Episódios de Sou Pessoa para Isso

Diogo Varela Silva

08 de maio de 202643min
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"O fascínio de contar histórias", é sempre o que o move.
Desta vez, esgrimindo a arte do boxe e a vida na cidade que moldou Orlando Jesus.
" Soco a Soco" está a chegar às salas de cinema.

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Participantes neste episódio2
T

Teresa Dias Mendes

Host
D

Diogo Varela Silva

ConvidadoRealizador
Assuntos6
  • Documentário Felipe MojaveOrlando Jesus, campeão de boxe · Lisboa dos anos 1970 · A vida na cidade de Lisboa · O boxe como refúgio e salvação · A ética e as regras do boxe
  • Carreira de Diogo Varela SilvaInício no teatro · Transição para o cinema e documentário · Documentários anteriores (Zé Pedro, Fato Celeste, Diabo do Entrudo) · A importância da pesquisa e proximidade com os documentados · Liberdade criativa no documentário vs. ficção
  • A cidade de LisboaTransformação urbana e gentrificação · Perda da vida cultural noturna · Lisboa para turistas vs. para moradores · Alfama como exemplo de gentrificação
  • O boxe como desporto e estilo de vidaO boxe como descarga de energias negativas · A preparação física e mental no boxe · O boxe como desporto para guerreiros e inteligentes · A comparação do boxe com o xadrez e a dança
  • A família de CaimFilhos e a relação com a arte e cinema · Casa sem televisão e o diálogo familiar · Influência familiar no fascínio pelo boxe
  • Reconhecimento em Portugal e no cinema globalDificuldades de financiamento · Concorrência com blockbusters americanos · Propostas para a distribuição de documentários
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Sou pessoa para isso. Com Teresa Dias Mendes. Hoje vamos ao boxe acompanhando o percurso do antigo campeão nacional da modalidade, Orlando Jesus, e com ele a vida na cidade de Lisboa. Uma outra Lisboa. Esgrimo no ar as palavras e aprendi, vendo que o verbo esgrimir assenta que nem uma luva no ringue da competição.

Esgrime depois as palavras com que a produtora anuncia o que aí vem. Soco a Soco é um documentário sobre o pugilista Orlando Jesus, que nos anos 1970 foi muito mais do que um atleta, tornou-se símbolo de uma Lisboa dura, marginal e inesquecível.

Este retrato preserva não só a sua memória, mas também a da cidade que o moldou em contraste brutal com a Lisboa de hoje. O realizador, também ele filho de uma outra Lisboa, nascido e criado no coração da cidade, tem-nos habituado a viajar pelo tempo procurando resgatar a memória e as pessoas sem as quais a história seria também ela uma outra história.

É o caso de Zé Pedro, rock and roll, talvez o mais premiado dos seus documentários, sobre o guitarrista fundador do Chutes e Pontapés, ou Fato Celeste, sobre a vida e obra de Celeste Rodrigues, de quem era neto. Há também o Diabo do Entrudo, sobre as mais antigas tradições carnavalescas no país e os fascinantes caretos de lazarim. São curtas referências a um trabalho bem mais vasto deste realizador e produtor, Diogo Varela Silva. Bem-vindo!

Quando é que percebe, antes de mais, que o seu lugar é atrás das câmaras? Que é ali que está no seu sítio? Olá, Tereza. Obrigado pelo convite. Bom, eu comecei muito miúdo, talvez também por inerência ter nascido na família em que nasci e ter convivido com as artes desde muito cedo. Eu comecei no teatro muito miúdo.

Há uns 15 anos, salveu. E foi dizendo que era um canastrão? Sim, percebi. Se bem que há alguns trabalhos que eu me orgulho de ter feito, percebi que não era por ali. Que havia de ser de outra maneira. E a vida deu as voltas que teve que dar.

E vim parar ao cinema mais tarde, se calhar do que as pessoas normalmente vêm, para uma profissão. Eu fui fazer o curso de cinema já a uma idade um bocado avançada, mas sempre fui um... Observador? Sim, e um fã da melhor escola de cinema do país, que é a Cinemateca Nacional. Portanto, o bichinho do cinema sempre esteve, de alguma maneira, presente.

Passava mais tardes na Cinemateca, tardes ou noites, mas era um gosto desde miúdo também, ou isso também veio mais tarde? O teatro foi a primeira paixão, o cinema vem depois. Talvez na altura em que fundámos o Pogo Teatro, utilizávamos muito o vídeo também nas nossas peças e isso levou-me a...

a debruçar-me sobre alguns ciclos de cinema. Aliás, até acho que o primeiro ciclo que vi foi do Bergman. E a partir daí... Continuou. É curiosa essa referência ao uso do vídeo no teatro, algo que agora se vê a miúde em muitas peças, mas nessa altura era uma novidade absoluta.

Acho que fomos um bocado pioneiros nessa abordagem de misturar as duas linguagens. E é também nessa fusão, digamos assim, como aliás o Diogo explicava agora mesmo, que percebe que o fascínio pela imagem se sobrepõe às tábuas do palco.

O meu fascínio, não sei se terá sido pela imagem, é mais um fascínio de contar histórias e de contar histórias que de alguma maneira sejam mais fáceis de chegar às pessoas. Talvez tenha sido esse o fascínio.

E por isso também, se calhar, grande parte da minha carreira está associada ao documentário. Partir de histórias reais. Sim. E documentá-las de alguma forma. Sim, e de vivências reais. E do contato direto com as pessoas que têm uma história para contar.

E essa proximidade que está à vista em muitos dos documentários, maiores e menores, não estou aqui a qualificar, estou a falar de tamanho mesmo, mais curtos ou mais longos, pronto. Essa proximidade foi importante nos primeiros trabalhos? Continua a ser importante?

Essa proximidade é imprescindível para que um documentário aconteça, ou seja, o trabalho de pesquisa e de preparação é muito importante, mas antes de avançar para o terreno, antes de avançar para uma rodagem, há todo um trabalho de preparação e de conhecer o tema e as pessoas que estou a documentar para conseguir criar essa ligação e essa vontade.

Porque na maioria das vezes as pessoas não estão habituadas a uma câmara, não estão habituadas a uma equipa de cinema. Portanto, é preciso criar essa confiança, é preciso criar essa vontade de quem está do lado da frente da câmara.

Mas eu falava de proximidade no sentido de conhecer daquela pessoa lhe ser um rosto familiar, uma presença familiar. No caso da Celeste Rodrigues, é óbvio, não é? Era lá de casa. Essa foi o mais fácil. Ou talvez não. Sim, pois. Nem todas as realidades que comentei eram coisas como se fossem...

Assim tão próximos. Muito familiares ou muito próximas. Por exemplo, o meu filme mais premiado é o João Aires, Pintor Independente. Pois eu há pouco falei no Zé Pedro, que deve ser o segundo. Deve ser o segundo mais premiado, não é? Felizmente correu muito bem. Mas o João Aires não me era familiar. Fui descobrindo o pintor e a obra na preparação do filme.

Não me sente familiar à partida Não pode não ser familiar Quando avanço para o filme Ou seja, esse tempo de preparação E de estudo e de conhecimento Tem que existir para que o filme possa existir também E para que seja feito um guião Tem de haver um guião? Tem de haver um guião O documentário tem essa coisa que eu gosto Dá-me uma liberdade que a ficção não dá

Obviamente tem que haver um... Poderíamos ser tentados a pensar o contrário. Que a ficção daria mais liberdade do que... Não, a ficção tem um guião e um argumento fechado, definido. Pois, claro, pode haver aqui um rasgo de um ator ou de uma atriz, um improviso que pode ser aproveitado. No documentário...

põe-se-nos a vida pela frente e não vamos contrariar não conseguimos contrariar a vida que nos põe pela frente ou seja, adaptamos-nos também ao que nos é dado por quem nós estamos a documentar, apesar de toda a preparação, apesar do guião apesar da direção que eu quero dar e quero imprimir e apesar até do conceito todo estético que tenho m m m m m

pensado para o filme, a vida põe-se pelo meio. A vida acontece. A vida acontece. E acontece bastante neste soco a soco. Vamos agora falar um pouquinho sobre este último documentário que está a chegar às salas de cinema portuguesas, um ano depois de ter estreado no DOC Lisboa.

E ter vencido o Prémio do Público Começa a ser um hábito Os documentários do Diego Varela Silva Vencerem o Prémio do Público Sempre que vão ao DOC Lisboa Nem sempre Já venci dois e fico muito feliz por isso Especialmente o Prémio do Público Porque é sinal que as pessoas Para quem nós fazemos Que é o público Que gostam do trabalho que nós conseguimos apresentar Isso dá-me um gozo enorme, claro

Dois nomes diárias completamente distintas. Esse outro prémio do público foi em relação ao documentário do Zé Pedro. Até pelas circunstâncias em que o documentário surge e pela figura do próprio Zé Pedro. Poderíamos ser tentados a acreditar que aquele prémio estava no papo.

Eu acho que aquele prémio não foi meu, aquele prémio é do Zé Pedro, não tenho dúvidas nenhuma, continua a ser o rei dos afetos ao fim deste tempo todo, é impossível, eu não conheço ninguém que não goste dele, portanto eu acho que claro que sim, tenho essa noção também que muito do prémio foi por ser para ele.

por ser quem é. E digo quem é no presente porque ele permanece. Já o Orlando Jesus é uma figura que não é imediata para a grande maioria das pessoas mas que foi de facto um ícone do boxe nacional. Foi e é. O Orlando Jesus continua como treinador ainda hoje tem 72 anos. Continua a treinar imensos jovens e a formar campeões.

E é um árbitro internacional, julgo até que é o único árbitro português da IBA, já arbitrou combates para títulos mundiais.

IBA dá de ser Associação Internacional de Boxing, será isso? IBA International Box Association. Boxing Association, sim. Há três grandes associações, a IBA é um deles. E é um, dentro do mundo do boxe, toda a gente sabe quem é o Orlando Jesus. A estrela da companhia, como é dito, não é? É incontornável.

Vamos puxar a fita atrás. De onde é que vem este contacto com o Orlando Jesus? Eu conheci o Orlando há muitos anos e era uma personagem que impunha algum respeito para não dizer medo. Nós, na altura, José Pedro e o Alex Cortez e o Calu tinham um bar que era o Johnny Guitar.

E quando o Johnny Guitar fechava A coisa mais próxima que havia Onde nós podíamos ir comer qualquer coisa Quando acabávamos a noite Era um bar De bafon O Truque Que era do Orlando Esse foi o primeiro contacto que eu tive com o Orlando Depois, anos mais tarde Muitos anos mais tarde Comecei a treinar boxe com o Orlando E aí criámos

Uma amizade que é forte e que ajudou a que fosse possível ele deixar-me filmá-lo e deixar contar a história dele. Vai para o boxe o Diogo? Porque lhe apetecia experimentar? Não, o boxe era um desporto que eu já fazia de miúdo, tempos a tempos, e depois de um entregue grande quis voltar e através do Jorge Fernando, músico.

Que também participa no filme E que também é muito amigo do Orlando O Jorge fez essa conexão E voltei a treinar ao fim de não sei quantos anos E quando quer avançar com a ideia E se dirige ao Orlando Jesus Para lhe propor Este trabalho, como é que ele reage?

O Orlando não é muito de estar à frente das câmaras, nem... Eu acho... À frente das câmaras só no ringue. Sim, eu acho que ele foi de uma generosidade enorme em deixar-me invadir o seu espaço privado. E eu acho que isso também foi possível graças à grande confiança que há entre nós. E essa vontade tem muito a ver com isso.

Aliás, há o lado mais disponível, que qualquer um de nós, entrando nos lugares onde ele treina, poderia observar. Não há muitas imagens de arquivo, não é? Porque à época... Infelizmente, foi uma pena. Ele tinha imensa coisa de arquivo, até em Super 16 e não sei o quê, mas que se perdeu. O que se conseguiu está no filme.

Algumas fotografias. Muitas fotografias. Muitos recortes de imprensa. O último combate que ele fez quando tinha 50 anos está no filme. E infelizmente naquela altura... Já há cores. Esse já há cores, não é? Esse já há cores. Mas depois temos também outros momentos mais íntimos, não é? Em que a Câmara percorre...

Esse é o que nos mostra o Orléans Jesus, que as pessoas não conhecem nem as do boxe. As suas rotinas, o seu pequeno almoço farto, como um bom atleta deve cuidar, com a indispensável proteína, e a sua fé também, muito presente. Sim, é uma grande fé. Foi uma das coisas que me surpreendeu, aquela fé naquela dimensão. Vou dizer assim, que é para não estar a contar...

Sim, sim. É um homem muito enigmático, mas com uma vida muito interessante, eu acho. E é giro que tanto a fé como o boxe, de alguma maneira, o salvaram de uma vida que podia ter tido outra... Podia ter corrido mal. Podia ter corrido muito mal.

Ele, aliás, começa por explicar que os miúdos que iam para o boxe eram os arroaceiros, normalmente, que eram aqueles que se metiam em bulhas e em problemas. Era até um, como é que eu ia dizer, uma forma de mostrar a sua masculinidade, a sua virilidade. Safavam-se aqueles que eram os melhores. Que eram os fortes para a pancada, como ele diz.

Nas lutas, ele não era um miúdo de trato fácil. Não. Andou de escola em escola. Andou de escola em escola. Vem de uma certa realidade em que as pessoas estão mais...

Desprotegidas Desprotegidas, essa é a palavra certa Hoje em dia falamos muito de violência doméstica Os números estão aí todos os dias à nossa frente E é disso que estamos a falar também Quando estamos a falar dessa realidade desprotegida Que ele testemunhou e vivenciou Ao ponto de a mãe e o pai se separarem O que à época também não era uma coisa assim muito vulgar Não, não era nada Nós estamos a falar, isto é tudo antes Isto é no tempo de outra senhora ainda Durante o regime E...

Não eram vidas nada fáceis os pais dele e as dele e do irmão por inerência. Eram situações de uma pobreza extrema.

E de rua, de viver na rua, praticamente. Ele até conta que lá em casa ou se fazia bem ou quando não se fazia bem era a porrada. E era assim que as coisas aconteciam. Não é seguramente por isso que os seus dotes se revelam no boxe. Era algo que já estaria nele. E também terá encontrado no boxe uma forma de expurgar.

E de libertar toda aquela raiva que trazia... Sim, todas essas energias... Negativas. Negativas. Sendo que o boxe, à época, era um desporto prestigiado. Era. Na altura dele foi a última grande... Houve uma altura áurea do boxe, que é a altura, por exemplo, do meu tio-avô do do Robordão, em que se enchia o Parque Maéria e se enchia o...

o Coliseu de Lisboa para ver combates. Depois houve uma altura em que o boxe esteve mais afastado dos caparatos e, no princípio dos anos 70, volta em força ao Parque Mair e ele é um dos responsáveis por isso.

Sim, ele vai abrir o Parque Meier em 1975. E o que é que é isto de se dizer, como se ouve dizer, que ele era muito bonito a jogar? Como é que nós podemos descrever isto de ser muito bonito a jogar num desporto que tem uma certa dança?

Qualquer de nós conseguimos isso. Tem uma grande dança e tem toda a parte da esgrima do boxe. E ele realmente tinha isso. Ele tinha uma sabedoria a jogar. Tinha um jogo de pernas muito bom. Tinha uma esquiva boa. Portanto, tinha essa beleza. Para quem gosta de vir. Tinha essa beleza em cima do ringue.

Eu estava aqui a sublinhar esta passagem porque associa-se, talvez hoje nem tanto, mas acredito que mesmo na altura, mesmo sendo essa época de ouro, a imagem do boxe é associada a um desporto violento.

Sim. E não consensual. Há desportes que as pessoas podem gostar mais ou gostar menos, gostar muito ou gostar pouco, ou gostar nada, mas tudo bem, é um desporto. O boxe é aquela coisa que ou se gosta ou se odeia. O boxe tem muitas regras e tem uma certa ética. Por exemplo, há outros desportes de lutas que eu acho que não têm isso, estas coisas novas agora dos MMAs.

Essas coisas todas O boxe tem as regras dele bem definidas E há um...

E há uma certa justiça na coisa, não há lutas com diferenças de pesos, não há, sei lá, as pessoas têm uma zona onde podem bater, não podem bater atrás da cabeça, nas costas, quer dizer, há regras. Há, aliás, uma regra que não é tida em conta a certa altura do documentário e quase que o víamos a saltar para dentro do rinco.

Para defender... Para defender, não vamos contar. Não, não, não vamos contar. Vamos ficar assim no ar, porque não era ele que estava a competir, obviamente. No entanto, podemos tentar perceber como é que ele vai, e talvez aí o Diogo Varela tenha mais para nos dizer.

para lá daquilo que está no documentário, como é que ele se vai afirmando no box? Como é que ele vai construindo essa imagem e vai ganhando segurança de si próprio e percebendo que é um campeão? Aliás, a certa altura ele tem a sua pirâmide e muito...

Muito bem definida Há muito pouca coisa que venha acima do box Acima do box só a mãe e os filhos Não havia mais ninguém O box foi Eu acho que foi Tábua de salvação para ele Foi lá que encontrou Manera de poder Fugir daquilo tudo onde estava E criar E adquirir as ferramentas necessárias Para fazer uma vida

E conseguiu cedo, ele assim que começa a jogar boxe é logo campeão pela voz do operário.

Depois vai para os alunos da Polo Depois vai para os alunos da Polo Depois volta à voz do operário Desculpem, não à voz do operário não Pelos alunos da Polo É que ele é campeão Depois vai para o Rio de Janeiro Depois volta à voz do operário E depois faz uma carreira enorme Joga em Espanha, joga cá Há uma altura em que vai dividindo Entre cá e lá E foi campeão nacional E formou vários campeões nacionais

E o Boxe deu-lhe isso mesmo, deu-lhe uma hipótese de conseguir construir uma vida fora daquele pesadelo onde ele vivia. Onde ele estava, incluindo quando foge à tropa, não é? E, mais uma vez, o Boxe é o seu refúgio. É sempre. Ainda hoje. Ainda hoje o Boxe é o seu refúgio. Ainda hoje...

Vive do boxe e acima de tudo Não é vive do boxe, é vive para o boxe De alguma forma acho até poético Essa resistência E a maneira como ele retribui Aquilo que o boxe lhe deu

E há muitos miúdos a quererem aprender boxe. Nas aulas dele estão imensas rapaziadas. E não é fácil, ele dá uns volentes caldoços quando a coisa não... Quando merecem. Não, mas ele é bastante carinhoso até.

Essa imagem passa, creio também. Eu fiz aqui referência aos calduços, porque fazem parte, e ele já estava a avisar há bastante tempo do que é que não se podia fazer. Como se continuava a fazer, se não vai a bem, vai a mal, um mal aqui com bastantes aspas. Mas depois temos também o boxe associado a uma vida bastante boémia, que poderemos dizer que é o retrato de uma época também, que corresponde à forma como o homem, e aqui vou dizer mais homem, e...

Como era criado, como era educado E os valores que lhe tiveram passado E a vivência do que estava ao lado E um bocado aquela coisa Manquici e manquidu, não é? E até tendo em conta que Ele ganhou muito dinheiro com o boxe Depois também o estourou

ele ganhou fortunas e arrebentou outras tantas. Ele, aliás, confessa isso. Aliás, essa vida boémia, o boxe permitiu-lhe também essa vida boémia com alguma folga, não é? Ao desbarato, talvez se possa dizer mesmo assim.

Mas a forma, e agora falavas aí dessa resistência quase poética que podemos observar na relação dele com este desporto. Ele diz que é um desporto para... O boxe é para os guerreiros, ele não diz era para os guerreiros, ele diz é, portanto é o presente. O boxe é para os guerreiros, é para os inteligentes, é um desporto sábio, portanto ele vai sempre desfiando aquilo que para ele são não tanto as manhas, mas as virtudes.

A verdade é que para quem está a ver pode não perceber isso, mas o boxe acaba por ser quase como um jogo de xadrez, ou seja... Só que a vez de ter jogado só com a cabeça... É jogado com o corpo, porque é preciso estar sempre a antecipar não sei quantas jogadas à frente. Eu faço isto, como é que ele reage, como é que eu reajo ao que ele vai reagir, como é que eu contraponho... Portanto, é realmente preciso de alguma inteligência para se conseguir ser bom no boxe. Aquilo não é só bater, não é só lançar as mãos.

Há todo um jogo de... Cintura. De cintura e de... E de cabeça. E de cabeça, sim. Essencialmente de cabeça. Eu até fui aqui buscar uma frase que é tida como uma frase mágica do Muhammad Ali, em que ele dizia que neste desporto é preciso flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha. It's a thing like a bee.

E é um pouco isto que nós conseguimos Também observar Neste documentário Essa dança, como eu falava há pouco É sempre uma dança com a outra É sempre uma dança com a outra É isso mesmo É exatamente esse desenho Do Mohamed Ali É perfeito Para perceber o que é esta coisa De estar em cima de um ringue

E jogar Ao contrário do Orlando Que ele acha que qualquer pessoa Pode ser bom no boxe Ou pode ir para o boxe Eu tenho para mim que não é bem assim Eu acho que para ser um bom boxeiro Ou para ser um bom fadista Tens que ter nascido

numa certa condição, num certo lugar e passar por certas vivências para chegar lá, para perceber o que é que é e o Orlando vem daí eu acho que essa é a grande razão pela qual

se destacou dos outros. Sim, e de uma forma também consensual, porque não há quem não reconheça o seu mérito. Sim, toda a gente reconhece o mérito no boxe. Mestre Orlando, para qualquer pessoa ligada a este esporte. Como é que é o Orlando hoje? Vamos acompanhando?

o seu dia-a-dia, os seus ritmos, também as suas memórias, e por isso eu falava nessa vida boémia de há pouco, cinco filhos, todos de mulheres diferentes. Não que isto seja necessariamente um traço. São mais. São mais. Eles eram muitos, mas como há tantas já estavam noras, genros, netos, netas... Bisnetos. Posso não estar a ser precisa.

No número de filhos, e peço desculpa ao Orlando Jesus Se eles tiverem ouvido isto Porque ele é filho, é sagrado E aos filhos também Mas como não estou a dizer nomes Embora me permita dizer um deles Que é o único que segue as pisadas do pai De uma forma tão... Há uma filha que também é árbitra Ah, que é árbitra, sim Sim, o Orlandinho Júnior, não é? Júnior Foi campeão também, foi campeão nacional E hoje é treinador E treina também

Novos talentos Esperemos que algum venha a ser campeão em breve Eles, aliás, continuam a treinar juntos Pai e filho Continuam de vez em quando a fazer as suas corridas Isso é bonito E a conversarem um com o outro Tirar dúvidas O Orlando Filho Ele praticamente nasceu Num ringue Ele começou muito novo

O pai calçou-lhe as luvas muito cedo Ele começou muito novo a treinar Percebe o boxe E percebe este desporto De uma maneira diferente Da maioria das pessoas Que acordam mais tarde para estas coisas

A minha referência ao facto de ele ter os filhos e de ter uma relação muito próxima com a família, de mulheres diferentes, não é para fazer nenhum juízo de valores, para sublinhar essa relação de afeto tão próxima, porque ele podia ter se perdido nesta coisa dos afetos, não é? Há ali muito amor, percebe-se? Há, há, há, há completamente.

O que me interessou mais no filme e o que eu gosto do filme é isso. É que não é uma história de boxe. É uma história de alguém que sobrevive graças ao boxe e de alguém que tem uma vida e uma...

E que nos mostra uma cidade fruto daquele tempo e daquelas vivências. Não tanto da parte esportiva, mas onde é que aquilo levou, não é? Como é que ele se formou como homem à volta disto tudo. Sim, ele até é o fato canta. Ele até é o fato canta, é um fadista. De alma e coração, não é? É, completamente.

Podemos dizer que a figura do Orlando Jesus, agora esquecendo que é o boxe, podia ser outra coisa qualquer, é uma das últimas figuras que ainda nos permite ver esta Lisboa que foi? Poderíamos dizer que é um dos últimos dos moicanos, nesse sentido, acho que sim. Terá sido, se calhar, o último grande rei daquela noite lisboeta de Bafon, dos anos 70, 80. Sim.

E fazendo zoom um pouco mais sobre a Lisboa, que é também um dos objetivos deste documentário, o Diogo, nestas histórias que vai construindo sobre pessoas, mas também sobre a cidade, aquelas que são... Sobre os locais, sobre as vivências. Como é que um realizador, que também nasceu numa certa Lisboa, olha hoje para a cidade, se move na cidade, que preocupações tem em relação à cidade?

Bom, eu tento não estar resignado. Essa é a minha tentativa. E se calhar contar estas histórias, ou esta vontade de contar estas histórias, tem a ver com isso, com não querer deixar de sonhar, como Lisboa que seja nossa, não é?

Um Lisboa que não seja feita para turistas, que não seja feita para quem nos visita, também pode ser feita para eles, mas que primeiro seja feita para nós, que cá vivemos. Não sei, eu vejo, sinto uma certa nostalgia da cidade.

Que não é aquela coisa saudosista Não tem nada a ver com isso Tem a ver com o ver que não há Por exemplo, para os meus filhos Não há Vida cultural noturna Que eu tinha na minha altura Não há agora da mesma maneira Está mais fechado As coisas estão mais gentrificadas As pastelarias são todas iguais Os cafés são todos iguais É tudo feito Graças!

Para alguém que eu não sei quem é. Para nós não é seguramente. Até pelos preços das coisas, para nós não é seguramente. Sendo certo, e agora falaste aí nos filhos, e portanto aproveito a boleia, o Sebastião... E o Gaspar. Aliás, o Gaspar também tem uma curta participação aqui neste documentário.

com a sua guitarra, eles próprios, acredito eu, apesar da sua juventude, sentirão diferenças, porque eles também cresceram como tu, na rua, com aspas, não é na rua que eu quero dizer, mas sim, a brincar na rua e a beber essa cultura, essa cidade. Eles tiveram a sorte de ainda poder brincar na rua, também.

Em ver com o sítio onde nós vivemos e onde eles cresceram Em que isso é possível e ainda hoje acontecer Não é uma coisa cada vez mais rara em Lisboa As crianças não podem estar a brincar na rua Mas sim, eu acho que eles foram vendo a transformação da cidade Especialmente nestes últimos 10 anos É gritante Por exemplo, vamos à Alfama Vamos à Alfama Alfama é uma coisa para turistas Já não tem quase ninguém a viver lá de lá

E com malfama está quase o resto da cidade. Quer dizer, os lisboetas cá vivem, vivem, mas depois quando vão sair à noite, ou quando querem ir a um restaurante, ou quando querem ir a um café, as escolhas estão cada vez mais limitadas, porque cada vez a coisa está mais transformada para quem visita a cidade e não para quem vive cá. E isso mudou, por exemplo, os teus hábitos? És mais hoje em dia um homem de casa do que de fora de casa, por exemplo?

Eu sou mais de casa, sendo que casa tem a possibilidade também de ter rua. Mas isso lá tem a ver com o sítio onde eu vivo. Mas sim, prefiro estar junto de amigos, ou na minha casa, ou na casa deles, do que sair à noite. Faço esporadicamente.

Se calhar também tem a ver com a idade Vamos ficando cortes Sim, mas tendo essa proximidade com os filhos Eu não sei se eles ainda vivem os dois Não, o Sebastião já não vive connosco Se bem que está perto E estamos juntos regularmente O Gaspar ainda vive

Estando eles na música e no caso do Sebastião, que também tem no cinema um olhar próprio sobre a vida, como é que é esse diálogo, ter essa juventude, esse olhar fresco ali à mão de simiar?

Claro, claro, claro. Há muita coisa que eu vou conhecendo através deles. Estou muito atento às coisas que eles trazem para ver, para ouvir, para falarmos, para discutir. Nós somos uma casa que existe sem televisão na sala, que é uma coisa que as pessoas quando lá entram ficam muito...

Estranham muito isso Nós sempre privilegiámos o espaço comum Como um espaço de conversa Ou de diálogo De escuta, de música E eu acho que isso sempre foi bom Para mim e para eles Para nós, não é? Todos crescemos muito como pessoas Com esse convívio e com esse diálogo E estou sempre a beber do que eles me trazem

Apesar da dependência cada vez mais louca, que todos nós, sem exceção, nenhum de nós pode pôr de fora, que temos do digital e dos ecrãs. Essa ligação com a arte, nas suas várias formas de expressão, é também uma forma de combater.

É, ou seja, nós nunca perdemos a capacidade de ler, de ver filmes, de ouvir música. Portanto, o digital está lá, mas o resto também. E todos, o Gaspar, Sebastião, eu e a minha mulher, vivemos bem com essa mistura. E, aliás, soldamos essa mistura. Bom, e ainda vais ao boxe?

Menos, agora menos. A idade já pesa um bocado. Quer dizer, para o Orlando não pesa nada, mas tenho estado com uma lesão no ombro que me tem impedido de... Tem a ver com a câmera também? Estive só a ver com o boxe. Ah, então teve mesmo a ver com...

O boxe para mim funciona como uma descarga de más energias. Gosto do treino, da preparação física. Gosto muito do saco. O saco tem sido muito amigo de muita gente. Devemos todos ter um saco em casa, não é? Eu acho que sim. Faz muito bem à saúde mental. Liberta as energias negativas.

É um bocado como o surf também faz isso. Há aí outras coisas que as pessoas gostam de fazer. Eu acho que no geral o desporto tem essa coisa boa. Estamos em movimento? Estamos em movimento e estamos a libertar más energias. Estamos a mandar fora o que não nos interessa, o que não precisamos cá dentro.

Eu estava a fazer esta pergunta porque li, ouvi, já não sei dizer, com certeza, e não sei onde mesmo, estava aqui nesta hesitação porque estava a tentar lembrar-me assim, mas de facto não consigo, em que havia um comentário qualquer dizendo que o Diogo Varela tinha ido para o boxe.

Para perder a barriguinha, mas não tem nada a ver com isso Por acaso, quando voltei Então está certo Isso foi o Orlando que disse Foi ele, exatamente Ainda não a perdi totalmente Não, mas a minha pergunta vem daí É que podia ser apenas Esse o objetivo e percebo agora Com esta nossa conversa, coisa que não sabia Não, que o boxe faz mesmo parte da tua vida Desde cedo Desde miúdo, muito influenciado Porque foi o desporto que o meu tio fazia O meu tio avô O meu tio avô

Foi o desporto que o meu avô, Varela Silva, fez Portanto, desde miúdo sempre tive o fascínio do boxe E comecei cedo a treinar O primeiro clube onde treinei também foi no Rio de Janeiro Ali no bairro Alto, ao lado de onde era o frágil Depois, pronto, depois... Foste por aí fora? Fui por aí fora e bom filho à casa torna Sobre o documentário Curiosidade Minha O Orlando Jesus, gostou do que viu?

Sim, estou e está contente. Está contente de ficar algo que os netos ou os bisnetos possam olhar e perceber quem é que foi esta pessoa.

Não ficar tudo só naquele álbum que ele guarda. Religiosamente, que a mãe lhe fez. Que a mãe lhe fez. As mães, sempre. As mães com esse cuidado, guardando cada recorte de imprensa e cada fotografia. E são muitas, devem ser muitas, não é? Ah, claro. Ele começou muito novo. Foram anos e anos e anos de carreira.

E esteve sempre nos pinkers, como se costuma dizer, e isso também ajudará a que o continuem a procurar tanto os mais jovens e a acreditar, de facto, nos ensinamentos dele, tendo em conta o seu percurso. E isso também diz algo sobre a pessoa dele, não é apenas porque é um bom desportista, um bom boxer, terá nele essa capacidade de chegar ao outro.

Ele adora ensinar, ele adora ter os alunos mais novos e está-lhes a explicar como é que é, está-lhes a dar-lhes a educação sobre o desporto e como é que se joga isto, o que é que é isto de jogar boxe.

Percebe-se no olhar. O olhar permanece ainda. Ainda são dois faróis, não é? Eu ainda este fim de semana fui ver uns combates que ele teve a arbitrar e é lindo ver a maneira como ele vê aquilo tudo. Como ele se movimenta, não é? Mesmo como um árbitro. Mesmo como um árbitro. Há ali pequenos momentos no documentário que se percebe que ele quase que antecipa o que é que o atleta vai fazer. Vai fazer, não é? São muitos anos.

E é muito bonita a forma como ele... Enfim, não quero estar a contar o filme, mas é muito bonita a forma, penso que isto posso dizer, como ele encaminha um derrotado num combate para aceitar aquela derrota de cabeça erguida. Sim, eu também gosto muito desse momento. E esse momento é...

É uma fotocópia perfeita do caráter do Orlando, não é? É, se tivéssemos que tirar uma única fotografia sobre aquela pessoa, eu acho que ali naqueles segundos, naquele momento, está lá uma vida inteira. É, é. Acá também é um dos meus momentos preferidos do filme. Gosto muito desse...

Porque acho-se muito bonito, acho-se muito carinhoso Acho-se de uma delicadeza Que em princípio não estaríamos à espera de ver Em alguém que ganhou a vida a combater

Sim, mas também da dedicação não só ao desporto, a este desporto em particular, que é o seu desporto, o seu dele, mas a forma como nos devemos relacionar com o outro, estejamos no topo ou cá embaixo. Exatamente. As tais regras de que falavas há pouco, a tal ética de que falavas há pouco, tem que estar ali e, estando ali, ela estará seguramente noutros planos da nossa vida. Bom.

Soco a soco, brevemente, nas salas de cinema portuguesas, mais concretamente a partir de 14, esperas muita gente, pouca gente, assim assim gente? Eu gostava muito que as pessoas... Eu pergunto isto, já agora, antes de perguntei, e já deixou interromper, porque chegaste a dizer que preferias que este...

género de filmes em particular tivesse passagem pelas salas de cinema de uma forma que não é exatamente esta teria mais proveito e mais gente nas salas de cinema, ou seja, em vez de estar ao mesmo tempo em todas as salas de cinema que os documentários fizessem uma espécie de turné pelas salas de cinema Eu acho que isso é um problema do cinema português em geral, ou seja, nós não m m m m m

A maneira como o Instituto de Cinema vê a estreia de um filme português, acho que não é abonatória para os filmes portugueses. Estamos em concorrência direta com blockbusters da América, ou seja, estamos derrotados à partida.

Não sei se é mais importante estar uma semana inteira numa sala ou se fazer algumas sessões especiais, específicas e concretas e em mais sítios. Acho que seria mais vantajoso. E ter essas salas cheias, não é? E ter essas salas cheias, claro.

É esse o objetivo também quando se faz Quando faço filmes é pensar que as pessoas O vão ver É para as pessoas verem Eu não faço aquela coisa Eu faço os filmes para mim Sim, eu faço os meus filmes Mas não são para mim Depois de os ter feito, eles estão feitos São para as pessoas

Para o público e ver Essa é a minha pretensão E eu acho que Quem gostar de cinema Não tem obrigatoriamente gostado de boxe Que isto não é um filme Este filme não é um filme sobre boxe Também é, mas não é um filme sobre boxe Acho Na minha modesta opinião Acho que irão gostar de Ficar a conhecer melhor a história do Orlão Jesus

E manter-te no cinema, hoje em dia, é algo que exija esta resistência que nós podemos pressentir aqui no soco a soco, sempre na luta? Sempre existiu, e aliás, infelizmente, não antevenho que venha a mudar a maneira como estou no cinema, ou seja, continuo a ser o eterno sonhador.

Não desisto de sonhar. Há muitas histórias que eu ainda quero contar. Há muitos filmes que eu quero fazer. Mas é sempre na luta. Não há uma outra maneira. Somos muitos e há muito pouco dinheiro disponível para os filmes. E parece sempre que há um clube de bolinha no cinema. Há uns clubes.

Eu tenho tato sempre do lado de fora dessa barricada, mas tudo bem. Estou cá, faço as minhas coisas com mais dificuldade, menos dificuldade, mas tenho feito e quero continuar a fazer. Quando falamos de dificuldade falamos sobretudo do financiamento, não é? Só do financiamento, claro. Essa é a grande dificuldade do cinema português.

Próximos projetos? Como produtor estou a produzir um documentário que é o Esta Vida de Marinheiro que é sobre o João Aguardela um filme realizado pelo Paulo Miguel Antunes que esperemos conseguir estrear no DOC Lisboa se tudo correr bem Já este ano? Sim, o filme já está no final deste ano

Que Sudoc quiser o filme Vamos ver Estamos a fazer o filme com esse intuito E em setembro O avanço para a rodagem De um próximo filme Será um filme sobre As vendimas E a vida de quem trabalha a vinha No Douro Vinheteiro

No fundo, vais mantendo um pé nesta forma de agarrar-se na história de uma pessoa para contar-se uma história, ou várias histórias, e outro em que vais procurar as tradições.

Sim, no caso do intrudo de Lazarim foi um bocado Sim, mas as vendimas fazem parte do património português, não é? É a vida daquelas pessoas, é isso que me fascina A vida de quem trabalha a vinha Não tanto a vinha em si Sou grande ameaçador do vinho também Mas é as pessoas São sempre as pessoas, não é? Eu acho que de uma maneira ou de outra Vamos sempre parar às pessoas Graças!

Diogo Varela Silva, obrigada por seres pessoa para isso. Obrigado. Este programa fica disponível em antena1.rpb.pt e nas habituais plataformas de podcast tem o cuidado técnico do Filipe Pinto e a produção da Cristina Condinho.

Diogo Varela Silva | Castnews Index — Castnews Index