quem você seria se não estivesse faminta?
esses dias eu confessei pra uma amiga que to num momento complexo com o meu corpo. difícil ser mulher na atual conjuntura e não ter alguma questão, né? mas dessa vez me deu um desânimo. será que essa é uma luta eterna?
mas aí eu lembrei que eu já fui viciada em caldo em tablete, e isso me despertou raiva e esperança na mesma medida. quais os efeitos de se manter faminta por tantos anos? acho que você vai precisar ouvir pra entender.
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- A luta feminina contra a insatisfação corporal e a busca por aceitaçãopressões sociais sobre o corpo·impacto do congelamento de óvulos·influência de canetas emagrecedoras·inadequação e insatisfação com o espelho
- A fome constante e a colonização do pensamento pela comidaignorar os sinais do corpo·multitarefas e atenção plena·estudo de Ancel Keys·hunger fog
- A importância da resistência feminina contra as pressões estéticaselogios por emagrecer doente·experiência de infância com elogios·ser guardiã do próprio corpo·mulher bem alimentada é mais difícil de ignorar
- O vício em caldo em tablete como metáfora da obsessão pela comidaexperiência com anorexia·ocupação mental com a comida·distância do v vício·caminho para a aceitação
- O corpo como artefato biopsicossocial e a influência da culturacorpo entre o individual e o coletivo·afetação pela cultura·resistência às expectativas externas·divórcio do próprio corpo
- A diferença entre a relação obsessiva e a relação saudável com a comidacontrole e insuficiência contínua·paz e presença·autocontrole e dieta·saúde acima de tudo
Oiê, deixa eu te perguntar um negócio: você tá com fome? Você tá com fome do quê? Qual foi a última vez que você comeu? O que que você comeu? E o que que você vai comer para matar sua fome? Você tá com fome há quanto tempo? Você tá com fome há quantos anos, minha amiga? Quais são as consequências de ignorar os sinais do corpo por tanto tempo? Eu vou precisar ser brutalmente honesta e vulnerável e transparente com vocês nesse episódio, tá?
Tipo aquela trend que tá rolando, que é destruindo a imagem perfeita que eu criei na internet. Que é o seguinte: recentemente eu fui jantar com uma amiga minha, e nesse jantar eu levei o jogo que eu criei. Não sei se vocês chegaram, vocês lembram, vocês chegaram a ver. Eu criei um jogo de cartas que se chama Gostosas Também Choram: O Jogo, que é um jogo para inspirar conversas com base nos temas que a gente trata aqui no podcast.
Eu sempre levo esses jogos quando eu vou encontrar minhas amigas e tal, porque enfim, às vezes quando a gente quer sair da atualização, sabe, quando você só encontra as suas amigas para se atualizar do que que tá acontecendo da vida uma da outra, a gente quer ter outras conversas, a gente tem um jogo e costuma ser super legal e tal. E aí nesse jantar tava eu e minha amiga, e aí saiu uma carta. Inclusive, parênteses, esse jogo está disponível no www.lelabrandão.co.
De repente uma publi. O jogo tá disponível lá se você quiser dar uma olhada. Mas pois então, como eu tava falando, saiu uma carta que era uma carta, não vou lembrar exatamente, e eu dei esse jogo de presente para ela nesse dia. Então tô sem o jogo aqui na minha casa, mas a carta perguntava assim: o que falta acontecer para você poder dizer que se aceita completamente? E aí minha amiga respondeu primeiro e ela falou alguma coisa sobre pensar demais e o quanto isso é difícil para ela e etc.
Que às vezes ela acaba indo para lugares muito difíceis por conta desse estado de que ela realmente é muito preocupada com as coisas. E aí, enquanto ela tava respondendo, eu fiquei pensando: na minha vez de responder, eu vou ter que ser honesta. Porque qual é o propósito de gerar essa conversa se não for para ser brutalmente honesta, né? Só que eu respondi uma coisa que ela não esperava que eu respondesse, e para mim era tão óbvio que eu pensei: meu Deus, Eu estou guardando esse segredo, né, essa insatisfação, como se fosse uma farsa, como se eu estivesse cometendo uma— como se fosse contra-intuitivo ser eu e ter essa insegurança.
E o que eu respondi foi: o que está nesse momento da minha vida me impedindo de falar com peito cheio de que eu aceito quem eu sou é o meu corpo. Vamos tirar o elefante branco da sala. Eu sei que eu falo sobre corpo e aceitação do corpo, etc., e eu tenho falado sobre isso, e eu continuo, eu escrevi sobre isso, eu continuo falando sobre isso, mas eu acho que em nenhum momento eu coloco isso como se eu fosse uma autoridade, eu fosse imune às pressões que a gente sofre do nosso contexto, né?
Eu simplesmente tenho muita consciência do que tá acontecendo Mas a consciência não faz com que a gente não seja submetido a toda essa lógica de uma forma muito cruel, muito visceral e muito íntima, né? Inclusive tem um trecho do livro Girlhood da Melissa Febos que eu vou voltar. Esse livro é maravilhoso, ele é bibliografia do meu livro Vertigem, e eu vou voltar a citar ele durante o episódio. Só um PS antes da gente entrar: todas as fontes que eu citar nesse episódio eu vou deixar lá no nosso grupo do WhatsApp.
Se você não sabe onde tá nosso grupo do WhatsApp, entra no link que tá aqui na descrição, ou você pode pesquisar por Gostosas Também Choram nos canais do WhatsApp que você acha o nosso verificado. Mas tem uma frase desse livro da Marisa Febos que ela fala: saber do condicionamento não o desfaz. Sim, desde que eu congelei óvulos, né, no começo do ano, e isso afetou muito o meu corpo, né? Tanto psicologicamente, vem do meu corpo, porque você fica com uma barriga mesmo, como se você tivesse grávida.
E também tem ganho de peso. Eu pelo menos tive esse ganho de peso e mudanças muito bruscas, né, uma dose de hormônio muito alta. E engraçado que eu não vejo ninguém falando disso. Eu fui encontrar nos fundos do TikTok assim alguns relatos de como o corpo se transformou depois desse processo do congelamento de óvulos. Mas desde então, eu fiz isso em fevereiro, desde então eu tô gravando em setembro, eu continuo tendo questões com o meu corpo, e essa transformação brusca do meu corpo trouxe de volta pensamentos muito estranhos assim, que eu me vi pensando coisas que eu pensava 15 anos atrás quando eu tive anorexia.
Eu não fiz ativamente nada para perder peso, mas o que eu tenho sentido, e é o que eu falei para minha amiga, é uma uma estranha inadequação, e uma extrema inadequação. Isso piora pelo fato de que eu sou influenciadora e eu convivo muito com outras influenciadoras. E sem título de julgamento nenhum, mas muitas delas fazem, têm feito uso de canetas emagrecedoras, e isso fez com que muitas delas perdessem muito peso bruscamente.
E às vezes eu tenho a sensação de que eu sou a única que não entrou nessa onda. E eu sei que isso não é verdade, porque eu sei que tem muitas pessoas incríveis que não entraram nessa onda e continuam resistindo, né? Não que as pessoas que entraram são melhores ou piores, nem nada disso, mas é só uma questão de escolha. E é muito difícil você continuar fazendo uma escolha se todo mundo tá fazendo a escolha oposta, né? Acaba ficando mais difícil.
E o que eu tenho sentido essa inadequação e muitas vezes uma insatisfação muito grande com o espelho. Gente, eu gravei esse episódio, entrei no banho e fiquei pensando numa coisa. Então pedi para a Carol incluir esse áudio que eu tô gravando no meu WhatsApp como um adendo, tá, para o que que tá sendo falado agora, para não dar margem para interpretações, que é a seguinte: eu tentei nesse episódio não falar de canetas emagrecedoras.
O GLP-1, né, injetável. Mas não vai dar para não falar, né, porque como eu tô problematizando muito a coisa da fome constante, pode parecer que as canetas emagrecedoras podem ser uma solução milagrosa para essa questão. O que eu tenho pesquisado e ouvido de nutricionistas e médicos é que essa solução, ela, sem nenhuma recriminação ao uso, tá, para quem tem recomendação médica, para quem tem condições que o uso de canetas emagrecedoras faz sentido, né?
E como diabetes, obesidade crônica, todas essas condições que as canetas podem entrar como uma ferramenta para atravessar um período e reorganizar uma relação ali com a comida. Mas o que eu ouço é que as canetas são inibidoras da fome. Inibir a fome e o apetite não quer dizer que ele some, quer dizer que ele está inibido. E ao inibi-lo, né, ao escondê-lo, você também não consegue criar ferramentas para lidar com eles a longo prazo.
Por isso também que existem pesquisas que mostram que quando as pessoas cortam o uso das canetas, elas tendem a ganhar o peso ainda mais rápido do que se elas tiverem fazendo dietas restritivas. Então queria deixar só esse parênteses. Tem outro episódio que eu falo bastante sobre esse tema que se chama É Preciso Ter Fome. Recomendo muito que vocês ouçam. E aí eu entrei numa conversa muito profunda com a minha amiga tentando entender se isso era meu ou externo.
E a gente ficou debatendo. Ela tem uma visão muito diferente sobre isso porque ela nem mora aqui no Brasil, então ela tem outra perspectiva. E ela, o ponto dela, que ela acha que é muito cultural aqui do Brasil essa vigilância com o corpo e tal. Eu acho que tem isso, mas tem também uma vigilância em relação a ser mulher, que não tem a ver com ser brasileira, tem a ver com ser mulher. Mas claro que existem várias camadas. E eu acho que antes de entrar no assunto, eu acho que eu preciso só esclarecer que eu não sou uma mulher gorda, eu visto 44, como eu já falei aqui várias vezes, e eu não tenho como falar de outra perspectiva além da minha própria.
Quero deixar mais do que claro que eu tenho consciência do lugar que eu ocupo nessa discussão. Eu tô trazendo a minha perspectiva a partir do meu ponto de vista, que é o único que eu tenho como trazer, mas muito consciente de todos os pontos de vista e tomando muito cuidado para não ofender ninguém nesse caminho. Também acho importante falar que eu não estou romantizando obesidade, como sempre vem a patrulha quando fala alguma coisa sobre, gente, talvez emagrecer assim indiscriminadamente não seja a melhor ideia.
E vem a patrulha do, mas você tá romantizando obesidade. Gente, pelo amor de Deus, não é o caso. Se você ouve o podcast, você sabe que eu sempre falo sobre movimentar o corpo, das melhores condições para ele prosperar, sobre alimentação. Sempre falo sobre coisas que não tem nada a ver com romantizar obesidade. Mas esse é o momento. Eu acho que depois que eu falei isso para ela, muita coisa mudou. Porque às vezes você só precisa se escutar falando uma parada, se dar conta do tamanho do absurdo do que está falando, e as coisas meio que se encaixam ao normal.
Acho que isso também é o poder de uma boa terapia ou uma boa conversa, né? Ou você escrever também. Às vezes você escreve, toma consciência do que está pensando. E aí, quando a gente acabou essa conversa, né, a gente— eu dormi junto com ela nesse dia. Então a gente foi, a gente jantou e depois foi dormir. E aí a gente ficou conversando até dormir sobre isso. Quando a gente acabou essa conversa, que foi super intensa, eu olhei para ela e eu falei, amiga, eu tô tanta raiva, eu tô com tanta raiva.
E agora, olhando de volta para esse momento, eu sinto de novo a raiva que dá de ter a clareza do quanto, quanto isso ocupa da minha vida, quantos anos que eu vou continuar dedicando, mesmo com consciência de tudo que acontece, de todas as contradições e de todas as teorias, quanto que isso ainda vai ocupar da minha cabeça, da minha vida? Quanto que isso ainda vai definir o que eu sinto sobre mim mesma? Tipo assim, tá, é isso que tá entre eu e aceitar eu mesma?
Isso é para sempre? E aí eu lembrei de um TikTok, eu não sei se era um TikTok ou um post que eu vi, que era uma menina falando assim, ah, eu vi uma senhora, não lembro direito o que que era, tá, mas vou falar um pouco o conceito, só o conceito. No post, que era tipo, ah, hoje eu vi uma senhora falando que tá tentando perder 5 kg e ela tem, sei lá, 90 e tantos anos. Então quer dizer que isso não passa, quer dizer que isso é para sempre.
E aí quando eu senti essa raiva depois da conversa, foi exatamente esse pensamento que eu tive, tipo, puta que pariu, será que eu vou chegar nos 90 e tantos anos e a minha preocupação ainda vai ser se eu gosto? Se eu aprovo, eu ainda não vou conseguir olhar no espelho e me aceitar? Tipo assim, será que nunca vai chegar esse momento? Será que isso é para sempre? Mas aí eu lembrei disso aqui. Para quem não tá vendo o vídeo, eu tô segurando um tablete de tempero condensado.
Sabe o que que é isso? Eu não quero falar a marca, mas vocês sabem o que que é. É um tabletinho de tempero. E aí eu preciso fazer uma confissão, eu já falei isso em outro episódio. Foi recebido com muito estranhamento, mas eu vou voltar a falar sobre isso, que é, e sobre a seriedade que tem isso. Isso aqui ocupava um espaço na minha mente há 15 anos atrás surreal. Eu tinha um vício nisso daqui. Sim, eu tinha vício em caldo em tablete.
Isso ocupava um espaço mental e energético da minha vida que eu não consigo explicar para vocês. Eu tinha vício de comer isso. E se você conhece isso, você sabe que não tem como você comer isso inteiro. E aí, gatilhos para quem já teve ou tem distúrbios alimentares, alerta de gatilho: vou falar sobre coisas que eu fazia quando eu tinha anorexia, tá? Se isso te sensibiliza, por favor não escute. Eu inventei isso aqui, a minha mente inventou inconscientemente esse vício por isso aqui, porque justamente não tem como você comer isso assim inteiro.
Você só tem como comer em pedaços. E eu pensava nisso o dia inteiro, porque eu passava o dia inteiro pensando no que que eu ia comer. E quando eu pensava o que que eu vou comer, eu ia até a dispensa e dava uma pequena mordida desse caldo, porque ele é muito concentrado, ele enche a boca de sabor. E aí, de alguma forma, eu passava mais tempo sem comer por conta disso. E eu tinha um vício nisso. Eu levava na bolsa, eu morria de vergonha, mas eu levava na bolsa da escola, eu tinha na minha despensa, e eu a cada tantos minutos, cada tantas horas, eu levantava, interrompia o que eu tava fazendo e ia até a despensa para comer isso daqui.
E hoje, com distância de anos, eu consigo falar com muita clareza que isso aqui é uma prova clara da minha vigilância em relação ao meu corpo, mas também uma prova do quanto eu já caminhei nesse percurso. Porque eu não sei quantas vezes por dia um caldo em tablete passa pela sua cabeça hoje em dia. Tipo assim, hoje em dia, né, como se em algum momento você também tivesse tido esse vício esquisito. Quantas vezes por dia você pensa em caldo em tablete?
A não ser que você trabalhe em um restaurante que usa isso constantemente, Eu imagino que nenhuma, ou só quando você tá cozinhando algo que envolve isso. Na minha vida hoje em dia, eu nem sabia que eu tinha isso aqui em casa. Eu acho que foi o Vitor que comprou, porque literalmente não ocupa nenhum espaço da minha mente. Caldo em tablete não ocupa 0% da minha mente hoje em dia. Mas quando eu penso no espaço que isso aqui tinha na minha mente, é surreal pensar.
Que ele ocupa 0% da minha cabeça. E isso é a prova de que eu ainda tenho um longo caminho pela frente, um longuíssimo caminho pela frente. Eu vou explicar melhor, tá, sobre isso daqui, o que que isso tem a ver com o episódio. Não se desesperem, não só joguei um tablete em caldo aqui, quer dizer, caldo em tablete aqui do nada. Isso é essa coisa de eu não pensar em nenhum momento sobre isso Prova que ainda que eu tenha um longo caminho, longuíssimo caminho pela frente, eu tenho muito a trabalhar.
É aquele meme da galinha do eu ainda tenho muito a aprender. Vou mandar essa figurinha lá no WhatsApp para quem ainda não tem. Eu já caminhei para caramba, eu já caminhei horrores, horrores, mas isso aqui é a prova de que eu ainda tenho um longo caminho pela frente. Longuíssimo. E você provavelmente também tem, você que tá ouvindo o episódio. Mas isso aqui prova que é um caminho possível. Eu vou ler um trecho do livro que eu citei, que é da Melissa Febos, de Girlhood, que também ajuda a gente a ter a certeza de que é um caminho possível, o caminho até a aceitação de quem a gente é e do nosso corpo.
Ela fala o seguinte: agora esses momentos parecem prova de que o amor próprio é um instinto tão animal quanto qualquer outra função da eu. A ferocidade da minha afeição não podia ser apagada, apenas suprimida sob vigilância total. Meu auto-ódio não era autogerado, era uma expressão do ambiente fora do meu corpo. Com o tempo, eu entendi que eu poderia mudar. Passado isso, pode rir, do tablete em caldo. Pode rir, aqui tá liberado, porque, gente, aqui nós não gostamos também, choram, a gente ri na mesma medida que a gente chora.
Então assim, isso aqui, 15 anos atrás, pode dar risada, não tem problema nenhum, tá? Da série Conselhos que Ninguém Me Pediu, mas eu achei que valia a pena dar mesmo assim. Versão: você tá começando a empreender, seja guardiã do seu próprio tempo. Quando a gente trabalha com o que gosta e acredita, fica muito fácil de ultrapassar os próprios limites e deixar o trabalho invadir todas as horas do nosso dia. O problema, minha diva, é que se você pifar— e spoiler, deste jeito você vai pifar— você não dá conta de continuar projeto nenhum.
Pesei o clima demais? Mas é para o seu bem. A vida de empreendedora já tem B.O. suficiente, gente. Então bora criar soluções para facilitar a nossa vida? É por isso que a Contabilizei existe. Eles são muito mais do que contabilidade, sabe? Eles resolvem as burocracias para você e destravam o seu tempo, os números e as novas possibilidades do seu negócio. Eles te acompanham em todas as etapas de um jeito super prático, desde a abertura do seu CNPJ, que fica pronto em poucos dias e 100% online, até emitir nota fiscal direto pelo WhatsApp.
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Obrigada, Contabilizei, por patrocinar esse trecho do episódio. Voltando, vamos lá. Quando a gente pensa sobre o nosso corpo, é sempre um assunto muito difícil de ser tratado, porque é impossível tratar ele como um assunto extremamente individual, porque, né, estamos falando de um contexto de cultura. Mas também é muito, muito muito difícil não tratar ele como um assunto extremamente individual, porque cada um tem o seu corpo.
Então parece que qualquer escolha que cada um faça, ninguém pode falar nada sobre essas escolhas, porque cada um tem o seu corpo e sabe o que é melhor para o seu corpo, que é uma coisa que a gente concorda, correto? Mas quando um monte de gente começa a fazer a mesma escolha, e essa escolha começa a ser parte do que é esperado do seu corpo, acaba que a gente precisa falar porque vai interferir nas suas escolhas também, entendeu?
Então é muito difícil de falar do corpo justamente por isso, porque ele é o que o Dr. Gabor Maté chama de um artefato biopsicossocial. Vou tentar traduzir o que que significa. Sabe quando você tá na praia e aí, tipo, pensa numa praia vista de cima, tem a areia seca, né, e tem o mar que é molhado. Mas tem uma parte da praia que o mar às vezes vai e volta, e aí tem uma faixa da praia que ela é tipo molhada, mas é areia também, sabe, tipo é mar e areia.
O corpo tá aí, ele é tipo entre o individual e o coletivo, porque ele é um artefato bio. Então assim, quando a gente tá falando bio, a gente tá falando de vida, né, tipo assim, uma coisa natural, biológica, digamos assim, né, o corpo. Psico, então ele tá extremamente conectado com a nossa cabeça, né. E aí essa é a grande pergunta de será que a gente é um corpo ou tem um corpo, e é uma coisa que eu falo bastante no meu livro. E social, porque não existe um corpo isolado de uma cultura e não existe um corpo que não se afete pelo que acontece na cultura.
Mesmo que o afeto, né, o afeto que esse corpo demonstra seja uma resistência à cultura. E é importante a gente saber disso, né, do lugar que o nosso corpo ocupa nessa dinâmica biopsicossocial, porque a gente precisa saber que a gente vai ser afetada pela cultura. A cultura vai esperar coisas da gente. Isso faz parte da civilização, faz parte de viver em comunidade, que é condição de ser humano também, né? Tipo assim, pelo menos na grande maioria.
E é importante a gente saber disso e ter clareza disso, porque se a gente tiver clareza de que a sociedade vai esperar coisa da gente, fica um pouco mais difícil de convencer a gente de que o que a sociedade tá esperando a gente é algo natural, é algo instintivo e orgânico, e sim algo que existe. E quando chega na gente, a gente precisa distinguir, a gente precisa ter clareza de que tipo assim Ah tá, isso é o que o externo está esperando de mim.
O externo quer— vamos fazer, falar uma coisa para além de emagrecer— o externo quer que eu faça Botox. Tá todo mundo querendo que eu faça Botox, né? Tipo assim, tá todo mundo fazendo Botox, o que é esperado agora que eu faça Botox? Aí chega essa informação em você. Em vez de chegar assim: ah, tá todo mundo fazendo Botox, então é natural fazer Botox, então vou fazer Botox. Em vez de fazer isso, essa informação pode chegar para você e você pensar assim: Opa, pera aí, tá todo mundo fazendo Botox, então é isso que a sociedade espera de mim.
O que eu espero de mim? Eu quero fazer Botox? Ah, eu quero, que eu acho legal. Então tá. Ou eu quero fazer Botox? Ah, eu não quero gastar R$5.000. Eu não sei quanto que é um Botox. Eu não quero gastar R$5.000 em Botox, então para mim não faz sentido, não vou fazer. Ou não, eu gosto das minhas expressões, eu gosto que marque a minha cara quando eu sorrio, não entendo porque que essas pessoas não gostam. Ah tá, então Não quero fazer.
Então é importante da gente ter essa clareza dessas 3 coisas, porque aí a gente consegue resistir nas nossas escolhas, mesmo que isso significa ir contra o que o externo tá esperando de você. E muitas vezes ir contra o que o externo tá esperando de você vai salvar a sua vida, como salvou a minha, por exemplo. Porque é o que o externo quer desde que a gente é criança. E todo mundo tem um momento na infância que lembra exatamente de um, esse momento que mudou alguma coisa na sua relação com o seu corpo, que o externo força as mulheres especificamente a se divorciarem dos próprios corpos, te força a se separar, pedir divórcio do seu próprio corpo, como se ele tivesse de repente, vocês dois, né, você e corpo estavam explorando o mundo, vivendo coisas e descobrindo sensações.
E aí, em um determinado momento, você é responsável por adestrar e domar o seu corpo e vigiar ele. O primeiro passo para você começar a ser a vigia do seu corpo, né, adestradora do seu corpo, é começar a ignorar os próprios sinais. O corpo dá uns sinais como se fosse um alarme, igual quando a gente falou num episódio que eu adoro aqui, que a gente, que eu postei, que se chama Raiva. Acho que chama Raiva, que eu falo sobre principalmente a perspectiva do Dr.
Gabor Maté sobre como as mulheres são ensinadas a ignorar os sinais da raiva e quais são os efeitos de ignorar esses sinais a longo prazo. Tem sensações, tem coisas que moram nessa faixa de areia entre o corpo e a mente, que são sinais que o corpo dá para mente. Então, por exemplo, raiva é um deles. E aí pode ter sintomas psicossomáticos, como por exemplo medo, raiva, dor e fome. E não é por acaso que esse episódio, se você já ouviu o episódio da raiva, vai lembrar muito o episódio da raiva, porque quem é, qual é a sociedade que quer mulheres bem nutridas e bem resolvidas com a sua própria raiva?
Imagina o perigo, menina, imagina o perigo. Não tem mico maior do que não ser uma adulta funcional na fase da vida que a gente tá, né, minha gente? Eu sei que às vezes cansa ter que cuidar de si mesma no meio de um monte de demanda, mas tem alguns truques que podem facilitar e até deixar o processo mais delicioso. Por exemplo, antecipar as necessidades da sua eu do futuro para que ela não fique toda atrapalhada tentando segurar mil pratos ao mesmo tempo.
Pode ser simples, tipo separar o look na noite anterior, mas o que mais me ajuda no dia a dia é resolver as refeições da minha semana inteira de uma vez só. Quando a semana é corrida, eu me conheço, tem muito mais chance de eu deixar para última hora, fazer escolhas ruins, e aí vira aquela bola de neve. E para isso, nada melhor do que um freezer abastecido de Liv Up, que tem várias opções de refeições prontas desenvolvidas por chefes e nutricionistas, tudo com ingredientes naturais, sem conservantes, e ultracongeladas para preservar sabor, textura e os nutrientes.
Pelo amor de Deus, comida prática não precisa ser sem graça não, tá? A minha favorita do momento é o salmão com risoto de limão siciliano e farofa de castanha. Ui, só de falar já me dá água na boca! É só escolher suas refeições no site ou aplicativo da Liv Up e agendar a entrega. Eles aceitam Vale Refeição e Vale Alimentação para facilitar a vida das divas CLT. E com o meu cupom GOSTOSAS você ganha 15% de desconto na primeira compra.
Obrigada, Liv Up, por patrocinar esse trecho do episódio. Voltando e falando da fome, a fome para grande maioria das mulheres, a grande parte das mulheres, não é um estado temporário. A fome existe evolutivamente para avisar, né, no ser humano, avisar para um ser humano que ele está com fome, né, que ele tá precisando de nutrientes. As células precisam de uma carga de energia que vem da comida. E o nosso corpo faz coisas cada vez mais graves, né, assim, para avisar a gente, tipo, ó, você tá com fome, você precisa comer, de tempos em tempos, né, horas em horas.
A fome, para grande parte das mulheres, como o artigo que eu vou trazer aqui como fonte, que é de uma ginecologista e obstetra que se chama Sarah Berg, que infelizmente só tem esse artigo em inglês, mas eu vou deixar lá no grupo, que se chama The Fog of Hunger, Ela fala que a fome não é um estado temporário, ou seja, ela foi feita para ser um estado temporário, né, que é o corpo avisa que a gente tá com fome, a gente vai lá, come, e aí passa.
Mas para as mulheres, a fome se tornou um estado de permanência que ela chama de uma condição cognitiva, porque a gente aprende a ignorar a fome, né, a gente precisa domar essa fome porque a nossa prioridade tem que ser como diz a Melissa Febos no livro dela, murchar. E quanto mais a nossa aparência for frágil e pequena, melhor. O que é totalmente contraintuitivo se a gente pensar no reino animal, né? Porque no reino animal, quanto maior e mais forte o exemplar da espécie, maior as chances da sobrevivência e provavelmente mais chances dele ser líder daquele grupo, etc.
Mais uma vez, nós estamos romantizando obesidade. Tenta entender o contexto aqui do que que a gente tá falando. E a gente aprende a ignorar esses sinais justamente por esse objetivo de diminuir, né, de se diminuir. Só que se ignorado por tempo suficiente— vamos pensar no sinal da fome como um alarme, tá? É um barulho, você ignora, você aprende a ignorar por um tempo, depois por uns meses, depois por uns anos. Qual é o efeito disso, de você ignorando e deixando de confiar no sinal que o seu corpo tá te mandando.
Vira um barulho ambiente, como quando tem uma geladeira fazendo barulho e você não percebe porque você se acostumou com o barulho. Aí para, e aí te dá uma paz sepulcral. É a mesma coisa, só que nunca para. Essa fome é uma constante. É como se fosse um pensamento por baixo dos seus pensamentos, sabe? Tem a sua linha de pensamentos assim, reunião, criar uma estratégia do não sei o quê, ligar para não sei quem, tal, tem todas essas coisas acontecendo.
Ai, escolher roupa, conversar, ouvir o que a pessoa tá falando, tem todas essas coisas. E por baixo tem uma linha de pensamento constante que é a fome. Mas aí eu queria trazer um conceito do meu livro que é o de multitarefas, tá? No começo do meu livro eu tava interessada em um assunto totalmente diferente desse no começo, que era sobre redes sociais e sobre quanto a internet, né, essa coisa da gente tá sempre na internet, sempre nas redes sociais e com celular na mão, quanto que isso impacta a nossa presença na vida real e a nossa capacidade de fazer coisas no mundo físico, né.
E aí eu fui pesquisar sobre multitarefas, como que as pessoas que são multitarefas, como é o cérebro delas, como que funciona. E aí eu achei uma pesquisa de uns psicólogos que eles foram estudar. Eu tenho até aqui, pera aí, menina, abri bem na página. Ó, o sinal divino de que era para eu tá falando exatamente isso. Vou ler esse trecho, tá? Um grupo de psicólogos e pesquisadores de Stanford já estava preocupado com essa história em 2009, quando publicou um estudo sobre controle cognitivo das pessoas que se se consideram multitarefas.
O resultado é um pouco engraçado até. De início, eles acreditavam que iriam fazer uma descoberta sobre as possíveis vantagens que o cérebro das pessoas multitarefas tem em relação ao cérebro de alguém que só faz uma coisa de cada vez. No final, eles descobriram que não só os participantes eram péssimos em tudo— organização mental, clareza, execução— e na habilidade de fluir entre tarefas, e de ignorar as informações irrelevantes, como também não tinham a menor autocrítica.
Os participantes se avaliaram como ótimos no que faziam e acrescentaram que conseguiriam fazer ainda mais tarefas simultâneas se necessário. Mas a verdade é que o nosso cérebro não tem capacidade de se engajar em mais de uma tarefa consciente ao mesmo tempo. E aí no livro eu proponho um exercício que eu fiz pela primeira vez quando eu li aquele livro super famoso que se chama As Coisas Que Você Só Vê Quando Desacelera, que é um monge— não, é um professor de Zen budismo que propõe esse exercício.
Vou propor para você agora: tenta pensar duas coisas ao mesmo tempo. Tenta aí pensar. Pensa sobre o assunto que você tratou na sua última reunião de trabalho ou na última, sei lá, sala de aula que você teve. Qual foi o assunto abordado? Ao mesmo tempo que você pensa na última coisa que você conversou com a sua melhor amiga ou seu melhor amigo no telefone ou por mensagem de texto. Tenta pensar nas duas coisas ao mesmo tempo. Tentou?
Porque você vai ver que você não conseguiu, né? O que acontece é que os pensamentos, eles vão ocupando o mesmo. É como se existisse um espaço, e aí não tem como os dois pensamentos ocuparem o mesmo espaço, da mesma forma que não tem como dois corpos ocuparem o mesmo espaço. O que acontece é que eles ficam variando. Então você pensa em um, depois em outro, depois em um, depois em outro, como se fosse um glitch, sabe? Glitch de TV, que é tipo quando a TV dá uma falha.
É como se fosse uma falha e entra outro pensamento e volta, e entra outro pensamento e volta. E a curiosidade sobre ser multitarefas é que o cérebro humano, e eu descobri isso nas minhas pesquisas, ele precisa de 20 minutos mais ou menos para realmente estar inserido e imerso em um assunto. E entrar num possível estado de flow, que inclusive temos um episódio sobre flow, em um episódio que se chama Que a Sorte Te Encontre em Movimento.
Então, da mesma forma que não tem como dois pensamentos habitarem a sua mente ao mesmo tempo, não existe essa fome por baixo dos seus pensamentos. Ela vai interromper os seus pensamentos o tempo todo, só que ela vai interromper tanto que você vai se acostumar com isso depois que você aprende a ignorar a fome, a ponto de você achar que este é o seu estado natural de pensamento, sendo interrompida o tempo todo pela sua própria fome.
Isso não é que porque você falhou em domar o seu corpo e você é fraca e você não sabe controlar seus próprios instintos. Isto é evolutivo, é literalmente o motivo pelo qual os humanos sobreviveram, porque o corpo tem a sabedoria de interromper o que você tá fazendo para impor as próprias necessidades dele para senhora sobreviver, né? Ele tá interessado na sobrevivência de vocês, tipo assim, é algo bem maior. E aí ele vai falar uma vez, depois ele vai falar outra, e depois ele vai falar mais grave.
Daqui a pouco ele tá falando tão alto que as outras pessoas ouvem a sua barriga roncando e você se sente envergonhada por isso, sendo que o seu corpo está implorando para você nutrir ele, para dar as condições mínimas básicas de sobrevivência para que ele possa funcionar e que você possa sobreviver. E aí, quando a gente se acostuma com esse barulho da fome, que é a fome por baixo do nosso pensamento, que na verdade não tá por baixo, ela tá concomitante com os nossos pensamentos e segue acontecendo, e você fica sendo interrompida por isso.
E aí, no artigo que eu citei da Sarah Berg, que é essa médica ela fala que o nome disso, o nome desse estado de não presença e de não atenção e de não relaxamento por conta dessa fome que a gente aprende a ignorar e conviver com ela, se chama hunger fog, que traduzindo do inglês é neblina de fome. Basicamente um estado de fuga da atenção, você nunca consegue ter atenção plena. Eu vou ler um trecho do que ela relata ter vivido quando começou a perceber essa hunger fog.
Eu acho que muita gente vai se reconhecer, porque eu me reconheci muito. Durante o dia, a gente nadava, ficava deitado no concreto e falava sobre o ano que vinha. Minha atenção escorregava para fora da conversa o tempo todo. Um pensamento começava e se dissolvia no mesmo loop insistente: quanto tempo falta para o jantar? Quão pouco eu conseguiria comer quando ele chegasse? E se alguém tinha reparado no que o meu corpo estava fazendo sem a minha permissão.
Lembro de escutar um colega de equipe contar uma história longa e me dar conta de que eu não tinha ouvido quase nada. Alguma coisa mais alta havia tomado o espaço de que aquela história precisava. O que começa a acontecer, minhas amigas, é uma colonização do nosso pensamento pela fome. Isso me dá raiva. É isso que me deu raiva na minha conversa com a minha amiga, que eu te contei no começo do episódio. Porque qual é o custo de dedicar tanta energia, tanto esforço e tanto tempo para domar a sua fome?
Qual é o custo disso? Quantos pensamentos caberiam nesse espaço? Quantos pensamentos foram interrompidos para eu levantar da minha cadeira e comer esse caldo? Quanto tempo e energia eu em adestrar a minha fome durante todos esses anos, todos esses anos, e eu ainda não estou curada. E eu não sei se eventualmente eu vou estar, mas eu sigo acreditando que sim. E no que mais eu poderia ter investido esse tempo e energia? Em 1944, um psicólogo chamado Ancel Keys recrutou 36 homens— que novidade— homens saudáveis na Universidade de Minnesota.
Eu falei que novidade porque assim, grande parte dos estudos, tanto médicos quanto psicológicos, quando não é uma questão específica de gênero, eles são feitos em homens brancos. Então a parcela que a gente tem dos estudos e dados médicos que vem exclusivamente de homens brancos magros é inacreditável. E por isso que tem doenças como, por exemplo, endometriose, que só se começou a tomar forma recentemente. E eu vou falar de endometriose coincidentemente nesse episódio.
Enfim, temos esses dados desses homens, é o que vamos ter que usar para hoje, tá? Porque não temos dados de mulheres, porque esse tal desse psicólogo Ancel Keys, em 1944, não quis recrutar uma única mulher, só quis recrutar homem. Então vamos lá. E não sabemos nem se eles são, qual é a etnia deles, mas com certeza eram brancos. 36 homens saudáveis na Universidade de Minnesota, e durante 6 meses ele colocou colocou esses homens em déficit calórico, o que significa que eles estavam acostumados a comer uma quantidade de calorias e esse homem pegou e diminuiu pela metade, mais ou menos.
Ele comia mais ou menos 3.500 calorias e eles começaram a comer um pouco mais de 1.500, ou seja, foi diminuída por menos da metade a quantidade de calorias. Os resultados mostraram gradualmente e lentamente, acho importante falar isso, que os pensamentos foram sendo colonizados pela fome. A atenção migrava para comida no meio da conversa. Eles passavam mais tempo lendo menus de restaurantes, colecionavam livros de receitas. O barulho da fome ocupava tanto espaço cognitivo que pouco restava para o resto ao longo da pesquisa.
Então, quanto mais tempo eles passavam privando o próprio corpo de uma alimentação considerada ok, né, quanto mais tempo eles passavam convivendo com a fome, mais a comida colonizava os pensamentos deles, ou seja, mais a fome controlava eles. A gente fica nessa relação achando que a gente tá dominando e adestrando a fome, quando na verdade o corpo é soberano, as necessidades do corpo são soberanas, elas vão se impor. Então no final quem vence?
Ninguém vence. É igual aquele meme da Dilma: ninguém vai perder, ninguém vai ganhar, todo mundo vai perder. É exatamente isso. E é por isso que eu era viciada nessa desgrama de tablete, era exatamente por isso. Porque quanto mais eu privava o meu corpo do que ele precisava, mais eu era interrompida pela ideia de comer algo mesmo que não não seja algo, algo apetitoso. Era só a ideia de comer algo. E aí eu desenvolvi essa desgraça aqui desse vício por tempero, que pela misericórdia, gente, cada uma.
E eu era constantemente interrompida. Então eu lembro da cena constante de eu no meu quarto fazendo alguma coisa, parando, e aí enquanto eu tava fazendo essa coisa eu tava preocupada com que horas que eu ia poder parar para comer um pedaço. E aí eu ficava no meu quarto confabulando até a hora que eu não aguentava mais, ia lá e pegava um pedaço. E aí, e pensar nesse comportamento e refletir sobre amigas minhas muito próximas, amigas, pessoas que eu amo muito próximas, mulheres geniais que eu vejo que continuam vivendo nessa lógica, que é muito difícil, é muito difícil de sair, que a lógica da tá sempre pensando na hora do de que você vai comer e o que você vai comer, e se você vai comer aquilo, se você não vai comer isso.
E você tem uma festa de aniversário, você já tá pensando se você tem, você pode almoçar ou não, porque você quer comer o bolo. E do que que vai ser o bolo? E será que vai compensar você ficar sem almoçar porque você quer comer o bolo? E que tamanho do bolo? E quando te servirem o bolo, o que que você vai responder? Será que você fala que você quer um pedacinho, ou será que você aceita e come metade? Ou será que você aceita e só dá uma garfada?
E do que que vai ser? E quantas calorias tem? E essa loucura que implantam na nossa cabeça, que é uma vontade do externo, que a gente topa ou não topa, conscientemente ou não, rege a nossa vida, rege a nossa vida. E esse controle tá completamente proporcional ao quanto a pessoa tenta controlar o próprio corpo, controlar os próprios sinais do corpo. E eu, em uma vida só, nos meus 32 anos de idade, pude sentir o o que é viver nos dois lados da moeda.
Porque hoje em dia eu não, não realmente não participo dessa dinâmica de ficar pensando nas comidas, etc. Eu tenho uma outra relação com a comida que é muito, na minha opinião, muito mais tranquila e muito mais gostosa e muito mais saudável, que é uma relação de escuta e de tentar equilibrar os prazeres do agora com as prioridades do futuro. Então assim, comer fibras, vegetais, frutas, proteínas, sabe? E aí ao mesmo tempo pedir uma sobremesa, e aí treinar, sabe?
Tudo equilibrado. De uma forma que resume tudo isso é aquela minha frase que eu sempre falo, que é: eu quero dar as melhores condições para o meu corpo prosperar. E prosperar não significa chegar no objetivo para mim, prosperar é viver em sua plenitude, pensando no futuro sem deixar de estar presente e gozando do presente. Acho muito engraçado quem usa essa palavra gozando nesse sentido e não no outro, mas enfim, acabei de usar, quem diria.
E eu pude, pude em 32 anos, né, que eu tenho, sentir o que é estar dos dois lados da moeda. E que eu posso dizer que é, antes a minha relação com tudo isso era uma relação de controle, obsessão. Isso é bem importante: obsessão, compulsão, rigidez, sensação de insuficiência contínua. Falando palavras que aparecem na minha cabeça, tá? Sempre meio presente, porque era como se eu tivesse sempre, independente da situação, eu tava presente, mas eu tava muito imensamente comprometida com o objetivo que parecia o objetivo mais nobre da minha vida, que era emagrecer.
Então eu tava muito comprometida com o objetivo que para mim era o objetivo maior. Então eu até poderia desfazer relações, como eu desfiz na época, se eu sentisse que elas prejudicariam esse meu objetivo maior, que era de emagrecer. Então minhas amigas, quando elas começaram a sentir preocupação comigo, eu imediatamente cortava elas, ou de me afastar, ou de parar de falar com elas sobre isso, ou de não comer mais na frente delas, ou de comer só para elas conseguirem ver que eu tava comendo.
Enfim, e hoje, né, depois de muitos anos, e eu fico feliz de poder olhar para todo esse caminho e ver o quão bruscamente diferentes são essas sensações, hoje a relação que eu tenho com tudo isso é muito mais relaxada, muito mais presente, de muito mais escuta e consciência dos sinais do meu corpo, a ponto de— é isso, eu vou numa festa de aniversário, a a última coisa que eu penso sobre o bolo. Não porque eu não gosto de bolo, mas porque eu vou decidir na hora se eu tô com vontade ou não de comer bolo.
E se eu tiver com vontade, eu como. Se eu não tiver, eu não como. E isso não é uma grande questão. E é inclusive engraçado, porque às vezes eu tô com pessoas em eventos e aí me oferecem bolo nesses eventos de aniversário. E aí todo mundo fica tipo, aceita ou não aceita? E aí quando eu não aceito, quando eu olho e falo, não, tipo, porque eu não quero bolo naquela hora, as pessoas perguntam, nossa, mas você tem muito autocontrole, você tá de dieta?
E eu tipo, não, eu simplesmente não estou com vontade de comer esse bolo, porque eu não tenho uma vontade constante, eu não tenho essa fome que fica falando na minha cabeça. E eu tive que aprender a não ter isso para sobreviver a todo o quadro que eu passei. Em suma, o que eu sinto é muito mais paz, muito mais paz e presença de forma geral. E o que dificulta nessa essa parada dessa dinâmica entre o corpo social e o psicológico, né, é que a gente é ensinada, falam para gente na teoria de que o que importa é estar saudável, saúde acima de tudo.
Mas a nossa saúde, a nossa saúde não gera elogios, né, tipo, naturalmente, né, assim, ninguém, você não sai com seus exames e as pessoas falam: nossa, ótima vitamina D, nossa, sua densidade óssea tá maravilhosa. Isso não rende elogio. Mas emagrecer rende elogio ainda que você esteja doente. Todo mundo já passou, eu acredito. Eu já passei várias vezes pela situação, pela situação de pegar alguma virose e aí ter alguém da sua volta, alguém da sua família, alguém, alguma amiga que fala: nossa, como você emagreceu!
Aí você fala: menina, tive uma virose, tive uma diarreia horrorosa, fiquei vomitando por uma semana, e aí por isso que eu emagreci. A pessoa fala, nossa, bem que eu queria pegar essa virose. Quem nunca passou por isso, gente? Passei por isso outro dia, inclusive. Eu fui fazer um exame que eu vou contar no Choro da Semana. E aí as moças que estavam sentadas do meu lado no café da manhã, que é a melhor hora do exame, né, a hora que você tá tomando cafezinho depois do jejum.
E aí tinha umas moças do lado, duas moças e uma adolescente. Parece que elas estavam levando essa adolescente para fazer exame. E aí no final essa adolescente tava com uma virose. E aí elas comentaram Nossa, bem que eu queria pegar uma virose, que eu tenho tanta fome, queria não ter tanta fome. Porque adolescente tava falando que não queria tomar café porque não tava com fome. Você queria mesmo pegar essa virose? Vamos pensar quanto que custa você receber esse elogio.
Isso me lembrou uma vez que eu era criança, e eu nem sei se já contei isso aqui no podcast, mas o meu grupo de amigas da escola, a gente foi comemorar aniversário de alguém num um parque de diversões aqui em São Paulo. E aí todo mundo comeu um hambúrguer e esse hambúrguer tava infectado com uma bactéria. Não sei se é uma bactéria, mas algo que, um vírus, sei lá, que causou uma doença chamada Shigella. E aí, sei lá, 30 pessoas da minha escola que estavam ali pegaram essa coisa, que é tipo salmonela, como se fosse.
Saiu até no jornal, foi tipo, eu fiquei internada, sei lá, uma semana semana foi péssimo. E obviamente eu emagreci durante essa semana, né? E eu lembro que quando eu voltei, né, foram, a gente foi voltando uma por uma assim, as meninas que estavam nesse aniversário. Eu lembro que quando eu voltei, eu já disse algumas vezes aqui no podcast que eu fui uma criança com sobrepeso, né? Eu fui uma criança mais do lado de uma criança gorda do que de uma criança magra.
E aí quando eu voltei, eu recebi muitos elogios por ter emagrecido. E eu tinha 8 anos, eu tinha 8 anos, fiquei uma semana internada com xiguela. E o que chegou para mim foi um reforço positivo do tipo assim: você emagreceu, que linda, que ótimo, que maravilhoso. Sendo que eu tava internada, literalmente. Toda essa conversa para dizer, minhas amigas, que o corpo, como eu já disse, é um artefato biopsicossocial. Ele não existe isolado no mundo, apesar dele ser seu.
Então ele não— você não tem como a gente pensar no corpo sem pensar na dinâmica cultural que ele tá inserido. Mas ele é seu, e é importante pensar sobre tudo isso para você conseguir decidir o que que você quer fazer, apesar dos desejos externos que estão sendo impostos sobre o seu corpo. Porque o mundo e a cultura e o externo vão continuar exigindo coisas do seu corpo. Isso não vai mudar. Quer dizer, eu espero que mude, mas eu não sei se a gente vai viver para ver isso mudando externamente.
A sua fome é o seu corpo sinalizando as suas próprias necessidades para você mesma, enquanto a cultura e o externo vai continuar tentando te falar que essas necessidades não importam. Então, minha filha, seja guardiã do seu próprio corpo. Se alimente bem, movimente esse corpo, faça boas escolhas, use roupas confortáveis, faça seus exames, reponha as vitaminas que você precisa, fique forte, porque isso aqui, meu amor, isso é uma batalha.
Tá todo mundo nessa batalha, tá longe de acabar, mas a gente já percorreu um bom caminho e eu preciso que você fique forte. Para caminhar ainda mais. E eu sei que eu pessoalmente ainda tenho um longo caminho pela frente, longo, ficou bem claro nessa minha conversa que eu tive com a minha amiga. Mas eu vim de muito longe, eu vim de muito longe, minhas amigas. Eu não pretendo parar de caminhar e eu espero poder ver vocês no caminho.
E aí, abrindo meu coração, eu sou uma pessoa só, né? Apesar de eu ter essa projeção da minha voz para centenas de milhares de pessoas. Eu sou só uma pessoa, eu só tenho como fazer isso. Eu tô fazendo tudo que eu posso através desses episódios no podcast, através da minha marca de roupas, que não é— ironicamente tem tudo a ver com esse episódio— através do meu livro, através dessas discussões que eu tenho tentado levantar. Mas eu preciso de mais pessoas.
Então, dentro das suas capacidades, e do seu alcance de impacto. Como eu disse, o corpo é muito complexo porque ao mesmo tempo que ele é muito individual, a gente precisa conversar coletivamente sobre ele. E eu tenho tentado começar essas conversas porque eu tenho visto que elas também têm sido cada vez mais raras. Então eu conto muito com vocês para continuar a conversa, para amplificar esses assuntos em qualquer que seja a dimensão do que que vocês fazem, seja se você trabalha em um ambulatório, se você trabalha no casting de modelos de uma marca, se você tá num, tem de alguma forma algum tipo de influência sobre pessoas que estão muito obcecadas por emagrecer, se você consegue recomendar um livro para alguém, se você consegue compartilhar esse episódio com alguém que tá precisando ouvir essa conversa, vamos Vamos cada uma se entender como responsável nesse movimento, porque é um movimento avassalador que tem a ver com todas nós.
E eu preciso de mais gente. Não que eu seja a única pessoa que esteja fazendo isso, longe disso. Tem pessoas incríveis fazendo isso, mas tem mais pessoas fazendo post sobre magras, magras, magras. E que que eu peguei uma virose porque pelo menos eu emagreci. Tem mais pessoas assim hoje em dia. Então a gente precisa falar mais alto, é assim que funciona a resistência. E aí eu vou pegar um trecho final desse artigo maravilhoso que chama The Hunger of Fog, em que ela fala o seguinte: uma mulher bem alimentada é mais difícil de ignorar, mais difícil de exaurir, mais difícil de convencer de que o próprio pensamento não vale a pena ser seguido até o fim.
Uma presença que preenche o ambiente em vez de se encolher para caber nele. Não ironicamente, como eu disse, é precisamente por isso que eu faço a minha marca. É isso que me mantém em tempos de dificuldade na marca, porque eu sei o quanto é disruptivo ter uma marca de roupas que as roupas querem, né? Elas são feitas para que você preencha elas e não para que você se encolha para caber nelas. Enfim, só uma curiosidade. Vamos falar sobre roupas confortáveis para mulheres, meu amor?
Se você chegou agora, essa é a parte do podcast que eu falo sobre os bastidores da minha marca de roupas confortáveis, a Lelabrandão.co. Pode ser? Dessa vez eu vou aproveitar para te apresentar um dos nossos best-sellers, caso você nunca tenha comprado na marca, né? Porque se você comprou na marca, muito provavelmente essa foi sua primeira compra. E aí, se esse for o caso, comenta aqui porque eu quero saber. Porque vamos, hoje vamos falar dela, a mais mais, a aclamada, pedida, suplicada, ela imbatível, a calça Effortless.
Gente, essa calça a gente lançou tem uns 3 anos e até hoje ela segue no ranking de mais amadas, mais compradas e mais pedidas pelas nossas clientes. Vira e mexe ela esgota e a gente segue repondo porque ela é icônica. E aí a gente repôs ela recentemente, por isso que eu tô falando dela agora, porque tá no site. A gente repôs ela nas cores preta, não pode faltar, e na cinza chumbo, que é uma coisa maravilhosa. E a gente tem do PP ao G1, que no total são 7 tamanhos, né?
Enfim, é meio confuso, mas confia em mim. E por que que essa calça é tão amada, gente? É só uma alfaiataria normal? Meu amor, você acha que eu queria uma calça de alfaiataria normal? Fala para mim. Essa calça, que é um nosso clássico, ela foi a primeira calça de alfaiataria que a gente criou com uma solução para calça se adaptar à sua cintura e à sua barriga. Porque eu comecei a me irritar muito de trabalhar e as calças de alfaiataria mais ajeitadas que eu tinha, todas na hora que você ficava sentada aqui assim 90% da hora que você tá trabalhando fica apertando na barriga.
E aí eu decidi colocar um elástico na lateral, porque até então a gente já tinha lançado algumas calças de alfaiataria, só que ela tinha elástico na parte de trás inteira, sabe? Tipo, na frente ela era reta e atrás tinha o elástico. Só que eu acho que para alfaiataria isso dá um ar meio despojado, que não é muito o caso assim. Na alfaiataria você quer as coisas mais um caimento mais reto mesmo. E aí eu falei, e se a gente pegasse a mesma quantidade de elástico que a gente põe na parte da bunda, né, atrás, e a gente deslocasse para dividir por 2 e colocasse na lateral?
E aí a gente colocou os elásticos franzidos na lateral porque você sempre tá com o braço ali, né, cobrindo, e raramente as pessoas te veem de lado, né, sem o braço na frente. Então não é algo que ia atrapalhar no caimento da calça. Gente, resumo da ópera, ficou ficou icônico. A gente colocou um bolso encaixado na frente assim, que ele junta com umas pregas que tem na calça, que o bolso não termina nunca. É inacreditável, juro para vocês que cabe uma garrafa de 2 litros no bolso.
Tipo assim, coisas que realmente só poderiam ter sido criadas por mulheres. E além disso, ela tem um caimento super amplo assim, fluido. O tecido é uma delícia, vai bem verão, vai bem no inverno. Enfim, tem um motivo pelo qual ela é tão querida e best-seller. E sabe o que que cabe também no bolso? O jogo do Gostosas Também Choram. Se você quiser levar para jogar com as amigas, para levar num date— fiquei sabendo, uma pessoa vai ouvir esse trecho, vai dar risada.
Me foi revelado que uma das pessoas com quem eu convivo todos os dias basicamente levou o jogo para um date e foi um sucesso. Falo primeiro date e foi um sucesso. Se você não sabe do que eu tô falando, a gente criou um jogo do Gostosas Também Choram, tá lá no site da Lelabrandão.co, que tem cartas inspiradas nos temas dos episódios que vocês mais gostam. Que é assim, para, sabe essas conversas que a gente tem no Gostosas? É para você trazer essas conversas para o mundo real e realmente trocar com outras pessoas, não ficar só ouvindo, né?
Trazer essas conversas para sua vida. E é muito legal, são 50 cartas que tem vários temas diferentes. Tem autoconhecimento, amor, felicidade, conexão, enfim. As cartas são belíssimas, tem ilustrações em homenagem aos episódios mais queridos. Então tem uma ilustração de Figo, tem uma ilustração do rancho, tem as florezinhas tristes, tem a porta amarela. Enfim, se você é do seleto grupo das mais mais, você vai saber do que eu tô falando.
Então se você ainda não tem o jogo do Gostosos Também Choram, esta é uma ótima oportunidade e ele vai caber no bolso da sua calça effortless. Gostaram? E para melhorar o negócio, tem desconto para você que ficou até aqui me ouvindo falar da minha marca de roupas confortáveis. Gostaram? Usando o cupom GOSTOSASDOPOD você ganha R$10 de desconto em qualquer compra na Lelabrandão.co. Mas é só hoje, me passaram que é só hoje durante a data que sai esse episódio, que é dia 29 de setembro, tá bom?
Eu, quando sair esse episódio, vou estar de férias, vou estar offline, mas estou vindo aqui do passado para falar com vocês aí no futuro que eu deixei esse cupom criado e vai estar valendo durante 24 horas. Este é o meu presente para vocês, tá bom? Agora sim, vamos para o choro da semana. Vamos para o choro da semana que tem a ver com o exame que eu contei que eu fui fazer, tem a ver com endometriose, e as moças que estavam do meu lado que falaram que queriam ter virose.
Gente, choro da semana é um trecho do episódio. Nossa, que pesado que foi esse episódio! Só uma curiosidade para vocês saberem, é a segunda vez que eu tô gravando esse episódio, porque a primeira eu achei que ficou péssima, e eu espero que dessa vez tenha ficado melhor. Eu anualmente tenho que fazer um exame porque eu há muitos anos atrás fui diagnosticada com endometriose, e aí eu já fiz vários tratamentos para isso e consegui reverter tratei quase totalmente o quadro, mas eu preciso continuar monitorando.
Então eu tenho que fazer um exame muito agradável que se chama ressonância de pelve todo ano. Vocês já fizeram esse exame, minhas amigas? Se a resposta for não, você é privilegiado, sim, porque esse exame humilha a pessoa. É um exame que todo ano eu faço e eu penso: eu preciso passar por isso para lembrar da minha condição de ser humano e essa humilhação anual, sabe, que te traz de volta para o eixo. Porque esse exame tem um preparo no dia anterior.
O preparo consiste— e aí, se você tiver comendo, gente, passa aí 2 minutos para frente que eu vou falar coisas péssimas, tá? O preparo consiste em tomar muitos laxantes no dia anterior. Então você tem que tomar um às 8 horas da manhã. Eu tive que tomar pelo menos— cada vez que eu vou fazer esse exame, eles mudam a lógica do quanto de laxante que você tem que tomar. Depende do laboratório também, mas esse laboratório pediu para tomar um laxante às 8 horas da manhã, outro às 4 e outro às 8.
Vocês imaginam o estado que eu cheguei às 8 horas da noite, tá? Aí depois eles falam para antes de dormir você introduzir um supositório de glicerina. E aí, minha gente, e aí você tem que introduzir outro imediatamente depois de acordar. Ou seja, para já acordar naquele susto, entendeu? Já acordar. Eita! Ai, que humilhação, gente! É tenebroso, é horrível. Você tem que fazer isso, pelo que eu entendi, que é para limpar o intestino, para você conseguir ver melhor os focos de endometriose, né?
Para não confundir com conteúdos intestinais. Mas aí eu tava nessa situação, né? Tem que ter muita força de vontade e ignorar os sinais do corpo por um dia. Na hora que você vai colocar o laxante para dentro, tudo, tudo em você grita para não colocar, mas você tem que colocar porque você tem que fazer esse exame. Aí naturalmente, né, eu tava com muita dor de barriga e eu só consegui sair do banheiro às 2 da manhã para deitar para dormir.
E aí eu falei, nossa, graças a Deus, eu acho que passou, acho que já foi tudo, agora eu vou deitar para dormir. Deitei às 2 da manhã, gente, sem brincadeira, Na hora que eu deitei, coloquei meu vídeo da Beta Boechat para assistir, que eu já falei para vocês que eu amo assistir antes de dormir, começou uma obra na rua da minha casa. Da minha janela dá para essa rua, janela do meu quarto dá para essa rua, com uma britadeira, britadeira na frente do meu quarto.
Essa britadeira prosseguiu das 2 às 4 da manhã, com o meu cachorro Cocada enlouquecendo. Com banheiro, com banheiro não, olha, olha o inconsciente, com o barulho da britadeira. Ele latia, era uma latição, uma britadeira e um desespero, e os cachorros da rua latindo. E enfim, eu fui conseguir dormir para mais de 4 horas depois que a britadeira parou. E eu já tava naquele estado assim de humilhação, de passei o dia me revirando meu intestino no banheiro.
Não consegui dormir, acordei no dia seguinte, tem que ir no exame de jejum. Então acordei, fui para o exame morta de fome, que é o tema desse episódio inclusive. Cheguei lá e aí teve uma pessoa antes de mim. Quando eu tava indo para lá, eu recebi uma ligação da pessoa do laboratório e falou assim: a senhora tá vindo? Eu falei sim. Aí ele falou: ah, se você quiser pode vir com calma porque o seu exame vai atrasar um pouco porque o paciente anterior a você teve uma intercorrência.
Resonância. Aí eu, meu Deus do céu, que intercorrência é essa? Fui ver, cheguei lá, eles falaram, olha, ele teve, um adolescente teve crise de pânico ao entrar no buraco da ressonância, aquele tubo da ressonância. E aí o exame que era para durar meia hora durou 2 horas. Ou seja, o meu exame atrasou 2 horas e eu em jejum, morrendo de fome. Chegou a minha hora de fazer o exame, já tinha passado por todas essas humilhações. Aí a enfermeira foi enfiar o meu— esse exame é feito com acesso, né, porque eu precisava colocar contraste.
E aí ela foi colocar o acesso no meu braço. Eu acho que ela tava tão nervosa com o paciente anterior que ela enfiou a agulha de um jeito que eu nunca vi na minha vida. E olha que eu faço esse exame anualmente. Ela enfiou a agulha para cima na minha pele, eu conseguia ver a agulha Tipo assim, na diagonal, quase saindo da minha pele. E o meu braço ficou preto de tão roxo que ficou. Doía muito. Eu, moça, tá certo isso? Ela, não tá certo, tá certo, é assim mesmo, é só fita, não sei o quê.
Gente, não tava certo. Enfim, fui fazer o exame, que geralmente é tenebroso para quem tem, já teve crise de pânico, é tenebroso. Mas para mim, a parte mais light de todo esse processo foi fazer esse exame que dura meia hora com barulho na sua cabeça. E aí ainda, quando eu saí para tomar o café da manhã, que é a melhor parte, a melhor parte, a hora que você sai para tomar o seu cafezinho e comer um lanchinho ali no laboratório, tava essas mulheres do meu lado falando que queria pegar virose.
Pela misericórdia, gente! Vamos para obsessão atual para aumentar um pouco o mood desse episódio. Gente, eu e o Vitor estamos obcecados por uma série. Calu, você que tá editando esse vídeo, você vai amar essa série, que se chama Batalha de Destinos. Batalha dos Destinos é uma série sul-coreana que reúne 40 e tantos videntes. Quem teve a ideia desse reality show merece um prêmio. Eles chamaram 49 videntes de todos os tipos. Tem muitos xamãs, que eu tô achando o máximo acompanhar os xamãs.
Eu nunca tinha visto assim pessoas em reality shows que são xamãs. Tem os tarólogos, tem leitor de pé, tem leitor de rosto, Tem vários tipos de videntes e eles ficam concorrendo. Eles têm, é um jogo em que eles precisam determinar quem é o melhor vidente. Eles passam por várias dinâmicas lá para determinar o melhor vidente. Gente, é sensacional, sensacional! Eu e Vitor, a gente não chegou no final ainda, mas eu tô amando cada episódio.
Parabéns para quem teve essa ideia desse reality. Tá no Disney Plus para quem quiser ver. Maravilhoso, 10 de 10! Minhas filhas, chegamos ao fim do episódio. Nossa Senhora, não aguento mais falar. Espero que você tenha gostado. Se você quiser me seguir no Instagram, ver cortes e etc. desse podcast, compartilhar esses cortes para quem sabe esse episódio chegar em mais pessoas, se você achar que é o caso, entra lá no meu Instagram que é @lela.brandão.
Tem o meu TikTok também que é @lela.brandão. Lá às vezes eu apareço me maquiando e falando sobre os temas dos episódios. Se você quiser seguir a minha marca de roupas confortáveis para mulheres, a Lela Brandão é @Lelabrandão.co ou www.Lelabrandão.co. Você tem desconto com cupom Gostosa e Chorona. Compre o meu livro Vertigem. Se você gostou do assunto desse episódio, tem muita coisa no meu livro que acho que você vai gostar, principalmente na última parte que eu falo bastante sobre corpo.
Ele tá nas melhores livrarias e a maioria das livrarias do país, e também no link que tá aqui na descrição do episódio, se você preferir. E entra lá no nosso grupo do Zap. E é isso, gente, chega, chega! Tchau, como diz a Priscila Evelyn, tchau, tchau, até semana que vem! Se você ficou até o final desse episódio e faz parte do seleto clube das mais, mais, das maiorais, das minhas divas preciosas para quem eu faço esses episódios.
Eu e o meu tablete em caldo, primeiro te desejamos todas as coisas mais lindas do mundo. Só queria te mandar esse desejo aí, que hoje, minha amiga, hoje você vai receber uma boa notícia. Tô sentindo, eu tô sentindo que uma boa notícia vai estar no seu caminho. Você vai receber essa boa notícia e você vai lá no meu Instagram e contar dessa boa notícia. E eu tô ansiosa para saber o que que aconteceu na sua vida, tá? E aí você comenta aqui embaixo com o emoji de— eu tô com o microfone?
Comenta aqui embaixo no Spotify ou no YouTube, se você tiver vendo pelo YouTube, com o emoji de bola de cristal. Ou você pode comentar também lá no meu Instagram, porque aí você vai ser ainda mais seleta, porque o povo do Instagram às vezes não escuta podcast, ele não vai saber o que que você tá falando. Mas comenta aqui com emoji de bola de cristal, tanto em homenagem aos videntes da série Batalha de Destinos quanto em homenagem a eu estou prevendo, estou manifestando, estou decretando a boa notícia que vai chegar na sua vida hoje, tá?
E essa é a minha vidência do dia, gente. Pelo amor de Deus, tchau, tchau, tchau! Deixa eu ir. Beijos! Chamo vocês até semana que vem. Mua, mua, mua!
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Marmitas