05/05/2026 - Andreazza: “Elefante azul” citado por Dino expõe omissão generalizada no caso Master
Carlos Andreazza
Luiz Megali
- Elefante azul e omissão no caso MasterComparação de Flávio Dino com elefante pintado de azul · Capacidade de fiscalização da CVM · Omissão generalizada nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário · Banco Master · Colaboração do parlamento e setores do Executivo · Papel do Banco Central e do Judiciário · Crítica a Flávio Dino e outros ministros do STF
- Linguagem e escândalos em BrasíliaBrasília como savana de elefantes azuis · Escândalos à espera de interesse para vazar · Linguagem própria de Brasília
- Música: Coração em DesalinhoPrimeiro grande sucesso de Zeca Pagodinho · Gravação original de Monarco e Ratinho
Tem método com Carlos Andreasa. Hora de conversar com Carlos Andreasa. Andreasa, quero entender direito essa comparação do Flávio Dino, do caso Master, com o elefante pintado de azul. Na esplanada. Eu tive dificuldade para conseguir compreender o grau metafórico aqui da fala do Dino. Bom dia para você.
Fala, Megali. Bom dia, pessoal. Bom dia, meus amores. A fala é maravilhosa. Está tudo contida nela. Vamos fazer análise do discurso aqui. Flávio Dino, num evento que ele mesmo convocaram, um evento do Supremo, audiência pública, para tratar da capacidade de fiscalização da CVM, da Comissão de Valores Mobiliários, que tem muitos problemas e cujas falhas também compõem o escândalo do caso Master. Então diz Flávio Dino.
Ele está falando do caso Master, portanto. Eu me impressiono e não é de hoje. Eu ando em Brasília exercendo cargos desde 1999. Eu nunca vi tanto elefante pintado de azul desfilando por essa esplanada. Tanta coisa absurda. E a minha indagação como servidor do Estado brasileiro é... Ninguém viu? Como ninguém viu?
O elefante é grande, está pintado de azul, desfilando na frente de todo mundo. Exatamente porque o elefante é grande que ninguém viu, ministro Flávio Dino. Nem o senhor, nem o próprio ministro Flávio Dino. O elefante é grande, está pintado de azul. Era explícito. Todo mundo via, só que não podia ver. Ver daria problema. Porque sobre o elefante azul...
ou pendurado no elefante azul, estava muita gente na esplanada, de todos os cantos da esplanada, do executivo, do legislativo, e do judiciário, inclusive. De modo que, pintado de azul ou de vermelho, para usar as cores da moda, segundo o presidente do TST, pintado de azul ou de vermelho, o elefante do Banco Master,
E gigante, ou ainda maior, não interessava ver. E ainda tem gente não enxergando a extensão do troço. Daí por que esse esforço, muitas vezes, de definir o caso máster como de esquerda ou de direita. O ministro Flávio Dino, que anda por Brasília desde 1999, como ele mesmo disse, estava em Brasília, ou transitando por Brasília.
no curso do período em que o Banco Master virou o que ele era. Muita gente quer que o Banco Master, o caso Master, fique restrito a uma investigação do sistema financeiro, que, aliás, é a área sobre a qual a investigação avança melhor. BRB, Rio Previdência, onde há operações, onde há prisões, onde já há delações encaminhadas, um esquema do sistema financeiro. Só que o elefante do Master não teria...
erguido à pirâmide, à altura, ao patamar em que ergueu, sem que o elefante desfilasse livremente pintado de qualquer cor, e nu agora, o elefante, pela esplanada dos ministérios, por todos os poderes. Ninguém viu. Será que ninguém viu? A resposta é óbvia, é claro que sim. Como é que o Banco Master poderia ter chegado até onde chegou sem a colaboração decisiva do parlamento?
sem a colaboração decisiva de setores do poder executivo, da burocracia estatal, por exemplo, do Banco Central? O Banco Master teria ido tão longe, sem o judiciário brasileiro, de que faz parte, entre indas e vindas, Flávio Dino? Veja aí as relações. Falando isso no Supremo, num evento do Supremo, Flávio Dino também está falando, também está fazendo uma crítica, tirando o corpo fora, não é com ele. Tem dois dinos também, né?
Tem o Dino de Brasília, que é o caçador de Marajás. E tem o Dino do Maranhão, que anda em carro oficial do judiciário, sem autorização, andando com a família para cima e para baixo. E o Flávio Dino do Maranhão, que é líder de grupo político, ministro do Supremo Tribunal Federal. O de Brasília é esse, que ninguém viu, servidor do Estado brasileiro, e não tem nada a ver com isso. Mas e os seus pares no Supremo Tribunal Federal, que ajudam a blindar? E Dias Toffoli, tem a ver?
Ele está ou não está sobre o elefante azul do Banco Master, Dias Toffoli? Colega de Flavio Dino. Blindado por Flavio Dino. Alexandre de Moraes, muito próximo.
de Flávio Dino, as relações com Daniel Vorcaro. E quando se falou em bloquear, não era vôlei que ele jogava no dia da prisão de Daniel Vorcaro. E por aí vai. Então, o elefante azul que ninguém viu tinha uma razão para que não fosse visto Luiz Megali. E quem frequenta Brasília, mas não é de Brasília, é nós que somos mais bobos.
Quando a gente vai para Brasília e conversa com quem dá as cartas, a gente percebe que é uma savana de elefantes azuis. Ali no Planalto Central, a sensação que dá é que você está indo ver um filme no cinema e você vê aquelas placas daqueles filmes que ainda estão por estrear, sabe?
vem aí, calma em sum. Sim. Você sabe dos escândalos que estão por estourar, esperando que seja do interesse de alguém que essas informações vazem e se tornem públicas. Os elefantes estão lá, circulando o tempo todo. Brasília se conhece. Brasília se entende. Brasília tem sua própria linguagem. Então, todo mundo viu. Todo mundo sabia o que estava acontecendo com o Banco Master.
Andrés, aí todo mundo sabe que a gente tem uma vitrolinha aqui da qual só sai coisa boa, né?
Zeca Pagodinho, primeiro disco, o primeiro sucesso do Zeca Pagodinho. Primeiro grande sucesso do Zeca Pagodinho, do seu primeiro disco, 1986, Coração em Desalinho, de Monarco e Ratinho. A gravação original. Esse samba é dos mais tocados, mas a versão original. Olha a voz do Zeca na sua primeira gravação, solo. Um beijo, meus amores. Um beijo, Zeca.
Ficou meu coração, meu peito agora é só paixão Ficou meu peito agora é só paixão