem aí a saúde e é talvez ainda mais difícil do que o código laboral. Portanto, enfim, eu valorizo por um lado, não quero ser injusto em dizer se está sempre só numa má moeda, valorizo o esforço e a capacidade de ter posto
os parceiros e o governo e obrigar literalmente o governo a voltar à mesa das notificações, acaba por ser corresponsável pelo falhanço. No fundo há aqui um paradoxo que é se o processo depois de fracassar em consideração social também fracassar no Parlamento, o que é mais provável ele já não chega a blanco. E de alguma maneira salva António José Segundo. O fracasso no Parlamento acaba por ser um plano de salvação para António José Segundo. A melhor solução para não haver um primeiro confronto certo?
E uma de ser muito difícil do Presidente depois do que disse na campanha. Aliás, se todos perdem, e neste momento todos perdem, também não há um derrotado claro. Enfim, há a economia portuguesa. Exato, ponto é esse. As empresas, enquanto também os trabalhadores portugueses. Notório, ficamos por aqui. Muito obrigado também por ter estado desse lado. Até para a semana. Até para a semana, Pedro. Descarrega já a app Millenio e descobre todas as funcionalidades que fazem a tua vida evoluir. Sabe mais em mileniobcp.pt Millenio. Aqui consigo.
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