30 anos de DUST do SCREAMING TREES | RD #122
Nesse episódio do Redação DISCONECTA mergulhamos fundo an obra DUST do SCREAMING TREES com uma participação de Leonardo Tissot, autor de Uma Dose Para o Santo: Deus e o Diabo nas Gravações de Whiskey for the Holy Ghost, uma HQ sobre Mark Lanegan.
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Luis Fernando Brod
Virgílio
Leonardo Tissot
- Análise do álbum DUSTSonoridades e instrumentos · Comparação com Sweet Oblivion · Produção de George Draculias · Mixagem de Andy Wallace
- 30 anos de DUSTScreaming Trees · Mark Lanegan · Grunge · Análise do álbum DUST
- Carreira solo de Mark LaneganWhiskey for the Holy Ghost · Dificuldades na gravação · Tratamento de dependência química
- História do Screaming TreesPrimeiro contato com a banda · Influência da MTV · Comparação com outras bandas grunge
- Legado e Recepção de 'Ópera Grunkie'Qualidade sonora e arranjos · Letras melancólicas · Comparação com o sucesso de outras bandas grunge · A importância de revisitar o álbum
- O papel do produtor musicalColaboração de Mike McCready · Contribuição de Ben Montante · Influência de Bert Martin
- Processo CriativoComposições de Gary Lee Conner · Processo de seleção de Mark Lanegan · Sensação de 'emprego'
Para de ouvir a gente, vai ouvir o disco.
Isso aí.
Você está ouvindo Redação Desconecta.
Fala aí, desconector, tudo numa boa? Tá começando mais um podcast do Redação Desconecta, o seu podcast semanal. Aonde a gente se reúne aqui entre amigos todas as terças-feiras às 8:30 da manhã. Olha que palavra bonita, Virgílio, o seu agregador de streaming preferido. E também nosso canal no YouTube aí, o Redação Desconecta. Então todas as terças-feiras às 8:30, salvo quando o nosso CEO preguiçoso que tá, né, que não quis participar hoje, ele às vezes esquece de programar e atrasa um pouquinho, né.
Então fica a dica aí. Se ele não se espichar, vai ao memorando interno, vai rolar no RH, ele vai ser chamado no RH. E hoje, cara, a gente tá aqui contando com a presença do Virgílio, já figurinha tarimbada nossa aí, do nosso parceiro aí. Acho que dos, tá sempre junto conosco, pelo menos uma ou duas vezes por mês aí, né? E também o Leonardo, que escreveu um livro bem legal sobre esse tem a ver com o assunto de hoje, né? Então, meu primeiro, meu boa noite aí para o convidado, tá, Virgílio, que é o Leonardo. Seja bem-vindo, Leonardo, aqui ao podcast do Redação Desconecta.
Obrigado, gente, obrigado pelo convite. Espero não decepcionar.
Vai não. E aí, Virgílio, tudo bem com você?
Tudo, tudo certo, tudo tranquilo. Fiquei feliz que o disco de hoje foi o mais ouvido Vossa Excelência no mês passado, né, que eu fiz, te fiz lembrar do disco.
É, pois então, é, eu já vou começar falando sobre o disco que a gente vai falar hoje, sobre o Dust. Já devem ter visto aí na thumbzinha, né, é o sétimo disco, né, de estúdio dos caras do Screaming Trees. E eu já vou começar falando que das bandas aí que que eles tinham essa alcunha, enfim, dentro desse universo chamado grunge, né, que não é nenhum estilo musical, mas sim um movimento, né. A banda do Screaming Trees é a minha banda preferida.
Eu vou explicar o porquê. 1990, e lá vai bolinha, 92, acho que é 91, quando a MTV ainda Passava em canal aberto, não sei se vocês lembram, mas teve uma época que ela pegava antena parabólica em canal aberto. Depois ela foi para UHF, ficou um pouquinho mais complicado. Eu tinha um vizinho que tinha parabólica, que poxa, quem tinha antena parabólica naquela época era, né, nível acima, entendeu? Que era caro ter. E aí eu descobri a tal da MTV.
E os caras, os 2 primeiros clipes que eu assisti na MTV eu tenho gravado em fita VHS até hoje. Foi o Neighborhood do Ugly Kid Joe. Olha só, Neighborhood. E na sequência veio o Dollar Bill, cara, do Screaming Trees. E quando eu vi aqueles, aqueles 4 sujeitos assim totalmente, cara, parecia uns alienígenas assim, e os 2 irmãos lá que são os gordinhos, né, não sei se estão gordinhos assim, eu falei assim, cara, não, não, eu posso ter uma banda.
Porque eu sou assim, sou desajeitado assim também, entendeu? Então aquilo me marcou profundamente assim. Foi uma banda que eu sempre curti, principalmente por causa do Mark Lanegan, né? O vocal dele, eu acho que dentro desse universo aí é um cara, um puta cara assim, que faz uma falta junto com o Lana Staley, enfim, com outro do Soundgarden lá, o Chris Cornell. São uns caras muito fodas assim. Mas eu sempre gostei deles, né, cara?
Do Mark Lanegan com todo o trabalho que ele teve assim, por causa da das letras, mas tinha mais a ver comigo assim, sabe? E é isso, cara. Eu quero começar perguntando para vocês em que momento que o Screamin' Trees entrou na vida de vocês assim, e se Dust também é, pode ser considerado. Já as duas perguntas em uma, vai. Em que momento a banda entrou na vida de vocês? E se Dusty é considerado o supra-sumo da banda, como se fosse a obra-prima? Vamos lá, vamos deixar o Leonardo falar por primeiro, Virgílio.
Claro, eu primeiro, tá bom. Eu tava me preparando, né, para conversar aqui com vocês. Eu resgatei, até mostrei hoje no Instagram para o Virgílio, meu primeiro contato com Screaming Trees foi em outubro de 1996. Quando saiu a resenha do Dust, assinada pelo Pedro Só, na revista Bis de outubro de 96. Eu não sei se vai dar para enxergar, mas tem aqui a resenha do Dust. Foi a primeira vez que eu li alguma coisa sobre a Play. Na mesma edição tem a resenha aqui do No Code, que saiu na mesma época, o New Adventures in Hi-Fi do Ariane também.
Qual que é a capa dessa edição, hein, cara?
A capa caiu, mas era o— a capa aqui tem um anúncio do disco do Counting Crows que eu perdi a capa, mas a capa era o Gene Simmons. Isso, porque o KISS tava voltando pela 39ª vez e acho que tinha anunciado o show no Brasil, não lembro o que que foi, que era a matéria de capa aqui da Biz. E foi a primeira vez que eu tive contato com a banda. Eu tava começando a ouvir música assim de forma um pouco mais séria, assim, começando a comprar revista, começando a ler a respeito.
E aí depois foi pelo MTV assim também, né? Comecei, eu já associei o nome com a banda e tal. Daí eu comecei a ficar de olho quando passava um clipe, né? Prestava atenção. Acho que o primeiro que eu vi foi o Neil Lost mesmo, que é o principal hit da banda ali, né. Eu não sei se eu acho Dust o melhor disco da banda, mas é um dos melhores, sem dúvida. Um disco que eles deram um salto assim no sentido de explorar novas sonoridades, novos instrumentos.
Então ele é um disco interessante assim. Eu ainda acho que o Sweet Oblivion é o É o auge deles, assim, realmente é o disco mais redondo. Mas o Dust é um, sem dúvida, é um disco importante já no momento que essa geração de Seattle já tava indo para uma segunda fase da carreira, assim, né, já buscando coisas novas. O Soundgarden lançou um disco bem diferente também nesse ano, né, o Pearl Jam lançou um disco ali meio de transição.
Então É um período interessante assim, aquele meio dos anos 90 ali, quando as bandas deixaram de ser tão populares, elas começaram a explorar novas sonoridades e tal, voltando um pouco para o cenário mais alternativo mesmo, né, saindo um pouco daquele mainstream ali, que era, enfim, não era o habitat natural deles, né. Então enfim, é um disco que eu eu considero bastante assim. Eu tenho ele aqui agora, eu vou me exibir um pouco.
Eu tenho ele, não vai dar para enxergar, eu acho, é autografado pelo baterista, o Bert Martin.
Pô, que legal, cara!
Ele, você sabe que o Bert Martin toca com o Nando Reis, né? E aí eu fui no show do Nando Reis para ver o Bert Martin, exclusivamente para isso. E aí ele autografou meu Meu best, meu, meu, meu.
Legal, tu tem autógrafo do Peter Buck, eu acho que desse dia, provavelmente.
Eu acho que eu tenho o Peter Buck também, né? Tava nessa turnê com o Nando também, autografou uns discos e tal.
Nando tava com uma banda fraca, né?
Mas vamos ouvir um pouquinho Virgílio agora, acho que já me estendi muito, cara.
Eu sabe que eu não lembro exatamente qual foi a Biz, mas eu, eu Eu comecei a ler assim de bandas também através da Biz, mas eu lembro que era aquela fase, quando eu comecei a ler a Biz, ela tava naquela fase showbiz, né?
É showbiz.
E daí tinha, cara, era alguma lista que eles faziam de alguma coisa assim em que aparecia lá nessa lista, eu não lembro o que que era, o Uncle Anesthesia, aquele que é o de 91, né? 91.
É o primeiro disco deles pela, por uma grande gravadora, né?
Isso foi o Chris Cornell, né? Eu acho que até que o Cornell, isso foi um dos produtores. Aí eu fiquei, é, daí eu fiquei curioso e tal. E sabe, a hora que eu consegui achar algum CD dessa banda aí, de repente eu peguei, né? Fiquei curioso e tal para ver. Tu não tinha como sair ouvindo assim, mas eu, primeiro que eu peguei foi o Sweet Oblivion até que Eu tava até, a gente antes ali de começar a gravar, tava falando com o Brody ali sobre ele também, e eu não consigo decidir assim, sinceramente, ouvindo os dois assim que eu ouvi.
Daí acabou sempre, é os dois que eu tenho assim físico, né? E aí é sempre os dois que eu acabo, eu puxo um, eu acabo ouvindo o outro também, e eu não consigo decidir sinceramente assim qual que é melhor, sabe?
E tem um disco entre esses dois, né, que foi engavetado, né.
E sabe que aí que tá, eu lembrei dos 30 anos do disco e aí eu fui escrever um texto lá para o Desconecta e tal, daí o Bruno disse, ah, vamos gravar alguma coisa. E aí isso tinha sido acho que poucos dias depois do evento em que a gente se encontrou ali no lançamento do livro do Scream Hell, né? Foi no Rádio Agulha aqui em Porto Alegre. E ali eu peguei o livro do Leonardo. Veja, vamos fazer o jabá aí, teu aí, ó, que é o livro do lado da Editora Barbante, né?
Isso é o livro do Leonardo sobre o disco solo, o segundo disco solo, né, do Mark Lanegan, que é o Whiskey for the Holy Ghost. E aí eu fui Depois que eu já tinha escrito o texto, né, que eu fui ler o livro e fui me ligar nessas coisas, né, porque tem um espaço grande de tempo, né, entre os dois discos. Um disco é de 92, o Sweet Oblivion, e o Dust é 96. E aí, pô, o que que rolou nesse meio tempo? Aí eu fui descobrir ali, né, que tu escreve mais sobre isso.
Foi onde eu lembrei ainda para o Brody, nossa, vamos gravar, vou chamar o Leonardo, né, que tem essa vivência aí da escrita do livro, né.
Pesquisador nato, né? Eu não tive oportunidade de ler o livro, mas vou tê-la em breve. Pois é, pode falar, Virgílio.
Desculpa. Não, não, não, não, pode, pode terminar.
Não, cara, eu ia dizer que já que a gente tocou no assunto do livro, é importante você fazer teu jabá aí, né? Fala um pouco mais sobre ele. Explica o pessoal aí o que que te levou, o que que te emocionou aí para escrever o livro. Cara, claro, a gente sabe, né, o que foi tudo isso, mas explica o pessoal de casa aí que é importante também. E aonde comprar, se tem a venda só online, se tem edição física. Vamos fazer esse jabá aí, é importante.
Tá bom. É, não, o livro se chama Uma Dose para o Santo, né, ele faz parte da coleção Sound and Vision da Editora Barbante. Qual é a ideia dessa coleção assim? O autor escreve sobre um disco. Cada capítulo do livro é equivalente a uma faixa desse disco, né? Então, no caso do meu aqui, ele tem 13 capítulos porque o disco que eu escolhi tem 13 músicas, né? E o livro também é ilustrado, né? Cada capítulo tem uma ilustração de um artista convidado.
No caso do meu aqui, a gente convidou o Diego Guela, né, um ilustrador de São Leopoldo. Então assim, só gaúcho envolvido nesse livro. O Guelak também gosta muito assim, né, desse tipo de som, acompanhou na época e tal, ele é quadrinista, enfim. E aí ele topou participar, eu fiquei muito honrado assim com o aceite dele, né, de participar, porque eu gosto muito do trabalho dele e acho que combinou muito assim com com o livro, né?
Desenhou o Lennigan de variadas formas aqui. E aí o livro é sobre o disco Whiskey for the Holy Ghost, né, que é o segundo disco solo do Mark Lennigan, que era vocalista dos Green Trees. Eu escolhi escrever sobre esse disco não só por gostar muito do disco em si, né, e enfim, ser um apreciador da música do Lenegan, não só na carreira solo como nos Cream Trees e vários outros projetos que ele participou, mas porque a história por trás desse disco é muito interessante assim, né?
Ele passou por uma série de problemas, dificuldades das mais variadas para conseguir finalizar esse disco. Quando eu recebi esse convite da editora, eu já tinha feito uma entrevista com o Mike Johnson, né, que era colaborador do Lennigan na época. Então ele já tinha me contado um pouco sobre isso, né. Então eu já tinha acesso a ele, eu já tinha um pouco de informação, eu já tinha lido bastante sobre o Lennigan, né, os livros que lançou, livros de memórias, né, ainda em vida e tal.
E aí eu fui atrás de mais informação, né, conversar com mais gente. Então consegui entrevistar o Jack Andino, né, que foi um dos produtores do disco. Lendário produtor do Bleach, né, de outros discos aí dessa turma. E o Johnny Yellow também, que foi o cara que conseguiu finalizar o Whiskey for the Holy Ghost depois de 3 anos do Mark Lanegan enrolando para terminar o disco. Então ele conseguiu me contar um pouco assim como foi esse processo de fazer o disco.
E assim, esse disco demorou um pouco, né? O Whiskey for the Holy Ghost demorou um pouco para terminar de ser feito, justamente porque durante o período em que ele tava fazendo esse disco solo, ele fez o Sweet Oblivion com Screaming Trees. E o disco foi assim, não foi um estouro de vendas, mas foi o disco mais bem-sucedido, né, comercialmente assim, dos Cream Cheese. Eles começaram a fazer mais show, né, gravar mais clipe, ter mais compromissos, né, com a banda.
Então ele demorou um pouco também para terminar o Whiskey for the Holy Ghost em função desses compromissos com a banda. Ele já tava de saco cheio da banda, queria sair já há algum tempo, né. E o John Aniello, ele participou falou também desse disco abortado do Screaming Trees, que foi um disco que eles tentaram fazer depois do Fatal Oblivion, ali por 1994 mais ou menos, porque o Lennart tava muito doidão, segundo ele. Assim, ele tava no momento bem ruim assim do problema dele com drogas e tal, e ele não tava conseguindo participar, não tava conseguindo se envolver.
A voz dele tava prejudicada, ele tava realmente, não tava no melhor estado mental assim para participar. Eles acabaram jogando muita coisa fora. Algumas músicas dessas sessões de gravação saíram depois numa coletânea dos Green Trees e também numa edição expandida que existe do Dust, né, que saiu faz uns 10 anos. Algumas dessas músicas foram resgatadas e saíram assim Nesses outros lançamentos. Mas eles desistiram de fazer o disco porque o Lennigan realmente não tá conseguindo, de plena posse de suas faculdades mentais.
E aí até tava relendo aqui a biografia dele, né, para quem não conhece. O que eu tenho aqui é a edição original inglesa, mas saiu no Brasil pela da estrutura do Terreno Estranho, né, Sim Records, ele fala um pouco dessa época, né. Eles contrataram um produtor que era o George Draculias, né, produtor que fez o Dust, levou eles para Los Angeles, né, tirou eles de Seattle, né. Vamos sair aí do Seattle, conhecia todos os traficantes, né, o cara tinha acesso às coisas muito mais facilmente.
Tal, então tirou ele um pouco dali. Ele começou a fazer um tratamento ali na época, e fala aqui o nome da medicação, tal de Buprenex. Ele foi para uma clínica lá em Beverly Hills, né, negócio chique, e ele ia dia sim dia não lá para tomar essa medicação que ajudava ele com a questão das crises de abstinência, né. Então ele conseguiu ficar mais são assim. Conseguiu render e fazer o disco acontecer, né? Até que um determinado momento da gravação do Dust, eles pararam de gravar, né?
No fim de 95, fizeram uma pausa de Natal, Ano Novo ali. Aí o Mark Lanegan foi para Seattle, aí ferrou tudo. Quando ele voltou, ele já tava, já tava no pico de novo, e mas conseguiu terminar o disco mesmo assim, né? Ainda bem, pelo menos esse saiu.
É isso aí, cara.
É um milagre se ter saído, né? É milagre, né? Tanto Whisky for the Holy Ghost quanto esse.
É, o Whisky for the Holy Ghost tem aquela história clássica dele ter jogado as fitas master, tentado jogar as fitas master num riacho, né, perto do estúdio ali onde estava gravando, e foi impedido pelo Jack Endino. Sim, o disco, o disco de fato quase não existiu porque ele ia ser jogado fora, né? Na época, né, era gravação analógica, né? Sim, digital como é hoje em dia. Tu grava, põe na nuvem e deu, né?
Tem mais fácil, né? Mas vocês hoje assim, 30 anos depois, né, o disco tá completando, completou 30 anos, enfim. Vocês acham que esse disco aí é um tipo um disco de que soa como uma despedida deles assim, cara, entre os integrantes e tudo mais. Depois, acho que não sei se teve algum disco depois, vocês demoraram para se reunir de novo, né? Mas não tem essa sensação assim por causa desse desgaste todo que tinha na banda, que eles, que era uma relação de amor e ódio, vai, né?
Isso talvez muito por conta dos abusos, enfim, que talvez, talvez não, todas as bandas naquela época ali abusavam, né? Mortalistas e tal. Mas vocês percebem talvez isso assim, cara, que tem essa questão? Talvez seja um disco assim de, é um disco de despedida antes deles admitirem que a banda tava acabando. Apesar de que, né, tem todas as 3, eles conseguem ter essa noção também ou não? Pode ir, Virgílio.
Eu, pois é, eu acho assim que na verdade, lendo a biografia ali do Mark Lanegan, eu li também tem um tempo, eu acho que nunca existiu uma relação de amor, na verdade, né? Eu acho que foi sempre uma coisa muito disfuncional assim, né? Eles nunca tiveram uma relação, que as bandas geral assim, o clichê, aqueles amigos que se juntam, né? Em algum momento aquilo pode virar alguma coisa mais profissional, mas Eu acho que eles nunca tiveram uma relação de amizade, né?
E acho que para piorar tinha essa coisa dos irmãos, né? Que irmão geralmente tem essa relação às vezes muito conflituosa, né? E ali não era diferente, né? Eles viviam assim brigando, né? E ele ficava ali no meio assim vendo aqueles dois brigando. Ele, né, no livro ele relata ali assim o quanto ele achava muitas vezes meio patético aquilo assim, a relação que eles tinham e tal.
E então ele nunca se sentiu muito, ele acha que ele era um cara, talvez comparando assim, talvez com o Lance Stanley, ele era um cara mais introspectivo, né? Tá total, tem essa impressão aí. Então isso aí talvez para ele, por que que eu vou me meter na briga? Isso aí talvez tem impressão, vocês podem depois falar mais sobre isso também. Que isso aí o cara vai guardando isso, não quer falar, e chega uma hora que isso aí incomoda a pessoa, né?
E daí nesse momento então, a banda já desgastada e com todos os problemas, onde que ele ia afogar a mágoa dele, né, cara? Legal para mim ir assim, cara, tô precisando de um trocinho aqui, traz para mim.
Eu acho que ali depois de 92 92, né, que eles lançaram esse disco, como o Leonardo falou, que foi o disco, querendo ou não, teve maior projeção, teve a música lá no, na trilha dos singles lá também, né, aquela coisa toda e tal. Eu acho que dali não virar muito assim, em pleno 92, né, que as coisas aconteciam aí comercialmente falando, eu acho que para ele deve ter sido meio que a gota d'água assim de convivência com aqueles caras.
Porque imagina, ele tava ali desde do meio dos anos 80 convivendo com eles nesse clima sempre assim, né? Eu fico às vezes pensando como é que saiu, o Dusty acabou saindo, e como é que ele é um disco tão bom, né?
Porque é com tanta qualidade, né?
Dentro dessa relação que eles tinham e de ficar com disco engavetado, problema com drogas, 4 anos daí no fim sem sair na Adam, como é que acaba saindo um disco tão, tão bom assim?
Eu vejo de duas formas assim. Eu acho que o Lennigan relata um pouco, né, no livro dele, que ele enquanto ele gravava o Dust, ele pensava: esse é o último disco que eu vou gravar com esses caras, eu não aguento mais eles. Mas por outro lado, ele foi ainda uma tentativa, uma última tentativa da banda deu um sucesso comercial maior. Os Cream Cheese teve uma carreira no meio alternativo americano da época ali, dentro do padrão assim, né, que era uma banda underground, uma banda alternativa da época, né.
Que foi fora do padrão foi Nirvana, foi Pearl Jam, que estouraram, venderam milhões, né. Os Cream Cheese tava dentro do padrão. Mas aí, na comparação com Nirvana, Pearl Jam, eles eram fracassados, né? Na realidade eles não eram, mas é que foi uma coisa tão absurda que aconteceu com as outras bandas, eles ficaram achando que eles perderam oportunidade, né? De repente gravar por uma gravadora grande, ter uma exposição maior e conseguir vender mais.
Então eles tinham assim essa ambição, né, eles tinham essa vontade. E aí eles perderam um pouco a oportunidade com esse disco abortado ali de 94, porque em 96 a coisa do grunge já tinha meio que passado a moda, né. Então eu acho que eles perderam o timing um pouco assim, porque o Dust é um baita disco, é um disco incrível assim. Ele foi eleito por algumas revistas na época o disco do ano assim. Assim, né, de rock. Então ele é um disco realmente muito bom, mas eu acho que eles perderam um pouco o timing.
Talvez se eles tivessem lançado esse disco em 94 e ele tivesse talvez estourado, né, algum single ali conseguido ter um pouco mais de sucesso comercial, e o Lennigan, né, ajudasse um pouco mais assim, né, talvez a banda tivesse continuado tal, né? Quantas bandas existem aí que os cara nem se olham na cara e a banda existe ainda? Então eu acho que foi uma mistura das coisas assim, sabe? Eles já não se gostavam muito e a banda não tava rendendo frutos assim, né?
Eles acabaram gravando, né, um outro disco que foi lançado depois que a banda acabou só, que é o Last Words. Até o Josh Holm, inclusive, que foi guitarrista na turnê, né, o Josh Holm do Queens of the Stone Age participou da turnê do Dust, né, depois. E ele gravou esse último disco com o Screaming Trees, que é um disco muito bom, muito interessante também, mas que ele foi lançado tipo 10, 12 anos depois de ser gravado.
Bem depois, verdade.
É, então era tão disfuncional assim, né, que agora tu falando, tá lembrando. Eu tava confundindo, na verdade, os discos, o engavetado com esse disco que é póstumo da banda, vamos dizer assim, né? E tu vê que até o anúncio do fim da banda, né? Porque, tipo assim, eles levam aí acho que ainda uns 4 anos que eles já estavam parados praticamente para dizer, olha, sim, sim, sim, né?
O Lennart conseguiu com a carreira solo dele Tava lançando disco atrás de disco e a banda não tinha sido oficialmente terminada ali, né? Até que um dia eles resolveram dizer, olha, acabou, né?
A gente não tem mais, vamos chegar em comum acordo aqui, né? Não dá mais. 4 anos depois, né? Inclusive grava, você falou do Josh Homme, ele grava, chega a gravar também com Queens of Stone Age, né? Também, se eu não me engano, é aquele disco vermelhinho lá. Eu nunca vou lembrar o nome daquele disco vermelhinho lá. E ele sai em turnê também, né? Songs from the Death, isso mesmo. E ele sai em turnê, né? Então é uma banda puta, banda foda também, né?
Josh Homme, Mark Lanegan, pô, quem era? Quem, quem, quem, quem, quem, quem? Cara mais arrozão de festa que tem, né, cara?
Mas puta, fora.
Foda, Dave Grohl é foda. Então tipo, esse disco deles também é bom, né? Mas é, desculpa, te atrapalhei.
Não, é curioso que começou com o Lennigan sendo chefe do Josh Homme no Screaming Trees, depois o Josh Homme foi chefe do Lennigan no Queens of the Stone Age. Eles trocaram de hierarquia.
É porque eu acho que pega, salvo engano, pega Ele, eu acho que ele tava recém saído do Kaios, né? E aí eu acho que ele tava assim meio sem banda ainda, né? E o primeiro disco, Queens of Stone Age, 98. E aí, aí ele sai em turnê desse, do Dusty, né? E aí ele toca junto na turnê, né? Eu acho que é o primeiro, primeira coisa que ele faz com eles é sair em turnê do Dusty.
Exato.
É, eu não lembrava desse Last Words. Eu tinha, eu escutei esse disco na época assim, mas eu não lembrava que era. Eu tava aqui na minha cabeça achando que era o disco que tinha sido engavetado, mas não. Agora eu consegui.
É um disco bem bom também. Ele é um disco mais de rock assim, ele é um disco mais de rock. Não que o Dust não seja, mas é um disco mais baixo, guitarra e bateria assim, né? Enquanto que o Dust tem cítara, tem Mellotron, Tem aquelas produções, tem vários, é um disco bem mais produzido assim, bem mais elaborado.
É, eu acho que isso tem a ver com o produtor, né, o Jorge Draculhas, que você falou aí, né, que é o dedo dele assim, né. Ele quis, acho que, sei lá, tem impressão que a banda já deveria ter as músicas meio, impressão não, já deveriam sim ter as músicas prontas, né? Mas ele deu esse, amplificou esse negócio assim, né? Não que talvez ele quisesse transformar a banda numa banda mais comercial, com mais sucesso audifônico. Acho que não é isso, né?
Eu acho que ele quis é realmente ampliar isso aí, essa amplificar assim do que tava. Até porque, cara, se você for ver, né, tipo, é como eu falei no começo, é o despedida da banda. Enfim, é um disco que tem, é pesado, mas é pesado no sentido assim de não pesado musicalmente, mas enfim, ele tem ali, é a experiência dele é pesada, talvez por tudo, né, cara, que eles tinham passado. Enfim, então eu acho que claro, o produtor teve muito a ver com isso assim, né, cara, de colocar todas essas, essas nuances a mais aí, né.
Esse, e cara, você vê assim que tipo é uma coisa meio entre um espaço e outro assim, se os ouvintes perceberam na canção assim, sempre tem, é preciso aquilo que tem que estar ali. Por exemplo, aqueles, o arranjo de cordas ou o melodrona, aquele lugarzinho certo. Então dá uma amplificada no som, né?
Sim. Tem um livro também do Bert Martin, um baterista, né, que é um livro especificamente sobre o período dele nos Cream Treez. Esse livro não saiu no Brasil ainda, mas dá para comprar na Amazon aí no Kindle. Para quem lê inglês dá para ler. Ele fala um pouco também sobre as gravações do Dust e como O Bert Martin foi baterista do Mad Season, né? Foi aquele projeto que tinha o Layne Staley, o Alice in Chains, tinha o Mike McCready, o Pearl Jam, e o Mark Lanegan cantou algumas músicas também nesse projeto.
E aí o Bert Martin fala sobre como as experimentações com percussão que ele fez no disco do Mad Season e a própria experiência dele tocando violoncelo no disco do Mad Season encorajaram ele a levar isso também para os Cream Trees, né? Então, além do produtor, que eu acho que incentivou realmente a banda a explorar novas sonoridades e tal, eu acho que a própria experiência do Bert no Mad Season também fortaleceu ele assim, tornou ele mais um músico mais confiante, né?
Mais do que simplesmente o baterista da banda, um cara que contribui, né, com arranjos e tal, contribui musicalmente assim de uma forma mais profunda.
E hoje é produtor também, né?
Também produtor, né? Além de tocar bateria com o Raze, ele produziu, né, o último disco do Nando.
Ah, sim, ele é produtor do disco.
Ele é produtor. E acho que talvez por conta disso, né? E outra, o Bert Martin, para mim, pode falar o que vocês quiserem e tal, não sei se é eu que puxando o saco dele não, mas eu acho ele um nessa linha dessa fase grunge assim, junto com o David Abruzzese, acho que são os melhores bateristas assim, né? E o Barry Timmarchi, ele tem uma assinatura que é muito característica dele, né? Você sabe que é ele que vai tocar, ele tem assim aquela viradinha, aquele joguinho e tal.
Fora que é um cara que tem um bom gosto assim para timbrar a bateria, né? O timbre da bateria dele é muito gostoso assim, não é E, cara, é porque ele bate, né?
Ele bate forte na bateria, mas não é uma coisa que dói no ouvido assim. Ele tem a mão pesada, mas essa timbragem que ele faz da bateria torna aquilo suave ao mesmo tempo, né? Sim, tem uma sofisticação ali naquela porradaria toda que ele faz na bateria. Total. E eu fui no show do Nando Reis para ver ele, né? E é impressionante assim de tu ver ele tocando ao vivo assim, o cara desce a mão mesmo, né? E mas é isso assim, tem uma sofisticação assim no jeito dele tocar.
Ele é um estudioso de percussão, né? Então ele realmente tem uma, tem muito conhecimento assim, não tá fazendo aquilo, né, a moda doida por fazer, né?
Exato, ele faz, ele faz, ele, ele falou isso, ele sabe o que ele tá fazendo, ele coloca a nota, enfim, no lugar certo, sem— e nesse aqui é muito mais sofisticado, né? É justamente talvez por isso mesmo que você falou aí, de ter passado por essa experiência com o Maxxis, que é da mesma época praticamente ali, né?
Isso, né? Vocês é 95, né, que sai, né?
Mesma época que eu digo ali, tipo, pouca diferença, né?
É, praticamente saiu da gravação do Mad Season para fazer o Dust, né? Foi na sequência.
Ele depois toca com a Ariane também, né?
Ele toca no Up, que o disco da Ariane, aquele de 98, quando saiu o baterista da Ariane, isso, tocou na turnê também. Então ele tem uma amizade com Peter Buck, né? É, pois é, muito forte assim. Eles Tocam em vários projetos juntos. Eles têm uma banda agora, me fugiu o nome. É Drink the Water, acho que é uma coisa assim. Drink the Sea.
Drink the Sea.
Drink the Sea.
Ai, tá bom.
É Drink the Sea, exatamente. Enfim, eles já tiveram outros projetos juntos, eles são muito amigos, né? Sim, é legal de ver os dois tocando juntos assim, eles se dão bem.
Uma outra coisa que eu tava lembrando assim também da leitura do teu livro ali sobre o Dust é que tu pega até um trecho ali de uma entrevista, agora não recordo qual ali, em que tem o lance deles falarem que a gravação também foi a gravação em que eles estavam se sentindo como se fosse um emprego, que foi a gravação mais assim que eles no processo de composição, né, das músicas.
Antes da gravação, eu fiz uma entrevista também. Para quem tá ouvindo, não me conhece, não sabe, eu fiz uma entrevista para o site Screaming Hell anos atrás com o Gary LeConner, né, que foi guitarrista do Screaming Trees. E aí ele me contou dessa época do Dust, como é que surgiram as músicas assim. O Gary LeConner era o principal compositor da banda, né. E aí ele ficava em casa compondo e mandando as músicas para o Mark Lennigan.
E o Mark Lennigan, né, o bonito, ficava lá em casa esperando. E aí escolhia, né, essa aqui eu gostei, essa aqui eu não gostei. E aí as que ele gostava, eles trabalhavam e tal, desenvolviam mais a música e tal. Só que esse processo durou um ano, né, e o Gary que já tava de saco cheio, né, de ficar compondo música e não satisfazer o Mark Lenniger, né. Então ele comenta, né, justamente isso que tu falou, Virgílio, na entrevista, de parecia, né, deixou de ser divertido assim, né.
Parecia realmente que ele tinha um emprego de tempo integral ali, ele passava 8 horas por dia compondo para tentar chegar no ponto final.
Engraçado de pensar, né, porque Depois a gente tem, claro, já isso já acontecia antes, né, porque o Mark Lanegan, o primeiro disco é de 90, né. Então ele já tinha uma carreira solo, já compunha alguma coisa, mas ele às vezes a gente tem essa ideia de como ele tinha essa imagem forte, a voz e tudo mais, é que ele participava mais do processo criativo, né. E por ele já ter uma carreira solo, né, fica imaginando Essas coisas, mas não, né?
Ele tinha esse distanciamento entre eles, era tão grande assim que ficava, ele ficava às vezes até meio alheio assim. Ele era o cara da voz ali, pronto.
É, nos primeiros discos do Screamin' Trees nem as letras ele compunha, né? Ele só cantava mesmo. E claro, depois que ele começou a compor e fazer os discos solo dele, eu acho que ele também começou a guardar as músicas melhores para ele, né?
Não tenha dúvida.
Ele também não é bobo, né? Ele tava louco para sair da banda. Vai estar dando música para os cara? Não, né? Aí fazia o Gary LeCorno trabalhar para ele. Aí só fazia, escrevia a letra e cantava.
Esse disco do Duster tem uma participação especial na música Dying Days, né, que é o Mike McCready. Cara, impressionante assim como você, o jeito de tocar do Gary LeCorno, ele É parecido um pouco assim, eu acho, com o do Mike McCready. Mas o cara é impressionante, parece quando o Mike McCready ele passou lá, parece que ele coloca tipo o Eddie Van Halen, né, coloca o instrumento dele no talo, fala assim, agora é comigo, cara. E vem aquela guitarra, aquele uau maravilhoso, né.
Ele pluga aquela Stratocaster dele ali, né, com aquela timbragem do Hendrix ali, ou do Stevie Ray Vaughan, né? Liga o wah-wah, distorção, e a gente sabe que é ele. Ele tem uma marca registrada. Então ele realmente, o solo da In Days é dele, né? Tem umas outras participações no disco também, né? Do Ben Montante, né, que era tecladista da banda do Tom Petty, né? Ele toca Mellotron em várias músicas. Essa relação com Tom Petty veio também do George Draculias, né?
O George Draculias era muito fã do Tom Petty, produziu um ou dois discos do Tom Petty, e foi ele que fez essa ponte assim, né, entre Screaming Trees e o cara da banda do Tom Petty.
Eu acho que destaca mais ali, tava ouvindo Iceworm Broken, né, que tem tipo um solinho assim, é bem destacado.
Isso tudo ajuda a trazer músicos de gabarito assim para o disco, e isso vai, tu vai vendo o resultado, né. É musicalmente um disco muito mais rico, né, do que os outros da Mentreez, assim. Apesar da minha predileção pelo Sweet Oblivion, né, mas assim Uma coisa é gosto pessoal, outra coisa é tecnicamente ali tu avaliar musicalmente. O Dust é muito mais rico assim, né? Não tem comparação assim. É pela quantidade de instrumentos, várias partes que eles usam e tal.
O que eu queria contribuir com essa tua fala, talvez, talvez não, enfim, é que para pessoa que talvez tenha ouvido o disco uma ou duas vezes lá no passado e lembra, por exemplo, dessa ou daquela faixa, né? Fica a dica aí para ouvir o disco inteiro. E vale o exercício de escutar mais de uma vez, né, porque você vai ouvir umas 2, 3 vezes, você vai se acostumando com o disco, e daí daqui a pouco você encontra uma: opa, eu não tinha percebido isso aqui, esse detalhe aqui, né.
Eu acho que esse que é a mágica do disco, né, desse disco, enfim, é você encontrar essas peculiaridades aí, né, durante cada audição que você vai dizer, né?
Sim. Uma outra coisa que chama atenção nesse disco é que ele tem 10 músicas só, né? Numa época que as bandas lançavam, depois que o vinil caiu em desuso e as bandas começaram a lançar em CD, e o CD cabia 80 minutos de música, os caras começaram a fazer disco com 12, 14, 16 músicas, né? O Soundgarden nesse mesmo ano lançou um disco com 16 músicas. É, Né, isso foi mais conciso. Eles lançaram 10 músicas excelentes, né? É um disco, tu não pula uma assim, ele é um disco muito, muito regular assim, né?
Ele começa e vai até o fim. A última música ali, Gospel Plow, é linda, é uma das músicas mais lindas da carreira, uma das minhas preferidas inclusive do disco.
Do disco.
Então assim, é curioso isso, porque é uma época que as bandas estavam lançando discos cada vez mais longos e talvez não atingissem o que esse aqui consegue, né? É um disco coeso assim do início ao fim. E um outro detalhe que eu agora peguei aqui o CD para ler, mixado pelo Andy Wallace. Wendy Wallace, né? O cara que mixou Nevermind, o cara que mixou Chaos AD do Sepultura. Então o cara também é um mestre, né, do estúdio. E ele que fez a mixagem do Dust já tinha feito do Fatal Oblivion também. Assim, eles escolheram a dedo também os caras com quem eles trabalhavam, né?
Tipo, é para fazer o último ali, já que tá, que vá. Mas é isso, né, cara? É o disco, ele tem uma qualidade monstruosa assim. É um disco, cara, eu acho que é difícil você achar alguma música que você não gosta desse disco assim. Pode ser que até que tenha, enfim, mas que você vai acabar ouvindo assim. Mas a gente comentou até no começo do podcast que o ano já era 96, o jeito de ouvir música já era outro, já tinha outros estilos.
Vale lembrar que já tinha lançado Korn, já tinha lançado nesse ano, já tinha tinha sido lançado Roots do Sepultura. Então o grande assim, esse movimento, todas as bandas elas tinham, cara, que quem flertava mais, por exemplo, insisto aqui, com folk, com psicodelia, hard rock, enfim, até blues que tem nesse disco, se for ver, já não tinha tanto espaço assim, né. Então eu acho que isso em algum momento acabou, por mais que seja um baita disco, em algum momento acaba deixando o disco meio nos o ostracismo, mas ele foi ficando na segunda prateleira ou terceira, sabe, por conta disso, né, desses outros movimentos que estavam surgindo e tal.
Mas é um disco que vale muito a pena ser revisitado assim, porque, cara, tem muita coisa legal, né, tem muita música legal. É um disco que tem uma qualidade sonora bem grande assim, né, apesar dos comentários, né, Leonardo e Virgílio. Poxa, as letras, você vai prestar atenção nas letras assim, tá louco, dá uma depressão, cara.
É porque eu acho engraçado até, porque a gente vê como não é só sonoridade que na época assim que é o que valia para eles alcançarem o sucesso, alguma coisa. Porque se for analisar das bandas das quais eles eram relacionados ali de Seattle, ali como tu disse que a sonoridade não tinha muito a ver, mas algumas bandas aconteceram sonoridades muito mais difíceis de ser assimiladas, né? Tipo o heavy metal ali que tinha no som do Soundgarden e do Alice in Chains, era uma coisa muito mais difícil de assimilar, né, para o público em geral, vamos dizer.
Mas eles acho que foram pegando uns times meio, time, pois é, cara, eu fico, eu Enquanto eu tava, enfim, preparando para participar aqui do papo com vocês, eu comecei a me questionar, né, por que que os Cream Cheese nunca aconteceu assim, né? Por que que eles não estouraram que nem as outras bandas, né? Porque eles tinham tudo, eles tinham bons músicos, eles tinham um baita vocalista, eles tinham boas composições, os discos eram bem produzidos, bem tocados, vê, eles trabalharam com os melhores caras.
Né?
Por que que essa banda não aconteceu assim, né? O que que faltou, né? É curioso. Mas por outro lado, eu acho que o estranho não é eles não terem feito sucesso. Estranho foram os outros terem feito tanto sucesso. É, cara, porque não é normal, né? Uma banda saída do underground assim estourar e tirar o Michael Jackson de topo das paradas como Nirvana fez. Claro que Nirvana amaciou muito o som ali. O Nevermind é um disco muito mais pop do que o Bleach, né?
Disco muito mais radiofóbico, refinado. É, mas não era a música que costumava tocar na rádio, costumava tocar em TV e tal, né? E de repente aquilo estourou e Isso que não é o normal, né? Mas eu acho que pena assim, porque Screaming Trees, enfim, é uma banda que merecia ter tido um pouco mais de destaque assim.
Eu acho que eles tinham uma pegada assim muito mais— tava lendo até aquela resenha que tu mostrou ali da Bisto, me passou, daí mais cedo eu tava lendo, e o Pedro Só que escreveu, né? Daí ele fala muito de psicodelia, né? Esse vincula muito eles a essa psicodelia mais setentista assim, né? É uma coisa muito mais de hard rock, mais clássico, vamos dizer assim. E com essa coisa psicodélica, cada um no seu, com seu som. E o Pearl Jam também, que era uma banda muito mais de hard rock também, mais clássico.
Essa coisa de punk ou metal que as outras bandas tinham. Então, se for analisar assim por esse lado da sonoridade, né, faria muito mais sentido assim eles terem acontecido, né? Pois era um tempo muito louco, né?
Sim, era outros tempos. Eu acho que o que leva o Nirvana, e enfim outras bandas, esse processo inverso que você fala aí desde o começo, por exemplo, tirar o Michael Jackson do topo das paradas, né, cara? É porque não é nem, talvez, talvez não seja nem por conta da sonoridade. Mas por conta do movimento, né? Comparando, por exemplo, o grunge com o movimento punk, que foi, cara, que no começo todo mundo era punk, né? A gente falou isso, eu acho que num episódio ou dois atrás assim.
Então lá no meio tinha Talking Heads, tinha Patti Smith e tal, todo mundo era considerado punk, né? Mas era aquela atitude, era o movimento num geral, como era o grunge, cara. Pô, em algum momento você olhou o cara que saiu, que sai de uma garagem usando um tênis All Star surrado, uma calça rasgada, uma camisa e tudo mais, e pô, você se identifica muito com aquilo, né? Eu acho que isso também teve muito a ver, essa, como é que eu posso falar a palavra, cara?
Esse apego assim, essa, sem ser marketing, enfim, cara, né? Talvez nem é sonoridade, cara, mas é isso mesmo, né? Vocês estão conseguindo fazer entender a imagem?
É, acho que tem vários fatores, né? Acho que a imagem ajuda, sem dúvida, né? Talvez o Lennigan não tenha conseguido vender a imagem dele como o Kurt conseguiu, como Ed Vedder conseguiram, Chris Cornell, enfim, caras que talvez lidassem melhor com a câmera, enfim. Tem vários fatores, né, que podem ter influenciado assim, mas é isso. Se fosse julgar só pela sonoridade, os Queens não devem nada assim para nenhuma das bandas, entendeu?
Milhões, né? Então eu consigo entender porque que o Mudhoney não estourou. Melvins era uma banda com som muito mais sujos. Vocalista não eram os cara bonitão assim, né, como o Lennart era, os outros eram. Então era um som muito menos comercial, muito menos vendável, né. Consigo entender o Mudhoney não ter estourado, mas os Screaming Trees fica uma pulga atrás da orelha assim, uma banda que eu acho que teria esse potencial.
Fica o questionamento, né.
É, mas agora tem muito a ver a própria, acho que De certa forma, é até pelo lendo a biografia dele, lendo o teu livro depois, tu vê assim a personalidade dele assim não era de um cara muito afeito àquilo.
Eu acho que essa coisa dos bastidores também influencia, né? Se torna um cara difícil de trabalhar, o cara que tá sempre, então quando você confiar nele, não sabe se ele vai aparecer, né? Ele tá toda hora ameaçando sair da banda, né?
É de todo mundo fazendo joguinho, né? Tipo, ah, se não for do jeito que eu quero, sai da banda e tal. Aí tem que ver também, talvez. Mas isso também pode fazer parte do folclore da banda. Enfim, talvez pode ser caso pensado, mas enfim, acho que não. Músicas preferidas do disco, cara, qual, quais são as de vocês? Eu já vou citar as minhas duas preferidas do disco aqui, cara, que é Look at You e Gospel Blow.
Para mim Só sonzeira, cara. Eu tava, você tava falando de Dying Days, aí eu tava, eu acho que Make My Mind encaixa muito bem ali na sequência, porque daí Dying Days tem o solo do McCree, né, e Make My Mind dá uma acelerada assim no final, tem um solo do Gary Lee Conner ali que eu acho que é bem bom. Talvez seja a minha preferida hoje assim, seja Make My Mind, que é a quinta música. Legal. E aí, Swarm and Broken, que é a sexta, que daí tem o melotron ali, né? Acho que as duas assim que estão bem na sequência uma da outra.
É, cara, esse negócio de música preferida para mim é muito difícil, cara. Eu gosto do disco inteiro assim. Para mim não tem nenhuma música ruim. Se eu fosse, sei lá, escolher uma diferente assim Eu gosto muito de Traveler, a oitava música. Eu acho uma música bonita, acho que talvez a única música que tem um violão um pouco mais destacado assim, mais acústica. Mas eu gosto, enfim, Gospel of Love é uma música do Led Zeppelin assim, sabe?
Total coisa que é nesse nível de qualidade assim, para mim não deve nada para o Jimmy Page.
Eu toda vez que eu ouço Look at You, cara, eu não sei, acho que a música tem isso, né? Ela tem esse poder de, sei lá, de levar para um lugar assim que talvez, sei lá, se é déjà vu, enfim, cara, mas você vai, parece que é transportado para uma época, para um que você nem viveu às vezes, né? Mas tem essa impressão assim, eu ouço Parece que eu tô num outro, outra década. Por mais que 96 eu era mais novo, enfim, né, cara, e eu nem gostasse tanto assim de Screamin' Trees na época, né, apesar de ouvir Dollar Bill, só escutava aquela música que era a única que eu tinha, né, cara.
Mas assim, hoje você ouve assim, fala, cara, transporta. Não sei se é para aquele momento ou outro assim, a música tem esse poder assim, né, de de te proporcionar isso, né? E louco, eu tive, tem muita sensação assim de viver alguma coisa que eu não sei explicar o que que é, cara, que eu já posso ter vivido. Enfim, é muito doido falar sobre isso.
Isso era outra coisa também, né? A gente nessa época não tinha acesso fácil às coisas, né? A gente lia uma resenha do disco na Biz, não fazia ideia de como era a sonoridade daquilo, né? A gente ia atrás Comprava o disco às vezes sem conhecer nenhuma música, né? Ou conhecia uma ou outra que saiu um clipe, a gente viu, tocava em algum lugar. E hoje em dia a gente tem a discografia inteira da banda à nossa disposição na internet, a hora que quiser. Assim, é muito louco isso.
É, mas é, tu vê, eu tava pensando aqui agora que ao mesmo tempo assim que a gente tem tudo na mão, a gente não tem tempo daí para absorver tudo, né? Porque eu tava pensando que agora eu até me devo isso uma hora, é ouvir mais os discos ali anteriores assim, né, dos Cream Trees. Que na verdade eu tenho esses dois que eu comprei na época, eram os discos que eu ouvia na época, mas hoje eu posso ouvir lá tudo que eles fizeram antes, que é um punhado de coisa, que eles têm um monte de disco antes, né?
E que eles gravavam por aquela SST Records, né? Sim, tem disco desde ali do meio dos anos 80 ali, deve ter muita coisa bacana. Eu confesso que eu praticamente não conheço nada assim, sabe? É uma coisa que eu devia me aprofundar em algum momento assim.
São uns discos meio tosquinhos assim, né? São uns discos meio, é, não, a produção não era, né, assim, mas não era o bicho assim. Eles ficaram bons assim no colocou anestesia ali, eles começaram a ficar melhorzinhos. Sim, mas claro, vale ouvir pela curiosidade assim, mas até a voz do Lennart, tu viu que não tinha amadurecido ainda, sabe? Era uma banda mais amadora assim.
Mas tu vê que conseguiram, né, assim, tipo, gravaram o quê, quantos discos, né?
4, 5 discos, gravaram os 4 ou 5, né? Até era um outro baterista na época, né, era o Mark Pickerel.
As bandas tinham tempo para ir, né, amadurecendo, aprendendo, né, se aprimorar também, né, principalmente estúdio, né, para você chegar nesse nível de perfeição. Estúdio, claro, tem aí a dedo do produtor que conta muito também, né. Mas enfim, cara, talvez, talvez o disco Desculpa, vai falar.
Não, tu tem um bom estúdio, custa dinheiro, né? Hoje em dia é mais fácil, a gente grava em casa, né? A gente, os músicos, né, podem gravar coisas em casa e fica com uma qualidade boa. Mas naquela época tu precisava ter um produtor bom, estúdio bom, né? Nesse disco aqui eles conseguiram ter isso.
Bom, cara, enfim, o Dust, cara, de 96, ele pode não ter Sei lá, cara, mudado assim esse rumo do rock dos anos 90, né? Mas ele, ele é como se a gente fosse um capítulo assim, cara, dos capítulos mais, sei lá, elegante, emocionante, enfim, que foi escrito por uma banda que a palavra certa é que eles caminhavam à margem dos holofotes, né? Eles não chegavam sempre ali pertinho, né, cara? É o tipo de álbum que assim você, ele vai crescer com o tempo.
Então quanto mais você vai ouvindo, mais você vai entendendo aquele momento. Se você pesquisar e ler, enfim, você vai entender um pouco mais sobre todo, né, sobre o contexto que ele se inseria. E também tem a questão da melancolia, né, cara, que se você for pegar hoje essa melancolia aí, ela fica ainda mais mais intensa assim, né, cara? Já que a gente não tem mais o Mark Leningen aí junto de nós, então isso fica mais intenso dentro, ouvindo a música hoje assim, né?
E, cara, para mim é uma das formações mais singulares que teve aí na banda, em Seattle, essa banda, né, com uma qualidade sonora incrível e que realmente assim, cara, se você É o que eu sempre falo aí em todo episódio. Se, cara, se você ainda não ouviu esse disco, faça um favor agora já, você mesmo, para tudo que está fazendo e ouça do começo ao fim.
Para de ouvir a gente, vai ouvir o disco.
Isso aí, Leonardo.
Antes de você—
pode falar.
Inclusive, eu recomendo essa trinca aqui, ó, que é o Sweet Oblivion É o disco do livro aqui, né, no caso, e o Dust, né. Acho que se pegar essa trinca aí, tá feliz demais.
Antes da gente terminar, Leonardo, fala de novo do livro aí, faz o teu jabá para a gente.
Tá bom, deixa eu pegar ele aqui. Bom, então o meu livro se chama Uma Dose para o Santo. É um livro que conta a história— tá travado eu?
Quem tá travado é o Virgílio.
Então vamos lá. Uma Dose para o Santo, livro que conta a história das gravações do disco Whiskey for the Holy Ghost do Marco Nega, livro da Editora Barbante, está disponível no site da editora Editora Barbante, editorabarbante.com.br. Também tem na Amazon, tem algumas livrarias pelo Brasil, tem na Livraria da Travessa. Se tem alguém vendo a gente na Europa ou em outro lugar do mundo, a Livraria da Travessa vende o livro e manda para qualquer lugar do mundo.
Então dá para comprar lá também. E só existe o formato físico, não existe formato digital. Digital. Então você vai ter que comprar o livro, porque ele também, além do texto, ele tem as ilustrações maravilhosas, incríveis, do Diego Guela. Muito legal. E é isso, espero que gostem. Depois tu me diz aí, bro, de que que tu achou.
Sim, eu vou te dar o meu feedback, tá bom? Normalmente eu dou feedback positivo, que eu gosto de tudo. Mentira. Quando eu não gosto, eu falo, eu falo mesmo. Mas assim, eu tenho certeza que eu vou gostar, até porque, cara, está falando de uma das bandas que é banda do estilo preferido, enfim. E o Virgílio já fez uma propaganda bem tremenda desse, do seu livro aí. Então agora só tô no aguardo.
O disco é muito bom também, né? O disco é muito bom.
Então também, é assim, a gente se esforçou para fazer um melhor livro possível assim. Claro que a distância física impede, né? Eu tentei conversar com mais pessoas envolvidas no disco, tentar descobrir mais coisas, mas tudo que eu consegui descobrir eu coloquei ali no livro. Quem sabe se eu conseguir descobrir mais alguma coisa no futuro, a gente faz uma edição ampliada.
Virgílio, cara, obrigado por mais uma aí. Deu uma travada aí, mas voltou com o celular, tá tudo certo. Viu como é que é tecnologia?
É isso, Leonardo.
Foi um prazer aí, cara, te conhecer. Eu espero que a gente possa manter o contato, enfim. E o convite tá sempre aberto, cara, quando for algo assim. Bom, quem vai coordenar isso é o Virgílio, né? Ela falou, acho que isso aqui é legal trazer o Leonardo. Fica, já esteja intimado.
Não, com certeza, conversar sobre música com gente que gosta, se interessa e sabe de música como vocês é sempre, sempre bom. Então já tá aceito o convite, show, só chamar.
Lembrando então a todo mundo aí que o podcast Redação Desconecta vai ao ar todas as terças-feiras às 8:30 da manhã nos seus agregadores de streaming. Ficaram, eu adorei essa, essa, nunca mais complicado falar, seus agregadores de streaming preferidos, tá? Então escolhe aquele que você mais curte aí e vai caminhar, ouve a gente, vai fazer esteira, vai, sei lá, cara, cozinhar, ouve a gente, vai qualquer coisa, entendeu? Ouve a gente ou assista a gente também pelo YouTube aí que a gente tá lá no Redação Desconecta, legal?
Semana que vem o Virgílio tá de volta com outro discaço aí que a gente vai estar falando que Cara, sensacional também, lançado em 96. Mas aí a gente vai deixar o sem spoiler, sem spoiler, tá bom? A gente se encontra no próximo aí, galera. Valeu, brigadão, tchau!
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Livro "Uma Dose Para o Santo"