é preciso ter fome
esses dias eu li um texto que me deixou inquieta, então sabia que precisava vir falar sobre o assunto com vocês. a conversa é sobre fome, canetas emagrecedoras, sexo, desejo, medo e um monte de coisas mais. tomara que eu não seja cancelada :)
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- As canetas emagrecedoras como sintoma da cultura da magreza extremacanetas emagrecedoras·obesidade crônica·cultura da magreza·heroína chic
- O desejo e a incompletude humana como motores para o caminhar da vidaLacan·Clarice Lispector·A Paixão segundo GH·vazio·incompletude
- A mitologia grega de Eurídice e Orfeu e a vulnerabilidade do olhar do outroHadestown·Eurídice·Orfeu·Hades·Eduarda Calfati
- O medo do olhar do outro e a busca por proteção nas relações humanasred flags·saúde mental·vulnerabilidade·proteção
- A ferocidade da fome e a vulnerabilidade como caminho para a liberdadeRoxane Gay·Fome: Uma Autobiografia do Meu Corpo·vulnerabilidade·liberdade
- A geração Z e a diminuição da prática sexual devido ao isolamento virtualgeração Z·redes sociais·Drauzio Varella·TEDx do Carvalhal
Oiê, menina! E as canetas emagrecedoras? Eu já tô rindo de nervoso porque hoje a gente vai mexer em um dos vespeiros da internet, que são as canetas emagrecedoras. Porque muito provavelmente eu vou ofender pessoas com esse episódio. Eu queria dizer que não é nada pessoal, até porque as pessoas que eu tô preocupada em ofender, além das pessoas que estão ouvindo que eu não conheço, são as pessoas que eu conheço na vida real. Porque eu tava fazendo essa reflexão antes de começar a gravar E eu pude constatar que a maior parte das mulheres que me cercam hoje em dia, assim, as mulheres na vida real com quem eu convivo, a maior parte delas está tomando, está fazendo uso das canetas emagrecedoras.
Eu não sou uma delas. E aí também vale falar que o contexto no qual eu tô inserida, que é, eu não sei se vocês lembram, eu sou influenciadora também. Sou várias coisas, entre elas influenciadora e empresária. E principalmente nesse meio de influencers e de empresárias, eu tenho visto— eu lembro da primeira vez que eu vi uma pessoa falando sobre isso abertamente, que foi em uma reunião de empresárias que eu tava, que tipo assim, ela tava falando que perdeu 5 quilos e tava felicíssima e tal.
E eu estranhei tanto quando ela falou, eu falei, gente, nossa, que coisa estranha. E hoje em dia é uma coisa extremamente normal. Eu vou tentar abordar esse tema com muito cuidadinho, que eu sei que muitas pessoas podem se ofender, mas hoje a gente precisa falar sobre a nossa fome. A intenção desse episódio não é que ninguém se sinta mal por tá fazendo uso das canetas emagrecedoras, especialmente pessoas que têm questões reais assim de saúde.
Então aqui a gente não tá falando de pessoas que convivem com quadro crônico de obesidade estão finalmente podendo fazer alguma coisa sobre isso. Não tô falando sobre isso, tô falando sobre a galera que tá usando para perder uns quilinhos, tá? E muito mais do que sobre falar sobre isso, eu quero falar sobre isso como um efeito, um sintoma do nosso tempo. E é um sintoma muito palpável assim, né? A gente consegue entender realmente tudo que acontece quando você usa as canetas emagrecedoras.
E eu quero falar sobre fome, no mais diverso, nas mais diversas definições de fome que a gente tem, tá? Eu preciso falar sobre isso porque recentemente eu li um texto assim, me faltam palavras, abismal. Eu fiquei abismada com esse texto. Eu li, aí sabe quando você lê e você fala, meu Deus, os neurônios da minha cabeça fizeram novas conexões a partir desse texto? É uma pessoa que eu não conheço, nunca tinha ouvido falar, E ela se chama Eduarda Calfati.
Eu encontrei o texto dela por acaso no Substack. Eu abri meu Substack porque eu tava sem Instagram nos últimos dias que eu tava de férias. E aí eu abri meu Substack para ler alguma coisa enquanto eu estava no banheiro, e aí apareceu assim esse texto, tava em alta, que se chama Canibalismo em Tempos de Monjaro. Eu vou deixar esse texto lá no nosso grupo do WhatsApp, tá? Leiam, é maravilhoso. E eu vou traduzir o que esse texto falou com as minhas palavras nesse episódio e acrescentar algumas reflexões.
Então hoje vamos falar de fome, de canetas emagrecedoras, de prazer, de motivação, de vazio, de várias coisas que rodeiam esse tema. E no texto ela começa coincidentemente falando de Hadestown, Hadestown, não sei como é que fala, que foi um dos musicais que eu fui ver quando eu tava em Londres. Lembram que eu fui para Londres no ano passado? Quem já era nascida aqui no Gostoso Também Choram eu fui visitar a minha amiga que mora em Londres, a Olga.
E aí teve um dia que eu fui sozinha, não sei o que aconteceu, acho que ela tinha que trabalhar, alguma coisa assim. Eu fui sozinha em um musical que chamava Hadestown, por recomendação da Calu. Beijo, Calu, que tá editando esse podcast, que é um musical baseado numa mitologia grega de Eurídice e Orfeu. Eu vou contar um pouco sobre ele e a partir dele que a gente vai desdobrar a reflexão. Que é o seguinte, você não viu, eu vou falar com as minhas palavras, talvez esteja um pouco errado, mas vamos lá.
Vocês veem que eu tô bem assim tateando território hoje porque eu tô com medo das pessoas me cancelarem por conta das canetas emagrecedoras, mas vamos lá. O conto é o seguinte, tem uma mulher chamada Eurídice e no teatro que eu fui ver ela era uma trabalhadora, eu acho que ela era uma trabalhadora da estação de trem, e aí ela é muito pobre e tal, e aí ela cai no conto do vigário, acaba assinando um contrato com Hades e vai para o submundo.
Então ela fica presa no submundo. Só que antes disso, Orfeu, que é um herói ou semideus, agora não lembro, ele se apaixona por ela e ele fica indo na estação de trem para conhecer ela, até o dia que ela some. Falam que ela foi para o submundo, caiu nas garras de Hades. Depois disso, Orfeu decide ir atrás dela. E Orfeu tem um dom que é a música. Através da música ele faz as coisas Primeiro que ele encanta todo mundo, e na mitologia grega parece que ele faz as flores aparecerem, a primavera florescer.
Gente, só vou falar um, pera aí, se eu falar alguma coisa errada dos mitos não tem problema, tá? Se vocês quiserem me corrigir, pode me corrigir, mas para efeito do que que a gente vai usar dessa história para reflexão, o que eu vou falar aqui é suficiente, tá bom? Então Orfeu decide ir atrás da Eurídice no submundo, ele decide descer para o submundo. Todo mundo fala: meu filho, pelo amor de Deus, ninguém nunca voltou do submundo, ninguém nunca se desvencilhou das garras de Hades, nem Perséfone, que é a esposa do Hades, consegue se desvencilhar das garras dele.
Você tem certeza que quer descer? Ele: não quero descer, eu vou atrás da Eurídice. E aí ele desce, aí tem toda uma história, e ele finalmente consegue libertar Eurídice e convencer Hades de libertar ela e ele para eles voltarem para o mundo. Só que aí Hades fala assim: tá bom, temos um trato, você pode subir de volta, Eurídice também vai subir com você, mas tem uma condição. Vocês vão subir de volta, né? Porque eu tô fazendo assim, quem tá vendo o vídeo tá vendo que eu tô fazendo um círculo, porque no teatro é uma peregrinação em círculo que eles fazem.
Você pode subir de volta, só que você vai na frente, Orfeu, Eurídice vai atrás. Vocês vão ter que enfrentar toda essa caminhada, essa peregrinação, e você, Orfeu, não pode olhar para trás. Você tem que confiar que a Eurídice tá atrás de você, você não pode olhar para trás. E aí eles sobem, sobem, sobem, e aí spoiler, que não é spoiler, né, porque estamos falando de mitologia grega, tipo assim, essa história já foi contada há muito tempo.
Orfeu olha para trás, e aí o que acontece varia de acordo com quem tá contando essa história. No teatro ela volta para o submundo, em algumas histórias ela se dissolve. Eu gosto dessa ideia de que ela se dissolve. E aí a Eduarda, que fez esse texto, ela trouxe isso Porque essa parte de ser olhada pelo outro, se permitir ser— tem várias morais da história que a gente pode tirar, né, dessa mitologia grega, como todas as mitologias gregas.
Mas essa parte específica que Orfeu olha para trás e Eurídice se dissolve é muito simbólica, porque a gente tá falando metaforicamente de você entregar. Eurídice tava ali com o controle da vida dela totalmente nas mãos do olhar de Orfeu. E aí a Eduarda escreve assim, entre aspas: amar é se permitir ser devorada pelo olhar do outro, é ser comida viva, e mais, é gostar. Que parada, né, gente? Se a gente, partindo desse sentimento assim de, mano, ele foi me buscar no submundo, eu tava completamente— e aí para sair ele precisa confiar em mim, e o controle assim, se eu vou dissolver ou não, tá na mão dele, e eu gosto disso, é eu me permito ser olhada por ele e dissolver, e eu gosto disso.
É muito forte essa imagem, tem muito a ver com desejo. E aí eu fiquei pensando sobre desejo e fui no site do meu divo Drauzio Varella, um ícone, porque eu queria confirmar um dado que é, que fica rodando aí pela internet, mas eu queria um confirmado. E o Drauzio Varella confirmou no site dele que é: a geração Z é a geração que menos transa menos pratica sexo em relação às gerações anteriores. E aí tem várias hipóteses sobre o que que, porque isso acontece.
E eu acho que o que acontece com a geração Z é um reflexo da cultura que a gente tá vivendo hoje, né? Porque assim, é claro que as gerações anteriores trazem, né, de herança hábitos e formas de se comportar que não tem a ver com o que tá acontecendo agora na cultura. Mas acaba refletindo. Então, se a gente tá falando que a geração Z é a geração que menos transa entre todas as gerações anteriores, a gente tá falando que existe uma tendência de transar menos.
E por que que isso acontece? Nessa matéria do Drauzio Varella, ele levanta várias hipóteses, e uma delas, que eu achei a mais simbólica e provavelmente a mais óbvia, é por conta do isolamento que a gente tem via redes sociais, né? A gente se conecta com 1 bilhão de pessoas. A gente tem essa sensação de ser muito próxima de pessoas e de acompanhar o dia a dia das pessoas. E essa fome de conexão, né, a fome do que o social ocupa na nossa vida, muitas vezes é preenchida por coisas que são virtuais, né, não são físicas, não estão presentes no mundo físico.
E tem uma outra coisa, não sei se vocês têm isso, mas por muito tempo na minha vida eu achava que eu era muito melhor em conversar com as pessoas online do que ao vivo. Então, principalmente assim, na minha época de solteira, no começo dos meus 20 anos, eu achava muito mais fácil flertar online do que flertar ao vivo. E eu sempre pensava isso, eu pensava assim, nossa, tô conversando com esse cara que se eu tivesse— na época era chat do Facebook— se eu tivesse no chat do Face com ele, ele já tava na palma da minha mão, porque é muito mais fácil muito mais fácil você se conectar, fazendo entre aspas, online com a pessoa, porque você pode escrever, apagar, reescrever.
Não existe assim, você ficou com vergonha, a pessoa não tem como ver porque não tá vendo a sua cara. Você falou alguma coisa errada, não tem problema porque você apaga. Então você tá sustentando um avatar de si mesmo que tá se conectando com avatar de outra pessoa. Essa conexão é muito mais segura né, mais protegida e mais fácil. Em carne e osso, quando você tá se conectando em carne e osso com a outra pessoa, aí complica. E a geração Z e todas as outras gerações, por reflexo, né, assim, do que que tá rolando na cultura, tem sentido isso.
E esse é um dos motivos do porquê que a geração Z transa menos do que as gerações anteriores. E por que que é mais fácil, né? Por que que a gente tende a ir para esse caminho mais fácil? Porque hoje um Inclusive o TEDx do Carvalhal, que fez o TEDx junto comigo lá em Blumenau, ele fala que uma época ele tava viciado em aplicativo de encontro, né, de namoro, e ele percebeu que ele tava viciado nessa conexão online, tipo assim, não necessariamente no que ela vai virar offline.
Então acaba que essa conexão que a gente busca online, foguinho nos stories, conversinha, não sei o quê. A gente não, eu no caso, né, que eu sou casada, graças a Deus, tô há 10 anos com o mesmo homem. Mas essa conexão, né, que eu vejo as minhas amigas solteiras assim batalhando, que é foguinho nos stories, curtiu não sei o quê, aí falam. Às vezes não é nem como uma ferramenta para levar para o online, é mais pelo assim para preencher uma parada que é sintética, né, virtual.
E aí nesse TEDx do Carvalhal ele conta que ele percebeu que ele tava viciado nisso porque ele ficava o tempo todo nisso, né, nesses aplicativos de namoro. Inclusive ele fala disso até no livro dele, que é o, esse livro dele aqui, que é A Alegria em Ficar de Fora. Muito fofo esse livro dele, muito legal, reflexões incríveis. E tem, eu falei muito fofo porque tem várias atividades no meio, tipo caça-palavra, essas coisinhas assim para você ficar mais offline.
Mas então aí ele conta que ele percebeu isso uma vez que ele tava indo no no encontro. E aí ele tava no encontro com um cara, e aí por baixo da mesa ele tava no aplicativo, sabe, dando para direita, para esquerda. Ou foi no banheiro ficar mexendo no aplicativo. E tipo, qual é o sentido, né? Porque preenche uma coisa, né, que é como se fosse a dopamina fajuta que eu falo no Vertigem, né, no meu livro. Preenche uma coisa que nunca vai ter a capacidade de te satisfazer.
Porque pelo medo do olhar do outro, como no conto da Eurídice, né, que pelo medo de você ser olhada, porque quando o outro olha ele pode te destruir. Por esse medo do olhar do outro, a gente fica com medo de perder o controle, medo de ser vulnerável e medo de estar ali. A gente tá perdendo a coragem coletivamente de ter conexões que nos lembre que não somos somos apenas a nossa mente, que somos também o nosso corpo, que a gente se conecta com o outro através do corpo, né?
E permitir que o outro olhe o seu corpo, olhe e veja o seu corpo com seus próprios olhos. Imagina, para transar você precisa estar pelada na frente do outro, gente. Tipo, isso tem, quando você é muito protegida pelo virtual, né, e pela imagem, o avatar que você cria ali nas redes sociais, muito difícil, né? Você precisa permitir que o outro te toque, que sinta o seu cheiro. Isso é muito desafiador e tem ficado cada vez mais desafiador.
E o que que isso tem a ver com as canetas emagrecedoras? Vamos chegar lá, amiga. Deixa eu te falar uma coisa: às vezes o que tá faltando na sua vida é ser o centro do seu próprio universo e parar de deixar a gente sem enredo roubar seu brilho, tá bom? Vamos se colocar no papel principal da própria história e investir em si mesma. Estudar alguma coisa que você sempre quis, investir na sua carreira, descobrir um interesse novo. Já que é para ficar obcecada, fique obcecada pela sua própria vida, né, minha filha?
E se a obsessão do momento for crescer profissionalmente, deixa eu te falar da EBAC. A Escola Britânica de Artes Criativas e Tecnologia tem mais de 150 cursos em uma plataforma própria de ensino, além de duas pós-graduações reconhecidas pelo MEC. Tem várias áreas de estudos por lá, mas hoje eu vim falar especialmente com as garotas do marketing. A EBAC tem cursos de marketing digital, social media, e opções tanto para quem quer começar do zero quanto para quem já trabalha na área.
Você aprende com professores que atuam no mercado e ainda cria projetos para o seu portfólio durante o curso. E ó, em alguns cursos tem o programa de empregabilidade, que aí cumprindo condições, se você não conseguir um emprego, a EBAC devolve seu dinheiro. Você acredita, menina? Então bora investir essa energia em você! O link para inscrição tá na descrição do episódio, e usando o cupom LELADESCONTO você ganha R$200 de desconto no curso que escolher.
Então muito obrigada, EBAC, por patrocinar esse trecho do episódio. Voltando, no ritmo que eu tenho visto Reflexões e desabafos pelo TikTok. Preciso dar uma atualização para vocês que eu acho que eu já, já falei em passant, mas preciso ser mais, mais direta, digamos assim. Vocês lembram que eu falei que eu parei de mexer no TikTok, deletei o TikTok do meu celular e tava mexendo só pelo computador? Foi em um episódio que se chama Como Ser Mais Analógica.
Alguma coisa assim, foi no começo do ano que eu tava dando dicas de como viver uma vida mais analógica. Então, menina, eu instalei o TikTok de volta no meu celular porque eu tô amando fazer cardio vendo TikTok. Então hoje eu continuo não mexendo no TikTok no meu dia a dia, eu só mexo quando eu estou fazendo cardio, tá bom? E aí o que que aparece muito no meu TikTok quando eu estou fazendo cardio na academia? Pessoas desabafando ou dando conselhos ou falando fofocas.
E várias outras coisas para além desse aspecto, tipo principalmente bichinhos em fazendas e ranchos. Mas o que eu tenho visto desse tipo de vídeo, que são pessoas falando diferente para câmera, dando conselhos ou falando da própria experiência e tal, é muita atenção num vocabulário, que é muito importante porque a gente sabe que, como diz Nath Souza, é muito importante dar nome às coisas. Mas eu tenho visto uma fixação um pouco simplista sobre os relacionamentos.
Então, ah, ele fez isso, é red flag. Ela fez isso, não tem como aceitar, ela é narcisista, ela é não sei o quê. E vários vocabulários que eu acho interessante da gente ter para caracterizar e ficar atenta nos relacionamentos, porque o outro pode sempre representar um perigo, especialmente se ele é homem. Correto? E aí perigos de vários tipos. Mas para além disso, eu tenho visto que essa relação eu e o outro, eu versus o outro, tem sido cada vez mais calculada.
Então, através de red flags, laudos, traumas, condições, coisas desse, dessa espécie que fazem com que o outro, o que eu tenho visto, tá, me parece que o outro quase sempre, essa desestabilização que o outro traz apenas por ser outra pessoa além de você, meio que é necessária para você criar uma conexão com o outro. Só que o que eu tenho visto é que me parece que esse vocabulário tem sido tecido e repetido e repetido, e isso é ótimo para a gente crescer, né, a nossa discussão sobre isso, mas ao mesmo tempo traz um alarme tão grande sobre o outro que parece que o outro necessariamente sempre vai ser uma ameaça para nossa saúde mental.
E a gente já sabe, essas discussões e essa, todas essas, esse super, essa super atenção sobre o comportamento do outro e tentar calcular se você responde, não responde, se você deve permitir ou não permitir, coloca o outro sempre em uma desestabilização da sua saúde mental, um perigo para sua saúde mental. E o outro é mesmo um perigo para sua saúde mental. Eu acho que não existe nenhum relacionamento em que você como subproduto do relacionamento você se conecte, alimente a sua alma de conexão, que não tem algum risco.
Porque você precisa ser vulnerável para se conectar com o outro, e aí é arriscar mesmo. Então o outro é sim um perigo para sua saúde mental, sobretudo quando estamos falando de homens, correto? Mas a gente vai criando então esse vocabulário de proteção. E aí a gente chega numa questão que a gente já repetiu nesse, vai em vários episódios, que é se proteger, sobreviver sempre vai ser a prioridade do seu cérebro, porque seu cérebro foi feito para sobreviver.
Tipo assim, ele evoluiu durante milhões de anos, sei lá quanto tempo que a humanidade existe, mas ele evoluiu durante todos esses milhares, centenas de milhares de anos para que você sobreviva. Então quando alguma coisa representa um perigo, o impulso é se proteger, mas Sobreviver não é ser feliz, já falamos disso aqui. Sobreviver, se proteger, não é se nutrir. Lembra daquela história que eu falei que teve uma época que eu achei que eu era bruxa?
E aí eu fiz um curso de cristais, e aí eu queria me vestir inteira de cristais porque eu descobri que cristais pretos são de proteção. Então vassoura de bruxa, ônix, turmalina negra, vários cristais de proteção. Menos obsidiana, que eu tinha muito medo de obsidiana. E aí eu só queria andar com cristais pretos e pulseira e colar e brinco e tal. Aí um amigo meu que tava fazendo o curso comigo, ele tava com um quartzo rosa assim pendurado e mais nada.
Aí eu falei, nossa, amigo, quartzo rosa! Aí ele falou que a gente tava falando dessa coisa de proteção, né? Ele falou assim, ai, amiga, se eu ficar me protegendo o tempo todo, como é que eu vou me nutrir? Aí eu falei, menina, verdade. Então, se você tá se protegendo e colocando cascas e cascas e condições e coisas e tal, que horas que você vai se nutrir? E eu acho que a gente tá tão assustado com essa desestabilização da nossa saúde mental, com esse perigo que o outro representa, estamos assustadas enquanto geração, que a gente prefere se proteger e não deixar o outro nem encostar na nossa casca.
Só que aí, que horas que a gente vai se nutrir? Se proteger. Quando a gente fala de se proteger do outro, a gente tá agindo a partir do medo. Nem sempre é uma— o medo, ele é um bom amigo, né? Uma— ele fez com que a gente sobrevivesse como espécie até aqui e faz parte de todos os animais que existem hoje. Todos têm medo de alguma coisa, e aí esse medo faz com que você se proteja quando há um perigo. E a gente tem que confiar nesse medo às vezes, mas deixar que ele escreva a nossa história Não sei se é uma boa ideia.
Eu acho que uma melhor ideia é identificar o medo e saber e decidir o que que a gente vai fazer com ele, porque o medo faz com que a gente coloque necessariamente a nossa razão acima da nossa emoção. Não necessariamente, na verdade, porque o medo também é uma emoção, né, falando agora. Mas nesse lugar assim das conexões com outros seres humanos, o medo faz com que a gente coloque a razão por cima da emoção, porque ceder ao desejo de se conectar com outro, de ser devorada pelo olhar do outro, e também se permitir devorar o outro com o próprio olhar, é ceder a nossa condição animal, é desmontar todas essas carcaças dos avatares online que a gente fez de perfeição, que a gente finge que a gente é muito perfeitão, nossa vida é incrível e perfeita, e a gente é muito descolado e cool, e falar: nossa, eu sou um animal, Sou um ser humano.
E a Eduarda até coloca isso no texto dela, ela coloca: ceder ao desejo é se aproximar da condição animal. E o que que tudo isso tem a ver com as canetas emagrecedoras? Pelo amor de Deus, Laila, aonde você vai chegar? Então, nesse momento a gente chegou na palavra-chave que vai conectar tudo que eu quero dizer nesse episódio, que é o desejo. As canetas emagrecedoras, e aí de novo não quando usadas para tratar obesidade crônica, pessoas que têm quadros de saúde que precisam.
Vocês entenderam, né? Vamos tirar isso da frente e vamos direcionar para quando pessoas magras só querem ser mais magras, que é o que eu tenho visto a maioria das mulheres que eu conheço ao vivo fazerem, tá? E aí eu não tô falando só das mulheres que eu conheço, tá? A gente tá vendo toda uma cultura, né, o shape slim O heroin chic voltando, a magreza extrema. Fazia tempo que eu não vi uma parada assim, as costelas aparecendo, sabe?
Dá para você ver a forma do osso das pessoas. Isso sendo replicado, replicado, replicado na mídia, querendo ou não, isso reflete na nossa cultura e nos nossos próprios desejos a respeito do nosso próprio corpo, né? E no texto da Eduarda, ela coloca um sintoma que ela viu quando ela tava trabalhando como garçonete, que foi que os pratos começaram a voltar para cozinha cada vez mais cheios. Então a pessoa pede, come um pouquinho, já manda o prato de volta e a comida vai para o lixo.
E eu, como dona de marca de roupa, tenho visto um sintoma muito claro, que é a minha marca, ela tem 7 tamanhos, né, vai do PP ao G1, que a gente teve que crescer na grade, acabou tendo essa nomenclatura, mas na prática o nosso G1 é o G3, porque a gente tem PP, PM, G, GG e GG e G1. Então seria como se fosse o G3, G, GG, EGG e G1. É o G4, sei lá, gente, uma confusão esse negócio. Mas a minha marca tem essa grade de tamanho e a gente, ao contrário do que as pessoas pensam, a gente calcula a grade de tamanhos com base no comportamento, nos dados que a gente tem.
Então assim, não é que a gente produz a mesma quantidade de M do que a gente produz de G1, por exemplo. A gente vê o comportamento de consumo das nossas clientes, da nossa base de clientes, e produz uma grade equivalente que tem as proporções. Então assim, para cada uma peça P tem duas— tô falando por exemplo, tá, não é isso— cada uma peça P tem duas peças PP e três peças GG. Tipo assim, a gente vai fazendo um equilíbrio e produz em proporção correspondente.
E o que a gente começou a ver nos últimos dois anos é que a gente cada vez mais os tamanhos maiores estavam sobrando na grade. Porque, e aí a gente começou a perceber que as modelos que a gente chamava para ser, por exemplo, G1, elas já estavam vestindo GG. Então a gente começou a ver na prática assim, nossa, tipo, caramba, essa cultura tá refletindo nas pessoas, porque a gente tem uma recorrência na marca de 80%. Ou seja, é basicamente o público vai crescendo e aí depois ele volta.
Então a gente tá falando das mesmas pessoas que compram basicamente todos os meses ou a cada 2 meses na marca, são as mesmas pessoas, e essas pessoas estão emagrecendo. Então Então eu tenho visto reflexos do que que a gente tá vivendo na cultura, né, tanto das canetas emagrecedoras quanto dessa cultura da magreza que parou de ser escondida, né, voltou a ser exibida sem nenhum pudor e tal. E o que que as canetas emagrecedoras fazem na prática, né?
E aí eu peguei aqui da bula mesmo, tipo, quais são os claims de produto que a gente chama, né, que é assim, o que que o produto fala que ele vai te oferecer? Elas inibem o apetite. Tô pegando aspas aqui do produto, tá? Inibem o apetite. Algumas colocam inibidor de apetite e controlam a fome, tá? São informações oficiais. Vamos pensar nas palavras, vamos pensar nas palavras que estão sendo usadas: inibe o apetite e controle da fome.
Para além de ser uma caneta emagrecedora, vamos pensar nela simbolicamente. Como algo que está entre nós e o nosso desejo. E as pessoas estão pagando muito caro para controlar essa relação, para inibir essa relação, para fazer com que esse impulso tenha menos ação sobre você do que ele está tendo naturalmente. Se a gente pensar na fome como desejo, tá, vamos para esse campo metafórico. O que a nossa geração tá querendo fazer É domar, é controlar, é inibir esse desejo, é se exilar, se separar desse desejo, controlar o apetite, fingir que ele não existe, que é isso que as canetas emagrecedoras fazem, né?
Se separar da fome, porque ceder ao desejo, como Eduarda escreveu, é se aproximar da condição animal. E aí eu lembrei de uma frase do Lacan que é um dos fundadores da psicanálise aí, de uma das vertentes da psicanálise lacaniana, vocês devem conhecer, que ele fala que somos seres desejantes destinados à incompletude, e isso que nos faz caminhar. Então, a definição do ser humano psicanalítico, digamos assim, é que somos seres desejantes Tá, somos seres que desejam.
Desculpa, gente, tô tentando ser bem didática para tentar falar o que que eu tô pensando aqui. Somos seres que desejam, destinados à incompletude. Quando a gente vem com esse efeito das canetas emagrecedoras, simbolicamente, né, a gente se separa do desejo, a gente controla o desejo, a gente doma o desejo. E aí ele fala: destinados à incompletude. Só que o que as canetas emagrecedoras fazem é te dar uma sensação de saciedade, te dá uma sensação de preenchimento, ela te dá uma sensação de completude.
Só que essa incompletude, segundo Lacan, é o que nos faz caminhar. E aí eu lembrei de um trecho de Clarice, tá? Vou pedir licença para ler esse trecho de Clarice, que é um dos meus trechos favoritos da história de Clarice que eu já li, que é, ironicamente, se chama A Paixão, já que estamos falando de desejo, de fome, de olhar do outro. Esse livro se chama A Paixão, segundo o GH, e logo no começo ela dá essa pedrada, que é o seguinte: perdi alguma coisa que me era essencial e que já não me é mais, não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável.
Essa terceira perna eu perdi. Eu voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar, mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta. Era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma e sem sequer precisar me procurar. Estou desorganizada porque perdi o que não precisava. E aí ela fala algumas outras coisas, e depois ela fala o seguinte: é difícil perder-se, é tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira que vivo.
Eu estou completamente arrepiada. Esse trecho da Clarice, ele me arrebata toda vez que eu leio ele. Quem já leu o meu livro sabe que tem temas que são muito caros para mim. Um desses temas é o vazio. Por que que o tema do vazio é tão, é tão precioso para mim? Porque a partir do vazio, a partir da incompletude, a partir da falta da terceira perna de Clarice, que você encontra o movimento que, como Lacan diz, que te faz caminhar.
É a partir da falta dessa terceira perna que você Sobra com duas pernas e pode caminhar. Esse vazio, e o que faz você se movimentar, o que tá entre o vazio e o movimento é o desejo. Essa, o que a gente tá chamando aqui de geração Monjaro, o efeito físico, né, das canetas emagrecedoras é você não sentir esse vazio, você não sentir esse desejo, e portanto ser algo estável. E controlável e domado. Mais uma vez estou falando simbolicamente, né, e tô falando das canetas como um sintoma do que a gente tá vivendo.
E talvez uma das explicações porque a geração Z está transando menos do que as outras gerações, porque o controle é muito mais seguro. Mas até quando esse controle vai ser suficiente para justificar a sua vida? E às vezes a gente foge da nossa fome sem perceber que quando a gente tem fome nem sempre é falta de comida. Às vezes é outro vazio que a gente tá tentando preencher e é muito difícil de encarar esse vazio. Ou não, às vezes é só falta de comida mesmo, e aí a gente não quer comer porque a gente quer ser cada vez mais magra.
E eu não tenho como saber qual é a sua fome, você teria que perguntar para o seu corpo. E encarar o seu vazio para entender qual é a sua fome e por que você tá com medo dessa fome. E aí tem um comentário que eu achei muito bom no texto da Eduarda, de um psicanalista, pelo que eu entendi, que ele fala várias coisas, mas entre elas ele coloca assim: a inapetência de que você fala— inapetência, falta de apetite, né— a inapetência de que você fala não é falta de fome, é medo dela.
E eu fiz esse episódio inteiro porque convencer o seu corpo e convencer você mesma de que você não tem fome, tentar se convencer de que você não tem um vazio, tentar preencher esse vazio com uma terceira perna, com algo que controle a sua fome, com algo que te dê mais a sensação de estabilidade, controle, e que não te faça encarar esse vazio, é se separar desse vazio Por medo da falta de controle, por medo da vertigem que isso traz.
Compre meu livro Vertigem, inclusive, porque minha filha tem que ser muito xerecuda mesmo para bancar sua própria fome, para falar assim: eu sou um ser incompleto, desejante, para bancar isso que Clarice e Lacan estão falando, que assim: eu tenho fome e essa fome faz se movimentar. E é muito mais confortável você não ter fome e você estar domada, e você estar sob controle, e tudo te parecer suficiente. Mas no fundo você sabe que não é, porque você é animal, você é ser humano.
Não tem como, não tem como sua cabeça ganhar do seu corpo, porque eles são uma coisa só. Não vai ter como você domar o seu corpo e ser mais obediente e ser mais disciplinada. E sentir menos desejo e sentir menos fome. Uma hora você vai ter que se ver com isso, uma hora você vai ter que se ver com seu vazio, com seu desejo, com a sua fome. E aí você, a parada, que é o que eu inclusive quero gravar um episódio inteiro sobre isso, a parada não é não sentir desejo, é sentir o desejo, sentir o vazio e decidir, conseguir ter a capacidade de decidir o que fazer com ele, encarar isso e falar: isso faz parte de mim, eu sou humano, sou um animal, tipo assim, sou tão natureza quanto essa árvore que tá aqui na minha frente.
Mas eu tenho a razão e eu consigo decidir o que fazer com tudo isso, sabendo que na minha condição de ser humano eu preciso me conectar com outros seres humanos, eu preciso me conectar com o que me nutre, comida, as conexões, as relações, o ar, Tipo, você precisa se conectar com isso para ser feliz, porque se você for totalmente pela razão, você vai sobreviver. Sobreviver não é ser feliz. E aí a Eduarda termina o texto com uma frase linda, que é: nessa encarnação eu escolho ser Eurídice.
Quem é que escolhe ser Eurídice? Quem é que escolhe dar o controle da própria existência na mão de outra pessoa, sabendo que a outra pessoa pode devorar com o olhar? Tem que ser muito xerecuda mesmo. E xerecuda no sentido não de, ai, eu vou deixar o outro melhor porque eu sou inabalável. Não é isso. É o outro pode me abalar, o outro vai me abalar, eu vou me abalar, eu vou me deixar abalar, e eu vou achar, eu vou aprender coisas, eu vou ter os meus recursos para me reerguer, e aí eu vou me deixar aberta de novo para outro me abalar.
A gente tenta deixar outra pessoa te abalar, né, não seu ex no caso, porque a gente, burro que é burro não cai duas vezes no mesmo buraco. E aí eu lembrei, falando de toda essa, toda essa história, de um livro que não tinha como eu não lembrar, que é o livro Fome da Roxane Gay. Eu já falei algumas vezes desse livro, ele também tá na bibliografia do meu livro Vertigem. Mas o final dele eu acho que é o final que esse episódio precisa, que é o seguinte: para quem, dando um contexto para quem não sabe, Roxane Gay é uma ativista escritora maravilhosa, uma mulher negra gorda que passou por traumas horrorosos na infância.
E ela fez esse livro que se chama, ela fez vários livros que são absolutos best-sellers e acrescentaram muito para teoria feminista, né, em geral. E nesse livro aqui, esse livro se chama Fome: Uma Autobiografia do Meu Corpo, que é muito, nossa, é um livro assim muito transformador. Acho muito necessário também nesse momento que a gente tá vivendo. E no fim dele ela fala o seguinte: aqui estou eu lhe mostrando a ferocidade da minha fome.
Aqui estou eu finalmente me libertando para ser vulnerável e terrivelmente humana. Aqui estou eu. Me deleitando com essa liberdade aqui. Veja do que eu tenho fome e o que a minha verdade me permitiu criar. Ai, gente, nunca consigo ler sem chorar. Que parada, que parada que é tudo que a gente tá vivendo! É uma loucura. Agora, uma aspas para minha opinião pessoal: eu acho que a gente tá vivendo essas coisas assim numa velocidade inédita.
E eu acho que os efeitos psicológicos dessas coisas, especialmente nas mulheres, a gente só vai entender daqui a muitos anos. É muito do que eu tô vendo é muito semelhante ao que eu passei quando eu tive anorexia e bulimia. E aqui eu queria deixar mais uma vez o reforço de que eu não tô falando das pessoas que estão fazendo uso das canetas emagrecedoras para lidar com um problema crônico, tanto de saúde quanto de encaixe na sociedade, tá?
Eu convivo muito de perto com pessoas que são bastante fora do padrão e eu vejo o quanto é difícil, sabe? E ela, a Roxane Gay, ela fala bastante assim nesse livro sobre, sobre esse desencaixe do mundo. E o mundo faz você se sentir inadequado o tempo tempo todo, através da largura da catraca, através de uma cadeira que não suporta o seu peso, através de uma marca, através de não ter roupas para que você consiga vestir em um lugar onde você quer gastar o seu dinheiro, mas simplesmente não há roupas que te vistam, através de um médico que você vai para ver uma conjuntivite, ele te fala para emagrecer.
Tem, é muito cruel, tá? É muito difícil. E eu simpatizo, empatizo e compreendo muito as pessoas que simplesmente falam, eu não quero mais, eu não consigo mais bancar viver dessa forma, e vão para as canetas emagrecedoras ou para outras coisas como bariátrica, etc. Super compreendo e de nenhuma forma julgaria isso. Acho que deu para entender que eu tô falando do quanto essas canetas emagrecedoras foram normalizadas para quem não tem esse tipo de questão, para quem não, para quem quer perder 5 kg, e para pessoas que são magras e querem ser mais magras e querem achar esse, esse caminho.
E esse caminho é abrir mão do próprio prazer, é controlar e domar a sua própria fome, é não se ver com o próprio vazio e olhar e falar assim, eu tô vazia do quê? Enfim, espero que eu não seja cancelada a partir desse episódio. Espero que eu tenha me feito entender. Espero que vocês tenham gostado. Vamos falar sobre roupas confortáveis para mulheres. Alguém aqui já era nascida no ano passado quando a gente lançou a coleção Guapa na Lelabrandão Co., que era uma coisa bem todos querem ser latinos, mas lhes falta sazón.
Uma coisa feira, boteco, cachorro caramelo. Pois então, minha gente, ela está de volta e dessa vez 100% Brazilian Pride, que é o orgulho brasileiro para quem não é bilíngue. Na sexta-feira, dia 4 de setembro, pausa para você anotar aí na sua agenda, dia 4 de setembro, a gente lança a parte 1 da nossa coleção de primavera. Gente, essa é uma das coleções mais divertidas de fazer, que acontecem no ano inteiro, porque a gente traz muitas estampas, modelagens muito a nossa cara e pensada para gente aqui latino-americanas, especificamente brasileiras dessa vez, cores, enfim.
E dessa vez eu e o time de desenvolvimento de produto, a gente colocou um pré-requisito que é assim: todas as peças têm que ser peças para brincar, não para você brincar, dá para brincar também vestindo as peças, mas você brinca com a peça. Então você ajusta, você puxa de um lado, você abotoa de um jeito. Tem uma calça que tipo o cós dela é gigantesco, e aí você ajusta com os laços. Ai, só vendo para entender. As peças super levinhas com informação de moda a gente chama de peças interativas.
Então a gente quer que vocês interajam com as peças e elas fiquem exatamente da cara que vocês querem naquele dia, porque tem vários jeitos de usar as peças. Minha gente, deixa eu falar, montar uma coleção inteira desse jeito exige muita dedicação. Tô falando porque a gente tá há muitos meses trabalhando nessas peças. A paleta de cores tá do jeito que vocês gostam e eu tô muito animada para vocês verem tudo. A gente tá fazendo um ensaio fotográfico, vou tentar explicar para vocês a ideia que eu tive nesse ensaio.
Eu queria trazer cenários e coisas brasileiras que a gente olha e fala assim, que orgulho que isso é do Brasil. Por exemplo, Foz do Iguaçu, Lençóis Maranhenses, Rio de Janeiro, aquele cenário com Cristo Redentor, Jalapão, sei lá. A gente sentou e eu comecei a pensar todos os cenários que você olha e fala assim, meu Deus, isso é do Brasil, que orgulho! Amazônia, sabe, o Rio Amazonas. E aí a gente fez um cenário inspirado nisso, ficou muito legal.
Mal posso esperar para vocês verem. As peças estão ainda mais legais. E a coleção já tá aí, então muito animada para vocês verem tudo. A parte 1 da coleção então entra no ar sexta-feira, dia 4 de setembro. Tem short, tem saia, tem blusa, tem vestido, tem camisetão, tem um monte de coisa incrível que eu tenho certeza que você vai amar. E se você é brasileira com muito orgulho, com muito amor, você vai se relacionar muito com a campanha que a gente tá criando.
E tem notícia boa para vocês, minhas filhas: nas primeiras 24 horas de lançamento da coleção Então a partir do meio-dia tem live, né? Às 11, pelo amor de Deus, já chamando vocês. Às 11 horas da manhã vai ter live comigo mostrando todas as peças. Vai ser uma live especialmente divertida porque as peças são muito interativas. Então vocês vão ver eu brincando com as peças. E depois, ao meio-dia, na sexta-feira, dia 4, as peças vão para o site com o drop 1 da nossa coleção de primavera.
E vocês têm desconto com cupom Orgulhosamente brasileira. Então você coloca orgulhosamente brasileira e ele te dá R$10 de desconto durante todo o dia 4, a partir do meio-dia. Então já segue a gente lá no Instagram, @Lelabrandão.co, porque sempre rola muito spoiler até o dia do lançamento. E também para você não ficar de fora do lançamento, né, minha filha? Obrigada, Lelabrandão.co, por não patrocinar esse trecho do episódio. Bem que podia, né?
É isso, vamos voltando e vamos para o choro da semana. Gente, recentemente, agora que eu tô gravando, eu acabei de voltar do Vale Nevado no Chile. Eu fui com a Olga, essa mesma amiga que eu fui visitar em Londres. A gente passou 4 dias no Chile, no Vale Nevado, esquiando, que é a minha obsessão de vida. Não vou nem falar obsessão atual, é minha obsessão de vida. Nada para mim equivale a alguém que já esquiou, gente. É uma coisa, é uma sensação Indescritível.
E eu quero cada vez mais ir atrás dessas oportunidades de esquiar. Então a gente foi para o Chile, passamos 4 dias lá. E aí, para quem nunca esquiou, o esquema é o seguinte: existem lifts, que chama, que são tipo cadeirinhas, que você tem um passe, né? Tipo, tem a montanha, a montanha do Vale Nevado. E aí você precisa pegar um ski pass, que chama, que é tipo um cartãozinho que ele te dá direito de acesso ao parque há tantos dias, sei lá, o nosso foi 3 dias de acesso ao parque.
E aí esse cartãozinho, o que que ele te dá? Você aluga lá o equipamento, né, no nosso caso foi esqui, você pode alugar snowboard também. Aí você aluga o equipamento e aí com esse cartão você passa na catraca do lift e aí você pode subir nessas cadeirinhas e aí essas cadeirinhas te levam para várias partes da montanha e você pode pegar várias pistas. De esqui. E aí eu e a Olga, a gente estava esquiando, descemos em uma das, em um dos lifts, beleza.
E aí a gente desceu uma pista assim que a gente, a gente desceu e falava assim, meu Deus, isso é a vida real! Olha isso, olha essa paisagem! A gente parava, a Olga gritava, meu Deus, amiga, olha isso, olha aquilo! E a gente foi parando e observando. E era, gente, é uma coisa, não sei explicar, juro, é tipo surreal, surreal. A gente tava feliz da vida e tal. Aí a gente falou, vamos subir essa cadeira de novo e a gente pega essa pista de novo, porque assim é uma coisa surreal essa pista.
E a gente entrou na cadeira, o fatídico momento em que sentamos na cadeira do lift. E aí o lift foi subindo. E aí, para— eu tenho até uma foto, posso mandar lá no grupo do WhatsApp, porque a gente tava achando a vista tão linda que a gente começou a tirar selfie e tal. O lift ele fica, imagino que assim, uns 15 metros do chão. É alto, tá? É alto, é um teleféricozinho, né? Assim que você vai, você vai subindo. O lift parou. Isso até que é normal assim, porque as pessoas caem, sabe?
Na hora que vai sentar a bunda na cadeira assim, você tá com os equipamentos, você vai sentar, às vezes a pessoa cai, aí o lift, a cadeira passa por cima, ou a pessoa na hora de descer cai. É muito normal parar o lift, e aí você fica uns segundinhos lá, um minuto, e aí continua, porque é o tempo da pessoa levantar. E continuar. O lift parou, passou 10 minutos, passou 20 minutos, uma nevasca, gente, começou um vento, um vento, um vento, uma neve, e o lift balançando, a cadeira balançando, a cadeira balançando.
Eu e a Olga, a gente se olhou apavorado e falou assim, amiga, não é possível que alguém caiu e tá demorando 20 minutos para levantar. Meia hora se passou, tipo isso. Eu não sei se foi esse tempo, tá? Na minha cabeça foi assim 3 horas que se passaram, mas se passou muito, muito tempo. E aí começou a dar uns trancos assim, ó, tipo ele meio que fingia que ia para frente, parava, fingia que ia para frente, parava. E isso fazia com que balançasse ainda mais o lift, e os cabos que estavam sustentando o lift estavam tipo subindo, descendo, porque dava esses trancos.
E aí ficou assim por uns 10 minutos, tranco, tranco, tranco. Aí eu falei, amiga, quebrou o lift. Quebrou o lift, acabou. Tipo assim, como é que vão tirar a gente daqui? Eu não sei, porque não existe uma escada de 15 metros para tirar a gente daqui. Quando a gente olha para frente, tipo, aonde chega a cadeirinha lá no topo, tem uma casinha, sabe? Tipo uma casinha onde fica, sei lá, um telhado e uma pessoa ali que vai meio que te ajudando a descer e tal.
Essa casinha estava meio que pegando fogo. Uma, a gente não conseguia enxergar, né, porque tava muito longe. A gente viu uma fumaceira preta saindo assim, uma fumaceira preta, mano. Essa hora eu já entreguei minha vida e falei assim, amiga, é aqui. A gente, sei lá, vai ter reportagem, brasileiras morrem congeladas no topo do lift ou caiu. Eu fiquei com medo de tipo derreter o cabo, sabe, ou balançar tanto a cadeira que caísse porque tava ventando muito, gente.
Foi, acho que um dos momentos que eu mais passei medo na minha vida. Eu fiquei com os ombros assim, ó, no meu ouvido, quase desesperada. E a Olga, calma, calma. E geralmente sou eu que acalmo a Olga, né, nos medos e tensões da vida. Eu sempre falo, amiga, tá tranquilo, tal. Dessa vez foi ela, calma, calma, calma. Eu desesperada, gente, foi assustador. E resumo da ópera, eu não sei o que aconteceu, Deu problema de manutenção nesse lift.
Voltou o lift a funcionar, só que assim, numa velocidade muito baixa, tipo assim, muito, muito baixa mesmo. A gente demorou horrores para subir. E é assim, tem os fios, tem vários postes, né? E aí os fios eles ficam meio tipo entre os postes assim. Só que como a velocidade tava muito baixa, tinha mais cadeiras do que o normal no mesmo intervalo entre os postes. Então assim, o lift abaixou assim, sabe? O fio, o fio da cadeira abaixou.
Não tô conseguindo explicar. O fio da cadeira abaixou com o peso das cadeiras e a gente ficou bem mais baixo. A impressão é que ia cair, a impressão é que ia despencar o fio a qualquer momento, ia cair todo mundo. Mas chegamos lá em cima e quando a gente chegou, tava, tavam tentando fazer a manutenção do lift. Eu acho que eles tavam fazendo o que podiam só para trazer quem tava no lift em terra firme. E depois eles fecharam o lift e a gente ficou sabendo que deu problema todos os dias esse lift.
Então quebrou alguma coisa enquanto a gente tava lá em cima que eles não conseguiram acertar. E essa história de quando eu achei que eu ia de camiseta de saudades por pegar uma cadeirinha e achar que eu tava indo viver o melhor momento da minha vida, que era esquiar, e eu quase morri. Gostaram, meninas? Mais um medo desbloqueado. Mas eu vi que isso não é muito comum, tá? Eu pesquisei, eu vi que isso não é muito comum. Então se você for esquiar algum dia, não fica com medo disso não.
Ai, minha gente, vamos para obsessão atual. A minha obsessão atual não tem como ser outra coisa, gente. O mercado perto de casa começou a vender engradado de Coca de vidro por um preço— eu acho que eles precificaram errado, não sei, porque tá muito mais barato do que Coca de lata. E agora aqui na minha casa a gente colocou a regra de que tomaremos coquinha zero de vidro, que é— eu e o Vitor, a gente é obcecado por Coca Zero. Não é nem pela falta de caloria, é porque eu não gosto na Coca normal.
Não sei se alguém vai concordar comigo, quando tomo Coca normal eu sinto que eu fico com uma baba com gosto estranho depois. Não sei explicar, fica uma baba meio pegajosa, não sei. Aí a Coca Zero para mim é perfeição, que é o mesmo gosto da Coca normal, só que não fica essa baba depois. E aí a gente implementou a ditadura da coquinha zero de vidro. Imagina todas as refeições, não todas, né, todas as refeições que a gente come com Coca, que a gente toma com Coca, tem coquinha zero de vidro aqui no meu, na minha casa.
Eu estou obcecada. Às vezes eu tô trabalhando e fala assim, ai, vou pegar uma coquinha de vidro. Aí eu ponho um monte de gelo no copo. Nossa, que delícia, velho! Põe um monte de gelo no copo e bota minha coquinha de vidro. E o melhor é que assim, ela não é tão grande, né? Então não dá, porque a lata tem 350 ml, essa garrafinha tem menos, acho que 200 e pouco. Então é menos de um copo, tomou. Ai, olha que delícia, meu Deus do céu!
Olha só, de falar já encheu minha boca de água. Chegamos ao fim desse episódio polêmico. Espero que você tenha chegado aqui e não tenha me cancelado. Se você ficou até o final, não esquece de me seguir nas redes sociais, @lela.brandão. Se inscreve no meu canal do YouTube, que agora somos YouTubers. Lá no meu Instagram tem memes sobre o episódio, tem aprofundamento das discussões, tem meu dia a dia, tem cortes do episódio, tem várias coisas legais.
Então me segue lá, @lela.brandão. Tem a minha marca de roupas confortáveis para mulheres, a Lela Brandão www.lelabrandão.co ou @lelabrandão.co. Você tem desconto com cupom GOSTOSOCHORONA. E compre meu livro Vertigem: A Coragem de Encarar o Vazio e Escutar o Seu Corpo, que são dois temas que a gente trabalhou nesse episódio. Se você gostou, você vai amar o livro. A parte 4 é toda sobre corpo e a parte 1, 2, 3 são mais sobre vazio e excessos.
Então eu acho que você vai gostar bastante. E entra no nosso grupo do Zap que eu mando todos os conteúdos extras lá. E peço opiniões. Quando tem gostoso na escuta, é lá que eu pergunto as perguntas para vocês. Então entra lá no nosso grupo do WhatsApp, o link tá na descrição. Nos vemos na semana que vem, pode ser? Mesma hora, mesmo local, pode ser? Então tá bom. Então um beijo, fica com Deus, viu? Tchau, beijo! Se você ficou até o final do episódio e faz parte das divas que ocupam o meu coração na posição de seleto grupo das mais mais, as maiorais, as que ficam até o final, sabe?
As que, as mulheres para as quais eu faço esse podcast e que eu amo encontrar na rua. E elas falam assim, eu sou do seleto grupo das mais mais. Parece que a gente é tipo uma sociedade secreta, sabe? Comenta com o emoji de ET, pode ser? Sei lá por quê, porque eu vi aqui, achei bonitinho esse emoji de ET. Tá bom, então aí comenta com um emoji de ET para eu saber que você ficou até o final e faz parte da nossa sociedade do seleto grupo das mais mais.
Então tá bom, meu povo, nos vemos na semana que vem. Amo vocês, um beijo e tchau!
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