SL S02E28 O caldinho ou harmonia da cultura preventiva
Procedimientos
equipamentos
formação
sistemas de gestão
E mesmo assim… os comportamentos não são consistentes.
Porquê?
Porque falta algo que não se compra nem se implementa com um procedimento:
cultura.
Neste episódio do Safety Leaders Podcast, exploramos a cultura preventiva através de uma metáfora simples: uma orquestra.
Porque não basta ter bons músicos.
É preciso que todos estejam alinhados.
Ao longo do episódio vai descobrir:
- Porque sistemas, normas e recursos não garantem por si só a segurança
- A diferença entre cultura e clima de segurança
- Como evoluem as organizações nos diferentes níveis de maturidade cultural
- De que forma o ambiente influencia o comportamento das pessoas
- Como medir a cultura preventiva através de ferramentas como o NOSACQ-50
- Porque existe frequentemente um desfasamento entre a visão da gestão e a dos trabalhadores
- O papel crítico da liderança na construção da cultura
- E porque a aprendizagem contínua é essencial para evoluir
Ouça o episódio completo do Safety Leaders Podcast.
Pedro Canulas
- Papel da liderança na cultura preventivaConstrução de cultura · Prioridades organizacionais · Coerência de atitudes
- Níveis de maturidade cultural em segurançaNível patológico · Nível irrativo · Nível calculador · Nível prolativo · Nível generativo
- Desfasamento entre gestão e colaboradoresVisão da gestão · Percepção dos colaboradores · Visibilidade do compromisso
- Aprendizagem contínua e cultura preventivaAprendizagem contínua · Gestão de problemas · Construção coletiva
- Cultura vs. Clima de segurançaCultura de segurança · Clima de segurança · Valores organizacionais · Percepção dos colaboradores
- Impacto do clima no comportamentoAmbiente organizacional · Normas implícitas · Comportamento das pessoas
- Origem e evolução da cultura de segurançaAcidente nuclear de Chernobyl · Cultura de segurança · Transformação cultural
- Cultura preventiva em pequenas empresasCultura preventiva · Liderança · Coerência
- Ferramentas de avaliação de cultura preventivaNOSACQ-50 · Compromisso da gestão · Tratamento de erros · Aprendizagem organizacional
Safety Leaders Podcast. O espaço para quem quer evoluir a sua cultura preventiva. Bem-vindos e bem-vindos a um novo episódio do Safety Leaders Podcast. O espaço criado pela Preven Control para ajudar os líderes de segurança a evoluir a sua cultura preventiva e, claro, as organizações onde trabalham.
Eu sou o Pedro Canulas e, como todas as semanas, trago-lhe novos episódios para ir além da prevenção mais clássica. E hoje, se calhar vou recorrer a uma metáfora diferente para falar-lhe um conceito que surge constantemente quando falamos de segurança e saúde no trabalho. Cultura preventiva. Safety Leaders Podcast. Um espaço para quem quer melhorar a liderança em segurança e saúde. Imaginemos uma orquestra.
Temos músicos talentosos, instrumentos de excelência, partituras bem escritas e uma sala preparada para o concerto. Todos os elementos necessários estão lá. Mas existe algo que faz com que tudo funcione em conjunto. A harmonia. Se cada músico tocar o seu próprio ritmo, se não houver alinhamento, se ninguém escutar o outro, o resultado será ruído. Mesmo que cada instrumento isoladamente seja excelente. Ou que cada músico isoladamente seja muito bom e escutante.
Quando há harmonia, o som flui, as peças encaixam e o público percebe que algo está a funcionar muito bem. Nas organizações acontece algo muito semelhante com a segurança e saúde do trabalho. Podemos ter regras, comportamentos, equipamentos, recursos, sistemas de gestão, todos eles comparáveis aos instrumentos e às partituras. Mas se não existir uma cultura de segurança que alime comportamentos, decisões, prioridades,
Tudo o resto perde a eficácia. Isto para conversar e falar-nos sobre o conceito de cultura preventiva. E de onde é que vem? Este conceito moderno de cultura de segurança ganhou mais relevância após um acidente nuclear de Chernobyl em 1976. A principal conclusão foi clara. O acidente não resultou de uma única falha.
mas de uma combinação de fatores técnicos, organizacionais e humanos. No centro de tudo esteve a ausência de uma cultura de segurança forte. E a partir desse momento começou-se a perceber que não bastava ter bons músicos ou bons instrumentos. Era essencial garantir que toda a organização estava a tocar a mesma música com as mesmas prioridades.
Foi também nessa altura que surgiram abordagens desenvolvidas por consultoras especializadas em transformação cultural em grandes organizações industriais. Essas abordagens explicam que procedimentos, equipamentos e normas são indispensáveis, mas o que realmente determina como são os atos é a cultura da organização. E cultura e clima são dois conceitos diferentes. Apesar de serem muitas vezes usados como sinónimos, não são exatamente a mesma coisa. A cultura está relacionada com valores.
com aquilo que a organização acredita verdadeiramente quando fala de segurança. E o clima, por outro lado, está ligado à percepção, à forma como as pessoas sentem e interpretam no dia-a-dia, a forma como a segurança é gerida. Por isso, quando queremos avaliar uma cultura preventiva, muitas vezes começamos por medir o clima. Digamos que o clima funciona como um termómetro da cultura. Quando medimos o clima, é o clima de segurança, como é virante.
E quando analisamos a cultura de segurança, é muito comum falar-se em diferentes níveis de maturidade. Podemos imaginá-los como os degraus de uma escada. No primeiro nível, encontramos o patológico. Segurança praticamente não é uma prioridade. Os problemas são escondidos e só se atua quando não existe alternativa. Segue-se o nível irrativo, em que a organização reage quando ocorre um acidente ou um acidente grave, é a lógica de resolver problemas depois deles acontecerem.
Depois, acima, de grau acima, temos o nível calculador. E neste ponto, a empresa aposta em sistemas de gestão, procedimentos e indicadores. A segurança já é controlada, medida e acompanhada, mas ainda de forma muito formal, no fundo. Depois, temos o nível prolativo, penúltimo, se quiserem.
E neste caso, neste nível, a organização já utiliza a informação disponível para antecipar riscos e evitar que os problemas ocorram. Já toma decisões baseadas em dados. Já consegue extrair dados dos indicadores e decidir em função disso. E depois encontramos, para tomar mais elevado, o nível generativo. Neste estágio, trabalhar em segurança é simplesmente a forma normal de trabalhar.
Ninguém questiona se é preciso fazê-lo. Faz-se porque é assim que as coisas funcionam e é assim que temos que fazer. E como é que o clima de segurança tem impacto direto no comportamento das pessoas? Vamos pensar um exemplo simples. Entramos num auditório onde todos falam baixinho e o ambiente é respeitado. Naturalmente, nós quando entramos vamos ajustar o nosso comportamento.
Agora imagine que entrar num espaço, se calhar o mesmo, pronto, mas em que é barulhento, é caótico, não há regras claras, o comportamento das pessoas também tem de adaptar-se a esse contexto. Nas organizações acontece exatamente a mesma coisa. O ambiente, as normas implícitas e o clima influenciam a forma como as pessoas trabalham e tomam decisões. Existem várias ferramentas para analisar o clima de Suécia.
Uma das mais conhecidas é o Nozac 50, um questionário desenvolvido por um consórcio de institutos de investigação do norte da Europa. É uma ferramenta amplamente validada e utilizada internacionalmente e que está baseada num conjunto de afirmações sobre segurança que os colaboradores avaliam segundo a sua perceção. Por isso estamos a avaliar o clima de segurança.
A partir das respostas, analisam-se várias dimensões, como o compromisso da gestão com a segurança, a forma como os erros são tratados, a aprendizagem organizacional, a atitude coletiva face à segurança e a confiança na gestão preventiva. O objetivo não é obter uma nota final. O objetivo é gerar reflexão. Questionar é apenas um veículo, um ponto de partida para compreender por que razão determinados resultados estão lá e surgem.
quando este tipo de avaliação é realizada, surge frequentemente um padrão interessante. A percepção da gestão sobre a segurança tende a ser mais positiva do que a percepção dos colaboradores. Isto não significa necessariamente falta de compromisso por parte da liderança. Muitas vezes o problema não está na intenção, mas sim na visibilidade desse compromisso. A gestão pode acreditar profundamente na importância da segurança.
Mas se essa convicção não se reflete no dia-a-dia, o clima, a percepção das pessoas, não se constrói. E, se existe um elemento determinante para construir uma cultura preventiva sólida, esse elemento é a liderança. A cultura é construída de cima para baixo. E as prioridades são definidas pela gestão e transmitidas através de decisões, atitudes e coerência. Não basta uma política escrita ou um cartaz a dizer que a segurança é importante. As pessoas observam o que acontece quando surgem dilemas reais.
Pressão para produzir, prazos apertados, problemas indesparados ou riscos identificados. É nesses momentos que os valores verdadeiros da organização se tornam visíveis. E organizações com uma cultura preventiva forte partilham outra característica essencial. Aprendem continuamente. Não escondem problemas. Usam-nos como oportunidade para melhorar. Em vez de procurarem culpados, procuram causas. Em vez de evitarem más notícias, analisam-nas para evoluir.
E esta mudança de mentalidade transforma a segurança numa construção coletiva e contínua. Existe a ideia de que a cultura preventiva é exclusiva de grandes organizações. Não corresponde exatamente à realidade. Uma pequena empresa também pode construir uma cultura preventiva sólida. E, se calhar, às vezes até mais fácil, pela proximidade das pessoas. A cultura preventiva não se constrói apenas com procedimentos ou documentos. Constrói-se com liderança, coerência e aprendizagem contínua.
Construir-se através dos pequenos gestos do dia-a-dia. E, tal como numa orquestra, não basta ter bons músicos ou bons instrumentos. O que realmente faz a diferença é a harmonia. Quando a cultura funciona, trabalhar e trabalhar em segurança tornam-se exatamente a mesma coisa. Obrigado e até para a semana. Safety Leaders Podcast. Um espaço para quem quer evoluir a sua cultura preventiva.