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#78 Lula perde a classe C; despejo aos 87 derruba Sánchez

09 de outubro de 202654min
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A classe C decidiu o primeiro turno, um despejo antecipou a eleição na Espanha e o Nobel da Paz saiu na manhã da gravação. Três temas, com Fernanda Belfort e Andrea Janér.

1. CEO de MEI: o eleitor que Lula não viu

Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, com abstenção de 21,08%, a maior desde 1998. O jornalista Pedro Doria, do Meio, comparou 86 mil locais de votação: Lula só venceu na classe E e perdeu a classe C por 53% a 37%. A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora da University College Dublin, explica o movimento com as "classes aspiracionais": quem ascendeu pelo crédito e pelo consumo conquistou o "direito a brilhar" e agora quer mais do que carteira assinada. Daí o "CEO de MEI", expressão criada para zombar de quem empreende sozinho. O paradoxo: as políticas que formaram esse eleitor não o seguraram. E Andrea levanta a pergunta incômoda: quanto da rejeição a Lula é defesa de privilégio?

2. Despejada aos 87, e a Espanha vai às urnas

Maricarmen Abascal morava no mesmo apartamento de Madri desde 1956. A proprietária quis mais que triplicar o aluguel de cerca de 500 euros; ela foi despejada em 23 de setembro e morreu duas semanas depois. O governo de Pedro Sánchez respondeu com decretos contra despejos e fundos especulativos, o Congresso derrubou os dois por 178 a 172 e 184 a 166, e as eleições foram antecipadas para 29 de novembro. Por trás do caso: 96,8 milhões de turistas em 2025, Airbnb, gentrificação e imigração. Até onde o direito de quem mora pode limitar o de quem é dono?

3. Nobel 2026: da alga ao Polo Sul

A optogenética, que liga e desliga neurônios com luz e nasceu do estudo de uma alga, levou o prêmio de Medicina (Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel). Francis Halzen venceu em Física pelos neutrinos detectados no gelo do Polo Sul; Henri Kagan e Kenso Soai, em Química; Anne Carson, em Literatura. O da Paz foi para a jurista sul-africana Navi Pillay, que presidiu a comissão da ONU que, em 2025, concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza. O comitê não conseguiu avisá-la antes do anúncio.

Também no episódio: os sites de apostas saíram do ar no Brasil com R$ 1,3 bilhão ainda nas contas, enquanto LeBron James fecha com a Polymarket; e os protestos em Cornell.

4. Bastidores

Andrea se declara parte interessada: paga dois aluguéis na Espanha, onde os filhos estudam. Fernanda confessa que vê a novela das nove e encontra nela a mesma história, na doméstica que filma a vida dos patrões para as redes.

Gadgets da semana

Andrea voltou a estudar e redescobriu a papelaria: bloco adesivo transparente, que permite anotar sobre a página sem riscar o livro, em kit de cinco cores por R$ 25. Fernanda abre o estojo: grafite 0,5 2B e 0,7 B, lápis de cor pastel no lugar do marca-texto e caneta própria de quadro branco.

Capítulos

00:00 Abertura

02:52 Os números do primeiro turno

05:15 O que é o CEO de MEI

08:13 Lula e o trabalhador de fábrica

11:50 Classes aspiracionais e o direito a brilhar

14:16 O que o Sul já mostrava

18:51 Privilégio e voto de rejeição

24:57 Espanha: o despejo de Maricarmen

26:56 Turismo, imigração e Schengen

31:16 Os decretos derrubados

32:55 Airbnb e gentrificação

36:10 Bets fora do ar e LeBron

39:18 Cornell: os protestos

42:13 Nobel 2026

43:59 Nobel da Paz

46:17 Gadgets

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