a culpa estraga tudo
tem uma diferença entre a culpa e a vergonha, e a gente precisa ficar bem atenta porque, se bobear, elas são usadas pra controlar as mulheres. nesse episódio eu falo sobre os sete pecados capitais com a perspectiva da culpa, e como a gente pode ter uma vida mais deliciosa se a gente conseguir deixar essa vigilância de lado e só relaxar. faz sentido? acho que você vai ter que ouvir pra entender hehe
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- Controle SocialCulpa como ferramenta de manipulação · Diferença entre culpa e vergonha · Controle das mulheres pela culpa e vergonha
- Cativeiro por PecadoIra e a repressão da raiva feminina · Gula e a culpa no prazer de comer · Luxúria e a sexualidade feminina reprimida · Preguiça e a culpa por descansar · Avareza e a culpa feminina por ambição financeira · Soberba e a culpa por autoconfiança · Inveja como bússola do desejo
- Culpa e ResponsabilidadeResponsabilidade baseada no querer individual · Culpa imposta pelos valores alheios
- Desintoxicação da CulpaInternalização da bússola moral alheia · Autocensura e diminuição da presença social
- Custo de VidaArrependimento por não viver a própria vida · Perda de tempo em caminhos indesejados
- Sensação de insuficiênciaHomens atribuem falhas a fatores externos · Mulheres atribuem falhas a fatores internos · Culpa feminina em conquistas e erros
- Produtividade vs VirtudePressão social por produtividade constante · Cérebro focado na detecção de ameaças · Dicotomia entre produtividade e felicidade
- Obsessão atual: Salada CésarSuperação de intolerância alimentar · Retorno do prazer em comer salada
Oiê, deixa eu te perguntar um negócio: quanto você acha do que o que você é hoje foi moldado lentamente ao longo dos anos pela culpa? Quanto das suas escolhas, quanto de quem você é, os caminhos que você escolheu, a carreira que você escolheu, os relacionamentos, o jeito que você se relaciona com as pessoas, não só os relacionamentos em si, mas o jeito que você habita esses relacionamentos, o jeito que você fala, sua personalidade, o jeito que você se veste, quanto disso vem da culpa?
Seja honesta, tá? Ninguém vai ouvir sua resposta além da sua própria cabeça, e não tem nada mais precioso do que ser honesto consigo mesmo. Esse tema tem ficado na minha cabeça há bastante tempo, e eu sei que é um tema difícil, mas vamos por partes, porque eu procurei bastante conteúdos e fontes que falassem disso do jeito que eu tenho sentido esse tema. Não achei. Se vocês acharem e conhecerem fontes legais de psicanalistas, de pesquisadores, de filósofos, coisas assim, filósofas de preferência, e psicanalistas também, porque esse tema tem bastante a ver com ser mulher, por favor deixem aqui nos comentários.
Eu vou amar me aprofundar nesse assunto. Queria lembrar vocês que eu não sou autoridade em nada, não sou formada em psicologia, não sou filósofa, nem antropóloga, nem Monja Cohen. Sou só eu, Lelinha. Diante de essa reflexão que, cara, permeia os anos da minha análise, e eu já sinto que eu avancei horrores nesse sentido. Teve um momento no meu percurso da análise nesses últimos 10 anos que eu percebi que muito do que eu era era porque eu me sentia culpada por ser quem eu sou.
Então muito de quem eu mostrava e o jeito que eu me portava e as decisões que eu tomava tinham a ver com culpa e com uma falta de aceitação alheia e uma sensação de inadequação. E por isso eu fui escolhendo coisas que eram mais seguras. Mas escolher coisas que são mais seguras para você nem sempre é um bom caminho. Às vezes ele vai te levar, esse caminho vai te levar para bem longe de si mesmo. E esse assunto voltou para mim recentemente porque eu tava em um lugar e aconteceu uma coisa que não é grave nem nada disso, mas na hora que aconteceu Eu, sabe quando você sente um cheiro familiar?
Sabe quando você entra no lugar, você sente um cheiro e fala, nossa, eu já senti esse cheiro antes, o que que é esse cheiro? Do que que é esse cheiro? Aí você faz, mexerica, sabe? Tipo assim, você acerta o cheiro e lembra, aí você lembra exatamente como é uma mexerica. Aconteceu isso recentemente e eu lembrei exatamente o que que era estar em relacionamentos que tinham a culpa como uma estrutura importante para me manter ali. Do jeito que as pessoas queriam.
Eu tava no lugar e aí eu tava fazendo minhas coisas nesse lugar, é um lugar que eu sempre vou, eu conheço as pessoas, mas assim, eu não sou amiga das pessoas, não sou parente dessas pessoas, eu conheço essas pessoas que estão ali naquele lugar. E eu tava ali fazendo as minhas coisas e de repente chegou uma dessas pessoas, ressaltando, eu não sou amiga próxima nem nada disso, só vejo ela ocasionalmente. E chegou para mim e falou assim: você vai, né, na quinta-feira?
E eu não sabia nem o que que ia acontecer na quinta-feira. Aí eu falei: quinta-feira, não tô sabendo. Aí ela: ué, vai ser— eu vou inventar uma coisa, tá, só para não expor a pessoa, mas vamos fingir que ela vai fazer um jantar de celebração de um prêmio que ela recebeu, tá? Vamos fingir que é uma coisa assim, não foi isso. Vai ser o jantar de celebração do meu prêmio. Aí eu falei: nossa, não tô sabendo. Por favor, você vai, né?
Tô contando com você. Veja, existem tantas formas de você fazer um convite para uma pessoa para uma ocasião que só diz sobre você. Mesmo que fosse uma amiga próxima, veja, se fosse uma amiga próxima minha, eu saberia o que significa para ela ganhar esse prêmio e ela nem precisaria me convidar, porque eu mesma ia arquitetar uma surpresa para ela, digamos assim, ou tipo ia falar para ela, cara, a gente precisa celebrar, vamos sair para jantar, alguma coisa assim.
Para estar com ela nessa celebração. Eu não sabia nem dessa conquista dessa pessoa, não sou próximo dessa pessoa, e então realmente eu desconhecia tanto essa conquista quanto esse evento. E assim, mesmo que eu desconheça esse evento e essa conquista, se essa pessoa virasse para mim e falasse assim: Laila, você não sabe, eu tô muito feliz porque eu conquistei um prêmio, e aí na quinta-feira eu vou fazer um jantar, eu amaria se você fosse.
Eu entendo se você não for, porque é um convite meio de última hora, mas assim, você fez parte dessa conquista de alguma forma. Ou: ah, eu adoro sua companhia, eu gostaria que você tivesse lá. Então fica o convite, depois me avisa se você vai conseguir ir, vai ser super legal, não sei o quê. Isso é uma forma de fazer um convite. A outra forma é: você vai, né? Pelo amor de Deus, você vai? Tô contando com você. Que foi exatamente o jeito que chegou para mim esse convite.
E quando chegou esse convite assim, e aí, gente, só um parênteses, isso não estragou meu psicológico, essa pessoa não é péssima, não foi na má intenção, mas existe um subtom de culpa nesse convite que me levou de volta. Imediatamente eu senti o cheiro de mexerica, sabe, de mexerica ou bergamota, né, de não sei como é que vocês chamam aí no lugar que vocês moram. Comenta aqui, inclusive, gostaria de saber. Tem mais um nome, não é mexerica?
Boca, bergamota. E aí tem mais um nome que falam, sei lá, não vou lembrar. Comenta aí se você sabe do que eu tô falando. Mas aí imediatamente me levou de volta para o esquema de relações, o esquema que se estabeleceu em relações que eu tinha antigamente, que me faziam falar sim ou não, gosto ou não gosto, quero ou não quero, com um peso central que era a culpa. E essa culpa, ela servia muito para essas pessoas me manterem nas relações do jeito que elas queriam, na hora que elas queriam, quando elas quisessem, independente do meu querer.
Então são relações, quando a culpa tá no meio de relações, ela tá presumindo que a moral do certo e errado de outra pessoa, o que é importante, desimportante para outra pessoa, precisa ser aplicado para você, desconsiderando o que você quer. E aí, isso é uma relação boa? Te pergunto. Eu acho que não, tô achando que não. E assim, nesse episódio a gente vai conversar também sobre a diferença entre culpa e responsabilidade. É claro que existe responsabilidade dentro de relacionamentos, mas a responsabilidade ela vem do seu querer, de você entender o que que é importante para você e você criar uma responsabilidade consigo mesmo de como você vai estar presente.
Por exemplo, nessa situação, se fosse uma amiga querida ou se fosse um convite que chegasse de de outro jeito, poderia ser o meu querer, tipo, nossa, que legal, eu quero estar presente para essa pessoa porque é importante para mim estar presente nesse momento, então eu vou, eu tenho essa responsabilidade de ir. Ou se fosse uma grande amiga minha, eu até acharia que é responsabilidade minha eu agitar esse jantar, entendeu? Depende do que que é importante para você.
Agora, quando o que é importante para o outro é imposto para você, como se fosse, tivesse que ser importante para você também, e gerando uma culpa caso você desconheça, ou caso você, enfim, não seja importante para você, você não consiga comparecer. Isso eu acho que é um problema, porque quando a gente tá em relações, e eu não tô falando só relações amorosas, tá, existe culpa estrutural quando a gente fala de relações familiares, de relações de amizade, de relações de trabalho, será?
Não sei, pode ser de trabalho também. Existe culpa em relações amorosas também. É uma ferramenta eficaz, digamos assim, é uma ferramenta eficaz. Porque quanto mais tempo e mais você escuta e mais você normaliza a pessoa usar a culpa para te ter do jeito que você quer— não queria usar essa palavra manipular, porque nem sempre a pessoa tá indo de um jeito intencional, tá fazendo isso de um jeito intencional. Às vezes ela só tá repetindo o que ela foi ensinada.
Mas eu vou usar para ficar claro, tá? A culpa é usada para te manipular a estar nas relações do jeito que as pessoas querem que você esteja. Quando isso acontece repetidamente, chega um ponto— não sei se já aconteceu com vocês, mas aconteceu muito de uma forma muito eficaz comigo— chega um ponto que você internaliza a culpa. Você internaliza o certo e errado de outra pessoa, de outras pessoas, a ponto de que elas nem precisam falar mais.
Elas não precisam falar: você vai, né? Porque na hora que tem a hipótese de você ir, você já nem considera não ir, porque é errado. Ou: você não vai vestir isso, né? Você nem pensa isso, porque na hora que você pega a roupa na mão, já tá na sua cabeça: não posso vestir isso. E aí? Você, então você acaba internalizando isso de uma forma que a pessoa não precisa nem mais fazer o esforço de te manipular. De novo, com cuidado dessa palavra, te manipular para aceitar a bússola do certo e errado dela.
Você já internalizou e você mesma se torna a sua prisão e os seus guardas, e cria ali um cativeiro confortável e seguro para que você não extrapole nenhum limite e acabe esbarrando no que é certo e errado da outra pessoa. E aí você faz isso de um jeito tão eficaz— não que isso seja culpa sua, de novo a palavra, não que isso seja intencional, né, não que você faça isso intencionalmente— mas você internaliza essa voz na sua cabeça que diz que você é culpada, que você é culpada, que se você fizer isso tá errado e que você é péssima, e que você internaliza isso de um jeito tão forte que você transforma ela em vergonha.
E existe, eu aprendi isso com esse livro que tá na minha frente, que é A Fábrica da Vergonha, existe uma diferença muito grande entre culpa e vergonha. E eu vou precisar explicar isso para que a gente entenda o quanto que isso é específico para nós mulheres. A culpa e a vergonha são usadas como um combão de controle para criar uns cativeiros mentais para a gente não conseguir ser quem a gente é confortavelmente e deliciosamente.
Nesse livro chama A Fábrica da Vergonha: Investigação sobre uma emoção que aprisiona mulheres. Olha só, nenhuma ideia original, né? Eu achei que eu tinha criado essa ideia aqui quando eu tava fazendo o roteiro, que eu é que a gente cria prisões. E aí o título do livro que eu usei eu nem tinha visto, que era Uma emoção que aprisiona mulheres. Mas nesse livro, a primeira coisa que ela faz, que elas fazem, né, são duas pesquisadoras, é diferenciar a culpa da vergonha.
A culpa é quando você sente, se sente culpada por algo que você fez pontualmente. Então, nossa, eu finjo, né, tipo, ah, eu traí meu namorado. Aí tá errado, eu me sinto culpada porque na minha bússola do certo e errado eu não acredito que é certo você trair seu namorado. Então eu fiz algo errado. A vergonha é quando você é alguma coisa. Então você se sente mal por ser algo, não por ter feito algo. Então você traiu seu namorado, você é infiel, você é traidora, você é aquilo, não fez aquilo, você é aquilo.
Aquilo se torna definitivo de quem você é, vira uma coisa fixa e não uma coisa que você fez. Deu para entender? E aí quando você junta bastante culpa pontual. Não fez o almoço no horário, não tirou a mesa, falou palavrão. Ai, você também quer demais, não quer seguir a carreira que eu quis para você. Insira aí qualquer culpa. Ah, sei lá, tá saindo no horário que não é bom para mulher sair de casa. Inúmeras culpas que a gente vai sentindo por fazer algo que foi dito que é errado para gente.
Vai, vai reafirmando e a gente faz um trabalho delicioso de internalizar e falar: então eu sou Eu menti, eu sou mentirosa. Eu errei, eu sou errada. Eu traí, eu sou traidora. E aí a gente vai internalizando a culpa e transformando ela em vergonha. E quanto mais culpa e vergonha a gente sente da gente mesmo, menos confortável em si a gente fica. O frio oficialmente chegou, e eu não sei vocês, mas nessa época do ano a pele do meu corpo pede socorro.
Sou só eu ou vocês também esquecem o hidratante no frio porque a única coisa que importa depois do banho é colocar uma roupa bem quentinha? A parte boa é que agora com Dove a skincare corporal acontece no banho. A nova linha Dove Sabonete Sérum é o lançamento que transforma esse momento em ritual de autocuidado. São diferentes versões líquidas e em barra com ingredientes que a gente já ama do skincare facial, mas agora pensados para cuidar do corpo.
Quem sofre com ressecamento no frio igual eu vai amar o Intense Hydration, com sérum revitalizador e ácido hialurônico, que hidrata até a pele mais ressecada desde o primeiro uso. Tudo isso com cheirinho delicioso. Bateu aquela vontade de tomar aquele banho gostoso com direito a velinha acesa, música e Dove Sabonete Sérum, né, menina? Banho de skincare é banho Dove. Obrigada, Dove, por patrocinar esse trecho do episódio. Voltando, isso acaba transparecendo e se revelando não só psicologicamente, a gente não fica só nesse descaralhamento mental de culpa e de se sentir péssima, etc., mas muda o jeito que a gente ocupa o mundo.
E é uma cascata que, se você, minha filha, se você não prestar atenção e parar essa cascata, ela vai fazer você encolher, encolher, encolher, igual Alice quando come o biscoito. Que encolhe ela de um jeito que você vai achar que é melhor você não ocupar nenhum lugar, porque todo lugar você esbarra em incomodar alguém, ser errada, em se sentir culpada. Então é melhor se diminuir para não incomodar ninguém. Mas não existe não incomodar ninguém, não existe passar pela vida sem incomodar ninguém.
E aí nesse livro que eu falei, da Fábrica da Vergonha, tem uma frase que elas falam assim, ó: o córtex sensorial entra em ação porque a nossa percepção é alterada. Por exemplo, podemos ter a impressão de que o mundo todo está nos olhando. Então olha só, só um pés, tá? A gente internaliza as vozes e esses sensores e esses guardas tanto, tanto que a gente, quando a gente sai de casa, a gente tem impressão que tá todo mundo reparando na gente.
Você vai na academia, faz um negócio errado, você acha que todo mundo viu que você fez errado. Você, sei lá, Você já teve essa sensação de achar que tá todo mundo te olhando? Você entra na sala, tá todo mundo te olhando. Você tá na sala, tudo, você acha que tá todo mundo te olhando. Então é você internalizar essa autocensura, sabe? Você internaliza uma censura alheia e vira uma própria censura. Enfim, o córtex sensorial entra em ação.
Por exemplo, podemos ter a impressão de que está todo mundo nos olhando. Quando ficamos com vergonha, nossa presença social diminui. A fala, a postura, o movimento. Aí continua a frase, não vou ler para não ficar maçante, mas, gente, algo que acontece dentro da nossa cabeça impacta tanto a gente, o jeito que a gente experiencia o mundo, que a nossa presença social, ou seja, o jeito que a gente ocupa o mundo, muda. Eu vou te convidar a sair na rua, vai no metrô, vai nos lugares que você frequenta e veja a posição do ombro das mulheres e o jeito que as mulheres andam na rua.
Em contraponto ao jeito que os homens andam na rua. Na hora que você começar a olhar isso, primeiro que você vai ver que as mulheres estão sempre cheias de sacola e os homens estão sempre com a mão no bolso sem carregar nada, no máximo uma mochilinha. Porque a mulher tem que levar a criança na creche, aí tem que levar não sei o quê, aí tem que levar a bolsa do trabalho, tem que levar o remédio do não sei o quê, tem que passar no mercado.
Então a mulher tá sempre carregada e o homem tá sempre com a mão no bolso porque não tem responsabilidade de nada, porque deixa tudo nas costas da mulher. Mas não é sobre isso que estamos falando. O que a gente vê é que as mulheres, na hora que elas saem de casa, elas se sentem inadequadas, elas se sentem com vergonha e elas querem ocupar o menor espaço possível em geral. E isso faz com que— e aí eu te convido a perceber— as mulheres andem com os ombros encurvados para frente e os homens andem com o peito estufado, as pernas abertas, assoviando em sua maioria.
Essa imagem, se você perceber, é quase sempre essa mesma imagem: a mulher olhando para baixo, com ombro curvado, segurando 300 mil coisas, ocupando o menor espaço possível, enquanto o homem tá lá espaçoso e confortável em si. Ele está confortável assim porque tem pessoas desconfortáveis do outro lado. Mas enfim, não vamos entrar nesse assunto. Mas é importante que a gente entenda que o sintoma da vergonha e da culpa que enfiam na gente, que nem se fosse tipo assim, enfiassem uma agulha e botassem para dentro, sabe, intravenoso, é que o nosso corpo diminui, a nossa presença social diminui, porque a gente fica com vergonha.
E aí eu queria chamar atenção para uma parada, que às vezes eu vivo a minha vida com um conceito meio claro na minha cabeça, e eu percebo que eu, se eu não colocar em palavras, ele não vai ficar claro para outras pessoas também. Então agora eu vou alinhar com você uma clareza que eu tenho para que fique claro para você também, para a gente poder avançar nessa, nessa conversa, que é o seguinte: estamos em uma sociedade que faz com que a gente internalize a demanda por produtividade.
O que significa isso? A gente vive num momento que tem várias coisas, tipo assim, capitalismo, neoliberalismo, sociedade do cansaço, etc., que fazem com que a gente ache que a gente sempre pode produzir mais, e se a gente não produzir mais é porque a gente é preguiçoso, desleixado, etc. E quando a gente tiver descansando, a gente está na verdade desperdiçando tempo que a gente poderia estar produzindo mais e ganhando mais dinheiro.
E se você acordasse mais cedo, talvez você tivesse um cargo melhor na sua empresa. Então a gente tá falando aqui de Byung-Chul Han, mas eu vou falar com as minhas palavras para deixar mais simples e menos maçante. Mas então o que a gente tem é uma pressão para você ser produtiva o tempo todo, que em vez de ter uma pessoa que fica em cima de você falando assim: produza, produza, eu preciso demais. Em vez de ter uma pessoa assim, você mesma já engoliu essa voz dentro da sua cabeça e fica assim: eu não tô sendo produtiva.
Aí se eu descansar, eu tô sendo folgada. Aí eu não avanço na minha carreira porque eu não acordei às 4 da manhã, eu acordei às 5. Ah, eu deveria estar trabalhando enquanto eles dormem. Então tem essa, a sociedade quer o quê da gente? Produtividade, tá? O sistema em que vivemos, capitalista, neoliberal, etc., quer que a gente produza cada vez mais, tá? É isso que ele quer da gente. Então a gente tem que ter consciência de que existe uma força que vai puxar a gente para esse lugar.
Do outro lado, isso coletivamente, tá? Do outro lado, individualmente, nós temos um cérebro, e o que o cérebro quer da gente é que a gente sobreviva. Então a gente passou milhares e milhares de anos evoluindo o nosso cérebro para que ele detecte ameaças e se prepare para enfrentar elas ou fugir, né? Aquela coisa do fight or flight, que é fuga ou luta. Acho que é assim que fala, né? Enfim, mas lá atrás, na Idade das Pedras— porque eu falei assim, não sei, na Idade da Pedra, na Idade das Pedras— lá atrás, na Idade da Pedra, era muito útil que o nosso cérebro ficasse sempre atento se a gente tivesse numa floresta, por exemplo, porque a gente precisava estar atento para um urso que poderia chegar, ou um leão, ou um incêndio, sei lá.
E aí hoje em dia raramente a gente é ameaçado por leões, e pelo menos aqui onde eu moro em São Paulo eu nunca fui ameaçada por leões e ursos. Mas aí o que que o nosso cérebro faz? Ele começa a achar que os nossos emails, que as nossas mensagens do WhatsApp, que as nossas conversa são leões e ursos, e você acaba ficando o tempo todo atenta e rígida e tensionada, porque você, o seu cérebro evoluiu para que você sobreviva. Então a gente tem que ter essa clareza de que a sociedade onde a gente vive, né, que a gente compartilha, puxa a gente para ser produtivo.
O que ela quer da gente é que a gente seja produtiva e produza cada vez mais. O nosso cérebro quer que a gente sobreviva e fique pronto para qualquer ameaça. E aí nessa dicotomia aí, nessas duas forças presentes, eu te pergunto: quem é que tá preocupado se você vai ser feliz? Quem está preocupado com o seu prazer? Quem está preocupado com que você viva deliciosamente todas as deliciosidades da vida, minha amiga? Ninguém. Sinto lhe informar, não vai cair no seu colo se você não for criança.
Ninguém vai se preocupar se você tá feliz ou não. No máximo, seu parceiro, sua parceira pode tentar se preocupar, mas quem vai ter que priorizar isso mesmo e ser feliz? Ninguém vai poder ser feliz por você, você vai ter que, você que vai ter que ser. E aí, sabendo que a gente já tem esse obstáculo, esses dois obstáculos, né, da força da produtividade, da força da sobrevivência, que andam na direção contrária da felicidade, do prazer e deliciosidade, a gente já tá, já tá, já é difícil, né?
Agora, para as mulheres é ainda mais difícil porque a gente tem um outro obstáculo, que é a culpa. E por que que eu digo especificamente das mulheres? Porque os homens— e isso não sou eu que tô falando, e sempre que eu for falar de coisas relativas a gênero eu sempre tento trazer outras fontes. Eu tô muito acostumada a fazer pesquisa de gênero, né, faço isso já há 12 anos. E uma coisa que é bem clássica, se você já leu qualquer pesquisa que fale sobre gênero, é que ninguém nunca sai falando coisas, mesmo que elas sejam óbvias, porque você não pode falar coisa da sua cabeça.
Você precisa estar sempre amparada por milhões de outros estudos e pensamentos e pesquisas para que você não seja colocada no lugar de extremista, de louca, de histérica, etc., etc. Então, no próprio livro da Fábrica da Vergonha, isso é uma coisa bem típica, né, de na diferença de gênero, é que Quando os homens erram, eu vou ler esse trecho aqui, eu já, já discorro sobre, tá? Olha só, isso aqui veio de um estudo de dois psicólogos norte-americanos chamados David Dunning e Justin Kruger, que eles falam o seguinte: quando vão mal em uma prova, os estudantes, no caso ele tá falando dos estudantes masculinos, tá, os estudantes homens, quando vão mal em uma prova, os estudantes atribuem seu fracasso a fatores externos.
Estava muito difícil, o professor é muito rigoroso, não tive tempo suficiente, etc. Já as estudantes usam uma atribuição interna: é porque eu não estudei o suficiente, porque eu não presto para nada. Então isso é um reflexo de como a gente é condicionado e criado, e como essa diferença é muito evidente assim entre gêneros. Que é quando os homens erram: errei, fui moleque, né? Não tem aquela música do Chico Moedas, como que é? Eu tentei, eu tentei, tipo assim, sabe?
O que importa é a intenção. Errei, fui moleque, passou. Isso não define quem eles são. Agora, quando as mulheres erram, aquilo vira uma característica delas, tanto para elas quanto para outras pessoas. Então, se uma mulher falar eu errei, não, ela vai ser para sempre caracterizada como por aquele erro, tanto para ela mesma como nesse exemplo aqui, quando a pessoa, quando a mulher vai mal na prova: eu não estudei o suficiente. Se você não passou numa vaga é porque Você foi péssima na entrevista.
Agora, um homem, se ele não passou na vaga, é porque o entrevistador era um corno, sei lá, tipo assim, ele atribui ao fator externo. Isso é um dispositivo meio que automático na cabeça das que difere entre os gêneros. E aí é óbvio, né, gente, sempre que a gente fala de gênero, a gente não, a gente precisa generalizar, tá? Porque os movimentos, eles não têm como se basear em exceções à regra, ele só tem como se basear na regra.
E é claro que existem exceções, mas a gente precisa falar da maioria, né? Então olha só como a culpa, ela, ela muito estrategicamente faz com que a gente internalize uma parada e a gente mesma se coloque como responsável por tudo que dá errado na nossa vida. E tudo que dá certo a gente não é responsável, a gente atribui a fatores externos. A gente atribui fatores externos tanto para outras mulheres quanto para gente. Por exemplo, você foi promovida no seu trabalho.
Para você, você pode falar assim: ah, eu não mereço! Ai, nossa, eu dei sorte! Ai, nossa, uma hora vão descobrir que eu sou impostora! Ai, nossa, outra pessoa deveria ocupar esse trabalho, que não eu! E enquanto as outras pessoas estão falando assim: ela com certeza deu para o chefe! Ai, fez o teste do sofá! Quem que ela mamou para ter essa vaga? Não sei o quê. Isso é uma coisa tão normal, né, no nosso discurso. Sempre ouço isso, sempre.
Se você vê um post no Instagram, ai, tal pessoa conseguiu o cargo de CEO, nossa, mas também, né, quem que ela mamou? Quem que sabe? Sempre é porque ela fez alguma coisa que vai contra os bons costumes ou pegou algum atalho, e nunca é um mérito dela. Então olha só como a culpa ela afeta não só as nossas relações, né? Ela vai para muito além das relações. Ela, eu, quando eu penso em culpa, eu penso em uma geleia preta e translúcida que vai vazando grudenta para todos os campos da sua vida, e ela te impede de realmente tocar e se deliciar com os campos da sua vida, porque tem essa gosma envolvendo que você não consegue realmente desfrutar daquilo.
E eu tive muita clareza disso, principalmente no ano passado. Assim, não sei se vocês têm essa experiência de às vezes, em alguns períodos da minha vida, tem uma frase que fica ressoando na minha cabeça. Cada hora é uma frase. Então você tá lavando o rosto, aí você olha no espelho, vem essa frase. Aí você tá lavando louça, vem essa frase. Você tá caminhando, está entre uma ligação e outra, vem essa frase. Tá no elevador, vem essa frase.
Em 2025 especificamente, que foi um momento que eu reestruturei toda a minha rotina em torno do que eu realmente sou e não do que eu achei que eu deveria ser. É isso, com ajuda de uma consultoria estratégica, etc., e com a minha equipe também. Mas a frase que ficava vindo na minha cabeça o tempo todo era: a culpa estraga tudo. Porque eu me vi no ano passado com muitas coisas boas acontecendo na minha vida, principalmente no começo do ano passado, muitas coisas incríveis acontecendo na minha vida e eu sem conseguir desfrutar daquelas coisas porque eu me sentia culpada por várias coisas.
Eu me sentia culpada por, a gente, por várias coisas. Não vou ficar falando disso aqui porque é uma coisa muito individual minha, mas tipo, sabe quando você tem uma conquista e você fica tipo, ai, mas tal pessoa merecia mais? Ou você, seu trabalho começa a escalar e ficar ótimo e você pensa Nossa, mas eu nem acordo tão cedo quanto tal pessoa, sabe? Você não consegue desfrutar. Ou tipo, você consegue uma viagem, ai, mas tal pessoa nunca, nunca viajou.
Tipo assim, sabe? Você fica nessa, nessa loucura da culpa e você não consegue desfrutar das coisas da sua própria vida. O que não significa que eu tô falando que a gente precisa sair sem consciência falando assim, ai, não é isso, e fé, e quem não conseguiu que se foda. Não é isso. E olha só como até agora a culpa vem e fala: você não poderia estar falando isso, né? Mas não tô, eu não tô falando de uma falta de consciência de privilégios e nem nada disso.
Tô falando de uma coisa de tipo assim, cara, você tem uma vida com essas experiências aqui que estão disponíveis para você. Você vai desfrutar delas ou você vai ficar pensando em todo mundo que não pode desfrutar delas, sabe? Isso acontece muito, eu vejo conversando com amigas minhas, com pessoas que vêm de famílias que têm alguma necessidade financeira, alguma dificuldade financeira, e que começam a dar certo de alguma forma no trabalho.
E aí você nunca consegue desfrutar das coisas que você conseguiu do seu próprio trabalho, porque você sempre sente que tá em dívida com a sua família. Mas você não tem como salvar a sua família sem antes se salvar primeiro, né? Assim, enfim, não vou entrar nesse assunto. Tem muita gente que fala disso e não é nem minha área. Mas vamos seguir, porque eu queria falar, você deve estar se perguntando assim, nossa, mas para que que serve?
Tipo, da onde vem toda essa culpa, né? Assim, esse dispositivo tão automático que segue reforçando para gente que a gente deveria ser menor, que a gente deveria ocupar menos espaço, querer menos, se vestir menos assim, menos assado, fazer isso ou não fazer aquilo. E a resposta para essa pergunta não sou nem eu que vou dar. Eu ia falar o que eu acho, mas não é o que eu acho. É a resposta para essa pergunta, é que a culpa ela é dispositivo altamente eficaz no controle das mulheres, e por isso que ela segue funcionando muito ativamente e sem a gente precisar de alguém falando assim: olha, a gente precisa fazer com que as mulheres se sintam culpadas.
Não precisa fazer isso, porque a própria cultura e a sociedade dão conta disso, porque existe um objetivo comum entre várias pontas da sociedade, que é o seguinte: vemos o retorno dessas imposições e entendemos que elas estão a serviço de um propósito pernicioso: a sujeição das mulheres e o seu desaparecimento da esfera O que que querem da gente? O que que a sociedade, para além de produtividade, para além de sobrevivência, etc., que a gente já falou, o que que querem da gente através da culpa?
Querem que a gente se sinta inadequada no momento que a gente pisa para fora de casa, e às vezes até dentro de casa, através das roupas. Tem um livro maravilhoso que fala disso, que chama Mulher, Roupa e Trabalho, da Thaís Farage com a Mayra Cota, se eu não me engano. Thaís Farage que eu tenho a honra de chamar de amiga, uma pesquisadora incrível. E no livro é um dos sintomas, né, assim, do quanto as roupas denunciam, as roupas do trabalho especificamente denunciam o quanto espera-se que a mulher esteja inadequada, que a presença dela não é desejada no mercado de trabalho.
E se ela tiver que estar no trabalho, que seja assim, né, que seja como um adorno, que seja de saia lápis e salto alto, de um jeito que você não consegue nem se mexer e nem sentar e nem ficar muito confortável, não fica muito confortável não nesse lugar. Ou então você imita os trajes do homem, né, tipo assim. Enfim, então a gente sabe que a culpa existe. O objetivo dessa culpa é que a gente se torne cada vez menor e, por que não, que a gente se afaste do nosso prazer, que a gente se afaste, que a gente não fique muito livre, que a gente não fique muito feliz demais não, que a gente não se acostume demais não, que a gente não fique muito relaxada no mundo.
Como diz Marina Sena, que a gente esteja sempre atenta e com a consciência de que a gente não pertence àquele espaço que é o mundo. Gente, ter pet é uma experiência muito doida, né? Tipo assim, de repente tem um pequeno ser com coração, cérebro e pequenos pulmões andando pela sua casa, e você começa a organizar toda a sua vida em volta dele. É vacina, ração, brinquedo, plano de saúde e até creche, menina, você acredita? Eu achava que plano de saúde pet era só para situações mais graves, mas depois de conhecer a Pet Love eu entendi que é sobre cuidado no dia a dia, fazer exame de rotina, vacinação e consultas para eles viverem com mais saúde e evitar ao máximo essas emergências.
A Pet Love tem uma rede credenciada enorme, planos acessíveis e desconto progressivo para quem tem mais de um pet. Como é o meu caso. Então você consegue cuidar deles sem ficar tomando susto com os gastos o tempo inteiro. Inclusive, todos os planos incluem microchipagem gratuita. E vocês sabem que Pet Love não é só um plano de saúde, né? Quando eu fui contratar o plano do Billy e do Cocada, eu descobri que ainda dá para adicionar o Clube Pet Love por R$2,90 por mês, que dá descontos e frete grátis nas compras pelo site.
Ou seja, você cuida da saúde dos vivos e ainda economiza nas coisinhas deles de cachorrinhos e pets. E ó, usando meu cupom LELABRANDÃO50 você tem 50% de desconto na primeira mensalidade dos planos. O link de todas as informações tá na descrição desse episódio. Plano de saúde Pet Love, se tem pet tem que ter. Obrigada Pet Love por patrocinar esse trecho do episódio. Voltando, e aí eu te pergunto, pergunto, minha amiga que tá escutando este episódio: aonde mora sua culpa hoje?
Porque se você falar em nenhum lugar, eu vou precisar que você venha aqui nesse podcast e você me ensine, e você ensine todas as gostosas e choronas. Porque como eu disse, a culpa vaza para todos os lugares, e não precisa que ninguém esteja vigilante em cima de você. É óbvio que uma pessoa vigilante em cima de você vai facilitar com que você se sinta você tá presa, mas você mesma internaliza isso de uma forma que você se prende em todos os ambientes da sua vida.
E aí eu lembrei de um livro quando comecei a pensar nisso, que é esse livro aqui que se chama Bem Comportadas, que essa autora chamada Elise Loehn fala sobre os 7 pecados capitais e como eles foram usados ao longo da civilização, digamos assim, para controlar as mulheres. Então chama Bem Comportadas Os 7 pecados capitais e o preço que as mulheres pagam para provar o seu valor. Muito interessante esse livro, é um calhamação, mas compensa muito ler porque te dá uma clareza muito grande.
E eu vou pegar emprestado esse raciocínio porque eu fiquei pensando sobre culpa e pecado, que tem tudo a ver, né, assim, essa culpa cristã e tal, com todo respeito às cristãs e aos cristões, mas os 7 pecados capitais, eles denunciam muito o que que querem da gente, né. Né? Então, por exemplo, vamos falar dos 7 pecados capitais, que são ira, gula, luxúria, preguiça, avareza, soberba e inveja, tá? Vamos pensar, não estou descredibilizando religião nenhuma e o que você acredita nem nada disso, mas é interessante a gente pensar como cada uma dessas coisas, cada um desses pecados e essas palavras afasta a gente da gente relaxar.
Então, pensando no pecado da ira, Quem já leu meu livro sabe que tem uma parte inteira do livro que eu falo sobre raiva e como as mulheres são afastadas. Meu livro Vertigem, nas melhores livrarias do Brasil. Não sei se eu já falei isso nesse episódio, desculpa se eu já falei, mas repetindo, meu livro Vertigem já está nas livrarias e o link também para comprar tá aqui na descrição do episódio. Mas tem uma parte que eu falo de raiva e como a raiva foi tirada das mulheres, de um jeito que a gente não pode sentir raiva.
E se agrava ainda mais quando a gente pensa em mulheres negras, porque tem aquele estereótipo da mulher preta raivosa, da angry black woman, que desassocia totalmente a mulher da raiva. E se ela, se ela impõe algum limite ou fala de um jeito mais sério, ou enfim, assume que as mulheres, especialmente as mulheres negras, precisam estar sempre sorrindo e agradáveis e dóceis para que você não caia nesse estereótipo. E para além disso, eu falo bastante nesse capítulo também sobre como a raiva— o Gabor Maté, que é um médico, um pesquisador bem massa, ele fala sobre como a raiva no mundo animal é um alerta de que invadiram seu espaço, né, que ultrapassaram seu limite.
E se a gente não pode expressar que o nosso limite foi ultrapassado através da raiva, é muito mais fácil de ultrapassarem esses limites, né? O que ele fala é basicamente assim: a raiva é o alarme se a sua casa é invadida. Então, se não tocar o alarme, é muito mais fácil de invadirem a sua casa. Então é muito conveniente que a gente se sinta culpada de ter ira, de ter raiva, porque aí a gente não expressa os nossos limites, a gente não defende as nossas barreiras, a gente não se sente autorizada a ter raiva.
Tem até um episódio inteiro sobre isso aqui no podcast que se chama Pra Onde Vai a Raiva Que Você Engole, acho que chama isso, que eu falo bastante. E se você tiver interesse nesse tema também, eu falo bem mais profundamente no meu livro Vertigem. Então começamos pela ira, muito conveniente. As mulheres se sintam culpadas de sentir raiva. Agora vamos para gula. Tem alguma mulher cuja relação com a comida não passe pela culpa ou não tenha passado pela culpa em algum momento da vida?
Eu tive anorexia e bulimia quando eu era adolescente, tinha 13, 14 anos. Até hoje, tá, fez parte da minha formação como mulher. Imagina essa idade, ainda quem foi adolescente nos anos 2000 vai lembrar o que que foi. Agora a gente tá de novo nessa era do magras, magras, magras, né? Então quando a gente coloca a relação das mulheres com a comida como uma relação que precisa ser controlada que você precisa contar as calorias, ou então você precisa tirar o prazer da equação e comer apenas para suprir o que o seu corpo precisa para ser bonito, a gente se sente culpada por comer.
E a gula, o que que é a gula além de comer por prazer? E se a gente não pode comer por prazer sem culpa, quando que a gente pode comer por prazer? Então o que significa comer para ser mulher? É sobreviver? Sobreviver a gente já tem gente cuidando disso, que é o nosso cérebro. Mas e nossa felicidade? Que horas que, que horas que a gente vai comer um brigadeiro sem precisar ficar pensando que amanhã você vai ter que ir na academia para compensar?
Ou que horas que a gente vai poder comer o bolo que a sua avó faz especial, bolo formigueiro, sem pensar que você não deveria estar comendo porque aquele bolo tem 600 calorias? Ou quando que a gente no nosso aniversário vai poder comer um bolo e falar tipo, nossa, amanhã, hein, amanhã eu preciso vão pensar, nossa, só de olhar já engordei. Quando que a gente vai conseguir ter uma relação com a comida que, gente, desculpa, a gente foi feito com papilas gustativas?
Se não, não é um sinal divino de que a gente foi feito para sentir prazer ao comer? Eu não tô falando, fazendo apologia à obesidade, que você tem que falar isso, né, quando você fala desse tema. Não estou fazendo apologia à obesidade, estou fazendo apologia a uma boa relação com a comida, que não vai para nenhum dos dois extremos. Mas o extremo do controle da magreza é uma pressão muito mais forte do que o extremo da obesidade, tá?
Então, do que que a gente tá falando quando a gente fala que as mulheres não podem sentir prazer quando elas estão comendo, que aquilo ali tem que ser meramente para sobrevivência e só o que você precisa para não engordar? Que que a gente tá falando quando a gente fala de culpa. A gente tá falando de culpa no prazer de comer. Vamos para luxúria. Vocês não nem falar, né, gente? O livro inclusive tem toda uma parte que fala sobre a sexualidade da mulher.
Mas aí eu preciso discorrer, gente, que a gente não tem direito ao nosso próprio corpo, que não se sabia que a gente tinha clitóris até pouquíssimo tempo atrás, que não era nenhum órgão que era estudado, os nossos órgãos genitais. Das mulheres cis e das pessoas que têm vagina, enfim, eram tidos como meramente reprodutores. O sexo não era uma coisa da atmosfera do prazer, era até feio você falar isso. E as mulheres nunca tiveram prazer, direito ao prazer do seu próprio corpo, nem dentro dos seus próprios casamentos.
É responsabilidade e obrigação, é obrigação da mulher fornecer o prazer para o seu marido ou para o homem que quer possui aquele corpo. E o que que é uma mulher que prioriza o seu próprio prazer? É uma prostituta, é uma puta, é uma vagabunda. E insira aí os xingamentos que você quer inserir. Então, a luxúria, o que é além de você centralizar o prazer quando você fala da sua própria sexualidade? Isso é proibido para as mulheres, né?
Tipo assim, é mal visto. E a gente tem muita dificuldade. Não adianta falar assim: ah, não, isso aí é muito antigo. Gente, isso tá no nosso inconsciente, a gente reproduz coisas na nossa própria sexualidade, nosso próprio quarto, por conta dessa noção, tá? E o nosso corpo sente preguiça. O que estamos falando além de falar de descanso? Culpa por descansar. Quem se autoriza a descansar? E aí tem um livro maravilhoso que fala só sobre isso, que é Descansar é Resistir, da Tricia Hersey.
E eu tenho também uma parte do meu livro inteira falando sobre o descanso radical no meu livro Vertigem, o quanto que a culpa por descansar é afastar a gente do prazer de apenas ser quem a gente é e não estar produzindo o tempo todo, e não estar suprindo as demandas dos outros o tempo todo, e não estar dando conta de tudo o tempo todo. Que horas que a gente pode simplesmente ser e exercer a nossa humanidade? Então quando a gente fala que preguiça é um pecado a gente também tá falando que o prazer de descansar e o prazer de habitar o seu próprio corpo sem que ele precise produzir nada é um pecado, e a gente tem que se sentir culpada quando a gente faz isso.
E vou dar uma cena clássica, tá? Depois do almoço de domingo em uma família tradicional, o que que os homens fazem? Sentam no sofá e tiram uma soneca assistindo o jogo. Que que as mulheres fazem? Estão lá lavando a louça, dando conta de tudo. E se alguma mulher— e isso é o normal, tá? Tipo assim, isso aqui tranquilo numa cena normal de família, pelo menos na minha família tem muitas memórias disso. Agora, e se uma das mulheres simplesmente se recusa e tá muito cansada, sei lá o que que ela fez, e escolhe sentar no sofá junto com os homens?
Essa mulher é uma vagabunda, essa mulher, pelo amor de Deus, desleixada. E vai ser assunto por anos e anos ali naquela família. Agora, os homens estão totalmente autorizados a fazer isso. Agora, se todo mundo, os homens e as mulheres, se juntassem, cada um fizesse um pouquinho, ninguém ia precisar fazer mais do que o outro. Então, a culpa pelo descanso mantém a gente sempre produzindo. Agora, a avareza, que tem a ver com dinheiro, Quando a gente fala até pouco tempo atrás, mulheres não poderiam ter, por exemplo, imóveis sem assinatura de um homem.
Quando a gente tá falando de avareza, pensando em culpa feminina, é muito feio, é muito mal visto que a mulher tenha uma carreira mais próspera do que o homem com quem ela se relaciona, caso ela seja hétero. É muito feio que a mulher tenha uma vida centralizada no dinheiro. É muito feio que uma mulher queira mais coisas, que a mulher tenha desejos e ambições. Uma mulher muito ambiciosa demais é uma coisa ruim, é um adjetivo ruim, enquanto para os homens isso é um ótimo elogio.
Porque as mulheres é isso assim, o objetivo da culpa, vamos lembrar, é que a gente se sinta inadequada na atmosfera pública. Então uma mulher que quer coisas para além da vida doméstica, e olha que a vida doméstica já dá um belo de um trabalho que não é remunerado, mas uma mulher que quer coisas para fora disso, ela é mal vista. Então quando a gente fala de dinheiro e mulher, sempre existe o fator culpa, sempre. Porque se você tem dinheiro e você é mulher, você deveria estar usando esse dinheiro para outras pessoas, para sua família, para seus filhos, para não sei o quê, para enfim.
É muito feio. E inclusive é muito engraçado, não sei se vocês já perceberam, que tudo que envolve o desejo de uma mulher gastar dinheiro, então tipo assim, se a gente tá falando do mercado de maquiagem, se a gente tá falando de roupas, se a gente tá falando de sei lá, bote coisas aí que você acha que são do universo feminino, sempre é colocado no campo da futilidade, como se não fossem mercados que movem bilhões de dólares, nem reais, que movem a economia, que movimentam a economia e que existem.
E se não existissem, não existiria um monte de coisa também que vem junto com isso. Então até quando você vai gastar com uma coisa que é feita para você, tipo assim, né, que o público-alvo é você, você se sente culpado por estar gastando coisa com futilidade. Enfim. Vamos para o sexto pecado, que é soberba. Soberba é o quê? Mulheres que se acham, né? Ai, nossa, ela se acha, ela é super soberba. O que é uma mulher que se acha além de uma mulher com uma autoconfiança?
Uma mulher que não aceita menos do que ela sabe que ela merece, uma mulher que sabe o seu valor, ou até meio delulu. E daí? Ai, nossa, ela se acha. Aí você vai ver o currículo dela: professora de Harvard, tipo Sabe, uma coisa inacreditável. Então a soberba, a culpa por você ter uma autoconfiança projetada no mundo e é tida como soberba, te afasta de poder ser uma mulher autoconfiante, uma mulher que sabe o seu valor. E é muito mais fácil você manipular uma mulher que não sabe o seu valor do que uma mulher que sabe o seu valor.
Então é muito melhor a gente ser humildinha, a gente ser boazinha, a gente ser pequenininha, a gente falar: ai, eu sou tão pequenininha, panquequinha de banana, não sei nada, alguém alcança esse armário para mim? É muito mais fácil para a sociedade que a gente seja esse tipo de mulher do que uma mulher grandona que fala assim: é o quê? Você não vai falar assim comigo não, fia. Fia não, né? Fio, geralmente, né? É o quê? Licença, eu tô falando, você pode não me interromper?
Não é muito mais fácil assim você manipular uma menina assim? Ai, não sei, não sei, não sei, você pode me explicar? E aí, por fim, a inveja, que temos também um capítulo, um capítulo, um episódio inteiro sobre inveja, que acho que foi um terceiro ou quarto episódio que eu gravei do podcast lá em 2023. Mas a inveja, quando a gente sente culpa por ter inveja, a gente, a inveja ela é tida como um sentimento secundário, né? Existem as emoções básicas e as secundárias.
A inveja é uma emoção secundária que denuncia uma coisa primária, que é o desejo. Então se você tá sentindo inveja de alguém, talvez em vez de você falar assim, não, não vou sentir inveja porque eu não sou invejosa, porque eu sinto culpa de sentir inveja, gente, todo mundo vai sentir inveja. Eu sinto inveja de um monte de gente. Eu sinto inveja de herdeiro, eu sinto inveja de quem tá vivendo no rancho, eu sinto inveja dos meus cachorros que ficam dormindo à tarde enquanto eu tô trabalhando.
Sinto um monte de inveja. Agora, em vez de eu pegar essa inveja e reprimir, falar assim: ai, não, tem inveja é horrível, eu me sinto muito culpada de ter inveja— entenda a inveja como uma bússola do seu desejo. Ela tá te apontando para algo que você não tem e você gostaria de ter. E você tá vendo que outra pessoa, outro cachorro, no caso, tem. E isso fala sobre você. E o que que fala sobre você? Fala sobre o seu desejo. E por que que é tão conveniente que a gente se sinta culpada de ter inveja?
É porque a gente perde o contato e a conexão com o nosso desejo. Por exemplo, se tem uma mulher que tá num relacionamento péssimo, que o marido é folgado, que o marido nunca— enfim, é um ó, o marido dela é o ó. Aí ela vê uma outra mulher que é amiga dela tendo um marido massa. Que faz as coisas, que comparece, que é legal, que é simpático. Ela olha e assim, nossa, que inveja! O marido dela é, ele é massa. Ai, não posso sentir inveja, não, não, não, não, não posso sentir inveja.
Deixa eu ficar aqui com meu marido, que é o ó. Por quê? Que aí você não fala assim, meu filho, deixa eu te falar um negócio, ou você melhora ou é rá-rá-rá-rua, que eu vou achar outro homem ou então outra mulher, ou então vou ficar sozinha mesmo. Porque de má companhia, tô cheia. É melhor sozinha do que mal acompanhada. Não é melhor que a gente sim não entre em contato com a nossa inveja para a gente não ver para onde o nosso desejo tá apontando?
Aqui nesse livro, O Bem Comportadas, tem um capítulo inteiro sobre inveja. Ela tem um para cada pecado capital, mas ela fala o seguinte, olha só: por nos obrigar a lidar com a nossa vontade, a inveja é a essência ou a base de todos os outros pecados fundamentais. Nomear o desejo, querer alguma coisa, é a primeira etapa da ação. Então você sentir culpa da inveja e negar ela significa que você não vai conseguir nomear o seu desejo, porque você vai, antes de conseguir entender o que que aquilo diz sobre você, você vai falar: não, tô culpada, deixa eu reprimir isso e ficar aqui com meu marido, entendeu?
E aí tem uma outra frase aqui que eu queria falar do livro, que é o seguinte: a inveja para as mulheres era contraposta por uma onda imediata e não declarada de vergonha. Então é muito importante que a gente tenha consciência de que quando a gente sente inveja sendo mulher, não tem coisa pior do que você ser chamada de invejosa. Mas eu venho aqui falar para senhora, no seu ouvido, de que todo mundo é invejoso, não só mulheres.
Todos têm inveja de alguma coisa, e isso não te faz uma má pessoa. Isso não significa que você seja invejosa, significa que você sentiu inveja, e essa inveja pode ser uma bússola apontando para o seu desejo. E se você sentir culpa e esconder ela de si mesma, você não vai conseguir ver com clareza o seu desejo. E o seu desejo, minha filha, não é prioridade de ninguém além da sua prioridade, porque tem o cérebro preocupado com sobreviver na sociedade, querendo que você produza e que você fique em casa ao mesmo tempo.
Tem um monte de gente querendo um monte de coisa, mas o seu desejo é você que tem que ser fiel a ele. E o que que você ganha nessa grande lambança de culpa. Porque se a gente fica apegado a uma coisa, uma situação ruim, geralmente a gente tá tendo um ganho que a gente não consegue ver. E para a gente é mais fácil ficar numa situação ruim porque a gente não quer encarar o desconhecido, e é melhor ficar com esse ganho secundário da situação ruim.
E eu acho que quando a gente age pela culpa, quando a gente escolhe as coisas pela culpa, a gente tem uma história mais fácil para contar sobre a gente mesma, que é a história da mulher boazinha, a história da altruísta, a história da mulher que não incomoda ninguém, que ninguém fala mal, que enfim passa pela vida desapercebida. Mas a que custo, gente? A que custo que você vai contar essa história sobre você? Pensa se vale a pena.
Tô achando que não tá muito barato não. Então O que que a gente faz diante de todo esse descaralhamento mental que eu trouxe aqui nesse episódio? Primeira coisa: nomear, tá? Existe uma diferença entre culpa e responsabilidade. Quando você percebe que você tá agindo pela culpa, é quando você percebe que existe uma força externa que não tá de acordo com o que você acredita. E para você saber o que você acredita, você vai ter que sentar sozinha e pensar: quais são os meus valores?
Qual é a minha bússola do que que é certo e o que é errado? E qual é a minha bússola do que eu quero? Porque veja, voltando àquela situação lá da mulher que me chamou para o jantar de celebração, que eu nem tava sabendo através da culpa, eu sei o que eu quero fazer na quinta-feira. Eu quero descansar, eu tô cansadíssima, eu não vi meu marido durante a semana inteira, eu preciso conversar um monte de coisa com ele. Quinta-feira inclusive é o dia que os meus cachorros chegam da creche.
E eu não vejo eles há muito tempo. Então eu quero estar com meus cachorros. Eu sei para onde meu desejo tá apontando, não é para o jantar de celebração de uma pessoa que nem é minha amiga. Agora, se fosse um jantar de celebração da minha melhor amiga que ganhou um prêmio, que eu acompanhei toda a trajetória e que provavelmente eu que organizei, eu nem ia considerar quinta-feira como uma opção de descanso, porque o meu desejo está em celebrar a minha amiga e estar ali.
Ou se a pessoa tivesse me chamado de outro jeito, eu poderia querer estar lá porque o rolê vai ser legal. Enfim, não é o caso. Então é muito importante ter esse discernimento do que que é culpa e do que que é responsabilidade, porque a culpa ela te imobiliza, ela te deixa trancada. O sentimento que você tem é: queria ser uma coisa, mas não vou ser, porque eu me sinto culpada. Queria falar um negócio, mas não vou falar. Queria ir no lugar, mas eu não vou.
Queria não ir, mas eu vou. Queria ligar, mas não vou ligar. É uma coisa que te deixa aprisionada. A responsabilidade te mobiliza. Então, se fosse uma relação como uma amizade, digamos assim, que eu quero, eu desejo ter uma manutenção dessa amizade, eu desejo estar perto dela nesse momento, eu desejo celebrar com ela, isso é importante para mim e para ela, é importante para mim celebrar ela nesse relacionamento, eu tenho uma responsabilidade de estar presente nesse momento, e a responsabilidade me mobiliza e não me aprisiona.
Eu acho que isso ajuda muito a discernir assim se você tá em um relacionamento que tem a culpa como centralidade ou se você tá sendo responsável afetivamente, digamos assim. Eu não gosto dessa expressão responsabilidade afetiva, não gosto, porque acho que é muito mal usado, principalmente no TikTok, mas eu acho um bom um bom discernimento assim. Então, por exemplo, você vai na academia porque você tá sentindo culpada pelo que você comeu, ou você vai na academia porque você quer dar as melhores condições para o seu corpo prosperar a longo prazo?
Qual é a história que você vai contar? E quando eu entrei na análise, uma das primeiras coisas que eu aprendi é que dentro de você mesma e dentro do lugar de análise não existe certo e errado. Existem as leis, né, que assim elas foram criadas para que a gente consiga viver em sociedade sem prejudicar muito as outras pessoas, né. E existem valores. As leis dizem o que é certo e errado, que é justo e injusto, e a gente, todo mundo tá submetido à lei, né, pelo menos regionalmente ali onde você tá.
Quer dizer, todo mundo é um exagero, né, tipo assim, tem gente que só paga e vai embora. Agora existem os valores que são individuais. E é muito importante a gente perceber que as pessoas ao nosso redor, muitas e muitas vezes, intencionalmente ou não, vão tentar impor os valores delas a nós, colocando o que é certo e errado para elas, tentando impor isso à nossa vida. E nem sempre isso vai coincidir. Às vezes você vai, uma pessoa vai falar, isso é certo.
Você fala, nossa, isso é certo mesmo, também concordo. Às vezes a pessoa vai falar, isso é certo e qualquer coisa além disso é errado. E aí você, por medo de se sentir culpado, vai falar: isso é certo e qualquer coisa além disso é errado. E é importante a gente ter clareza que isso vai acontecer, porque aí quando chega isso você pensa: peraí, será que isso é errado mesmo? Porque, por exemplo, quando eu era menor, meu sonho era fazer tatuagem.
Para os meus pais isso era errado. Para mim, imagina, eu trabalhava com arte, a coisa que eu mais queria era poder marcar o meu corpo com arte. Para mim isso não era errado. Agora, se eles tivessem falado assim: isso é errado e tudo, tatuagem é errado e você não pode fazer. Eles não fizeram isso, eles falaram assim: olha, para gente tatuagem não faz sentido, agora você tem seu dinheiro, o corpo é seu, fé. E aí eu pude criar minha bússola do que é certo e errado.
Então é importante a gente tentar criar a nossa própria bússola, sabendo que ela também é mutável, e sabendo também, um PS, que não é porque uma coisa tá dentro da lei que ela é certa ou errada. Por exemplo, exemplo, a gente sabe que as bets estão dentro da lei de uma certa forma, né? Isso é certo de acordo com a minha bússola moral do que é certo e errado. Isso não é certo, isso é errado, mas tá dentro da lei. Então por isso também que é importante a gente ter esse discernimento do que é certo e errado para não fazer um negócio, fala assim, ué, mas não tem nenhuma lei contra isso.
Sim, filha, mas tipo assim, né? Em suma, gente, pensar sobre os seus valores, a sua bússola do certo e errado, e ser muito fiel ao que você quer e acredita e ao seu desejo, etc., tem o poder de definir o jeito que você vai ocupar o mundo, seja as pessoas com quem você vai se relacionar, o jeito que você vai se relacionar, a sua carreira, o jeito que você vai se vestir, a sua personalidade, o seu curso de vida. E se você viver a sua vida inteira de acordo com a bússola de outra pessoa, eu acho macho, eu acho que você vai se arrepender.
Eu acho que tem grandes chances de você perder muito tempo ou uma vida inteira vivendo uma vida que não é a sua. E aí, minha filha, eu fiz esse episódio na esperança de que você perceba antes do que depois, porque cada minuto em um caminho que não é o que você quer na sua vida, e sim o que outras pessoas querem, é um passo mais longe do caminho que você poderia estar traçando para ir para mais perto de você. E Deus me livre, gente, Deus me livre viver uma vida que não seja minha e sim a vida que outras pessoas querem que eu viva.
Deus me livre, tá, minha gente? Vamos falar de um tópico sensível: Bazar de Pequenos Defeitos, da Lelabrandão.co. O que que acontece se você já era nascida na nação de mulheres confortáveis nos últimos anos? Você conhece provavelmente a nossa tradição de fazer um bazar de pequenos defeitos em agosto, que a gente junta peças que tinham pequenos defeitos e fazia um bazar anual presencial aqui em São Paulo. Só que esse bazar começou a tomar proporções gigantescas e a gente começou a ter que expandir ele cada vez mais.
E eu, no ano passado, fiquei traumatizada porque foi uma coisa muito grande. E eu, dentro da minha equipe, fui a pessoa que votou contrafazer o bazar este ano. Só que aí aconteceu uma interferência, que foi o seguinte: as pessoas começaram a pedir bazar, e aí juntou a fome com a vontade de comer do Vitor em específico. Então já vou adiantando que eu não vou estar presente e ele não chama mais Bazar de Pequenos Defeitos, porque a gente vai juntar várias marcas.
Pera aí que eu vou chamar o Vitor para explicar, mas eu queria só explicar que vai acontecer o outlet secreto, que não vai ser só a minha marca, não vai ser só a Laila Brandão que tá na alçada do Vitor. E eu não vou estar nem no Brasil, mas eu vou chamar ele para explicar que ele queria dar esse recado.
Continuando o papo que a Dona Lela trouxe aqui. Bom, vocês me conhecem como Lelo, alguns podem me conhecer como Vitor, e eu faço e vivo a Lela Brandão Co todos os dias aí junto com a Lela, desde que a gente teve essa ideia alguns aninhos atrás. Para quem não me conhece como Lelo e me conhece só como Vitor, talvez saiba que eu represento outras marcas aqui no Brasil. E aí eu fiquei pensando no seguinte: e se a gente fizesse um outlet com todas essas marcas para todo mundo poder aproveitar nos dias 1 e 2 de agosto?
Puta, Vitor, mas vai ficar uma fila absurda, não sei o quê, não sei o que lá. Senhoras, senhores e todos que me escutam, será por sessão. Então nós vamos abrir ingresso, você vai lá às 9 horas da manhã, você chega às 9 horas da manhã, fica 1 hora dentro do ambiente e aproveita oferta real de todas as marcas. Quem já me encontrou num saldão ou outro sabe do que eu tô falando, sabe que eu sou bom de jogo e eu não vou sair da minha casa para ir levar preço ruim para vocês lá.
Então eu quero convidar vocês para os dias 1 e 2 de agosto estarem com a gente no Outlet Secreto. Entra nas redes da Lela, nas redes da Lelabrandão.co, a gente vai direcionar vocês para conseguir pegar os ingressos por sessão. Escolha seu horário bonitinho. Acompanhantes que eu vejo todos cabisbaixos no bazar, nos eventos, Chegou o seu momento, porque a gente vai ter muita peça de Laila Brandão Co. e peças das outras marcas também, Exclusive East, Ed Hard, Capa e tudo que eu trabalho aí.
Então tô muito ansioso para encontrar vocês lá no Outlet Secreto, uma experiência que eu quero muito que vocês vivam junto com a gente.
Então, gente, dia 1 e 2 de agosto vai ter o Outlet Secreto. Se você tiver qualquer dúvida, é só entrar no @no @nosecretaoutlet. Eu vou deixar aqui na descrição do episódio também. E aí, lembrando, eu não estarei lá, tá bom? Mas vai ter marcas muito legais e tá todo mundo super animado por aqui. Vamos para o Choro da Semana, gente, quadro onde eu conto alguma humilhação que eu passei, que não é nada de grave, não é nada de problemas muito profundos, porque não é para a gente se desesperar, para a gente rir.
Que foi na semana passada, por coincidência, na quinta-feira tinha acontecido uma coisa muito legal comigo e eu tava muito cansada, vindo de uma toada de muitas coisas de trabalho. E eu mandei uma mensagem para o Vitor e falei, vamos pedir japonês? Para quem não é habituada no meu dialeto com o Vitor, vamos pedir japonês significa vamos celebrar. A gente só pede japonês em momentos de celebração. E aí ele falou, nossa, fechou, vamos pedir japonês!
E aí sabe quando você pensa em uma comida e é movida através do dia pensando, nossa, à noite eu vou pedir japonês, à noite eu vou comer japonês. Beleza, chegamos em casa. Oi, oi, tudo bem? Nossa, e aí, como foi seu dia? Vamos pedir japonês? Vamos. Aí a gente fez o pedido e eu pedi umas coisas, o Vitor pediu outras. A gente come coisas completamente diferentes no japonês. O Vitor come, por exemplo, um monte de salmão cru, e eu não como nada cru porque me dá dor de estômago, só atum.
Então peço coisa de atum. Enfim, a gente pede coisas brutalmente diferentes. Eu não posso comer as coisas que ele come. Eis que demora horrores o nosso japonês. Tava previsto para demorar 40 minutos, demorou 1 hora e meia. E quando chegou, minhas divas, chegou só uma sacola. Eu já achei suspeito porque a gente tinha pedido muita coisa e em uma sacola não ia caber. E aí quando eu abri, adivinha, só vieram as coisas do Vitor. Aí eu falei, ó céus, ó vida, não vieram minhas coisas, tô morrendo de fome.
Já tinha atrasado. Beleza. Aí lá vou eu e abrir o chamado no aplicativo de delivery. Oi, tudo bem? Então não veio um monte de coisa tal. Ah, beleza. O que que não veio? Aí deu uma lista do que não veio. Beleza, a gente vai reenviar, vai demorar 40 minutos. Aí tá bom. Aí lá fui eu jogar videogame para passar mais rápido. E eu tava lá jogando videogame, de repente o Vitor desce. O Vitor tava fazendo um negócio ali em cima, ele desce e fala assim: Mano, cadê a entrega?
Aí eu falei, ué, falaram que ia demorar 40 minutos. Ele falou, faz uma hora e meia que falaram. Quando eu olhei meu celular, isso é uma coisa ruim de não ter notificação, né? Eu falo para vocês que não tem notificação de nada. Quando eu olhei meu celular, tava constando como entregue. E aí eu desci no meu prédio para ver se tinha sido entregue e não tinha nada. Aí eu abri outra chamada, falei, gente, Não veio as minhas coisas.
Eu pedi para reenviar, reenviaram, tá dando como entregue, não entregaram nada aqui na minha casa e não interfonaram nem nada. Ou seja, não veio aqui para minha casa o negócio. Aí eles, ah, tá bom, a gente vai te reembolsar. Aí sabe o que que eles me reembolsaram? R$25. E aí, em suma, o Vitor pediu japonês e eu me lasquei. Mas esse foi o meu choro da semana, humilhação. No lugar de celebração. Você quer uma humilhação? Você quer uma celebração ou uma humilhação misteriosa?
Eu ganhei uma humilhação misteriosa. Agora vamos para minha obsessão atual, que também tem a ver com comida. Gente, acho que eu tô com fome. Que é a seguinte, gente, eu passei muitos anos da minha vida sem poder comer salada. Curiosidade sobre mim. Por quê? Por várias coisas. Primeira coisa é que vinagre fazia, faz muito mal para o meu estômago. E a segunda coisa é que folhas me davam muita dor de estômago. Alface, juro por Deus, uma folha de alface era capaz de destruir o meu dia.
E aí eu passei muitos anos com muita vontade de comer salada, sabe aquele dia que você quer comer um baldão de salada? E aí eu nunca podia porque tinha alface, tinha rúcula, todas essas folhas que eu não podia comer. E aí eu tava num restaurante com o Vitor recentemente E aí eu vi no cardápio uma salada Caesar, tipo a descrição de uma salada Caesar. E aí eu fiquei, ó, tá me dando fome só de pensar. Eu fiquei com muita água na boca, falei, ai, amor, eu acho que eu vou pedir essa salada Caesar porque tô com muita vontade.
Se me der dor de estômago, a gente já vai para casa mesmo e eu fico deitada. E é isso, menina. Comi a salada Caesar, não aconteceu nada. Eu falei, gente, será que posso comer salada César agora? Aí no dia seguinte eu fiz uma salada César com alface, crouton, frango e molho César e não me deu dor de estômago. E aí eu descobri que eu não tenho mais dor de estômago com salada César. E aí, minha gente, simplesmente eu tô comendo salada César todos os dias, seja com a minha refeição, seja como a refeição.
Eu só penso em salada César. Depois de 15 anos eu finalmente pude fazer o comeback da salada para minha vida. Eu mal posso esperar para as possibilidades que foram abertas de novo na minha vida. Então a minha obsessão atual é salada, em específico salada César, tá? Nossa, gente, chegamos ao fim do episódio. Esse aqui, pelo amor de Deus, falei mais que o Homem da Cobra. Espero que você tenha gostado. Se você quiser seguir minhas redes sociais, lá tem corte dos episódios, tem tipo assim, que a gente chama de frames, que assim fotos minhas com a legenda do que eu falei no episódio para vocês compartilharem.
Tem animações inspiradas no episódio, tem memes inspirados no episódio, tem segredos por trás dos episódios, tem um monte de coisa. Então me segue lá no Instagram, @lela.brandão. Mas mais importante, tem fotos dos meus cachorros e dos meus looks, que sempre são da Lela Brandão Co., minha marca de roupas confortáveis para mulheres. Se você não segue, @lelabrandão.co ou www.lelabrandão.co. Vocês têm desconto com cupom Gostosa Chorona.
Compre meu livro Vertigem, que tá aqui na descrição. E é isso, meu povo, o link tá aqui na descrição. Você pode ir nas livrarias e comprar ele também. E é isso, meu povo, chegamos ao fim do episódio. Espero que vocês tenham gostado. Esse episódio me deu mais trabalho do que eu imaginava, porque é um tema muito complexo. E aí, cada hora eu abri uma aba, parecia uma cebola que só vai tomando tirando camadas e aparecem mais camadas.
Então eu tive que dar uma bela editada nele para ele ficar com uma linha de raciocínio. Mas eu tenho um monte de coisa para falar sobre culpa ainda. Se você gostou desse episódio, comenta aqui embaixo, porque aí quem sabe eu faço mais episódios sobre esse tema, porque tem infinitos assuntos, gente, é uma loucura. Então é isso, a gente se vê semana que vem, pode ser? Então tá bom, então um beijo e tchau! Se você ficou até o fim do episódio e faz parte do grupo de mulheres que fica até o fim do episódio, que eu, para mim, são as maiorais, que são as mais, mais, o seleto clube das mais, mais, o exclusivo clube das mais, mais, das divas que ficam até o fim do episódio, eu peço que você comente com um emoji de salada.
Não tem um emoji de salada? Tem um emoji de salada em celebração ao comeback da salada na minha vida, tá? E se você tiver indicações de lugares que tem saladas maravilhosas, comenta aí também que eu quero, principalmente aqui em São Paulo. Eu quero, eu estou completamente obcecada pelo universo das saladas, estou mundinho saladas, tá bom? Então tá bom, minha gente, agora sim a gente se vê na semana que vem. Um beijo! E tchau, amo vocês, minhas saladinhas!
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