Episódios de gostosas também choram

por que sua cabeça não te deixa em paz?

14 de julho de 202655min
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você vive um passo à frente do próprio presente? sempre no próximo mês, no próximo ano... e aí, quando deita pra descansar, um monte de pensamento intrusivo te assustando com tudo que pode dar errado? esse episódio é sobre ansiedade, uma carta aberta pra você que esquece que tem vida acontecendo agora: e se, em vez de fugir dos monstros da sua cabeça, você sentasse pra escutar o que eles têm pra dizer?

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Participantes neste episódio1
L

Lela Brandão

HostInfluenciadora
Assuntos5
  • Medo e AnsiedadeExpectativa de vida futura · Fuga dos pensamentos intrusivos · Valorização do agora · Consciência da finitude
  • Convivência presencial e intimidadeDiálogo com a ansiedade · Medos e preocupações · Autoconhecimento através do medo
  • Qualidade de VidaOpressão da produtividade · Importância do descanso e contemplação · Velocidade e esquecimento
  • Proposito e Planejamento de VidaExpectativas de conquista · A ilusão da felicidade futura · A importância de desfrutar o presente
  • Finitude e fragilidade humanaPerspectiva cósmica · Alívio na insignificância · Mundo interno vs. Mundo externo
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LBLela Brandão

Oiê, você já sentiu que você tá vivendo a sua vida esperando para viver a sua vida, esperando a sua vida começar? Então, ah, quando eu for promovida no trabalho, minha vida vai começar. Quando eu tiver tanto dinheiro, aí eu finalmente vou ser feliz. Quando eu tiver tal corpo, finalmente eu vou começar a viver. Ou quando acontecer isso, quando acontecer aquilo. Você sente que você tá nesse nessa expectativa da sua vida começar?

E quando essas coisas acontecerem, você finalmente vai se permitir relaxar e viver? Você já percebeu que se você olhar para trás, você já tinha colocado metas que você acabou até batendo? Então assim, quando eu tiver tal corpo, eu vou colocar um biquíni. Aí você nem percebeu que você tá com tal corpo e nem colocou o biquíni. Tô dando um exemplo físico para ficar mais palpável. Então, minhas amigas, hoje nós vamos falar sobre ansiedade, que é um assunto que é muito presente na minha vida, é muito presente no meu livro.

Inclusive, quem leu vai identificar algumas coisas que eu vou citar aqui. O meu livro Vertigem, para quem não conhece, compre nas melhores livrarias do Brasil. E eu queria, antes da gente começar, destacar e lembrar vocês que eu não sou autoridade em absolutamente nada. Eu não sou psicóloga, eu não sou psiquiatra, eu não sou médica, eu não tenho o poder de diagnosticar e nem indicar o que deve ser feito em relação à ansiedade de ninguém.

Então, se sofre de ansiedade paralisante, se você sofre com ansiedade que te atrapalha no dia a dia, procure ajuda profissional, porque eu não tenho autoridade em absolutamente nada além da minha própria vida, e quiçá nem isso. Teria que perguntar para minha psicóloga e nem tem como perguntar porque ela tá de férias. Então melhor assumir que não, tá? Hoje eu tava pensando no que que eu precisava falar no podcast, né, qual a mensagem que eu traria aqui.

E eu pensei em fazer esse podcast em um formato de carta aberta para uma pessoa na minha vida que eu amo muito, muito, muito, muito, de todo meu coração. Inclusive, eu até me vesti de coração para entregar essa mensagem com muito amor, porque eu vou encher esse episódio de coisas que eu gostaria muito de falar para essa pessoa, mas que eu não posso, infelizmente. E aí eu decidi que eu ia fazer esse episódio e deixar o universo fazer sua mágica para se essa pessoa eventualmente por algum motivo tiver a possibilidade de ouvir esse episódio, ela seja impactada por essas palavras e, no melhor das hipóteses, se transformar.

Na pior das hipóteses, pelo menos saber que eu amo muito ela e que é dela que eu tô falando. Disclaimer, aviso: existe muita chance de eu chorar enquanto eu tô fazendo esse episódio. Mas enfim, eu já tava com essa ideia de falar sobre ansiedade aqui no podcast, e aí eu tava no Substack, que é uma das minhas obsessões, e eu me deparei com uma newsletter, um texto da Camila Pierdoná. Eu vou deixar o link dessa newsletter lá no nosso grupo do WhatsApp.

Se você não tá no grupo do WhatsApp, entra lá, tá na descrição do episódio, tem o link do WhatsApp. E se você procurar no WhatsApp por Gostosos Também Choram nos canais, você também acha nosso canal verificado. O nome dessa newsletter do Substack se chama A Pressa de Chegar em Uma Vida Que Já Está Acontecendo. E aí eu li o que ela escreveu e eu pensei em muitas coisas, e eu decidi fazer esse podcast como se eu tivesse falando com a pessoa que eu amo muito.

Então eu vou falar como se fosse com você, tá? Não estranhe. Mas também é um jeito de, se bateu, doeu, pega que é seu, como diz nossa diva Jout Jout. Se eu tiver falando com você e parecer um pouco específico demais, parecer um pouco que eu tô com câmera no seu quarto ouvindo as suas sessões de terapia ou as suas conversas com suas amigas, bateu, doeu, pega que é seu. Se a mensagem chegou até você, talvez o universo operando a sua mágica para você também.

Tá? Então vamos lá, é o seguinte: faz muito tempo, eu já quero começar a chorar, faz muitos e muitos anos que eu te vejo se preparando para finalmente começar a viver. E eu vejo você num movimento de realmente acreditar que a próxima meta que você colocar é a meta que finalmente vai fazer você relaxar e começar a viver e desfrutar da sua vida. Então só mais um mês, só mais isso, só mais essa conquista, só mais essa Essa resolução, só mais esse problema que eu preciso resolver.

E nisso foram se acumulando anos e anos e anos. E até hoje eu nunca vi você relaxar na sua própria vida, a não ser nas pausas que você dá da sua própria vida. Nesses anos todos que eu te observei com muito amor e muita preocupação, se preparando para viver, eu hoje queria te dizer que você já tá viva. Já vou começar a chorar. Ô caralho, deu 2 minutos de episódio, mas é isso, gente gostosa, também choro. Você já tá viva e eu acho, eu fico muito preocupada que às vezes você não percebeu que você já tá viva e que a vida que você tá se preparando para viver, eu tenho certeza que ela vai ser linda e eu tenho certeza, eu acredito muito em tudo que você tá construindo.

E eu tenho completa tranquilidade de saber que você vai chegar ali no futuro e tudo que você tá preparando hoje vai te receber com braços abertos e vai ser uma vida linda depois que você conquistar todas essas coisas que você tá colocando aí como meta. E eu sei que a sua vida vai ser incrível do jeito que você fala dela hoje em dia e fala, quando eu fizer isso vai ser incrível e vai ser maravilhoso e tal. Mas eu me preocupo muito que você vai chegar lá e você não vai conseguir perceber que ela é linda, porque é você que vai estar lá.

E eu tenho observado você há muitos anos e eu vejo que você já colocou metas que você conquistou hoje em dia e ainda assim não se permitiu relaxar e desfrutar da sua própria vida. O agora que você tá vivendo já foi o futuro que você planejou, mas ainda assim você não se permitiu relaxar. Respirar no seu ritmo e prestar atenção na vida que você já construiu. E aqui e agora, que você passou os últimos anos construindo, existem. Aqui você também tem uma vida.

Sua vida não tá só lá na frente. Aqui existe uma vida e ela também pode ser linda. Você imaginou ela linda, mas ela não tá tão bonita aí de onde você tá vendo. Que inferno, por que que eu tô chorando tanto? E se ela não tá linda agora, se a vida que você pensou que seria linda, você chegou nela e ela não tá linda agora, talvez seja melhor você pegar um pouco dessa atenção e dedicação que você coloca na vida futura e colocar na vida presente.

Porque talvez se você parar e esticar ela hoje, no presente, exista espaço para que ela seja linda também, ou pelo menos só menos difícil. E eu sei que tudo, nem tudo são flores. Tem alguém que sabe disso, sou eu, principalmente em relação à sua vida. Eu sei que nem tudo é fácil e que nem tudo é mil maravilhas, e que a vida tá longe do seu ideal, mas existem formas de deixar ela menos difícil, principalmente quando você percebe que é só isso que você tem.

Porque eu acho que você não percebe que o que você tem agora é vida. O que você tá vivendo agora também é a sua vida, não só que tá ali no futuro. E o que eu me preocupo é que quando você perceber, você não tenha mais tanto tempo de vida. Eita lasqueira! Você já não possa estar viva por muito tempo. E enquanto você tá com a cabeça ali na frente de quando isso acontecer, isso finalmente, como se você fosse desbloquear uma fase do videogame em que tudo é mil maravilhas e que você finalmente não precisa mais se preocupar com o presente e só viver o futuro que não existe.

Eu vejo— isso não é nem que eu tô preocupada, isso é um fato— eu vejo que você não percebe que tem gente aqui agora que te ama, que tem eu e tem um monte de gente te esperando aqui no presente, e que essas pessoas não vão estar sempre aqui te esperando. E nem porque elas não gostam de você, mas porque a vida assim passa e as relações precisam de dedicação e tempo e atenção. E se a sua dedicação e tempo e atenção tá sempre no futuro, pode ser que você chegue no futuro sem essas pessoas que te amam aqui no presente e sem essas coisas lindas que tem na sua vida aqui no presente, que você nem percebeu que tem.

E elas podem simplesmente ir embora porque você não deu atenção para elas. Não só as pessoas, mas as oportunidades, as coisas boas, os cafezinhos que você deixa de tomar, o descanso que você deixa de se permitir ter no seu dia a dia, as conexões, as ligações, a contemplação. E enquanto você tá ocupada demais se preparando e aturando a sua rotina, pensando no futuro e tentando controlar todos os fatores para que quando tal coisa acontecer você finalmente tenha tempo para viver, tenha gosto de viver e se derreta dentro das pausas da sua rotina, eu acho que você esquece ou escolhe não lembrar que o futuro talvez não exista.

Ele não tá garantido. E eu sei que você odeia que eu fale isso, você já me falou várias vezes, mas de fato o futuro não tá garantido. A gente nunca sabe o que pode acontecer, mas há um tempo atrás eu li um livro que chamava Café com Sêneca. Eu já falei desse livro algumas vezes aqui no podcast, e o autor fala sobre estoicismo, e ele troca cartas imaginárias com Sêneca. E ele fala de uma coisa que me marcou muito, que foi que uma meditação que ele faz— ele tem um filho— e uma meditação que ele faz é imaginar a vida dele se o filho dele morresse.

Porque quando você se depara com a morte, você fica muito consciente da finitude da vida, e isso te faz valorizar o que é escasso, o que a gente tem pouco, o que não é infinito. A gente dá muito valor. E nessa ideia que você tem de que você é invencível, de que você é imortal e de que as pessoas pouco importam nessa equação, Eu acho que esquecer da finitude pode ser uma cilada, porque te faz levar as coisas como se— levar os dias, os momentos, os minutos, as pausas, as conexões, as oportunidades, os encontros como se eles fossem infinitos, como se eles sempre estivessem aqui e como se você fosse chegar no futuro com essas coisas.

Mas nada garante isso, porque não só você é finito, como tudo. Como as pessoas que estão na sua vida também são finitas e elas não— a gente não sabe o que que pode acontecer. Acabei de ler um livro da Rosa Monteiro, chama Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver, e ela conta a história dela. E eu já falei disso aqui no podcast, né, na Obsessão Atual de um episódio recente. Mas ela fala sobre a vida dela e a vida da Marie Curie, e com um paralelo que elas têm em comum, que é ambas ficaram viúvas muito cedo.

E ela conta a história da Marie Curie em específico, me impactou bastante assim, porque Marie Curie, imagina, ela era casada com Pierre Curie, completamente apaixonada e numa relação muito boa assim de respeito mútuo. Eles tinham duas filhas, uma recém-nascida ou bebê, agora não vou lembrar. E eles descobriram o rádio, né, assim, a radioatividade, etc. E de todas as formas que eles poderiam ter morrido, por exemplo, a Marie Curie morreu por excesso de radioatividade quando ela já era um pouco mais velha.

E era a hipótese, era de que o Pierre também seguisse esse curso, né? Assim, apesar de que eles não sabiam que o rádio era letal, né? Tipo assim, que ele era, que você tem que se proteger da radioatividade. A gente olhando para trás fala assim, ah, provavelmente Pierre Curie, se você não conhece a história dele, provavelmente Pierre Curie morreu de radioatividade. Não, ele morreu atropelado por uma charrete voltando do trabalho.

E a gente esquece que isso é uma possibilidade, né? E Deus me livre, tá repreendido em nome do Senhor. Mas a gente sabe que acontece, a gente só não espera que aconteça com a gente. Mas essa consciência de que pode acontecer com a gente, ela é muito dolorida, mas eu acho que é uma dor que a gente não deveria escapar, porque tem dores que colocam a gente de frente com verdades que são muito importantes para a gente poder escolher o jeito que a gente quer viver a nossa vida.

E escolher não lembrar da nossa finitude pode colocar a gente em umas ciladas que eu não queria ver você caindo. Que a vida não é um morango, a gente já sabe, mas será que não dá para adoçar de vez em quando? Eu acho que dá. A gente ficou tão obcecada com produtividade que perdeu a habilidade de deixar nossos dias mais prazerosos. Tipo assim, e se um banho não fosse só uma obrigação? E se ele virasse seu ritual de autocuidado, um momentinho delicioso?

Na rotina? Essa é a proposta de Dove com a nova linha Dove Sabonete Sérum, com versões líquidas e em barra para transformar o banho em uma experiência deliciosa de skincare. Cada uma pensada para as diferentes necessidades da nossa pele, com sensorial muito gostoso e diferentes texturas. Os sabonetes tratam a pele com tecnologia que a gente já conhece e ama no nosso skincare facial. Eu tô particularmente obcecada com o Uniform Skin, que tem sérum regenerador e niacinamida na fórmula para deixar a pele muito macia, com textura e aparência uniformes, com a sensação de pele renovada, sabe, gente?

E o cheiro, sério, sabe aquele cheirinho de banho? Nossa, eu amo! E ó, toda a linha foi desenvolvida com dermatologistas e é clinicamente testada. Banho de Skin Care é banho Dove. Obrigada, Dove, por patrocinar esse trecho do episódio. Voltando, gente, só um PS: se vocês ouvirem barulhos de coisas rasgando, latidos, ó, tô ouvindo aqui coisas sendo arranhadas, é porque meus cachorros não foram para creche hoje. Tá chovendo, eles faltaram na creche, então eles estão aqui comigo e nunca se sabe o que que pode acontecer quando eles estão aqui.

E recentemente eu tenho, por algum motivo, estado muito hiperconsciente da insignificância e da finitude dos seres humanos, sabe? Às vezes eu vejo, sei lá, um filme ou um reality show, ou eu vejo tipo conteúdos de pessoas falando sobre coisas, e aí eu penso assim, até sei lá, ouvindo meu podcast, né, ouvindo ou gravando podcast, às vezes eu penso tipo, ai, que fofo, seres humanos, né, achando que são super importantes e que as questões que eles têm são super relevantes e decisivas, e que as coisas têm realmente, nossa, uma importância gigantesca.

E eu tenho ficado muito hiper consciente da insignificância que a gente tem perante o mundo. E isso honestamente tem sido um alívio, uma coisa tão importante para que eu tenha clareza, e não de uma forma forçada, mas de uma forma leve e natural, do que que eu quero fazer com a minha vida todos os dias. Tipo assim, acordar e durante o dia conseguir tomar as decisões que vão de acordo com essa percepção muito clara de que a gente é muito insignificante.

E eu vejo pessoas vivendo suas vidas, sendo perseguidas por suas grandes questões. E quando eu vejo isso de fora, eu vejo elas bem tipo a imagem que vem na minha cabeça, que eu vejo uma pessoa tipo do tamanho de um grão de areia assim, tipo uma pessoa que você segura com a ponta dos dedos na frente de um mundão gigantesco assim, que tem passado, presente, futuro, que tá desde a pré-história aqui com animais e dinossauros, e caiu cometa e tivemos tsunamis e coisas.

E é uma pessoa com umas questões que são passageiras e vão existir por um determinado tempo, e depois essa pessoa morre, essas questões nem existem mais. E às vezes a gente precisa lembrar disso assim. Isso tem me trazido muito alívio. De lembrar que todo mundo tem um mundo interno e todo mundo tem, todo mundo tem um mundo externo em comum, né? Estamos vivendo no mesmo lugar. Se você tá aqui no planeta Terra e você não é o ET de Curitiba, estamos vivendo aqui com o mesmo cenário, né?

Diferentes países, diferentes contextos culturais, sociais, etc., mas a gente tem um mundão externo e o nosso mundo interno. E eu vejo que Quando a gente não sai para o mundo externo, quando a gente, como no meu livro tem uma passagem que eu falo da Camila Frender e de uma coisa que ela trouxe no episódio dela, que é quando a gente não abre a porta, sabe assim, abre a porta, vai ver o que que as pessoas estão falando ali na padaria, vê se as pessoas estão falando dessa questão aí no ponto de ônibus, na fila do banco, sei lá, se você viaja para a cidade do lado, as pessoas estão preocupadas com a mesma coisa que você.

Se você não faz esse movimento de abertura para o mundo externo, o mundo interno acaba se distorcendo. A gente tem uma sensação de que os nossos problemas, o nosso mundo interno, e que o nosso nome e a nossa pessoa e os nossos planos e as nossas preocupações são muito maiores do que elas realmente são. E é claro que eles são grandes, cada pessoa tem o seu mundinho, e isso faz com que cada pessoa seja cada pessoa, e a nossa vida tem valor, sim, beleza.

Mas é muito mais leve quando você percebe que essa é só um, é só um universo. Existe, existem outros milhares, existem muitas possibilidades, existem muitos figos na figueira para você escolher. E você tem escolhido bem, cara. Tipo assim, você tem escolhido os figos certos, você tem arrasado, você tem feito um bom trabalho. Mas na hora de escolher os figos, você precisa lembrar de morder. Você precisa lembrar de ver o figo, sabe, na sua mão.

Se você não sabe do que que eu tô falando, ouça o primeiro episódio desse ano que se chama Cada Escolha é uma Renúncia, ou Toda Escolha é uma Renúncia, já diria chorão, que a gente fala dos figos. Mas eu me preocupo que você fique muito tempo olhando os figos e pensando: quando eu pegar aquele figo, minha vida vai se resolver. E aí você pega aquele figo e aí você já tá olhando para o próximo. Não, mas agora quando eu pegar aquele figo, a minha vida vai se resolver.

E os figos apodrecendo na sua mão. Você precisa morder esse figo, ele tá aqui agora, você colheu ele. Parabéns, você tá arrasando! Vamos morder, vamos deitar embaixo dessa figueira, olhar um pouco esse figo, olhar a paisagem, dá uma risada, sabe? Que você tem esse movimento de é só mais isso, só mais esse figo e eu finalmente vou ser feliz. Mas quando você chegar lá, você vai encontrar sua falta de novo, porque não tem nada que vai preencher sua falta enquanto você ficar desviando dela.

Então quando você chegar naquele figo que você tanto desejou, você vai pegar ele e aí imediatamente você vai falar, mas falta aquele figo. E aí você vai ficar nessa roda de hamster e tem tanto figo para você comer que você colheu que tá apodrecendo, que você poderia fazer uma geleia, você poderia, sei lá, fazer um arranjo de flor, sei lá o que que você vai fazer com esse figo. Mas você deu tão duro para esse figo tá na tua mão, tu não vai comer não, sabe?

E tipo assim, disclaimer, segunda vez que eu uso essa palavra nesse episódio, aviso, spoiler: pegar o figo, esse momento que você tanto sonha com pegar o figo, nem tem tanta graça assim. A graça é realmente comer A graça é se dar o tempo de comer o figo pelo prazer de comer o figo. Eu tava assistindo aquela série que eu recomendei em outro episódio, chama Sessão de Terapia, do Celton Mello, sabe, que eu comentei. E aí tem uma personagem, acho que ela chama Ingrid, se eu não me engano, que ela é muito bitolada, muito frita.

Ela trabalha acho que no mercado financeiro, alguma coisa assim. E aí tem um episódio que tipo ela chega e fala, nossa, Caio, que é o nome do psicanalista, né, eu arrasei, eu mandei super bem, eu fechei um contrato super enorme para empresa que eu trabalho. Nossa, me provei e eu fechei mais dinheiro do que todo mundo naquela empresa tal. Aí ele: nossa, parabéns! E como é que foi? E aí ela conta tipo assim: ah, foi normal assim.

Eu na verdade achei meio decepcionante, tipo, me deram parabéns e seguiram o trabalho. E aí o Caio pergunta: o que que você achou que ia acontecer? E aí ela fala da fantasia dela de que ela imaginou que iam levar ela para jantar e não sei o quê, não sei o que lá. E que na verdade ela só conquistou uma coisa que foi super legal, massa, mas assim, era, né, tipo assim, ela colocou aquilo como algo a se conquistar. E quando ela conquistou, tipo assim, ela teve reconhecimento, todo mundo fez uau, todo mundo olhou para ela, mas ela queria mais.

E se ela tivesse tido mais, se tivessem levado ela para jantar, ela ia querer mais. Porque a gente coloca muita expectativa na hora da conquista, na hora que a gente pega o figo. Mas essa satisfação de pegar o figo não nutre a tua vida. O que vai nutrir a tua vida é você morder, é você falar: nossa, eu plantei essa figueira, ela nasceu, eu reguei ela, teve erva daninha, eu tirei, eu acreditei que ela ia acontecer, ela Cresceu, deu figo.

Eu fui lá, eu escolhi, eu catei, e agora eu posso morder. Olha, eu posso morder esse figo, eu posso comer esse figo, eu posso me deliciar com o cheiro dele, eu posso fazer um perfume com ele, eu posso fazer várias coisas com ele. E aí eu posso descansar. Nossa, que delícia! Eu posso descansar embaixo dessa figueira que eu plantei. E aí agora, será que eu pego outro figo? Ah, eu vou esperar um pouco. Vou chamar uma amiga para comer esse figo comigo.

Tem inúmeras coisas que você pode fazer e tem inúmeros jeitos de esticar o tempo para que você realmente desfrute das suas conquistas, para que elas não sejam apenas só o momento da conquista. Porque esse momento da conquista não vai sustentar sua vida. E a gente vê um monte de gente que é teoricamente bem-sucedida que chegou lá, entre aspas, já discutimos esse termo várias vezes, que tem várias conquistas na carreira e sucesso e fama e etc., que estão profundamente infelizes, que viver é um desafio.

A gente, a história que sempre vem na minha cabeça é a história do ator que fez o Chandler no Friends, que é um cara que, querendo ou não, chegou lá, né, ficou marcado na cultura e na história de Hollywood e tudo mais, e simplesmente não encontrou felicidade, não conseguiu encontrar felicidade. Esse desespero de você ter tudo, ter conquistado tudo e ainda assim não ser feliz é desesperador, ele é desestruturante. E eu queria muito que você finalmente percebesse que a sua vida não é um projeto, assim como seu corpo não é um projeto, mas a sua vida não é um projeto.

A vida tem vários projetos e isso é muito divertido. A vida tem vários figos para colher, isso é muito divertido e vai te manter ocupada. E quanto mais projetos você conclui, conquista e aprende, desfruta do processo e chega lá, a vida vai melhorando. Você vai conseguindo construir uma estrutura melhor na sua vida, se tudo der certo. A vida pode melhorar, mas se você tratar a sua vida como um projeto e estiver sempre trabalhando em torno do futuro, talvez você chegue no fim da linha e perceba que não tem ninguém para você entregar esse projeto.

Porque para quem que você vai entregar esse projeto? Tem algum professor, algum mentor, algum, alguém que precisa dar o ok, precisa te dar 5 estrelas, precisa te dar 10? Spoiler: não. Eu acho que não tem. Você pode acreditar no que você quiser, você pode acreditar em entidades divinas que estão te observando e te julgando. Mas no fim, a gente tem uma vida, pelo menos até onde a gente sabe e tem provas. E eu preciso que você perceba que agora, nesse momento, você não tá vivendo um preparo para sua vida.

Isso é a sua vida já. Você tá aqui, isso já é a sua vida. Porque pensa, quais foram os momentos mais marcantes da sua vida, os pontos que você guarda no coração assim, os momentos que, os seus momentos oceânicos, sabe? Os momentos que você fala, nossa, ali eu me senti viva. Quais são esses momentos? Porque na minha vida, olhando para trás e colecionando esses momentos, raramente, eu acho que assim, no máximo um desses momentos tem algo a ver com produtividade.

Geralmente tem a ver com estar presente. Porque o que que é a produtividade? A produtividade é você espremer o tempo o máximo possível para chegar no resultado o mais rápido possível, você se manter produtivo, ou seja, produzindo. E quando a gente fala de produtividade, a gente pensa numa constância e numa coisa incessante, né, que não para. Se você vive com a produtividade centrada na sua vida, vai ficar muito difícil de você ter momentos presentes.

E é muito importante ser produtiva, gente. Eu sou capricorniana, tenho um bilhão de projetos que eu toco que são produtivos, que têm sucesso, que são estruturados para me proporcionar a vida que eu quero ter e proporcionar às pessoas que estão envolvidas também uma sensação de conquista e proporcionar a vida que elas, uma estrutura de vida que elas possam querer ter. Mas a vida precisa caber nessa equação. Porque se for só produtividade, se for centrado na produtividade, você vai sempre estar vivendo em função disso.

Então, ah, eu não vou jantar hoje com as minhas amigas porque amanhã eu preciso acordar cedo, e hoje é melhor eu descansar, e eu não vou usar essa roupa hoje porque amanhã eu quero usar no trabalho, e em vez de assistir a série que eu quero, é melhor eu assistir uma aula para poder ser promovida mais rápido. E isso é esvaziador de humanidade. E a produtividade é isso, né? Você espremer o tempo para conseguir chegar no resultado o mais rápido possível.

Tem o fator velocidade também, né? Ainda mais quando a gente tá na internet com redes sociais, em que tudo está em todo lugar o tempo todo. Não tem um filme que é assim, tudo em todo lugar o tempo todo? O trabalho tá em todo lugar, está sempre meio que trabalhando, você tá sempre meio que disponível no WhatsApp, você não a gente não tem muito a barreira de aonde, por exemplo, eu estou no meu quarto agora, tô trabalhando. Então a gente não tem muito uma barreira física do que que é o trabalho, do que que é a casa, e muito menos psicológica.

E a coisa do tempo assim, as relações, você pode simplesmente não responder uma mensagem e aí acabou a relação, acabou a conversa. Tudo isso é muito relativo e muito as coisas sangram para todos os lugares, né, assim. E ao mesmo tempo para lugar nenhum. Nada tem o seu próprio lugar. E o escritor Milan Kundera, vocês já devem conhecer, obviamente, ele fala que a velocidade é proporcional ao esquecimento. E assim, a gente lembra do que a gente teve tempo de sentir.

Raramente a gente consegue lembrar, lembrar mesmo, computar as coisas no nosso corpo e guardar essas memórias quando a gente tá nesse ritmo frenético de velocidade de produção, porque a gente não dá espaço para sentir. E eu realmente acho que você não se permite ter esse espaço para sentir, talvez porque você tenha medo de alguma coisa que você possa sentir. E isso não é sua culpa, porque o mundo empurra a gente para ter essa velocidade e a gente para centralizar a produtividade.

E a gente precisa trabalhar, e a gente precisa pagar boleto, e a gente precisa assim pensar num futuro mais confortável para a gente mesma e para planejar esse futuro e entender quais são os caminhos que vão levar ele. Mas perceber isso, saber o que você vai fazer com isso, decidir o que você vai fazer com isso, considerando que você tá viva agora e o nome disso que você tá vivendo também é vida, é sua responsabilidade entender o que que você vai fazer, porque o mundo vai te empurrar para ser uma engrenagem.

Vai te empurrar. Ele me empurra, ele empurra todo mundo que precisa trabalhar, basicamente. Se você não é herdeira, inclusive talvez até se você for herdeira, não saberia dizer. Se alguma herdeira quiser vir aqui falar, me diga. Mas tem uma saída, e a saída é o tempo, a atenção somados, que resultam em contemplação. E a contemplação, se a gente pensar nesse raciocínio descaralhado de velocidade, de produtividade, etc., de engrenagem e tal, se a gente colocar contemplação— e eu não tô falando assim, ai, gente, ócio daquela, sabe quando os filósofos gregos falavam assim, ai, o ócio é tão importante?

Eles falavam isso enquanto as mulheres estavam se lascando de trabalhar em casa. Ai, o ócio é tão importante, e as mulheres fazendo todo o trabalho doméstico. Eu não tô falando desse tipo de ócio que presume que você não tem nada para fazer. Eu tô falando de ficar atenta no pouco. Eu sei que vai parecer muito pouco, mas a somatória de muitos poucos dá em uma abundância. No pouco tempo que você tem no dia a dia para contemplação, para juntar o tempo e a atenção e contemplar alguma coisa, contemplar uma árvore, lembrar do mundo externo, lembrar do mundão que existe lá fora e colocar o seu mundinho em perspectiva, entender que seu mundo é menor e que vai ficar tudo bem, porque todo mundo que tá vivendo aí tem o seu próprio mundinho, não é só você.

E a contemplação nesse contexto é um ato de resistência. Como, por exemplo, se você tiver interesse nesse assunto, indico muito um livro que se chama Descansar é Resistir, da Tricia Hershhey. Que ela fala sobre descanso e como descanso é uma resistência. Isso é um manifesto dela, que é muito interessante. Eu uso também como bibliografia muito importante do meu livro. E eu sei que silenciar a cabeça é difícil. Eu sei porque eu vejo em você e porque eu já me senti assim.

Eu já estive nesse mesmo lugar. E o que eu eu sinto é que é como se você andasse por aí sempre quase sendo assustada por um monstro que te acompanha em todo lugar, um monstro horroroso, uma nuvem que nunca te abandona. E aí você tá vivendo a sua vida e de repente você toma um susto porque aquele monstro te olha no olho assim, sabe? Você tá andando, aí você olha para o lado e o monstro te olha no olho, você fala, eita! E aí te dá um susto, te dá um frio na barriga, te dá tremedeira, te dá taquicardia, todos esses sintomas de ansiedade que a gente conhece.

E eu não tenho a cura, né? Eu não tenho como matar esse monstrão para você, mas eu posso falar o que eu fiz. Eu não matei meu monstro, eu entrevistei ele. Spoiler! Porque em vez de viver a vida tomando susto com monstro em todo lugar, eu decidi que eu ia dar atenção que ele queria que eu desse. Porque no fundo, esses monstrengos, esses fantasmas que a gente carrega na cabeça, o que eles querem é a nossa atenção. E eu tô falando em terceira pessoa como se eles não fossem a gente, mas é importante a gente também saber que esses monstros, esses fantasmas, essas nuvens somos nós.

Não tinha um meme que as árvores somos nós? E as árvores somos nós. Somos nós. Então esses monstros somos nós, eles fazem parte de quem a gente é. E é importante a gente ter clareza disso porque é uma parte da gente que a gente não quer ver, mas ela vai seguir existindo enquanto a gente bater o pé e falar, não vou ver. Enquanto a gente falar, eu me recuso a ver esses monstros que estão me perseguindo, mais susto a gente vai tomar.

E aí, em vez de tratar ele como um monstro, eu comecei a tratar ele como uma celebridade em uma entrevista. Vai parecer muito estranho, mas eu comecei a tratar esses monstros, essas questões, essas coisas que me assustam e que me perseguem, que você vai viver na sua vida e você lembra, e aí você fica ansiosa e você tira, te tira do prumo. Eu decidi dedicar um tempo antes que esses monstros pudessem me assustar, dedicar um tempo intencional de falar: tá, fala, o que que é?

Fala, tô ouvindo. Você vai me assustar? Fala o que que é, porque senão ele vai falar assim: e se você morrer agora? E aí você toma um puta susto. Mas se você senta e fala assim: e se eu morrer agora? Tá, e se eu morrer agora? Por que que eu morreria agora? Será que, será que eu tô segura? E aí, se você tem essa curiosidade de entrevistar as vozes da sua cabeça que se manifestam como monstro que fica te assustando, você vai ver que esse monstro é extremamente repetitivo, ele tá sempre falando no fundo das mesmas coisas.

E aí você vai ver que as coisas das quais você tá fugindo, em grande maioria das vezes, elas nem são tão assustadoras assim. Porque você pensa, tá, sei lá, finge que a sua ansiedade é: e se tal pessoa do meu trabalho me odeia? Aí você fica com esse pensamento que você não deu chance dele se formar, ele tá aqui, ó, na voz do monstro que você tá ouvindo assim, ó: Pessoa do trabalho odeia. E aí você fala, gente, que que é isso que tá me perseguindo?

Aí o monstro fala assim, ela te odeia, pessoa do trabalho. E aí você fala, meu Deus, que voz, que que é isso, que desespero! Será que aquela pessoa do trabalho me odeia? Será que isso é um sinal? E aí se você senta e fala assim, fala o que que é. Aí o monstro fala, ah, eu tô com medo que aquela pessoa do trabalho te odeia. Aí você fala, primeiro, importante, o sentimento por trás disso é medo. Ah, tá, eu tô com medo. Por que que eu tô com medo?

Se essa pessoa do trabalho me odeia, o que que vai acontecer? Eu vou sobreviver a isso? O que que eu vou fazer se eu descobrir que essa pessoa do trabalho realmente me odeia? Eu tenho como descobrir isso? Isso é um problema? Se essa pessoa me odeia, isso vai mudar minha vida? E aí você vai vendo como sobreviver às histórias tenebrosas que o seu monstro fica te falando, e você vai ver que a grande maioria você consegue sobreviver.

E se você não conseguir sobreviver, eu vou te dar de presente uma cena que aconteceu muito na minha infância, que segue comigo até hoje, e de uma forma estranha me tranquiliza. Vocês sabem que eu tenho medo de avião, né? Já falei mil vezes que não é nada confortável para mim estar em um avião. E teve um avião que eu peguei quando eu era criança com os meus pais, que ele deu uma despencada, e ele deu várias turbulências e foi bem assustador.

E eu tava do lado da minha mãe, e aí eu falei: mãe, tô com muito medo. E aí a minha mãe simplesmente tava de olho fechado, ela olhou para mim e falou: não tenho o que fazer. E olhou para frente de novo. Gente, isso não é extremamente libertador? Se você tá com medo de uma coisa que você não tem o que fazer, então é, vai fazer o quê, minha filha? Você já tá nesse avião, você vai pilotar ele? Não. É mais fácil você ver um Caico você pilotando do que o piloto.

Então não tem o que fazer, vai ter que passar por isso, vai ter que aprender a passar por isso e viver com essa dúvida, essa incerteza e esse desconhecido que você não necessariamente precisa ter medo. Você só precisa ter a clareza de que não tem o que fazer, não tá no seu controle. É comer bem, é dormir 8 horas, é beber 3 litros de água, é se exercitar. Aff, às vezes parece que a lista de coisas que a gente precisa fazer para ficar bem é tão interminável que eu fico cansada só de pensar.

Mas eu tenho um combinado comigo mesma, que é dar ao meu corpo o que ele precisa para prosperar. Vocês já sabem disso. Então o jeito é encontrar formas práticas de fazer isso tudo funcionar, correto? E foi assim que a Liv Up virou parte da minha rotina. Eles têm uma seleção enorme de snacks e refeições prontas, desde comida conforto, tipo risoto de limão siciliano, com salmão da linha gourmet, que é delicioso. Nossa, minha boca enche de água só de lembrar.

Até opções vegetarianas, tipo a feijoada, tudo livre de conservantes, com gosto de comida fresca e muita praticidade. Tem coisa melhor do que chegar em casa e já ter uma comida boa pronta na geladeira, gente? Inclusive, esse ano eles estão comemorando 10 anos, quando tudo era mato e comida prática ainda era sinônimo de ultraprocessado triste e sem gosto. E a Liv Up conseguiu criar refeições práticas com ingredientes de qualidade e comida de verdade.

Todas as receitas passam por um processo de ultracongelamento que preserva os nutrientes e mantém aquele gostinho de comida fresca. E eu não quero ver as minhas divas sobrevivendo só de café e ansiedade, hein? Olha lá! Então eu vou deixar o link da Liv Up na descrição desse episódio. E com o cupom GOSTOSAS vocês ganham 15% de desconto na primeira compra. Obrigada, Liv Up, por patrocinar esse trecho do episódio. Voltando. Então vou te pedir do fundo do meu coração, como uma pessoa que te ama, e talvez você não tenha clareza do quanto as pessoas que te amam também são afetadas pela sua decisão de não encarar os seus monstros, mas eu tô aqui te implorando para você encarar Para de fugir dos seus monstros.

Olha eles nos olhos, você vai ver que eles podem ser até meio fofinhos. Porque só assim, só quando você sentar e falar: vem cá, monstrão, senta aqui, fala, você vai ver que você tem— você não tem controle do que que ele pode te falar, do que que você vai ter medo, quais são suas ansiedades e preocupações. Isso vem, né, dependendo da do que você já passou na sua vida, da sua condição psicológica, das suas relações que você já teve.

Isso vai vir, mas você tem o poder de decidir qual é o tamanho desses problemas, qual é o tamanho desse monstro. E às vezes você vai conseguir decidir que esse monstro, ele vem, te fala assim: e se aquela pessoa do trabalho me odeia? Aí você fala: ah, fia, se me odeia, entra na fila, tem uma pá de gente que me odeia, vamos lá. Deixa eu escolher aqui qual que vai ser o email que eu vou responder antes, sabe? E aí segue a vida e você vê que aquele monstro ali não tem nem espaço na sua vida.

E às vezes você vai ver que é um monstrão, que você tá assim assustada com esse monstro mesmo, que tá com medo. E aí você vai poder decidir o que que você vai fazer. Você vai pedir ajuda porque você não vai conseguir enfrentar esse monstro sozinho? Você vai tratar na terapia? Você vai pedir ajuda para as pessoas que você ama? Você vai Assumir que vai conviver com esse monstro enquanto vive a sua vida, em vez de deixar a sua vida passar porque esse monstro tá te acompanhando.

Porque te falar um negócio, eu tô vendo você cansada, eu tô vendo você cansada, e eu não aguento mais ver você cansada. Eu não aguento te ver mais exausta, porque é cansativo demais você viver a sua vida perseguida pelos medos que você nem sabe que você tem. E eu sei que mesmo quando você deita na cama para descansar, nem assim você consegue ter paz, porque esse diálogo interno com sei lá o quê, que você nem sabe, que você nem sabe com quem você está debatendo e quais medos que você vai enfrentar naquela noite que você deitar, isso drena a sua energia.

E isso não é só, isso não é só emocional, isso é também psicológico, porque Existem estudos que falam que pensamentos repetitivos são cansativos, tipo assim, eles te cansam, te drenam a sua energia. E eu sei que você tá cansada e eu não quero te ver cansada. Você não merece viver a sua vida cansada. E até porque, se você tiver cansada o suficiente, você não vai ter energia para viver a sua vida agora. E eu quero que você viva a sua vida agora, construindo uma vida bonita no futuro, sim, Mas lembrando que você já tá viva, isso aqui já é vida.

Digo isso porque eu nunca nem falei disso no podcast, porque isso não é uma coisa que é tão presente na minha vida, que é um diagnóstico que eu tive de TAG, que é transtorno de ansiedade generalizada. E foi com esse diagnóstico que eu entrei na terapia há 10 anos atrás. Então eu sei como é viver paralisada pela ansiedade. E teve uma vez que eu tive um sonho, já que a gente tá falando de monstros e etc., e é engraçado, né, porque o sonho traz materializado coisas que você tá tentando formular na sua cabeça.

Mas eu tive um sonho que eu tava deitada, e era uma época muito baixa astral, que vocês acompanharam aqui no podcast, inclusive quem tá ouvindo. Em 2024, que eu passei por um período muito difícil. E naquela, naquele momento eu lembro de deitar na cama para descansar e levantar mais cansada ainda, sem conseguir dormir e com os pensamentos, pensamentos. E eu tentava me distrair vendo série ou coisas assim, e parecia que era informação demais, que não cabia mais informação na minha cabeça.

E nessa, nesse período eu tive um sonho meio recorrente que eu deitava e dormia com meu celular assim nas costas, e aí enquanto eu tava dormindo saía um dementador do celular e sugava toda a minha energia. E aí quando eu acordava eu tava mais drenada do que quando eu dormia. E esse foi um sonho muito recorrente que eu tive. E aí eu só consegui atravessar esse momento e sair dele porque eu decidi encarar esse dementador nos olhos.

E eu, com muita curiosidade, fui atrás da informação. O que é que tá drenando minha energia? E eu usei todos os meus recursos. E é difícil porque a gente tá cansado, mas eu usei todos os meus recursos e ferramentas e pessoas e redes e papel e caneta e tudo que eu podia para descobrir quem é esse dementador, porque ele tá sugando minha energia e porque ele tá me tirando do presente. Porque eu não tô conseguindo desfrutar da minha vida.

Então eu te imploro, por favor, para de falar superficialidades na terapia. Para de falar de questões que você sabe que não são as questões que você precisa falar, porque isso só custa o seu dinheiro e o seu tempo, e o seu tempo não é infinito, e muito menos seu dinheiro. Você sabe muito bem, o shade de amiga. E eu não tenho como fazer isso por você, eu não tenho como sentar na sua terapia e falar sobre as suas questões. Mas só assim, só encarando teu monstrão no olho, você vai conseguir estar aqui.

E a gente tá te esperando, eu tô te esperando, as pessoas que te amam estão te esperando, e a sua vida tá te esperando. Tá todo mundo aqui. Eu sei que parece muito maior do que você e parece muito mais do que você vai conseguir dar conta, mas coragem, porque eu realmente Acredito que se você quiser, se você realmente se comprometer, você consegue, tá bom? Vamos falar sobre roupas confortáveis para mulheres, menina do céu. E hoje eu venho com uma ótima notícia, ó, até tocou o alarme aqui.

O gerente ficou maluco, não sei se vocês conseguem ouvir, mas menina, já passou metade do ano e isso é uma ótima notícia. Principalmente se você já é habituado com o calendário tradicional da Lelabrandão Co, você sabe o que que isso quer dizer. Quer dizer que está chegando a nossa tradicionalzíssima semana de promo de julho da Lelabrandão Co, minha marca de roupas confortáveis para mulheres. Nossa comunidade, minhas divas, está em polvorosa.

Minha DM está pipocando porque tá chegando o momento do ano em que a gente simplesmente perde o controle do financeiro. Papo de peças com até 60% de desconto. Promoção quase no site inteiro, na loja física, tem roletas malucas no site. E vocês sabem quem é meu financeiro, né, que vai perder os cabelos esse ano, que é o Vitor, meu marido. Ele não é o maior fã de descontos absurdos, mas eu tenho meu jeitinho particular de convencer, obrigar ele a cometer loucuras pelas minhas divas confortáveis que estavam só esperando uma oportunidade de encher o carrinho e apertar o botão de manda para minha casa essas roupas maravilhosas.

A semana de promo começa nessa segunda-feira, já bota aí na agenda, tá? É você mesmo que tá ouvindo o podcast, abre aí seu celular e bota na tua agenda que dia 20 de julho começa a promo da Lelabrandão.co. E junto com a promo também entra no site a tão aguardada segunda parte do nosso drop de inverno. Incluindo uma peça nova que eu acho que vocês vão amar, que é um trench coat que vocês me pedem há muito tempo. Mas não é qualquer trench coat, é o nosso trench coat.

Trench coat, em breve vocês vão entender. E menina, vai ter também saia plissada, uma calça nova de alfaiataria maravilhosa, enfim, coisas lindíssimas. E além dos descontos da semana de promo, que já vão estar absurdos, diga-se de passagem, tem frete grátis acima de R$499. E parcelamento em até 6 vezes sem juros. Então também é uma boa juntar as amigas, ou então já se planejar, montar o carrinho, ver o que que você quer, porque é bom de aproveitar, viu, menina?

Vou te falar. Então aproveitem, que vocês sabem que a gente não consegue fazer isso muitas vezes por ano. Depois de julho, só em novembro, lá na Black Friday, e até lá provavelmente muita coisa vai esgotar. Então se eu fosse você, eu já garantia as minhas peças icônicas neste momento. Então anota aí, segunda-feira começa oficialmente a promo de julho da Lela Brandão Co. Vai ter live comigo às 11 lá no Instagram, que é @lelabrandão.co, mostrando as peças novas e também contando sobre a promo.

E quem já foi em alguma live sabe que acontecem coisas malucas ali, e é provável que todo mundo saia ganhando ainda mais. Uma loucura, gente, que o Vitor não ouça o que eu tô falando. Então tá bom, a gente se vê no dia 20, né? Botou na agenda aí, live às 11, a promo começa a valer ao meio-dia, tá bom? Então espero vocês para a gente, enfim, ficar felizinha. E eu vou tentar bloquear o Vitor nesse dia. Vamos para o choro da semana, gente.

Meu choro da semana é o seguinte: eu estava maravilhada com— eu achava que era um canal do YouTube, depois eu descobri que são vários canais do YouTube que tem uma Como é que eu vou explicar? Eu amo escutar jazz instrumental enquanto eu tô fazendo coisas. Então meu livro inteiro foi escrito com uma playlist de jazz. Se vocês quiserem, eu até passo depois para vocês essa playlist, que simplesmente eu não sei o que acontece, jazz me coloca num estado assim.

Eu tenho o jazz para ler, que é um jazz mais dark assim, sabe, um jazz mais noite. Tem o jazz da manhã, que é um jazz mais calmo, o jazz do trabalho, que é um jazz mais— no Spotify coloca como coffee table jazz. Tem várias espécies de jazz. E eu tinha descoberto uma nova espécime de jazz que me fez ficar num estado de maravilhamento, que é— não sei se vocês já viram, se é uma coisa muito específica do meu algoritmo— uns vídeos no YouTube com muitas horas que são sempre umas ilustrações de gato fazendo alguma coisa fofa, tipo Tipo assim, é um gatinho preto tomando um vinho.

Qual cocada? Falei em gato, cocada, é um gatinho preto tomando um vinho com um vinil, ou um gato tomando café. E os títulos dos vídeos são perfeitos, que são assim: No Rush, Just Jazz, tipo assim, sem pressa, só jazz. Ou então, por exemplo, After Hours, tipo assim, sabe? Deu para entender, né? Tipo, after hours é tipo assim, altas horas. Midnight Noir, mas tinha uns que eram assim, tipo, you got this, sabe? Você consegue. Ou tipo aqui, get your work done, you got it, sabe?

Umas coisas que são muito, eram muito específicas para mim. A música super suave e tal, e eu tava maravilhada. Falava, gente, quem é essa pessoa incrível que fica fazendo esses vídeos de jazz instrumental com o gato, com ilustração de gato e com o título perfeito que traduz realmente mude daquele jazz. E eu tava maravilhada até que a minha fisioterapeuta falou: nossa, essa playlist é muito boa, depois você me passa. Eu falei: passo.

Aí eu fui e era, eu falei: ah, é um vídeo no YouTube, tipo assim, é um vídeo que fica muitas horas no YouTube. E aí você só dá play, ele vai indo assim, e tipo entra num looping, sabe, desses vídeos de gato. E eu estava maravilhada quando a minha fisioterapeuta pediu para eu mandar o link e eu abri o vídeo no YouTube e fui ver os comentários para ver se as pessoas estavam tão maravilhadas quanto eu com essa pessoa que criava a Jess.

Gente, que decepção quando eu vi que todos esses vídeos que eu tava viciada são de IA, inclusive as ilustrações dos gatos, inclusive o título era tudo IA. Me senti uma senhora caindo na corrente da Samara. Do Orkut. Gente, que baixo astral! Agora eu tô nesse dilema ético de eu vou parar de ouvir esses vídeos, que eu não concordo com músicas feitas por IA, ilustrações feitas por IA. A pessoa tá roubando, sabe, o trabalho dos ilustradores.

O título do vídeo que me atraiu foi feito por IA? Não, para mim já é demais. E agora eu tô nesse dilema que é, bom, não é um grande dilema, né? Assim, eu posso colocar jazz instrumental feito outras pessoas para ouvir. Mas eu tinha, eu tava gostando, sabe, de botar. Olha, vou te falar, viu, a gente tem que ficar muito atento para não cair no conto do IA. Eu caí, menina, e eu tava aqui, nossa, é sensacional esse vídeo! Falei para os meus pais até, falei, gente, ouçam só, é muito legal.

Nossa, me arrependo. Se você foi uma das pessoas que eu recomendei esses vídeos dos gatos, desrecomendo, tá? Desfalo. Como diz Priscila Evelyn, não vamos seguir, tá? Deus me livre. Se vocês tiverem playlist de jazz instrumental para me passar, por favor me passem para substituir pelos gatos de IA. Aff, baixo astral. Vamos para obsessão atual, gente. Eu já falei essa obsessão antes, mas eu vou refalar porque eu estou obcecada com o meu escritório novo.

Finalmente tá chegando a hora de eu ir trabalhar lá do meu escritório novo. E se você não viu, eu tô fazendo uma série lá no Instagram que chama Criando Meu Escritório dos Sonhos, que eu mostro, tô mostrando o processo de criar o meu escritório bem naquela vibe que eu comentei que eu queria criar, que é tapete persa, estante de madeira, cantinho do café, luminárias japonesas, iluminação baixa, todas essas coisas deliciosas, uma sala de reunião babadeira.

Então ele está vindo para o mundo, eu estou obcecada, só penso nele. Até porque eu estou gastando horrores com este escritório, é bom que ele fique perfeito. E eu tô muito obcecada. Essa semana vai chegar os móveis e eu mal posso esperar. Vai chegar minha mesa, as cadeiras das meninas, a minha cadeira. Então se você quiser ver como é que tá ficando meu escritório, vai lá no Instagram, tem vários, vários Reels numa sequência que chama Criando Meu Escritório dos Sonhos.

E ai, gente, tá muito lindo! Será que vai ficar tão bonito quanto tá na minha cabeça? Assim, o processo tá bem bonito, mas aí eu tô muito ansiosa para ir trabalhar de lá. E eu descobri que pode levar cachorro, então vou levar provavelmente meus babies para irem trabalhar de lá comigo, tá bom? Então tá bom. Espero que você tenha gostado do episódio. Foi um pouco diferente, mas foi do coração. Se foi sob encomenda para você, se você entendeu tudo que eu falei, por favor comenta aqui para eu saber.

Se você ouviu falando assim, gente, não tô entendendo nada que essa mona tá falando, comenta aqui para eu saber também, para a gente descobrir que esse episódio foi muito específico demais. E se você quiser me seguir nas minhas redes sociais, é @lela.brandão. Lá você vai ver a tour do escritório e muito mais, e cortes desse podcast, memes feitos pelos, pelo povo do saquinho de lixo sobre os episódios, e trechos estáticos para vocês compartilharem, e animações inspiradas no episódio.

Enfim, gente, um pacote completo. Você vai lá, @lela.brandão. Eu tô com a meta— olha lá o meu figo que eu quero catar— eu tô com a meta de bater 500 mil seguidores no Instagram esse ano. Estou em 489, então estamos quase. Se você quiser se juntar, e aí depois a gente pode fazer o quê quando eu bater 500 mil? Um bolo de figo, pode ser um bolo de figo para a gente desfrutar o figo. Eu amo. Se você quiser seguir a minha marca de roupas confortáveis, é @Lelabrandão.co ou www.lelabrandão.com.

Você tem desconto com cupom GOSTOSACHORONA. E compre o meu livro Vertigem. Se você se reconheceu nesse tema que eu falei no episódio de ansiedade, dos monstros que moram na sua cabeça, etc., você vai gostar bastante, principalmente da primeira parte do livro em que eu falo um pouco sobre essa minha, esse meu mergulho para falar com as vozes da minha cabeça, e junto com outras fontes bem legais que falam do mesmo tema. Então Vertigem já está à venda tanto aqui no link da descrição quanto nas melhores e quase todas livrarias do Brasil, tá bom?

Então tá bom, então até semana que vem. Um beijo e tchau! Se você ficou até o final do episódio e faz parte das divas que ficam até o final do episódio, que a gente carinhosamente chama de o seleto clube das mais mais, você falou aí da sua casa? Eu ouvi aqui da minha. Olha aqui, tá furado meu, acabei de ver que tá furado meu casaco. Eu amo. Se você faz parte do seleto clube das mais mais, as divas que moram no meu coração, e ouvem o episódio até o final e ficam nesse pós-créditos do final, por favor comenta aqui no Spotify ou no YouTube, porque agora estamos no YouTube, ou lá no Instagram nos cortes e conteúdo sobre o episódio.

Comenta com emoji de monstro. Tem um episódio, tem um emojizinho que é um monstrinho assim segurando um negócio Muito fofo! Comenta com emoji de monstro para eu saber que você vai conversar com seus monstros daí, para eles pararem de ser tão assustadores. Tá bom? Então, tá bom. Então, amo vocês, tá? Um beijinho e tchau!

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