Episódios de Economia Descomplicada - Rádio Morabeza

Balanço das resoluções para 2026

07 de maio de 20269min
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No episódio desta quinta-feira de “Economia Descomplicada”, Carlos Graça, gestor da BTOC Cabo Verde, aborda o balanço das resoluções para 2026.  

Participantes neste episódio2
N

Nuno

Host
C

Carlos Graça

ConvidadoGestor
Assuntos2
  • Expansão EmpresarialOrçamento e indicadores · Tesouraria e previsibilidade · Separação de finanças pessoais e empresariais · Disciplina e rotinas de gestão
  • Literacia financeira em PMEsTomada de decisão baseada em números · Evitar gestão por 'achismo'
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Agora vamos fazer uma ligação à cidade da praia, onde está o Carlos Graça, gestor da Betoc Cabo Verde, para mais um Economia Descomplicada, o nosso espaço habitual neste horário às quintas-feiras. Carlos, bom dia.

Bom dia, Nuno. Bom dia aos ouvintes da Rádio Maraventura. Ora, estamos em maio e no início do ano, Carlos, fizemos um conjunto, vamos chamar assim, de resoluções empresariais. Estabelecemos metas, falámos sobre a importância de estabelecer metas e de mudar algumas práticas. Uma espécie de, na minha empresa, em 2026...

Eu quero. E definimos decisões sobre orçamento, indicadores, tesouraria, separar finanças pessoais de finanças da empresa, a importância da criação de uma disciplina. Vamos fazer aqui um balanço dos primeiros meses do ano, falando, por exemplo, sobre orçamento e indicadores.

Exatamente, nós no início de janeiro lançámos aqui um desafio às nossas empresas, a quem nos ouve aqui na Rádio Moraveza, que era exatamente passar, fazer este conjunto de resoluções para 2026 e entendemos que era oportuno, agora que já estamos no meio de mais, olhar um pouco para trás, passar de quatro vezes e perguntar, do eu quero, o que é que aconteceu até hoje?

E é exatamente isso, porque a ideia que transmitimos no início de janeiro não era a questão da dificuldade em ler os números e a literacia financeira associada a eles, mas era ter pelo menos saber ler os números básicos do negócio para tomar melhores decisões. E, portanto, em maio já faz sentido começar a fazer essas perguntas.

A relembrando que nós tivemos aqui várias questões relacionadas com aquilo que são as habituais dores das pequenas e médias empresas, não é? Portanto, aquilo que é a gestão feita com base na sensação, achamos que no achismo, como muitos dizem, não é? E muitas vezes aquilo que era a mistura das contas da empresa com as contas pessoais e a falta de informação. E, portanto, olhando agora para trás, nós começamos a fazer...

digamos que o filme destes quatro meses e identificámos aqui alguns blocos essenciais que tínhamos na altura mencionado por exemplo a questão do orçamento anual na altura dissemos que queríamos ter um orçamento anual e a pergunta agora é temos esse orçamento? Existe ou está apenas na nossa cabeça? Será que eu em cada mês consigo ver aquilo que estava planeado e o que está a acontecer? O que é que é necessário fazer?

Que decisões é que eu tomei com base nesse orçamento que foi feito? E, portanto, isto são algumas questões simples que é preciso revisitar, porque aqui sabemos que é importante ter uma disciplina do acompanhamento. Portanto, a criação de um orçamento, a criação de indicadores simples que se possam olhar.

de uma forma rápida para monitorizar a saúde da empresa, serão importantes. E, por exemplo, aqui neste ponto, diria que ter um dia específico em cada mês para olhar para estes pequenos números e definir o que é que aconteceu e o que é que eu tenho de estar na rota.

Falemos também de outra questão importante, da qual temos falado várias vezes, falámos no início do ano, que é a questão da tesouraria e da importância dos 30 dias de antecedência. Ter tesouraria que não seja para aquele dia, para o dia-a-dia, não é? Ter alguma previsibilidade.

Exatamente, portanto nós temos falado várias vezes na questão da tesouraria, que é o, digamos que, é aquilo que mata boa parte das empresas, a sua grande maioria, morre por a questão da falta de dinheiro para manter as operações. E portanto aqui mais uma vez o desafio que lançámos foi ter o mapa da tesouraria com 30 dias de antepensio. Para quê? Para não ser apanhado surpresa. Pergunta mais uma vez.

Ainda sempre somos surpreendidos a meio do mês e sem dinheiro, por exemplo, para pagar impostos, para pagar fornecedores, no final do mês para não pagar salários. Será que já se conseguiu, dentro da organização, dentro da empresa, ter essa regularidade de a cada mês ter uma projeção para os próximos 30 dias? Portanto, isso dá uma vantagem competitiva à empresa porque a empresa antecipa algum.

risco, que possa haver em termos de tesouraria, por falta de pagamento, por exemplo, de um fornecedor, mas simultaneamente há uma capacidade negocial para falar com fornecedores e outras entidades, por exemplo, para negociar prazo de pagamento, ou onde se está a cobranças, ou adiar uma despesa por uns dias. Aqui também, mais uma vez, se a resposta é não tenho mapa nenhum, a questão é simples, é mais uma vez escolher um dia, por exemplo, da semana, todas as quartas-feiras, quintas, o forno.

15 minutos e dizer assim, deixam de ver a tesouraria para os próximos 30 dias. E posso dizer, até muitas vezes por experiência própria, que aí deixamos, começam o fim das surpresas, porque nós começamos a planear.

passemos para outro ponto também importante, do qual também temos falado várias vezes, e falámos no início do ano, e é esta meta de criar aqui uma separação entre contas pessoais e contas de empresas. Isto é particularmente importante em pequenas empresas, empresas familiares, unipessoais, este tipo de negócios. Sim, mais uma vez gostamos de revisitar aqui vários tópicos, temos falado ao longo destas nossas conversas,

E esse é mais um deles. Portanto, é importante manter a separação entre a empresa e a vida pessoal. Ou seja, nós temos de saber exatamente o que é que a empresa gerou, nós temos de saber exatamente o que é que eu retirei, retirá-me enquanto sócio, enquanto trabalhador da empresa.

Até para perceber se a empresa é sustentável, não é? E, portanto, se nós não temos também essa separação, na altura até dissemos da criação de contas perfeitamente separadas, em que uma coisa é a conta da empresa, outra coisa é a conta pessoal, e, portanto, aqui o desafio também para este semestre era já têm as suas duas contas abertas, já têm um valor fixo mensal para retirar como salário.

Já definiu que é proibido misturar as duas coisas. Portanto, digamos que estamos a revisitar essas matérias, mas que são fundamentais para conhecer o funcionamento da empresa e dar-lhe a saúde financeira que ela necessita para continuar a crescer.

Esse ponto que tu frisaste é muito importante, não é? De tudo isto que temos estado a discutir, talvez este seja o ponto em que mais gente, principalmente quem tem pequenos negócios, falha, não é? Utilizar a conta da empresa para satisfazer ou para responder às necessidades pessoais e familiares, não é? E depois baralha tudo.

Exatamente, pois no final, depois, algum lado vai faltar. Necessariamente. Falemos, finalmente, Carlos, da importância de se criar disciplina e rotinas. Bom, eu aqui vou fazer uma analogia muito simples. Nós temos de pensar num desportista de alto rendimento, não é?

Nós pensámos bem, deve haver muitas alturas em que esse desportista, a última coisa que quer ir é ir para um ginásio, ou fazer corrida, enfim, preferir ficar na cama, na praia, onde for. Mas tem a disciplina e a regularidade de focar-se no treino.

E aqui mais uma vez, o que nós voltamos a fazer a pergunta é, ok, definimos que era necessário ter esta disciplina. As perguntas que surgem são, quantas reuniões para, por exemplo, analisar o orçamento ou para analisar a tesouraria é que já fez este ano? Uma, duas, três, quatro? Bom, esta é a questão. E aqui a disciplina é fundamental.

porque é preciso criar essa rotina para fazer com que as coisas aconteçam todos os meses. Não tem que ser perfeito no primeiro momento, é incremental, todos os meses vai melhorando, mas é preciso ter a rotina de manter essa disciplina.

Fazer perguntas simples, focar-se, ter dias concretos para analisar as coisas, é fundamental, assim como é importante para um desportista ir ao ginásio naquele dia, por muita vontade que ele tenha de ficar na cama, não é? Portanto, é fundamental. E a título de, digamos que de encerramento, eu gostaria de dizer que tudo isto, a gestão da empresa, isto não é uma questão de sorte. Há também um fator de sorte, mas é essencialmente uma questão de decisões.

Muito bem, Carlos Graça, tudo dito por hoje. Temos encontro marcado na próxima quinta-feira com mais um tema. Até lá. Até lá, obrigado. Carlos Graça com a Economia Descomplicada neste horário às quintas-feiras e daqui a pouco online. Pode ouvir e subscrever o programa em radiomorabeza.cv, no Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer e em todas as principais plataformas de podcast.

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