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O ateu acredita na ciência? Ciência e religião são inconciliáveis

01 de maio de 202619min
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Novo livro: O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico

Desvendando e influenciando a mente ateísta. 

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Participantes neste episódio2
A

Ana Bonassa

ConvidadoCientista
D

Daniel Gontijo

ConvidadoProfessor
Assuntos8
  • Divulgação CientíficaO ensino público como 'cemitério do futuro científico' · O silenciamento do pensamento naturalista · Professora punida por responder sobre Deus · Professor de biologia na delegacia por ensinar evolução · Ana Bonassa e a matemática como despertar
  • Pesquisa CientificaEstatística Bayesiana para atualizar probabilidades · Maior probabilidade de ateus se tornarem cientistas · Menor probabilidade de cristãos se tornarem cientistas · Equilíbrio na base acadêmica (mestrado) · Queda drástica de religiosos na elite científica (Academia Nacional de Ciências dos EUA)
  • Religião e Ciência: CompatibilidadeA lógica binária e a dificuldade de aplicar muros intelectuais · A provocação 'ciência é religião' · O medo do niilismo como motor da adoração · A adaptação da religião aos novos tempos (design inteligente)
  • Expulsão de coronéisPublicação de resultados estatísticos demográficos · Reação de agressões e expulsão do grupo · O ambiente acadêmico como mecanismo tóxico de defesa
  • Destruição de universidadesUniversidades como 'moedor de dogmas' · O medo de perder o monopólio de controle · A população aprendendo a investigar fatos livremente
  • FalsificaçãoA capacidade de uma ideia ser testada e refutada · O julgamento de Dover e a metodologia científica · A impossibilidade de testar seres invisíveis e onipotentes
  • Dissonância Cognitiva e Falsa HarmoniaO conceito do cientista de segunda a sexta (Sam Harris) · O caso de Francis Collins e o projeto Genoma · A tentativa de trégua de Einstein (Noma) · A religião avançando o sinal e ditando fatos
  • Consenso científico e autorregulaçãoA biologia carregando o piano sozinha no front · A inércia de outras áreas da física e computação · A analogia com a neutralidade da Dinamarca na Segunda Guerra · O fundamentalismo atacando outras áreas (inteligência artificial)
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Não preciso do céu, nem de inferno pra temer Sou apenas um ser, tentando entender E o pensamento me faz viver

Bom, quando a gente pensa em construir um muro, tem aquela expectativa clara de que a coisa vai ser exata, né? As estacas no chão, o arame bem esticado, fica aquela regra bem visível. De um lado é o seu terreno, do outro é o do vizinho.

É uma divisão super binária e, assim, muito reconfortante para a nossa cabeça. Exato. A gente processa o mundo muito melhor com as coisas em caixas bem definidas. Mas o problema começa quando a gente tenta aplicar essa lógica de muro para o debate histórico entre ciência e fundamentalismo religioso.

Aí o muro simplesmente desaparece, né? Some completamente. E a paisagem que sobra é um terreno super pantanoso. E é bem nesse lamaçal intelectual que a gente vai entrar no nosso mergulho profundo de hoje.

Estou bem curiosa para desempacotar isso. Então, o nosso material de base hoje é fascinante. Nós vamos analisar as anotações, os cálculos estatísticos e os livros do Jorge Guerra Pires, que é PhD e pesquisador independente. A missão aqui é basicamente desconstruir essa ideia de que a ciência e a religião vivem numa harmonia perfeita.

E vale lembrar para quem nos ouve que a gente tem fontes muito ricas hoje. Tem referências aos livros do Jorge, tipo o de Bíblia, que é a fábrica de absurdos, e o lançamento recente dele, o Paradoxo de Einstein. É, e também tem umas análises de entrevistas bem famosas, como a da Ana Bonassa lá no canal do professor Daniel Gontijo. A nossa ideia aqui não é tomar partido, tá? É só relatar e dissecar os argumentos do material original.

Com certeza. É olhar com uma lupa para essas armadilhas retóricas e ver o que os dados realmente dizem. Então, para pegar o gancho, as anotações já começam batendo de frente com uma provocação que todo cientista ou ateu já ouviu na vida. Aquela velha pergunta. Mas, no fim das contas, a ciência não seria só mais uma religião? Nossa, clássica.

Uma tentativa de empatar o jogo, digamos assim. E o autor foca muito nisso. Quando o crente joga essa pergunta, a intenção é forçar a ideia de que todo mundo adora alguma coisa. É um truque barato, sabe? Uma retórica pobre daquele mundinho binário.

Sim, porque para muitos fundamentalistas, a pessoa não pode simplesmente existir e investigar o mundo natural. Ela tem que ter um objeto de adoração. Exatamente. Se não for Deus, vai ser a ciência. E o material aponta que o maior fantasma dessa galera, o medo real deles, é o nilismo.

A ideia de que o universo não tem um grande roteiro assusta tanto que eles projetam a necessidade de adoração no outro. Exemplo prático da Ana Bonassa. Ela fundou o canal Nunca Vi um Cientista, é bióloga, doutora pela USP e ex-testemunha de Jeová.

Uma trajetória super interessante. Demais. E aí, na entrevista com o professor Daniel Gontijo, perguntam isso para ela. E ela dá aquela resposta que a maioria dos divulgadores científicos dá. Tipo, ah, a ciência não é religião porque a ciência se adapta às evidências, muda com o tempo, já a religião não.

Que é a resposta mais intuitiva, né? É. Mas, peraí. Fazendo o advogado do diabo, a religião também não muda de roupagem para se adaptar aos novos tempos? Ah, muda. E esse é o ponto alto do argumento do Jorge. O criacionismo moderno, por exemplo, ele não usa mais túnica. Ele veste jaleco. O design inteligente, né?

Exato. O design inteligente é aquele argumento do ajuste fino do universo. Eles olham para as leis da física e dizem que tudo é tão perfeito que alguém tem que ter ajustado os botões do universo. A religião se adapta magnificamente bem. Então, se a capacidade de adaptação não é a fronteira, qual é a diferença real que o material aponta?

A fronteira verdadeira se chama falsificabilidade. Tá, e o que isso quer dizer na prática? É a capacidade de uma ideia ser testada e, se estiver errada, ser refutada por um experimento físico. O material cita o famoso julgamento de Dover, lá nos Estados Unidos, onde tentaram colocar o design inteligente nas aulas de biologia. Ah, eu lembro disso.

Pois é, e o que derrubou a defesa no tribunal não foi a teologia, foi a metodologia. Como é que você monta um experimento no laboratório para testar e possivelmente refutar um ser invisível e onipotente? Não tem como. Não tem. Então se a ideia não pode ser testada e falseada, ela não é ciência.

Entendi, mas assim, se a fronteira é tão clara, por que a gente vê tanta figura pública, até cientistas famosos, forçando essa imagem de paz, de uma falsa harmonia entre religião e laboratório?

É aí que entra a questão da dissonância cognitiva. As anotações trazem o conceito do cientista de segunda a sexta, que o Sam Harris costuma abordar. De segunda a sexta? É, tipo, o cara aplica o método científico com rigor absurdo durante a semana toda, mas chega no domingo, na igreja, ele simplesmente desliga o cérebro crítico. Nossa, o cérebro deve dar um nó.

Dá, porque é virtualmente impossível fazer isso sem gerar conflito. O caso do Francis Collins, que liderou o projeto Genoma, é emblemático nisso. O material fala dele? Fala sim. O Collins é um cientista brilhante. Ele leva a biologia até a porta da igreja. Mas ali, quando ele esbarra numa lacuna que a ciência ainda não explicou, ele põe o livro embaixo do braço e usa o ajuste fino para tapar o buraco.

Ou seja, terceiriza a dúvida para o divino. Mas sabe, até o Einstein tentou resolver isso, não foi?

Sim, no livro O Paradoxo de Einstein, o Jorge relata que em 1931 o Einstein tentou criar uma trégua, uma regra de magistérios não interferentes, o famoso Noma. Que é a ideia de cada um no seu quadrado, certo? Ciência cuida dos fatos, religião cuida da moral. Isso. Só que o próprio Einstein percebeu que era uma ilusão. Dez anos depois, em 1941, ele publicou outro artigo voltando atrás.

Porque a religião sempre avança o sinal. Exatamente. A instituição religiosa nunca fica só na moral abstrata. Ela quer ditar a idade da Terra, como o universo surgiu, o que você pode ou não fazer no laboratório. Então tentar harmonizar isso é como tentar misturar água e óleo num copo só. Você pode até sacudir, fingir que misturou porque estão no mesmo recipiente, mas eles vão se separar.

É uma ótima analogia. E a tentativa de forçar essa paz, muitas vezes, é puro mecanismo de defesa, né? É um adestramento intelectual. Porque se você critica o cristianismo num país como o nosso, o ambiente fica tóxico muito rápido. Até o Paulo Freire evitou apontar o dedo para a religião quando falava de opressão.

é o instinto de sobrevivência social falando mais alto. E o que as fontes questionam é justamente isso. Se o conflito é inevitável, por que a comunidade científica não se defende como um bloco único? Pois é, falta corporativismo na ciência. Na política se estoura um escândalo bizarro, os parlamentares se abraçam e se protegem, fazem uma muralha. Sim, mas na academia essa muralha é invisível. A análise mostra que hoje a biologia está carregando esse piano quase sozinha no front.

Por causa da teoria da evolução, né? Principalmente. Enquanto os biólogos apanham, o pessoal da física que estuda Newton ou a galera da computação fica em silêncio. Eles acham que o problema não é com eles. Mas isso não é uma negligência super perigosa? Tipo, achar que o incêndio na casa do vizinho não vai pular pro seu telhado?

É perigoso e ingênuo. O material faz uma ponte muito legal com a geopolítica. É como a Dinamarca na Segunda Guerra Mundial. Achando que estava segura porque declarou neutralidade. Exato. Até teu porto bombardeado. O autor alerta que o fundamentalismo sempre acha uma desculpa moral para atacar outras áreas. Ele cita até a inteligência artificial. Ah, aquele exemplo do filme Ex-Máquina.

Isso mesmo. No filme, um senador tenta impedir a transferência de consciência por puro dogma religioso. Hoje é ficção, mas amanhã cientistas da computação podem estar enfrentando as mesmas barreiras que os biólogos enfrentam hoje.

Com certeza, a inércia de hoje vira a censura de amanhã. E pelo que eu entendi lendo as anotações, essa falta de união e esse medo de comprar a briga não nasce no laboratório. Começa muito antes, na escola. Sim, a raiz do problema está no ensino básico. O autor usa uma metáfora bem visceral. Ele diz que o ensino público brasileiro funciona como um cemitério do futuro científico. É pesado.

Muito pesado. Sob a desculpa de ser neutra, a escola silencia o pensamento naturalista. Tem aquele relato chocante no material da professora que foi punida pela própria direção. Só porque respondeu a um aluno que não acreditava em Deus. E tem coisa pior. Tem o caso do professor de biologia que foi parar na delegacia. Sério? Na delegacia? Sim, porque a mamãe exigiu que a filha não aprendesse sobre a evolução. É um absurdo? O sistema pune o professor?

e enterra a identidade científica do aluno. E isso volta para a história da Ana Bonassa. O autor ressalta que ela só despertou da crença como testemunha de Jevá muito tarde, já na faculdade. Graças a um professor de cálculo, né? Isso.

Não foi um debate filosófico, foi a matemática crua. O professor começou a ensinar cálculo de população e biomassa e a Ana percebeu que a ideia de bilhões de pessoas ressuscitando fisicamente do planeta era uma impossibilidade logística total. Os números simplesmente não fechavam. Não fechavam. A matemática desmontou o dogma. Mas olha, isso levanta uma questão gigantesca para nós.

Quantos talentos a gente não está perdendo por aí? Quantas anas poderiam estar nos laboratórios descobrindo a cura para doenças se a escola ensinasse a questionar o dogma em vez de blindar ele? É uma perda incalculável. E o Jorge Guerra Pires não ficou só no campo da filosofia para provar que esse filtro existe. Ele foi para a matemática demográfica. Ah, essa parte dos dados é sensacional. Conta para o pessoal sobre a pesquisa baesiana.

Então, o autor usou o portal dele, o jovem pesquisador, para rodar uma pesquisa dentro de um grupo oficial da CAPES no Facebook. E ele usou estatística Bayesiana, que é... Que é tipo um cálculo reverso para atualizar probabilidades, né? Exatamente. E o que os dados mostraram? Que a probabilidade de uma pessoa sem religião ou ateia se tornar um cientista pesquisador é umas três vezes maior do que a média da população em geral. Ok.

Caramba, três vezes? E os cristãos? A probabilidade de um cristão se tornar cientista cai para baixo da média populacional. O filtro aparece nitidamente nos números. E as fontes também mostram o abismo que tem entre a base acadêmica e a elite científica, certo?

Sim, na base, tipo no mestrado, ainda tem o equilíbrio. Uns 41% se declaram sem religião e uns 48% a 50% são cristãos. Mas e quando a gente olha para o topo?

Quando você pega a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que é a elite global, o número de cientistas que acreditam num Deus pessoal despenca para uns 4 a 7%. É uma queda drástica. Quanto mais a pessoa se aprofunda na testagem da realidade, menos o dogma se sustenta. Mas o final dessa história da pesquisa na CAPES é a maior ironia de todas.

É o retrato perfeito de tudo que a gente está discutindo hoje. Conta para a nossa audiência o que aconteceu quando ele publicou os dados no grupo. O autor simplesmente postou os resultados estatísticos no grupo oficial da CAPES. E a reação não foi um debate científico. Ele sofreu uma chuva de agressões e foi sumariamente expulso do grupo. Expulso por mostrar dados puramente demográficos.

O ambiente acadêmico, que deveria ser o templo do debate, age como um mecanismo tóxico de defesa. Eles não aguentam olhar para o próprio reflexo no espelho estatístico sem apelar para a censura.

Tudo para manter aquela paz diplomática falsa que a gente mencionou lá no começo. É de cair o queixo. Bom, a gente deu uma volta enorme hoje, né? Começamos lá no truque retórico de chamar ciência de religião, passamos por essa hipocrisia da falsa harmonia e da compartimentalização mental.

Falamos do silêncio ensurdecedor, de outras áreas da ciência enquanto a biologia apanha e de como o ensino básico afolga nossos futuros cientistas. Até chegarmos nesses dados demográficos de expulsão e censura. E olha, para quem nos acompanha, explorar essas obras originais é essencial. Muito. A gente arranhou a superfície aqui. Sim. Procurem pelo novo livro O Paradoxo de Einstein. Ciência Ética e o Deus Cósmico.

E claro, o Gibiblia, a fábrica de absurdos, é o livro 1 da série de estudos bíblicos para ateus do Jorge Guerra Pires. E é super fácil de achar, né? Está tudo na Amazon. Sim, na Amazon, tanto impresso quanto em Kindle. O físico chega rápido pelo Prime e o Kindle é imediato. E eles têm aquela política super tranquila de reembolso por arrependimento sem burocracia. E tem uma dica de ouro nas anotações do autor sobre audiolivros, que eu acho fantástica.

Ah, sim. Os audiolivros estão no Google Play e no Google Books. Dá para baixar e ouvir totalmente offline. O autor até comenta que, para ele, os audiolivros foram uma revolução. É perfeito para quem não tem tempo de sentar e ler. Você coloca o fone, vai fazer uma caminhada, lavar uma louça e consome um livro inteiro.

Super produtivo. Mas antes da gente inserar, tem uma provocação final no material que eu acho que vai deixar todo mundo pensando. Manda bala. Pensa bem, se a universidade atua como um verdadeiro moedor de dogmas, simplesmente porque ensina o indivíduo a calcular e atestar a realidade, como a Ana Bonassa fez com o cálculo populacional, será que essa onda gigante de ataques políticos e sociais que a gente vê hoje contra as universidades não é no fundo uma admissão de medo? Um mecanismo de defesa.

Exato. Uma reação desesperada de instituições que já sacaram uma coisa. No segundo em que a população aprender a investigar livremente os fatos e a fazer as contas, eles perdem de vez o monopólio de controle sobre o mundo. Olha, faz todo sentido. Fica aí o convite para a nossa audiência investigar essa ideia por conta própria. Com certeza. Pensem nisso e continuem questionando. Até o próximo mergulho.

Não preciso do céu Nem de inferno pra temer Sou apenas um ser Tentando entender E o pensamento me faz viver Não preciso do céu

Nem de inferno pra temer Quero apenas ser Tentando aprender A liberdade me faz viver Estou tão cansado de culpas De pecados que não são meus Eu sei, mas não

Estou tão cansado de crimes em nome da fé De pecados que são meus, mas que não são pecados Eu sei mais o que posso fazer, preciso de espaço pra ser Me deixe aprender O céu é só uma promessa, eu tenho pressa Vamos nessa

no chão, buscar minha razão, e o pensamento me faz viver, o céu é só uma promessa para quem tem pressa, o inferno é só ameaça para quem tem pressa, o inferno é só ameaça

Tenho pressa, vamos nessa Caminhar com os pés no chão Buscar minha razão E o pensamento me faz viver E o pensamento me faz sobreviver

Pecados que não são meus Eu sei mais do que posso fazer Preciso de espaço pra ser

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