Episódios de gostosas também choram

por que desejar é melhor que ter?

22 de setembro de 20261h5min
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o que que é melhor, ficar satisfeito com o que você já tem (e não se movimentar pra ter outras coisas) ou nunca ficar satisfeito (e conquistar um montão de coisa por esse desassossego)? essa pergunta me perturbou o suficiente pra virar um episódio inteiro de podcast. divirtam-se.

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Participantes neste episódio1
L

Lela Brandão

HostInfluenciadora
Assuntos6
  • A ânsia de ter e o tédio de possuir na busca por satisfaçãoo ultimato e a satisfação·Schopenhauer e a roda do desejo·a felicidade como exceção
  • A importância de discernir desejos próprios de desejos alheiosimpacto de desejos alheios·o filtro para identificar desejos próprios·comprometimento com desejos benéficos
  • A fuga do vazio existencial através da busca incessante por desejosa máquina de desejos e a falta·o exemplo do desejo de fazer xixi·a vida como sofrimento
  • Estratégias para esticar a satisfação e evitar o tédio de possuircelebrar conquistas e saborear·imaginar a perda para valorizar·a perspectiva do Lusca sobre o trabalho
  • A criação de novos sonhos e a aceitação da impermanência da felicidadeo prazer de criar novos sonhos·a vida como um vale de lágrimas com oásis·o horizonte que nunca chega
  • A reflexão sobre o filme The Moment e a carreira de Charli XCXa transição de underground para mainstream·a batalha entre arte e comercial·a relevância para o tema do episódio
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LBLela Brandão

Oiê, deixa eu te perguntar, qual que é seu sonho agora? Qual que é o seu maior desejo? O que que te faz levantar da cama e falar assim, preciso levantar em busca disso? Que que tá pegando aí? Agora outra pergunta: qual foi seu último maior sonho? Que que te manteve motivada a acordar, ir atrás das coisas? Qual foi a última coisa que você desejou e conquistou? Você lembra? Pode ser, sei lá, uma bolsa, pode ser um cargo, pode ser uma meta de velocidade de corrida, pode ser um relacionamento.

Qual foi a última coisa que você desejou e conquistou? Um corte de cabelo, um item de maquiagem, sei lá, pode ser qualquer coisa aí. Quanto tempo durou essa alegria, essa satisfação, essa delícia de conquistar o que você tanto sonhou? Você lembra? Pois é, minha amiga, hoje vamos falar da ânsia de ter e o tédio de possuir. Você já deve estar exausta de ouvir falar disso, mas o que aconteceu recentemente? Eu tava vendo uma série, um reality show horrível, como eu costumo fazer, que é aquele O Ultimato.

Vocês já viram esse, esse série? É na Netflix, é uma loucura, gente. Eu fico pensando na minha casa assim, o que faz um casal falar eu vou Eu topo, estou ciente, quero continuar participar deste reality, porque é uma loucura. A ideia é que são casais que já estão juntos há algum tempo e uma das pessoas do casal tá pronto ou pronta para casar e a outra não. E aí isso consiste no ultimato. Então a pessoa dá o ultimato, eles vão para esse reality show, e o ultimato é tem vários casais na mesma situação.

E aí eles se candidatam para trocar de casais, aí eles escolhem novas pessoas para ser casal. E aí eles realmente terminam com a pessoa, eles chamam as outras pessoas de ex, e entram num relacionamento de casamento com outra pessoa que eles não conhecem, que eles acabaram de conhecer. E eu digo casamento porque eles moram juntos e eles são incentivados a fazer coisas de casal casado. Por uma semana, sei lá, e depois eles voltam e têm a experiência de ser casal casado com os ex dele, que eram os namorados iniciais.

E aí no fim dessa experiência de 2 semanas eles têm que decidir se eles vão casar ou não. E aí a pessoa que recebeu o ultimato tem que decidir se vai. Eu ia falar uma expressão que nem sei se pode falar mais, que eu ouvi muito nos anos 90. Cresci nos anos 90, que é se vai dar ou vai sair de baixo. Desculpa pela expressão. A pessoa tem que decidir se vai ficar ou vai embora. Mas tudo isso para dizer que eu tava assistindo, e aí saiu uma nova temporada, acho que dos Estados Unidos ou da Inglaterra, sei lá.

Sei que eles falam inglês agora, não me lembro qual era a origem, procedência desse inglês. E aí tinha um casal que me levantou muitas questões assim, e eu comecei a conversar com várias pessoas sobre isso, porque era um casal que a menina era empreendedora, desenrolada, tinha metas e sonhos e não sei o quê. E ela era muito motivada e muito tipo hustle culture, sabe, que eles falam, que é tipo assim a cultura do durma, quer dizer, trabalha enquanto eles dormem e vai trabalhar e vai conseguir através do trabalho, você vai conseguir tudo.

Ela era bem isso. E o menino, ele era, tá de boa, tô tranquilão, tô satisfeito aqui, eu não tenho esse negócio de querer ficar trabalhando mais e mais. Eu tô bem com a nossa casa. Ele era satisfeito ali com a situação e ele queria casar com ela e ela não sabia se queria casar com ele porque ela achava ele encostado. E aí de início quando esse casal se apresentou eu falei, eita nós, um homem encostado, né? Que novidade, mais um homem encostado, nada de novo sob o sol.

Mas aí conforme a temporada foi passando, sob o perigo de ser cancelada ao falar isso, eu fui simpatizando com ele do tipo assim, por que que eu tô achando que ele tá errado? Por que que eu tô chamando de ele encostado, ele de encostado, se ele só tá satisfeito? Ele ganha o dinheiro que ele precisa, vive a vida dele, enquanto a outra tá se lascando querendo mais e mais e mais. E aí eu fiquei com essa dúvida na minha cabeça, porque cada hora minha cabeça concluiu uma coisa: não, ela tá certa, ele tá certo, ela tá certa, ele tá certo.

E aí eu comecei a conversar com o Vitor e com outras pessoas, amigas minhas, tipo assim: tem esse casal aqui, quem que você acha que tá certo, ele ou ela? E aí a gente chegou à conclusão de que não tem certo e errado, que somos humanos, não estamos num julgamento perante a Deus, que cada um tem suas prioridades e sua quantidade de vontade com V maiúsculo. E eu digo vontade com V maiúsculo porque é o tópico que vamos entrar agora, que é Schopenhauer.

Se você não é familiarizado com Schopenhauer, o pior dos pessimistas, ele é um filósofo que fez uma equação aí da ânsia do ter e o tédio de possuir. E vontade com V maiúsculo, eu não vou explicar o conceito de vontade, depois vocês procuram aí, porque eu preciso falar de outra coisa de Schopenhauer, tá? Eu não sou filósofa, não sou estudante de filosofia, eu sou apenas interessada e curiosa sobre o assunto. Então se eu falar alguma coisa errada, eu peço perdão e eu deixo aqui o espaço aberto para que pessoas que têm autoridade sobre o assunto, que não é o meu caso claramente, me corrijam e deem a informação certa.

Então aqui eu vou trazer pinceladas do que eu sei sobre esse assunto para que a gente chegue no ponto que eu quero chegar no final, que é um ponto sobre como eu vivo a minha vidinha, para que talvez possa te ajudar a pular algumas etapas que eu penei para passar na vida, nesse esquema de satisfação e desejo, tá? O que Schopenhauer falava, caso você tenha curiosidade, é um filósofo alemão nascido em 1788 que ficava se debatendo aí com esse negócio de vontade, desejo e tal.

Pelo que eu sei, ele viveu um contexto de pós-guerra que, enfim, não vem ao caso. Mas ele entrou nessa dicotomia assim do desejo e do tédio. E ele falou uma frase que não é exatamente essa frase, mas eu vou falar essa frase aqui pelo bem da didática, que é: o mundo é uma grande oscilação, a vida é uma grande oscilação entre a ânsia de ter e o tédio de possuir. Ou seja, Ou você está em estado de buscar algo, de querer algo que te falta, ou você está no estado de estar entediado com esse mesmo algo que já te faltou algum dia.

Você, minha amiga, é uma máquina de desejos, e o desejo sempre vem da falta, que é só na falta, no vazio, que a gente consegue se conectar com os nossos desejos e sentir essa força que empurra a gente em direção a ir atrás do que a gente deseja. Mas isso quer dizer que sempre falta algo. Se a gente é uma máquina de desejo, e essa é uma definição da filosofia, né, dessa filosofia, se a gente é uma máquina de desejo, significa que o que produz esse desejo é uma condição nossa, que é a falta.

E nada nunca é suficiente. Inclusive, tem até um episódio que é um dos episódios mais ouvidos por vocês, que se chama Por que Nada Nunca é Suficiente. Se você quiser ouvir esse episódio, é muito bom, modéstia à parte. Então a gente tá preso em um esquema que é querer algo, tá? Querer conseguir algo quando damos sorte, né? Querer conseguir. Aí a gente só tem um alívio e uma satisfação breve, e aí depois vem o vazio, e aí depois a gente já quer outro algo.

Tô mentindo que é assim, minha gente? Vamos, vamos pensar na necessidade mais básica do ser humano, que é fazer xixi. Sempre que eu penso nessa coisa de desejo e alívio, me vem a imagem de fazer xixi. Talvez porque eu tenha tido muitas infecções urinárias quando eu era criança. Que é, você deseja fazer xixi, aí você quer muito fazer xixi, você só consegue pensar, tipo, começa como uma vontade assim: acho que eu preciso fazer xixi.

Aí depois vai se agravando: meu Deus, preciso fazer xixi, eu não vou conseguir sobreviver se eu fazer xixi, se eu não fizer xixi, eu vou fazer xixi na calça agora, eu preciso fazer xixi. Aí você vai entrando na sua casa e você vai vai ficando mais apertado. Quando você vê a privada, quase que já você não tá aguentando de vontade de fazer xixi. Aí você faz xixi, aí é aquele alívio. Aí você fez xixi e aí você sente aquela satisfação de tipo, nossa, pus um fim no meu sofrimento, que foi todo esse desejo de fazer xixi.

E aí você levanta e aí você, aí parece que você nunca quis fazer xixi na vida. Parece que acabou, passou, foi, foi um breve momento que eu senti alívio, acabou meu sofrimento, fiquei mais confortável. E aí você rapidamente se acostuma com o seu novo estado de sobrevivência, no seu novo estado natural de não estou com vontade de fazer xixi. Até que, aposto que você tá aí na sua casa pensando, será que eu tô com vontade de fazer xixi?

Até que você toma água ou líquido suficiente para querer fazer xixi de novo. E aí começa essa desgraça dessa roda do desejo. E aí você fica presa nesse querer alívio, satisfação, querer alívio, satisfação. E esse querer é um sofrimento, né? E vai se tornando um sofrimento a cada vez quanto mais perto você chega da ideia de que você não pode ter aquilo. Então, tipo assim, se você quer muito fazer xixi— eu nunca vou esquecer, uma vez eu peguei um trem quando era criança com a minha mãe, peguei um trem E antes da gente entrar no trem, ela falou, você quer fazer xixi?

Aí eu falei não. Aí a gente entrou no trem. Na hora que eu entrei no trem, eu fiquei com vontade de fazer xixi. E aí eu fiquei chorando porque eu pensava assim, meu Deus do céu, falta não sei quantas horas para eu fazer xixi. Por que será que eu tinha infecção urinária, né? Falta não sei quantas horas. Foi um sofrimento, um sofrimento, foi assim um sofrimento, é um desespero, é um um desconforto. E aí a gente tá falando de xixi, mas eu quero que você contraponha com todas as coisas do mundo.

Uma quantidade de dinheiro X, um relacionamento desse tipo, casar, ter filhos, ser boa em não sei o quê, conseguir isso, conquistar aquilo, ter um bilhão de seguidores, ter não sei quantas visualizações, ter um cargo tal, tal pessoa te notar. Tipo, todas essas coisas que você deseja, a gente tá resumindo em xixi. Coisas que só acontecem aqui no meu podcast de alguma forma. Eu não sei como é que essas coisas acontecem, mas acontece.

Então existe esse sofrimento do desejo que vai se agravando conforme você fica mais consciente da distância entre se aliviar desse desejo. E aí, dentro dessa filosofia de Schopenhauer, o que se conclui é que a regra da vida— isso é uma coisa que Schopenhauer fala, por isso que eu falei que ele é um dos maiores pessimistas— Que é que ele diz que a vida, né, que a gente vive, ela depende da consciência, da consciência daquilo que você tá vendo.

E aí a consciência te leva à conclusão de que a regra da vida é o sofrimento, e a felicidade mora no brevíssimo momento em que você conquista alguma coisa, ou seja, o breve, o pequeno, pequena fração de tempo em se você comparar o momento de todo desejo, todo sofrimento, toda ânsia de ter com o momento que você conquista a parada, ele acha que é ali que mora a felicidade. A felicidade é ali que mora a felicidade, no breve momento entre a ânsia de ter e o tédio de possuir.

Então, no breve momento que você se alivia ao fazer xixi, e aí você ainda não se acostumou com essa sensação de ter feito xixi. De ter acabado com o seu sofrimento. Mas eu, Lela Brandão, filósofa do século 2026— desculpa, gente— euzinha, Lelinha Brandão, me recuso a essa lógica. Eu não vou aceitar que a regra da vida é o sofrimento. Eu entendo a lógica, mas eu não vou me submeter a essa lógica, porque a vida é minha. Eu não vou concordar com uma vida cuja regra é o sofrimento.

Eu entendo que existe o sofrimento, mas o que faremos com ele é isso que vamos falar, que estamos falando nesse episódio, né, que já começamos há muito tempo. Vou explicar meu raciocínio, tá? Desejar significa estar insatisfeito, né? Já falamos disso, porque você só deseja aquilo que você não tem. Que nem quando você quer um celular novo, né? Lançou o iPhone novo, aí você quer, você quer aquele iPhone. Nossa, que máximo! Agora ele tem 3 câmeras, e agora ele tem isso, e ele traduz o que você pensa, e não sei o quê.

Aí você fica: meu Deus, como eu quero! Que incrível! Aí aparece a blogueira com iPhone, você fala: Meu Deus, essa blogueira tem um iPhone, eu quero ter um iPhone. Aí você fica nessa, aí você vai lá depois de muito tempo, junta dinheiro e começa. E aí você levanta de manhã e fala assim: nossa, hoje eu vou levantar, eu vou trabalhar porque eu vou ganhar dinheiro, eu vou comprar esse iPhone, eu vou pegar um cartão, eu vou conseguir um limite no cartão para conseguir comprar esse iPhone.

E tudo que você faz, você fica pensando nesse iPhone. Aí você vai lá, você compra o iPhone, e aí você tem um telefone na sua mão. Rapidamente, muito rapidamente, se transforma numa coisa que é legal, massa. Mas assim, você não pega toda hora e fala, meu Deus, meu iPhone! Nossa, imagina, a gente pega o celular 300 vezes por dia, você acha que todas as vezes a gente vai lembrar que a gente quis esse iPhone por todo tempo? Tem um TikTok que o cara fala exatamente esse exemplo do telefone, e aí ele fala uma coisa muito engraçada, que é assim, A vida inteira é a gente querer alguma coisa e ter alguma coisa.

Ele fica fazendo um gesto assim, tipo, querer, e aí você tá tipo com a esperança, e aí quando você tem você já tá cabisbaixo. E aí ele fala uma coisa muito engraçada, que é: vocês já perceberam que a coisa que as pessoas que querem ser pais, né, mães e pais, o que eles mais querem é um filho? Aí você quer ter um filho, quer ter um filho, quer ter um filho, aí você tem o filho, e aí você tem um filho. E aí ele fala assim: e aí todo mundo que tá aqui que tem mãe e pai, vocês são um eterno ter.

E aí aquela cara de decepção. E pior que é, né? E aí, como eu tava dizendo, desculpa, a gente desvia. Eu vou achar esse vídeo, se eu conseguir eu mando lá no nosso grupo do WhatsApp, tá? Quem não tá no grupo do WhatsApp, só clicar. Eu sempre deixo no link da descrição aqui, ou você pode procurar por Gostosas Também Choram nos canais do WhatsApp. O nosso é verificado, você vai conseguir achar rapidinho. Mas então, no instante que o objeto de desejo vira uma realidade, então assim, eu quero muito um telefone, quando chega esse telefone, quando chega esse iPhone, por exemplo, acontece uma coisa esquisitíssima, que é o desejo desaparece.

O que significa que o que te manteve motivado durante o ano passado inteiro para trabalhar para comprar esse iPhone Desapareceu. Você perde a motivação, o desejo desaparece, e a motivação por trás desse desejo desaparece. E aí você percebe que era aquilo que mantinha a sua mente ocupada. Aí temos uma pista, correto? Então existe essa roda de Hamster do querer se motivar, conquistar, ter alívio e satisfação por um segundo, e aí ter o tédio de possuir e esquecer que você quis tanto, e sumir o desejo, e sumir tudo isso, perder a motivação, que mantinha sua cabeça ocupada.

A pista que temos é: todo esse esquema foi montado para nós, né, ou montado por nós ou para nós, não tem como saber a resposta dessa pergunta. Mas a gente achou o porquê que ele existe, que é para manter a nossa mente ocupada. Então temos uma pista que é: estamos mantendo a nossa mente ocupada para fugir de alguma coisa. Estamos topando essa roda de hamster da ânsia de ter, do tédio de possuir, para fugir de alguma coisa. Que coisa é essa?

Para que que a gente quer manter a nossa mente ocupada? Para não lidar com o— fala aí da sua casa— vazio. E aí, invariavelmente, a gente vai cair num assunto que é vertigem. O meu livro, que eu tenho falado pouco dele aqui, né, dos temas dele. Então vamos mergulhar ali em uma das coisas que eu lembrei desse livro. Por que que eu tô falando de Vertigem? Para quem não sabe, meu livro que eu publiquei recentemente, e aí ele se chama literalmente Vertigem: A Coragem de Encarar o Vazio e Escutar o Seu Corpo.

Mas vamos focar na coragem de encarar o vazio, que é a primeira parte do livro inteiro. Se a gente tá topando essa roda de hámster para escapar do vazio, talvez seja importante a gente entender que existe essa roda de hamster e a gente vai estar em algum lugar dela toda hora da nossa vida. Ou a gente vai estar querendo alguma coisa, ou a gente vai estar no momento de satisfação, ou a gente vai estar entediado por ter essa coisa.

Mas seria interessante a gente pensar no que que essa roda de hamster tá disfarçando, o que que tá por trás dessa roda de hamster, que é o vazio, a vertigem de não ter a mente ocupada. De não ter essa busca incessante por algo que te falta. Talvez seja melhor a gente tentar se acostumar com a falta, tentar assumir que a falta faz parte de quem a gente é. Vocês não acham? Ô, gente, vocês lembram quando a gente achava que só adolescente tinha espinha?

Quem mais caiu nesse golpe? Eu aqui com 32 anos na cara e pele cheia de acne. E para piorar, a acne da mulher adulta— sim, esse é o nome— ainda aparece nas costas. É mole. E a parte boa é que com a nova linha de Dove Sabonete Sérum eu consigo incluir esse cuidado com o meu corpo direto no banho. A linha tem 5 versões, uma para cada necessidade da pele. Para mim, as espinhas da mulher adulta— ai, gente, eu não aguento, juro. Pra minhas espinhas da mulher adulta, a humilhação da mulher adulta, eu uso a Acne Control, que tem 3% de sérum Acne Control e ácido salicílico, um ingrediente que a gente já usa na skincare facial pra tratar acnes e cravinhos, porque ele ajuda a desobstruir os poros.

E agora a Dove trouxe ele pro banho com a gente, pro nosso banho de skincare. Pra outras necessidades da pele, também tem as versões com ácido hialurônico pra hidratação intensa, com niacinamida pra uniformizar a textura da pele, vitamina C para trazer o seu glow de volta e retinol para ajudar na elasticidade, tudo com aquele toque delicioso de Dove. Ah, toda a linha foi desenvolvida em parceria com dermatologistas e é clinicamente testada, tá?

Banho de skincare é banho Dove. Obrigada, Dove, por patrocinar esse trecho do episódio. Voltando. E aí, no livro eu conto de uma conversa que eu tive que mudou a química do meu cérebro, que foi uma conversa. Quem já leu vai saber do que eu tô falando. Conversa com o Rodrigues, que não se chama Rodrigues na vida real, mas eu dei esse nome de Rodrigues porque é algo parecido com isso e eu quis preservar a identidade dele. E se você leu o livro, você vai entender o porquê.

Mas teve uma vez que eu fui viajar para uma ilha remota da Colômbia, que foi a primeira viagem que eu fiz depois da pandemia, Eu queria ficar o mais longe possível dessa realidade aqui que eu fiquei presa durante todo esse tempo da pandemia. E eu fiquei muito imersa nas redes sociais e na internet. Eu queria um lugar que fosse a antítese disso, uma coisa oposta a isso. E aí a gente decidiu, eu, o Vitor e um casal de melhores amigos, a gente decidiu ir para uma ilha remota na Colômbia.

Que a gente teve que pegar 3 voos, sendo que um deles era de hélice. Eu quase morri do coração. Vocês sabem que eu tenho medo de avião. Não tinha ar-condicionado. Se eu não morrer de coração, era capaz de eu ter morrido de hipertermia, porque tava— Nossa Senhora, a gente se abanava com as instruções de segurança do voo. Nossa, era um calor desgraçado. Nessa ilha tinha um bar que a gente foi várias vezes nesse bar, e a gente conheceu o dono do bar, que se chamava Rodrigues.

Quer dizer, não se chamava Rodrigues, vocês entenderam. E a gente ficou muito amigo dele, ele era muito legal, o bar era muito fofo, era tipo paradisíaco assim, era um barzinho pequeno, super ajeitado e tal. Só tinha gente de cliente, basicamente, porque era uma ilha minúscula. Assim, 5 minutos você dava a volta na ilha de carro. Não tinha carro, no caso, na ilha. A gente tinha tipo umas motinhos, mas em 5 minutos a gente dava a volta na ilha.

E aí a gente tava conversando com esse homem, com esse Rodrigues, né? E aí nessa ilha que a gente foi, passou um furacão muito agressivo alguns anos antes e levou muitas coisas, inclusive várias casas, inclusive o bar. Do Rodrigues, inclusive algumas praias, uma coisa louca, porque no Caribe tem muitos furacões, né? E aí daquele ano tinha sido realmente severo, esse ano fatídico aí, que eu acho que foi 2018, se eu não me engano.

E aí levou o bar do Rodrigues e ele reconstruiu esse bar. Ele tava contando para gente como é que ele reconstruiu tal no meio de uma ilha, que tem todas essas dificuldades, né, de você ter que trazer os materiais de construção do continente e tal. E aí eu, com a minha cabecinha com o cérebro deste tamanhinho, tava ouvindo. Eu falei assim, nossa, Rodrigues, eu já sei o que eu vou fazer. Eu vou postar esse bar, eu vou postar o seu bar, vou postar mais sobre a ilha para que mais pessoas venham e para que o negócio cresça.

Aí ele falou, você trabalha com o quê? Aí eu falei, ah, eu sou influenciadora, tem um monte de gente que me segue e tal, capaz de trazer mais gente para cá. Tipo, você parece, sei lá, mas vai que alguém se interessa. E aí ele fez assim, ó, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não. Tipo, eu já tava filmando o negócio, ele abaixou meu celular e fez: não, não, não, não, não, não, não, não divulga para todo mundo não.

Fala para os seus amigos, para sua família, mas não divulga para todo mundo não. Aí eu fiquei assim, ué, fiquei com uma cara assim de por quê, gente? E aí ele falou o seguinte, vou ler diretamente do livro, tá? É que se divulgar, o número de turistas vai aumentar muito, o que significa que eu vou ter muito mais trabalho. De que adianta viver no paraíso quando só se vive para trabalhar? Ô minha gente, essa frase, tá, ela tá até em destaque aqui no livro: de que adianta viver no paraíso quando só se vive para trabalhar?

Essa frase mudou a minha percepção sobre a minha vida, mudou minha percepção sobre tudo. Na hora que ele falou isso, eu dissociei. Eles deram uma risadinha assim, como se ele não tivesse falado uma coisa que mudou minha vida. Continuaram a conversa e eu fiquei assim, ó, só o corpo, enquanto a minha alma tava assim Meu Deus, de que adianta viver no paraíso se só se vive para trabalhar? E quantas vezes a gente constrói o nosso paraíso e não reparou?

A gente construiu, a gente conquistou um paraíso assim, construiu uma parada, a sorte nos encontrou no caminho, a gente plantou um monte de figueira, nasceu, cresceu os figos, a gente colheu os figos, e aí a gente nem percebeu porque a gente só tá trabalhando. De que adianta viver nesse paraíso se só se vive para trabalhar? E uma coisa que me acalmou muito, que é uma frase que tem ficado muito na minha cabeça, e coincidentemente ou sincronicamente várias pessoas têm falado essa frase para mim, é que tudo não terás.

Uma paz pensar isso, gente. A gente é uma máquina de desejos, correto? Isso quando não estamos em uma depressão clínica, né, que a gente se desconecta dos nossos desejos. Por favor, procure ajuda. Profissional nesse caso. Mas a gente essencialmente é essa máquina de estar insatisfeito, querer outra coisa, estar insatisfeito, querer outra coisa. Como diz Pitty, eu quero sempre mais, eu quero sempre mais, eu espero sempre mais de ti.

Coitada da pessoa para que ela tá cantando, olha o desassossego. Eu quero sempre mais e espero sempre mais de ti. Deus me livre, gente. A gente é uma máquina de insatisfação e de vazio que gera desejo, correto? Mas não te acalma um pouco pensar que tudo não terás? Tudo não terás. Não tem como ter tudo. Não tem como ter tudo. Ufa! Ah, eu conquistei a vaga que eu sempre quis no meu trabalho, salário é ótimo, o esquema é exatamente o que eu queria, que é, sei lá, híbrido.

Eu vou uma vez por semana, duas vezes por semana para o escritório, o resto eu posso fazer home office, mas eu não tenho horário flexível. Eu tenho que bater ponto. Tudo não terás. Me dá um senso de alívio pensar assim: nossa, as coisas que eu tenho não precisam ser tudo que eu quero para ser boas. Elas podem simplesmente ser suficientes para o meu paraíso que eu tô construindo, sabe? E falando no paraíso que eu tô construindo, vou— cheguei no ponto que eu queria, que era: como eu vivo a minha vidinha sabendo desse esquema da falta, do vazio, da mente da culpada, do desejo, do tédio.

Sabendo de tudo isso, que eu digo que eu, a filósofa Lela Brandão, filósofa Lela Brandão, me recuso a concordar com Schopenhauer. Gente do céu, tomara que isso não saia de contexto. Que é, eu me recuso nessa noção de que a vida é um mar de sofrimento e que essa é a condição humana. E que a regra da vida é o sofrimento e a felicidade é uma exceção. Eu me recuso. Eu acredito que a felicidade realmente seja uma exceção, tipo momentos oceânicos que a gente chama aqui no podcast, né, que são momentos em que você realmente se sente completo, satisfeito e extremamente conectado com o todo.

Mas não quer dizer que você tenha que viver em sofrimento. Então como que eu faço, tal? Como que eu tenho feito? E eu acho interessante essa experiência de gravar esse podcast porque para posterioridade, se não me der a louca e eu apagar todos os episódios como eu fiz com os meus vídeos do meu, do YouTube, inclusive voltamos para o YouTube, gente, não sei se vocês estão sabendo, o podcast tá lá no YouTube e eu tô pensando em gravar mais coisas para o YouTube, tipo vlogs, coisas assim.

Aí vocês me falam o que que vocês acham. Inclusive comenta aí se você tá assistindo no YouTube. Olha a metalinguagem! Mas se não me der a louca e eu apagar tudo, eu tenho um registro de como eu estava pensando na minha vida assim, a estrutura da minha vida aos 32 anos, para que se tudo der certo eu chegar nos meus 42, 52, 62, assistir esse vídeo e falar: essa menina não sabia nada, meu Deus, tinha tanta coisa para aprender ainda!

Porque eu quero muito evoluir, né? Quero mudar de opinião muitas vezes e discordar com quem eu fui, porque se isso não acontecer, tamo lascado, minha filha, tamo estagnado. Mas vamos lá. Como eu vivo? Começando da parte dos desejos, tá? A gente é impactada por desejos alheios o tempo todo, e as pessoas tentam convencer a gente de que os desejos delas são os nossos. Falamos disso num episódio que chama Querer Agradar Todo Mundo Vai Ser o Seu Fim.

Cada um tem sua prioridade, e as pessoas têm esse ímpeto de fazer com que a prioridade delas e o desejo delas pareça óbvio para você. Então alguém vai postar viajando para tal lugar, alguém vai postar noivando, alguém vai postar adotando um cachorro ou um gato, alguém vai postar se mudando de um apartamento para o interior, alguém vai postar se mudando do interior para um apartamento. E aí a pessoa vai postar e você lá da sua casa vai olhar e vai falar: nossa, que grama verde!

Eu queria que minha grama fosse verde assim. Para minha grama ser verde assim, acho que eu preciso fazer a mesma escolha que ela e eu preciso ter o mesmo desejo que ela, que é me mudar do meu apartamento para ir morar no interior, ou o contrário. Isso acontece de todo lado. Não se esqueçam que moramos num sistema capitalista onde todo mundo vai tentar te convencer de que os seus desejos são isso ou aquilo, e todo mundo vai tentar te convencer de que sua vida vai ser muito melhor se você concordar com os desejos que a pessoa tá te impondo.

Então o que que eu faço? Sei que vou ser impactada por esses desejos. Vou ficar com raiva? Não vou, porque isso independe de mim. Vou ficar com raiva das pessoas mostrando rotinas perfeitas no TikTok? Não vou, porque a pessoa tá lá na casa dela fazendo o que ela quer. Que que eu tenho a ver? Agora, o que eu preciso fazer é: sou impactada por isso. Aí precisa levantar um filtro na minha cabeça antes que vire meu desejo. Um filtro na minha cabeça.

Este desejo é meu? Este desejo é realmente meu ou eu tô pegando o desejo do outro que parece mais fácil? E aí, como que eu sei se esse desejo é meu ou não? A primeira coisa eu vou falar vai parecer muito idiota, mas é o que eu faço. Vou fazer o quê? É a vida real. Eu tento sentir se ele vem de dentro. Então quando eu vejo que tem uma coisa assim, nossa, eu quero muito isso, eu quero muito isso, eu quero muito isso, aí começa a me perturbar.

Nossa, eu quero muito isso. Eu tenho que parar, ficar em silêncio. Muitas vezes isso acontece no carro, que eu não ponho nenhuma música, entro no carro e penso: esse desejo é meu? Sente dentro. Isso é meu? Por que que eu tô desejando isso? E aí muitas vezes só de você se fazer essa pergunta, as coisas ficam claras. Você fala: não, eu tô desejando isso na verdade porque o que eu queria era a paz que ela mostra ter no final desse vídeo.

Mas aí você pensa assim: Isso é um vídeo, na vida real não sei se ela tá em paz, e eu não sei se eu estaria em paz no fim desse vídeo se fosse eu gravando. Esse é um primeiro passo, você sente dentro. E aí um segundo passo é, se você tiver em dúvida se esse desejo é seu ou do outro, eu criei um comprometimento muito grande com desejos. Primeiro, desejos que eu sinto que são meus, e se eu não sei se o desejo é meu, eu criei um comprometimento com coisas que eu sei de fato que que se se somarem a outras coisas vão melhorar minha vida.

Vou dar um exemplo. No ano passado eu coloquei como um dos meus desejos, minhas metas do ano, trabalhar— vai ser muito capricorniano que eu vou falar agora— trabalhar no meu sono. Não estou dizendo trabalhar enquanto eles dormem. Eu queria dormir melhor. Eu tinha cansado de colocar o sono no segundo plano, de dormir nas horas que restavam, de dormir de qualquer jeito. Eu tava cansada de achar normal ter insônia e ficar com sono leve e acordar cansada.

Então no ano passado, em 2025, no começo de 2025, eu falei: chega, chega, eu preciso construir uma rotina que caiba o meu sono, do alto do meu privilégio, obviamente. Não é todo mundo que pode priorizar o sono na rotina, aliás, são pouquíssimas pessoas, mas como eu tenho esse privilégio, quis usá-lo. E aí eu comecei a observar muito com muita atenção as coisas que perturbavam o meu sono e o que eu precisava ter para ter uma noite de sono boa.

E aí eu fui trabalhando em uma coisa de cada vez. Então, ah, eu preciso fazer isso, depois não dá para eu fazer isso, ah, é melhor quando eu faço isso, eu durmo melhor assim, ah, talvez seja melhor assado. E até a calcinha que eu preciso estar, eu não consigo dormir sem calcinha, tá, eu sei que é o melhor, mas a calcinha que eu preciso estar para dormir foi uma coisa que eu observei. Então eu realmente me empenhei em ter um sono melhor, um sono satisfatório, um sono que eu acorde me sentindo regenerada e não atropelada, porque é isso que eu sentia.

Tem uma camada que é fibromialgia, né? Eu tenho uma condição chamada fibromialgia que prejudica mesmo o meu sono. E aí, gente, eu tava comentando isso com a minha personal semana passada. Menina, você acredita que eu até tenho ficado menos doente? Eu tenho ficado resfriada, essas doenças de baixa imunidade, eu tenho ficado infinitamente menos doente. Porque eu tenho priorizado meu sono e tenho cuidado do meu sono. E aí assim, esse desejo que eu tive, né, de dormir, esse desejo de dormir bem, ele resolve minha vida?

Resolve meus problemas? Ele vai dar conta do vazio existencial que eu nasci com ele? Ele vai me tirar dessa roda do hámster do querer, desejar, ter, possuir, não sei o quê? Não vai. Mas é um desejo que somado com outras coisas vai construindo uma vida melhor, que me leve em direção à paz, que é uma coisa muito importante para mim, paz. Então quando eu vejo que um desejo desse, por exemplo, me senti inclinada em estudar sobre o sono e etc., quando eu vejo que esse é um desejo que eu não sei se é meu ou de outra pessoa, não sei se é porque eu fui impactada por vários ads de sono e de melatonina e sei lá o quê, eu não sei, mas pensando quando eu realizasse ele, ele seria mais benéfico para minha vida junto com outras coisas como me exercitar mais, Ah, consultar uma nutricionista para ver quanto de proteína e não sei o quê que eu preciso, fazer os exames e ver se a minha B12, minha vitamina D estão boas, e ter um relacionamento bom, e ter um trabalho.

Você vai juntando as coisas, esses desejos, e eles te levam para uma vida melhor. Para mim, o que uma vida melhor significa para mim é uma vida com mais paz e espaço para prazer e alegria, etc. Para você pode significar outra coisa. Então eu me comprometo com esse desejo. Outro exemplo: dinheiro. A gente sempre fala, eu quero ter tantos, tantos reais, tantos mil reais, tantos milhões de reais, tá? Mas o que significa ter tantos milhões de reais para você?

O que significa é ter esse dinheiro? Porque vai resolver sua vida? Você vai estar isento de problemas, isento do vazio? Não. Mas vai melhorar? Vai, né, minha amiga? Não vou mentir. Claro que quanto mais dinheiro você tiver, quer dizer, se Se for um dinheiro que não te dê dor de cabeça para dormir, se você não assinou um contrato com uma bet e aí não consegue dormir mais, aí, aí realmente, minha filha, não vai melhorar sua vida.

Mas se for um dinheiro assim, ganhei na loteria, ou ganhei um aumento, ou ganhei uma grana inesperada, ou meu trabalho cresceu exponencialmente, eu comecei a ganhar mais dinheiro, vai, é capaz de melhorar. Não é garantia, mas é muito capaz de melhorar a vida. Então esses desejos, entendeu quais fazem sentido? E acho que também uma uma coisa do tipo assim, entender quando é suficiente, porque senão você fica numa parada assim. E conseguir identificar quando é suficiente e desfrutar, que aí chegamos no próximo ponto, que é esticar o momento da satisfação.

Conquistou uma coisa, e aí eu vou dar um exemplo que aconteceu comigo, que foi quando o podcast, meu podcast, chegou no primeiro lugar no ranking do Spotify pela primeira vez. Menina, chegou em primeiro lugar, eu poderia ter feito assim Uhul, primeiro lugar! Esse guia da minha vida, eu peguei esse primeiro, o Vitor imprimiu uma camiseta. Não sei se quem era nascida já, o Vitor imprimiu uma camiseta com o print das paradas do Spotify com meu podcast em primeiro lugar.

Eu falei disso um bilhão de vezes aqui no podcast. Eu saí para comemorar quando eu saí na Forbes. Eu lembro exatamente quando eu saí na Forbes Under 30, que era uma coisa que eu sempre sonhei, nunca imaginei que eu ia conquistar isso, né? Mas conquistei. E aí quando veio a notícia, gente, eu chorava. E foi bem na minha, no meu aniversário de 30 anos, eu chorava. Aí eu fui comemorar com os meus amigos meu aniversário, fiz um discurso.

E aí eu comprei 10 exemplares da Forbes, aí eu dava de presente para minha mãe, para minha avó, cada vez a gente comemorava, esticar essas paradas, sabe? Porque é isso também que dá sentido. Se a felicidade, segundo Schopenhauer, está no breve momento entre a ânsia de ter e o tédio de possuir, vamos esticar esse momento o máximo possível, saborear nossos figos com tempo e cuidado, sabendo que é— se a sua felicidade é a soma de um monte de coisinha, essas conquistas elas vêm assim.

Finge que cada coisinha te dá um ponto. Essas conquistas dão 10 pontos, vale 10 pontos. Então recebe esses 10 pontos, se banha nesses esses 10 pontos, faz um bolo com esses 10 pontos e morde esse bolo e convida outras pessoas e se delicia, né? Tem a ver com aquele episódio que a gente falou de savoring também, né? De habilidade de você saborear as coisas, né? E é uma habilidade mesmo, você tem que se treinar, porque se você não se treinar, você vai passar pelas suas conquistas, que você, coisas que você quis por muito tempo, vai acontecer e você vai falar, ah, beleza, aconteceu.

Não fez, não foi menos, como é que é, não fez mais do que sua obrigação, né? Porque você quis tanto esse negócio, trabalhou tanto, quando chega você fala assim, é o mínimo, né? Trabalhei tanto para ganhar esse negócio. Não, não vamos pensar assim. Nós vamos pensar, meu Deus, obrigada, meu Deus! Vamos fazer um bolo de figos, pelo amor de Deus! Vamos esticar essa sensação, vamos aumentar. Ai, ai, as dores e as delícias de trabalhar por conta própria, né, minha gente?

Eu amo fazer meus próprios horários, fazer as coisas do meu jeitinho, colocar minhas ideias malucas no mundo. Mas tem um monte de dor de cabeça também, viu, minha filha? E normalmente elas envolvem dinheiro e burocracia. No início, você é apenas uma garota transformando seu hobby em uma grana extra. E como assim, de repente você precisa começar a emitir nota fiscal, ter um CNPJ, separar a conta pessoal da conta de empresa, saber se você tá pagando imposto certo?

Gente, eu tenho só 6 anos, como é que eu vim parar aqui? Ó, para quem tá criando o próprio caminho e tentando dar conta de tudo, cada segundo vale muito. Não dá para perder tempo e paz mental, né? É por isso que eu tenho uma boa notícia. A Contabilizei é muito mais do que contabilidade. Eles estão aqui para destravar o tempo, os números e novas possibilidades para o seu negócio. Com eles você abre seu CNPJ sem sair de casa, resolve tudo online e tem suporte pelo WhatsApp até às 22 horas.

Dá até para emitir nota fiscal de onde você tiver, tá? Amamos! Basicamente, gente, a Contabilizei destrava sua jornada enquanto você Foca em fazer acontecer. Afinal, você já tem seu trabalho, né, Mona? Não precisa arrumar mais um tentando dar conta de tudo e de toda a burocracia sozinha. Deixa essa parte com quem entende e destrave o seu próximo passo. E tem mais: usando o cupom LELA, você ganha a segunda mensalidade grátis. Vem saber mais sobre a Contabilizei no link que eu vou deixar certinho na descrição do episódio.

Obrigada, Contabilizei! Por patrocinar esse trecho do episódio. Voltando. E aí o terceiro ponto é tentando evitar me acostumar. E como eu tento evitar me acostumar? Entramos em outra vertente filosófica, que é o estoicismo. Mas basicamente o que eu tento fazer, e eu tenho feito conscientemente a ponto de agora se tornar automático, é imaginar minha vida se eu perdesse as coisas. Não sei se é muito recomendado para quem tem muita ansiedade, mas para mim me traz uma paz indescritível quando eu tô, por exemplo, aqui gravando.

E aí eu posso pensar: ai, nossa, tô muito cansada, não queria gravar, não sei o quê. Mas aí, se eu perdesse isso? E aí você fala: meu Deus, como eu amo isso! Como eu— meu Deus, tem centenas de milhares de pessoas que me ouvem falar por uma hora! Meu Deus, eu tenho um celular, um iPhone! Para me gravar aqui do meu quarto. Eu posso gravar no meu quarto, não preciso ir no estúdio, eu não preciso, eu não preciso assim tá super impecável para gravar.

Eu posso falar as coisas e eu posso errar e corrigir. Eu montei, criei isso, e eu tenho uma comunidade que me apoia. Meu Deus, que delícia, sabe? Ou quando eu acordo e aí eu tenho tomado meu café da manhã delicioso, que continua sendo ovo da Magalu Trindade e o meu moca. E aí eu paro e tomo esse café da manhã, e na minha janela dá para ver várias árvores. Eu olho as árvores e falo, meu Deus do céu, eu poderia estar lá no meu primeiro apartamento, que eu nem tinha nenhuma vista.

A vista do meu quarto era o prédio do lado. Meu Deus, obrigada! E aí você vai se lembrando de que você já não teve essas coisas. E aí você se lembra. E aí essa coisa, eu acho que você imaginar perder tudo te coloca de volta na ânsia de ter, só que você já tem. Então, como te coloca de volta na ânsia de ter e você tem, você cria um momento da felicidade que mora em trança de ter e o tédio de possuir, entendeu? E aí eu queria dar dois exemplos que são: eu no ano passado eu viajei com a Nath e o Lusca, né?

Vocês conhecem a Nath e o Lusca, inclusive recém-pais de Alicinha. Nessa época que a gente viajou, a gente também tava fazendo uma coleção juntas, então a gente juntos, então a gente também tava convivendo bastante e conversando bastante. Eu tava com uma crise, eu não lembro o que que era, se eu tava sendo cancelada, eu não lembro o que que era direito, mas eu tava muito muito pessimista em relação ao meu trabalho de influenciadora.

Então tava reclamando muito e falando, as pessoas só criticam e nunca pode parar de postar, e aí você faz publicidade, o cliente não aprova o roteiro, e não sei o quê. Eu só ficava reclamando. E aí eu nunca vou esquecer a perspectiva do Lusca sobre tudo isso, que me ensinou muito, e até hoje fica na minha cabeça direto, direto. Não sei se ele sabe disso, mas direto fica na minha cabeça. Na verdade, já falei disso algumas vezes para ele, mas não sei se ele leva tão a sério.

Que é o Lusca, ele era engenheiro civil antes de começar a trabalhar como influenciador, né? Então ele era estagiário de engenheiro civil, se eu não me engano, e ele ganhava muito mal para fazer coisas muito difíceis. Tipo, ele contou para a gente que ele fazia supervisão de instalação de elevador de fim de semana, e tudo ele se candidatava para fazer porque ele queria crescer na empresa dele. Então ele trabalhava meio que horários muito difíceis, que tinha responsabilidade muito grande, ganhava mal, etc.

E aí ele conheceu a Nath, e aí aconteceu uma coisa, que ele começou a fazer stories no perfil da Nath sobre o Big Brother. Ele fazia um plantão de Big Brother, ele começou a ganhar muito seguidor porque as pessoas queriam ver o plantão, né, queriam, não queriam ficar assistindo Big Brother de madrugada. E o Lusca tem um jeito de contar sobre o Big Brother que é muito único, E aí ele começou a trabalhar como influenciador. E aí a perspectiva dele sobre isso, que ele chegou— eu e a Nath, a gente trabalha há muito mais tempo com isso, né?

Ele chegou depois, já faz um tempo, mas ele chegou depois. Mas como ele teve toda essa perspectiva diferente— e é engraçado porque eu tive também, né? Eu trabalhei com arquitetura, eu ganhava R$300 no mês e eu odiava meu trabalho. Eu lembro que o cheiro do escritório, só eu senti o cheiro na hora que abriu o elevador, eu queria chorar. Eu ia chorando trabalhar, odiava. Eu tenho essa lembrança, só que eu acho que eu me acostumei tanto que eu não tenho mais essa perspectiva do quanto meu trabalho é maravilhoso.

E aí o Lusca falou isso para mim, ele fala, cara, esse trabalho aqui é o melhor trabalho do mundo, é o melhor trabalho do mundo. Você fica, você faz stories e você ganha dinheiro, você fala um negócio e as pessoas compram. E tipo assim, claro que existem desafios de ser influenciador, mas gente, existem desafios em Tudo não terás, entendeu? Existem desafios em todas as profissões. Então ter essa perspectiva de eu já experienciei não ter isso e sei o que é, e criar esse espaço entre o desejo e o tédio, isso é muito bom assim, de você se imaginar perdendo as coisas que você tem.

E aí às vezes você se imagina perdendo as coisas que você tem e te dá um alívio, e aí você fala, nossa, acho que eu não quero mais essa coisa. Por exemplo, finge que você tá num relacionamento Aí você fala, eu tô sendo ingrata no meu relacionamento. Aí você começa a pensar, nossa, mas como seria se eu não tivesse meu relacionamento? Aí você começa a pensar, nossa, seria boa minha vida se eu não tivesse relacionamento? Então, minha filha, você já sabe para onde você tem que ir.

Vamos, vamos dando fim, termina. Eu e a Déia Freitas dando a mão e falando, termina. E a Marina Santa Helena. E o outro exemplo que eu ia falar para vocês é sobre o maior desejo que eu já tive na minha vida. O maior em que, falando de tempo, eu tenho todos os meus aqui na minha estante. Tem uma prateleira que é esta daqui, que é um monte de diário e caderno e coisas que eu guardei desde que eu tenho 17 para 18 anos. E vira e mexe eu releio, e sempre que eu releio me choca muito quanto me mudar da casa dos meus pais, tipo morar sozinha fora da casa dos meus pais, era um desejo que eu cultivei por muito tempo.

E eu não conseguia, porque enfim, é isso, meu primeiro trabalho eu ganhava R$300 no mês. Mas eu falava muito disso, nossa, quando eu mudar, quando eu tiver meu espaço, quando eu tiver não sei o quê, não sei o que lá. E era um desejo muito grande que eu nutria, e eu nutri por muito tempo. Eu consegui me mudar da casa dos meus pais, eu tinha 20, eu acho que era 24 anos, por aí. Olha todos os anos que eu tive esses, todos os anos que eu fiquei com esse desejo me motivando e pegando hora extra, indo depois Eu era muralista, eu ia fazer mural de fim de semana e não tinha tempo ruim.

Eu ia viajar, eu fazia as coisas e tal, porque eu tava muito afim, muito motivada com a ideia de que um dia eu ia ter dinheiro suficiente para conseguir me bancar e sair da casa dos meus pais. E aí eu nunca vou esquecer quando chegou o contrato, chegou o contrato de aluguel que tinha sido aprovado, né, do meu primeiro apartamento. Era um apartamento de 60, 50 metros quadrados, 60 metros quadrados, uma coisa assim, que eu ia dividir com a Olga, né.

A gente morou juntas quando eu saí da casa dos meus pais, a gente se mudou para morar juntas. Olga, minha melhor amiga, falando como se vocês já soubessem todo mundo, mas tem parte de vocês já sabem quem é. E aí eu vi isso aí, eu abri a conta do meu banco e eu vi minha reserva de emergência que eu tinha feito, que era tipo 3 meses de aluguel para caso eu não conseguisse nenhum trabalho nesse meio tempo. E eu lembro da sensação, eu tava no apartamento antigo do Vitor, que eu chorava, eu chorava de alívio, eu chorava de meu Deus, eu consegui!

E eu lembro da música que eu coloquei para tocar, que se chama This Feeling do Alabama Shakes. This Feeling do Alabama Shakes, se você nunca ouviu, gente, é uma música catártica. E eu sempre coloco quando eu tenho grandes conquistas, que ela fala sobre me deixa com essa sensação por um tempo. E engraçado, porque até hoje, olha só, eu me mudei no começo dos meus 20 anos, eu tô com 32, até hoje eu acordo na minha casa E eu olho e eu falo, meu Deus, meu Deus, eu consegui, eu consegui!

Eu tô morando fora da casa dos meus pais pagando as contas, puta merda! Eu quis muito isso. E vira e mexe me dá esse choque de realidade assim, meu Deus do céu, consegui! Então evitar se acostumar, eu acho uma boa dica, pelo menos é o que eu tenho feito na minha vida. E aí a última dica de como eu vivo minha vida, como eu vivo minha vidinha, em relação a tudo isso é que eu amo criar novos sonhos. Inclusive, uma coisa que eu sempre falo, minhas amigas e o Vitor já estão cansadas de saber, quando elas conquistam coisas muito grandes e não reparam.

Então teve um sonho profissional do Vitor que ele realizou no ano passado, e ele, nossa, ele queria muitos anos. É desde que eu conheço ele, ele fala disso, e ele realizou no ano passado. E aí a gente fez uma festa aqui para reunir várias pessoas para celebrar isso. E era uma coisa que ia passar na TV, então a gente se juntou todo mundo para assistir na TV e tal. E aí eu fiz um discurso, ele fez um discurso assim de tipo, cara, faz muito tempo e tal que eu tô querendo, muito obrigado por estarem aqui para celebrar comigo.

Enfim, lembrou de tudo. E aí o que vem lá na cabeça é, esse sonho já foi, hora de criar novos sonhos. Inclusive tem um episódio do podcast que se chama Hora de criar novos sonhos. Depois vocês escutam, eu amo esse episódio. Acho que é hora de sonhar novos sonhos. Essa pode ser uma perspectiva que te deixa aprisionada, tipo assim, meu Deus, mas calma, acabei de sonhar isso, deixa eu— mas é, para mim me traz uma sensação tão gostosa de tipo assim, caralho, eu tenho uma vida e eu posso sonhar coisas e realizar elas e depois sonhar novas coisas.

E os sonhos podem mudar e eu posso querer só estar nesse momento também, que isso é uma parada assim, desde que eu lancei o livro, todas as entrevistas, quase todas as entrevistas vêm com a pergunta: e o próximo livro, vai lançar quando? E a minha resposta é: eu acabei de lançar esse livro. Eu estou no momento de aproveitar, porque esse processo foi muito difícil e eu quis muito que esse livro existisse e agora ele existe. Eu tô boiando na calmaria do ter realizado e aproveitando tudo que isso me trouxe.

E outro dia eu vi a Thaís Farage falando disso também, de tipo assim, ela tá terminando o mestrado e a pessoa já tá assim: e o doutorado? E aí ela falou, caralho, nem botei o mestrado ainda, já tá querendo doutorado. Tem esse lado também. Mas o que eu tô dizendo é que eu acho assim, eu acho uma das coisas mais legais da vida, uma das coisas que eu mais amo, eu acho que vocês estão cansados de me ouvir falando isso, é que eu tenho fome de realizar as coisas.

Eu amo criar sonhos e saber que eu posso fazer coisas em direção a realizar eles, mesmo que demore. Mesmo que exija de mim, e mesmo que eu mude de sonho no caminho, eu posso criar esse movimento. E esse movimento não precisa significar sofrimento, ele pode significar você criando a vida que você quer viver dentro do tempo limitado que você tem, sabendo que esse horizonte que você traçou é um horizonte que você vai andando e ele vai, ele vai caminhando junto.

É um horizonte que nunca chega. Você vai andando, ele vai, inclusive é uma coisa que eu falo no meu livro sobre esse horizonte que nunca chega. Você vai caminhando, caminhando, caminhando, os sonhos vão mudando, a falta nunca te abandona, o vazio nunca te abandona. Não tem nada que você vai fazer na sua vida que você fala, uxi, agora resolvido, agora eu sou feliz para sempre. Não existe isso. Mas sabendo que essa perspectiva é um horizonte que se afasta conforme você vai andando em direção a ele, isso não precisa te trazer sofrimento, porque no meio desse caminho podem ter cafés, vaquinhas peludas, amigas, drinks com amigas, um relacionamento maravilhoso, uma família legal, amigos bacanas, um trabalho que você gosta de fazer e te deu uma grana legal, viagens que você pode conquistar.

Tem um monte de coisa legal nesse meio do caminho. E aí eu queria ler também no meu livro, no finalzinho eu trago uma fala da Adélia Prado, que ela fala o seguinte. Adélia Prado, uma mulher maravilhosa, se você não conhece, por favor vá atrás. Mas ela fala o seguinte numa entrevista que eu tava escutando do Roda Viva dela. Isso é, desculpa, é o spoiler, é tipo o final do final do meu livro, tá? Nós estamos num vale de lágrimas.

Se eu falar de outra forma, Estou mentindo, é um vale de lágrimas onde se tem alegrias, oásis, grama verde, crianças. Essa é a vida. Por que que eu sempre quase choro quando eu leio isso? Vamos falar sobre roupas confortáveis para mulheres. Ô gente, eu tenho uma obsessão que tá cada vez mais clara, que é de desenvolver peças interativas. Vocês entendem o que eu quero dizer com interativa? Tipo assim, são peças que você consegue mandar nelas.

E aí depois de um tempo eu fiquei pensando nisso, porque, porque que eu fiquei tão obcecada por isso, né? Porque o último drop que a gente lançou, que eu até comentei aqui, o nosso drop de primavera que se chamava Alma Brasileira, basicamente só tinha peças que você pudesse mandar nelas. Tipo assim, ah, hoje eu quero que essa saia fique curta, aí tu encurta a saia. Ah, essa blusa eu quero que ela fique comprida hoje, quero que ela fique mais justa.

Ai, essa aqui eu quero acinturada, eu quero longa. Essa calça eu quero cintura baixa, cintura alta. Você, a roupa, você manda e a roupa te obedece. Aí eu fiquei pensando, né, com a Isa do desenvolvimento essas semanas, porque a gente chegou num drop que todas as roupas te obedecem. É porque, minhas amigas, e aí eu descobri isso na análise, Porque eu passei quase uma vida inteira obedecendo as roupas, fazendo meu corpo obedecer as roupas, e agora chegou a hora da vingança, porque agora eu que faço as roupas e eu estou criando uma nação de mulheres que não se conformam em obedecer as roupas.

E digo mais, e outra ainda, exigem mandarem suas próprias roupas. Então tivemos o nosso Drop 1, que foi um sucesso, vocês amaram. Teve a calça infinita e o short infinito. Que você ajusta, né, infinitamente, que eu recebi um monte de comentário falando: pela primeira vez uma calça contempla grávidas. E eu amei, porque é exatamente isso, gente, criar roupas que acompanham vocês em todos os momentos e que vocês sigam mandando nas roupas.

É aquele meme do homem de verdade obedece, sabe? É roupa de verdade obedece. E como tudo na minha marca de roupas confortáveis, a Laila Brandão Co., que é bom, tudo que a gente cria que é bom, a gente vai e empurra mais o limite. A gente chega no limite e fala: não, vamos ver mais, vamos ver o que a gente pode fazer mais. Pois então, amanhã vem a parte 2 desse drop, que foi um hit nacional. Amanhã, dia 23 de setembro, a gente lança a parte 2 da nossa coleção de primavera.

Para nem dar tempo de você ficar ansiosa, mas assim, só empurrando um pouco a sua ansiedade, eu amo ainda mais esse drop do que o último. Eu tô muito ansiosa para vocês verem. A gente criou coisas lindíssimas. Spoiler: este drop envolve renda, que eu acho que, olha, que dá um grau no look. E óbvio, várias modelagens infinitamente ajustáveis. Então, se no primeiro drop a gente entregou tudo, aguarde que no drop 2 a gente vai entregar mais.

A gente vai continuar brincando e mandando nas nossas roupas, só que com novas modelagens. Então se você quer short, tem short, tem camisetão com detalhe em renda. Quem lembra do drop da Nath Lusca, que a gente já trouxe um pouquinho de renda na manga, mas agora uma nova versão? Tem um camisetão, gente, que eu não sei se vocês vão amar, tá, porque ele é meio diferente, mas eu amei. Eu tô muito ansiosa porque eu tô gravando isso com uma certa antecedência E esse camisetão chega amanhã na minha casa e eu não vejo a hora dele chegar para começar a usar, porque ele ficou— sabe quando você vê uma pessoa entrando num lugar e você fala, essa pessoa está estilosa, confortável, ela sabe quem é, ela está comandando a energia do ambiente?

É oversized, mas ao mesmo tempo tem informação de modo— gente, esse camisetão é tudo. Deixa eu continuar, desculpa, me perdi. Camisetão assimétrico com que você ajusta também, manda na peça. Tem um monte de modelo de blusa de poliamida que eu sei que vocês amam. Enfim, só o último spoiler, tá? Se vocês gostaram da calça que ajusta na cintura, e se tivesse um ajuste na barra para você usar a calça comprida no meio da canela, como bermuda, formando, olha, uma calça que não precisa fazer a barra.

Enfim, amanhã eu conto para vocês, amanhã eu mostro para vocês a parte 2 da nossa coleção de primavera. Entra no site amanhã, dia 23 de setembro. Tem live comigo, se você quiser me ver mandando nas roupas, me vingando das roupas que fizeram eu obedecer elas e agora fazer elas me obedecerem. E outra, e ainda com beleza, com estilo, com estética, com conceito de moda. Então amanhã tem live comigo que eu vou mostrar todas as interações com as peças, todas as variantes de cores.

Tem marrom, tem amarelinho manteiga, off-white, preto, todas essas cores que vocês amam, que são atemporais, mas ao mesmo tempo trazem um— aí vou falar uma palavra que eu odeio, mas vamos lá— borogodó para o look, como já é de costume. Então live às 11 e tem cupom para você que ouviu eu devaneando sobre a minha própria marca aqui no podcast. Nas primeiras 24 horas de lançamento. Então depois que lançar, vocês têm 24 horas para usar o cupom OUVINOPODE, OUVINOPODE, de ouvir no podcast, entendeu?

OUVINOPODE, ouvir no pode, para ganhar R$10 de desconto durante todo dia 23 por 24 horas. Então na verdade é do dia 23 ao dia 24 às 12, deu para entender, né? Mas enfim, eu vejo vocês amanhã na live. Gente, por favor, se você— ai, vamos combinar, se você vier do podcast, vamos combinar um emoji específico. Pode ser o emoji, o emoji de biscoitinho, sei lá por quê, porque tem um biscoito aqui na minha frente. Pode ser um emoji de biscoitinho, tipo cookie, tá?

Aí você entra na live e manda esse biscoito para eu saber que você veio do podcast, tá? Então agora sim, vamos para o choro da semana, gente. Choro da semana, o trecho do episódio que eu conto alguma humilhação como gostosa e chorona. Não temos grandes choros da semana nessa semana. Eu só queria fazer uma declaração que é a seguinte, um posicionamento, tá? Vamos precisar deixar de ser fãs do Rick Rubin nesse podcast, tá? Eu adoro o livro dele, O Ato Criativo.

Realmente nunca me senti tão vista e ouvida quando eu li, mas é duro ser fã de homem, né, gente? Desde que eu era muito fã dele, tem vários episódios do podcast que eu falo sobre ele e tal, principalmente 2024, que eu fiquei bem obcecada, eu falava, gente, não somos fãs de ninguém, de nenhum homem, só do Rick Rubin. Já com um pouco de medo de falar isso, aí paguei a língua, minha gente. Esse homem tá com umas coisas esquisitas, tá?

Ele tá aparecendo nos podcasts de um povo assim de extrema-direita, um povo que fala umas coisas estranhas. Tô achando um posicionamento, o o próprio podcast dele, ele tá chamando um povo meio esquisito. Então eu queria dar o meu posicionamento aqui como ex-fã de Rick Rubin, que eu ainda amo o livro Ato Criativo, né, mas eu não vou conseguir mais seguir sendo integrante, desculpa, sendo integrante do fã-clube de Rick Rubin, tá bom?

É duro, né, gente? Não dá para ser fã de homem, bem. Tem algum homem que a gente pode ser fã? Comenta aí embaixo, tem algum homem que a gente ainda pode ser fã? Vamos para obsessão atual, gente. Esse fim de semana eu assisti um filme muito, que eu achei muito bom. A crítica, eu tava vendo as críticas depois, todo mundo achou muito ruim, mas eu achei muito legal, que é um filme que se chama The Moment, O Momento, da Charli XCX, no Amazon Prime.

É uma loucura esse filme, gente, que é assim O filme conta, como é que eu vou explicar, gente? O filme não é um documentário, é uma ficção, mas ele é baseado na vida da Charlie XCX. E a Charlie XCX é a atriz principal e você assiste no formato de documentário, então parece que você tá assistindo um documentário, mas não é, ele é uma ficção que conta o trecho da vida da Charlie XCX. Quem não sabe Charlie XCX, vocês provavelmente conhecem, é que fez o Brett Sabe, do Brat Girl Summer, do que aquele verde-limão.

E aí ela canta, I guess the apples running down the core, que fez toda a trend do TikTok. Ou aquela música 360. E não ironicamente foi a minha artista mais escutada de 2025. Gente, eu amo a Charli XCX, eu amo o álbum dela. É totalmente fora do meu personagem, mas eu amo Charli XCX. E aí É, para quem não é familiarizado com a carreira dela, ela é uma artista super underground há muito tempo, né, lá de Londres. Então ela é muito das festas, etc.

Fala de coisas super esquisitas, tipo cocaína e coisas estranhas que acontecem em festas que eu não frequento, né. Não sei, gente, eu não consigo entender porque que eu amo tanto as músicas dela, porque eu nem vou em balada. Mas enfim, e aí ela tá muito tempo, né, criando álbuns, etc., e sendo uma artista muito nichada, até que ela cria Bratz e Bratz estoura todas as barreiras assim, e ela vira totalmente mainstream, né, vira totalmente apreciada pelas massas, e todo mundo conhece a Charli XCX, etc.

Todo mundo é um exagero, né, como diz a Ana Sui, todo mundo é muita coisa. Não é assim que ela fala, mas vocês entenderam, todo mundo é um exagero, mas muita gente, ela vira internacional, faz uma carreira super grande, etc. e tal. E aí o filme é sobre isso, é sobre esse momento que ela recebe muito amor das massas, tudo que vem junto com isso, né, de tipo assim, tudo que vem junto com sucesso, que é tipo uma agenda totalmente maluca, mil pessoas em volta de você o tempo todo, 300 mil compromissos, etc., tipo todas essas coisas que vem junto com esse momento muito bom.

E mostra uma batalha dela com não querer que o Brett acabe e ficar presa entre a expectativa das pessoas de será que eu levo o Brett mais adiante, né, e torno ele extremamente comercial para que realmente mais aí todo mundo conheça, tipo a Taylor Swift, sem ofensas, ou será que eu fico fiel à minha visão artística e a quem eu sou e deixo o Brett acabar, sabendo que isso pode ser também eu cair no ostracismo, né, eu cair no esquecimento das massas e voltar para o meu estilinho underground, o que tem tudo a ver com o episódio de hoje, né.

Então se você quiser continuar essa conversa e pensar mais sobre essa coisa da ânsia de ter, o tédio de possuir, e como a gente se aprisiona nessas coisas que a gente quis há tanto tempo, né, assim, vale a pena assistir The Moment da Charlie X Gostei muito, tem muitos momentos de comédia. As pessoas não gostaram tanto, não entendi por quê. Eu achei um ótimo filme, não é um filme assim Oscar, mas achei um ótimo filme. E eu adoro Charlie XX, aparece a Kylie Jenner no filme, que eu achei fantástico.

E eu achei divertidíssimo e com cenas que me fizeram refletir de certa forma. Então fica a dica, The Moment da Charlie XX, quer dizer, não é da Charlie XX, com a Charlie XX, tá bom? Então agora sim chegamos ao fim do episódio. Espero que vocês tenham gostado. Se você quiser me seguir nas redes sociais, é @lela.brandão, tanto aqui quanto no TikTok. No TikTok inclusive eu tô falando um pouco sobre os episódios enquanto eu me maquio, maqueio, não sei como é que fala.

Vocês já viram? Depois que eu fiz minha aula de maquiagem, menina, que eu sou maquiadora, tô aparecendo maquiando o tempo todo. É o meu novo conteúdo. Se você quiser ver os meus conteúdos no Instagram, eu posto memes, vlogs, cortes do episódio, coisinhas, piadas internas e coisas assim. Tem a minha marca de roupa de confortáveis para mulheres, @lelabrandão.co, www.lelabrandão.co. Você tem desconto com cupom GUSTAVACHORONA. Meu livro, já falei, se chama Vertigem, está aqui em mãos, está nas melhores livrarias do país, e eu fiquei sabendo que está até nos aeroportos.

Agora, tá? Eu não vi ainda no aeroporto, mas quero ver. E acho que é isso. Nosso grupo do Zap eu já falei. Então tá bom, meu povo. Então a gente se vê na semana que vem, pode ser? Então tá bom. Então um beijo. Vê se você tá inscrito no canal antes de ir, tá? Que eu recebi um dado aqui do Spotify alarmante, que mais de 50% das pessoas que escutam um podcast toda semana não estão inscritas no podcast. Sacanagem comigo, né, gente?

Sacanagem. E aí, se você tá vendo pelo YouTube, já se inscreve no canal do YouTube também, pô. Tô te pedindo alguma coisa além disso? Tô não, né? Então tá bom, meu povo, até semana que vem. Um beijo e tchau! Se você ficou até o final do episódio e faz parte do seleto grupo das mais, mais gente, às vezes eu fico imaginando quem nunca ficou até o final escutando isso aqui e falando: meu Deus, que que é isso? Que nicho é esse? Vocês já viram no TikTok quando viraliza uma coisa muito estranha e o comentário, o primeiro comentário é assim: Que nicho é esse, rapaziada?

E aí é tipo, sei lá, uma pessoa fantasiada de fantasma, fantasiada de fantasma, atrás de um furgão fazendo a dança da Charlie XX. Aí a pessoa pergunta: que nicho é esse, rapaziada? Se você nunca tinha ficado até o final, sempre tem uma gracinha aqui no final. E eu sempre falo para o seleto clube das mais mais, que é quem fica até o final, as maioriais que moram dentro do meu coração, e para quem eu faço esse podcast, eu sempre deixo um emoji que é para vocês comentarem alguma coisa com esse emoji e eu saber que vocês fazem parte.

É o nosso código secreto para eu saber que vocês fazem parte do seleto grupo das mais mais e ficaram até o final. E hoje o emoji que eu vou falar para vocês colocarem é o de maçã, em homenagem a Charlie XCX, que tem a fatídica música, a famigerada música Apple. Se você nunca ouviu, recomendo, é uma ótima música divertidíssima, tá bom? Então tá bom, meu povo, agora sim nos vemos na semana que vem. Um beijo e tchau!

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