Episódios de Redação DISCONECTA

25 anos de IS THIS IT do THE STROKES | RD #125

18 de agosto de 20261h11min
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Nesse eísódio do Redação DISCONECTA falamos sobre os 25 anos de IS THIS IT do THE STROKES, o álbum que salvou o rock.

Participantes neste episódio2
L

Luis Fernando Brod

HostCorretor
M

Marco Leis

Convidado
Assuntos8
  • 25 anos de Is This It· CulturaThe Strokes·Is This It·Rock alternativo·Nova York
  • Rock em 2001· CulturaGrunge·Nu metal·Cena musical
  • Impacto The Strokes Rock· CulturaRevival do rock de guitarra·Franz Ferdinand·Interpol·Arctic Monkeys
  • Influencia e Sonoridade The Strokes· CulturaVelvet Underground·Ramones·MTV·Proto-punk
  • Lançamento e Controvérsias de Álbum· Cultura11 de Setembro·New York City Cops·Censura
  • Gosto Musical e Polêmicas Online· CulturaOpinião pessoal·Críticas online·Autotune
  • Produção e Estética do Álbum· CulturaGravação lo-fi·Simplicidade sonora·Minimalismo
  • Internet e Música· CulturaMP3·iPod·Streaming
Transcrição201 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz 1

Ah, abre, aparece o Régis Tadeu falando mal de um álbum que eu adoro. Porra, meu, entendeu? Dane-se o Régis Tadeu, sabe?

MLMarco Leis

Você está ouvindo Redação Desconecta.

?Voz C

Fala aí, Desconecta, tudo numa boa? Tá começando mais um Redação Desconecta, o seu podcast semanal. Que vai ao ar todas as terças-feiras aí no seu canal do YouTube. Cara, siga a gente no YouTube ou então pelo seu agregador de streaming. Cara, eu adorei essa palavra, agregador de streaming favorito. Você vai lá, escolhe, é muito high-tech, né, cara? Só vai lá, escolhe, tá fazendo uma caminhada, tá fazendo seu café, tá trabalhando, tá no trânsito, coloca lá para ouvir a gente.

E a gente toda semana faz um bate-papo aí sobre um disco importante para música brasileira, né, cara? E hoje, cara, eles já foram considerados aí salvadores do rock and roll. Será a maior banda desde o rock, desde os Rolling Stones? Ou então a segunda vinda do Velvet Underground? Isso é e não é. Ou será que não é? Ou será que é? Bom, isso a gente vai discutir agora, né? Em 2001, cara, é a gente tava num momento em que o rock alternativo tava passando por um momento transitório, né?

Então a gente vinha daí de uma, de um ano que teve um movimento grunge, que a gente sempre fala aqui, né, Afonso? Movimento grunge. E aí na sequência veio um monte de coisa esquisita aí pela frente. E em 2001 surgem esses garotos aí que então, como eu falei, será que são considerados os salvadores do rock and roll? Hoje a gente vai falar sobre ouvir o disco de 2001 do The Strokes, o Is This It. E para abrilhantar essa mesa, não é nem redonda, né, cara, é mais ou menos fica no triângulo invertido aí, né, cara, funil de vendas, pirâmide de Maslow que ao contrário, sei lá.

E nós estamos aqui com o Marco Leis do My Life on Wax. Cara, se você ainda não sacou qual que é, cara, entra no Instagram aí E segue o Marco, o My Life on Wax, que é bem legal o Instagram dele, cara. São vários, vários vídeos aí durante a semana falando sobre um álbum específico, e aí é bem intuitivo, vídeos curtos, mas bem legal de ver, cara. Marco, cara, que legal poder contar contigo hoje. Inclusive, meu, a ideia desse podcast partiu dele.

Quero parabenizá-lo por isso, porque a gente tava esquecendo do Easy Zit aqui, meu. Show de bola, meu amigo!

MLMarco Leis

É um prazer estar aqui, é um prazer falar de música, é uma coisa que eu gosto bastante, sempre me identifiquei a vida inteira. Sou um cara muito eclético, gosto de coisa bem— consigo usar, escutar músicas extremamente diferentes no mesmo dia. E fico muito feliz de ser convidado para participar aqui e falar desse álbum, que realmente é um álbum muito interessante de ser falado pelo contexto que ele abrange, tudo que ele proporcionou após o seu lançamento em 2001.

?Voz C

Show de bola! E junto comigo aqui já nosso sócio, né, Afonso Scheller. 13 horas para frente aí é o Afonso Scheller do futuro, de volta novamente.

?Voz 1

É prazer, prazer mais uma vez aí, tá? Sempre que dessa vez eu me convidei, né? É verdade, se escalou, se escalou. Eu me escalei, removi o Marcelo da live, né? Tomei o lugar, né? Eu mandei o memorando interno, segunda-feira você tá de folga, ele forma quase autoritária, né?

MLMarco Leis

É verdade.

?Voz 1

Prazerzão tá mais uma vez, tá? Primeira vez aí com o Marco falando desse álbum, que é um álbum que, cara, foi eu, como eu sempre falo aqui, eu fui um, eu não fui um adolescente, né, nos anos 90, eu fui um, eu era uma criança nos anos 90. E esse álbum ali, esse álbum do Strokes, cara, marcou muito para mim porque eu já tava conhecendo muita coisa do punk ali e tal. E esse rock alternativo, esse rock indie pegou muito para mim na época do colégio e tudo mais.

E pô, eu sou— a MTV me moldou muito ali, né? A MTV do Brasil, que era totalmente diferente da porcaria que era MTV nos Estados Unidos. A MTV aqui do Brasil, aqui do Brasil, do Brasil, era absurdo assim, né, cara? Com qualidade, coisas diferentes e tal. E o indie rock sempre teve presente na MTV, e a virada dos 2000 ali foi incrível, né, cara? Quantidade de bandas boas que teve. E esse álbum foi sem dúvida nenhuma um marco, com perdão do trocadilho aí com o Marco, nosso convidado.

E foi um marco, né, cara? Foi um marco, cara, para o rock. Eu sempre fujo desses rótulos de a salvação. E eu não acredito num salvador, né? Então eu acho que foi importante para o movimento, sim. Tinha muitas bandas que faziam parte desse movimento ali, principalmente Nova York ali, né? Mas o Strokes, com muito trabalho, com muito talento, com muito dinheiro envolvido, conseguiu aí tomar a frente desse movimento. E foi um álbum incrível, cara. Eu gosto muito.

?Voz C

Bem, onde você tava em 2001, cara?

MLMarco Leis

Eu lembro, eu lembro desse, de saber desse álbum aí pela— eu lia bastante resenhas assim da Rolling Stone. Eu não lembro se em 2001 ainda tinha Biz. Eu sempre comprei Biz também, era Showbiz nessa época, Showbiz, né? E eu lembro que também eu Eu lia sempre a Veja, e a Veja, revista Veja, nas últimas páginas tinha sempre uma indicação, um lançamento. E eu acredito, não me falhe a memória, eu acho que foi na Veja que eu fiquei sabendo.

E naquela época, em 2001, eu já tava numa vibe assim que já tinha meio, eu tinha comprado uns CDs, mas eu já não tava comprando mais tanto porque tava entrando a DSL, né? Lembra da ADSL, internet que já não era mais discada, era com banda larga? E aí então tu tinha possibilidade de baixar, já não tinha mais o Napster, era outras plataformas. E eu lembro que eu baixei esse álbum aí na íntegra, e eu tinha lido bastante também sobre, sobre aquela cena de Nova York nos anos 70 naquele livro, acho que foi no mesmo ano até, só que como foi em agosto, eu devo ter baixado esse álbum aí já no início ali que ele foi lançado.

E naquele ano eu tinha comprado, no início do ano, o livro Kill Me Please, que é o Mate-me, Por Favor. E eu tinha lido ele assim, eu acho que já umas duas vezes, porque aquele livro lá é incrível. Ele me trouxe muita informação que a gente não recebia, a gente tinha dificuldade em ter essas informações assim de bandas e de como é que era o contexto. E aí aquilo, uma coisa linkou com a outra assim. Esse álbum, ele mexeu muito comigo porque óbvio que tu é baseado pelo que tu lê dos releases, das resenhas, né?

Mas analisando o que esse álbum, eu acho que realmente eles não foram salvadores, eu acho que eles não Eles não inventaram o rock, né? Eles não reinventaram. Eu acho que eles olharam para trás assim e meio que reorganizaram algumas coisas assim para soar meio que novo em 2001, fazer uma coisa que se fazia lá em 1975.

?Voz C

É isso aí, cara.

?Voz 1

O próprio Júnior Casablancas, ele fala que ele queria ser uma Uma banda do passado que viajou no tempo para o futuro. Isso aí, eles foram muito precisos e certeiros nisso aí, né, Marco?

MLMarco Leis

É, e eu acho que eles, eu vou te dizer assim, ó, não foi algo aleatório, não foi algo não pensado, foi pensado. Eu acho que foi estruturado, foi estruturado, porque eu acho que eles viram que lá em 2001, naquela época que nós estávamos vivendo, o mundo ali, ele, todo mundo queria ser grande, todo mundo queria ser gigante. Aquelas bandas, né, não tinha mais, era aquela coisa, não tinha, não tinha nem tanto. Pode ver que naquela época ali não tinha aquela coisa da guitarra, do negócio, era uma banda que era um, eram umas coisas, tipo, eu gosto dessas bandas, eu gosto de Linkin Park, eu gosto de todas essas bandas aí, mas esses caras aí, que é o nu metal, que chamam, né, Então esses caras, eles queriam ser muito grandes assim.

Eu acho que o Strokes fez uma coisa assim que fez ao contrário, eles soaram pequenos, né? Eles soaram pequenos, mas eles se transformaram numa coisa gigante. Eu acho que foi basicamente isso daí.

?Voz C

E cara, linkando com isso daí, com que eu falei no começo, né? Então, pô, a gente saiu do grunge, a gente entrou no new metal, ficou bastante tempo aí até 2000 e Tudo por aí vai. Mas nesse meio tempo aí já tinha, já começaram a surgir esse movimento que é o rock mais alternativo, né, rock mais do underground, do underground mesmo, né. E tinha um movimento aí, tinha um movimento, né, que os Trocos também se incluía, foi, se inclui, enfim.

E mas eu vejo assim que bandas, por exemplo, como White Stripes, começaram a fazer uma coisa diferente, né, trazer uma sonoridade um pouco diferente.

MLMarco Leis

Mas já veio depois deles.

?Voz C

Sim, pois é, junto com eles. Enfim, não pode falar, desculpa.

?Voz 1

Não, eu vou depois do Marco.

MLMarco Leis

Pode falar, Marco. Eu acho assim que, eu acho que a gente pode entrar nesse contexto das bandas que vieram depois e também pensar numa situação que eu acho que não é uma questão de influência, eu acho uma questão de visão de mercado também. É uma visão de mercado. Mas assim, ó, eu acho que eles trouxeram uma sonoridade que para aquela época não era uma vertente, não era uma— por mais que tu pegue ali o que vinha vindo do underground dos anos 90, que aí a gente vai para aquela linha que depois amadureceu e se tornou o punk pop ou pop punk, como tu quiser falar, né?

Mas também a gente não pode esquecer daquela cena que tinha em Manchester, né, que Oasis e aquelas bandas, o Britpop, que também, também já tava meio que naquela época ali em 2001 já desgastado e perdendo força. E o que tava realmente bombando, e principalmente nos Estados Unidos, né, de acordo com o que eu li e com o que as diferentes, os diferentes releases de países, de regiões falavam, Os Estados Unidos tava meio acomodado com essas bandas aí gigantes mainstream.

Já a Inglaterra, o Reino Unido, eles não queriam muito isso daí. Eles queriam meio que um resgate. Eles estavam meio que esperando uma banda que trouxesse essa reestruturação aí. E também a gente tem que pensar que, como eu falei ali, esse álbum A banda em si, esse álbum, ele não foi uma coisa não pensada, ele foi de certa forma planejado. E aí a gente volta lá para janeiro de 2001, que a gente tem o EP que eles lançaram, né, no Japão.

E é a partir do EP que se cria toda a, como é que eu vou dizer para vocês, que se cria toda a expectativa, o que que vai vir. A gente então já gerou uma expectativa gigantesca neles, né. Em relação ao EP, e principalmente o lado de lá do Atlântico, a Inglaterra ali, o Reino Unido, que tava querendo essa coisa nova. Então ali saiu aquele EP deles e isso realmente trouxe eles. Exato.

?Voz 1

Tanto que eles foram assinar com uma gravadora inglesa, né?

MLMarco Leis

Exato, porque foi uma disputa para ver quem que ficava com eles, porque eles lançaram o EP com as 3 músicas lá, é The Modern Age, Last Night e Burn Illegal. Exatamente. Então foi, foi, então tipo foi um hype maior, o hype maior desse disco aí, a espera dele, a expectativa dele não tava nos Estados Unidos, tava na Europa.

?Voz 1

Perfeito, é isso aí. É, o rock inglês ele tem esse Sempre essa cara de conseguir dialogar com as massas, né, cara, com a classe trabalhadora. Eles não são muito, eles não são muito de superprodução, eles gostam da coisa mais crua, né, cara. A gente pega lá atrás desde o rock dos anos 60, aí depois o punk e o Britpop. E quando o Britpop já começou a ficar muito enfeitadinho, já começou a perder a graça para os caras também. E aí, pô, e aí veio uma banda de Nova York né, lá de Manhattan, os caras fazendo um som totalmente, né, esteticamente às vezes parecia com Ramones, é uma coisa muito louca deles também.

MLMarco Leis

O próprio clipe da música, o próprio clipe da música Last Night, tu olhava os caras, os caras pareciam que tinham vindo de 1977, 1976, os cara completamente cabelo desgrenhado, né.

?Voz 1

Por isso que eu falo, conversa muito com o tempo, né, cara. Então o jovem que se identificou com aquilo, porra, tinha muita gente deslocada na época com o nu metal porque já não fazia muito sentido o bermudão e tal, aquela coisa meio do rap, né. E aí, pô, veio os caras, né, com estilo mais, com estilo mais punk, mais punk rock, né, mais mais 60, porra, a galera pirou. Eu fui um, né, cara? Eu já ali, para mim, pô, já fui para o lado das coisas.

MLMarco Leis

É, meu All Star, por isso que relacionaram eles muito com o Television. Mas apesar deles mesmos falarem que a fonte deles maior era o Velvet Underground, e aí se tu pegar, se tu pegar o vocal do Julian, ele é muito parecido assim na questão do, de ser despretensioso, né, de ser uma coisa meio desligada assim, parecida com o Lou Reed, né, do Velvet. Então tem todo esse contexto aí. Então ele, ele resgataram aquela cena que já vinha do proto-punk, né, final dos 60, com Velvet Underground e Nico lá.

E com aí entrou o CBGBs ali, aquela parte do da Bauer, devido a Ramones, Talking Heads, Television. Então ficou muito associado a isso, no Blondie. Exatamente. Total.

?Voz C

O que eu queria falar aqui sobre isso ali, sobre a galera, tava, você falou, tá todo mundo curtindo, mas tava saturado desse som apoteótico assim, né, tipo de grande arena com muita parte eletrônica. E os Strokes, quando chegaram, cara, eles fizeram um processo inverso e simplificaram o negócio.

MLMarco Leis

Exato, então as baterias, as baterias muito enfeitadas, as produções, tudo, tudo era exagerado nesse contexto.

?Voz C

Não que aqui nesse disco não tenha um certo tipo de produção, porque sim, tem. Isso é um assunto até que a gente for discutir assim vai entrar numa celeuma, mas enfim, né, cara. Mas tem produção, já tem um certo uso de autotune aqui em algumas faces, consegue ouvir bem moderado, mas tem. Mas enfim, é esse, esse, essa simplicidade, né, cara? Baixo, guitarra e bateria, e tocando tudo junto, né?

MLMarco Leis

Isso, entendeu? Tudo junto.

?Voz 1

E é um som gravado, muita coisa num take só, né?

MLMarco Leis

Exato, gravavam vários takes, né? Aí selecionavam, não tinha muita separação. E eu li que eram 8 microfones, cara, que eles tinham. Então eles espalhavam esses 8 microfones aí Não tinha muito recurso assim.

?Voz 1

A própria batera ali, né, cara, era um no bumbo, um ambiente em cima e um mais no canto ali. Era isso, é isso aí, é isso aí, capta tudo e vai embora.

MLMarco Leis

E eles, duas guitarras, né, duas guitarras.

?Voz C

Como você fala, né, na Inglaterra, na Inglaterra tinha uma banda chamada Starsailor, né, que era um quarteto lá de uma cidadezinha também, que era para ser o salvador do momento ali deles lá do Reino Unido ali, que acabou não dando, não pegando muito, foi, não vingou, né? E aí quando chega o Strokes, por isso que quando chega o Strokes, então os críticos de rock eles falam salvadores do rock, aqueles tinham meio que uma pompa, entendeu?

MLMarco Leis

É, meu, isso aí, eles tinham meio que uma pompa, né? Eles assim, pô, New York, né?

?Voz 1

O pai do cara tinha descoberto a Gisele Bündchen.

MLMarco Leis

É, o pai do cara, dono da agência de modelo Ford, né?

?Voz 1

Então, tipo, é a elite, a elite, elite.

?Voz C

Então os caras tinham essa, essa, essa facilidade, né, cara? Por ter crescido lá no bolo, né?

MLMarco Leis

De novo eu friso, não foi despretensioso, não foi por acaso.

?Voz 1

Não, não foi de forma alguma, cara.

MLMarco Leis

Foi conversado, foi muito conversado. Eu li que o Casablancas conversava muito com o produtor para saber o que poderiam fazer para soar diferente de tudo que tava rolando naquela época. Então foi isso, eles resgataram, eles de novo, eles reestruturaram um som e uma estética. E aí se a gente for depois num faixa a faixa, a gente vai ver nitidamente Que também cada faixa não tem, não tá ali por acaso assim, né? Tudo foi pensado, é uma coisa muito bem pensada, não é uma banda amadora que surgiu do nada assim, não é, não é.

?Voz 1

Tanto que eles, tanto que eles, eles quase, o disco quase foi produzido pelo cara que, pô, o cara produziu Pixies, produziu o Foo Fighters, aquele, acho que foi o primeiro ou segundo do Foo Fighters e tal. E o Júnior, ele é o grande pensador, idealizador criativo da banda e tal. E ele, cara, toda a estética, toda a sonoridade da banda foi totalmente bem pensada, né, com as referências. Ele fazia os caras estudarem tipo Television, o Velvet Underground.

Ele fazia os caras, tinha que ser aquilo ali, entendeu? A estética da banda de se vestir, tudo foi pensado pelo, pelo Júlio, né? E aí, cara, ele, quando, quando eles fizeram as primeiras gravações ali e tal, viram que o som tava muito limpo, eles voltaram com o primeiro cara que tava começando a trabalhar com eles no estudiozinho lá. Studiozinho era um baita de um estúdio lá, né? Um monte de banda foda. É, o cara, não vou lembrar agora.

Era, eu sei que era um prédio, era um prédio com meio que um porão assim. É, é, mas aonde eles ensaiavam, né, cara? Acho que era um baita de um prédio com um monte de salas e tal. Eles gravaram Engels lá depois, né? 2001, 2011, eu acho. E mas a sonoridade não era aquela que eles queriam. Eles queriam uma coisa mais crua, eles queriam uma coisa mais bem mais simples, bem mais lo-fi, né? E aí eles voltaram, não fecharam com esse produtor foda assim.

E aí tanto o Gordon Rafael, esse que é o produtor, se tu olhar nos trampos deles assim, dele nem tem tanta coisa antes daquilo, não tem nada conhecido, né? Eles realmente apostaram no cara pela estética, né, cara? Porque eles eram o que eles queriam mesmo.

MLMarco Leis

Não, não, não Não foi de forma alguma, né, como até tu falou ali, acho que no início, não foi falta de dinheiro, era uma escolha estratégica mesmo, de forma alguma.

?Voz 1

E uma coisa, não tem problema nenhum na banda ter, dos caras terem grana, né, terem grana, né. Os caras tiveram super, super talentosos, entendeu? Eles souberam fazer todas as oportunidades que eles tinham, eles tiveram, eles souberam aproveitar.

MLMarco Leis

Entendeu? Eles quiseram fazer uma arte diferente do que tava sendo feita na época.

?Voz 1

Exatamente, eles foram super competentes no que estavam propostos a fazer, né?

MLMarco Leis

É um som mais seco, um som comprimido, é um som, enfim, ele é orgânico, ele é castratório, ele é um som diferente.

?Voz C

Sim, mais ou menos aí o que o Buscox fazia, né? Wire também acho que tinha uma produção meio, muito, muito parecida nessa época aí. Eu acho que é mais ou menos esse o caminho demais, cara.

MLMarco Leis

Foda demais, mas eu acho que esses caras aí, como Musk, eles não eram despreten— eles eram despretensiosos.

?Voz 1

Sim, é, sim, total.

MLMarco Leis

Não era uma coisa meticulosa assim, uma coisa, né? Porque aí também a gente tá falando anos 70 com 2001, já são 30 anos, né? Então, tipo, E a tecnologia já tava ali, a informação já tava ali, a internet já tava bombando. Enfim, são outros tempos, né?

?Voz 1

70, aí os caras se viravam com o que tinha.

MLMarco Leis

Os caras faziam sem saber o que que estavam fazendo, cara. É isso aqui, vamos fazer.

?Voz 1

É, e o advento da internet, o advento da internet favoreceu demais assim. Eles souberam, eles souberam usar demais assim também, né? Tanto que os primeiros os primeiros singles deles ali, é tipo, tinha revista que disponibilizava de graça os downloads, né, cara, para impulsionar o trampo da banda e tal. E aí, pô, primeiro EP, aí depois ainda tem, eles têm um segundo EP ainda, né, e foi janeiro, acho que era janeiro, junho, o primeiro foi janeiro, o segundo acho que foi junho.

Né? Aí já tinha, eu acho que daí o segundo já tinha aquela Hard to Explain, né? O segundo foi Hard to Explain, que é a última, que é o último single antes. E a última faixa do álbum, eu acho que não, eu acho que não é, eu acho que não.

MLMarco Leis

Eu não lembro qual é a última, eu escutei ainda hoje, mas realmente eu não lembro.

?Voz 1

Não, não é a última.

?Voz C

Do Is This It?

?Voz 1

Disso, mas eu tenho certeza que não é a última.

?Voz C

Do Is This It? É Take It or Leave It, não é?

?Voz 1

Take It or Leave It. Take It or Leave It.

?Voz C

Mas ainda mais, também é a oitava parte.

?Voz 1

Isso é, ela tá bem ali no meio para o fim. Mas então já teve o segundo lançamento, né? E aí, pô, aí depois teve todo aquele, aquele, aquela confusão da, dos lançamentos, né, cara, de de logo, logo depois já virou 11 de setembro.

?Voz C

E aí o lançamento, isso também, é, aí tem que mudar, tirar foto da capa, teve todo mundo naquela época.

MLMarco Leis

Em 2001, eu lembro, nós estávamos falando ali antes, né, da compra dos discos de vinil. Naquela época, em 2001, aqui no Brasil todo mundo se desfazia de disco de vinil, né? Sim, mas esse disco, esse disco, ele foi lançado oficialmente no dia 11 de setembro em vinil. E essa edição deve ser raríssima e deve ser bem cara, porque nessa, nessa tem o New York City Cops. É verdade, nesse lançamento de 11 de setembro. Mas aí que aconteceu, teve o atentado.

E aí é um fato raro na história da música, mas a o acontecimento histórico mudou o lançamento e o formato, a capa e o formato do álbum para ser relançado, porque o CD não ia ser lançado no dia 11 de setembro, só o vinil. Então o vinil foi lançado, aí teve o acidente, teve o atentado. Com o atentado cancelaram as vendas, recolheram o que tinha na rua ainda Quem comprou, comprou. E aí depois eles, era para ser no final de setembro e foi para outubro.

E aí lançaram o CD. Não lembro se lançaram o CD já direto com a capa com a nádega lá e com a luva, que foi proibida lá. A gravadora acabou achando melhor trocar, né? E aí trocaram por outra capa. Eu tenho inclusive os dois, os CDs com as duas capas e tem o vinil também com as duas capas. Eu prefiro a original, óbvio.

?Voz 1

Total, com certeza.

?Voz C

A primeira, né, que é aquela capa, com certeza.

?Voz 1

É icônica, velho.

?Voz C

Eu conheci através disso aí. Eu consegui pegar, não é que eu não comprei nem nada, né, mas quando eu vi a primeira vez a edição física, eu vi com essa capa aí, ó.

MLMarco Leis

O pessoal foi lançado lançada com essa capa aí, o CD com essa capa aí.

?Voz C

Então eu lembro disso aí quando foi lançado, né? Bem, lembro bem disso aí. Mas até isso, né, por exemplo, esse detalhe que ninguém previa, enfim, do atentado do 11 de setembro, acabou até isso acaba influenciando na banda, né, de uma certa maneira assim. Porque tipo, poxa, qual é a música que tirar, não sei o quê, não sei o quê, entende? Isso aí acaba de uma maneira meio que involuntária também influenciando nessa nesse hype da banda toda aí nesse momento, né?

Eu acho que não foi negativo, sei lá se tem alguma negatividade aí, mas eu acho que tipo por ter cancelado essa música a galera fica na expectativa de, poxa, mas por que cancelaram? Vamos atrás disso aí, né? Pesquisar e tudo mais.

MLMarco Leis

Eu acho que na época eu acho que foi bem ruim para venda, para divulgação, para muita coisa, né? Aqueles, aqueles, aquelas semanas posteriores ao atentado. Não sei como seria, se mudaria se não tivesse o atentado, entendeu? Não sei como que seria visto hoje, como, mas enfim, que teve esse fato histórico aí que acabou alterando o rumo de algumas coisas. E é um fato realmente inédito na música que isso aí raramente acontece.

?Voz 1

Sim, total.

?Voz C

E cara, daí a banda chega e sei lá, o hop começa a tomar, a música na verdade nesse momento acaba tendo um outro rumo, né? As bandas viram que, poxa, tinha algo a mais para oferecer, né? E aí isso pavimentou o caminho para, sei lá, cara, se a gente for linkar aqui, começar a falar quantas bandas que foram influenciadas pelo Strokes, mas tipo assim, como o Strokes foi a porta-voz dessas bandas aí que vieram depois, Franz Ferdinand, Interpol, um monte de bandas aí, né, cara, que tem meio segmento aí.

A gente vai ficar aqui até amanhã falando do bando, que tem muita banda que veio depois, né?

?Voz 1

Inclusive, inclusive, banda que o o próprio, o próprio White Stripes, né, que teve um lançamento que é anterior ainda ao Strokes, né. E na época, o primeiro álbum, eu particularmente ali não lembro de ter. Eu fui conhecer o White Stripes no segundo álbum, né, já.

MLMarco Leis

Isso aí remete lá para 1990, tu pegar o facelift do Alice in Chains, que ele foi lançado pré-grunge. É, então tipo, mas depois Depois ele foi visto como grunge. Então provavelmente a explosão do grunge, ela alavancou as vendas do Facelift, né, e o reconhecimento da banda. Então acho que passa por esse mesmo contexto aí, né. Eu acho que assim, a questão, salvaram o rock? Não, não salvaram o rock. Eu acho que eles, eles não salvaram, não foi sozinho.

Eu acho que eles foram um símbolo Eles representaram o símbolo da mudança. Eu acho que, eu acho que parte daí. Eu acho que eles não são o influenciador de todas as bandas. Eu acho que as bandas já estavam fazendo seus trabalhos. Vamos citar aí, tu falou Interpol, acho que Kings of Leon, Arctic Monkeys, The Killers, várias bandas que a gente pensa assim, né? Também Libertines, e é isso aí, White Stripes é uma de referência. Mas eu acho que é o Alice in Chains, depois eu acho que sim, né, que meio que aquele disco punk ali que veio, né, ali nos anos 2005 e tal.

Mas o que eu quero dizer assim, eu acho que a gente não pode ser sucinto demais e dizer assim, não, essas bandas não existiriam se não fosse o Strokes. Não, eu acho que essas bandas existiam, talvez elas não iam ter o espaço que elas tiveram ou a coragem para encarar um estúdio ou uma gravadora não teriam se não tivesse tido o que o Strokes fez. Eu acho que as próprias gravadoras viram, opa, ali tem, dá um caldo ali, vamos engrossar esse caldo aí, como dizia o, como dizia o Curumim, engrossando o caldo do mocotó, né? Vamos engrossar o caldo do mocotó aí.

?Voz C

Boa! É, cara, é justamente por isso, né, cara? Porque é pela simplicidade, né? A gente já falou isso aqui, mas enfim, eles não, talvez não vieram, sei lá. Eu acho que a grandeza deles, cara, é tá justamente nisso assim, sabe? Enquanto eles podiam deixar de fora várias coisas e diminuir tudo assim, sabe? Ser mais simples, ser mais, menos, menos é mais, né? Essa história do menos é mais, né? Mas eu disse que também oferece assim, cara, uma maneira que a gente pode interpretar, sei lá, cara, mais urbana, né?

Tem um contexto um pouco mais urbano, tem essa parte, você fala assim que ele foi pensado, acho que ele é consciente assim da sua própria história, né?

?Voz 1

Tinha muita gente, tinha muita gente Principalmente cenário ali de Nova York, que essa galera, que essa elite cultural de Nova York abraçou ele de uma forma absurda assim. A galera, galera da moda, galera das artes, sim, galera do jornalismo, porra, tava todo mundo já de saco cheio do new metal, né, para falar a verdade. E aí, pô, surgiu uns caras tocando um rock mais simples, uma coisa mais lo-fi, né, mas minimalista e ao mesmo tempo é propositalmente crua, propositalmente simples. Pô, a galera abraçou aquilo de uma forma, galera das universidades, entendeu?

MLMarco Leis

E eles eram novos, né, cara? Eles tinham 20 anos.

?Voz 1

Total.

MLMarco Leis

Então na real eles criaram, né, eles ajudaram a criar um ambiente favorável, né, um ambiente cultural favorável para que as outras bandas viessem e colocasse o seu trabalho, o seu produto também ali, entendeu? Acho que nesse contexto aí, tipo, permitiu que uma nova geração de bandas assim de guitarra, uma coisa voltasse.

?Voz 1

Rock de guitarra tem esse termo, né?

MLMarco Leis

Permitiu que o rock de guitarra voltasse ao mainstream, mas basicamente isso, entendeu? Porque não tinha mais espaço para esse tipo de banda ou esse conceito antes ali. Não foi uma coisa que foi crescendo, foi crescendo, né, no metal ali com essas bandas. Como que eu boto lá para trás Creed, né, foi vindo e foi trazendo, foi virando gigante, né. E tu vê que eram bandas que não tinham guitarristas assim, né, tipo, que eram o centro da mesma coisa, né?

Era a mesma coisa, meio tipo que a banda toda era tudo muito grande, tudo muito exagerado.

?Voz C

Sim, demais.

?Voz 1

A gente já falou sobre isso. Que nem, pô, eu tenho, quando surgiu ali a ideia da gente trazer aí o Is This It e tal, eu tava conversando com um amigo meu, já é mais velho do que eu, ele falou, cara, putz, o Stokes quando saiu foi maravilhoso, porque o new metal já tava todo mundo de saco cheio, ninguém mais aguentava ouvir o Blur. E aí, porra, daí veio. E aí, cara, trouxe uma coisa totalmente nova ali e a galera realmente abraçou.

A galera que tava sedenta pelo rock de guitarra novamente, é meio cara do Blur, tava mais assim do Blur, que ele lançou Gorillaz em 2001, né? É verdade, justamente, né, cara? Então, tipo assim, o Thom Yorke tava carregando os anos, o final dos anos 90 nas costas assim sozinho, e todo mundo dizendo que era os melhores álbuns de rock da história.

MLMarco Leis

É, e aí, porra, velho, eu nunca fui muito a favor, mas cada um, cada um.

?Voz 1

É porque exatamente, não, lista de melhores, as bandas da vida, cara, eu sempre fujo isso aí porque as minhas sempre mudam de uma semana para outra.

MLMarco Leis

Eu postei essa semana, acho que faz umas 3 semanas ou 4 que eu postei do desse disco que a gente tá falando agora, né? E levei, né, levei sapatada dos cara aí, cara, porque eu falei do no metal. Aí tu mexe no dodói dos cara, né? Os cara são, vai mexer com, é, o Tru, né?

?Voz 1

Eu adoro, eu adoro.

?Voz C

Isso que você pegou uma, eu argumento, eu falo, tipo, ah, cara, Pior, exatamente, cada um tivesse mexido, que tivesse mais.

MLMarco Leis

Postei ali o Black Album agora, antes de ontem, 3 dias atrás, do Metallica. Aí veio as viúvas do thrash metal brigar comigo.

?Voz C

Sempre assim, sempre vai ter. Vai postar um disco do Sepultura com Derek Green, o cara vai ser nessa postura.

MLMarco Leis

É isso aí, pô, entendeu? Cara, eu tô só celebrando o aniversário do disco, cara.

?Voz C

É isso.

?Voz 1

É exatamente, cara.

MLMarco Leis

Eu vou dar algumas informações aqui.

?Voz 1

Eu às vezes, eu tipo assim, é, pô, às vezes, cara, eu, pô, eu tô no meu, no meu Instagram, no meu perfil, dando a minha opinião. Porra, velho, por que que tu tem que vir te meter, velho?

?Voz C

Quer ver uma coisa? Quer ver uma coisa que aconteceu comigo esses dias atrás? Aconteceu comigo esses dias atrás, foi engraçado, porque É uma dessas listas que tu compartilha assim no Stories, com 5 discos que mudaram sua vida, né? Aí eu fui lá e coloquei 5 discos internacionais. O cara veio e falou assim, porra, sei lá, fascista, sei lá, cadê a música brasileira?

MLMarco Leis

Porra, velho, sim, cara, é opinião, mano, é opinião, é opinião. É exatamente, nós vamos ter 5 álbuns diferentes nas apontar 5 agora.

?Voz 1

É só, e amanhã, e amanhã já vai ser outro.

MLMarco Leis

E amanhã muda. E eu vou dizer, vou te falar, eu curto esse que tu falou aí para caralho, mas aí sem ser outro eu não curto. Mas tu não precisa ficar dizendo. Hoje um cara entrou e disse assim para mim, eu postei um disco lá do Jim Blossoms, né, uma banda lá rock alternativo dos anos 90 lá. Aí o cara meteu assim, não gostei da música, Não gostei do disco, não gostei da banda.

?Voz 1

Legal, mano.

MLMarco Leis

Tu não precisa entrar aqui para me dizer isso aí, cara, sabe? Porra, cara.

?Voz 1

Hoje a gente falou de internet e tal, mas hoje é muito assim, por que que muitos desses, em todos os sentidos, em todas as áreas, seja na música, seja no esporte, no futebol, que é uma coisa que a gente acompanha muito, Como é que os caras têm o engajamento deles? É causando polêmica, entendeu? O cara comenta, quero, aí o cara termina o vídeo assim, ah, quero saber a tua opinião nos comentários. Porra, ninguém quer saber a minha opinião nos comentários, entendeu? Vou estar só impulsionando o teu vídeo, meu, tu não vai ler não.

MLMarco Leis

É só uma, é um, isso chama-se call, né?

?Voz 1

É, velho, entendeu? Cara, não interessa a tua opinião, entendeu? Não interessa a minha opinião. Porra, eu vou no, que nem, sei lá, eu vou num no perfil de um cara que é do influencer. Eu detesto essa palavra, do influencer colorado. Eu sou gremista, porra. O que que eu tô fazendo lá, velho? Eu vou estar lá engajando o conteúdo do cara falando do Inter, brabo com o Inter. Aí eu vou lá, eu vou dar uma risada, vou comentar, entendeu?

Daí vem um monte de colorado comentando, aí vira uma briga. Porra, velho, não faz sentido nenhum, meu, sabe?

MLMarco Leis

Isso é internet hoje em dia, não Total, velho.

?Voz 1

Aí, sei lá, abre, aparece o Registadeu falando mal de um álbum que eu adoro. Porra, meu, entendeu? Dane-se o Registadeu, sabe? O cara, motiozinho lá, que é de outro tempo, o cara tem um outro gosto musical, tem outras referências. Por que que eu vou me doer, vou ficar brabo, sentido, achando que o que eu gosto é ruim só porque ele não gosta? Sabe? Pô, não faça isso comigo.

MLMarco Leis

Às vezes, às vezes isso tudo é uma questão também de visualizar o julgamento do outro ou não, né? Mas às vezes, às vezes aparece na minha, no meu calendário, vamos dizer assim, porque eu costumo postar aniversários, né, de álbuns, né? E às vezes aparece assim, ó, Às vezes aparecem álbuns para mim que eu quero, que eu tenho, né, e que posta muito pop, muito. Mas, cara, foda-se, entendeu? Eu não tô nem aí. Se é Madonna, se eu tenho a Madonna, ela tá de aniversário, eu quero postar o disco da Madonna, eu vou postar, cara, entendeu?

Vai ter nicho, vai ter, vai ser nichado, vai ser. Hoje eu postei New Order, cara, bombou New Order. Eletrônico dos anos 80, aquele maravilhoso, maravilhoso, aquele duplo substância, foi substância, né? Então não tô nem aí para o cara do heavy metal, para o cara do nu metal, entendeu?

?Voz C

O cara fica bitolado no estilo, não consegue evoluir, né? Não, não, entendeu? Ele fica só isso aí, né? Tipo, eu conheço pessoas assim, tudo bem. Quando você vai falar, por exemplo, ah, cara, hoje eu tô ouvindo, que nessa semana eu tô ouvindo bastante Strokes, tô ouvindo bastante o Maglor, né, cara, que é uma banda brasileira que lançou um disco e tal, muito legal.

?Voz 1

Não vi ainda.

?Voz C

Você cita que vai ouvir Maglor, os caras, que não sei o quê, entendeu, cara?

?Voz 1

Meu, tem cara que tá, tem cara que tá até hoje esperando Metallica lançar o Master of Mötley Crüe, né, cara? Eu conheço vários, entendeu?

MLMarco Leis

É tipo isso.

?Voz C

Uma coisa que, só para a gente voltar o assunto aqui, mas a internet, cara, em 2001, como você falou, que já tinha a banda larga surgindo e tudo mais, né, cara? Acho que também foi um fator positivo para banda aí, porque Vou falar por mim, né, cara. Eu tinha mídia física, mas logo em 2002 aí, quando eu comecei o meu programa na rádio, eu não tinha como levar a mídia física, né, cara. Lógico que eu comecei, não sei se o pessoal de casa vocês vão lembrar, mas para fazer a parte do comercial que tinha que largar era tudo no MD, MDzinho assim.

Não sei se chegaram a pegar isso aí. E papapá, tinha que trocar e fazer aqui. E a mesa era uma mesa analógica, tinha lá o o CD que você podia largar, mas nessa época já era o computador, aquele mundo.

MLMarco Leis

É isso aí, entendeu?

?Voz C

E aí você, é isso aí, cara. E aí que acontecia, você tinha um monitor, aquele monitor branco, né, cara, de tubo ainda, e tinha dois, né, era dois monitores assim, eram dois monitores assim, mas já tinha MP3. Então tipo, para mim fazer o meu programa, cara, eu já tinha Eu já tinha, eu já, eu baixava muita coisa pela internet, entendeu? E o USB foi isso aí. Ah, isso aí, o iPod, né?

?Voz 1

Legal, já tive esse também.

MLMarco Leis

Eu tenho vários aqui, galera. Eu usei muito, usei muito. Eu usava, eu dou aula, né? Então eu dava as minhas aulas de bike, coisa. Esse aqui é o primeiro que eu tive, ó, é o 2.

?Voz 1

Irado demais, cara. Eu tenho, eu, eu Tem uma galera que tá começando a ouvir música de novo offline, né, cara? Claro, tá rolando. É muito irado.

?Voz C

Isso é bom, isso é muito bom, cara.

?Voz 1

Isso é maravilhoso.

?Voz C

É bom porque o disco, falar de visita, né, o disco ele foi concebido de uma maneira. A gente já falou aqui, enfim, que as músicas estão naquela sequência por um motivo. Então Então você pegar e fazer esse processo, pegar um disco de vinil, um CD que seja, sentar e ouvir ele do começo ao fim, cara, é maravilhoso, entendeu? Então a pessoa que você tá voltando isso aí, cara, espero que volte muito mais, as pessoas, muito mais pessoas façam isso, né?

?Voz 1

Total. Imagina, imagina tu pegar um jovem hoje, ele pegar um The Wall do Pink Floyd e ouvir no aleatório, botar no shuffle, não vai fazer sentido nenhum aquilo ali.

MLMarco Leis

Não, por mais que a maioria não entenda o que tá sendo falado, mesmo assim não há uma contextualização, né, de harmônica, de música, né. Não sei se eu tô falando bobagem, mas eu acho que não, total. Porque eu vi o filme sei lá quantas vezes, do VHS ao Blu-ray, nem sei quantas vezes eu vi. Isso aí, Santa Maria, na época eu estudei Santa Maria, eu VHS do The Wall, cara.

?Voz 1

Meu Deus do céu, como é louco, como é louco essas bandas que, pô, nós tocaram, nós estamos falando de Pink Floyd, né? Mas pô, eu com 37 anos tenho essa mesma experiência, né, daquilo ali me impactar de uma forma absurda, que a mesma do Marco, que a mesma do Brody. Né? E como a música, como as bandas boas, né, os clássicos, eles atravessam as gerações assim, cara. Eu volto e meio tô no ônibus, eu gosto muito de olhar o que que as pessoas estão ouvindo, né?

Então se eu tô vendo a pessoa com um Spotify da vida aberto, eu tô sacando o que que a pessoa tá ouvindo. E cara, e não é raro eu ver uma molecada nova curtindo Pink Floyd, cara, curtindo Beatles. Sabe? Eu falei, cara, nem tudo tá perdido, né?

MLMarco Leis

Eu, eu acho que, eu acho que eu ouso dizer que eu, eu vi o filme antes de escutar o disco.

?Voz 1

Que irado!

MLMarco Leis

E eu ouvi falar, ouvi falar antes do filme do que do disco, porque o disco é de 78, mas o filme é de 80, né? Porque eu lembro assim, a minha primeira, a gente tá entrando noutra linha e tal, mas enfim, mas a primeira vez que eu ouvi falar do The Wall, o meu irmão, ele é um pouco mais velho que eu, meu irmão tem 56, eu tenho 52. Aí eu lembro que na época que começou a entrar o videocassete, não era todo mundo que tinha, tinha alguns bares na cidade que disponibilizavam videocassete.

Então as as pessoas ficavam lá assistindo um vídeo, um filme. E aí ele me relatou que foi ver um filme no Bar Fornalha em São Cepé, lá pelos idos de 85, 86, talvez 85. E aí passaram The Wall, e aí me impactou ele me relatando aquela cena que ele tira com a gilete a sobrancelha. É aquilo ali, aí eu queria ver o filme só para ver aquela cena, que é mais lá final, né? Então tudo bem, cara, só para ver aqui, mas voltando ali ao disco, tu falou uma coisa certa.

Eu acho que os cara colocaram as faixas de uma forma muito estratégica no álbum, né? E aí se tu pegar toda a expectativa criada, principalmente da mídia europeia, para o que eles iriam lançar decorrência, em decorrência dos EPs que foram lançados em janeiro, primeiramente no Japão, e depois eu acho que foi lançado na Austrália também, né? Se eu não me engano, o álbum foi lançado primeiro na Austrália e na Europa, depois foi lançado nos Estados Unidos.

Mas tu pegar a primeira faixa para um disco que prometia tudo que estavam esperando dele, para o novo, vamos dizer assim, a nova cara do rock, que vai ser a partir do que seria a partir do lançamento dele. E os cara começarem com a música que fala Is This It, que é tipo, é isso, é isso mesmo. E ainda tu olha assim, acho que tu pegar o início da música, começa ali com uma guitarrinha, um baixo, uma coisinha assim, ó, nada assim absurdo, uma coisa assim que tu já de saída já mostra assim, ó, nós somos isso aqui. Aí, cara.

?Voz 1

É quase rudimentar, né, cara?

MLMarco Leis

Exato, cara. É muito louco essa primeira faixa aí para o contexto do álbum, para a estética da banda e do álbum. O primeiro, a primeira música é absurdamente—

?Voz 1

eu lembro que quando eu comecei, quando eu comecei a tocar bateria, eu adolescente ali, cara, eu pegava o álbum, ficava ouvindo o álbum e tocava ele do início ao fim, velho, porque era muito simples, velho. Simples, entendeu? E aí, pô, qualquer idiota consegue tocar aquilo ali.

MLMarco Leis

Não tinha muito nem chupô, né?

?Voz 1

Quase nada.

MLMarco Leis

Não tinha, não tinha os tom-tom ali, não tinha muita coisa, né?

?Voz 1

Não, não, não tem praticamente. É bumbo e caixa, abertura de chupô bem pouca também, cara. É muito legal porque que a gente volta de novo, é uma coisa simples, bem feita.

MLMarco Leis

A primeira música é como se fosse uma declaração assim do, ó, esses são os princípios da banda, então tá aqui o nosso cartão de visita.

?Voz 1

É isso, as letras também muito fácil de entender, né? É um inglês bem simples de ser compreendido assim. E aí então são letras bem simples, né?

?Voz C

Falava sobre relacionamento, sexo, conversão. 20 anos, você vai falar sobre o quê? É, apesar de ter alguma parte mais séria, mas é relacionamento, sexo, tédio, né?

?Voz 1

A própria Barry Legal, né, ele tem um, diz que é uma alfinetada no pai dele, né, que que saía com as supermodel, que é outro termo que o pai dele inventou. Supermodel foi o pai dele que inventou. E disse que ele saía com as meninas que ainda não era uma, que ainda não era o maior de idade. Então era barely legal, né, tipo mais ou menos, não é bem, não é bem legal.

MLMarco Leis

E é incrível assim, ó, que eles já começam o álbum, né, questionando, é isso mesmo? Tipo, é isso? E eles começam o álbum já mostrando assim, cara, só não é super grupo mainstream, é uma banda simples e bem tranquila.

?Voz C

Garage Rock Revival.

?Voz 1

E nunca foi, né, cara? E nunca foi, né? Nunca foi uma banda, até são São caras que não tem essa, essa pecha, esse rótulo de rockstar, popstar.

MLMarco Leis

Não, não, nunca teve. Apesar de terem lançado os álbuns solos, né, o guitarrista e o vocalista. Inclusive, acho que eu tenho um CD do Julian. E o Foz é muito bom, eu adoro o Foz, mas não, mas não é um, nenhum é assim tipo mainstream ou Não são, cara.

?Voz 1

O Júlio é aquele cara meio blasé assim. Se ele tá de mau humor, ele nem fala, não fala muito, né? Se ele tá de bom humor, é um cara super simpático, super atencioso e tal, né? Agora rolou toda essa, toda essa comoção aí. A internet entrou em polvorosa com, sim, ali com lançamento, com lançamento. Aí no show, a bandeira da Palestina, aí os discursos dele, a galera já ficou chocada com Rock não pode ser político e toda essa baboseira.

E ele sempre foi um cara super de boa assim, né, cara? Muita gente acha ele antipático, muita gente acha ele é um cara legal. Enfim, não dá para rotular também, né? Eu acho que é totalmente white people problem, né, o cara ser um rockstar. Mas às vezes ele ser chato, entendeu? Porra, tu tá na rua, vem um cara, ah, meu, sou teu fã, não sei o quê, todo dia, todo dia, todo santo dia. Exatamente. Eu sou um cara que hoje o cara vai estar de mau humor, o cara vai estar de saco cheio, o cara acordou com a unha encravada, meu, sei lá, entendeu?

MLMarco Leis

Eu sou um cara que hoje eu vou, eu faço o corre, né? Eu faço o corre para tentar autografar os discos, as coisas, os shows que eu vou, principalmente aqui em Porto Alegre e tal. Mas eu entendo perfeitamente Perfeitamente. Não fico assim, não levo, não levo. Às vezes assim bate um pouco, mas eu tento não levar para o coração, porque, cara, é uma merda.

?Voz C

Tu não sabe o que que o cara tá passando aquele dia, se tem problema de família ou não. Às vezes o cara tá com problema sério, mas tem que ir lá fazer o show. Às vezes quer ficar quieto. É, cara, é um ser humano, é gente como a gente, entendeu?

MLMarco Leis

E realmente, e nessa primeira música aí que ele que abre o álbum, que é a faixa título, ele realmente, eles questionam, eles questionam a própria fama assim, eles questionam o que tá rolando no mundo, né, naquela época. Mas eles questionam a fama justamente por conta dessa questão mainstream aí, que era o que tava dominando na época, né. Então depois a gente pode ir falando de uma faixa, de outra.

?Voz C

Sim, claro. Eu ia perguntar agora o seguinte, cara, nesse disco aí, um disco que Sei lá, é um disco que praticamente com 11 faixas de 35 minutos, então não é um disco cansativo. Eu acho que é assim que o disco tem que ser feito, sem filler. É, e no máximo 40 minutos assim, porque se passar de 35, 36, 37, já começa a ficar cansativo. Tu vê, tu tem 11 faixas aí, 35 minutos, tu ouve que, cara, passa o tempo que tu nem vê.

MLMarco Leis

Esse álbum aí também, assim como lá nos anos 70, Ramones, talvez o Television não, mas o Ramones sim. O Ramones deixou claro que, olha só, eu posso fazer uma música de 2 minutos e tá tudo bem. Sim, ele mudou de novo o panorama. Ele mostrou para essa geração que tava vindo ali, que tava tocando, e como eu falei, eles existiriam igual, mas talvez eles não ganhariam o reconhecimento que eles ganharam, por conta que eles abriram, eles abriram precedentes.

Ó, sim, tá liberado, pode tocar música de 2 minutos com guitarristas, né, rock de guitarra. E como a gente falou, bons guitarristas inclusive, né, trabalho de guitarra dos dois aí, que não tem, e também que não tem um trabalho definido, né, não tem um easy straddling no ritmo e o slash no solo. Não, não era assim, não era assim. Eram guitarras que meio que se acompanhavam ali, não era uma coisa de solo. Solo era curto, não era um— não é assim.

E outra coisa também que dá bem para ver nesse disco aí deles é tipo, ó, aqui tem um refrão, ó, aqui tem que ter o solo. Não, não tem isso aí, não tem uma obrigatoriedade do solo em determinados pontos, tu vê nitidamente que isso é bem sucinto assim, são solos curtos, solos bem simples, nada de novo virtuoso, não tem.

?Voz 1

Eles foram uma banda super, eles desde o início eles sempre foram uma banda super democrática no quesito de divisão ali de composições e tal, é uma banda que trampava, entendeu? Os caras trampavam, meu, tipo assim, ninguém tinha um supertalento Mas ao mesmo tempo tava todo mundo carregando o piano ali, entendeu? Fazendo uma coisa coesa, bem feita, precisa, correta, entendeu? E nesse, e nesse momento deu até briga futuramente, né?

Ali já do First Impressions of Earth ali já começou a dar, já começou a dar umas rixa ali, porque, cara, era tudo igual, era tipo assim, todo mundo ganhava igual. Inclusive o empresário, né, que é o Ryan Gentle, né, que era o booker da casa de shows, que eles, da primeira casa de shows lá que eles tocaram em Manhattan, tocavam em Manhattan, o cara participava dos lucros igual na banda. Aí depois eles meio que começaram a ficar, né, já desgostosos com isso.

Aí depois começou as drogas, o Albert começou a cair cabeça nas drogas e tal. A banda começou a ficar ali já a partir de 2006, ali começou a ficar um clima bem pesado entre eles e tal, né, cara? Muito em função das músicas. É, velho. E aí eles, aí o que que acontecia? Tanto que eles começaram a cada vez mais, cada vez mais aparecer menos, começaram a aparecer menos, né? E aí lançavam sons e tal, e depois teve as brigas com a gravadora, porque eles, quando eles assinaram com a RCA, eles tinham 5 álbuns para fazer, né?

E aí, porra, 5 álbuns é álbum para caramba, né, bicho? E aí, tanto que depois, quando veio o Come Down a China ali, já é um álbum que eu não gostei tanto. Tem músicas bem massa, já tava suando mais voids ali, né?

MLMarco Leis

Qual que é, qual que é a capa dele?

?Voz 1

O Come Down a China é aquela capa vermelha. Que eles só colocam RCA.

MLMarco Leis

Eu gosto desse álbum aí, eu lembro que eu adorei esse álbum. Eu acho o álbum super bom, umas 2, 3 ali que eu lembro que eu gostava bastante.

?Voz 1

Eu gosto de, cara, eu gosto de toda a discografia do Strokes. Eu acho que eu não comparo, eu não comparo nenhum dos álbuns. Eu acho que todo artista ele tem o direito de experimentar e fazer o que ele quiser. Eu acho que cabe ao fã entender o que que a banda tá querendo fazer no momento.

MLMarco Leis

Pode gostar mais de uma visão, tudo bem, a obra é dele, a arte é dele.

?Voz 1

Exato.

MLMarco Leis

Ainda mais eles que eram despretensiosos em relação ao mainstream, essa questão aí de serem taxados disso ou daquilo, né?

?Voz 1

É, eu acho que nem esse último lançamento, cara, eu adorei esse álbum, entendeu? Eu adorei o álbum, eu achei incrível assim, porque o próprio Julian, ele nunca, ele sempre quis ter a liberdade de fazer o que ele quisesse, entendeu? E aí, cara, se vendeu, se não vendeu, tá tudo bem. Eu tô fazendo meu trampo aqui, tô fazendo um som que eu gosto, e tá tudo bem, cara, entendeu? A galera falando agora do autotune virou uma questão aí, né, cara?

Eles usam, o Julian usa efeito na voz desde os 12 segundos do primeiro álbum, entendeu? Ele tá experimentando coisas diferentes, velho. A gente já passou ali, o rap já superou, né, o Auto-Tune. Tem ótimos álbuns de rap feito com muito uso do Auto-Tune. O Kanye West usou muito, o próprio Frank Ocean, né, cara, tem, é um cara que canta muito e usa muito Auto-Tune também. Eu acho que é uma ferramenta que você sabe usar, é incrível.

E o Rúlia não precisa provar nada para ninguém, ele é baita de um frontman. Ele é um vocalista super bom assim, super qualificado.

MLMarco Leis

Eu queria falar sobre isso aí também. Eu acho que nesse contexto aí da estética da banda, eu acho que ele conseguiu também colocar isso de não ser um frontman que tá à frente da banda. Ele faz parte da banda, ele é tipo isso, joga o jogo. Faz sentido isso para vocês?

?Voz 1

Total, total. Eles falavam, né, que o Strokes, os próprios caras comentavam que o Strokes era, tinha um ditador que era o William, mas era uma democracia ao mesmo tempo porque todo mundo participava. Mas o William sempre dava o, cara, vamos, vamos por essa ideia aqui, tem essa referência aqui. Ele era um cara que tinha mais as referências, entendeu?

MLMarco Leis

Exatamente, ele dava o norte. Mas ele era um cara que ele nunca quis ser assim se mostrar como líder da banda, ou a banda tem o seu representante e ele é o Dio. Acho que não precisou, né?

?Voz C

Quando precisasse mostrar por alguma coisa, ele saiu, saiu, deu um tempo na banda e montou um projeto solo e tipo fazer os trampos dele, né, cara?

?Voz 1

Fazer os trampos dele. Exatamente. Eu acho massa que eles não criam, é uma banda que não cria muita expectativa, né? Eles vão lá, só lança um som, ah, vamos lançar o álbum. Cara, como assim? O som que só lançar o álbum? Sabe? E cara, esse álbum aí ninguém tá— eu não tava esperando. Quando começou ali a surgir, falei, cara, os caras vão lançar um álbum.

MLMarco Leis

Quando é que foi o último deles?

?Voz 1

O último, o último foi da pandemia, né? 2020.

MLMarco Leis

Aí teve amarela riscada lá, aquela capa azul com amarelo lá todo riscado.

?Voz 1

Esse álbum eu ouvi na pandemia assim, ó, bizarro. Ele tem uma capa diferente, uma capa diferente. Agora esse último álbum deles, que é o Reality Awaits, Cara, muito bom, cara. Houve assim, eles estão usando, ele tá usando autotune, né? E aí virou, criou a polêmica do autotune. Porra, o cara tá usando efeito na voz. Porra, como assim tá usando efeito na voz, meu? O cara sempre usou efeito na voz e sempre mandou muito bem ao vivo, entendeu?

Tem apresentações deles, as últimas apresentações deles ao deles ao vivo, cara, incrível, velho, cantando muito. As apresentações do, do, na época, um pouquinho antes da pandemia ali, do New Abnormal, né, que é esse último álbum da pandemia, antes desse que eles lançaram esse ano, apresentações deles, cara, o vocal do Julian tá incrível, velho, tá incrível, ele canta muito, velho. Ele canta muito, ele vai do grave para o drive, ele usa os agudos no estilo e na estética dele.

Total, total. Ele usa, ele usa os recursos digitais e os efeitos em cima do talento da voz que ele já tem, entendeu?

?Voz C

Isso aí. Faixas preferidas do disco, qual é a sua ou as suas, Afonso?

?Voz 1

Eu vou colocar, cara, eu gosto dessa primeira e termina na última. Diga, cara, assim, desde Is This It até ali New York City Cops, que são as 9 músicas, são impecáveis. Assim, é uma na sequência da outra que são foda demais. Assim, mas se eu tivesse que escolher 3, eu colocaria Heartbreak's Plane. Eu acho que é minha músicas favoritas deles. Eu gosto muito de Barely Legal. E aí eu vou colocar, eu acho que eu gosto muito de Sunday, cara.

Eu gosto muito de Sunday porque eu acho que é uma música comercialmente impecável, simples, comercialmente impecável.

?Voz C

Foi um single, né, também tocou para caramba, muito, muito, muito. O Last Night também é um chá de cansaço, porque eu tinha uma banda e que a gente tocava meio direto assim na região aqui, cara. A gente era residente numa casa aqui, cara. Não tem empresa, não tem empresa, parecia que faltava alguma coisa aí.

?Voz 1

E não tem, não tem empresa de telefonia móvel que não tenha usado essa música para fazer propaganda em algum momento dos anos 2000.

?Voz C

E as suas, Marco?

MLMarco Leis

Cara, eu assim, eu sempre fui meio, eu gosto dos hits, sempre gostei de bando, dependendo da banda, sempre curti hits, mas também curto aquela música mais obscura. Mas eu vou, eu acho que as minhas 3 são Soma, Last Night e Sunday. Eu acho que são para mim as 3 mais legais do álbum. Mas aí eu tô, nem tô avaliando o que ela fala, o contexto dela, eu tô avaliando o que o meu ouvido sente e o que eu sinto quando eu ouço. E tipo, quando eu, quando eu botava no meu iPod ali, essas aí, quando eu botava em algumas playlists listas lá para sair para pedalar e tal, essas aí tava, as outras não tava, mas as outras entravam no contexto.

No carro eu escuto, no carro eu boto, belas escolhas. Eu gosto de Soma, eu acho que é uma música legal, né?

?Voz C

Eu também.

MLMarco Leis

Aí depois que eu escutei, eu fui atrás de referências dela e fala, ela é uma droga, né? Soma é uma droga que, baseado num livro, não lembro o nome do autor, E aí esse livro falava de uma droga que, cara, se tu for avaliar, é o que rola hoje na nossa sociedade, né? De certa forma, droga para te manter alienado e controlado, vamos dizer assim, total.

?Voz 1

Drogas socialmente aceitáveis, aceitáveis, legalizadas.

MLMarco Leis

Drogas que não precisam ser drogas, eu quero dizer, entendeu? Então, tipo, a gente pode fazer uma analogia com o que acontece no Brasil, no mundo, na política, enfim, nesse contexto. E Sunday realmente é uma música muito legal. E Last Night, cara, ela é perfeita assim, né? Tipo, na questão de ela tem uma guitarra forte no início, ela tem uma preparação para refrão, ela tem um refrão que é top. Então, cara, para mim é o som do— e que tava no EP lançado no Japão lá inicialmente.

?Voz C

Eu acho que é assinatura, né, assinatura da banda Last Night, né, assinatura assim, tipo Stairway to Heaven dos caras, tá ligado?

MLMarco Leis

Smoke on the Water. Eu acho que no conceito de reconhecimento, só de tu reconhecer, pá, de quem é essa música? Strokes. Nesse contexto, sim. Mas eu acho que, tipo, talvez, eu acho que nesse contexto de que o que apresenta a banda representa a banda, é o conceito que a banda trouxe naquela época. Eu acho que uma que tu falou, acho que Hard to Explain, é a que explica. É Hard to Explain. Eu acho que é uma música que define mais a questão da da banda, do conceito da banda assim, sabe, da sonoridade, a bateria, aquela bateria quase que eletrônica, né, eletrônica sem ser eletrônica, né.

Isso é muito interessante. O cara canta ali meio despretensioso, né, querendo, parece que cantando e tentando se organizar, uma coisa meio, eu gosto dessa música por esse contexto, mas ela não tá na minha top 3. Ela é a que define para mim a banda, os discos, cara.

?Voz C

Eu, Soma, para mim é um riffzinho assim, é maravilhoso. Eu gosto dela bastante assim, cara. Tem um breakzinho, eu gosto do que é lado B, né, cara? Eu gosto um pouco mais lá do B. Eu fico com Barely Legal também por todo o contexto, né, cara? Mas Alone Together também eu curto gosto para caramba, cara. É muito bom, eu acho muito massa, cara.

?Voz 1

New York City Cops, ela começa com, parece aquela bateria do Wonders, né?

?Voz C

Parece só o comecinho, né, dela já entrou.

MLMarco Leis

New York City Cops, acho que é a mais punk do álbum, né? Total, eu acho que é a mais punk assim. E alguns momentos tu vê até uma guitarra ali, um baixo, uma linha de baixo meio harmonica, demais também daqueles primeiros discos assim, né?

?Voz C

Então essas três aí, soma Barely Legal e Alone Together.

?Voz 1

E Alone Together, é, eu te cortei, mano. Não, nós quase completamos o álbum com as nossas novas escolhas, porque que nem eu falei ali, velho, da primeira, de East is It até New York City Cops, cara, é uma sequência da outra assim que Cara, vai, só vai melhorando, velho, só vai melhorando.

MLMarco Leis

Oi, pode falar, pode falar.

?Voz 1

Não, é um álbum que, cara, tu não— eu coloco ele do início ao fim e quando ele acaba eu boto ele de novo.

MLMarco Leis

E assim, sabe aquele álbum que tu escuta o disco, o álbum, né, da banda, e aí depois tu vai ouvir uma coletânea ou uma outra playlist que ela tá, e aí tu escuta a música e tu não, tu escuta a música e ela termina e tu espera já aquela música que vem depois, mas ela não vem porque é uma coletânea.

?Voz 1

Exatamente, exatamente.

MLMarco Leis

Eu vou te dar um exemplo, tem uma música do Raimundos regravou do Ramones e que Quando termina a música, eles colocam a introdução de Surfing Bird porque é o que viria na sequência. Eu acho que é do Éramos Quatro, Little Ramona, não é? Ou é do Éramos Quatro?

?Voz 1

É do Éramos Quatro, né?

MLMarco Leis

Que daí termina a música e já vem, né? Então tipo, é basicamente isso, é basicamente isso. Então você escuta tanto o disco na de ordem, que quando tu coloca numa coletânea ou numa playlist, já espera o acorde inicial e não vem porque já entra outra música. Bem isso aí, esse álbum é desse estilo aí.

?Voz 1

Total, total.

?Voz C

É isso aí, cara, 25 anos depois a gente tá aqui falando sobre a estreia do Strokes, um disco que foi revolucionário assim em certos aspectos e tudo mais.

?Voz 1

Com certeza foi.

?Voz C

E é um disco, cara, sei lá, eu, mas é aquilo que eu sempre falo, se você por acaso não conhece disso, cara, né, tipo, acho que é impossível a galera não conhecer, mas se você não teve esse prazer aí, cara, essa, esse momento, você ouviu o disco do começo ao fim, faça esse exercício, cara, porque é um disco curtinho, disco bem legal, cara, e claro Aqui a gente não quer, sei lá, cara, se aprofundar muito e contar assim um monte de coisa.

A gente quer basicamente muito menos os donos da verdade, né? A gente não é, a gente recebe bastante pancada aqui também.

MLMarco Leis

Pode seguir. É, ninguém é dono da verdade. Nesse meio tem muita gente que se acha dono da verdade, a gente sabe disso.

?Voz C

Tem uns comentários que a gente releva, mas enfim. E cara, muito legal tá aqui hoje, hoje, hoje, digo assim, está ouvindo agora de manhã, mas tá gravando de noite, né? Mas nessa, nesse momento que trocando essa ideia com esse pessoal aí, com Afonso que já é da casa, e pô, prazerzaço ter o Marco Leis aqui. Sigam o perfil dele lá no Instagram, cara, My Life on Wax, que é bem legal.

?Voz 1

Já morreu por dentro com teu sapatênis marrom e tu ainda tá esperando o Use Your Illusion, o Black Album. Por favor, por favor, pesquise, se informe, deixa a galera nova fazer música do jeito que eles quiserem, com efeito que eles quiserem, com a estética que eles quiserem. E pare de cagar a regra.

?Voz C

É isso aí, ponto final, né, Afonso? Abraço, obrigado todo mundo que participou aí, ó. Lembrando, todas as terças-feiras, 8 horas da manhã, no canal no YouTube e também no seu agregador de streaming favorito, tá? Se você tiver ouvindo aí pelo Spotify, pelo Deezer, sei lá, lembra de dar 5 estrelinhas e deixe seu comentário aí, cara. Quanto mais você puder ajudar, fortalece nossa comunidade, tá bom? Chuva de likes, chuva de likes! Semana que vem a gente volta, meus amigos.

MLMarco Leis

Tamo junto, grande abraço, valeu, falamos, abraço! Aí, ó.

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