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A história do BLACK FLAG | Redação DISCONECTA #126

25 de agosto de 20261h7min
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Neste episódios mergulhamos na história de uma das bandas mais importantes para a criação do hardcore punk, Black Flag.

Participantes neste episódio1
L

Luis Fernando Brod

HostCorretor
Assuntos8
  • História do Black FlagGreg Ginn·Keith Morris·Henry Rollins·SST Records·Hardcore Punk·Cena Independente
  • Cena musical independente e o 'Faça Você Mesmo'DIY Ethos·SST Records·Criação de circuitos de shows
  • Perseguição policial e repressão socialViolência policial·Repressão a movimentos progressistas·Chuck Dukowski·Denúncias na mídia
  • A importância do álbum 'Damaged'Rise Above·Síntese do hardcore·Luta contra a indústria musical
  • O impacto do Black Flag na música posteriorMinuteman·Sonic Youth·Nirvana·Cena Indie e Grunge dos anos 90
  • O livro 'Nossa Banda Podia Ser Sua Vida'Minuteman·Mission of Burma·Minor Threat·Huskerdoo·The Replacements·Sonic Youth·Dinosaur Jr.·Fugazi
  • A evolução sonora do Black FlagMy War·Slippery·Influência do Black Sabbath·Sludge e Doom Metal·Post-Hardcore
  • A amizade entre Henry Rollins e Ian MacKayeIan MacKaye·Discord Records·Amizade e colaboração
Transcrição179 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Pelo menos uns 6 meses, hein?

?Voz B

Tô eu e o Luiz Castro, não ganha um jogo fora de casa faz uns 12 meses já, né?

?Voz C

0% de aproveitamento.

?Voz B

Você está ouvindo Redação Desconecta. Fala aí, Desconectors, tudo numa boa? Começando mais um Redação Desconecta, o teu podcast semanal. Isso mesmo, cara, toda semana, terças-feiras, 8 horas da manhã, quando a gravação não acontece às meia-noite e acaba uma, a gente coloca às 8 horas. Senão, quando o editor acordar no outro dia, ele vai lá trabalhar para fazer isso, né, cara? É isso aí, não é, bro?

?Voz A

Isso aí, cara.

?Voz B

É isso aí, tudo bem, né?

?Voz A

Tudo bem, tem dias.

?Voz B

O importante é que os episódios vão ao ar, a galera tá curtindo, a gente tem tido um crescimento bem interessante aí, galera tem comentado também. Isso é muito legal, cara. Até quero incentivar a galera a comentar mais, porque, cara, é sempre bom essa troca aí de informação, principalmente depois que o vídeo vai ao ar, né? Uma coisa é tu gravar, bater um papo aqui, nós estamos nós três aqui batendo papo, né? Discorrendo sobre o assunto.

Mas sempre, cara, tem o cara aquele que é mais nerd que nós assim de banda, né, que gosta mais, vai mais atrás, tem a história e desenrola ela ali nos comentários. Isso é muito legal, né, cara, enriquece ainda mais o nosso bate-papo. Então, galera, tamo de volta aí. Quer dizer, eu tô de volta, né. Fazia quantos meses eu tava sem gravar, o Brody? O Brody é que é o nosso produtor. Tô eu e o Luiz Castro, não ganha um jogo fora de casa faz uns 12 meses já.

?Voz C

0% de aproveitamento.

?Voz B

Quem não sabe, não pegou referência, Luiz Castro, técnico do Grêmio, que não ganha uma fora, né, cara? 12 jogos e 8 derrotas e 4 empates. Palmas para ele, né? E nós gremistas aqui sofrendo. Mas não, vamos falar.

?Voz C

Eu queria que a vida me desse as chances que o Grêmio deu para o Luiz Castro.

?Voz B

Seria bom, né, cara? Seria muito bom, né, velho? Bom, hoje nós— a ideia surgiu dessa edição do podcast há um mês atrás, mais ou menos, quando a gente tava trocando ideia sobre outras bandas. E surgiu a ideia da gente falar um pouco sobre as bandas que estão neste livro aqui, ó, Nossa Banda Podia Ser Sua Vida. E aqui, cara, é o início do do que a gente chama aí de rock independente, de indie, né, seja o nome que você queira dar aí, né, cara.

Principalmente não é nenhum rock independente, na realidade é a cena independente, era essa palavra que eu estava buscando, né, cara. Porque a gente tem aí um, uma pá de banda que no final dos anos 70 e início dos anos, início dos anos 80, começaram um movimento muito importante lá nos Estados Unidos, que é criar uma rota de ponta a ponta, né, de leste a oeste, ou melhor, de oeste a leste, de casas, não digo as casas noturnas, porque os cara tocavam em qualquer bodega, né, cara?

Tinha lá a paróquia lá, né, a casa paroquial, os carinha lá tocava na casa paroquial, tinha garagem de não sei quem, eles se juntavam, né, carinha, um divã e faziam esses pequenas gigs. Mas isso fez com que abrisse os canais da cena de rock alternativo independente, onde no fim de tudo acabou desabrochando aí bandas como Nirvana, né, aquela cena importante ali de Seattle, né, que fez com que estourasse toda essa cena, né, o famoso olhar por cima dos ombros dos gigantes, né, de gigantes.

Ou seja, uma cena vai sendo construída até que chega lá na ponta do iceberg e aquele troço desabrocha e cria um grande movimento aí. E esse livro conta justamente essa história, várias, mas várias bandas estão aqui, né, cara? Entre elas, a banda que a gente vai falar hoje, que é o Black Flag. Eu só vou dar uma passadinha aqui no nome das bandas antes de chamar a galera para a gente dar um overview do que que a gente tá falando, o que que a gente vai construir nos próximos meses.

A gente vai fazer uma banda por mês. Então é o seguinte, cara, a primeira que a gente vai falar hoje é o Black Flag, mas tem muita coisa boa aqui, ó. The Minute Man, Mission of Burma, que para mim é uma das melhores dessa cena. Maravilhoso. Minor Thread, Huskerdoo. Ah é, a gente tá falando do Minor Thread, cara, por isso que saiu.

?Voz C

É isso aí, é isso aí. Minor Thread já foi, a ideia surgiu do Minor Thread, né?

?Voz B

Exatamente, obrigado, bem lembrado.

?Voz C

Huskerdoo também é uma banda do caralho, é que faz muito tempo que tu não vê, né?

?Voz B

The Replacement, Sonic Youth, Butthole Surfers, Big Black, Dinosaur Jr., Fugazi, Mud Honey, Bit Happening. E é isso, cara. Acho que as menos, menos, as menos conhecidas, as menos conhecidas aqui é o Big Black e o Bit Happening, que tem, cara, não tiveram uma exposição tão grande, pelo menos aqui no Brasil, né? Mas todas essas outras, para quem gosta principalmente do movimento hardcore, punk e assemelhados, com certeza já se deparou ou com um disco dos caras ou ouviu falar sobre estas bandas.

?Voz C

Agora essa trilogia aí vai ser massa, né? Tipo, Dinosaur Jr., Fugazi e Mudhoney.

?Voz B

Porra, é a base, é a base do que vem depois.

?Voz C

Que sequência, base do mundo. Exatamente. Mudhoney vai estar aqui na Austrália, né, final desse ano.

?Voz B

Olha que massa, cara.

?Voz C

Provavelmente, provavelmente irei.

?Voz B

Eles, esses caras, eles são os caras que eles eram, todo mundo apostava que eles seriam o próximo grande estouro de Seattle, né, antes do Nirvana, né. Eles eram a bola da vez, inclusive o próprio Nirvana gostava muito deles, né, e acabou não rolando, né, não se concretizando.

?Voz A

Quer dizer, é uma banda que estourou do caralho e tal, eles mesmos que não quiseram, né, eles quiseram ficar no under, né. Tenho impressão que— ah não, tô confundindo com outra banda, né? Não é o Mudhoney, eu tô falando com filme, com outra banda. É verdade, então tá certo.

?Voz C

Não tá confundindo com Meat Puppets?

?Voz A

Não, é outra banda, esqueci o nome, mas é isso aí mesmo, cara. Se eu não me engano, Mudhoney vai estar no Brasil aí no festival aí do que o André Barsi tá trazendo aí. Eu acho que é o Mudhoney que tá junto aí. Aí não lembro.

?Voz C

Eu acho, eu acho engraçado que Que essas bandas, toda vez que o Barsinski anuncia que vai trazer uma banda, ele faz meio que suspense. Quando ele anuncia uma banda mais underground, não menos maravilhosa, ou até mais maravilhosa do que muitas bandas icônicas, a galera fica meio decepcionada assim, tipo, ah, sabe, tipo, ah, eu vou trazer, sei lá, o Mudhoney. Ah, vou trazer o Bufalotom. Ah, vai trazer só o Bufalotom? Porra, velho, vocês querem Exatamente, cara.

O cara tá movimentando uma cena foda e daí, porra, meu, todos Lemonheads, o ser humano é um, tipo assim, se não é show do Iron Maiden, do Metallica e do Guns com Mickey Mouse, cara, não, tipo assim, velho, nada presta. Eu fico louco, velho.

?Voz B

Não, mas nem essas dá para ir, cara. Acho que nem os metaleiros aguentam mais ver o O Mickey Mouse, cara.

?Voz C

O pior de tudo, o pior de tudo é que eles aguentam, velho.

?Voz B

Cara, eu, eu tenho certeza que não, cara. O Guns N' Roses, o que eu percebo é uma galera emocionada que nunca viu Guns N' Roses na vida. E aí quando eles anunciam aqui no Brasil, os cara acha que é a melhor banda do mundo. Cara, nunca foi no show do Guns, não conhece discografia do Guns, não conhece a banda. Sabe aqueles, aqueles cara assim de Os brother, aqueles teus brother de colégio que não conhece som, mas daí tocou uma, ouve-se falar de uma banda um pouco mais conhecida, ele quer ser metidão assim.

?Voz C

Ele acha que o rock é aquilo ali, né? Vai, isso aqui é o rock, isso aqui é a banda de rock, vou no show de rock, cara. Não, tipo, rock tá longe dali já faz muito tempo. Lamento te informar, lamento te informar. Se tu acha que o rock é botar uma calça apertada, uma botinha fazer o simbolozinho do capeta tomando uma IPA. Se tu acha que isso é o rock, pode ser, tudo bem, vai lá, vai lá, campeão, sabe? Boa sorte. Mas é que tem uma galera que acha que é realmente é isso, né, cara?

Vai lá, faz uns stories, posta, paga R$1.200 no ingresso e rock and roll, tudo certo também.

?Voz B

É isso, cara, é isso.

?Voz C

Nada contra, mas tudo bem.

?Voz B

Então Vamos falar de uma banda massa então. E não que o Guns N' Roses não seja massa, na realidade o Guns N' Roses já foi massa, né?

?Voz C

Hoje em dia já foi massa, já foi.

?Voz B

É o próprio cover da banda, né? É o seu próprio cover.

?Voz C

Assim como a banda que a gente vai falar, o próprio Black Flag virou isso aí também.

?Voz B

É verdade, cara, é verdade, é verdade, é verdade. Falou tudo agora. Então já que virou uma coisa horrenda, vamos falar então sobre o Black Flag e o seu Greg Ginn. Né, o homem por trás do Black Flag, o cara que iniciou a banda aí juntamente com ninguém menos do que Stephen Morris, que tinha uma banda antes do Black Flag, se chamava Panic, até eles descobrirem que já existia uma banda com esse nome e resolveram aí mudar o nome e acabaram achando o nome Black Flag.

Se não me engano, foi o irmão do Greg Ginn que é que desenhava, né, inclusive, né, ele que fez o logo, né, aqueles dedinhos assim reto, né, como se fossem uns quadradinhos, um soco, e fez a capa do Breakdown. Como é que era o nome?

?Voz C

Nervous Breakdown.

?Voz A

Nervous Breakdown, inclusive. Ah não, desculpa, é o segundo, né, é o primeiro EP.

?Voz B

E essa história começa aqui, né, a partir desse momento lá, né. O Greg Green era um cara quietão que era meio nerdola assim, gostava de mexer nos eletrônicos. Na época, o hobbismo, que é o hobbista, que é o cara que mexia lá com tecnologia, montava os computadores. Foi ali que surgiu o famoso Wozniak da Apple, o outro cara, o Wozniak e o Steve Jobs, que montavam. E ele gostava muito dessas brincadeiras de montar essas paradas, né, cara?

Tanto é que o SST era o selo que ele criou, era baseado, foi criado o nome baseado numa revista que ele montou, ou um clube do livro, não me lembro direito mais ou menos essa história.

?Voz C

Solid State Turners, né? Isso é o acrônimo, né?

?Voz B

Exatamente, que era a parada de montar essas coisas eletrônicas aí, né, Afonso?

?Voz C

Exatamente. O Greg Ginkgo Ele não é um, nunca foi um aficionado por música até os 19 anos de idade. Isso é muito curioso, né? Ele é, que nem tu falou, ele era um nerdola ali que desde os 12 ele já tinha essa própria empresinha dele ali, de que trabalhava com esse tipo de rádio, com esse tipo de tecnologia. E disse que ele começou a tocar violão com, já com 19 anos, um violão que ficava jogado ali com na sala do irmão dele mais velho. E ele já era muito amigo do Keith Morris, né, cara?

?Voz B

Que aí, tipo, a ideia foi, eles tinham só um pouquinho, eu falei Stephen Morris, confundi com o cara do New Order, né?

?Voz C

Passou despercebido, passou despercebido.

?Voz B

Obrigado, obrigado.

?Voz C

Mas é isso, aí eles tinham ali, ele já tinha uma salinha ali, um uma casinha que ele alugava. Nada como ser um jovem abastado, né? O Guerguinho não era, não, diferente dos outros, de todos os outros, não era mal de grana assim, né? Então tinha uma mínima condição, como uma classe operária ali dos Estados Unidos, né? Nessa época ali tinha, a galera tava começando a ver um futuro, né, economicamente falando, mas caoticamente todos os outros aspectos da sociedade, né?

Com repressão e violência, enfim, caos social. Mas, e aí diz que o gatilho foi para eles montarem uma banda, que primeiro virou Panic, né? Foi como metade da banda, das bandas dessa época, foi o Stooges, né, cara? Ouvindo Stooges, ouvindo o Iggy Pop, decidiram montar a banda deles. E aí o Greg Bean e o Keith Morris montaram o Panic, já com, já tinha o Chuck, né, no baixo, que depois virou, já ele já era sócio, né, do Greg Bean na SST, né, que depois posteriormente virou SST Records.

E aí depois a gente vai falar sobre todas as tretas da SST com a Unicorn, com a MCA. Blá blá blá.

?Voz B

E a SST é um selo, né, para quem está iniciando no assunto, né, que a SST é um selo totalmente independente, né, cara, criado meio que, cara, totalmente na linha do it yourself assim, né. Mesmo o Guin sendo um cara que não era, podemos dizer assim, de família de baixa renda, né, cara, ele também não era rico, né, era um cara de classe média assim, né. Em classe média, média, né? Não é classe média alta nem classe média baixa, classe média, média.

Ele acabou indo morar em Hermosa, né, numa praia, né? A família acabou se mudando para lá, em Hermosa, na Califórnia. O cara era de Arizona, né? Então tu já sente a mudança do cara ali, né, em termos de vida assim, né, a situação. E morando em Hermosa, cara, e essa, e esse movimento de hardcore e punk, né, não hardcore, acabou começando, o hardcore acabou começando a surgir daí, né, cara. O Bad Brains ali também já tava formado, o próprio Dead Kennedys, né, que apesar de ser punk já flertava um pouco com hardcore, né, já tinha algum, alguma relação direta.

E eles começaram a se relacionar com essa galera da praia. O mais legal nesse livro que eu tava lendo, cara, É a questão do público, né? Porque aonde eles iam, os caras queriam só dar porrada, né? Então assim, era mentalidade— olha que loucura, né, cara? Era mentalidade daquele público oeste, né? É oeste, né? Califórnia é oeste, se eu não me engano. Os caras eram brancos, surfistas, né? Tudo, tudo porrada, porque os caras eram bem de vida, não era nenhum fodido ali, né?

?Voz C

Mas bem alimentado, né?

?Voz B

Os playboy bem alimentados, é isso aí, é isso aí. Cevados, né?

?Voz C

Os moleque bonito, forte, bem alimentado, né, para dar merda com qualquer sonzinho um pouquinho mais agressivo, é bem rápido. Em contrapartida do que tava falando do jovens bem alimentados, que a gente tava falando agora. Tem um curioso caso do— enfim, tô pulando umas etapas, mas a gente vai voltar, né? O próprio o Henry Rollins falando, né, que quando nas gravações do The Maged, né, diz que eles atravessavam a rua, tinha um 7-Eleven e uma outra lojinha de comida assim tailandesa.

E aí diz que eles chegavam na lojinha Sem um real praticamente, tipo, comprava um bowl de batata frita e uma água. E aí sentava todo mundo na mesa, na mesma mesa, a banda. E aí ficava esperando as famílias levantarem as mesas do lado, e eles pulavam para as mesas e iam fazendo as refeições deles, os pratos dos outros, assim, cara. Porque era, porque era o que dava, não tinha dinheiro, zero. Aliás, o Black Flag é uma banda que, tipo assim, faturou R$0 ou $0, obviamente, né, no decorrer do período que a banda teve em atividade.

Eles não ganharam, tipo assim, só prejuízo, literalmente. A gente vai falar sobre isso, né, mas é um resumo da banda, né, o do-it-yourself no seu ethos, né, vividos e muito bem vividos, né.

?Voz B

E o início foi bem hardcore em todos os sentidos, né? Não só musicalmente falando, né? Esse lance do não conseguir sobreviver era isso que a gente tava falando no início, né, cara? Os Estados Unidos não tinham, né, o circuito de casas de show que a gente vê hoje, né? De todo esse comércio, todo esse produto, essa produtização, né, cara? Estados Unidos era bem tosco lá no final dos anos 70, início dos 80, e esses caras aí começaram a criar esse circuito, né?

Inicialmente, como eu falei assim, né, tocando em qualquer muquifo que aparecia, né, casa de alguém, garagem de não sei o quê.

?Voz C

Os próprios primeiros shows ali do— ainda era Panic, né, eles tocavam em clube de jazz, cara. É isso aí. Eles mentiam que era uma banda que fazia cover de Fleetwood Mac, e aí começava a tocar aquela desgraceira. Mas era o único jeito que eles conseguiam fechar oportunidade para tocar, né?

?Voz B

Porque não tinha, inclusive, eles começaram a correr para fora da Califórnia justamente porque os espaços se fecharam para eles, né? Por causa dessas tretas aí com os hardcores daquela época ali, né, meu? Ninguém queria mais ter show, né, cara? E os caras também eram totalmente contra os porcos, né, cara? Contra os pigs, né? Os porcos fardados, né? Então eles não permitiam também metia uma treta, né? Reza a lenda, cara, que o próprio espaço da SST, né, o selo, ficava sendo vigiado.

Não só grampeado o telefone, mas tinha sempre um mendigo na porta ali que era um policial disfarçado, para os caras estar sempre por dentro assim, né, apaisando assim, para os caras estarem sempre por dentro assim, cara.

?Voz C

Tinha muita, muita história, né, tipo ali de 81 a 83 depois, né, já depois do dos lançamentos ali do, todos os EPs aí, o Demage, enfim. Aí é quando eles começaram a excursionar bem mais assim, né, te fazendo costa a costa. Aí já teve 83, já teve a turnê da Europa, a primeira e tal, cara. Era a polícia 24 horas invadindo shows, entendeu? Parando o show, prendendo os caras. Entendeu? Teve muita— eles sempre foram muito perseguidos pela polícia, né?

Até que o Chuck teve a brilhante ideia de denunciar, né? Ele chamou os jornais locais assim, né? Nessa época tinha bastante esses jornais semanais assim que dava as notícias da semana, os veículos menores assim. E era muito fácil fazer jornal na época, né? Então, tipo, cara, saía, tu ia numa banca de jornal, tinha 300 tipos de jornais, né? E aí que ele começou a denunciar, né, cara? Aí ia para capa dos jornais, as manchetes e tudo mais, jornais locais do bairro, da cidade, enfim.

E ele foi até no programa de TV, né? Ele foi até no programa de TV, esses programas tipo a Oprah que tinha de plateia, e aí Saca?

?Voz B

TV local, né?

?Voz C

É, a plateia entrevistando ali, um encontro com a Fátima Bernardes, né? Umas coisas assim. E aí tinha a plateia perguntando, Goldschmidt, como é que é aquela que tinha? A Márcia Goldschmidt, cara. A melhor, a melhor aparição de um ícone nesses programas é as entrevistas do— é uma entrevista que tem do cara, do Didi Allen, num programa desses. Isso é maravilhoso, cara. Assistam isso, que ele disse que ele é o filho do diabo, ele fala.

Meu Deus, cara, tu imagina a sociedade, meu, a véia arada de laqueia no cabelo e peruca ouvindo aquilo ali daquele cara todo quebrado, tosco, dizendo que ele era invocação do diabo, que ele era o filho do diabo. Parece piada, mas, cara, é bizarro. Enfim, aí o Chuck foi num programa desses E aí, cara, perguntaram para ele, né, tipo, se toda essa violência não era, não é, não é algo nazi, não é algo muito violento para juventude e tudo mais e tal.

Daí ele falar, ele falou que o que é violento é a repressão da polícia, né. Todo isso é nazi, né. Não vou falar a palavra toda aqui para não ter problema. Nunca sabe, né? Isso é nazi, isso é o nazi, né? Violência, repressão. E aí ele disse que qualquer, qualquer nova mudança, qualquer nova mudança de atitude, qualquer pensamento progressista, qualquer algo que seja diferente do que a sociedade tá acostumada, é recebido com violência, com conservadorismo, com, e de forma reacionária, né? E nada mudou, né, hoje em dia, infelizmente.

?Voz B

Até mudou, mas mudou para pior agora nos últimos anos.

?Voz C

Mudou para pior, né, cara?

?Voz B

No início do século era melhor, velho. Nesse século eu acho que piorou de uns, sei lá, cara, uns 10 anos para cá. Acho que o troço degringolou assim.

?Voz C

É que hoje é tudo muito, né, cara? É tudo, a galera, a galera dobrou aposta em tudo assim.

?Voz B

É verdade.

?Voz C

Embora a gente tenha evoluído em muitas questões, né, Isso é um ponto positivo. A gente tem que sempre olhar também o copo meio cheio, né? Senão a gente vira um bando de cara que fica preso no passado. Mas teve também, tem outros aspectos que a gente parece que retrocedeu, né, cara? E evoluir não significa necessariamente evoluir para um lado bom, né? O câncer evolui, né? Então, tipo assim, A gente tá, a gente tá indo para frente, né?

Uns lados a gente tá acertando, mas por outros a gente tá errando bastante também. Eu acho que o meu medo só é que futuramente a gente não consiga ter aquele ponto de retorno, né?

?Voz B

Não, vai ter, vai ter, vai ter. É cíclico, né? A parada é cíclica, né? A gente tá com uma juventude meio perdida aí, mas daqui a pouco a internet é muito nova, né, cara?

?Voz C

A gente acha que não, mas é uma coisa, a gente ainda tá aprendendo a lidar com isso, né?

?Voz B

Eu acho, é um machismo também, cara. É esse lance do, né, assim, eu entendo o lance da religião, da galera, né, tipo, ter sua fé, ter sua crença, mas no momento onde tu quer gerir um estado defendendo que o único jeito do estado funcionar é à base de Deus, né, cara, é, cara, é muito estranho, né? É muito estranho porque tu perde toda a parada científica, né, cara, tudo que foi construído e pensado né, todo iluminismo, se joga tudo isso na lata do lixo e voltamos para a Idade Média, né, cara, Idade da Escuridão, né.

Daqui a pouco estão caçando as bruxas, né, velho. Daqui a pouco vamos queimar as bruxas em fogueira de novo, né, cara.

?Voz C

É, na verdade é as bruxas queimando as bruxas, né. Daí não tem muito, porque, cara, eu tempos, não faz muito tempo, sei lá, questão de 15 anos atrás, vai, amigos evangélicos, amigos religiosos que eu tinha, eu sempre me dei muito bem, né? Embora discorde veementemente, frontalmente, de quase toda doutrina, enfim, mas cada um, mas respeito, né? A galera me falava que, cara, a Constituição não é uma Bíblia, né? E vice-versa, e a Bíblia não é a Constituição.

Então são coisas separadas e Essa galera toda falava que a política é corrompida, que a igreja, a religião não tem que se envolver com a política porque é um negócio, enfim, sujo e podre e corrompido. E hoje mudou tudo, cara. Hoje é um negócio que meio que se confunde, né? Virou tudo uma coisa só, virou uma coisa só, né?

?Voz B

Voltou, né, Afonso? O que a gente tá falando aqui do Black Flag, toda a caretice que esses caras enfrentaram lá no final dos anos 70, início dos anos 80, tá meio que retornando. Por isso que eu falo que a parada é cíclica, né? Assim, é porque o conservadorismo, e não conservadorismo ideológico, né, mas o conservadorismo extremo, né, cara? Assim, cara que vai muito lá na ponta, né? Era o que, era o que mandava naquela época, era o que regia, né, cara?

?Voz C

Era Desde o Nixon, né? O Nixon era, o Nixon foi o cara que mais, putz.

?Voz B

Exato. E a gente saiu daquela, daquela fase paz e amor, era do Aquários e tal, né, velho, para adentrar naquela época lá, né, para adentrar uma fase de novo de conservadorismo. Então a gente vira e mexe a gente tem esses retornos assim, né? Mas voltando à banda, cara, os caras, os caras começaram a fazer, fazer som e tal, a polícia repreendeu eles a fua assim justamente porque acontecia muita violência. A gente também não pode ser cego, né, a ponto de não enxergar essas coisas, né, cara.

O jovem, ele tava passando por um momento difícil naquela época ali, né, meu. Então assim, talvez a válvula de escape, né, e não é passando pano, né, mas tentando olhar com uma visão mais clara para as coisas possível, a válvula de escape dos caras era se pegar no pau mesmo, né, cara, dá porrada um no outro, né, meu. O lance do macho norte-americano, né, cara, desse cara que é o alfa, digamos assim, ele também tava incrustado no meio do punk, também tava incrustado no meio dos movimentos mais progressistas, porque era a visão de mundo que se tinha naquela época, né, cara.

Não tem como tu isolar essas coisas assim, né, cara. O feminismo não existia assim da forma que é hoje, por exemplo, né, cara. Trazendo só uma, uma da linha do, do, do, do, dos progressistas assim, né, cara. As coisas eram diferentes, né, meu, era mais faca na bota, né, velho. E o americano tem isso, né, meu, de estar armado, né, meu, de, de ser o Rambo, né, cara, de ter essa cultura, né.

?Voz A

Jack Norris.

?Voz C

É, é isso. E eu acho que para classe operária também, eu puxo sempre a brasa para o nosso assado, né. Para classe operária, para galera do trampo, para galera que que tinha, que tinha toda uma repressão em cima, era um modo de sobrevivência também, né, cara?

?Voz A

Entendeu?

?Voz C

Era uma forma de, meu, vem para cima que eu vou para cima em dobro, entendeu? Vamos lá, vamos ver quem, vamos ver quem sai melhor, entendeu? Vamos para cima. Tem muito disso também. Criminalidade aumentando, cara, é uma questão social, né? A criminalidade, a criminalidade sempre aumenta, não é do nada, não é porque tem pessoas boas e ruins, né? Tem um reflexo socioeconômico aí bizarro, né? Que a gente, final dessa década, então muito mais, era os anos 70, começo dos anos 80 ali, os Estados Unidos tava quebrado, né, cara?

?Voz A

Então não tinha bastante.

?Voz C

Então a classe média tava com direito de, tava com medo de perder os privilégios dela, né?

?Voz A

Fazia os seguros dos prédios lá, daí botar fogo nos prédios para receber o seguro.

?Voz C

Galera muito, os ricos ficando mais rico.

?Voz A

É isso aí. Entendeu? E aí nesse cenário aí que surgem essas bandas aí, né, cara? Que é exatamente uma opressora do movimento, sei lá, sei se a gente pode falar, entendeu? Tipo, ai, pop repressão, que que eu fiz para merecer isso, entendeu?

?Voz C

Exatamente.

?Voz A

Mas uma coisa que me chama atenção assim na história, agora prestando atenção, vocês falar aí e tudo mais, cara, do Black Flag, é como eles e o Minor Threat tem uma história meio parecida. Parecida, né, de um caminho meio parecido assim de montar banda, tem um curto período, montar uma gravadora porque queria lançar outras bandas para ficar conhecida do público, enfim, né, cara. E Henry Rollins entrando aí depois aí na fase mais legal aí, digamos, do Black Flag, né, que é o cara que era um cara raquítico, ele teve que aprender a lutar para se defender dos skinheads, né, meu?

Ele teve que aprender a lutar e levantar peso e lutar. Não sei se é que luta, que ele luta, se é jiu-jitsu que quer que ele aprendeu a lutar. Ele teve que aprender a lutar na marra, né, cara, para não, para se defender. Então, quer dizer, isso aí era tudo um reflexo que eles viviam naquela época lá, né, cara? Era difícil. Eu imagino o quão difícil devia ser andar, porque, pô, você tava andando no subúrbio, né, cara? No meio da podreira, tá ligado?

Você tipo um de nós assim andando no meio da rua, cara, a gente ia ser chacotado, ia ser pisoteado, ia ser surrado, ia ser levar uma costa de pau, cara, do nada, só porque a própria, sei lá, o maior reflexo disso, o maior reflexo disso é como surgiu a amizade dos dois, né, que é muito curiosa.

?Voz C

São melhores amigos, né? São melhores amigos, inseparáveis. E eles se conhecem justamente assim, né? O Rollins achava que o Ian— o Ian é um pouquinho mais novo, 2 anos mais novo, acho. O Rollins achava que o Ian tava invadindo a casa dele, tava rolando— imagina, tava rolando série de roubos assim domésticos, né? A galera entrava nas casas e pegava as paradas. E aí o Rollins achava que era o Ian e os amigos dele que estavam entrando nas casas e roubando.

E aí diz que o Rollins pegou e foi tirar satisfação, deu um pau em todo mundo. Ele já era marrento e problemático nessa época, um cara muito raivoso, né, meu? E aí foi nessa, toda vez que ele via o Ian e os amigos, ele queria bater neles. E aí disse que um dia o Ian chegou, cara, deixa disso aí, a gente não tem nada a ver com isso e tal, acho que a gente curte a mesma coisa, a gente curte skate e tal. E cara, viraram amigos inseparáveis, amizade dos dois surgiu aí, né.

E aí imagina o Ian montando depois, né, montando a Discord, depois o Greg Green, aí o Rollins já envolvido com Black Flag na SST. Né? E a galera que o do-it-yourself não vem do nada, né? A galera criava os selos, criava os lugares para tocar, porque não tinha espaço, porque não tinha recurso, né? Então vinha, era, tu tinha que ter um amigo, tu tinha que ter uma pessoa que tu confiava para ir lá e acreditar nisso aí junto contigo, e aí fazer as coisas acontecerem, né?

Era basicamente isso. O Rollins, a gente tava falando ali, bro, que o cara O cara, ele é uma pessoa, ele era uma pessoa problemática no sentido de ele é para cima mesmo, cara, de querer brigar. E era raiva, né, era ódio reprimido, né. Ele disse que quando ele foi convidado depois para tocar no Black Flag, logo depois que o Keith já tinha saído naquela época, né, Porque justamente os shows muito agressivos era só pancadaria, ele não queria participar daquilo.

Ele tava vendo que o negócio, imagina, naquela época ainda 79, 80, já saiu daquilo ali. E aí saiu o Kiff, entrou o Ron Reis, né, porto-riquenho, que também não aguentou a pressão, ficou 6 meses só. Aí teve o Jellows Again, já é 80, segundo EP. 4, 5 músicas ali e vazou também porque não aguentou. Ele foi morar no Canadá. E aí entrou o Disca Dina, né, que tinha, que também fazia parte do circuito ali, tinha o DC3, umas bandas assim.

Só que aí o Disca quis ir para guitarra, né, não quis ficar no vocal. E aí chamaram o Henry Rollins, né, que ele tinha conhecido os caras do Black Flag numa turnê, primeira vez que eles foram para lá, para capital, né? Eles ficaram hospedados na casa do Ian. E aí o Henry Rollins conheceu os caras, né, do Black Flag naquela época já, que ele falava que era, já era a banda favorita dele, né? E aí ele, enfim, depois do rolê, os caras tocaram, ele dormiu, dormiu todo mundo na casa do Ian.

E aí o Rollins falou, cara, e aquilo ali para mim foi o fim do mundo, porque no outro dia de manhã enquanto eu saía para trabalhar na sorveteria, que ele trabalhava numa sorveteria, os caras estavam entrando numa van e já indo para a próxima cidade tocar. E eu me senti uma pessoa absurdamente inútil e deplorável, porque eu ia para o meu emprego medíocre e os caras estavam vivendo a vida deles da forma que eu queria. Para mim, aquilo ali era felicidade, né?

E aí, cara, tanto que meses depois o O Discadina aqui saiu do vocal, foi para guitarra, ligaram para o Henry Rollins. Cara, estamos fazendo audição aqui para o novo vocalista do Black Flag, quer participar? Quero. Diz que ele foi, pegou carona, foi para lá, foi encontrar os caras na Califórnia, lá em Los Angeles, foi para lá, pegou uma carona e foi. Ele disse que não tinha nenhum dinheiro, tinha nada, chegou lá, tocou, fez audição com os caras, os caras, tá, Vamos ver aí o que que a gente pode fazer por ti.

Se reuniram, 10 minutos de reunião, tá, tu tá dentro da banda. Ele tá, agora que eu faço? Os caras, meu, sai do teu trabalho, monta tua mochila e nos encontra em Detroit. Tá aqui o setlist da banda, vai decorando e é isso. E aí tudo é, tudo virou história, né?

?Voz A

Virou história. E aí esse disco aí, o Damage, né, cara, de 81, o Damage Tá completando 45 anos agora em 2026, ou completou, enfim. Eu acho que é um disco emblemático, né, cara, porque ele já abre com a faixa mais famosa aí da banda, né, Rise Above. Acho que Rise Above é a faixa que mais tem. Tem a faixa número 15 que é Damage One ali, tem a faixa número 11 que é Damage Two, tem Damage Two, Damage One, né, e fecha com Damage One assim.

Eu ouvindo essa faixa Damage One assim É, eu acho que é um prenúncio do que o Henry Rollins ia fazer com a Rollins Band aí nos anos 90, entendeu? É mais ou menos esse estilo que ele fazia. E meu, esses caras aí foram responsáveis por, tá louco, cara, essa gravadora aí que a gente falou no começo aí, a SST, né? Ela tem a sua importância fundamental para um monte de banda, né, cara? Minuteman, Husker Doo, Sonic Youth, Daniel Jr., cara, Up, eles todos foram lançar, tiveram discos lançados por essa gravadora, né?

Assim como a gravadora do Ian McKay lá que falou no episódio de Marlon Fred, né, cara? Então quer dizer, o que que a gente enxerga, né, cara, nesse cenário todo é que os caras queriam, cara, é o que a gente quer fazer, isso lançar as coisas que a gente quer para galera ouvir, entendeu? Sei lá, pensa como a gente assim, e tipo gente como a gente, né, criar uma linguagem própria, enfim, entendeu? E aí nasceu assim, cara. E acho que foi tudo isso assim convergiu para essas bandas todas durarem tanto tempo assim, ou pouco tempo, enfim, né.

Porque sei lá, o Black Flag você falou que teve um período curto também, né, mas durar tanto tempo no sentido de ficar assim todo mundo hoje, cara, 40 anos Depois a gente tá falando dos caras, a importância dos caras, entendeu? É importância para o movimento todo que surgiu, né? Ter se mudado aí de um lugar, ido para Califórnia, que Califórnia, que é onde realmente surge, é uma cidade ensolarada, né, cara? Uma cidade alegre, você vê mar, você vê praia, você vê sol quase o tempo todo.

Então isso aí acaba influenciando muito estilo sonoro dos caras, né? E Lembrando que é assim, o punk assim, 79 já não era mais assim um, sei lá, cara, nossa, o punk é o punk, né? Ele já tava mudando um pouco dos estilos, né? Muito por conta aí do ska, dessas coisas que estavam entrando por aí, inclusive o hardcore, né? Então nesse cenário que surge o Black Flag aí. E esse disco Damage é um disco bem legal, cara, assim, enquanto a gente tá falando, pode ter uma música de 1 minuto e 47 que Gimme Gimme Gimme, né?

Clássico, Ramones puro, né? O Henry Rollins era fã de Ramones, né? Fala que ele era fã de Ramones assim. Eu acho que isso aí também foi uma das grandes, essa base punk do Ramones assim, dessa crueza, dessa músicas curtas e diretas assim, fez aí também uma das bases aí dessa liquidificador sonoro do Black Flag.

?Voz B

Aí depois, e aí pode falar, pode falar, mas o mais louco disso tudo é que, cara, tanto o Gui, né, que tu comentou antes, Afonso, como o próprio Henry Rollins, né, cara, eles não eram os caras da música assim, né, nenhum dos dois quando eram jovens assim. O Henry Rollins, por exemplo, ele estudava num colégio de garotos problemáticos, né, que Que é, o cara tinha problema na família assim, né, de não ser obediente, né, entre aspas aí, né.

E o cara ia para o colégio e apanhava. O método de educação era na base da surra assim, né. Tipo, fazia qualquer cagada, tomava uma reguada nas mãos, umas coisas assim, saca. Tipo assim, era o jeito, era a educação da época, né, mais ou menos por aí. Acho que teu volume tá baixo aí por hoje no microfone.

?Voz C

Não, cara, eu acho que ele foi só no microfone assim: ele ajoelhava no milho. Cara, e era isso. Imagina, não tem nada como, não tem nada como tu gerar mais violência, né? Senão pela violência, entendeu?

?Voz B

Total.

?Voz C

E é isso, cara, aquela, aquilo tudo que a gente tá falando no decorrer do episódio aqui é justamente isso, entendeu? E aí a fagulha achou um barril de pólvora, entendeu? E aí para acontecer o caos é isso aí, cara. Aí depois que tu, é sempre assim, né? Tu gera violência, daí tu cria violência, e aí tu combate a violência que tu criou com violência com mais violência. Entendeu?

?Voz B

Uma bola de neve.

?Voz C

E aí viram, virou uma bola de neve, mas daí o culpado é sempre quem tá embaixo, né?

?Voz B

É sempre assim, quem apanha não esquece, né?

?Voz C

Que apanha não esquece, entendeu? E quem apanha mais é sempre, quem apanha mais é sempre quem tá embaixo, né, cara? Isso é, isso é certo, né?

?Voz B

E aí então, cara, essa relação de bandas, né, que eles tinham, né, cara, era muito louco, né? Os caras não imaginam, né, meu cara, com 19, 20 anos não não frequentava, né, o circuito musical, né?

?Voz C

Tipo assim, sim.

?Voz B

Aí, pô, o cara é um exemplo muito louco, né, velho?

?Voz C

Não, eu tenho, eu tenho várias ressalvas contra o que o Greg Dean virou e depois o que ele fez com Black Flag. Hoje, hoje tu olha o Black Flag tocando, ele botou umas crianças ali para tocar, é o Silvio Santos e a Maísa, saca? É, velho, sabe? Uma coisa, cara, que está fazendo, velho? Que coisa ridícula, sabe? É uma coisa ridícula, tá jogando a história da tua banda no lixo, cara. Para com isso, que tá feio.

?Voz B

Eu vi em Porto Alegre ele com outro vocalista que ele, cara.

?Voz C

Não, eu vi, eu vi o Black Flag aqui com o Mike Weiler, né, meu? É o skatista, né? Isso, eu vi, eu vi, eu vi o Black Flag aqui com o Mike Weiler. Não, é um, não, ele é um, ele é um skatista das antigas. Anos final dos 80, início dos 90 ali. E cara, eu achei meio que, eu gostei, né, mas já era meio que um Black Flag cover assim, sabe. Ele tava, ele meio que tentava, ele meio que tentava emular o Rollins assim, sabe. Ele é até o mesmo porte e tal, então ele mais fortinho e tal, o jeito de cantar e tudo mais, eu achei meio que meio que forçado assim. Mas como eu não vi o Henry Holmes, pode ir para gente.

?Voz B

Eu, cara, achei do caralho ver o show deles assim, né? Tipo assim, minha primeira experiência com Black Flag foi essa aí.

?Voz A

Mas deve ser mesmo uma energia bem louca de ver assim, né, cara? Bom, eu vejo fotos assim, né? Não sei se não é porque, cara, como não é uma coisa assim que Sendo bem sincero assim, eu conheço o Henry Rollins da Rollins Band, né? Black Flag nunca foi uma banda que tinha me atraído assim e tudo mais. Então eu nunca fui um cara de pesquisar a fundo assim história dos caras e ver filmagens das antigas. Até acho que já vi pouca coisa assim, mas meu, imagino que é isso que nós falamos aí, era final dos anos 70, depois dos anos 80, os cara tocando mesmo kifo, né?

Galera toda em cima, suada aí, cuspindo e confusão. E o show era intenso, né? Então imagino que para, que nem tu que assistiu aí com outro cara, deve ter sido a mesma sensação assim. Lógico, com uma estrutura de palco melhor e tudo mais, né? Diferente. Agora eu fico pensando assim, o quão louco devia ser você viver nessa época lá, entendeu? E ver os caras, né? Todo circuito, todas as bandas amigas ali, cara, deve ter sido muito Muito louco isso, tá ligado?

?Voz B

É, e esse lance da amizade, né? E acho que além da amizade também tem esse lance da ética punk assim que permeava também essa galera, né? Apesar de ser hardcore, eles também, todos eles tinham isso assim, né, cara? Eles não iam lá um para foder o outro, né, cara? Pelo contrário, era irmandade, né? O cara queria tocar no, por exemplo, o Afonso mesmo falou, né, cara, o Black Flag queria tocar em Washington, velho. O Ian McKay ligou para os caras lá, conseguiu o contato dos caras da gravadora, da SST.

Nem foi com Greg Ginn que ele falou, foi com outro cara lá da SST que agora não me lembro o nome. Ele disse, ô meu, se vocês vão vir para aí, podem vir dormir aqui na minha casa e tal, tá ligado? Tipo assim, pouso você já tem, entendeu?

?Voz A

Chega aí.

?Voz B

É, e essa parada que é massa, né, cara? Esse Esse lance da irmandade que existia muito forte entre as bandas e a própria cena assim que tava se criando ali, né?

?Voz A

Sim, apesar que pode falar, pode concluir, desculpa.

?Voz B

Não, é que o que eu ia dizer, que a competição não era uma competição, né, cara, e sim uma forma de criar uma cena mesmo assim, né? A galera não tava muito pela competição, né, tava por se ajudar e fazer a parada acontecer para todo mundo, né?

?Voz A

Pois é, mas aí ao mesmo tempo, falando em competição, citou uma palavra interessante, é competição, né? Ao mesmo tempo que a SST teve uma força assim, eles também tiveram uma treta, né, com a Unicorn Records. Essa treta foi pesada, foi pesada. Aí, cara, teve muitos problemas assim envolvendo lançamento e tal. E aí o que acontece assim, depois o Afonso quiser entrar mais a fundo, Mas o resultado é que o Damage, esse disco 81, que é o, sei lá, cara, acho que quem quiser conhecer Black Flag, quiser entender toda a história da banda em um único disco, ouve o Damage, tá ligado?

Com certeza é uma síntese de tudo que a banda foi assim. Então o que que acaba se tornando, cara, esse disco acaba se tornando tipo um símbolo aí dessa dificuldade aí, né? Que as bandas independentes sempre tiveram, elas enfrentavam assim para poder ter o controle dos seus trabalhos, né, seus próprios trabalhos. Então a situação aí ajuda a consolidar ainda mais essa postura aí que o Black Flag sempre teve aí contra o chamado sistema tradicional de indústria musical, né.

?Voz C

Exatamente, eles tiveram, foi um descomplicar.

?Voz A

Eu acho que isso aí também ajuda na história da banda assim, nessa, nessa seara da banda aí, ajuda a fortalecer isso, né? Ó, o disco que teve a treta, disse não sei o quê, daí os caras retomam e começam a lançar. Então acho que isso aí também ajudou a criar assim um pouco dessa casca duríssima aí do Black Flag.

?Voz C

É que nem eu comentei, né, cara, foi uma banda que não ganhou nada de dinheiro, aí teve essa treta com a Unicorn, né? Eles tiveram, cara, Van pegando fogo com equipamento. Aí a banda assina com a Unicorn pra poder distribuir o disco num valor mais acessível, né? E aí dá toda essa treta porque o CEO lá da MCA, né, falou que a banda era uma banda, enfim, tipo, com conteúdo impróprio, né, com letras antifamília. Essas paradas assim e decidiu que não ia lançar a banda, né?

E aí, cara, aí virou uma briga judicial. O Backflag conseguiu pegar as 25 mil cópias e distribuir por eles mesmos, né, a SST, sem o selo. Colocaram um adesivo assim, sem o selo da Unicorn e da MCA, né? E, cara, aí eles fizeram um show beneficente para conseguir custear toda a briga judicial, né, depois. Aí teve o show épico lá que eles fizeram em Santa Mônica, que eles reuniram todos os caras, os antigos vocalistas, né. E aí fizeram um show para 3 mil pessoas, conseguiram custear todo, todo o— tocou Misfits e Vandals nesse show.

Cara, foi irado assim. Aí conseguiram pegar os direitos de volta, a Unicorn declarou falência, daí eles entraram na justiça. Conseguiram nesse meio tempo, eles lançaram uma compilação, lançaram uma compilação com os outros EPs, umas faixas que eles tinham sem o nome Black Flag, era só uma tarja preta assim, né? E que é o Everything Went Black, uma compilação, cara, uma briga judicial foda assim. Os caras não ganharam dinheiro, não ganharam dinheiro, só perderam dinheiro nessa, nessa.

?Voz B

Eles demoraram para lançar, né, no fim, né, esse disco, né?

?Voz C

Demorou, cara, porque justamente por isso, né, cara, eles ficaram com as cópias lá. Os caras tinham 25 mil cópias, disseram que não iam lançar a banda. Aí ficou nessa briga, nesse impasse, né, com a Unicorn. E, cara, deu tudo errado, deu tudo errado. Aí eles, os caras foram até presos uma noite, né, porque não, enfim, porque não pagaram os custos lá do A multa que eles tinham que pagar para corte. Mó treta, velho, mó treta, mó treta.

?Voz A

Mas também vai cansando a galera, né, cara? Vai dando um— mas ao mesmo tempo aí, cara, tipo assim, vai dando um up na carreira, porque tipo assim, beleza, agora acabou com a Unicorn, agora a gente tem a SST, é o negócio é nosso, faz do jeito que a gente quer, foda-se o mundo. Isso também de certa forma fez mal para a banda, Porque em vez da banda continuar fazendo o que as bandas de hardcore normalmente fazem, cara, que é aprimorar o som hardcore, né, o Greg, ele, sei lá, cara, que ele parece que ele começa meio que ter uma coisa de loucura, sei lá o que se passou na cabeça dele, né, cara.

Ele quis Ele quis fazer umas coisas diferentes, né, cara? Trazer elementos diferentes, né?

?Voz C

Em vez de começar a experimentar demais, né?

?Voz A

É, ele acha que na palavra aqui que tá aqui no texto fala assim que ele poderia produzir agressividade através da lentidão. E esse disco que ele lança depois de 84, My War, que é o disco que é um disco bem controverso depois do Damage, que tem EP.

?Voz C

Eu adoro, eu adoro My War.

?Voz B

Eu gosto para caralho, velho.

?Voz A

O que que acontece, cara?

?Voz C

O My War e o Slipperinho eu adoro também. Adoro os dois.

?Voz A

Depois já começou a ficar muito, é, mas é que ele é muito diferente do primeiro, que daí a galera curte primeiro, que era, seria essa síntese do que é a banda. Mas eles começam a entrar nessa próximos coisa mais lenta, mas isso é um, depois a gente entende, né, cara, que é um disco que vai começar a ser associado aí com as coisas, por exemplo, que surgiram depois, por exemplo, com Sludge, como Doom, né, cara, nós, muito, muito, muito, muito, Post-Hardcore.

Então tipo assim Mas isso aí também começou a ser um negócio assim, tipo, putz, né, cara, começou a dar uma cansada na própria galera. E acho que também foi o começo, sei lá se eu posso falar isso, mas enfim, o começo do fim.

?Voz C

É uma banda que teve um, que teve uma trajetória, é uma trajetória muito curta, né, cara. Uma banda que, imagina, claro, teve os anos áureos deles ali de produção, né, de Os caras lançaram 3 discos em 1 ano, né? Loucura. E muita briga, né, cara? Muita briga na questão de— o próprio Henry Rollins falava que tá no Black Flag era como se eu tivesse num constante treinamento militar 24 horas por dia, entendeu? Porque, cara, era ensaiar o dia inteiro, entendeu?

Conduta sem errar. Entendeu? Com a banda e pouco dinheiro, morar numa van, entendeu? É só perrengue. A galera não aguentava, né, cara? Também não dá para condenar, né? O Rollins, que é um psicopata que sempre gostou disso, ele falou, cara, minha vida era uma van, era o que eu queria. Eu larguei meu emprego e joguei tudo para cima, fui morar numa van, me alimentando mal, entendeu? Apanhando da polícia, brigando na rua. Mas era aquilo que eu gostava, entendeu? Então, tipo assim, tem que gostar muito do que tu faz, né?

?Voz A

Pois é.

?Voz C

E a galera foi meio que, a galera foi literalmente despilhando, né? O Greg Green não era uma figura muito, muito fácil de agradar, de conviver assim também. Ele meio começou a virar o cara intelectual da banda e tal, meio ditador também, né? É, cara, entendeu? E aí depois o próprio, depois que saiu o Robo, né, Deu maior treta, porque a primeira turnê europeia deles, quando eles voltaram para os Estados Unidos, o Robo foi deportado.

Ele era colombiano, né, tava sem o visto. Os caras, meu, a migra, a migra veio e mandou ele embora para Colômbia. E aí entrou o Bill Stevenson, né, do Descendants, né, puta baterista. E aí os discos ali, eu acho que o My War ele ainda não grava, My War não é ele ainda, ou já seja, tá Talvez já seja ele, né? E aí, a partir ali do My War, é o Bill, né, cara? Baita baterista, muito foda. O Robo inventou uma, é um dos pioneiros da batida do hardcore, é o Robo, né, cara? Aquela coisa reta e rápida.

?Voz B

É que são discos diferentes, né, cara?

?Voz C

São, são. É tipo isso, é tipo isso. E aí, pô, o próprio Ron, né, cara, lá atrás, vocalista também, era porto-riquenho. Os caras moravam numa igreja abandonada, né, cara? Aquele Decline of Western Civilization, cara, puta documentário. Olha ali o início do Black Flag. Os caras moravam literalmente num armário, meu. O Lobo dormia num armário assim, aqueles armários de parede assim. O cara, a cama do cara era ali, entendeu? Os caras não, meu, ah, eu pago isso aqui, eu pago $5 por mês para morar aqui, cara.

É bizarro, entendeu? Os caras viviam nessas condições, né, meu? Os caras viviam nessas condições, entendeu? E é foda, cara, para tu ter uma banda, para tu querer viver disso. Tanto que, cara, que nem eu falei, os caras não fizeram muita grana, não teve grana envolvida, não teve briga de estrelismo para ver quem é que ia faturar mais, entendeu? Os caras só perderam dinheiro nessa daí, mas os caras plantaram uma semente que, cara, Até hoje a gente tá falando disso e outras gerações vão continuar falando, porque os caras fizeram uma parada que até então não existia e não vai mais existir também, né?

Porque hoje aquela coisa do era tudo mato, entendeu? Aquela época lá, meu, não tem. Os caras, os caras apanharam muito, sofreram muito, perderam tudo, gastaram tudo que não tinham por causa de uma, de uma ideia, de um ideal, né? Isso é muito, isso é muito foda. É o que a gente, eu particularmente, uma coisa que me mudou muito assim, né? Tipo, tenho literalmente na pele, né? Aí, ó, Black Flag, muito foda, muito foda. Obrigado, obrigado a todos os envolvidos.

?Voz B

O My War, acho que ele é, ele é um álbum além de experimental Acho que não sei se vocês falaram aí, mas eu acho que faltou a gente complementar o como o Greg gostava de Black Sabbath assim também, né, cara? Ah, é assim, influência do Black Sabbath foi até, acho que nesse livro aqui ele fala muito assim, né, cara? Bah, eu quero, eu quero levar o hardcore, entre aspas, ali para uma outra, para uma outra prateleira, né, para um outro lugar assim.

Por que que bandas como Black Sabbath conseguiram sucesso fazendo som arrastado? Eu também vou atrás disso, né? Umas paradas assim, sabe? Uma ideologia do cara estava mudando musicalmente falando. E, cara, sendo um cara muito difícil de lidar, né, meu, de querer mandar na banda, cara, muito difícil ter dois caras geniosos, né, cara? O que o Henry Rollins, ele no início ele entrou e era massacrado pelos outros assim, né? Tipo, era o piá de merda, podemos dizer assim, né?

Piá de apartamento. Mas depois ele começou a se impor, né, cara? Começou a criar carcaça. Então, né, tipo assim, já não era mais fácil entrar na mente dele. O próprio Dukovski é um cara que ajudou muito ele no crescimento pessoal, né, cara? E crescimento intelectual também, né, cara? Possibilitou a eles vários livros de leitura assim, né, cara? Fez o cara dar um up assim. Se bem que o Henry Holmes também era um cara, sempre foi um cara de ler muito assim, né?

Mas eu digo, dá um direcionamento, um outro direcionamento de vida que ele não tinha vindo de casa, ou o background dele era diferente, entendeu? E o Dukovski é um cara que deu uma educação mais rua assim, mais street para ele, né, cara?

?Voz C

E o Greg era o cara mais, já era o cara mais velho, ele era o cara mais velho da banda. Então ele meio que tentava punho de ferro ali, né, dar um rumo para os caras e tal. Depois ele Depois descambou ali, né, que nem tu falou, né. Tanto que depois ele demitiu o Dukhovsky da banda. Muito louco, né. Ele demitiu o Dukhovsky da banda. O Dukhovsky seguiu na SST, né. Eles eram sócios da SST e tal, mas o Dukhovsky já não fazia mais parte da banda, né.

E louco, é uma doideira, né, cara. É uma loucura assim. E E é que nem tu falou, né? Esse, o My War, o Slippery, esses álbuns ali, esses álbuns, essa trilogia de 83, cara, aquilo ali é tudo que veio fazer depois Sonic Youth, o Dinosaur Jr., tá ali, velho, começa ali, entendeu? Começa tudo ali, esses indiezão mais arrastado dos anos 90. Vem tudo do Black Flag, velho. O próprio Nirvana, né? O Kurt amava o Black Flag, né, cara? Amava o Black Flag.

?Voz A

É verdade.

?Voz B

O próprio In My Head também, né?

?Voz C

Que é muito bom. É bom, é muito bom também. É muito bom, é muito sludge. É uns sons arrastados, lamacento. Parece que os caras estão tocando num banheiro mofado assim, sabe? Que massa! É banheiro de lajota, tudo mofado assim.

?Voz A

Preto assim. Agora o, agora o Charles vai ser o Marcelo, vai se apropriar disso aí. Banheiro mofado. Quando ele for se referir no grupo lá, tipo assim, para quem gosta do som de banheiro mofado, é esse aí, ó.

?Voz C

Som de banheiro mofado, é isso aí, cara. Eu adoro, consegue sentir o cheiro do mofo, velho. Eu adoro, adoro também.

?Voz A

Que legal, cara.

?Voz B

É, e na real é isso, cara. Só para a gente dar uma— acho que já passamos aí de uma hora, né? Mas vamos para a gente dar uma alinhada para o final. Acho que a grande amarração do Damage é essa, né, cara? A grande pira do Damage é ser o— não é personificação, é a personificação do hardcore, né?

?Voz C

É a pedra angular ali do hardcore nos Estados Unidos. Aí já tava, depois já veio, já tava rolando os Discharge já no Reino Unido, né, os GBH, né.

?Voz B

Apesar de ser punk, tinha muito também do hardcore, né, cara. É uma banda mais antiga que eles, né.

?Voz C

Exatamente, o Bad Brains já era mais, o próprio Social Distortion lá bem no início era totalmente diferente, já era um, já era um proto-hardcore assim, né. Também tinha, tinha o Bad Brains, tinha Social Distortion, né, já fazendo esse tipo de som ali, né, são os pioneiros. E aí, cara, a virada do 79 para 80, o black flag tomou conta, né, cara? Tomou, cara, os caras tomaram conta assim. E aí depois, imagina, do hardcore, os caras trilharam toda uma base, construíram todo um alicerce já para essa cena indie e grunge dos anos 90, né, cara?

?Voz B

Muito foda isso, muito foda, muito foda, muito foda. É, cara, e aí tu, puta, é muito legal, né, cara? Porque tu pega SST, agora tô aqui olhando o sumário do livro, né? E o Minuteman também é uma outra banda que nós vamos falar aí no próximo capítulo, que é muito pirada também assim, né, musicalmente falando, né, cara? Os caras, cara, eu confesso que eu nunca vi uma habilidade tão grande numa banda de de hardcore punk assim, habilidade instrumental assim dos caras, tá ligado?

É foda, os caras em 40 segundos eles botavam todo conhecimento musical deles numa música.

?Voz C

É bizarro, cara, aquilo ali explode. O Minuteman explode a cabeça de qualquer pessoa, cara.

?Voz B

Não é fácil assim, meu. Se tu quer um som fácil, não escute Minuteman, não vai rolar. Mas os cara faz umas paradas muito louca, né, velho? O Minuteman Tanto é que, cara, eu acho que eles serviram de base. Eu até tava tentando lembrar o nome de uma banda, cara, Captain Jazz, uma coisa assim. Não tem uma assim?

?Voz C

Tem o Captain Jazz, é anos 90 ali, né?

?Voz B

É uma banda que mistura.

?Voz C

O Captain Jazz é uma mistura de Minuteman com Fugazi, com Embrace, com Rites of Spring.

?Voz B

Na fonte, tu ouve eles, parece que bebeu na fonte do Minuteman, porque era muito louco, cara. É muito louco assim musicalmente, né? Assim A qualidade instrumental dos caras, né? Pô, cara, os cara fazia um slap no hardcore, entendeu? É muito foda, uns baixos muito fodido assim no hardcore. Em 40 segundos acabou a música.

?Voz C

É muito foda, muito foda. Isso aí já é o Cap'n Jazz, é total 90 assim, né? É uma banda que, é uma banda que foi um dos pilares do emo ali. Os irmãos Kinsella, tem o Tim Kinsella, é do Cap'n Jazz, né? E o Mike Kinsella é do American Football, né, cara? Imagina, isso explica muita coisa. Os caras beberam muito nessa vertente aí, né?

?Voz B

Muito louco. E o Minuteman veio também a ser uma banda do selo do SST, né?

?Voz C

A primeira banda, a primeira banda a assinar com SST foi o Minuteman. Depois teve eles fizeram Descendants. Aí, que nem o Brody falou ali, Sonic Youth, Guns N' Roses Jr., Husker Doo, essas bandas todas, né, cara? O próprio, se eu não me engano, até o próprio Mudhoney. Eu não tenho certeza, eu não tenho certeza, mas isso diz muita coisa ali, né? Então, cara, Sub Pop e o SST tem uma base fundamental aí, né, cara, nessa música aí dos anos 90. Total, total, muito foda.

?Voz B

Eu acho que é isso, gurizada.

?Voz C

É isso aí, cara.

?Voz B

Coisa que a gente não falou, a gente pulou alguns discos ali, mas eu acho que a essência da banda tá nesses dois primeiros, né?

?Voz C

Apesar de os dois primeiros EPs ali, os dois primeiros EPs hardcorezão, a pedra angular do hardcore, uma das pedras angulares do hardcore já nos anos 80, é o Damage. E aí depois a base toda para esse rock alternativo dos anos 90, com muita influência do hardcore, é o My War e o Slipknot, definitivamente, cara. Ouço a discografia do Black Flag toda, toda não, rápido, né? Não, é 88, 85, é 88, 85, é isso.

?Voz B

Se bem que tem o Nervous Breakdown que é muito bom, né, cara, com o Keith Morris.

?Voz C

Cara, o Jell-O's, o Nervous Breakdown e o Jell-O's Again são muito foda. O primeiro é com Keith ainda, né? É o único registro que eles têm com Keith. Aí o Jell-O's é com o Ron, Ron Reyes, né? Tem o Six Pack ainda, eu esqueci. Tem o Six Pack no meio. O Six Pack é um pouquinho— é o Discadena. É o Discadena.

?Voz B

Não é o Henry?

?Voz A

Não.

?Voz C

Aí então o Discadena, aí depois o cara, o Henry, ele já chega no fogo, né? Ele já vai, ele já grava o Damage.

?Voz B

É de 81, mesmo ano do Damage.

?Voz C

É do mesmo ano, só que o Diz ele fica pouco tempo, né? Ele fica alguns meses, aí ele passa para guitarra. O Diz Cadina passa para guitarra. E aí aquela história que eu contei, que eles ligam para o Henry Rollins lá na sorveteria, e aí a banda joga tudo para cima. Ele falou, cara, quando eu recebi essa ligação, quando eu Quando eu vi o meu avental sujo de chocolate, eu com as mãos sujas de chocolate, de sorvete, aquele cheiro de açúcar o dia inteiro, eu pensei, o que mais pode me acontecer de pior?

Eu posso perder $20 do meu dia e é isso, entendeu? Volto pro meu emprego, se tudo der errado eu volto pra esse emprego de bosta aqui que eu tenho, mas pode dar muito certo. E deu, né?

?Voz B

É o mais legal que o Ian McKay é que meteu pilha, né?

?Voz C

Meteu pilha, melhor amigo que amigo, né?

?Voz B

O cara avisou, meu, os cara me chamaram para ir lá fazer um teste, o que que tu acha?

?Voz C

Ian McKay só olhou para ele, vai, vai, meu pô, vai, é isso que eu tô fazendo aqui, vai, vai só. É isso aí, cara. Ian McKay e Henry Rollins é meu, são os meus John Lennon e Paul McCartney para mim, né? Pode crer, é isso aí.

?Voz B

Obrigado pelo episódio, vamos lá, mês que vem temos Minuteman. Então já avisando, né, galera, são quantas, cara? Nós vamos ficar um ano e tanto fazendo, cara.

?Voz C

Eu tô, cara, 3 meses, Fugazi, só isso, cara. O Fugazi tá no áudio, eu vou contar os dias, né, ou os meses. Ah, vai ser ele, eu vou chorar aqui. O Dino e o Fugaz, eu vou chorar nesse episódio, nesses episódios.

?Voz B

Não, mas, ô cara, tem várias coisas. Como eu, Mission of Burma, velho, a banda mais rápida do, mais rápido no sentido de um disco.

?Voz A

Aonde que você ouve? Em qual, ó, eu vou falar a palavra que eu agora adotei para mim, né, cara? Talento. Igual, em qual agregador de streaming preferido você ouve o pessoal do podcast falar seu Black Flag? Não tem, cara, só aqui no Redação desconecta.

?Voz C

Procura, procura aí na internet. É tudo, é tudo coisa gringa, é tudo documentário gringo, um conteúdo, gente bonita. E assim, só no redação eu tendo que ferrar meu inglês, eu tendo que ferrar meu inglês aqui para ver os documentários tudo em inglês sem tradução.

?Voz A

Eu também manjo de inglês, mas no português eu arraso.

?Voz C

Ele sempre fala isso, né? Ele é o tiozão do pavê, né?

?Voz A

Espanhol, meu espanhol se foda.

?Voz B

Tá cada vez melhor.

?Voz C

Ele é o tiozão do pavê. Tá, tá na hora já, tá na hora do bro de dormir.

?Voz B

Ele tá dormindo já em pé, né?

?Voz C

Tomar o chá de carqueja dele e comer uma paçoca antes de dormir e tomar os remédios para artrite, né?

?Voz A

Artrose eu tenho aqui no dedo, ele não viu, mas eu vi.

?Voz C

Que bárbaridade!

?Voz B

Fechamos então. Ó, o programa desconecta toda terça-feira às 8 horas da manhã no YouTube, ou então, como diz o Brody, no seu agregador de áudio favorito, né? Agregador, isso aí é muito velho, né, cara? O cara que falava agregador, né? Só falta ele me dizer que era sindicalizado o podcast através dos agregadores de áudio.

?Voz A

Eu tô vendo para fazer isso aí, cara, fica tranquilo.

?Voz C

Que barbaridade!

?Voz B

Afonso, valeu por mais uma noite. Brody, tamo junto, brigadão, tamo junto. Mês que vem nós estamos de volta falando sobre Minuto, man.

?Voz C

Valeu, valeu, valeu!

A história do BLACK FLAG | Redação DISCONECTA #126 | Castnews Index — Castnews Index