Episódios de Seja Como For

T2 #25 - Novas gerações de artistas, 10 anos de cenas, comunidades pt. 29473, bué cenas para variar

01 de maio de 202654min
0:00 / 54:24
Assuntos6
  • Geração de Renda para Novos ArtistasSemana Académica de Aveiro e Mário · Volatilidade do público jovem · Democratização da produção musical · A ascensão de Ticha no trap · Achi e Valdir
  • Festivais de MusicaSuper Bock Super Rock 2004 · Rock in Rio e isenções fiscais · Chiquenique e financiamento municipal
  • Dia do TrabalhadorSentido de propósito no trabalho · Redução de direitos do trabalhador
  • Comemorações de 10 Anos de ProjetosRecuperação de temas antigos · Lançamento de CDs a 10 euros · Cerveja Musa e Karaoke · Tupim para Butterfly
  • 25 de Abril de 1974Mobilização popular pela liberdade · Cultura e lazer na Zona Velha · Condução sob efeito de álcool
  • Envelhecimento e LongevidadeMitras velhos e moda · Pessoas com tatuagens na terceira idade · Comunidades paralelas e pontos de encontro
Transcrição147 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Yo! Como é que é? Estamos bem ou não? Eu sou o Miguel. Eu sou o João. Este aqui é o Seja Como For 25, acho eu. 25 de Life. Yeah, acho que é o 25. Estamos aí. Estamos aqui no Parque da Bela Vista. Yeah! Pela segunda vez a tentar esta location que a primeira falhou.

Exatamente, mas desta vez é sério, estamos aí a rolar neste belo ambiente, está um lindo dia de sol, hoje também é um dia feliz, esta é aquela combinação de semanas que simbolizam uma coisa muito importante, que é os valores da democracia e os direitos do trabalhador, hoje é dia 1 de maio, dia do trabalhador, charata toda a gente. Por isso é que nós estamos aqui a trabalhar para vocês.

Exatamente. Trabalho! Hobby! Discutível. Será que ambos? Vamos ver. Faz o que amas e nunca trabalharás um dia na vida. Excepto quando envolve ganhar dinheiro.

Imagina, isso por acaso eu sempre me debati um bocado acerca dessa frase, porque eu faço o que amo, mas dá boi a trabalho. Sim, mas o que essa frase quer dizer é que o trabalho é enjoyable. É, é sim senhora. E que te dá um sentido de propósito. Sim, claro.

que acho que é a parte mais importante do trabalho, seja ele qual for, é esse sentido de propósito. E muitas vezes, infelizmente, na sociedade em que nós vivemos, o propósito do trabalho não é muito claro e não é muito óbvio e nem sempre é benéfico. Pelo menos para o trabalhador e cada vez menos.

Por isso mesmo é que temos que combater este novo pacote laboral com todas as nossas forças, porque aquilo que está a acontecer neste momento é a tentativa de redução de direitos do trabalhador em prol do direito de quem contrata. Tal e qual. Mas nada, barras. Estamos aí, mais um grande episódio a constatar verdades. Mas pronto, vamos aqui começar pelo básico. Diz-me uma cena, Michael, tu tens algum evento notável desta tua semana?

Tenho. Conta-me acerca disso. Prof. Jam, Semana Académica de Aveiro.

Ah, também já toquei semana académica da Aveira Foi o meu primeiro do ano Com o Mário Porque o anterior foste tu em vez de mim Já fui eu ali em Loura Foste tu fazer de mim E já tinha muitas saudades de andar na estrada com este projeto Porque é sempre interessante ver Neste momento Por acaso, se não me engano Vai haver show novo para o próximo Porque está aí Qualquer coisa na calha para o Mário Mas Foste

está aí algo no pote é interessante porque o último disco do Mario se deu há o quê? Quase 3 anos? espera, foi o MDID, eu creio que isso foi em 2023 acho eu ou 2024, não tenho a certeza ou então já fez 3 anos e é interessante ver como é que não só esses temas como todos os outros antigos

se mantém no imaginário especialmente dos jovens que é um público mais volátil que todos os anos que tem acesso a novos hypes e a novas cenas. Sim, está sempre a renovar. E o Mário consegue tocar nas pessoas a um nível muito intenso, importante, espiritual é um grande artista e é um prazer fazer parte da estrutura e testemunhar estas coisas ao vivo sem dúvida.

É engraçado que tu menciones essa questão da volatilidade ou da imprevisibilidade do público jovem, não é? Porque se renova, não é? As gerações mudam e os gostos mudam. E eu ainda, ontem ou hoje, não me recordo, foi ontem, foi ontem, vi um vídeo, vi um TikTok, estava a scrollar no TikTok no metro.

e vi um TikTok da contracultura em que um monte de jovens entrevistados aleatoriamente na rua, suponho eu estavam a falar de quem é que eram os próximos a dar blow up os próximos rappers portugueses que eram as apostas destas pessoas e é engraçado que eu não conhecia todos os nomes Estamos a ficar velhinhos, boy Obrigado

Eu também tenho perdido como o meu trabalho já não passa por aí tenho perdido menos tempo a escavar tipo as profundezas do underground E não só, cada vez mais, há mais artistas emergentes, porque a produção musical de vídeo está altamente democratizada no sentido da capacidade de produção Sim, é verdade e eu sinto que por um lado Ouça, toda a gente quer ser artista, já ninguém quer ser eletricista F White

Mas olha pessoal, não vou mentir São precisos eletricistas Hoje em dia, eletricistas Might change to that Canalizadores, estás a ver Trolhas Talvez abra um negócio nessa área Sim, era, já viste o que era? Cabos elétricos Caixeiro

O Electronite. Electronite. Venham receber os vossos Electronite. Ah, o Electrolite e o Electronite. Mas é engraçado falar-lhes nisso da nova geração, porque, de facto, aconteceu um momento de nova geração nesse evento. Porque, a seguir a nós, o que também é curioso, porque antigamente, antigamente, no nosso tempo...

aconteceria ao contrário, seria o artista mais upcoming a abrir para o headliner e neste caso foi ao contrário, o Mário foi o headliner foi a uma da manhã, que já não é cedo e a seguir foi o act upcoming, que foi a ticha shout out à ticha

E a equipa dela também. Eu e o Mário estávamos a observar o concerto do lado e estávamos assim com um sorriso na cara, quase como os pais que veem a filha aí para a universidade, sabes? Porque a ticha entrou, entregou, rebentou, tinha crowd, já com cartazes.

bocados de músicas delas e dá shout-out é isso e ela a tirar bandeiras de merch e o pessoal a ficar todo crazy tipo, a Tisha, naquele concerto eu senti ela já estava rising, né? e já tinha tido algumas aparições em alguns eventos públicos, mas

Tu sabes que enquanto upcoming rapper Quando tens um bom momento No mercado académico Tu sabes que está popping Estás a começar a ficar estabelecido Sim, sim, sim E eu acho que esse momento foi o que aconteceu À Tixa em Aveiro Que é sempre um grande público A Semana Académica de Aveiro é sempre um grande público E quero dar shout-out à Aveiro por causa disso Fomos sempre muito bem recebidos E já lá fomos ao longo de Se calhar 10 anos, mano Várias vezes Ficou

Eu não consigo ouvir a combinação de palavras Dez anos sem ouvir Dez anos na minha cabeça Há gajos que só puderam expressões Mas pronto, charalta a tixa, também estava lá o Achi Estava lá o Valdir, claro E charalta toda a estrutura que está a trabalhar muito bem E é muito importante E se calhar inédito

ou pelo menos desde a Capicú haver uma no trap acho que é inédito uma voz feminina no trap que tenha a linguagem do trap e que esteja a liderar um bocado a geração que está de igual para igual e que não é tipo

está aqui a geração e depois há esta gaja não, é tipo, está de igual para igual sim, sim, sim é engraçado por falares também nos 10 anos que estás na estrada com o Mário e que se está a fazer acontecer isto, eu esta semana também assinalei com um pequeno post nas minhas redes sociais é...

O que é que eu estava a fazer em 2016, 2017 e fiz aqui um recuperar de temas antigos que eu sinto que estava na hora, passaram...

um já fez 10 ou está na iminência de fazer 10 os outros farão 10 para o ano mas já estava na hora de trazer esses temas de volta eu sinto que o ponto que eu queria fazer com a ausência deles já foi feito então está tudo ok e fiquei feliz de ser recepcionado de uma forma calorosa

fiquei contente com a reação do público e é engraçado que naturalmente em termos numéricos não tem tanta expressão quanto algo que é novo não é? mas até fiquei satisfeito porque não ficou muito atrás

de lançar um tema novo, pá, e estou contente por que o pessoal tenha recebido calorosamente um fotógrafo. Eu tinha a ideia que já muita gente tinha pedido para tu fazer sesões online. Muitas vezes ao longo dos anos, muitas, muitas. Até que já estava numa fase em que hoje em dia já eram raros os pedidos, porque acho que o pessoal meio que já tinha desistido. E é aí que tu lhes das, pau. Exato, e é aí que eu, agora que já ninguém me está a chatear com isto,

agora só por ser do contra você é meio gajo tóxico uma beca não mas sabes porquê? porque eu sinto que não faria sentido comemorar esses 10 anitos e as cenas não estarem disponíveis

Era um bocado estranho, tipo, para mim, eu estar a falar de uma coisa que já não estava acessível ao público e eu sinto que como a transição do AKA prévio para o meu nome civil, sinto que...

está cada vez mais confirmada e menos questionada e essas coisas todas sinto que já é possível fazer certas coisas novamente e é quase como, estás a ver quando se calhar artistas lançam projetos de B-sides ou de versões de faixas que nunca tinhas ouvido antes ou de demos e assim de coisas. Eu fiz...

Isto para mim foi a minha versão disso. Olha, já eu vou fazer a celebração dos 10 anos de justiceiro da seguinte forma. Encontrei ali um lote de CDs em casa da minha mãe. Jura? Perdido.

Já não sabia que os tinha. Então vou pôr 10 CDs a 10 euros para festejar os 10 anos. 10 anos, exatamente. Dezes de 10 de 10. É engraçado que há mais coisas que fazem 10 anos este ano e não queria aqui estar a passar publicidade, mas acho que posso fazer, tendo em conta quem são. A Cerveja Musa faz 10 anos também. Faz.

Cerveja Musa nasceu ao mesmo tempo que o meu projeto assola oficialmente em álbum e como tal irei lá fazer um karaoke no evento, um karaoke mágico fica aqui já o exclusivo que ainda não anunciaram Toma Mas as pessoas aqui deste podcast são privilegiadas É verdade, é verdade Este é o nosso insider trading Tupim para Butterfly faz 10 anos Ah pois é, não, é 2016 pensava que era 2015

[trecho inaudível]

Ali no Parque Tejo, pá. Aqui em Lisboa. Já não posso dizer Parque Tejo porque agora o Parque Tejo refere-se... Ao outro lado. À infraestrutura criada pelas Jornadas Mundiais da Juventude, mas sim. O Parque das Nações. O Parque das Nações. Eu também. Eu gostava do Superboc aí, até porque vem num sítio nostálgico, porque a primeira vez que eu fui ao Superboc, Superrock, foi em 2004.

Damn. Uau, já há, bué, já há 22 anos. Quem é que estava nesse cartaz?

Estavam algumas coisas super interessantes. Foi o ano do Pharrell? Não me recordo. Acho que não, acho que isso foi 2006. Eu sei que foi o ano de Linkin Park, Korn, não me lembro se tinha sido Muse nesse dia ou não, mas até podemos consultar aqui muito rápido porque eu não me lembro de todos os atos que vi, mas lembro-me desses dois. Eu lembro melhor de anos...

já nessa altura só ia aos festivais ao dia do hip-hop e fui ver o Pharrell e depois a seguir foi o Patrice e nesse dia havia um palco de Footmoving Records ah, pera, pera não foi o Pharrell foi Nerd que é quase a mesma coisa ou seja, eu estava certo, nesse dia em que eu fui, que eu nesse ano fui só um dia foi Linkin Park, Corn Muse global

depois aqui uns clássicos do New Metal barra industrial Static X e uma banda que eu confesso que não me diz absolutamente nada no sentido de eu não saber mesmo quem são que são os Playmo não faço ideia mas os outros anos os outros dias também estava interessante tiveste Fatboy Slim, Massive Attack Lenny Kravitz, Pixies Nerd, Nelly Furtado, Avril Lavigne tal e qual mais umas coisinhas aqui a colar global global global

e é giro eu também fui no ano sente-se bem o poderio da produção desse festival e como é que por exemplo hoje em dia eu te sinto que acontece uma coisa é que tu olhas para os festivais em Portugal e tu reparas numa coisa que é os cartazes, os artistas internacionais que vêm cá são os artistas que estão em salto

tipo o cartaz de Rock in Rio deste ano é tipo pá, what the fuck is happening por acaso não esperava de todo a 21 Savage como headliner até porque já se documentou que isso não corre muito bem cá em Portugal

Mas isto depois deve haver aí filmes entre produções e agências e cenas e obrigatoriedades contratuais, como no futebol. Tal e qual. Quando chegas a esse game corporativo e te movem milhões...

há certas coisas que tu se calhar nem queres muito fazer mas tens de fazer, e até é apropriado falarmos disso, tendo em conta onde nós estamos até porque já foi o recinto do Login Rio e confesso-vos meus queridos amigos que eu tenho pena que já não seja aqui porque este belo parque verdejante

E a localização em que era, pá, tem pena, mano. Isto do Rock in Rio aqui era fixe, sabes? Agora temos ali a comunidade indiana, nepalesa e pakistana a jogar cricket. Já, exatamente. Que é o campo de cricket mais conhecido de Lisboa aqui. Já. E também acontece aqui o calorama. E o Rock in Rio, interessante.

Porque agora mudou de localização para o Papa Palco. E para além de poupar dinheiro no seu cartaz, também poupa dinheiro porque recebe bordas fiscais do nosso amigo Carlos Moedas. Que deve se dar muito bem com a nossa amiga Roberta.

Mas pronto, nada contra o Roquim Rio. Não, não. É um festival do qual... Só contra a isenção fiscal do mesmo. Sim. Como, por exemplo, um evento que não sei se é hoje, não, é este fim de semana. Não sei se ouviste falar disso. O Chiquenique. O Chiquenique. Que anda aí nas bocas do mundo. Que, para quem não sabe, é um piquenique com banquinhas de restaurantes de luxo que vai acontecer no Parque Eduardo Sétimo. E cujos molhetes custam a partir de 150 euros para cima.

E este evento recebeu 75 mil euros da Câmara Municipal de Lisboa para acontecer. Yeah. Pronto. Vamos deixar essa pairar no ar. Deixamos aqui no ar. Não tem piada, é just something to think about. Como diz o múmico Jeffrey Osman. Só um convite à reflexão. Exatamente. Pensem no que é que 75 mil euros daria para fazer.

Mas olha, por falar em comemorações, tivemos o 25 de Abril, a semana passada. Oh yeah! Muito agradável. Uma nota positiva, porque de facto eu senti que este ano esteve especialmente repleto de gente.

Eu senti que se mobilizou muita gente. Eu acho que muitas pessoas, mesmo de quadrantes mais ou menos escardistas, estão a sentir que é preciso sair para a rua em nome da liberdade. Sempre. Porque a liberdade está ameaçada. Sem dúvida. Eu gostei. Eu gostei do 25 de Abril. Também houve a ausência do contra 25 de Abril, que é sempre bom.

É coisa de assinalar também. E sabes que eu nesse dia, deste 25 de Abril, fui à noite à Casa Capitão. Porque estava lá... Sítio questionável para ir neste dia, mas...

é o que é fui lá porque tinha lá gente conhecida a fazer dj sets e quis ir lá manifestar o meu apoio e aquilo estava mesmo ao barrote como eu nunca tinha visto aquilo ao barrote é bom saber isso estás a ver? eu era para ter feito lá o evento nesse dia mas depois a Casa Capitão optou por outro evento

Sim, e pá, achei interessante porque depois, mano, eu acabei por sair de lá, não assim uma hora muito tardia, mas saí de lá assim por volta da meia-noite, uma da manhã, e foi interessante porque estava lá mesmo muita gente que eu conhecia, charalta toda a gente que estava lá, desde colegas de profissão a amigos.

E eu achei engraçado porque eu nunca tinha saído da casa capitão num contexto destes, ou seja, eu nunca tinha saído da casa capitão depois da meia-noite. E, mano, aquilo estava o barrote, bro. Mesmo para entrar, tipo, do lado de fora, e eu nem sabia que depois da meia-noite tu nem entravas pela entrada normal, entras por dentro.

da fábrica de unicórnios que estava lá uma fila monumental e mesmo na zona da restauração da fábrica de unicórnios aquilo estava ao barrote achei que era uma crowd um bocadinho mais específica e não muito aquela a que eu estou habituado

se é que me faça entender mas achei curioso e não tão positivo não gostei muito de ver o grau da alcoolémia ah mas isso é 25 de abril amigos as pessoas cheiam de casa e ficam shitfaced mas muito mano, imagina eu vi um mini acidente mas isso não é só no 25 de abril eu vi um mini acidente automóvel acontecer lá à porta à pala de de bodeira é tudo bem

Acho que o pessoal está muito entrega o álcool e as substâncias. Ah pá, eu continuo a ficar um bocado perplexo, confesso, quando em pleno 2026 ainda vejo pessoas que vão conduzir muito bêbadas.

Também é uma cultura portuguesa. Porque eu acho que é um grau de irresponsabilidade. Chamado ralitascas. É pá, mas não... Pá, não percebo, mano. Acho que é mesmo muito irresponsável. Pois é, pois é. 100%. Não... Tipo... Não estou a falar de seres, tipo, um bêbado obnóxico daqueles que fala muito. Não, estou a falar de uma pessoa...

que não devia pôr as mãos em algo que potencialmente pode matar outro. E mesmo que tu aches que estás bem, isso é uma arrogância do álcool, estás a ver? Claramente. Com a mínima detenção podes matar alguém.

Ou a ti mesmo. Ou a ti mesmo, sim. Mas aí, pronto, é problema teu, não causa problemas aos outros. Já, mas pronto, fica aqui a minha condenação em repudio de pessoas que conduzem alcoolizadas. Olha, é engraçado, tu estávamos aqui a falar do passar do tempo. Já. E eu, por acaso, tenho estado muito em paz e confortável com a passagem do tempo na minha vida e com o avançar da idade.

Sem dúvida. E eu acho que um fator disso ser pacífico para mim é a minha abertura à mudança. E acho que há certas pessoas que ficam congeladas no tempo. E temos muitos exemplos disso e já falámos disso até filosoficamente e etc. Mas agora estou a falar até mais esteticamente. Esteticamente? Eu até já falei disto aqui.

Mas vou falar outra vez porque eu observei outra vez uma coisa hoje de manhã, que já é a segunda vez que eu vejo esta pessoa ali no meu bairro, que é um Mitra velho. Ah, um antigo Mitra. Não, ele ainda é Mitra. Ah, ok. Ah não, eu pensava que era tipo um Mitra throwback. Não. Porque imagina, o Mitra de hoje em dia já não é o Mitra de 2008. Mas existe o universo Mitra. Exato. Que é tipo, imagina, o que eu vi foi um homem mais velho do que eu, portanto, devia ter...

pelo menos 45 anos pelo menos ou então parecia, e podia ser também da sua vida dura mas estava tipo de cap, bolsa polo e do mentário completo calça-fá de treino e tipo enrolar o que parecia ser um night mas podia não ser, à porta do café 9am e é tipo

É a primeira vez na nossa sociedade Nós estamos a ver mitras velhos Pois é Porque os mitras não existiam Existiam Sei lá Pessoal duvidoso Era o apelidado Xunga O Xunga Mas tinha uma pinta mais clássica Casaco cabidal Cabelo lambido para trás Ainda mais mafa italiana Que é uma coisa que é timeless Claro Hoje em dia não é timeless Tipo imagina O fato de treino da Shane Não é timeless É timed É clocked Percebo Tem data de validade Ficou Ficou

E então é muito interessante ver, pela primeira vez na sociedade, pá, mitras velhos. Assim como é a primeira vez que vemos, por exemplo, nos Estados Unidos, já é uma coisa mais normalizada na terceira idade, porque eles avançaram mais rápido que nós, mas tipo, pessoal com beira de tatuagens, pessoal de lifestyles alternativos, velho. Então tentava ver uma senhora de 70 anos, que era do ciclismo, a falar do ciclismo, é a lifestyle, não de competição, a falar disso.

É muito interessante, o mundo está a produzir pessoas velhas inéditas. Sem dúvida. E é muito engraçado até constatar, por falar em mitarvelho, porque eu também tenho lá alguns na minha zona, e xarote, alguns deles até são...

Pá, tipo, bem vestidos e tudo mais, estou um bocado snob de se dizer, mas acho que alguns até rocam alguns kits, que eu digo, sim senhora, pelo menos tem bom gosto, ou seja, não é tudo da Shane, estás a ver, há pessoal que simplesmente usa aquele Tommy Hilfinger um bocadinho menos...

Isso é o mesmo clássico. Vás a ver, já. Será que ainda existe pessoal da rock à camisa Sakura? Pá. Aquela do rato. Se calhar. Essa camisa benga, não é? Se calhar. E é gir, mano, porque... Imagina, tu já alguma vez viveste numa zona em que o pessoal de um certo lifestyle pausava num sítio em concreto? Tipo, pausava mesmo naquele sítio? Claro, claro. Então, eu agora, lá na minha zona... Aquelas arcadas.

Eu tenho lá um estabelecimento que se está a tornar... Esse sítio. Esse sítio, estás a ver, em que vai lá um tipo de pessoal muito específico lá para a usar, estás a ver, e os gás estão lá sempre, chilling e não sei o quê, e eu fico a pensar assim, pá, é interessante como...

De onde vieram estas pessoas? Eu nunca as vi no meu bairro, estás a ver? E eu fico a pensar assim, será que eles sempre estiveram aqui, mas do outro lado da estrada? Ou será que isto é importado?

estás a ver? Será que isto é pessoal de outra zona que vem descer lá para aqui? E eu fico a pensar como nós já constatámos muitas vezes aqui neste podcast tipo como há muitos completamente paralelos que vivem na mesma interseção mas nunca se cruzam estás a ver? E tipo... Mas também tens aquele fator do pessoal que anda aí a pausar na street que é, oh rapazes encontrei-se pote com litrosa bem barata e de repente FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO FELIO F

Tornou-se uma cena. A horda muda-se para lá. Mas ouve-o cada vez mais. É engraçado que só... Eu nunca conheci tão bem o meu bairro quando conheço desde que o meu filho foi para a nova escola. Por causa de isapé. Não só... Não, isso sempre andei muito. É mesmo concretamente por causa de eu agora conheço muita gente global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global global

Porque os filhos deles andam na mesma escola que o meu filho, estás a ver? Porque escolas, na sua essência, não para toda a gente, mas escolas são acima de tudo para as pessoas da zona. Centros comunitários. Exatamente. Não quer dizer que uma pessoa não possa ir para uma escola um bocadinho mais longe da sua zona de residência, seja porque andava lá antes e trocou de casa, ou porque não havia vagas suficientes na escola da sua freguesia, ou o que quer que seja.

Mas pronto, mas acima de tudo são locais destinados à comunidade que ali reside. E é muito giro porque hoje em dia conheço mesmo boa gente da minha rua, mano. Estás a ver e interagis com eles e tudo unido pela cena das crianças.

Estás a ver? E acho isso muito bonito. Quando dizem que as crianças são o futuro, talvez envolva também essa dimensão. Exato, que é... Agregadores de comunidade e a escola faz isso. Ora isto dá um valor da escola pública.

E acho muito interessante porque estou a falar de todo um monte de pessoas que estão na minha faixa demográfica, estás a ver? Ou seja, estamos a falar acima de tudo de aquilo que ainda é considerado um jovem adulto, pessoal na sua casa.

na sua casa dos 30 pá, quanto muito, finais de 20 é pá, e eu vejo tipo, são bacanos tipo eu, estás a ver, ali com os putos pequenitos e não sei o quê, eu estou lá com o meu filho desculpa pessoal normal sempre um frasear muito polémico não, mas estão ali com os seus filhos e

E acho muito interessante quando eu vou lá brincar com o meu filho, lá com o Rebento e já... pá, agora ele fica a brincar lá com os colegas de escola dele que também são vizinhos da sua rua e eu fico lá a falar com os pais e etc, etc.

E acho muito interessante ali as crianças daquela zona serem ali um fator unificador e um fator que fomenta o crescimento da comunidade e tudo mais. E tipo, o meu filho como já está na idade em que fala e essas coisas todas.

Ele é muito popular ali na rua, ele cumprimenta as pessoas de todos os estabelecimentos, a gente o trata pelo nome e ele diz, ah, olá, e não sei o quê. E é pá, é engraçado como, tipo, eu nunca fui tanto do meu bairro desde que o meu filho foi para a escola pública dali. Muito interessante.

Sabes que por acaso encontrei um ouvinte do podcast em Aveiro, que me veio falar sobre o debate que tivemos a fazer sobre escola e veio dizer uma coisa que é, atenção, se os pais da criança forem uns jagunzes e lhe passarem valores de merda, é responsabilidade da escola como organismo do Estado?

de diluir essas narrativas e de implementar outras mais corretas. Portanto, não é tanto os pais contra a escola, ou a escola é má e os pais são bons, às vezes pode-se inverter a balança também. Completamente. E nesse sentido, queria falar aqui de uma coisa que agora me lembraste, que foi ontem.

Estava a passear de carro pela zona de Belém e Restelo, que é uma zona que a nível de ambiente escolar... Um bocadinho diferente. Um bocadinho diferenciado. E encontrei algumas crianças a sair da escola, de um colégio, pronto, fardo e caraças, e os carros a estacionar para apanhar os miúdos e não sei o quê. E tipo, you just know it. Aquelas crianças são diferentes, mano.

a cara delas os códigos sociais são diferentes o que elas têm é diferente é uma bolha uma bolha de privilégio e tu vês logo isso desde pequenino na cara das crianças porque eles sabem

É muito engraçado que tu estejas a mencionar isto porque eu ontem e anteontem tive mais uma intersecção de mundos diferentes que partilham a mesma, não é a experiência, a mesma atividade.

em que eu tive a consulta dos 4 anos do meu filho lá na unidade de saúde ali da minha zona. Eu fui lá e apanhei a enfermeira e não sei o quê e o meu filho.

estava com o seu kit de cabo verde, devido à sua avó, e a enfermeira disse, ah que engraçado, olha o meu filho também gosta muito de futebol, também tinha um filho pequenino e não sei o quê, e montou-se ali uma pequena conversa acerca da atividade futebolística e da parte positiva que isso incute nas crianças, naturalmente também muita negatividade.

Sim, mas nesse nível de crianças, maioritariamente positivo, eu acho.

Sim e não, em simultâneo. Concordo com o que tu estás a dizer, mas a enfermeira estava a compartilhar que há certas coisas que ela constata da parte de pais de crianças que não são muito apropriadas. O problema são os adultos, mais uma vez. Estás a ver? O problema é como é que os adultos encaram a cultura do futebol. Porque para as crianças é tipo, é ganhar, perder, giro e jogar. Sim, o que importa é jogar, já. Os adultos é, não.

bem, fica merda, estás a ver? Tipo, é uma religião. E ela estava a dizer que, como o filho dela joga aqui num clube aqui nas Redondezas, não joga aqui num dos centrais, joga ali mais para os lados da Odivelas e não sei o quê, e ela estava a dizer que, pá, vê-se que há muitos pais de crianças

que estão ali a tentar que o filho dele seja o próximo Cristiano Ronaldo. Claro. Estás a ver? Isso é um way out. Já? Ou seja, que estão a viver parasiticamente os seus sonhos através das crianças. E cá grandes insultos e tudo mais e coisas que não são muito apropriadas para miúdos tão pequeninos. E ontem tive...

Com familiares, e partilhou-me um familiar acerca da experiência do filho dele, que está também numa escola, aqui assim, de um clube um bocadinho maior, e estava a dizer que, no outro dia, foram jogar contra o Bolenenses, e que ele estava a dizer que ficou muito surpreendido.

pelo grau de severidade com que os pais betos falam com as crianças doblonenses. Sim, mas eu acho que sobre as crianças de meios abastados e de meios privilegiados recai uma pressão muito grande.

E também é daí que vem o facto das pessoas que vêm de mais privilegiadas depois continuarem o ciclo de trauma para a frente. Porque é tipo, não, tu vens de um sítio de grande importância e tens um legado para cumprir. E tens que ser acima dos outros porque nós já nascemos acima dos outros. Ou conquistámos, ou whatever. E isto é para continuar. Tu não vais ser um Zé Ninguém.

faças o que fizeres, tens que ser melhor que os outros e foi essa a experiência que estavam a partilhar comigo imagina que tipo de adulto é que essa narrativa cria

Não há um adulto muito funcional, creio eu. Tens o adulto que depois quer sempre cumprir essa narrativa e tens o que renega totalmente essa narrativa sendo um que se afoda. Mas mesmo assim, ambas pessoas partilharam que as piores experiências...

a jogar muito a favor do estereótipo mas dizem que as piores experiências como pais de miúdos é com os miúdos que jogam no Benfica ele diz que os miúdos não é sinónimo de privilégio

Não, não, não, mas aí é mesmo pela cultura clubística, estás a ver? Pela pressão que é jogar no Benfica também. Eles dizem que não é mesmo saudável a forma como... Pá, mete o teu filho no Badminton, mano, caga no futebol.

Não me metas o teu filho numa cena desportiva que já com ambições de profissionalismo e ser milionário, tipo fuck it, se for, é, tipo o Ronaldinho Gaúcho chegava na rua, mano, estão-te a ver? É a cena de, tipo, coincide com o facto do futebol

Tem algumas vantagens, pá. Também é um desporto que tem muitas condições porque tem muito investimento. Pois é verdade. Estás a ver? É um desporto que francamente é divertido. Mas como indústria é bué sinistro, mano. Pois é, sem dúvida. E acho um bocado estranho, não é? Pais de miúdos de 4, 5 e 6 anos. Tem que ser, começa-se pequenino, mano.

estarem a dizer aos seus filhos sou atrasado e não sei o quê eu lembro-me quando eu jogava o que é que tu fizeste quando eu jogava o básquet no Atlético um dos miúdos da minha equipa era filho do treinador coitado se tanto pode ser bom como péssimo o treinador foi jogador também

e a pressão que aquele homem metia no filho o filho era o base da equipa era quem transportava a bola e quem fazia as jogadas vamos falar de iniciados miúdos com 10, 11, 12 anos o miúdo tipo chorava começava a chorar a meio dos jogos com o pai a gritar com ele porque o nosso treinador não era propriamente brando com toda a equipa mas com ele era mesmo severo não perdoava nada mas com o pai a gritar

E o miúdo vivia sob uma pressão horrível. E lá está. Acho que o homem não fazia por mal, mas ele estava a depositar o seu próprio, talvez, insucesso no filho, estás a ver? Sim, sim, sim. E aquilo era mesmo bizarro. E o desporto tem um bocado esse lado... Esse lado marado. Mas isso também pode acontecer fora do desporto. Pode acontecer, por exemplo, a nível de se o teu filho tiver a tua carreira. Sim, sim, sim. Esse tipo de dinâmica.

Não, o que não falta aí são pais a exigirem ou a colocarem estandartes absurdamente altos e expectativas irrealistas sobre as atividades dos seus filhos. Mas também é um espectro, não é? Que é tipo, imagina, pelo menos eu penso assim, o teu filho sim. E existe um bocado esta narrativa de que as pessoas têm que ser felizes e fazer o que quiserem, ser independentes e cada um tem o seu caminho, certo?

However, acho que existe aqui um espectro em que é aceitável os pais aconselharem os filhos a tomarem certas e determinadas decisões porque já cometeram erros e não querem que os filhos cometam os mesmos erros e que percam tempo e que percam oportunidades. Dito isto, não podes obrigar o teu filho a ser uma coisa que ele não é. Concordo. Mas acho que existe também uma pressão social fora da família para que os filhos...

saiam, fujam ao passado e comecem uma nova coisa para eles e acho que se calhar podia haver uma maior tendência para a continuidade daquilo que foi construído pela geração anterior, estás a perceber? Por exemplo, se tu abris um restaurante se calhar o teu filho não vai querer trabalhar nesse restaurante mas olhando para a economia olhando para o mundo se calhar a ser a mais sensata ele continuar aquilo que deu tanto trabalho a construir e que garantiu que ele conseguisse ir para a escola e etc, estás a ver?

Eu percebo o teu ponto, mas ao mesmo tempo, deixa-me só aqui situar-nos em termos de horas, mas ao mesmo tempo eu percebo que os próprios pais não queiram também... Sim, querem uma vida, entre aspas, melhor. Forçar os seus filhos a terem de fazer o mesmo que eles fizeram.

Mas acho que é importante ensinar que as coisas vêm de um esforço e de um trabalho e que às vezes temos que fazer nem sempre o que queremos para conseguir depois atingir aquilo que queremos. E acho que hoje em dia tenta-se equipar muito essa parte da vida e vender uma narrativa, pelo menos eu acho que a minha geração foi vendida uma narrativa de que se nós fôssemos para a faculdade podíamos sonhar com o que quiséssemos e ser o que quiséssemos.

imagina, eu concordo a 100% com isso no meu caso obviamente se era mentira fui totalmente defraudado porque assim que eu entrei na faculdade houve o grande crash do mercado que arruinou as expectativas eu não entrei na faculdade nessa altura mas entrei no mercado de trabalho foi semelhante

Olha, eu lembro-me muito bem, muito bem, de estar na sessão da apresentação do curso, que estavam lá reunidas, reunido a totalidade de alunos que tinham acabado de ingressar nesse ano, e estavam lá.

Meia dúzia dos professores das cadeiras e não sei o quê. E estavam a falar um bocadinho do curso, a quem é que o curso se destinava, o que é que o curso se propunha, acima de tudo o que é que o curso era e o que é que não era. Pronto. E no fim, ele, lá o coordenador do curso, disse assim, já está? Alguém quer fazer uma pergunta?

Algumas pessoas colocaram algumas questões e eu, esportilhão, disse assim, assim, olha, eu estou curioso, qual é que tem sido a taxa de empregabilidade disto no último ano, por exemplo? E ele disse assim,

Epá, pois, nós no último ano que eu saiba, houve três pessoas que entraram no mercado de trabalho. Eu numa sala, pai com 60. E ele disse assim... Não sei o quê, 1,5%? E ele disse assim, e se não estou em erro, acho que foi porque houve duas pessoas que entraram para uma licença de maternidade.

e eu sim se calhar fui um positivo errado mas houve um bocado este mito de que a faculdade nos iria dar uma vida e esse mito foi completamente anulado assim que chegámos à idade adulta muita gente se safou dessa forma mas também mais gente não se safou dessa forma eu acho, porque o mercado de trabalho foi de Lopes

Eu acho que a cena mais importante da passagem de conhecimento, porque as universidades existem essencialmente para te formar numa área, para tu ir trabalhar para essa área e para seres eficiente nessa área. Sim. E depois existe também o lado mais de humanidades, que esse lado eu acho que é o mais importante no sentido em que, a coisa mais importante que podes transmitir a nível de conhecimento a outra pessoa, para ela poder fazer uma escolha informada sobre quem quer ser e como quer viver, é como é que o mundo funciona.

Sem dúvida Tipo, ok Não te preocupes que se tu fores boa pessoa vai correr tudo bem Decisionarete, estás a ver E isso é uma coisa que tu, embora tu queiras passar esses valores a uma pessoa Estás a desinformar a pessoa É tipo, olha, o mundo funciona desta forma E tu, dentro deste framework Tens várias opções O que eu acho bacana é ser boa pessoa Mas há aqui várias opções, estás a ver Há várias coisas que tu podes priorizar Há várias builds que tu podes priorizar Exatamente, há várias coisas que tu podes priorizar na tua vida

E a mais importante de todas, no fim das contas, é a sobrevivência, estás a ver? E não só, e a manutenção dessa sobrevivência minimamente confortável para as gerações vindouras, se tu quiseres procriar. Não sei, acho que a compreensão do mundo é a coisa mais importante, é muito mais importante do que aprender a mexer no autocado, estás a ver?

Se bem que se quiseres ser engenheiro civil eu me deixei no autocarro Mas não era anymore, porque agora é AI Ou seja, tu agora se queres ser engenheiro civil tens que saber falar com a AI Olha, por acaso ainda bem que tu puxas aqui e queria só fazer aqui uma pequena nota de parênteses antes de seguir em frente com o Google Não, eu já terminei

Não, mas eu quero complementar isso, mas queria só dizer que está aqui uma criança a aprender a andar de bicicleta. Let's go! Que é uma coisa que com certeza orgulhará muito o Miguel. E sim, e é mais uma coisa importante que os pais devem ensinar aos filhos. Sem dúvida. Como se moverem a mais de 20 km por hora sem ter que entrar no mercado automóvel e no mercado petrolífero. De uma forma ambiental e ecológica. Exatamente. Mas pronto, falando em AI e mais aqui uma vez saudando os nossos irmãos chineses,

Esta semana houve uma grande vitória num tribunal civil chinês em que o tribunal, numa decisão sem qualquer tipo de precedentes, forçou uma empresa a indemnizar um trabalhador por ter despedido o trabalhador por supressão do posto de trabalho dele em prol da AI.

Digam-me, meus amigos, se isto é errado. Digam-me se isto vos cheira a falta de liberdade. Este tribunal considerou que a empresa não pôde alegar justa causa, despedir o trabalhador com base no contrato que ele tinha, porque ia substituí-lo por uma ferramenta de AI. Boa sorte a tentar isso em Portugal.

E digo-vos já, eu espero que esta, embora esta decisão tenha sido sem precedentes, eu espero que esta decisão seja o precedente para muitas decisões futuras. E, mais uma vez, em continuação de aquilo que nós temos vindo a dizer neste podcast, sempre que temos este tema, que é a inteligência artificial, é uma coisa muito boa, sem dúvida, mas para...

melhorar a qualidade de vida das pessoas e não para lhes tirar o seu sustento e temos de empregar de forma responsável e consciente Let's fucking go Shout out esse tribunal chinês Shout out China for the winner

má nada, sabe isto que é? eu sinto mesmo que isto aqui em Portugal como tu dizes seria uma coisa absurda possivelmente a empresa ia receber um tax relief um alívio de impostos por ter se tornado mais eficiente é mesmo nós vivemos na ponta da lança da distopia

Sim, nós estamos, como diriam os americanos, na cutting edge. Já, porque se tu pensares bem, entre Israel e Estados Unidos, Portugal está no meio a fazer um L. Está legal. Por acaso, aproveito aqui para recuperar aqui este assunto desta jovem criança que está aqui a aprender a andar de bicicleta, que é, para saudar...

um ouvinte do podcast uma pessoa que eu conheço que é o namorado da Isabel Viana, não sei se vocês estão a par Ah, interessante falares nele O André Shoutout ao André Eu vou falar com ele na noite 25 de Abril Olha Antes de continuar, só fazeste parênteses Ele vem-me falar

de uma organização militar da altura do período revolucionário que foi a SUV Soldados Unidos Vencerão que era um coletivo dos praças e dos militares de baixa patente que se estava a apresentar como alternativa ao MFA que era praticamente só oficiais e ele é uma pessoa altamente conhecedora destes assuntos relativos ao 25 de Abril global

mas nada, sempre uma grande qualidade para se ter ias falar acerca do ciclismo? sim, ia falar porque ele enquanto ouvinte do nosso podcast ouviu o nosso último episódio em que aqui o Miguel estava evangelizando-me acerca dos benefícios diversos e nessa noite evangelizei-o porque ele já foi ciclista

continua, mas pronto, ele mandou uma mensagem através da sua esposa para a minha, a dizer olha, em relação a isto que o Miguel estava a dizer ao João, esposa Correio sim, esposa Correio é um novo conceito

em relação a estas coisas como ele estava a dizer ao João eu não sei se ele está a par mas se ele não está interessado em fazer um grande investimento inicialmente a Decathlon agora expandiu a sua subscrição de bicicletas de crianças para adultos podes pagar bikes ao mês

E eu já fui ver e eles têm duas modalidades, uma que é uma fidelização, uma subscrição de um ano basicamente, que depois se não quiseres podes cancelar, ao pagar mês a mês, que era, acho que o mais barato era 18€ por mês, por uma bicicleta, que não é nada mau, perfece, e tinha um plano se calhar para as pessoas mais cautelosas que era 35€ por uma fidelização de 3 meses.

Ah, também não é nada mal, mano. No entanto, um, quando acaba, esses 35€ permanecem, não é? Como assim? Ou seja, imagina, tu se fizesse a de um ano, pagas os 18€ todos os meses. Certo. Depois quando acaba, continuas a pagar 18€. Na outra, ok, só te fidelizas 3 meses, mas depois continuas a pagar 35, estás a ver? Porquê? Ou seja, não... Passados os 3 meses? Sim, depois não baixa.

estás a ver? se quiseres fazer um ano a seguir não podes? tu calhar podes não sei se podes fazer com a mesma bicicleta sim, está bem ou seja, tens de renovar por 3 meses pelo mesmo valor exatamente está bem 35 euros em 3 meses porra, também é barato sim, claro também é um excelente preço e digo-te já que eu não sei se não vou aqui dar uma experiência eu acho que é uma excelente alternativa a quem não quer comprar uma bicicleta porque não sabe se quer comprometer com isso mas quer experimentar o lifestyle

Exato, por isso digo-te já se, não sei se aqui o André não providenciou a solução vencedora. Ele falou-me disso, ainda bem que ele te foi falar diretamente disso. Estás a ver? O André a quem eu estou a tentar vender uma das minhas bicicletas. Toma! Vê-me malte isto aqui, está aqui toda uma economia circular, todo um ecossistema dentro do ciclismo.

mais vale das mulheres a mim cada católico acho eu tal e qual e também falei com tentei evangelizar também o Bruno Ferreira que é o rapaz que neste momento opera a câmara no concerto do Mário que é um grande bacano de Braga e tentei fazer link up dele com outro indivíduo de Braga que é o Desenrasca

que faz restauro de bicicletas antigas e que para cá se faz um grande trabalho shout out, desenrasca no Instagram sigam o gajo porque que mais não seja as fotos das bikes são bonitas de ver porque ele também é bom fotógrafo

Que agora está cá em Lisboa, num evento que é o Bike Buzz Summit. E o que é que é um Bike Buzz? Perguntas tu. Eu sei que isso é uma iniciativa cá em várias escolas aqui de Lisboa. É uma maneira de levar os miúdos à escola de bicicleta, em que tu tens um ciclista à frente do comboio de bicicletas, um atrás e um no meio de lado a controlar.

Já vi sair por diversas zonas de Lisboa. Excelente, excelente, excelente iniciativa. Excelente iniciativa de sensibilização também do trânsito porque acho que nenhum ser humano é imune a um grupo de crianças que andam à bicicleta e que isso o faça repensar a sua forma de conduzir. Sem dúvida. Autocarros, bicicletas são uma aposta vencedor. Já. Hoje tive um amigo.

Um amigo Tiago Paz, que está pelo nome no Instagram de Instagramunho, e que faz grandes reviews de restaurantes, e não só. E que estava na Holanda, penso eu, ou na Bélgica, num desses países altamente avançados, e estava a postar exemplos da cidade. Por exemplo, um jardim.

cheio de árvores e no meio do jardim um carril por onde passava um metro de superfície, um elétrico. Eu vou dizer, realmente, estes selvagens do centro da Europa metem aqui um elétrico a andar no meio de um jardim. Sr. Carlos Moedas, venha cá ver isto, porque isto precisa de acabar. Mande lá os seus conselhos como é que se faz a urbanização em Lisboa. Exatamente.

Entre outros exemplos, zonas pedonais ou zonas limitadas a 30 km à hora e bairros inteiros da cidade onde não houve carros, tu não houve carros a andar.

Meu amigo, isto claramente é uma sociedade que está a viver no século XVI. Epá. Isto é de uma barbárie. Mas podes crer que eu acho que às vezes os portugueses não têm ideia, nem noção, do quão atrasados nós somos a esse nível. Sim. Ao nível do planeamento urbanístico e de como é que se faz uma cidade ser saudável. É mesmo...

é horrível. Se eles soubessem o que é que estavam a fazer tinham pegado nesse jardim tinham metido uma via de alcatrão a cortar no meio dessa merda Sim, ou uma ponte com uma autoestrada por cima Exato, tal e qual. E por baixo um parque de estacionamento Exato, estás a ver se é que há alguma necessidade desse parque estar lá

Isso também é uma questão. Porque imagina, se calhar poderíamos pegar nisso e abrir ali um hub de empresas. Sim, sim, sim. De startups estrangeiras que não pagam impostos cá. Mas pronto, olha, por falar nisso, estou a trabalhar num novo tema que lançarei em breve. Vamos embora. E fica aqui, só para os ouvintes do podcast exclusivo, esse tema vai falar sobre esplanadas.

aliás o nome do tema é Esplanada e fala sobre esse grande staple da cultura não só portuguesa como europeia especialmente mediterrânica o verdadeiro berço da civilização e uma rua cheia de esplanadas é uma rua de uma cidade viva uma rua cheia de carros não é e a esplanada é um símbolo de resistência fica aqui dito para mim e dentro dessa música tem lá um verso que diz é

Há quem lá queira ver uma carrinha estacionada. Há quem queira que a cidade seja uma autostrada. Mas nós só queremos é ver vista desafogada, mesas, cadeiras e canecas e mais nada.

Vamos embora. É assim. Fica aqui esta nota poética para terminar o episódio. Fica aqui a dica má nada. Fiquem atentos a esse release de verão. É exatamente esse o mood. E olha, pessoal, vocês já sabem isto aqui é um podcast em que não só é terapia para nós que também esperemos que seja para vocês, também seja útil. Let's go.

Desta vez aqui no Parque da Bela Vista. Charalto Parque da Bela Vista. E mantenham-se atentos aí para a próxima semana. E até porque o Miguel vai estar a lançar coisas. Não para a semana. Não para a semana, mas eventualmente. Mas eventualmente. Ah, esqueci-me. Convido toda a gente a vir à Vila das Aves.

amanhã vou dar um concerto no festival sonoridades, às 18h30 imaginem auditório da Vila das Aves conselho de Santo Tirso ou freguesia de, não sei apareçam, vou estar lá levo merch comigo, comprem discos comprem calendários meu nome é Miguel, eu sou João e este é o Seja Como Foro tchau