EP #181 PODCAST UNIFACCAMP _ 1° MAIO_ A HISTÓRIA DO TRABALHO NO BRASIL
Com ampla experiência acadêmica e atuação como docente há mais de duas décadas, Antônio e nossa apresentadora e jornalista, Dani Barbosa, conduzem uma conversa leve e dinâmica, trazendo reflexões importantes sobre as transformações do trabalho ao longo do tempo e seus impactos na sociedade atual.
Se você quer compreender melhor como o trabalho se desenvolveu no Brasil, seus momentos mais marcantes e os desafios que ainda enfrentamos, este episódio é para você! 🚀✨
Assista ao episódio completo e descubra como o passado ajuda a entender o presente e pensar o futuro do trabalho.
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- Direitos TrabalhistasProibição do trabalho infantil · Lei de Férias · Indenização por acidentes de trabalho · PEC das Domésticas · Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)
- Mercado de Trabalho BrasileiroTransição do trabalho escravo para o livre · Exclusão de trabalhadores negros após abolição · Imigração europeia na indústria · Racismo estrutural na política imigrantista
- Dia do TrabalhadorGreve de Chicago em 1886 · Reivindicações por jornada de 8 horas · Repressão e condenação de lideranças
- Pejotização e Retrocessos TrabalhistasTrabalhador PJ sem direitos · Redução de custos para empregadores · Perda de direitos como FGTS e previdência
- Igualdade de Gênero no TrabalhoLicença maternidade e paternidade · Dupla jornada feminina · Disparidade salarial entre gêneros · Patriarcado e cultura machista
- Romantização do Trabalho Duro e Escala 6x1Ideologia do trabalho e tempo livre · Demanda pelo fim da escala 6x1 · Jornada de trabalho na França (35 horas) · Trabalho em 4 dias por semana
- FGTS e Estabilidade no EmpregoCriação do FGTS pela ditadura · Fim da estabilidade decenal · Interesse em reduzir custo do trabalhador
Estamos no ar, pessoal! Boa tarde a todos vocês ao vivasso aqui no melhor podcast acadêmico de todos. Claro que é o podcast Unifacamp, aquela fortalecida de sempre, não é mesmo? Se inscreva no canal, ative o sininho, porque todas as vezes que você faz isso, além de fortalecer aqui o nosso canal, você nos ajuda a espalhar a semente do conhecimento, a espalhar esse podcast para o maior número de pessoas possíveis.
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lives, né, aqui ao vivo no YouTube, o chat já fica aberto pra você mandar sua pergunta, seu boa tarde, o seu alô pro nosso entrevistado ou entrevistados, né, porque agora podemos receber vários aqui nesse estúdio grandão, bonitão. E lembrando que esse podcast também...
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Todo o investimento que está sendo feito nas salas de aulas, tudo do melhor para vocês, nossos alunos. Mas não é só em questão de infraestrutura, não. Principalmente corpo docente. Nosso corpo docente é incrível, formado por mestres, doutores, especialistas. Eu tenho certeza que você vai adorar fazer parte desse time aqui da Unifacamp, tá bom?
E hoje um podcast especial, né? Já estamos aí com o pezinho no feriado, 1º de maio. Dia do trabalhador, dia do trabalho. Nosso dia, né, pessoal? E vamos saber a história do trabalho no nosso país. A história do trabalhador no nosso país. Porque muitas vezes a gente comemora aí o feriado, mas não fazemos ideia. Não temos a mínima noção do que...
O que é esse feriado, de fato, né? A causa, o que motivou, enfim. E ninguém melhor do que ele que está aqui pela segunda vez. Terceira já pode pedir música. Professor Antônio Reis. Boa tarde, professor. Boa tarde, tudo bem, Dani? Tudo. E você, professor? Tudo certinho. Gostou do nosso estúdio novo? O estúdio está maravilhoso. Nossa, está brilhando, incrível.
É seu, tá bom? Vou ocupar, então. Vai, por favor. Vou ocupar. Porque é a primeira vez. Eu lembro que... Qual foi o assunto mesmo que nós falamos? Eu acho que era um pouco o ofício do professor, não era? Era um tema de educação. Alguma coisa relacionada ao curso de história? A formação de professores de história. Foi. Eu tinha uma aluna que me acompanhou.
Foi, exatamente. É verdade. Atuação profissional da professora de história. Isso. O pessoal quiser assistir ou ouvir, está na nossa plataforma de áudio. E também aqui no YouTube para você. Coloca assim, ó. Professor Antônio Reis Unifacamp. Já era. Você consegue assistir, tá bom?
Vou apresentar o professor Antônio pra vocês, então, pra gente começar o nosso papo aqui. Pode ser, professor? Claro. Se eu falar alguma coisa errada, me corrija. Pode me corrigir. Tá bom. Por favor. Bacharel licenciado em História pela USP, mestre pela Escola de Comunicação.
E a Artes, a ECA USP, doutor em Educação pela Unicamp e pós-doc pela ECA USP. Ou seja, teríamos outra pessoa para falar desse tema? Eu acho que não, não é mesmo? Professor universitário há 21 anos aí, mais ou menos, né, professor? Sim, 21 anos. Nossa, duas décadas já, né? Duas décadas. Tchim, tchim, tchim. Parabéns, professor. É o bi-decano, né? Parabéns. Parabéns.
Leciona para os cursos aqui, para nós da Unifacamp de Pedagogia, Publicidade e Propaganda, autor do livro didático, publicou duas coleções, né? Diálogos da História da Editora Ática e Trilhas da História de Palavras Projetos Editoriais, ambas para o ensino fundamental. Atua também no terceiro setor com projetos sociais. Seja muito bem-vindo, professor Antônio, mais uma vez.
Hoje, então, comemoramos, fazemos esse podcast em comemoração ao 1º de maio, né? Uma data de luta. Estava lendo um artigo do Pedro Peduzzi. Falei até, inclusive, para o professor do portal Agência Brasil. Uma data histórica, porque a sua origem foi lá em 1886.
durante uma greve em Chicago, nos Estados Unidos, quando trabalhadores foram agredidos, presos e executados em meio a reivindicações por redução de jornadas diárias que duravam até 14 horas. Portanto, feriado não somente aqui no nosso Brasil, mas em outros países também. E hoje focaremos na história do nosso país.
Mas até trocando ideia com o professor aqui nos bastidores. Eles reivindicavam, né? Reivindicações por até 14 horas de trabalho, né? De jornada. E hoje ainda temos pessoas que trabalham 14, 16, né? Falamos disso aqui nos bastidores, né, professor? Exatamente. É muita coisa, né? Muito. E começou lá em Chicago, se estendeu aqui para o Brasil.
Quer começar falando disso já, professor? Como é que surgiu aqui? Foi bom você lembrar isso, porque esse 1º de maio é por conta dessa greve de trabalhadores em Chicago. Então, eles se mobilizaram no final do século XIX, tinham lideranças, já havia uma atuação de sindicatos, e aí, no 1º de maio, teve uma paralisação com 340 mil trabalhadores em Chicago.
A gente tem que pensar que é um momento que é uma segunda fase da revolução industrial, já tem um movimento operário importante, só que ainda não há regulamentação no trabalho. Daí o pedido, a reivindicação para a redução da jornada de 14, 16 até 18 horas, para 8 horas de trabalho diárias.
E daria aí 40 horas de trabalhos semanais. Nesse período, eram somente os homens ou as mulheres também estavam atuando ali? Ah, é muito interessante a tua pergunta. Porque a gente precisa...
Imaginar, primeiro lá nos Estados Unidos, depois a gente vem para o Brasil. Lá que esses trabalhadores ainda não têm nenhuma lei que os proteja. Os direitos ainda estavam sendo conquistados. Então, essas mulheres não tinham licença maternidade. Havia o trabalho infantil. O trabalho infantil era regular, era comum. Não havia nenhuma proibição ainda em relação ao trabalho infantil.
E aí esses operários percebem que, se mobilizando, criando uma categoria, uma associação, eles podem garantir, ao menos, que era a bandeira da época, a redução para oito horas. O que acontece no dia 2 e 3 é uma repressão muito grande, uma morte de trabalhadores, condenação de algumas lideranças.
Então isso foi um impacto muito grande por conta da condenação à morte de algumas lideranças que mobilizaram essa greve, foram 340 mil trabalhadores, que então se instituiu o 1º de maio como o Dia do Trabalhador.
por outras associações que passaram a celebrar alguns direitos que começaram a ser garantidos, embora, naquele momento, com repressão e condenação à morte das lideranças. Foi grave. Caramba, foi grave. A partir daí, quando pula isso aqui para o nosso país, professor?
Bom, naquele momento, ainda éramos uma sociedade escravista. Escravista. A gente precisa começar lembrando disso, porque você falou bem, em 1886, o Brasil era um Brasil rural, estava se industrializando ainda, pouco a pouco.
Só em 1888 que a gente teria a abolição da escravidão. Então, ainda vivíamos, a sociedade brasileira ainda tinha uma base escravista e boa parte do trabalho era desempenhado pelos escravizados. No entanto, com a abolição, três anos depois, e com a República, você começa a ter a transição do trabalho escravo para o trabalho livre.
O Brasil precisava organizar o seu mundo do trabalho livre, formal, remunerado, contratual. Inclusive, é o momento que o grande número de trabalhadores escravizados, que agora foram libertos, são absolutamente excluídos, sobretudo da indústria. Se pegar, por exemplo, São Paulo já estava se industrializando. Na virada do século já tem bairros operários.
A Moca era um bairro operário, a Lapa, a Barra Funda. Você tem alguns bairros operários, vilas operárias. Mas esses trabalhadores vão ser, em sua maioria, imigrantes. Imigrantes europeus. Por quê? Porque houve uma política de não aproveitamento desse trabalhador liberto, do negro, recém saído da escravidão, egresso da escravidão.
mas que não foi incorporado ao mundo do trabalho formal. Olha, por que, professor? Olha, uma das razões é que as elites, o patronato, considerava que esses trabalhadores negros, ex-escravos, agora libertos, não teriam condições de assumir um posto de trabalho mais técnico, que requeria alfabetização.
dentro de uma empresa, de serviços, sobretudo na indústria. Então, era um argumento utilizado pelas elites, dizendo que eles não têm qualificação para assumir esse trabalho. Mulheres tão pouco. Mulheres tão pouco, as mulheres negras, no caso. Então, você tem ali uma exclusão e uma marginalização de milhares de trabalhadores que...
tem consequências até hoje. E aí, na indústria, você tem essa presença do imigrante e do trabalhador livre. Agora, portanto, a gente começa a ter, e aí já no século XX, esse mundo, esse mercado do trabalho livre.
contratual, assalariado, formal. Claro que também com trabalho informal, segue. Mas esses trabalhadores ainda não tinham nenhum direito trabalhista. A gente pode pensar em uma situação, no começo do século XX, as mulheres não tinham licença de maternidade.
Acabei de rever aqui um depoimento de um empresário chamado Jorge Stritt, ele dizendo claramente que era um absurdo que as mulheres tivessem dois ou três meses de licença remunerada, que isso era uma coisa absolutamente absurda, que ia quebrar a indústria. Eles achavam que as mulheres tinham que trabalhar até o momento do parto e tinham que voltar imediatamente.
E como trabalhariam menos, receberiam metade do salário. Então não havia leis de proteção ao trabalhador. O caso das crianças também era terrível, porque você tem situações de crianças com 8, 9, 10 anos, trabalhando 12 a 14 horas.
em fábricas insalubres, galpões sem luz, úmida, e as crianças ficavam mutiladas. Porque imagina uma criança de 10 anos trabalhando 12, 14 horas por dia, operando uma máquina, correndo um risco imenso na linha de montagem.
Então, mulheres e crianças representavam o máximo da exploração do trabalho. E aí, pouco a pouco, a partir do início do século XX, década de X, década de XX, começam as primeiras mobilizações. E Chicago é importante.
Porque os trabalhadores no Brasil começam a se inspirar pela mobilização que acontece em Chicago. Porque foi primeiro lá. Porque começou lá, embora com uma repressão muito séria. E aí começam a se associar em ligas, em associações de operários.
Não eram sindicatos ainda, mas eram sociedades de trabalhadores. Eu moro na Lapa, em São Paulo. Lá até hoje tem um prédio ainda, centenário, que está lá em pé, chama União Fraterna. Era uma associação de trabalhadores do mesmo ofício, os ferroviários. Eles se uniam, vamos montar essa associação, vamos começar a pressionar.
Os patrões, os empregadores, para garantir, por exemplo, o descanso semanal remunerado. Porque também não tinha. Não tinham férias. Não tinha o décimo terceiro.
Não tinha assistência médica. Não tinha, por exemplo, se um operário se acidenta, não tinha indenização nenhuma por acidente de trabalho. Ele ia embora, perdi o emprego. Se ficasse doente, então? Nada, nenhum tipo de assistência, porque não havia ainda previdência.
Acho que a gente pode ir avançando aqui ao longo do século XX e vendo como cada um desses direitos sociais e direitos trabalhistas vão sendo conquistados ao longo do tempo. E ainda existe hoje, professor, pode tomar uma aguinha. Se quiser tomar sua aguinha também, fica à vontade. Eu vou tomar também. Nossa, a geladinha está ótima. Mas está boa? Me desculpe a minha voz recém saída aqui de uma gripe.
Não, fica tranquilo, tá ótimo a voz aí, não tá não, diretor? Tá joia, tá tudo joia lá, eles sinalizaram. E ainda hoje, essa exploração do trabalho, tanto pras crianças quanto pras mulheres, ainda acontece se a gente pegar ali no sertão do nosso país, né? Acontece. A área ali de cafezal, né? Algodão, plantações de algodão. Sim. Acontece, né, professor?
Acontece, segue acontecendo. Porque o trabalho... Os ribeirinhos. É verdade. Muito bem lembrado. Porque quem tem direito trabalhista é quem está em trabalho formal. Nas áreas em que... Aqueles setores em que o trabalho foi regulamentado...
Esses trabalhadores têm direito. Os trabalhadores informais, acho que a gente vai chegar nos entregadores de aplicativo, na pejotização, eles passam ao largo da CLT, da Consolidação das Leis Trabalhistas.
Então, eu vou dar uma olhada aqui em umas datas. Pode. Para você ter uma ideia. Dani, 1919, a primeira vez que se prevê indenização aos trabalhadores que sofrem acidentes de trabalho. Até então, não tinha.
Nossa, só 1919. 1919. 1925, a primeira lei de férias. Até então, quer dizer, a gente tem o movimento operário, trabalhadores, desde o século XIX, só em 1925 você tem a previsão de 15 dias por ano.
de descanso de férias remunerada 15 dias por ano. Só em 1927 que a gente vai ter a proibição do trabalho infantil. Ou seja, até 1927, as crianças seguiam trabalhando. Os industriais diziam que isso era bom para as crianças, porque tiravam as crianças da delinquência, da criminalidade, das ruas.
Colocavam elas na fábrica, trabalhavam 14, 16 horas, né? E que elas rendiam. Então, aí você tem a primeira proibição do trabalho infantil, né? E aí, aproveitando a tua pergunta, aí uma coisa que ainda, embora hoje seja absolutamente proibido, a criança com menos de 14 anos não pode trabalhar de jeito nenhum. A partir do 16, você tem programas de jovem aprendiz, não é isso?
E aí, sim, carteira de trabalho está a partir dos 18 anos. Até hoje, você citou algumas situações ainda de trabalho infantil, trabalho infantil doméstico, que é um problema porque é um trabalho invisível. Porque as crianças estão trabalhando dentro da própria casa, muitas vezes, ou na casa de outros, cuidando de idosos, cuidando de crianças mais novas, ou se tem uma criança cuidando da outra criança.
E essa invisibilidade do trabalho infantil é um problema, porque é muito difícil fiscalizar, muito difícil denunciar. Tem gente hoje ainda nas redes defendendo o trabalho infantil. Crianças, tem um menino, por exemplo, conhecido nas redes, que vende paçoca, e ele mesmo denuncia o conselho tutelar que tenta resgatar ele do trabalho na rua, com o vendedor no semáforo de paçoca.
E entende que aquilo, para ele, é um certo empreendedorismo. No entanto, o trabalho infantil vai comprometer o rendimento escolar, vai provocar a evasão escolar.
ele vai interromper um desenvolvimento importante e o futuro dessa criança. Mas ainda há uma perspectiva de que é importante para essas crianças que elas trabalhem, já construindo o futuro. Então, tem permanências, como você falou bem.
Tem coisas ainda, embora a primeira proibição lá nos anos 20 do século passado ainda tem a persistência do trabalho infantil, para pegar esse exemplo. E só para completar aqui esse momento, a primeira ideia de aposentadoria também é dos anos 20, de 1923. Não havia previdência social.
Não havia recolhimento de fundo de garantia, não havia seguro-desemprego, nada, absolutamente nada.
Então, Dani, uma coisa que é importante destacar é que tudo isso vem não como concessão dos patrões, dos industriais, do patronato. Isso vem com mobilização, como aconteceu em Chicago. Isso vem com a mobilização dos trabalhadores. As mulheres precisam de licença maternidade. As crianças precisam sair e estão morrendo.
estão sendo mutiladas. As crianças operárias precisam de proteção, auxílio creche e previdência social, uma coisa tão importante. Você ter aposentadoria. Então, pela primeira vez, se começa a se prever para alguns setores.
A partir de 1923, uma aposentadoria e pensão para viúvas de trabalhadores. Isso, pouco a pouco, vai sendo conquistado, sobretudo na década de 20. E ainda temos muito o que conquistarmos, não é mesmo, professor? Estávamos falando aqui, inclusive, até nos bastidores, essa questão trazendo para a mulher trabalhadora.
muitas vezes vai passar por uma seleção de um emprego, e aí a pessoa vê que muitas vezes é mãe solo, é a mãe da periferia, é a mãe negra. Então, vamos eliminar ela aqui, como se ela não fosse capaz de dar conta. Infelizmente, ainda tem esse pensamento. Como é que pode?
Isso, Dani, é muito importante o que você está dizendo. Quando você me perguntou dos marcos, um marco importante e muito recente é a PEC das domésticas, das trabalhadoras domésticas. Como você falou, a mulher periférica, a mulher negra, que deixa o seu próprio filho e vai...
duas horas de transporte público para chegar na casa da patroa. E o que acontecia? Essa PEC, a proposta de emenda constitucional, é de 2013, então é relativamente recente, tem 13 anos.
Significa dizer que até 2013, essas mulheres dormiam no serviço, sem receber adicional noturno. Aquele famoso quarto de empregada, né? Aquele quartinho pequeno, confinado, sem janela, quente, na área de serviço. Então, as mulheres chegavam na segunda-feira para trabalhar e dormiam com os filhos numa creche pública na periferia, sem ver os filhos, na verdade, convivendo com os filhos da família dos empregadores, né?
Tem até o filme Que Horas Ela Volta, que é muito interessante para pensar isso. Que Horas Ela Volta. A Regina Casé. É ótimo esse filme. E aí a PEC das Domésticas, pela primeira vez garantiu auxílio creche, recolhimento de fundo de garantia, registro em carteira de trabalho, porque elas também não tinham, e recolhimento de fundo de garantia.
Então, foi uma reparação histórica, porque essas trabalhadoras domésticas, sobretudo mulheres negras, como você descreveu bem, isso era uma reminiscência da escravidão. O quarto de empregada é uma reminiscência da escravidão. Isso até no Brasil, uma planta tem o quarto da empregada. Então, agora sim, essa PEC, por isso que foi uma reparação fundamental.
Em 2013, havia quem até se chamasse de uma segunda abolição da escravidão, porque são muitas trabalhadoras domésticas e que, a partir dessa emenda constitucional, passam, pela primeira vez, a entrar no mundo formal do trabalho com todos esses direitos garantidos, sobretudo registro em carteira, com seu 13º, as suas férias remuneradas, seu adicional noturno, seu fundo de garantia. Isso foi um grande avanço.
Ótimo. E não teria como falarmos da história do 1º de maio aqui no nosso país sem, obviamente, falarmos desse período sombrio da escravidão que até hoje tem vestígios, né, professor? Sim. Até hoje tem resquícios.
E escancarados muitas vezes. É verdade, Dani. Quando você me convidou, fiquei pensando... Não tem como. Primeira coisa, são 400 anos de escravidão. Quase 400 anos de escravidão. Então, a gente é um país muito marcado por essa herança escravista.
E, como eu falei, pior, na pós-abolição, com a exclusão desses milhares de trabalhadores libertos. Milhares. E esse privilégio foi um privilégio, a prioridade para o trabalhador imigrante. E quando você me perguntava no começo do programa por quê...
além do argumento de que eles não tinham qualificação técnica no trabalho da indústria. Uma outra questão é o racismo mesmo. É o racismo. Porque os projetos, no final do século XIX, a gente chama de projeto imigrantista, diziam que precisamos branquear a população brasileira. Isso eram os deputados lá no parlamento dizendo que precisamos branquear a população brasileira.
Para branquear, precisamos financiar a vinda de imigrantes estrangeiros, sobretudo os europeus. Por isso que São Paulo vai receber um número imenso de italianos, espanhóis, portugueses, sobretudo europeus, mas depois sírio-libanês, judeus.
São esses imigrantes brancos, beneficiados, sobretudo em São Paulo, por imigração subsidiada. O governo de São Paulo pagava para trazer esses imigrantes. Eles ficavam na hospedaria dos imigrantes, deslocavam até a fazenda do café, viravam colonos. E foram eles que ocuparam esses poços na indústria. Queria fazer igual Portugal, aqui no nosso país.
Pois é. O racismo é uma questão. Estrutural, né, professor? Estrutural, estrutural. E impressionante, porque com certeza, 1º de maio, teremos muitos trabalhadores trabalhando no 1º de maio. Sim.
Enquanto muitos da indústria desfrutam muitas vezes do seu dia do trabalho. E muitos trabalhadores negros, muitas trabalhadoras negras. Então não teríamos como falarmos da história do nosso país, da luta do 1º de maio, sem citarmos esses vestígios, requícios sombrios e nebulosos que o nosso país atravessou. Não é mesmo, professor? Muitos resquícios.
Você diria que essa data é uma data para a gente refletir, de fato, a nossa história? Sim, fundamental. É uma data, acho que primeiro para reconhecer a luta histórica desses trabalhadores, porque se a gente tem esses direitos hoje...
Isso foi conquistado pela mobilização de mulheres operárias, de homens operários, protegendo crianças. E aí tem um momento histórico importante, que é com a chegada do Vargas ao poder, na Revolução de 30, chamada o Golpe de 30. Porque as primeiras leis de proteção ao trabalhador são anteriores ao Vargas.
Mas... Pode tomar uma aguinha aí, professor. Fica à vontade. Oxe, fica à vontade. Sagripe. Fica à vontade. E depois a gente solta a pergunta aí, hein, diretor? Opa, por favor. Eu nem estou interrompendo o professor, porque eu estou tendo uma aula de história, né, pessoal? Estamos tendo aula de história aqui.
Então, essa nossa CLT, eu sou aqui hoje um profissional da educação, estou aqui nessa instituição, com o regime de trabalho CLT, tenho meus direitos garantidos aqui, meu 13º, meu recolhimento de fundo de garantia. Isso foi em 43.
Então, no dia 1º de maio de 1943, o Vargas aprovou a consolidação das leis trabalhistas. Então, a CLT que continua, que está vigente até hoje, ela é fundamental.
Então, nesse momento que a gente tem definitivamente a garantia da licença maternidade, do salário mínimo, que não tinha salário mínimo ainda, as 30 dias de férias remuneradas, isso passa a valer a partir daí, uma jornada de trabalho em torno de 8 horas diárias.
Aí a gente vai chegar aí hoje, né? Essas 44, dá um pouco mais de 8, né? 44 horas semanais, né? Então a CLT, embora tenha sido aprovada...
durante uma ditadura, porque nesse momento Vargas era um ditador, chamado Estado Novo, de 1939 a 1945, a CLT de 1943. Mas tem esse momento importante de consolidar essa legislação e por isso que depois ele volta ao poder eleito pelo voto direto, porque isso marcou profundamente a classe trabalhadora, as classes populares, a ideia do trabalhismo.
e ampliação desses direitos que estão aí vigentes até hoje. Então, esse é um momento importante de lembrar.
faz total sentido é a nossa história, não podemos anular sairmos para celebrarmos o dia 1º de maio sem saber da luta que foi exatamente e também sem nos esquecermos dos canadenses que abriram foi o Canadá, falei certo aqui Chicago, desculpa que abriu esse caminho sem dúvidas
Vamos colocar um comentário aí na tela, enquanto a gente toma uma aguinha aqui pra nos hidratarmos. Vamos lá.
Estamos tendo uma aula de história bem legal aqui, viu? Bem legal mesmo. Olá, professor Fernando Campos, tudo bem? Um abraço para o professor e amigo Antônio Reis, um abração. Um abraço, Fernando, meu parceiro, amigo e nosso mentor aqui, porque o Fernando é a grande referência aqui para nós. É um querido, né? Não tem quem não tenha um apreço pelo professor Fernando. Não, não tem.
Oi Letícia, tudo bem? Boa tarde, que super aula também estou achando, hein Letícia? Um material excelente para estudar para vestibulares. Boa Letícia, é verdade. Depois eu chamo mais comentários, mais perguntas, vai mandando aí você que tem dúvidas ou você que quer saber, você que de repente tem alguma curiosidade, né? Chegou mais uma aí? Vamos lá, deixa eu colocar, deixa eu aproveitar então.
Tudo bom? Olha quem tá ali, ó. Deixa... Ih, ó, meu óculos. Os canais tá ali, ó. Boa tarde a todos. Professor, uma dúvida pessoal. A gente romantiza o trabalho duro no Brasil, né? Ter dois empregos. Isso é herança histórica ou construção recente? Qual a sua opinião sobre romantizar? Muito interessante.
Muito interessante. Essa pergunta é de quem é? Essa pergunta é do Os Canals. Obrigada, Os Canals. Ótimo. Tem uma ideologia do trabalho que valoriza o trabalho, mas de uma maneira que tira um pouco a importância do tempo livre, tira a importância do lazer.
E aí a gente vai acabar falando do fim da escala 6 por 1, que é uma demanda importante que está atualíssima. Então, eu concordo. Há uma romantização desse trabalho duro. O trabalho dignifica o homem. Dignifica se ele for realizado em boas condições. Se ele garantir essa dignidade. Se não for no trabalho insalubre. Se for respeitoso.
se for respeitoso, se os direitos trabalhistas estiverem garantidos, se ele tiver qualificação enquanto ele está, receber a qualificação durante o tempo de trabalho. Então, o trabalho é importante, é um valor importante, essa ideologia do trabalho, mas desde que respeite essa integridade do trabalhador, o tempo de estudo do trabalhador.
E eu falo já da escala 6x1, avançando um pouquinho, depois você me fala do tempo aqui, se eu estiver falando demais. Não, tá legal demais. Pode ir, professor. Aproveitando a pergunta, a escala 6x1, que agora está em tramitação, é uma demanda de muitos grupos, independente do partido, independente do interesse do governo, da oposição.
é uma demanda que vem sendo reivindicada por diferentes setores da sociedade. Eu mesmo já trabalhei seis por um e foi muito complicado. Eu tinha dois filhos pequenos, a minha companheira ficava com os meninos, bebês, eu trabalhando aos sábados, de segunda a sábado. Trabalhei durante três, quatro anos no ABC, numa universidade, porque a gente oferecia um curso.
que era segunda a sábado. E aí isso foi muito complicado, porque ela precisava ir no sábado, tempo livre, a vivência da família, o acesso ao equipamento de lazer, de cultura, o cinema, o teatro, a literatura, o ócio até, porque o ócio também é importante.
Então, essa escala 6x1 compromete isso tudo. Esse trabalhador não é só descansar e voltar ao trabalho. Ele precisa ter acesso à cultura. Ele precisa estudar. Ele precisa se qualificar. Ele precisa de letramento. Ele precisa de letramento. Ele precisa conviver com os filhos. Ele precisa de lazer, de entretenimento. Ele precisa circular pelo parque, pela praça pública.
Então, se você pegar, por exemplo, a França, para ter um exemplo só, tem outros. A França, desde 1998, já definiu por lei uma jornada de 35 horas semanais. A nossa é de 44 horas.
um pouco mais de oito horas por dia bom, se for considerar seis dias dá menos, mas seis por um, 44 horas você falou no começo do programa tem trabalhadores que trabalham 60 horas ou mais e as tecnologias agora fazem com que a gente
chega em casa e ainda está trabalhando no WhatsApp, então aquele tempo livre vai sendo ocupado também. Orcahólico total. Orcahólico. Então acho que é essa a pergunta, se valoriza o orcahólico, o trabalho...
Mas isso pode trazer um burnout. Isso vai comprometer a vivência na família. Ele vai parar de estudar. É uma situação muito complicada e delicada. Porque, ao mesmo tempo que muitas vezes não queremos, temos que fazer. Exatamente. Para pagarmos as contas. Por necessidade. Então, é aquilo. Querer, às vezes não queremos. Mas, entretanto, todavia, porém...
Temos que fazer. Temos. E olha só, só para completar esse exemplo da França. 35 horas semanais. Em alguns setores da economia, os trabalhadores colocam as 35 horas em quatro dias por semana. Então, se trabalha segunda, terça, quarta e quinta, e tira três dias. Então, trabalha quatro por três.
E as empresas dizem que seguem muito produtivas. Percebe? Então, tem até essa possibilidade. 35 horas semanais que você coloca em quatro dias. Porque o que agora se reivindica é o 5 por 2. Trabalhar de segunda a sexta.
E esse final de semana, com todo esse direito à cultura, à lazer, esporte, atividade física. Esse trabalhador precisa de atividade física. Ele precisa ter tempo para isso. É uma questão de saúde. Precisa de sol, professor. Precisa. Uma banho de sol. Exatamente. É importante. É uma questão cultural muito...
É cultural, é. Né? É, que tem relação com essa pergunta dele. É cultural, sim, é histórica. A gente vê que não é só a Europa, mas os países da América do Sul já estão todos, ou a maioria, caminhando para uma redução da jornada de trabalho com a manutenção dos salários. Estamos caminhando para isso.
Ótimo. Você é otimista, não é, professor? Sim. Otimista quanto ao tema, quanto a essa evolução. Sim, eu sou otimista. Temos alguns retrocessos. Eu vinha pensando aqui também, vamos ver historicamente como é essa conquista gradual dos direitos trabalhistas. Mas tem momentos em que há retrocessos também. Então...
Quando se fala hoje da pejotização, você trabalhar como PJ, tem amigos professores assim. A instituição demite, ele deixa de ser CLT, ele é professor e ele começa a emitir nota por mês. Quando você vira um trabalhador PJ, a pejotização, você não tem nenhum direito trabalhista.
Você não vai recolher seu fundo de garantia, você não vai fazer contribuição previdenciária, você não tem 13º salário, você não tem plano de saúde, você não tem vale-transporte, você não tem vale-refeição. Você emite a última nota, acaba o seu contrato, não tem nem férias remunerada.
Então, a pejotização, na minha opinião, na minha perspectiva, é um retrocesso. Um assunto para um podcast aí. É, seria uma boa para mergulhar nisso. Tem mais perguntas para você aqui. Vamos colocar.
Olha ali quem tá ali. Quem tá ali, diretor? É o Márcio Fernandes. Boa tarde, Márcio. Tudo bem? Forte abraço, Reis. Mestre em História. Tive o imenso prazer de ser seu aluno. Hoje formado. Tenho você como inspiração. Obrigado pela força que você me deu. Sou muito grato por tudo.
Que comentário gracioso, gentil. Obrigada, Márcio. O Márcio, eu sou fã do Márcio. Vou até ajeitar o microfone aqui. A gente tem um orgulho imenso desses egressos que hoje são colegas de profissão. O Márcio é um grande professor. É aquele professor entusiasta, sabe? Aquele que dá gosto de ver. Inteligente, que estudou muito. Teve um percurso aqui formidável.
Um abraço aí, Márcio. Obrigada por estar nos acompanhando aqui, né? Que legal, hein, Márcio? Manda uma pergunta aqui pra gente, Márcio. Olha quem tá ali, ó. O Coda Verbe. Boa tarde, gente. Que papo sensacional. Obrigada, Coda, por estar nos acompanhando. Vamos lá. Quem está aí?
Oi, Gustavo. Ceninha. A ceninha sempre aparece aqui. Cheguei. Que bom que você chegou. Estava sentindo a sua falta. Um abraço, professora. Adoro o seu jeito calmo de falar. Professor, na sua opinião, teve e se tem, se teve e se tem, qual foi o maior erro histórico na construção do trabalho no Brasil? Que perguntão, hein? Olha, uau. Muito bom. Ótimo. Erro histórico. Vamos lá. É...
A gente vinha falando aqui do início do século XX, as primeiras leis de proteção ao trabalhador. Falei do Getúlio Vargas, da CLT, que está aí até hoje. Importante a consolidação das leis trabalhistas. Nos anos 60, com a ditadura, a gente teve um retrocesso dos direitos trabalhistas. Teve, por exemplo, a perseguição dos sindicatos, prisão de trabalhadores, tudo mais.
Só que, em 1966, a ditadura criou o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
E, num primeiro momento, a gente pode pensar que é uma ideia interessante, porque todo mês você tem um valor deduzido do seu salário que é depositado num fundo. E, no dia que você perder o emprego, você vai poder sacar esse fundo ou para financiar uma casa própria ou para um problema de saúde mais sério. Está lá esse fundo.
Só que a ditadura criou o FGTS em troca do fim da estabilidade do trabalhador. Porque até então, até 1966, mesmo numa empresa privada, se você já tivesse completado 10 anos de trabalho na mesma empresa, você não podia mais ser mandado embora. O empregador não podia mais rescindir o seu contrato. Você tinha estabilidade, como funcionário público concursado.
Isso acontecia com todos os trabalhadores desde que tivessem completado 10 anos. Isso era uma coisa muito importante. E aí a ditadura falou, não, vamos derrubar essa estabilidade, mas também para não deixar esse trabalhador completamente na mão. Vamos criar um fundo de garantia por tempo e serviço.
o interesse era reduzir o custo do trabalhador em benefício dos patrões. Desonerar o capital. Então, nessa, como ele falou, do erro histórico, é importante o fundo de garantia, tem o meu fundo de garantia, vai me ajudar na aposentadoria, mas nós perdemos a estabilidade, que hoje é exclusiva.
aos concursados e o funcionalismo público. Professor, você acredita que essas transformações lá atrás impactam hoje no cenário do nosso país? Sem dúvida, impactam muito. Então, a gente hoje está... É curioso, não é, Dani? Porque eu entendo, por exemplo, tem jovens dizendo que não querem CLT.
Eu entendo, está no debate público. Cada um, cada um. Exatamente. Eu prefiro trabalhar por conta própria, não quero ter patrão, quero empreender, o empreendedorismo é importante. Agora, também assim...
que o empreendedorismo não seja só aquele trabalhador que pega uma bicicleta, que não é dele, coloca o isopor nas costas e vai ser o entregador de aplicativo, correndo risco, disputando com carro na rua. Se ele tiver um acidente, ele não tem plano de saúde. Não tem amparo nenhum. Ele não tem amparo nenhum, não tem nenhuma lei trabalhista que o protege. Então, ele é autônomo.
Mas ele é informal. Então, ele está absolutamente desprotegido. Absolutamente desprotegido. Ele não contribui para a Previdência. Ele não recolhe fundo de garantia. Então, precisa pensar o que significa esse empreendedorismo.
Por um lado, é muito importante o próprio negócio, ser autônomo. Mas, por outro lado, só a CLT vai garantir todos esses direitos sociais e trabalhistas que a gente vem descrevendo aqui no seu programa. Esses que garantem que você um dia vai se aposentar.
Que você um dia vai ter uma previdência cuidando de você, né? Te dando uma renda mínima pra sobreviver. Que vai garantir que você acumule o fundo de garantia pra comprar sua casa própria pela primeira vez.
que as viúvas tenham pensões, no caso da morte dos seus companheiros. Então, isso foi, de fato, uma luta histórica, secular. No começo do programa, eu enumerei as primeiras leis de proteção ao trabalho dos anos 20, há 100 anos. Então, a gente não pode permitir um retrocesso, porque isso foi conquistado a duras penas.
Como a gente falou, por exemplo, a licença maternidade é tão importante para as mulheres e a proibição do trabalho infantil também.
É verdade. Os desafios que ainda enfrentamos no mundo do trabalho, professor, na sua visão, na sua opinião, você tem um top 3, um top 5, ou sei lá, o que você quiser falar e que você acha relevante, que a gente, sei lá, de repente, um dia, quem sabe, possamos mudar essa perspectiva desses desafios que enfrentamos no mundo do trabalho.
Mas, obviamente, para o lado negativo. Tem a sua opinião? De avanços ou retrocessos? Retrocessos. De retrocessos. Esses que falamos, que a professora acabou de citar aqui, mas tem algum que você gostaria de mencionar ou de falar, que a gente não falou, não citou?
Olha, com a reforma trabalhista e o que eu chamei aqui de pejotização, eu também tenho uma empresa, tenho um CNPJ, preço-serviço, isso é parte do nosso trabalho. Mas a questão é quando você, como empregador...
ele obriga esse trabalhador a sair dessa rede de proteção que o trabalho formal oferece e que a CLT oferece para reduzir o custo da mão de obra que esse empregador tem, inclusive está acontecendo nas universidades.
E aí, trocando esse trabalho formal pela pejorização. Acho que eu destacaria esse. E pelo bom? De avanço? De avanço.
Olha, de avanço, eu vou destacar, como a gente comentou aqui, eu sou otimista, vai ser aprovado o fim da escala 6x1. Para que esse trabalhador siga muito produtivo, siga com o mesmo salário.
trabalhando menos, cinco por dois. E aí, nesses dois dias de descanso, que ele possa garantir, exercer a sua paternidade quando ele tem filhos. Ele se requalificar fazendo cursos, estudando. Ele garantir o seu acesso à cultura é tão importante. No final de semana, precisa ir ao cinema, precisa ir ao parque. Ver uma peça de teatro. Precisa ler literatura.
Então, é isso que também vai garantir uma formação humanística desse trabalhador, que ele também pense em voos maiores. Então, eu estou confiante que essa redução vai beneficiar, de fato, os trabalhadores, trabalhadoras do Brasil. Do nosso país. Boa! Tem mais perguntas aí, diretor? Se tiver solta na tela, a hora passou muito. Olha o diretor. Ah, apareceu aí, diretor. Foi beber uma aguinha e chamou o meu diretor.
Quem está ali é o embananado. Oi, embananado. Você voltou. Não se embanane, não. Boa tarde, pessoal. Tudo bem? Na sua visão de historiador, qual foi o direito mais importante conquistado nessas décadas de luta?
Ah, o direito da... Vou até pegar carona aqui, esse direito da mulher. Boa. Maternar. Boa. Como licença maternidade. Eu ainda acho que o homem merece esse direito. Porque hoje a licença... Sim. A licença prevista pro homem é piada, né? Coisa de quê? Sete dias, sei lá, dependendo. O que você faz em sete dias?
Boa, Dani. Pensa a mulher, né? A mulher ocupa os mesmos postos de trabalho que os homens e ganha o menos. Não é?
Trabalhando, às vezes, muito mais. Trabalhando muito mais, porque, como você falou, também é a dupla jornada. Sempre tiveram a dupla jornada. Chega em casa, a cozinha está mudando, mas tem o cuidado dos filhos, a maternidade, essa gestão da casa. E as mulheres, de acordo com o IBGE, são mais escolarizadas que os homens no Brasil.
Elas são mais escolarizadas que os homens. Então, as mulheres têm uma capacidade de trabalho, uma qualificação, não gosto da palavra mão de obra, mas uma qualificação profissional acima dos homens. Elas têm mais tempo de estudo. E, ainda assim, elas ganham menos ocupando os mesmos postos de trabalho dos homens.
Então, como é que se explica isso? Acho que passa pelo comentário do ouvinte. É uma questão histórica, é o patriarcado, é a família patriarcal. É uma cultura machista que está no mundo do trabalho, que valoriza as lideranças masculinas, que acaba remunerando mais.
Mesmo exercendo as mesmas funções e mesmo com uma escolarização maior. Então, isso precisa mudar. De fato, como você falou da mulher, bem lembrado, isso precisa mudar. Inclusive essa licença paternidade para que o companheiro esteja ao lado.
da sua companheira, naquele momento fundamental do nascimento das crianças. Perpério não é fácil, não. Exatamente, exatamente. Apoio é fundamental, realmente. Fundamental. Professor, o nosso tempo voou. Uau, já. Muito rápido.
Que aula, hein, gente? Curtiram aí? Eu curti demais. Espalha a semente do conhecimento, espalha esse podcast para o maior número de pessoas possíveis. Tivemos um comentário bem legal da Letícia. Isso é conteúdo histórico, conteúdo de...
vestibular, conteúdo da nossa história, né? Muitas vezes a gente comemora aí tantas datas e não faz a menor ideia do que está sendo comemorado, do que estamos falando, da luta que antecedeu a esse dia, né? E ainda estamos, trabalho de formiguinha, né, professor? Um dia de cada vez. Então, fica aí o nosso apreço, o nosso abraço, o nosso carinho a todos os trabalhadores e trabalhadoras do nosso país.
né professor? merecem né? merecem, merecemos e olha muito obrigada pela sua companhia muito obrigada por você estar aqui com a gente professor não vai sair de mão abanando do podcast
É mesmo? O quê? Professor, educador, trabalhador. Vai ter brinde. Pode mostrar pro pessoal o que que pode. O que que o professor ganhou, que a gente adora ver, né, gente? A gente gosta de ver que o entrevistado abre essa copa. Pra hidratar a voz, hein, professor? Obrigada, Fabi e Júlia. Tem brigadeiro. Esse copo é legal. O senhor gosta de café?
Eu adoro o café. Não trabalho sem café. Eita, movido a café. Certificado. Pode pôr até no látice, viu, professor? Ah, vou colocar assim, Dani. Obrigado. E esse chaveiro bonito que veio colado aí nesse certificado é da nossa querida parceira Vórtica 3D, que fez especialmente aí com a nossa nova identidade. Então, todas as vezes que você olhar para esse lindo chaveirinho, vai lembrar da Vórtica 3D e vai lembrar do podcast. Ótimo.
E todas as vezes que come esse docinho Delícia, ganha um docinho aí? Brigadeiro? Quatro brigadeiros, me dei bem Nossa, meu doce predileto Brigadeirinho, obrigada Fabi e Júlia Fabi e Júlia aí sempre com a gente Adoçando os nossos Entrevistados, você que quer um docinho Bão aí pro seu Final de semana, desfrutar De repente do seu Feriado em família Fala lá com as meninas Marcos
São doces artesanais de qualidade. Eu tenho certeza que você vai adorar. Eu sou cliente suspeita pra falar, eu adoro. Fabi e Júlia doces. Segue lá, tá bom? E segue a Vótica 3D também, porque tem uma infinidade, uma infinidade de coisas que podem serem feitas com a impressora 3D. Eu fico até impressionada. É um universo gigantesco, impressionante. Obrigada, pessoal. Obrigada, professor.
Eu que agradeço, Dani, o convite. Muito gostoso o papo. Fico à disposição aí para as próximas. E viva a luta das trabalhadoras e trabalhadoras do Brasil, não é? Viva! Obrigada, professor. Valeu demais, pessoal. Até o próximo episódio.
Nos vemos na próxima semana, tá? Se cuide e pense bastante aí nesse feriado, na real, o que ele significa, a luta que é e que tem sido aí diariamente, tá bom? Então, fica aí um momento de reflexão. Um abração pra você e até semana que vem no melhor podcast acadêmico de todos. Tchau!
Fabi e Júlia Doces
Doces artesanais