Entenda de Pessoas - Camada 1. Valores
- Valores na liderançaConflitos de valores · Importância da transparência · Leitura humana · Indignação como sinal · Coerência na liderança
Na relação entre líder e liderado, quando um valor é ferido, o vínculo já não permanece o mesmo. Você sabe o que a sua equipe considera inegociável?
Olá líder, olá gestor, olá dono de negócio, Ricardo Malecki. No episódio anterior aqui do nosso podcast eu apresentei uma visão geral dessa série e mostrei porque entender pessoas é uma competência tão importante para quem lidera. A partir de agora, nós vamos entrar numa sequência de episódios em que cada um aprofunda uma camada desse entendimento.
Então, se você está chegando agora aqui, eu recomendo veementemente que comece pelo episódio chamado Entenda de Pessoas e Lidere com Confiança. Veja aí na plataforma que você está assistindo, procure por esse nome, Entenda de Pessoas e Lidere com Confiança. Ele funciona como uma porta de entrada para tudo que a gente vai desenvolver daqui para frente. E hoje eu quero começar pela primeira camada, valores.
Eu gosto de começar por aqui porque muita coisa que o líder tenta resolver na superfície, na verdade, começou no lugar mais fundo. Ele vê a reação da pessoa, ele percebe um desconforto, ele nota um atrito, enxerga resistência, só que nem sempre ele vai conseguir identificar o que foi tocado por trás daquilo. Pensa numa situação simples.
Um gerente está pressionado por prazo, o cliente está cobrando, a entrega atrasou, a equipe está no limite. E aí ele pede que uma informação seja omitida no relatório, só para ganhar tempo e aliviar a pressão daquele momento. Pois bem, tem gente que aceita isso aí sem grande dificuldade, tem gente que trava.
E há até casos em que a reação vem de um lugar muito mais profundo. A pessoa pensa ou até diz, prefiro perder o emprego a mentir. Agora, vale olhar com calma para essa cena. O cenário é mesmo, a pressão também, o pedido foi igual para todos. Então, por que a resposta muda tanto?
Bem, porque ali não está em jogo apenas o fato, está em jogo o valor que foi tocado naquele fato. Quando eu falo em valor, eu estou falando daquilo que a pessoa considera certo, justo, digno, aceitável. Eu estou falando desse eixo interno que orienta escolhas e define limites que ela sente que não deveria atravessar com facilidade.
Tem gente que é muito sensível à justiça, outras pessoas reagem fortemente quando percebem uma deslealdade, a quem valorize muito a liberdade, a quem coloque a transparência no centro.
Em outros casos, a palavra-chave pode ser coerência. Por isso, eu gosto de pensar nos valores como um norte invisível, uma bússola interna. Nem sempre eles vão aparecer na superfície, nem sempre eles vão ser verbalizados com clareza. Mas continuam ali orientando decisões, moldando reações e determinando o tipo de desconforto que aquela pessoa sente.
E é justamente aqui que muitos líderes se confundem. Eles veem a reação, mas não investigam o princípio que foi atingido. Então a pessoa questiona mais, perde energia, se afasta, entra em conflito ou começa a parecer difícil de lidar. Quantas vezes a gente vê a pessoa com esse tipo de comportamento e a nossa única leitura?
é essa pessoa é difícil. E o líder conclui de uma forma muito rápida, que está diante de uma rigidez, de um exagero, falta de flexibilidade ou até de uma insubordinação. Só que pode ter aí uma outra leitura, pode ser alguém sentindo que está sendo pressionado a agir contra aquilo que considera certo. Percebe aí a diferença? A partir daí a conversa muda de nível.
eu deixo de olhar apenas para o comportamento visível e começo a pensar no eixo mais profundo que está orientando aquela pessoa. Na prática, muito conflito que parece ser somente comportamental nasce, na verdade, de um choque de valores.
E tem um ponto importante aqui. Isso não precisa ficar no campo da intuição. O líder pode aprender a perceber melhor esses sinais. Isso aqui faz toda a diferença. Fazer perguntas mais profundas, alinhar expectativas com mais clareza e evitar que certos choques apareçam tarde demais.
No curso, inclusive, eu aprofundo justamente esse tipo de leitura prática para ajudar o líder a enxergar melhor o que está em jogo antes que o problema estoure na superfície. Eu vou deixar isso ainda mais concreto para você. Imagina uma empresa que valoriza a agressividade comercial acima de tudo.
É o clima de pressão, meta, velocidade, fechamento, resultado. A gente conhece bem esse cenário, né? Agora, coloca dentro dessa cultura uma pessoa que valoriza profundamente transparência. Ela pode até tentar se adaptar, ela pode fazer uma força para entrar no ritmo, ela pode suportar aquilo, essa cultura aí, por algum tempo. Só...
que para continuar ali, ela começa a sentir que precisa distorcer informação, omitir dado importante, manipular a percepção, e alguma coisa dentro dela começa a ceder. E isso cobra um preço. Às vezes, o desgaste aparece na relação com o trabalho, em outros casos vai acontecer na relação com o próprio líder.
também pode aparecer como perda de sentido, perda de confiança, perda de energia. Então a gente percebe esses sintomas, a gente percebe esses sintomas, mas é difícil para muito líder sacar qual é a relação direta com uma causa. É porque essa causa dos valores é uma causa muito mais profunda. Perda de sentido, perda de confiança.
Perda de energia. Então a gente vê uma pessoa com pouca energia, com pouca vitalidade no trabalho, desmotivada, meio que sem brilho no olhar e a gente não entende onde está a origem, a causa deste sintoma. Tem muito talento que vai embora porque não faltou competência, mas porque faltou o encontro entre aquilo que a pessoa considera central e aquilo que o ambiente passou a exigir dela.
Agora tem um detalhe importante aqui. Muita gente trata esse assunto como se fosse algo abstrato demais, aquela frase bonita que fica na parede da empresa, no quadro. Os nossos valores são como se o valor fosse apenas um tema bonito para reflexão, mas distante da realidade prática. Só que não é.
O valor mexe com confiança, mexe com engajamento, mexe com permanência, com a retenção do capital humano dentro da empresa e dentro de um grupo, seja você estando dentro de um ambiente de negócios ou em qualquer cenário. Então, quando existe esse conflito de valores, você tende a perder gente.
Mexe, inclusive, com a qualidade do vínculo que a pessoa estabelece com o próprio líder, com a empresa e com o próprio trabalho. Quando o líder não percebe isso, ele pode cobrar errado, interpretar mal e insistir numa adaptação que a pessoa vive como uma violação interna. E é por isso que eu gosto de uma imagem aqui bem simples. Eu uso direto essa imagem. Valores são como um alicerce da casa. A metáfora mais...
simples que existe, né? Você pode trocar os móveis, você pode mudar a pintura, você pode reorganizar a decoração, mexer em muita coisa que está na superfície. Mas, claro, se o alicerce racha, a estrutura toda colapsa.
Com as pessoas acontece algo bem parecido, tá? Porque quando o valor central é ferido, o incentivo externo não sustenta engajamento por muito tempo. Olha que importante a gente entender esse conceito. Quando o valor central é ferido...
Toda aquela nossa expectativa de motivação, de bônus, de benefícios e tal, não se sustenta. A pessoa até pode continuar por algum tempo. Ela pode se adaptar na aparência. Mas por dentro, a relação já começou a mudar de lugar. Então, a pergunta prática que eu quero fazer aqui para você é essa. Como o líder percebe melhor os valores da equipe? Aqui está o ponto.
E eu vou te dar uma primeira pista. A primeira pista é a seguinte, você percebe valores naquilo que provoca indignação. A indignação costuma mostrar que algum princípio relevante foi tocado. Claro, nem toda indignação é madura, mas muitas vezes ela revela exatamente onde está o ponto sensível daquela pessoa.
Outra pista vai aparecer na linguagem. Tem gente que fala muito em respeito, tem gente que fala sempre na ideia da justiça, outras falam muito sobre verdade, lealdade, liberdade, coerência, responsabilidade, né? Aqui estão os valores. Isso tudo aqui vai nos mostrando por onde aquela pessoa interpreta o mundo.
Só que aí tem um passo que poucos líderes dão com consistência. Fazer perguntas mais profundas. Porque a maioria das conversas, no ambiente de trabalho, no ambiente corporativo e até fora dele, aí fica na tarefa, no prazo, na meta, na execução. Claro que isso tudo é necessário e é fundamental. Mas não basta quando o objetivo é entender gente.
Em algum momento o líder precisa abrir perguntas mais sensíveis, perguntas mais profundas, como, por exemplo, o que é essencial para você no ambiente de trabalho? Olha que pergunta legal. O que é essencial para você no ambiente de trabalho? Que tipo de postura faz você confiar no líder? Que tipo de atitude rompe a tua confiança? O que você considera inegociável?
Esse tipo de conversa amplia muito a nossa leitura e tem mais um ponto que para mim é decisivo. Explicar decisões com critério. É claro.
que numa dinâmica de trabalho, nem toda decisão que o líder toma vai ser confortável. Algumas decisões vão ser realmente muito duras, outras, claro que vão frustrar alguém. Nem todo mundo vai sentir que os seus valores estão sendo respeitados a todo momento. Claro, faz parte. Mas quando a equipe percebe que existe um princípio sustentando a escolha, o ruído vai diminuir.
Porque ela enxerga que há um critério, e critério é muito diferente de arbitrariedade. Bom, agora, para mim, o ponto mais exigente vai estar aqui. A equipe só acredita nos valores declarados quando vê coerência na liderança. Claro, se o líder fala de respeito e depois humilha o valor real, não vai estar no discurso. Ninguém acredita nesse cara.
Se fala de transparência e aí vai operar com meia-verdade, a cultura aprende e replica outra coisa. Por exemplo, se o líder cobra a justiça da equipe, sejamos justos, mas ele vai favorecer sempre os mesmos, vai ter ali os seus preferidos. Todo mundo percebe? No fim das contas, o valor que pesa mesmo é o valor praticado. E aqui, é claro que está o ponto.
Aqui é que está o ponto. Não adianta nada você ter um discurso e a sua prática ser divergente, ser distoante daquilo que você está falando. Então, se eu tivesse aqui que resumir esse episódio para você numa frase, eu diria o seguinte, muitos conflitos que parecem nascer do comportamento começam, na verdade, num valor ferido. E quando o líder não percebe isso, ele tenta corrigir a reação sem compreender a causa.
E eu fecharia esse ponto aqui com uma frase super simples. Quando um valor central é ferido, não há bônus ou promoção que compense. Descobre cedo o que é inegociável para cada pessoa do teu time. Bom, agora olha como isso vai nos preparar para o nosso próximo passo, o próximo episódio.
Veja, duas pessoas podem ter valores bem parecidos e ainda assim funcionar de formas bem diferentes quando o assunto é energia, iniciativa e envolvimento. Uma pode se mover muito por desafio, por exemplo, e outra pode precisar mais de segurança.
Tem gente que responde melhor quando tem reconhecimento e tem gente que vai ter uma mobilização muito mais forte por o pertencimento. E é justamente aí que entra a nossa próxima camada, motivações. Porque uma coisa é aquilo que a pessoa considera certo e importante, que são os valores, e a outra é aquilo que de fato a move, a mobiliza. E esse vai ser o tema do nosso próximo episódio.
Se você chegou agora aqui nessa série, eu quero reforçar a recomendação que eu fiz no início do episódio. Volte ao episódio, entenda de pessoas e lidere com confiança para acompanhar a sequência desde o início. Isso vai mudar a tua forma de enxergar o todo e tirar mais proveito desta camada aqui que nós estamos estudando neste episódio. E assim com todos os outros.
E, se esse conteúdo aqui fez sentido para você, fez você perceber que talvez ainda conheça pouco o eixo mais profundo das pessoas e da tua equipe, quero te convidar a visitar o meu site ricardomallet.com, ricardomallet.com.
e conhecer lá o curso Entenda de Pessoas e Lidere com Confiança. Lá eu aprofundo todas essas camadas de uma forma bem organizada, prática e aplicável, com exercícios para você poder fazer e se desenvolver e te ajudar a enxergar melhor as pessoas e liderar com mais clareza, mais consciência e mais confiança. Grande abraço, obrigado pela tua audiência e a gente se vê no próximo episódio. Tchau, tchau!