PalliPapers EP22 - O desafio do prognóstico na demência avançada
No novo episódio do PalliPapers Podcast, Cláudia Inhaia e Rodrigo Santos conversam sobre um dos temas mais difíceis — e mais importantes — no cuidado de pessoas com demência avançada: como reconhecer quando alguém está se aproximando dos últimos meses de vida.
O artigo utilizado para esta discussão é o “Determining six-month prognosis among people with dementia living in care homes: a systematic review of prognostic tools”, uma revisão sistemática publicada na Age and Ageing, que avaliou ferramentas prognósticas desenvolvidas para estimar mortalidade em 6 meses em pessoas com demência vivendo em instituições de longa permanência.
O estudo identificou 11 ferramentas prognósticas, mas mostrou grande heterogeneidade entre elas. Apenas duas — Mortality Risk Index e ADEPT — apresentaram desempenho discriminativo inicialmente aceitável, sem validação externa robusta ou replicação consistente dos resultados.
O ponto central para a prática é que prognosticar na demência avançada continua sendo incerto. Idade, piora cognitiva, dependência funcional, redução da ingesta oral, perda de peso e intercorrências clínicas ajudam na avaliação, mas nenhuma ferramenta substitui o olhar clínico longitudinal, a comunicação honesta e o planejamento antecipado de cuidados.
Mais do que “acertar uma data”, reconhecer a trajetória de declínio pode ajudar equipes, pacientes e famílias a evitarem intervenções desproporcionais, ampliarem o cuidado paliativo e tomarem decisões mais alinhadas com conforto, dignidade e valores.
Referência:
West E, Mulligan L, Paudyal P, Quinn TJ, Burton JK. Determining six-month prognosis among people with dementia living in care homes: a systematic review of prognostic tools. Age Ageing. 2026;55:afag087. doi:10.1093/ageing/afag087.
#CuidadosPaliativos #DemênciaAvançada #Prognóstico #PalliPapers #palliativegeriatrics