‘Água que passa a vida batendo na mesma pedra não sai ilesa’
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- Persistência e ConstânciaA água que bate na pedra · A água que contorna a pedra · Confusão entre exaustão e medalha · Rossandro Klinjey
- Sabedoria e adaptaçãoReconhecer quando a pedra não é o caminho · Encontrar frestas e mudar de curso
Refletir para viver, com Rosandro Klingey.
A gente cresce ouvindo que água molha em pedra dura, tanto bate até que fura. E aprende a transformar essa frase numa virtude absoluta, persistência. Teimosia com um nome bonito. Só que ninguém para para perguntar o que a água perdeu no processo. Porque a água que passa a vida batendo na mesma pedra não sai ilesa. Ela se dispersa, se fragmenta, perde direção.
Vai diminuindo enquanto a pedra continua lá, impassível, sem nem saber que há uma batalha acontecendo. A pedra não sofre. A água, sim. Tem gente que passou anos numa relação que não cedia, quando não em um emprego que esgotava física e emocionalmente, ou num relacionamento estagnado e acreditou que a culpa era falta de persistência, que bastava insistir mais, insistir de modo diferente ou, quem sabe, com mais técnica.
A frase popular dava combustível para isso. Resistência virou identidade e nesse processo se confundiu exaustão com medalha. Mas existe uma diferença que o ditado não ensina, entre persistência e insistência. Persistência é continuar num caminho que avança, mesmo devagar. Insistência é repetir o mesmo movimento esperando resultado diferente.
Uma constrói, a outra corrói. A natureza, aliás, ensina o contrário do ditado. Água inteligente não fica batendo na pedra. Ela contorna, encontra a fresta, muda de curso, achava outro caminho para chegar onde precisa chegar. Chega do mesmo jeito, com muito menos desgaste. Às vezes, o que parece de existência é, na verdade, sabedoria de perceber que aquela pedra nunca foi o seu caminho.