COMO VIVER A QUARESMA - PART. PADRE JOSE EDUARDO
COMO VIVER A QUARESMA - PART. PADRE JOSE EDUARDO=====================================================LIVE PIX: https://livepix.gg/redcast▶ LIVRO HACKEANDO O MERCADO SEXUALhttps://pay.kiwify.com.br/o0h7E4Y▶ INSTAGRAM DO REDCAST• @redcastoficial ▶ LIVRO HACKEANDO O MERCADO SEXUALhttps://pay.kiwify.com.br/o0h7E4Y▶ INSTAGRAM DO HOST• Junior Masters: @ojuniormasters.AS OPINIÕES, CONSIDERAÇÕES E COMENTÁRIOS EMITIDOS PELOS CONVIDADOS DO PROGRAMA, SERÃO ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE RESPONSABILIDADE DE QUEM OS EMITIR.O REDCAST NÃO SE RESPONSABILIZA PELAS MESMAS.=====================================================Spotify: https://open.spotify.com/show/2qGNLUOtkA55qknCHicdoTYouTube Music: https://music.youtube.com/channel/UCeL1a4rpEA8UG9IQIewPccgAmazon Music: https://music.amazon.com.br/podcasts/5a492610-0c19-4087-9fde-a24f90421a10/redcastApple Podcasts: https://podcasts.apple.com/us/podcast/redcast/id1784860273=====================================================SOBRE O REDCASTO RedCast é o seu podcast para conversas diretas e honestas. Aqui, trazemos personalidades de diversas áreas para debater temas relevantes, sem censura e sem amarras. Se você busca conteúdo autêntico e discussões que fogem do óbvio, seu lugar é aqui.INSCREVA-SE NO CANAL, DEIXE SEU LIKE E ATIVE AS NOTIFICAÇÕES PARA NÃO PERDER NADA!=====================================================
- QuaresmaOrigem do termo 'quadragésima' e os 40 dias · Preparação batismal dos catecúmenos · Renovação das promessas batismais · Significado espiritual e conversão · Número 40 na tradição bíblica
- Fenômenos e curiosidades diversasTipologia do tradicionalismo (católicos unidos a Roma vs. apartados) · Fraternidade São Pio X e resistência ao magistério · Sedevacantismo e ausência de papa legítimo · Criação de ideologia religiosa e perda de contato com realidade · Crítica teológica ao tradicionalismo
- Pluralismo ReligiosoDespertar de uma fé católica mais consciente · Conversões reais e radicais · Crescimento de vocações em algumas regiões · Crescimento de movimentos católicos em geral · Pessoas deixando o 'muro' e se posicionando religiosamente
- Perseguição Religiosa em Nível GlobalPerseguição em países árabes e comunistas · Casos na Nicarágua, China e Europa · Perseguição institucional e secularismo militante · Casos de consciência objetada (enfermeiras) · Restrições sociais a cristãos na Alemanha
- Intelectualidade Católica na InternetEmergência de apologética católica online · Quebra de egemonia protestante no discurso · Refutação de clichês anti-católicos (idolatria, maternidade de Maria) · Defensores da fé católica em debates · Nível de conhecimento teológico aumentando
- Catolicismo e FeIntelectuais protestantes convertendo-se · Presbíterianos e Calvinismo como caminho para catolicismo · Pentecostais em busca de teologia mais sólida · Problemas teológicos do Calvinismo (predestinação) · Casos de conversão teológica versus emocional
- Atuação de Lucia na políticaPrincípio da destinação universal dos bens · Propriedade privada versus socialismo · Equilíbrio entre capitalismo e socialismo · Critério católico para votação · Alianças políticas pontuais versus ideológicas
- Democracia vs AutoritarismoMentalidade monárquica do brasileiro · Crítica à democracia burguesa moderna · Viabilidade de monarquia constitucional · Papel do Parlamento versus monarquia · Interconexão de famílias reais globais
- Movimentos SociaisMovimento litúrgico entre jovens · Grupos de evangelização jovem · Intelectualização e estudo da tradição · Movimento carismático jovem · Atratividade pela beleza estética
- Estudo Bíblico EfésiosAlarmismo apocalíptico e sensacionalismo · Interpretações atualizadas do Apocalipse · Sinais dos tempos e cálculos de datas · Dragão do Apocalipse em diferentes épocas · Ceticismo quanto ao fim próximo dos tempos
- Quaresma e Tradicoes ReligiosasSantidade real versus discurso tradicionalista · Fenômenos místicos (levitação) · Virtudes heróicas na vida cotidiana · Comunhão profunda com Deus · Desconexão entre teoria e realidade
- Arquitetura e estética das igrejasIgrejas históricas versus construção moderna · Preferências estéticas (barroco, gótico, minimalista) · Importância da beleza no espaço sagrado · Limitações de recursos nas construções atuais · Exemplos de igrejas bonitas em São Paulo
Não dá pra acreditar que o seu sonho é ser aprovado em concurso público de carreiras policiais e você não se matriculou no Instituto Oliver, que é a maior escola preparatória de carreiras policiais do Brasil. São mais de 150 mil alunos, diversos alunos aprovados na Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Bombeiro Militar, Guarda Municipal, de qualquer estado e de qualquer município. Não dá pra acreditar que você precisa concluir os estudos, terminar o ensino fundamental e o médico completo, e você não fez sua matricula no Instituto Oliver no curso EJA Supletivo.
onde você termina os estudos EAD em apenas seis meses. Não dá para acreditar que você está precisando de um curso superior em apenas três meses, reconhecido pelo MEC, curso superior sequencial de gestão em segurança pública e privada, ou em teologia, para tomar posse no seu concurso, que só existe superior completo. Não fala na lei de desenvolvimento de carreira, diploma ou graduação de nível superior. Só fala superior. E se só fala superior, o superior sequencial de três meses, que basta você ter nível completo para você poder fazer, você consegue tomar posse com ele. Então não dá para acreditar que você está dando bobeira.
vem pro Instituto Oliver. Aqui você consegue fazer tecnólogo de recurso humano de gestão pública em um ano, se você for formado no curso persequencial. Consegue fazer pós-graduação. Você consegue fazer faculdade também de educação física, PAD. Então, se você quer mudar de vida, é Instituto Oliver. Aqui não tem conversa fiada pra boi dormir e nem mamãe me chora. Aulas objetivas, diretas, sem conversa fiada pra boi dormir. Professores altamente qualificados.
Todos os professores são policiais. Então, para de perder tempo. Quer ser aprovado de primeira no seu concurso público? Vem pro Instituto Oliver.
Quer concluir os estudos? Vem para o Instituto Oliver. Quer fazer curso superior? Venha para o Instituto Oliver. Um forte abraço. Eu sou o professor Matheus Oliver. E aqui, meu brother, a sua aprovação é garantida. Tamo junto. Muito boa tarde, galera. Estamos começando mais um episódio aqui do Redcast. Sejam todos muito bem-vindos. Eu sou o Junior Masters. E hoje nós vamos para mais um episódio cheio de conhecimento e informação.
E dessa vez nós vamos para o caminho da fé. Pois é. É tempo de quaresma. E nós estamos aqui com o padre José Eduardo mais uma vez aqui no nosso programa.
Seja bem-vindo, padre. Muito obrigado pelo convite. É uma alegria estar com vocês aqui. Eu que estou alegre de estar na sua presença. Parabéns pelo seu apostolado. Obrigado. Por todo o trabalho digital que você faz. Obrigado. Agradeço muito. Muitas pessoas. Eu vejo que às vezes você faz as transmissões diretamente da paróquia, você também faz as pregações no seu canal no YouTube para as pessoas que quiserem assistir ali enquanto vai, enfim, para poder dormir ou então logo quando acorda. É assim, é assim.
Eu lancei um vídeo para o pessoal que tem insônia. Muita gente reclamando de insônia no privado, sabe? Aí eu falei, vai fazer uma oração da noite para ver se ajuda as pessoas a dormir. O pessoal está dando um resultado legal. Está gostando? Estão gostando. Tem muita gente dormindo aí, graças a Deus. É bom dormir, né? Que assim acorda às 4 horas da manhã para rezar com o Frei Gilson. Frei Gilson. Já é o quinto ano, o sexto ano, né? Acho que é o sexto ano, sim, sim. Sexto ano, desde a pandemia. Exatamente.
Bom, enfim, tem dado muita gente lá. É, acho que por dia mais de um milhão, né? Com certeza. É muito bom. Graças a Deus. O Brasil tá mudando, padre? Isso daí não era comum um tempo atrás. É, é interessante. Eu percebo que há um despertar da fé católica no país, de uma fé católica mais consciente. É verdade que existe todo um, digamos, movimento fotográfico,
de crescimento das igrejas evangélicas, mas sobretudo por parte de católicos, digamos, nominais, não praticantes. Por outro lado, tem crescido bastante o número de católicos praticantes, especialmente de pessoas que querem aprofundar a fé, que não querem ficar na superfície, etc. A graça de Deus é produzindo frutos muito além daquilo que a gente possa imaginar. É, eu tenho conversado com bastante gente, né? Então, hoje eu estou aqui com o senhor, semana passada,
A gente teve no sábado o debate com os católicos e o Lucas Vanzoli. No outro dia a gente teve o do Ariel, que foi um católico contra os 25 evangélicos. Eu conversei com alguns pastores também, né? A gente teve o debate que foi contra os cristãos e o sacane com o Mateu. Então eu acho que o assunto fé, o assunto religião tem crescido, não apenas a internet. As pessoas estão buscando entender mais, estão buscando se aprofundar.
Entendeu? Querendo ou não, a pessoa, quando ela entra nisso daí, ela entra de uma forma apaixonada. Querendo ou não, é a busca pela verdade, né? Ela acaba entrando. Então, eu acho que quando a gente vê, eu acho que todos os lados estão crescendo, entendeu? Então, eu acho que os católicos estão crescendo, os evangelhos estão crescendo, a igreja do pastor Tupirani está crescendo, está todo mundo crescendo. De algum modo, as pessoas estão saindo de cima do muro, sabe?
É, é, é. Um pouco disso. É, e eu acho que a internet facilitou muito a expressão de vozes que ficavam
reprimidas. Então, por exemplo, você falava dos ateus, né? Então, em âmbitos cientificistas, eles sempre tiveram hegemonia. Então, de repente, aparece um cientista, um biólogo, um físico, um químico, que são crentes, que têm fé e que querem falar sobre esse assunto e por que não, né? Então, a internet facilitou muito, digamos, a interseccionalidade de perspectivas que estavam
inibidas. E você acha também que, já que a gente está falando, tipo, nossa, o tanto de pessoas na live do Fred Gilson, rezando o terço, quatro horas da manhã, isso não mostra que as pessoas estão levando também o assunto mais a sério? É um chamado que as pessoas estão sentindo, de repente? Eu acho. Acho que é um movimento sobrenatural da graça, que vai pegando as pessoas. Tem pessoas se convertendo meio que do nada. Simplesmente sentem a vontade de ir à igreja. Tem umas coisas desse tipo acontecendo ultimamente.
E isso tem me deixado bastante impressionado. E às vezes conversões reais, assim, radicais, muito fortes mesmo. O que as pessoas falam de vocação, né? Também vocação. A própria vocação, a entrada de novos membros do clero da igreja, isso tem crescido também no Brasil? Em alguns lugares. Eu acho que não é uma coisa, digamos assim, no Brasil inteiro.
de vocações e outras que já são mais bem favorecidas. A minha diocese, por exemplo, historicamente, graças a Deus, sempre foi muito bem fornida de vocações. O seminário sempre cheio e assim por diante. Mas outras não têm essa mesma, digamos assim, facilidade. Entendi. E nesse tempo de conversão, nesse tempo de ação sobrenatural da graça, padre, como a gente está na quaresma, quais são as diretrizes da igreja para a pessoa viver bem uma quaresma?
Quaresma também é um tempo de conversão, um tempo de graça. Exatamente. Bom, eu acho que para entender isso, a gente precisa rastrear as origens. Como é que surgiu a quaresma? A quaresma, esse nome quaresma é um aportuguesamento da palavra quadradésima. Quadradésima, havia o domingo da quadradésima, domênica da quadradésima, porque são 40 dias antes da Páscoa.
E por que esse número, por que isso surgiu? É uma tradição muito antiga que se desenvolveu de maneira pluriforme em toda a igreja. No Oriente e no Ocidente existem diferentes modos de viver e diferentes contagens de tempo também. Mas por que surgiu a quaresma?
Temos a sonenidade principal da igreja, a noite da ressurreição do Senhor, que também era o dia em que eram batizados os adultos. São chamados catecúmenos. É uma palavra que vem do grego, de duas palavras gregas. Cata, quer dizer, para baixo, e réo, de onde vem a palavra eco, por exemplo, que é sussurrar no ouvido, sussurrar baixo. De onde vem a palavra catequese também.
aqueles que estavam sendo catequizados para o batismo, 40 dias antes da Virgília Pascal, faziam a sua preparação. Então, naqueles 40 dias, eles eram exorcizados, eles eram submetidos ao escrutínio da igreja, eles recebiam os símbolos, eles recebiam o credo, depois recebiam o efatá, a ordem para que o ouvido se abrisse,
recebiam o Pai Nosso, enfim, até que, na noite da Vigília Pascal, eram iniciados, recebiam o batismo, a crisma e a Eucaristia. Ora, com o passar do tempo, com o passar dos séculos, a sociedade foi se cristianizando. Então, esse significado catecumenal da quaresma, ele começou a, digamos assim, se enfraquecer, porque todo mundo passou a ser batizado na infância.
futuramente não se faz até hoje. O batismo começou a acontecer nas famílias de uma herança espiritual. Exatamente. Isso, segundo a tradição, desde os tempos dos apóstolos existia, se tornou majoritário com o passar dos séculos. Porque no começo eram os adultos que se convertiam, conheciam a fé e assim por diante. Ora, então a quaresma passou a ter um significado mais de um aprofundamento na conversão batismal.
Ou seja, eu sou batizado, mas eu preciso renovar a minha consciência de selo. Então, hoje, por exemplo, mesmo quando não há batismos na noite da Bíblia Pascal, a igreja recebe aspersão com a água batismal ou aspersão com a água benta. Uma chamada também lustral, né? Porque, justamente, nós renovamos as promessas batismais e reassumimos o nosso compromisso de pertencer inteiramente a Cristo.
Quaresma, portanto, tem esse significado de ser uma trajetória espiritual em que nós, cristãos, procuramos voltar àquilo que é essencial, um pouco nos afastando daquilo que é frívolo, secundário, excessivo, para assim celebrarmos a Páscoa de Jesus Cristo com o coração purificado. Dentro da quaresma também tem a relação com a tentação de Jesus no deserto.
Isso daí é uma coisa que vem desde os primeiros séculos, essa tradição? Exatamente. O número 40 é um número bíblico poderoso. No sentido de que 40 dias de chuva durante o dilúvio de Noé. 40 dias Moisés ficou no Monte Sinai em jejum completo até receber as tábuas da lei. 40 anos o povo de Deus permaneceu no deserto.
para chegar até o Monte Oreb, caminhando dia e noite. Depois, 40 dias, dizia o profeta Jonas, Nínive será destruída. E Jesus, no início do seu ministério público, vai para o deserto e passa 40 dias e 40 noites sem comer e beber nada, em jejum. Ou seja, ele está recuperando para si esse significado histórico
Então, 40 é um número que acaba tendo um significado penitencial, acaba tendo um significado de conversão, de mortificação, de retiro, de purificação, e é por isso que a contagem da quaresma gira em torno do número 40.
a gente vive num país que ainda dá pra viver a fé, né? Com liberdade, não há proibição de reuniões, cultos, missas, muito menos perseguição física declarada. Mas não é essa a realidade dos católicos ao redor do mundo, né? Em muitos lugares, não. Em muitos lugares, não. Quais são os países hoje onde existe perseguição realmente aos cristãos? Alguns países árabes, nem todos, mas em muitos.
de matriz comunista por exemplo na Nicarágua atualmente na China há uma parte da igreja bem perseguida em lugares também de um secularismo um ateísmo muito militante em que o Estado manifesta hostilidade à fé em alguns lugares da Europa isso existe
não é sanguinária, necessariamente, mas é uma perseguição, digamos, institucional. O cristão, ele não pode publicamente assumir as suas convicções, o seu compromisso, né? Por exemplo, os pais têm dificuldade de educar os filhos na fé? Por exemplo, soube, por exemplo, há um tempo atrás, na Alemanha, de uma família que manifestou objeção a que os filhos fossem educados na perspectiva de gênero,
sua escola e eles perderam a guarda dos próprios filhos. Na Alemanha é isso? Se não me engano, mas faz tempo que eu vi essa notícia, há uns 5, 6 anos atrás. Mas coisas assim têm acontecido. Por exemplo, me contavam de, se não me engano, isso foi na Suécia, de uma enfermeira que apresentou objeção de consciência para fazer um aborto e ela foi demitida. É uma coisa bastante absurda.
ação de consciência é um direito fundamental nos estados democráticos de direito. Ora, ela foi à televisão e na televisão, por incrível que pareça, a população ficou contra a enfermeira e disse, não, não, você não é obrigada a fazer o aborto, é só não ser enfermeira. Ou seja, você cria uma restrição social a um cristão, ele não pode viver de acordo com a sua fé porque, digamos assim, há uma determinação laica do Estado que é
é intolerante e persecutória. E na Nicarágua, como o senhor falou? Na Nicarágua, atualmente, o governo do Ortega, né? Tá muito hostil, tem prendido padres, bispos, comunicações inteiras religiosas tiveram que sair do país. Então, clima de repressão, a igreja está muito forte. Entendi. Na Nicarágua, né? Exatamente. E desde quando tá assim? Tem alguns anos já? Alguns anos, sim, sim. Alguns anos. O Daniel,
Ortega, ele assumiu... Ditador. Ditador. Ele assumiu o governo da Nicarágua com bastante apoio da esquerda católica, inclusive. Mas agora, ele se torna intolerante com a igreja. Na China, a gente tem relatos de perseguição, prisão também? Temos relatos. Tem diminuído a perseguição, porque a igreja católica estabeleceu uma concordata com o Partido Comunista Chinês.
para a diminuição da perseguição aos fiéis mesmo, a gente morrendo, etc. E diminuiu, mas ainda existe, porque há muitos católicos que não submetem, digamos assim, às diretivas políticas e mesmo a uma espécie de mistura da estrutura eclesiástica com a subserviência às diretrizes do Partido Comunista.
no lar que uma hora vai ser resolvido. Mas acompanhando esse movimento do crescimento, provavelmente o catolicismo em alguns países que não são historicamente cristãos como a China estava crescendo. Está crescendo? Acho que ainda está crescendo. Mesmo com toda a perseguição? Mesmo com toda a perseguição, sim. Países como China? Os cristãos têm obtido muitos números ali, sim. Menos no Japão. O Japão é bem menos, né?
E tanto por cultura, quanto por mentalidade, por religiosidade, o cristianismo é uma religião muito minoritária lá. Entendi. Tem algum país assim que também a devoção à Virgem Maria, por exemplo, ou de repente algum santo que foi canonizado recentemente tem gerado também novas conversões? Olha, eu acho que atualmente o polo mariano que mais tem atraído pessoas e que tem produzido conversões é Mediogoro.
na Bósnia ali existem supostas aparições de Maria Santíssima digo supostas porque a igreja digamos assim não fechou o caso e sim ali acontece fenômenos de conversão que são realmente prodigiosos o Carlo Acutis São Carlo Acutis tem mexido muito com as pessoas há uma devoção ao São Carlo Acutis muito
sensível. Isso é muito bonito de ver nos jovens, mas em pessoas também de todas as categorias. Padre Pio, na Itália, leva milhares de pessoas todos os anos lá para San Giovanni Rotondo. Sim, temos movimentos devocionais. Agora, o que está acontecendo aqui no Brasil é uma coisa um pouco inédita, no sentido de haver realmente
um movimento de massa, assim, em torno, por exemplo, da devoção ao rosário, das práticas espirituais da quaresma. Uma coisa bonita de se ver, né? Eu vi no debate com o Ariel, muita gente agradecendo. Nossa, que debate maravilhoso. Agradeço demais pela produção, porque o pessoal quis dizer que estava sendo muito legal assistir. Nossa, é tão bom ver um católico defendendo a fé.
a gente recebeu muito comentário assim, né? Pessoas achando que foi uma coisa muito positiva. Porque pelo que a gente observou, é como se tivessem muitas dúvidas e as pessoas estão começando a tirar essas dúvidas agora, né? As pessoas estão começando a conhecer esse outro lado. Ah, eu não sabia disso. Ah, nossa, que legal. Agora eu já sei o que comentar a respeito de tal assunto. E querendo ou não, pelo menos nesse debate, foi um debate amigável, amistoso. O pessoal,
no clima de festa, muita gente pegando contato, conversando depois que acabou as gravações, mostrou que tem tanta coisa acontecendo. Então até para a gente poder chegar e ter uma conversa como essa, é uma coisa importante para todos os lados. Porque do outro lado também são coisas que os protestantes gostam de conversar. Eles gostam de conversar sobre esses assuntos também. E claro, existem muitos protestantes que são sensatos, que se dão trabalho,
de conhecer um pouco melhor a fé católica para poder dialogar com ela. Porém, qual é o fenômeno que nós temos no Brasil? Eu acho um fenômeno interessante desde essa perspectiva apologética de defesa da fé. Durante muitas décadas, os protestantes tiveram a hegemonia da fala na refutação ou na tentativa de refutação do catolicismo.
estava muito concentrada sobre questões sociais, especialmente nos tempos fortes da teologia da libertação. Depois disso, houve um reavivar mais espiritual, mais doutrinal, até mais militante na Igreja Católica. E, de repente, essa espiral do silêncio em torno da doutrina católica foi quebrada. E diversos personagens começaram a explicar o catolicismo
além dos clichês inventados, digamos, como espantalhos para a refutação protestante. Por exemplo, a ideia de que nós católicos somos idólatras. Francamente, eu acho que essa ideia não tem pegado mais. Por quê? Já explicamos em verso e prosa o que é idolatria e, a diferença disso, a veneração que nós temos pelos santos, que não estão postos no lugar de Deus.
Evidente que haverá sempre algum protestante que vai tentar nos colocar, mas nos recolocar no lugar de idólatras. Por exemplo, falando, não, mas Jesus também fala de quem adora o dinheiro, de quem adora o fim, né? Sei lá mais o que. Bom, mas aí é claro, aí já está falando metaforicamente. Então, nesse sentido, um protestante também pode ser idólatra, não pode ser idólatra de qualquer coisa, né?
Fone, sei lá do que. Mas no sentido próprio, eu vejo que hoje em dia é um tema que meio que está batido. Ou sobre a maternidade divina de Maria. Então, antigamente isso era um problema muito sério. Atualmente, depois de tantos debates, depois de tanta discussão, tem ficado mais claro para os próprios protestantes que a maternidade divina é uma crença deles também. E não poderia ser de outro modo.
que nós. Ou seja, a quebra da hegemonia de um lado faz com que não apenas o debate se enriqueça e suba de nível, mas como também, digamos, a honestidade sobre o que é a Igreja Católica e as suas crenças seja colocada na pauta. Isso me parece muito importante. Isso é uma regra, Júnior. Veja, por exemplo, eu dou um exemplo bem concreto. Há na Igreja Católica um movimento contestador
chamar tradicionalismo. O tradicionalismo é contestador na sua visão? É contestador. Ele contesta o magistério da igreja. Diz que o magistério atual da igreja é corrupto, sei lá o que. Ora, enquanto eles estão fazendo barulho, prosperam. Mas aí aparece alguém, tipo eu e outros, que começamos a dizer, peraí, isso daqui não é assim. Por esse motivo, por aquele motivo, por aquele outro motivo. Começamos a colocar os pingos nos isa,
não conseguem fazer nuances, a mostrar os buracos que existem na própria explicação deles, na teoria deles, no modo de compreender deles. E eles vão perdendo hegemonia e, obviamente, a verdade vai prevalecendo e as pessoas voltam à sensatez. Então, o movimento de quebra das hegemonias é muito importante. E, lamentavelmente, tem muita gente que não presta atenção nisso, mesmo dentro da igreja.
parte da igreja que olha para isso tudo como uma coisa secundária, não vale a pena, é pouca gente, não vale a pena dar respostas para isso, porque o grosso da população, o grosso do povo católico está conosco, está nas paróquias, e é verdade, é verdade mesmo. O pessoal que fala que, nossa, que está explodindo, que o movimento tradicionalista, por exemplo, cresce a cada dia a mais. Em grande parte é um mito.
São coisas diferentes. Mais ou menos. O tradicionalismo, digamos, é um gênero dentro do qual está o sede-vacantismo, o sede-privacionismo, ou grupos do tipo reconhecer e resistir, né? Os lefebristas, etc. É um gênero no qual essas espécies estão ali. Mas qual que é a diferença? Porque assim, até então, eu pensava que o tradicionalismo, por não se opor ao Papa, por não se opor...
ao rito e assim por diante, ele ainda assim seria um mesmo grupo apenas com uma preferência diferente. Eles preferem o rito tradicional ao invés do rito Paulo VI. Eles preferem que eles consigam, por exemplo, ter o latim como língua do que o vernáculo. Enfim, uma preferência. Não uma questão de certeza teológica. Um tá certo e o outro tá errado. Há um tipo de tradicionalismo assim. Que não é mais a maioria.
como é que são as coisas. Para te explicar um pouco a tipologia. Então, o que é o tradicionalismo em geral? O tradicionalismo é um movimento de pessoas que sustentam que houve uma ruptura ou houve, digamos, algum tipo de desvio no Conselho Vaticano II ou após dele. Ora, dentro do tradicionalismo existem os tradicionalistas
são católicos mesmo, que estão unidos à Roma. Ou seja, que fazem críticas construtivas, respeitosas ao Conselho Vaticano II. Por exemplo, o Instituto Bom Pastor, a Fraternidade São Pedro e outros vários grupos que estão unidos à Santa Sé, mas que têm, digamos, essa missão e receberam da Igreja a possibilidade de fazer uma crítica
positiva ao concílio. Só que esse não é o único tipo de tradicionalismo que existe. Então existe o tradicionalismo que é mais, um pouco mais radical, que é aquele que diz que o Papa é Papa, os bispos são bispos, mas nós não vamos obedecê-los. Então essa linha, digamos, majoritariamente é a linha perseguida pela fraternidade São Pio X, a linha que a fraternidade São Pio X tem como sua. Reconhecemos o Papa, reconhecemos os bispos,
mas nós os resistimos, estamos apartados deles. Então tem bispos próprios, tem um clero próprio e um povo próprio, supostamente. Mas eles não obedecem por quê? Não obedecem porque eles acreditam que a autoridade da igreja está corrompida. Mas esse argumento não leva... Aí são os problemas teológicos que a gente tem que mostrar que esse argumento tem. Mesmo após 2009, após as retiradas das excomunhões,
estão em plena comunhão com Roma ainda. Não estão em plena comunhão. E aí, pra acertar essa plena comunhão, eles precisam resolver esses problemas teológicos. Exatamente. Mas eles não querem abrir mão do... Eles não querem abrir mão. E não vão abrir mão. Vão ter sagrabispos novos agora. Agora... Inclusive, nem é mais Dom Felai que tá à frente, né? Não, não, não. É o padre Davi de Palharani. Que, aliás, eu conheço, amigo meu. Eu gosto...
É uma pessoa que eu gosto muito, mas, do ponto de vista teológico, estamos em mundos diferentes. Pessoal, eu tô
perguntando, tá? Veja, tô tirando dúvidas aqui até mesmo pra vocês aí do... Eles já começaram a protestar. Não, o pessoal, os comentários são impossíveis. Não, não, é porque é que eu não sei exatamente porquê essa gente, não sei se eles não trabalham. Daqui a pouco eles aparecem no seu perfil também. É tipo robô, vai falando, vai falando, vai falando. Mas assim, é impressionante. Eles chegam e começam a badernar. Às vezes é um grupo de 50 pessoas, mas eles estão lá badernando, badernando pra fazer barulho. Tá bom. Mas voltando. Então a Fernanda São Pio,
décimo é um tipo de tradicionalismo que reconhece a legitimidade do Papa e dos bispos. O Papa é Papa, os bispos são bispos, mas nós nos apartamos do convívio com eles porque a hierarquia atual da igreja é modernista. Então, nós não podemos conviver com eles, nós não podemos obedecê-los. Agora, teologicamente, essa posição é muito
complicada de se justificar, alguns partem disso para a negação mesmo da existência de um Papa na atualidade. Aí a posição sede-vacantista, que é bastante minoritária dentre os tradicionalistas, mas que é muito fragmentada, mas que é uma das posições tradicionalistas que estão aí. Ou seja, é a convicção de que depois de Pio XII todos os Papas foram
heréticos e, portanto, não são papas. Pio XII. Depois de Pio XII. Tem alguns grupos mais minoritários ainda que regridem até São Pedro X. E outros que são mais minoritários ainda que regridem até Gregório XVI, antes de Pio VI e assim por diante. Existem. Na França, por exemplo, existe um grupo que já dissentiu na época de Pio VI e é uma igreja paralela. Então, veja, é um complexo
o sexo de grupos que contestam o magistério atual, o magistério vivo da igreja, que é o único que existe, porque o magistério morto, quer dizer, são textos, o magistério mesmo enquanto órgão é o que está aí, é o Papa com os bispos em união com ele. Então, eu dizia, o tradicionalismo seguia bastante invicto enquanto não havia pessoas de um certo peso teológico que começaram a enxergar os buracos na teoria deles.
fazer um pouco isso, outros também e começa a sair água. Não, estamos crescendo. É um discurso muito mais triunfalista do que qualquer outra coisa. Você não vê um boom. Você vê mais pessoas perplexas, algumas revoltadas, até alguns grupos que começaram a cair e até se esfacelar depois que manifestaram a sua posição de unidade, por exemplo, com a Fraternidade do São Pio X ou com outros grupos parecidos e assim por diante. Entendi.
Mas isso gera uma disputa teológica, como você falou. Também tem uma disputa de egos, de... Ah, bom, acho que as duas coisas estão muito misturadas, né? Será que uma pessoa sai machucada de alguma interação? Aí, peraí, gente, tá tudo errado. O que a gente tem que defender é isso aqui. O que eu percebo, Júnior, é o seguinte. É que é muito fácil você criar uma ideologia religiosa. O que eu quero dizer com isso? Você toma uma ideia,
e absolutiza e aí você perde o contato com a realidade. Vou te dar um exemplo. Tem um grupo bastante famoso nas mídias sociais que sempre fala fora da igreja católica não há salvação. Verdade. Doutrina da fé. Ok. Então volte para ela. Porque você rompeu a unidade de regime na medida em que você não está debaixo do regime direto do santo padre e dos bispos em comunhão.
com ele. Você está numa instituição paralela, que não está organicamente assumida, digamos, no mesmo corpo jurisdicional da Igreja Católica. Só que o fulano não percebe que, entre o que ele está dizendo e o que ele está fazendo, há um intervalo, há uma diferição. Não consegue notar isso, porque ele luta por ideias. Então ele não percebe, por exemplo, que o magistério da Igreja está sediado realmente
Pedro. Então, há um tempo atrás, houve um desses grupos que eu ataquei e que eles me acusaram de atacar o magistério da igreja. Peraí, do que você está falando? Você não percebe que você que está atacando o magistério da igreja, do qual eu sou parte orgânica, no sentido de que eu sou um padre unido ao meu bispo, que é unido ao papa? Enfim, é uma perda do contato com a realidade.
as pessoas começam a entrar numa vibe totalmente fechada, já não conversam com o mundo real, ficam, digamos assim, se retroalimentando, a bolha vai ficando cada vez mais convicta, um coro que se anima, que milita junto e o discurso deixa de ser racional. Esses dias eu mesmo conversava com uma pessoa e, na verdade, essa pessoa muito querida me mandou um artigo, enfim, nessa perspectiva tradicionalista.
Eu respondi a ela dizendo que... Lamentava que ela tivesse tomado aquela mesma posição. Ato contínuo, ela parou de falar da posição e começou. É, mas acontece isso, mas acontece aquilo, mas acontece aquilo outro, mas ele tem esse escândalo, mas tem aquele outro, mas tem aquele outro. Certo, mas vamos voltar à discussão sobre a posição, entende? É uma dificuldade lógica. Você percebe que as pessoas repetem mantras, que elas são...
digamos assim, obsessivamente repetidoras de clichês. De certo modo, você está dizendo que eles se assemelham aos protestantes. De certo modo, sim. O protestantismo também, eles enxergam a forma fora da estrutura hierárquica, fora do magistério. Eles enxergam... Sola scriptura, sola traditio. Quer dizer, os evangélicos são sola escritura.
Os tradicionalistas são sola traditio, não tem o magistério. Aí eles nos acusam a nós de sermos solo magistérios, solos magistérios. Só que não é verdade, porque o magistério está vinculado pela tradição e escritura, que são fontes da fé. Então, não é sem razão que existe todo o movimento tradicionalista que são chamados os homeloners. É a turma que não sai de casa. Tudo acabou, a igreja acabou, não tem mais sacramentos, não tem mais nada,
santificar em casa. Vamos fazer a nossa santificação do domingo, rezando o terço, fazendo uma comunhão espiritual, ou coisa do tipo. Ou seja, exatamente como você tem cismas, depois desses cismas, divisões desses cismas, e depois da divisão desses cismas você tem o chamado desigrejados no mundo evangélico, é a mesma coisa que acontece nesses outros grupos. Esse negócio dos desigrejados tem crescido, né?
crescido, mas entre os tradicionalistas também tem. É igualzinho. É igualzinho. O mecanismo é o mesmo. O sedivacantista, ele também é um desigrejado. De certo modo, sim. Existem ditos bispos sedivacantistas, eu não sei até que ponto, não sou ninguém pra julgar a validade ou não. Da sagração, você fala? Da sagração deles. Da sucessão apostólica. Exatamente. Porque há dúvidas sobre isso, sobre aquilo, etc. Mas, digamos, a bispo
vacantistas, mas há sete vacantistas que não tem bispo, que estão um pouco soltos mesmo. É um movimento que depois vai acabar muito nisso dos homeloners. Entendi. Dentro do protestantismo, você tem visto também muitas conversões saindo do meio protestante e indo para o catolicismo? Muitas. E conversões substanciosas. E é muito interessante como quem vem da igreja protestante olha para o fenômeno tradicionalista e fala assim, como assim? Claro que sempre tem algum
um ou outro que tem algum parafusinho meio solto que não percebe que ele sai de uma seita e entra em outra seita mas a maior parte daqueles que vem e tem vindo através de conversões realmente teológicas ou seja, são pessoas que se convertem a partir de princípios teológicos a partir de digamos uma reflexão profunda sobre a fé
deles é estarem na unidade da Santa Igreja. Mas você sente que é uma conversão teológica, por quê? Porque eles começaram a estudar, eles começaram a ver os argumentos. Tem um pouco de tudo, viu? Tem uma amiga minha, que é a Bruna, ela tinha um canal no YouTube bem na época que eu tava começando também. O canal dela era Intervalo Literário. E ela era protestante, ela era até presbiteriana. Enfim, ela tinha um grupo do pessoal que fazia resenha de livro, o canal dela era sobre isso, fazia resenha de livro, fazia bastante conteúdo,
falando sobre Dostoiévski, sobre, enfim, Dante, de tudo, né? Passou um tempo, ela começou a... Ela começou a ficar curiosa sobre a fé católica. Ela falou assim, não, eu vou estudar. Do mesmo jeito que ela lia bastante livros sobre literatura, ela começou a ler livros sobre o catolicismo, né? E aí, ela esbarrou num determinado momento, assim, com algumas informações e aquilo ela começou a questionar, né? A passar adiante e falava com o pessoal, e aí, o que vocês acham disso? O que vocês acham daquilo ali? E aí, o pessoal falou assim,
você está indo por um caminho que vai te levar para um lugar que é diferente do que você está. E foi mais ou menos isso que aconteceu mesmo. Pouco tempo depois ela se converteu, aí se batizou, batizou os filhos, foi para a catequese de adultos, não sei como tem nomes diferentes às vezes, mas aí comungou e os filhos dela, mesma coisa agora. Então a família toda dela se converteu a partir da entrada dela nesse campo dos estudos.
Tem muitos presbiterianos que estão se convertendo ao catolicismo ultimamente. Justamente por causa... O que acontece, né? Nos anos 2000, mais ou menos, a intelectualidade católica, que está muito abaixo do que foi a intelectualidade católica no século XX, especialmente na primeira parte do século XX, mas enfim. Um movimento intelectual católico começou a surgir na internet, de um jeito um pouco mais, digamos assim, expressivo.
Isso causou, digamos assim, aquele desejo de emulação por parte dos protestantes. As igrejas pentecostais, que eram as que mais cresciam diante desse movimento católico e intelectual, perceberam de uma maneira mais crítica os seus próprios grupos pentecostais e aí foram se aproximando de igrejas históricas, de igrejas com uma teologia mais sólida, dentre elas o presbiterianismo,
igrejas históricas, me parece que é aquela que tem uma teologia um pouco mais alicerçada. Só que, na medida em que você penetra no calvinismo, e aí houve uma espécie de neocalvinismo teen, um movimento jovem mesmo, a pessoa chamava de calvinianos, ou chama de calvinianos, de onde veio um pouco essa nova apologética mais agressiva,
de internet protestante. Um pouco surge daí. Ora, na medida que você vai penetrando no calvinismo, você vai chegar necessariamente ao tema que é central na soteriologia calvinista. Que Deus é quem escolhe quem vai pro céu e quem vai pro inferno. Unilateralmente. E que você é predestinado a isso. De uma maneira fatal. Quando você lida com essa ideia, essa ideia é uma ideia muito, muito, muito complicada.
teológica e existencialmente falando. Então, a parte começa a decair para o ateísmo. Eu já vi várias pessoas que se tornaram ateias e depois se tornaram católicas. E outros que começam a dizer, não, peraí, isso aqui não tem muito sentido. Aí tentam elaborar uma espécie de arminianismo, que é a teologia, digamos, soteriologicamente um pouco oposta. E também percebem que no arminianismo existem buracos, porque, querendo ou não,
Está tudo ali sobre a base da teologia da substituição penal, que o filho recebe do pai a ira relativa aos nossos pecados. É uma coisa muito agressiva e até antopomórfica na leitura de quem é Deus, no modo como ele permite que Cristo seja crucificado.
uma visão um pouco mais equilibrada um pouco não, bem mais equilibrada bem mais, digamos assim até realista e teologicamente mais coerente e acabam se convertendo entendi, então tem o lado dos presbiterianos tem os pentecostais também, eu acho que também tem um pouco disso que você falou, às vezes a pessoa está lá no meio e etc e ela acaba se apegando de repente em alguma
coisa, ela começa a querer entender os católicos de outra forma, né? Quando gera uma curiosidade, normalmente a pessoa acaba indo atrás. O que acontece com os pentecostais é o seguinte, como o pentecostalismo está construído sobre a base de estímulos emocionais, chega uma hora que aquilo não funciona mais. A pessoa vendo profetada de um lado, profetada do outro, coisas desse tipo, falsificações, e aí ela fala, não, peraí, eu não tô aqui de brincadeira. Você já viu aqueles
vídeo, tem um vídeo muito interessante. Como a gente falou, os protestantes eles se distinguem muito entre eles, né? Tem um vídeo, eu acho que é um vídeo que eu acho que tem um pastor que é o David Leonardo em cima e tem embaixo o pastor Júnior Trovão. Tipo, um falando totalmente contrário do outro. Ah, eu nunca vi, mas é bem possível. São dois modos diferentes de lidar com a palavra de Deus. Então, o que que acontece? Chega uma hora, aquilo pode sustentar meses ou
anos da sua vida, mas não sustenta a sua vida toda. Você precisa crescer. É uma dinâmica da vida normal. Ora, nesse momento um pentecostal facilmente se torna, por exemplo, um presbiteriano ou um batista, vai para uma denominação um pouco mais, digamos assim, encorpada teologicamente. Se ele lida com esses problemas, se ele não está ali por uma coisa mais existencial, comunitarista, se ele está ali realmente por razões teóricas,
ele corre sério risco de se tornar católico, que é o que tem acontecido com uma certa frequência. Os pentecostais, normalmente, você acha que é até mais simples a conversão assim? O que eu tenho visto é pentecostais que se tornam presbiterianos e depois católicos. Pentecostais que se tornam batistas não pentecostais e depois se tornam católicos e assim por diante. Isso eu tenho visto. Entendi. Agora, um pentecostal direto para a igreja católica tem sido mais difícil.
ele não consegue ficar muito tempo dentro de uma igreja pentecostal. São mundos muito diferentes, né? Católico e pentecostal? Também tem os pentecostais católicos, né? Mas também ninguém aguenta ficar muito tempo nisso. Eu digo, dá uma saturação emocional. Então, eu me lembro que no final da década de 1990, houve uma espécie de surto coletivo na igreja do Brasil quando houve a explosão do padre Marcelo. Então, o pessoal
começou a dançar nas igrejas, fazer umas coisas malucas mesmo. Só que aquilo durou uns dois, três anos. Quer dizer, não dá. Fatalmente isso aqui vai chegar a uma saturação. É que o povo era mais jovem, né? Eu acho que não era bem isso, sabe? Eu acho que tava todo mundo de saco cheio daquela pregação do Jesus revolucionário, mal-humorado, meio ruim, meio que quer derrubar os porcos capitalistas e não sei o quê. Tava todo mundo meio de saco cheio disso.
Ah, entendi. E aí de repente chega um padre falando do amor de Deus, do Jesus que me ama, que eu amo Jesus e não sei o que, tal, tal, tal, tal. Surto coletivo eclesial. Aí dura alguns anos, depois passa. Você chega a um estágio um pouco mais normalizado. Vai estabilizando. Vai estabilizando. Isso foi no final dos anos 90. Final dos anos 90. Toda onda pentecostal depois se estabiliza. É sempre assim. Você tem um fervor... E o tradicionalismo também.
O tradicionalismo é que ele nunca vai ultrapassar. Veja bem. O tradicionalismo tem um problema intrínseco, que é o seguinte. Você não consegue ir na contramão da realidade. Você não consegue ser anticrônico. Eu quero dizer, você regredir no tempo. Não tem como você fazer isso. O tempo tem uma linearidade. Então, desde a Revolução Francesa,
Todos os grupos que militaram em pró de um ancião regime, de voltar a um tipo de sociedade ou de igreja anterior, são grupos extremamente rabugentos, muito amargos, porque tem que lidar com... manifesta uma espécie de contínuo mal-estar em relação ao tempo em que estão vivendo.
sempre em minoria e sempre vão ser derrotados nunca conseguiram uma vitória real então são pequenos grupos desagregadores, é um problema intrínseco que o movimento tem em si são sempre exóticos, vão ser vistos com grupos um pouco enfim, assim excêntricos e pronto então pode ter um boom, um boom não é um boom emocional como no caso dos pentecostais ou dos carismáticos
Mágicos católicos, tem um boom, mas esse boom, mais lentamente do que estes primeiros, esse boom, ele tende a ir depois se estabilizando, porque as pessoas vão vendo, peraí, vocês estão falando o quê? Que vai acontecer um grande retorno, que vai acontecer um movimento escatológico, que as coisas vão mudar, que vai vir uma graça, que não sei o quê. As pessoas percebem que isso é delírio, e elas falam, peraí, né? Esses dias eu ouvi um padre dizendo que não acredito que existe santidade na igreja moderna,
Mas aí você vê santidade na igreja real. Você vê pessoas realmente se santificando. Então você percebe. Eu estou aqui. Mas o padre não pode falar uma coisa dessa. Como assim? O padre não pode falar uma coisa dessa. Ele não pode dizer que não tem santidade na igreja moderna. Mas tem quem diz. Que não está unido a nós. Os tradicionalistas. Ah, os tradicionalistas. Que dizem que não existe santidade na igreja moderna.
vê, você tem do lado de lá um monte de gente irritada, soberba, nervosa, intratável. A gente humanamente fala assim, meu Deus, que deem um psicotrópico, porque essa pessoa aqui está fora de si. Não tem equilíbrio humano nenhum. E aí você vê outras pessoas que estão do nosso lado realmente praticando virtudes heróicas. Ou seja, você vê santidade real no dia a dia de uma paróquia.
em oração, que elas estão mergulhando em Deus. Alguns até místicos mesmo. Falta contato com a realidade. É, esses dias eu conheci uma moça que teve uma conversão espetacular há poucos anos atrás e em oração ela simplesmente levitou na minha frente. É uma mística. Real. Levitação é um dos graus mais altos. É um fenômeno. Da ação da graça. É. Comunga, confessa, vive uma vida
você vê as virtudes, você percebe que aquela pessoa, ela tá realmente numa comunhão profunda com Deus. E mostrem isso ali. Entende? Então, quando você vê santidade real na sua frente, Deus confirmando santidade real na sua frente, esse tipo de discurso perde completamente sentido. Ele vira só conversa pra boi dormir. E dentro do âmbito jovem, o crescimento da igreja no Brasil por parte dos jovens, você acha que deve ao que exatamente?
muitos grupos, muitas iniciativas. Por exemplo, existe todo um grupo, uma espécie de movimento litúrgico entre os jovens, jovens que amam a liturgia, jovens que amam a oração, amam adorar o Santíssimo Sacramento. Um movimento também mais intelectualizado, jovens que querem conhecer melhor a tradição da igreja, que querem lidar melhor com as fontes da revelação, que vão estudar teologia,
vão estudar latim, vão estudar cultura cristã e assim por diante. Existe todo um movimento jovem de evangelização, jovem que evangeliza jovem, que vai atrás de jovem. Na minha paróquia mesmo temos grupos assim, que são um pouco mais carismáticos, mas isso não significa que não sejam também profundamente tradicionais, enfim, na sua espiritualidade. Você acha que a estética da Igreja Católica também ajuda a atrair esses jovens?
É um ponto a nosso favor, claro, sem dúvida, porque a beleza sempre agrada. Porém, o Brasil não é um lugar que há uma estética mais privilegiada do que diz respeito à igreja. Hoje nós temos muita coisa feia por aí, muita música feia também. Infelizmente, precisamos dar muitos passos para melhorarmos o canto litúrgico, mesmo a arte litúrgica do espaço sagrado,
para que as igrejas tenham mais beleza, mais sobriedade, ou seja um pouco mais ricas. Há algumas igrejas muito bonitas que são históricas, mas na arquitetura moderna, ou seja, naquilo que nós podemos fazer hoje enquanto construção, os recursos são muito limitados. De uma catedral de Brasília, vamos falar que ela podia ter um desenho meio diferente. É, eu não gosto. Maninha Maier, né? É, então, também não gostei não. Quando eu estive lá em Brasília, que eu passei em frente...
A do Rio de Janeiro foi ele que fez também? Também. Foi? Não parece uma igreja. Pois é, eu não gosto. Bom, enfim, né? Gosto não se discute, mas há pessoas que gostam. Eu conheço pessoas que acham lindíssimo. Como é que você vai fazer? Eu não gosto. Eu gosto mais, eu gosto de uma... Aliás, eu também não gosto, por exemplo, se você me levar a igrejas barrocas ou rococó, eu me sinto um pouco oprimido por aquele excesso de ar,
ouro, aquele excesso de formas. Ou igrejas, por exemplo, que tentam imitar aquele gótico muito... Você não gosta? Tipo Notre Dame? Não, Notre Dame sim. É maravilhoso. Mas assim, muito colorido. Eu já não gosto muito. Tem muita cor. Muita cor primária, né? Azul, vermelho. Amarelo. Me agride um pouco.
pouco. Eu gosto de uma arte mais sóbria. Mas, enfim, já vi coisas muito bonitas e diferentes tipos de arte. Aqui em São Paulo, por exemplo, o Mosteiro de São Bento, ele não é sóbrio. É uma coisa lindíssima, mas é maravilhoso. Eu acho uma das igrejas mais lindas de São Paulo. Amo o Mosteiro de São Bento. Aqueles mosaicos e os afrescos. É uma coisa de um bom gosto, de uma beleza fora do comum.
bem, digamos assim, distribuído. A Cátedra da Sé, eu acho a coisa mais maravilhosa enquanto construção. É o altar-mor, é um altar-mor maravilhoso, né? Eu também gosto muito da igreja aqui da Basílica Nossa Senhora do Carmo, na Bela Vista. Descer na Brigadeira Luiz Antônio ali, perto do hospital, né? Exatamente. Martirino de Carvalho, talvez aquela rua, né? Sim. Lindíssima,
maravilhosa, enfim, tem muitas igrejas bonitas, mas igrejas de construção recente não conseguem ter aqueles recursos, aquela quantidade de mármore, aquela quantidade de mármore Carrara, não é nem mármore desse Brasil aqui, aquela quantidade de obras de arte, enfim, infelizmente a gente não consegue. Conta pra gente também sobre... Agora, isso é infinito,
Principalmente superior, por exemplo, a um salão de parede preta. Ou mesmo uma igreja medianamente cuidada, né? Que você tem lá um altar digno, um crucifixo digno, etc. Uma igreja que seja simples, mas que seja de bom gosto. Há mil anos, além de um espaço tosco, assim, que você entra... É um cinema? O que é isso? É uma casa de show?
Eu acho que ainda depois da questão da parede preta, acho que mais o que assusta realmente essas pessoas é a história da área VIP, a história das ofertas, né? Que o pessoal faz no momento de oferta, que aparece lá, o fulano deu um carro, deu uma BMW, deu um Rolex. É uma coisa que dificilmente o pessoal vai conseguir assimilar. Não dá pra... não desce, como dizem por aí, né? É, é. Mas assim, eu acho que... Mas também,
Existe um aspecto do culto divino que ele é transcendente, ou seja, ele é teocêntrico. Mesmo nós, lamentavelmente, porque veja, Júnior, aqui nós temos que também fazer um... para sermos sensatos e justos. Não posso dizer que a igreja está uma maravilha, que não tem problemas e que está tudo ótimo. Não, não é verdade. Há muitas razões na crítica tradicionalista.
O culto divino é muito fulanizado. Você tem missas que você lembra de tudo, menos de Deus ali, porque é tudo muito horizontal. E nos cultos evangélicos também. É uma música para agradar as pessoas, para agradar. Então aquele aspecto teocêntrico em que Deus ocupa o centro, o aspecto transcendental em que você interfere o contato com a realidade profana
sempre no espaço e entra numa, digamos assim, numa esfera divina, isso é um dos problemas que nós temos hoje, sim. Então, nesse sentido, eu compreendo, por exemplo, a preferência de muitos, a missa tradicional, compreendo a preferência de muitos, as liturgias orientais, porque elas conservam esse aspecto. O que eu não acho, o que não é correto é dizer que a liturgia atual não possa ser assim, transcendental, não possa ser celebrada de maneira digna,
ou que ela seja um mal intrínseco em si. São coisas diferentes. Sim, entendi. Aí eu acho que nós estamos entrando no campo do erro mesmo. Mas eu, por exemplo, celebro a missa atual de uma maneira muito recolhida e na minha paróquia não tem bagunça. Tem... Temos órgão, cantamos gregoriano, temos tudo feito de uma maneira digna. Mas o rito tradicional na sua paróquia não tem? Não. Ou tem alguma missa específica? Não, não tem, não tem.
Mas... Ah, sim, tem que ter a autorização do bispo, né? Exatamente. Lá nós não temos autorização. Mas os meus fiéis não sentem a necessidade, para te falar a verdade, que eles encontram na missa bem celebrada tudo o que eles precisam para viver a sua fé em Cristo, na Eucaristia, no sacrifício de Jesus. Eu ia falar sobre essa questão também. Tem uma questão teológica e o Brasil muitas vezes mistura.
parte da religião com a política. Não estou dizendo que não é para misturar, não é o que eu penso. Mas tem gente que pensa, por exemplo, de que existe a forma correta do cristão lidar com a política, inclusive dele se candidatar para cargos da política, ou de que talvez ele realmente pudesse influenciar melhor a sociedade se ele não se envolvesse com a política. Enfim, o que o senhor acha?
Como que o Brasil lida com isso? Como que o católico lida com essa questão? Eu acho que é muito... Veja bem. É um tema complexíssimo. Por quê? Porque nós podemos falar no marco do que seria o desejável, desde a perspectiva da missão que Cristo entregou à igreja antes de subir aos céus, que é discipular todos os povos e fazê-los obedecerem à lei de Deus.
É o ideal, é o certo, que toda a sociedade reconhecesse o senhorio de Cristo. Isso é, assim, é a meta. Não sabemos até que ponto isso é historicamente possível antes do retorno de Cristo no final dos tempos. Nós não sabemos. Então, Machiavel dizia que a política é a arte do possível. Então, veja, dentro dessa configuração na qual nós estamos,
Então, nesse sentido, existe uma doutrina social da igreja que tem princípios claros. Então, por exemplo, existe o princípio tanto da destinação universal dos bens quanto da propriedade privada. Então, um cristão nunca poderá ser tão socialista a ponto de cancelar a propriedade privada e tão capitalista a ponto de cancelar a destinação universal dos bens.
deveria ser nem capitalista, nem socialista. É católico. E o equilíbrio aqui entre esses dois extremos não é a coisa mais fácil de se estabelecer. Por exemplo, depois do século... Você sabe por que o laicismo começou no mundo? Praticamente a causa é uma só. É que a igreja proibia, na Idade Média, a usura. E aí, quando começou a se estabelecer o sistema monetário moderno, século XIV, eles começaram,
dizer, olha, a igreja está falando demais, ela não tem que interferir nos nossos negócios, a igreja tem que ficar no canto dela, nós temos que ficar no nosso canto. E por razões econômicas que foram do mercantilismo até o capitalismo, depois do surgimento da burguesia, a revolução burguesa, depois a revolução proletária, etc. É que a igreja foi escanteada. Primeiro, digamos assim, moralmente e depois socialmente.
mesmo pelas revoluções o protestantismo nesse sentido ajudou a fragmentação no ocidente tirando força da igreja sobre os estados, então os estados passaram a regular as religiões reformadas tais como elas se iam emancipando da igreja católica, ou seja nesse contexto, que tipo de cooperação cristão pode dar você acha que o estado
O Estado laico, por exemplo, ele funciona para um católico ou não? Vamos lá. As regras do jogo, elas estão, na nossa perspectiva, elas são inaceitáveis. Só que é possível jogar fora das regras? Também não. Então aqui nós vamos ter que entrar naquela... Então, por exemplo, eu preciso votar. Então eu tenho que estabelecer um critério para votar. Tem uma legislação. Essa legislação fere a lei natural.
bom, isso aqui eu não posso apoiar. Há um tipo de política econômica. Essa política econômica destrói os pobres. Sei lá, uma política fiscal exagerada que vai tirar dinheiro de quem não tem. Essa aqui eu não posso apoiar. Ela é imoral. E assim vai. Então, algumas vezes, veja, algumas causas assumidas por certa direita vão refletir melhor o pensamento cristão. E certas causas defendidas por uma certa esquerda podem representar melhor os valores cristãos.
Quando o assunto é direito natural, respeito à vida, família, propriedade privada, esse discurso encontra repercussões melhores em ambientes ditos conservadores ou liberais, liberal-conservadores, digamos assim. Porém, um católico não pode fechar com esse ideário completo porque ele não representa, por exemplo, a ideia de um capitalismo selvagem ou de uma liberdade econômica irrestrita, uma liberdade moral também.
bem absurda, quase anárquica, quase pelo fim do Estado. Um católico não pode apoiar uma coisa dessas, né? Isso não reflete o nosso modo de pensar. Mas, ao mesmo tempo, quando eu preciso pensar em políticas públicas para trabalhadores, sobretudo a classe operária, que é a que mais se lasca, sempre. O pobre sempre se lasca, né? Então, algumas vezes, iniciativas de esquerda vão repercutir melhor
selvagemmente capitalista, ao contrário do que muitos pensam. O capitalismo tal como é, quer dizer, as leis do mercado que se autorregulam pela competitividade, assim por diante, obviamente tem nuances, tem tipos diferentes, mas você não tem uma regulação moral superior. Isso não corresponde ao pensamento da igreja. Então, o que eu quero dizer é o seguinte, nessa confusão que é o mundo moderno, você não pode subscrever nenhum projeto totalmente.
o católico tem que ir, pega um pouco daqui, apoia um pouco de lá, tem que ver individualmente as questões e se posicionar de acordo com elas. Depende dos princípios que tal pessoa está defendendo para você botar nela ou não. Exatamente. Ou, digamos assim, você tem pessoas eleitas, mas o fulano de tal, que talvez é o contrário do que eu penso, mas naquele projeto concreto é uma coisa legal. Então, eu posso unificar
forças com ele naquilo entendeu? então as alianças e as distâncias elas tem que ser tomadas pontualmente, então é muito comum que um católico que esteja na política ele sempre esteja em saia justa por exemplo, o fulano de tal que é um grande apoiador, não sei o que de repente o fulaninho lá faz um projeto que favorece o aborto, então eu vou ter que me colocar contra ele, embora em outras
coisas, estou junto com ele. Era melhor se a gente fosse uma monarquia, né? Na verdade. Bom, eu não sei. Eu não sei se isso... Eu acho que o Brasil tem uma mentalidade monárquica. O brasileiro, ele pensa que o presidente da república é o rei do Brasil. Que ele vai resolver as coisas. Que ele vai resolver as coisas. E há um tipo de relacionamento com o Estado muito clientelista. E favorecido até por políticas aí que são de
tipo, muito até leitoreiro e assim por diante, paternalistas, digamos assim. Mas eu não sei se isso é viável, se isso é o melhor. É uma resposta muito diferente, muito difícil de se dar. O senhor não é monarquista? Digamos assim... Se pudesse escolher num mundo ideal... Não, se eu pudesse, eu acho que seria maravilhoso que houvesse uma monarquia brasileira. Mas... Dado que isso não vai acontecer?
uma monarquia constitucional. Enfim, uma monarquia moderna. Eu acho que seria interessante. Uma monarquia parlamentarista. Coloca o parlamento ali com um certo poder, representantes eleitos. Mais ou menos, é. Isso aí. Mas por quê? Porque eu acho que o Brasil tem uma unidade nacional muito grande, os regionalismos são muito inferiores, tem história, tem prestígio. A família real brasileira tem
vestígio nas cortes europeias. E eu te digo mais. Os poderes eletivos, que devem continuar existindo, mas se eles entrarem em saturação, as famílias reais do mundo inteiro estão interconectadas. Ou seja, elas ainda continuam sendo um ponto de referência para a política global, caso tudo venha a falhar. Entendi. Eu acho que seria uma coisa muito legal. Mas nós não vamos ver isso, eu acredito.
momento. Aonde? Democracia. No mundo. No mundo? É, eu acho que dizer mundo é muito grande, né? Mas... Um terço da população não tá numa democracia. Já começa por aí. É que a democracia é meio utópica, né, cara? Quer dizer, é... Democracia, tipo, numa cidade do tamanho de São Paulo, como que isso é possível? É verdade, né? Quer dizer, democracia... As pessoas falam... Parece que a palavra, ela tem um...
efeito mágico, né? Ela carregasse a realidade do que ela representa. Acho que a democracia burguesa, que é a que existe desde a Revolução Francesa, ela não é democrática. Não é nada democrática. Ela representa o interesse de alguns grupos que têm mais poder, sempre. Não é difícil perceber isso. Não, não é difícil, não. Se eu dizer assim, a democracia está no pior momento, eu digo, mas já houve um melhor momento? Pensando nos Estados modernos, foram aqueles que mais mataram
que também mais escravizaram, ainda que paguem por isso, miseravelmente. Então, entende? Eu sempre vou questionar as regras do jogo no Estado moderno, porque eu acho que há um problema de fundo que o Estado moderno não é natural. Ele é uma artificialidade criada tal como ele está. O Estado, sim, é natural. Mas esse tipo de Estado que nós temos, ele sempre vai ser uma imposição pela via da força, cada vez mais onipotente e assim por diante. Vamos aproveitar essa questão,
Já que você está falando de um problema social, muita gente crê que nós estamos caminhando para a volta de Cristo, né? E coincidentemente isso também tem a ver com o fim dos tempos. O que o senhor acha a respeito disso? O apocalipse está próximo? Eu queria que tivesse, mas eu acho que não. Eu acho que a gente vai pagar o IPTU de 2027. Não, eu conheço, teve alguém que me falou que vai ser em 2033. Então, sempre tem gente marcando a data, né? O que eu acho é o seguinte,
que a gente está caminhando para o fim, é óbvio. É óbvio. Mesmo do ponto de vista meramente científico, natural, o Sol é uma estrela. Uma estrela tem uma vida perecível. Vai chegar um momento em que essa estrela vai morrer e vai puxar tudo para dentro. Então, isso daqui a alguns bilhões de anos, esperamos, vai acontecer. Mas eu não acredito não que nós tenhamos... Porque há muito alarmismo apocalíptico
Por exemplo, começou agora esse ataque de Israel e Estados Unidos no Irã. Aí já começam a vir os sensacionalistas escatológicos, apocalípticos, dizendo, olha, isso tá na Bíblia, vai acontecer isso, vai acontecer aquilo. Toda vez é assim. Aí depois não acontece nada. Não estavam jurando que ia ter uma guerra mundial agora por causa de Israel, quando teve essa guerra a partir de 7 de outubro?
eles é a mesma guerra. É, entendeu? Mas você vai criando explicações ad hoc pra ajustar tudo a sua teoria, né? Aí tem, nossa senhora, tem o fulano aí que um não, mais de um, que aí começa e junta Trump com o ET de Varginha e aí mete com a pandemia e mistura com... O ET de Varginha me quebra, cara. Eu tinha que ter o ET de Varginha lá de Minas Gerais.
Brasil no meio do apocalipse, cara. É, o Etebilu. Então, o pessoal viaja e acha que como aquilo tem um certo sentido, aquilo logo é verdade. Pelo amor de Deus. Então, a gente vai viver ainda com humanidade. Eu acho que sim. Acho que sim. Mas eu não posso... Ninguém sabe o dia, né? É. Mas muitos falam de sinais, por exemplo. A gente teria sinais.
Mas esses sinais sempre tiveram. Sempre? Sempre. Doenças, mortes, guerras. Olha, quando você lê o comentário Apocalipse escrito pelos medievais, eles juram de pé junto que o dragão do Apocalipse é Hário. Por quê? Hário dos arianos, da heresia ariana. Porque Hário é...
fez com que um terço da cristandade ficasse herético, etc. Vão passando séculos. São Roberto Belarmino jura que o dragão do apocalipse é Lutero, porque ele arrastou um terço da cristandade pro protestantismo na Europa. Depois vão passando séculos, aí o pessoal acha que o dragão do apocalipse é o comunismo. Porque pegou um terço... Entendi. Tem uma coisa batida,
na história da igreja é o roteiro do apocalipse. Está todo mundo fazendo uma versão revista e atualizada. Então tomem cuidado porque muita gente fica doida. Deve ter gente que concorda que o comunismo é o dragão do apocalipse. Um dragão talvez, mas ou não sei. A Rússia, né? Os males da Rússia. Deixa eu ver aqui. O que mais? O que mais, pessoal? Se tem mais alguma pergunta interessante. A gente falou muito sobre
enfim, tempo de conversão, né? A gente falou muito sobre tudo isso que envolve o Brasil, né? Cenário de crescimento, cenário de conversão, muita gente assistindo as lives do Fred Gilson. Tem... O que mais, assim, de diferente você está sentindo esse ano, principalmente nessa questão da quaresma? Eu estou sentindo que, nesse ano, as pessoas quiseram algo um pouco mais profundo, no sentido, assim, oração mais silenciosa, um exame de consciência, exame de vida,
muito mais direcionado. Eu estou achando essa quaresma bastante serena. Estou gostando muito. Sinal de amadurecimento, então, né? Acho que sim. Sinal de amadurecimento por parte do povo. Acho que sim. Está sendo um momento muito interessante. Acho que a igreja também está num momento muito bom. Papa Leão XIV foi um banho de rejuvenescimento na igreja a partir do ano passado.
Ele foi modificado em maio, tem um ano que ele é Papa. Mas o modo sereno, também firme e ao mesmo tempo doce que ele tem, tem feito muito bem para todos nós. E isso se reflete numa calma muito grande que se compartilha no ambiente da igreja. Muito bom. Pessoal, estivemos aqui então com o Padre José Eduardo, conversando hoje com a gente a respeito de fé, sobre a igreja, sobre as questões teóricas,
sobre o apocalipse e outros assuntos. Sempre um prazer recebê-lo aqui, padre. Prazer todo meu. Foi só uma conversa, não teve debate. Exato. Não é verdade? É. Mas o pessoal que ainda não assistiu, assistam os debates do padre José Eduardo aqui no Redcast. Muito bons, né? Olha, foram dois, né? Foram dois. Foi com o pastor Carlos Vailatti e com o Vitor Fontana. Os dois foram muito bons. Eu gostei muito. É, um show de informação, conhecimento pro pessoal.
que gosta de acompanhar esse tipo de assunto. E a gente tem cada vez mais buscado trazer essas pessoas para perto. Pessoas que contribuem com a informação, com bastante conhecimento. Trazendo essas análises é sempre muito bom ter a participação do senhor aqui, Padre. Muito obrigado. Certo? Pessoal, já temos a live aí no ar, certo, produção? Olha, vocês vão ser redirecionados para a nossa próxima transmissão que vai começar às 18 horas, para vocês já definirem um lembrete. Essa sim, a gente vai falar
sobre guerra, tá? Aí sim a gente vai falar sobre o que tá acontecendo no Oriente Médio, o que tá acontecendo entre Israel, Trump e o próprio Irã, tá bom? Vai trazer informações com um correspondente brasileiro que está lá em Israel, que é o André Lasch, que é um cientista político, ele vai poder falar pra gente sobre tudo que aconteceu desde sábado até hoje, tá certo? Então defina um lembrete e a gente se vê aí ao vivo às 18 horas. Foi!