que a sorte te encontre em movimento
sabe o estado de flow? (não o podcast, com todo respeito). então, nesse episódio eu conto como um artigo recente apontou o estado de flow como potencial regenerativo para rigidez entre corpo mente e mundo causada por traumas, e explico como é importante encontrar uma forma relaxada o suficiente e disciplinada o bastante para vivenciar o estado de flow
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- Estado de FlowRegeneração de rigidez corporal e mental · Carl Friston · Mihaly Csikszentmihalyi · Livro Flow · Diferença entre Flow e momentos oceânicos · Equilíbrio entre desafio e habilidade
- Trauma e ComportamentoO Corpo Não Guarda Marcas · Correlação corpo-cérebro no processamento de traumas · Fobia de avião
- Vida no SurfingAção no tempo da natureza · Conjunção de exercício, água gelada, sol e isolamento digital · Momentos puros que limpam por dentro
- Processo CriativoRick Rubin · David Sanger · O Ato Criativo (livro) · A sorte me encontre em movimento
- Experiências e interpretação pessoalInfluência da criação, contatos e acessos · Feminismo e a importância do contexto do discurso
- Sensualidade e Autoconhecimento CorporalCoisas Naturais (álbum) · Tribal Fusion (dança) · Ser uma pessoa relaxada no mundo
- RPG de VárzeaInspiração em bandas emo dos anos 2000 · Paulinha Listrada
- Obsessão e ruminação das traiçõesSérie da Amazon Prime · Acordo entre personagens para gerar ciúmes e ajudar em matéria
- História da mulher com hemorragiaMoletom favorito manchado
Lela Brandão:Oie! Gente, vocês já tiveram a sensação de que o tempo não tá passando? Pra mim, não sei pra você, mas pra mim seria o equivalente na escola a uma aula de física que você olha o relógio e simplesmente não é possível que essa eternidade caiba em um minuto que falta para bater o sinal. Ou na faculdade que eu fiz arquitetura seria uma aula de topografia ou estabilidade que coincidentemente envolvem física. Ou seja, temos um tema em comum. Mas sabe quando você tá num lugar, ou você tá numa conversa com uma pessoa, você tá esperando, sei lá, para tirar o RG, sabe? E parece que o tempo não passa, não passa. Pois então, vamos pensar no cenário oposto a isso. Você com certeza já viveu a sensação de fazer alguma coisa de um jeito que você tá tão imerso naquela coisa, tão imersa naquela experiência, que você— não é nem que o tempo passa rápido, é que você perde a noção do conceito de tempo. Parece que o tempo não é aplicado ali no que você tá fazendo. Isso é chamado estado de flow, e as pessoas sentem isso de muitas formas diferentes. E é sobre esse estado e a importância dele que vamos conversar no episódio de hoje. Esse episódio foi inspirado por várias coisas, Vai ser engraçado também contar para vocês, explicar como que funciona o processo de— da onde vem a inspiração dos episódios e da onde que eu sento e começo a falar. Toda semana há 3 anos, inclusive o podcast está de aniversário, 3 anos de Gostosas Também Choram nesse mês. E esse episódio foi inspirado entre o cardápio de inspirações por um TikTok que apareceu para mim da @psiqueclara. Depois eu vou mandar no nosso grupo do WhatsApp. Se você não tá, como sempre está na descrição do episódio. Você pode pesquisar por Gostosas Também Choram lá no WhatsApp. E ela é obviamente uma psicóloga, e ela tava falando sobre um artigo novo que foi publicado na ciência que se chama O Corpo Não Guarda Marcas. O tema do TikTok é que na verdade eles usaram isso como um clickbait, que significa tipo assim só para chamar para as pessoas clicarem ali, e que não é na verdade, ele não tá falando que o corpo não guarda marcas porque tem um texto muito famoso ali na psicologia que se chama O Corpo Guarda Marcas, que fala sobre a relação de trauma e do corpo e do cérebro e de como a gente processa esses eventos traumáticos. E esse artigo não discorda disso. Essa discussão não cabe aqui. O que cabe é— eu vou dar um contexto sobre por que que eu quero puxar esse assunto sobre o estado de flow. Existe uma correlação entre o corpo e o cérebro na forma que a gente processa coisas traumáticas que aconteceram na nossa vida. Isso significa que quando acontece algo traumático, existe uma certa rigidez que pode passar pelo corpo, não em um local isolado. Então, tipo assim, ah, o meu trauma está no braço esquerdo. Não necessariamente dessa forma, mas uma forma difícil de fluir a energia entre o corpo e a mente. E basicamente o cérebro, ele funciona como se ele tivesse prevendo o que vai acontecer o tempo todo, né? E aí Ele prevê com base nas experiências que a gente já teve. E aí, se a gente passou por algum trauma, essa previsão que ele vai fazer é sempre traumática, como se esse trauma fosse se repetir. E aí, de tanto prever que isso vai se repetir, a gente acaba desenvolvendo essa rigidez, que significa basicamente um sistema que não tá fluindo direito, né, entre o seu corpo e sua mente e o mundo. Vou dar um exemplo para ficar mais claro. Eu tenho, tinha, acho, fobia de avião. Eu ainda tenho medo de avião, mas não tenho fobia. Quando eu era pequena, acho que eu já contei isso aqui no podcast, mas quando eu era pequena eu estava em um avião que deu uma despencada e caiu as máscaras. Eu não lembro disso, minha mãe que me contou, mas sempre que eu tava com os meus pais no avião eu tinha medo, mas isso não me impedia de ir, até porque eu ia fazer o quê? Não ia ficar para trás no aeroporto com 5 anos de idade, não dá. Mas quando eu virei adulta e tive que pegar avião sem os meus pais, eu desenvolvi uma fobia que simplesmente me impediu de entrar em avião. E isso eu acho, né, assim, na minha interpretação, é a replicação de um trauma. Como se entrar fisicamente um avião, e eu tenho pavor assim de cheiro de avião, e eu falo isso para minha mãe, ela acha inacreditável. Tipo, gente, mas avião não tem cheiro. Mas para mim tem um cheiro muito específico que quando eu tô em algum lugar e me vem um cheiro de avião, já me dá um mal-estar, sabe, só pelo cheiro. Então é isso, é o cérebro sentiu o cheiro e falou, ela vai entrar no avião e vai cair esse avião, e ela tá em perigo. Então, quando acontece isso, existe uma certa rigidez que passa para o corpo. Eu tive sintomas no meu corpo, né, já contei de algumas crises de pânico que eu tive em aviões. Mas não só isso, né, eu vejo como uma rigidez de como você consegue levar a vida. Por exemplo, eu fiquei anos sem pegar avião, me impedindo de realizar viagens que eu gostaria de viajar, por conta dessa rigidez que esse trauma me causou, né, essa experiência traumática. Tudo isso para falar que nesse artigo, que esse homem chamado Carl Friston, que eu não sei nada sobre o trabalho dele, só sei que ele publicou esse artigo, e eu dei uma olhada no artigo, nem cheguei a ler ele inteiro, ele trouxe uma novidade que eu acho que é uma novidade, porque eu não sou psicóloga, não saberia, não sou autoridade nisso, mas eu entendi que ele trouxe uma nova perspectiva, que é que o estado de flow que era aquele estado que a gente estava falando ali no começo do episódio, ele é capaz de regenerar esse fluxo de energia livre, né, entre o cérebro, corpo e o mundo. E momentaneamente, aí depois, quando feito consecutivamente, ele é capaz de ser regenerativo, reverter a rigidez que essas experiências traumáticas causaram. E o que que é o estado de flow, né? E aí eu saquei um livro aqui que eu li há muito tempo atrás, que se chama literalmente Flow. Eu acho que ele é um pouco coach, tá, esse livro, pelo que eu me lembro de ter lido ele. Mas ele é escrito por Mihaly— ixi, não vou saber falar esse sobrenome desse homem— é Csikszentmihalyi. Enfim, se chama Flow, em que este homem, que é um psicólogo muito conceituado, escreveu um calhamaço sobre o estado de flow e a importância dele, como você pode buscar esse estado de flow na sua vida. E basicamente, eu vou ler aqui uma definição do flow, para a gente tá alinhada para começar a conversar sobre coisas que eu pensei. Flow é um estado mental em que você está totalmente presente no que você está fazendo. Pode acontecer escrevendo, dançando, cozinhando, praticando um esporte, trabalhando, estudando, criando, conversando, ou até resolvendo um problema difícil. É aquele momento em que você pensa: nossa, nem viu o tempo passar. E eu achei muito interessante essa caralhada de exemplos de como você pode entrar no estado de flow, porque realmente assim, não existe uma forma de entrar nesse estado de fluição de energia em que você perde o contato com o tempo, e também não existe só uma forma, e também não existe uma forma individual para cada pessoa. Então, por exemplo, eu me sinto nesse lugar de desconexão com o tempo e uma conexão muito forte Não só comigo, mas com o mundo, sabe? Quando eu tô falando, por exemplo, aqui no podcast, nesse— só que precisa ser este contexto, que é eu sozinha, tipo assim, não pode ter ninguém na minha casa porque já quebra minha brisa. Eu sozinha na minha casa, no meu quarto, sem nenhuma interrupção, telefone no modo avião, falando Conectando referências, isso para mim, eu perco a noção do tempo. Para mim parece que passou 10 minutos gravando e quando eu vejo já tá 1 hora e eu já tenho que parar porque senão a Calô aparece aqui na minha casa e fala: minha filha, vamos parar porque senão não vai dar tempo de eu editar para as pessoas monas ouvirem de terça-feira. Então falando para mim é um estado de flow muito grande que eu entro. Cozinhando é um estado que eu perco muita noção do tempo, eu acho que também pelo tempo do preparo das coisas, sabe? Também da textura, dos cheiros, tipo parece que eu tô fazendo uma magia, sabe? Desenhando em paredes. Quando eu desenhava em paredes, eu sentia muito essa desconexão com o tempo. Então, ainda mais que era, para quem não sabe, né, eu trabalhei como artista por muito tempo, em que eu ia na casa ou no estabelecimento das pessoas desenhar nas paredes delas. Isso eu chamava de muralismo, né, me chamava de muralista. E como os murais eram grandes, eu me sentia muito pequena perante os murais que eu tava fazendo, mas ao mesmo tempo era como se eu sentisse que eu era muito maior do que o meu corpo, porque aquele mural ali fui eu que fiz e ele nascia a partir dos meus movimentos da minha mão. Então era esse estado de conexão, de criatividade com algo físico, era uma loucura assim. Nossa, eu saía cansada fisicamente, mas assim, regenerada por dentro. Essa era a palavra, assim. Descansada, sabe? Era um descanso criativo mesmo. E hoje em dia eu me sinto muito assim quando eu acho o livro certo e tenho as condições certas para ler. Então muitas vezes— outro dia eu passei um dia inteiro lendo, eu nem percebi. Tipo, eu percebi porque o Vitor tava comigo e falou tipo: nossa, você passou o dia inteiro lendo esse livro! E eu li o livro inteiro em um dia. Eu só parei para comer e tomar banho e ir ao banheiro. Gente, vocês viram que o Billy e o Cocada viveram um momento oceânico? Vocês lembram que eu falei que eu tava obcecada pela ideia de mostrar o mar para eles pela primeira vez? Ai, gente, ó, ver eles correndo na areia e brincando na água tá com certeza entre os meus momentos mais icônicos e meus momentos favoritos da vida. Mas eu sei que eu não ia ficar tão tranquila de viver esses momentos com eles sem o plano de saúde da Pet Love. Quem tem pet sabe que qualquer emergência pode pesar muito no bolso, e o plano me dá paz de espírito de saber que eles estão sempre protegidos. A Pet Love tem mais de 8 mil parceiros no Brasil, contratação 100% digital e microchipagem gratuita. Eles usam um sistema de coparticipação inteligente, então a mensalidade fica mais acessível e você só paga uma taxa fixa quando precisar usar os serviços. No mês de junho, usando meu cupom LELA BRANDÃO 50, vocês ganham 50% de desconto na primeira mensalidade dos planos Ideal, Essencial e completo. 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Por isso que é tão importante também a gente sempre pontuar da onde os discursos vêm, né? Quem é que tá falando essas coisas? Por exemplo, quando eu tava falando, eu comecei minha carreira falando muito só sobre feminismo, né? E eu não colocava nenhum nome, eu colocava como Frida Feminista, né? Meu nome na internet era Frida Feminista. E aí eu comecei a sentir que era muito importante que as pessoas soubessem que o meu discurso não era o discurso feminista, era um discurso feminista, né, sobre o feminismo, que partia de um ponto que era uma mulher branca de classe média de São Paulo de tantos anos. Tipo, é importante ter esse contexto, né? Mas enfim, devanhei só para falar que eu acho que as pessoas são compostas pelas experiências que elas têm, mas O que me deixa muito fascinada por essa coisa do flow é que eu acredito que o jeito que você acessa esse estado, ele não é construído, ele não vem de nenhum lugar, ele não te é dado de nenhum lugar. Você nasce com ele, pelo menos é isso que eu acredito. Então, de repente, tipo, sabe aquelas histórias de, sei lá, uma pessoa que nunca ninguém teve contato com dança na vida inteira dela, ela nunca pensou nisso, nunca foi parte do repertório dela. E aí, de repente, quando ela tem, sei lá, já é mais velha, sei lá, tipo 20 anos, não é nem na infância, sabe? Ela vai de repente frequentar um negócio de dança e ela simplesmente se encontra naquele lugar. Ou sei lá, por exemplo, semana passada eu tomei um café com a Carol Pinheiro e com a Máquina Óbriga. Não sei se vocês conhecem essas grandes divas, provavelmente sim, mas elas são super legais. Enfim, a gente tava tomando um café E aí a Carol tava falando sobre como ela se encontrou no bordado agora, assim, depois de adulta, depois de ter filho. Ela descobriu o bordado e agora ela passa horas fazendo bordado, e ela faz conteúdos que dá para você ver o quanto ela tá conectada com aquilo. E ela falou exatamente isso, que ela sente que não tem hora passando, sabe, que ela se sente realmente dentro daquela experiência. Então a gente vê muitas dessas histórias, e a parada é que Eu acredito que vem com você, sabe? Vem meio de fábrica com você, os jeitos que você entra nesse estado de flow. E cabe a você descobrir, né? Experimentar e descobrir. Porque, por exemplo, para mim, musculação, que é o que eu faço 3 vezes por semana, gente, eu olho para aquele relógio que tem na academia e nunca passa a hora. Eu olho e falo: meu Deus do céu, ainda falta 40 minutos dessa tortura. Por outro lado, eu vejo que tem pessoas na academia que ficam lá horas e assim amam aquele lugar. Amo. Mesma coisa cardio, sabe? Tipo, eu, por exemplo, se eu for fazer corrida, nossa senhora, se eu começo a correr, um minuto para mim parece uma eternidade. Agora, se você me bota para fazer uma caminhada assistindo alguma coisa, eu nem vejo o tempo passar. E eu tô ainda nessa busca. Eu sei que vocês estão me cobrando de Lê lá no começo do ano, quem não era nascida ainda. No começo do ano eu fiz um episódio sobre minhas metas, mais ou menos, né, de 2026, e uma delas era achar um exercício que me desse prazer, que não fosse, que eu não fizesse assim, porque eu preciso fazer musculação 3 vezes por semana, porque enfim, saúde e fibromialgia, mas eu queria um exercício que fosse só pela diversão mesmo assim, que eu fosse para me divertir. E eu ainda tenho essa meta, mas gente, eu tenho um ano para cumprir. Cada meta no seu tempo. Ainda estamos em junho, tenho metade do ano, vou fazer acontecer. Eu quero fazer acontecer, eu quero que seja um projeto em que eu experimente vários exercícios, porque só assim para eu me comprometer. Se for para fazer no meu tempo livre, eu sei que eu não vou fazer. Mas enfim, eu acredito que isso vem de nascença e cabe a gente descobrir, experimentar e descobrir. E aí eu peguei uma frase sobre o flow que eu acho que distingue muito, que não é exatamente o que a gente sempre discute, que são os momentos oceânicos. Eu acho que os momentos oceânicos são muito parecidos com os momentos de flow, mas os momentos oceânicos, para quem não sabe, perdeu esse contexto, a gente tem um episódio que se chama O Perigo da Intensidade, O Perigo da Intensidade, algo assim, O Perigo de Ser Intenso, não me lembro, era alguma coisa assim, O Perigo da Intensidade. Em que eu conto sobre o conceito de momento oceânico, que é basicamente esses momentos em que você e o universo são uma pessoa só, uma entidade só, uma coisa só, e você se sente preenchido por aquela experiência de um jeito que a vida vale a pena por conta disso. Estado de flow não é exatamente isso. O estado de flow é parecido, a sensação é parecida, mas a diferença é que você ativamente busca esse estado. Ele não acontece simplesmente de você estar em um lugar. Então, por exemplo, eu já contei que um momento muito oceânico para mim foi quando eu tava numa viagem, eu tava no precipício vendo uma praia, e aí o sol tava se pondo. E aí um determinado momento eu abri os braços assim, tipo meio como se eu fosse abraçar a paisagem, e bateu um vento na minha direção bem na hora que botou meu cabelo todo para trás, minhas roupas para trás. Era como se, tipo assim, eu e aquela paisagem estivéssemos se misturando. Isso é um momento oceânico, mas não é o estado de flow. O estado de flow é quando você está ativamente fazendo alguma coisa. Então eu peguei uma frase que define muito, que é assim: a felicidade que não vem tanto de buscar um prazer passivo. Você não entra em estado de flow vendo uma série, por exemplo, gente. Isso é só um prazer, um prazer fora do estado de flow, mas de organizar a consciência para viver experiências profundamente envolventes e significativas em movimento. Eu vejo isso muito, por exemplo, na leitura, porque eu não sei vocês, mas sempre que eu paro para ler alguma coisa no dia a dia, né, principalmente quando eu não tô offline, quando eu tô bastante nas redes sociais, para mim eu já entendi que para eu entrar nesse estado de nossa, não não tem mais nenhum lugar que eu queria estar. Não sei que horas são, não me importa. Não sei quantas páginas eu já li, não sei quando que eu vou parar. Para eu entrar nesse estado, eu preciso, e eu já observei isso, de 20 minutos. Os 20 primeiros minutos de leitura vão ser entediantes. Eu não vou estar conectada com aquele negócio, não vou estar sentindo o prazer que a leitura me traz verdadeiramente. Então Quando eu paro para ler, eu já sinto pensando: eu sei que por 20 minutos isso vai ser extremamente entediante, trabalhoso para mim. Então eu vou atravessar esses 20 minutos para que eu chegue no lugar que eu quero, que é o lugar de prazer e de perder a noção do tempo e me perder aqui nessas páginas. Então não é exatamente sobre você estar relaxada, Mas também é. Deixa eu tentar colocar em palavras melhores. É sobre você fazer o trabalho para conseguir estar relaxada diante de algum desafio, porque eu acho que o flow ele exige algum certo desafio, mas precisa ter— e o Mihaly fala isso no livro— precisa ter um equilíbrio entre o tamanho do desafio e o tamanho da sua habilidade. Se o desafio for muito for muito maior do que a sua habilidade, isso vai gerar só ansiedade, estresse. E se o desafio for muito pequeno perante a sua habilidade, você vai ficar entediado. Então, por exemplo, nesse caso da leitura, nesses primeiros 20 minutos, minha cabeça tá a milhão, a milhão. Ai, será que amanhã? Será que hoje? Que roupa eu vou? Que horas são? Será que eu lembrei de responder tal pessoa? E aí eu sei que eu preciso fazer o trabalho de ler apesar disso. E nessa tensão de tipo assim, meu Deus, tô lendo, que perda de tempo, meu Deus, queria tá fazendo outra coisa, será que eu fiz isso? E a lista mental que nunca acaba. Então atravessar a leitura com esse segundo plano de preocupações e vozes insuportáveis da minha cabeça para que eu chegue, que eu faça esse trabalho e chegue em um outro momento onde eu estou plenamente relaxada porque eu fiz o trabalho de atravessar o início. E essa coisa de você está relaxada o suficiente para entrar no estado de flow, mas ainda assim está se movimentando em direção a ele. Ruim, né, gente, esse nome flow. Pode ser fluidez melhor, mas vamos colocar flow porque já virou uma nomenclatura. Mas enfim, me lembrou a série Off Campus. Vocês assistiram essa série, gente? Eu vou falar dela no final do episódio, mas eu queria fazer um paralelo para quem assistiu, que tá um monte de gente pedindo para fazer episódio inspirado nessa série. Mas vocês vão entender porque que eu não vou fazer, mas vou usar ela como exemplo, que é o seguinte: a Hannah— e eu não vou dar nenhum spoiler, né, gente, obviamente— mas a Hannah, que é a personagem principal da série, ela tem um dilema desde o começo ali do da série, que ela não consegue escrever uma música. Ela precisa escrever uma música, ela não consegue entrar no estado de flow para escrever essa música. E aí fica vindo uma voz na cabeça dela, né, que fala: Hannah, só escreve, escreve, só escreve. Ela fica lembrando dessa voz. E a gente não entende por que que ela tem esse bloqueio, que ela não consegue escrever, e por que que ela sempre fala que quando ela era adolescente ela conseguia escrever super, e de repente ela consegue mais escrever. A Hannah é musicista, digamos assim, sabe? Enfim, ela canta, ela toca instrumentos, ela escreve, ela, enfim. E aí acontece uma coisa na série que a gente descobre da onde vem essa voz do Hannah só escreve. E aí ela tem um diálogo específico com a mãe dela em que ela conta algumas coisas que estavam presas no coração dela E aí, a partir dessa conversa e de tirar uma pressão que ela tava colocando na escrita, ela consegue finalmente escrever o que ela precisava e entrar em contato com esse estado de fluidez entre ela, o papel, a escrita, a música e tal. Então acho que isso reflete bem assim o quanto você precisa— não basta só você se colocar ali para escrever, escrever, escrever, que nem ela faz fazer assim, tipo, muita disciplina, e vou escrever, vou escrever. Você precisa encontrar uma forma de ter essa disciplina, mas com o objetivo de entrar em um estado relaxado da sua existência, da sua mente, do seu corpo, a ponto de você conseguir se conectar com esse estado de energia que flui entre todas essas três coisas, né? O mundo, sua cabeça e seu corpo. E isso me lembrou muito Uma entrevista que eu vi recentemente da Marina Sena para Erika Hilton. Não sei se vocês viram que a Erika Hilton lançou um podcast que se chama A Erika Pod, e ela tá entrevistando pessoas super legais, mulheres super legais, e uma delas foi a Marina Sena. E eu sou obcecada pela Marina Sena, como vocês já sabem, fui ao show dela, tenho minhas impressões sobre o show dela, que foi assim inesquecível. Mas teve uma pergunta da Erika para Marina sobre muitas perguntas sobre isso, mas teve uma em específico que era assim: da onde vinha essa sensualidade da Marina Senna, né? E eu acompanho a carreira da Marina Senna há muito tempo e dá para ver uma mudança muito palpável assim de como ela se apresenta para o mundo. E não só como ela se apresenta para o mundo, como que o mundo entra nela assim, sabe? E eu sempre tive essa impressão de 'Nossa, Marina, conforme a carreira dela vai se desenrolando, ela tá indo de um lugar tão rígido para um lugar mais relaxado.' Não à toa o álbum dela se chama Coisas Naturais, né, que são coisas que naturalmente acontecem, que não são forçadas, rígidas, etc. E a Marina deu uma resposta que a Erika perguntou, né, 'Da onde vem essa sensualidade?' Eu até transcrevi a resposta para falar exatamente o que ela falou. Ela começou a resposta falando sobre uma música do Black Sabbath, que eu não lembro agora o nome, mas depois eu posso pegar e mandar para vocês, que é uma música que fala sobre o universo e as estrelas e as galáxias e tal. E ela tava ouvindo e pensando, e ela pensou assim: nossa, acho que essa é a música mais sensual que eu já ouvi na minha vida. E é uma música que não é sobre sexo, não é sobre performance, não é sobre coisas desse tipo, é sobre o universo. E aí ela pensou assim: gente, o universo é tão sensual. E aí ela fala assim: a sensualidade é uma coisa intrínseca. Se você relaxa, você vai estar sendo sensual. E eu sou uma pessoa relaxada no mundo. Achei muito legal que ela colocou: eu sou uma pessoa relaxada no mundo. Porque relaxada dentro de casa, mas fazer o trabalho de se sentir segura a ponto de ir para o mundo e ainda assim estar relaxada é outra parada, né? Ela fala: eu vou chegar e vou sentar assim. Aí ela se bota assim largada, né, na cadeira. Eu vou chegar e vou sentar assim, porque quando você vê uma pessoa realmente confortável no corpo dela inteira, não tem nada mais sensual. Isso poderia muito bem ser uma propaganda da minha marca de roupas, né? Uma mulher confortável em si é uma revolução. E eu sempre falo isso assim, que eu tenho essa percepção muito clara que as pessoas mais atraentes, mais magnéticas e mais sensuais, nesse caso que a Marina tá colocando, são as pessoas que você olha e você vê que elas estão confortáveis em quem elas são, confortáveis no corpo delas, confortáveis ali na existência delas. E eu achei muito linda essa frase da Marina, né? E ela tem uma outra parte que ela fala, eu já tinha ouvido ela falar, sobre uma dança que ela faz, ela tem feito, e eu pude presenciar no show. É uma dança que, se eu não me engano, se chama Tribal Fusion, que é uma dança muito linda assim, que é uma dança super sensual, mas ela é— não tem movimentos assim que se referem ao sexo, sabe? São movimentos lentos e muito calmos e devagares e fluidos e tal. E aí nessa entrevista ela conta que essa dança dá muito trabalho, que exige um nível de concentração muito grande porque é muito lenta e para você coincidir com a música você precisa estar muito atenta às batidas. E tem uma coisa em específico que ela falou que eu achei linda, que ela falou que você tem que imaginar uma bolinha de luz percorrendo o seu corpo e indo até a palma da sua mão e até a ponta dos dedos. Olha o nível de trabalho e concentração para você sentir isso, essa bola de luz passando através de você. E você vê isso ao vivo no show, ela fazendo essa dança. Literalmente, a impressão que eu tive é que ela tava enfeitiçando a plateia. Ela tava tão, tipo, era uma mulher ali, né, se mexendo dessa forma, todo mundo olhando para ela, e ela com aquelas roupas e se mexendo, totalmente imersa ali. E ela até fala durante a entrevista que ela entra num estado de ser que nem o Juliano Flos, que é o namorado dela, reconhece ela ali, porque é outra coisa, né? Outra, é você e o mundo, e o tempo nem faz parte dessa equação. Então é muito lindo de ver, né, uma pessoa nesse estado. Então achei essa entrevista dela muito interessante, e é também interessante para a gente entender como o estado de flow É diferente de um prazer passivo, né, que é o que eu disse antes, porque além de você ter que trabalhar para alcançar ele, ele é diferente de um prazer. É uma sensação prazerosa, mas é, na verdade, eu sinto que é mais uma satisfação muito profunda que dura um momento, que esse momento é suficiente para sustentar sua existência por um tempo. Sabe? Porque não é uma coisa que te anestesia, tipo assim, ai, vou assistir uma série por 8 horas, vou deitar aqui assistir uma série por 8 horas, ou sei lá, tipo, ai, prazeres do mundo, né, gente? Sei lá, vou beber, vou fumar, sei lá, coisas assim. Não é a mesma coisa, não te anestesia, não te tira da existência. Pelo contrário, não é passivo. Pelo contrário, ele te coloca na existência, ele é ativo, você tá trabalhando mundo por ele. E aí, diante de tudo isso, eu lembrei de uma entrevista. Vocês veem que eu tô conectando várias coisas, mas todas vão fazer sentido com isso que eu tô dizendo. Que é, eu vi recentemente uma entrevista do Rick Rubin para um homem que, assim, do pouco que eu conheço, achei ele péssimo, que se chama David Sanger. Parece que ele tem um podcast bem grande nos Estados Unidos. Mas assim, eu vi esse trecho que apareceu para mim ali no Instagram, sabe, quando você não segue mas aparece para você. E aí fui atrás do podcast desse homem, adivinha, fui rolando, rolando, rolando para ver as entrevistas que ele já fez. Literalmente apenas homens brancos. Ele tem esse pré-requisito para você ser entrevistado por ele, você tem que ser um homem branco. E aí eu fiquei muito irritada na época. Eu vi esse vídeo e tava tão interessada nele, aí quando eu fui ver, eu broxei, falei: ai, gente, Gente, nossa, que baixo astral esse homem, velho. Bem, eu salvei esse vídeo, voltei a ele. É só um parênteses, tá, gente, que me irritou profundamente. Voltei a fuçar esse David Sanger para ver se ele tinha mudado alguma coisa, né, tipo assim, se tinha entrevistado alguma mulher ou alguma pessoa negra ou enfim de outras etnias, raças, classes, gêneros. E aí ele entrevistou, gente, entrevistou uma mulher, a Ivanka Trump. Ai, gente, juro, olha, nem se eu quisesse eu teria como defender. Então assim, eu vou fazer essa citação, posso até mandar o trecho desse, desse, dessa entrevista para vocês, mas eu quero deixar muito claro que o pouco que eu conheço desse homem já me irritou aqui da minha casa, sendo que ele tá lá nos Estados Unidos. Mas enfim, o Rick Rubin, para quem não sabe, é um cara que eu adoro. Que eu não sei para que que ele foi dar entrevista para esse homem, mas ele escreveu O Ato Criativo, que é um livro que eu fiquei obcecada por muito tempo. E ele é um, ele é várias coisas, mas basicamente ele é um produtor que já trabalhou com pessoas muito grandes, tipo Red Hot Chili Peppers, Adele, Ariana Grande, Eminem, enfim, várias pessoas diferentes entre si. E ele não é só um produtor, ele é também meio que um mentor criativo assim. Então ele ajuda os artistas a não só produzirem, mas a criarem músicas, shows e etc. Ele é bem legal, eu gosto bastante assim. Eu não conheço ele, então não sei se ele é problemático nem nada, mas o que eu li dele eu gostei bastante. E ele tem— ele fez uma fala nesse podcast que eu também transcrevi, que é sobre ser um lazy workaholic, que eu, na minha tradução livre, eu vou traduzir para um workaholic, tipo viciado em trabalho, preguiçoso. Ele fala assim: tem uma parte de mim que não quer comparecer a nenhum compromisso e eu preciso superar isso todos os dias. Eu sou um workaholic preguiçoso. Eu gosto do momento da revelação. Estamos trabalhando em algo, é apenas ok, é meio chato, entediante, eu preferia não estar lá. A sensação é essa. Mas de repente algo acontece e é mágico. Algo é conjurado no processo, como um milagre. E isso que é viciante. Você tem que trabalhar, comparecer, estar lá. Se você não está praticando permitir que a coisa aconteça, não vai acontecer. E isso coincide muito com uma frase que eu sempre falo antes de sair da minha casa ou eu começo a trabalhar aqui em casa, que é: que a sorte me encontre no caminho, que a sorte me encontre em movimento. Eu sempre falo essas duas frases quando é aniversário das pessoas. Eu sempre mando isso: que a sorte te encontre em movimento, que a sorte te encontre no caminho. Porque sorte por sorte, a pessoa pode dar sorte e não fazer nada sobre isso. Movimento por movimento, pode ser que você siga a sua vida inteira fazendo uma coisa, se dedicando uma coisa e ela pode não acontecer, mas a união de sorte e movimento pode gerar coisas mágicas, pode conjurar coisas no processo e pode ser um milagre, como diz Rick Rubin. Isso me lembrou— quantas vezes todo mundo tem que tomar um shot cada vez que eu falo isso me lembrou— mas isso me lembrou um artigo que eu li no começo do ano, nem consegui encontrar ele, mas eu fiz algumas anotações sobre ele. Que era um cara, tava escrevendo um artigo sobre como o surf salvou ele no momento muito difícil da vida dele, em que ele tava passando por um divórcio da pessoa que ele achou que era o amor da vida dele, depois dos 50 anos, enfim. E aí ele começou a praticar o surf. E eu sempre vi as pessoas que surfam como uma espécie engraçada, sabe? Porque eles estão sempre relaxados e dedicados e compromissados e tem um respeito muito grande pelo esporte e tal, e tem uma linguagem própria, tanto física quanto falada. Eu nasci, eu nasci não, eu cresci vendo Rocket Power. Meu sonho era ser surfista, mas infelizmente nasci em São Paulo, baixo astral. Não que se eu quisesse muito ser surfista eu não teria me mudar para praia, mas enfim, não, não fez parte dos meus planos, mas sempre admirei o surf. Inclusive, uma vez eu pedi uma prancha de surf de aniversário para os meus pais e ganhei. Pensa se eu surfei, deve ter surfado uma vez. Mas então, ele fala várias coisas, mas o surf em específico eu acho que é um esporte que te ajuda muito a entrar no estado de flow assim. E depois que eu li esse artigo, eu entendi muito essa coisa da de como o estado de flow pode te regenerar de uma experiência traumática, né? Ele fala várias coisas, mas basicamente, quando você tá surfando, você precisa agir no tempo da natureza, que é um tempo que você não tem controle. Você não tem controle quando vai vir uma onda boa para você surfar, você não tem controle de se vai vir uma onda boa para você surfar. Você tem que simplesmente estar presente e saber agir no tempo tempo de Deus, saber agir no tempo da onda. E aí ele fala que tem uma conjunção. O artigo era muito— ai, queria achar esse artigo. Se alguém achar, me manda, tá? Eu não sei nem o nome do artigo, então não lembro. Eu acho que eu tava, era numa revista online que eu tava assinando. Mas enfim, ele fala que o surf tem uma conjunção muito poderosa, que é um exercício, ou seja, seu corpo tá em movimento o seu corpo liberando coisinhas gostosas na corrente sanguínea, tipo serotonina, dopamina, todas essas coisas que agora esqueci, velho, mas todas essas coisas que acho que serotonina mesmo, né, que agora não me lembro, teria que chamar Bebeta Sales para falar quais são as coisinhas que saem no sangue, a Mari Krieger também. Mas então você tá fazendo um exercício, seu corpo tá em movimento, junta com água gelada, que tem coisas científicas que comprovam que você fica, você tem uma descarga de bom humor logo depois de ter. Eu acho, tá, gente, não sou autoridade, mas eu lembro de ter lido alguma coisa nesse sentido, de que depois que você entra na água gelada acontece alguma coisa psicologicamente, tipo meio que um reboot, que você tem uma descarga de bom humor momentânea, né, instantânea. Aí junta essas duas coisas com sol, que a gente sabe que também que é um esporte que você pratica no sol, né, Que a gente sabe que também vem vitamina D, que às vezes quando você tá baixo astral é porque você não tá tomando sol direito, que tem aqueles países que nem nasce o sol direito, aí as pessoas são tudo baixo astral. O isolamento digital, porque não tem como você ficar no celular quando você tá no meio do mar esperando uma onda. E o timing, né, o tempo das ondas, estar em total congruência com o tempo das Ondas. Eu acho que isso, olha só quantos fatores maravilhosos que te ajudam a entrar no estado de flow. E aí ele escreveu uma frase tão linda que eu até anotei no meu caderno, que ele fala que todo dia que ele entra no mar, ele entra em busca por momentos tão puros que são capazes de me limpar por dentro. E aí ele, durante o texto dele, ele incentiva que as pessoas procurem esses momentos momentos tão puros. E eu acho que esse é muito uma definição desse estado de flow: momentos tão puros que parece que eles te limpam por dentro, eles tiram as coisas. E é meio isso, né, que esse artigo do Carl Friston, O Corpo Não Guarda Marcas, fala, que esse estado de flow, esse momento tão puro, ele é capaz de regenerar, de reverter a rigidez, de te limpar por dentro. Achei isso tão lindo, né? E para além de tudo isso, né, o surf, mas os outros estados de flow, no meu caso. Inclusive, comenta aqui embaixo quais são os seus estados de flow. Eu vou amar, porque muitas vezes eu posso ter um estado de flow que eu não descobri porque eu nem pensei que poderia entrar em estado de flow praticando alguma coisa, que você vai comentar aqui embaixo. Eu vou falar: nossa, nunca tentei isso, vou tentar. Mas para além de todos esses fatores, também tem um fator de que a sua atenção tá totalmente focada naquele momento. Eu lembro quando eu desenhava em parede, é uma coisa que parece que domina você por dentro e que nada importa. Eu lembro que, gente, era, era uma briga interna assim, porque quando eu tava desenhando em parede, muitas vezes eu tava com uma roupa que eu gostava, só que na hora que eu tava desenhando, aquele momento era tão avassalador e puro que eu fazia tipo assim Eu já me peguei limpando tinta da parede, tipo assim, errei um negócio, aí limpava tinta da parede com uma camiseta nova. As coisas loucas, sabe? Como se nada importasse além daquilo. Já destruí inúmeras roupas. Até minha amiga Vitória, se você tiver ouvindo isso, um beijo. Minha amiga, vendo tudo isso, um dia ela me deu de presente, às vezes ela me acompanhava, né, nas paredes. E aí um dia ela me deu de presente de aniversário um avental. Ela falou: amiga, primeiro que era um avental cheio de bolsas, né, para eu colocar minhas canetas, meus pincéis e tal. E segundo, porque era para eu proteger minhas roupas, porque eu era tomada por um negócio, saía cheia de tinta como se nada importasse. E celular, gente, nem tipo assim, nem tchum, nem lembrava do celular, sabe? Não lembrava que alguém poderia precisar de mim naquele momento, porque simplesmente não era importante as coisas. Poderiam esperar os momentos que eu tava ali dedicada àquilo. E se a gente pensar na conexão da sua mente, do seu corpo com o mundo, para que esse estado de flow aconteça, né, esse fluir de energia, eu acho que tem uma frase que ajuda muito assim quando você se sente travada, se sente, às vezes você se impede de viver esse estado por insegurança com o resultado. Então assim, ah, eu eu não vou desenhar porque tenho medo de como vai ficar, eu não vou cantar porque eu tenho medo de as pessoas acharem que eu canto mal. Quando você pensar isso, que eu penso o tempo todo porque eu batalho contra essas vozes da minha cabeça sobre não pensar no resultado e nos aplausos, e sim no que eu gosto de fazer, e encontrar esse momento puro, né, que é capaz de regenerar as coisas. Tem uma frase que eu tenho ouvido bastante, não sei se tá na moda no TikTok ou se só meu algoritmo vamos falar específico, que é: o seu talento não acontece a partir de você. Então você pouco importa, tipo assim, não é sobre você. O seu talento, ou, né, as atividades que você tem prazer e faz bem e gosta de fazer, e os lugares onde você vai ser tudo que você pode ser, eles não acontecem a partir de você, eles acontecem através de você. E aí você precisa relaxar o suficiente para sentir e permitir essa união entre corpo, mente e mundo, mas tá compromissado o suficiente para que essa energia te encontre em movimento, para que ela não te encontre distraída no feed do TikTok, no for you do TikTok, para que ela não te encontre cheia de coisa na cabeça, porque ela encontre sempre exausta por N motivos, para que ela te encontre disponível e compromissada e disciplinada em estar nesse momento, sabendo que você vai ter esse desafio de que ele nem sempre começa sendo prazeroso e nem sempre o estado de flow vai acontecer. Mas para ele acontecer, você precisa comparecer, senão ele não vai acontecer. E essa coisa do talento não acontecer a partir de você e sim através de você, é o que eu queria comentar com vocês sobre os episódios e como que eu já fiz mais de 150 episódios falando por uma hora sozinha e as pessoas ouvem. Por algum motivo as pessoas ouvem. E aí vou abrir um pouco do meu processo antes da gente ir para os blocos finais, mas basicamente muita gente me manda sugestões de temas para o podcast. Todos os dias eu recebo: "Lela, fala sobre isso. Lela, fala sobre aquilo. Olha aqui um tema para o seu podcast." E eu vou falar com toda transparência para vocês: em 150 episódios, eu nunca comecei a criar um episódio a partir de uma sugestão externa. Não porque eu acho as sugestões externas ruins, mas porque para eu criar um episódio eu preciso sentir uma coisa muito específica sobre um tema. Então, se vocês acham que eu tô sempre inspirada para criar um podcast, isso não acontece. O que acontece é que eu tenho um espaço na minha agenda toda semana em que eu tenho um tempo para mergulhar em assuntos e um tempo para gravar podcast, para gravar o episódio. Esse tempo para mergulhar em um assunto é o tempo que eu fico navegando sem rumo. Foi o que aconteceu hoje. Eu fiquei navegando sem rumo pelos meus posts salvos, textos que eu já li, anotações e tal, até que de repente, gente, eu sinto uma coisa dentro de mim do tipo assim: é isso, é sobre isso que vamos falar. E eu peço muito para Deus, universo e coisas que eu acredito, antes de começar a gravar eu sempre falo a mesma coisa, que é: me permita ser uma ferramenta por onde a mensagem passa através de mim e chega nas pessoas que precisam ouvir. Eu já contei isso para vocês antes. E eu me coloco aqui sem saber o que vai acontecer. Então eu me coloco aqui com o microfone e começo a falar. Eu tenho uma lista de coisas que eu imagino que se conectem, mas por eu estar aqui semanalmente e me colocar disponível, às vezes eu erro. Às vezes os episódios não são tão legais, às vezes. E vocês reparam quando eu não tô no estado de flow, que é muito engraçado. As pessoas comentam, né, elas não falam se não está no estado de flow, mas tipo, nossa, não me conectei e tal. E os episódios menos escutados e que tem esses tipos de comentários sempre são os que eu lembro de não me sentir conectada ao tema. E eu fico muito triste depois de gravar eles. A Márcia, que trabalha comigo, que está ouvindo episódio. Inclusive, beijo, Márcia, porque ela ouve toda semana para me lembrar do que eu falei, que eu esqueço imediatamente depois que eu gravo. Ela sabe o quanto que eu fico baixo astral depois de gravar um episódio que eu acho que não foi legal, porque eu sei o que eu sinto quando um episódio é legal, e o que eu sinto me regenera, o que eu sinto me reabastece. Eu me sinto o oposto de drenada, eu me sinto alimentada por aquilo que eu tô fazendo. E quando eu me sinto alimentada pelo que eu tô fazendo depois de falar por uma hora, é porque eu sei que não é necessariamente a minha energia que tá sendo colocada aqui, é que eu tô sendo um lugar por onde a energia do mundo flui e chega até vocês. E isso não tem prazer maior para mim do que isso, não tem satisfação maior para mim do que isso. Então, minhas amigas, esse episódio é para te inspirar a essa semana tentar achar um momento um minuto para tentar se colocar disponível, para tentar entrar nessa energia fluida entre mente e corpo e universo, para tentar buscar esse estado de flow em qualquer atividade que vier na sua cabeça. Vá atrás dessas atividades. Se você pensar patins, sei lá, gente, patins, vai que— eu acompanho uma menina que eu adoro que se chama Ava Jules, eu já devo ter falado dela para vocês, ela é havaiana, faz faz uns vlogs super fofos, adoro ela, super alto astral. E ela mora no Havaí. No Havaí eu acho que não neva, pelo que eu sei, porque sempre tá calor lá, pelo que eu vejo nos vlogs dela. Mas ela de repente ficou com vontade de fazer patinação no gelo, achou um ringue de patinação no gelo lá na cidade dela, que tava nem, não era nem inverno. E agora, menina, ela em 3 aulas, ela tá, ela se filmou lá, acho que fez 3 aulas, menina, Ela é muito boa nisso e tipo ela fala: "Nossa, não sei da onde eu sou tão boa nisso, mas estar ali me faz tão bem e tal." Então pode ser uma coisa improvável, patinação no gelo, acha um ringue aí. Não foi a pessoa, o cara que foi o atleta olímpico que fez patinação no gelo agora nas Olimpíadas de Inverno? Ele não praticava num ringue dentro de um shopping center lá da cidade dele? Você nunca se sabe, gente. Pode vir de lugares improváveis, pode vir de colagem, bordado, como o caso da Carol, dança, cozinha, enfim, inventem, se coloquem disponíveis e se deixem atravessar por essa energia, porque ela é regenerativa, minhas amigas. E por fim, eu queria desejar que a sorte te encontre em movimento essa semana e nas próximas semanas, até o resto da sua vida. Tá? Se vocês quiserem levar esse mantra do mesmo jeito que eu levo, fiquem à vontade, podem roubar o mantra. Que a sorte me encontre em movimento, que a sorte me encontre no caminho. Vamos falar sobre roupas confortáveis para mulheres. Deixa eu perguntar um negócio: temos divas emo aqui ouvindo esse programa? Tem problema se você não for emo nos tempos atuais, mas você já foi emo? Você teve uma adolescência emo? Porque essa semana a novidade da Lela Brandão Co é especial para vocês. Dia 22 de junho a gente lança uma collab inspirada nas bandas emo dos anos 2000. E antes que vocês me perguntem: mas Lelo, o que que tem a ver Lela Brandão Co com cultura emo? Primeiramente, a senhora me respeite, tá? Porque eu fui emo assim, tá? Eu usei franja de lado, eu tirava foto de cima, e meu nickname era assim: Lelinha loquinha 93. Mas o que importa agora é que eu sou muito amiga de um casal emo que vocês com certeza conhecem e amam. Rufem os tambores porque vem aí, adivinha, a segunda collab da minha marca Lela Mandancô com Nanatsi Lusca. Sim, o casal gravidíssimo de Alicia. E ó, a gente ainda não contou para o pessoal do Instagram, então vamos manter esse segredo só entre nós gostosos e choronas, tá? Gente, a gente entrou tão fundo nesse tema da banda emo, assim, as roupas elas são inspiradas nesse espírito meio punk emo, uma coisa assim meio rosa, preto, cinza, sabe, uma coisa assim. E aí a gente decidiu pesar a mão no mood da campanha. E aí a gente pensou, por que não a gente fingir que a gente é uma banda emo? Eu, o Lusca e a Nath. A Nath gravidíssima, o que não tem nada mais emo do que isso, né, uma adolescente grávida. Nath não é adolescente, né, Nath tem 30 e tantos anos, mas a gente pegou e fez o editorial como se a gente fosse uma banda em um estúdio de música. Gente, enfim, vocês vão precisar seguir a Lela Brandão Co, a Nath, Lusca e eu para ver o resultado, porque ficou icônico. Quem lembra da primeira collab que a gente fez no ano passado sabe do surto que foi. Teve o hit da Paulinha Listrada que viralizou esgotou. A gente repôs. Foi uma verdadeira calamidade pública. Chega até fast fashion copiou essa Paulinho. Até comprei umas, Paulo Velho pod, para ver a cópia. Não compensa, melhor comprar as originais. E dessa vez vão ter novos modelos da Paulinho, vão ter shorts bem curtinhos do jeito que o Lusca ama, tipo meio Muay Thai. Vai ter moletom, vai ter camiseta com os desenhos da Nath, vai ter até gravata inspirada em gatinhos, que não sei se vocês sabem, os divos Nath e Lusca tem 5 gatos. E o lançamento vai ser no dia 22 de junho ao meio-dia, mas às 11 horas da manhã vai ter live no Instagram Lela Brandão Co com o casal mais divo da internet e eu, mostrando todos os detalhes da coleção. Então já separa o seu delineador preto borrado e uma agenda às 11 horas da manhã do dia 22 de junho para a gente se ver ao vivo lá na Lela Brandão Co. Tá bom, vamos para o Choro da Semana. Gente, aconteceu uma coisa tão surreal comigo. Só para contextualizar para quem tá chegando aqui pela primeira vez, Choro da Semana é um quadro de eu conto uma humilhação, alguma coisa estranha e baixo astral que aconteceu comigo, só para a gente dar risada, né? Nada grave, as coisas graves eu deixo para minha psicóloga, coitada. O que aconteceu essa semana foi uma coisa tão estranha. O Vitor pegou uma gripe, eu peguei a gripe dele, depois ele pegou de mim, enfim, procura. Mas a minha gripe foi muito rapidinha assim, demorou 3 dias, eu já tava bem. Não sei como, isso nunca tinha acontecido comigo. Beleza. E aí eu tava com esse negócio meio tipo um nariz escorrendo, sabe, que fica depois da gripe. Beleza. Aí no domingo dessa semana eu tive, eu fui para um curso de alta maquiagem. Quem amou, gente, eu amei! Depois eu vou falar mais desse curso se vocês quiserem, mas eu tô obcecada por maquiagem, não por consumo de maquiagem, mas Pelo momento de maquiagem, agora que eu aprendi, menina, nossa senhora, eu sento para me maquiar, parece que eu tô num ritual assim. Mas enfim, desculpa o parênteses. Eu tava indo para esse curso, tava super frio aqui em São Paulo, e aí eu coloquei o meu lindíssimo moletom, conjunto de moletom cinza, que é uma calça cinza e um moletom laço, para quem conhece da minha marca, que foi um grande hit e hoje em dia é o meu moletom favorito, que é um moletom lindíssimo. Era. Meu moletom favorito, vou ter que pegar outro no estoque, que é um moletom lindíssimo, a modelagem é perfeita, ele é super confortável e era perfeito para um curso de domingo, sabe? Que é tipo assim, hoje é dia de descanso, mas estamos no curso, então eu vou bem confortável e linda. Pois bem, me aprontei toda, calculei o tempo exato para chegar lá no curso, que era tipo uma meia hora aqui da minha casa. E aí eu tava saindo, eu falei, ai, sabe o quê, vou assoar o nariz rapidinho para não ter que assoar no caminho depois. Enfim, enfim, fui assoar o nariz antes de sair de casa. Gente, na hora que eu fui assoar o nariz, saiu um rio de sangue. Eu não sei explicar para vocês. Eu nunca em 32 anos meu nariz tinha sangrado desse jeito. Na hora que eu assoei e eu fiz força, saiu uma chuva de sangue, manchou todo meu moletom, manchou até a calça. Calça consegui salvar, agora o moletom parecia que eu tinha matado alguém no dente, tipo assim. Uma cena de filme de terror. Eu achei tão estranho aquilo. Enfim, aí eu não tava me sentindo mal nem nada, aí fui para o curso. Aí nunca mais sangrou meu nariz. Eu fiquei tipo, gente, o que é isso? Eu sonhei com essa cena? Enfim, no dia seguinte eu acordei, sentei para fazer xixi, começa a sentir meu nariz escorrendo. Aí eu fui passar a mão assim, sabe? Na hora que eu fui passar a mão no nariz, sangue. Eu olho no espelho, minha cara tá toda sanguentada de quando eu tava dormindo, sangrou a nariz. Gente, isso nunca tinha acontecido. Eu sei que provavelmente é secura ou estourou alguma veia, mas gente, isso nunca tinha acontecido comigo em 32 anos. Agora passou, não tá acontecendo mais, mas parecia uma maldição, não sei explicar, tipo assim, parecia que eu tinha sido amaldiçoada, porque foi uma coisa tão estranha, sem nenhum sintoma. Mas enfim, esse é meu choro da semana. Perdi meu moletom, mas ainda bem que eu sou dona da marca Vou pegar outra no estoque se tiver meu tamanho ainda. Vamos para a obsessão atual? Não teria como ser outra além de Off Campus. Gente, para quem não viu ainda, Off Campus é uma série da Amazon Prime baseada numa série de livros, parece, que foi lançada há um tempão já, pelo que eu entendi, né? E é uma série muito gostosa, gente, não é uma coisa assim super reflexiva, é uma série só super gostosa. Tem questões legais que foram trabalhadas que eu acho de formas bem legais também. E eu acabei ontem antes de dormir, tava assistindo o último episódio, achei muito legal, achei muito gostoso. Tem 8 episódios, pelo que eu entendi vai ter uma segunda temporada porque eles deixaram um cliffhanger, né, que é quando fica tipo uma história mal resolvida para resolver no próximo episódio. Só que não tem próximo episódio porque acabou a série. Se passa tipo na faculdade e a história de uma menina que ela é Músicista, ela é super dessa coisa das bandas e das canções, e super inteligente, nerdona. Não nerdona, mas sim aplicada nos estudos. E ela tem, começa um relacionamento bem improvável com o capitão do time de hóquei. Acho que é, acho que é hóquei o nome, de gelo, sabe? Aqueles que os homens fica com uns ombros gigante. Com os bastão jogando disquinho para dentro, não sei como é que chama. E aí eles têm um acordo, né, esse não é nada spoiler, gente, é no primeiro episódio que acontece. Eles têm um acordo de que ele vai ajudar ela a conseguir um cara que ela era afim através dos ciúmes do relacionamento deles, e ela vai ajudar ele a passar numa matéria que ele precisava passar. E aí a história se desenrola a partir daí. Os personagens têm muitas camadas, Tem um humor bem gostoso. Enfim, achei bem legal. Fica a recomendação, Off Campus, no Amazon Prime. Se vocês assistirem, vem me contar o que vocês acharam, tá bom? E se alguém souber quando que vem a segunda temporada, me fala aí, ok? Então, ok, meu povo, chegamos no final do episódio. Espero que você tenha gostado. Se você gostou, não esquece de me seguir nas redes sociais, @lela.brandão, no Instagram. Eu sempre posto cortes lá, posto um monte de coisinhas legais lá. Se você quiser seguir a minha marca de roupas confortáveis, você já sabe, @lelabrandão.co ou www.lelabrandão.co. Vocês têm desconto com cupom GOSTOSA E CHORONA. E compre meu livro Vertigem, que tem tudo a ver com o episódio que a gente fez hoje, porque tem a ver com a conexão da mente com o corpo. Não fala tanto da mente, corpo e mundo, mas bastante da conexão mente e corpo. Então, Vertigem, No momento que sair esse episódio, eu acho que não vai nem tá mais em pré-venda, eu acho que é venda. Então você pode comprar tanto no link que tá aqui na descrição ou nas melhores livrarias do Brasil inteiro, tá bom? Então tá bom, meu povo, nos vemos na semana que vem. Um beijo e tchau! Se você faz parte do seleto grupo das minhas divas mais mais maiorais, o supra sumo das gostosas e choronas, as icônicas, as divas. Comenta aqui com o emoji. Tô vendo algum emoji legal. Ai, comenta aqui com emoji de dinossauro. Tem dois emojis de dinossauro, você pode escolher. Eu vou comentar com emoji de T-Rex verde, que me lembra um desenho que eu amava, que era Os Anjinhos, Rugrats, Os Anjinhos, que tinha É o— como era o nome desse bicho, gente? Era o— como era o nome do T-Rex dos Rugrats? Bom, se alguém lembrar, deve ser— as pessoas devem estar gritando, né, na própria casa: o nome era esse! Enfim, se lembrar o nome do T-Rex dos Rugrats, vou agradecer. Então comenta com esse emoji aí para eu saber que você ficou até o final e faz parte. É uma identificação para eu saber que você faz parte do seleto grupo das mais mais. Tá bom, meu povo? Amo vocês. Estou saindo desse episódio regenerada no meu estado de flow. Eu espero que vocês tenham experiências gostosas e me contem depois, gente, se vocês acharem coisas que te colocam no estado de flow e experienciarem isso durante essa semana. Vou amar ouvir os relatos de vocês, tá bom? Me contem lá no Instagram, ok? Então, ok, beijos, amo vocês!
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