O Melhor Amigo do Rei: Marco Agripa e o Valor da Amizade - Episódio 84
No episódio de hoje, mergulhamos na história de Marco Vipsânio Agripa, o homem que foi o "segundo" por escolha para que Augusto pudesse ser o primeiro por direito. Enquanto a história foca em nomes solitários, o Império Romano nasceu de uma parceria inabalável e do conceito de Amicitia — a amizade sincera baseada na virtude.
O Pacto de Apolônia: Como uma amizade de adolescência entre o frágil Gaio Otávio e o robusto Agripa mudou o rumo de Roma após o assassinato de Júlio César.
O Almirante de Ferro: Conheça o gênio militar que inventou o Harpax e comandou as frotas em Nauloco e Áccio, garantindo a supremacia naval de Augusto.
O Edificador de Roma: Agripa não apenas lutou; ele sujou as mãos limpando a Cloaca Maxima e construiu marcos eternos como o Panteão e o aqueduto Aqua Virgo.
O Sangue e a Dinastia: A lealdade selada pelo casamento com Júlia, a Velha, que conectou a linhagem de Agripa a imperadores como Calígula e Nero.
Crônicas Romanas
- Marco Agripa e AugustoAmizade e lealdade · Marco Vipsânio Agripa · Otaviano Augusto
- O Almirante de FerroGênio militar · Harpax · Batalha de Áccio · Supremacia naval de Augusto
- O Edificador de RomaInfraestrutura urbana · Cloaca Máxima · Panteão · Aqueduto Aqua Virgo
- Pacto de ApolôniaAmizade de adolescência · Otávio · Agripa · Assassinato de Júlio César
- Sangue e DinastiaLealdade familiar · Júlia, a Velha · Calígula · Nero
Olá e bem-vindo às Crônicas Romanas, uma história de Roma em português, episódio 84. O melhor amigo do rei, Marco Agripa e o valor da amizade. A história costuma ser escrita em torno de nomes solitários, Alexandre o Grande, o Júlio César, o Napoleão Bonaparte. Mas se olharmos bem de perto o nascimento do Império Romano, veremos que o trono do Augusto não se sustentava em duas pernas, mas em quatro. Ao lado do...
Otaviano, que se tornou o Augusto, estava sempre outra figura, um homem de origens humildes, mas de uma lealdade inabalável, e que não reclamava de viver à sombra do seu amigo.
Hoje não falaremos apenas de conquistas, mas de um conceito que os romanos levavam muito a sério, a amicítia, a amizade. O próprio Cícero escreveu um livro todo sobre a amizade, dizendo que a verdadeira amizade não se sustentava no interesse, mas sim na afeição sincera e na virtude. Hoje, a nossa história é sobre o Marco Agripa, o amigo de fé, o irmão camarada de Augusto.
Recuemos até aquele ano fatídico de 44 a.C.
Na cidade de Apolônia, tinham dois jovens estudando e treinando juntos. Um deles é magro, frequentemente doente, mas de uma mente política afiadíssima. É o Otávio. O outro é robusto, forte, energético, um líder natural entre os soldados. Ele se chama Marco Agripa. Quando a notícia do assassinato do Júlio César chega até eles, o Otávio tem uma escolha.
Fugir, ir para a Grécia, como foi recomendado pela mãe dele, ou voltar para Roma e reclamar a herança do seu tio, Júlio César. Nós sabemos da decisão de Otávio que iria mudar a história. Ele vai voltar para Roma e vai se vingar da morte do seu pai adotivo, do assassinato. O Agripa não hesita. Ele oferece o seu braço e a sua espada ao seu melhor amigo. E assim nasce uma parceria.
baseada numa amizade de adolescentes, queria mudar o mundo e queria se estender até o fim da vida deles dois. O Agripa entendeu cedo que ele seria o segundo homem, por escolha, para que seu amigo pudesse ser o primeiro por direito. O Augusto era um gênio político, mas era um general medíocre.
Nas batalhas terrestres, ele frequentemente e convenientemente adoecia nos momentos cruciais. No mar, ele era ainda mais vulnerável, ele ficava enjoado e ficava fraco. E foi no mar que o Agripa se tornou o escudo.
de Roma. Primeiro contra o Sesto, aquele filho do Pompeu que sobreviveu à Guerra Civil. Naquela guerra, o Agrippa inventou ou melhorou uma arma chamada o arpex, que seria um arpão, uma espécie de corvos melhorados, aquele corvo que a gente viu lá nas Guerras Púnicas alguns séculos atrás.
Era um gancho, ele lançava um gancho de ferro para prender as naves, os navios inimigos. Mas o triunfo máximo do almirante Agripa, né? Seria na Batalha do Ácido, que a gente já viu alguns episódios atrás, no ano 31 a.C., ali contra a frota do Marco Antônio e da Cleópatra, né? Foi a estratégia do Agripa que garantiu a vitória total. Enquanto o Augusto recebeu os louros da vitória, a vitória total.
Ele, Augusto, sabia que as águas do Mediterrâneo pertenciam ao seu amigo, seu melhor amigo. O Augusto um dia vai dizer que encontrou Roma de tijolos e deixou uma Roma de mármore. O que muitos esquecem é que foi o Agripa que sujou as mãos para que isso acontecesse.
No ano 33 a.C., o Agripa aceitou o cargo de Edil, uma posição de hierarquia inferior para alguém do seu status. O Agripa já tinha sido até cônsul.
mas ele queria reformar a infraestrutura da cidade. Ele ficou famoso por algumas obras. Primeiro, ele limpou a Cloaca Máxima, que é o esgoto de Roma, e chegou a navegar por ela através de um barco. Ele criou um sistema de filtração e limpeza dos detritos romanos. Depois, ele construiu um aqueduto, o aquavirgo, que ainda hoje alimenta, se você for lá em Roma, você vai ver a Fontana de Treve.
Aquela fonte até hoje é alimentada por esse aqueduto construído pela Gripa. E ele construiu o panteão original. Esse panteão, se você visitar Roma, você vai ver até hoje e vai ver lá escrito.
no prédio, que esse prédio, na verdade, é uma reconstrução do prédio original do Agripa, feita pelo Adriano, mais de um século depois da construção original. Mas lá o Adriano deixou as letras, a escrita original do prédio. Você vai ver escrito M, Agripa, LF, Cos, Tertium, Fesse. A gente traduz isso aí para...
Esse prédio foi construído pelo filho do Lúcio, Marcos Agrippia, no seu terceiro consulado. A lealdade do Agrippa para o seu amigo Otaviano Augusto foi selada com a união das famílias. Para garantir a sucessão, o Augusto convenceu o Agrippa a se separar da sua primeira esposa e casar com a filha do Augusto, a Júlia.
Deste casamento nasceram os herdeiros, que o Augusto desejava, os filhos que ele nunca teve. Mas tragicamente esses jovens morreram jovens. Mas o sangue do Agripa vai sobreviver através das filhas dele. A filha dele com a Júlia se chama Agripina, que seria conhecida como Agripina a Maior, que ela teve uma filha chamada Agripina a Menor. Essa Agripina Menor...
vai ser a mãe do Nero, tá certo? E que ela vai orquestrar a ascensão do Nero, que a gente vai ver daqui a alguns episódios. Ironicamente, essa vai ser o fim da linhagem do Augusto, através de um bisneto do Marco Agrippa. É irônico porque um homem tão leal como Agrippa vai culminar em um dos imperadores mais instáveis, que é o Nero.
Ou seja, a política romana das décadas seguintes vai ser moldada pelas mulheres descendentes do Marco Agripa. O Agripa morreu no ano 12.
E o Augusto ficou devastado, 12 antes de Cristo. Ele deu ao seu amigo um enterro, um funeral digno de um chefe de Estado, e enterrou o Agripa no seu próprio mausoléu, no mausoléu da família dele, da família Júlia. O Augusto dizia, então, que ele estava se sentindo órfão.
a vida do Agripa nos faz refletir sobre a importância dos amigos e do valor da amizade na vida.
Como diria o Roberto Carlos, o amigo é aquele mais certo das horas incertas. O Império Romano, então, foi criado, foi gerado por um homem que sabia liderar e por outro que sabia lutar. E eles dois formaram uma amizade que durou, como eu já disse, até o fim da vida deles. E no fim das contas, todos nós precisamos de uma gripa nas nossas vidas.
Alguém que construa nossos aguardutos, lidere as nossas tropas enquanto a gente está lutando as nossas batalhas, sejam elas batalhas íntimas ou batalhas públicas. A gente se encontra no próximo episódio.