Hora do Tricô - Ep 18 - Insuportável
O termo insuportável vem acompanhado de metido, arrogante, esnobe e a lista é longa. Somos julgados e apontado por simplesmente ser mais profundo e reflexivos do que os comuns que vagam pela cidade.
- Impaciência e IntolerânciaExcesso de conhecimento e senso crítico · Julgamento e incompreensão social · Distanciamento de pessoas 'comuns' · Rejeição a comportamentos preconceituosos · Dificuldade em relacionamentos por falta de profundidade
- Critica PoliticaA importância do posicionamento político · Consequências do silêncio e da conivência · Diferença entre civilidade e barbárie · Falta de argumentação e agressão como substituto
- Busca de conhecimento e desenvolvimentoDiferença entre estudo acadêmico e pesquisa própria · Vontade de evoluir como ser humano · Criação de nichos e bolhas sociais
- Interações e dinâmicas do podcastConteúdo não viral para a maioria · Encontrar pessoas com interesses similares
Excesso de conhecimento ou excesso de senso crítico afasta você das pessoas.
E isso é algo que gera um desconforto no ambiente onde você está e no ambiente onde você quer se inserir. Olá habitantes, tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos a mais um podcast do Mundo do Rô. Hoje, segunda-feira, hora do tricô. E o assunto de hoje é ser insuportável ou as pessoas que não te compreendem?
Então vamos lá. A referência de hoje sou eu mesmo, porque eu escuto isso de uma maneira direta ou indireta. No decorrer da minha vida, eu sempre fui uma pessoa que gostei de ler muito, estudar muita coisa, pesquisar muita coisa, assistir diversos filmes que não são muito comuns. E sou uma pessoa que tem um tipo de viés de muitas coisas não tão convencionais.
Até aqui tudo bem, gente estranha e louca existe em qualquer lugar do planeta e eu sou uma delas. A questão é que conforme você vai avançando na vida e você vai percorrendo e trilhando um tipo de caminho que não é esse tal como convencional, você vai acabando criando uma certa distância e um certo abismo entre você e as pessoas comuns. Por quê?
Porque você começa a se tornar aquela pessoa que, dependendo do tipo de conversa, de brincadeirinhas, de piadas e tudo mais, você começa a se tornar desconfortável. Porque você olha pra pessoa e você julga aquele tipo de comportamento. E aí, começam aquelas situações de que surgem os termos. Ah, você é chato, você é insuportável, você é cri-cri, você é isso, você é aquilo, aquele outro.
E um termo novo que usaram pra gente agora. Mimizento. Ou a galera do mimimi, a geração mimimi. Gente, que bom. Eu sou mimimi mesmo. Eu não vou ficar calado se eu tô no ambiente e a pessoa tá fazendo piadas ou dizendo que é piadas racistas, homofóbicas, LGBTfóbicas, misóginas e adjacentes.
Eu não vou querer ficar perto de uma pessoa que apoia comportamentos de extrema direita ou que é uma pessoa louca, religiosa, que acha que só a religião dela é que vai levar a gente para algum lugar, o que é a salvação do planeta.
Eu não consigo conviver com esse tipo de gente. Eu simplesmente crio diversos entraves e vou me afastando e vou me isolando desse tipo de comentários, desse tipo de gente. Por quê? Porque vai na contramundo que eu acredito. E aí a gente cai numa outra situação que é por que o Rodrigo tá solteiro desde 2023? Mais precisamente, dezembro de 2023. Já são dois anos e alguns meses.
Porque eu não consigo ter paciência pra gente que tem esse tipo de comportamento. Eu não dou conta. Eu simplesmente começo a olhar as pessoas e o tipo de conversa, de escrita, de repercussão de conteúdo que elas fazem, né? De compartilhamento em redes sociais. E simplesmente aquilo vai me dando nojo.
Vai me dando angústia, vai me dando um ranço absurdo. Por quê? Porque elas estão fazendo coisas que eu não compactuo, que eu não concordo, que de alguma forma aquilo me ofende. Porque ofende o meu senso crítico e meus estudos sociais que deveriam ser um padrão comum das pessoas. Porque aí a gente está entrando em diversas camadas.
Quando você é uma pessoa que você começa a estudar mais sobre história, política, geopolítica, sociologia e filosofia e questões de psicologia ou psicanálise, você começa a se tornar uma pessoa que tem um senso de crítica e de percepção social diferente da maioria, porque você começa a questionar, a refletir.
a criar discussões e conversas com um nível de profundidade que não vai na maioria das pessoas, infelizmente. Porque eu tenho uma máxima que eu uso para tudo. Por que tanto podcast aqui não é uma coisa viral e tanto meu blog não é nada viral? Porque os conteúdos que eu produzo aqui e as reflexões que eu trago aqui, elas não são para a maioria, infelizmente.
Tem muita gente que vê as coisas que eu produzo e não consegue ter conexão, não consegue se sentir representada pelo tipo de conteúdo que eu faço. Por quê? Porque, gente, desculpa o termo, mas as pessoas são burras.
As pessoas têm um nível de limitação intelecto-social muito limitado. As pessoas têm uma percepção de mundo muito restrita. É uma coisa muito assim, diminuta. É aquelas pessoas que você pergunta coisas que para muita gente deveria ser óbvio, ou que para mim são muito óbvias, e para elas parece que eu estou falando em outro idioma, ou que eu vivo num planeta à parte.
São questões e discussões que, enquanto um grupinho seleto de pessoas, aquilo se torna algo banal, para outros a gente está falando de uma discussão quase que conspiratória. E aí esse tipo de discrepância que vai se criando entre o lado de cá e o lado de lá...
vai fazendo com que a gente vai isolando, vai criando barreiras, vai criando diversos tipos de situações que fazem com que a gente não tenha esse tipo de interação.
Porque aí começa, você tá no ambiente, as músicas, você não consegue compactuar com aquele tipo de gosto. As conversas, elas vão sempre num ambiente muito básico, de ai, como que tá a academia? E o jogo de ontem? E não sei o que da fulana que casou e que teve filhos e sabe das mais o que. São aquelas conversas só cotidianas, que não vai a lugar nenhum, que tipo assim, é basicamente só fofoca.
Gente, desculpa, mas essas fofoquinhas de dia a dia, de aí você viu que ela trocou de carro, você viu que o fulano comprou uma casa nova, aí você viu que fulano tá morando em Ciclânica, não sei quem traiu não sei quem, não sei quem tá grávida, não sabe quem que é o pai, e não sei mais o quê.
Ok, é gostoso, fofoca, mas se o cara não conversa só com isso, nossa, derrete o cérebro da gente. A gente fica num ambiente que você fica assim, tá, mas e quando vai ter uma conversa um pouco mais encorpada?
Quando vai ter algo um pouco mais profundo? Quando eu vou conseguir realmente destrinchar alguma percepção de alguma coisa? Ou ter algum diálogo que a gente vai chegar a algum lugar? Não tem, não existe. Por quê? Porque é tudo muito raso.
músicas se tornam uma coisa muito delimitante porque o tipo de música que você ouve o tipo de filme que você assiste o tipo de série que você consome se você consome livros e o tipo de livro que você lê tudo isso é limitante pra que você consiga
Criar nichos. Tudo isso é o suficiente para você simplesmente ir criando bolhas. E volta naquilo. Essas bolhas vão isolando. E é por isso que muita gente, hoje em dia, tem dificuldade de criar amizades, tem dificuldade de ter relacionamento, tem dificuldade no ambiente de trabalho.
As pessoas vão cada vez mais tendo muita dificuldade com o social, com o ambiente comunitário. Por quê? Porque as coisas vão se tornando cada vez mais discrepantes, incoerentes.
É aquele tipo de comportamento que você para e pergunta, nossa, mas você não sabe posicionamento sobre tal coisa de política? Ou você não tem interesse em saber sobre isso de política que interfere inclusive no seu dia a dia, ou na sua família, no seu trabalho? E a pessoa simplesmente responde, ai, eu não me envolvo com política.
Ou, eu não sou uma pessoa que eu gosto desse tipo de coisa. Eu acho que eu não nasci pra isso. E aí você vira e fala a seguinte situação pra ela. Então, linda. Mas a gente vive numa sociedade que ela é política. O ato de você existir é político. Você concordar ou não concordar, posicionar ou não se posicionar é político.
Desde que você nasceu, você é um ser político. Não tem como você não ter intervenção. Você faz parte de um sistema social, você faz parte de um sistema econômico, de um sistema de país, de uma organização de governo.
Você tem interações com tudo isso. Porque tudo isso faz parte da sua vida. Então, a partir do momento que você diz que você não é um ser político, eu me pergunto em que ambiente você habita. Eu me pergunto que atmosfera da existência humana você consegue se inserir. Porque no mundo real, humano, do planeta Terra, as pessoas são todas políticas. Qualquer um.
Porque tudo tem interferência. Tudo. Você querendo ou não. É aquela premissa. Quem cala, consente. Quem cala, concorda. Calar-se é concordar com alguma coisa ou se tornar conivente com aquilo.
Se você está num ambiente, alguém está fazendo um comentário racista, algum comentário misógino, e você fica quieto, você está compactuando com aquilo. Você está automaticamente sendo também racista, sendo também misógino, sendo também essa pessoa.
Então não adianta você simplesmente dizer ai, eu não me envolvo com isso. Porque se você não se envolve, você também está se envolvendo. Eu sei que pode parecer contraditório e para muita gente não faz sentido nenhum. Mas é a realidade. Porque a gente vive em sociedade. E vocês precisam aprender que posicionar-se sobre as coisas define quem vocês são.
E não se posicionar tão bem. E aí entra naquilo. A gente é insuportável, mimizento mesmo? Ou as pessoas que nos criticam, elas que têm problemas de baixo déficit intelectual? Será que são elas que têm esse tipo de desvio de caráter? Ou que elas simplesmente se afastam e criticam a gente por elas não quererem desenvolver nada além?
Porque eu juro, eu consigo perceber que muitas pessoas, até a mim, me atacam, me chamando de insuportável, de chato, de nerd, de mimizento.
de tudo vira uma grande discussão, porque elas não têm capacidade argumentativa, elas não têm capacidade de conseguir desenvolver uma conversa comigo onde elas apresentam o ponto de vista delas de maneira sólida e precisa. Elas simplesmente vão, às vezes, falar coisas que não fazem sentido nenhum ou não usar argumentos porque elas não têm ou simplesmente partir para aquela questão de ofensa, que é o que acontece muitas vezes em rede social. Quando a pessoa não tem argumento, ela ofende.
Quando a pessoa não tem embasamento sobre o que ela acredita, ela parte para a agressão.
seja física, seja argumentativa, seja moral, ela agride. Quando a pessoa é não civilizada, porque ela não tem construção de civilidade, de boa companhia, de comunidade, ela não tem esse comportamento de viver num ambiente sociável, ela simplesmente parte para a barbárie, que é a agressão.
que é o anarquismo, que é a descentralização de qualquer tipo de governança ou de coerência. Ela vai pra maderna, né? Eu não gosto de usar o termo anarquista, mas é, eu posso às vezes dar uma correlação a isso pra vocês conseguirem entender o que eu tô falando.
Mas é justamente isso. São pessoas que simplesmente acham que você tá errado, que você é isso, você é aquilo. Você até pode estar errado, mas elas não têm capacidade o suficiente de provar que você tá errado. E aí elas partem pra questão da barbárie, da agressão.
para tentar justificar o argumento delas, ou para tentar mostrar na força que você é menos do que elas. E aí é aquilo. Será que, de fato, eu estou solteiro porque eu decidi estar solteiro ou porque a situação social faz com que eu prefira estar só do que passar raiva com as pessoas de baixo nível intelectual?
Porque, de fato, sentar com uma pessoa e você querer desenvolver algo com ela afetivo e não ter nenhum tipo de conexão além do que a parte sexual enjoa, não dá base, não se cria laços, não se cria profundidade, não se cria intimidade.
A vida não se resume só em beleza e em afeto e sexo. A vida se resume em construção de identidade. E se você não se identifica com as construções ideológicas de quem você tá ali querendo construir algo a longo prazo,
Desculpa, você não vai conseguir criar nada. Você não vai conseguir desenvolver nada. Porque vai chegar uma hora que você vai estar num ambiente X e a pessoa vai estar num patamar Y. E não é só sobre estudo no sentido universitário, mas no estudo no sentido de pesquisa própria.
Eu sempre gostei de aprender coisas sozinho. Eu sempre fui procurar conhecimento sozinho. Então não tem a ver com grau acadêmico. Tem a ver com vontade de evoluir enquanto ser humano. E aí é aquilo. Eu sou insuportável ou a pessoa que não tem argumento?
Eu sou chato ou a pessoa que não quer usar a mente dela para conseguir pensar no que de fato precisa? Eu sou a pessoa mimizenta ou a pessoa que quer fazer, passar um pano bem lindo para as questões sociais?
tudo bem. É aquilo. É tampar o soca peneira. É fingir uma coisa que não existe. Mas, enfim, o podcast de hoje é pra falar justamente sobre essa questão de será que é isso mesmo ou é as pessoas que não conseguem entender?
Porque o podcast do Mundo Rua é muito sobre isso. Muitas das coisas que eu trago aqui, eu sei que é pouquíssimas pessoas que têm vontade de discutir sobre isso. E é por isso que eu criei o podcast, pra eu literalmente ter um local pra eu produzir isso e quem sabe encontrar pessoas que consigam discutir esses assuntos comigo. Mas é isso, habitantes. Até o próximo episódio e falou!