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1 FUNKEIRA X 25 POLICIAIS | FT. ARI FALCÃO

08 de março de 20261h40min
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Uma funkeira enfrenta 25 policiais em debate intenso sobre o impacto do funk na sociedade, censura, bailes de rua e transformação social. Ari Falcão protagoniza a discussão explosiva que confronta visões opostas sobre cultura, segurança e liberdade de expressão.#funk #debate #policia 1 FUNKEIRA X 25 POLICIAIS | FT. ARI FALCÃOSIGA nosso INSTAGRAM ➡ https://www.instagram.com/redcastoficial/Funkeira contra policiaisPoliciais contra funkeiraO funk realmente influencia os jovens a vencerem na vida?Censurar MCs é uma forma legítima de censura?Os bailes funk de rua deveriam ser liberados em todas as comunidades?Como o funk transforma a vida das pessoas para melhor?Por que o funk é mais criticado que outros gêneros musicais?Qual o papel dos policiais no debate sobre cultura periférica?Ari Falcão consegue mediar debates polêmicos com imparcialidade?Quais os principais argumentos da funkeira no debate?Como os 15 policiais se posicionaram sobre o funk?Existe preconceito contra o funk como manifestação cultural?Os bailes de rua realmente fazem bem para a população?Quais os impactos sociais positivos do movimento funk?Por que há tanto conflito entre polícia e cultura funk?O que outros gêneros musicais têm em comum com o funk?Como a funkeira defendeu sua posição contra 25 policiais?Quais os principais mitos sobre o funk brasileiro?O debate mudou a opinião dos policiais sobre o funk?Qual a importância de discutir funk e segurança pública?Como o funk representa a voz das comunidades periféricas?Existe solução para o conflito entre bailes e segurança?Quais argumentos os policiais usaram contra o funk?Por que o funk é visto como problema social por alguns?Como Ari Falcão conduziu esse debate explosivo?Quais as semelhanças entre funk e outros estilos musicais?O que a sociedade precisa entender sobre a cultura funk?Como os jovens são influenciados pela música funk?Qual o verdadeiro papel do MC na sociedade brasileira?Por que os bailes funk geram tanta polêmica?Quais os benefícios sociais dos bailes de rua?Como desconstruir preconceitos sobre o movimento funk?

Assuntos11
  • Funk como incentivo para jovens venceremInfluência do funk na vida de menores · Oportunidades de ascensão social através da música · Comparação com outras profissões · Educação e desvalorização cultural
  • Sexualização e sensualidade na música funkDiferença entre sensualidade e sexualização · Conteúdo explícito para menores · Comparação com outros gêneros musicais · Responsabilidade do artista sobre consumo
  • Apologia ao crime em músicaRepresentação da realidade periférica · Liberdade de expressão artística · Tráfico de drogas e violência · Direito de contar histórias da favela
  • Preconceito contra FunkPerseguição ao funk específico · Vertentes de funk proibidão · Comparação com sertanejo e pagode · Desvalorização cultural
  • Funk como loteria socialPoucos artistas conseguem sucesso · Realidade de ganhos materiais · Comparação com outras profissões de baixa probabilidade de sucesso · Influência em menores de idade
  • Uso de drogas em ambientes de funkConsumo em bailes e festas · Comparação com outros ambientes sociais · Visão de polícia sobre tráfico · Realidade de comunidades periféricas
  • Polícia e cultura periféricaRelação polícia-comunidade · Segurança pública versus liberdade cultural · Histórico de perseguição · Visão de autoridades sobre funk
  • Liberdade de ExpressãoDireito de criar e cantar · Expressão cultural periférica · Autonomia do artista · Representação de identidades
  • Relacionamentos FamiliaresControle de conteúdo por menores · Papel da família · Formação de valores · Educação versus entretenimento
  • Imagem e Trabalho da FunkeiraProfissionalismo de MC · Importância visual e estética · Produção e carreira artística · Reconhecimento profissional
  • Bailes funk de ruaLiberação de festas em comunidades · Risco de acidentes · Impacto social positivo · Regulamentação de espaços
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Não tem nada a ver. Mas o que o Oruó tem a ver comigo, cara? Eu quero que o Oruó se f***. Conheço ele. Vai tomar no seu c***. Não tenho paciência, não. Quer debater com o Oruó, você chama ele no Instagram e vai debater com ele. Ela acha que a arte dela é ficar falando sobre putaria, é ficar falando sobre putaria. E tudo isso abaixa a cultura brasileira, abaixa a educação e abaixa tudo que é de bom. Porque ela não tem a cultura.

Platão falava mais de dois mil anos atrás Que o seu estilo de música Acaba com a sociedade Você tem que tomar cuidado Com o estilo de música que o governo dá E você mostra E você concordou comigo Que fazer apologia, por exemplo, sobre o nazismo É crime, assim como fazer Apologia, a facção e letra de música Também deveria ser crime Ponto final, não tem discussão Tem discussão sim, eu não concordo com você Não tem discussão, você veio aqui pra fazer monólogo Você é idiota, você é ignorante

Feio, do c****** calmo. Dá pra ver que seu cabelo é implante. E não pode fazer apologia ao crime organizado. Mas se ele quiser cantar... Repare que você trazia uma realidade dizendo que há crime na favela, isso existe. Mas se eu quiser escrever uma história de um menino e quer afuar como se eu fosse... Não, não, não, não, não distorça as coisas. Eu não tô distorçando. Então vamos usar de exemplo o MC Kevin, que era traficante, depois virou funkeiro e venceu na vida.

Ele não pode fazer uma música falando sobre o ponto de vista dele quando ele era traficante, porque é apologia. Mesmo que na letra dele ele incentiva as pessoas a sair do crime. Não, mas eu acabei... Não, você tá distorcendo, você tá distorcendo. Eu não tô distorcendo, eu tô te perguntando do mesmo.

Eu acabei de falar, eu acabei de falar que você cantar a realidade não é fazer apologia. Ela está tentando aqui fazer o esporte wash e tentar melhorar a imagem do funk, tirando ele desse segmento. Não, eu só acho, você vai deixar eu falar ou você está fazendo monólogo, amigo? Não, não, não, eu posso falar da minha opinião? Isso aqui é um debate, se fosse para você falar sozinho, você estava sentado na cadeira sozinho aqui. Não muda a vida, não muda, não muda, não muda. Muda de vocês, muda de vocês que engana,

plataforma de jogo, iludindo, iludindo os jovens da favela, aí muda tudo. Oi, meu nome é Ari Falcão, eu tenho 22 anos, eu canto funk e hoje eu tô aqui no Redcast pra debater contra 15 policiais. O primeiro tema é o funk incentiva os jovens a vencerem. Bom dia. Prazer, me chamo Enzo Maluf, sou um dos poucos aqui que talvez não seja policial, mas sou filho de um delegado de polícia, delegado Ricardo Jamaluf.

Ai, desculpa, gente. Esqueci. Ai, meu Deus. Ele começa de novo? Tá bom. Ai, desculpa. Esqueci de apertar o tempo. Vai, Maluf. Eu, particularmente, não conhecia o seu trabalho. Respeito muito todos os cantores de funk, até porque é uma forma de se expressar. Entretanto, Ari, quando eu vejo que o seu trabalho é focado numa parte mais ligada ao funk proibidão, eu não acho que isso incentiva os jovens a melhorarem de vida.

principalmente em decorrência de um país como o nosso, em que se existe uma cultura de desvalorização da cultura nacional e uma cultura de desvalorização da própria educação. Ou seja, quando existe o seu funk e ele trata de uma sexualização e uma grande parte do seu público é de menores, a psicopedagogia provada por diversos membros, professores, titulares de faculdade, comprovam que quando os menores de idade acompanham pessoas como você,

que levam esse tema, talvez eles tendem a se dispersar. Então, eu creio eu que não seja uma solução o seu estilo de funk. Eu acho que, na verdade, ele tende só a piorar a vida de um jovem que talvez esteja perdido na vida. E isso eu acho deplorável. Tá bom. Como que é seu primeiro nome mesmo? Enzo. Enzo. Eu adoro esse nome, Enzo. Gente, acho um nome tão fofinho. Então, Enzo, eu respeito a sua opinião.

Eu entendo o seu ponto de vista. Ninguém é obrigado a gostar do que eu faço como eu gosto. Eu não diria que eu trabalho com a sexualização e sim com a sensualidade da mulher mesmo. O que eu canto nas minhas letras, nas minhas músicas, é sobre a sensualidade feminina, assim como vários homens cantam também. E eu não vejo ninguém reclamando sobre isso, mas eu também tenho várias músicas que falam sobre outros temas, sabe? Então, a minha parte do público que é menor de idade não frequenta os meus shows.

tem uma relação comigo muito boa na internet, eles mandam mensagem pra mim falando, ah, eu queria escutar a sua música, mas eu não posso. Eu falo, não escuta mesmo, você não tem idade pra escutar, não é pra escutar. Eu tenho diversos vídeos falando isso, e realmente não tem como eu controlar o que o filho de outra pessoa vai consumir. Eu tive uma educação muito boa dentro da minha casa, e eu comecei a cantar putaria só depois que eu já era uma adulta. Então, eu acho sim que o funk incentiva os jovens a vencerem,

era criança, eu via outros MCs de funk vencendo e isso me incentivou a querer vencer também. Claro, nem todo mundo vai olhar pra um MC e vai querer ser MC também, mas existem várias letras de funk que falam sobre outros temas e incentivam os jovens a estudarem, a trabalharem, a conquistarem as próprias coisas, sabe? Bom, eu discordo de você quase completamente, porque na minha opinião, se uma pessoa já está perdida na vida e escuta o seu estilo musical, ele só tende a se perder muito

Pode apertar ou espera ele começar?

Como você diz, que sejam respeitosas ou não. Mas tem muitas músicas suas que fazem sexualização da mulher. Então, eu, como jovem cristão, não acho isso certo, né? Você cantar uma música que traga a sensualização da mulher. Então, o que você tem a falar sobre isso? Sobre a apologia ao crime das canções de funk que hoje em dia fazem apologia? Então, primeiramente eu tenho a dizer que o Oruan não é funkeiro, né? O Oruan canta trap.

Então, se você quiser falar sobre o Oruan, vai num debate que fala sobre trap. Aqui a gente tá pra falar sobre o funk. E eu nunca vi o Oruan na minha vida, eu não conheço ele.

sobre ele, eu tô aqui pra debater sobre o gênero musical. E sobre os fãs que falam sobre apologia ao crime, o que você acha sobre isso? Eu acho que não é apologia. Você acha que isso vai trazer os jovens para uma mudança de vida? Você acha isso? Não, eu acho que ali a gente tá retratando uma realidade, assim como um cantor de rap canta sobre crime nas letras, sobre um outro ponto de vista. A gente canta sobre o que a gente vê e o que a gente vive dentro da periferia.

Então, a arte, ela tá aí pra gente se expressar como a gente acha melhor. Se eu quiser falar na minha letra,

tava no baile e teve desfile de fuzil. Você é carioca. Da onde você vem, você sabe que tem muito desfile de fuzil no baile. Se eu quiser cantar uma letra falando sobre isso, eu tô no meu direito. É o que eu vejo no meu dia a dia. Então, o assunto aqui não é quem vai consumir a sua música ou não. Eu estou falando sobre o tema aqui. Mas eu não falei sobre quem vai consumir a minha música ou não. Tô respondendo a sua pergunta. Presta atenção.

Sim, tudo bem. Você falou que isso mudaria, talvez poderia mudar a vida de pessoas que querem vencer na vida. Então, o funk instantâneo...

Não pode mudar. Eu não vou pegar um funk e jogar na sua vida e a sua vida vai mudar. Você acha que a sensualidade vai mudar a vida de alguém pra melhor? Você acha que isso... As crianças que estão dentro da comunidade vendo o crime sendo ali armas expostas, drogas, maconha... Você acha que isso vai mudar a vida de crianças e adolescentes que estão na rede social? Porque os conteúdos não são limitados. Se eu abrir minha rede social agora e começar a rolar vídeos, eu não vou...

Ó, Instagram, eu quero ver isso. Instagram, eu quero ver aquilo. Não. Instagram vai me entregar o que ele quer entregar. Primeiro que uma criança nem tem que ter Instagram, né? Porque tem faixa etária pra ter Instagram.

Se o filho de alguém que é de menor tem Instagram, que não tem idade pra ter a rede social, tem e consome esse tipo de conteúdo, não é culpa minha. Segundo que você não prestou atenção no que eu quis dizer. Eu quis dizer que as crianças veem os MCs vencendo na vida e se motivam com isso pra vencer na vida também. Sim, concordo com você. Talvez sim, talvez não. Muito obrigado. Bom dia. Bom dia. Calma aí. Vamos lá, prazer. Sou Paulo Chuchu. Prazer, Paulo Chuchu. Sou policial civil já há 20 anos e...

discordo quando você fala que o funk incentiva as pessoas a mudarem de vida. Eu acho que o funk acaba sendo, esse tipo de comentário acaba sendo uma loteria social. Como assim? Onde muitos jogam e pouquíssimos ganham. Como é a loteria mesmo, que eu também sou contra. Então, eu acho que o funk é uma loteria social, onde a maioria, principalmente a molecada de 15, 16 anos, às vezes pra ter um kit igual o cara que fez sucesso ter, que é tipo uma

moto, uma Porsche, o caralho. Então ele vai ter que partir às vezes pro crime pra poder assumir essa vontade dele. E aí o funk não é o funk que vai ajudar ele nessa aí. Eu queria saber se você acha que realmente essa loteria social, essa loteria fictícia, que é o cara vencer na vida cantando funk, que poucos chegam onde você chegou, onde Pipoquinha chegou, onde Anitta chegou, onde outros funkeiros chegou, e dizer que eu não sou contra o funk, tá? Sim, eu tô entendendo.

A idade que você tem, 22 anos, eu tenho 20 de polícia. E o primeiro show do Mr. Catra que teve em São Paulo, eu fiz a segurança dele há 20 anos atrás. Então não tenho nada contra o funk. Eu só sou contra o funk pra menor e sou contra o funk na porta da casa dos outros. Não, beleza. Eu também sou contra a menor de idade escutar funk putaria. Eu sou uma artista, não sou uma doente mental. Então, você falou sobre loteria social, né? Sim. Eu acho interessante você falar sobre isso,

porque eu acho que isso existe em qualquer profissão. Uma pessoa que vai estudar para ser advogada, às vezes ela vai fazer faculdade, ela vai até conseguir tirar a carteirinha da OAB e não vai conseguir ser um advogado ou um advogado bem sucedido. Uma pessoa que quer ser jogador de futebol, muitas vezes vai tentar várias vezes na vida conseguir e não vai ser bem sucedido. O assunto é o funk, mas você está colocando o funk como se fosse a única possibilidade existente dentro do tema. Não, é o tema que colocaram. Se você quiser debater sobre outro tema,

O cara que tiver a carteirinha de OAB, ele pode ir hoje e não tem prêmio. Mas essa possibilidade existe em qualquer profissão do mundo, não só no funk. Mas ninguém vai iniciar no funk por 60 anos de idade. É, por que não? Você conhece algum? Conheço, MC Zucca, inclusive faz parte da minha produtora. Um beijo, viu, Zucca? Tem 53 anos. E ninguém conhece. Você não conhece porque você não gosta de funk, você não escuta. Inclusive, muito feio você desmerecer o trabalho de outra pessoa.

Eu também não te conhecia. Não estou desmerecendo, também não te conhecia. Você fez a segurança do cara?

E aí? Que diferença isso faz na minha vida? Eu tô te explicando que eu não sou contra o funk. Mas em nenhum momento eu desmereci sua profissão. Aí ficou sem, hein? Muito menos a sua. Ah, não? Não. Então vai. Você quer que eu saia logo, você fala. Ah, eu queria que você saísse logo. Já desmereceu. Porra, lógico, eu desmereci meu colega de profissão. Desmereci quem? Desmereci quem? Não é porque você não conhece uma pessoa. Eu só falei que eu não conheço, né?

Desmerecer, não conhecia nem você. Não, você não falou desse jeito. Você falou com desprezo, como se você fosse melhor. Não, que desprezo. Soberba. Que soberba, eu cheguei aqui e falei. Não, não é. Você não aceita ser confrontada, esse é o problema. Ah, eu não acho.

isso. Eu acho. Eu não acho. Eu acho que você que não tá aceitando que você teve mágica de feia. Daqui a pouco você vai sacar a carta do feminista e falar assim que eu tô agredindo uma mulher. É isso também? Claro que não. Ainda bem, né? Eu não preciso fazer isso. Ainda bem. Mas se você quiser que eu saia, eu saio. O pessoal levanta a mão que eu saio. Não tem problema. Eu acho que não existe idade pra você começar a fazer uma coisa que você gosta.

Mas se você consegue ser um advogado formado com 40 anos, você não consegue iniciar na música com 40 anos. Por quê? Porque não dá certo. Por que não dá certo? Você perde o time. Você perde o time. Perde o time do quê? O pessoal vai querer assistir você que é uma mulher bonita.

uma mulher que canta bem. A maioria dos MCs de funk hoje em dia tem milhões nas músicas e não tem um trabalho de imagem. Você não pode me usar como exemplo porque a minha imagem é mil vezes maior do que a minha música, tá? Isso é um caso raro. Mas a entrevista é com você e o assunto é o funk. Você tá me usando como exemplo pra falar da cena toda. Eu tô te explicando que o meu caso dentro da cena do funk é raro. A maioria dos MCs hoje em dia tem números, tem acessos pela voz e não tem uma imagem.

a realidade da cena dentro do funk. Então nada impede de uma pessoa de 40, 50, 60 anos fazer uma letra, gravar e a letra da música dar certo. Às vezes um DJ que tem milhões de ouvintes no Spotify pode pegar a voz dessa pessoa, produzir uma música e a música estourar e mesmo assim a pessoa não ter uma imagem forte na mídia. Isso daí não quer dizer nada. É a loteria social que eu te falei. Mas isso existe em qualquer profissão, meu amigo.

Sim, mas a gente tá falando do funk, não é de outra profissão. Tá, mas a gente tá debatendo, é. E eu tô te falando do meu ponto de vista. Deu. Pronto.

que você queria, eu saio. E aí, Ariane, tudo bem? E aí, tudo bem? E você? Meu nome é Paulo Benítez. É pra me chamar de federal. Não, prefiro te chamar de Paulo mesmo, se me chamou pelo meu nome. Então posso continuar te chamando de Ariane? Pode, pode. Tudo bem. Ariane, primeiro ponto. É... Eu não acho que você... Com todo respeito, tá? Não tô aqui pra te desrespeitar e nem desrespeitar a cena do funk. Muito menos eu. Mas eu tenho a minha opinião e não é desprezo. Eu acho funk uma merda em todos os setores. Até o que incentiva realmente

jovens a vencer, que é o funk ostentação, por exemplo. Que não fala de bandidagem, que não fala de maconha, que não fala de bala, que não fala de puta de bandido. Você não gosta de funk, entendi. Não, não. É, não gosto. Mas eu não acho que você aqui, com todo respeito, sem querer te diminuir, sem querer te humilhar. Não acho que você está numa posição de representar a categoria inteira. Então eu vou falar de você. A gente tem que pessoalizar a sua música.

Pode ser? Pode falar sobre mim. Fui eu que fui chamada. Beleza. Então assim, quando a gente fala de o funk que incentiva as pessoas a vencerem, a gente está falando da sua letra,

E você sempre tem esse argumento. Inclusive no podcast de roqueiro você falou isso também, né? Ah, eu tenho outras letras que não são de... que tem de amor, que tem de amizade. Não, eu olhei mais de 50 músicas suas. Você falou que tem 200, 300, né? Eu olhei mais de 50. Top 50 é sua Spotify. Você tem 220 mil. Vai bater 220 mil hoje. Não sei, faz tempo que eu não olho. O seu top 50 é só putaria. E eu olhei a primeira letra... Sim, as pessoas adoram putaria, inclusive. Exato. Elas amam escutar isso. Aí que culpa eu tenho?

o público gosta mais de consumir isso, eu faço mesmo. Eu falei que você tem culpa? Você não tem culpa, tá tudo bem, você tá no seu direito, você pode cantar a música potaria. Combinado? Beleza, então. Sua primeira música foi, inclusive, seu primeiro solo que você lançou esse ano. No ano passado, Armada Bissexual, alguma coisa assim, que nem era um solo seu, alguma coisa assim. Automotivo. Automotivo Bissexual que você lançou. Sim, eu tive só um dia pra estudar, então uma coisinha pode ser que eu esqueça. Então, o ponto é, Ariane, você não é focado,

e em outra você é focada como rainha da putaria, exceto a bio no Instagram. Sim, é o meu trabalho de foco, mas isso não significa que eu não grave outras músicas de outros temas. Não, você não grava, você não foca nisso. Sim, eu gravo sim. Não, você não foca. Você não foca nisso, Ariane. Eu não foco nisso porque eu trabalho com o gênero dentro do Mandela, que é putaria. Eu trabalho com marketing também, Ariane. Eu trabalho com marketing também e eu ajudo as pessoas.

E daí? Eu tô falando pra você que eu faço, que eu sei identificar o que você tá fazendo. Sim, eu tô trabalhando com o gênero da putaria, que é um gênero que existe dentro do Mandelão. Exatamente. Que é o estilo de funk que eu canto. E não tem problema nenhum pra mim isso.

ser focada na putaria, isso não me impede de cantar outros ritmos de música, isso não me impede de falar sobre outras coisas em outras músicas. A sua identidade é como... Mesmo que as minhas músicas de trabalho falem sobre, sei lá, xereca, cu, buceta. Xereca, cu, buceta. Eu tenho o livre-arbítrio de falar sobre o que eu quiser. Você tem, eu não tô falando que você não pode. E eu adoro falar sobre a sensualidade da mulher, porque o que mais existe no funk são músicas de homens falando as mesmas coisas, só que ao contrário.

Ari, posso falar? Entende o que eu tô querendo dizer? Posso falar? A sua identidade como marketing é a rainha da putaria. Tô mentindo? E o que tem com isso?

Essa é tua música, concorda? Sim. Você não faz música de amor, você não faz música de amizade. Então, mas aí... Eu acho uma música sua de amizade no letras.musi.com.br com 171 visualizações que você fala alguma coisa sobre o amigo. Você não acha nem letra sua em sites respeitados de música. Você... Qual que é o ponto aqui, Ari? Você ainda não é uma artista consagrada. Você não venceu na vida como artista. O que tá acontecendo é que você tem expressividade nas redes sociais.

Eu trabalho com redes sociais, eu sou experto da minha empresa. Olha só. Por isso que eu tô falando, eu tô dizendo que eu conheço, por isso que eu tô falando de mim.

Não estou aqui para me achar. Estou falando que eu sei o que é número. Você tem mais seguidor que eu, com certeza. Até porque eu trabalho com educação. Não sei quantos seguidores você tem. Eu trabalho com educação. Eu não trabalho com o que você trabalha. E você está estimulando os jovens a fazer putaria. Eu encontrei seguidores seus. Tudo bem, você sabe. Você sabe que o Instagram não deveria ter uma criança. Mas eu encontrei mais de 50 crianças comentando no seu Instagram. E muitas delas, quando você entra no Instagram,

dela, você vê ela com a bunda pro céu. Ah, mas o pai, como que você falou? Como que você fala? Você falou aqui agora há pouco? Ah, mas o pai tem a responsabilidade de controlar essa criança. A criança ouve muito mais você do que o pai. Ela simplesmente comentou. Eu tenho um print aqui. Ela simplesmente comentou assim. Pode jogar o print na roda, mas eu quero também que você venha com todos os vídeos onde eu falo pra quem me acompanha e é menor de idade e não escutar minhas músicas.

Se você quiser ver meus vídeos de comédia, meus vídeos no peixinho, meus vídeos estourando balão, pode assistir. Se isso for adequado pra sua idade.

Eu tenho diversos vídeos na internet falando pras crianças não escutarem minhas músicas. E não tem como eu controlar isso realmente. Agora sim, você fala... O fato é que acontece, certo? Você sabe? Mas aí como que eu vou controlar o mundo, meu amigo? Você não trabalha com marketing? Tem como eu trancar minha rede social e botar lá só pra quem é maior de idade me ver? Não tem. Se o meu trabalho é focado pra adultos e tem alguma criança que acessa, não tem o que eu posso fazer a não ser orientar essa criança a assistir outros tipos de conteúdos meus.

Então qual que é o tema desse debate, Ariane? O funk melhora as vidas das pessoas?

O funk incentiva os jovens a vencerem. Eu falo sobre a minha própria experiência pessoal. A sua experiência não é uma experiência de vitória. Você não é uma artista consagrada. Bom, depende. Na sua visão eu posso não ser. Na minha visão eu já venci na vida. Olha só, calma. O seu funk não incentiva ninguém a vencer. Só incentiva a dar o rabo, a dar a buceta, a chupar pinto. Também adoro chupar pinto. Você tem o direito. Amo chupar buceta também, porque eu sou bissexual.

A sua música top 1 no Spotify, você já começa falando de maconha misturada com bala?

Com sexo, dá o rabo. Essa música não é pra criança. E aí? Eu sou o Sargento Freire, pode me chamar de Freire. Freire. Beleza, tudo tranquilo? Ah, tranquilo, né? Eu tô aqui e eu discordo desse posicionamento. Por quê? Baseado em números, os números afirmam que assim, entre 60% e 80% dos jovens consome funk.

são os que conseguem fazer uma grana com o funk. E entre 0,1% e 3%, que acredito que é onde você se encaixa, é o que consegue ter uma renda estável com o funk. Isso daí se enquadraria em outros aspectos, que nem eu gostaria de ser jogador de futebol, mas eu não sei jogar bola, né? Então eu vejo que o funk acaba não incentivando. E complementando, o doutor em musicologia,

que é o Thiago, na CPI dos Pancadões, ele afirmou que só a música não vai conseguir mudar a sociedade. Eu também penso que existem outros fatores. E que, palavras dele, que é uma da pessoa que defende a cultura do funk, ele diz também que os MCs pregam o consumo e pegam autoestima, sendo que eles também não têm. E seriam duras críticas de pessoa que está de dentro.

Como assim? O MC, ele prega uma vida que muitos deles, alguns conseguem ter, carrão, casona, kit. Ah, entendi. Alguns pregam, ó, pá, tô com mulher, dinheiro, iates, mulheres. E eles não conseguem viver, né? Então eles entregam algo que não aconteceu pra eles ainda. Bom, vamos lá. Por que eu acho que o funk incentiva os jovens a vencerem, né?

de novo. Sim. Quando a gente escreve uma música, mesmo músicas que não tenham palavrão, eu tô falando desse tipo de música aí que você citou, que fala sobre carros, inclusive eu acabei de fazer um lançamento, Bololo Randandan, falando sobre moto, sobre carro, que é uma coisa que eu mesmo não tenho, gente. O amigo ali, que eu esqueci o nome, que tá com a camiseta ali, que me chamou pelo meu nome real, falou pra mim, ai, você não é uma artista consagrada, você é uma influencer, não sei o que. Gente, isso faz parte de

Ser artista. Eu não sou uma artista rica. Eu não tenho carros, motos. Eu não vivo de luxo. Pelo contrário, eu comecei cantando na calçada. Então o pouco que eu tenho hoje pra mim já é muito. Então pra mim, sim, eu já sou muito consagrada. E sou muito grata a Deus por tudo que eu tenho. Mas isso não me impede de cantar letras sobre coisas que eu quero ter. Sobre coisas que eu posso ter um dia. Entende? Então assim, mesmo que eu hoje não tenha um carro de um milhão de reais. Mesmo que hoje eu não tenha várias motos na minha garagem.

Eu sinto que eu posso fazer uma letra falando como se eu já tivesse vencido na vida pra me incentivar a vencer, pra incentivar outras mulheres que escutam as letras a quererem ter isso também. E quando a gente fala dessas conquistas, a gente não tá falando só de conquistas que vão ser feitas através da música. A pessoa não precisa ser MC pra lotar a garagem dela de carro. Você pode vencer na música da profissão que é o seu sonho.

Sei lá, seu sonho é ser veterinária. Você pode escutar a música de um MC falando que quer ter uma Porsche e se sentir motivado com isso, entendeu?

o tema. Eu digo que especificamente... Não, porque o que eu tô te explicando é que nós, como artistas, expressamos na música coisas que a gente quer fazer na vida, coisas que a gente vê, coisas que a gente faz ou que a gente não faz, a gente tem essa liberdade de expressão. Mas o que se entrega? Hoje tem uma palavra que tá muito em alto, dosimetria. Então, você colocando na balança, hoje você acredita que o funk, ele entrega algo mais bom ou mais de ruim? Olha, baseado na minha experiência, pra mim,

entregar algo bom. A minha segunda afirmação é, censurar MCs é uma nova forma de ditadura. Boa tarde, Ari, tudo bem? Ai, boa tarde, tudo bem, e você? Meu nome é Caio Santana, fui GCM aqui na capital paulista durante três anos, e eu discordo dessa afirmação de que censurar, né? Isso, censurar MCs é uma nova forma de ditadura. Eu discordo, porque toda democracia existe limites.

quando existe uma perseguição política contra opositores. E você colocar um limite numa letra de funk que fala putaria, ou que faz apologia ao crime, ou que incentiva a juventude a cometer crimes para conquistar algo, não é uma ditadura. Para mim são limites claros de uma democracia saudável. Então, mas às vezes o que é saudável e certo para você não é saudável e certo para mim. Não, a verdade é uma só. Isso aí que você está falando para mim é a sua...

Não, não existe isso, a verdade é uma só. A verdade é uma só. Existe a sua opinião e existe a minha. Por isso que a gente está aqui debatendo.

Certo? Então eu acho sim que censurar MCs é uma nova forma de ditadura, até porque todo mundo sabe que hoje em dia existe uma perseguição em cima dos funkeiros. Existe sim uma perseguição em cima do funk. E eu acho que a gente tem a liberdade de expressão pra falar e expressar o que a gente quiser, contanto que a gente não esteja cometendo nenhum crime. Falar sobre crime não é crime. Falar sobre a realidade que você vive não é crime, amigo.

Se você incentiva aquela pessoa, aquele jovem da periferia, a cometer um crime...

Eu nasci na Quebrada. Eu sou da Zona Leste de São Paulo. Eu também. Eu nasci e cresci na periferia. Eu entendo. Eu não te julgo pela escolha, pelo caminho que você quis ter pra sua vida. E eu também não tô julgando a pessoa a pessoa. Você virou a GCM, você podia ter virado bandido também. Poderia. Existem essas duas possibilidades. Se você veio da Quebrada, você sabe que era mais provável você virar bandido do que você virar polícia.

Sim, com certeza. Exatamente. E a música mais ouvida na periferia é o funk. E o funk incentiva as pessoas a cometerem crimes.

vendo, não é incentivar. Eu não concordo com você. Eu concordo comigo mesmo. Eu concordo comigo mesmo. E acho que todo mundo aqui também. Com certeza eles concordam com você. Quando você vive a realidade no dia a dia, como policial nas periferias, eu nunca trabalhei em bairro nobre. Nasci na periferia e sempre trabalhei na cidade de Tiradentes. Sim, sim. Trabalhei em Itaquera. Então, você vê o quão degradante é pra aquela população ali, o funk naquela situação. Beleza, mas existe todo um sistema.

e a culpa do menino ter virado bandido, da menina ter virado bandida, é o funk. Não, não é isolado. O funk também é uma consequência do sistema que a gente vive. Eu sou uma pura consequência do sistema. Então assim, não dá pra gente jogar essa responsabilidade em cima de um gênero musical. Você entende a minha visão? Eu entendo, mas só voltando pro tema, depois a gente vai entrar nos outros temas, mas não é uma ditadura você colocar limites.

Então você concorda comigo que não é uma ditadura colocar limites no funk e nas outras formas de cultura. Mas eu não concordo com você,

livre pra expressar o que a gente quiser. Se eu quiser cantar, se na minha música eu quiser ser uma bandida, que é dona do morro e quiser escrever sobre isso uma letra, eu posso, eu sou artista. Eu tenho o direito de me expressar como eu quiser, eu tenho o direito de falar da realidade que eu vejo sob o meu ponto de vista, do meu jeito, entende? Eu entendo, mas você tá confundindo. Do mesmo jeito que num jogo de videogame lá, se você for jogar GTA, qual que é a dinâmica do GTA?

Tem o policial, tem o dono da favela, então o jogo também tá cometendo crime. Mas você tá confundindo.

Eu entendi, mas você está confundindo liberdade de expressão com uma libertinagem total. É totalmente diferente. Você falar sobre algo, expor o que acontece, é diferente de você incentivar. Não estou falando que você incentiva o crime. Suas músicas são sobre sexo, sobre sexualização. Mas o funk em geral, a maioria dos artistas de funk, incentivam sim nas suas letras o jovem a ir para o crime. Eu não concordo com você. Não tem como.

Eu não acho isso. Eu acho que cantar sobre uma realidade não incentiva. Até porque,

Pode continuar? Oi. Ari. Olá. Tudo bem? Tudo bem? Me chamo Pedro. Instagram é Pedro Neto Rio. Diferente da maioria dos colegas aqui, eu não sou policial e essa informação faz uma diferença importante por conta dos fatos que você elencou. Já divulgou o arroba, vai tomando. O debatedor anterior aqui. Por exemplo, diversos policiais aqui. Se um deles levanta, saca uma arma e atenta contra qualquer outro aqui, atira em qualquer um desses aqui, essa pessoa tem que ser presa? Mas o que isso tem a ver com o tema? Responde que você vai entender.

O que tem a ver com o tema? A sua pergunta primeiro. Censurar é uma nova forma de perseguição. Esse é o tema do topo. De ditadura. Enfim, que seja. Ditadura é uma forma de perseguição também, né? Governos tiranos, pessoas que violam o Estado de Direito e perseguem. Mas o que isso tem a ver com alguém levantar e atirar em alguém aqui do nada? Porque o próprio Código Penal, através do artigo 287, ele legisla sobre apologia ao crime.

Considerando uma conduta criminosa fazer apologia ao crime. A partir do momento que um policial levantasse daqui, sacasse uma arma e atentasse contra a vida de uma pessoa, ele estaria cometendo um crime.

A prisão desse policial não seria uma perseguição à classe policial. É por isso que a informação que você traz aqui é imprecisa e a própria fundamentação do seu tópico também. Bom, eu vejo vários policiais que cometem crimes e não sofrem as consequências, né? Tudo bem, assim como tem diversos bandidos traficantes que cometem crimes e também não são. O próprio presidente da República é um bandido ladrão e está solto. Inclusive é presidente.

Mas se você analisar, o Ruan, que é um bandido, que você inclusive trouxe uma informação imprecisa também no bloco anterior, falou que ele não é funkeiro. O Ruan não é funkeiro?

falou que ele é cantor de funk e de trap. Eu vou colocar esse corte aqui no meu Instagram. Foda-se. Eu sou funkeira, eu tô em São Paulo e eu acho que o Oroana nunca tá funk. Mas aí é a sua opinião. Ele tem a opinião dele e tá tudo certo. Mas o debate é comigo. Isso é irrelevante. E aí é sobre a minha opinião. Mas é sobre funk e ele se considera funkeiro. Problema dele, não é ele que tá debatendo aqui. Aí você fala sobre mim. Vou descer pro asfalto pra fazer assalto.

O que você acha dessa colocação? Eu acho que ele tá cantando como se fosse um bandido. E daí? Então pronto, isso é apologia ao crime. Eu acho que... Prender um vagabundo que faz apologia ao crime é manter o Estado de Direito. É o oposto de perseguição. É exatamente

o oposto disso. Calma que você cuspiu. Não, perdão. Isso é crime, é uma conduta criminosa, esse bandido tinha que estar preso. Ele incentiva uma cacetada de gente quando ele canta o hino do Comando Vermelho. Gente, ele quer falar sobre o Oruan, deixa ele desabafar. Quando ele fala que é filho do chefe, eu estou falando sobre funk proibidão. Não, você está falando sobre o Oruan. Ela está tentando aqui fazer o esporte wash e tentar melhorar a imagem do funk tirando ele desse segmento.

Não, eu só acho... É a mesma coisa que o político falar... Você vai deixar o falso ou você está fazendo monólogo, amigo? Não, não. É a mesma coisa. Eu estou fundamentando o raciocínio. Eu posso falar da minha opinião? Isso aqui é um debate.

você falar sozinho, você tava sentado na cadeira sozinho aqui. O Lula é um bandido, correto? Eu não acho, eu não concordo com você. Eu posso explicar a minha opinião, você vai deixar? Aí por conta disso eu vou dizer que ele não é político? Como assim, amigo? Gente, ele tá discutindo sozinho, vai. Não, vai lá. Não, vou deixar você falar, porque você quer essa atenção. Você fez falácia do espantalho, você colocou palavras na minha boca que eu não falei.

Eu disse pra você que o Lula... Vai, fala. O Lula, ele tá no incêndio do debate. Desabafa, que você deve estar com isso guardado dentro de você há muito tempo. É, e tu mesmo, querida. Tu mesmo, sabe por quê? Então solta. No Rio de Janeiro, mais de 4 milhões de pessoas moram reféns do

crime organizado, dessa porra de Comando Vermelho, que esse bandido... E da polícia também, das operações, que matam diversos inocentes. Qual inocente morreu nessa operação aqui? Vai lá. Que morreram mais de 100 vagabundos. Vai lá. Que mais de 120 foram presos. Vai lá. Qual inocente foi preso? Continua. Qual inocente morreu? Mais de 80% da população do Rio de Janeiro valoraram e apreciaram aquela operação que aconteceu? Você fala isso diferente, porque você não mora hoje provavelmente em comunidade.

Você mora em comunidade ainda? Eu moro em São Paulo, amigo. Eu não sou do Rio de Janeiro. Já começa daí. Tudo bem, mas eu tô falando sobre comunidade. Eu não perguntei em São Paulo. Novamente falasse do espantalho, imputando uma coisa que eu não falei.

Eu perguntei se você mora em comunidade. Gente, ele quer fazer monólogo, então deixa ele fazer o monólogo dele. Graças a Deus, hoje eu consegui sair da comunidade que eu morava. Porque eu tenho uma família, eu consegui morar numa casa melhor, uma casa maior, graças a Deus, e graças ao funk também. E a internet. Porque onde eu morava era muito pequena, amiga. Eu morava de favor numa construção, né? Eu precisava arrumar outro lugar pra eu morar e foi onde eu consegui.

Você sabe que as pessoas querem sair da comunidade porque o ambiente é absolutamente... Tem gente que não quer. Eu conheço funkeiros que são milionários

moram na favela. Isso não tem nada a ver. Isso daí é uma questão pessoal de cada um. Não tem nada a ver. Mas o que o Oruan tem a ver comigo, caralho? Puta que pariu. Eu quero que o Oruan se foda, caralho. Não conheço ele, porra. Vai tomar no seu cu, caralho. Não tenho paciência, não. Os que quer debater com o Oruan, você chama ele no Instagram e vai debater com ele. Vai debater com ele. Eu não conheço o Oruan. Eu quero que o Oruan debate com ele e a família dele.

Eu não tenho medo de grito, não, querida. Eu não tenho medo, não. Pode ferrar. Pode dar seu show.

Ele é fanqueira? Ele é fanqueira? Ah, ele é fanqueira aonde? Pelo amor de Deus. Problema dele, caralho. Eu canto funk, eu sou fanqueira e eu tô falando que eu não acho que ele é. E daí? E daí? Boa tarde, tudo bem e você? Tô bem. Eu me chamo Miqueia, sou ativista em prol da segurança pública de Campinas. Também é importante citar que eu não sou policial. Ari, eu quero te fazer uma pergunta. Se eu sentar aqui e começar a cantar,

louvar um louvor nazista em prol do Adolf Hitler. Eu devo ser censurado ou calado? Olha, você vai me desculpar, mas eu não acho legal você fazer isso, não. Eu sou totalmente contra o nazismo. Concordo. A mesma coisa, a mesma coisa, você cantar um funk. Você tá fazendo apologia ao crime. É a mesma coisa. Você fazer apologia ao nazismo é crime. Não, aí você tá... E fazer apologia ao funk com o nazismo. Com toda certeza. Por quê?

O nazismo, ele matou pessoas. A facção criminosa também mata. O funk faz apologia

facção criminosa. Facção criminosa mata brasileiros todos os dias, assim como o nazismo matou os judeus. Beleza, mas todos os dias existem diversas operações que também matam várias pessoas que são inocentes. Mata vagabundo, inclusive não tem nenhum inocente que morreu na operação do Rio de Janeiro. É importante falar que você não é do Rio de Janeiro e debateu com uma pessoa que é do Rio de Janeiro que conhece as favelas do Rio de Janeiro.

Dentro desse debate eu tô falando das minhas próprias experiências sobre o que eu acho dentro, baseado na minha vivência, da minha vida, entendeu? Eu nunca morei no Rio de Janeiro. Pra você, você acredita que é a verdade?

sobre operações do Rio de Janeiro. Ah, então a sua opinião é superficial. Se eu quiser maquiar, então tudo bem. Não, eu falo sobre o que eu vejo dentro da minha vivência. E eu sei sim que tem diversos inocentes que morrem e muitas vezes não são nem divulgados. Ari, eu também moro em comunidade e eu sei que o morador da comunidade é oprimido pelo crime organizado. E o funk exalta isso. E pela milícia, né? Quer falar de Rio de Janeiro?

A milícia também oprime bastante, viu? Mas enfim, não é sobre isso. Então se eu fizer uma música elogiando a milícia e fazendo apologia à milícia,

Certo, eu tô errado, não tô? Na minha opinião, você tá errado, mas se você quiser fazer, é problema seu. Então, se um funkeiro fizer uma música cantando sobre facção criminosa, pra mim também, ele é um criminoso e ele deve ser censurado. Beleza, mas eu não concordo com você, eu não acho, porque na minha visão, o artista pode se expressar como ele quiser, entre diversos pontos de vista. Mas você acabou de concordar comigo que se eu fizer uma música cantando sobre o nazismo, eu devo ser censurado.

Lógico, né, meu amigo? Você quer fazer uma música falando sobre o holocausto? Você quer comparar o funk? São dois crimes, são dois crimes.

Ah, então tá bom. Então se eu fazer uma batida de funk e cantar a mesma letra, eu não vou estar errado? É um funk também. Mas o que tem a ver? Ué, é uma música de funk, só que eu estou falando sobre nazismo. Tá, então quer dizer que eu não posso cantar sobre a realidade que eu vejo. Se eu acordo de manhã e vejo uma piqueira na esquina da minha casa. Cantar sobre a realidade não é fazer apologia. Mas se eu quiser cantar... Cantar sobre a realidade não é fazer apologia.

Beleza, então vamos usar de exemplo o MC Kevin, que era traficante, depois virou funkeiro e venceu na vida. Ele não pode fazer uma música falando sobre o ponto de vista dele quando ele era traficante,

Você faz uma música. Mesmo que na letra dele ele incentiva as pessoas a sair do crime? Não, você tá distorcendo, você tá distorcendo. Eu não tô distorcendo, eu tô te perguntando do mesmo jeito que você me perguntou. Eu acabei de falar que você cantar a realidade não é fazer apologia. E você concordou comigo que fazer apologia, por exemplo, sobre o nazismo é crime. Assim como fazer apologia à facção em letra de música também deveria ser crime.

Ponto final. Não tem discussão. Eu não acho. Tem discussão sim, eu concordo com você. Não tem discussão, você veio aqui pra fazer monólogo? Você é uma burra, você é idiota. Você é ignorante, você é uma idiota.

Oi, tudo bem? Gente, eles vão ficando bravos. Eu discordo totalmente. Lógico! Eu discordo totalmente. O que a gente tem aqui não é uma ditadura. Pra falar a verdade, nunca teve ditadura no Brasil, né? Teve em outros países. O que a gente teve aqui foi uma coisinha leve. Não teve nem perseguição à classe artística, entendeu? Diga-te de passagem. O que a gente tem aqui... Isso daí eu nem vou responder porque não faz parte do tema e eu também não sou política, mas você que tá assistindo sabe, né?

Vai. Ok. O que a gente tem aqui simplesmente é o quê? É que a pessoa fala alguma coisa, só que ela não quer ser punida pelo ato que elas falam. Entendeu? Não tem nada demais, não tem perseguição. Como que a gente vai falar de uma perseguição, sendo que a pessoa, ela tá, não, como eu posso dizer pra você, ela tá atacando a sociedade. Porque hoje em dia o que o funk faz é isso. É um ataque. Entendeu? Beleza, entendi. É, então, é como eu tentei explicar pro outro amigo aqui que...

Sei lá, ficou gritando e me xingando. É... Oi? Ele? Acabou de me chamar de burra, não tô falando de você não. Tô falando dele, era ele que tá... Não, foi pra ele, não foi pra você não. Enfim, é... Não, eu mandei ele. Mas enfim, de qualquer forma, né? Deixa eu debater com o amigo que sentou aqui. É... Eu acho que o artista pode se expressar como ele quiser. Como eu falei, a gente vive num país que é livre. Então, se você mesmo quiser ser machista comigo, não existe uma punição pra isso. Então, é isso, gente.

Acho que o artista pode se expressar como ele quiser. Eu acho, sim, que as pessoas colocam uma carga imensa em cima do funk como se fosse responsabilidade dos artistas os crimes que acontecem. Como se fosse responsabilidade dos artistas as coisas que acontecem dentro da favela. E eu não acho isso. Eu acho que o artista está retratando a realidade. A gente está só fazendo música. Entendeu? Se existe alguém que virou bandido, não é culpa do funk.

É culpa de todo um sistema. Eu acho que isso são consequências do sistema. É simples assim.

Você acha, Ari, que vou falar a verdade, mas você acha que simplesmente o funk não alavanca isso daí, essa situação pra nossa sociedade com as palavras, entendeu? A gente vive num país que não tem educação, né? Então eu mesma, não sei se tem pessoas aqui que são estudadas, provavelmente deve ter alguém aqui que é estudado, eu mesma não tive uma educação boa, estudei numa escola pública ruim, não tinha nem professor, tudo que eu falo é baseado na minha própria vivência de vida do que eu aprendi na rua, entendeu? Então eu entendo que por a gente não ter uma educação boa,

no Brasil. Aí, ó. Vamos lá, Ari. Vamos lá. Ai, foi mal. Você pode repetir o tema? Posso. Censurar o funk, censurar os MCs é uma nova forma de ditadura. Bom, vamos lá. Sou contra qualquer tipo de censura. Beleza. Tá bom? Tá bom. Qualquer uma. E se eu te desrespeitei na última fala minha, eu te peço desculpa. Tudo bem, inclusive...

aqui, eu nunca vou mandar você tomar uma coisa pra tranquila. Não, beleza. Inclusive, deixa só eu falar uma coisa que nem tem a ver com você, mas assim, a partir do momento que uma pessoa gritar comigo ou que eu me sentir desrespeitada, eu vou agir igual de volta, tá? É só isso que eu queria dizer. Ah, mas aí a gente tá falando sobre liberdade de expressão, né? Então, liberdade de expressão tem limite também. É, eu não acho. Vamos falar sobre censura, não é?

É, sobre isso tema, inclusive. Censura, vamos lá. Existe censura em todos os aspectos, inclusive na política. Eu tive mais ou menos

dez vezes o meu Instagram derrubado por falar sobre temas que algumas pessoas dentro de uma sala na justiça acharam que era proibido. Inclusive, todo mundo falou se quiser cancelar o arroba paulo chuchu SP, fica à vontade. Não tem problema nenhum. Então, eu sou contra qualquer tipo de censura. O que eu quero falar com você é o seguinte. Quando você fala sobre apologia ao crime, que não é o seu caso, você fala sobre putaria. Eu acho imoral, mas não acho ilegal o que você fala. Eu não colocaria as suas músicas pras minhas filhas assistirem.

eu acho uma porcaria. Mas é a minha opinião. E minha opinião não vai ser censurada, nem deve. Você pode achar uma bosta também o meu trabalho e a minha forma de me comportar. Então, eu acho que não há censura. Os MCs que foram presos e pessoas ligadas ao movimento do funk foram presas ou censuradas é porque participaram de algum crime. Teve cara que pegou o Lamborghini e destruiu o gramado de estádio pra fazer like na internet.

Tem cara que era mais ou menos ligado ao funk e tá preso. E muitos caras que eram

do funk aqui de São Paulo, abandonaram o cara lá como buzeira. Muitos. Inclusive, não sei se você foi cobrada de apoiar a prisão do cara, mas teve muito funkeiro que foi obrigado a fazer vídeo pra ajudar o cara que tá preso por lavar de dinheiro. Não, não fiquei. Inclusive, eu nem consumo conteúdo do buzeira. Eu não sei nem o que ele fazia. É, fazia crime, porque tá preso. Então, é o seguinte, eu sou contra qualquer tipo de censura, mas é o seguinte, a censura que vocês do funk sofrem, todas as outras pessoas já sofrem.

Todos os outros segmentos já sofreram. Mas eu acho que o assunto aqui está meio conturbado sobre a censura, a ditadura. Eu acho que o funk não sofre uma ditadura, muito menos uma censura. No entanto, o que você faz, o tipo de música que você faz, não é ilegal, é imoral. Inclusive, tem crianças que assistem isso aí porque a gente não tem controle sobre a internet, porque a internet é um mundo livre, inclusive acaba sendo perigoso.

Acorda com isso que pessoas menores de 18 anos não deveriam consumir o seu... Sim, mas aí não tem como eu deixar de fazer o meu trabalho, porque uma criança pode vir. A única coisa que eu acho que é o seguinte, você quer ser uma cosplay da MC Pipoquinha, e você tá quase conseguindo, você tá quase chegando lá. E eu faço questão que você chegue ao sucesso da sua carreira. É, vamos falar sobre o tema, né? Que é sobre censurar MCs, é uma nova forma de ditadura.

Inclusive, MC Pipoquinha é minha empresária, tá? Um beijo, empresária, linda, maravilhosa, financia a minha carreira, paga meus clipes, paga minhas músicas, paga tudo pra mim. Eu amo, viu?

Mas enfim, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Eu sou uma pessoa e tenho uma história, ela é outra pessoa de outro estado. Tem outra história, então não existe essa comparação. Apesar de nós duas sermos brancas, termos o cabelo preto e cantarmos putaria, não somos a mesma pessoa. Por isso que eu falei que é imoral, não é ilegal. Mas o que tem a ver? Tudo, o tema. Essa não. Eu posso pegar outra? Fala, Ari, beleza? De novo nós? Beleza, de novo nós. Então, também discordo. O tema ditadura,

ele é específico de um cerceamento político. Então, não entraria. O que eu vejo? Adequação, regras e limites. Um exemplo, você pode andar de carro? Pode, mas é o excesso da liberdade. Você não pode andar 200 por hora. Você não pode pegar o seu carro e fazer um clipe sem autorização em uma área destinada só ao uso de pedestre, em velocidade incompatível, concorrendo para o risco,

de um acidente. E o que aconteceu? Aí dá pra dizer que é perseguição? Mas aí você tá pegando uma situação isolada, né? Pra usar de exemplo. O caso da Lamborghini foi isolado? E o que aconteceu disso? Do MC Tutu. Um exemplo. Hoje nós temos duas produtoras que estão em inquérito. Ele foi preso, o menino que foi atropelado foi pro hospital, o menino tá bem, ele já foi solto, foi tudo resolvido dentro dos conformes. Não, ele já está bem.

É, o acidente lá machucou bastante. Mas ele já está bem, já se recuperou, inclusive o MC prestou todos os

cuidados possíveis pra ajudar. Eu acredito que foi um acidente. Uma coisa eu vou falar. Eu acredito que ele não atropelou ninguém com maldade, né? Aqui no resumo, uma coisa ele teve postura. Ele parou de imediato quando aconteceu. Então o que é certo é certo. Se ele continuasse também, aí é foda, né? Não, tem outros que sairia correndo. Aí eu acho que diz mais sobre o caráter da pessoa do que sobre funk, né? Agora o que eu digo?

O problema é o... Foi? Gente, a minha terceira afirmação é que os bailes funks nas ruas não devem ser proibidos,

eles fazem bem pra população. E aí? Tudo bem, Falcão? Prazer, sou o Adriel Santos. E aí? Que bem pra população que esses baile funk faz na rua, incomodando os trabalhadores pra ir trabalhar no outro dia? Que visão sua é essa? Porque tem pessoas que precisam trabalhar. Aí vocês que ficam a noite toda, madrugada, adulto, que no outro dia não vai trabalhar porque é vagabundo, entendeu? Aí faz bem pra população. Depende, vários trabalhadores vão no baile funk de sábado e de domingo geralmente é fome. Não. Graças a Deus.

Enfim, quer falar mais alguma coisa? Não, pode responder. Eu só acho que você é uma pessoa animada, uma pessoa que os tipos de conteúdo seu que você grava como funk, incentivando o jovem a ir para o crime, porque você incentiva as pessoas a ir sim para o crime. Então, eu não incentivo ninguém a ir para o crime e o tema é baile funk de rua, não é crime. Esse tema aí já passou, você deveria ter vindo antes. Enfim, deixa eu dar a minha resposta.

Quando eu falo que faz bem para a população, eu estou querendo dizer dentro da favela, dentro da economia da favela.

A população... Calma aí, gente. É sério. Calma, deixa. Calma. Ela se perdeu toda. Só porque ele tem a língua preta? Entendi. E aí, Enzo, vai. Você defende que os bailes funks na rua devem ser respeitados, legalizados e que fazem bem a população?

Olha só, na minha opinião, se isso é um problema tão grande para o Estado, deveria existir um local seguro para os adolescentes curtirem o baile funk, entendeu? E isso não é feito, pelo contrário, o que é feito, a polícia invade a favela, mata um monte de adolescentes, assim como teve no massacre de Paraisópolis em 2019, e como teve vários outros tipos de violência já no baile funk de rua. Só que ninguém para para pensar do porquê que o baile de funk existe, porquê que existe o baile funk na rua,

baile de favela, entendeu? Então, assim, é fácil você falar, ah, isso não tem que existir, eu concordo com você, que incomoda. Quem vai trabalhar, realmente, fica incomodado com o barulho, porra, fica lá até de madrugada som alto. Com isso, eu concordo. Mas se não tá bom, então eu acho que o Estado deveria tomar medidas, ao invés de querer proibir, pra criar um local que fosse seguro, onde os jovens da periferia conseguissem acesso ao lazer.

Essa é a minha opinião, entendeu? Bom, pessoal, eu não sei em que realidade Ari Falcão vive, mas o baile de fa...

O baile funk só vem pra atormentar a vida do cidadão de bem. Porque lá só tem vagabundo que quer acabar com a vida do cidadão, que não deixa a pessoa dormir no outro dia. A pessoa quer dormir pra ir trabalhar e ela não vai. Ela é atormentada. E pra esse pessoal que vai fazer baile funk nas ruas, eu defendo a rota na rua pra esse pessoal. Que coloque ordem social. Porque as leis devem ser respeitadas. Beleza. Você tá se sentindo bem agora?

Eu percebi a satisfação no seu rosto. Mas então, é o que eu falei. Eu acho que ao invés da gente tentar resolver isso com violência, eu acho que o Estado pode tentar chegar numa solução pra criar um local seguro pros jovens curtirem um baile funk. Porque o baile funk existe dentro da favela por conta da falta de acesso ao lazer de quem tá na periferia, entendeu? E outra, quando eu digo que o baile funk faz bem pra população, eu tô querendo dizer numa questão de economia. Muitas pessoas têm comércios dentro dos baile funk,

Não só de bebida, tá ligado? Tem muita gente que vende comida, que vende lanche, que ganha dinheiro e movimenta a economia dentro da comunidade quando tem um baile, entendeu? Eu de novo? Vai lá, dessa vez eu vou ser paciente com você. Também, né? Me mandou tomar no cu. Ah, e tem uma... Às vezes a gente explode, né? Mulher não é de ferro. Toquei na ferida, é óbvio. Eu consegui entrelaçar a relação entre o crime organizado e o funk.

Eu sei que tocou na ferida, desculpa, tá querida? Ah, não sei, não canto sobre crime, vai. Eu combato crime organizado, eu combato político corrupto, eu combato vagabundo.

Não, sou engenheiro civil e ativista contra bailes de pancadões. Ah, você é ativista, entendi. E contra também a apologia que esses vagabundos usam pra fazer através do crime organizado, com subterfúgios de que estão fazendo música. Tá. Então vamos lá, você é a favor da escala 6x1? Não. Não? Não. Porque você entende que o trabalhador tem que ter, no mínimo, um dia de descanso ou mais, né? Sim. Então como é que você pode ser favorável a baile funk de rua, sendo que no dia que o trabalhador tem pra descansar, ele vai ficar até 3, 4 horas da manhã com aquela música lá nos cornos, no ouvido.

Então, é isso que eu tava tentando explicar pro Enzo, que acabou o tempo, mas eu acho que ele conseguiu entender. O baile funk, ele existe devido à falta de acesso do jovem que tá dentro da periferia. Eu tenho certeza que você concorda comigo, que não é porque a pessoa mora na favela, não tem dinheiro, não tem acesso, que ela não pode se divertir, não pode fazer uma festa. Claro que pode, né? Então eu acho que uma solução pra isso, porque eu entendo o que você tá falando, que a pessoa às vezes vai acordar cedo de manhã, tem gente que nem tem seis por um,

que nem tem folga, né? Então, assim, eu entendo o que você tá falando, eu respeito a sua opinião e eu acho que o Estado devia trazer uma solução pra esse problema, talvez criando um espaço dentro das comunidades onde possa ter essa festa, entendeu? Onde os jovens possam curtir até de uma forma mais segura, que não seja no meio da rua, no meio do crime, como você mesmo fala, né, que existe o crime no meio do baile funk. Então, eu acho que essa seria uma solução mais favorável, ao invés de entrar na favela, dar tiro,

porrada e bomba nos jovens que estão lá. Porque pode existir alguém aí... Mas se o jovem está de fuzil, tem que tomar tiro nos corpos mesmo. Beleza, mas aí... Mas todo mundo que está no baile é criminoso? Claro que não, uma minoria. Você entende? Muitos inocentes sofrem consequências disso. Então eu acho que poderia ser criado... Mas isso é uma arma utilizada pelo próprio crime organizado. Pra quê? Por isso que eles se apropriam de território.

Pra se esconder atrás dessas pessoas inocentes. Pra que a polícia não possa fazer seu trabalho com dignidade. Mas mesmo assim, mas isso não inibe o fato de que existem inocentes que sofrem consequências. E é por isso que eu sou totalmente favorável às pessoas se divertirem em comunidade. Sim.

Eu não sou contra, por exemplo, o tipo de conteúdo de música que você vende. Agora que estava interessante conversar com ele, está melhor do que da outra vez. Eu de novo, né? Vai lá. Vamos lá. Sobre esses baile funk nas ruas, eu não concordo. Como você disse mesmo, você não concorda por conta dos trabalhadores que vão trabalhar no próximo dia. E sobre as crianças, crianças autistas que não podem ouvir muito barulho e têm que ser obrigadas a ouvir o baile funk, às vezes músicas sensuais igual a sua, como você disse,

Que ninguém é obrigado a ouvir só a música. Você tá certa. Mas e aquele cara que fica botando a caixa de som no volume 100. Lá no meio da rua e as crianças da rua. Ou adultos que não tem nada a ver com aquilo. São obrigados a escutar. Então, pronto. Eu não disse que eu discordo da existência do baile funk. Eu concordo com a existência do baile funk sim. Porque eu entendo o porquê que ele existe. É o que eu falei. Não tem como a gente controlar isso.

Se o cara vai botar o som dele lá no máximo. No talo. Com uma música falando sobre putaria.

outras pessoas. Por isso, eu acho que deveria ser criado um local seguro dentro das novelas pra que pudesse ocorrer esse tipo de evento, entendeu? E o que acontece é o contrário. O que eu vejo que acontece é a opressão em cima de quem tá indo no baile funk, sendo que, às vezes, a pessoa tá indo atrás de um lazer, tá ligado? E se eu te dissesse que já existe um lugar como esse nas comunidades? Qual? Na Vila do João, um lugar onde eu moro, um lugar perto onde eu moro, onde eu morava lá, existe um lugar.

Mas será que aquele lugar vai conter o barulho que toda a comunidade vai escutar com paredões que ficam lá e ultrapassando

trabalhador é obrigado a escutar indiferentemente se existe um local ou não. Inclusive, aqui em São Paulo... Tem como separar o som da comunidade? Como assim? Tem como as pessoas não serem obrigadas a escutar mesmo que tem um espaço? Claro que tem. Óbvio que tem. Se você tá na rua e tem uma balada, você escuta o som que tá dentro da balada? Sim. Claro que não. Existe uma coisa chamada isolamento acústico e outra. Você acha que nas comunidades estão investindo em isolamento acústico?

Mas não é a comunidade que tem que investir nisso. Você acha que os traficantes vão investir em isolamento acústico?

O Estado tem que proporcionar um lugar onde os jovens consigam ter o lazer deles com acesso. O baile funk existe porque não existe acesso, família. Vamos lá, Ari, tem pouco tempo. Ah, tem bastante tempo. Tem 12 minutos ainda, vai, vamos lá. Vamos embora. Como você falou pro outro colega que falou que não era policial e tal, eu sou policial há 20 anos e eu combati efetivamente esse tipo de crime nas ruas, que é o baile funk. Eu não acho que o baile funk é um crime. O pancadão de rua, ele não tem autorização pra nada.

Você canta em pancadão de rua? Você é a favor? Eu canto onde pagaram em meu cachê, meu filho. Eu tenho conta pra pagar. Se eu me pagar pra cantar dentro de um bueiro, eu vou entrar no bueiro e vou lá fazer meu show. Beleza. Você é a favor... Vamos ser sinceros? Vamos falar sobre a realidade? Não, deixa eu terminar. Calma, calma. Você é a favor, então, do pancadão de rua? Aquele sem autorização? Porque eu sou a favor de um local seguro.

Eu sou a favor. Beleza. Eu vou te explicar o porquê que eu sou a favor. O baile funk existe dentro da favela. Por quê?

O jovem que tá dentro da periferia, principalmente quando você é adolescente, não tem um emprego, não tem uma renda fixa, como que você vai sair de um bairro que é afastado pra ir ter lazer, por exemplo, no centro de São Paulo, onde você paga pra entrar em qualquer lugar, onde as coisas são caras. Eu acho que o baile funk, ele traz lazer com acesso pra quem tá dentro da periferia. E eu acho que a forma de resolver esse problema não é com violência, não é entrando no baile funk, dando tiro em todo mundo, tacando pimenta, não sei o que lá, não sei o que lá.

de resolver isso seria o Estado tomar providências. Um canhãozinho de água não dói, vai. Um canhãozinho de água não dói. O amigo lá falou que tava sentado aqui, o menino, falou que como que o crime vai pensar em isolamento acústico? Primeiro que não é o crime que tem que resolver isso. Não, vamos falar de outra coisa. Fala da gente aqui, ó. Então, mas faz parte do tema, só pra você entender meu ponto de vista. Claro. Quem tem que resolver isso é o Estado, porque o baile funk existe por uma consequência do sistema.

Vou te dar uma informação. Eu não sou a favor da violência de forma alguma, tá ligado? Também não sou.

Obrigado. Mas eu sou a favor do uso da força progressiva. Vamos lá, vou te dar uma informação que eu acho que você não sabe, você não me conhecia, não é obrigado a conhecer também. Eu fui vereador, fui político em São Bernardo do Campo durante quatro anos. E durante quatro anos eu recebi diversas pessoas me pedindo, pelo amor de Deus, pra acabar com o pancadão de rua porque não conseguia dormir. Eu tive um acidente de carro e fiquei internado no HC de São Bernardo e na rua de trás tinha um pancadão.

pro hospital pra comemorar o baile funk. Eu sou totalmente contra, e essa foi a minha pauta durante quatro anos, totalmente contra o pancadão de rua. Sim, e se essa foi a sua pauta... No entanto que o sertanejo e o pagode não sofrem a mesma censura, mas eles têm local... Tem pagode e tem sertanejo na favela com volume alto também. Tem, tem, sou contra todos eles. Deixa eu te fazer uma pergunta, você ficou quantos anos? Quatro anos.

Quatro anos, né? Durante esses quatro anos... Tentei colocar o caminhão pra tacar água lá, pra acabar com o pancadão, pra não machucar

porque a água não machuca ninguém. Sim, eu já vi isso acontecer. No entanto que Itacoa é pancadão zero na rua. Mas deixa eu te perguntar uma coisa. Você voltaria num lugar que tivesse um pancadão e tivesse um caminhão de água tacanada em você? Você voltaria a cantar num lugar desse? Voltaria, já voltei a cantar em um lugar que tá caro, bala de borracha. É o que eu falei, pagando meu cachê. Eu tô indo, meu amor, tenho conta pra pagar.

Agora sim, deixa eu... Não acho que é errado. Deixa eu te explicar uma coisa. Deixa eu te fazer uma pergunta, aliás. Nesses quatro anos que você atuou,

solução pra isso? Pensei. É um lugar pra direcionar esse público? Pensei. Ou você só pensou em, ah, vamos acabar com essa porra, acabou o lazer. Você conhece São Bernardo? Eu queria saber o que você pensou. Você conhece São Bernardo? Conheço São Bernardo no ABC. Sabe onde tem o ginásio poliesportivo São Bernardo? Eu acho que sim, acho que sim. Tem um espaço bem grandão lá atrás. Você tentou fazer lá um evento? Eu tentei dar ideia na época pro executivo de fazer algo seguro, com revista, com segurança.

E as próprias pessoas que organizavam, que eram os donos de adegas clandestinas, na região periférica de São

Bernardo não concordavam. Inclusive, fui até ameaçado de morte por causa disso. Eu tentei dar uma solução e não quiseram essa solução. Mas aí não é que não quiseram essa solução. Sabe por quê? Porque as adegas clandestinas faturam muito e o crime organizado fatura muito com a venda de droga nesses pancadões de rua sem legislação. Olha só, eu acredito que eles faturam muito com venda de droga todos os dias, porque o que mais tem é viciado, né?

Em São Paulo, vamos ser sinceros. Não tô aqui pra falar... O que mais tem é viciado, não. A maioria não é viciado, não. Não, é sim.

A gente tá na Lapa. Se eu for aqui do lado da estação, vai ter uma pá de caco jogada ali. Tá, mas nos outros lugares, não. Mas não é assim. Como assim? Não é a maioria. Ai, gente, por favor, tem muito nóia em São Paulo, sim. Você usa droga? Eu fumo maconha. Então, você usa droga. Então você financia o tráfico também. É, mas enfim, não tô aqui pra falar sobre isso. O que eu tô aqui pra falar... Quando pega na filha, você foge mesmo, infelizmente.

Não, é porque eu tô dentro do tema e a diretora me disse que é pra falar só sobre o tema. E é porque dentro dos pancadões de rua vende droga. Mas se você quiser falar sobre maconha, a gente fala o que você quer falar. Eu prefiro comprar maconha que é plantada.

na biqueira comprar, mas se alguém gosta de ir... Se precisar, você vai. Eu não fumo prensado. Eu já passei dessa fase, graças a Deus. Vem sim a vida, né? Vem sim, né, parça? Uma hora, né? Uma só florzinha só, né? É, ultimamente eu não tô fumando porque eu fiz promessa. Então agora eu vou ficar um ano sem beber e sem fumar. Tô bem na minha promessa, graças a Deus. Pô, podia ficar um ano sem fazer putaria também. Ah, não. Porque não dá pra ser perfeita também, né?

Ficar sem fumar e sem beber. A gente fica agora a ficar sem cansado. Por favor, né? Então, em uma coisa a gente concorda. Não, uma coisa a gente concorda. O quê? A gente gosta de mulher. Beleza, tá. Uma coisa a gente concorda. Mas não é sobre isso.

Uma outra coisa a gente vai concordar. Você também é bissexual? Não, não sou casada. Minha esposa tá aí há 20 anos com a mesma mulher. Mas não tenho nada contra quem sente prazer de outra forma. Deixa eu falar só um adendo sobre o pancadão de rua. Eu entendi o que você falou sobre a galera reclamar do barulho. Eu acredito que fazer um evento num ginásio não vai parar o barulho. Eu acho que tem que ser criado um espaço pra isso.

Sobre as adegas clandestinas é o que eu falei. A movimentação da economia dentro da favela.

A gente sabe quanto que é um salário mínimo. A gente sabe que não dá, muitas vezes, pra pagar todas as contas básicas. Não sobra nada. Então, eu entendo pessoas que, às vezes, têm uma barraquinha pra vender bebida, têm uma barraquinha pra vender um hot dog. Muitos barbeiros ganham dinheiro. Muitas pessoas que mexem com estética... Tinha. Então, na primeira chance que ganham dinheirinho, pulou fora porque também não aguentava o barulho, né?

Não, porque eu amo baile. Vou pra baile quase todo fim de semana. Eu gosto. Mas eu sou uma pessoa que gosta. Eu entendo que tem quem não gosta.

Vamos lá, Ari. Tudo bem? Ah, tô suave. Caio Santana. Bom, você falou que o pancadão não teria local pra acontecer. Mas existem as baladas. Então, mas aí... Calma, calma, calma. Simplesmente os organizadores, as pessoas que organizam o baile funk, local, um espaço adequado e fazer o baile dentro de uma balada. Não tem problema nenhum. Entendeu? Eu fui policial municipal em São Paulo durante três anos. Eu enfrentei e combati o baile funk em vários lugares. E eu sei o que acontece ali.

por estar lá dentro para participar, eu sei porque eu estava lá combatendo. O tráfico de drogas é intenso, o Paulo não me deixa mentir. O baile funk é financiado pelo tráfico de drogas, pessoas armadas, pessoas cometendo crimes, inclusive no entorno do baile funk, as pessoas que vão participar daquele evento utilizam para furtar em pontos de ônibus, roubar em pontos de ônibus as pessoas que estão saindo para trabalhar. Em São Paulo isso tem em qualquer lugar, não só no baile funk.

Eu estou falando do baile funk porque é o tema, mas acontece em vários lugares realmente.

Entendeu? Só que o baile funk estimula isso daí. Deixa eu te falar uma coisa que eu não sei se você sabia disso ou não, se você souber também esse debate aí, contrafala o seu argumento, enfim. As pessoas falam que o baile funk ele é financiado pelo crime, porém, isso depende, tá família? Porque o que eu vejo dentro do baile funk, muitas vezes eu tenho uma adega, você tem uma adega, o amigo ali tem uma adega na mesma rua. A gente precisa de movimento, a gente precisa fazer dinheiro, a gente precisa fazer a economia rodar. Vamos juntar os três e alugar um paredão.

bota o paredão na rua, pronto, já virou um baile de rua. As pessoas vão até onde a música tá e assim se forma já um baile funk, entendeu? Então, tipo assim, esse negócio de, ai, o baile funk é financiado pelo crime, o baile funk, eu não vejo assim. Eu vejo que o baile funk faz gerar uma economia enorme dentro da favela que ajuda muitos moradores também. Faz gerar economia. Inclusive, dentro do baile funk, quem mora dentro da comunidade sabe que chega um certo horário, acaba o baile. Não acaba. Não acaba, sim. Eu cansei de entrar, eu sempre trabalhei,

Falei pouco tempo à noite. Prazer. Prazer, meu nome é Davi. Oi, Davi. Moro em comunidade. E, infelizmente, os baile funk não tem hora pra acabar. E quem trabalha... Bom, eu já frequentei vários bailes que tem hora pra acabar. Tem todos. Vamos botar a minoria. Bota a minoria nisso. Mas aí, do mesmo jeito que eu não posso generalizar, você também não pode. Então vamos debater por igual. Vai lá. Eu moro em comunidade, tenho 18 anos. Trabalhava de domingo a domingo. Tem comunidade, ou tem baile funk.

Todo final de semana no fundo da minha casa. Pra mim dormir era um sacrifício. Nós ligava pra polícia, a polícia ia, pedia pra todo mundo terminar o baile funk, se retirar, o que eles faziam. Esperava a polícia sair, aumentava o som. Toda altura a polícia voltava de novo. Só que não saía. Aí tinha que apelar pra quê? Split pimenta. Não saiam. Tinha que descer ali a porrada. Aí tá. O trabalhador que trabalha no outro dia é obrigado a ficar escutando o baile funk até de manhã?

Então, mas aí é o que eu tô falando. Isso é um problema que o Estado tem que resolver. A violência não resolve.

que resolve alguma coisa, porque se resolvesse, não teria baile funk mais. E vamos lá, vamos completar aqui. Vai. No outro dia de manhã, quando a pessoa sai pra trabalhar, ainda tem gente na rua com latinha usando droga, cheiro de maconha pra tudo quanto é canto, rua suja e cheiro de mijo pra tudo quanto é canto. Fora quando você não vê um ou outro mijando em pé, né? Fora que tem pessoa que sai pra ir pra ir levar. Ah, mas isso aí não pode, que eu sei que dentro da favela, se você mijar na frente da casa dos outros, você toma um cacete.

Você sabe disso. Fora que tem mãe de família que leva suas filhas de manhã pra escola. Toma um cacete, ué.

Fala que toma um cacete. É feio uma mulher falar isso, né? Vamos lá, vamos lá. Ah, desculpa. Você apanha. Vamos lá. Fora que tem mãe de família que leva suas filhas pra escola, passa por pessoas embriagadas, que mexem ou abusam das pessoas. Isso em baile de favela. Isso existe em qualquer lugar. De rua. Em qualquer lugar, não. Isso existe em qualquer festa. Se você for ali no Morumbi, no Meretriz, onde tem uma festa eletrônica de playboy, você vai ver exatamente a mesma coisa na rua. Posso falar aqui? Posso falar aqui?

Onde vai paz de família que dá tal horário e acaba. Se você passar na rua no outro dia de manhã, você não vai ver um... Não vamos botar que você não vai ver. Vamos lá. Eu já vi várias baladas com temas de festa junina. Inclusive já fiz show em baladas com esse tema e vi gente muito pior. Vamos lá. Escuta a minha pergunta. Escuta a minha pergunta. Escuta a minha pergunta. Ele nem queria ir no começo. Agora que ele quer... Ai, é uma frase muito grande. Como que era mesmo? Pronto. Eu vou repetir o que ela falou.

na rua não devem ser proibidos porque eles fazem bem pra população. Quem escolheu essa pergunta? Porque eu acho que ela é bem desfavorável pra você. Essa ideia é difícil. Também acho, tenho certeza. O problema que eu vejo do baile funk é como você citou. Você falou, juntam as adegas, os comerciantes precisam vender. Correto? Sim. Então assim, aí o Estado tem que tomar uma atitude. Por que que esses comerciantes eles não tomam essa atitude de se organizar

Mas não é tudo assim, porque senão... Como não? A gente paga... O sanfoneiro vai pedir para criar o espaço do sanfoneiro, os criadores de calopsita vão pedir um espaço. Não, mas aí a gente está falando de um problema que existe na nossa sociedade há anos. Então você concorda que é um problema? A gente está falando de uma situação. É um problema? Eu entendo que tem pessoas que se incomodam. Então, por exemplo, se hoje a gente for em Olambra, o que vai girar em torno da cidade?

Flores? Nossa Senhora Aparecida? Uma crença? Mas aí você está falando de cidade interior.

Beleza, o que gira em torno do funk? O que gira em torno do funk? Esse é o problema. Você já viu motos roubadas lá? Gente, a minha quarta afirmação é o funk muda a vida de várias pessoas pra melhor. Vamos lá. Vai lá. Então, né, Falcão, nós de novo. É, nós de novo. Nós de novo. Deixa eu falar, como que o funk muda a vida da pessoa pra melhor? Eu acho que é pra pior, porque até hoje os jovens, na hora que a gente vai na favela,

a gente vê eles todos desarrumados, com tatuagem, short de tio patinha, uma coisa feia, uma coisa feia, bagunçada. Olha, você respeita meu conjunto da Ciclone, minhas tatuagens? Que isso? Você tá me chamando de feia? Não, jamais. Credo, você respeita minhas tranças boxeadoras, respeita a estética do funk. Tem um monte de panqueiro que acha sua roupa feia também. Não, assim, o corpo... Não, mas aí é muito superficial isso, tá falando. Não, mas o funk jamais, o funk jamais, não muda a vida, não muda, não muda.

fazer uma tatuagem. Muda de vocês que engana dizendo com plataforma de jogo, iludindo, iludindo o jovem da favela, aí muda de vocês. Eu não divulgo o tigrinho, eu não sou a favor disso. Não, muda. Não, tem nada a ver com o funk, eu sou cantora, amigo. Não, mas não, a vida não muda, pelo contrário, piora, piora, piora. O funk incentiva o jovem fumar maconha, o funk incentiva, não, o funk incentiva. Vai lá, gente, para de ficar rindo dele, na moral. É sério, não, mas é sério que eu tô

falando. Eu tô entendendo, vai. O funk incentiva o jovem fumar, fumar lança, cheirar lança, fumar, cheirar marconha, torpecer. Ai, eu nunca baforei, nem cheirei, credo. Você vai nas favelas com todo respeito, com todo respeito às pessoas da favela, você vai pras favelas, você vê aquele bando de jovens sem camisa, com o corpo todo riscado. Mas o que que tem? Deixa eles, eles gostam de tatuagem. Mas isso daí tem um monte de empresário aí, milionário, que também tem tatuagem ali, ó, tem tatuagem também. Não, mas

Não muda. Mas isso aí não tem nada a ver. Que bom que ele veio que deu uma aliviada na tensão. Vai lá. E aí, novamente? E aí, novamente? Se você quiser, eu te chamo de Ari. Não tem problema. Ah, você que quis me chamar de Ariane. Tá bom, pode chamar. Não, perguntei se você deixa. Eu prefiro que me chame de Ari. Mas se você quiser me chamar de Ariane, pode chamar também. Eu gosto do meu nome. Tá bom, tá bom, Ari. É o seguinte. Como que era seu nome mesmo? Paulo, né? Paulo. Isso, tá bom.

pra eu não confundir. Tem outro Paulo, né? Também, não tem? É ele, é sim. Tá. Desculpa, vai. Eu acho que é o seguinte, você é uma pessoa, por exemplo, você tem carisma pra caramba. Você chegou aqui, você não falou nenhuma besteira, você não ficou falando, você não incentivou ninguém a fazer putaria e nem ninguém a fazer crime. E você tem uma certa carisma. Eu acho que assim, você consegue... Eu adoro que ele fala a visão de marketing dele, porque eu nunca estudei marketing, eu faço as coisas da minha cabeça, então vai. Você é uma pessoa que você é diferenciada e você consegue pegar muitos

jovens e colocar realmente por uma vida melhor com o funk. Então, a questão é, a sua música, a sua discografia é totalmente virada pra putaria. Não tô falando da cena do funk, porque senão a gente vai falar de várias coisas diferentes que não tem nada a ver. Beleza, pode falar sobre as minhas músicas. Eu também não quero desrespeitar e não quero que te chamasse de fracassada, pelo contrário. Eu quero dizer que você é em ascensão.

Olha, eu só queria dizer uma coisa pra você. Esse ano eu vou fazer dois anos de funk. Meus parabéns. Entendeu? Então, assim, eu não sou uma menina que tá aí há dez anos cantando funk. Não. Eu dou valor pras coisas

eu consegui. Eu consigo ajudar a minha família, que era a minha principal meta. Então, assim, eu me sinto bem sucedida. Sim, mas eu não tô dizendo que você não é. O que eu tô dizendo é que eu estou pessoalizando você. É por causa do que você tinha falado antes que eu tô falando isso, sabe? Não estou usando você pra cena. E quando você, por exemplo, uma das suas músicas, o nome dela é Puta de Bandido. Como que é a letra dessa música?

Puta de bandido. Ah, nem sei, porque eu solto as capelas na internet e o DJ vai usando e subindo lá no Spotify. Tem música que eu nem escutei. Você tem uma cultura na comunidade em que a galera gosta de ouvir esse tipo de música, certo? Ah, tem um monte de menina que quer.

virar mulher troféu de milionário e tem menina que cresce na favela e quer virar mulher de bandido. Aí, minha filha, se você quer virar mulher de bandido e se colocar em risco e ficar careca, problema seu. Eu não posso fazer nada, mas eu posso cantar sobre. E você estimula sobre isso. Eu posso cantar sobre porque eu sou artista. Porque eu vi as letras. Você estimula a galera. Você lembra como que é a letra dessa música? Não, não lembro.

Mas você tem apologia a esse tipo de música. E outra coisa, você contribui pra uma cultura de putaria, tem tudo bem, é seu direito. Você contribui pra uma cultura de putaria e também apologia ao crime. Sendo que você

Você tem o poder, você tem a habilidade, você tem esse poder, o carisma, você não precisa falar de putaria pra mudar a vida das pessoas, cara. Mas, olha só. Você consegue falar e passar uma mensagem através do funk de uma coisa boa, através de ostentação, através de motivação. Sim, eu acabei de lançar uma música de ostentação, eu falei pro outro amigo, mas você não escutou a música. Por exemplo, eu não vou falar... Lógico, a maioria é de putaria mesmo, eu sou a rainha da putaria hoje em dia, eu trabalho com isso. Mas eu tenho sim outras letras, inclusive, eu vou amar te apresentar,

uma letra minha que não fala sobre isso, mas de qualquer forma... O que você faz não melhora a vida das pessoas. É isso que eu tô querendo dizer, cara. Você tem todo esse potencial pra fazer isso, mano. Você vai conseguir comunicar com muitas pessoas. Mas eu acho que eu tenho o potencial de fazer o que eu quiser. Se amanhã eu acordar e achar que eu não quero mais cantar a putaria, eu canto outra coisa, entendeu? Você tá tornando o mundo um lugar pior, certo?

Tá. É a sua opinião? Não, é a opinião de todo mundo aqui. De todo mundo que tá aqui. Tem pessoas que gostam do meu trabalho. Eu não acho que... Eu não concordo com você.

anos que mostra a bunda na internet depois de seguir. Claro que não, no meu show nem entra menor de idade. Mas aí é o que eu falei. Mas ela te segue no Instagram. Mas como que eu vou ter controle sobre isso, amigo? Ué, mas você sabe que chega a mensagem. E aí, o que eu posso fazer? Você sabe que a sua mensagem chega. Você sabe disso. Eu não tô falando se você concorda, não. Você contribui. Mas o debate é sobre isso. Não, o debate é sobre o funk melhorar as vidas das pessoas.

Eu não tô falando do funk no geral, tô falando de você de forma pessoalizada. Você não melhora a vida das pessoas, você piora.

Eu não acho. E você tem potencial, mano. Eu não acho. Por isso que eu não tô querendo aqui te humilhar. Você tem um potencial pra caralho, mano. Deixa eu levantar a mão pra fazer. Gente, eu faço o que eu quero porque eu quero. Não porque eu não consigo fazer outra coisa. Eu só queria deixar isso claro. Eu faço porque eu quero. Vambora. Pode vir. Vai. Nove minutos. Vai. Bom, a sua opinião é que o funk melhora a vida das pessoas.

É isso, né? Eu discordo. Lembrando que a gente tá falando sobre um gênero musical, tá? A gente não tá falando sobre crime, sobre outras coisas que vocês imputam aí.

do funk. Tá, beleza. Só que você tá pegando uma exceção e trazendo como regra. Como assim? Não é porque o funk melhorou a sua vida ou de A, B e C que ele vai melhorar a vida de todo jovem da periferia. Então, é o que a gente tava conversando lá no começo do debate, né? Eu acho que incentiva. Quando você vê uma pessoa vencer na vida, você se sente motivado também. Principalmente se for uma pessoa que saiu da mesma realidade que você, entendeu?

Esse é o meu ponto de vista. E é isso que eu quero dizer com essa afirmação. Você lá atrás trouxe um exemplo. Ah, o advogado pode ser

sucesso. Sim, porque eu acho que isso existe em qualquer âmbito da vida, entendeu? Deixa eu terminar meu raciocínio. Só que assim, o cara que estuda pra advocacia, ainda que ele não consiga ser advogado, ele tem diversos outros ramos que o estudo trouxe pra ele. Que ele pode encarar outras dificuldades da vida. O funk, pra pessoa que se dedica de coração, coloca sua vida no funk. Se ele não der certo, o que o funk agregou na vida dele?

Gente, mas o funk, ele não existe só pros MCs, tá? O funk existe pros produtores, o funk...

Existe para os donos de baladas, os donos, os contratantes dos nossos shows. São empresários. Os funks existem para os empresários, os funks existem para os estilistas. O funk é um gênero musical amplo, não existe só MC. Todas essas profissões que você falou exigem informação. Posso me usar de exemplo? Pode. Eu mesma já trabalhei na equipe de vários outros artistas antes de eu conseguir fazer o meu próprio show como MC. Eu já fui dançarina, eu já fui hold, eu já fui segunda voz de outros artistas.

várias profissões dentro do funk, mas o meu sonho sempre foi ser MC. Então até eu conseguir fazer o meu trabalho, ter o meu show, eu passei por várias outras profissões dentro do funk, entendeu? O mundo não existe só pra quem é MC. E sim, pra ser dançarina, você tem que estudar. Pra você ser um produtor, você tem que estudar. Pra você cantar funk, você tem que estudar. Pra fazer tudo na vida, tem que estudar, gente. Não existe isso.

As suas profissões que você citou, todas exigem talento, em primeiro lugar. Nem todo mundo tem talento pra ser cantor.

O esforçado ganha do talentoso. Deixa eu terminar. O esforçado ganha do talentoso. Você não deixa eu falar. Termina. Todas as forções. O esforçado ganha do talentoso. Ou você tem talento pra fazer, ou você precisa de uma formação pra fazer. Ou você é esforçado. Como aqui. Todos que estão aqui, os câmeras, enfim, as produtoras, eles têm uma formação na área pra fazer. E se eles não estiverem fazendo... Eu conheço filmakers que são extremamente bem sucedidos.

Que estão iniciando. Não, não, não. Isso não acontece. E não tem formação em audiovisual. Isso não acontece. O funk não melhora a vida das pessoas. Sim, eu afirmo pra você que acontece. O funk não melhora a vida das pessoas. Na minha opinião, melhora.

Vambora. Eu de novo. Vai lá.

criminosa, desde que seja respeitado o ECA. Por exemplo, você não esteja fazendo um show pra uma criança de 12 anos, 13 anos. Se você está fazendo pra uma pessoa que tem mais de 18 anos, tá tudo certo. Eu não aprecio, mas é o seu direito. E eu respeito as liberdades imediativas. Peraí, eu vou chegar lá. Ou seja, repare que as premissas que você tenta trazer aqui, principalmente na forma que os temas foram formulados, elas são equivocadas.

E pra sua audiência, parece que aqui todo mundo é um bando de troco ludita que tem um caráter de perseguir os MCs. Mas pra sua audiência também todo mundo vai me achar uma ignorância.

Olha só, e mesmo que te ache ignorante, esse não é o problema. A gente tem o presidente da república que é o ignorante que é uma mula. E é presidente da república. A gente tá debatendo de lados opostos, isso vai acontecer. E a gente vai convergir e divergir. Tá tudo certo. O problema aqui é que a gente... Vai lá. O problema aqui é que quando você generaliza falando de funk, que o funk influencia, você tá abraçando todos os segmentos do funk, inclusive os vagabundos que usam a pseudo-música pra fazer apologia ao crime organizado, quando, por exemplo,

vagabundo do Uruan, que na entrevista por Roberto Cabrini, o Uruan falou, sou cantor de funk e de trap. Ele falou, eu vou colocar esse corte na minha rede social e a partir do momento que ele canta uma música, nós vai descer pro asfalto pra fazer assalto. Quer entrar no complexo pra pegar os irmãos. Caô, negão. Caô, negão. E não é caô, não. Foram lá e pegaram os irmãos dele. Se fuderam. Mais de 100 vagabundos desviados pra vala, tá, Uruan? Vai se fuder. Ele tá cantando um ponto de vista de um jovem da periferia que

Isso existe realmente no Rio de Janeiro, né? E daí o artista não pode cantar sobre esse ponto de vista? Não, peraí. Cantar ele pode. Ele não pode fazer apologia ao crime organizado. Mas se ele quiser cantar... Repare que você trazer uma realidade dizendo que há crime na favela, isso existe. Mas se eu quiser escrever uma história de um menino e quiser atuar como se eu fosse... Não, não, não. Não distorça as coisas. Eu não tô distorcendo.

Eu tô te explicando o meu ponto de vista. Gente, ele tava doido pra falar isso desde o começo. Por isso que agora eu deixei. Ai, vai. Vamos lá, Ari.

Tem? O tema? O funk muda a vida de várias pessoas pra melhor. Vai. Ai. Concordo. Tá bom. Eu acho que se fosse um lugar organizado, melhoraria de muito mais pessoas. Aí, ó. Geraria muito mais emprego, muito mais renda, muito mais venda. O que eu sou contra é o pancadão de rua que só fomenta a derga clandestina. Que teve gente que morreu, inclusive. Tá tendo uma CPI sobre isso na Câmara de São Paulo. De venda bebida com metanol, caramba. Então, sou a favor que isso aconteça.

o funk dentro de lugares específicos, com mão de obra, que todo mundo vai ganhar. O MC vai ganhar, o segurança vai ganhar, a tiazinha da limpeza vai ganhar, o cinegrafista vai ganhar, o seu maquiador vai ganhar, o seu segurança, que muitos dos MCs usam policiais como segurança pra andar porque é perigoso andar em São Paulo e concordo, que nisso aí o Estado é culpa do Estado, a gente tem que melhorar. Eu, como policial, tento fazer isso há 20 anos. Agora, eu sou contra o pancadão de rua e eu acho que realmente o funk

melhora a vida das pessoas e poderia melhorar muito mais, não só do cantor, como você tem o seu talento, já falei isso antes, com todo respeito, acho imoral, mas não acho ilegal, não é algo que eu consuma, mas eu não acho ilegal. Mas se as pessoas se organizassem como eu tentei fazer e ninguém quis fazer isso lá na minha cidade, muitas pessoas poderiam ganhar muito mais e ter uma vida muito mais tranquila como o pessoal do sertanejo tem, que é o próximo tema. O próximo tema?

Ah, calma, a gente ainda não chegou no próximo tema, peraí. Se quiser pode cortar, não tem problema. Então, legal a sua visão, eu entendo, é o que eu falei, eu respeito quem tem opinião contrária a minha, não tem o que eu fazer, todos somos seres humanos, a gente vive na mesma sociedade, se não tiver divergência de opinião, não tem nem graça, né, a gente existir. Democracia. É, então, tudo que você falou, eu concordo também, você concordou comigo, mas talvez você tenha tentado resolver isso de uma forma errada, entendeu?

amigo ali que tem 16 anos fez piada quando eu falei sobre isolamento acústico, mas, gente, é uma coisa que existe. Eu tenho amigos que são produtores, que moram em prédio, produz funk mandelão dentro da casa deles e os apartamentos vizinhos não ouvem porque tem isso. Mas nas comunidades eles não querem investir nisso aí. Então, mas aí é porque quem tem que investir é o Estado. Não, não é. Isso é particular. Porque isso é um problema que afeta a sociedade no geral.

Quando você faz pancadão de rua, quem paga você, você sabe quem paga? Te interessa quem paga? Isso é uma consequência do sistema.

Quem me paga é o contratante, quem me paga é o dono da adega que alugou o paredão, que me contratou. Te interessa dar onde vem o dinheiro? Quem me paga é o dono da balada que me contratou. Te interessa dar onde vem o dinheiro? Se você quiser contratar um show pra você particular, você me paga e eu vou. Te interessa dar onde vem o dinheiro? Eu não tenho que saber disso, eu tenho que fazer o meu trabalho. Mas te interessa ou não interessa dar onde vem o dinheiro?

Não? Como assim? E se o dinheiro vem do dono da adega, vem de venda de bebida clandestina ou o dono do morro paga? Mas aí eu não sou a investigativa pra saber se o dono da adega tá vendendo bebida clandestina.

Se você se preocupa de onde vem o dinheiro ou não. Eu me preocupo com as pessoas beberem bebida com metanol, né? Isso eu acho errado. E o dinheiro? Não te preocupa? Você acha que qualquer dinheiro é dinheiro? Mesmo que seja manchado, esse dinheiro que você receba seja manchado de sangue ou de vício? Olha só, se existem problemas dentro das periferias... Você não acha que dentro de uma balada seria mais fiscalizado? Não, porque eu conheço várias baladas que...

Que tá na mão de criminoso. Infelizmente, até na mão de policiais que são criminosos. Eu conheço muitas. Também concordo. E se policial for criminoso, pra mim, pode ir pra cadeia também. Então, assim... Eu não contato com isso.

muito maior do que o funk. Você que é policial e comete crime, pau na sua bunda. Vai pra cadeia também. É um problema muito maior do que o funk. A gente não pode responsabilizar o gênero musical e o artista por esses problemas. Tá bom. A minha quinta afirmação é tudo que criticam dentro do funk também existe em outros gêneros musicais. Vamos lá mais uma vez. Ai, meu Deus do céu. Vamos usar Ariane. Inclusive é o nome de uma... Ai, não.

É o nome de uma... Pode me chamar de Ariane. É o nome de uma grande amiga, uma irmã minha.

Então tá bom. Muito bonito esse nome. Mas o dela é com dois N? O meu é com dois N? Não, é com um só. Ah, então... Eu vou te chamar de Ari. Bom, a crítica é válida do que você fala aqui, o que criticam no funk, que também existem em outros ritmos musicais. Só que como até os amigos falaram, os outros ritmos musicais não causam perturbação da ordem pública, não financiam diretamente o crime organizado nas favelas, entendeu? Então, quando você traz essas críticas, eu gostaria que você pontuasse pra mim

criticam no funk que existem nos outros ritmos musicais? Olha, primeiramente eu diria que as letras, né? Do mesmo jeito que eu canto putaria dentro do meu funk, gente, tem gente que canta putaria dentro do rock, dentro do sertanejo, dentro do pop, isso daí, essa questão das letras das músicas existe em qualquer gênero, inclusive também sobre arma, sobre droga, no trap também, eu não acho que isso é uma coisa exclusiva do funk, mesmo que o funk seja um gênero mais atacado, né?

E que deixa isso mais em evidência. Mas eu não acho que isso existe só dentro do funk. Outra coisa também, eu acho que outros gêneros musicais também podem incentivar as pessoas a tomarem atitudes que não são erradas. Que são erradas, aliás. Eu acho que, tipo assim, uma pessoa não pode ser influenciável. Se eu escutar uma música falando sobre suicídio, eu não posso querer me matar porque eu escutei uma música falando sobre suicídio. Se eu escutar um sertanejo falando sobre ficar bêbado até cair,

cair porque eu ouvi isso numa música. E eu quero que o público do funk seja assim também. Mesmo sabendo que existem pessoas no mundo que vão se influenciar. Mas eu acho que essa influência acontece, não tem como ter controle sobre ela e não acho que é um problema exclusivo do funk. É isso que eu penso. Eu não vejo de forma tão explícita falar das suas músicas em outros ritmos falar de putaria tão explicitamente como é no funk. Tá bom?

referente a crime, você vê realmente no rap, em outros ritmos. Mas é muito complicado quando a gente não se preocupa com o alcance que aquilo que eu tô falando vai gerar. Com aquilo que eu faço, vai alcançar. Um amigo bateu muito na tecla aqui já, mas você sabe o que chega nas crianças. Pô, você realmente sabe o que chega. Ah, mas aí a Ana Castela também sabe que a música dela chega nas crianças e a música dela é roça, roça em mim, tira o chapéu e a bota e me bota gostosinho.

Mas você não se preocupa com isso nem um pouco. Isso daí é sobre sexo, tá ligado?

aí, por que que a responsabilidade tem que cair só em cima do funkeiro? Não, em cima de qualquer um. É, em cima de qualquer um, isso existe também outro gênero. Isso existe explícito. Nossa, você parece um personagem, mas eu tô tentando lembrar qual é e não tô conseguindo. Mas até o final eu vou lembrar, vai. Agora é a nossa última afirmação. Eu gostaria de fazer uma pergunta bem séria pra você. Você acha que tudo aqui que você falou nesse debate,

Você acha que é verdade? Você sente falar tudo isso? Você afirma as suas afirmações? Você acha que é verdade? Você tá falando sobre esse tema ou sobre o debate? Sobre tudo. Eu fui 100% sincera. Nossa. E você? Eu também fui muito sincero. Olha aí, ó. E eu fico extremamente assustado em ver isso. Ah, eu também fico extremamente assustada em ver, assim, uma pessoa igual você, mas tudo bem. Uma pessoa igual eu, que estuda, que lê, particularmente... Não, eu não tô falando das suas características.

intelectuais, não, eu tô falando do exterior mesmo. Não sou intelectual. Particularmente, eu detesto funk, não escuto funk, mas o que acontece é, quando ela fala que todos os ritmos musicais falam sobre putaria, sei lá o que for, o vocabulário dela é esdrúxulo. Entretanto, o que acontece é, ela não sabe que a cultura brasileira é reconhecida mundo afora por causa da bossa nova. E bossa nova não fala sobre os temas que você retrata na sua música,

Eleva a nossa cultura nacional Se eu quiser cantar Bossa Nova, fazer uma Bossa Nova amanhã Falando da minha buceta, eu posso, amigo Não, não, não, claro que posso Você abaixa o nível Olha que desequilíbrio Olha que desequilíbrio Você acha que ela desceu o nível do gênero musical? Não é isso, você está Eu estou te fazendo uma pergunta sincera Você está Você acha? Porque que eu, cantar Bossa Nova, eu vou descer o nível do gênero Mas a artista que canta pop, que canta putaria dentro do pop também cantar, ela não vai

cabe às duas fazer o estilo de música que vocês tratam. A gente é artista, a gente pode cantar o que a gente quiser. Se amanhã eu acordar cansada do funk e quiser cantar sertanejo, eu posso, eu sou artista, eu posso me expressar do jeito que eu quiser. Ela acha que a arte dela é ficar falando sobre putaria, é ficar falando sobre... Eu não acho, eu sei. E tudo isso abaixa a cultura brasileira, abaixa a educação e abaixa tudo que é de bom.

Claro que não, isso daí existe em todos os países. Porque ela não tem a cultura necessária. Platão falava há mais de dois mil anos atrás que o seu estilo de música...

acaba com a sociedade. Você tem que tomar cuidado com o estilo de música que o governo dá. E você mostra que você é parte da deterioração da cultura brasileira. Você tá cantando vermelho, menino. Calma. Oi, as beias, tudo saltada. Bom, eu não concordo com você, tá bom? É isso. Seja feliz com a sua opinião longe de mim. Menino. Novamente, presada. Vamos lá. Cuidado, hein. A gente quase infartou, mas mesmo assim ele conseguiu ser pior. Aqui a mente blindada. Vamos embora.

Você agora, nesse último... Vai. Nesse último tópico aqui, você tenta fazer uma equiparação com todos os outros tipos de musicais. Repare que nenhum outro tipo musical faz apologia tão clara ao crime organizado, igual o funk faz nesse momento. Como não? E isso é extremamente perigoso. Mas isso existe em outro gênero, sim. Inclusive com o funkeiro sendo preso, inclusive o Urona, no caso, ocultando, né? Um forajido da justiça dentro da sua própria casa. E aí, peraí, eu quero te fazer agora um desafio.

você disse que sequer conhece o urumã, que o que ele canta não é funk? Não, eu não disse que eu não conheço ele, eu disse que... Você falou que não tem nenhum tipo de relação com ele. Eu não conheço ele pessoalmente, mas eu sei quem é. Eu disse que, na minha opinião, como funkeira, pra mim, o que ele canta é trap. Você não concorda com a apologia que ele faz? Ele tem uma opinião diferente da sua, inclusive deve te mandar um WhatsApp aí reclamando com você.

Eu não conheço ele, menino. Vai te mandar um direct, então, olha só. Mas tudo bem, se quiser mandar, nós troca ideia, tá, pai? Se ele quiser cantar aí, ele é artista, canta o que quiser, caralho. Não tem preconceito, não.

você faz, você recrimina o que ele faz, olha pra aquela câmera ali e fala, Uruan, você é um bandido, você presta um desserviço pro funk e você tinha que estar na cadeia porque você é um criminoso faccionado, vai lá. Uruan, esse daqui é seu hater número um, tá? O vídeo inteiro desde o começo tentando chamar a tua atenção, e se você não responder esse homem, ele vai ficar tentando por um tempo. Vai lá, vai lá, fala, fala. Eu não concordo com você.

Você bateu continência por um ano. Meu amigo, mas eu não tenho nada contra o Uruan, não. Eu acho que ele pode cantar o que ele canta,

Você concorda com isso que ele canta? Você concorda com isso? Ele pode se expressar como ele quiser. Ele pode falar sobre a realidade que ele viu como ele quiser. Diz que vai entrar no complexo pra pegar os irmãos. Caô, cagão, caô, cagão. Ele pode falar sobre o que ele viu como ele quiser. Vai tomar bala na primeira barricada? Isso não é o que ele viu. Ele tá fazendo apologia ao crime organizado. Não é possível que você não perceba com relação a outras coisas.

Que isso? Bom, eu acho que isso existe. Realidade é você falar que você entrou numa comunidade. Igual eu já entrei várias vezes. A gente tá comparando funk com todo mundo.

a atenção do Oruan, parça. Oruan, eu te adoro. Continua cantando mesmo, parça. É nóis. Vai que vai. Vai tomando. É, dos menor do Rio de Janeiro. Ai, meu Deus. Apertei o botão. Vai. Vamos lá, Ari. Let's go. Bora. Você falou que tudo que tem de ruim no funk tem outros gêneros musicais. Mais ou menos isso o tema, né? Mais ou menos isso. Mais ou menos. Vamos lá. Até pode ter. Mas por que que não é tão perseguido como vocês dizem que é perseguido no funk? Bom, porque o funk é um gênero

que vem da favela e a gente já sabe. O pagode vem da favela também, caramba. Ô, amigo, mas aí não tem como você fazer essa comparação, porque funkeira é tirado de bandido desde que o funk é funk. O pagodeiro também era na década de 90, você nem era nascida, eles já eram tirados de bandido. Exatamente, eu nem era nascida ainda, por isso que o debate é sobre funk, eu sou funkeira. Então, por isso que eu falo pra você que o funk não é que sofre preconceito, é que incomoda porque é de uma forma desorganizada.

Eu entendi isso, o seu problema não é com o funk, é com o pancadão. Com o pancadão e com o funk. O seu problema é com o pancadão. O pancadão e com o bandido,

que nem Urua, que o colega falou aqui, que não deixaram falar, que é a mesma coisa. Eu não acho... Eu te adoro, Urua. Eu não acho errado o que você faz. Você quer fazer putaria, falar de buceta, fala do que você quiser. O que eu faço existe em qualquer outro gênero musical. Existem várias músicas de diversos gêneros musicais que abordam os mesmos temas. E quem quiser consumir seu produto, que consuma. E é isso, é a minha opinião.

Eu acho que a molecada solteira consome pra caralho seu produto. Ah, quem é casado também consome. Não sei, eu não consumo. Ah, mas você já... Não. É outros 500 aí. É outros 500.

de outras coisas. Eu te respeito, eu respeito o trabalho, eu ouço o sertanejo, eu gosto do sertanejo. Aí, pronto, minha mãe também ama sertanejo, quem sabe se você fosse cantar sertanejo, teria mais audiência, mas tudo bem, vamos lá. O que tem de ruim no funk, tem outros gêneros musicais? Eu acho que não. Eu acho que sim. Não. Mas aí, isso existe, isso é um fato, tá ligado? O problema do funk é a desorganização, é o receber o dinheiro do tráfico pra fazer baile na favela com os caras que eu fiz.

É, beleza. Você pode achar que sair não é nada. Beleza, o sertanejo recebe muito dinheiro também de verbas que são desviadas. Inclusive já teve polêmica de verbas desviadas de merenda escolar. Então não é só um problema exclusivo do funk. O que existe no funk existe em outros gêneros musicais também. Por isso que eu te perguntei. Se não todos os gêneros musicais. Agora, se o seu problema é com pancadões, era outro tema. O tema agora é o que existe no funk existe em outros gêneros musicais. As letras existem em outros gêneros musicais. Os mesmos problemas.

As mesmas situações, claro que é, amigo. Não é, não é. Ah, é assim. Tudo bem. E aí, cada um ouve que quiser. Se você quiser achar um reggae que canta putaria, você vai achar, meu filho. Tem reggae. Se você quiser achar um pop, então é o que mais tem. Então, assim, existe. É um fato. Beleza, mas no funk tem mais coisa errada. E aí, Ari? Vai, vamos continuar falando sobre mim. Não, não é sobre você. É sobre o tema. Vai. O tema é o seguinte. Cara, essa questão de ter putaria ou de ter apologia ao crime em outras

em outras categorias, em outros estilos musicais, eu acredito que tem sim em algum nível, mas por exemplo, você já, você chega a definir a partir de uma cultura do funk, uma certa, uma subcategoria do funk que chama de funk putaria, não é verdade? Ou funk proibidão, alguma coisa do tipo. É, o que eu canto é uma vertente do funk mandalão. Isso, e você vê isso em outros estilos musicais, esse foco, essa intensidade, tipo assim, eu sou cantor só de pagode putaria,

Então, mas aí, dentro dos outros gêneros musicais, existem as vertentes deles. Não, não existe. Claro que existe, todo gênero musical tem suas vertentes. Pagode e putaria, dá um exemplo. Qualquer outra banda. Eu aceio as vertentes do pagode. Pop e putaria. Uai, mas aí pop e putaria tem um monte. O nome da vertente é putaria. Não, puramente putaria não. Claro que tem. O nome da vertente é putaria, mas isso não impede que pessoas que cantem outros gêneros musicais não cantem sobre putaria só porque não é o nome da vertente. De qualquer modo.

vertente do rap. Dentro do trap tem várias letras explícitas sobre putaria, nem por isso o nome é trap putaria. Agora, só porque o nome da vertente no funk é putaria, aí não pode. A intensidade do funk, a intensidade do funk putaria é muito maior do que os outros gêneros. Você não tem um conhecimento, você não tem uma popularização de outros gêneros. Tem um monte de letras cantando putaria também, explícita, do mesmo jeito que tem no funk, no pop tem também. Mas tem muita putaria, como que você vai falar que não, isso é um

E você tem pessoas como você que reproduzem esse tipo de cultura. E essa cultura chega no ouvido da criança na favela. Beleza, mas aí é o que eu falei. Você não tem isso em outros gêneros musicais. Como não, amigo? Como que não vai ter isso? Nessa intensidade, dessa forma que é feito, não existe. Mas existe em outros gêneros musicais. E o tema é o que existe no funk existe em outros gêneros musicais. Mas é a intensidade. Você pode não concordar.

Você pode não gostar. Mas é um fato. O que as pessoas criticam no funk não é que uma ou outra fala de putaria.

Mas aí existem diversos punks, diversas letras que falam sobre outras coisas. Mas isso daí também existe em outro gênero. Ficar sendo uma armita de bandido, cara. Isso não é legal. Não é legal você reproduzir essa ideia, Ari. Você não precisa disso, mano. Você vem comparar bandido com milionário, mano. Você comparar bandido com milionário, cara. O que tem a ver? Um cara que é um empreendedor, que produz. Um cara que muda a vida de pessoa.

Você vem comparar com bandido, cara. Mas o que tem a ver que você tá falando com tema, cara? Não, Ari.

Você reproduz o que as pessoas criticam no funk. Em que momento você compara isso? Você reproduz o que as pessoas criticam no funk, cara. Como assim? Muda a vida das pessoas pra melhor. Meu amigo, eu acho que o que eu faço é lindo e eu amo o que eu faço, tá bom? Eu falo sobre liberdade de expressão e corporal e eu amo falar sobre isso. E aí, ele saiu porque ele quis, né? Para o tempo. Deixa eu continuar. Eu de novo. Ah, pode, eu acho. Vai. Qual é o tema? Será que ela pode repetir pra mim?

Vamos lá. Pode sim existir, só que o funk ele é mais explícito. Querendo ou não, ele é muito mais explícito. E querendo ou não, o funk, quando tem baile funk ou uma festa de funk, o uso de droga é maior, a criminalidade é maior. É uma visão tão fechada, gente. Se vocês entrarem numa balada da Zona Sul, vocês vão ficar impressionados com o tanto de queta que o pessoal cheira. Não é. É sim, amigo. É sim, inclusive o Playboy usa muito mais droga do que os pobres, tá? Isso é um fato. Mas enfim, não é sobre isso o tema.

tudo que existe no funk também existe em outros gêneros e existe de forma explícita também. E o que eu falei no começo? Você disse que não, mas existe sim de forma explícita. Só que o funk é mais explícito. Eu tô mentindo? Não. Ah, então. Mas também existe em outros gêneros. Mas não é mais explícito. É explícito? Como que não é explícito, amigo? Não é. Ah, não. Que nem o funk. Que nem o funk. Bota não sei aonde, coloca não sei aonde e fala o próprio nome.

Existem diversos traps, raps, pops que falam sobre sexo de forma explícita. Diversos.

Vai logo, vai logo. Um, dois, três e... Então, vamos lá. O tema é sobre o funk, né? Então, eu acho que como todo mundo disse aqui, eu vou falar a mesma coisa, porque é um tema que não devia nem ser discutido, porque a gente sabe que todos os estilos musicais falam sobre alguma coisa, que tem alguma coisa explícita sexualmente falando, mas o funk é muito mais explícito. E já que você disse que os outros temas tem, eu preciso que você me diga um em cada música, por favor.

Porque já que você quer abordar um tema dele... Então, uma música, por favor. Ah, sei lá, uma música, sei lá.

Gold que fala de buceta, que fala de bandido. Tá aí um sertanejo. É esse que é o negócio. Você defender uma coisa que você não tem uma pauta na sua mão pra dizer. Eu conheço, eu sei disso aqui, eu sei daquilo. Então você não pode defender o que você não sabe. Faz meia hora. Foi bom, foi bom. Bom, obrigado por assistir até aqui. Esse foi o meu debate contra 15 policiais. Eu sempre vou defender o funk, gente. Eu tenho só dois anos de funk, mas eu pretendo adquirir também muito mais conhecimento pra continuar defendendo a cultura que me acolheu e que eu faço parte com muito,

muito, muito, muito orgulho, tá bom? É isso, deixa seu like, deixa seu comentário e me segue nas redes sociais, arroba arifalcão1 no Instagram, arifalcão aqui no YouTube e vai me seguir no Spotify e ouvir minhas músicas. Um beijo!